Ponto 4 - Processo Civil
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Ponto 4 - Processo Civil

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efetivo dano ao era\u301rio (crite\u301rio objetivo) e, ao menos, culpa, o mesmo na\u303o ocorrendo com os tipos previstos nos arts. 9o e 11 da mesma lei (enriquecimento ili\u301cito e atos de Improbidade Administrativa que atentam contra os princi\u301pios da Administraça\u303o Pu\u301blica), os quais se prendem ao volitivo do agente (crite\u301rio subjetivo) e exige-se o dolo. 
(AgRg no REsp 1225495/PR, Rel. Min. Benedito Gonc\u327alves, Primeira Turma, em 14/02/2012) 
Nos casos do art. 11 da Lei 8.429/1992 na\u303o se exige o chamado \u201cdolo especi\u301fico\u201d (expressa\u303o em desuso no direito penal contemporâneo, mas ainda encontrada nos julgados), exige-se o dolo chamado dolo gene\u301rico (direto ou eventual). Nos casos do art. 11, basta que o agente tenha agido com o DOLO GENERICO de realizar conduta que atente contra os princi\u301pios da Administraça\u303o Pu\u301blica, na\u303o se exigindo a presença de intença\u303o especi\u301fica, pois a atuaça\u303o deliberada em desrespeito a\u300s normas legais, cujo desconhecimento e\u301 inescusa\u301vel, evidencia a presença do dolo. 
(AgRg no REsp 1230039/MG, Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 15/12/2011) 
Esse dolo GENE\u301RICO abrange tanto o DOLO DIRETO como o DOLO EVENTUAL. Vale ressaltar, ainda, que o conceito de DOLO e\u301 mais amplo e complexo que o de simples voluntariedade. Assim, dolo na\u303o e\u301 sinônimo de voluntariedade. O conceito atual de dolo (e que deve ser aplicado a\u300 improbidade administrativa) e\u301 construi\u301do pelo direito penal segundo a teoria finalista da aça\u303o.\u201d
A doutrina discute a figura da improbidade culposa. ARISTÍDES JUNQUEIRA afirma que o reconhecimento da improbidade culposa chega a ser inconstitucional. RESP 213994 (STJ) (Julgado em 1999) afirma que a LEI ALCANÇA O ADMINISTRADOR DESONESTO e não o inábil. O que qualifica a improbidade é a desonestidade, como pode existir uma desonestidade culposa? Existe a improbidade culposa no artigo 10, por força da lei. Mas a doutrina verifica que quando se quer afirmar que uma improbidade é culposa, conclui-se que ou não é improbidade ou não é culposa (improbidade culposa é uma contrariedade em termos). No MP, há defesa de GESTÃO TEMERÁRIA, capaz de justificar a culpa. CRÍTICA: a gestão temerária está mais próxima da idéia de dolo eventual (a doutrina chama de CULPA GRAVE) e não de culpa estritamente considerada.
ATENÇÃO: quem causa dano ao erário, mesmo que culposamente terá que indenizar, EXEMPLO: servidor que deixa o computador cair da mesa de trabalho, é culpa e não um dolo, não é capaz de configurar improbidade administrativa. 
6.11. Sanções 
Como regra geral, as responsabilidades são distintas, garantido a aplicação de punições nas diversas esferas distintas (civil, penal, administrativa e improbidade). O dispositivo legal estabeleceu espécies de penas em número maior do previsto na própria CR (artigo 37, § 4o): pagamento de multa civil, proibição de contratar com o Poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.
O STJ, ao apreciar o RESP 440178, afirmou que a lei pode criar penas, quem não pode é o aplicador do direito, não havendo inconstitucionalidade na previsão do artigo 12 da LIA (mas chegará ao STF por que se trata de interpretação constitucional).
