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Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Departamento de Nutrição Animal e Pastagens
Disciplina: IZ 110 - Pastagens
Apostila sobre:
PASTAGENS NOS CONTEXTOS MUNDIAL E NACIONAL E 
REGIÕES PASTORIS DO BRASIL
Professor: Carlos Augusto Brandão de Carvalho 
 
Agosto/2011
1
IMPORTÂNCIA DAS PASTAGENS NOS CENÁRIOS MUNDIAL, NACIONAL E REGIONAL
As áreas pastoris representam 3 bilhões de ha no mundo, praticamente 20% da 
superfície do globo terrestre, onde as pastagens geram vários produtos, desde os 
tradicionais carne, leite e lã, até outros que têm importância específica do país em 
questão, como produção de combustível (indireto), proteção do solo, manutenção da 
paisagem (turismo), manutenção do equilíbrio do meio-ambiente e utilidade social. Vários 
são os usos das pastagens e vários são os sistemas de utilização destas no mundo. 
Existem modelos de produção baseados exclusivamente em pastagens cultivadas, 
nativas, misto, com ou sem conservação de forragem, com alta ou nenhuma introdução 
de energia no sistema (e.g. fertilizantes), etc. Quanto aos métodos de pastejo, existem 
países que praticam predominantemente a lotação contínua, outros utilizam diferentes 
variações da lotação rotativa ou mesmo combinações estacionais de um ou outro 
havendo ainda sistemas “aparentemente” mais extensivos como o pastejo nômade. As 
diferenças encontradas dizem respeito às características específicas das regiões em 
questão, ou seja, a decisão de um sistema de utilização é dependente fundamentalmente 
da potencialidade dos recursos naturais e da capacidade das condições tróficas vigentes 
de suportar um ou outro sistema. O tamanho médio das propriedades, as condições 
econômicas e culturais, enfim, várias razões determinam o “caminho tecnológico” 
escolhido. De forma geral, observa-se a escolha pela rotativa em situações onde a 
sazonalidade da produção de forragem é bastante acentuada e onde os tamanhos das 
áreas e do rebanho envolvido são pequenos. Para exemplificar, o Reino Unido utiliza 
predominantemente lotação contínua, enquanto os países da Europa Ocidental utilizam o 
método rotativo em sua maioria. A Nova Zelândia, no que diz respeito à produção de 
carne, utiliza um sistema misto com lotação contínua na época de crescimento das 
pastagens e rotativa na época de escassez. É importante que se tenha em mente que 
um sistema não é mais ou menos intensivo pelo método de pastejo utilizado. De 
forma geral, aumentos de produtividade nos sistemas ditos desenvolvidos foram 
essencialmente obtidos com o aumento substancial dos investimentos em fertilidade do 
solo no período pós-guerra, em geral subsidiados. 
Todos os sistemas de produção no mundo têm em comum a mesma 
problemática de qualquer sistema de produção baseado em pastagens. Há sempre um 
ciclo de maior e outro de menor produção de forragem. Varia a amplitude desta 
produção/escassez (em massa de forragem) e o tempo no qual esta se verifica (meses). 
No Canadá, o período de escassez é maior do que o de produção! O desafio de qualquer 
sistema de produção a pasto é o de manejar este ciclo de oferta de forragem, acoplando-
o a um ciclo de demanda de forragem que é determinado pelos animais (quantidade de 
animais, exigências/categoria, etc.). Para se solucionar o problema, várias são as 
possíveis soluções e encontram-se diferentes tipos de ações nos mais diferentes países. 
Existem aqueles que utilizam muita forragem conservada, seja na forma de silagem, seja 
na forma de feno, outros utilizam cadeias forrageiras, outros sequer utilizam a forragem 
diretamente em pastejo. Na maioria das regiões ditas “subdesenvolvidas” os animais 
simplesmente perdem peso. Mais uma vez, as soluções encontradas pelos diferentes 
países dependem de situações específicas. Servem como referência, mas apenas isto.
Um estudo recente da Organização das Nações Unidas para Agricultura e 
Alimentação (FAO) revela que as áreas de pastagens tem vasto potencial (ainda não 
explorado) de mitigação das mudanças climáticas por meio da absorção e 
armazenamento de CO2. Segundo o relatório, essas regiões representam uma 
concentração de carbono maior do que a das florestas, caso sejam devidamente 
administradas. Ele destacou que a agricultura tem potencial para ajudar a minimizar as 
emissões líquidas de gases de efeito estufa por intermédio de práticas específicas, como 
2
construção do solo e biomassa de carbono. Segundo o estudo da FAO, estima-se que as 
áreas de pastagens possam armazenar 30% do carbono do mundo no solo. O texto alerta 
que esses locais podem também desempenhar papel importante no apoio à adaptação e 
vulnerabilidade às alterações do clima de mais de um bilhão de pessoas que dependem 
do gado para viver, e o mundo vai ter que usar todas as opções para conter o 
aquecimento global.
Mais ainda do que as florestas, as pastagens correctamente geridas podem ajudar 
a combater as alterações climáticas absorvendo e armazenando dióxido de carbono, 
afirma um relatório recentemente divulgado pela Organização para a Alimentação e 
Agricultura (FAO). Os quase 3,4 mil milhões de hectares de pastagens do mundo 
armazenam 30% do carbono do solo, para além da quantidade substancial de carbono 
sequestrado nas árvores, arbustos e gramíneas, e representam também 70% das terras 
agrícolas.
No seu relatório, intitulado Review of Evidence on Drylands Pastoral Systems and 
Climate Change, a FAO faz notar que as pastagens podem desempenhar um papel 
importante, contribuindo para a adaptação e reduzindo a vulnerabilidade às alterações 
climáticas dos mais de mil milhões de pessoas que dependem da pecuária. O mesmo 
ainda relata que as pastagens ajudam a melhorar a capacidade de retenção de água do 
solo, contribuindo para uma maior resistência à seca e ajudando a proteger a 
biodiversidade. Por outro lado, adverte que as pastagens são especialmente sensíveis 
aos efeitos da degradação dos solos, que afecta cerca de 70% das pastagens e se deve 
ao sobrepastoreio, salinização, acidificação e outros processos. Outras pressões sobre os 
solos resultam da necessidade de satisfazer uma procura crescente de carne e produtos 
lácteos.
Em Novembro, a FAO publicou um relatório em que dizia que as explorações 
agrícolas do mundo podem ser a linha da frente da luta contra as alterações climáticas e 
da batalha para alimentar uma população mundial crescente. Nesse sentido, os 
melhoramentos ao nível da gestão de terras de cultivo e pastagens, bem como a 
recuperação de solos orgânicos e terras degradadas, são as medidas técnicas mais 
importantes para ajudar a reduzir o impacto das alterações climáticas. (Baseado numa 
notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 13/01/2010).
Pastagens têm sido consideradas não apenas como uma fonte de alimento para 
herbívoros domésticos, mas também como importante ecossistema da biosfera terrestre. 
Aproximadamente 25% da área total do globo terrestre são classificadas como áreas de 
pastagem. Em ecossistemas pastoris, em torno de 90% dos nutrientes totais ingeridos por 
ruminantes vem do pasto. A situação atual das pastagens do mundo é preocupante, pois 
mais de 50% delas encontram-se em algum estado de degradação. No Brasil, estima-se 
que 80% das áreas de pasto cultivado e cerca de 70% das áreas de pasto nativo 
encontram-se em algum estágio de degradação. Nesse sentido, é preciso que se trabalhe 
o planejamento do uso dessas áreas de modo que possam continuar sendo utilizadas 
com finalidades pastoris, sem prejudicar o ambiente, e de forma a promover o 
desenvolvimento sustentável. 
O termo pecuária (tomado como tradução do inglês livestock sector) se refere, 
conjuntamente, às atividades de criação bovina de corte e leiteira, avicultura, suinocultura, 
pesca, etc. A situação da pecuária no Brasil é difícil. Se a dita ocupação do Centro-Oeste, 
através da abertura de novas áreas depastagens, teve grande impacto no que diz 
respeito ao aumento do efetivo bovino no país, o mesmo não se pode dizer em relação 
aos índices de produtividade. Eles são muito baixos e estão estagnados há algumas 
décadas, com tímidas melhorias em alguns índices. A taxa anual de crescimento do 
efetivo bovino na década de 90 no Centro-Oeste foi de 4,2%, enquanto na Região Sul é 
de 1,1%, basicamente sustentada pelo Paraná. A pecuária no RS é baseada 
3
essencialmente na produção do seu campo nativo, presente em aproximadamente 10,5 
milhões de ha. Este campo, de alta diversidade florística, tem o seu de crescimento nos 
meses de primavera e verão, já com acentuada redução de crescimento no outono e 
insignificante no inverno. A comparação com diferentes biomas no mundo revela que esta 
região é uma das de maior potencial de crescimento vegetal. As regiões Sudeste, Centro-
Oeste e Norte transformaram boa parte de sua vegetação nativa em pastagens utilizando 
essencialmente espécies dos gêneros Brachiaria, Panicum, Pennisetum e Andropogon. 
As causas da baixa produtividade dos sistemas de produção em pastagens são muitas. 
Envolvem questões pertinentes à cultura, economia, política, entre outras, além da 
clássica escassez de forragem nos meses de inverno. A descapitalização atual do setor é 
um grande entrave às possíveis transformações, ou seja, as soluções não passam 
simplesmente pela esfera técnica. 
De uns tempos para cá, os pecuaristas brasileiros passaram a ser apontados 
como grandes vilões do meio ambiente, acusados de desmatar florestas para abrir 
pastagens e promover queimadas. Todas premissas verdadeiras. É igualmente verdade 
que os gases intestinais dos animais, que exalam gás metano na atmosfera, têm sua 
parcela de responsabilidade no aquecimento global, conforme comprovam pesquisas 
científicas. Por tudo isso, não apenas os governos, mas a própria sociedade – e, por 
consequencia, o mercado - hoje exigem mudanças na forma de produção de nossa 
pecuária. No entanto, é preciso também mostrar o lado bom da moeda. Pois também é 
verdade que, segundo informações do Ministério da Agricultura, da Conab (Companhia 
Nacional de Abastecimento) e da FAO (Food and Agriculture Organization, da ONU), as 
áreas de pastagens no Brasil se expandiram 4% entre 1975 e 2007, ao passo que a 
produção de carne bovina aumentou 227%. No mesmo período, a área da agricultura se 
expandiu em 27%, contra 207% da produção de grãos. Em resumo: a produção de 
proteína vermelha no Brasil aumentou 57 vezes mais do que a sua área, enquanto a de 
grãos cresceu oito vezes.
Esse extraordinário desempenho da pecuária se explica pela tecnologia. Graças 
ao melhoramento dos rebanhos, feito através da genética aplicada aos plantéis, um 
animal que antigamente levava 48 meses para atingir o peso ideal para abate, hoje está 
pronto na metade desse tempo. Isso melhorou a produtividade e a qualidade da nossa 
carne e permitiu ao Brasil se tornar o maior exportador mundial de proteína vermelha, 
gerando importantes divisas para a balança comercial do País.
BIBLIOGRAFIA
PASTAGENS NOS ECOSSISTEMAS BRASILEIROS, SBZ, 1995.
PRODUÇÃO DE BOVINOS A PASTO, FEALQ, 1997.
SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE PRODUÇÃO ANIMAL EM PASTEJO, VIÇOSA, 1997.
GRASSLAND ECOPHYSIOLOGY AND GRAZING ECOLOGY, CURITIBA, 1999.
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PASTAGENS X PRODUÇÃO DE ALIMENTOS
O maior dilema da humanidade, já nos dias de hoje e cada vez mais no futuro, é 
o de continuar aumentando a produção de alimentos para atender a uma demanda 
crescente, sem que a agropecuária avance sobre áreas nativas e sem degradar o meio 
ambiente.
A FAO estima que até 2050 a produção de alimentos deva ser dobrada para 
atender a esta demanda. Os fatores que têm concorrido para traçar este cenário são os 
seguintes: crescimento da população mundial a uma taxa de 1,25% ao ano; além do 
crescimento da população mundial, a renda percapta deverá dobrar nos Países em 
desenvolvimento, passando de US$ 1.080 em 1995, para US$ 2.217 em 2020; 
crescimento econômico acelerado da Ásia, Rússia e Europa Oriental. A China, com 1,3 
bilhão de habitantes cresceu em média 9,5% nos últimos 20 anos, enquanto a Índia, com 
1,1 bilhão de habitantes, cresceu 9,2% em 2007; a taxa de crescimento da economia 
mundial foi em média 4,75% entre 2004 e 2007, o maior dos últimos 30 anos.
A China já consome 19% da produção de grãos do mundo, e consumirá 41% por 
volta do ano 2031. Em 2030, este país precisará importar 200 milhões de toneladas de 
grãos, total este que foi exportado mundialmente em 2007 para mais de 100 países. Há 
sete anos consecutivos os estoques mundiais de alimentos vêm caindo de 130 dias (em 
2000) para 55 dias (em 2007). Os estoques de milho e de trigo foram os menores dos 
últimos 24 e 60 anos, respectivamente.
A demanda por produtos de origem animal não tem sido diferente. O consumo de 
carne percapta na China saltou de 20 kg em 1995 para 50 kg em 2007, enquanto que o 
de leite passou de 4 litros, em 2001, para 13,5 litros, em 2006. A demanda mundial de 
carne bovina tem aumentado numa média anual de 350 mil toneladas.
A produção de alimentos enfrentará cada vez mais uma competição acirrada com 
outras atividades de exploração da terra. A maior ameaça considerada pela FAO é o uso 
do solo para a produção de culturas destinadas à produção de biocombustíveis. Até 2020 
países da UE, a China, os EUA e o Brasil, substituirão os combustíveis convencionais 
pelo biocombustível em proporções de 10 a 25%.
A área ocupada com reflorestamento também aumentará, devido à crescente 
demanda para a produção de energia. Entretanto, a terra agriculturável não passará dos 
atuais 1,5 bilhão de hectares até 2050, o que causará uma redução na área agricultável 
percapta de 0,23 ha/habitante para 0,16 ha. 
Segundo a FAO, de todo o aumento na produção de alimentos entre o ano de 
1993 e 2020, apenas 20% virão da incorporação de áreas naturais em áreas de produção 
e que os 80% restantes virão das áreas já exploradas atualmente, indicando a 
necessidade de se incorporar mais tecnologia dentro dos sistemas de produção. No Brasil 
não tem sido e não será diferente, apesar de ser um dos únicos países do mundo com 
uma área de 104 milhões de hectares de áreas nativas com potencial agrícola disponíveis 
para a incorporação de atividades econômicas. A competição pelo uso do solo já é uma 
realidade. Entre os censos agropecuários de 1996 e 2006, a pecuária perdeu 5,367 
milhões de hectares de pastagens, enquanto as áreas ocupadas por matas/florestas e por 
lavouras, tiveram um crescimento de 5,594 milhões e 34,90 milhões de hectares, 
respectivamente.
Além da competição pela terra entre diferentes atividades econômicas, parte da 
área agricultável de hoje deverá ser substituída por reservas legais (20% da área total nas 
regiões Sul, Sudeste e Nordeste, 35% no bioma Cerrado; 80% no bioma Amazônico e 
50% na transição para este último bioma) e áreas de preservação permanente para a 
eliminação de passivos ambientais.
5
Diante deste cenário um dos reflexos esperados será o aumento significativo do 
valor da terra agricultável. Uma conclusão aceitável desta rápida análise é que a 
exploração da terra deverá ser intensificada através da adoção de tecnologia.
Pergunta-se, como a pecuária brasileira (leia-se: as pastagens) estará inserida 
neste contexto, já que ocupa grandes extensões do solo brasileiro (172 milhões de ha, ou 
20% do território) de forma extensiva/extrativista. Estima-se que nos próximos 10 anos as
áreas de pastagens brasileiras deverão sofrer uma redução de 17 milhões de hectares, ao 
mesmo tempo em que o rebanho bovino deverá aumentar de 169 milhões de cabeças 
para mais de 185 milhões, determinando aumentos médios de 20% na taxa de lotação.
Tem sido defendida a adoção do “principio da substituição da terra”, para reduzir 
este impacto de dilema abordado. Por isso, uma determinadaquantidade de fertilizantes, 
utilizada racionalmente, gera uma produção equivalente àquela que seria obtida pelo 
cultivo adicional de novas áreas sem o uso de fertilizantes.
Em 1976 o professor Moacyr Corsi, da ESALQ/USP de Piracicaba, demonstrou 
que era possível reduzir a área de pastagens em até nove vezes, quando a taxa de 
lotação média fosse aumentada de 0,5 UA/ha para 5 UA/ha. Naquela época, a 
preocupação era estritamente econômica, pois ainda não havia a consciência ecológica 
que a humanidade tem hoje. O objetivo da intensificação era tão somente para tornar a 
pecuária competitiva, com alternativas de uso da terra, principalmente no estado de São 
Paulo, onde naquela época o tamanho médio das propriedades era pequeno e o valor da 
terra já relativamente alto. 
Em 2002, durante o V Congresso Brasileiro das Raças Zebuínas (Uberaba-MG), 
AGUIAR (2002) foi demonstrado que era possível substituir em média 7 por 1 a 12: 1 ha
quando fossem adotadas as tecnologias de correção e adubação do solo sem irrigação, e 
com irrigação, respectivamente. 
Entretanto, nestes cálculos levou-se em consideração somente a variável taxa de 
lotação, a qual é apenas uma das variáveis que define a produtividade da pastagem. Mas 
em 2007, durante o II Congresso Internacional do Boi do Capim (Salvador-BA), 
considerando o impacto da intensificação sobre esta variável, mas também sobre a 
variável “desempenho animal”, AGUIAR demonstrou que era possível substituir em até 28 
por 1 a 43:1 ha quando fossem adotadas as tecnologias de correção e adubação do solo 
sem irrigação associadas com suplementação concentrada, e com irrigação, 
respectivamente. 
Na tabela abaixo, encontra-se uma comparação entre diferentes níveis 
tecnológicos de exploração da pastagem para a atividade de recria/engorda e seus 
impactos sobre as variáveis, taxa de lotação, ganho por animal por ano, e produtividade 
por hectare em peso vivo e em equivalente carcaça.
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Taxa de lotação (UA/ha), produtividade por animal (PA) em Peso Vivo (kg PV/ano) e produtividade 
da terra (kg PV/ha/ano e kg de equivalente carcaça (EQC/ha/ano) em diferentes níveis da 
exploração da pastagem.
Fonte: Aguiar (2008). Modificado. Estes níveis tecnológicos de exploração vêm sendo validados nos últimos 14 
anos em campo, tanto em fazendas de pesquisas, como em fazendas comerciais. 
É prudente deixar claro que a adoção de qualquer um destes níveis tecnológicos 
depende de uma análise criteriosa de fatores, tais como condições climáticas e de solos, 
tamanho da propriedade, valor da terra, custos de produção e preços regionais 
competição com alternativas de uso da terra, como também a atividade desenvolvida 
(pecuária de corte e leite, cria, recria ou engorda). E que ainda é possível adotar um ou 
mais dos níveis tecnológicos apresentados em uma mesma propriedade.
