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FARMACOLOGIA HIPNÓTICOS E SEDATIVOS Prof. Laís Dellacqua 30/08/2020 30/08/2020 Hipnose x Sedação Nesta aula discutiremos a natureza da ansiedade e os fármacos utilizados para tratá-la (fármacos ansiolíticos), bem como os fármacos utilizados para tratar a insônia (fármacos hipnóticos). Fármacos sedativos: Tranquilizantes/calmantes Fármacos hipnóticos: Indutores do sono 30/08/2020 NATUREZA DA ANSIEDADE 30/08/2020 A resposta normal a estímulos ameaçadores engloba vários componentes que incluem comportamentos de defesa, reflexos autonômicos, despertar e alerta, secreção de corticosteroides e emoções negativas. Nos estados de ansiedade, essas reações ocorrem de maneira antecipatória, muitas vezes independentemente dos estímulos externos. A distinção entre um estado “patológico” e um estado “normal” de ansiedade não é clara, mas representa o ponto em que os sintomas interferem na realização de tarefas produtivas normais. 30/08/2020 O termo “ansiedade” é aplicado a muitos transtornos distintos. Os transtornos de ansiedade reconhecidos clinicamente incluem os seguintes: -Transtorno de ansiedade generalizada (estado permanente de ansiedade excessiva em que falta uma razão ou um foco definido) -Transtorno de ansiedade social (medo de estar e de interagir com outras pessoas) -Fobias (medo excessivo de objetos ou situações específicas, por exemplo, cobras, espaços abertos, andar de avião) -Transtorno de pânico (ataques súbitos de medo aterrador que ocorrem em associação com sintomas somáticos exuberantes, tais como sudação, taquicardia, dor torácica, tremor e sensação de sufocamento). -Transtorno de estresse pós-traumático (PTSD; do inglês, post-traumatic stress disorder; distúrbio desencadeado por uma lembrança de experiências passadas estressantes) -Transtorno obsessivo-compulsivo (comportamentos compulsivos ritualistas desencadeados por ansiedade irracional. 30/08/2020 A descrição extensiva dos transtornos de ansiedade pode ser encontrada no DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais) É necessário enfatizar que o tratamento desses transtornos geralmente envolve abordagens psicológicas, assim como o tratamento com fármacos. Ao longo da última década, o tratamento farmacológico da ansiedade mudou da utilização dos agentes ansiolíticos/hipnóticos tradicionais (benzodiazepínicos e barbitúricos) para o uso de fármacos também utilizados para tratar outros distúrbios do sistema nervoso central (SNC) (fármacos antidepressivos, antiepilépticos e antipsicóticos) ou agonistas dos receptores serotonina (5- HT)1A (ex., buspirona) que não têm efeito hipnótico. 31/08/2020 Além disso, os benzodiazepínicos, ao mesmo tempo que são fármacos ansiolíticos eficazes, têm a desvantagem de causar efeitos secundários não desejáveis, como amnésia, capacidade de induzirem tolerância e dependência física, assim como serem substâncias de uso abusivo. Eles são também ineficazes em tratar a depressão que ocorre juntamente com ansiedade. Ao contrário dos antidepressivos e da buspirona, que necessitam de tratamento por 3 semanas ou mais para mostrar algum efeito terapêutico, os benzodiazepínicos atuam em 30 minutos, de modo que podem ser úteis para pacientes que requeiram tratamento agudo, e podem ser tomados “conforme necessário” FÁRMACOS USADOS PARA TRATAR A ANSIEDADE 30/08/2020 30/08/2020 BENZODIAZEPÍNICOS E FÁRMACOS ASSOCIADOS Centenas de componentes foram feitos e testados, e cerca de 20 estão disponíveis para uso clínico 30/08/2020 MECANISMO DE AÇÃO Os benzodiazepínicos atuam seletivamente nos receptores GABA , que medeiam a transmissão sináptica inibitória no SNC. Eles se ligam especificamente a um ponto do receptor GABA e atuam para aumentar a afinidade do GABA pelo seu receptor. Eles atuam como moduladores positivos para facilitar a abertura dos canais de cloreto GABA-ativados, aumentando, assim, a resposta ao GABA 30/08/2020 30/08/2020 Sobre a variedade de subtipos de receptores GABA: As diversas combinações de subunidades que formam o receptor GABA permitem a ocorrência de diferentes tipos de