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ETEC ESCOLA TÉCNICA DE MAIRINQUE Curso técnico em Química Beatriz Bezerra da Silva Lucimara Guedes dos Santos ESTUDO DA QUALIDADE DO AR DA CIDADE DE ALUMÍNIO Mairinque 2018 Beatriz Bezerra da Silva Lucimara Guedes dos Santos ESTUDO DA QUALIDADE DO AR DA CIDADE DE ALUMÍNIO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso Técnico em Química da Etec de Mairinque, orientado pelo Profº Everton da Paz, e co- orientado pelo Profº Vinícius Cesar Dias como requisito parcial para obtenção do título de técnico em Química. RESUMO Neste estudo, objetivamos observar a qualidade do ar da cidade de Alumínio, São Paulo, vista através da perspectiva dos moradores do município. A região estudada, de forma geral, possui diversas atividades antrópicas – como a metalurgia – que aumentam a poluição atmosférica, afetando, consequentemente, a saúde da população e do meio ambiente. Ainda, neste trabalho, encontram-se estudos sobre três aspectos: os principais poluentes atmosféricos, a relação dos poluentes atmosféricos com o meio ambiente e a relação dos mesmos com a saúde humana. Após o levantamento bibliográfico acerca do tema, procedemos com aplicações de questionários com perguntas abertas e fechadas aos moradores da cidade. Os resultados indicaram que o nível de poluição atmosférica da região é acentuado, e que os órgãos fiscalizadores e as entidades municipais não atenderam rigorosamente a legislação referente à qualidade do ar, sobretudo no quesito disponibilidade dos dados e informações, justamente as de maior importância aos moradores do município, que são diretamente afetados pelas emissões dos poluentes atmosféricos. Palavras-chaves: Qualidade do ar. Poluição atmosférica. Saúde Pública. ABSTRACT In this study, we aimed to observe the air quality of the city of Alumínio, São Paulo, seen from the perspective of the residents of the municipality. The region studied, in general, has several anthropic activities - such as metallurgy - that increase atmospheric pollution, consequently affecting the health of the population and the environment. Also, in this work, there are studies on three aspects: the main atmospheric pollutants, the relation of the air pollutants with the environment and the relation of the same with the human health. After the bibliographic survey about the theme, we proceeded with applications of questionnaires with open and closed questions to the residents of the city. The results indicated that the level of atmospheric pollution in the region is accentuated, and that the inspection and municipal agencies did not strictly comply with the air quality legislation, especially in terms of the availability of data and information, precisely those of greater importance to the residents of the municipality , which are directly affected by emissions of air pollutants. Keywords: Air quality. Atmospheric pollution. Public health. LISTA DE ABREVIATURA AVC – Acidente Vascular Cerebral C2H4O - Acetaldeído CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental CH4 - Metano CO – Monóxido de Carbono CO2 – Dióxido de Carbono CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente DCNT – Doenças Crônicas Não Transmissíveis HC – Hidrocarbonetos H2CO – Formoldeído HFC - Hidrofluorcarbonetos H2SO3 – Ácido Sulfuroso MEC – Ministério da Educação MMA – Ministério do Meio Ambiente MP – Material Particulado MS – Ministério da Saúde NO – Óxido Nítrico NO2 – Dióxido de Nitrogênio O3 – Ozônio O2 – Oxigênio OMS – Organização Mundial da Saúde PCVC – Poluentes Climáticos de Vida Curta RCHO – Aldeídos SO2 – Dióxido de Enxofre S – Enxofre THC – Hidrocarbonetos totais SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 7 2 METODOLOGIA .......................................................................................................................... 9 3 CIDADE DE ALUMÍNIO ............................................................................................................. 10 3.1 Características climatológicas e topográficas ............................................................................ 11 4 AR ATMOSFÉRICO ................................................................................................................... 12 4.1 Gases que compõem o ar ......................................................................................................... 12 4.2 Poluição atmosférica e os principais poluentes ......................................................................... 13 5 POLUIÇÃO E O MEIO AMBIENTE ............................................................................................ 19 5.1 Principais impactos dos principais poluentes no meio ambiente ................................................ 19 6 POLUIÇÃO E A SAÚDE ............................................................................................................. 22 6.1 Poluição atmosférica e as principais doenças ........................................................................... 22 6.2 Principais características das doenças ...................................................................................... 23 7 LEGISLAÇÃO RELATIVA À QUALIDADE DO AR NO BRASIL .................................................. 35 7.1 Meio ambiente e a Constituição Federal .................................................................................... 35 7.2 A qualidade do ar e as resoluções do CONAMA ....................................................................... 36 7.3 Legislação do estado de São Paulo .......................................................................................... 38 8 RESULTADOS E DISCUSSÕES ............................................................................................... 40 8.1 Pesquisa com moradores da cidade de Alumínio ...................................................................... 40 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................... 48 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................. 49 APÊNDICE ........................................................................................................................................ 53 7 1 INTRODUÇÃO Muito se ouve falar em efeito estufa, aquecimento global, buraco na camada de ozônio; entre outros fenômenos. Também são conhecidas, as causas dos inúmeros problemas que o planeta Terra tem enfrentado, entre elas está à poluição do ar. Segundo a OMS o problema de saúde da população mundial tem aumentado desde a revolução industrial. O uso de máquinas para execução de tarefas e para produção de materiais nas grandes indústrias acaba por liberar na atmosfera uma grande quantidade de produtos químicos, de forma que estes sejam prejudiciais à saúde do ser humano, provocando a má qualidade do ar. Pessoas que moram próximos a essas empresas, possuem maior propensão a doenças pulmonares devido à aspiração de químicos como SO2, CO2 e outros que dependem da fabricação em derredor. Além de prejudicar a fauna e flora local, dependendo dos produtos que foram entregues a atmosfera. Através destes problemas encontrados e este Trabalho de Conclusão de Curso, houve a necessidade e a oportunidadede desenvolver o tema aqui apresentado, considerando que a região possui atividades antrópicas. Para se entender a qualidade do ar da cidade de Alumínio, juntamente com a saúde da população bem como da fauna e flora, é importante realizar os seguintes questionamentos: quais os impactos ambientais que as atividades industriais apresentam para a cidade? Quais as medidas preventivas realizadas pelos órgãos responsáveis pela qualidade do ar em relação à proteção da cidade? De que maneira a cidade sente o impacto da qualidade do ar? Existem medidas que substituem ou que equilibrem a situação do ar na cidade? Como objetivo geral deste Trabalho de Conclusão de Curso, espera-se estudar a qualidade do ar e seus efeitos no município de Alumínio/SP através da visão e perspectiva dos moradores da microrregião aqui estudada. Para isso, é necessário obter análises anteriores dos principais poluentes atmosféricos da cidade de Alumínio; realizar uma pesquisa de campo com os moradores da cidade com o intuito de obter as perspectivas destes a respeito da qualidade do ar da região em que vivem; comparar a perspectiva dos moradores com a perspectiva das análises realizadas anteriormente. 