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Projeto do sistema de controle de uma bancada didática para posicionadores Eletro-Hidráulicos Proporcionais Relatório submetido à Universidade Federal de Santa Catarina como requisito para a aprovação da disciplina: DAS 5511: Projeto de Fim de Curso Alisson Dalsasso Corrêa de Souza Florianópolis, Março de 2003 2 Projeto do sistema de controle de uma bancada didática para posicionadores Eletro-Hidráulicos Proporcionais Alisson Dalsasso Corrêa de Souza Esta monografia foi julgada no contexto da disciplina DAS 5511: Projeto de Fim de Curso e aprovada na sua forma final pelo Curso de Engenharia de Controle e Automação Industrial Banca Examinadora: Prof. Victor Juliano De Negri Orientador do Curso Prof. Augusto Humberto Bruciapaglia Responsável pela disciplina Prof. Daniel Juan Pagano, Avaliador Alberto Xavier Pavim, Debatedor Vinicius Rafael Viecili, Debatedor 3 Agradecimentos Agradeço ao meu orientador Victor Juliano De Negri pelo tempo despendido, paciência, ensinamento a mim transmitido e, ainda, correção deste relatório. Ao amigo Roberto Antonio Rizzatti Filho que me incentivou a fazer o meu Projeto de Fim de Curso no LASHIP. Aos meus colegas de projeto Luiz Antonio Haddad Rodrigues, Rafael Bravo, Raphael Athanasio e Irving Muraro que sempre se empenharam na execução deste Projeto. Às pessoas que trabalham no LASHIP, que com bom humor todos os dias, criaram sempre um ambiente de trabalho alegre e produtivo. A minha namorada Bartira Riguetto Bussolo que sempre foi complacente com a minha dedicação na realização deste trabalho. E, finalmente, aos meus pais que me proporcionam o estudo na UFSC. 4 Resumo Este trabalho contempla o projeto de circuitos elétricos e de programa para CLP e a implementação de sistema de controle de posição eletro-hidráulico. Estas atividades estão inseridas dentro do projeto de pesquisa “Plataforma de Projeto e Comprovação Experimental de Sistemas Eletro-Hidráulicos Proporcionais: Módulo I – Bancada de trabalho”, suportado pela NFPA (National Fluid Power Association – USA), Bosch Rexroth e FUNGRAD/UFSC, que consiste de um sistema didático de projeto de sistemas eletro-hidráulicos proporcionais incluindo análises teórica e experimental. A bancada de trabalho compõe-se de uma unidade de potência hidráulica controlada por CLP, uma bancada para montagem de circuitos e um sistema de aquisição e controle VXI / LABVIEW. No presente trabalho, além do projeto elétrico para interligação do CLP com os componentes hidráulicos e sensores, realiza-se o levantamento das equações booleanas e dos diagramas de contato e a conseqüente estruturação do programa do CLP. Para a operacionalização do sistema VXI / LABVIEW foi realizada a instalação dos módulos físicos de entrada e saída digitais e de entrada e saída analógicas, bem como a implementação do software de controle e interface com o usuário. 5 Abstract This work contemplates the project of electric circuits and of program for PLC and the implementation of system of electric-hydraulic position control. These activities are inserted inside of the project of research "Platform of Project and Experimental Proof of Proportional Electric-Hydraulic Systems: Module I – Component Carrier for Training", supported by NFPA (National Fluid Power Association – USA), Bosch Rexroth and FUNGRAD/UFSC, that it consists of a didactic system of project of proportional electric-hydraulic systems including theoretical and experimental analyses. The Component Carrier for Training is composed of a unit of hydraulic potency controlled by PLC, a component carrier for assembly of circuits and an acquisition and control system VXI / LABVIEW. In the present work, besides the electric project for interlink of PLC with the hydraulic and sensor components, takes place inventorying of the booleans equations and contact diagrams and the consequent structuring of the program of PLC. For the operation of the system VXI / LABVIEW was accomplished the installation of the physical modules of input and output digital and of input and output analogical, as well as the implementation of the control software and interface with the user. 6 Índice Agradecimentos................................................................................................3 Resumo ............................................................................................................4 Abstract ............................................................................................................5 Índice ................................................................................................................6 Simbologia........................................................................................................9 Capítulo 1: Introdução ....................................................................................11 1.1: Objetivos ..............................................................................................11 1.1.1: Visão Geral....................................................................................11 1.1.2: Objetivos Específicos ....................................................................13 1.1.3: Objetivos do Presente Trabalho ....................................................14 1.2: Justificativas.........................................................................................15 1.3: Viabilidade do Projeto ..........................................................................16 1.4: Organização do Documento ................................................................16 Capítulo 2: Apresentação do Local de Realização do Projeto de Fim de Curso – LASHIP...................................................................................................................17 2.1: Histórico ...............................................................................................17 2.2: Objetivos ..............................................................................................17 2.3: Atuação Geral ......................................................................................17 2.4: Equipe..................................................................................................18 2.4.1: Professores ...................................................................................18 Capítulo 3: Revisão Bibliográfica....................................................................19 3.1: Integração da Tecnologia Hidráulica e Pneumática com CLP’s...........19 3.1.1: Introdução......................................................................................19 3.1.2: Automação e Controle Hidráulico e Pneumático ...........................20 7 3.1.3: Sistemas de Medição e de Atuação ..............................................21 3.1.4: Controladores Lógicos Programáveis............................................23 3.1.5: Compatibilização de Sensores, Atuadores e Módulos de Entradas e Saídas ................................................................................................................24 3.1.6: Linguagens de Programação – CLP..............................................25 3.2: Sistemas de Atuação ...........................................................................25 3.2.1: Válvulas Proporcionais ..................................................................25 3.2.2: Servoválvulas ................................................................................29 3.2.3: Bombas .........................................................................................30 3.2.4: Amplificadores de Potência ...........................................................31 3.3: Sistemas Hidráulicos de Controle de Posição......................................313.3.1: Sistema Eletro-Hidráulico ..............................................................32 3.4: Sistemas de Aquisição de Dados e Controle .......................................36 3.4.1: Sistema National VXI.....................................................................37 3.4.2: LabView.........................................................................................38 3.5: Controle Digital.....................................................................................38 3.5.1: Problemas Ligados ao Controle de Sistemas Amostrados............39 3.5.2: Projeto de Controladores Discretos...............................................40 Capítulo 4: Metodologia..................................................................................43 4.1: Cronograma .........................................................................................43 4.2: Recursos Disponíveis ..........................................................................44 Capítulo 5: Desenvolvimento do Trabalho......................................................45 5.1: Especificações Gerais..........................................................................45 5.2: Estruturação do Módulo 1 ....................................................................47 5.3: Projeto da Estrutura da Bancada .........................................................48 5.4: Componentes Hidráulicos para Montagem dos Circuitos ....................49 8 5.5: Projeto da Unidade de Potência Hidráulica..........................................49 5.5.1: Circuito Hidráulico .........................................................................50 5.5.2: Circuito Lógico, Circuito Elétrico e CLP.........................................52 5.6: VXIbus, LabView e Transdutor de Posição..........................................73 5.6.1: Modelo...........................................................................................73 5.6.2: Programa.......................................................................................74 5.6.3: Experimentos.................................................................................78 Capítulo 6: Principais Resultados...................................................................85 Capítulo 7: Conclusões e Perspectivas ..........................................................87 Referências Bibliograficas: .............................................................................88 Anexos............................................................................................................89 9 Simbologia Abaixo se mostram os símbolos utilizados no projeto hidráulico e elétrico da bancada: M Motor: elétrico Bomba: hidráulica Bomba: deslocamento variável com compensação de pressão Acumulador: por gás bexiga Condicionador: filtro genérico Conexão: engate válvula retenção não conectada Instrumento de medição: pressostato Instrumento de medição: indicador de nível Instrumento de medição: termômetro 10 Instrumento de medição: manômetro Válvula de pressão: alívio um estágio e retorno por mola variável Válvula de pressão: alívio um estágio e retorno por mola Válvula de retenção: simples sem mola Válvula de retenção: simples com mola Válvula direcional: 3/3 de centro fechado acionada por duplo solenóide Válvula direcional: 4/3 de centro aberto acionada por duplo solenóide Válvula especial: 2/2 acionada pro simples solenóide e retorno por mola Registro: simples Botão: manual genérico Solenóide Lâmpada 11 Capítulo 1: Introdução 1.1: Objetivos 1.1.1: Visão Geral Este sistema didático de projeto e comprovação experimental de sistemas eletro-hidráulicos proporcionais busca que alunos de graduação em engenharia mecânica, produção mecânica e de controle e automação industrial tenham a oportunidade de conhecer e utilizar na prática componentes hidráulicos proporcionais, sensores, recursos de aquisição de dados e estruturas de controle. Visa, também, a sistematização do conhecimento de projeto de sistemas hidráulicos de controle de posição e a correlação entre modelagem matemática e verificação experimental do comportamento dinâmico destes sistemas. O sistema como um todo está dividido em três módulos conforme descrito a seguir: Módulo 1: Bancada de ensaios: Destinada à montagem e operação instrumentada de circuitos hidráulicos com ênfase em controle de posição incluindo unidade de potência, componentes hidráulicos e acessórios, sensores de posição, vazão e pressão, computador e sistema de aquisição de dados e controle (Sistema VXIbus e Software Labview). Destaca-se a inclusão de cerca de 04 válvulas proporcionais e 02 cilindros de diferentes configurações que permitam avaliar os resultados obtidos no projeto conduzido através do Módulo 2. Os dados de catálogo destas válvulas e cilindros estarão incorporados no Módulo 2. Recursos mínimos da bancada: • Unidade de potência; • Estrutura para montagem de circuitos; 12 • 04 válvulas proporcionais ou servoválvulas de diferentes tamanhos nominais; • 02 cilindros simétricos de diferentes diâmetros; • 02 cilindros assimétricos de diferentes diâmetros; • 01 transdutor de posição; • 03 transdutores de pressão; • 01 indicador de temperatura de 4 canais; • 01 sistema de aquisição de dados e controle composto de software Labview e hardware de aquisição de dados. Modulo 2: Software de projeto do sistema hidráulico de controle de posição: Aplicável a circuitos compostos de válvula com controle contínuo direcional (VCCD) (servoválvula ou válvula proporcional), cilindro hidráulico simétrico ou assimétrico, sensor de posição e controlador, conforme ilustrado na Figura 1.1. Mc Kc BcMa pS XV1 UV1 XA1 + UZ1 US1 qvc qvc Figura 1.1 – Sistema hidráulico de controle de posição O software será desenvolvido empregando Labview e implementará o método de projeto desenvolvido através de dissertação de mestrado concluída em 2001 no LASHIP (FURST, 2001). O método inclui as atividades de dimensionamento estático e dinâmico, conversão de dados de catálogo e estudo do comportamento dinâmico. Como resultado da aplicação do método tem-se a definição da válvula proporcional 13 ou servoválvula conforme catálogo industrial e o dimensionamento do cilindro. A Figura 1.2 ilustra as principais atividades, cujo detalhamento já está consolidado, fruto do estudo de aplicações hidráulicas reais. A terceira atividade mostrada nesta figura prevê o emprego de software de simulação dinâmica como MatLab ou Amesim. Estudo do Comportamento Dinâmico Projeto Preliminar Dimensionamento Estático e Dinâmico parâmetros Conversão de Dados de Catálogos especificações Catálogos Modelo Preliminar Modelo Conceitual Requisitos Modelo Conceitual Figura 1.2 – Etapas do Projeto preliminar de Posicionadores Hidráulicos Módulo 3: Sistema de carregamento: Sistema hidráulico de geração de carga sobre o cilindro do circuito de controle de posição montado no módulo 1. Este sistema também será controlado através do sistema de aquisição de dados e controle citado anteriormente e permitirá a geração de cargas de modo semelhante a sistemas reais como em reguladores de velocidade de turbinas hidráulicas. 