A intensificação da produção da pastagem passa pela escolha da espécie 
forrageira adaptada às condições ambientais e de uso da propriedade, pelo manejo do 
pastejo em bases técnico-científicas, pelo controle de plantas invasoras e pragas, pela 
correção e adubação dos solos, pela irrigação e pelo manejo racional dos animais 
(suplementação, sanidade e conforto, mérito genético apropriado para os sistemas de 
pastagens). Entretanto, na atualidade e no futuro seremos cada vez mais questionados a 
respeito dos impactos ambientais da intensificação do uso do solo. Neste sentido, é 
preciso estar seguro para explicar os efeitos do uso intensivo de fertilizantes, de água de 
irrigação, do efeito das altas taxas de lotação sobre a compactação do solo e da emissão 
de gases de efeito estufa pelos ruminantes.
Em relação ao uso intensivo de fertilizantes, a maior preocupação é com a 
contaminação dos cursos d’água por nitrato devido ao uso de nitrogenados. Entretanto, 
até agora, os trabalhos de pesquisas tem suportado que em ambiente tropical, solos sob 
pastagens recebendo altas doses de nitrogênio (entre 500 a 1000 kg/ha/ano) só 
apresentaram teores de nitrato acima dos encontrados nos tratamentos não adubados 
(testemunha) até uma profundidade de 90 cm, indicando que o nitrogênio não é lixiviado 
para maiores profundidades no perfil do solo. Além disso, o monitoramento do nível de 
nitrato na água de cursos d’água que cortam áreas de pastagens intensivas que vieram 
7
recebendo dose de N por volta de 400 kg/ha/ano durante 10 anos, não foi nem 10% do 
nível máximo tolerável pela legislação (CONAMA, Resolução número 20) que é de 10 
mg/L (variaram entre 0,17 a 0,73 mg/L). Estes resultados são explicados pelos seguintes 
fatores: as forrageiras tropicais são verdadeiras “bombas” de absorção de N, com 
respostas médias três vezes maiores que as obtidas em forrageiras de clima temperado; 
os solos tropicais são muito profundos devido ao seu alto grau de intemperização, ao 
contrário dos solos rasos e poucos intemperizados sob clima temperado; e ainda ao uso 
de N-uréia como fonte de N em quase sua totalidade (por ser a fonte de N mais barata) a 
qual é menos lixiviado que o N na forma de nitrato (N-nitrato). 
Em relação à compactação do solo pelas altas taxas de lotação animal em 
pastagens intensivas, os trabalhos de pesquisas têm suportado que devido ao intenso 
crescimento do sistema radicular e da parte aérea (planta bem nutrida), o solo é bem 
estruturado (aerado) e sempre coberto por cobertura viva (a própria planta) ou por 
cobertura morta, proveniente dos resíduos da planta não consumidas pelos animais, os 
quais atuam como potentes “amortecedores” do impacto do pisoteio animal e das ações 
de chuvas e da radiação solar. Ao contrário, é em pastagens manejadas de forma 
extensivas/extrativistas onde ocorre maior grau de compactação, já que aquelas 
condições citadas não estão presentes. 
Da água usada na irrigação da pastagem, apenas próximo a 1% fica retida na 
estrutura da planta, enquanto os 99% restantes são transpirados e voltam para a 
atmosfera. Em projetos bem conduzidos a uniformidade da aplicação de água pelo 
sistema de irrigação (pivô ou aspersão em malha) é muito alta. É possível irrigar à noite 
para evitar perdas por evaporação e, com o solo bem protegido pela planta (viva ou seus 
resíduos), não há perda de água por escorrimento superficial já que o solo sempre está 
bem protegido, como também as perdas por percolação no perfil do solo são 
minimizadas, devido à extensão do vigoroso sistema radicular das forrageiras tropicais.
Em relação à emissão de gases de efeito estufa pelos ruminantes, simulações 
usando modelos matemáticos têm sugerido que quanto maior é o nível de intensificação 
da produção da pastagem (leia-se, principalmente, pelo uso de N) maior é o sequestro de 
carbono (C) pela planta (leia-se, pela pastagem) mantendo um balanço positivo. Este 
resultado pode ser explicado pelo sequestro do C da atmosfera e incorporação deste nos 
tecidos da planta, tanto na parte aérea, quanto no sistema radicular (40% da composição 
da matéria seca da planta). Trabalhos de pesquisas realizados por mais de 10 anos na 
Amazônia, têm demonstrado que em pastagens bem manejadas, o teor de matéria 
orgânica (MO) é reduzido nos primeiros anos após a implantação da pastagem pelo 
método tradicional de limpeza do terreno (leia-se com uso do fogo), mas no final de uma 
década, o teor de matéria orgânica (leia-se, de carbono, já que este corresponde a 58% 
da MO do solo) alcança níveis acima daqueles existentes no solo virgem antes da 
derrubada da floresta. 
Aí estão algumas das bases que podem suportar a conclusão de que as 
pastagens, como qualquer outra cultura, quando intensificadas, poderão contribuir para, 
pelo menos, minimizar o dilema da produção de alimentos x preservação ambiental, e 
evitar uma possível crise de proporções mundiais devido à escassez de alimentos que 
pode levar a uma guerra pelos recursos solo e água.
O enfrentamento dos problemas relacionadosao aquecimento global e as ações 
para atenuar as suas causas e conseqüências serão provavelmente a primeira grande 
luta a envolver toda a humanidade, independente de raças, credos ou nacionalidades.
O aquecimento global, considerado até pouco tempo assunto exclusivo da comunidade 
científica (e para muitos, de ficção científica), tornou-se hoje tema de interesse geral, 
sendo discutido em todas as esferas, com os “vilões” se revezando no interesse dos 
estudiosos e da mídia. Os efeitos aparecem por toda parte; do derretimento de geleiras 
8
em todo o mundo ao furacão “Catarina”, ocorrido no Brasil em março de 2004, que tornou 
necessário re-escrever os livros de ciência que diziam: “É impossível haver furacões no 
Atlântico Sul” (Gore, 2006).
Recente relatório da FAO “Livestock’s long shadow” (Longa sombra da pecuária) 
colocou a produção pecuária mundial como uma grande vilã, colocando-a quanto a 
produção CO2 (ou equivalente), acima do sistema mundial de transportes, consumidor 
voraz dos combustíveis fósseis. Este relatório descreve em detalhes o impacto da criação 
de animais, ruminantes ou não sobre o aquecimento global. Os valores se apresentaram 
assim tão elevados, por incluir no total não só todas as espécies animais da porteira para 
dentro, como também toda a cadeia produtiva da pecuária, incluindo o transporte, grande 
consumidor de energia fóssil. A realidade, porém é que a pecuária tem mesmo grande 
responsabilidade pelo aquecimento global, começando pelo desmatamento e queimada 
de florestas para o estabelecimento de pastagens e chegando à produção de metano pela 
fermentação ruminal e a fermentação anaeróbica dos dejetos.
O principal estrago ocorre na hora do desmatamento e queimada, já que a queima 
de cada hectare de floresta, com 250 T de matéria seca, lança ao espaço 500 T de CO2. 
Com a posterior lavra do solo para a agricultura, ocorre a “queima” da matéria orgânica 
reduzindo seu teor. Supondo uma redução de 3,50 % para 1,5 %, são mais 80 t de CO2
lançados no ar.
A fermentação ocorrida no rúmem de um bovino de corte em pastejo, produz de 40 
a 70 kg/animal/ano de metano (CH4), gás que tem um “efeito estufa” 25 vezes mais 
potente que o CO2, resultando entre 1 e 1,7 t/animal/ano de CO2 equivalente. No 
processo metabólico dos ruminantes, perde-se na forma de metano, de 2% (rações 
concentradas) a 18% (pastagem de má qualidade e baixa proteína bruta) da energia bruta 
fornecida pelos alimentos. Sendo um valor aceito como médio, em torno de 6% 
(Primavesi, 2007). Em sistemas com confinamento intensivo, onde a dieta pode chegar a 
90% de alimentos concentrados, a produção de metano poderá ser reduzida para 2% da 
energia bruta ingerida. Porém, ocorre a transferência do problema para a área agrícola, 
produtora dos grãos. Estas áreas, quando ocorrem problemas de arejamento 
(compactação ou encharcamento) e o aporte de nitrogênio, sejam pela adubação mineral, 
orgânica ou mesmo pela fixação biológica, resultando em presença de nitratos, o óxido 
nitroso (N2O) que é 250 vezes mais eficiente na retenção de calor (efeito estufa) que o 
CO2. Outro problema sério das criações intensivas (confinadas) de animais é a grande 
quantidade de dejetos produzidos, cuja fermentação anaeróbica produz o metano.
Visto que a produção de metano não pode ser dissociada da pecuária e que a 
atividade pecuária não pode ser suprimida nem mesmo reduzida, o que então poderá ser 
feito, para reduzir os seus efeitos no aquecimento global? Muita coisa pode e está já 
sendo feita! Porém numa escala que ainda longe da desejável e necessária! Já existem 
tecnologias capazes de mitigar os efeitos da pecuária sobre o aquecimento global, 
algumas delas capazes mesmo de transformar a pecuária de vilã, em heroína, 
contribuindo para o seqüestro de carbono atmosférico! Na realidade, o aumento da 
camada de gases de efeito estufa é apenas uma das causas do aquecimento global. Esta 
camada de gases funciona apenas como um cobertor, que não tem a capacidade de 
aquecer, mas sim de conservar o calor do corpo, neste caso a Terra.
Um solo sem cobertura vegetal ou com cobertura escassa, como ocorre com as 
pastagens degradadas ou em regime de super-pastejo, são verdadeiros espelhos 
devolvendo calor ao espaço na forma de ondas longas ou radiação infravermelha. Em 
todo o mundo existem muitas áreas que emitem calor em excesso (acima de 300 W/m2), 
contribuindo para o aquecimento global. No Brasil estas áreas se concentram no Semi-
árido Nordestino e agora lamentavelmente também nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, 
em que a cobertura vegetal permanente foi substituída por culturas que não conseguem 
9
manter folhas verdes o ano todo e com isso o serviço ambiental de vaporização de água 
no ar (e que retira calor do ar), atendendo a demanda atmosférica. Para deixar mais claro, 
o que queima mais a sola do pé descalço às 13h da tarde, com o mesmo sol a pino: a 
areia seca ou a úmida, numa praia, o gramado ou a calçada na cidade? Uma superfície 
sem ou com água, também na forma de planta verde?
Por outro lado, uma boa cobertura vegetal, que é hidrotermorreguladora, quando 
contém água, é a melhor forma de manter um clima com menor amplitude térmica, que é 
o desejável. Por exemplo: no Deserto do Saara, a temperatura varia de 0 ºC durante a 
noite a 50 º C durante o dia; já na Floresta Amazônica, a temperatura varia apenas de 28 
ºC a 38 ºC da noite para o dia. A temperatura média é maior na floresta tropical que no 
deserto subtropical, porém a amplitude térmica no deserto é 5 vezes maior. Surge então a 
seguinte pergunta: qual dos dois locais é mais favorável à vida? Pastagem Ecológica e 
serviços ambientais da pecuária sustentável:
A pecuária convencional e extensiva, baseada na lotação contínua (que não 
permite o descanso e a recuperação das forrageiras) e geralmente com lotação acima da 
capacidade de suporte, fator que mais contribui para a degradação das pastagens e a 
pecuária super-intensiva, baseada em confinamentos dependentes de grãos que são mal 
convertidos por ruminantes, não são sustentáveis. Para alcançar a sustentabilidade a 
pecuária precisa ter no seu alicerce o Manejo Sustentável das Pastagens, de forma a 
garantir de forma natural sustentável, em qualidade e quantidade a alimentação dos 
animais, que está na base da pirâmide da produção pecuária.
Além de gerar baixo desempenho econômico para o pecuarista, as pastagens 
degradadas se tornaram elemento-chave em um mundo preocupado com as mudanças 
climáticas. A recuperação delas e a integração lavoura-pecuária (ILP) – duas tecnologias 
disponíveis que contribuem para a resolução do problema – vão, juntas, responder por 
cerca de 12% do compromisso voluntário do governo brasileiro de reduzir em até 38,9% a 
emissão de gases de efeito estufa até 2020, segundo proposta do Ministério do Meio 
Ambiente (MMA).
Na prática, a contribuição dessas ações deverá ser ainda maior. Como 
atualmente a abertura de novas áreas para pastagens é uma das causas do 
desmatamento na Amazônia e no Cerrado, a recuperação das áreas de pecuária de baixa 
produtividade já usadas atualmente vai ser fator fundamental na liberação de áreas para 
acomodar a expansão de alimentos, fibras e biocombustíveis sem a necessidade de 
novos desmatamentos.
Como a redução de desmatamento na proposta do MMA vai ser responsável por 
63,59% do compromisso de redução na emissão de gases de efeito estufa, a 
intensificação da produção animal em pastagens pode ser, direta ou indiretamente, 
responsável por 76% das ações de mitigação (NAMAs) propostas pelo governo brasileiro 
para 2020. Isso demonstra a importância e urgência de investimentos em pesquisa 
agrícola e em transferência de tecnologia para dar suporte a essas estratégias de 
mitigação de gases de efeito estufa, por um lado, e em linhas de financiamento 
adequadas e outros incentivos para a adoção de boas práticasde manejo em larga escala 
pelos produtores rurais, por outro.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Embrapa Cerrados, se um pasto de 
baixa produtividade e com taxa de lotação de 0,4 cabeça por hectare passa a abrigar 
cinco animais na mesma unidade de área, cada hectare com essa taxa de lotação que é 
recuperado pela integração lavoura-pecuária libera outros oito para outros usos.
Além de contribuir na redução do desmatamento, o crescimento de produtividade 
em si redunda em benefícios para o meio ambiente. “Um pasto produtivo pode ser tão 
eficiente na conservação do solo e da água quanto uma floresta”, pois a grande 
quantidade de raízes no solo contribui para o aumento da matéria orgânica, o que 
10
incrementa também a captura carbono da atmosfera e melhora a eficiência de uso da 
água e de nutrientes no sistema.
Outro grande problema da pecuária relacionado ao efeito estufa é a emissão de 
metano pela digestão dos bovinos, que também é diminuída pela melhor qualidade das 
forragens. Estudos da Embrapa apontam que a emissão do gás pelos animais pode cair 
pela metade quando eles são criados em sistemas com elevada disponibilidade e valor 
nutritivo de forragem, como em sistemas de integração lavoura-pecuária bem manejados. 
“E a boa notícia é que o aumento no desempenho animal em pastagens, além de reduzir 
o impacto ambiental negativo da pecuária, geralmente aumenta o retorno econômico do 
empreendimento”.
Para o pesquisador da Embrapa Cerrados Lourival Vilela, que coordena os 
estudos de pesquisa em integração lavoura-pecuária na Embrapa (Prodesilp), pelo menos 
metade das pastagens brasileiras estão em algum grau de degradação. Nessas 
condições, o solo é geralmente de baixa fertilidade e assim há menor produtividade , o 
que aumenta o custo de produção, especialmente em pequenas propriedades.
Esse quadro de baixa produtividade das pastagens causa perda de matéria 
orgânica, erosão e compactação do solo. Por outro lado, a integração lavoura-pecuária, 
além de beneficiar o meio ambiente, permite maior eficiência no uso de fertilizantes, 
redução de plantas invasoras e ganhos de produtividade tanto nas lavouras quanto na 
pecuária.
Bibliografia
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REGIÕES PASTORIS DO BRASIL
Relatório “Grassland and Pasture Crops” - Brasil (FAO, 2007), elaborado pelo 
Prof. Paulo César de Faccio Carvalho (UFRGS)
1. O SETOR AGROPECUÁRIO.
De acordo com a "Confederação Nacional de Agricultura" (CNA, 2001), 85% dos 
agricultores são proprietários de terra com uma idade média de 52 anos (32% menos de 
45 anos, 11% mais de 70). A maioria deles tem um baixo nível de escolaridade, com dois 
terços com menos de 6 anos de escolaridade, sendo que os jovens têm mais. Para 
ilustrar as características contrastantes de quase todos os índices brasileiros, quase 
metade das explorações agrícolas (44%) não têm acesso à eletricidade e 60% não têm 
tratores, mas 17% dos agricultores têm computadores!
Dois terços das fazendas no Brasil estão abaixo de 100 ha. No Sul do Brasil a 
média é de 92 ha, enquanto no "Centro-Oeste" é 897 ha. Concentração de terras tem sido 
uma tendência desde meados do século passado. Em 1996, 4.800.000 fazendas 
ocupavam 350.000.000 hectares e destes 80,6% tinham menos de 50 ha, mas em 
compartida apenas 12,2% do total de terras agrícolas. Por outro lado, 1% das 
propriedades tinham mais de 1.000 hectares, ocupando 45,1% de toda a terra usada na 
agricultura.
A distância entre a fazenda e centro urbano mais próximo é 23 km em média, 
mas também aqui há muitos contrastes (no "Centro-Oeste" é de 350 km). A tendência de 
migração é variável, sendo 33 para cada 100 fazendas no Sul em comparação com 66 
para cada 100 fazendas na região Sudeste.
No Sul do Brasil, 46% dos agricultores ganham menos de 100
US$/ano/fazendeiro (receita líquida), sendo a receita bruta de 318 US$/ha (composta por 
todas as atividades. Contudo, para ilustrar a variabilidade, no Estado de Pernambuco, por 
exemplo, essa receita é de somente 150 US$/ha. Para entender como os agricultores 
podem sobreviver com essa renda baixa, deve-se mencionar que 64% dos agricultores 
comerciais têm outras atividades não-agrícolas como fontes de receitas.
O Governo financia apenas 16% das atividades rurais comerciais. 
Conseqüentemente, 34% dos agricultores acreditam que a principal limitação para sua 
atividade é o crédito. Apenas 0,3% acreditam que a tecnologia é um fator limitante 
primário. Isso provavelmente reflete o baixo nível médio de escolaridade. Por exemplo, no 
setor de ruminantes mais intensiva, a pecuária leiteira, apenas 5% dos agricultores utiliza 
máquinas de ordenha própria e, 5,9% destes, a inseminação artificial. Somado a isso, 
12
apenas 0,2% dos agricultores acreditam que a extensão é a maior limitação, mesmo que 
apenas 34% delas receberam algum tipo de assistência agrícola, pelo menos uma vez por 
ano, mas 71% pretendem aumentá-la. Menos de 1% dos agricultores brasileiros realiza 
qualquer tipo de proteção dos recursos naturais, apesar do grande aumento na 
conservação do solo por plantio direto, concentrado principalmente no Sul do Brasil nos 
últimos anos.