8 Para este trabalho, foi desenvolvida uma pesquisa bibliográfica para levantamento de análises, informações e definições utilizando os principais autores segundo o tema apresentado, realizando então, um capítulo teórico. Este, por sua vez, serviu de base para a criação do formulário de pesquisa para a população da microrregião de Alumínio; esse formulário foi divulgado buscando o maior número de respostas possíveis. Através do número conseguido, foi possível analisar e comparar com o que disseram os autores, formulando então, uma conclusão para o problema aqui apresentado. O tipo de pesquisa aqui desenvolvido é considerado por Lakatos (2003) uma pesquisa documental tendo como definição a busca por materiais desenvolvidos por outros autores sendo estes análises, documentos, artigos e posteriormente, o estudo desses materiais a fim de realizar o desenvolvimento do trabalho segundo a sequencia pré-estabelecida. 9 2 METODOLOGIA Primeiramente foi realizado um levantamento bibliográfico acerca do tema, em seguida uma análise qualitativa descritiva com aspectos quantitativos. Como instrumento de coleta de dados, foi aplicado um questionário contendo 7 (sete) questões abertas e fechadas (em apêndice). A coleta de dados foi realizada entre os meses de fevereiro e março de 2018, sendo aplicados 123 questionários in loco para os moradores da região do município de Alumínio. É importante ressaltar que a população atual do município é de 16 845 habitantes de acordo com o Censo IBGE/2010. O objetivo do questionário foi levantar e analisar as relações entre a qualidade do ar da cidade na perspectiva dos moradores, como por exemplo, o que eles pensam sobre a qualidade do ar, se melhorou ou piorou nos últimos anos, e também para observarmos quais doenças ligadas à poluição do ar eles desenvolveram ou agravaram desde o período em que moram na cidade, para podermos ter noção do impacto que a má qualidade do ar pode causar na vida dos membros de uma população. Após o levantamento das informações, foram elaborados gráficos percentuais e posteriormente analisados e discutidos. 10 3 CIDADE DE ALUMÍNIO A cidade de Alumínio é um município brasileiro localizado no estado de São Paulo, situada na região metropolitana de Sorocaba. De acordo com o Censo IBGE/2010, a população é aproximadamente de 16.019 mil habitantes, com uma área de 83,73 km² A história da cidade de Alumínio teve seu início na construção da estrada de ferro Cia. Sorocabana e quando Antônio Rodovalho ao ser informado das reservas de calcário existentes na região, comprou terras nas proximidades de São Roque, nomeando-as de Fazenda Santo Antônio. Logo após adquirir as terras iniciou a fabricação de aglomerantes hidráulicos e foram tomadas iniciativas para construção de uma fabrica de cimentos. Após a concretização da obra iniciou-se a produção do cimento, sendo necessária também a construção de uma estação rodoviária para escoamento do cimento (BRASIL, 2018). Em 1921 por motivos que se desconhece a fabrica foi fechada e após vendida para um imigrante português (Antônio Pereira Ignácio), que continuou a fabricação do cimento. Com os bons resultados obtidos a partir da fábrica, houve a necessidade de uma expansão da mesma que passou a chamar cimentos votoran. Nessa época o que se chamava fazenda Santo Antônio, passou a fazer parte do município de Mairinque passando a se chamar Rodovalho. A visão empreendedora de Pereira Ignácio fez com que ele iniciasse a montagem de uma fabrica de Alumínio com o intuito de exploração do minério de bauxita para a produção do alumínio. Juntamente com o seu genro José Ermírio de Morais iniciou as atividades da fábrica nomeada de Cia. Brasileira de Alumínio (C.B.A), hoje conhecida mundialmente. Com a sua instalação o bairro passou a se chamar Alumínio (BRASIL, 2018). Após anos de luta o bairro passou a categoria de distrito da cidade de Mairinque pela Lei Estadual nº 2.343, de 14 de maio de 1980, aprovada pela Assembléia Estadual e promulgada pelo Governador Paulo Salim Maluf. Com a categoria de distrito o bairro recebeu a demarcação territorial, estabelendo as divisas entre os municípios de Mairinque, Sorocaba, Votorantin e Ibiúna (BRASIL, 2018). 11 Após quatro anos como distrito iniciou a batalha por sua emancipação. Aprovada em 30/12/199, pela lei estadual nº 7644, de 30-12-1991, desmembrado do município de Mairinque (BRASIL, 2018). 3.1 Características climatológicas e topográficas O clima da cidade é considerado subtropical, com média de 18°C, sendo o mês de fevereiro mais quente com média em torno de 22°C e o mais frio o mês de julho com média de 14°C. E a precipitação pluviométrica anual na região de Alumínio gira em torno de 1400 mm (BRASIL, 2018). As características topográficas da região são montanhosas e se localiza em uma altitude na média dos 790 metros do nível do mar. Topografia montanhosa que é cortada pelo rio Pirajibu e córregos Varjão e do rio Bugre (BRASIL, 2018). 12 4 AR ATMOSFÉRICO 4.1 Gases que compõem o ar São considerados gases quando o estado físico da matéria está na sua forma mais simples, pois os átomos, íons e, principalmente, moléculas possuem deslocamento considerado livres e desordenados, além de serem facilmente compressíveis (ATKINS; JONES, 2006, p. 235). A maioria dos gases do cotidiano são misturas. A atmosfera, por exemplo, é uma mistura homogênea de gases essenciais para a vida na Terra, composta por gases como o nitrogênio, oxigênio, água e dióxido de carbono. Já o ar que inalamos é uma mistura química diferente do ar que exalamos, pois, o principal componente que inalamos é o gás oxigênio, e o principal que exalamos é o gás carbônico (ATKINS; JONES, 2006, p. 235). Dias, Neto e Miltão (2007) nos falam que Chama-se atmosfera terrestre a camada composta por radiação, gases e material particulado (aerossóis) que envolve a Terra e se estende por centenas de quilômetros. Os limites inferiores da atmosfera são, obviamente, as superfícies da crosta terrestre e dos oceanos. Contudo, os seus limites superiores não são bem definidos porque, com o aumento da altitude, a atmosfera vai se tornando cada vez mais tênue, em relação ao seu conteúdo de matéria, até que ela se confunda com o meio interplanetário. Para se ter uma ideia de quão rarefeita materialmente a atmosfera se torna à medidaque se afasta da superfície terrestre, basta saber que 99% de sua massa está contida numa camada de ≈ 32km. Para efeito de comparação lembremos que o raio da Terra é ≈ 6300km (DIAS; NETO; MILTÃO, 2007, p. 23). A química da atmosfera é dinâmica, pois sua composição e densidade variam com as diferentes regiões, altitudes, exposição à radiação solar, entre outros fatores (UNESP, 2012, p. 12). O ar seco é constituído por nitrogênio (78%), oxigênio (21%), gases nobres (0,97%) e dióxido de carbono (0,03%). O ar ainda pode conter outros gases provenientes de fontes antrópicas ou naturais, impurezas, micro-organismos e vapor d’água. O ar mais frio normalmente possui menos vapor d’agua do que o ar mais quente (LEME, 2010, p. 9). 13 4.2 Poluição atmosférica e os principais poluentes Poluição atmosférica é tudo o que, em certo nível, possa tornar o ar impróprio, nocivo ou prejudicial à saúde, ao meio ambiente ou aos patrimônios, como edifícios e monumentos. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) considera como poluentes atmosféricos não só partículas provenientes de fontes antrópicas, mas também de fontes naturais como, por exemplo, gases e partículas oriundas de incêndios de florestas e erupções vulcânicas. Além disso, também é incluído como poluente atmosférico as substâncias resultantes de reações entre certos poluentes, normalmente a radiação do Sol é o catalisador dessas reações (BRASIL, 2018). Os poluentes atmosféricos podem ser classificados em poluentes primários ou poluentes secundários. Poluentes primários são as partículas poluentes liberadas diretamente da fonte na atmosfera como, por exemplo, o gás carbônico proveniente dos gases liberados pelos automóveis. Poluentes secundários são as substâncias resultantes das reações entre os poluentes primários e outras partículas presentes na atmosfera como, por exemplo, o ozônio (O3) (BRASIL, 2018). As concentrações das fontes dos poluentes atmosféricos podem ser classificadas em agrossilvopastoris, móveis ou fixas. Agrossilvopastoris está relacionado aos resíduos gerados de atividades relacionados à agropecuária, silvicultura e pecuária. As fontes móveis são os meios de transportes que, para se locomoverem, queimam combustíveis, gerando uma série de gases poluentes. As fontes fixas – ou estacionárias – se referem normalmente às indústrias, geradores de energia ou fontes pequenas que não se locomovem (BRASIL, 2018). Gase: O MMA considera como principais poluentes atmosféricos os seguintes • Aldeídos (RCHO); • Dióxido de Enxofre (SO2); • Dióxido de Nitrogênio (NO2); • Hidrocarbonetos (HC); • Material Particulado (MP); • Monóxido de Carbono (CO); 14 • Ozônio (O3); • Poluentes Climáticos de Vida Curta (PCVC); Esses compostos possuem diferentes tempos de residência na atmosfera, assim, os que duram menos, acabam tendo um efeito próximo ao local de emissão. Mas alguns podem atingir elevados tempos de duração, causando efeitos em escala global, como é o caso do dióxido de carbono (UNESP, 2012, p. 13). As principais