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Exercicios de Portugues - Verbo

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do verbo da lacuna deve ser feita com “o que” (expressão composta pelo 
pronome demonstrativo “o” e pronome relativo “que”, equivalente a “aquilo que”). Assim, o 
verbo é conjugado na 3ª pessoa do singular, independentemente do número (singular ou plural) 
do elemento que vem após o verbo “ser” – “O que se segue (...) são as manifestações 
violentas...”. O verbo que preenche a lacuna fica no singular, pois. 
Além da concordância com a expressão “o que”, um dos casos de concordância mais 
especiais, e que merece o nosso comentário, é com o verbo ser (“... são as 
manifestações...”). 
Por estabelecer uma relação entre o sujeito e o seu predicativo, a concordância pode se dar 
tanto com o primeiro (Tudo é flores.) 
quanto com o segundo elemento (Tudo são flores.). 
Há, contudo, algumas regras que prevalecem sobre essa faculdade. 
 
 
Qualquer que seja a sua função sintática (sujeito ou predicativo), 
prevalece a concordância com o elemento que estiver representado por: 
1ª – um pronome pessoal reto: “Todo eu era olhos e coração. 
(Machado de Assis)”; 
2ª – uma pessoa, em detrimento de outro que seja uma “coisa” 
(substantivo, pronome substantivo, oração substantiva): “Ovídio é muitos poetas ao mesmo 
tempo, e todos excelentes.” (A.F.Castilho). 
Havendo elementos personativos (representam pessoas) em ambas as funções, a 
concordância é facultativa com o sujeito ou com o predicado, a não ser que em um deles haja 
um pronome pessoal, caso em que prevalece a concordância com este elemento (cai na 1ª 
regra de prevalência). 
Quando os dois elementos (do sujeito e do predicativo) forem “coisas” (substantivos, pronomes 
substantivos, orações substantivas), a concordância é facultativa, dando-se preferência à 
concordância com o elemento no plural: 
“Na vida, nem tudo são flores.”, “O resto são atributos sem importância.” 
Essa última regra apresenta a justificativa para a flexão no plural do verbo “ser” na questão. Ele 
concorda com o predicativo do sujeito por estar no plural – concordância preferencial. 
(B) Assim como no item (B) da questão 6, o verbo haver forma uma locução verbal com o 
verbo ter (tem havido) e, por ser impessoal, mantém o verbo auxiliar no singular – “Mesmo que 
não tenha havido outras razões...”. 
(C) A locução verbal formada pelos verbos dever (auxiliar) e ocorrer (principal) deve concordar 
com o sujeito “muita contestação”, mantendo-se no singular – “Ainda deve ocorrer nas 
periferias das grandes cidades, a despeito das medidas repressivas, muita contestação 
violenta por parte dos desempregados.”. Essa técnica de manter distantes verbo e sujeito é 
comumente empregada em questões de concordância. Por isso, preste bastante atenção. 
(D) Novamente, vemos uma locução verbal – VIR + A + TOMAR. 
Ainda observamos um pronome “se” que leva toda a construção para a voz passiva (tomar, na 
acepção empregada – adotar - é transitivo direto e apresenta idéia passiva: uma medida é 
tomada). O sujeito sintático da locução, porém, é o pronome relativo “que”, cujo antecedente, 
ou seja, o elemento com quem o verbo irá realizar a concordância, é medida. Como o verbo 
principal iria se manter no singular, o mesmo, então, deve ocorrer com o verbo auxiliar: “A toda 
e qualquer medida violenta que se venha a tomar contra os jovens...”. 
(E) Parece que o assunto dessa questão foi mesmo locuções verbais. 
Dessa vez, o verbo “precisar” é o auxiliar modal do verbo “preocuparse” – pronominal e 
reflexivo. Na ordem direta, feita a devida substituição, a construção seria: “Os responsáveis 
pelo Estado e pelo mercado precis... preocupar-se com a política de distribuição de renda.”. 
Note que o núcleo do sujeito é responsáveis. Assim, o verbo auxiliar irá também para o plural 
– precisam preocupar-se. 
Essa foi a resposta correta. 
A respeito da colocação pronominal, não trataremos desse assunto nessa aula. Teremos uma 
aula todinha dedicada ao valor, uso e colocação dos pronomes. 
 
