CÁLCULO DA TAXA DE LOTAÇÃO - Agronomia
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CÁLCULO DA TAXA DE LOTAÇÃO - Agronomia


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AULA PRÁTICA
CÁLCULO DA QUANTIDADE DE FORRAGEM DISPONÍVEL, CLASSE DE DEGRADAÇÃO E TAXA DE LOTAÇÃO
A taxa de lotação \u2013 Considerada como o número de animais pastejando uma unidade de área por um determinado tempo. 
É uma definição muito geral, não leva em conta o tipo de animal (ovinos, bovinos, etc.) e, mais precisamente, a classe do animal (vacas em lactação, novilhas, bezerros, etc.). 
Para facilitar comparações, a unidade animal (U.A. = 450 kg de peso vivo) Pressão de pastejo - relação entre o peso animal (kg) e a quantidade de forragem disponível (kg animal/kg MS/dia).
Forragem disponível - quantidade de matéria seca (kg de MS) disponível para cada 100 kg de peso vivo (P.V.) do animal por dia. 
CÁLCULO DA FORRAGEM DISPONÍVEL:
Para dimensionar um pastejo rotacionado uma das primeiras perguntas que iremos fazer é quantos animais iremos colocar na área? Para responder a essa pergunta primeiro precisamos determinar qual produtividade do capim utilizado. Para isso devemos medir a produtividade do capim por área. Devem-se obter a cada área algumas coletas de material e estimar a lotação
A forragem disponível poderá ser estimada mediante o uso da técnica do quadrado, sendo utilizado o quadrado com 0,12 m2 (0,3m x 0,4m). A técnica consiste em jogar o quadrado, aleatoriamente, na área em que se deseja estimar a produção ou disponibilidade de forragem, quantas vezes forem necessárias, de forma a se ter uma representação de todas as subáreas da pastagem. 
Vale ressaltar que um maior número de quadrados irá permitir uma estimativa mais confiável e precisa, em razão da grande variabilidade existente entre pontos em uma pastagem. Além disso, sugere-se, ainda, a medida prévia da altura da forragem, de forma a se identificar áreas mais uniformes.
Uma vez feito isso, corta-se a forragem, conforme a altura de manejo recomendada para a espécie em questão, e pesa-se a amostra, obtendo assim o peso de forragem para um número determinado de amostragens. 
Como exemplo iremos usar um resultado da pastagem da fazenda, em uma amostragem passada:
	No. amostra
	alt plantas
	peso m.s.tot (g)
	peso folha (g)
	peso caule (g)
	relação folha/caule
	1
	60
	67.67
	32.1
	35.57
	0.902446
	2
	35
	17.19
	12.72
	4.47
	2.845638
	3
	60
	26.71
	16.97
	9.74
	1.7423
	4
	60
	45.51
	24.21
	21.3
	1.13662
	5
	50
	29.54
	16.6
	12.94
	1.282844
	6
	70
	40.48
	24.9
	15.58
	1.598203
	7
	45
	43.45
	26.07
	17.38
	1.5
	8
	60
	21.87
	12.22
	9.65
	1.266321
	9
	70
	20.35
	12.05
	8.3
	1.451807
	10
	70
	12.89
	9
	3.89
	2.313625
	11
	45
	22.36
	13.98
	8.38
	1.668258
	12
	45
	20.74
	12.74
	8
	1.5925
	13
	70
	14.31
	9.57
	4.74
	2.018987
	14
	60
	45.38
	21.8
	23.58
	0.924512
	15
	70
	27.29
	16.59
	10.7
	1.550467
	16
	60
	40.8
	19.2
	21.6
	0.888889
	17
	35
	6.72
	3.92
	2.8
	1.4
	18
	70
	15.5
	11.46
	4.04
	2.836634
	19
	40
	33.75
	17.68
	16.07
	1.100187
	20
	50
	52.6
	24.22
	28.38
	0.853418
	Médias
	56.25
	30.2555
	16.9
	13.3555
	1.265396
	Total 
	