características dos gases e poluentes Aldeídos (RCHO) São “compostos químicos resultantes da oxidação parcial dos álcoois ou de reações fotoquímicas na atmosfera, envolvendo hidrocarbonetos” (BRASIL, 2018). Os aldeídos são tóxicos e participam de reações fotoquímicas na formação de outros compostos, como na formação do ozônio na troposfera baixa. São emitidos principalmente por veículos movidos a diesel, pela queima de combustíveis fósseis e podem causar danos à saúde e ao meio ambiente. Dos principais aldeídos, destacam-se o formaldeído (H₂CO) e o acetaldeído (C₂H₄O). Dióxido de Enxofre (SO2) É um gás incolor e tóxico. Naturalmente o dióxido de enxofre é produzido por vulcões. Já suas fontes antropogênicas são marcadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis que contenham enxofre na sua composição, em industrias e em veículos, com isso, “as atividades de geração de energia, uso veicular e aquecimento doméstico são as que apresentam emissões mais significativas.” (BRASIL, 2018). O SO2 é um dos principais responsáveis pela chuva ácida, pois juntamente da água da chuva, é formado o ácido sulfúrico. Além disso, o dióxido de enxofre pode permanecer por grandes períodos na atmosfera, tendo um deslocamento considerável do ponto de emissão, atingindo maiores regiões, prejudicando o meio ambiente (BRAGA et al., 2001, p. 64). 15 Reações de formação da chuva ácida: S (s) + O2(g) → SO2 (g) SO2 (g) + H2O → HSO3 (aq) (ácido sulfuroso) SO2 (g) + ½ O2 (g) → SO3(g) SO3 (g) + H2O → H2SO4 (aq) (ácido sulfúrico) Além disso, esse gás na atmosfera pode reagir com outros compostos, formando e sendo precursor de material particulado (BRASIL, 2018). Dióxido de Nitrogênio (NO2) O NO2 é um gás poluente altamente corrosivo. Esse composto é formado quando o oxigênio reage com o nitrogênio em combustões sob elevadas temperaturas, podendo formar também outros óxidos de nitrogênio, como o óxido nítrico (NO). Reação de decomposição do ozônio e formação do dióxido de nitrogênio: NO + O3 → NO2 + O2 São emitidos principalmente por fontes naturais, como ações vulcânicas, bacterianas e descargas elétricas. Mas também são emitidos por fontes antropogênicas, causadas pelas combustões. Porém, em razão de sua distribuição sobre o globo terrestre, os centros urbanos não sofrem tanto impacto desses poluentes (BRASIL, 2018). Esse gás está presente tanto em áreas externas, como em áreas internas, já que também são emitidos de fontes presentes nesses ambientes, como fogões a gás e pelo cigarro (BRAGA et al., 2001, p. 65). Hidrocarbonetos (HC) São constituídos de cadeias de hidrogênio e carbono, e podem se apresentar na forma de gotas, partículas finas e material particulado (BRASIL, 2018). Os hidrocarbonetos podem ser subdivididos em 3 categorias: • THC – hidrocarbonetos totais; • CH4 – metano; hidrocarbonetos simples; 16 • NMHC – hidrocarbonetos que não são metanos. Os hidrocarbonetos são emitidos por fontes naturais e antropogênicas, sendo formados com a combustão incompleta do combustível (PEREIRA, 2014). Além de poderem causar danos no meio ambiente e à saúde humana, já que são precursores para a formação do ozônio troposférico. Material Particulado (MP) Também conhecido como aerossol atmosférico, são partículas de sólidos e líquidos tão leves que se misturam ao ar. Variando os tamanhos e suas características físicas e químicas, os MPs podem se tornar extremamente prejudiciais, principalmente, a saúde. Os materiais particulados podem ser classificados de acordo com o diâmetro das partículas, que variam de nanômetros (nm, 10-9m) até micra (μm, 10-6m). Suas principais fontes de emissão são pela “[...] queima de combustíveis fósseis, queima de biomassa vegetal, emissões de amônia na agricultura e emissões decorrentes de obras e pavimentação de vias” (BRASIL, 2018). Monóxido de Carbono (CO) É um gás imperceptível no meio ambiente pois é insípido, incolor e inodoro. O CO é produto de todos os modos de queima, por isso, tem origem em processos antropogênicos, como na emissão de gases de máquinas automotoras e em diversos processos nas indústrias que ocorrem a queima de combustíveis, e também se origina de processos naturais, como incêndios, que liberam grandes quantidades de CO (BRASIL, 2018). Reação da formação do monóxido de carbono pela combustão incompleta: CH4 + 3/2 O2 → CO + 2H2O Sua presença na atmosfera é normal, desde que em baixasquantidades. Porém, em grandes quantidades, é tóxico e traz uma série de riscos. 17 Dióxido de Carbono (CO2) O dióxido de carbono tem um grande papel no planeta pois interage com os seres vivos, o oceano e os materiais da crosta, e, em situações normais, sua concentração não possui grande oscilação, ficando em torno de 0,5 gramas por quilogramas de ar. Porém em regiões industrializadas e urbanizadas, o CO2 é encontrado em altas concentrações, se tornando muito prejudicial à saúde e ao meio ambiente. Reação da formação do dióxido de carbono pela combustão completa: CH4 + 2O2 → CO2 + 2H2O Ozônio (O3) O ozônio é encontrado de forma natural na ozonosfera, camada compreendida entre 10 e 70 km de altitude, possuindo vários benefícios ao meio ambiente. Na troposfera, camada mais próxima do solo, o ozônio possui ação altamente oxidante. Como já dito anteriormente, o ozônio é um poluente secundário, ou seja, não é emitido diretamente na atmosfera. Na troposfera, o ozônio é formado por reações complexas entre compostos orgânicos voláteis e NO2, catalisados pela radiação solar, além disso, “estes poluentes são emitidos principalmente na queima de combustíveis fósseis, volatilização de combustíveis, criação de animais e na agricultura” (BRASIL, 2018). Reação da formação do ozônio via reação entre o oxigênio atômico e moléculas e oxigênio: O + O2 → O3 Reação da formação do ozônio via reação entre o monóxido de carbono e moléculas e oxigênio: CO + 2 O2 → CO2 + O3 Reação da formação do ozônio via reação entre compostos voláteis e NO2: NO2 + O2 ⇌ NO + O3 18 Poluentes Climáticos de Vida Curta (PCVC) São poluentes que possuem tempo de vida relativamente curtos e que agravam o efeito estufa, além de prejudicarem o meio ambiente e a saúde da população. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, os principais PCVC são o metano, o carbono negro, o ozônio troposférico e os hidrofluorocarbonetos (HFC). Eles podem ser emitidos de diferentes tipos de fontes. O metano, por exemplo, pode ser emitido de fontes antropológicas na área da agricultura, criação de animais, em sistemas de óleo e gás, tratamentos de esgotos e aterros sanitários. O carbono negro, que é considerado um dos maiores causadores do aquecimento global, é emitido pelos motores a diesel, pelas queimas de combustíveis sólidos e de biomassa ao ar livre. Os HFC estão ligados principalmente aos sistemas de ar condicionado, refrigerações, solventes, supressores de queima e aerossóis (BRASIL, 2018). 19 5 POLUIÇÃO E O MEIO AMBIENTE O meio ambiente é definido como o conjunto de condições, leis, influência e interações de ordem física, química ou biológica, que abriga e rege a vida em todas as suas formas. CONSELHO NASCIONAL DO MEIO AMBIENTE (CONAMA, 2002). De um modo geral, a qualidade do ar atmosférico é o resultado da interação de um grupo de fatores, entre eles destacam-se a topografia, a magnitude das emissões e as condições meteorológicas da região, propícios ou não a dispersão de poluentes (BRASIL, 2018). A boa qualidade do meio ambiente e especificamente do ar atmosférico é extremamente importante, pois a atmosfera possui elementos indispensáveis para a manutenção da vida, como, por exemplo, o carbono presente na atmosfera na forma de dióxido de carbono, essencial para a realização da fotossíntese, que é incorporado na cadeia alimentar. Podemos citar como exemplo também o oxigênio, fundamental na respiração vegetal e animal. Além disso, há a luz visível, um exemplo de radiação, que participam desses processos vitais (DIAS; NETO, 2007, p.39). Contudo, os processos industriais, o aumento de veículos automotores e as de mais atividades antrópicas vem degradando o meio ambiente, inserindo na atmosfera substâncias poluentes prejudiciais à saúde humana e causando danos a flora e a fauna (BRASIL, 2018). Em geral, os poluentes atmosféricos alteram as características e composições do meio ambiente, causando danos e perturbações nos ecossistemas (BRILHANTE, 1999, p. 20). 