Ponto 3 - Processo Civil
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Ponto 3 - Processo Civil

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de contas (obrigação de fazer)
Condenação ao pagamento do saldo residual (obrigação de pagar)
	Contas de inventariante, tutor etc: as contas do inventariante, do tutor, do curador, do depositário e de outro qualquer administrador serão prestadas em apenso aos autos do processo em que tiver sido nomeada.
	Natureza dúplice da ação: significar dizer que o bem da vida objeto da demanda \u2013 dinheiro resultante do saldo devedor \u2013 irá obrigatoriamente ficar com uma das partes. 
3.11.4. Ações possessórias 
1. Noções Gerais e Espécies:
As ações possessórias competem a quem pretender proteger a posse de seus bens, sem discutir o domínio sobre eles (art. 923 do CPC). Há separação entre direito possessório (jus possessionis) do direito petitório (jus possidendi \u2013 Tutela da posse como um dos atributos da propriedade).
São espécies de ações possessórias previstas no CPC:
- Reintegração de posse \u2013 caso de esbulho (só há perda da posse no caso do art. 1224 do CC);
- Manutenção de posse \u2013 caso de turbação (incômodo ao exercício normal da posse);
- Interdito proibitório \u2013 \u201cjusto receio\u201d de ser molestado na posse (esbulho ou turbação iminentes).
Outras ações relacionadas (não possessórias): Ação de imissão de posse (baseada em documento que outorga direito à posse contra quem tem obrigação de transferi-la, sem discussão sobre domínio); Ação Reivindicatória (baseada no domínio, que faz coisa julgada); Embargos de terceiro (utilizada pelo terceiro prejudicado no caso do desapossamento decorrer de cumprimento de ordem judicial); nunciação de obra nova, dano infecto, etc.
2. Características: Há fungibilidade entre as ações possessórias (art. 920). Significa a possibilidade do juiz conhecer e decidir de pedido diverso daquele originalmente formulado pelo autor (ex: verificado o esbulho no curso da ação de manutenção de posse, cabe reintegração).
O autor pode cumular ao pedido possessório (I) pedido de condenação em perdas e danos, (II) cominação de pena para caso de nova turbação ou esbulho e (III) desfazimento de construção ou plantação feita em detrimento de sua posse (art. 921).
As possessórias são demandas de natureza dúplice: o réu pode voltar-se contra o autor, postulando proteção possessória e indenização na própria contestação (art. 922). Porém, pedido de natureza diversa só poderá ser veiculado por meio da reconvenção.
3. Procedimento: proposta a ação dentro de ano e dia do esbulho ou da turbação (ação de força nova), a ação segue rito especial (art. 924-931); passado o prazo decadencial (ação de força velha), segue o rito ordinário (art. 924 \u2013 e, eventualmente, o rito sumário, art. 275, I, ou da Lei n. 9.099/95, a depender do valor do bem \u2013 STJ, CC 62.402/MG, DJ 11/10/2007).
Não deixa de haver tutela possessória, porém o procedimento possessório é diverso, em especial quanto aos requisitos a serem demonstrados para a concessão da tutela liminar possessória: na ação de força velha depende, além dos requisitos do art. 927, da demonstração de uma situação de urgência (art. 273), enquanto na força nova o risco de demora é presumido e deve ser concedida (art. 928). Mas é importante destacar que, na força velha, não se afasta de plano a possibilidade de antecipação da tutela (Cfr. Enunciado 238 da I Jornada de Direito Civil).
O rito do interdito proibitório será sempre o especial (art. 933), pois não se cogita de situação envolvendo posse velha, visto que a ameaça de ofensa à posse é necessariamente a atual.
O foro competente é o da situação da coisa (art. 95 do CPC \u2013 competência territorial absoluta).
Incumbe ao autor demonstrar (I) sua posse (fundamento da possessória); (II) a turbação ou esbulho; (III) a data em que ocorreu (para se verificar o procedimento a ser adotado); e (IV) a continuação da posse turbada ou a sua perda, conforme consta do art. 927 do CPC.
