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Christiane Negri Advogada EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE JUNDIAÍ/SP. Processo nº 309.01.2009.011717-4/000000-000 Número de Ordem 1.966/2009 Recorrente: BANCO ITAÚ S/A Recorrida: MARIA D´URBANO MARIA D´URBANO, já devidamente qualificadoa nos autos acima, na Ação de Cobrança dos Expurgos da Poupança, que move contra BANCO ITAÚ S/A, tendo em vista a interposição de RECURSO, vem apresentar as suas CONTRARRAZÕES, pugnando pela manutenção integral da sentença de mérito. Termos em que, Pede Deferimento. Jundiaí, 27 de agosto de 2010. ___________________________ Christiane Negri – Advogada OAB/SP nº 266.501 Rua do Rosário, nº 496, 3º andar, salas 304, 305 e 306, Edifício Elisa, Centro, Jundiaí-SP., CEP: 13201-014 Tel.: (11) 4586-8650 / 7402-5320 E-mail: christiane.negri@ig.com.br CONTRARRAZÕES Recorrente: Banco Itaú S/A Recorrida: Maria D´Urbano Processo nº 309.01.2009.011717-4/000000-000 Número de Ordem 1.966/2009 EGRÉGIO COLÉGIO RECURSAL Não há subsistir, "data vênia", a pretensão da Recorrente em ver reformada a muito bem lançada sentença de fls., devendo ser mantida incólume por seus doutos e jurídicos fundamentos. 1) DA R.DECISÃO A respeitável decisão recorrida merece ser mantida, confirmando-a, e negando-se provimento ao recurso oferecido pelo Recorrente, eis que a mesma aplicou o Direito e assim se fez Justiça. 2) PRELIMINARMENTE 2.1) Da Legitimidade Passiva do Banco Itaú Argumenta o Réu que é parte ilegítima “ad causam” para responder aos termos da ação relativamente ao período em que o numerário esteve à disposição do Banco Central. Tal argumento é absurdo, sendo que o banco depositário original é o banco Réu. O Réu diz que as normas que versam sobre o direito do poupador à diferença de correção monetária são inconstitucionais e desta forma, a responsabilidade pelo pagamento de tais diferenças recairia sobre a União Federal normas que versam sobre o direito do poupador à diferença de correção monetária são inconstitucionais e desta forma, a responsabilidade pelo pagamento de tais diferenças recairia sobre a União Federal e o Banco Central. Tal argumento, não deve prosperar, tendo em vista a consolidação pelo Superior Tribunal de Justiça da legitimidade das instituições financeiras figurarem no pólo passivo das ações que visam recuperar as diferenças de correção monetária em caderneta de poupança. Fundamenta-se, tal decisão, no contrato existente entre a instituição financeira e o depositante, vejamos: “Civil. Contrato. Poupança. Plano Bresser (junho de 1987) e Plano Verão (janeiro de 1989). Banco Depositante. Legitimidade Passiva. Prescrição. Vintenária. Correção. Deferimento. 1 – Quem deve figurar no pólo passivo de demanda onde se pede diferenças de correção monetária, em caderneta de poupança, nos meses de junho de 1987 e janeiro de 1989, é a instituição bancária onde depositado o montante objeto da demanda. 2 – Os juros remuneratórios de conta de poupança, incidentes mensalmente e capitalizados, agregam-se ao capital, assim como a correção monetária, perdendo, pois, a natureza de acessórios, fazendo concluir, em conseqüência, que a prescrição não é a de cinco anos, prevista no art. 178, § 10, III, do Código Civil de 1916 (cinco anos), mas a vintenária. Precedentes da Terceira e da Quarta Turma. 3 – Nos termos do entendimento dominante nesta Corte são devidos, na correção de caderneta de poupança, o IPC de junho de 1987 (26,06%) e o IPC de janeiro de 1989 (42,72%). 4 – Recurso Especial não conhecido.(Resp 707151/SP, Relator Ministro Fernando Gonçalves, 4ª Turma, DJ. 17.05.2005). Grifo Nosso. “Econômico. Processual Civil. Banco Depositário. Legitimidade Passiva. Caderneta de Poupança. Critério de Atualização Monetária. Cruzados Bloqueados. IPC de março de 1990. Contas abertas ou renovadas na primeira quinzena. Correção Monetária. Critério. IPC de junho/86 e janeiro/89 (42,72%). I – Pertence ao banco depositário, exclusivamente, a legitimidade passiva ad causam para as ações que objetivam a atualização das cadernetas de poupança pelo índice inflacionário expurgado pelos Planos Bresser e Verão (MP n. 32 e Lei n. 7.730/89) (...). (REsp 235903, Relator Ministro Aldir Passarinho Junior, 4ª turma, DJ. 29/09/2001)”. Grifo Nosso. O argumento relativo à ilegitimidade passiva não pode prosperar haja vista que a instituição ré era responsável pela correção dos valores havidos nas contas de poupança do período relativo ao Plano Bresser, Verão e Collor I. