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Jean Piaget (1896 -1980) 
Biografia de Jean Piaget 
Fonte: http://penta.ufrgs.br/~marcia/biopiag.htm 
• 1896 Em 9 de agosto, na cidade suíça de 
Neuchâtel, nasce Piaget. 
• 1907 com 10 anos publica na revista da 
Sociedade dos Amigos da Natureza de Neuchâtel 
um artigo sobre um pardal branco. 
• 1915 Forma-se em Biologia pela Universidade 
de Neuchâtel. 
 
 
Biografia de Jean Piaget 
• 1918 Torna-se doutor. Sua tese foi sobre 
moluscos. Muda-se para Zurique para 
estudar Psicologia. 
 
• 1919 Muda-se para a França. Ingressa na 
Universidade de Paris. É convidado para 
trabalhar com testes de inteligência infantil. 
 
Biografia de Jean Piaget 
• 1921 A convite do psicólogo da educação 
Edouard Claparede passa a fazer suas 
pesquisas no Instituto Jean-Jacques 
Rousseau, em Genebra, destinado à 
formação de professores. 
 
• 1923 Lança seu primeiro livro: A 
Linguagem e o Pensamento da Criança. 
 
• 1924 Casa-se com Valentine Châtenay, uma 
de suas assistentes, com quem teve três 
filhos: Jacqueline (1925), Lucienne (1927) e 
Laurent (1931). 
 
Biografia de Jean Piaget 
• 1925 Começa a lecionar Psicologia, História da 
Ciência e Sociologia na Universidade de Neuchâtel. 
 
• 1929 Em Genebra passa a ensinar História do 
Pensamento Científico. Assume o Gabinete 
Internacional de Educação (dedicado a estudos 
pedagógicos). 
 
• ANOS 30 Escreve vários trabalhos sobre as 
primeiras fases do desenvolvimento, muitos deles 
inspirados na observação de seus três filhos. 
Biografia de Jean Piaget 
 
• 1941 Com outros pesquisadores publica trabalhos 
sobre a formação dos conceitos matemáticos e 
físicos. 
• 1946 Participa da elaboração da Constituição da 
Unesco (órgão das Nações Unidas para Educação, 
Ciência e Cultura). Torna-se membro do conselho 
executivo e é várias vezes subdiretor geral 
responsável pelo Departamento de Educação. 
• 1950 Publica a primeira síntese de sua teoria do 
conhecimento: Introdução à Epistemologia 
Genética. 
Biografia de Jean Piaget 
• 1952 é convidado a lecionar na Universidade de 
Sobonne, em Paris sucedendo ao Filósofo Merleau-
Ponty. 
• 1955 Em Genebra, funda o Centro Internacional de 
Epistemologia Genética, destinado a realizar 
pesquisas interdisciplinares sobre a formação da 
inteligência. 
• 1967 Escreve a principal obra de sua maturidade: 
Biologia e Conhecimento. 
• 1980 16 de setembro, morre Piaget em Genebra. 
Piaget 
com os 
pais 
 e duas 
irmãs 
Piaget 
adolescente 
Jean Piaget 
em 1917 
com 21 anos 
Jean Piaget 
com sua esposa 
Valentine 
Châtenay 
 Piaget idoso 
Piaget em sua 
 biblioteca 
Casa em 
que 
Piaget 
morou 
durante a 
infância 
Vista 
parcial de 
Neuchâtel e 
do lago com 
mesmo 
nome 
 