Sendo a ação de força nova e estando o juiz suficientemente convencido do cumprimento dos requisitos do art. 927, deve conceder a tutela antecipada (art. 928), independentemente dos requisitos do art. 273 do CPC; caso não demonstrados, o juiz designará audiência de justificação, citando o réu a participar do ato, mas não para se defender (não pode produzir provas nessa audiência, mas apenas contraditar as produzidas pelo autor, cfr. Marcato, p. 150, e Marinoni, p. 108), o que somente se dá após o despacho que deferir ou não a antecipação da tutela, em havendo justificação prévia (art. 930, parágrafo único).
A antecipação da tutela possessória não pode ser concedida contra pessoa jurídica de direito público antes da oitiva de seu representante judicial (art. 928, parágrafo único).
4. Legitimidade: É legitimado ativo aquele que se afirma possuidor (direto ou indireto) do bem, independentemente da condição de proprietário, e legitimado passivo aquele que se supõe infringidor da posse alheia. Haverá litisconsórcio necessário dos cônjuges nos casos de composse ou de ato por ambos praticados (art. 10, § 2º, do CPC).
O possuidor direto pode promover a ação em face do indireto (art. 1197 do CC), ou vice-versa (Marcato, p. 147). O detentor, que conserva a coisa no interesse de outrem (detentor dependente \u2013 art. 1198 do CC), não tem legitimidade. Já o detentor interessado (art. 1208 do CC) tem direito à tutela contra agressões de terceiros, mas não contra o possuidor. Se acionado o detentor-preposto, cabe nomeação à autoria em relação ao possuidor (art. 62 do CPC). Já se acionado o locatário (possuidor direto), tem ele a faculdade de denunciar a lide ao locador (CPC, art. 70, II).
No caso da ação possessória envolver, como parte ré, uma multidão de pessoas, admite-se que a citação ocorra na pessoa do seu líder, ainda que informal, citando-se as demais por edital (CPC, art. 231, I), sob pena de se tornar impossível a tutela possessória ao autor (STJ, REsp 837.108/MG, DJe 18/06/2008). No litígio possessório coletivo é necessária intervenção do MP.
5. Considerações diversas:
Não cabe tutela possessória de servidões não aparentes, salvo quando tituladas (art. 1213 do CC), e de bens imateriais (Súmula 228 do STJ), pois não são objeto de posse. Ver Súmula 415 STF.
Se o Poder Público já deu ao imóvel uma destinação pública, não é possível a ação possessória. Nesse caso, cabe ação de desapropriação indireta para pleitear perdas e danos.
O réu pode pedir ao juiz que ordene ao autor, enquanto provisoriamente mantido ou reintegrado na posse (isto é, até a sentença de procedência), que proceda à caução, sob pena de ser depositada a coisa litigiosa, caso provado que o autor carece de idoneidade financeira para responder por perdas e danos no caso de sua sucumbência (art. 925).
Súmula 487 do STF parcialmente superada, pois só aplicável ao caso em que se postula a posse com base no domínio (Tartuce,, p. 781; Marcato, p. 145).
3.11.5 Desapropriação
Ação que tem por escopo a incorporação de imóvel ao patrimônio público, para que he seja dada destinação de interesse público, mediante o pagamento de justa e prévia ndenização.
Trata-se de ação de cognição parcial, pois \u2013 fundada na supremacia do interesse público \u2013 somente permite a discussão acerca do valor da indenização, e, ao mesmo tempo, de cognição exauriente, não havendo limitação quanto à produção de prova relacionada à indenização.
Direito de extensão. É o direito de exigir da Administração indenização pelos prejuízos extraordinários causados diretamente pela desapropriação ou de exigir a desapropriação da totalidade da área (área remanescente) - art. 37 do Decreto-lei nº 3.355/64. Permite-se tal discussão por se tratar do justo direito à indenização.
Competência: foro em que localizado o bem.
Requisitos da PI (art. 13): além dos requisitos previstos no CPC, oferta do preço, cópia do decreto expropriatório e planta do imóvel.
Imissão provisória na posse (art. 15 do DL): condicionada à alegação de urgência pelo expropriante e ao depósito da indenização. A jurisprudência tem entendido pela necessidade de perícia