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais em casos similares já decidiu acerca da responsabilidade das instituições bancárias, sendo induvidosa que a devolução dos valores depositados a menor deve ser realizada pela instituição bancária haja vista a relação contratual havida entre as partes: COBRANÇA - CADERNETA DE POUPANÇA - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - BANCO DEPOSITÁRIO - LEGITIMIDADE - - PRESCRIÇÃO VINTENÁRIA - PLANO BRESSER E PLANO VERÃO - JUNHO DE 1987 E JANEIRO DE 1989 - ÍNDICE APLICÁVEL. As diferenças de correção monetária não creditadas em cadernetas de poupança podem ser diretamente reclamadas das instituições financeiras, se o prejuízo resultou do ""Plano Bresser"" e do ""Plano Verão"", na medida que nestes casos foi mantido o contrato, ocorrendo apenas alteração do indexador (...). Processo número: 2.0000.00.503797-0/000(1). Data do acórdão: 12/01/07. AÇÃO DE COBRANÇA - CORREÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS DE CADERNETA DE POUPANÇA - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS - PLANOS BRESSER (JUNHO/87) E VERÃO (JANEIRO/89) - APELAÇÃO PRINCIPAL - LEGITIMIDADE PASSIVA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DEPOSITÁRIA ESPECIFICAMENTE NO PERÍODO SOB ANÁLISE - REJEITADA PRELIMINAR - PRESCRIÇÃO VINTENÁRIA - CORRETA A ATUALIZAÇÃO PELO IPC, NOS PERCENTUAIS PLEITEADOS (JUNHO/87 - 26,06% E JANEIRO/89 - 42,72%) - ENTENDIMENTO PACÍFICO DO STJ - IMPROVIMENTO - APELAÇÃO ADESIVA - JUSTOS OS HONORÁRIOS FIXADOS PELO DOUTO JUIZ PRIMEVO - IMPROVIMENTO. - Acertada a r. decisão a quo ao conferir legitimidade passiva ao banco réu para responder pela correção monetária nas cadernetas de poupança, nos meses de junho/87 e janeiro/89, sendo este entendimento pacífico do egrégio STJ; (Processo número: 1.0024.04.538946-7/001. Data do acórdão: 19/01/06). Além disso, como o valor depositado a menor para os poupadores permaneceu em poder das instituições bancárias, a devolução deste é medida que visa repelir o enriquecimento sem causa, fato este expressamente vedado pelo Código Civil Brasileiro: Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. O próprio Tribunal de Justiça de Minas Gerais se pronunciou sobre a configuração do enriquecimento ilícito por parte do banco depositário: (...) É devida a correção monetária integral relativa ao mês de janeiro de 1989 nas contas de caderneta de poupança, sob pena de enriquecimento ilícito do banco depositário. (Processo nº 1.0518.05.077907-4/001 -. Data do acórdão: 06/09/06). Assim sendo, a legitimidade passiva “ad causam” é do Banco Itaú S/A, ora Recorrente. Sustenta o Recorrente que em decorrência da competência constitucional da União Federal quanto ao regime monetário, ainda que se admita o direito do poupador à diferença de correção monetária e a inconstitucionalidade das normas do Plano Bresser sobre a matéria, não deve o banco réu arcar com os prejuízos advindos aos poupadores, posto que se limitou a cumprir as normas legais vigentes, sendo devido o respectivopagamento pela União Federal (Banco Central), ente responsável pela edição das normas de correção de saldo de conta poupança. Todavia, não assiste razão o Réu, na medida em que a relação jurídica decorrente do contrato de poupança é estabelecida entre a instituição financeira e o poupador, de modo que, pretendendo este o recebimento de qualquer valor decorrente do contrato em comento, deve demandar em face do banco e não de outro ente estranho à relação contratual. Em que pese a competência da União Federal para legislar sobre matéria financeira e monetária, sendo a relação contratual firmada entre os litigantes é o agente financeiro, gestor imediato da conta poupança, o responsável para responder pela presente demanda, arcando com as incorreções verificadas. Sobre o tema já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, in verbis: CIVIL. CONTRATO. POUPANÇA. PLANO BRESSER (JUNHO DE 1987) E PLANO VERÃO (JANEIRO DE 1989). BANCO DEPOSITANTE. LEGITIMIDADE PASSIVA. PRESCRIÇÃO. VINTENÁRIA. CORREÇÃO. DEFERIMENTO. 