Escola onde Piaget cursou o Ensino Fundamental 
Escola onde Piaget cursou o Ensino Médio 
• Estudou o desenvolvimento mental e moral; 
• Baseou-se em observações cuidadosas e 
detalhadas de crianças em situações naturais, 
como o lar e a escola; 
• Criava hipóteses para explicar os fatos que 
observava; 
• Desenvolvia meios para testá-las: 
- experimentos não-verbais (bebês); 
- experimentos verbais (crianças maiores). 
• Se empenhava em suas entrevistas; 
• Tentava seguir o pensamento da criança, 
para onde quer que ele se dirigisse; 
• Entrevistas eram mutáveis, as perguntas 
variavam de criança para criança; 
• Formulou uma teoria explicativa acerca da 
aquisição do conhecimento e do 
desenvolvimento cognitivo; 
• Denominou a teoria de Psicologia 
Genética. 
• Muitas críticas ao método de trabalho e à 
teoria de Piaget 
• Diziam que não era científico, por 
apresentar as seguintes falhas graves... 
CRÍTICOS 
a) Pequeno número de sujeitos 
observados. 
 - No início de seu trabalho, observava 
apenas 3 ou 4 ou, mesmo, 1 só criança. 
 - A “amostra” era considerada muito 
pequena 
 - Não permitia apresentar dados 
estatísticos 
b) Não seguia um padrão formal de 
entrevista 
 - Não fazia as mesmas perguntas a todas as 
crianças 
 - Impossível comparar as entrevistas 
c) Contrariava o princípio da imparcialidade 
científica que exige neutralidade do observador 
- Seus próprios filhos eram sujeitos de muitas 
observações 
- Não deveria ter nenhum laço afetivo com os sujeitos 
• Nos últimos 30 anos, seus trabalhos têm 
sido traduzidos e passaram a ser 
conhecidos; 
 
• Considerados de leitura muito difícil tanto 
em francês quanto em inglês ou em outros 
idiomas; 
 
• Os cientistas céticos acabaram por 
reconhecer o valor de sua teoria 
• Até o final de sua vida continuou a dirigir 
uma série de estudos, usando, em muitos 
deles, grande número de sujeitos; 
• Utilizava método de observação 
longitudinal; 
• Postulações de Piaget foram confrontadas 
com pesquisas realizadas nos cinco 
continentes, abrangendo diferentes culturas, 
e confirmaram os primeiros achados do 
autor, que deram origem à teoria dos 
estágios (Franco, 1993/2004). 
• A teoria de Piaget visa responder uma 
pergunta: 
COMO OS HOMENS CONSTRÓEM O 
CONHECIMENTO? 
Como eles passam de uma nível de 
conhecimento x para um x + 1? 
 
• É UMA PERGUNTA EPISTEMOLÓGICA. 
A OBRA DE PIAGET: A 
Epistemologia genética 
A OBRA DE PIAGET: A 
Epistemologia genética 
• Para responder tal pergunta, ele queria saber 
como se dá a origem (gênese) do 
conhecimento. 
• Foi buscar nas crianças o conhecimento da 
origem do ato de conhecer. 
 
Método Clínico 
• Método de intervenção não diretivo; 
• O experimentador vai interagir com o 
sujeito (criança) tendo bem claro o que quer 
procurar; 
• Não há roteiro fixo: o que interessa é saber 
o que se passa na cabeça das crianças. A 
forma da resposta será o mais importante. 
 
(Franco, 1993/2004) 
Função: ADAPTAÇÃO 
Estrutura: a inteligência é uma ORGANIZAÇÃO de 
processos 
 
Crescer é reorganizar a própria inteligência, não uma 
sobreposição ou acúmulo de conhecimentos. 
Todas as crianças se desenvolvem intelectualmente 
passando pelos seguintes estágios: 
1. Sensório motor (nascimento aos 2 anos) 
2. Pré-operacional (2 a 7 anos) 
3. Operações concretas (7 a 12 anos) 
4. Operações formais (após os 12 anos). 
• A seqüência dos estágios é a mesma no 
desenvolvimento de todas as crianças 
• As idades em que se dá a mudança de um 
estágio para outro poderão variar 
 
ESTÁGIO SENSÓRIO MOTOR 
 
 
 