5.1 Principais impactos dos principais poluentes no meio ambiente Dióxido de enxofre (SO2) É reconhecido como o principal poluente atmosférico primário, tendo como principais características o seu caráter reativo, quando lançado na atmosfera terrestre sofre reações formando outros óxidos, como, o trióxido de enxofre (SO3), 20 que é formado através de reações entre o SO2 e o oxigênio do ar. Este, em contato com o vapor de água gera o ácido sulfúrico (H2SO4) (BRAGA JULIANA, 2005). Fazendo com que este, por sua característica ácida seja um dos principais componentes na formação da chuva ácida, que gera impactos ambientais como contaminação dos rios, danos em edifícios e monumentos, e a destruição de floresta. Por possuir também um tempo de vida longo, atinge maiores regiões, causando um grande impacto ambiental. Considerado assim, um dos principais problemas ambientais da atualidade (CAMPOS; COSTA, apud Freedman, 2017, p. 187) . O dióxido de enxofre também causa o amarelamento de plantas (clorose), ou pode também deixá-las esbranquiçadas ou descoloridas (CAMPOS; COSTA, 2017, p. 188). Dióxido de nitrogênio (NO2) Assim como o monóxido de nitrogênio, o NO2 possui tempo de vida curto, afetando o meio ambiente nos locais próximos da sua emissão. Na vegetação, esses compostos podem causar lesões, marrons ou brancas, no tecido intercostal e perto das margens das folhas. (CAMPOS; COSTA, 2017, p. 188) Os óxidos de nitrogênio em contato com o vapor de água formam o ácido nítrico (NO3) que juntamente com o H2SO4 são percussores da chuva ácida. (SILVA; VIEIRA, 2017). Ozônio (O3) O ozônio troposférico é resultante da interação com outros gases. Este gás em altas concentrações provoca danos aos animais e plantas. Existe em duas formas, na estratosfera é considerado como poluente, já na ozosfera serve para proteger a terra dos raios solares mais intensos. (CARVALHO, 2009) 21 O ozônio possui tempo de vida consideravelmente curto, assim, em locais próximos da sua formação, pode causar perdas agrícolas e injurias nas plantas. (CAMPOS; COSTA, 2017, p. 187). Alem disso é responsável por fenômenos das mudanças climáticas, como alteração nos regimes de chuvas e ventos. (CARVALHO, 2009) Em níveis elevados tem a capacidade de corroer materiais, edifícios e tecidos vivos. Reduz também a capacidade das plantas de realizarem a fotossíntese impedindo a absorção do CO2. Prejudica o crescimento e reprodução das plantas, diminuindo o crescimento das florestas. (CETESB, 2013) Material Particulado (MP10) e Fumaça Segundo a CETESB (2010), esses compostos podem contaminar os solos, pois alteram a radiação solar que os atinge, alterando suas temperaturas e, consequentemente, causando danos na vegetação e no seu crescimento. Além também de deteriorar a visibilidade do local. 22 6 POLUIÇÃO E A SAÚDE A exposição dos seres humanos a poluição do ar tem trazido sérias consequências à saúde, devido ao grande aumento de indústrias e automóveis nas grandes e pequenas cidades. Assim, o aumento da preocupação com os efeitos dessa exposição vem crescendo, principalmente, nas últimas décadas. (DJANIRA & FRANCINE, 2003). Embora todas as pessoas em contato com uma atmosfera poluída são afetadas por ela, a curto ou a longo prazo, deve-se levar em consideração que “alguns grupos de pessoas são mais vulneráveis a poluição, incluindo os que sofrem de doenças respiratóriase cardiovasculares, as crianças e os idosos”. (BRASIL, 2018). Assim, os malefícios da poluição do ar incluem: pior qualidade de vida para a população, que passa a sofrer com as doenças causadas pela poluição, e ainda maiores custos médicos para a sociedade. (BRASIL, 2018). O Ministério do Meio Ambiente nos diz que os efeitos da má qualidade do ar não são tão visíveis. Contudo, considera que, os estudos epidemiológicos têm demonstrado correlações entre a exposição aos poluentes atmosféricos e os efeitos de morbidade e mortalidade, causadas por problemas respiratórios (asma, bronquite, enfisema pulmonar e câncer de pulmão) e cardiovasculares, mesmo quando as concentrações dos poluentes na atmosfera não ultrapassam os padrões de qualidade do ar vigentes. (BRASIL, 2018, p.25). Com isso, os conhecimentos adquiridos nas últimas décadas sobre a origem, composição, interações, comportamentos e mecanismos de ação destes poluentes têm mobilizando esforços, tecnologias e recursos financeiros visando resultados mais significativos (BRAGA apud MARIA & AMARAL, 2003). 6.1 Poluição atmosférica e as principais doenças Segundo a Organização Mundial da Saúde (2016), as doenças mais comuns associadas à poluição do ar são: • Acidente vascular cerebral (AVC); • Problemas respiratórios; • Diabetes; 23 • Doenças do coração; • Câncer; • Parkinson 6.2 Principais características das doenças Doenças respiratórias das vias aéreas superiores e inferiores Segundo Netter (2000), o sistema respiratório tem como principal função proporcionar ao organismo troca de gases com o ar atmosférico, possibilitando permanentes concentrações de oxigênio no sangue, necessárias para as reações metabólicas, auxiliando também na eliminação de gases residuais como o gás carbônico. Esse sistema é constituído pelas vias aéreas superiores e inferiores. O trato respiratório superior refere-se às estruturas que pertencem ao sistema respiratório que encontram-se fora do tórax. Os principais órgãos que a constituem são: faringe, laringe, boca, nariz e seios paranasais. Tendo como principal função aquecer, umidificar e filtrar o ar, protegendo as superfícies das vias inferiores, a parte inferior da traquéia, bronquíolos, pulmões, alvéolos e os brônquios (NETTER, 2000). O trato respiratório inferior refere-se às estruturas que pertencem ao sistema respiratório que estão localizados na caixa torácica, traqueia brônquios, bronquíolos, alvéolos pulmonares e pulmão (APARECIDA, 2000). Rinite A rinite alérgica é definida como a inflamação da mucosa nasal, causada pela exposição à alérgenos que sensibilizam e estimulam uma resposta inflamatória, podendo resultar em sintomas crônicos ou recorrentes. Dentre os principais sintomas estão os espirros, rinorréia aquosa, obstrução nasal e sintomas oculares. 24 A rinite pode ser considerada a doença respiratória crônica de maior prevalência, apesar de não pertencer ao grupo de maior gravidade, afeta a qualidade de vida de muitos, dificultando também o controle da asma. (CUNHA et al., 2008). A sua incidência tem aumentado ao longo dos anos, encontrando-se entre uma das dez principais razões para procura de atendimento médico (CUNHA et al., 2008). A rinite alérgica pode ser desenvolvida ou agravada devido a exposição à aeroalergénos, que são elementos de baixo peso molecular, que possuem a facilidade de se dispersarem no ar e penetrarem no trato respiratório. Sendo de maior relevância os ácaros. Além dos aeroalergénos, atuam como desencadeantes da rinite as mudanças climáticas e a inalação de irritantes como: fumaça de cigarros, gás de cozinha e poluentes atmosféricos. Sendo estes, o PM10, NO2, O3, NOx e SO2. (CUNHA et al., 2008). Portanto, nota-se que poluentes como o MP, O3, SO2, entre outros, em contato com o trato respiratório, causam doenças como asma e rinite, gerando um grande prejuízo a saúde respiratória das pessoas. (NAZARETH, 2003, p.4) Em relação a rinite alérgica como consequência da poluição atmosférica, a OMS nos diz que A poluição ambiental cada vez mais apresenta evidências epidemiológicas de atuar como fator precipitante e agravante de rinite alérgica. Há estudos mostrando a associação entre emissões industriais e veiculares com o aumento no risco de rinite alérgica. Entre os poluentes mais importantes para o risco de doenças alérgicas estão os óxidos de nitrogênio (NOx ), o dióxido sulfúrico (SO2 ), o ozônio (O3 ), além dos materiais particulados com diâmetros < 10 μm (PM10).30 Observa-se correlação positiva entre poluição de tráfego com NO2 e de áreas industriais com ozônio, com rinite alérgica em crianças (BRASIL, 2018, p.55). Asma A asma é uma doença inflamatória, crônica, em que as vias aéreas podem ser obstruídas tornando-se reativas, causando tosse, desconforto torácico e dispnéia, de modo periódico. Pode ser classificada como leve, moderada ou grave. É caracterizada por períodos de piora dos sintomas e da função pulmonar, resultando em pior qualidade de vida e prejuízos nas atividades do dia a dia. A 25 inflamação das vias aéreas permanece cronicamente, mesmo em períodos sem crises (REIS, MARIA & LOUZADA, 2003). A prevalência da asma brônquica tem aumentado em todo o planeta, particularmente em regiões urbanas densamente industrializadas. Estudos prospectivos sugerem que a exposição aos poluentes aéreos possa levar ao desenvolvimento de novos casos de asma. Um exemplo é o grande aumento da incidência de asma na China após o recente desenvolvimento industrial e, em consequência, o grande aumento da concentração dos poluentes (ABDO et al. 2012, p.44). Estudos apontam a associação crônica por material particulado e doenças respiratórias, aumento da asma e câncer de pulmão. O ozônio e o dióxido de nitrogênio também são apontados como agravantes das doenças respiratórias como a asma (NAZARETH, 2003). NAZARETH (2003, p. 8) afirma que “adultos e crianças asmáticas sofrem os efeitos de MP10 e O3 em dias quentes e do MP10 no inverno. A associação maior de sintomas de asma