2.2) Da não denunciação da Lide No que se refere à incompetência absoluta da Justiça Estadual para julgar os feitos relativos ao Plano Collor, é mister salientar que a jurisprudência é uníssona ao afirmar que compete à Justiça Estadual o julgamento das ações concernentes aos expurgos inflacionários referentes aos Planos Bresser, Verão e Collor, mormente quando o pólo passivo é composto por empresa privada ou sociedade de economia mista, como é o caso dos autos. Nesse sentido, colaciono as decisões adiante transcritas: EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO DE COBRANÇA. CADERNETA DE POUPANÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA. PLANO BRESSER, PLANO VERÃO E PLANO COLLOR I E II. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. ILEGITIMIDADE ATIVA E INAPLICABILIDADE DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Afastadas tais preliminares, em conformidade com a fundamentação do Juízo a quo. (...) DENUNCIAÇÃO À LIDE DA UNIÃO FEDERAL. Incabível no caso concreto o pedido de denunciação à lide da União Federal, pois a competência para julgamento da presente ação de cobrança é da Justiça Estadual. Precedentes jurisprudenciais do TJRS e STJ. (...) APELO DO DEMANDANTE PARCIALMENTE PROVIDO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70021065578, Segunda Câmara Especial Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Agathe Elsa Schmidt da Silva, Julgado em 29/01/2008). (grifos nossos). EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO ORDINÁRIA AJUIZADA CONTRA O BANCO DO BRASIL. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. SÚMULA 42/STJ. 1. A ação ajuizada contra o Banco do Brasil S/A, objetivando o cálculo da correção monetária do saldo da conta vinculada ao PASEP e a incidência de juros, impõe a aplicação das regras de fixação de competência concernentes às sociedades de economia, uma vez que o conflito de competência não é instrumento processual servil à discussão versando sobre a legitimidade ad causam. 2. Destarte, sendo o Banco do Brasil uma Sociedade de Economia Mista, não se inclui na relação prevista no art. 109, I, da Constituição da República, de modo a excluir a competência da Justiça Federal, a teor do que preceitua a Súmula n.º 42 desta Corte: "Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento". 3. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo Estadual. (STJ, CC 43891 / RS CONFLITO DE COMPETENCIA 2004/0074173-0, Ministro JOSÉ DELGADO, DJ 06.06.2005 p. 173). De igual forma, não merece prosperar a alegação de ilegitimidade passiva do Banco demandado, ressaltando-se que a relação estabelecida entre as partes se dá em virtude de contrato de caderneta de poupança. Logo, não há que se falar em legitimidade passiva do Banco Central ou da União, mormente se os depósitos eram efetivados diretamente na instituição financeira requerida. Por oportuno, trago à lume decisão corroborando tal entendimento: EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO DE COBRANÇA. CADERNETA DE POUPANÇA. CORREÇÃO MONETÁRIA. PLANO BRESSER, PLANO VERÃO E PLANO COLLOR I E II. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. ILEGITIMIDADE ATIVA E INAPLICABILIDADE DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Afastadas tais preliminares, em conformidade com a fundamentação do Juízo a quo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. A instituição financeira depositária é parte legítima para a ação que versa sobre indexadores creditados a título de remuneração das cadernetas de poupança. (...) PRESCRIÇÃO. A prescrição é vintenária, conforme art. 177 do CC/1916, pois se trata de direito obrigacional, em que se discute o próprio crédito e não os seus acessórios. POUPANÇA. PLANO BRESSER. Entendimento no sentido da incidência do percentual de 26,06%, aplicando-se a Resolução n.