Prévia do material em texto
LUTAS PARA HOMEM DIABÉTICO Introdução Segundo Vargas et al., (2014), a diabetes mellitus é uma das doenças crônicas que que acometem a população brasileira em grande proporção e é vista com gravidade para a saúde pública, uma vez que a prevalência aumenta com a idade. Trata-se de uma desordem metabólica que causa aumento da glicose no sangue (hiperglicemia). Segundo Vargas et al., (2014), a diabetes se apresenta em duas formas, sendo chamadas de Diabetes tipo 1 e tipo 2, baseando-se na etiologia da hiperglicemia para classifica-las. A de tipo 1, que é aproximadamente 5 – 10% dos casos, se caracteriza pela deficiência da insulina, já a tipo 2 caracteriza pela incapacidade da insulina exercer corretamente seus efeitos nos tecidos, que pode causar disfunção ou falência de órgãos, a diabetes tipo 2 corresponde aproximadamente 90 – 95% dos casos de diabetes. Segundo Gomes et al., (2019), a hiperglicemia pode causar outras complicações categorizadas como micro ou macro vasculares, que resultam em retinopatia, nefropatia, neuropatia, doenças coronarianas, doença cerebrovascular e doenças arterial periférica. Devido determinadas disfunções, sendo pacientes controlados ou não, alguns cuidados devem ser tomados na prescrição do treinamento, cuidados com o paciente e isso influenciará na vida dele como um toso, alimentação, tipos de exercícios. Segundo Barrile et al., (2015), é recomendado que tenha ao menos 3 sessões semanais, pois se sabe que o aumento da sensibilidade à insulina associado ao exercício físico, não permanece por mais de 72 horas. Características do aluno Gênero: Masculino Idade: 50 Altura:1,78 Peso: 90 kg Tipo de diabetes: Tipo 2 – Insulinodependente e diminuição do percentual de gordura. Objetivo: Interromper utilização da insulina exógena. Disponibilidade: 3 a 6 sessões semanais. Diabetes Necessidades do paciente com diabetes De acordo com Novaes et al., (2002), as necessidades podem ser de recompensa pessoal, como, por meio do equilíbrio da doença, já que tem se esforçado para tal. Segurança quantos aos resultados, acompanhar prescrições do médico, e não sentir resultados irá desmotivar ao tratamento. Aceitação da doença, o fato de forma preconceituosa desestimula o tratamento, muitas vezes ocorre na própria família por superproteção. Orgulho do que faz, apoio constante em seu desempenho. Para Cardoso et al., (2016) o diabético tipo dois, como supracitado, tem deficiência na sensibilidade da célula ao reconhecer a insulina, logo o paciente precisa aumentar a captação de glicose pela célula, diminuindo ou extinguindo a aplicação de insulina exógena. Benefícios da atividade física para diabéticos Segundo Cardoso et al., (2016), o treinamento aeróbico associado ao resistido aumenta a sensibilidade de capitação da insulina pela célula, diminuindo a hiperglicemia, fazendo com que controle para o paciente co diabetes tipo 2 e que o paciente com diabetes tipo 1 diminua a dosagem da insulina exógena, ou mesmo os com diabetes tipo 2 mais avançado podem até deixar de necessitar a insulina exógena. Assim a pratica regular de exercício físico diminui taxas de morbidade e mortalidade em diabéticos de ambos os tipos, além de melhorar a qualidade de vida. Cuidados com diabéticos Os profissionais da saúde que acompanham esse paciente devem tem controle da alimentação, sendo o que em que horário come, qual tipo de insulina exógena o paciente utiliza e qual seu pico de ação (se o mesmo fizer uso), qual horário e parte do corpo foi aplicada insulina, pois segundo Cardoso et al., (2016), se trabalhar com muita intensidade na região aplicada, a chance de hipoglicemia no exercício aumenta. Pré treinamento Antes do treinamento, como supracitado, o profissional deve saber o que o aluno ingeriu, em que horário, se insulinodependente, qual horário da última aplicação e tipo de insulina utilizada, além de ser recomendado fazer aferição da glicemia antes do treinamento no paciente. Segundo Cardoso et al., (2016), se a glicemia estiver abaixo de 100 mg/dL nos adultos ou 120 mg/dL nas crianças / adolescentes, fazer ingestão de 20 – 30 g de carboidrato antes de iniciar. Se estiver acima de 300 mg/dL e/ou com cetose (acidose causada por corpos cetônicos), deve-se evitar o exercício. Durante o treinamento Segundo Cardoso et al., (2016), é muito comum diabéticos terem hipoglicemia durante o exercício, a hipoglicemia é definida por valores inferiores a 70 mg/dL da glicemia e/ou presença de sintomas como, fraqueza, sudorese, tremor, nervosismo, dor de cabeça, visão turva, confusão mental, desmaio e coma, podendo ocorrer durante, após ou ate mesmo horas após o exercício. É recomendado que a glicemia seja mensurada pré, durante e pós exercícios, para conseguir, principalmente em iniciantes ou com graus mais elevados da doença, ou quando houver mudança do programa de treino, modificando, volume, intensidade e tipo de treinamento). O diabético, se insulinodependente não deve se exercitar no horário de pico da insulina, para evitar hipoglicemia, por isso a importância do profissional saber qual tipo de insulina utilizada. Não é recomendado injetar a insulina exógena no músculo que será trabalhado no dia, pois segundo Cardoso et al., (2016), pode causar hipoglicemia. Importante também evitar de exercitar-se a noite, pois aumenta o risco de hipoglicemia durante o sono, dificultando identificação dos sintomas, caso exercite a noite, recomenda-se ingestão de carboidrato antes e