receptores. Esses, ocorrem em diferentes partes do cérebro, e têm funções fisiológicas distintas e diferenças sutis nas suas propriedades farmacológicas 30/08/2020 As análises das subunidades do receptor GABA indicam que os receptores contendo a subunidade α1 medeiam os efeitos anticonvulsivantes, sedativos/hipnóticos, mas não o efeito ansiolítico dos benzodiazepínicos. Os receptores que contêm a subunidade α2 medeiam o efeito ansiolítico Os receptores contendo as subunidades α2, α3 e α5 medeiam o relaxamento muscular Os receptores contendo as subunidades α1 e α5 medeiam os efeitos amnésicos Dessa forma, os pesquisadores tentaram desenvolver fármacos seletivos para cada subunidade. Infelizmente, isso foi difícil, devido às semelhanças estruturais entre o ponto a que se ligam os benzodiazepínicos nas diferentes subunidades α *Era esperado que a eficácia seletiva para os receptores que contêm a subunidade α2 fosse produzir fármacos ansiolíticos sem os feitos indesejados da sedação e da amnésia. No entanto, esses compostos ainda não foram transformados em agentes terapêuticos para seres humanos 30/08/2020 30/08/2020 O flumazenil pode ser usado para reverter o efeito da intoxicação por benzodiazepínicos (normalmente usado apenas se a respiração estiver gravemente deprimida) ou para reverter o efeito dos benzodiazepínicos, como o midazolam utilizado para pequenos procedimentos cirúrgicos. 30/08/2020 30/08/2020 Utilização dos Benzodiazepínicos Redução da ansiedade e agressão Os benzodiazepínicos são usados principalmente para tratar estados de ansiedade aguda, emergências comportamentais e durante procedimentos como a endoscopia. Eles também são utilizados como pré-medicação antes de cirurgias (médicas e dentárias). Perante tais circunstâncias, suas propriedades ansiolíticas, sedativas e amnésicas podem ser benéficas. O midazolam pode ser usado para induzir a anestesia 30/08/2020 Redução do tônus muscular Os benzodiazepínicos reduzem o tônus muscular por uma ação central nos receptores GABA, primariamente na medula espinal. O aumento do tônus muscular é um sintoma frequente dos estados de ansiedade e pode contribuir para mal-estar e dores, incluindo cefaleias, que muitas vezes incomodam os pacientes ansiosos. Assim, o efeito relaxante dos benzodiazepínicos pode ser clinicamente útil. 30/08/2020 Efeitos anticonvulsivantes Clonazepam, diazepam, midazolam e lorazepam são utilizados para tratar epilepsia . Eles podem ser administrados intravenosamente e salvar a vida ao controlar o estado de mal epiléptico. O diazepam pode ser administrado por via retal nas crianças para controlar as crises epilépticas agudas. A tolerância desenvolve-se para as ações anticonvulsivantes dos benzodiazepínicos 30/08/2020 Amnésia anterógrada Os benzodiazepínicos induzem amnésia, um efeito não observado com outros depressores do SNC. Pequenas cirurgias ou procedimentos invasivos podem ser efetuados sem deixar memórias desagradáveis. Flunitrazepam (mais conhecido pelo público em geral por seu nome comercial, Rohypnol®) é conhecido como droga do estupro, uma vez que é utilizado nessas violações e as vítimas frequentemente têm dificuldade em recordar exatamente o que aconteceu durante o ataque. Pensa-se que a amnésia seja causada pela ligação dos benzodiazepínicos aos receptores GABA que contêm a subunidade α5. 30/08/2020 Aspectos farmacocinéticos Os benzodiazepínicos são bem absorvidos quando administrados oralmente, alcançando normalmente o pico de concentração plasmática em cerca de 1 hora. Sua alta solubilidade lipídica faz com que muitos se acumulem gradualmente no tecido adiposo. Eles são normalmente administrados por via oral, mas podem ser administrados por via intravenosa ( diazepam no estado epiléptico, o midazolam na anestesia), bucal ou retal. A injeção intramuscularresulta em uma absorção lenta. Os benzodiazepínicos são todos metabolizados e eventualmente excretados na urina. Eles variam muito na sua duração de ação e podem ser grosseiramente divididos em compostos de ação de curta, média e longa duração 30/08/2020 A duração de ação influencia o seu uso: os compostos de ação de curta duração são úteis como hipnóticos, com poucos efeitos de ressaca ao acordar; os compostos de ação de longa duração são mais úteis como fármacos ansiolíticos e anticonvulsivantes. A idade avançada afeta na excreção do fármaco. Assim, os efeitos dos benzodiazepínicos de ação de longa duração tendem a aumentar com a idade e é frequente que a sonolência e a confusão se instalem de forma insidiosa por essa razão. 