º 1.336/87, e não o percentual de 18,02%, conforme a Resolução n.º 1.338/87. Precedentes jurisprudenciais. POUPANÇA. PLANO VERÃO. Incidência do IPC no percentual de 42,72% (Plano Verão), pois tal índice é o que melhor reflete a correção monetária nos períodos reclamados. Jurisprudência Pacífica. PLANO COLLOR I. Também é o IPC o índice aplicável às cadernetas de poupança com aniversário até o 15º dia. PLANO COLLOR II. FEVEREIRO DE 1991. O índice a ser aplicado nos casos de cobrança da diferença na remuneração das cadernetas de poupança ativas em fevereiro de 1991 (Plano Collor II) é o BTN. Lei nº. 8.088/90. Precedentes jurisprudenciais do TJRS e STJ. (...) APELO DO DEMANDANTE PARCIALMENTE PROVIDO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70021065578, Segunda Câmara Especial Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Agathe Elsa Schmidt da Silva, Julgado em 29/01/2008). Por conseguinte, considerando o reconhecimento da competência deste Juízo para processar e julgar o presente feito e da legitimidade do Banco Itaú para figurar no pólo passivo, incabível o pedido de denunciação à lide. 2.3) Da não ausência do interesse de agir Primeiramente, cumpre-nos ressaltar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a quem compete dar a última palavra em matéria de direito federal, consoante prescrito no artigo 105 da nossa Carta Magna, pacificou o entendimento de que a instituição financeira é quem tem legitimidade para responder por prejuízos na remuneração de conta de poupança. Não se pode aplicar o índice previsto na Medida Provisória 32/89 (Lei 7.730/89) nos contratos renovados anteriormente a sua edição, portanto, deve-se aplicar o índice previsto no Decreto n° 2.284/86, que era de 42,72%, vigente em 07 de janeiro de 1989, data da renovação dos contratos. Assim, plenamente aplicável ao caso a alegação de direito adquirido. Ao ser renovado o contrato de poupança, o ato se tornou perfeito e o direito advindo desta avença se integrou no patrimônio da pessoa. No caso em tela, mais do que direito adquirido, se trata de ato jurídico perfeito, que não poderia ser alterado pela Lei 7.730/89. A jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de Justiça é uníssona em reconhecer que a MP n° 32/89, convertida na Lei n° 7.730/89 não tem incidência sobre as contas de cadernetas de poupança com período mensal iniciado ou renovado antes de 15 de janeiro de 1989, reflexo de que uma nova lei não pode incidir sobre fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, sob pena de violar o ato jurídico perfeito. Vejamos: “I – Segundo jurisprudência do tribunal, o critério de remuneração estabelecido no art. 17, i da MP 32/89 (Lei 7.730/89) não se aplica às cadernetas de poupança abertas ou renovadas antes de 16 de janeiro de 1989. (...) (REsp 129933/SP, 4ª Turma, Relator Ministro Sálvio de Figueiredo, DJU 18/08/1997). “A NOVA REGRA DE REMUNERAÇÃO ESTABELECIDA NO ART. 17, I, DA LEI N. 7.730, DE 31/01/89, SOMENTE SE OPERA PARA O FUTURO, EM RESPEITO AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE, NÃO SE APLICANDO AS CADERNETAS DE POUPANÇA ABERTAS OU RENOVADAS ANTES DE 15/01/89. OS RENDIMENTOSDE JANEIRO/89 DEVEM SER CREDITADOS PELO IPC, NO PERCENTUAL DE 42,72%.” (CF. RECURSO ESPECIAL N. 43.055-0/SP.) 3) MÉRITO 3.1) Da Não Prescrição A alegação da prescrição é totalmente inverídica. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que neste tipo de ação os juros não são acessórios, razão pela qual aplica-se o prazo vintenário. Aplicando-se a regra do art. 2.208 do atual Código Civil, percebemos que prazo aplicável é o do Código Civil de 1916 (20 anos), portanto, os Autores propuseram a ação dentro do prazo prescricional. “Direito civil. Recurso especial. Agravo de instrumento. Diferença de aplicação de índices de correção monetária. Prescrição vintenária. Acórdão em consonância com jurisprudência pacífica do STJ. A ação para cobrança de juros relativos á diferença de aplicação de índice de correção monetária se sujeita à prescrição vintenária, e não á prescrição qüinqüenal. Precedentes. No cálculo da correção monetária para efeito de atualização de cadernetas de poupança, iniciadas e renovadas até 15 de jarneiro de 1989, aplica-se o IPC relativo áquele mês em 42,72%. Não se conhece do recurso especial, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. Agravo de instrumento não provido”. (grifos nossos) 3.2) Da Não Prescrição com relação aos juros remuneratórios A cobrança dos juros não está prescrita, pois são parcela do principal e não acessória como argumenta o Requerido. O que está em discussão é o valor do principal, composto por correção monetária e juros capitalizados. Sendo a parcela principal, aplica-se a prescrição vintenária relativa às ações pessoais do antigo Código Civil, prevista no art. 177 deste. Se o que se pretende é a percepção do principal, não se pode aplicar a regra prescricional concernente ao acessório, pois isso equivaleria à inversão da regra de que o acessório segue a sorte do principal (art. 59, CC/1916). O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que neste tipo de ação os juros não são acessórios, razão pela qual aplica-se o prazo vintenário, afastando, assim a prescrição. Vejamos: “Civil. Contrato. Poupança. Plano Bresser (junho de 1987) e Plano Verão (janeiro de 1989). Banco Depositante. Legitimidade Passiva. Prescrição. Vintenária. Correção. Deferimento. 1 – Quem deve figurar no pólo passivo de demanda onde se pede diferenças de correção monetária, em caderneta de poupança, nos meses de junho de 1987 e janeiro de 1989, é a instituição bancária onde depositado o montante objeto da demanda. 2 – Os juros remuneratórios de conta de poupança, incidentes mensalmente e capitalizados, agregam-se ao capital, assim como a correção monetária, perdendo, pois, a natureza de acessórios, fazendo concluir, em conseqüência, que a prescrição não é a de cinco anos, prevista no art. 178, § 10, III, do Código Civil de 1916 (cinco anos), mas a vintenária. Precedentes da Terceira e da Quarta Turma. 3 – Nos termos do entendimento dominante nesta Corte são devidos, na correção de caderneta de poupança, o IPC de junho de 1987 (26,06%) e o IPC de janeiro de 1989 (42,72%). 4 – Recurso Especial não conhecido.(Resp 707151/SP, Relator Ministro Fernando Gonçalves, 4ª Turma, DJ. 17.05.2005). Grifo Nosso. 3.3) Do Direito Adquirido Primeiramente, cumpre-nos ressaltar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a quem compete dar a última palavra em matéria de direito federal, consoante prescrito no artigo 105 da nossa Carta Magna, pacificou o entendimento de que a instituição financeira é quem tem legitimidade para responder por prejuízos na remuneração de conta de poupança. Não se pode aplicar o índice previsto na Medida Provisória 32/89 (Lei 7.730/89) nos contratos renovados anteriormente a sua edição, portanto, deve-se aplicar o índice previsto no Decreto n° 2.284/86, que era de 42,72%, vigente em 07 de janeiro de 1989, data da renovação dos contratos. Assim, plenamente aplicável ao caso a alegação de direito adquirido. Ao ser renovado o contrato de poupança, o ato se tornou perfeito e o direito advindo desta avença se integrou no patrimônio da pessoa. No caso em tela, mais do que direito adquirido, se trata de ato jurídico perfeito, que não poderia ser alterado pela Lei 7.730/89. A jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de Justiça é uníssona em reconhecer que a MP n° 32/89, convertida na Lei n° 7.730/89 não tem incidência sobre as contas de cadernetas de poupança com período mensal iniciado ou renovado antes de 15 de janeiro de 1989, reflexo de que uma nova lei não pode incidir sobre fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, sob pena de violar o ato jurídico perfeito. Vejamos: “I – Segundo jurisprudência do tribunal, o critério de remuneração estabelecido no