1.1.2: Objetivos Específicos Em conformidade com a duração do projeto e recursos humanos e financeiros disponíveis, neste momento será executado o módulo 1. O módulo 2 será realizado numa segunda etapa através de futuros alunos de graduação. O Módulo 3 será realizado posteriormente através de trabalho de mestrado e com apoio de bolsistas de iniciação científica. 14 A construção desta plataforma visa intensificar, junto a alunos de graduação em engenharia, a interação entreos conceitos teóricos e a aplicação prática destes. Nos sistemas automatizados, a exemplo dos sistemas hidráulicos, ferramentas de auxílio ao projeto estático e dinâmico são indispensáveis na rotina do engenheiro. De igual forma, a aplicação prática dos conceitos assimilados em sala de aula sempre é de grande ajuda na formação dos futuros profissionais, principalmente se esta vier acompanhada de uma infra-estrutura condizente com a tecnologia atual. Para tanto, propõe-se a criação de uma bancada formada por componentes usualmente utilizados no meio industrial, acompanhada da tecnologia característica dos sistemas de automação e controle e que permita ao estudante a manipulação e a implementação de trabalhos técnicos e científicos. De modo geral, os seguintes objetivos específicos serão atingidos: 1. Estudante e professor envolvidos num contexto multidisciplinar incluindo as disciplinas de hidráulica, controle e instrumentação. 2. Uso de tecnologias modernas presentes na indústria, preparando o estudante para o mercado de trabalho. 3. Obtenção de um sistema adequado para o ensino, projeto, análise e operação de sistemas hidráulicos com controle de posição. 1.1.3: Objetivos do Presente Trabalho O estudo da automação e controle engloba diversas áreas como lógica boolena, teoria de controle, metrologia e mecatrônica. Sendo assim, o presente aluno pode aplicar neste trabalho os conceitos assimilados durante o Curso de Engenharia de Controle e Automação Industrial. Deste modo, os seguintes objetivos serão aqui alcançados: • Implementação, em CLP, das funções lógicas do projeto de comando combinatório da unidade de potência hidráulica da bancada conforme ordem de execução. • Desenvolvimento de um software didático para realização do controle de sistemas eletro-hidráulicos proporcionais, utilizando-se o sistema de instrumentação VXIbus comandado pelo software LabView. 15 1.2: Justificativas Os sistemas hidráulicos têm uma aplicação intensa em todos os segmentos da indústria e de serviços sendo empregados na construção de máquinas, veículos (ônibus, caminhões, tratores, automóveis etc.) e aeroespaço. A Figura 1.1 fornece uma visão geral do campo de aplicação dos sistemas hidráulicos e pneumáticos. Sistemas Hidráulicos e Pneumáticos Mineração Indústria madeireira Indústria alimentíciaIndústria têxtil Indústria do plástico Máquinas agrícolas Manufatura Robótica Veículos de estrada Indústria automobilística Máquinas para construção civil Construção de navios e tecnologia de embarcações Aeroespaço Equipamentos de simulação e testes de carregamentos Engenharia médica Figura 1.1 – Campo de aplicação dos sistemas hidráulicos e pneumáticos Por sua natureza, os sistemas hidráulicos e pneumáticos constituem-se em uma forma concreta de aplicação dos princípios da mecânica dos fluidos compressível e incompressível a qual embasa o desenvolvimento de componentes e circuitos. Por outro lado, os conceitos de automação e controle estão intimamente relacionados com a hidráulica e a pneumática, pois esta área da tecnologia possui dispositivos capazes de receber sinais elétricos, provenientes de processamento eletrônico, e promover a atuação mecânica rotacional e translacional para uma vasta gama de forças, torques, velocidades e rotações. Desta forma, a efetiva compreensão desta área implica em mesclar várias disciplinas como mecânica dos fluidos, teoria de controle, automação, metrologia e mecatrônica. Para que esta integração de conceitos seja plena junto aos cursos de graduação em engenharia, apresenta-se esta proposta de uma plataforma de projeto teórico-experimental. Destaca-se a preocupação do Departamento de Engenharia Mecânica na integração de atividades experimentais junto aos conteúdos teóricos, auxiliando no processo de aprendizagem dos alunos. Em disciplinas de engenharia aplicada, este 16 fato torna-se primordial e para tal também a disponibilidade de bancadas didáticas apropriadas. 1.3: Viabilidade do Projeto Uma das linhas de investigação mais importantes no Programa de Pesquisa do LASHIP abrange os Sistemas Hidráulicos de Controle de Posição. As experiências obtidas tanto nos ensaios dos componentes hidráulicos quanto no controle de trajetória e posição capacitam os pesquisadores do LASHIP para o projeto e construção de uma plataforma didática de apoio ao Projeto de Sistemas Hidráulicos de Controle de Posição. Os procedimentos de projeto destes sistemas serão implementados com base na Dissertação de Mestrado recentemente concluída (FURST, 2001). Está também firmada uma parceria com a empresa Bosch Rexroth que doará os equipamentos hidráulicos e colaborará na concepção da bancada visando o desenvolvimento de um produto com padrões industriais. Por fim, além de se assegurar o aporte de recursos para o projeto, também estão envolvidos dois estudantes de engenharia a fim de efetivar o desenvolvimento desta plataforma. 1.4: Organização do Documento Esse documento é dividido em 7 capítulos. Na seqüência a essa introdução, no Capítulo 2, apresenta-se o local de realização deste Projeto de Fim de Curso para que se tenha uma noção das motivações, objetivos, linhas de atuação e equipe do LASHIP. A seguir, o Capítulo 3 traz uma revisão bibliográfica apresentando alguns pontos importantes no que tange a condução desse trabalho. A metodologia descrita no Capítulo 4 tem como objetivo expor o cronograma e recursos disponíveis para o desenvolvimento do trabalho mostrado no Capítulo 5. O Capítulo 6 apresenta os principais resultados obtidos em função do projeto com seguida análise destes. Finalmente, no Capítulo 7 são apresentadas as conclusões e perspectivas relacionadas às atividades desenvolvidas. 17 Capítulo 2: Apresentação do Local de Realização do Projeto de Fim de Curso – LASHIP 2.1: Histórico O LASHIP – Laboratório de Sistemas Hidráulicos e Pneumáticos do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina, atua há 20 anos no ensino de graduação e há 12 anos no ensino de pós-graduação e pesquisa tecnológica de componentes e circuitos hidráulicos e pneumáticos. 2.2: Objetivos Além da prioridade fundamental que é a de excelência na formação de nível superior, o LASHIP tem como meta adicional buscar igualmente a excelência em níveis nacional e internacional na pesquisa em Hidráulica e Pneumática. 2.3: Atuação Geral Desde sua criação dedica-se ao estudo de componentes e de circuitos hidráulicos e pneumáticos e à aplicação e adequação contínua de disciplinas e tecnologias correlatadas que aprimorem a análise, o projeto e a construção destes sistemas. Deste modo, além da utilização da Mecânica dos Fluidos e da Dinâmica de Sistemas Mecânicos na modelagem de sistemas hidráulicos e pneumáticos, o LASHIP atua na integração da Tecnologia Hidráulica e Pneumática com as áreas de Projeto Mecatrônico, Controle, Automação e Informática, buscando por um lado colocar à disposição da sociedade Engenheiros com elevada qualificação Tecnológica e, por outro, a incessante procura de soluções modernas para desafios impostos pela Indústria ou campo acadêmico. 18 2.4: Equipe As atividades do LASHIP são conduzidas por 03 professores com dedicação exclusiva, contando com a cooperação continuada de 02 professores de outros grupos de pesquisa do Centro Tecnológico da UFSC e envolvendo a ação conjunta de engenheiros pesquisadores e estudantes de graduação e de pós-graduação. 2.4.1: Professores • Victor Juliano De Negri (Coordenador do LASHIP); • Irlan von Linsingen; • Jonny Carlos da Silva; • José Eduardo Ribeiro Cury (Laboratório de Controle e Microinformática – LCMI/DAS); • Raul Guenther (Laboratório de Robótica – EMC).19 Capítulo 3: Revisão Bibliográfica A seguir, serão explanados alguns assuntos importantes no que tange a condução desse trabalho a fim de servir como referência no entendimento total de todos os pontos abordados. 3.1: Integração da Tecnologia Hidráulica e Pneumática com CLP’s 3.1.1: Introdução O grande desenvolvimento tecnológico da eletrônica nas últimas décadas tem consolidado o uso de componentes hidráulicos e pneumáticos na automação e controle de máquinas e processos, se fazendo presente nestes sistemas de duas formas: por meio da disponibilização de sensores eletrônicos e de CLP´s (Controladores Lógicos Programáveis), e pela incorporação de circuitos de realimentação e compensação em válvulas. A disponibilidade dos mais diferentes tipos de sensores adequa-se às exigências de ambientes industriais, de limitações de espaço e de sensoriamento de diversas grandezas e estados de um processo ou máquina. As informações colhidas pelos sensores são processadas por CLP´s de forma bastante rápida e confiável, apresentando vantagens de flexibilidade de reprogramação e detecção de falhas, redução de custo em relação a outras soluções. Assim, surge a necessidade do projetista, operador ou equipe de manutenção conhecer, além da hidráulica e da pneumática, os princípios de eletro-eletrônica e de programação. A especialização em hidráulica e pneumática é fundamental, pois determina a capacidade de seleção dos componentes e de configuração do circuito para atender aos requisitos funcionais. Já o conhecimento em eletro-eletrônica é complementar, mas deve ser correto e suficientemente completo para permitir o projeto e a operação adequada dos circuitos de automação e controle [ 1 ]. Para isto, se fará uma breve explicação de como interligar com segurança estes componentes H & P com sensores e CLP, como selecionar a configuração do 20 CLP necessária para as válvulas H & P e como programar um CLP ou, pelo menos, como transmitir ao programador os requisitos da automação. 