2. O SETOR DE RUMINANTES.
O sistema de produção predominante é baseado em pastagem e contando com 
pastagens nativas e cultivadas, que são pastejadas em lotação contínua durante todo o 
ano. Conservação de forragem só é utilizada em sistemas intensivos de produção de leite 
e alguns raros sistemas de confinamento. Dos 164.621.040 de cabeças de gado bovino
em 1999 e, até 2004, o número era de 192 milhões, sendo 74,5% gado de corte, e 21,5%
gado de leite. Além disso, existem 14.399.960 cabeças de ovinos (14.2 milhões em 2004), 
1.068.059 bubalinos (1,2 milhões em 2004) e 8.622.935 caprinos (9,1 milhões em 2004),este último mostrando um aumento considerável nos últimos tempos. Para completar a 
população de herbívoros domésticos (e aqueles que exigem de forragem), existem 
5.831.341 cavalos (5,9 milhões em 2004) e 2.572.172 outros equideos. Embora os 
números de ações tem sido mais ou menos o mesmo desde 1994 (para o gado), o 
número abatidos aumentaram quase duas vezes. Foram abatidas 31,6 milhões de 
cabeças em 1999 e apenas 3,2 milhões recebeu algum tipo de intensificação durante o 
processo de produção (forragem conservada, suplementos, confinamento, etc.). Para 
mais detalhes dos números da produção pecuária (carne e leite e algumas importações e 
exportações), ver Tabela 2.
Estima-se que 38,0 kg/ano de carne são consumidos per capita (principalmente 
nas regiões metropolitanas). Para dar uma idéia de seu valor de mercado, em 1999, o 
agricultor recebeu, em média, EUA $ 0,6/kg de peso vivo. Seu produto tem destinos 
diferentes; em média 65% da carne vai para supermercados, restaurantes, hotéis e 
catering industrial, 30% para açougueiro e 5% para lojas de carnes especiais. Em 1993, o 
setor de carne bovina ocupou 6834 mil postos de trabalho, envolvendo 1.793.324 
unidades agrícolas e ocupando 221.982.144 ha. Em 1999, produziu 6,5 milhões de 
toneladas de equivalente carcaça (7.774.000 em 2004). Outros produtos de carne incluem 
5.526 mil toneladas de frango (8.668.000 em 2004) e 2,4 milhões de toneladas de carne 
de porco (3,11 milhões em 2004).
Em 2000, 20.000 milhões de litros de leite foram produzidas (23 bilhões de litros 
em 2004), que representam uma produção de 4,9 L/vaca/dia. Consumo de leite per capita
é de cerca de 246 mL (recomendação de ingestão diária é de 400 mL/dia) e 75% do 
consumo nacional vai para 20% da população. Produtos lácteos, além do trigo, foram até 
recentemente a importação agrícola mais importante, representando US$ 443 milhões de 
em 1999 (US$ 114,4 milhões em 2003), porém a partir da figura de importação de 1999, 
2,41 bilhões de litros de leite, este número caiu apenas 0,73 bilhões de litros em 2001 e 
0,55 bilhões de litros em 2003. Em 2004, o comércio setor leiteiro apresentou um saldo 
positivo comercial de US$ 11,5 milhões, e o Brasil começou a se tornar um grande 
exportador de lácteos. O sector leiteiro tem sido desregulado durante a última década e,
atualmente, 60% do mercado brasileiro é controlado por empresas transnacionais. 
Importações transitam para a indústria privada. Leite europeu entra no Brasil pela metade 
de seu custo real.
Exportações de carne foram avaliadas em cerca de US$ 443.835.000 em 1997: 
em 1999 houve exportações de 150 milhões de toneladas de carne, principalmente para a 
Europa (50,6%) e EUA (37,44%). As exportações aumentaram para 620,117 milhões de 
toneladas de equivalente carcaça em 2003, no valor de US$ 1.154.508,00.
13
Tabela 2. Estatísticas dos rebanhos bovino, ovino, caprino, bubalino, eqüídeo; e as exportações 
dos respectivos setores, durante o período 1996 a 2005 (FAO, banco de dados 2006).
Item 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005
Bovinos (milhões cab.) 158,3 161,4 163,2 164,6 169,9 176,4 185,4 189,5 192,0 192,0
ovinos (milhões cab.) 14,7 14,5 14,3 14,4 14,8 14,6 14,3 14,6 14,2 14,2
Caprinos (milhões cab.) 7,4 8,0 8,2 8,6 9,4 9,5 9,4 9,6 9,1 9,1
Bubalinos (milhões cab.) 1,1 1,0 1,0 1,1 1,1 1,1 1,1 1,2 1,2 1,2
Equídeos (milhões cab.) 5,7 5,8 5,9 5,8 5,8 5,8 5,9 5,9 5,9 5,9
Carne bovina (milhões t.) 6,2 5,9 5,8 6,4 6,6 6,8 7,1 7,2 7,8 7,8
Carne ovina (mil t.) 69,9 70,1 67,8 71,4 71,5 71,5 68,6 68,1 76,0 76,0
Carne caprina (mil t.) 26,8 31,0 34,3 38,3 38,5 38,6 39,8 40,5 40,5 40,5
Leite (bilhões t.) 19,2 19,4 19,4 19,8 20,5 21,3 22,5 23,5 23,5 23,5
Carne bov. expt. (mil t.) 46,7 52,5 80,9 150,7 188,7 368,3 430,2 620,1* 925,1 Nd
Leite expt. (mil t.) 44,7 24,0 12,2 9,6 17,3 56,8 107,6 134,2 279,4 Nd
Fonte: FAOSTAT 2006. n.d.= Não disponível. Obs: haviam 164.234 mt de preparações de carne e as exportações de carne seca, mt 1,9 
M das exportações de carne de frango, bem como 39.186 toneladas de frango enlatado, e 544.208 toneladas de exportações de carne suína 
e carne de suíno.
3. SOLOS E TOPOGRAFIA: Geologia do Brasil.
O Brasil está totalmente dentro da Plataforma Sul-Americana, cujo subsolo é 
muito complexo de evolução geológica, originadas no período Arqueano. O Brasil teve a 
sua consolidação completada entre o período Proterozóico Superior eo início do período 
Paleozóico, com o encerramento do ciclo brasileiro. Porão da Plataforma Sul-Americana é 
essencialmente sobre rochas metamórficas anfibólito a granulito e granitóides de idade 
arqueana, associado às unidades proterozóicas que são geralmente representados por 
tiras dobradas de fácies xisto-verde e coberturas sedimentares e vulcânicas (raramente 
metamorfoseado) e vários granitóides. Cave que é amplamente exposto em grandes 
escudos, separados entre si por coberturas fanerozóicas, cujos limites se estendem aos 
países vizinhos. Proeminentes são os escudos das Guianas, do Brasil Central e do 
Atlântico.
O escudo das Guianas se estende ao norte da bacia do "Amazonas". Brasil-
central, ou Guaporé escudo estende para o interior do Brasil e sul dessa bacia, enquanto
o escudo Atlântico está exposto na porção oriental atingindo o Atlântico. Esses escudos 
estão expostos em mais de 50% da área do Brasil.
As coberturas sedimentares e vulcânicas que espacialmente encheram três 
bacias com caráter extensivo foram desenvolvidas em condições estáveis de orto-
plataforma, a partir de Ordoviciano-Siluriano, "Amazonas", "Paraíba" e "Paraná". Além 
dessas bacias, diversas outras bacias menores, inclusive bacias costeiras e outras áreas 
sedimentares, estão expostos na plataforma.
3.1 Geomorfologia
O relevo do Brasil é dividido em duas áreas de planalto e três grandes áreas planas da 
seguinte forma:
 Planalto da Guiana: abrangendo a área montanhosa e da Amazônia Planalto 
Norte, no extremo norte do país, é parte integrante do escudo das Guianas, 
apresentando rochas pré-cambrianas cristalina. Esta área inclui o ponto mais alto 
no Brasil - o "Pico da Neblina", com uma altitude de 3.014 m. 
 Planalto Brasileiro: subdividido em Central, "Maranhão-Piauí", Nordeste do Brasil, 
montanhas e planalto do Leste e Sudeste, Sul e "Uruguai-Riograndense", é 
formado por terrenos cristalinos bastante desgastados e bacias sedimentares. Ele 
14
está localizado na parte central do país, e abrange grandes áreas do território 
nacional. 
 Planícies e terras baixas da Amazônia: no Norte do país, abaixo do Planalto das 
Guianas, apresenta três diferentes níveis altimétricos (vales: constituídos por 
terrenos de formação recente, nas proximidades das margens dos rios; terraços 
fluviais: com altitudes máxima de 30 m e periodicamente inundados; e planaltos 
baixos: formados por terrenos de idade terciária.
 Planície do "Pantanal": no oeste do estado de "Mato Grosso" do Sul e Sudoeste de 
"Mato Grosso", são formadas por terrenos de idade quaternária. Planícies e 
planícies costeiras, ao longo da costa de "Maranhão" para o sul do país, são 
formadas por terras do Terciário e por terrenos atuais do Quaternário.
Deve-se notar que o relevo brasileiro não apresenta formações de cadeias 
montanhosas muito altas e altitudes predominantes são inferiores a 500 m, uma vez que 
foi desenvolvido em uma antiga base geológica, sem os recentes movimentos tectônicos.
3.2 Tipos de solos
Em termos agronômicos, deve-se notar que os solos principais são Latossolos, 
que são fortemente predominante. Latossolos são solos extremamente intemperizados, 
muitas vezes desenvolvidos em materiais transportados de idade do Pleistoceno ou mais 
em um clima tropical úmido ou muito úmido e coberto por uma floresta tropical ou floresta 
semi-decídua. Estes solos são caracterizados pela predominância de argilas caulinita e 
um acúmulo residual de ferro e óxidos e hidróxidosde alumínio, uma estrutura de solo 
estável, uma relação silte / argila baixa e um teor muito baixo de minerais intemperizáveis. 
Eles são profundos a muito profundos e, geralmente, mostram cores amareladas ou 
avermelhadas. Nódulos ironstone e ferro-panelas, herdada de superfícies de terra 
anterior, são comuns.
Latossolos são quimicamente pobres, com baixa capacidade de troca iônica, e as 
reservas de nutrientes que são facilmente esgotados por práticas agrícolas, enquanto a 
fixação de fósforo é um grande problema. O conteúdo de alumínio disponível pode chegar 
a níveis tóxicos (84% têm restrições de acidez), como pode também o manganês. Por 
outro lado, as características físicas desses solos são bastante favoráveis; por causa de 
sua alta permeabilidade e estrutura micro-estáveis são menos propensas à erosão. 
Latossolos são fáceis de trabalhar, mas a superfície é passível de compactação e crostas 
se maquinaria pesada é usada para limpar a floresta ou se eles são superpastejados.
15
Figura 3. Distribuição das ordens de solos do Brasil
As limitações químicas desses solos podem ser superadas, em parte, pela sua 
correção, incluindo uso de fosfatos e calcários, mas atenção deve ser dada ao modo e 
tempo de aplicação. Latossolos são utilizados para cultivar uma variedade de culturas 
tropicais anuais e perenes, quer por agricultores sedentários ou nômades. Segundo a 
classificação da FAO há ainda Acrisols e leptossolos. Em menor grau, Lixisols, 
Plintossolos, arenossolos, dentre outros.
De acordo com as Ordens de solos do Brasil (Figura 3) e suas aptidões de uso, 
35% do território nacional não é recomendado para a agricultura, devido à baixa 
fertilidade e encostas íngremes. Salinidade não é um fator significativo, representando 2% 
da superfície terrestre. 7% dos solos são rasos. Apenas 9% da superfície não tem 
restrições para uso agrícola, com pouca limitação de nutrientes, boa drenagem, bem 
como propriedades físicas do solo e precipitação suficiente.
4. CLIMA E ZONAS AGRO-ECOLÓGICAS
4.1 Clima geral
O clima de uma dada região é condicionado por diversos fatores, entre eles 
estão: temperatura, chuvas, umidade atmosférica, ventos e pressão atmosférica - o que, 
por sua vez, são condicionados por fatores como altitude, latitude, características do 
relevo, vegetação e continentalidade. 
O Brasil, devido às suas dimensões continentais, possui uma diversidade 
climática bem ampla, influenciada pela sua configuração geográfica, sua significativa
extensão costeira, seu relevo e a dinâmica das massas de ar sobre seu território. Este 
último fator assume grande importância, pois atua diretamente sobre as temperaturas e 
os índices pluviométricos nas diferentes áreas do país.
As massas de ar, especialmente aqueles que interferem mais diretamente no 
Brasil, são, segundo o Anuário Estatístico do Brasil (IBGE): a massa de ar Equatorial, que 
é dividida em Continental Equatorial e Atlântico Equatorial, a massa de ar Tropical, 
16
também dividido em Continental Tropical e Atlântico Tropical, e a massa de ar Polar 
Atlântica. Todas essas massas de ar fornecem a diferenciação climática no Brasil (Figura 
4).
Assim os climas variam de climas muito úmidos e quentes, provenientes da 
massa de ar Equatorial, como é o caso para a grande parte da região amazônica; a 
climas semi-áridos muito fortes, como os do interior do nordeste do Brasil.
Figura 4. Climas do Brasil 
(IBGE, 2005)
A região norte, e parte do interior da região Nordeste experiência temperaturas 
médias anuais acima de 25o C, enquanto no Sul do país e parte da Sudeste as 
temperaturas médias anuais ficam abaixo de 20o C. Máxima absoluta acima de 40o C é 
observada nas planícies do interior da Região Nordeste, com pouca variabilidade durante 
o ano, o que caracteriza o clima quente dessas regiões. Em latitudes médias, a variação 
de temperatura ao longo do ano é muito importante para a definição do clima nas 
depressões, vales e planícies do sudeste; nas áreas "Pantanal" e interior do Centro-
Oeste, e nas depressões centrais e no vale do rio Uruguai, na zona sul. Mínimos 
Absolutos, com freqüentes valores negativos, são observados nos cumes serranos do 
sudeste e em grande parte do Sul, onde são acompanhadas de geadas e neve. Durante o 
inverno, há uma maior penetração de alta latitude nas massas de ar frio, o que contribui 
para a predominância de baixas temperaturas.
Devido à sua grande extensão territorial, o Brasil apresenta precipitação variada 
e regimes de temperatura. Em todo o país, uma grande variedade de climas com distintas 
características regionais podem ser encontrados. No Norte do país, um clima chuvoso 
equatorial é encontrado, praticamente sem estação seca. No Nordeste, a estação 
chuvosa, com baixos índices de chuva, é restrita há alguns meses, caracterizando um 
clima semi-árido. As regiões Sudeste e Centro-Oeste são influenciadas não só pelos 
sistemas tropicais, mas também por latitudes médias, com estação seca bem definida no 
inverno e um verão chuvoso, com chuvas convectivas. O Sul do Brasil, devido à sua 
latitude, é afetado principalmente por sistemas de latitudes médias, em que os sistemas 
frontais causam maioria das chuvas durante o ano.
4.2 Região Norte
A Região Norte tem homogeneidade espacial e sazonal da temperatura, mas o 
mesmo não é observado em termos de chuva. Esta região recebe o maior total de 
precipitação anual, especialmente notável na costa do "Amapá" Estado, no sul do 
17
"Amazonas" do rio e na parte ocidental da região, onde a precipitação excede a 3.000 
mm. Nessa região, três centros de precipitação abundante são identificados:
 O primeiro é no noroeste da Amazônia, com chuvas acima de 3.000 mm / ano. A 
existência deste centro está associado com a condensação do ar úmido trazido 
pelos ventos de leste da Zona de Convergência Intertropical, com alta 
pluviosidade, onde o fluxo sobe para a Cordilheira dos Andes. 
 O segundo centro fica na parte central da Amazônia, em torno de 5º S, com 
precipitação de 2.500 mm/ano.
 E o terceiro, na parte leste da base da Amazônia, perto da cidade de Belém, com 
precipitação de 2.800 mm/ano. 
Portanto, três regimes de chuva podem ser identificados na região norte do 
Brasil: 
 Um no Noroeste, onde a chuva é abundante durante todo o ano, atingindo um 
máximo em abril-maio-junho, com mais de 3.000 mm/ano; 
 O segundo em uma banda zonal orientada, estendendo-se até a parte central da 
Amazônia, onde a estação chuvosa ocorre em março-abril-maio; 
 E a terceira na parte sul da região amazônica, onde o pico de precipitação ocorre 
em janeiro-fevereiro-março.
4.3 Região Nordeste. 
Em termos de precipitação, o interior de clima semi-árido, apresenta média 
acumulada inferior a 500 mm/ano, a um clima chuvoso observados principalmente na 
costa leste, com uma precipitação acumulada anual acima de 1.500 mm. A parte norte da 
região recebe entre 1000 e 1200 mm / ano. Semelhante ao da Região Norte, a 
temperatura na maior parte do NE também tem uma grande homogeneidade sazonal e 
espacial. Apenas no sul de "Bahia" há uma maior variabilidade sazonal da temperatura, 
tendo em vista a penetração de massas relativamente frias no inverno.
Diferentes regimes de chuvas são identificados no NE. No norte da região, a 
principal estação chuvosa é de março a maio, a chuva Sul e Sudeste ocorre 
principalmente durante o período de dezembro a fevereiro, e no leste da estação chuvosa 
ocorre de maio a julho. A principal estação chuvosa no Nordeste, incluindo o norte e leste 
da região, que responde por 60% da precipitação anual, ocorre de abril a julho e a 
estação seca, para a maior parte da região, ocorre de setembro a dezembro.
4.4 Região Sul.
A distribuição anual de chuvas no sul do Brasil é bastante uniforme. Ao longo de 
quase todo o território, a média de precipitação anual varia de 1.250 a 2.000mm. Apenas 
algumas áreas não estão dentro desta faixa de precipitação. Acima de 2.000 mm são da 
costa do "Paraná", a leste da "Santa Catarina" e da área em torno de "São Francisco de 
Paula", em "Rio Grande do Sul". Valores abaixo de 1.250 mm são restritos a costa sul da 
"Santa Catarina" e ao norte de "Paraná". A temperatura, por sua vez, desempenha um 
papel no mesmo sentido como a precipitação, o que reforça o clima de maneira uniforme 
no sul do país. No entanto, esta é a região do Brasil com maior variabilidade térmica ao 
longo do ano.
4.5 Regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Devido à sua localização, as regiões Sudeste e Centro-Oeste são caracterizadas 
como as regiões de transição entre os climas quentes de baixa latitude e climas de 
latitudes médias temperadas mesotérmicas. O sul das regiões Sudeste e Centro-Oeste 
são afetados pela maioria dos sistemas sinóticos que afetam o sul do país, com algumas 
18
diferenças na intensidade do sistema e sazonalidade. Vórtices ciclônicos de nível superior 
da região do Pacífico se organizam com convecção intensa associada à instabilidade 
causada pelo jato subtropical. Linhas de instabilidade pré-frontal, geradas a partir da 
associação de grandes fatores dinâmicos e as características de mesoescala, são 
responsáveis pela precipitação intensa. Nas regiões montanhosas, localizadas na parte 
leste da região Sudeste, os extremos de temperatura mínima são registrados durante o 
inverno, enquanto as temperaturas mais elevadas são observadas no Estado de "Mato 
Grosso", na região Central do Brasil. Em geral, a precipitação é uniformemente distribuída 
nessas regiões, com a precipitação média acumulada anual variando de 1.500 a 2.000 
mm. Dois núcleos máximos são registrados na região Central do Brasil e na costa da 
Região Sudeste, enquanto no norte do Estado de "Minas Gerais" há uma relativa 
escassez de chuva durante todo o ano.