art. 17, i da MP 32/89 (Lei 7.730/89) não se aplica às cadernetas de poupança abertas ou renovadas antes de 16 de janeiro de 1989. (...) (REsp 129933/SP, 4ª Turma, Relator Ministro Sálvio de Figueiredo, DJU 18/08/1997). “A NOVA REGRA DE REMUNERAÇÃO ESTABELECIDA NO ART. 17, I, DA LEI N. 7.730, DE 31/01/89, SOMENTE SE OPERA PARA O FUTURO, EM RESPEITO AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE, NÃO SE APLICANDO AS CADERNETAS DE POUPANÇA ABERTAS OU RENOVADAS ANTES DE 15/01/89. OS RENDIMENTOS DE JANEIRO/89 DEVEM SER CREDITADOS PELO IPC, NO PERCENTUAL DE 42,72%.” (CF. RECURSO ESPECIAL N. 43.055-0/SP.) 3.4) Do Pedido da Inicial - DO PRINCIPIO DA IGUALDADE, DA EQUIDADE E DA COMUTATIVIDDE NA APLICAÇÃO DA LEI AOS CONTRATOS A comutatividade, nos contratos exige a equivalência das prestações e o equilíbrio delas, no curso das contratações, pois, por ele, as partes devem saber, desde o início negocial, quais serão seus ganhos e suas perdas, importando esse fato a aludida eqüipolência das mencionadas prestações. Não obstante, tratando-se de negócio comutativo o equilíbrio entre débito e crédito deve estar presente tanto no momento da formação do negócio como na sua execução, fato este que não ocorreu no caso vertente, pois quando da assinatura do contrato a correção seria uma e quando da sua execução a correção aplicada foi totalmente divergente da contratada. Assim, o equilíbrio financeiro ou equilíbrio econômico dos contratos é a relação estabelecida inicialmente pelas partes. Essa relação deve ser mantida durante toda a execução do contrato, a fim de que o contratante não venha a sofrer indevida redução nos lucros normais, gerando enriquecimento ilícito para a parte contratada. Neste diapasão é pacifico o entendimento acerca da aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor nos contratos de crédito, independentemente da figura da pessoa que adquire tal bem indispensável na sociedade de hoje. O produto do Banco é o dinheiro ou o crédito, que são bens juridicamente consumíveis, sendo ele, portanto, fornecedor, desta forma, os mutuários ou creditados, não passam de consumidores. O Código de Defesa do Consumidor veio amparar a parte mais fraca nas relações jurídicas. Nenhuma decisão judicial amparara o enriquecimento sem justa causa. Toda decisão há que ser justa. (TJMG, REsp. n. 90.366-MG, rel. Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro, DJ/MG, 13/6/1997)Com efeito, a Constituição de 1988 determinou ao Estado promover, na forma da lei, a defesa do consumidor (art. 5º, inciso XXXII),BEVILÁQUA. Direito das obrigações, p. 155-156.Ministro José Augusto Delgado, do Superior Tribunal de Justiça, apud CAVALIERI FILHO.Revista de Direito do Consumidor, p. 104. Portanto, de aplicar-se as normas protetivas do código de defesa do consumidor ao contrato em apreço, com a possibilidade de adequar-se a execução do mesmo aos seus ditames, expurgando-o das cláusulas abusivas, eis que matéria de ordem pública, por garantido pelo artigo 170 da própria Constituição Federal. 3.5) Dos Planos Econômicos As cadernetas de poupança com data de aniversário compreendidas entre os dias 1 e15 de janeiro de 1989, deveriam ter a correção calculada pelo índice de 42,72% e não por 22,35%, como corrigido pelo Réu. O decreto 2.284/86 que estava em vigor até aquela data previa que o reajuste da poupança deveria ser feito com base no IPC/IBGE, que naquele mês foi de 42,72%. A Medida Provisória 32/89, do dia 15 de janeiro de 1989, mais tarde convertida na Lei 7.730/89, é que instituiu o novo índice, que só passou a vigorar após aquela data. O contrato de conta de poupança se renova a cada mês na data de seu aniversário, e por isso até a outra renovação deve-se observar as regras da época. Como a Medida Provisória n° 32 foi editada no dia 15/01/1989, não se pode aplicar o índice previsto nela nos contratos renovados anteriormente a sua edição, portanto, deve-se aplicar o índice previsto no Decreto n° 2.284/86, que era de 42,72%, vigente em 07 de janeiro de 1989. O Réu alega que apenas observou o