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APONTAMENTOS DE REGIMES E SISTEMAS POLÍTICOS

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de emancipação e autonomia intelectual e social das grandes massas.  
 
Conscrição militar:​ maior mobilidade geográfica e ocupacional, forma decisiva para 
construção da identidade nacional integrando setores sociais. (até aí confinados a 
horizontes paroquiais).  
 
Associativismo laboral contribuiu para maior organização e também para maior 
autonomia social das grandes massas.  
 
Todos esses fenómenos foram fatores da democratização da cidadania, ampliando 
exercício de participação e a correspondente prestação de deveres. ​Cidadão passou 
a ser todo o votante ou eleitor, passou a ser também todo o soldado​. Cidadão 
soldado faz parte do Estado nação, serviço militar obrigatório e universal fundado na 
dívida para com o estado , reforça o controlo cívico, contrabalança os interesses 
políticos locais com os centrais.  
 
 A crise do liberalismos​ no primeiro quartel do séc. XX, e a​ crise económica financeira 
nos anos 20​, alterou significativamente o papel e a colocação do Estado em relação à 
sociedade, a cidadania vai conhecer nova evolução sobretudo com a formulação dos 
novos ​direitos sociais​. Introduziu-se o ​valor da solidariedade social, de meramente 
cívica ou política, torna-se numa cidadania social. Os direitos sociais são prestações 
que passaram impender sobre o estado, alterando desse modo a sua função.​ O 
estado deixa de ser um simples árbitro para passar a ser interventor curador dos 
direitos do cidadão. Que passou a ser trabalhador ou produtor.  
 
Nova antítese​: a que separa o cidadão do estranho ou do estrangeiro, porque a 
cidadania desenvolve-se no quadro dos Estados Nações, traduziu-se juridicamente 
em nacionalidade. A cidadania moderna repousou assim sobre uma ​demarcação de 
identidades nacionais, sobre a afirmação de uma pertença a uma determinada 
comunidade cívica, política e social: às sociedades nacionais. ​Por isso a quem não 
eram nacionais, com os estrangeiros. Tal como não se partilhavam nacionalidades 
também não se partilhavam cidadanias. ​Não se podia ser cidadão de dois países, 
nem de duas realidades sobrepostas.  
 
 
 
6. A CRISE DO ESTADO  
 
O Estado Nação está hoje atravessado por uma ​crise interna e por uma crise                           
externa. A nível interno​, nos assuntos domésticos o ​Estado está em expansão, devido                         
sobretudo aos programas de bem estar. ​Por isso se fala de pervasividade interna do                           
Estado. Simultaneamente, ao nível externo, no domínio dos negócios internacionais, o                     
Estado ​está em regressão ou contração, revelando-se ​cada vez mais fraco e                       
impotente.​Por isso se reclama a ​redução da dimensão do Estado e , ao mesmo tempo,                             
o seu revigoramento. Enquanto se defende que se deve cortar em certas áreas de                           
intervenção e da despesa do Estado, defende-se ao mesmo o reforço de outras áreas.                           
A redução da dimensão do Estado vai a par com a exigência de reconstrução do                             
poder do Estado. ​Limitar o Estado tornou-se um objetivo para o tornar mais capaz e                             
implementar políticas e legislar.  
  
1. A CRISE DO ESTADO NAÇÃO  
 
O Estado Nação tem vindo a sofrer uma erosão ​por cima e por baixo da sua                               
soberania, pela globalização e pelo desenvolvimento do localismo político​,                 
revelando-se ​demasiado pequeno para enfrentar os grandes desafios e demasiado                   
grande para intervir na resolução dos pequenos problemas. Assistimos a uma                     
progressiva desidentificação do Estado com a Nação. ​Esta não coincidência de                     
Estados e Nação levou a fragmentação de Estados, ​mediante a decomposição dos                       
seus elementos constitutivos, ou à fragmentação política de Nações. Por outro lado                       
assistimos também a uma tendência para a perda de soberania do Estado-Nação,                       
por via da crescente internacionalização da vida económica, político-militar e                   
sócio-cultural.  
 
→ GLOBALIZAÇÃO: Fenómeno económico e financeiro, traduzido na mundialização                 
dos mercados, na internacionalização da divisão do trabalho, na                 
multinacionalização das empresas, acompanhados pela circulação de pessoas, bens                 
e capitais. A intensificação das trocas comerciais, mundialização dos investimentos, a                     
articulação crescente dos sistemas produtivos, a destruição das barreiras                 
alfandegárias, a planetarização das interdependências, têm provocado uma               
substituição da dimensão estadual-nacional dos mercados, por uma mais vasta                   
dimensão transnacional e transcontinental. Os mecanismos económicos há muito                 
que se tornaram mundiais, ​não havendo capacidade dos governos nacionais para                     
impedir ou evitar a repercussão em cadeia dos processos de recessão ou para um                           
controlo exclusivo sobre as economias dos próprios países. ​Há, a este nível, uma                         
clara ​diminuição da autonomia interna e da dependência externa. ​A concentração                     
económica gerou, por seu lado, o aparecimento de grandes empresas multinacionais,                     
que se tornaram relevantes atores da vida económica internacional, muitas das quais                       
com orçamentos superiores aos de muitos Estados, que atuam por cima da                       
capacidade interventora dos governos, condicionando-lhes a atuação. Em suma, ​o                   
Estado-Nação e a sua soberania estão hoje a ser postos em causa por todos estes                             
processos que lhes provoca uma erosão “a partir de cima”​. Por isso se vai falando de                               
corrosão do Estado e do seu enfraquecimento como escalão pertinente do governo,                       
da sua crise de legitimidade.  
 
→ LOCALISMO POLÍTICO: ​A globalização fez desenvolver simultaneamente com a                   
grande dimensão, também, a pequena dimensão. A necessidade de proximidade dos                     
cidadãos e dos seus problemas desenvolveu os níveis elementares de poder e de                         
organização política, ou seja, localismo político. O que se passas é uma diferentes                         
estratificação do espaço, numa base de concentricidade. ​O global e o local deixam                         
de ser incompatíveis para passar a ser concomitantes e coexistentes. ​Um pede o                         
outro. E quanto maior a afirmação do global, mais o local é valorizado. Uma é a                               
consequência do outro. O Estado-Nação, apesar de ver a sua soberania corroída,                       
não desaparece, pelo contrário, continua a ser um ator decisivo na cena                       
internacional, é mesmo um fator imprescindível da globalização e da localização.                     
Verifica-se um reescalamento da soberania. Há uma hierarquia de escalas: o global                       
está parcialmente inserido no nacional, e este no local. ​Há uma interação de forças                           
globais e nacionais. ​O que muda é a função do Estado, com a redução da sua                               
autoridade, e com o surgimento de nova legalidade. 
 
 
  
2. A CRISE DO WELFARE STATE (ESTADO NAÇÃO)  
 
Entre as dimensões mais sublinhadas da crise do Estado está a crise do Estado                           
social.  
 
→ ORIGENS DO ESTADO SOCIAL 
Não foram os países que primeiro admitiram a liberdade de associação sindical os                         
primeiros a admitir o Estado Social. A fazê-lo, não foram os países de mais precoce