Até 1 
mês 
Comportamentos como respirar, chorar ou 
sugar o leite materno são determinados 
hereditariamente e manifestam-se sob a forma 
de reflexos inatos. 
ESTÁGIO SENSÓRIO MOTOR 
1 a 4 meses 
O toque físico permite as 
primeiras adaptações e o 
reconhecimento do 
ambiente. Repetições 
sucessivas testam as 
reações, cujos resultados 
são assimilados e 
incorporados a novas 
situações. 
ESTÁGIO 
SENSÓRIO 
MOTOR 
ESTÁGIO SENSÓRIO MOTOR 
Novos movimentos provocam ações sobre 
as coisas: toques sucessivos em móbiles, 
pequenos barulhos e movimentos que 
estimulam o interesse. 
4 a 8 meses 
 
O bebê aplica formas já conhecidas por ele para 
resolver situações novas 
8 a 12 meses 
ESTÁGIO SENSÓRIO MOTOR 
 
 
 
As experiências com objetos ampliam os meios 
para entendimento de novas situações. 
A criança começa a considerar, por exemplo, que 
os objetos saem da visão, como uma bola atrás de 
uma almofada = permanência do objeto = 
constituição do eu, constituição do real. 
12 a 18 mesesESTÁGIO SENSÓRIO MOTOR 
 SENSÓRIO 
MOTOR 
Surgem combinações mentais e de 
ações. Os jogos de encaixe tornam-se 
instigantes. Mudança qualitativa da 
organização da inteligência, passa de 
sensível e motora para mental. 
 