3.1.2: Automação e Controle Hidráulico e Pneumático Tem-se adotado o termo sistema automático para indicar uma aplicação que envolva automação e/ou controle, pois se pode observar o problema segundo uma visão lógica ou então, avaliando ao longo do tempo, a resposta da posição, força, velocidade, vazão ou qualquer outra variável. Um sistema automático pode ser decomposto em duas partes: um subsistema de informação e um subsistema energético/material, conforme representado na Figura 3.1. O sistema de informação engloba os equipamentos que processam sinais e dados, tais como computadores, controladores lógicos programáveis, entre outros. Por sua vez, o sistema energético/material (processo) sintetiza as partes das máquinas, dispositivos e equipamentos que transformam ou processam energia e/ou matéria. Sistema de Informação Sistema Energético/ Material inf inf inf inf ene/ mat ene/ mat Sistema Automático Ambiente Externo Figura 3.1 – Representação de um sistema automático [ 1 ] Deste modo, o sistema de informação deve ser capaz de extrair as informações provenientes da parte energético/material, processá-las e, posteriormente utilizá-las para alterar o funcionamento deste. Além da troca de informações entre estes dois subsistemas, há também o recebimento e fornecimento de energia (ene), matéria (mat) e informação (inf) em relação ao ambiente externo. Informação Energia Matéria Energia e Matéria Canal Agência Rede Canal/Agência - Notação 21 3.1.3: Sistemas de Medição e de Atuação Empregando-se CLP’s no processamento de informações, tem-se a representação do sistema automático apresentada na Figura 3.1, onde os elementos principais são o programa principal, os alocadores de endereços e as interfaces de medição e de atuação. A Tabela 1 descreve a simbologia utilizada na Figura 3.1. Tabela 1 – Notação referente à Figura 3.1 Símbolo Descrição ad Atributo desejado am Atributo medido Enda Endereço de atuação Endm Endereço de medição inf Informações (sinais elétricos, pneumáticos, hidráulicos ou mecânicos) ene Energia (elétrica, pneumática, hidráulica ou mecânica) mat Matéria (peças, ferramentas, fluido hidráulico ou pneumático etc.) SBa Sinal Bruto de atuação SBm Sinal Bruto medido SCa Sinal Condicionado de atuação SCm Sinal Condicionado medido SA Sistema de Atuação SM Sistema de Medição 22 Energia/Matéria Programa Principal Componentes do Processo ene/ mat ene/ mat Sistema Energético/Material Sistema de Informação inf inf Ambiente externo (AMB) SA ad Atuador Condicio- nador Interface de Atuação Alocador de Endereços SBa SCa Enda SM am Sensor Condicio- nador Interface de Medição Alocador de Endereços SCm SBm Endm CLP Controlador Lógico Programável Sistema Automático Processo Interface Ent. AMB Interface Saída AMB Figura 3.1 – Representação refinada de um sistema automático [ 1 ] Observa-se que, a interligação entre o processo e o CLP ocorre através dos Sistemas de Medição (SM) e Sistemas de Atuação (SA). Um sistema de medição tem a função de capturar informações do processo e transmiti-las para o programa principal. Para tanto, este é composto de: • Sensor: É o elemento que está em contato com a variável física e que fornece um sinal corresponde a este; 23 • Condicionador de sinais: Destina-se à amplificação da potência do sinal proveniente do sensor e às tarefas de processamento como filtragem, compensação, integração etc; • Interface de medição: Transforma o sinal tratado (condicionado) em uma forma adequada ao CLP, ou a qualquer outro meio de processamento de informações; • Alocador de endereços: Faz a associação de símbolos (palavras mnemônicas) ao endereço físico da entrada. De modo similar, um sistema de atuação tem a função de receber dados do programa principal e promover a modificação de um atributo (am) da matéria ou da energia. Deste jeito, o sentido do fluxo de informações é contrário ao que ocorre em um sistema de medição. Para realização destas funções, normalmente faz-se a interligação dos seguintes componentes: • Alocador de endereços: Faz a associação de símbolos (palavras mnemônicas) ao endereço físico da saída; • Interface de atuação: Transforma o sinal de saída do CLP, ou de qualquer outro meio de processamento de informações, em um sinal tratado (condicionado); • Condicionador de sinais: Destina-se à amplificação da potência do sinal proveniente da interface e às tarefas de processamento como filtragem, adição de sinais de dither, etc; • Atuador: É o instrumento que altera as variáveis do processo físico ou químico em resposta a sinais recebidos. 3.1.4: Controladores Lógicos Programáveis Funcionalmente, um CLP pode ser caracterizado como um dispositivo lógico seqüencial que gera sinais de saída de acordo com operações lógicas realizadas sobre os sinais de entrada. Os componentes de um CLP são mostrados na Figura 3.1. 24 As interfaces de medição constituem-se de circuitos digitais que recebem os sinais de entrada provenientes dos sensores e convertem estes sinais em uma forma aceitável para o processamento pelo CLP. Sinais de entrada também podem ser provenientes do ambiente externo (operador, outro CLP ou computador), sendo convertidos pela interface de entrada do ambiente. O programa principal implementa as operações lógicas, sendo inserido pelo operador através de terminais de programação ou computadores conectados ao CLP. Este programa é gravado na memória do CLP para ser executado quando este estiver ativo. As interfaces de atuação constituem-se de dispositivos eletromagnéticos (relés) ou circuitos digitais (transistores)que permitem o fornecimento de sinais elétricos digitais ou analógicos para os condicionadores de sinais ou diretamente para os atuadores. Programa CLP - Controlador Lógico Programável ad Interface de Atuaçao SBr Enda am Interface de Medição SCm Endm inf infProgramaPrincipal Interface Ent. AMB Interface Saída AMB Alocador de Endereços Alocador de Endereços Sinais de Entrada Provienientes de Operador, CLP ou PC Sinais de Entrada Provienientes do Processo Sinais de Saída para Operador, CLP ou PC Sinais de Saída para o Processo Figura 3.1 – Identificação de componentes de um CLP [ 1 ] 3.1.5: Compatibilização de Sensores, Atuadores e Módulos de Entradas e Saídas O principal aspecto para a compatibilização dos sensores e atuadores com o CLP é a especificação dos módulos de interfaceamento deste, os quais podem ser: 25 entradas e saídas digitais, entradas e saídas analógicas, field bus (entrada e saída), acionamento de drives específicos. Comparando-se as interfaces disponíveis em um dado CLP com as características técnicas dos sensores e atuadores, é possível determinar a necessidade ou não de condicionadores de sinais para a interconexão destes. 3.1.6: Linguagens de Programação – CLP Por fim, para que o sistema possa operar, faz-se necessário elaborar o programa a ser implementado no CLP, o qual pode ser descrito empregando linguagens de alto nível como STL (statement list), Diagramas de Blocos, Diagrama de Contatos (Ladder Diagram) ou GRAFCET [ 4 ]. 3.2: Sistemas de Atuação As diferenças entre uma servoválvula e uma válvula proporcional residem nas suas características construtivas e nos seus comportamentos estático e dinâmico. Porém, percebe-se que muitas vezes esta diferenciação é feita em relação às características comportamentais e não construtivas. A conseqüente sofisticação e desempenho relativos da servoválvula tornam seu preço mais elevado que o de uma válvula proporcional. No entanto, a delimitação da fronteira de campo entre estas vem sendo diluída ao longo dos anos. 3.2.1: Válvulas Proporcionais 3.2.1.1: Definição De uma maneira geral, pode-se dizer que as válvulas proporcionais convertem um sinal elétrico variável de entrada em um sinal proporcional de alguma outra variável hidráulica (Bosch, 1989). Dependendo da aplicação, podem-se distinguir as válvulas proporcionais em várias categorias. No intuito de não se prolongar no assunto desnecessariamente, falar-se-á apenas do tipo de válvula utilizada no projeto da bancada. 26 3.2.1.2: Válvulas Proporcionais Direcionais Estas são válvulas do tipo carretel com controladores de aberturas em cada lado do carretel. Elas combinam o controle de direção e vazão em uma válvula apenas. Na Figura 3.1 está apresentada uma solução construtiva que emprega dois solenóides proporcionais que possibilitam a movimentação do carretel nas duas direções a partir da posição central, a qual é alcançada através das molas de centragem. Figura 3.1 – Válvula direcional proporcional de 1 estágio A Figura 3.2 apresenta uma típica curva característica de funcionamento deste tipo de válvula proporcional cujo comportamento é não linear no início e final de curso. Uma única curva seria suficiente para mostrar o comportamento destes tipos de válvulas se a relação entre entradas e saídas fosse rigorosamente igual. Se isso não ocorrer, ambas as curvas devem ser mostradas. Nestes tipos de válvulas, dependendo da tecnologia de fabricação utilizada e principalmente da eletrônica incorporada, ocorre uma região de zona morta que varia entre 1% a 20% em torno da região central. Nesta região a válvula está fechada e não ocorre vazão de óleo em nenhuma direção. 27 P=8 bar Zona morta -10 -8 -6 -4 -2 2 ∆ P=8 bar Saturação ∆ 864 10 Tensão de Controle [V] Vazão [l/min] Figura 3.2 – Curva característica das válvulas proporcionais direcionais de controle de vazão [ 2 ] 3.2.1.3: Tempo de Resposta de Válvulas Proporcionais O tempo de resposta serve como uma simples indicação das características dinâmicas das válvulas proporcionais. Uma definição pode ser estabelecida como sendo o tempo necessário para que uma válvula atinja 90% do seu valor final, devido a um sinal na entrada do tipo degrau. O tempo de resposta pode ser definido em relação à resposta obtida pelo solenóide/armadura ou ao deslocamento do carretel da válvula. Uma resposta típica de uma válvula proporcional está entre 25 e 60 ms. A Figura 3.1 mostra dois modos de como calcular o tempo de resposta de uma válvula proporcional [ 2 ]. S 10% 10% T t S T t (a) (b) Figura 3.1 – Dois modos para calcular o tempo de resposta de válvulas proporcionais 28 3.2.1.4: Histerese, Erro de Reversão e Sensibilidade da Resposta A histerese, o erro de reversão e a sensibilidade da resposta são três fatores que estão intimamente relacionados. Eles dependem do solenóide proporcional (histerese magnética), atrito mecânico relacionado ao deslocamento da válvula, das folgas e acima de tudo, se o solenóide proporcional tem algum tipo de controle de posição. A histerese é definida como a diferença entre as saídas obtidas a partir de um mesmo valor do sinal de entrada, quando a entrada está decrescendo de valor e quando está crescendo de valor [ 1 ]. O erro de reversão é definido como o valor total do sinal de entrada necessário para gerar uma mudança mensurável do sinal de saída, quando ocorre uma mudança de direção de movimento da válvula de um certo ponto de parada. Já a sensibilidade da resposta é definida como o valor a ser adicionado ao sinal de entrada para gerar uma mudança mensurável do sinal de saída quando, mantendo a mesma direção, ocorre uma parada da válvula. Estas definições são mais claramente exemplificadas pela Figura 3.1, retiradas de [ 1 ] e [ 2 ]. Histerese Limiar Entrada Saída V Q Erro de reversão resposta Sensibilidade de V Q (a) (b) (c) Figura 3.1 – a) histerese; b) erro de reversão; c) sensibilidade de resposta; A fim de se melhorar o desempenho estático e dinâmico das válvulas direcionais proporcionais, tem sido incorporada maciçamente a realimentação da posição de elementos internos da válvula incorporando-se sensores de posição e circuitos eletrônicos dedicados à válvula como se demonstra na Figura 3.2. 29 Solenóides Proporcionais Transdutor de Deslocamento Carretel Figura 3.2 – Válvula direcional proporcional de 1 estágio com realimentação de posição do carretel 3.2.2: Servoválvulas 3.2.2.1: Definição Como definido por Sperry-Vickers (1980), o termo servo designa um mecanismo que, quando sujeito à ação de um dispositivo de controle funciona como se fosse diretamente comandado por este, porém, capaz de fornecer uma força muitas vezes superior. Então o termo servoválvula se refere muito mais à união adequada de uma válvula direcional comum a um mecanismo que faz com que a força resultante para a movimentação de cargas seja bem superior à força necessária para acioná-las. 3.2.2.2: Tipos Em hidráulica, dois tipos bem distintos de servomecanismos são encontrados: mecânico ou elétrico. A fim de centrar-se no tipo de servoválvula utilizada no presente trabalho, comentar-se-á somente o segundo. 3.2.2.2.1: Servoválvulas Eletro-Hidráulicas Uma servoválvula mecânica é apenas um dispositivo de posicionamento. Ele move a carga até um certo lugar e pára. As servoválvulas eletro-hidráulicas podem ser usadas tanto para o posicionamento como para controle de velocidade, ou 30 mesmo ambos. Uma servoválvula eletro-hidráulica é comandada por um sinal elétrico, que faz mover o carretel da válvula principal, ou uma válvula piloto (dotipo bocal-defletor ou injetor), a qual, por sua vez, comanda o carretel da válvula principal. As servoválvulas elétricas podem ter realimentação. Se a movimentação da carga também gera um sinal de posição ou velocidade, através de um potenciômetro ou um tacogerador então o controle de posição ou velocidade pode ser obtido. A Figura 3.1 apresenta um exemplo de servoválvula. Figura 3.1 – Servoválvula 3.2.3: Bombas 3.2.3.1: Definição As bombas hidráulicas são os elementos responsáveis pelo fornecimento de energia ao sistema hidráulico. Em geral, eles são dispositivos que transformam energia mecânica rotacional em energia hidráulica, ou seja, pressão e vazão de um fluido hidráulico. 