após a prática, assim também quando fizer uma atividade vigorosa ou de longa duração. Cuidados no dia a dia do diabético É recomendado segundo Cardoso et al., (2016), que o diabético tenha em seu dia a dia alimentação, sono e injeção de insulina e treinamento em horários fixos, isso ajudará a adequar melhor todas essas variáveis que podem ajudar ou atrapalhar seu treinamento ou tratamento, para que o mesmo tenha qualidade de vida. Recomendações de treinamento Segundo Cardoso et al., (2016), o paciente com diabetes deve realizar treinamento aeróbio, sendo completado com o resistido, sempre com volume e intensidade estabelecidas, sendo pacientes com ou sem outras doenças associadas, podendo modificar alguma recomendação ou não. Pacientes diabético controlados e sem outras doenças associadas, segundo Cardoso et al., (2016), o treinamento aeróbio deve ser de 3 a 7 vezes por semana com 20 a 60 minutos de duração com intensidade leve a moderada, sendo a moderada (40 – 60% VO2 máx ou 50 – 70% FC máx), progredindo para intensidades mais elevadas (>70% FC máx). Ao final da semana o indivíduo deve somar ao menos 150 minutos de atividade, porém melhores resultados virão somente após 300 minutos semanais. Já o treinamento resistido para esses pacientes ainda sem doenças associadas, a recomendação segundo Cardoso et al., (2016), é de 2 a 3 vezes por semana, iniciando lentamente com apenas 1 série de 10 a 15 repetições, com cargas leves, progredindo gradualmente para até 3 séries de 8 a 12 repetições com carga vigorosa (60 – 80% de 1RM). No caso de diabéticos com complicações e/ou outras doenças associadas treinamento físico e resistido devem se manter com intensidade leve a moderada, respeitando as limitações das outras doenças associadas. As séries de exercícios no treinamento resistido deve incluir diferentes grupos musculares ou alternando seguimentos. Quanto ao treino de flexibilidade o diabético não tem limitações, a não ser que essas limitações venham através de outras doenças associadas. Segundo Mendes et al., (2016), recomenda acumulação semanal de ao menos 150 minutos de exercício aeróbio com intensidade moderada (40 – 59% FC reserva; 55 – 69% FC máx; ou 12 – 13 PSE (6 – 20 pontos)), distribuídos no mínimo 3 vezes por semana e sem mais de 2 dias consecutivos sem exercício. Prescrição Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Muay thai Resistido + Aeróbio Muay thai Resistido + Aeróbio Muaythai Resistido + Aeróbio De segunda, quarta e sexta, o aluno fará treinamento de muay thai, de duração de 60 minutos, variando entre, picos entre 70 – 80% FC máx e 40 – 60% FC máx. Na terça, quinta e sábado, o treino terá aproximadamente 60 minutos, com treinamento resistido combinado ao aeróbio, mantendo a frequência cardíaca entre 70 – 80% FC máx, intercalando 2 exercícios de resistência com uma série de 3 a 5 minutos de aeróbio, buscando atingir a frequência cardíaca alvo (70 – 80% FC máx). O treinamento resistido terá divisão A e B, sendo superior e inferior respectivamente, alcançando fala concêntrica em todos os exercícios resistidos. O aeróbio será trabalhado com a especificidade do muay thai, sendo com golpes em aparadores, em dias de treino A resistido, serão trabalhados mais membros superiores no aeróbio específico, no dia de treino B resistido, serão movimentos de membros inferiores, permitindo que o aluno tenha um seguimento menos trabalhado, que será onde o mesmo aplicará a insulina no dia respectivo. Periodização elaborada para o paciente Formas de avaliação Analisar valores da planilha de controle da glicemia em jejum no período de treinamento, fazendo comparações entre os valores deste período até as avaliações trimestrais, conjuntamente com analise das medidas antropométricas e exames periódicos do médico. Valores de variáveis agudas Segundo Moro et al., (2012), quanto mais intenso o exercício aeróbio, melhor será o controle glicêmico e a sensibilidade à insulina, além da melhora do VO2 máx. Conclusão Baseado nos estudos analisados, conclui-se que o treinamento aeróbio conjuntamente com o resistido, pode gerar novas adaptações fisiológicas nas células, melhorando a captação de glicose, diminuindo ou extinguindo a injeção de insulina exógena no paciente com diabetes tipo 2. O treinamento de luta, auxiliará como treinamento aeróbio como questão motivacional e treinamento global, trabalhando o corpo como um todo. Referências Barrile, Silvia Regina. Coneglian, Camila Borin. Gimenes, Camila. Conti, Marta Helena Souza. Arca, Eduardo Aguilar. Rosa Junior, Geraldo EFEITO AGUDO DO EXERCÍCIO AERÓBIO NA GLICEMIA EM DIABÉTICOS 2 SOB MEDICAÇÃO. Rev Bras Med Esporte – Vol. 21, No 5 – Set/Out, 2015. Cardoso Junior, Crivaldo Gomes et al. 1º edição Barueri. Editora Manole Ltda 2016 Gomes, et al. 2019. Desenvolvimento de um programa de educação em Diabetes como ferramenta para a promoção da mudança de hábitos de vida: Relato de experiência. Revista Atenas Higéia. Mendes, R. Souza. Reis, V. M. Barata, J. L. Themudo. Programa de exercício na diabetes tipo 2. Revista Portuguesa de Diabetes 2011;06 (2): 62-70. Novaes, L. et al. Diabetes dia a dia. 2a edição. Rio de Janeiro: Editora Revinter, 2002. Vargas, Liane da Silva; Lara, Marcus Vinícius Soares; Carpes, Pâmela Bilig Mello; Influência da diabetes e a prática de exercício físico e atividades cognitivas e recreativas sobre a função cognitiva e emotividade em grupos de terceira idade. 2014. Revista brasileira e geriatria e gerontologia.