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03 - Operações com mercadorias - movimentações, apurações e tributos

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de descontos
As operações financeiras de empréstimos e descontos têm uma função 
passiva, isto é, de financiamento para a empresa.
Quando uma empresa toma um financiamento de R$10.000,00, por exem-
plo, esse montante foi para o caixa e a empresa passou a dever R$10.000,00 
para o banco.
D _ Caixa R$10.000,00
C _ Empréstimo Bancário R$10.000,00
Se, por exemplo, ela pagar R$11.000,00, significa que amortizou 
R$10.000,00 e mais R$1.000,00 na forma de juros.
C _ Caixa R$11.000,00
D _ Empréstimo Bancário R$10.000,00
D _ Juros Passivos R$1.000,00
As operações de desconto de duplicatas, cheques ou de cartão de crédito 
de fato são operações de empréstimo cujos títulos servem de lastro (garan-
tia) da operação. Assim o comportamento é análogo ao empréstimo. Há uma 
diferença importante: os juros são cobrados antecipadamente.
Exemplo: uma empresa tem o seguinte Balanço Patrimonial:
Ativo Passivo
Banco R$15.000,00
Dup. Receber R$100.000,00 Fornecedores R$205.000,00
Estoque R$80.000,00 Salários R$25.000,00
Imobilizado R$200.000,00 Capital R$90.000,00
Lucros Acum. R$75.000,00
Total R$395.000,00 R$395.000,00
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A duplicata de um fornecedor de R$70.000,00 vai vencer no dia seguinte 
e a empresa somente dispõe de R$15.000,00 no banco. Logo, ela precisa de 
mais R$55.000,00 de saldo para quitá-la. Negociando com o banco, a empre-
sa precisou retirar R$60.000,00 de suas duplicatas para realizar a negociação. 
Portanto, o banco cobrou R$5.000,00 de juros antecipadamente. Antes de 
realizar o pagamento, o balanço ficaria assim:
Ativo Passivo
Banco R$70.000,00
Dup. Receber R$100.000,00 Fornecedores R$205.000,00
(-) Dupl. Descontadas R$(60.000,00)
Estoque R$80.000,00 Salários R$25.000,00
Imobilizado R$200.000,00 Capital R$90.000,00
Lucros Acum. R$70.000,00
Total R$390.000,00 R$390.000,00
Após o pagamento a fornecedores:
Ativo Passivo
Banco -
Dup. Receber R$100.000,00 Fornecedores R$135.000,00
(-) Dupl. Descontadas R$(60.000,00)
Estoque R$80.000,00 Salários R$25.000,00
Imobilizado R$200.000,00 Capital R$90.000,00
Lucros Acum. R$70.000,00
Total R$320.000,00 R$320.000,00
Lançamentos de destinação do resultado
No final de um exercício contábil ou fiscal a apuração do resultado é 
um ponto fundamental. Ou bem a empresa obteve lucro ou, infelizmente, 
operou com prejuízo. Todas as contas de receitas, custos e despesas devem 
ser revertidas em uma única conta de apuração de resultado para se apurar o 
lucro ou o prejuízo. Vamos supor que a empresa no final do exercício tivesse 
os seguintes saldos nas contas abaixo.
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Operações com mercadorias: movimentações, apurações e tributos
Receita Operacional
R$120.000,00
Impostos s/ Vendas
R$25.000,00
CMV
R$40.000,00
Desp. Operacionais
R$35.000,00
Evidentemente, o principal é calcular o resultado. Para tanto, há a necessi-
dade de se fechar as contas de resultado (receita, custo e despesa) e transfe-
ri-las para uma única conta de apuração, como se poderá ver a seguir:
Resultado Operacional
R$25.000,00 R$120.000,00
R$40.000,00
R$35.000,00
R$100.000,00 R$120.000,00
R$20.000,00 Lucro
Receita Operacional
R$120.000,00 R$120.000,00
Impostos s/ Vendas
R$25.000,00 R$25.000,00
CMV
R$40.000,00 R$40.000,00
Desp. Operacionais
R$35.000,00 R$35.000,00
Ampliando seus conhecimentos
Cooperativismo e sindicatos no Brasil
(SINGER, 1999, p. 23-28)
O cooperativismo nasceu na Inglaterra, no final do século XVI, quando 
teve início a Revolução Industrial. Os trabalhadores das manufaturas, na 
época, eram qualificados e possuíam associações de ofício que controla-
vam o exercício profissional. Com a introdução das máquinas, esses traba-
lhadores começaram a sofrer a competição de fábricas, que empregavam 
pessoas não qualificadas, geralmente egressas do campo. Os produtos in-
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dustriais eram mais baratos do que os artesanais, de modo que em pouco 
tempo os trabalhadores manufatureiros ficavam sem trabalho.