31 Existem vários tipos construtivos de bombas hidráulicas. Entre estes tipos podemos citar as bombas de palhetas, as bombas de engrenagens, tipo parafuso, de pistões axiais e radiais etc. 3.2.3.2: Características Operacionais de Bombas Para garantir um funcionamento ininterrupto destas bombas por um bom período de tempo e para também garantir condições adequadas para o fluido que passa pelas bombas, uma série de recomendações operacionais devem ser seguidas. Estas condições operacionais são específicas para cada tipo de bomba e entre estas, destacam-se as condições de partida, rotação mínima e máxima, presença de ar/cavitação, faixa de temperatura, faixa de viscosidade e filtragem. 3.2.4: Amplificadores de Potência Amplificadores eletrônicos de potência são necessários para a operação de válvulas proporcionais. Estes multiplicam o sinal de entrada por um fator (ganho) resultando no sinal de saída desejado, além de agregar potência a este sinal. São subdivididos em categorias dependendo dos requisitos funcionais e operacionais das destas válvulas. 3.3: Sistemas Hidráulicos de Controle de Posição Os mecanismos de controle de posição têm enorme aplicabilidade nos mais diversos campos da engenharia. Estes mecanismos podem ser de natureza mecânico-hidráulica ou eletro-hidráulica. Estes últimos são comandados por sinais de baixo consumo de energia e controlam com precisão os movimentos de cilindros e motores hidráulicos de mecânica pesada. Ainda, possuem enorme versatilidade devido a uma variedade de configurações, sobretudo no processamento de sinais que podem ser diferentemente projetados para a obtenção da atuação hidráulica desejada. A interface entre o equipamento mecânico ou elétrico de controle e o atuador hidráulico é desempenhada pela servoválvula ou válvula direcional proporcional que, portanto, pode ter acionamento mecânico ou elétrico. 32 Sendo assim, apresentar-se-á a configuração básica de um sistema de controle de posição com a utilização de servoválvulas ou válvulas proporcionais eletro-hidráulicas seguida de análise. 3.3.1: Sistema Eletro-Hidráulico 3.3.1.1: Apresentação Quando se faz necessário movimentar grandes massas e/ou realizar grandes esforços, os sistemas eletro-hidráulicos combinam as vantagens próprias dos circuitos hidráulicos, quais sejam: capacidade, pequena inércia e rápida resposta – com o pequeno erro e versatilidade na medição, transmissão e processamento dos sinais elétricos. Apesar dos componentes hidráulicos serem os mais morosos dentro de um sistema eletro-hidráulico de controle de posição, quando se trata de movimentar cargas elevadas um sistema puramente eletro-eletrônico oferece respostas mais lentas que um sistema eletro-hidráulico. Na Figura 3.1 é apresentado um posicionador eletro-hidráulico cuja finalidade é deslocar a massa (M) a uma distância proporcional a um sinal em tensão de referência (UrZ1). Mc Kc Bc pS XV1 UV1 XA1 + UZ1 US1 qv c qv c Ma Figura 3.1 – Sistema de controle de posição eletro-hidráulico 33 Neste sistema, conforme [ 3 ], a posição desejada para o cilindro é estabelecida pela tensão de referência (Ur) que, através do comparador/amplificador, gera uma tensão de comando (UV1) na válvula direcional continuamente variável (VDCV) (servoválvula ou válvula direcional proporcional), produzindo o deslocamento do elemento de controle principal (normalmente um carretel). Considerando que a pressão de suprimento da válvula seja mantida constante, o deslocamento de carretel principal da válvula provocará uma vazão no sentido da via de suprimento para uma das câmaras do cilindro enquanto que ocorrerá uma vazão da outra câmara para a linha de retorno da válvula. A vazão através da válvula promove a variação da pressão nas câmaras do cilindro resultando na movimentação da massa (M) que é medida através do sensor de posição (S1) produzindo uma tensão US1. Esta tensão US1, de sinal contrário à tensão de referência Ur, produz a realimentação de posição. Atingida a posição desejada, a tensão de comando da válvula (UV1) estará anulada implicando que a posição real do êmbolo (xA1) corresponda exatamente à posição desejada. Estando adequadamente dimensionado, o sistema estabiliza rapidamente na posição desejada. Se o sinal de entrada variar com o tempo, o sistema atuará como um seguidor de modo que a posição da haste estará variando no tempo, acompanhando o comando. Por outro lado, a seleção inadequada do ganho de realimentação (influenciado pelo sensor S1 e pelo condicionador do sinal correspondente) e do ganho do amplificador pode também gerar instabilidade do sistema fazendo com que a massa oscile com intensidade crescente, afastando-se cada vez mais da posição desejada. Para melhor compreensão do comportamento dinâmico deste sistema de controle, apresenta-se a seguir sua modelagem e a descrição entrada-saída. 3.3.1.2: Modelagem 3.3.1.2.1: Válvula Direcional Proporcional ou Servoválvula (V1) Para se utilizar a modelagem analítica dos principais componentes de uma servoválvula ou válvula direcional há necessidade de se conhecer o valor dos seus 34 parâmetros, o que muitas vezes é uma tarefa difícil devido à dependência de alguns fatores como: • Disponibilidade de informações construtivas por parte do fabricante; • Possibilidade de executar medições de grandezas como folgas radiais, diâmetros, dimensões dos pórticos, massa de partes móveis, etc; • Possibilidade de efetuar testes com o componente determinando os coeficientes da válvula, forças de escoamento, etc. Em grande parte dos catálogos de válvulas, são disponibilizados dados estáticos e dinâmicos a partir dos quais pode-se inferir que a válvula seja descrita por modelos de primeira ou segunda ordem. Considerando esta situação, pode-se modelar a válvula proporcional da seguinte forma: Equação da vazão de controle c V c pKcxKqqv 0 1 0 −= Onde o ganho de vazão (kqu0) e o coeficiente de vazão-pressão (kc0) podem ser obtidos através de catálogo técnico. Equação do movimento 112 2 .)1 21( VV nn UKDD =++ ω δ ω 3.3.1.2.2: Cilindro Hidráulico e Carga (A1) Equação da continuidade Desprezando-se os vazamentos internos no cilindro, o que é bastante razoável considerando a existência de vedações junto ao êmbolo, tem-se: dt dpV dt dxAqv ct A c β4 1 += Equação do movimento Considerando-se a presença de uma força de atrito viscoso significativa frente à inércia da carga, tem-se: 35 dt dxB dt xdMAp AA c 1 2 12 += 3.3.1.2.3: Comparador/Amplificador (Z1) e Sensor de Posição (S1) O sensor de posição é o elemento do sistema que fornece um sinal elétrico de tensão (US1), proporcional ao deslocamento (XA1) da haste do cilindro hidráulico. Esta função pode ser equacionada na forma: 111 . ASS xKU = Onde KS1 é o ganho do sensor de posição e corresponde à constante de realimentação do sistema em malha fechada. Por sua vez, o comparador é o elemento que compara a posição desejadade deslocamento da carga com a posição atual da carga, gerando um sinal de erro de posicionamento. Isto é possível pela comparação do sinal elétrico UrZ1 (tensão de referência) com o sinal elétrico US1 (tensão de realimentação) obtido pelo sensor de posição. O amplificador recebe o sinal de erro (Ue = Ur - US1) e fornece como saída um sinal elétrico em tensão UV1 (correspondente à tensão de erro amplificada) que é aplicada ao solenóide da válvula. A tensão que sai do controlador/amplificador alimenta a válvula V1 e pode ser expressa como: )( 11111 ASZr ZV xKUKU −= 3.3.1.2.4: Descrição Matemática Entrada-Saída As equações que modelam o sistema podem ser postas na forma de funções transferência, onde se faz necessário estabelecer as variáveis que são entradas (causas) e saídas (efeitos). Sendo assim, tem-se: ? )(. 121 )( 1 2 2 1 1 sU ss Ksx V nn V V ++ = ω δ ω ? )()()( 010 spKcsxKqsqv cVc −= 36 ? ( ))()( 4 1)( 1 sAsxsqv sV sp Ac t c −= β ? )()( 21 spBsMs Asx c A += ? ( ))()()( 1111 sxKsUKsU ASrZV −= Com as expressões acima, obtém-se um diagrama de blocos de simulação do sistema, o qual possibilita uma análise comparativa entre os resultados experimentais e de simulação. Este está representado na Figura 3.1. ++ - UZ1 UV1 xV11ZK 1SK )121( 2 V1 2 ++ ss K nn ω ζ ω 0Kq ++ - ++ - sVtβ4 1 BsMs A +2 0Kc As pc xA1 qvc US1 Figura 3.1 – Diagrama de blocos do sistema [ 3 ] 3.4: Sistemas de Aquisição de Dados e Controle Normalmente em um sistema de aquisição e controle, o computador é o responsável pela manipulação dos dados provenientes do ambiente externo que se deseja atuar ou controlar. No entanto, para que um dado possa ser manipulado pelo computador, este dado deve ser primeiro colocado na forma digital. A placa de aquisição de dados é um dispositivo físico que pode fazer o interfaceamento do computador com o meio externo transformando qualquer sinal analógico em sinal digital ou o inverso, ou seja, transformar um sinal digital em um sinal analógico. Em geral, uma placa de aquisição de dados consiste em entradas e saídas analógicas, entradas e saídas digitais, contadores e temporizadores. A Figura 3.1 mostra a representação física genérica de uma placa de aquisição de dados. 37 Trilhas de comunicação para o barramento do PC Conectores para as entradas e saída digitais e analógicas Figura 3.1 – Aspecto de uma Placa de Aquisição de Dados [ 2 ] Para um melhor entendimento do funcionamento de uma placa de aquisição e para a sua correta utilização e especificação, alguns termos pertinentes a este dispositivo devem ser seguidos de acordo com o manual do fabricante. 3.4.1: Sistema National VXI O LASHIP dispõe atualmente de diversos sistemas, placas para a aquisição de dados e diversos instrumentos para medição. Entre os sistemas, destaca-se o sistema VXIbus elaborado pela National Instruments e Hewlett Packard, o qual foi colocado em funcionamento por realização do presente aluno. Portanto, ainda está em fase experimental de funcionamento dos módulos que o compõem. O VXIbus consiste em uma plataforma para implementação de sistemas de instrumentação. Sua arquitetura é aberta, o que possibilita o aproveitamento das últimas tecnologias em termos de computação. Atualmente existe uma variada gama de produtos, em nível comercial, compatíveis com o padrão VXI. Devido a sua versatilidade, um único sistema VXI pode suportar diversos tipos de instrumentos, possibilitando seu uso em diversas aplicações, desde a produção e testes de manufatura até o monitoramento de processos e controle. Este último, proporciona a realização do segundo objetivo listado em 1.1.3:. Isto é possível graças às diversas opções de condicionamento de sinais, que suportam um amplo conjunto de transdutores. Os instrumentos presentes a este sistema do LASHIP serão enumerados no item 4.2:. 38 3.4.2: LabView Além deste sistema, o laboratório dispõe ainda do software LabView (Laboratory Virtual Instrument Engineering Workbench), também fabricado pela National Instruments, que é uma linguagem de programação destinado ao desenvolvimento de aplicações em linguagem gráfica (também conhecida como linguagem G). Este é indicado para a construção de sistemas de teste com coleta de dados integrada, controle de instrumentos, análise de dados, além de possibilitar interface com usuário. Para tanto, este software contém bibliotecas com aplicações específicas à aquisição de dados. Esta biblioteca é composta por: • Bibliotecas de I/O: GPIB, VXI, DAQ, serial, VISA, file I/O • Redes: TCP, ActiveX, DDE • Análise: Filtros, ajuste de curvas, FFT´s, estatística, álgebra matricial, etc. • Interface com usuário: gráficos, chaves, botões, mostradores, medidores, dials, menus, etc. Assim sendo, o sistema VXI e LabView se comunicam de modo a possibilitar o desenvolvimento de vários tipos de aplicações, dentre os quais o controle/monitoração de sistemas eletro-hidráulicos. 3.5: Controle Digital Por diversas razões alguns sistemas apresentam sinais disponíveis em determinados instantes de tempo discreto. Dentre as várias situações que originam o aparecimento de sinais discretos no tempo é interessante mencionar: • Repartição de um instrumento de alto custo (multiplexagem) Figura 3.1 – Multiplexador [ 7 ] 39 • Controle de sistemas utilizando computadores digitais (controle digital) Por exemplo, na ilustração abaixo se mostra o caso mais comum de controle digital de processos contínuos. Neste caso, o controle é implementado de forma discreta, utilizando-se para tal, diferentes elementos (amostrador, conversores A/D e D/A, bloqueador) que permitem processar os sinais analógicos do sistema contínuo. 