4.6 Zonas agro-ecológicas.
O Brasil é conhecido como o país mais rico do mundo em termos de sua 
megadiversidade, com sua fauna e flora, compreendendo pelo menos 10-20% das 
espécies do mundo descritas até o momento (Brasil, Convenção sobre Diversidade 
Biológica). A vegetação muda de Norte a Sul, expressando as diferentes condições 
ambientais. Principais zonas fitogeográficas são mostrados na Figura 5.
Figura 5. Principais biomas do Brasil (IBGE, 2005).
4.6.1 Amazônia (Floresta Amazônica)
A Floresta Amazônica ocupa a Região Norte do Brasil, abrangendo cerca de 
49,29% do território nacional, ou 4.196.943 km2, e poderia representar todos os 15 países 
da União Européia. É a maior formação florestal do planeta, e é condicionada pelo clima 
equatorial úmido. Este é o bioma mais bem preservada, com cerca de 85% da Amazônia 
brasileira ainda florestadas. Cerca de 15% da floresta amazônica foi destruída, com a 
abertura de rodovias, através da colonização, mineração e exploração madeireira eo 
avanço da fronteira agrícola.
Esta área possui uma grande variedade de fisionomias de vegetação, de densas 
florestas de várzea para abrir florestas mistas. Florestas densas são representadas pelas 
florestas de planície ("terra firme"), a "várzea" florestas que são periodicamente 
inundadas, e os "igapó" florestas, que são permanentemente inundadas como acontece 
em quase toda a região central da Amazônia.
Os bosques cerrados e savanas de "Roraima" estão em solos pobres no extremo 
norte da bacia do "Rio Branco". O "Campinaranas" ou "Caatinga amazônica" são florestas 
19
de areia branca, sendo disseminada em "manchas" ao longo da bacia do Rio Negro. 
Estas duas últimas formações consistem no "Cerrado" tipo de vegetação, sendo as áreas 
de "Cerrado" isoladas do "Cerrado" principal ecossistema do planalto central brasileiro. 
Floresta mista com palmeiras, florestas semi-decídua, cipós, florestas de bambu e as 
zonas de maré também são tipos de vegetação importantes.
4.6.2 Semi-árido "Caatinga"
Esta área de chuva incerta abrange todos os Estados do Nordeste brasileiro, 
além do norte de "Minas Gerais", ocupando cerca de 9,92% do território nacional (844.453 
milhões de km2). É um vasto de estepes semi-áridas, contendo áreas de arbustos 
espinhosos compreendendo a "Caatinga", e floresta estacional decidual seca "Caatinga 
alta", bem como locais de chuvas isoladas da floresta ("brejos") e afloramentos rochosos 
("lajeiros"). No seu interior, o "Sertão" do nordeste do Brasil, é caracterizado pela 
ocorrência da vegetação muito fina do semi-árido ("Caatinga"). As áreas mais altas ou 
"Agreste", que estão sujeitas a secas menos intensas, estão localizados mais próximos à 
costa. A área de transição entre a "Caatinga" e "Amazônia" é conhecida como Médio-
norte, ou "Zona dos Cocais" (ou “Mata dos Cocais”). Que sofrem de secas prolongadas, 
desertificação, erosão do solo e a salinização, a "Caatinga" perdeu 50% de sua vegetação 
nativa. Extensa criação de gado, agricultura, extração de recursos, e agricultura de 
subsistência, têm tido grandes impactos neste bioma. Caça para o alimento é um fator 
adicional importante, especialmente na estação seca.
Foto 1. Paisagem típica da Caatinga.
4.6.3 Cerrado
O "Cerrado" (Foto 2) ocupa a região do Planalto Central do Brasil. A área 
contínua do "Cerrado" corresponde a 23,92% do território nacional (2.036.448 km2), e há 
manchas grandes também na Amazônia e algumas menores na "Caatinga" e também na 
Mata Atlântica. Seu clima apresenta dois aspectos muito diferentes e definidos. A 
temporada de "Águas" e da temporada de "secas", correspondentes a estações secas e 
úmidas, respectivamente, que são muito bem definidas. O "Cerrado" apresenta 
fisionomias variadas, desde as áreas clara falta de vegetação lenhosa a "cerradões", que 
são densas formações arbóreas. Esta área é permeada por florestas dendríticas e 
caminhos que seguem os cursos de água.
O "Cerrado" bioma, que tem sofrido com o enorme avanço da fronteira agrícola 
nas últimas décadas, já perdeu mais de 40% de sua vegetação nativa através da 
expansão das lavouras, a pecuária, e um aumento dramático na população humana. Mais 
de 50% dos ecossistemas naturais remanescentes foram degradados. Queima, tanto para 
a manutenção e criação de pastagens e de plantações é uma prática comum, e resulta 
20
em erosão do solo, bem como grave perda de diversidade biológica. Atividades 
econômicas de algum tipo estão presentes em toda a maioria da área restante.
Foto 2. Paisagem típica do Cerrado.
4.6.4 Mata Atlântica
A Mata Atlântica, incluindo as florestas sazonais semi-caducifólias, era 
originalmente a floresta de maior extensão latitudinal do planeta, que vão desde latitudes 
sul de 6o a 32o S (Joly et al., 1999). Este ecossistema corresponde a 13,04% do território 
nacional (1.110.182 km2). Devido a séculos de desmatamento, hoje em dia a floresta 
atlântica tem apenas 4% de sua área original e apenas cerca de 8,75% da cobertura 
florestal original permanece como manchas escassas.
Existe grande variabilidade climática ao longo de sua distribuição, passando de 
clima temperado, super-úmido climas no extremo sul, a tropical úmido e semi-áridas do 
Nordeste. O relevo acidentado da zona costeira adiciona ainda mais variabilidade a este 
ecossistema, que inclui montanhas, restingas (florestas costeiras e esfregue em solos 
arenosos), manguezais e os "Araucária" florestas e pastos da zona de Campos, no sul. 
Nos vales, árvores são geralmente bem desenvolvidas, formando uma densa floresta. 
Nas encostas da floresta é menos densa, devido à queda freqüente de árvores. É um dos 
repositórios mais importantes da biodiversidade no país e no mundo.
4.6.5 Pantanal Mato-Grossense
O "Pantanal" é a maior planície sujeita a inundações periódicas (Foto 3) do 
planeta, coberta por vegetação aberta, principalmente, que ocupa 1,76% do território 
nacional (150.355 km2). Este ecossistema é formado em grande parte por terrenosarenosos, cobertos de diferentes fisionomias devido a variedade de micro-relevos e 
regimes de inundação. Savannas, parque de cerrado (campo limpo), mata de galeria 
sempre verdes, floresta estacional semidecidual e chaco são as principais formações 
vegetais. Como uma área de transição entre o "Cerrado" e "Amazônia", o "Pantanal" 
contém um mosaico de ecossistemas terrestres. Pecuária se tornou a principal atividade 
econômica, com a pecuária em pastagens nativas de várzea, percebendo que a terra não 
é um pântano.
21
Foto 3. Paisagem típica Pantanal.
4.6.6 Campos do Sul (ou Pampas)
A região dos Campos (Foto 4) ocorre em clima subtropical do extremo sul, e 
representa 2,07% do território nacional (176.496 km2). As terras abertas das planícies e 
planaltos "gaúchos" (nativo do "Rio Grande do Sul") e "coxilhas" são colonizadas por 
espécies pioneiras de campo que formam um tipo de vegetação de savana e estepe. 
Existem áreas de florestas estacionais e de campos gramíneo-lenhosa com cobertura. A 
fisionomia predominante desses campos é herbácea, com muitas espécies de Poaceae , 
Asteraceae , Cyperaceae, Fabaceae, Rubiaceae, Apiaceae e Verbenaceae (Ministério do 
Meio Ambiente, 2000). Altura média do contínuo, às vezes densa cobertura, é de 40 a 60 
cm, por vezes, 1 m. Esta zona se estende para o Uruguai, Argentina e Paraguai, 
totalizando 500.000 km2 e alimentação cerca de 65 milhões ruminantes domésticos. Gado 
e os cavalos eram os herbívoros domésticos inicialmente introduzidos pelos colonizadores 
espanhóis no início do século XVII. Considerando as condições climáticas e de solo deste 
ecossistema, seria de esperar que ela deve ser coberta por florestas subtropicais e não 
dominado por formações herbáceas. Provavelmente, estes campos extensos relvados 
são remanescentes do clima semi-árido que dominava a região durante as mudanças 
climáticas do período Quaternário. Pastagens exóticas cultivadas são consideradas o 
distúrbio principal em manter os pastos em uma fase pseudoclimax natural de espécies 
vegetais herbáceas.
Foto 4. Paisagem típica dos Campos.
22
4.6.7 Floresta de Araucárias
O Planalto Brasileiro do Sul, em altitudes superiores a 500 m, é a área de 
distribuição do "pinheiro" (pinheiro) do "Paraná", Araucaria angustifolia, que ocupa cerca 
de 2,6 % do território nacional (Foto 5). Nestas florestas, representantes da flora tropical e 
temperada do Brasil coexistem, sendo dominadas, no entanto, o "pinheiro-do-Paraná". As 
florestas variam em densidade arbórea e altura da vegetação e podem ser classificadas 
de acordo com os aspectos do solo, como aluviais, ao longo dos rios, sub-montanhosas, 
que não existem mais, e montanhosa, uma das principais dominando a paisagem. A 
vegetação aberta dos campos gramíneo-lenhosos ocorre sobre solos rasos. Por causa do 
alto valor econômico das florestas de pinheiro "Araucária", eles estão sujeitos a uma 
pressão intensa exploração madeireira. Apenas cerca de 1,2% da área original 
permanece e, destes, apenas 40.774 hectares estão sendo legalmente protegidas. 
Araucária é hoje considerada em extinção pelo governo brasileiro e as medidas 
específicas de proteção foram tomadas.
Foto 5. Paisagem típica das Araucárias.
4.6.8 Ecossistemas costeiros e insulares
Os ecossistemas costeiros geralmente estão associados com a Mata Atlântica 
devido a sua proximidade. Nos solos arenosos da restinga e dunas, restingas têm 
desenvolvido. Eles variam na forma herbácea a arbórea. O "manguezais" (terras de 
mangue) e os campos salinos de origem fluvio-marinhos desenvolveram em solos salinos. 
Nas planícies de areia ou lama da Plataforma Continental, ecossistemas bênticos podem 
ocorrer. Na zona das marés das praias e rochas, colonizado por algas, destacam-se as 
ilhas e os recifes, que são notáveis características geográficas da paisagem.
4.7 Biodiversidade Brasileira
O Brasil é o país com a mais rica biodiversidade do mundo (Brasil, Convenção 
sobre Diversidade Biológica). Pelo menos 10% dos anfíbios do mundo e mamíferos (27% 
dos primatas do mundo) e 17% de todas as espécies de aves ocorrem no Brasil. Em 
termos da flora brasileira, há 50.000 a 56.000 espécies descritas de plantas superiores, 
ou 22-24% das espécies de angiospermas do mundo. A título de comparação, a 
estimativa para a América do Norte é 17 mil espécies, para a Europa de 12.500, e de 
40.000 a 45.000 espécies para a África. Não é só o número de espécies que é grande, 
mas também o nível de endemismo.
As dimensões e a complexidade da biodiversidade do Brasil, tanto marinhos 
como terrestres, pode significar que ele nunca vai ser completamente descritos. 
Oficialmente cinco biomas grande são reconhecidas. O bioma amazônico abrange 40% 
da floresta tropical do mundo, sendo a maior floresta tropical remanescente do mundo. 
"Cerrado" é a maior extensão de savana em um único país. Mata Atlântica se estende do 
sul ao nordeste cobrindo uma área de 1000 mil km2 . Deste bioma no momento inclui a 
zona de Campos, cobrindo 13.608.000 ha de pastagens naturais no Sul do Brasil com 
23
mais de 400 gramíneas e 150 espécies de forragem de leguminosas, o que não é 
oficialmente reconhecido como um bioma. "Caatinga" é uma área semi-árida vasto de 
cerca de 1.000 mil km2, contrastando com o "Pantanal" e seus 140.000 km2 de áreas 
úmidas. Biomas costeiros e marinhos somam 3.500 mil km2 sob jurisdição brasileira. 
Existem numerosos subsistemas e os ecossistemas dentro destes biomas, cada um com 
características únicas, e a conservação dos ecótonos entre eles é vital para a 
conservação da sua biodiversidade.
Recentemente, o Brasil tem feito grandes esforços para a preservação da sua 
biodiversidade. Hoje em dia, 130.550.000 ha, ou 15,37% da área do Brasil foram 
legalmente declaradas como áreas protegidas. Além disso, 200.000 registros de 
germoplasma de plantas estão sendo conservados em todo o país (24% são espécies 
nativas).
5. CONTEXTO DA PECUÁRIA BOVINA E SEUS REFLEXOS PARA AS ÁREAS DE 
PASTAGENS.
Sobre pastagens, o último censo oficial em 1996, indicou 177.700.472 ha como a 
área total composta por pastagens naturais e cultivadas. Em 1970, apenas 25 milhões de 
hectares eram pastagens cultivadas, aumentando para 100 milhões ha em 1996. Pelo 
contrário, as pastagens naturais diminuíram de 100 para 75 milhões de hectares. Dados 
recentes indicam que as pastagens cultivadas no Brasil alcançaram mais de 130 milhões 
de hectares, e as pastagens naturais para menos de 70 milhões de há.
As principais pastagens cultivadas são de gramíneas de origem Africana, que em 
geral, mostram grande adaptação aos climas e solos brasileiros. Algumas espécies 
tornaram-se naturalizadas, desde que foram introduzidas pela primeira vez através do 
comércio de escravos no século XVIII. Gramíneas foram usadas como cama para os 
escravos durante a viagem para o novo país.
Até 1985, a política do governo investiu incentivos substanciais para a expansão 
da produção agrícola e fronteiras pecuárias. Entre 1970 e 1985, incentivos financeiros e 
créditos subsidiados pelos EUA totalizaram US$ 700.000.000,00, a maioria envolvendo o 
desmatamento para a pecuária. Isso mudou algumas regiões de uma forma notável e 
rápida, o "Cerrado" é o melhor exemplo. Até 1960, o "Cerrado" foi explorado
extensivamente, com alguns agricultores utilizando as pastagens naturais para a vaca-
bezerro operações e muitos pequenos agricultores cultivando mandioca e feijão, 
principalmente ao longo das margens do rio para sua subsistência. Isso mudou 
drasticamente com investimentos do governo em rodovias e ferrovias ou direto incentivos 
agrícolas. Monoculturas de culturas de rendimento ou de gramíneas cultivadas se 
espalharam para 40% deste sistema, e a população quadruplicou. Produtos de 
exportação, como soja, aumentaram notavelmente. Agricultura comercial em grande 
escala, mecanizada e de capital intensivosubstituiu os pequenos agricultores, que 
diminuíram um milhão na última década (todas as regiões em causa). Socialmente, o 
desenvolvimento da agricultura moderna no "Cerrado" não melhorou a sua desigualdade 
já desigual social, e também trouxe custos ecológicos, tais como fragmentação da 
paisagem, perda da biodiversidade, invasão biológica, a erosão do solo, poluição da 
água, mudanças nos regimes de queima, degradação do solo e uso pesado de produtos 
químicos.
Savanas são responsáveis por quase 55% de carne bovina do país e pioneiro da 
pecuária, que fornecem bons exemplos de um sistema de produção. Vegetação natural é 
removida e fertilidade do solo é, por vezes, melhorada por fertilizantes. Todas estas 
operações podem custar em torno de US$ 600/há, ou mais. Estradas e transporte ainda 
são constrangimentos em muitas situações. Formas alternativas de exploração da terra 
24
incluem a remoção parcial de vegetação, seguido de queima, gradagem e semeadura 
direta de pastagens. Em função das possibilidades financeiras e as necessidades do 
mercado local, as primeiras operações podem ser a produção de culturas como o arroz de 
terras altas para reduzir o desmatamento, e os custos de preparação e uso da "fertilidade 
natural" residual incorporado no solo.
Sistemas de agricultura no Brasil podem ser compostos de vaca-bezerro 
operações da loja, e acabamento, com os agricultores a fazer todas as fases ou 
especializada. Empresas de Corte e leite, com base em sistemas de pastagens tropicais,
são notoriamente de baixa produtividade. A baixa fertilidade do solo, a sobre-exploração 
dos campos nativos, o baixo potencial genético dos animais e à má gestão dos 
componentes da pastagem, solo e animais são todos os argumentos usados para explicar 
esses "sistemas de baixa produtividade". Índices de produtividade para as empresas de 
gado mostram uma falta de produtividade (Tabela 3).
Tabela 3. Índices Zootécnicos verificados nas principais empresas Gado Bovino no Brasil
(Zimmer & Euclides, 1997).
Índice Média
Taxa de natalidade 60%
Mortalidade até o desmame 8%
Taxa de desmama 54%
Mortalidade pós-desmame 4%
Idade ao primeiro parto 48 meses
Intervalo entre partos 21 meses
* Idade de abate 48 meses
* Taxa de abate 17%
Peso de carcaça 220 kg
Produtividade da carcaça 53%
Taxa de lotação 0,9 cabeças/ha/ano
* Mostrou grande melhoria nos últimos tempos. Ver texto para mais esclarecimentos
O longo tempo de retorno de em sistemas de produção pecuária em comparação 
com outras empresas agrícolas também restringe a difusão e adopção de tecnologias. 
Como resultado, a política financeira é foco de investimento em outras culturas do que 
pastagens para permitir que os agricultores têm o seu investimento de volta o mais rápido 
possível. Recentemente, o setor pecuário da carne tem experimentado grandes 
mudanças positivas. Houve uma redução de idade para abate do rebanho de 4 para 3 
anos, em média, nos últimos 10 anos. Mas a taxa de natalidade ainda é 60% e intervalo 
entre partos de 21 meses (Tabela 3).
A produção média de carne bovina no Brasil é 30 kg/ha/ano, o que pode ser 
facilmente aumentado com a adoção de tecnologias convencionais já disponíveis, tais 
como:
 Melhoria no manejo de pastagens; 
 Subdivisão de pastagens; 
 Recuperação e manutenção de fertilização do solo; 
 Alimentar suplementação para períodos críticos; 
 Controle reprodutivo de animais; 
 Melhoramento genético animal; 
 Controle sanitário; 
 Ajuste do binômio genótipo-ambiente. 
25
Em relação aos mercados nacionais, há sinais de um crescente potencial de 
consumo de carne bovina no Brasil, mesmo com um per capita de consumo de 38 kg / 
ano, é importante ressaltar que pelo menos 50% da população têm acesso limitado à 
carne, devido à pobreza. Em termos de mercados internacionais, um vasto potencial para 
a expansão pode ser previsto com grande competitividade, devido à possibilidade de 
produção de pasto aumentando a custos substancialmente mais baixos do que a Europa 
e EUA.