As associações fizeram de tudo para impedir que as máquinas tiras-
sem o ganha-pão de seus membros, mas, debalde ações clandestinas 
violentas – como a queima das fábricas – foram reprimidas com vigor. 
Ao mesmo tempo, Robert Owen, um dos pais do socialismo, começou a 
pregar que a indústria em si é benéfica, ao baratear os bens de consumo, 
mas que ela deveria ser colocada sob o controle dos trabalhadores e que 
os resultados do trabalho em comum deveriam ser repartidos equani-
memente. Ele propunha que ao redor das fábricas se formassem aldeias 
cooperativas, em que os meios de produção seriam possuídos e geridos 
coletivamente. Durante sua longa vida, Owen criou aldeias com esse ca-
ráter, uma nos Estados Unidos e as demais na Inglaterra.
Na terceira década do século passado, o “owenismo” tornou-se um 
movimento de massas na Inglaterra e passou a inspirar o nascente movi-
mento das trade-unions. Owen assumiu a liderança das lutas operárias e 
orientou os sindicatos a formar cooperativas de produção cada vez que 
fizessem greves, tendo em vista tomar o mercado dos capitalistas. Nessa 
época, centenas de cooperativas foram formadas e em diversas oca- 
siões os sindicatos tentaram levar a cabo a estratégia de Owen. A classe 
capitalista reagiu desencadeando violenta ofensiva contra as organiza-
ções dos trabalhadores: fizeram lock-outs para expulsar os trabalhadores 
owenistas das empresas, organizaram listas negras contra o emprego de 
ativistas sindicais e obrigaram os empregados a assinar uma promessa 
de jamais se filiar a um sindicato.
Com isso, parte dos sindicatos teve de fechar e outros passaram à 
clandestinidade. Com o declínio do movimento operário, provavelmente 
muitas cooperativas também encerraram suas atividades. Mas, em 1844, 
um pequeno número de trabalhadores industriais fundou em Rochdale, 
um importante centro têxtil, uma cooperativa de consumo que eles cha-
maram “A Sociedade dos Pioneiros Equitativos”. Eram todos militantes 
operários owenistas ou cartistas (partidários de um grande movimento 
de massa na época, que lutava pelo sufrágio universal masculino). Eles 
adotaram oito princípios, que provavelmente decorriam da experiência 
das duas ou três décadas anteriores de cooperativismo.
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Operações com mercadorias: movimentações, apurações e tributos
Em resumo esses princípios eram os seguintes: 1.º) a sociedade seria 
governada democraticamente, cada sócio dispondo de um voto; 2.º) a so-
ciedade seria aberta a quem dela quisesse participar, desde que integrasse 
uma quota de capital mínima e igual para todos; 3.º) qualquer dinheiro a 
mais investido na cooperativa seria remunerado por uma taxa de juros, 
mas não daria ao seu possuidor qualquer direito adicional de decisão; 4.º) 
tudo o que sobrasse da receita, deduzidas todas as despesas, inclusive 
juros, seria distribuído entre os sócios em proporção às compras que fi-
zessem da cooperativa; 5.º) todas as vendas seriam à vista; 6.º) os produtos 
vendidos seriam sempre puros e de boa qualidade; 7.º) a sociedade deve-
ria promover a educação dos sócios nos princípios do cooperativismo; e 
8.º) a Sociedade seria neutra política e religiosamente.
Aplicando esses princípios, a Sociedade dos Pioneiros de Rochdale 
cresceu imensamente, alcançando dezenas de milhares de