APOSTILA LUIS FL+üVIO GOMES
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APOSTILA LUIS FL+üVIO GOMES


DisciplinaDireito Processual Penal I22.198 materiais191.614 seguidores
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Inquérito Policial contra Juiz de Direito
Quem preside este inquérito é um desembargador sorteado no Tribunal de Justiça.
Inquérito Policial contra Promotor
Quem preside este inquérito é o Procurador Geral da Justiça ou um Promotor por ele designado.
Inquérito Policial contra Autoridade Policial
Quem preside este inquérito é uma autoridade policial de hierarquia superior.
Correição Parcial - é cabível durante o Inquérito Policial quando o juiz não acata o pedido de devolução do Inquérito à autoridade policial.
Habeas Corpus - é possível para 2 finalidades:
Para evitar o indiciamento quando for este arbitrário; e
Para trancar o Inquérito Policial quando o fato é atípico ou o crime já prescreveu.
Quem julga este habeas corpus é o juiz de direito. Se denegar o Habeas Corpus cabe Recurso em Sentido Estrito ou um novo Habeas Corpus contra o Juiz.
Prisão em Flagrante de Juiz 
Se o crime cometido pelo juiz for inafiançável ele pode ser preso. A autoridade policial lavra o Auto de Prisão em Flagrante e imediatamente o encaminha ao Tribunal de Justiça, inclusive o preso.
Prisão em Flagrante de Promotor
Se o crime cometido pelo Promotor for inafiançável ele pode ser preso. A autoridade policial lavra o Auto de Prisão em Flagrante e imediatamente o encaminha ao Procurador Geral da Justiça, inclusive o preso.
DA AÇÃO PENAL
Não há pena sem processo. Não há processo sem ação.
Conceito: é o direito de pedir a tutela judicial.
Fundamento Constitucional: Art. 5º, XXXV, CF/88
Características:
É um direito público - porque a ação penal visa a aplicação do Direito Penal que é público.
Direito Subjetivo - pertence a alguém, tem titular. Na ação pública o titular é o Ministério Público e na Ação Privada é o ofendido.
É um Direito Autônomo ou Abstrato: é um direito que independe da procedência ou improcedência do pedido.
É um Direito Específico ou Determinado - o direito de ação está sempre vinculado a um fato concreto.
Natureza: é matéria de Direito Processual, com a ação inicia-se o processo. O CP também disciplina esta matéria, mas é instituto de Direito Processual.
Exercício do Direito de Ação
Deve ser exercido regularmente. O exercício regular depende do preenchimento de algumas condições que são as condições da ação ou de procedibilidade.
Estas podem ser genéricas ou específicas:
Genéricas - são condições que sempre são exigidas. São três:
Possibilidade Jurídica do Pedido - significa que o pedido deve versar sobre um fato típico, ou seja, descrito em lei.
Legitimidade \u201cad causam\u201d para causa - no Polo Ativo: Ministério Público e Ofendido. No Polo Passivo: pessoa física, maior de 18 anos e que for autora do crime.
Interesse de Agir - é o pedido idôneo, quando existe \u201cfumus boni juris\u201d - quando há justa causa - quando estão presentes prova ou probabilidade da existência do crime e prova ou probabilidade da autoria do crime.
Específicas - são condições que são exigidas eventualmente. Ex.: Representação da Vítima, Requisição do Ministro da Justiça.
Se faltar alguma condição específica o juiz rejeita a ação. Essa ação só poderá ser reproposta desde que for suprida a falta da condição. Art. 43 CPP.
Condição de Procedibilidade é diferente de Condição de Prosseguibilidade
Condição de Procedibilidade são condições para a propositura da ação.
Condições de Presseguibilidade são condições fundamentais para o prosseguimento da ação. A ação já está em andamento (Art. 107, VIII, CP \u2013 extingue-se a punibilidade = casamento da vítima com terceiro ).
Condição de Procedibilidade é diferente de Condição Objetiva de Punibilidade
Condição de Procedibilidade é assunto de Direito Processual.
Condição Objetiva de Punibilidade é assunto de Direito Penal. Ex.: Art. 7º, CP - extraterritorialidade.
Condição de Procedibilidade é diferente de Escusa Absolutória
Condição de Procedibilidade é matéria de Direito Processual.