3.5.1: Problemas Ligados ao Controle de Sistemas Amostrados Conforme [ 7 ], o primeiro problema que se apresenta é como realizar a amostragem dos sinais contínuos. Na Figura 3.1, está representado o processo de amostragem de um sinal contínuo. Neste processo dois fatores são importantes: • A escolha do período de amostragem T ou taxa de amostragem f = 1/T • A representação matemática utilizada Figura 3.1 – Amostragem de sinais contínuos [ 7 ] Em relação à escolha de T, não existiria uma perda significativa de informação caso este fosse suficientemente pequeno frente à velocidade de variação do fenômeno considerado. Isto implicaria, no entanto, em um custo elevado em Controle Atuador Processo Medidor SaídaRef + - 40 termos de tempo de cálculo. Tem-se então, que quanto maior a freqüência de amostragem, melhor a informação e mais alto o custo. Portanto, existe um compromisso entre qualidade de informação e custo de cálculo. O segundo problema é como fazer a conversão analógico/digital (A/D) e digital/analógico (D/A). Este processo de conversão de sinais implica necessariamente na quantificação dos sinais contínuos para poderem ser transformados em sinais discretos. Na quantificação divide-se o domínio do sinal em um número fixo de intervalos. Cada intervalo tem o mesmo tamanho, o qual se chama passo de quantificação, e recebe um número. A cada amostra dentro de um intervalo é atribuído o valor do intervalo. Isto produz inevitavelmente erros de quantificação cuja magnitude depende diretamente do número de bits dos conversores. O problema relacionado com o erro gerado na quantificação aparece em três níveis: • Na conversão das medidas analógicas em sinais discretos digitais (aproximação); • Durante os cálculos do processador; • No posicionamento numérico de alguns atuadores. Outro problema consiste em projetar o algoritmo de controle. Para solucionar este problema são empregadasferramentas de análise e projeto para tempo discreto, as quais serão estudadas no próximo item. Finalmente, existe o problema de como recuperar o sinal analógico contínuo. Para resolver esta situação é necessário utilizar um elemento que permita interpolar o sinal discreto em amostras. Este processo denomina-se de bloqueamento ou interpolação e o elemento associado de bloqueador ou sustentador. A interpolação pode ser realizada utilizando-se diferentes tipos de sinais, por exemplo, degraus e rampas. 3.5.2: Projeto de Controladores Discretos Diferentemente da eletrônica analógica, os computadores digitais não podem executar funções de integração. Portanto, equações diferenciais que descrevem um 41 controlador contínuo C(s) devem ser aproximadas utilizando-se equações a diferenças que envolvem somente termos de adição e multiplicação. Basicamente, serão comentadas duas técnicas de projeto de controle digitais: • Por aproximação (ou emulação); • Projeto discreto ou direto. 3.5.2.1: Método de Projeto por Aproximações Esta técnica consiste em projetar um controlador contínuo C(s) para um determinado processo, utilizando ferramentas de domínio contínuo e, em um segundo passo, transladar o controlador do domínio contínuo ao discreto, mediante aproximações, obtendo assim o controlador discreto C(z). O controlador contínuo C(s) é aproximado mediante equações a diferenças obtidas através de diferentes métodos, como por exemplo: o método de Euler, de Tustin ou bilinear, aproximação zero-pólo etc. 3.5.2.2: Método de Projeto Direto A partir do fato de que é possível obter um modelo exato discreto que relacione as amostras da saída y(k) com as da entrada u(k), pode-se projetar um controlador discreto para um determinado processo. Basicamente os passos a seguir são, conforme [ 7 ]: • Obter o modelo discreto G(z) da planta G(s) como mostrado na Figura 3.1; • Utilizar G(z) para projetar o controlador C(z). Para obter o modelo discreto de um determinado processo ou sistema utilizam-se ferramentas computacionais. Na fase de análise e projeto podem-se aplicar técnicas conhecidas para os sistemas contínuos (projeto por lugar das raízes, métodos freqüenciais, etc). 42 Figura 3.1 – Sistema de controle discreto 43 Capítulo 4: Metodologia Uma vez que o projeto está decomposto em três módulos, todo o dimensionamento e seleção de componentes deverá ser efetuado levando sempre em consideração os trabalhos futuros. Dentre as tarefas a serem realizadas, em primeira mão pode-se citar o projeto da bancada, o dimensionamento estrutural e a seleção dos componentes do circuito hidráulico e do circuito eletro-eletrônico. Por fim, a montagem da bancada, a instalação dos circuitos e os ajustes necessários para o conjunto operar corretamente. Estas tarefas são realizadas pelo aluno de Engenharia Mecânica Raphael Maron Athanasio e pelo aluno de Engenharia de Controle e Automação Irving Muraro. As tarefas relacionadas ao sistema de instrumentação e circuitos elétricos são cumpridas pelo presente aluno, o qual teve início de seu Projeto de Fim de Curso no mês de setembro próximo passado. O projeto mecânico e hidráulico está fundamentado nos conceitos e técnicas ministradas nas disciplinas do curso de engenharia mecânica. As áreas de controle e circuitos elétricos são contempladas no curso de engenharia de controle e automação industrial. Princípios de metrologia e instrumentação são vistos em ambos os cursos. Conceitos e técnicas específicos de hidráulica estão disponíveis em publicações dos professores e alunos vinculados ao LASHIP. 4.1: Cronograma Atividades previstas: 1) Projeto dos comandos lógicos com seguida ordem de execução para a unidade de potência hidráulica. 2) Obtenção das especificações dos componentes elétricos. 3) Desenvolvimento e verificação do software de aquisição de dados e controle. 44 4) Relatório final. 4.2: Recursos Disponíveis Equipamentos e materiais a serem doados pela empresa Bosch Rexroth: • 01 Unidade de potência hidráulica completa; • Perfis em alumínio para construção da bancada para montagem de circuitos; • 04 válvulas proporcionais ou servoválvulas de diferentes tamanhos nominais; • 02 cilindros simétricos de diferentes diâmetros; • 02 cilindros assimétricos de diferentes diâmetros; • Subplacas para componentes hidráulicos para conexões mecânicas e hidráulicas. Equipamentos disponíveis no LASHIP: Sistema de controle e aquisição de dados – Plataforma VXI incluindo: • Placa de interface PCI-MXI-2 – NATIONAL INSTRUMENTS; • Módulo de Interfaceamento VXI-MXI-2 – NATIONAL INSTRUMENTS; • Bastidor – MOD. E1421 B – Hewlett Packard; • Módulo de entradas à relé multiplexado 16 canais – MOD. E1347 A – Hewlett Packard; • Módulo de saídas digitais 32 canais – MOD. 1463 A – Hewlett Packard; • Coversor D/A de 4 canais – MOD E1328 A – Hewlett Packard; • Multímetro 5 1/2 Digitos – MOD. E1411 B – Hewlett Packard. • Transdutores de pressão (03) • Computador Pentium III 45 Capítulo 5: Desenvolvimento do Trabalho 5.1: Especificações Gerais Tendo em vista que o projeto da plataforma de hidráulica proporcional apresenta os objetivos citados no item 1.1: e algumas limitações, levantaram-se as especificações seguintes para o módulo 1 (bancada de trabalho): Especificações para o projeto visando atender à análise e projeto de posicionadores hidráulicos: • Avaliação de sistemas com respostas dinâmicas rápidas e lentas; • Cilindro do posicionador com atrito baixo e com características bem regulares e repetitivas, possibilitando sua identificação; • Carga variável: Pode envolver mudança de forças equivalentes a ação do atrito; • Massa de carregamento variável; • Estrutura rígida. Dimensionamento da estrutura em função dos esforços aplicados; • Controle de posição eficiente; • Controle de velocidade para permitir o deslocamento do pistão de forma contínua e estável ao longo de toda faixa de operação; • Sistema de segurança para evitar sobre-pressão na linha; • Válvulas direcionais com diferentes centros objetivando comparação entre o comportamento de cada componente; • Possibilidade de implementação de diversos circuitos; • Conexão através de tubulação rígida ou mangueira entre cilindro e válvula proporcional; 46 • Baixo peso da unidade hidráulica e da bancada de trabalho para facilitar o transporte; • Baixo peso dos componentes de montagem de circuitos para facilitar manuseio; • Boa aparência - Características de equipamento industrial moderno; • Atuadores com amortecimento no fim de curso; • Possibilidade de controle de posição linear e não linear; • Chave geral de desligamento do circuito e relaxação do sistema; • Prevenção quanto à ocorrência de choques mecânicos durante a simulação de carga; • Interface didática com o usuário mostrando o diagrama funcional do circuito através do circuito hidráulico e diagrama de blocos; • Otimização na configuração do circuito e dimensionamento correto dos componentes para evitar a necessidade de sistemas de refrigeração do óleo; • Baixo ruído acústico; • Baixo nível de vibrações mecânicas; • Instrumentação para medição das principais variáveis como vazão, pressão, forças de deslocamento, posição, etc; • Facilidade de limpeza; • Construção compacta da bancada; • Possibilidade de realização de ensaios experimentais, tais como, histerese, repetibilidade, rigidez, freqüência natural, tempo de resposta, medição de ganhos. Visando expansão da plataforma para o estudo de sistemas hidráulicos de forma geral: 47 • Fins de curso na forma de interruptores elétricos, sensores eletrônicos e válvulas hidráulicas; • Unidade hidráulica como elemento didático também: o Constituída de circuito fixo, mas que possa terparâmetros ajustáveis (como vazão e pressão); o Com proteção contra sobrepressão e redução de pressão quando a linha de suprimento para a bancada de trabalho não estiver sendo usada; o Suprimento de pressão através de duas bombas em paralelo, sendo uma de deslocamento fixo e a outra de deslocamento variável. 5.2: Estruturação do Módulo 1 A estrutura geral do Módulo 1 está exposta na Figura 5.1, compondo-se de um computador com software LABVIEW, um sistema de aquisição de dados e controle VXI, a Unidade de Potência Hidráulica que inclui o circuito hidráulico propriamente dito, um CLP e uma painel de interface com o usuário. Usuário / Ambiente Externo (EXT) infex Computador VXI SE SE BancadaCircuitoHidráulico CLP SE UPCH mat/ EHEE infex Painel de Interface infexSE Legenda: SE - Sinais Elétricos EE - Energia Elétrica EH - Energia Hidráulica Figura 5.1 – Diagrama da estrutura da Bancada de Trabalho 48 5.3: Projeto da Estrutura da Bancada Utilizou-se, para o projeto mecânico da bancada, alguns itens padrões para bancadas hidráulicas da BoschRexroth (DS3 Synergy). Alguns detalhes, porém, diferenciam a bancada DS3 Synergy da bancada em projeto no LASHIP. Na bancada deste projeto pretende-se utilizar uma placa perfurada como a que fica em baixo da bandeja e, sobre ela montar o painel com grade de fixação dos componentes. E isso é feito dos dois lados da placa perfurada. Além desses dois painéis com grades verticais, seria utilizado mais um painel com grade horizontal, conforme a Figura 5.1. Existe, entretanto, um espaço entre esse painel horizontal e os dois painéis verticais, onde poderão ser dispostos os cilindros. Uma idéia a considerar seria a união entre válvulas e cilindros por meio de tubos rígidos e curtos, tais que caibam naquele espaço entre os painéis. O objetivo com isso é diminuir o volume de óleo entre válvulas e cilindros, diminuindo ao máximo o tempo de resposta. Há também a necessidade de se ter disponíveis os dois lados da bancada para montagem de circuitos, permitindo assim um maior aproveitamento do espaço. Figura 5.1 – Estrutura da bancada 49 Para a ligação elétrica serão empregados módulos elétricos com dimensões iguais a da bancada DS3 Synergy. Porém os bornes serão próprios para este projeto, incluindo ligações para sinais digitais e analógicos. Estas caixas serão ligadas ao sistema de aquisição de dados VXI. 5.4: Componentes Hidráulicos para Montagem dos Circuitos Em Sistemas Hidráulicos de Controle de Posição existem três configurações mais utilizadas na prática industrial, são elas: • Válvulas direcionais proporcionais simétricas combinadas com cilindros simétricos; • Válvulas direcionais proporcionais assimétricas combinadas com cilindros assimétricos (2:1); • Válvulas proporcionais de 3 vias combinadas com cilindros de simples ação; No estudo das três configurações acima, sugere-se a comparação através da determinação das vantagens e desvantagens de cada uma dependendo da aplicação. Cada configuração apresenta características estáticas, dinâmicas, consumo de energia, relação peso/potência, espaço etc., diferentes e são mais adequadas para aplicações específicas. Para verificação da validade da sistematização do projeto desses sistemas são necessários no mínimo três conjuntos distintos de cada configuração, cada conjunto com capacidades volumétricas diferentes (válvula e cilindro), possibilitando 9 combinações diferentes e uma ampla faixa de respostas dinâmicas. 5.5: Projeto da Unidade de Potência Hidráulica Com a finalidade de atender a diversas configurações de válvulas e cilindros que irão compor os sistemas projetados durante as disciplinas, a unidade de potência hidráulica precisa ser bastante versátil. Para tal, constitui-se do circuito hidráulico propriamente dito e de um CLP com o circuito elétrico complementar. 