Para produção de leite, enquanto a UE, EUA e Argentina têm 805, 105 e 22 mil 
fazendas, respectivamente, envolvidos na produção leiteira, o Brasil tem 1,2 milhões 
fazendas envolvidas nesta atividade, com 40% tendo menos de 50 ha, que é basicamente 
um sistema familiar de produção (Cordeiro, 2000). 
No final da década de oitenta, uma pesquisa indicou que, para recolher 46 mil 
toneladas de leite (a quantidade para alimentar 42% da cidade de "São Paulo" por um 
mês), foi necessário viajar 3.400 km mensais (Corsi et al., 2001). Isso corresponde a uma 
viagem mensal de 85 vezes ao redor da Terra, e implica que apenas 13,5 kg de leite 
foram coletados para cada km percorrido. Esses dados refletem a baixa produtividade 
global de leite, bem como ineficiente sistema de coleta e armazenamento de leite no país, 
obrigando a indústria de laticínios a coletar o leite em programações diárias. Apoio à
extensão, associado com abordagens em logística de armazenamento e coleta de leite,
reduziu a distância percorrida por onze vezes no Estado de Minas Gerais e, hoje em dia, 
1,96 toneladas de leite são recolhidas em 40.066 km ou 49 kg de leite/km percorrido. É 
possível concluir que a maior produção de leite teve um papel vital neste processo já que 
o número de produtores de leite brasileiros diminuiu neste período. Agricultores assistidos 
por profissionais treinados demonstraram melhoras significativas nos níveis de 
produtividade e também uma redução nos custos de produção e, conseqüentemente, o 
sistema de coleta de leite apresentaram melhoras significativas.
O aumento na produção de leite foi uma conseqüência de novas abordagens 
para vários componentes dos sistemas, incluindo técnicas melhoradas na alimentação 
animal, reprodução e saúde. Atenção para uma melhor coleta de dados e sobre o 
progresso para uma melhor gestão da fazenda também desempenhou um papel 
importante no processo de intensificação. O outro lado dessa busca da competitividade e 
da "intensificação" do processo é a eliminação de agricultores que não podem atingir a 
escala proposta e aqueles que vivem em áreas remotas. Cerca de 95% dos criadores de 
gado são proprietários de terra. Menos de 10% das fazendas mantém dois terços do 
rebanho refletindo a concentração de terras descrita anteriormente e a dependência 
escala deste tipo de atividade (Tabela 4).
Tabela 4. Posse da terra por empresas da pecuária bovina brasileira (CNA, 2001).
% do rebanho Tamanho da propriedade % estabelecimentos agrícolas
27,19 > 1000 há 0,94
38,77 100-1000 há 9,35
24,0 1-10 há 34,06
8,25 <10 há 43,96
A produção de carne é desenvolvida, principalmente, em fazendas de mais de 
100 ha, que envolvem 82% dos animais. Produção de leite, ao contrário, tem um grande 
percentual do rebanho criado em fazendas de menos de 50 ha, o que contribui com 39% 
da produção nacional.
26
O Código Florestal atual exige que as florestas naturais sejaM mantidas ao longo 
de 80% das propriedades privadas na Amazônia, 20% das propriedades rurais 
particulares no NE, SE e 50% no CO. Esta legislação agricultura é uma "restrição" 
importante para os agricultores, uma vez que cerca de 5.500.000 ha de pastagens 
permanentes são semeados anualmente para renovação de pastagens e, 80.000 t. de 
sementes são utilizadas por ano, sendo 50% de Brachiaria brizantha atualmente. 100.000 
t. de sementes de Avena strigosa são semeadas anualmente, principalmente em rotações
de culturas por plantio direto e 8.000 t. de Lolium multiflorum e 15.000 t. de Pennisetum 
americanum, para a rotação de pastagens ou de culturas. A área de pastagens cultivadas
aumentou de 30 milhões ha em 1970, para 105.000.000 ha em 1995, determinando 
aumento da taxa de lotação de 0,5 para 0,9 cabeças/ha.
6 O RECURSO DAS PASTAGENS
Com o objetivo de apresentar o recurso de pastagens no Brasil de uma forma 
mais clarae organizada, já que nosso país tem dimensões continentais, a descrição será 
feita de acordo com diferentes biomas brasileiros oficialmente reconhecidos (Figura 6).
Figura 6. Biomas brasileiros (IBGE, 2005).
6.1 Pastagens na Amazônia
Na década de sessenta, sistemas de produção pecuária ocupavam 150.000 km2
de pastagens nativas, composto principalmente por gramíneas, leguminosas e ciperáceas
em áreas de sequeiro (cerrados e savana bem drenada do Amapá e Roraima) e áreas 
alagadas ("Ilha de Marajó" e do rio Amazonas). Desde então, até a década de noventa, o 
governo incentivou a criação de pastagens cultivadas, principalmente Panicum maximum, 
Hyparrhenia rufa, Brachiaria decumbens (Foto 7) e Brachiaria humidicola. O processo de 
melhoramento de pastagens consistia de derrubada e queima da floresta seguido de 
semeadura manualmente ou por avião. Na última década, foi estimado que 62% do 
desmatamento deveu-se à exploração de pecuária bovina, quando 25 milhões ha de 
pastagens cultivadas foram estabelecidas. As empresas são muito extensas e orientadas, 
sobretudo, para a produção de carne, na qual a queima de pastos no início da estação de 
crescimento é uma prática comum. Além de 19 milhões de bovinos, a região contém mais 
de um milhão de búfalos.
27
Foto 7. Pastagens cultivadas na Amazônia: 
o sucesso Brachiaria x Pueraria.
Os solos da Amazônia são caracteristicamente muito ácido, com níveis de P 
extremamente baixa e baixa CTC, além de outras deficiências minerais (Peixoto et al ., 
1986). A alta capacidade de fixação de P dos solos contribui para reduzir as 
oportunidades para o desenvolvimento de pastagens. Panicum maximum e Hyparrhenia 
rufa são mais sensíveis a P que Brachiaria humidicola e leguminosas tropicais que podem
ser mais tolerantes do que as gramíneas para níveis mais baixos de P nas pastagens. 
Locais onde as terras são inundadas periodicamente; espécies de Echinochloa, 
Hymenachne, Oryza, Leersia, Luziola e Paspalum, ocupam solos mais pobres em áreas 
enormes. O problema destas áreas é a ausência de terrenos adjacentes para os animais 
pastarem durante as cheias, quando perdem peso devido às restrições nutricionais e de 
saúde.
Os campos de sequeiro, que representam cerca de 60% da região, exibem uma 
semelhança na composição botânica, onde Andropogon spp., Axonopus spp., 
Trachypogon spp., e Paspalum spp., definem a produtividade e qualidade da forragem. 
Igualmente importantes são as leguminosas de Pueraria spp., Centrosema spp. e 
Dolichos spp. Em algumas áreas, Arachis vem crescendo sua importância recentemente. 
Este substrato amplo produz forragem de pior qualidade que os campos de várzea. 
Dentro desses campos, a ciclagem de nutrientes é a força motriz para a sua 
sustentabilidade e, a queima e a alta pressão de pastejo, são críticos para o alcançá-la.
Depois de limpar seções da floresta tropical, o desenvolvimento de pastagens 
trouxe significativas mudanças ecológicas no ambiente. Inicialmente houve um aumento 
da fertilidade do solo devido às cinzas. O rápido estabelecimento de pastagens de 
Brachiaria humidicola e Andropogon gayanus incentivou pastoreio intensivo e, dentro de 
três anos, foram verificados sinais evidentes de degradação das mesmas. Os níveis de P 
desses solos imprimem limitações na produtividade das pastagens. Contudo, a 
produtividade média das pastagens possa ser aumentada 5 ou 6 vezes (até 25 a 36 t./ha
de MS), em comparação às pastagem de sequeiro, quando fertilizadas e semeadas com 
espécies cultivadas (Dias Filho & Andrade, 2005).
O nível de fósforo, seguido do superpastejo são os fatores mais importantes na 
degradação da pastagem, um problema verificado em 61,5% das pastagens cultivadas da 
Amazônia Ocidental (Dias Filho & Andrade, 2005), que representa cerca de 12.500.000 
ha. As cigarrinhas das pastagens e doenças, bem como o uso indiscriminado do fogo, são
também importantes, contribuindo para a degradação de pastagens.
Há diversos relatos e constatações técnico-científicas de sucesso com o uso de 
consórcio de gramíneas e leguminosas em áreas de pastagens. Dentre os vários 
28
exemplos, o uso da Pueraria é o mais relevante, e responsável por mais de 450.000 ha de 
pastagens consorciadas, presente em mais de 30% das pastagens no Estado do Acre.
Desde 1995, a área de pastagem cultivada aumentou quase 70%, sendo 
estimado em quase 57 milhões de hectares até 2003. O estoque de gado aumentou 19,18 
para 33,93 milhões no mesmo período, ilustrando a preocupação com a conservação dos 
ecossistemas. Como esta região apresenta atualmente a maior expansão do gado 
brasileiro e, ao mesmo tempo é caracterizado por baixo investimento na investigação 
(recursos financeiros e humanos), é de grande preocupação para o futuro (Dias-Filho & 
Andrade, 2005).
6.2 Pastagens no Cerrado
Pastagens naturais compõem 30.000.000 ha dos Cerrados (Figura 7). As 
principais gramíneas nativas desta região são Echinolaena inflexa e outros, como Panicea
e, espécies de Aristida, Arthropogon, Axonopus, Paspalum, Schizachyrium, Andropogon, 
Trachypogon etc. As leguminosas são representadas por Arachis, Centrosema, 
Desmodium, Stylosanthes, Macroptilium, Rhynchosia, Aeschynomene e outros, que em 
combinação com gramíneas e outras espécies compõem as pastagens naturais da região. 
Fortemente apoiada no início dos anos oitenta por ação do governo, pastagens 
cultivadas, que respondiam por 11 milhões de hectares, aumentaram para 29 milhões de 
hectares na década de oitenta do século XX, e atualmente é estimada em cerca de 60 
milhões ha, alcançando o limite ecológico estabelecido para este ecossistema. Após um 
aumento de 25% nos últimos 10 anos (2001-2005), a taxa de expansão de pastagens 
cultivadas atingiu um platô, com uma tendência atual a se estabilizar. Exigências 
ambientais e a utilização crescente de integração lavoura-pecuária sistemas estão 
contribuindo para isso. Do total do rebanho bovino brasileiro, os Cerrados tem 41%, ou 
72,3 milhões de bovinos.
Figura 7. Distribuição percentual da área de 
pastagem cultivada nos Cerrados.
Nos últimos 25 anos, a revolução verde foi iniciada e a maioria dos "Cerrados" 
vegetação foi substituída pela agricultura e após um ou dois anos de cultivo, a terra foi 
transformada em pastagens tropicais plantadas. Taxas de lotação foram aumentadas 
várias vezes, 0,3 para 1,0 cabeça/ha (Macedo, 1997). Brachiaria spp é o mais difundido 
gênero, cobrindo mais de 50 milhões ha da savana tropical (Foto 8), que representa 85% 
das pastagens cultivadas. B. decumbens (15 milhões de ha) e B. brizantha (30 milhões de 
29
ha) são as pastagens mais cultivadas (Macedo, 2005). Panicum é o segundo gênero mais 
importante, representando 12% das pastagens cultivadas ou 7.200.000 ha. O 
estabelecimento de pastagens e, ou, regeneração integrado com as culturas, é 
atualmente bastante adotado.
Oferta de forragem de baixa qualidade na estação seca são os principais fatores 
limitantes, alongando o ciclo produtivo na criação de gado. A queima é comum e, o 
protelamento ou diferimento é por vezes utilizado e constitui uma das raras tecnologias 
empregadas nas áreas mais extensas. Não mais do que 1 a 2% das pastagens cultivadas 
são formadas por leguminosas, sendo o gênero Stylosanthes o mais importante. Na maior
parte da área, não havia suporte tecnológico para fazendeiros e, por ficarem longe da
administração agrícola e pecuária, foram praticamente criados pela natureza e tradição.
Foto 8. Pastagens cultivadas de B. 
brizantha no Cerrado.
A degradação das pastagens é considerada o fenômeno mais importante para a 
sustentabilidade da produção pecuária no Cerrado, com o superpastejo e a falta de 
adubação de manutenção, considerados os principais problemas.
6.3 Pastagens na Mata Atlântica
Esta é a mais rica região do Brasil e o mais importante centro agrícola e 
industrial, contendo 70% da população.Compreende apenas 12% do Brasil, mas é 
responsável por quase 50% de todo o leite produzido e quase 22,8% do total do rebanho 
brasileiro (36 milhões de cabeças), sendo as empresas leiteiras predominantes (Assis, 
1997).
A maioria da produção leiteira é baseada em pastagens desenvolvidas na 
apuradas pastagens, onde Melinis minutiflora predominou sobre os solos mais pobres de 
encostas íngremes, cuja massa de forragem era de valor nutritivo aceitável, mas teve uma 
baixa capacidade de suporte. Pennisetum purpureum é outra importante forrageira em 
áreas de laticínios. Pastagens com base em Hyparrhenia rufa foram persistentes, mas a 
produtividade também foi baixa. Em alguns dos solos férteis remanescentes, Panicum 
maximum tinha prosperado, e ainda é a principal pastagem para carne da região. Nos 
últimos 20 anos, a Brachiaria sp. assumiu e a Brachiaria brizantha cv. Marandu está 
sendo fortemente recomendada devido à sua resistência à cigarrinha das pastagen (Deois 
flavopicta e Manarva sp.). Pastagens cultivadas podem fornecer condições de altos níveis 
de produtividade animal (25 a 30 mil kg de leite/ha por ano e 1.000 a 1.600 kg de GPV/ha 
por ano em solos bem fertilizados, produzindo mais de 30.000 kg/ha de MS, durante o 
período vegetativo. Digitaria decumbens, Brachiaria decumbens e Brachiaria humidicola
ainda são localmente importantes.
30
Foto 9. Produção de leite em pastagens de
Panicum maximum.
Como os "Cerrados", o leste do Brasil faz pouco uso de fertilizantes para 
pastagens introduzidas que são pastoreados a taxas de ocupação elevadas, assim a 
baixa oferta de forragem provoca um enfraquecimento, e estas pastagens logo tornam-se 
degeneradas. A degradação de pastagens é um importante fator limitante para os 
agricultores. Leguminosas tropicais são pouco utilizadas, e a produção de massa seca é
altamente sazonal no período seco, não havendo equilíbrio entre qualidade da forragem 
com as necessidades animal. Há uma falta de alimentação durante o inverno seco (abril / 
setembro), quando a suplementação é por vezes utilizada, particularmente em sistemas 
lácteos. Manejo intensivo de pastagens cultivadas de alta produtividade é a tecnologia 
mais importante, mas é pouco adotada.
6.4 Pastagens na Caatinga
A região semi-árida do Nordeste do Brasil com uma estação seca de 8 a 9 
meses, e uma precipitação média de 400 a 600 mm por ano, usa pecuária mista e 
envolve o uso dos recursos naturais. Essas áreas têm sido utilizadas de forma extrativista, 
desde o século XVIII, e a vegetação natural das espécies forrageiras na maior parte está 
sendo substituída por outras anuais e efêmeras. Alta intensidade de pastejo e secas 
periódicas são responsáveis pela desertificação, que teve início em algumas áreas. A 
seca e a irregularidade da precipitação são consideradas os problemas básicos da região, 
que tem a maior concentração de pequenos ruminantes do Brasil (8,8 milhões de caprinos 
e 8.010.000 ovinos), além dos 23,9 milhões de bovinos. Produção de gado bovino 
representa a segurança alimentar, uma vez que em anos de seca, a produtividade de 
produtos agrícolas pode diminuir em mais de 70%, enquanto o gado não mais de 20%. O 
sistema agrícola comum é agrosilvipastoril, onde os animais têm um papel importante na 
distribuição de nutrientes (Cândido et al., 2005).
Os gêneros principais para a região são Mimosa, Caesalpinia, Dalbergia, 
Paspalum, Setaria, Cenchrus, Aristida, Elionorus, Zornia, Stylosanthes, Centrosema e 
outros. Na estação das chuvas, a curta vegetação herbácea e folhas verdes de árvores 
compõem a massa de forragem. A produção média anual da fitomassa da Caatinga é em 
torno de 4,0 t./ha e, gramíneas herbáceas e dicotiledôneas, representam 80% da dieta 
dos ruminantes, e no período seco aumenta a importância de espécies lenhosas. Com o 
início da longa estação seca, as folhas das árvores ficam secas e caem no chão e são 
comidos por animais. Em meados da estação seca, 62% de sua dieta é composta de 
folhas mortas de vegetação lenhosa e até 28% é da vegetação herbácea de pé. No início 
da temporada das chuvas, folhas verdes de árvores constituem 65% da dieta, e da 
vegetação herbácea, os outros 35%. Essas secas prolongadas têm um maior impacto na 
31
população de gado do que em cabras e ovelhas, uma vez que são melhor adaptados às 
condições adversas.
Devido à importância das árvores nas dietas de animais de pasto, a manipulação 
da vegetação é muito importante, e é uma prática comum para podas (cortar os ramos 
velhos das árvores na parte superior do tronco) para desenvolver novos brotos e ramos 
de onde as cabras obter o máximo de sua alimentação. Raleamento do estande também 
é feito, e gradualmente começam alturas do tronco de menos de 0,50 m do chão, quando 
todas as folhas estão dentro do alcance dos animais, aumentando o substrato de 
forrageamento. Em condições naturais, a vegetação da pastagem da "Caatinga", o misto
de bovinos, ovinos e caprinos é mais produtivo. Diluindo a vegetação, bovinos e caprinos 
são favorecidos. Mas quando essa copa é manipulada, e os troncos são cortados rente ao 
solo para a nova ramificação e, tanto exclusivamente bovinos, como em integração com 
ovinos, pode fazer melhor uso desses recursos naturais. Em áreas de maior pluviosidade 
as gramíneas cultivadas são principais Cenchrus ciliaris e Brachiaria spp, Andropogon é
menos importante. Plantas consideradas importantes para enfrentar as condições semi-
áridas da Caatinga e os animais alimentam são "palma forrageira" (Opuntia spp.), cana-
de-açúcar, sorgo e mandioca. Durante os períodos de seca prolongada, o gado é 
suplementado primeiro, então ovelhas e cabras (somente animais jovens) são 
suplementadas apenas em condições muito críticas, e os animais de produção ficam 
livres na Caatinga para encontrar as forrageiras restantes.