14 - (CEAL – Advogado / Junho 2005) 
Justifica-se inteiramente o emprego na forma plural de ambos os elementos sublinhados na 
seguinte frase: 
(A))Já que se desprezam os atores, por que não se corrigem as mentiras da vida de cada um? 
(B) A esses eleitores impõem-se admitir os preconceitos de que se nutrem seu julgamento na 
hora de importantes decisões. 
 
 
(C) Nenhum dos votos, nas democracias, deixam de ter conseqüências, já que a todos se 
darão a mesma acolhida, com o mesmo peso. 
(D) O que nessas frases se sugerem, quanto ao ator e seus filmes, é que, por serem 
medíocres, a eles não se devem reagir senão com desprezo. 
(E) Teriam havido momentos, na História, em que se viessem a retribuir aos atores apenas 
com aplausos e homenagens? 
 
Gabarito: A 
 
Comentário. 
O examinador deseja saber em qual das opções ambos os verbos são empregados no plural. 
Vamos à análise de cada uma delas. 
(A) Verbo desprezar é transitivo direto, apresenta idéia passiva e está acompanhado do 
pronome “se” (apassivador). Resultado? Verbo no mesmo número do sujeito paciente – os 
atores. “Já que se desprezam os atores...”. Na seqüência, o verbo corrigir, transitivo 
direto, com idéia passiva e pronome apassivador. Qual é o sujeito paciente? “as mentiras da 
vida de cada um”, cujo núcleo é mentiras. Resultado? Verbo no plural também – “não se 
corrigem as mentiras ...”. É essa a resposta correta! 
(B) O que se impõe a esses eleitores? Resposta: “Admitir os preconceitos ...”. Sujeito 
oracional leva o verbo para a 3ª pessoa do singular – “A esses eleitores impõe-se admitir os 
preconceitos...”. 
Em seguida, o pronome relativo “que” se refere ao substantivo “preconceitos”. Contudo, 
devemos analisar qual o elemento que exerce a função de sujeito do verbo “nutrir”: “... os 
preconceitos de que se nutr... seu julgamento”. O sujeito é julgamento – ele (o julgamento) é 
nutrido dos (alimentado pelos) preconceitos. Assim, o verbo, que faz parte da construção 
passiva, deve com “julgamento” concordar – “...de que se nutre seu julgamento.”. Os dois 
verbos, portanto, devem ser empregados no singular. 
(C) Quando o pronome indefinido “nenhum” estiver acompanhado de substantivo no plural, o 
verbo deverá permanecer na 3ª pessoa do singular. Assim, o verbo auxiliar da locução formada 
por “deixar de ter” ficará no singular – “Nenhum dos votos, nas democracias, deixa de ter 
conseqüências...”. 
Em casos de concordância como locuções pronominais (algum de nós/vós, alguns de nós/vós, 
qual de nós/vós, quais de nós/vós, quem de nós/vós, muitos de nós/vós), aplicam-se as 
seguintes regras: 
- o verbo fica no singular quando o primeiro pronome (algum, qual, nenhum, quem) estiver no 
singular – essa regra também se aplica à expressão cada um de nós/vós; 
- se o primeiro pronome estiver no plural (quais, alguns) o verbo pode concordar com esse (3ª 
pessoa do plural) ou como pronome pessoal (1ª ou 2ª pessoa do plural). 
Essa segunda concordância tem um valor que transcende a questão gramatical. É uma 
questão de concordância ideológica, ou seja, uma escolha reveladora da posição do falante. 
Ao colocar o verbo na 1ª pessoa do plural, ele se inclui entre os elementos que praticam a 
ação. Por exemplo, em “muitos de nós sabem a verdade dos fatos.”, não se tem certeza se o 
falante se inclui ou não no rol de pessoas que sabem a verdade. Contudo, na construção 
“muitos de nós sabemos a verdade dos fatos.”, temos a certeza de que ele sabe, e, além dele, 
outros tantos. 
Ainda nessa questão, o verbo “dar”, que é transitivo direto e está sendo empregado na voz 
passiva pronominal, deve concordar com o sujeito paciente, representado por “a mesma 
 
 
acolhida”, permanecendo, também, no singular – “... já que a todos se dará a mesma acolhida, 
com o mesmo peso.”. 
(D) O verbo “sugerir”, acompanhado do apassivador “se”, deve concordar com a expressão “o 
que”, mantendo-se no singular – “O que nessas frases se sugere”. Como forma de