18 a 24 meses 
 
ESTÁGIO PRÉ OPERACIONAL 
2 A 7 ANOS 
 
Surgem pensamentos anímicos 
e intuitivos sobre a natureza. 
Para a criança, tudo se 
compara com ela: nuvens 
"choram", pássaros voam 
"porque gostam" e o sol tem 
"rosto". 
ESTÁGIO PRÉ OPERACIONAL 
2 a 7 anos 
• Ocorre uma grande transformação na 
qualidade do pensamento em relação ao 
primeiro estágio. 
• O pensamento da criança não está mais 
limitado a seu ambiente sensorial imediato em 
virtude do desenvolvimento da capacidade 
simbólica. 
• A criança começa a usar símbolos mentais, 
imagens ou palavras, que representam coisas e 
pessoas que não estão presentes. 
• Há uma explosão lingüística 
• Aumento de vocabulário e da habilidade de 
entender e usar as palavras e sistemas de 
sinais sociais; 
• Aos 2 anos possui um vocabulário de 200 a 
300 palavras; 
• Aos 5 anos entende mais de 2000 palavras e 
já forma sentenças gramaticalmente 
corretas. 
Quando as crianças estão prontas para 
aprender a linguagem, um efeito significativo 
em seu desenvolvimento é exercido pelos 
adultos que falam muito com elas, lêem, lhes 
ensinam cantos e poesias infantis, e exercitam 
a linguagem para com elas comunicar-se. 
PIAGET notou, nesta fase, 
várias características do 
pensamento infantil... 
Egocentrismo 
• Incapacidade de se colocar no ponto de 
vista de outra pessoa. 
• Não é um termo pejorativo, mas um modo 
característico do pensamento. 
• De modo geral, as crianças de 4 a 5 anos, 
são incapazes de aceitar o ponto de vista de 
outra pessoa quando este difere do delas. 
• Pensamento como ação interiorizada. 
• A criança consegue perceber apenas um dos 
aspectos de um objeto ou acontecimento. 
• Não relaciona entre si os diferentes aspectos 
ou dimensões de uma situação. 
• A criança, antes dos 7 anos, focaliza apenas 
uma única dimensão do estímulo, 
centralizando-se nela e sendo incapaz de 
levar em conta mais de uma dimensão ao 
mesmo tempo. 
Centralização 
Animismo 
• Animismo deriva de anima, palavra latina 
que significa alma. 
• Consiste em atribuir vida a objetos que se 
movem ou podem ser movidos. 
• Supõe que eles são vivos e capazes de sentir 
• As pedras (e mesmo as montanhas) 
crescem, os animais entendem nossa fala e 
também podem falar, e assim por diante. 
Realismo nominal 
• Um outro modo característico de a criança 
pequena pensar. 
• Ela pensa que o nome faz parte do objeto, 
que é uma propriedade do objeto que ele 
representa. 
• Exemplo: o nome da lua está na lua, que 
sempre se chamou lua e que é impossível 
chamá-la de qualquer outro nome. O nome 
está dentro do objeto, é parte essencial dele. 
A criança bilíngüe parece adquirir, bem antes 
que as outras, a distinção entre o objeto e a 
palavra que o designa, por ter a experiência de 
que um objeto é chamado de determinada 
forma em uma língua, mas de forma bem 
diferente em outra. 
• Dispondo-se, diante de crianças entre 2 e 4 anos, um 
grupo de formas geométricas de plástico e de várias cores 
e pedindo-lhes que “coloquem juntas as coisas que se 
parecem”, elas não usam um critério definido para fazer a 
tarefa. 
• Agrupam as coisas ao acaso, pois não têm uma 
concepção real de princípios abstratos que orientem a 
classificação. 
• Após os 5 anos de idade, porém, elas conseguem agrupar 
objetos com base no tamanho, na forma ou na cor. 
Classificação 
Inclusão de classe 
• Embora aos 5 anos a criança já consiga classificar os 
objetos, ela ainda tem dificuldade de entender que uma 
coisa possa pertencer, ao mesmo tempo, a duas classes 
diferentes. 
• Diante de um vaso contendo dez rosas vermelhas e 
cinco amarelas, perguntando-se à criança se há mais 
rosas vermelhas ou rosas, ela geralmente responde que 
há mais rosas vermelhas. 
Seriação 
• As crianças pequenas são incapazes de lidar com 
problemas de ordenação ou seriação. 
• Em um de seus estudos, as crianças recebiam dez varas, 
diferentes apenas quanto ao tamanho. As crianças deviam 
escolher a vara menor. Depois disso ouviam a seguinte 
instrução: “Agora, tentem colocar sobre a mesa, 
primeiro, a menor, depois, uma um pouco maior, 
depois, outra só um pouco maior e assim por diante”. 
• Nem todas conseguiram resolver satisfatoriamente este 
problema. Algumas fizeram ordenações casuais, outras 
ordenaram algumas varas, mas não todas. 
• Crianças um pouco mais velhas já conseguem solucionar 
problemas simples de seriação. 
Conservação do número 
• Crianças pré-operacionais, mesmo que já saibam contar 
verbalmente 1, 2, 3, 4..., ainda não construíram o conceito 
de número. 
• Para verificar este aspecto do desenvolvimento, é usado 
o seguinte teste: o entrevistador dispõe em uma fileira 
aproximadamente oito fichas pretas e pede à criança 
que coloque, ao lado ou embaixo, a mesma quantidade 
de fichas brancas (“o mesmo número”, “tantas quantas”, 
“nem mais, nem menos”...). 
• Se a criança conseguir estabelecer a correspondência 
biunívoca, isto é, se colocar o mesmo número de fichas 
brancas, o observador, diante de seus olhos atentos, 
modifica a disposição das fichas em uma das fileiras, 
espaçando-as ou aproximando-as mais. 
• São feitas, então, as seguintes perguntas: “Existe o 
mesmo número de fichas pretas e brancas, ou há 
mais aqui (pretas) ou mais aqui (brancas)? Como é 
que você sabe?” 
• A finalidade desta prova é verificar se a criança está em 
condições de estabelecer a correspondência biunívoca, 
dominando o conceito de igualdade, bem como se ela 
“conserva” a quantidade de fichas independentemente 
de seu arranjo espacial. 
Conservação do número 
 
OPERAÇÕES CONCRETAS 
7 A 12 ANOS 
7 a 12 
anos 
Começam as operações chamadas de lógico-
concretas, nas quais as respostas baseiam-se 
na observação do mundo e no conhecimento 
adquirido. É a fase de escolarização, dos 
primeiros textos e operações matemáticas. 
OPERAÇÕES CONCRETAS 
 