50 5.5.1: Circuito Hidráulico Além da versatilidade mencionada acima, a unidade de potência deve ser compacta de modo que possa ser movimentada com facilidade. Para isso, os tamanhos do motor elétrico, das bombas e do reservatório devem ser muito limitados. Tem-se então como uma solução bastante viável, a utilização de um acumulador de bexiga, para suprir as necessidades de altas vazões das válvulas proporcionais em curtos intervalos de tempo, ou seja, vazões de pico. Assim, as bombas e, conseqüentemente, o reservatório e o motor elétrico podem ser selecionados de tamanhos um pouco menores como o que seria necessário se não fosse utilizado o acumulador. Foram idealizadas duas bombas para a unidade, uma de deslocamento fixo e outra de deslocamento variável. As vazões das bombas desta unidade podem ser combinadas por meio de duas válvulas direcionais, 0V3 e 0V7, para alimentar um lado da bancada, ou outro, ou até ambos conforme Figura 5.1. Além dessas duas válvulas direcionais, há outras duas, 0V4 e 0V8, que fazem o controle da alimentação do acumulador e de sua saída para os sistemas da bancada através de engates rápidos. Optou-se pela utilização de 3 conjuntos prontos, cada um incluindo outros componentes (melhor entendido pela visualização do diagrama hidráulico), que atendessem a diferentes necessidades. Um para fazer o controle do acumulador, que inclusive o acompanha. Outro para realizar a filtragem, incluindo filtro, válvula de retenção e indicador de ensujamento. E um terceiro, que seria uma Mini Unidade Compacta, padrão BoschRexroth, que além dos componentes que a constituem, incluísse um medidor de nível com saída elétrica, para leitura através do CLP. A finalidade dessa Mini Unidade Compacta é de captar o óleo recolhido através das bandejas da bancada e devolvê-lo ao reservatório, passando pelo filtro. Um detalhe importante é que o circuito da unidade de potência deve ser bem visível, e o mais claro possível, para fins didáticos. Assim seria indesejável a utilização de blocos que não permitam a visualização do circuito hidráulico. Outra sugestão que visa facilitar o entendimento é a montagem do circuito na vertical, caso seja possível. 51 0S1 M 0P1 0P2 0M1 0V2 0V1 0V3 0V4 1V1 0V6 0V5 0V7 0V8 0V12 0V11 2V1 0V13 0Z1 0Z2 0Z3 0Z6 0Z9 0S2 0Z5 0Z7 Y1 Y2 Y1 Y2 Y1 Y2 Y1 Y2 Y1 M 0P30M2 0Z14 0Z15 0V17 0V10 0V9 1Z1 2Z1 0Z16 0Z10 0Z11 P2 P1 T P2 P1 T 0V14 0Z4 0Z0 0Z13 0Z8 0V15 0Z12 Figura 5.1 – Circuito hidráulico da bancada de ensaios Neste circuito, chamou-se Lado 1 o lado esquerdo e Lado 2 o lado direito da Figura 5.1. 52 5.5.2: Circuito Lógico, Circuito Elétrico e CLP Sendo que o restante deste documento é o principal motivo do presente aluno estar junto à realização deste trabalho, já discorrido no Capítulo 4:, este será extremamente elucidado. O primeiro passo a ser dado aqui foi o projeto do circuito lógico (circuito elétrico e programa do CLP) da unidade hidráulica para, em seguida, obter a especificação dos componentes elétricos (CLP, chaves, lâmpadas, chaves de partida de motor, etc.). Para tanto, mostra-se a seguir o projeto de comando combinatório, a ordem de execução e posterior levantamento dos componentes elétricos. 5.5.2.1: Projeto de Comando Combinatório A bancada de trabalho didática contém dois lados, como visto no item 5.5.1:, com três linhas de pressão cada uma, e possui a seguinte configuração: • Cada lado possui duas linhas de pressão que podem ser utilizadas da seguinte forma: o Via 1 (P1): pode-se fazer uso de qualquer bomba (inclusive as duas ao mesmo tempo) e/ou acumulador; o Via 2 (P2): somente o uso do acumulador é possível. • Cada lado possui uma linha de retorno do fluido. Para tal, o leiaute do painel de configuraçãoda bancada ficou assim definido: Bomba Fixa Bomba Variável Acumulador Início Fim Bomba Fixa Bomba Variável Acumulador Indicador de Estado LADO1 Bomba Fixa Bomba Variável Acumulador Início Fim Bomba Fixa Bomba Variável Acumulador Indicador de Estado LADO2 ErroErro Onde, a notação utilizada para identificar os botões é dada a seguir: Lado1: Lado2: 53 o Bomba Fixa = 1S1 o Bomba Variável = 1S2 o Acumulador = 1S3 o Início = 1S4 o Fim = 1S5 o Bomba Fixa = 2S1 o Bomba Variável = 2S2 o Acumulador = 2S3 o Início = 2S4 o Fim = 2S5 E a notação utilizada para identificar as luzes indicativas é: Indicador de Estado, que é igual para os dois lados: o Bomba Fixa = 0L1 o Bomba Variável = 0L2 o Acumulador = 0L3 Indicador de Alarme: Lado1: o Bomba Fixa = 1L1 o Bomba Variável = 1L2 o Acumulador = 1L3 Lado2: o Bomba Fixa = 2L1 o Bomba Variável = 2L2 o Acumulador = 2L3 O indicador de estado significa que o recurso foi selecionado por algum lado, desde que a escolha deste seja válida. Ou seja, o lado que escolheu tal recurso tem este reservado. Após o acionamento do botão de início, o indicador de início só acende quando a configuração da unidade hidráulica está efetivamente em operação. Neste momento o indicador de fim desliga. Lado1: o Início = 1L4 o Fim = 1L5 Lado2: o Início = 2L4 o Fim = 2L5 54 o Erro = 1L6 o Erro = 2L6 O uso desta luz de início deve-se ao fato de que quando um usuário, de um lado da bancada, seleciona o acumulador, este requer uso de uma das bombas para enchê-lo. Então, esta luz só acende quando o enchimento do acumulador é completado. Para tanto, adotou-se o seguinte critério de enchimento: • Se, de um lado, for selecionado apenas o acumulador, este será cheio pela bomba fixa; caso esta bomba esteja sendo utilizada pelo outro lado, a bomba variável é quem vai enchê-lo. • Se forem selecionados o acumulador e uma das bombas, a bomba selecionada é quem vai encher o acumulador. • Se forem selecionados o acumulador e as duas bombas, novamente será a bomba fixa quem vai enchê-lo. Na discussão acima já está se levando em conta que a configuração feita pelo usuário é válida para possível início do sistema, ou seja, só falta o usuário do lado em questão apertar o botão de início. As configurações válidas serão mostradas brevemente. Sendo assim, montou-se uma tabela de correspondência lógica das variáveis de entrada e saída do sistema: Variáveis de entrada Notação Correspondência lógica Sinal de estado do acumulador Sinal de uso da bomba fixa pelo lado1 Sinal de uso da bomba variável pelo lado1 Sinal de uso do acumulador pelo lado1 Sinal para início de uso do lado1 Sinal para fim de uso do lado1 Sinal de uso da bomba fixa pelo lado2 Sinal de uso da bomba variável pelo lado2 Sinal de uso do acumulador pelo lado2 0S1 1S1 1S2 1S3 1S4 1S5 2S1 2S2 2S3 Acumulador cheio; 0S1 = 1 Usar bomba fixa para o lado1; 1S1 = 1 Usar bomba variável para o lado1; 1S2 = 1 Usar acumulador para o lado1; 1S3 = 1 Iniciar uso do lado1; 1S4 = 1 Finalizar uso do lado1; 1S5 = 1 Usar bomba fixa para o lado2; 2S1 = 1 Usar bomba variável para o lado2; 2S2 = 1 Usar acumulador para o lado2; 2S3 = 1 55 Sinal para início de uso do lado2 Sinal para fim de uso do lado2 2S4 2S5 Iniciar uso do lado2; 2S4 = 1 Finalizar uso do lado2; 2S5 = 1 Variáveis de saída Luz indicativa de uso da bomba fixa Luz indicativa de uso da bomba variável Luz indicativa de uso do acumulador Luz p/ alarme de uso da bomba fixa pelo lado1 Luz p/ alarme de uso da b. variável pelo lado1 Luz p/ alarme de uso do acumulador pelo lado1 Luz indicativa de operação do lado1 Luz indicativa de repouso do lado1 Luz indicativa de erro para lado1 Luz p/ alarme de uso da bomba fixa pelo lado2 Luz p/ alarme de uso da b. variável pelo lado2 Luz p/ alarme de uso do acumulador pelo lado2 Luz indicativa de operação do lado2 Luz indicativa de repouso do lado2 Luz indicativa de erro para lado2 0L1 0L2 0L3 1L1 1L2 1L3 1L4 1L5 1L6 2L1 2L2 2L3 2L4 2L5 2L6 Bomba fixa usada/selecionada; 0L1 = 1 B. variável usada/selecionada; 0L2 = 1 Acumulador usado/selecionado; 0L3 = 1 B. fixa não pode ser selecionada; 1L1 = 1 B. var. não pode ser selecionada; 1L2 = 1 Acum. não pode ser selecionado; 1L3 = 1 Lado1 está em operação; 1L4 = 1 Lado1 está desligado; 1L5 = 1 Lado1 há erro; 1L6 = 1 B. fixa não pode ser selecionada; 2L1 = 1 B. var. não pode ser selecionada; 2L2 = 1 Acum. não pode ser selecionado; 2L3 = 1 Lado2 está em operação; 2L4 = 1 Lado2 está desligado; 2L5 = 1 Lado2 há erro; 2L6 = 1 Deve-se observar que o início de qualquer um dos lados somente é possível se algum recurso for selecionado (bomba fixa, bomba variável ou acumulador). Além disso, os botões 1S3 e 2S3 são de três estágios, pois: para via 2 (P2), somente o uso do acumulador é possível (XS31); e para via 1 (P1), o acumulador pode ser utilizado combinado ou não com qualquer uma das bombas (XS32). Ou seja: posição 2 do botão significa o uso do acumulador sozinho (via 2); posição 1 do botão significa o uso do acumulador com bomba (via 1). Acima, X pode assumir 1 ou 2 dependendo do lado em questão. Com a tabela de correspondência lógica em mãos montou-se uma tabela verdade (Tabela A 1), em anexo, visando-se obter as condições válidas de início (S11 e S12 para lado1 e lado2, respectivamente), ou seja, quando os botões de início do sistema (1S4 e 2S4) podem ser acionados. Como a tabela é muito grande, 56 dividiu-se em duas partes e ainda utilizou-se de um artifício, com uso do asterisco, para limitar o tamanho da tabela. O asterisco indica que o valor da variável de saída é 1 se a variável de entrada (pressostato – 0S1) também estiver em 1, o que significa que o acumulador já está cheio e a bomba utilizada para seu enchimento já está liberada. Por simplificação, chegou-se às seguintes condições: 11 1 1.1 2.1 3.2 3.(2 1 2 2) 1 1.1 2.1 3.2 2 1 1.1 2.1 3.2 2.2 3 1 1.1 2.1 3.2 1.(2 2 0 1 2 3) 1 1.1 2.1 3.2 1.2 3 1 1.1 2.1 3.2 1.2 2.(0 1 2 3) 1 1.1 2.1 3.2 1.2 2.2 3 S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S = + + + + + + + + + + 31.21.11.32.22.12 )3110.(21.11.32.22.1231.11.32.22.12 )311021.(11.32.22.1231.21.32.22.12 21.32.22.12)2111.(31.32.22.1212 SSSSSS SSSSSSSSSSSS SSSSSSSSSSSS SSSSSSSSSSS +++ ++++ +++= Onde os diagramas de contatos são dados a seguir: 2S1 ]/[ S11 ( ) 1S1 ]/[ 1S2 ]/[ 1S3 ] [ 2S3 ]/[ 1S1 ]/[ 1S2 ] [ 1S3 ]/[ 2S2 ]/[ 1S1 ]/[ 1S2 ] [ 1S3 ] [ 2S2 ]/[ 1S1 ] [ 1S2 ]/[ 1S3 ]/[ 2S1 ]/[ 2S2 ] [ 1S1 ] [ 1S2 ]/[ 1S3 ] [ 2S1 ]/[ 2S3 ]/[ 1S1 ] [ 1S2 ] [ 1S3 ]/[ 2S1 ]/[ 2S2 ]/[ 1S1 ] [ 1S2 ] [ 1S3 ] [ 2S1 ]/[ 2S2 ]/[ 2S3 ]/[ 2S2 ]/[ 2S3 ]/[ 0S1 ] [ 2S3 ]/[ 0S1 ] [ 2S3 ]/[ 57 1S1 ]/[ S12 ( ) 2S1 ]/[ 2S2 ]/[ 2S3 ] [ 1S3 ]/[ 2S1 ]/[ 2S2 ] [ 2S3 ]/[ 1S2 ]/[ 2S1 ]/[ 2S2 ] [ 2S3 ] [ 1S2 ]/[ 2S1 ] [ 2S2 ]/[ 2S3 ]/[ 1S1 ]/[ 1S2 ] [ 2S1 ] [ 2S2 ]/[ 2S3 ] [ 1S1 ]/[ 1S3 ]/[ 2S1 ] [ 2S2 ] [ 2S3 ]/[ 1S1 ]/[ 1S2 ]/[ 2S1 ] [ 2S2 ] [ 2S3 ] [ 1S1 ]/[ 1S2 ]/[ 1S3 ]/[ 1S2 ]/[ 1S3 ]/[ 0S1 ] [ 1S3 ]/[ 0S1 ] [ 1S3 ]/[ Para melhor entendimento das equações, explicam-se nos seguintes pontos os significados destas: • Quando somente o acumulador é selecionado por um lado, este não pode estar em uso pelooutro lado e uma das bombas tem que estar ociosa; • Quando somente a bomba variável é escolhida por um lado, basta que o outro lado não a tenha escolhido; • Quando a bomba variável e o acumulador são escolhidos por um lado, basta que os mesmos não tenham sido escolhidos pelo outro lado; • Quando somente a bomba fixa foi escolhida por um lado, a mesma não pode ter sido escolhida pelo outro lado. Além disso, uma das seguintes opções tem que ser válida: o outro lado escolheu a bomba variável, ou o acumulador já está cheio (sensor 0S1=1), ou o acumulador não foi escolhido; • Quando a bomba fixa e o acumulador foram escolhidos por um lado, basta que estes não tenham sido escolhidos pelo outro lado; • Quando somente as duas bombas foram escolhidas por um lado, estas não podem ter sido escolhidas pelo outro lado. Além disso, ou o 58 acumulador já está cheio (sensor 0S1=1) ou o outro lado não escolheu o acumulador; • Por fim, quando um lado escolhe todos os recursos disponíveis na bancada, o outro lado não pode ter escolhido algum destes recursos. Chamando-se as saídas de S1 e S2 do lado1 e lado2, respectivamente, construiu-se uma nova tabela verdade (Tabela A 2), em anexo. Aonde se chegou às seguintes simplificações: )141.11.1.(511 aSSSaSSS += )242.12.2.(522 aSSSaSSS += Onde o diagrama de contatos é dado abaixo: S1 ( ) 1S4 ] [ S1a ]/[ S11 ] [ S1a ] [ S2 ( ) 2S4 ] [ S2a ]/[ S12 ] [ S2a ] [ 1S5 ]/[ 2S5 ]/[ As equações significam que as saídas do sistema, para qualquer lado, são válidas uma vez que as condições de início foram válidas (S11, S12) ao mesmo tempo em que o botão de início foi acionado (1S4, 2S4) e enquanto que o botão de desliga não é acionado (1S5, 2S5). Isso faz com que a mudança de configuração do sistema já em operação, para qualquer lado, necessite da finalização deste antes. Ambos os lados da bancada possuem luzes indicadoras de alarme ao lado de cada recurso, acionadas quando o recurso que se quer selecionar em um lado da bancada já foi selecionado pelo outro lado. A parte da lógica associada a cada saída destas lâmpadas, que somente diz respeito à ordem de acionamento dos botões à cada lado da bancada, foi obtida da tabela verdade (Tabela A 3) em anexo. Adicionou-se ainda, a parte que diz respeito à condição não válida para a seleção da bomba fixa (Tabela A 4) e para a seleção do acumulador (Tabela A 5). Analisam-se essas condições adicionais somente para dois recursos, os quais são: 59 • Bomba fixa: caso o outro lado selecionou somente o acumulador anteriormente, esta bomba pode estar sendo utilizada para enchimento deste; • Acumulador: se o outro usuário selecionou somente as duas bombas anteriormente, não há maneira de encher o acumulador; As saídas foram nomeadas da seguinte maneira: S21 é o alarme para o botão 1S1; S31 é o alarme para o botão 1S2; S41 é o alarme para o botão 1S3; S22 é o alarme para o botão 2S1 S32 é o alarme para o botão 2S2 S42 é o alarme para o botão 2S3 As equações booleanas ficam assim definidas: Da Tabela A 3: )31.32.