e exposição ao MP10 ocorre após uma a oito horas de exposição”. Os aldeídos causam irritação nas mucosas dos olhos, do nariz e das vias respiratórias, em geral, podendo ainda causar crises asmáticas. (BRASIL, 2018). Sinusite A sinusite ou rinossinusite como é atualmente conhecida, é um processo inflamatório dos seios paranasais, que é classificada de acordo com a sua evolução e sintomas. Aguda quando menor que 12 semanas ou crônica quando maior ou igual há 12 semanas. Também pode ser classificada de acordo a gravidade dos sintomas (leve, moderada ou grave). A gravidade é definida através de uma escala analógica visual de 0 a 10 cm. É solicitado aos pacientes quantificar de 0 a 10 o grau de desconforto causado pelos sintomas, sendo assim classificada como: leve; 0-3 cm; moderado; >3-7 cm; e severo; >7-10 cm (TEREZINHA et.al., 2015). O O3 troposférico interage com a atmosfera na presença de calor podendo causar danos à saúde e ao meio ambiente. Este apresenta alta toxidade. Esta toxidade se deve a sua capacidade de interagir com as moléculas de água presentes no organismo, originando espécies ativas de oxigênio, como o peróxido 26 de hidrogênio. O O3 é originado a partir de reações entre os poluentes e a radiação solar, em contato com os pulmões podem ocasionar inflamações, além de quadros de rinites e sinusites (CÉSAR, CARVALHO E NASCIMENTO, 2012). Bronquite A bronquite é a inflamação dos brônquios, canais que levam o ar inaladoaté os alvéolos pulmonares. Esta se aloja quando os cílios que revestem os brônquios param de eliminar o muco presente nas vias aéreas respiratórias. Esse acúmulo de secreção faz com que eles fiquem inflamados e contraídos. A bronquite pode ser aguda ou crônica. A distinção consiste no tempo e no agravamento das crises, sendo classificada como aguda quando os sintomas persistem por uma ou duas semanas, ou crônica quando não desaparecem. Há indícios de piora pela manhã e se manifestam por três meses ou mais durante um período de dois anos consecutivos (HELENA, 2011). De acordo com Nazareth (2003, p.5), “a exposição crônica ao Material Particulado tem sido associada ao aumento nos índices de bronquite e doenças respiratórias, com diminuição da função pulmonar e aumento do risco de contrair câncer pulmonar”. Pneumonia Pneumonias são infecções que afetam os pulmões, que se localizam na caixa torácica, podendo acometer a região dos alvéolos pulmonares onde se encontram as regiões terminais dos brônquios, e às vezes os interstícios (espaços entre os alvéolos). São provocadas por penetração de algum agente infeccioso ou irritante (fungos, bactérias e por reações alérgicas) nos alvéolos, onde ocorrem as trocas gasosas (HELENA, 2011). Em um estudo feito na cidade de São Paulo pela revista Saúde Pública, observou-se associação entre o SO2 e o atendimento por pneumonia ou gripe em idosos. O SO2 é um irritante respiratório que afeta a função pulmonar 27 principalmente em pessoas com doenças preexistentes. (CONCEIÇÃO, et.al. 2002). Câncer de pulmão A palavra câncer se origina da palavra karkínos, que quer dizer caranguejo, utilizada pela primeira vez por Hipócrates. Atualmente é o nome dado ao conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento desordenado das células, que tendem a invadir tecidos e órgãos vizinhos. (BRASIL, 2011). O corpo humano é todo formado por células que se organizam em tecidos e órgãos. As células normais se dividem, amadurecem e morrem, renovando-se a cada ciclo. O câncer se desenvolve quando células anormais deixam de seguir esse processo natural, sofrendo mutação que pode provocar danos em um ou mais genes de uma única célula. (BRASIL, 2011 p.22) O câncer de pulmão é caracterizado pelo crescimento celular descontrolado dos tecidos dos pulmões, caracterizado pela quebra dos mecanismos celulares naturais, estimulado pelos carcinogênicos ao longo dos anos. (BRASIL, 2011). Segundo dados da Organização Mundial Da Saúde (OMS, 2018), nove em cada dez pessoas respiram ar contendo níveis altos de poluição. Estimativa atualizada diz que sete milhões de pessoas morrem todo ano por causa da poluição de ambientes exteriores e interiores. As partículas finas do ar poluído penetram profundamente nos pulmões causando câncer de pulmão, doenças pulmonares obstrutivas crônicas entre outras doenças. (OMS, 2018). Segundo a OMS (2018) apenas a poluição atmosférica já causou cerca de 4,2 milhões de mortes em 2016, enquanto a poluição do ar por cozimento usando combustíveis ou tecnologias poluentes causou aproximadamente 3,8 milhões de mortes no mesmo período. 28 A OMS reconhece que a poluição do ar é um fator de risco crítico para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), causando cerca de um quarto (24%) das mortes por doenças cardíacas, 25% por acidentes vasculares cerebrais, 43% por doença pulmonar obstrutiva crônica e 29% por câncer de pulmão. Doenças cardiovasculares Acidente vascular cerebral (AVC) Ocorre quando há o entupimento ou rompimento dos vasos sanguíneos que levam sangue ao cérebro, provocando a paralisia da área. Existem dois tipos de AVC, o isquêmico e o hemorrágico. (HELENA, 2011). 1) Isquêmico: falta de circulação em uma área do cérebro que provoca o infarto, com dano irreversível. É provocado por obstrução das artérias de grandes ou pequenos vasos, tromboses ou embolias. Ocorrem geralmente em pessoas mais velhas, com problemas vasculares, hipertensão arterial, diabetes, colesterol e fumantes. (VARELLA, 2011). 2) Hemorrágico: Segundo Varella (2011, p.1), o AVC hemorrágico é definido como “sangramento cerebral provocado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo, em virtude de hipertensão arterial, problemas na coagulação do sangue, traumatismos. Pode ocorrer em pessoas mais jovens e a evolução é mais grave”. O monóxido de carbono apresenta afinidade pela hemoglobina 240 vezes maior que a do oxigênio, o que faz com que uma pequena quantidade de CO possa saturar uma grande quantidade de moléculas de hemoglobina, diminuindo a capacidade do sangue de transportar O2. Atua também desviando a curva de dissociação da hemoglobina para a esquerda levando a uma diminuição da liberação de O2 nos tecidos. 29 Ataque cardíaco É a morte das células cardíacas causada pela falta de irrigação sanguínea que leva oxigênio e nutrientes ao coração. Ocorre devido a diversos fatores acumulados durante os anos, mas geralmente é caracterizado pela obstrução de artérias coronárias ocasionado por um processo inflamatório associado à aderência de colesterol em suas paredes. A desagregação de uma parte dessas placas ou a formação de coágulo dentro das artérias causa o bloqueio do fluxo sanguíneo causando danos sérios e até mesmo irreparáveis ao coração, ou seja, uma necrose do músculo cardíaco. (VARELLA, 2011). Quando o O3 e os MPs são inalados em concentrações normalmente encontradas nas cidades, as artérias do corpo se comprimem reduzindo o fluxo sanguíneo e o fornecimento de oxigênio ao coração, e, por esse motivo, a poluição atmosférica é considerada um agravante das doenças cardíacas e da asma. (RICARDO, 2011). Segundo BRAGA et al. (2001, p.66), “a mortalidade por doenças cardiovasculares também tem sido relacionada à poluição atmosférica urbana, sendo novamente o material particulado inalável o poluente frequentemente associado”. Em estudos feitos pela OMS, as doenças cardiovasculares são as principais causas de mortes relacionadas ao meio ambiente, sendo 2,5 milhões de mortes causadas por derrame e 2,3 milhões por doenças coronarianas por ano. (ONUBR, 2016). Autores relacionam a exposição ao monóxido de carbono com as doenças cardiovasculares, pois ele tem a propriedade de se interagir com a hemoglobina do sangue com uma afinidade 200 vezes maior que o O2, diminuindo a capacidade do sangue de transportar O2. Após se combinar com a hemoglobina do sangue exerce efeito tóxico para o pulmão. 30 A exposição ao CO pode causar desde dores de cabeça até efeitos cardíacos. Além de estar relacionado com o aumento de hospitalizações por problemas cardiovasculares. (NAZARETH, 2003). Outros tipos de doenças Diabetes O diabetes é caracterizado como um grupo de doenças metabólicas causada por má absorção ou falta de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas cuja função é quebrar as moléculas de glicose para transformá-las em energia, afim de que todas as células possam ser beneficiadas. A ausência desse hormônio faz com que as moléculas de açúcar não sejam quebradas, podendo ainda transformá-las em outras substâncias como gordura, proteínas e músculos. Segundo Böek os males causados pelos poluentes atmosféricos vão além dos efeitos sobre o sistema cardiorrespiratório, o qual foi primeiro e exaustivamente avaliado. Estudos demonstraram evidências de relação da exposição à poluição do ar com o desenvolvimento de síndrome metabólica e obesidade, infertilidade masculina, autismo, diabetes, Alzheimer e Parkinson.