• Se estende dos 7 aos 12 anos 
• Operações mentais da criança ocorrem em 
resposta a objetos e situações reais. 
• A criança usa a lógica e o raciocínio de modo 
elementar 
• Aplica apenas na manipulação de objetos 
concretos 
• Desenvolve noções de tempo, espaço, 
velocidade, ordem, casualidade 
• A criança compreende que a quantidade não 
muda porque a forma muda. 
Ex: Perguntas a respeito da quantidade de 
massa utilizada, ou da quantidade de líquido 
nos dois copos 
Igualdade inicial 
Modificação do elemento 
experimental (alargamento) 
Modificação do elemento 
experimental (partição) 
Modificação do elemento 
experimental (achatamento) 
Primeira 
modificação 
Segunda 
modificação 
Terceira 
modificação 
CLASSIFICAÇÃO 
• Pode separar objetos com base em uma de suas 
características 
• Ex: cor, forma ou tamanho. 
• Tem uma noção mais avançada de classes, em sentido 
abstrato. 
• Compreende as relações entre classes e subclasses, 
reconhecendo que um objeto pode pertencer a duas 
delas simultaneamente 
• Ex: as rosas vermelhas são uma subclasse de rosas, e 
o vaso contém mais rosas que rosas vermelhas. 
• Começa a compreender os termos de relação: 
maior, menor, direita, esquerda, mais alto, 
mais largo, etc. 
• Compreende que um irmão precisa ser irmão 
de alguém; um objeto precisa estar à direita ouà esquerda de alguma coisa, etc. 
• A criança não pensa em termos abstratos, nem 
raciocina a respeito de proposições verbais ou 
hipotéticas. 
• Experimenta dificuldades com os problemas 
verbais. 
• Antes dos 11 ou 12 anos, as operações da 
inteligência infantil são unicamente concretas 
• Se referem a objetos tangíveis, suscetíveis de 
serem manipulados. 
• Se solicitado às crianças que raciocinem sobre 
hipóteses simples ou enunciados puramente verbais 
dos problemas, elas logo fracassam. 
• Crianças de 8 a 10 anos sentem dificuldade em 
responder a uma pergunta feita por escrito. 
• Ex: Na escola, sentem dificuldade em resolver 
problemas de matemática, embora eles dependam 
de operações bem conhecidas. 
• Manipulando objetos raciocinam sem 
obstáculos 
• Os mesmos raciocínios, sob a forma de 
enunciados verbais, tornam-se muito mais 
difíceis, por estarem ligados a uma simples 
hipótese sem realidade efetiva. 
Operações Formais 
 Após os 12 anos 
• As operações lógicas serão realizadas entre 
as idéias 
• Podem estar expressas em qualquer 
linguagem (palavras ou símbolos) 
• Não há necessidade da percepção e da 
manipulação da realidade. 
EX: Quando se faz a pergunta sobre a altura 
das três meninas, enunciando-a apenas 
verbalmente, na verdade se colocam, em 
abstrato, três personagens fictícios. Para o 
pensamento formal, tais personagens são 
apenas simples hipóteses. É sobre estas que se 
pede que raciocinem. 
• Pensamento formal é hipotético-dedutivo 
• Capacidade de deduzir as conclusões de puras 
hipóteses, e não somente através de observação 
real. 
• O adolescente pode considerar hipóteses que 
talvez sejam ou não verdadeiras e examinar o 
que resultará se essas hipóteses forem 
verdadeiras 
• Raciocina cientificamente, formulando hipóteses 
e comprovando-as, na realidade ou em 
pensamento. 
• Pensamento de uma criança mais nova envolve 
apenas objetos concretos, o adolescente já pode 
imaginar possibilidades. 
• As estruturas cognitivas da criança 
alcançam seu nível mais elevado de 
desenvolvimento 
• Tornam-se aptas a aplicar o raciocínio 
lógico a todas as classes de problemas. 
Exemplos: 
Se lhe pedem para analisar um provérbio 
como "de grão em grão, a galinha enche o 
papo", a criança trabalha com a lógica da 
idéia (metáfora) e não com a imagem de 
uma galinha comendo grãos. 
• Para alunos maiores de 11 anos, é óbvia a 
necessidade de dispor de experiências 
escolares para promover o pensamento lógico-
formal. 
• A abordagem “mãos à obra” é altamente 
recomendável, muito mais que a observação 
passiva de filmes, peças teatrais, concertos 
musicais, visitas a museus, etc. 
• Para que cada estágio seja “superado” faz-se 
necessário o desenvolvimento neurobiológico em 
primeiro lugar (Piaget, 1978a; 1978b). 
 
