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Cotovelo – Fraturas e Luxações (Fisiopatologia e Tratamento Fisioterápico) Discente: Dayanny Ferreira de Araújo - 201502322781 Data: 23/04/2019 A articulação do cotovelo difere da maioria das articulações pelo fato de ser composta por três ossos: úmero, ulna e rádio, razão pela qual também é chamada de articulação composta. Esses três ossos encontram-se envolvidos por uma cápsula articular comum, de modo que o cotovelo é só uma articulação. No que se refere ao espaço, mas do ponto de vista funcional, as três articulações oferecem possibilidades motoras diferentes. As articulações que compõe o cotovelo são: úmero-ulnar, umeroradial e radioulnar proximal. Temos o ligamento colateral ulnar, ligamento colateral radial. Apresenta dois grupos musculares característicos, os músculos flexores de localização anterior (bíceps braquial, braquial, braquiorradial, coracobraquial) e os extensores que se dispõem no compartimento posterior do braço (tríceps braquial e ancôneo). Na avaliação do cotovelo se faz necessário realizar a goniometria para visualizar a amplitude de movimento e quantificar, realizar-se a palpação da região afim de identificar pontos dolorosos, outro ponto importante é avaliar o end fell fisiológico e se há presença de end fell patológico. Fraturas da extremidade distal do úmero As fraturas do úmero distal correspondem a 30% das fraturas do cotovelo nos adultos e de 2% a 6% de todas as fraturas. Apesar de não terem uma grande frequência, são responsáveis por graves sequelas que levam a importantes limitações do membro superior. Tem incidência maior em jovens do sexo masculino e em mulheres nas idades mais avançadas. O prognóstico é pior quanto maior a fragmentação óssea, lesões associadas, fraturas expostas, sínteses instáveis e imobilizações prolongadas. As lesões neurovasculares, em sua maioria, são alterações transitórias (neuropraxias – sejam por tração, compressão ou contusão). O exame neurológico é indispensável. O tratamento das fraturas articulares do úmero distal no adulto visa restabelecer a congruência articular, manter a estabilidade dos fragmentos e mobilizar precocemente o cotovelo para evitar rigidez. Fraturas do olécrano O processo do olécrano se encontra subcutâneo na região posterior do cotovelo, estando mais vulnerável ao trauma direto. Junto com a porção proximal do processo coronóide, o olécrano forma a incisura sigmoide maior da ulna, permitindo movimento de flexo-extensão e conferindo estabilidade a articulação do cotovelo. A fratura pode ocorrer de três formas: - Trauma direto: queda sobre o cotovelo em flexão ou golpe direto no olecrano, muitas vezes resultando em fraturas multifragmentadas. - Trauma indireto: queda sobre a mão estendida com o cotovelo em flexão, acompanhado por forte contração do tríceps, podendo resultar em fratura transversa ou oblíqua. - Trauma direto e indireto combinados. Classificação: Tipo I: fraturas sem desvio (desvio menor que 2mm) Tipo II: fraturas com desvio. IIA - fraturas por avulsão; IIB - fraturas oblíquas ou transversas; IIC - fraturas multifragmentadas. Fratura da cabeça do rádio As fraturas da cabeça do rádio são causadas por queda com a mão espalmada, com o antebraço discretamente fletido e pronado. A fratura ocorre com impactação da cabeça do rádio no capítulo. Isso pode ocorrer com um trauma axial isolado, com a luxação posterior do cotovelo ou nas fraturas de monteggia. Fraturas sem desvio da cabeça do rádio e sem bloqueio da pronossupinação são tratadas de modo não operatório. Uma tipoia simples é usada para analgesia por 2 a 3 semanas, permitindo ganho de amplitude do cotovelo imediata. Fratura da cabeça do rádio com desvio ou bloqueio da pronossupinação, o tratamento cirúrgico é indicado. As luxações do cotovelo em dois principais padrões: Luxação póstero-lateral rotatória O tipo mais comum de luxação do cotovelo, o mecanismo de trauma decorre de queda com a mão espalmada, com um estresse em valgo, compressão axial e força em rotação póstero-lateral. As lesões capsulo-ligamentares se iniciam na região lateral e progridem para a região medial, através de um mecanismo chamado de “rotatório póstero-lateral”. Luxação póstero-medial em varo Esse é um tipo raro de luxação, a característica mais marcante é a fratura da faceta antero-medial do processo coronoide associada a lesão do ligamento colateral lateral e/ou a fratura do olecrano. O mecanismo de trauma decorre da queda com a mão espalmada, com estresse em varo, compressão axial e força rotacional póstero-medial. Independentemente do mecanismo, os ligamentos colaterais laterais (LCL) e mediais (LCM), são tipicamente avulsionados na sua origem nos epicôndilos. Tríade Terrível (luxação do cotovelo, fratura da cabeça do rádio e fratura do coronóide) A tríade terrível tem classicamente indicação cirúrgica. A fixação interna da cabeça do rádio ou artroplastia é realizada, assim como o reparo ligamentar lateral e reinserção da cápsula anterior. Em alguns casos, o cotovelo pode permanecer instável apesar de todo o reparo adequado. Nessas situações, o uso de um fixador externo articulado por 6ª 8 semanas é necessário. Tratamento Fisioterápico O tratamento fisioterápico baseia-se em medidas para realizar analgesia na região, fortalecimento muscular, manutenção ou recuperação da amplitude de movimento. Pode ser utilizado a crioterapia, ultrassom no modo pulsado, TENS, posicionar a articulação adequadamente, exercícios de alongamento, exercícios progressivos excêntricos e concêntrico do punho. A cinesioterapia é o principal recurso na reabilitação do cotovelo, ajudando a eliminar ou reduzir a limitação funcional e a incapacidade, além de ajudar a reduzir a ocorrência de lesões secundárias ou recidivas. Os objetivos consistem principalmente em aliviar o desconforto ou dor e estabelecer a mobilidade e funcionalidade do cotovelo. Referência POZZI, I.; REGINALDO, S.; ALMEIDA, M.V.; CRISTANTE, A.E. Manual de trauma ortopédico. São Paulo: SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, 2011.