São as seguintes:
- suspensão dos direitos políticos
- indisponibilidade de bens
- ressarcimento ao erário		 PREVISÃO CONSTITUCIONAL	
- perda da função pública
- pagamento de multa 									 Lei 8.429
- proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário
	
	ENRIQUECIMENTO ILÍCITO
	PREJUÍZO AO ERÁRIO
	VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS
	Suspensão dos direitos políticos
	8 a 10 anos
	5 a 8 anos
	3 a 5 anos
	Pagamento de multa civil
	Até 3 X o valor do acréscimo patrimonial
	Até 2 X o valor do dano
	Até 100 X o valor da remuneração mensal do agente
	Proibição de contratar com a administração ou de receber benefícios ou incentivos fiscais creditícios
	10 anos
	05 anos
	03 anos
PENA EM BLOCO é a aplicação de todas essas penas de uma vez, a maioria da doutrina entende que não pode ser em bloco porque prejudica a individualização da pena. O juiz pode escolher quais irá aplicar de acordo com a gravidade do ato, o juiz é que irá determinar (proporcionalidade e razoabilidade), essa é a posição do STJ: RESP 505.068 e RESP 300.184. O que não se pode fazer de forma nenhuma é misturar as sanções dos artigos entre si.
ATENÇÃO: qualquer regra infraconstitucional que crie barreira de aplicação da regra constitucional (estabelecimento de impossibilidade de perda da função pública) é inconstitucional, em decorrência do § 4o do artigo 37. 
Existem algumas categorias funcionais (pela independência ou pela relevância) que possuem regras especiais para a aplicação da perda de função pública; não é vedação de aplicação, mas estabelecimento de procedimento específico. Exemplo: o juiz vitaliciado somente pode perder a função pública diante do ajuizamento de uma ação própria para esse fim, no Tribunal ao qual vinculado. 
A suspensão dos direitos políticos e a perda da função pública são penas. Entretanto, a INDISPONIBILIDADE DOS BENS não tem característica de pena, tem somente caráter acautelatório, sem característica punitiva; a CF colocou a indisponibilidade junto com as penas. A INDISPONIBILIDADE DE BENS é uma forma de se acautelar o posterior ressarcimento ao erário não tendo natureza jurídica de pena. 
Há questionamento sobre a natureza jurídica do ressarcimento ao erário. Na verdade, não se trata de uma pena, mas somente a recuperação ao status quo ante. 
A Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8429) é a lei que está prevista no mandamento constitucional: FORMA E GRADAÇÃO (eficácia limitada) dos atos de improbidade, ou seja, serve para estabelecer os tipos e as penas. 
6.12. Ressarcimento/ Prescrição
RESSARCIMENTO ao erário tem uma regra estabelecida no artigo 37, § 5o, da CF.
Art. 37, § 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.
A lei estabelece prazo de prescrição para o ajuizamento de ação de improbidade, mas existe o entendimento (AMPLAMENTE MAJORITÁRIO) de que as ações de ressarcimento são imprescritíveis. Assim, para a buscar o ressarcimento, não há prazo prescricional.
CRÍTICA (RDA 237 \u2013 ALMIR DO COUTO SILVA): a imprescritibilidade NÃO pode ser presumida. O ressarcimento NÃO é imprescritível, mas estaria submetido à regra geral do CC e não às estabelecidas especificamente pela lei prevista no § 5o., do artigo 37, CF (artigo 23, da Lei 8429).
Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas:
I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança;
II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego.
Mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança: são transitórios e têm o prazo de prescrição de 05 anos do TÉRMINO DO VÍNCULO com a Administração Pública. 
Em caso de término do mandato, o próximo mandato será considerado como continuidade do primeiro, desde que não exigida a desincompatibilização para o exercício do novo mandato. Começando o prazo do término do segundo mandato. 
Sempre que houver a necessidade de desincompatibilização (LC 64), interrompe-se o mandato, razão pela qual começa a contar o prazo de prescrição.
Exercício de cargo efetivo ou emprego: não são tão transitórios, são mais permanentes. As sanções administrativas têm o mesmo prazo de prescrição previsto para as infrações disciplinares puníveis com demissão. Exemplo: artigo 142, Lei 8112 (prazo de 05 anos). ATENÇÃO: para cada servidor a regra de prescrição estará