• O próprio autor coloca que pode-se sim caracterizar 
os estágios a partir de uma cronologia, porém é 
importante entender que essa cronologia está ainda 
relacionada com as experiências dos indivíduos e “[...] 
depende principalmente do meio social, que pode 
acelerar ou retardar o aparecimento de um estágio, ou 
mesmo impedir sua manifestação” (Piaget, 1978b, p. 
235). 
 
A lógica e o pensamento adolescente 
• Os adolescentes já podem criar hipóteses, e 
assim se agarrar às possibilidades (quando 
adultos, normalmente se agarrarão às 
probabilidades). 
 
• Portanto o adolescente cria teorias e já é 
capaz de refletir sobre seu pensamento. 
(Inhelder & Piaget, 1976). 
A lógica e o pensamento adolescente 
• Também como característica do 
desenvolvimento cognitivo, há o fato do 
adolescente apresentar uma forma superior 
de egocentrismo onde ele procura adaptar o 
ambiente social ao seu eu e não o contrário. 
 
• Tal aspecto pode ser relacionado com a 
tarefa da construção da identidade. 
(Inhelder & Piaget, 1976). 
 
 
Para explicar como e por que ocorre o 
desenvolvimento cognitivo, PIAGET usa alguns 
conceitos básicos: 
São estruturas mentais com 
que os indivíduos 
intelectualmente se adaptam e 
organizam o ambiente. 
• Os esquemas podem ser examinados por meio do 
comportamento observável da criança; é do esquema que 
brota o comportamento. 
• Ao nascer, o bebê tem esquemas de natureza reflexa 
correspondentes às atividades reflexas motoras de agarrar, 
sugar, etc. 
• Nas palavras de PIAGET, o bebê terá, então, dois 
esquemas de sugar: um para estímulos que produzem leite 
e um para estímulos que não produzem leite. 
• A criança modifica seus esquemas e também constrói 
novos esquemas. 
• Os esquemas refletem, no indivíduo, seu nível atual de 
compreensão e conhecimento do mundo. 
• Os esquemas mentais do adulto resultam dos esquemas da 
criança e são mais numerosos e complexos. 
Quando o sujeito vai entrar em contato com o meio, 
ele retira desse objeto algumas informações. Essas 
informações serão interpretadas. 
Tornar seu alguns conhecimentos do mundo. 
 
É quando o sujeito modifica o objeto para conhecê-lo. 
• Ocorre continuamente. 
 
• Um ser humano está continuamente 
processando um grande número de estímulos. 
 
• Esse processo possibilita ampliação dos 
esquemas. 
As estruturas mentais (a organização que a pessoa 
tem para conhecer o mundo) são capazes de se 
modificar para dar conta das singularidades do 
objeto. 
 
O sujeito se modifica para poder conhecer. 
• Na acomodação, a pessoa modifica seus esquemas 
ou criar novos esquemas para acomodar os novos 
estímulos. 
 