(32.3141 )21.22.(22.2131 )11.12.(12.1121 aSaSSSS aSaSSSS aSaSSSS += += += ; )32.31.(32.3142 )22.21.(22.2132 )12.11.(12.1122 aSaSSSS aSaSSSS aSaSSSS += += += Da Tabela A 4: 10)].1231.21.11.(31.21.11.12[22 10)].1132.22.12.(32.22.12.11[21 SaSaSaSaSSSSSS SaSaSaSaSSSSSS += += Da Tabela A 5: 10)].32.31.21.11.(31.21.11.32[42 10)].31.32.22.12.(32.22.12.31[41 SaSaSaSaSSSSSS SaSaSaSaSSSSSS += += Juntando-se os termos achados nestas tabelas têm-se: ]10).31.32.22.12.(32.22.12.[31)]31.32.(32.[3141 )21.22.(22.2131 ]10).1132.22.12.(32.22.12.[11)]11.12.(12.[1121 SaSaSaSaSSSSSaSaSSSS aSaSSSS SaSaSaSaSSSSSaSaSSSS +++= += +++= ]10).32.31.21.11.(31.21.11.[32)]32.31(31.[3242 )22.21.(22.2132 ]10).1231.21.11.(31.21.11.[12)]12.11(11.[1222 SaSaSaSaSSSSSaSaSSSS aSaSSSS SaSaSaSaSSSSSaSaSSSS +++= += +++= 60 Onde os diagramas de contatos são mostrados abaixo: S41 ( ) 2S1 ] [ S21 ( ) 1S1a ]/[ 2S1 ] [ 1S1 ] [ 2S1a ] [ S31 ( ) 2S2 ] [ 1S2 ] [ 2S2a ] [ 1S3a ]/[ 2S3 ] [ 1S3 ] [ 2S3a ] [ 2S2a ] [ 2S2 ]/[ 2S3 ] [ 2S1a ]/[ 2S2a ]/[ 2S3a ] [ 1S1a ]/[ 0S1 ]/[ 2S1 ]/[ 2S2 ] [ 2S3 ]/[ 2S1a ] [ 2S2a ] [ 2S3a ]/[ 1S3a ]/[ 0S1 ]/[ S32 ( ) 2S2 ] [ 1S2 ] [ 1S2a ] [ 2S2a ]/[ S22 ( ) 2S1a ]/[ 2S1 ] [ 1S1 ] [ 1S1a ] [ 1S2 ]/[ 1S3 ] [ 1S1a ]/[ 1S2a ]/[ 1S3a ] [ 2S1a ]/[ 0S1 ]/[ 1S1 ]/[ S42 ( ) 1S1 ] [ 2S3a ]/[ 2S3 ] [ 1S3 ] [ 1S3a ] [ 1S2 ] [ 1S3 ]/[ 1S1a ] [ 1S2a ] [ 1S3a ]/[ 2S3a ]/[ 0S1 ]/[ Há, ainda, uma luz indicativa de erro para cada lado (independentes). Esta luz de erro acende-se quando o lado em questão fez sua escolha, no entanto esta não satisfaz as condições válidas descritas por S11 e S12. Assim, têm-se: 12.4272 11.4171 SSS SSS = = 61 Onde S71 e S72 significam erro para o lado1 e erro para o lado2 respectivamente. Abaixo, mostram-se os diagramas de contatos: 2S4 ] [ 1S4 ] [ S71 ( ) S11 ]/[ S72 ( ) S12 ]/[ Também há um painel com luzes indicativas do estado do sistema, acendendo-se as luzes de cada recurso (bombas e acumulador) selecionado para uso por qualquer um dos lados. Ou seja, é independente do lado que o selecionou. Se o usuário apertar o botão e este não der o sinal de alarme a ele correspondente, então o recurso escolhido aparece como reservado em ambos os lados (não confunda com: para ambos os lados). A lógica associada a cada saída da lâmpada, por simplicidade, não necessita da construção de uma tabela verdade. 01 1 1. 21 2 1. 22 02 1 2. 31 2 2. 32 03 1 3. 41 2 3. 42 S S S S S S S S S S S S S S S = + = + = + Onde o diagrama de contatos é dado a seguir: S01 ( ) S21 ]/[ 1S1 ] [ S22 ]/[ 2S1 ] [ S02 ( ) S31 ]/[ 1S2 ] [ S32 ]/[ 2S2 ] [ S03 ( ) S41 ]/[ 1S3 ] [ S42 ]/[ 2S3 ] [ Retomando-se as luzes de início do sistema, chega-se às seguintes equações conforme Tabela A 6, em anexo: )3210.(252 )3110.(151 SSSS SSSS += += 62 Ou seja, uma vez que a saída do lado em questão é válida e o acumulador está cheio ou este não foi selecionado, a luz de início se acende indicando que a bancada está pronta para ser utilizada. O diagrama de contatos é dado abaixo: S51 ( ) S1 ] [ 0S1 ] [ 1S3 ]/[ S52 ( ) S2 ] [ 0S1 ] [ 2S3 ]/[ No entanto, a fim de assegurar a ordem de execução descrita a seguir na seção 5.5.2.2:, deve-se adicionar as seguintes variáveis: )32.3232.32.(2)22.2222.22.(2)12.1212.12.(282 )31.3131.31.(1)21.2121.21.(1)11.1111.11.(181 SaSSaSSSaSSaSSSaSSaSSS SaSSaSSSaSSaSSSaSSaSSS +++++= +++++= 825292 815191 SSS SSS += += As equações S91 e S92 garantem que o sistema será desligado quando se aperta no botão desliga ou se muda a configuração do sistema do lado em questão, quando este está em operação. Isto se faz necessário por questões de segurança. Finalmente, em cada lado da bancada há um sinaleiro vermelho junto ao botão “Fim”. Quando aceso, indica que a unidade de potência ainda não está pronta para operação, aguardando que o operador faça a seleção desejada e acione o botão “Início”. A equação deste sinaleiro é o oposto ao do sinaleiro de início: 5262 5161 SS SS = = Onde o diagrama de contatos é dado a seguir: S61 ( ) S51 ]/[ S62 ( ) S52 ]/[ 63 Quando a chave geral da unidade de potência for desligada, todas as luzes deverão ser desligadas como se pode ver no diagrama do circuitoelétrico na Figura 5.4. As modelagens das saídas do CLP foram feitas com relação a cada botão (entrada) a ser acionado. A lógica associada a cada botão com relação ao acionamento dos solenóides na unidade de potência hidráulica é mostrada abaixo. Os botões 1S3 e 2S3 são de três estágios, sendo que o estágio 1 é destinado ao uso do acumulador para linha 1 e o estágio 2 ao uso para a linha 2. 321)40(1).110(1 311)80(1).110(1 32131131 21)30(1 11)70(1 SVYVY SVYVY SSS SVY SVY = = += = = 322)40(2).110(1 312)80(2).110(1 32231232 22)30(2 12)70(2 SVYVY SVYVY SSS SVY SVY = = += = = 5.5.2.2: Ordem de Execução Neste item, descrever-se-á a ordem de execução das equações booleanas encontradas no item anterior para a unidade de potência hidráulica. Alarmes Calcular S21; Calcular S31; Calcular S41; Calcular S22; Calcular S32; Calcular S42; 1L1 = S21; 1L2 = S31; 1L3 = S41; 2L1 = S22; 2L2 = S32; 64 2L3 = S42; ↓ Estados 0L1 = S01; 0L2 = S02; 0L3 = S03; ↓ Avaliações das Combinações Calcular S11; Calcular S12; Verificar S91; Verificar S92; ↓ Saídas Verificar S1; Verificar S2; ↓ Luzes de Erro Calcular S71; Calcular S72; 1L6 = S71; 2L6 = S72; ↓ Partida do Sistema Físico Y1(0V7) = 1S1; Y1(0V3) = 1S2; 65 Calcular 1S3; Y1(0V11).Y1(0V8) = 1S31; Y1(0V11).Y1(0V4) = 1S32; Y2(0V7) = 2S1; Y2(0V3) = 2S2; Calcular 2S3; Y1(0V11).Y2(0V8) = 2S31; Y1(0V11).Y2(0V4) = 2S32; Chamar Grafcet1 e Grafcet2; ↓ Luzes de Início e Fim Calcular S51; Calcular S52; Calcular S61; Calcular S62; 1L4 = S51; 2L4 = S52; 1L5 = S61; 2L5 = S62; Onde o Grafcet1 ficou definido como mostrado na Figura 5.1 (o Grafcet2 não será mostrado devido sua semelhança ao primeiro): 66 Figura 5.1 – Grafcet1 67 5.5.2.3: Componentes Elétricos (CLP, Sinaleiros e Chaves) Com as saídas e entradas digitais já definidas para o sistema, pode-se dimensionar e selecionar o CLP a ser utilizado na unidade hidráulica de potência. Visto que são necessárias treze (13) entradas digitais, vinte e duas (22) saídas digitais, escolheu-se o modelo CL150 da BoschRexroth segundo Figura 5.1. O diagrama da ligação do CLP com os atuadores e sensores pode ser mostrado conforme a Figura 5.4. Figura 5.1 – Foto do CL150 com módulos acoplados O CL150 possui as seguintes características: • Oito entradas digitais de 24V • Oito saídas digitais de 0,5A • Possui capacidade para extensão modular. Para melhor ilustrar as partes que compõem o CLP em questão da Figura 5.1, faz-se necessário o uso da Figura 5.2 e da Figura 5.3. 68 Figura 5.2 – Ilustração referente à Figura 5.1 Figura 5.3 – Partes do CL150 69 Onde: 1) Indicações LED (diodo luminoso) 2) Interruptor basculante Stop/Run 3) Botão Copy/Battery 4) Interface V.24 para conexão de aparatos de conexão 5) Campo de escritura para entradas digitais 6) Indicação de estado para entradas digitais 7) Saídas de 24V para abastecimento de sensor 8) Entradas digitais 9) Campo de escritura para saídas digitais 10) Indicação de estado para saídas digitais 11) Saídas digitais 12) Potencial de referência de 0V para atuadores 13) Conector para os módulos B~IO 14) Abastecimento de 24V 15) Potencial de referência de 0V para fontes de tensão 16) Terra funcional Dentre as entradas e saídas digitais do CLP necessárias à bancada tem-se: • Entradas: dez (10) botões, sendo dois (2) de três (3) estágios, e um (1) sensor magnético. • Saídas: nove (9) solenóides e dezesseis (16) sinaleiros (luzes indicadoras); para tanto, serão necessárias apenas treze (13) saídas devido a seis (6) sinaleiros serem ligados em par (indicadores de estado). Com base nas informações do manual do CL150 e a fim de suprir as necessidades no que diz respeito à corrente de acionamento dos solenóides (1A) da unidade de potência hidráulica, requerem-se, além do CL150 (1070 080 502): 70 • Um (1) módulo de entradas digitais do tipo 1070 079 757. O módulo possui oito entradas de 24V. • Dois (2) módulos de saídas digitais do tipo 1070 080 151. Cada módulo possui oito saídas de 2A. • Conector para os módulos (1070 079 782). As características relevantes destas entradas e saídas são descritas abaixo: • Entradas digitais: 24V o Sinal 0: -3 a 5V / =< 2.5mA o Sinal 1: 11 a 30V / 2.8 a 6mA • Saídas digitais: 24V / 0.5A o Sinal 1: 2mA – 0.6A o Sinal 0: <0.5mA • Saídas digitais: 24V / 2A o Sinal 1: 2mA – 2A o Sinal 0: <0.5mA Os sinaleiros adotados foram leds, os quais possuem as seguintes especificações: Tamanho = 5mm; Vled = 2V; Iled = 10 – 20mA; Nota-se aqui a necessidade de resistores de proteção ligados em série com os leds, para que estes possam ser ligados à rede de 24V. O cálculo dos resistores é feito da seguinte maneira: −= led ledrede I VVR Onde: Vrede = tensão de alimentação da rede, a qual serão ligados os leds; Vled = tensão drenada pelo led; Iled = corrente máxima drenada pelo led. 71 Sendo assim, tem-se: 1466 015.0 224 ≅ −=R Aproximando-se para o valor comercial mais próximo tem-se R=1,5kΩ. Quanto às chaves do painel, não vem ao caso discutir-se o modelo adotado já que as únicas especificações necessárias para a escolha destas são corrente e tensão máxima permitida. Sendo 30V e 6mA o pico máximo das entradas do CL150, tem-se no mercado uma enorme variedade de produtos que atingem tais especificações, onde o critério de escolha é simplesmente estético. 72 Figura 5.4 – Diagrama do circuito elétrico do CLP 73 5.6: VXIbus, LabView e Transdutor de Posição Com o intuito de se fazer posteriormente o controle das válvulas combinadas com cilindros, desenvolveu-se um programa no Software LabView, o qual se comunica com o Sistema VXIbus de modo já citado no item 3.4:. Para tanto, um transdutor de posição DIGIAC, propriedade do Laship, foi utilizado a fim de se realizar experimentos e testes para o programa que se desenvolveu uma vez que seu modelo já é conhecido. Este modelo validado foi objeto de estudo dos alunos de Pós-Graduação Alvino C. da Silva Junior, Carlos Henrique Farias dos Santos e Cristiano Schwartz. 5.6.1: Modelo O diagrama de simulação do sistema, obtido das expressões apresentas no item 3.3.1.2:, foi implementado no MATLAB – Simulink conforme a Figura 5.1. Figura 5.1 – Simulador do Sistema Eletro-Hidráulico Onde: • Ks1=225; Ganho do sensor de posição; • Step=3; Degrau de entrada; • A=9.37e-4; Área líquida; 74 • B=3500; Coeficiente de atrito viscoso; • Kquo=1.4e-5; Ganho de vazão; • Kco=3.3e-12; Coeficiente de vazão-pressão; • M=46.8; Massa; • Vt=7.9e-5; Volume total de óleo; • beta=12e8; Coeficiente de compressibilidade; • wn=100; Freqüência natural; • zeta=0.65; Constante de amortecimento; • Controlador: Este apresenta o Ganho Proporcional e a Função de Transferência da Ação Integral. Conforme experimentos mostrados adiante, foi utilizada hora controle P hora controle PI. 5.6.2: Programa O programa criado conta com uma interface com o Sistema VXIbus, onde são necessárias algumas configurações para a comunicação correta com os dispositivos conforme o manual destes fornecidos pela Hewlett Packard. O programa em questão realiza o controle do transdutor de posição. Este controle é feito da seguinte maneira: após a obtenção dos dados de saída do sistema (em Volt) por meio do Multiplexador HPE1347A que imediatamente os envia ao Multímetro HPE1411B, estes são processados pelo programa desenvolvido e posteriormente os dados de entrada do sistema (em Volt) são fornecidos via Conversor D/A HPE1328A conforme Figura 5.1. A implementaçãoda lógica de controle está destacada na Figura 5.2. O sinal adquirido pelo multímetro é comparado com o sinal de referência (erro). O “Ganho P” e “Pólo do PI” influenciam no processamento deste sinal como se pode observar nesta figura. Assim, obtém-se o sinal de saída do programa (ou entrada do sistema), o qual é dirigido ao conversor D/A, conforme o controle escolhido pelo usuário. 75 Figura 5.1 – Diagrama do Programa Controlador 76 Figura 5.2 – Lógica de Controle O programa ainda possui uma interface com o usuário onde ele pode definir o controle a ser utilizado conforme Figura 5.3. Como se pode observar, é possível definir-se a ação de controle proporcional e opcionalmente determinar o pólo da 77 função de transferência da ação integral. Para tanto, após o início da execução do programa, basta aplicar-se a referência para que este efetue tal controle. Como o programa tem o propósito de servir aos alunos de Engenharia de Controle e Automação Industrial de maneira que, além de escolher um controlador que satisfaça aos requisitos propostos para o sistema também se possam compreender as dificuldades encontradas no controle de sistemas industriais, neste pode-se definir a taxa de amostragem de aquisição, processamento e execução do controle. A faixa de escolha da taxa está entre 5 e 100ms. Figura 5.3 – Interface do Programa com o Usuário A Figura 5.4, que é continuação da Figura 5.3, traz as configurações avançadas para usuários familiarizados com os instrumentos do sistema VXI. Nestas, pode-se escolher a faixa de leitura do multímetro, os canais que se desejam acessar do multiplexador, os canais de atuação do conversor D/A, dentre várias outras possibilidades. 