(2017, p. 16) Parkinson É uma doença neurológica, crônica e progressiva que atinge o sistema nervoso central afetando a coordenação motora. Causada pela morte das células do cérebro responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor que controla os movimentos. Geralmente surge a partir dos 55 anos e sua prevalência aumenta a partir dos 70 anos. Os sintomas da doença variam de paciente para outro. No início, geralmente, os sintomas aparecem de forma lenta. Os tremores geralmente são os primeiros sinais da doença, seguido de rigidez muscular, redução da quantidade de movimentos, diminuição do tamanho das letras, dificuldade para engolir, depressão, dores, tonturas, distúrbios respiratórios e urinários. (VARELLA, 2011). 31 Vaitsman, Afonso & Dutra (apud Rocha, 2012, p. 47) dizem que ”é reconhecida a relação entre o excesso de manganês no organismo e a Síndrome de Parkinson, bem como psicoses, insônias e a perda de expressão facial. A intoxicação por este elemento químico causa efeitos neurológicos e falta de coordenação motora”. Tabela 1 - Principais poluentes atmosféricos áreas de ação no sistema respiratório e efeitos sobre a saúde humana. Poluentes Penetração no sistema respiratório Fisiopatologia MP10 Traquéia, brônquios, bronquíolos Diminui a atividade muco ciliar e dos macrófagos. Produz irritação nas vias respiratórias. Causa estresse oxidativo e, em consequência, inflamação pulmonar e sistêmica. Exposição crônica produz remodelamento brônquico e DPOC. Pode ser cancerígeno. MP2, 5 Alvéolos MP0, 1 Alvéolos, tecido pulmonar, corrente sanguínea O3 Traquéia, brônquios, bronquíolos, alvéolos É um agente oxidante fotoquímico e muito irritante. Provoca inflamação da mucosa do trato respiratório. Em altas concentrações, irrita os olhos, mucosa nasal e da orofaringe. Provoca tosse e desconforto torácico. Exposição por várias horas leva a lesão no tecido epitelial de revestimento das vias aéreas. Provoca inflamação e obstrução das vias aéreas a estímulos como o frio e exercícios. NOx , NO2 Traquéia, brônquios, bronquíolos, alvéolos Irritante. Afeta a mucosa dos olhos, nariz, garganta e do trato respiratório inferior. Aumenta a reatividade brônquica e a suscetibilidade às infecções e aos alérgenos. É considerado um bom marcador da poluição veicular. 32 SO2 Vias aéreas superiores, traquéia, brônquios, bronquíolos Irritante. Afeta a mucosa dos olhos, nariz, garganta e do trato respiratório. Causa tosse e aumenta a reatividade brônquica, facilitando a bronco constrição. CO Alvéolos, corrente sanguínea União com a hemoglobina, interferindo no transporte de oxigênio. Provoca cefaléia, náuseas e tontura. Tem efeito deletério sobre o feto. Está associado com recém-nascidos de baixo peso e morte fetal Fonte: Biblioteca Digital da Produção Intelectual – BDPI. Universidade de são Paulo. Assim, é importante ressaltar outros efeitos dos poluentes atmosféricos no organismo humano: Material particulado Os efeitos desse poluente no organismo são diversos, variando de acordo com a natureza química de seu diâmetro. O tamanho da partícula interfere na localização e na distribuição deste nas vias aéreas. As partículas grossas se depositam no trato respiratório superior, enquanto as menores se depositam no trato inferior. podendo atingir os alvéolos pulmonares. Sendo que quanto menor o tamanho da partícula, maior o efeito sobre a saúde, atingindo principalmente pessoas com doenças pulmonares, asmas, bronquites e mortes prematuras. Além de alterar o peso de recém-nascidos podendo levar ao parto prematuro. A medida que essas partículas se depositam no trato respiratório, passam a ser removidas por algum mecanismo de defesa, como o espirro e a tosse. O MP também é considerado um dos maiores transportadores de poluentes para o interior do nosso organismo. (NAZARETH,2003). Monóxido de carbono (CO) 33 Um dos seus principais efeitos sobre a saúde está em sua capacidade de transporte de O2 pela hemoglobina. Pois o CO apresenta uma afinidade com a hemoglobina do sangue 240 vezes maior do que o O2, reduzindo a capacidade do sangue de transportar O2, reduzindo também a liberação de O2 nos tecidos. (BRAGA, 2001). Portanto, nos pulmões ocorre à troca de CO2 por 02 e nos tecidos ocorre o inverso, O2 por CO2 (NAZARETH, 2003). Segundo NAZARETH, (2003) a exposição ao monóxido de carbono pode causar dores de cabeça, sintomas parecidos com o da gripe, efeitos cardíacos diversos e efeitos neurológicos, como mudança na percepção visual auditiva, psicomotora e orientação. Também está associado ao aumento de internações por problemas cardiovasculares. Ozônio (O3) O ozônio é considerado um gás oxidante responsável por provocar lesões nas células das vias aéreas, causando irritações e aumento de alergias e sintomas da asma, além de aumentar o número de internações por doenças respiratórias. Segundo NAZARETH (2003), “as doenças induzidas pelo O3 são as conjuntivites, irritação das vias aéreas superiores, tosse, falta de ar, diminuição do volume respiratório, náusea, mal-estar e dor de cabeça”. Dióxido de enxofre (SO2) O SO2 possui com principal característica: sua alta solubilidade com a água. Grande parte do SO2 inalado pelas pessoas é absorvido pelas vias aéreas superiores onde se dissolve na secreção úmida, chegando as vias inferiores, provocando espasmos dos bronquíolos, mesmo quando absorvido em pequenas quantidades. Em altas concentrações, causa irritações em todo o sistema respiratório, prejudicando os tecidos dos pulmões. (NAZARETH, 2003). O SO2 também está associado com o agravamento de doenças respiratórias pré-existentes. Responsável também para o aparecimento das mesmas. Ao lesar as vias respiratórias causa traqueobronquite crônica. 34 A exposição a altas concentrações de SO2 causa alterações na defesa pulmonar, doenças respiratórias e agravamento de doenças cardiovasculares. Também pode causar irritação nos olhos nariz e garganta. Dióxido de nitrogênio (NO2) A exposição dos seres humanos ao NO2 aumenta os sintomas da asma e da bronquite, diminui a resistência a infecções respiratórias e pode levar a processos carcinogênicos. Provoca intoxicação, lesões celulares, edemas pulmonares, insuficiências respiratórias e hemorragias alveolares (NAZARETH, 2003). Aldeídos Seus principais efeitos sobre a saúde são as irritações, que podem acometer olhos, mucosas e vias respiratórias, podem causar crises asmáticas. Também é caracterizado como composto carcinogênico (BRASIL, 2018). Poluentes climáticos de vida curta Também conhecido como carbono negro, o PVCV é um dos componentes do MP, apresentando efeitos nocivos sobre o sistema respiratório e sanguíneo, podendo causar óbito. (BRASIL,2018) 35 7 LEGISLAÇÃO RELATIVA À QUALIDADE DO AR NO BRASIL Uma das prerrogativas mais importantes para a vida, se não for a mais importante, é o direito ao meio ambiente saudável. Assim, desde o século passado, as normas que regem as sociedades vêm avançando, tentando reparar e evitar que a poluição prejudique o meio ambiente e a saúde humana, formulando leis punitivas e rigorosas, obrigando qualquer pessoa, jurídica ou física, incluindo o Estado, a preservar e cuidar desse bem fundamental para a vidana Terra (FILHO, 2004, p. 28). 7.1 Meio ambiente e a Constituição Federal A I Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (1972) realizada na Suécia e as crescentes preocupações em nível mundial que começaram a se acentuar a partir de então, foram essenciais para a formulação, pela primeira vez, de um capítulo específico a questão ambiental na Constituição Federal de 1988, fortalecendo a proteção do meio ambiente. (FILHO, 2004, p. 28) E assim, o artigo 225 da Constituição Federal determina que todos temos direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, e impõe o dever de pessoas físicas e jurídicas proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas, conforme o artigo 23, inc. VI da Constituição Federal de 88. Com as discussões sobre o meio ambiente em pauta, foi criada a Lei nº 8.723 em 1993, que trata da poluição por veículos automotores, obrigando os fabricantes dos veículos e dos combustíveis a diminuírem os níveis de emissão, estabelecendo limites fixados para a emissão de álcoois, aldeídos, fuligem, hidrocarbonetos, óxido de nitrogênio, material particulado, monóxido de carbono, entre outros poluentes, nos veículos comercializados no Brasil. Com o passar dos anos, leis específicas foram sendo aprovadas como a Lei 9.605/1998, que trata de Crimes Ambientais e a Lei 9.795/1999 sobre a Política Nacional de Educação Ambiental. 