princípio da legalidade ao aplicar o índice previsto na Lei n° 7.730/89. Conforme dito pelo Réu, a legalidade é realmente prevista na Constituição Federal de 1988, que impõe limites e determina a amplitude da atuação das pessoas. Porém, no caso em tela a questão é saber qual lei deve ser aplicada, e como os dois índices em discussão foram previstos em lei, ao se aplicar a correção do Decreto 2.284/86, não se está contrariando dispositivo constitucional, apenas fazendo a correta interpretação do mandamento legal aplicável ao caso. Plenamente aplicável ao caso a alegação de direito adquirido. Ao ser renovado o contrato de poupança, o ato se tornou perfeito e o direito advindo desta avença se integrou no patrimônio da pessoa. No caso em tela, mais do que direito adquirido, se trata de ato jurídico perfeito, que não poderia ser alterado pela Lei 7.730/89. A jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de Justiça é uníssona em reconhecer que a MP n° 32/89, convertida na Lei n° 7.730/89 não tem incidência sobre as contas de cadernetas de poupança com período mensal iniciado ou renovado antes de 15 de janeiro de 1989, reflexo de que uma nova lei não pode incidir sobre fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, sob pena de violar o ato jurídico perfeito. Vejamos: “I – Segundo jurisprudência do tribunal, o critério de remuneração estabelecido no art. 17, i da MP 32/89 (Lei 7.730/89) não se aplica às cadernetas de poupança abertas ou renovadas antes de 16 de janeiro de 1989. (...) (REsp 129933/SP, 4ª Turma, Relator Ministro Sálvio de Figueiredo, DJU 18/08/1997).” 3.6) DA LEI 7.730/89 – PLANO VERÃO CONCLUSÕES DA LEI 7.730/89 Assim, diante de todo o exposto acima é notório a existência do direito adquirido do Autor, em face da Instituição Financeira, no tocante aos expurgos inflacionários relativos ao período de janeiro/1989. A Lei 7.730/89, alterou as regras até então vigentes para as cadernetas de poupança, no entanto, as novas regras SÓ PODERIAM SER APLICADAS A PARTIR DE ENTÃO, POR TANTO, NÃO AFETARIA AS POUPANÇAS ABERTAS OU RENOVADAS ATÉ 15/01/1989. É pacifico o entendimento de nosso Tribunais quanto ao direito adquirido dos poupadores das cadernetas de poupança. Frisa-se ainda que, ao ser modificado o índice de correção depois de iniciado o mês correspondente, feriu o ato jurídico perfeito. ARGUMENTAÇÕES SOBRE AS LEIS QUESTIONADAS O procedimento adotado pela Instituição Financeira, ora Ré, contraria diretamente nosso ordenamento jurídico, tendo em vista a inobservância do disposto na legislação vigente a época. Assim já foi dito e merece ser repetido, o Egrégio Tribunal de Justiça, já pacificou entendimento de que a Instituição Financeira é responsável pelos prejuízos decorrentes dos valores aplicados em cadernetas de poupança. Vejamos: Econômico. Processual Civil. Banco Depositário. Legitimidade Passiva. Caderneta de Poupança. Critério de Atualização Monetária. Cruzados Bloqueados. IPC de março de 1990. Contas abertas ou renovadas na primeira quinzena. Correção Monetária. Critério. IPC de junho/86 e janeiro/89 (42,72%). I – Pertence ao banco depositário, exclusivamente, a legitimidade passiva ad causam para as ações que objetivam a atualização das cadernetas de poupança pelo índice inflacionário expurgado pelos Planos Bresser e Verão (MP n. 32 e Lei n. 7.730/89) (...). (REsp 235903, Relator Ministro Aldir Passarinho Junior, 4ª turma, DJ. 29/09/2001)”. Grifo Nosso. Desta feita, a Instituição Financeira, desacordo com nosso ordenamento jurídico, causou prejuízos que devem ser reparados, posto que uma lei nova não pode retroagir para causar danos a parte hipossuficiente, no caso em tela o Autor. 4) CONCLUSÃO Diante do exposto requer seja negado provimento ao presente recurso, mantendo o teor da sentença em sua integralidade, a qual julgou procedente os pedidos formulados na inicial. Agindo dessa maneira, a Egrégio Colégio Recursal realizará a mais respeitável JUSTIÇA. Jundiaí, 27 de agosto de 2010. ___________________________ Christiane Negri – Advogada OAB/SP nº 266.501