6.5 Pastagens no Pantanal
O Pantanal (Foto 10) é uma enorme planície que variam de 16-210 S e 55 a 580
W cobrindo 139.111 km2 (Allem e Valls, 1987). Sua heterogeneidade vegetal é conhecida
como o "Complexo do Pantanal". A maioria das fazendas é extensiva e atividade de cria, 
com taxas de lotação de até 3,6 cabeças/ha. Considerando as áreas inundadas esta taxa 
de lotação pode diminuir em 50%. O rebanho bovino total é estimado em cerca de 3,8 
milhões. Esta taxa de lotação conservador, obrigatória por natureza, as contas para a 
sustentabilidade do ecossistema. Não há grandes ungulados silvestres no Pantanal, que 
tem sido chamado de uma espécie de "vazio herbívoro" de autores locais. Gado comercial 
com taxas de lotação conservadora se acredita ser positivo para a diversidade local. No 
entanto, isto significa uma produtividade muito baixa (18 kg PV/ha/ano), que por sua vez 
determina escala da fazenda (3,5 por cento das fazendas correspondem a 57% da área 
do Pantanal). Vegetação natural é um mosaico de acordo com as características do solo 
inundação (nível, duração, origem, etc.) Comunidades são conhecidas pela vegetação 
dominante (Canjiqueiral - Byrsonima intermedia; Carandazal - Copernicia alba ; paratudal 
- Tabebuia caraiba ; Gravatal - Bromelia balansae ; Caronal - Elyonurus muticus e Pirizal -
Cyperus giganteus e Scirpus validus ). Outras espécies importantes são: Axonopus 
purpusii, Paspalum pantanalis, Paspalum plicatulum, Paspalum hydrophilum, Paspalum 
carinatum, Paspalum lineare, Paspalum repens, Panicum stenodes, Panicum laxum, 
Leersia hexandra, Aeschynomene fluminensis, Aeschynomene sensitiva, Camptosema 
paraguariense, lespedeziodes Indigofera e outros. Pastagens nativas são predominantes 
(99%), gramíneas sendo o grupo mais freqüente (240 espécies), seguido por leguminosas 
(212 espécies). Cerrado também perfaz importantes formações. Brachiaria decumbens é 
uma das mais importantes pastagens cultivadas e seu uso pode ser estratégica em 
períodos inundada. Pastagens nativas são usadas basicamente de duas formas: as vacaspermanecem durante todo o ano na mesma área, onde as profundidades das inundações 
são menores que 1 m, ou pastar áreas inundadas durante o período seco. Piquetes 
geralmente têm superfícies enormes (1.000 ha, em média), tornando a gestão do 
pastoreio difícil. A variabilidade espaço-temporal do crescimento de plantas forrageiras e
a baixa capacidade carregando dessas pastagens são consideradas as principais 
32
restrições à produção animal. O eco-turismo está se tornando importante nesta região, o 
que diversifica a atividade econômica.
Foto 10. Paisagem típica do Pantanal.
6.6 Pastagens nos Pampas (Campos).
Cerca de 33o S até 26o S, no sul do Brasil, os solos são caracterizados tanto poor 
sua baixa fertilidade, caracterizada pelos baixos valores de pH e de P (abaixo dos níveis 
críticos), como por solos rasos, onde se verifica a presença de diferentes espécies de 
leguminosas como Adesmia, Vicia, Lathyrus, Trifolium, Medicago, Desmodium, 
Rhynchosia, Aeschynomene, Arachis e Vigna. Esta região possui uma enorme 
diversidade de plantas (cerca de 400 gramíneas e 150 espécies de leguminosas), entre 
as gramíneas, aquelas dos gêneros Paspalum, Axonopus, Andropogon, Panicum, Setaria, 
Digitaria, Schizachyrium, Bromus e Stipa, são os mais importantes. Toda a região goza os 
mesmos efeitos térmicos do clima, abrangendo uma ampla gama de tipos de solo e 
elevações. Onde a umidade é abundante, a composição botânica é composta 
principalmente por Andropogon, Schizachyrium, Setaria, Bothriochloa, Paspalum, Stipa , 
Aristida, e Axonopus, os quais restringem o crescimento das leguminosas. Como 
conseqüência, a enorme produção de massa seca (MS) na longa temporada quente é de 
baixa qualidade (<60% de digestibilidade). A diversificação de espécies e o pastejo 
seletivo ao longo das estações do ano fazem com que a foragem acumule, senesça e 
ocorra perda qualidade, determinando, por muitas vezes, que as pastagens sejam
queimadas (no inverno) antes da temporada de primavera seguinte. Esse acúmulo de 
forragem das gramíneas de estação fria, durante a primavera e verão, impede seu 
crescimento, provocando escassez de forragem e alimentos de qualidade no inverno 
(Foto 11). A taxa média diária de crescimento, comum para pastagem fertilizada não 
natural é entre 0 a 5 kg/ha de MS no inverno e de 25 a 35 kg/ha de MS na primavera e
verão, e a produção de forragem total anual entre 2.500 e 4.000 kg/ha de MS.
33
Foto 11. Paisagem dos Campos: pastagens 
naturais no inverno
As forrageiras mais importantes cultivadas são gramíneas anuais de inverno, 
como Avena strigosa e Lolium multiflorum (Nabinger et al., 2000), bem como as 
leguminosas dos gêneros Trifolium, Lotus, Medicago e outros. Espécies de pastagens 
tropicais são principalmente anuais, como milheto e Sorghum spp., mas perenes estão se 
tornando importantes (Panicum, Cynodon, Digitaria, Paspalum, dentre outras como 
Pennisetum, etc.). Em menor grau, algumas gramíneas perenes de inverno (Festuca, 
Phalaris, Dactylis, etc.) são cultivadas. As pastagens cultivadas compreendem cerca de 
7.000.000 ha, enquanto as pastagens nativas ocupam cerca de 13,7 milhões ha. 
Pastagens nativas alimentam a maioria dos 26.200.000 bovinos e 6.000.000 ovinos. 
Bovinos e ovinos são criados, principalmente, em pastagens mistas nas áreas de 
pastagem nativa. Contudo, este ecossistema natural está sob ameaça no sul do Brasil, 
diminuindo a uma taxa de 135.000 ha por ano (Nabinger et al ., 2000), sendo substituído 
principalmente por culturas de maior rendimento forrageiro e de reflorestamento. Porém, 
deve-se considerar que este é o habitat básico para 3.000 plantas vasculares, 385 
espécies de aves e 90 de mamíferos terrestres. Mais de 50 espécies forrageiras foram 
classificadas recentemente como em perigo de ser extintas pela má gestão dos recursos 
naturais. Também neste cenário, o superpastejo e a falta de reposição de nutrientes são 
apontados como os principais responsáveis para a fraca sustentabilidade do ecosistema.
Pastorícia tradicional predomina no uso dessas pastagens, e o animal é usado 
principalmente para fins de manutenção. Esta região é a segunda mais produtiva no Brasil 
em termos de volume de leite. Sistemas integrados de lavoura e de animais de produção 
estão se tornando uma opção interessante, principalmente em áreas de culturas de verão 
como soja, milho ou arroz.
7. OPORTUNIDADES PARA MELHORIA DOS RECURSOS FORRAGEiROS
7.1 Maior uso de leguminosas
A América Tropical é o centro de diversidade para muitas importantes espécies 
de leguminosas forrageiras tropicais, mas as avaliações eram limitadas a poucas 
espécies, marginalmente adaptadas às condições edáficas predominantes nas principais 
áreas de criação de gado de cada região. Talvez esta seja uma das razões para o baixo 
uso de leguminosas forrageiras em pastagens brasileiras. Outros fatores, que certamente 
contribuem, são as práticas de altas taxas de lotação e da falta de fertilização.
34
Em muitas regiões do Brasil há amplas oportunidades de usar leguminosas 
forrageiras, uma vez que são endêmicas da região. Leguminosas tropicais também são 
importantes, tanto na recuperação de terras degradadas de pastagens, como de cultivo 
imprudente. Estas pastagens, embora contribuam, muitas vezes são instáveis, e os meios 
de gestão necessária para manter uma proporção adequada de leguminosa ainda são 
pouco compreendidos. 
Os esforços dedicados para selecionar germoplasmas de gramíneas e 
leguminosas adaptadas aos solos ácidos encontrados nos importantes ecossistemas, 
como savanas e florestas tropicais úmidas, revelou que S. capitata e S. guyanensis são 
adequados para as savanas e floresta tropical úmida, e Arachis pintoi é compatível com 
gramíneas agressivas e estoloníferas, além de muito persistente sob pastejo pesado. 
Pueraria phaseoloides e Stylosanthes capitata que os animais selecionam na estação 
seca, também apresentam potencial durante as chuvas em ambiente de floresta tropical. 
Desenvolvimento de tecnologias para produção local de sementes de leguminosas para 
fornecer sistemas com base de forragem é importante. Avaliações sob pastejo produzem
resultados da ordem de 200 a 400 kg de PV/ha em locais com estresse da estação seca, 
e até 500 a 600 kg de PV/ha, em áreas sem o estresse da estação seca.
Para outras áreas marginais, na vegetação de dois estratos de plantas herbáceas 
e arbóreas como dos gêneros Caven e Acacia, a folhagem das árvores de folha caduca 
repõe os minerais do solo removido pelas plantas herbáceas pastejadas. Mesmo com o 
crescimento exuberante das árvores, existem plantas herbáceas que, mesmo sob 
sombreamento, apresentam alto crescimento relativo quando comparadas a pleno sol. As 
árvores obtêm a maior parte da água que necessitam a partir de camadas mais profundas 
do solo, permitindo que maior recurso hídrico para a vegetação herbácea, que explora as 
camadas superiores do solo. Muitas semelhanças também são encontradas no nordeste 
dentro da vegetação da Caatinga.
O aumento espetacular no desempenho animal individual quando os animais 
pastam à base de pastagens cultivadas com leguminosas, em comparação com 
pastagens nativas de cerrado merece menção. Espera-se que as leguminosas contribuam
com baixo custo de nitrogênio para a gramínea associada. Esta característica e a 
tolerância à baixa fertilidade e solos ácidos são sempre grandes temas de pesquisa e 
objetivos investigados. O problema é que a história brasileira com pastagens e grandes 
herbívoros é curta e essas leguminosas têm, em geral, adaptações muito limitadas para 
tolerar pastejo pesado (baixa oferta de forragem), e possuem mecanismos de escape 
mais especializados que merecem mais atenção por parte dos produtores de forragem.
7.2 Gestão de intensidades de pastejo
Intensidades de pastejo na capacidade de suporte ideal (ótima taxa de lotação) 
é um compromisso entrea otimização da ingestão e produção animal individual com a 
produção animal por hectare, já que a ingestão de forragem diminui quando diminui a 
área disponível por animal. Quando a oferta de forragem não limita o consumo animal, 
animais com alto potencial de rendimento podem expressar o seu crescimento próximo ao 
máximo, sem suplementação, diminuindo assim os custos de produção.
Há muito se sabe que a menor pressão de pastejo, ou alta oferta de forragem, 
permite elevados níveis de desempenho animal a partir de quaisquer pastagens tropicais 
naturais ou cultivadas. Os valores variam de 0,69 a 1,0 kg/UA/dia em pastagens naturais, 
e de 1,27 a 1,5 kg/UA/dia para pastagens tropicais cultivadas. Isto deve encorajar práticas 
de gestão de pastagens que usam intensidades de pastejo leves, tanto em pastagens 
nativas, como em pastagens tropicais cultivadas, mas, infelizmente, isso não é o caso em 
situações comerciais.
35
7.3 Gestão de Intensidades de pastejo em pastagens nativas.
Os campos naturais do sul do Brasil são o principal recurso para alimentar o 
equivalente a 15 milhões UA. Apesar da grande área ocupada por pastagens naturais e 
sua importância para a produção animal no Brasil, há uma escassez de pesquisas sobre o 
ecossistema e sua dinâmica. Vegetação nessas áreas é altamente complexa e 
caracterizada por uma enorme diversidade, com diferenças na qualidade, estrutura e via 
metabólica (C3 e C4). Em tal ambiente, gramíneas “entouceiradas” (de maior porte) podem
aumentar a sua abundância de acordo com a intensidade de pastejo, o que pode resultar 
em mais de 50% de cobertura do solo sob baixas intensidades de pastejo, a menos de 
5% sob altas intensidades de pastejo. A cobertura vegetal mais rasteira diminui de 100 
para 67%, quando a oferta de forragem reduz de 25 para 8,8 kg MS/ 100 kg de PV por 
dia, embora a intensidade de pastejo real nesta vegetação permaneça semelhante (Silva 
& Carvalho, 2005).
A filosofia da pecuária de utilização de pastagens predomina no uso de 
pastagens naturais, apesar do forte apoio dos resultados de pesquisas. Eficiências de 
pastejo maiores que 50% ocorrem em níveis de oferta de forragem de 13 a 18 kg MS/100 
kg de PV (13 a 18%), com máximas eficiências entre 6 e 9 kg MS/100 kg PV (6 a 9%).
Também tem sido sugerido que o adiamento do pastejo (pastejo protelado) para 
recuperar ou rejuvenescer estes pastagens nativas, e aumentar a produtividade de 
biomassa e a freqüência das espécies desejáveis seria benéfica. A redução nas taxas de 
lotação praticadas e o uso semeadura de espécies cultivadas são outras alternativas. Ao 
reduzir a taxa de lotação, diminui também a taxa de degradação das pastagens, mas não 
a tendência para a degradação, já que os animais pastando continuam superpastejando a 
espécie preferida seletivamente dentro das comunidades de plantas. Este é um fenômeno 
sempre presente, e pode ser uma crítica, onde a biodiversidade das pastagens não é 
contrabalançada por diferentes espécies de animais no pasto. Por outro lado, a introdução 
de espécies cultivadas é viável uma vez que há disposições contra os fatores limitantes 
que possam comprometer o pasto novo, especialmente a fertilização.
A composição botânica da pastagem pode variar com as distintas formas de 
crescimento prostrado sob baixas ofertas de forragem, sob gestão mais branda. 
Gramíneas “entouceiradas” podem representar um recurso forrageiro, dependendo da 
disponibilidade de espécies preferidas, e assim o conceito de "forragem" em si pode ser 
bastante variável, e representa um desafio adicional para a caracterização do ambiente e 
de utilização de pastagens. Uma taxa de acúmulo de até 16,3 kg/ha de MS/dia foi 
determinada na temporada de crescimento das pastagens naturais, mantidas em uma 
taxa de lotação ótima, correspondentes a uma oferta de forragem de 13,5%, que era 
equivalente a manter a massa de forragem em um nível de 1.400 a 1.500 kg/ha de MS. A 
eficiência de conversão deste ecossistema na captura de energia de radiação da luz solar 
e sua respectiva transformação em produção primária é de 0,20% para baixas ofertas de 
forragem, e de 0,36% sob o nível adequado de oferta de forragem supracitado, o que 
representou um aumento de 80% na eficiência do sistema. Isso demonstra as melhorias 
importantes que podem ser feitas simplesmente pela gestão desta área de pastagens 
com a correta intensidade de pastejo. Estes valores e suas relações significam que a 
produtividade dessas pastagens podem ser 100% maior, a custo da eficiência de colheita 
da forragem pelo animal em pastejo, sem entrada de energia que não seja o 
gerenciamento.
Os conhecimentos atuais sobre o principal manejo de pastagens naturais no sul 
do Brasil podem ser resumidos como segue:
i) Pastagens naturais têm enorme diversidade de plantas (400 gramíneas e 150 
leguminosas);
36
ii) Gramíneas C4 predominam e são responsáveis pela forte variação sazonal da 
produtividade e qualidade da forragem;
iii) Moderadas intensidades de pastejo permitem alcançar o potencial de interceptação 
luminosa e rendimento forrageiro da maior parte das espécies existentes (massa de 
forragem cerca de 14.000 kg/ha de MS);
iv) Moderadas intensidades de pastejo permitem a produção secundária (desempenho 
individual) atingir o seu potencial sob adequada oferta de forragem (de 12 a 13 kg MS/100 
kg PV, diariamente);
v) Em comparação com a produtividade média atual das pastagens naturais no Sul do 
Brasil, o uso de adequadas intensidades de pastejo pode triplicar a produção animal
nesses ecossistemas, com potencial para 700 kg PV/ha/ano, quando adequadas 
intensidades de pastejo estão associadas à fertilidade dos rebanhos;
vi) Diversidade vegetal é menor nos extremos de intensidades de pastejo, portanto,
intensidades moderadas promovem a biodiversidade;
vii) Este ecossistema é altamente resistente;
viii) As maiores intensidades de pastejo levar a vegetação, com tipos de plantas 
prostradas, com predominância de mecanismos de escape ao pastejo. Em intensidades 
de pastejo moderada, podemos ver uma mistura de arbustos, gramíneas e espécies 
tussock prostrado com uma diversidade de mecanismos de escape e tolerância;
intensidades xi) High pastagem decréscimo de matéria orgânica, reduzir a taxa de 
infiltração de água, reduzir a cobertura do solo, e reduzir a disponibilidade de nutrientes;
x) Pastagens nativas respondem positivamente à remoção dos fatores limitantes, 
especialmente à fertilização e, além disso, sob tais condições, gramíneas C3 e 
leguminosas podem ser introduzidas por sobresemeadura no pasto natural, para 
preencher a lacuna do déficit de forragem no inverno;
xi) Pastejo protelado é necessária para a gestão correta;
xii) O uso de fogo reduz a produtividade do sistema e compromete as condições químicas 
e físicas do solo;
xiii) O método de pastejo tem pouco efeito sobre a produção animal, e a intensidade de 
pastejo é a variável mais determinante;
7.4 Gestão de intensidades de pastejo em pastagens cultivadas
Em todos os ambientes, é necessário encontrar o melhor compromisso na 
combinação de três fatores: o crescimento das plantas, a utilização da planta e 
desempenho animal, para alcançar a máxima eficiência tendo em conta os custos de 
produção.
Reconhece-se que o uso de pastagens melhoradas aumentou consideravelmente 
a produção animal nesses ambientes. Por exemplo, houve muito interessante na 
avaliação sobre introdução de Cenchrus ciliaris nas pastagens nativas do Brasil 
(semiárido do NE), promovendo um aumento de duas vezes no GPV/ha, mas sem 
alterações no ganho médio diário por animal (GMD/UA).
Ao lidar com a produtividade de todo o sistema, tem que ser considerada as
variações, tanto sazonais como anuais. Há evidências de que um aumento no GMD/UA
sob pastejo é a melhor maneira de reduzir custos de produção animal, mostrando que os 
animais expressam a taxa de lotação que permiteobter o melhor desempenho animal 
individual por hectare.
Os resultados do Brasil central e dos "Cerrados" indicam que a persistência das 
pastagens cultivadas depende da fertilidade do solo inicial e manejo do pastejo leniente. 
Pastejo leniente é importante, mas não o suficiente para a sustentabilidade das 
pastagens. O declínio no estado de fertilidade do solo é o ponto de partida da degradação 
de pastagens. O primeiro sintoma observado é a redução na capacidade de suporte sob 
37
forragem equivalente; a rebrota da pastagem não adquire seu estado anterior depois de 
descansar, e a redução da massa de forragem e qualidade reduz o GMD/UA. Pontos 
desencapados tornam-se visíveis no pasto, com invasão de plantas daninhas e ocorrência 
de algum retorno espécies nativas. Assim, o monitoramento criterioso da capacidade de 
suporte que indicaria o início do processo de degradação, quando detectado 
precocemente, pode custar US$ 100/ha para recuperar a área, enquanto a detecção mais 
tarde, aumenta os custos para US$ 200/ha. Portanto, Reduzir a taxa de lotação ajuda a 
manter o desempenho animal, mas não a superar a tendência de degradação do pasto.