36 Uma das principais leis a salientar é a Lei federal nº 10.650, de 16 de abril de 2003, pois garante o acesso público aos dados e informações ambientais existentes nos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional do Meio Ambiente – Sisnama. O Art. 2° desta lei obriga que: Art. 2° Os órgãos e entidades da Administração Pública, direta, indireta e fundacional, integrantes do Sisnama, ficam obrigados a permitir o acesso público aos documentos, expedientes e processos administrativos que tratem de matéria ambiental e a fornecer todas as informações ambientais que estejam sob sua guarda, em meio escrito, visual, sonoro ou eletrônico [...] Lei nº 10.650, de 16 de abril de 2003 (BRASIL, 2018) 7.2 A qualidade do ar e as resoluções do CONAMA A Organização Mundial da Saúde, com base nos impactos dos poluentes na saúde humana, elaborou limites de emissões dos principais poluentes atmosféricos, revisado em 2005, para que assim, os países usassem esses valores como referência para criar leis que definam os limites dos poluentes de cada estado, e que devem se levar em consideração e variar de acordo com o local e as necessidades de cada região. Por tanto, as leis do Brasil que abrangem o controle da qualidade do ar foram baseadas nos valores estabelecidos pela OMS (CETESB, 2018). Assim, no Brasil, os padrões nacionais da qualidade do ar foram estabelecidos pela resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) 003 de junho de 1990, atribuídos pela Lei nº 6.938/1981, que determina as concentrações máximas de emissões dos poluentes na atmosfera e estabelece padrões e critérios de uso relativos ao controle da qualidade do ar e dos recursos do meio ambiente. (Brasil, 2018) A resolução CONAMA nº 3/1990 estabelece limites de emissões para os seguintes poluentes: a) Partículas totais em suspensão; 37 b) Fumaça; c) Partículas inaláveis; d) Dióxido de enxofre; e) Monóxido de carbono; f) Ozônio; g) Dióxido de nitrogênio. Para cada um destes poluentes, foi estabelecido valores de limites máximos de concentrações (em microgramas por metro cúbico de ar), separados em padrões primários e padrões secundários. Assim, o Ministério do Meio Ambiente (2018) reconhece as seguintes definições para padrões primários e secundários: São padrões primários de qualidade do ar as concentrações de poluentes que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde da população. Podem ser entendidos como níveis máximos toleráveis de concentração de poluentes atmosféricos, constituindo-se em metas de curto e médio prazo. São padrões secundários de qualidade do ar as concentrações de poluentes atmosféricos abaixo das quais se prevê o mínimo efeito adverso sobre o bem-estar da população, assim como o mínimo dano à fauna e a flora, aos materiais e ao meio ambiente em geral. Podem ser entendidos como níveis desejados de concentração de poluentes, constituindo-se em meta de longo prazo (BRASIL, 2018, p.55). Tabela 1: Limites de emissão dos poluentes segundo a resolução CONAMA nº3/1990 POLUENTE TEMPO DE AMOSTRAGEM PADRà O PRIMÁRIO (µg/m³) PADRà O SECUNDÁRIO (µg/m³) Partículas totais em suspensão 1* 80 60 2 240 150 Partículas inaláveis 1 50 50 2 150 150 Fumaça 1 60 40 2 150 100 38 Dióxido de enxofre 1 80 40 2 365 100 Dióxido de nitrogênio 1 100 100 2* 320 190 Monóxido de carbono 1** 10.000 - 9 ppm 10.000 - 9 ppm 2** 40.000 - 35 ppm 40.000 - 35 ppm Ozônio 1*** 160 160 Fonte: elaborado pelos autores Legenda: ano. ano. 1 = concentração média aritmética anual. 1* = concentração média geométrica anual. 1** = concentração média de oito horas, que não deve ser excedido mais de uma vez por 1*** = concentração média de uma hora, que não deve ser excedida mais de uma vez por 2 = concentração média de vinte e quatro horas, que não deve ser excedida mais de uma vez por ano. 2* = concentração média de uma hora. 2**= concentração média de uma hora, que não deve ser excedida mais de uma vez por ano. Entre outros artigos da resolução CONAMA nº3/1990, está estabelecido o monitoramento da qualidade do ar da região como dever dos estados, conforme o artigo 5º. 7.3 Legislação do estado de São Paulo No estado de São Paulo, foi atribuído a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) a responsabilidade sobre a qualidade do ar e do controle das emissões dos poluentes. Portanto, a CETESB atua em diversas formas, como na fiscalização de fontes de poluição relacionada ao cumprimento das legislações ambientais, e também atua na execução de ações de prevenção, recuperação e controle da poluição do ar, do solo e das águas (CETESB, 2018). 39 É atribuído como responsabilidade da CETESB também as licenças de fontes de poluição, o controle e inspeções periódicas das indústrias e as demais supostas fontes de poluição. (CETESB, 2018) Além disso, a CETESB atua diretamente com o atendimento de reclamações da população das cidades pertencentes ao estado de São Paulo relacionado ao descumprimento das leis e acidentes ambientais, e também, cabe- se ao seu dever gerar e fornecer dados e informações técnicas de emissões dos poluentes solicitadas pela população e os demais órgãos públicos e entidades, como as prefeituras municipais. (CETESB, 2018) Portanto, considerando todas as leis ambientais que temos em vigor no Brasil e no Estado de São Paulo, conclui-se que a legislação brasileira que abrange o meio ambiente pode vir a receber aprimorações, mas possui instrumentos mais que capacitados para um bom gerenciamento e controle dos recursos naturais, para garantir a qualidade do meio ambiente imposta pela Constituição Federal (SENNA, 2015, p.13). 40 8 RESULTADOS E DISCUSSÕES 8.1 Pesquisa com moradores da cidade de Alumínio A pesquisa foi respondida anonimamente por 123 pessoas, que responderama todas as perguntas, o que corresponde a, aproximadamente, 0,75% da população. Gráfico 1: Fator idade Fonte: Autoria Própria (2018) Conforme mostra o gráfico acima, 51 pessoas das entrevistadas possuem mais do que 45 anos de idade, representando 41,5% da população entrevistada, a segunda maior parcela dos entrevistados estão na faixa dos 22 e 45 anos, representando 30,9%, e a menor parcela, porém em quantidade considerável, estão entre 13 e 21 anos, com 27,6%. Isto é, 72 pessoas estão com 45 anos ou abaixo desta idade. . O dado é relevante uma vez que quase a metade dos entrevistados são pessoas adultas que moram no município.Por tanto, a pesquisa foi abrangente em relação a idade dos moradores, entrevistando pessoas de todas as faixas etárias, desde jovens até pessoas mais velhas, exceto crianças. 41 Gráfico 2: Fator tempo de moradia Fonte: Autoria Própria (2018) A segunda pergunta é relacionada a quanto tempo eles moram na cidade de Alumínio. Nesse quesito, devemos levar em consideração que quanto mais tempo uma pessoa convive em um ambiente poluído, maior é a chance de observarmos o que os poluentes causam também a prazos maiores. O resultado foi que mais da metade das pessoas que responderam ao questionário (52%) moram em Alumínio a mais de 20 anos. Também é importante levarmos em consideração que 81,7% das pessoas que responderam à pesquisa, moram a pelo menos 11 anos na cidade, mostrando também que muitas pessoas viveram a vida toda, ou pelo menos passaram a maior parte da vida, no munícipio. Gráfico 3: Respostas a pergunta “você é informado sobre a qualidade do ar da sua região? ” Fonte: Autoria Própria (2018) 42 Quando os moradores são questionados se são informados sobre a qualidade do ar da cidade, 82,1% afirmaram que não, 9,8% responderam que às vezes são informados e 8,1% confirmaram que são informados acerca da qualidade do ar, no entanto não sabiam responder qual o órgão ou empresa responsável por realizar a análise. É importante destacar que a prefeitura da cidade nos informou que as análises do ar da cidade de Alumínio são realizadas por uma indústria local e a mesma não fornece os resultados e dados à prefeitura, ou seja, a própria secretaria do meio ambiente da cidade não tem acesso às informações da situação do ar do município. Embora a CETESB divulgue diariamente a qualidade do ar da região metropolitana de São Paulo, atualizado a cada uma hora por um website em que todos com acesso à internet podem consultar, contendo informações sobre a qualidade do ar, como valores do índice dos principais poluentes classificados em bom, moderado, ruim, muito ruim ou péssimo, variando conforme os níveis de riscos à saúde pública e deixando a população informada sobre a qualidade do ar da sua cidade, isso não ocorre no município de Alumínio. É importante salientar que, conforme a Lei nº 10.650, de 16 de abril de 2003, apontada no capítulo de legislação relativa a qualidade do ar, qualquer cidadão tem direito ao acesso a dados e informações ambientais existentes nos órgãos e entidades integrantes do Sisnama. Website: https://servicos.cetesb.sp.gov.br/qa/ 43 Gráfico 4 : Respostas a pergunta “Sente algum incomodo com o cheiro do ar da cidade? ” Fonte: Autoria Própria (2018) A pesquisa nos mostrou que 45,5% da população entrevistada normalmente sentem incômodo com o cheiro do ar do município em que vivem, e 28,5% responderam que as vezes se sentem incomodados, ou seja, no geral pelo menos 74% da população em questão já sentiu algum incômodo com o cheiro do ar da cidade. Segundo Dias e Neto (2007), no verão há uma diminuição do dióxido de carbono em razão de ocorrer uma maior realização de fotossíntese, ou seja, no inverno, o índice deste poluente na atmosfera é maior. Essa concentração maior dos poluentes no inverno também acontece com alguns outros poluentes, como o material particulado, apontado por Amorim (2004), que nos mostra que sua concentração é maior no inverno. Portanto, isto pode estar relacionado às pessoas que responderam que às vezes sentem incômodo com o cheiro do ar da cidade, como, por exemplo, sentir um maior incômodo nos dias mais frios. Ainda nesta perspectiva Engler et al (2008) explicam, que as pessoas passam a se acostumar com o mau cheiro do ar, achando normal e sem perigo para a saúde, mesmo havendo alta concentração de poluentes e consequentemente diminuindo a preocupação das pessoas com a qualidade do ar atmosférico, o que pode ser o caso de pessoas que, como mostram no gráfico 2, vivem há mais de onze anos na cidade. 