Escusa Absolutória é matéria de Direito Penal. É a renúncia ao Direito de Punir por razões de política criminal. Ex.: Art. 181, CP \u2013 é isento de pena quem comete crimes previstos neste título, em prejuízo: do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; de ascendente ou descendente.
Classificação da Ação
A ação pode ser:
Pública - divide-se em Incondicionada e Condicionada
Privada - divide-se em Exclusivamente Privada, Personalíssima e Subsidiária da Pública.
Não existe no Brasil, Ação Penal Popular, que consiste na possibilidade de qualquer pessoa do povo entrar com ação penal em qualquer crime. Existe na Espanha.
Habeas Corpus tem semelhança com a Ação Penal Popular, pois qualquer pessoa pode entrar com o Habeas Corpus.
Como saber se a Ação é Pública ou Privada ?
É simples, quando a lei não dispor sobre a ação penal é ela pública incondicionada.
A ação é privada ou pública condicionada quando a lei expressamente as preverem.
Ação Penal Pública Incondicionada
Esta ação é exclusiva do Ministério Público. Mas se o Ministério Público não entrar com a ação no prazo, cabe Ação Penal Privada Subsidiária da Pública.
O Art. 26 e o Art. 531 do CPP estão revogados, pois antes da CF/88 eles autorizavam os Delegados e o Juiz a entrarem com a ação. Com o advento da CF/88 é competência exclusiva do Ministério Público.
Princípios da Ação
Oficialidade - a ação penal é proposta pelo Ministério Público. O Ministério Público é órgão oficial.
Obrigatoriedade - ou Legalidade Processual - o Ministério Público na ação pública é obrigado a denunciar, agir desde que exista justa causa. Art. 24 CPP
Exceção: é a Transação Penal - Art. 76 da Lei 9.099/95 - O Ministério Público não denuncia, ele propõe um acordo.
Indisponibilidade - a ação penal uma vez proposta é indisponível. Art. 42 CPP. Vale para o Recurso do Ministério Público. Art. 576 CPP. 
Exceção: Suspensão Condicional do Processo - Lei 9.099/95.
Indivisibilidade - a ação penal deve ser proposta contra todos os co-autores conhecidos.
Intranscendência - a ação penal não pode transcender a pessoa do delinqüente.
\u201cOpinio Delicti\u201d
É o convencimento do promotor de que existe justa causa (prova de crime e prova de autoria).
Se o promotor formar a \u201cOpinio Delicti\u201d ele apresenta a denúncia (peça acusatória que inicia o processo público).
O processo penal se inicia com o recebimento da denúncia (posição do STF).
Requisitos da Denúncia - Art. 41 CPP
Exposição do Fato criminoso - narrar o fato típico na denúncia.
Omissões não essenciais a Denúncia - podem ser supridas até as alegações finais.
Identificação do acusado - dizer quem é o réu. No caso de co-autoria, o promotor deve individualizar a conduta de cada um, na medida do possível (posição do STF).
Classificação do Crime - o Promotor deve apontar o Artigo da Lei. Essa classificação não vincula o Juiz, podendo este desclassificar o crime, mas não desde o início, somente na sentença. Ex.: Num caso de Furto Qualificado, o juiz percebe que não houve nenhuma qualificadora, devendo rejeitar em parte a denúncia, em sua parte excessiva. O promotor pode entrar com Recurso em Sentido Estrito se a denúncia for rejeitada em parte.
Rol de Testemunhas - deve ser apresentado na denúncia, sob pena de preclusão do direito.
A Denúncia deve ser escrita em vernáculo - Língua Portuguesa.
A Denúncia deve vir subscrita pelo Promotor - Deve o promotor assinar a denúncia ao final.
A Denúncia que não tiver algum desses requisitos essenciais é uma denúncia inepta, é ela rejeitada.
Prazo para Denunciar - se o réu estiver preso o prazo é de 5 dias. Se o réu estiver solto é de 15 dias. É um prazo processual, não conta o dia do início.
Denúncia Fora do Prazo - É uma mera irregularidade.
Inércia do Ministério Público
Conseqüências : 
se o réu estiver preso, a prisão pode ser relaxada;
cabe Ação Penal Privada Subsidiária da Pública;
Art. 801 CPP - perda