30/08/2020 Efeitos indesejáveis Toxicidade aguda Os benzodiazepínicos na superdosagem aguda são consideravelmente menos perigosos que outros fármacos ansiolíticos/hipnóticos. Uma vez que esses agentes são muitas vezes utilizados em tentativas de suicídio, isso é uma vantagem importante. Em superdosagem, os benzodiazepínicos causam sono prolongado com depressão grave das funções respiratória e cardiovascular. No entanto, na presença de outros depressores do SNC, particularmente o álcool, os benzodiazepínicos podem causar grave depressão respiratória, inclusive com sério risco à vida. FLUMAZENIL 30/08/2020 Efeitos colaterais durante o uso terapêutico Os principais efeitos adversos dos benzodiazepínicos são: sonolência Confusão Amnésia Descoordenação Os benzodiazepínicos aumentam o efeito depressor de outros fármacos, incluindo o álcool, em uma forma mais do que aditiva. 30/08/2020 Tolerância e dependência Tolerância: aumento gradual da dose necessária para produzir o efeito desejado. Ocorre com todos os benzodiazepínicos, assim como a dependência, que é o seu principal obstáculo. Os benzodiazepínicos produzem dependência e isso é um grande problema. Em pacientes, a interrupção abrupta do tratamento com benzodiazepínicos causa aumento de ansiedade a rebote durante semanas ou meses, com tremor, tonturas, zumbidos, perda de peso e transtorno do sono. É recomendado que os benzodiazepínicos sejam retirados gradualmente pela diminuição progressiva da dose. A retirada após administração crônica causa sintomas físicos como nervosismo, tremor, perda de apetite e, às vezes, convulsões. 30/08/2020 FÁRMACOS USADOS PARA TRATAR A INSÔNIA 30/08/2020 FÁRMACOS UTILIZADOS PARA TRATAR A INSÔNIA (FÁRMACOS HIPNÓTICOS) A insônia pode ser transitória: - Em pessoas que normalmente dormem bem, mas têm que alterar turnos de trabalho, ou devido a doença ou estresse emocional Ou pode ser crônica, em que existe uma causa subjacente - Como ansiedade - Depressão, - Uso abusivo de fármacos - Dor, prurido ou dispneia. 30/08/2020 Os fármacos utilizados para tratar a insônia são: Benzodiazepínicos. Benzodiazepínicos de curta duração de ação (p. ex., lorazepam e temazepam) são utilizados para tratar a insônia porque têm pouco efeito de ressaca. O diazepam, como tem efeito de ação mais longo, pode ser utilizado para tratar a insônia associada à ansiedade diurna •Fármacos Z (zaleplona, zolpidem e zopiclona). Embora quimicamente distintos, esses hipnóticos de curta ação atuam no local dos benzodiazepínicos nos receptores GABA contendo a subunidade α1. Eles não têm atividade ansiolítica. •Agonistas dos receptores da melatonina. A melatonina, a ramelteona e o tasimelteona são eficazes em tratar a insônia nos idosos e em crianças autistas, bem como em indivíduos totalmente cegos 31/08/2020 INDUÇÃO DO SONO PELOS BENZODIAZEPÍNICOS Os benzodiazepínicos diminuem o tempo para adormecer e aumentam a duração total do sono, apesar de o último efeito ocorrer apenas em indivíduos que dormem menos de 6 horas por noite. Com os agentes que têm uma curta duração de ação (zolpidem ou temazepam), um efeito de ressaca proeminente ao acordar pode ser evitado. 30/08/2020 QUALIDADE DO SONO Sono REM está associado aos sonhos, e o sono de ondas lentas, que corresponde ao estado do sono mais profundo A maioria dos fármacos hipnóticos reduz a proporção do sono REM A interrupção artificial do sono REM causa irritabilidade e ansiedade, mesmo que a duração total do sono não tenha sido reduzida, e a perda do sono REM, no final dessa experiência, tem um aumento a rebote do sono A proporção do sono de ondas lentas é significativamente reduzida pelos benzodiazepínicos