44 Gráfico 5: Respostas a pergunta “No dia a dia você nota alguma diferença na coloração do ar? ” Fonte: Autoria Própria (2018) De acordo com o gráfico 5, 36,6% dos entrevistados notam a diferença na coloração do ar no dia a dia, outros 24,4% afirmaram também notar essa diferença às vezes, e 39% apontaram que não percebem diferença na coloração do ar, pois passam desapercebidos com as atividades rotineiras. Para Brilhante (1999), a poluição tem diminuído a transparência do ar, e essa diferença na coloração do ar são neblinas escuras formadas a partir da junção de poluentes atmosféricos, material particulado e neblina, incluindo componentes nocivos à saúde humana e prejudiciais ao meio ambiente, que podem ser provenientes das atividades industriais da região. Além disso, como foi discutido no gráfico 3, em dias mais frios, a concentração dos poluentes no ar próximos a crosta terrestres é maior, o que pode explicar o caso de mais da metade da população entrevistada que responderam que às vezes notam diferença na coloração do ar, e as vezes não. 45 Gráfico 6: Respostas a pergunta “Você acha que a qualidade do ar melhorou ou piorou nos últimos 5 anos? ” Fonte: Autoria Própria (2018) De acordo com o gráfico 5, 53,7% dos entrevistados afirmam que a qualidade do ar piorou nos últimos cinco anos, 27,6% não souberam informar, 13% afirmaram que não houve mudanças e apenas 5,7% apontaram que melhorou, apesar de sentirem um cheiro rotineiramente, o que de forma geral há uma insatisfação por parte dos moradores quanto à qualidade do ar. Como a maioria dos moradores entrevistados afirmaram não serem informados sobre a qualidade do ar do município de Alumínio, conforme mostra o resultado da pesquisa no gráfico 3, e como não tivemos acesso a qualquer dado ou informação relacionado a isso, não foi possível fazer uma comparação da opinião dos moradores com as análises já feitas. 46 Gráfico 7: Respostas a pergunta “Quais doenças abaixo você desenvolveu ou agravou no período em que mora na cidade de Alumínio? ” Fonte: Autoria Própria (2018) Quando os entrevistados são questionados acerca se já desenvolveram ou agravou algum caso de doença respiratória, observa-se um dado preocupante em relação ao quadro de doenças, com maior ênfase as respiratórias. Do total de pessoas entrevistadas, quase metade da população possui rinite, correspondendo a 48,8% dos entrevistados, 37,4% disseram ter sinusite, 11,4% afirmaram ter asma, 14,6% disseram ter bronquite, além de 7,3% da população ter diabetes e 1,6% pneumonia. Apenas 30,9% das pessoas afirmaram não possuir nenhuma das doenças citadas. Duchiade (1992) a partir de um levantamento bibliográfico nacional e internacional sobre estudos epidemiológicos relacionados à qualidade de ar e doenças respiratóriasapontam indicações sobre a existência de associações entre os poluentes e a saúde humana. Além disso, há a necessidade de aprofundar o estudo dos efeitos da poluição do ar sobre a saúde humana, tanto do ponto de 47 vista epidemiológico quanto do ponto de vista biológico e até mesmo físico- químico, parece ter ficado bastante evidente. Ainda nesta discussão, Gouveia et al (2003) a partir de um estudo comparativo sobre a poluição do ar e os efeitos à saúde, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, apontaram que os níveis de poluição vivenciados em São Paulo e no Rio de Janeiro são suficientes para causar agravos respiratórios e cardiovasculares em idosos e crianças. Apesar de muitos poluentes apresentarem níveis considerados dentro do limite aceitável, principalmente no Rio de Janeiro, tal fato chama a atenção para a necessidade de se conhecer mais precisamente a relação entre níveis de poluentes e efeitos deletérios à saúde humana. Apesar de não obtermos informações alguma para relacionar o número de patologias dos moradores da cidade de Alumínio com a qualidade do ar do município através de análises obtidas anteriormente, podemos notar que temos um elevado número de moradores com doenças respiratórias, como a rinite e a bronquite, que são diretamente afetadas pela poluição atmosférica, o que pode indicar um número de poluentes consideráveis no ar da cidade, tais como o dióxido de enxofre, ozônio, material particulado, entre outros. 48 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa realizada na cidade de Alumínio sobre a qualidade do ar, na perspectiva dos moradores apontaram que o nível de poluição atmosférica da região é acentuado, porém não foi possível apontar com precisão quais poluentes estão sendo emitidos nesta região, e nem se as emissões dos mesmos na atmosfera estão dentro dos limites estabelecido pelo CONAMA. No entanto a saúde da população está sendo afetada, uma vez que 8 a cada 10 moradores entrevistados da cidade de Alumínio não são informados sobre a qualidade do ar e não sabem a que poluentes estão expostos todos os dias, e nem com qual intensidade, não sabem se a qualidade do ar está melhorando ou piorando, e nem o que as autoridades municipais fazem a respeito. Há uma necessidade de aprofundar o estudo, ampliando o número de entrevistados, visto que apenas menos de 1% da população total foi entrevistada. Além disso, se faz necessário uma atuação mais coerente dos órgãos competentes responsáveis pela realização das análises que envolvem a qualidade do ar do município de Alumínio, de modo que os resultados sejam acessíveis a população local com vistas aos possíveis problemas à saúde e ao meio ambiente. 49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL, D.M; PIUBELI, A.F. a poluição atmosférica interferindo na qualidade de vida da sociedade. Disponível em: < <http://www.amda.org.br/imgs/up/Artigo_24.pdf>. Acesso em: 21/05/2018. AMORIM, Wanda Batista de. MONITORAMENTO DA CONCENTRAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO MATERIAL PARTICULADO SUSPENSO NA ATMOSFERA. Disponível em <http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/267683/1/Amorim_WandaBatistade_D.p df>. Acesso em 16/06/2018. Apostila – UNESP, ÁREAS DA QUÍMICA AMBIENTAL. Disponível em: <https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/47142/3/2ed_qui_m4d8.pdf>. Acesso em: 21 de maio de 2018. A química da biosfera. São Paulo, UNESP, 2012. ATKINS, Peter; JONES, Loretta. PRINCÍPIOS DE QUÍMICA. 3ª Edição. Bookman. 2006. BRAGA, Alfesio; BÖHM, György Miklós; PEREIRA, Luiz Alberto Amador; SALDIVA, Paulo. POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA E SAÚDE HUMANA. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/revusp/article/viewFile/35099/37838>. Acesso em 23 de maio de 2018. BRASIL, RESOLUÇÃO CONAMA N°003, de 28 de junho de 1990. Controle de poluição do ar. Publicado no D.O.U. de 22 de agosto de 1990. BRASIL. 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Acesso em: 26/05/2018. 53 APÊNDICE Formulário: O questionário aplicado foi: 1) Qual a sua idade? a) Menor que 13 anos. b) Entre 13 e 21 anos. c) Entre 22 e 45 anos. d) Acima de 45 anos. 2) A quanto tempo você mora na cidade de Alumínio? a) Menos que 5 anos. b) Entre 5 e 10 anos. c) Entre 11 e 20 anos. d) Mais que 20 anos. 3) Você é informado sobre a qualidade do ar da região? a) Sim. b) Não. c) Às vezes. 4) Sente algum incomodo com o cheiro da cidade? a) Sim. b) Não. c) Às vezes. 5) No dia a dia, você nota alguma diferença na coloração do ar? a) Sim. b) Não. c) Às vezes. 6) Você acha que a qualidade do ar melhorou ou piorou nos últimos 5 anos? a) Melhorou. b) Piorou. c) Não houve mudanças. d) Não sei informar. 7) Quais doenças abaixo você desenvolveu ou agravou no período em que mora na cidade de Alumínio? (Podendo escolher mais de uma alternativa). a) Rinite. b) Asma. c) Bronquite. 54 d) Pneumonia. e) Sinusite. f) Diabetes. g) Nenhuma.