78 Figura 5.4 – Interface com o Usuário Avançada A verificação da resposta do sistema ao controle e aplicação do degrau de referência escolhido é realizada através de um gráfico em tempo real que também faz parte desta interface com o usuário, já discutida acima. 5.6.3: Experimentos Com o intuito de verificar a funcionalidade do programa, realizaram-se testes com este onde se experimentaram tipos de controle (P e PI), ganhos e taxas de amostragem diferentes como se mostra a seguir. A legenda e a notação referente aos gráficos é dada abaixo: • K = ganho proporcional; • t1% = tempo de resposta de 1%; • S0 = valor do sobrepasso em relação ao valor de regime (= ymax/yreg); • Resposta do programa: o Em azul = resposta do sistema; o Em vermelho = ação de controle; • Resposta do simulador: 79 o Em verde = resposta do sistema; o Em azul = ação de controle; 5.6.3.1: Controle P: • Tempo de amostragem = 5ms; • Degrau de referência = 3V. Resposta do Programa: (K= 1; t1% = 0,9s; S0 = 0%) Resposta do Simulador: (K= 1; t1% = 0,9s; S0 = 0%) 80 Resposta do Programa: (K= 2; t1% = 0.27s; S0 = 0%) Resposta do Simulador: (K= 2; t1% = 0.33s; S0 = 0%) 81 Resposta do Programa: (K= 3; t1% = 0.25s; S0 = 0%) Resposta do Simulador: (K= 3; t1% = 0.27s; S0 = 0%) Para que não seja muito repetitivo, já que se sabe que os resultados alcançados pelo programa são muito próximos ao do simulador, serão mostrados apenas mais alguns experimentos com o programa. • Tempo de amostragem = 100ms; • Degrau de referência = 3V; 82 Resposta do Programa: (K= 1; t1% = 2.03s; S0 = 23%) Resposta do Programa: (K= 2; t1% = 1.02s; S0 = 23%) 83 Resposta do Programa: (K= 3; t1% = 0.71s; S0 = 27%) 5.6.3.2: Controlador PI • Tempo de amostragem = 5ms; • Degrau de referência = 3V; • Pólo da função de transferência da ação integral = 0,1. Resposta do Programa: (K= 1; t1% = 0.67s; S0 = 1.5%) 84 Resposta do Programa: (K= 2; t1% = 0.32s; S0 = 3%) Resposta do Programa: (K= 3; t1% = 0.22s; S0 = 6%) Pode-se constatar aqui a diferença entre os tipos de controladores, onde as respostas são semelhantes no que diz respeito ao tempo de resposta do sistema, no entanto o controlador PI mantém erro nulo da resposta ao sinal de referência. 85 Capítulo 6: Principais Resultados Cerca de seis meses transcorreram desde o início do projeto, no qual o estudante teve participação ativa no desenvolvimento dos circuitos lógico e elétrico do painel de configuração da bancada via implementação do CLP e ainda do programa de comunicação e controle de sistemas hidráulicos por meio do VXIBus. Devido ao longo período de tempo que o projeto demanda (complexidade, financiamento etc) o módulo 1 da bancada ainda não está efetivamente funcionando, no entanto se fará em futuro próximo. No desenvolvimento dos circuitos lógico e elétrico do painel de configuração da bancada utilizou-se o método de projeto de comandos combinatórios binários, onde suas saídas ocorrem em função de uma determinada combinação lógica das variáveis de entrada. Para tanto, métodos sistemáticos foram utilizados a fim de apresentarem as seguintes vantagens: • Elaboração rápida do projeto; • Fácil localização e correção de erros de programação; • Confiabilidade e segurança de funcionamento; • Integração ou comunicação fácil entre as várias formas de execução dos comandos; • Facilidade para supervisão e manutenção dos comandos; • Otimização do Projeto. Sendo assim, o projeto fornece como resultado final o elenco das funções lógicas e suas interligações, apropriadas para o processamento do sinal do comando combinatório desejado. Uma vez pronto o projeto lógico, seguiu-se com a escolha adequada da tecnologia para a implementação física do comando adotando-se o controlador lógico programável CL150 da Bosch Rexroth. Uma ordem de execução foi definida, no entanto faz-se necessária ainda a utilização do método passo-a-passo para a elaboração do diagrama funcional do 86 comando seqüencial desejado, definindo bem seus passos e suas ações correspondentes. Quanto ao desenvolvimento do programa de comunicação e controle de sistemas hidráulicos por meio do VXIBus, para o qual utilizou-se um transdutor de posição, este se comportou muito eficiente como mostrado. As respostas do sistema simulado (MatLab) e real (LabView, VXI, transdutor de posição) se mostraram muito próximas para todas taxas de amostragem e tipos de controladores testados. As diferenças entre as respostas são perfeitamente aceitáveis já que o modelo simulado não leva em conta histerese, erro de reversão e sensibilidade da resposta descritos em 3.2.1.4:. Além disso, conforme alguns objetivos deste projeto, mostrou-se versátil e didático por oferecer ao usuário a escolha do controlador e taxa de amostragem a serem adotados. A interface amigável também é um ponto positivo. Possui um gráfico da resposta do sistema em tempo real fazendo com que não seja necessária a proximidade ao sistema controlado e com que o estudo da otimização da resposta frente às especificações de tempo de resposta e/ou sobrepasso seja facilitado. O manuseio e execução do programa são fáceis e não requerem algum tipo de familiaridade com o software Labview. Certamente os resultados obtidos são satisfatórios, uma vez que o desenvolvimento do trabalho exigiu contato constante com as novas tecnologias que surgem freqüentemente e com as que já estão consolidadas e que se propôs o desenvolvimento deste em relativo curto espaço de tempo. 87 Capítulo 7: Conclusões e Perspectivas Não se devem desenvolver novas tecnologias pensando apenas nas aplicações que estão sendo empregadas atualmente. Por isso, há de se notar a importância deste trabalho tendo em vista a disseminação na utilização das aplicações existentes e inúmeras novas que possam surgir em breve. Para tanto, pode-se citar a utilização destes sistemas tanto em meio acadêmico quanto industrial. Sabendo-se da aplicação intensa em todos os segmentos da indústriados sistemas hidráulicos, a construção desta plataforma visa intensificar, junto a alunos de graduação em engenharia, a interação entre os conceitos teóricos e a aplicação prática destes sendo de grande ajuda na formação dos futuros profissionais, principalmente se esta vier acompanhada de uma infra-estrutura condizente com a tecnologia atual. Por fim, pretende-se que estudos futuros continuem a fim de se realizar a implementação do três módulos propostos. O software desenvolvido pode ainda ser aprimorado de tal forma que multiplexador e conversor D/A sejam utilizados para controlar até quatro sistemas simultaneamente. O módulo 1 fez parte do presente trabalho e será efetivado brevemente. 88 Referências Bibliograficas: [ 1 ] DE NEGRI, V. J., Integração da Tecnologia Hidráulica e Pneumática com CLP’s. Florianópolis, Julho de 1999. 52p. (Apostila). [ 2 ] DE NEGRI, V. J., KINCELER, R., SILVEIRA, J. Automação e controle experimental em hidráulica e pneumática. Florianópolis, Novembro de 1998. Não paginado. (Apostila). [ 3 ] DE NEGRI, V. J., Sistemas Hidráulicos e Pneumáticos para Controle e Automação: Partes I, II e III. Florianópolis, Março de 2001 (Apostila). [ 4 ] BOLLMANN, A. Fundamentos da Automação Industrial Pneutrônica. São Paulo: ABHP, 1997. 278 p. [ 5 ] Revista Mecatrônica Atual. São Paulo SP: Editora Saber Ltda. Abril de 2002. Ano-1. Nº3. [ 6 ] RICO, Julio Elias Normey. Sistemas Realimentados. 182p. [ 7 ] PAGANO, Daniel Juan. Teoria de Sistemas Amostrados e Controle Digital. 70p. [ 8 ] RICO, Julio Elias Normey. Projeto de Controladores PID Industriais. 39p. [ 9 ] http://www.ni.com [ 10 ] http://www.agilent.com [ 11 ] Hewlett Packard. HP E1326B/E1411B 5 1/2 Digit Multimeter User's Manual. 279p. [ 12 ] Hewlett Packard. HP E1328A D/A Converter Module User's Manual. 85p. [ 13 ] Hewlett Packard. HP E1343A/44A/45A/47A Relay Multiplexer User's Manual. 87p. 89 Anexos Tabela A 1 Linha 1S1 1S2 1S3 2S1 2S2 2S3 S11 S12 0. 0 0 0 0 0 0 0 0 1. 0 0 0 0 0 1 0 1 2. 0 0 0 0 1 0 0 1 3. 0 0 0 0 1 1 0 1 4. 0 0 0 1 0 0 0 1 5. 0 0 0 1 0 1 0 1 6. 0 0 0 1 1 0 0 1 7. 0 0 0 1 1 1 0 1 8. 0 0 1 0 0 0 1 0 9. 0 0 1 0 0 1 0 0 10. 0 0 1 0 1 0 1 1 11. 0 0 1 0 1 1 0 0 12. 0 0 1 1 0 0 1 1* 13. 0 0 1 1 0 1 0 0 14. 0 0 1 1 1 0 0 1* 15. 0 0 1 1 1 1 0 0 16. 0 1 0 0 0 0 1 0 17. 0 1 0 0 0 1 1 1 18. 0 1 0 0 1 0 0 0 19. 0 1 0 0 1 1 0 0 20. 0 1 0 1 0 0 1 1 21. 0 1 0 1 0 1 1 1 22. 0 1 0 1 1 0 0 0 23. 0 1 0 1 1 1 0 0 24. 0 1 1 0 0 0 1 0 25. 0 1 1 0 0 1 0 0 26. 0 1 1 0 1 0 0 0 27. 0 1 1 0 1 1 0 0 28. 0 1 1 1 0 0 1 1 29. 0 1 1 1 0 1 0 0 30. 0 1 1 1 1 0 0 0 31. 0 1 1 1 1 1 0 0 32. 1 0 0 0 0 0 1 0 33. 1 0 0 0 0 1 1* 1 34. 1 0 0 0 1 0 1 1 35. 1 0 0 0 1 1 1 1 36. 1 0 0 1 0 0 0 0 37. 1 0 0 1 0 1 0 0 38. 1 0 0 1 1 0 0 0 39. 1 0 0 1 1 1 0 0 90 40. 1 0 1 0 0 0 1 0 41. 1 0 1 0 0 1 0 0 42. 1 0 1 0 1 0 1 1 43. 1 0 1 0 1 1 0 0 44. 1 0 1 1 0 0 0 0 45. 1 0 1 1 0 1 0 0 46. 1 0 1 1 1 0 0 0 47. 1 0 1 1 1 1 0 0 48. 1 1 0 0 0 0 1 0 49. 1 1 0 0 0 1 1* 0 50. 1 1 0 0 1 0 0 0 51. 1 1 0 0 1 1 0 0 52. 1 1 0 1 0 0 0 0 53. 1 1 0 1 0 1 0 0 54. 1 1 0 1 1 0 0 0 55. 1 1 0 1 1 1 0 0 56. 1 1 1 0 0 0 1 0 57. 1 1 1 0 0 1 0 0 58. 1 1 1 0 1 0 0 0 59. 1 1 1 0 1 1 0 0 60. 1 1 1 1 0 0 0 0 61. 1 1 1 1 0 1 0 0 62. 1 1 1 1 1 0 0 0 63. 1 1 1 1 1 1 0 0 Tabela A 2 Linha S1a S11 1S4 1S5 S1 0. 0 0 0 0 0 1. 0 0 0 1 0 2. 0 0 1 0 0 3. 0 0 1 1 0 4. 0 1 0 0 0 5. 0 1 0 1 0 6. 0 1 1 0 1 7. 0 1 1 1 0 8. 1 0 0 0 1 9. 1 0 0 1 0 10. 1 0 1 0 1 11. 1 0 1 1 0 12. 1 1 0 0 1 13. 1 1 0 1 0 14. 1 1 1 0 1 15. 1 1 1 1 0 91 Tabela A 3 Linha 1S1a 2S1a 1S1 2S1 S21 S22 0. 0 0 0 0 0 0 1. 0 0 0 1 0 0 2. 0 0 1 0 0 0 3. 0 0 1 1 1 1 4. 0 1 0 0 0 0 5. 0 1 0 1 0 0 6. 0 1 1 0 0 0 7. 0 1 1 1 1 0 8. 1 0 0 0 0 0 9. 1 0 0 1 0 0 10. 1 0 1 0 0 0 11. 1 0 1 1 0 1 12. 1 1 0 0 0 0 13. 1 1 0 1 0 0 14. 1 1 1 0 0 0 15. 1 1 1 1 1 1 Tabela A 4 Linha 1S1a 2 1 .2 2 .2 3S a S a S a 1S1 2 1.2 2.2 3S S S S21 0. 0 0 0 0 0 1. 0 0 0 1 0 2. 0 0 1 0 0 3. 0 0 1 1 1* 4. 0 1 0 0 0 5. 0 1 0 1 0 6. 0 1 1 0 0 7. 0 1 1 1 1* 8. 1 0 0 0 0 9. 1 0 0 1 0 10. 1 0 1 0 0 11. 1 0 1 1 0 12. 1 1 0 0 0 13. 1 1 0 1 0 14. 1 1 1 0 0 15. 1 1 1 1 1* Legenda: o asterisco refere-se à condição de o acumulador estar vazio, ou seja, 0S1 = 0. Tabela A 5 92 Linha 1S3a aSaSaS 32.22.12 1S3 32.22.12 SSS S41 0. 0 0 0 0 0 1. 0 0 0 1 0 2. 0 0 1 0 0 3. 0 0 1 1 1* 4. 0 1 0 0 0 5. 0 1 0 1 0 6. 0 1 1 0 0 7. 0 1 1 1 1* 8. 1 0 0 0 0 9. 1 0 0 1 0 10. 1 0 1 0 0 11. 1 0 1 1 0 12. 1 1 0 0 0 13. 1 1 0 1 0 14. 1 1 1 0 0 15. 1 1 1 1 1* Legenda: o asterisco refere-se à condição de o acumulador estar vazio, ou seja, 0S1 = 0. Tabela A 6 Linha S1 1S3 0S1 S51 0. 0 0 0 0 1. 0 0 1 0 2. 0 1 0 0 3. 0 1 1 0 4. 1 0 0 1 5. 1 0 1 1 6. 1 1 0 0 7. 1 1 1 1 Projeto do sistema de controle de uma bancada did posicionadores Eletro-Hidráulicos Proporcionais Introdução Objetivos Visão Geral Objetivos Específicos Objetivos do Presente Trabalho Justificativas Viabilidade do Projeto Organização do Documento Apresentação do Local de Realização do Projeto� Histórico Objetivos Atuação Geral Equipe Professores Revisão Bibliográfica Integração da Tecnologia Hidráulica e Pneumáti� Introdução Automação e Controle Hidráulico e Pneumático Sistemas de Medição e de Atuação Controladores Lógicos Programáveis Compatibilização de Sensores, Atuadores e Módul� Linguagens de Programação – CLP Sistemas de Atuação Válvulas Proporcionais Definição Válvulas Proporcionais Direcionais Tempo de Resposta de Válvulas Proporcionais Histerese, Erro de Reversão e Sensibilidade da R� Servoválvulas Definição Tipos Servoválvulas Eletro-Hidráulicas Bombas Definição Características Operacionais de Bombas Amplificadores de Potência Sistemas Hidráulicos de Controle de Posição Sistema Eletro-Hidráulico Apresentação Modelagem Válvula Direcional Proporcional ou Servoválvula Cilindro Hidráulico e Carga \(A1\) Comparador/Amplificador \(Z1\) e Sensor de Pos� Descrição Matemática Entrada-Saída Sistemas de Aquisição de Dados e Controle Sistema National VXI LabView Controle Digital Problemas Ligados ao Controle de Sistemas Amostrados Projeto de Controladores Discretos Método de Projeto por Aproximações Método de Projeto Direto Metodologia Cronograma Recursos Disponíveis Desenvolvimento do Trabalho Especificações Gerais Estruturação do Módulo 1 Projeto da Estrutura da Bancada Componentes Hidráulicos para Montagem dos Circui� Projeto da Unidade de Potência Hidráulica Circuito Hidráulico Circuito Lógico, Circuito Elétrico e CLP Projeto de Comando Combinatório Ordem de Execução Componentes Elétricos \(CLP, Sinaleiros e Chave� VXIbus, LabView e Transdutor de Posição Modelo Programa Experimentos Controle P: Controlador PI Principais Resultados Conclusões e Perspectivas Anexos