Outra opção que está adquirindo importância é a integração de culturas e 
pastagens dentro de um sistema completo de uso do solo e produtividade agrícola. As 
culturas anuais geram recursos financeiros para melhorar o nível de fertilidade do solo, 
reduzindo assim os custos de estabelecimento e manutenção da pastagem. Resultados 
consistentes estão mostrando que o potencial de produção das pastagens aumentou na 
região onde, fertilizadas, pastagens de Panicum estão produzindo 740 kg PV/ha/ano, 
enquanto que a Brachiaria sp. pode alcançar um rendimento máximo de 600 kg de 
PV/ha/ano. Estas diferenças vêm do maior GMD/UA e maiores taxas de lotação 
praticadas nas pastagens de Panicum, em comparação com pastagens de Brachiaria. 
Para empresas que adotam os baixos níveis de tecnologia, Brachiaria é a opção, 
enquanto para aqueles que adotam o elevado nível atual da tecnologia, pastagens de 
Panicum são mais recomendadas.
Novos resultados experimentais com cultivares de Brachiaria apresentaram 
diferentes taxas de crescimento de folhas para as épocas das águas e das secas. Alguns 
ecótipos apresentam maior rendimento de folhas de MS na estação seca, enquanto 
outras tiveram melhor desempenho para a estação chuvosa.
A promoção do pastoreio com base na matéria seca de lâmina foliar verde 
(MSLFV) contribui para nosso conhecimento e entendimento do que acontece no perfil de 
pastagens, para avaliar a dinâmica da pastagem e observar a formação do perfil de um 
boi ganhando peso e sendo terminado em pastagens sob condições de pastejo. Em 
baixos níveis de MSLFV, os animais pastam com mais freqüência, promovem maior
densidade de perfilhos, bem como invasão de outras espécies vegetais e afetam
adversamente massa da raiz, diâmetro da planta, comprimento de entrenós, peso de 
perfilhos, taxa de acúmulo e rendimento de MSLFV.
Com níveis claramente definidos de gestão de pastagens, e a de MSLFV sendo 
aplicada ao capim-elefante anão Mott, estudos revelam que um GMD para o ótimo 
sustentável em torno de 1,043 kg, em uma oferta de forragem (MSLFV) de 10,5% do 
PV/dia, produzindo 1,188 kg/ha/dia de GPV, pode terminar um boi para abate no prazo de 
210 dias de pastejo, sob lotação contínua.
Com base no conhecimento adquirido na condução de experimentos de pastejo 
para avaliar oferta de forragem e animal e as respostas de pastagens, sugere-se que pelo 
menos 1.500 a 2.000 kg/ha de MSLFV são exigidos em pastagens, a partir das quais os 
animais pastando vão obter sua dieta.
7.5 Metas de pasto: uma orientação recente para gestão de pastagens (Silva & 
Carvalho, 2005)
O ambiente tropical/sub-tropical é único, exigindo soluções criativas e específicas
para os locais, visando superar as restrições de produção, a fim de expressar seu 
potencial. A gama de espécies vegetais, seus tamanhos variados, morfologia e fisiologia 
destacar a necessidade de rever alguns dos conceitos e pontos de vista gerais relativos 
ao desempenho de animais destas pastagens. No Brasil, recentes trabalhos 
experimentais desenvolvidos em ambientes de pastagens como os conceitos de 
ecofisiologia e ecologia de pastagem, têm sido concebidos sob a convicção de que o 
38
monitoramento, controle e manipulação do estado do pasto é uma característica 
importante da gestão do pastoreio. Isto é muito diferente da visão tradicional e simplista 
de produção, em que o controle do processo de pastagem é feito por meio de taxas de 
lotação fixas, subsídios de forragem, intervalos e métodos de pastejo, que permitem
variação significativa no estado do pasto.
Novos trabalhos estão em andamento no Brasil para os principais recursos 
forrageiros (Brachiaria, Panicum, Cynodon, Pennisetum, etc.) sobre como estrutura do 
pasto é construída e como os animais capturam a forragem destas estruturas. Como 
conseqüência desse novo conhecimento, e com o objetivo de otimizar a produção de 
pasto (ou seja, interceptação de luz) e consumo animal (ou seja, o desempenho animal), 
algumas orientações de pasto estão sendo recomendadas:
i) Na lotação contínua, B. brizantha cv. Marandu deve ser gerida entre de 20 a 40 cm de 
altura durante o período de crescimento, e cerca de 15 cm antes e durante o inverno. 
Quando utilizar lotação rotacionada, a altura do pasto no pré-pastejo deve ser de 25 cm e 
altura no pós-pastejo de 10 a 15 cm são desejáveis, de acordo com categorias e objetivos 
diferentes;
ii) P. maximum cv. Mombaça, em lotação rotacionada deve ser gerido com uma altura do 
pasto no pré-pastejo de 90 cm, enquanto que para P. maximum cv. Tanzânia, 70 cm. 
Para ambas as cultivares, a altura residual dos pastos (pós-pastejo) deve ser de 30 a 50 
cm, de acordo com categorias e objetivos diferentes;
iii) Quando usados em lotação contínua, cultivares de Cynodon sp., deve ser manejadas
entre 10 e 20 cm de altura;
iv) Pennisetum glaucum, quando usado sob lotação contínua, deve ser gerido em torno de 
30 cm de altura;
v) Pastagens anuais temperadas, como Lolium multiflorum e Avena strigosa, quando 
usadas sob lotação contínua, devem ser geridas em torno de 15 e 25 cm de altura;
vi) Para maximizar a ingestão dos animais, pastagens naturais devem ser utilizadas sob
lotação contínua, manejadas em torno de 13 cm de altura.
Evidências recentes geradas nestas condições demonstram que, quando bem 
fertilizadas, as forrageiras tropicais conseguiu podem produzir forragem de qualidade 
suficientemente para garantir alto desempenho satisfatório dos animais durante todo o 
ano. Forragem de baixa qualidade durante o período de inverno pode ser um resultado da 
safra anterior favorável ineficiente durante períodos de crescimento e não é 
necessariamente uma característica intrínseca da forragem produzida. Além disso, fatores 
não-nutricionais (ex.: estrutura do pasto) têm uma maior importância relativa que fatores 
nutricionais para regular a ingestão de forragem de animais de pasto.
Sistemas de produção animal de pastagens tropicais/sub-tropicais têm como 
maior restrição adicional e significativa, a sazonalidade acentuada da produção de 
forragem. Isso gera variação na alimentação equilíbrio de oferta e demanda do sistema 
entre e dentro de estações do ano, que deve ser gerenciado se pasto controle deve ser 
realizado de forma eficaz. Práticas de gestão têm impactos diretos e indiretos sobre o 
desempenho pasto estrutura de controle, e animais que precisam ser conhecidos, a fim 
de permitir o correto planejamento e processo decisório em uma escala fazenda. 
Consequentemente, tanto a pesquisa atual, como a orientação de gestão para pastagem 
tropical/sub-tropical estão sendo baseadas no controle, cuidado e planejamento do estado 
do pasto.
7.5 Adubação de pastagens
Está bem documentado e reconhecido que os níveisde P disponíveis nos solos 
são extremamente baixos. O uso de fertilizantes para aumentar a massa e a qualidade da 
39
forragem em ambientes de pastagens nativas tomou muito tempo para ser aceita por 
aqueles envolvidos com a produção pecuária; assim, pastagens cultivadas foram 
fertilizadas no estabelecimento, mas não na manutenção.
Em um experimento clássico realizado no sul do Brasil, fósforo foi aplicado a 
lanço em um pasto natural (160 kg/ha), em lotação contínua e rotacionada. Após 11 anos 
de pastejo, houve um aumento de 10% na produção animal obtida sob lotação 
rotacionada em comparação com lotação contínua, e a resposta para fertilização com P 
foi excelente, com aumento na produtividade de 4,95 kg GPV/ha/kg de P aplicado. 
Constatou-se também que, após 11 anos, o pasto natural adubado produziu 70% mais do 
que o pasto natural não fertilizado, comprovando que houve um efeito muito duradouro e 
da aplicação P nesses ambientes.
Para ilustrar a possibilidade de mudar a composição botânica por fertilizantes,
alterando o estado de qualidade das pastagens, um ensaio mostrou que Desmodium 
incanum aumenta de 3,3% até 24,4% em um pasto, como resultado de altas aplicações 
de P no sul do Brasil. Com relação ao nitrogênio em pastagens naturais, quando 
gramíneas nativas como o Paspalum notatum é fertilizado e água não limitar seu
crescimento, a produção de pastagem chega a 12,0 t./ha de MS, e coloca em dúvida a 
necessidade de pastagens cultivadas. Esta informação tem gerado um impacto 
considerável sobre os programas de investigação no sul, resultando na promoção da 
adubação de pastagens nativas com níveis médios para sua sustentabilidade.
Manutenção do status de nutrientes do solo é uma variável-chave na 
sustentabilidade de pastagens. Há nítidos efeitos residuais da fertilização com P sobre a 
produção de forragem de pastagens consorciadas em ambiente subtropical, com aumento 
da contribuição de leguminosas à medida que são usados maiores níveis de P. No 
entanto, os níveis de P no solo estão sujeitos a serem gradualmente reduzidos devido à
extração pelas plantas, quando não há substituição do P e, após cinco anos, o nível de P 
pode ser reduzido para 1/5 de seu valor inicial.
Adubação anual de uma mistura de capim, Siratro, Glycine wightii e Stylosanthes 
guianensis, por outro lado, manteve a pastagem produtiva há mais de dez anos. A 
aplicação anual de 20 kg/ha de P ajudou na manutenção da produção do pasto, enquanto 
a aplicação de 40 kg/ha de P aumentou a produção da pastagem em 30%, enquanto que 
sob nenhuma fertilização a produção caiu a uma taxa de 15% ao ano. Panicum spp. 
foram também identificadas como sensíveis a solos férteis, onde altos níveis de P foram 
aplicadas, enquanto Stylosanthes capitata, Stylosanthes guianensis e Zornia spp., com 
Brachiaria humidicola , Hyparrhenia rufa e Andropogon gayanus, foram identificadas como 
espécies com bom desempenho em solos com baixo suprimento de P. Portanto, 
pesquisadores enfatizam o desenvolvimento de uma filosofia de produtividade das 
pastagens para tirar vantagem do uso de fertilizantes sob aplicação do conhecimento em 
manejo de pastagens em todo o país, a fim de beneficiar a melhoria provocada pela 
aplicação de fertilizantes.
De fato, os agricultores não adotam freqüentemente o uso de fertilizantes. Um 
levantamento de 1997 revelou que apenas 663 mil toneladas de fertilizantes NPK foram 
aplicadas anualmente a 90 milhões de hectares de pastagens introduzidas no Brasil, ou 
seja, cerca de 7,4 kg de adubo NPK/ha de pastagem por ano. Resultados de 
experimentos de pastejo conduzidos no leste e no Brasil central, nos "Cerrados", 
revelaram que a fertilização aumentou a produção de pastagens cultivadas de 150 a 400 
kg/ha/ano, independentemente do produto final de origem animal. A busca de fontes 
baratas de nitrogênio é sugerida como de suma importância para os ecossistemas de
pastagens, e obter produção animal de baixo custo.
A eficiência da adubação P é de 4,6 kg de PV/há/kg de P aplicado, enquanto que 
para a fertilização N, é de 1,6 a 2,0 kg GPV/ha/kg de N aplicado (reportado para 
40
pastagens tropicais no Brasil Central). A magnitude das respostas está associada com a 
taxa de lotação, experimentando quedas acentuadas no GPV/ha, quando a taxa de 
lotação é aumentada.
7.6 Suplementos
Durante o verão (úmido e quente), pastagens tropicais pode suportar taxas de 
lotação elevadas, chegando até 15 UA/ha. Esta capacidade de suporte é muito menor 
durante o inverno, com média de 10 a 40% dos valores de verão. Portanto, a 
intensificação dos sistemas de pastagens tropicais com base no verão deve considerar o 
uso de forragens conservadas ou subprodutos no inverno para garantir o equilíbrio entre a 
oferta e a demanda de alimentos durante todo o ano. Opções, tais como silagem (milho, 
sorgo ou gramíneas tropicais perenes), feno (gramíneas tropicais perenes), e vários 
subprodutos (citrus, cana, grãos de cerveja, etc.) estão disponíveis.
Sabe-se que as altas taxas de acúmulo de forragem de gramíneas tropicais 
favorecem o uso práticas de armazenamento. Contudo, deve-se considerar que, a 
estocagem e conservação da forragem produzida limita a produtividade animal em 
ambientes de pastagens, quanto à quantidade e qualidade da forragem, uma vez que 
longos períodos de rebrota são prejudiciais à qualidade da forragem, dada a redução no 
potencial de consumo de pasto, devido ao valor nutritivo da forragem e, em casos 
extremos, podem levar a morte da planta forrageira.
Para utilizar melhor a forragem de qualidade baixa de pastos diferidos (vedados) 
alguns agricultores estão utilizando suplementos protéicos (0,1% do peso do animal), 
contendo ionóforos para corrigir deficiências nutricionais no inverno (seco e frio). 
Enquanto alguns nutrientes são, na verdade corrigidos, os resultados parecem indicar que 
o GPV é o principal aditivo ao invés do suplemento.
Animais de pasto também podem se beneficiar da alimentação de suplementos
durante o período de verão/outono. Suplementação nessa época do ano tem como 
objetivo melhorar o desempenho individual, bem como a produção de produtos animais 
por unidade de área. Em empresas de laticínios, esta estratégia tem sido amplamente 
utilizada e parece que uma resposta semelhante, com média de 1,4 kg de leite/kg de 
suplementação concentrada, pode ser esperada para vacas em gramíneas temperadas e 
tropicais.
Para bovinos de corte melhores respostas para concentrar o uso de suplemento 
alimentar (e possivelmente de fibra degradável) parecem ocorrer no final do verão/outono 
em comparação com o início da estação de pastejo. Neste período, para animais 
pastando gramíneas tropicais suplementadas, são esperados GMD acima de 1 
kg/cabeça/dia, embora a conversão alimentar seja uma função do tipo de suplemento. 
Informações sobre o sincronismo entre as frações de carboidratos e proteína no rúmen e, 
conseqüentemente, a substituição de pastagens para concentrado DM/DM, e os elevados 
preços dos concentrados em regiões tropicais, parecem ser os fatores mais limitantes 
restringindo a adoção de programas de suplementação sobre o melhor programa de 
alimentação conseguido em fazendas.
Confinamento durante o inverno também é uma possibilidade de permitir alta 
capacidade de suporte em pastagens de gramíneas tropicais durante o verão. No entanto, 
o confinamento é economicamente questionável quando praticada em pequena escala, e 
com os preços dos grãos oscilando de alta e baixa disponibilidade de subprodutos.
Recentemente, pastagens tropicais irrigadas têm sido usadas para melhorar a 
capacidade de produção de carne e leite. Os custos de produção têm sido relatados em 
função do peso de carcaça de US$ 0,9/kg em pastagens tropicais irrigadas, ao mesmo 
tempo que os preços de venda da carcaça foram de US$ 1,36/kg. Estudos de análise de 
custos indicam que a adoção deirrigação de pastagens tropicais depende dos custos de 
41
produção no sistema da pastagem seca (sem irrigação), dos custos de produção global,
preço de venda, e do aumento da produtividade no sistema irrigado.
A seguir são apresentados diferentes pontos de vista de pesquisa e extensão, 
que dão uma idéia de futuro cenários possíveis para os sistemas de produção pecuária e 
seu potencial no Brasil. Estas conclusões foram descritas por Corsi et al. (2001):
1. Produção animal com base em sistemas de pastagens tropicais tem alto 
potencial de produtividade animal quando a fertilidade do solo é adequada (uso de 
fertilizantes), quando mais de 25.000 kg de leite ganho/ha/ano e 900 kg de peso 
vivo/ha/ano, podem ser obtidos.
2. Transferência de tecnologia nestes sistemas é limitada porque os animais e a 
terra são usados como uma reserva de capital e, nestas situações, os produtos de origem 
animal, são considerados subprodutos, ao invés de produtos. Políticas econômicas para 
produção de culturas de cereais e leguminosas, em vez de empresas pecuárias, também 
restringem a absorção de tecnologia. Esta freqüência faz pequenos criadores de gado 
incapazes de adotar a tecnologia necessária para gerenciar de forma eficiente e intensiva 
seus sistemas produtivos, além de determinar baixo interesse em adotar sistemas mais 
intensivos por agricultores e empresas capitalizados.
3. Práticas de armazenamento e de gramíneas e consórcios de gramíneas / 
leguminosas são as opções de gestão de pastagens quando são praticadas baixas taxas 
de lotação (até 1,2 a 2,0 UA/ha/ano). Taxas de lotação acima deste limite são necessárias 
para o uso eficiente de pastagens tropicais com altas taxas de crescimento potencial. 
Maiores taxas de lotação durante o verão devem considerar o uso de lotação rotacionada
e a necessidade de plano de alimentação no inverno, por exemplo, a utilização de 
forragens conservadas, confinamento ou pastagens tropicais irrigadas.
4. Gestão de gramíneas tropicais (principalmente para as gramíneas que formam 
touceiras) parece ter características diferentes em relação ao manejo de pastagens 
temperadas. Como as taxas de acúmulo de forragem em espécies tropicais aumenta
acima de 100 dias, manejo de pastagens tropicais devem ser orientados para qualidade 
da forragem e/ou estrutura da pastagem.
5. A suplementação de animais de pasto nos períodos de verão e outono em 
ambientes tropicais pode ser uma ferramenta valiosa para aumentar o desempenho 
animal individual.
6. O uso de fertilizantes parece ser um pré-requisito para sustentar a alta 
produtividade das pastagens. Porém devem ser adotadas práticas que aumentam a 
produtividade das pastagens, mantendo a qualidade do ambiente.
Com relação às pastagens, de acordo com Zimmer e Euclides (1997) é 
necessário desenvolver uma melhor qualidade da forragem, que pode proporcionar um 
melhor desempenho animal em períodos favoráveis de crescimento, bem como na seca. 
Ênfase especial deve ser dada para aumentar a produção na estação das chuvas, quando 
as condições são melhores, melhorando o desempenho animal neste caminho, onde a 
pastagem tropical disponíveis no momento não cumprir o potencial genético para ganho 
animal. Em períodos de seca as necessidades nutricionais de algumas categorias de 
animais devem ser atendidas por meio de alternativas de suplementação alimentar, uma 
vez que neste período de forragens não atendem às necessidades animal. É essencial 
que o melhoramento genético de forrageiras tenha foco na busca de leguminosas para a 
melhoria da dieta animal e, particularmente, para a fixação biológica de nitrogênio. 
Fixação de N biológico é importante para a sustentabilidade e para a redução de 
possíveis danos ambientais.