	605.11
	338
	267.11
	30.87365
	Resultados 
Degradação
	>40 cm
	2500 Kg MS/ha
	
	
	>1
A pastagem apresentava em média 78% de cobertura vegetal, sem pontos de erosão.
Em uma pastagem de capim quicuio que, após a amostragem de vinte pontos (0,12 m2 x 20 quadros = 2,4 m2), apresentou peso total de 605,11 g (0,6 kg), ou seja, peso médio por quadrado (40 x 30 cm ou 0,12m2) de 0,03kg, será obtido um total de 5 kg/m2 e, se esse dado for extrapolado para um hectare, chegar-se-á a uma disponibilidade teórica de aproximadamente 2500kg de biomassa/hectare ou 2,5 ton/ha de matéria seca (MS). Cálculos realizados com base em regra de três.
2,4 m2 ------- 0,6 kg
10000 ------- X
2,4 X = 0,6 x 10000
X = 2.500 kg/ha
Disponibilidade de forragem: 2.500 kg/ha
CÁLCULO DA TAXA DE LOTAÇÃO
OBS: Para calcular o consumo dos animais usa-se 10% (mantença) a 12% (engorda) do peso vivo para matéria verde e 2,5% (mantença) a 3,0% (engorda) do peso vivo para matéria seca. 
Exemplo da Fazenda: Disponibilidade teórica = 2,5 ton MS / ha /ano 
Para converter para matéria verde considerando-se a forragem com 25% MS \u2013 2,5 ton x 4 = 10 ton MV / ha (nas condições desta pastagem) 
Para 2500 kg de matéria seca teríamos 10000 kg de matéria verde.
Consumo / dia (3% do peso vivo em matéria seca) = Para 450 kg = 450 x 3% = 13,5 kg de Matéria seca por dia (para engorda)
Consumo forragem = 13,5 kg/UA/dia de matéria seca
Reserva = 2 a 2,5 X consumo (material para reserva das plantas e mineralização da matéria orgânica)
Forragem necessária = 13 kg x 2,5 = 32,5 kg MS/UA/dia 
Exemplo com 3 dias de ocupação do piquete: 32,5 x 3 = 97,5 kg de MS/UA/dia
Se um hectare produz 2500 kg MS e cada unidade animal come 97,5 kg de matéria seca, basta dividir a quantidade de forragem produzida por hectare pela quantidade de forragem consumida por uma unidade animal \u2013 2500 kg/97,5 = 25,6 UA/ha
Para trabalhar com matéria verde = 32,5 x 4 (25% de matéria seca na forragem) = 130 kg MV/UA/dia
Período de utilização = 3 dias
130 kg MV/dia x 3 dias = 390 kg MV/ UA
Produção de forragem = 10000 kg MV/ha (2,5 ton/ha MS) / 390 kg MS = 25,6 UA/ha
Dimensionamento de um pastejo rotativo:
Sendo assim, considerando um hectare a ser dividido e, portanto, rotacionado, se efetuarmos uma breve conta com 27 dias de descanso e um dia de ocupação, teremos 28 piquetes.
N = (PD/PO) + 1 
N = (27/1) + 1
N = 28 piquetes
Considerando 10000 metros quadrados (um hectare) teremos piquetes de aproximadamente 350 metros quadrados. Também teremos que ter corredores de acesso e por isso os piquetes seriam pouco menores que isso.
10.000 m2 /28 = 357,14 m2
Determinou-se a massa de forragem por hectare através da amostragem de 20 pontos em um piquete.
Um bovino necessita comer em torno de 2,5 a 3% do seu peso vivo por dia de matéria seca. De posse da quantidade de capim disponível por hectare, pode-se calcular a quantidade de animais que poderão ocupar o piquete por um dia.
Ou seja, um animal de 450 kg x 3% comerá 13,5 kg de massa seca por dia. Sendo assim, se o meu piquete (de 350 metros quadrados) produz por dia 150 kg de massa seca (valor fictício), dividindo-se temos uma lotação de 11 unidades animais por piquete. Caso nós utilizemos mais dias de ocupação, fica evidente que teremos que dividir a produção daquele piquete pelos dias de ocupação e assim ajustar a lotação. Para tanto, se aumentarmos o número de dias de ocupação, se lembrarmos bem, iremos diminuir o número de piquetes e portanto aumentar a área de cada piquete...segundo a fórmula anterior.
Novo exemplo: 
N = (PD/PO) + 1 
N = (27/3) + 1
N = 10 piquetes
Considerando 10000 metros quadrados (um hectare) teremos piquetes de aproximadamente 1000 metros quadrados. Também teremos que ter corredores de acesso e por isso os piquetes seriam pouco menores que isso.
10.000 m2 /10 = 1000 m2
Aí seria necessário calcular a massa forrageira produzida em 1000 metros quadrados e refazer os cálculos da taxa de lotação com esse tamanho maior de piquete com 3 dias de utilização.
Se em 350 metros quadrados produz-se 150 kg, em 1000 metros quadrados seria 428,57 kg de matéria seca (regra de três)
Para 3 dias de ocupação \u2013 13,5 kg por dia x 3 = 40,5 ks MS
428,57 kg MS / 40,5 Kg MS = 10 UA/Piquete com 3 dias de ocupação
AVALIAÇÃO DA CLASSE DE DEGRADAÇÃO
Para avaliar a classe de degradação da pastagem segundo os dados da tabela disponibilizada, usaremos os seguintes resultados:
	Resultados 
Degradação
	>40 cm
	2500 Kg MS/ha
	
	
	>1
A pastagem apresentava em média 78% de cobertura vegetal, sem pontos de erosão.
Os resultados devem ser comparados com as classes descritas abaixo:
1o. Parâmetro \u2013 peso da matéria seca: 40 kg forragem verde = 9 kg ms; medida no campo (balança); quanto mais ms melhor;
2o.Parâmetro \u2013 relação folha/caule, deve ser > 1, o animal deve ingerir mais