• Os processos de assimilação e de acomodação, 
ocorrendo durante anos, irão transformar os 
esquemas primitivos do bebê em esquemas 
mais sofisticados, tais como os dos adultos. 
• Um bebê entra em contato, pela primeira vez, com 
uma argola suspensa por um cordão. Ele toca, olha, 
agarra, suga, balança a argola, etc. Em razão de 
interações com vários outros objetos no passado, a 
criança já possui esquemas que mobilizam e dirigem 
essas ações. 
• PIAGET diria que a argola é assimilada aos 
esquemas de olhar, tocar, agarrar, sugar, etc. Não são 
simples repetições de comportamentos adquiridos 
anteriormente (FLAVELL) 
a) Os esquemas são ampliados para assimilar o novo 
objeto: a criança aprende que, além dos outros objetos, as 
argolas também podem ser olhadas, agarradas, sugadas, 
etc. 
b) Os esquemas são modificados à medida que o novo 
objeto requer alguma variação na maneira de agarrar, 
empurrar, sugar, etc. 
Assim, a criança aprende que os objetos do tipo argola são 
sugados de uma maneira um pouco diferente de outros 
objetos sugados no passado e que os objetos do tipo argola 
causam uma impressão visual e tátil diferente dos objetos 
vistos e tocados no passado. 
• A criança acomodou seus esquemas ao novo objeto, 
possibilitando acomodações novas e diferentes aos objetos que 
serão encontrados no futuro. As novas acomodações levam a 
outras mudanças na organização intelectual, e o ciclo se 
repete (até com o mesmo objeto). 
 
 
 
Assimilação 
 ADAPTAÇÃO 
Acomodação 
 
S O 
 
S’ O’ 
 
S’’ O’’ 
O sujeito entra em contato com o objeto novo 
 
há um conflito, há um desequilíbrio 
 
É preciso fazer uma estabilidade da organização 
mental. 
 
O crescimento da inteligência é um processo 
dinâmico: 
desequilíbrio – equilibração – desequilíbrio... 
• Os mecanismos de assimilação e acomodação são 
modos de funcionamento de nossa vida mental para 
garantir um estado de equilíbrio ou de adaptação aonosso meio. 
• Esses dois mecanismos são acionados quando há 
mudanças no nosso ambiente ou alteração no nosso 
organismo. 
Equilibração é, então, o aparecimento de uma nova 
estrutura cognitiva que reconcilia os conflitos de 
um estágio anterior. 
Os construtivistas reconhecem que o conflito cognitivo leva as 
pessoas a um nível mais elevado de conhecimento e, por isso, 
recomendam aos educadores produzirem conflito cognitivo nos 
alunos, como uma forma de motivação do trabalho escolar. 
“Por exemplo, se uma criança está manipulando objetos que 
flutuam e objetos que afundam, um professor pode perguntar à 
criança quais objetos flutuam e quais afundam e por quê. O 
professor pode, então, fazer estas perguntas: 'o que acontecerá se 
colocarmos uma agulha na água?' ou 'o que acontecerá se 
colocarmos uma caixa de metal na água?'. 
As crianças que acreditam que os metais afundam em qualquer 
condição provavelmente farão a previsão de que a agulha e a caixa 
irão afundar. Testando estas crenças, a criança descobrirá que esses 
objetos flutuam. Experiências como estas, guiadas pelas questões 
levantadas pelos professores, são boas para produzir conflito 
cognitivo”. 
A descrição do desenvolvimento intelectual passando pelos 
estágios sensório-motor, pré-operacional, das operações concretas 
e das operações formais é reconhecida como válida para todas as 
crianças. 
Estudos transculturais confirmam a existência da mesma 
estrutura mental básica em todas as crianças. Independente da 
raça, nacionalidade, valor cultural ou grau de industrialização, 
elas constróem estruturas lógico-matemáticas e espaço-
temporais na mesma seqüência geral. Porém, a idade em que eles 
aparecem apresenta grande variação (influenciadas por fatores 
ligados à criança e a seu ambiente social). 
O ambiente exerce um papel importante em retardar ou promover 
o desenvolvimento. Os fatores sociais têm um papel importante 
no padrão de desenvolvimento da criança, mas a natureza exata 
de sua contribuição não é conhecida. Valores sociais, tais como 
considerar sua autonomia, discutir temas e dar valor à sua 
criatividade, devem ser considerados.