De acordo com a Confederação Nacional da Agricultura as principais demandas 
da empresa gado de corte são:
42
7.7 Demandas tecnológicas
a) Genética: seleção para características desejáveis, como precocidade e eficiência 
biológica, sobretudo de peso vivo e de carcaça, estudos sobre o volume e a quantidade 
de carne produzida, a produção de novilhos com gordura monoinsaturada, a obtenção de 
animais com maior ganho de peso vivo em menos tempo. 
b) Gestão nutricional: redução de custos de produção pelo baixo custo proporcional, pela 
redução de problemas relativos à perda de peso vivo em períodos de seca.
c) Produção de animais jovens: estudos comparativos (animais mais jovens / animais 
normais, rendimento de carcaça, sabor, maciez, suculência e aceitação pelos 
consumidores.
d) Caracterização da carne de búfalo "in natura": análise sensorial por sexo e idade do 
animal, sensibilidade relativa, sabor, qualidade visual, etc., e sua aceitação pelos 
consumidores; estudos sobre a estabilidade de carne durante o armazenamento.
e) Comportamento de doenças a nível da exploração e da necessidade para o seu 
controle eficaz: os esforços de pesquisa com base em dados reais.
7.8 Demandas não-tecnológicas
a) Avaliação dos produtos gerados: pesquisa de mercado para conhecer melhor os 
consumidores finais. 
b) Definição dos objetivos dos consumidores de saúde.
c) Produção de animais jovens: análise quantitativa para quantificar mercado e análise 
econômica clássica.
d) criação de animais: diagnóstico de reprodução. 
e) Re-dimensionamento de impostos em todos os componentes da cadeia de carne.
f) Melhoria dos laboratórios de controle de qualidade: insumos e produtos.
g) Aumento de relacionamento e de coordenação ao longo da cadeia.
h) Aumentar a eficiência dos negócios internacionais para negociar melhores acordos 
para a cadeia da carne.
8. PESQUISA E DESENVOLVIMENTO
Várias organizações, principalmente públicas, estão envolvidos em pesquisa e 
desenvolvimento agrícola. Em escala nacional, Universidades Federal, EMBRAPA e 
EMATER são instituições importantes. Em nível do Estado, devemos considerar os 
esforços de universidades públicas e / ou Institutos de Pesquisa financiados por cada 
estado. Investimento em pesquisa científica e tecnológica resultantes diretamente do 
Governo ou de fundações de pesquisa pode ser assumidas a ascender a cerca de 80 por 
cento do total.
Os principais esforços de pesquisa em geral estão sendo feitos nas seguintes 
áreas: melhoramento de plantas e animais com o foco principal sobre a produtividade e 
capacidade de lidar com ambientes hostis, tecnologias para a reabilitação de áreas 
degradadas, manejo de pastagem com foco em sistemas intensivos, nutrição animal com 
foco na alimentação sistemas.
Empresas privadas têm feito recentemente esforços, nomeadamente na genética 
animal e melhoramento de plantas. Algumas delas para fazer o trabalho de 
desenvolvimento e ajudar os agricultores como uma estratégia de mercado.
43
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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COMPILADO DE RELATÓRIOS E ARTIGOS DE DIVULGAÇÃO QUE ENVOLVEM AS 
PASTAGENS NO BRASIL NOS ÚLTIMOS ANOS
1. Censo Agropecuário de 2006
Os resultados do Censo Agropecuário de 2006 mostram que a área de lavouras 
no país aumentou 83,5% em relação ao Censo de 1996, enquanto a de pastagens 
reduziu-se em aproximadamente 3,0%, confirmando um modelo de desenvolvimento do 
setor com expansão das fronteiras agrícolas . Na Região Norte, foi verificado o maior 
aumento relativo na área de lavoura, 275,6%. Os menores incrementos foram observados 
no Sudeste (50,0%) e no Sul (48,8%), Regiões de ocupação mais consolidada. Num 
patamar intermediário, estão as Regiões Centro-Oeste (95,6%) e Nordeste (114,7%). 
Especialmente no Nordeste, o crescimento de 114,7% verificado na área de lavoura pode 
ter decorrido de mudanças metodológicas entre os dois Censos. O Censo aponta, 
também, substituição das áreas de pastagem por lavouras, na década 1996-2006, em 
razão da progressiva inserção do país no mercado mundial de produção de grãos 
(especialmente a soja) e da intensificação da pecuária. Os outros grandes números 
indicam, na década 1996-2006, aumento de 7,1% no número de estabelecimentos 
45
agropecuários, redução de 8,5% do pessoal ocupado e aumento dos principais rebanhos: 
bovinos (11,0%), suínos (14,9%) e aves (73,2%). 
O Censo verificou crescimento da participação relativa da área de lavoura em 
relação às áreas de pastagem e florestas que, em 1970, era de 4,5; em 1995, 4,2; e 
passou para 2,2 em 2006. Vale destacar que, embora os resultados sejam preliminares, a 
alteração de patamar na relação entre área de lavouras e área de pastagens é muito 
significativa e representa uma grande mudança na utilização das terras do país. 
46
2 A área de lavouras inclui as lavouras temporárias, lavouras permanentes e terras em descanso, enquanto as áreas de 
matas correspondem às matas e florestas nativas, florestas plantadas e aquelas destinadas à preservação permanente ou 
reserva legal, e silvicultura. Já a área de pastagens inclui pastagens naturais e plantadas. 
2. Pecuária se intensifica e se expande para o Norte.
Outra informação relevante é a interiorização e intensificação da pecuária bovina 
através dos dados do Censo Agropecuário 2006, que verificou a ocupação de novas 
áreas no leste do Pará, em praticamente todo o estado de Rondônia e no noroeste do 
Maranhão. Outra área de aumento de ocupação por bovinos é a faixa ao longo do Rio 
Amazonas e alguns afluentes importantes, desde o norte do Pará, seguindo em direção 
ao norte do Acre. 
Nas áreas onde já havia desenvolvimento da pecuária, sobretudo, nos estados 
de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, do Mato Grosso do Sul, Goiás e 
Mato Grosso, o Censo Agropecuário indica a intensificação da atividade. De modo geral, 
no centro-sul do país, o percentual das áreas de pastagem em relação às terras do 
estabelecimento diminuiu, o que está relacionado ao avanço das lavouras. No Nordeste, 
apesar de não se verificar uma mudança claramente marcada na distribuição das áreas 
onde as pastagens prevalecem, verifica-se a mesma tendência de intensificação pelo 
aumento da densidade de bovinos. 
Em relação aos últimos censos, o ritmo de crescimento da produção de leite caiu 
de 39,6% de 1985 para 1996, e 19,5%, de 1996 para 2006.
47
3. Aumenta a proporção da mão-de-obra familiar
Os dados preliminares sobre o pessoal ocupado nos estabelecimentos 
agropecuários em 31/12/2006, em relação ao censo de 1995/1996, mostram redução de 
8,5%, caindo de 17,9 milhões para 16,4 milhões de pessoas. Nesse período, subiu de 
75,9% para 78,0% a participação relativa dos membros das famílias dos produtores. Esse 
aumento foi generalizado no país, com exceções de certas áreas da Região Norte, em 
especial nos estados do Pará e do Amazonas. 
O aumento da participação da mão-de-obra familiar no Nordeste, em especial na 
região que se estende de Alagoas ao norte de Pernambuco, parece refletir o 
assentamento de famílias de trabalhadores agrícolas em regiões tradicionais de lavoura 
de cana-de-açúcar. Exceção para o oeste baiano, onde em uma área de agricultura 
empresarial ligada à soja, introduzida ainda na década de 1980, foi verificada maior 
proporção de empregados contratados sem laço de parentesco com o produtor. 
4. IDS 2010: país evoluiem indicadores de sustentabilidade, mas ainda há 
desigualdades socioeconômicas e impactos ao meio ambiente.
O país mantém o ritmo de crescimento econômico e evolui nos principais 
indicadores sociais, mas persistem desigualdades sociais e regionais. Apesar de 
melhorias importantes em alguns indicadores ambientais, ainda há um longo caminho a 
percorrer para a superação da degradação de ecossistemas, da perda de biodiversidade 
e da melhora significativa da qualidade ambiental nos centros urbanos. Em linhas gerais, 
é esse o diagnóstico dado ao Brasil pelos 55 Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 
2010 (IDS 2010), produzidos ou reunidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE). Dando continuidade à série iniciada em 2002 (com edições também 
em 2004 e 2008), a publicação tem o objetivo de, ao entrelaçar as dimensões ambiental, 
social, econômica e institucional, mostrar em que ponto o Brasil está e para onde sua 
trajetória aponta no caminho rumo ao desenvolvimento sustentável. A quarta edição do 
IDS revela, assim, ganhos importantes, mas indica que ainda há uma longa estrada pela 
frente para o Brasil atingir o ideal previsto em 1987 pela Comissão Mundial sobre o Meio 
Ambiente e Desenvolvimento (Comissão Brundtland): um desenvolvimento que atenda às 
necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras 
atenderem as suas próprias necessidades. Veja a seguir alguns dos destaques do IDS 
2010.
5. Dimensão ambiental mostra avanços, mas ainda há muito o que fazer.
Com 20 indicadores, divididos segundo os temas atmosfera; terra; água doce; 
oceanos, mares e áreas costeiras; biodiversidade e saneamento, a dimensão ambiental
do IDS mostra avanços importantes em algumas áreas, estabilidade em outras, mas 
ainda existem grandes desafios a serem superados no caminho da sustentabilidade 
ambiental. A seguir, alguns dos indicadores dessa área.
6. Focos de queimadas e incêndios florestais caem 63% entre 2007 e 2009
Entre 2007 e 2009, o número de focos de calor, que indicam queimadas e 
incêndios florestais, caiu de 188.656 para 69.702, uma redução de 63%. Nas unidades de 
conservação, parques e terras indígenas, a redução foi de 21.538 para 6.783, 68,5% 
menos, segundo informações do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
48
Entre os estados, o Acre teve a maior redução nos focos de calor entre 2007 e 
2009 (-93%, de 702 para 49), seguido por Roraima (-85,4%) e Rondônia (-84,2%). Os 
estados onde mais aumentaram os focos de calor no mesmo período foram Sergipe 
(121,3%, de 94 para 208), Paraíba (56,6%) e Alagoas (41%). Estima-se que as 
queimadas sejam responsáveis por grande parte das emissões brasileiras de CO2.
7. Desflorestamento diminui, mas atinge 14,6% da Amazônia Legal.
Após um período de crescimento quase contínuo da taxa anual de 
desflorestamento na Amazônia Legal (Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, 
Amapá, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso) entre 1997 (13.227 km² ao ano) e 2004 
(27.423 km²), quando atingiu um pico, o valor tem se reduzido nos últimos cinco anos, de 
acordo com dados do Inpe. Estimativas preliminares indicam uma área desflorestada para 
o ano de 2009 de 7.088 km², 74,1% menor que a de 2004. Entretanto, a área total 
desflorestada da Amazônia, que até 1991 era de 8,4% (426.400 km²), chegou a 14,6% 
(739.928 km²) em 2009.
A floresta Amazônica é o mais extenso dos biomas predominantemente florestais 
do território brasileiro. Em termos mundiais, abrange 1/3 das florestas tropicais úmidas do 
planeta e detém a mais elevada biodiversidade, o maior banco genético do mundo, além 
de 1/5 da disponibilidade mundial de água potável. Juntamente com as queimadas, o 
desflorestamento é o maior responsável pelas emissões de gases do efeito estufa no 
Brasil.
8. Restam menos de 10% da Mata Atlântica, e desmatamento é alto no cerrado.
Entre 2005 e 2008, foram desflorestados 1.028 km² da Mata Atlântica, um dos 
biomas mais ameaçados do mundo e que agora conta apenas com 133.010 km² de área 
remanescente, menos de 10% da original. As informações são da ONG SOS Mata 
Atlântica.
Já o cerrado, segundo maior bioma brasileiro, que abrange as savanas do centro 
do país, teve sua cobertura vegetal reduzida a praticamente a metade, de 2.038.953 km² 
para 1.052.708 km², com área total desmatada de 986.247 km² (48,4%) até 2008, sendo 
que 85.074 km2 (4,2% do total) foram destruídos entre 2002 e 2008, segundo dados do 
Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos 
Recursos Naturais Renováveis (CSR/Ibama) em conjunto com o Ministério do Meio 
Ambiente. O percentual de área desmatada neste bioma é maior que o verificado na 
Floresta Amazônica.
Entre 2002 e 2008, os estados que apresentaram, em termos absolutos, maior 
área desmatada foram Mato Grosso (17.598 km²), Maranhão (14.825 km²) e Tocantins 
(12.198 km²) e, em termos relativos, Maranhão (7,0%), Bahia (6,1%) e Mato Grosso 
(4,9%).
9. Desmatamento e queimadas lideram emissões de gases-estufa.
De 1990 a 1994, o total líquido da emissão de gases do efeito estufa no Brasil 
aumentou em 8,8% (de 1,35 para 1,48 bilhão de toneladas de CO2 eq
1), enquanto que, de 
2000 a 2005, o incremento foi de 7,3% (de 2,05 para 2,20 bilhões de toneladas), 
mostrando uma desaceleração. Considerando todo o período analisado (1990 a 2005) o 
crescimento das emissões foi de quase 40%.
As atividades relacionadas a mudanças no uso das terras e florestas – que 
incluem os desmatamentos na Amazônia e as queimadas no cerrado - contribuíram com 
49
57,9% do total das emissões líquidas (emissões brutas menos remoções) de gases de 
efeito estufa produzidos pelas atividades humanas em 2005. É importante frisar que o ano 
de 2005 foi um dos mais críticos em termos de desflorestamento na Amazônia e 
queimadas no Brasil. A agricultura apareceu em segundo lugar, com 480 milhões de 
toneladas de CO2 eq. (21%), por causa das contribuições do uso de fertilizantes 
nitrogenados e de calcário, perdas de matéria orgânica do solo e da emissão de metano 
em cultivos de arroz inundado. Os dados são do Ministério da Ciência e Tecnologia.
A produção de energia, que nos países mais desenvolvidos está em primeiro 
lugar na emissão de gases-estufa, ficou em terceiro lugar no Brasil, em 2005, contribuindo 
com 16% do total (362 milhões de toneladas de CO2 eq.). Isso se deve principalmente à 
natureza da matriz energética nacional, que tem forte participação de fontes renováveis 
de energia, com predomínio de hidrelétricas e de biomassa (lenha e biocombustíveis).
10. Área dos estabelecimentos agropecuários tem redução de 5,6%.
Houve redução de 19,9 milhões de hectares (5,6%) na área total dos 
estabelecimentos agropecuários brasileiros entre 1996 e 2006, segundo os Censos 
Agropecuários do IBGE. As pastagens naturais tiveram redução de 26%, as pastagens 
plantadas aumentaram 2,7% e as lavouras aumentaram 20,9%. O crescimento das áreas 
de lavouras e pastagens plantadas sobre as áreas de pastagens naturais representa 
aumento de produção por unidade de área, o que reduz a pressão sobre o recurso solo, 
mas, por outro lado, significa o aumento no uso de fertilizantes e agrotóxicos, e dos riscos 
de contaminação ambiental.
O Brasil se destaca no cenário mundial como o maior consumidor de agrotóxicos 
respondendo, na América Latina, por 86% dos produtos. Em 2005, os estados que mais 
consumiram agrotóxicos foram São Paulo (54.916,8 t.), Mato Grosso (32.112,5 t.), e 
Paraná (25.810,0 t.), e os que menos consumiram foram Acre (40,4 t.), Amazonas (31,6 
t.) e Amapá (4,6 t.).
Em relação aos fertilizantes, o ranking por estado é parecido: em 2008, os que 
mais tiveram fertilizantes entregues ao consumidor final também foram Mato Grosso 
(1.507.072 t.), São Paulo (1.376.770 t.) e Paraná (1.364.830 t.), e os que menos tiveram 
foram Acre (1.438 t.),Amazonas (2.323 t.) e Amapá (2.898 t.).
11. Quase metade da energia brasileira provém de fontes renováveis.
Em 2009, 47,2% da energia utilizada no Brasil era fruto de fontes renováveis, que 
podem fornecer energia continuamente, se adotadas estratégias de gestão sustentável, 
semelhante ao observado em 1992 (47,6%), início da série histórica. O que se verificou foi 
um período de queda até 2001, quando o índice chegou a 39,3%, resultado da queda na 
participação de hidrelétricas, da redução do consumo de lenha e carvão vegetal e do 
aumento da participação do gás natural na matriz energética brasileira. Já o crescimento 
a partir de 2002 (41%) se deveu principalmente ao aumento da utilização de biomassa 
(cana-de-açúcar), e em menor escala das chamadas fontes alternativas, como energia 
solar, eólica, biogás, , entre outras. Há que se ressaltar que mesmo fontes renováveis 
também causam impactos socioambientais.
A matriz energética brasileira ainda depende em grande parte de fontes não 
renováveis: 52,8% da energia produzida vêm de petróleo e derivados (37,8%), gás natural 
(37,8%), carvão mineral e derivados (4,8%) e urânio e derivados (1,4%). A dependência 
de fontes como essas pode não ser sustentável a longo prazo.
Todas as informações sobre energia são da Empresa de Pesquisa Energética 
(EPE).
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12. País ratificou mais de 30 acordos ambientais internacionais.
Desde os anos 60, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, o 
Brasil ratificou mais de 30 acordos internacionais multilaterais sobre meio ambiente; mais 
de um terço deles se refere à proteção de fauna e flora e seis documentos são relativos à 
conservação da camada de ozônio. A ratificação dos acordos não garante, porém, a sua 
aplicação de todo; além disso, alguns acordos internacionais não foram ratificados pela 
não identificação do problema envolvido ou da prioridade em tratá-lo no país.
Em relação aos conselhos de meio ambiente, um dos pilares da gestão local do 
desenvolvimento sustentável, eles existiam, em 2008, em 2.650 municípios brasileiros 
(47,6%), mas estavam efetivamente em atividade (haviam realizado pelo menos uma 
reunião em um período de 12 meses) em apenas 1.880 deles (33,8% do total). Dos 
conselhos ativos, 1.210 (64%) estavam em municípios das regiões Sul e Sudeste.
13. Investimento em Pesquisa e Desenvolvimento aumentou valores, mas não 
passa de 1% do PIB.
O investimento nacional em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) aumentou de R$ 
12 bilhões em 2000 para R$ 32,7 bilhões em 2008 segundo o Ministério da Ciência e 
Tecnologia. Esses valores correspondiam a 1,02% e 1,09% do Produto Interno Bruto 
(PIB), respectivamente, mostrando que a variação percentual foi pequena, apesar do 
incremento de valores absolutos.
Dos gastos com P&D em 2008, R$ 17,68 bilhões (54%) foram feitos em
investimentos públicos e os R$ 15,09 bilhões restantes em investimentos empresariais. 
Dos recursos públicos, R$ 12,07 bilhões vieram de órgãos federais e R$ 5,61 bilhões de 
estaduais.

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