A evolução da intervenção do Ministério Público como fiscal da ordem jurídica à luz do novo Código de Processo Civil - Kleydson Muniz da Silva
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A evolução da intervenção do Ministério Público como fiscal da ordem jurídica à luz do novo Código de Processo Civil - Kleydson Muniz da Silva


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A evolução da intervenção do Ministério Público como fiscal da ordem jurídica 
à luz do novo Código de Processo Civil 
 
 Kleydson Muniz da Silva1 
 Orientadora Prof.ª Sônia de Oliveira2 
 
Sumário: 1. Introdução, 2. O surgimento do Ministério Público: do 
Procurador do Rei à independência institucional. 3. Comparativo acerca da 
intervenção do Ministério Público entre o Código Buzaid e o NCPC. 
3.1.Definição de Interesse Público ou Social. 3.2. O papel do MP na defesa 
dos interesses dos incapazes. 3.3. Atuação nos litígios coletivos pela posse 
de terra rural ou urbana 4. Mandado de segurança. 5. Ação rescisória. 6. 
Conflito de competência. 7. Do fim da análise de admissibilidade recursal na 
apelação 8. Conclusão, 9. Referências. 
 
Resumo 
 
Esse artigo visa o estudo da análise da atuação do Ministério Público nos 
processos civis ou não penais, como fiscal da ordem jurídica, a fim de buscar o 
efetivo respeito ao papel institucional do Parquet, conforme preceituado nos arts. 
127 e 129 da Constituição Federal de 1988 e em contraponto à evolução normativa 
entre o Código Buzaid e o Código de Processo Civil de 2015, objetivando a 
racionalização de sua competência para o fortalecimento dessa instituição. 
 
Palavras chaves: Ministério Público; custos iuris; processo civil. 
 
1. Introdução 
 
Atualmente há muitas discussões acerca dos diversos meios processuais que 
justifiquem ou não a intervenção do órgão ministerial como fiscal da lei, ou melhor, 
como fiscal da ordem jurídica, segundo a nova nomenclatura. Em que momentos é 
necessária sua atuação intervencionista? O art. 82 do código Buzaid enumerou, de 
forma abstrata, os momentos em que se faz necessária a atuação do MP para 
 
1 Pós-graduando no curso de especialização em Direito Processual Civil pelo Centro 
Universitário Internacional UNINTER. Graduado em Direito pela Universidade Católica do Salvador. 
Assessor Jurídico no Ministério Público do Estado da Bahia. 
2 Mestranda em Direito na PUC/PR. Especialista em Direito Criminal pela Unicuritiba. 
Especialista em Direito do Trabalho pelo Centro Universitário UNINTER. Graduada em Direito pela 
PUC -PR. Advogada atuante nas áreas trabalhista e cível. Professora Orientadora de TCC no Centro 
Universitário UNINTER. 
2 
 
exercer sua função de fiscal, sendo, dentre elas, quando há interesses de incapazes 
a serem resguardados. 
Ocorre que a vagueza da antiga lei processual \u2013 bem como a complexidade 
dos casos processuais \u2013, dificultavam a percepção da solução prática desse 
problema. Além disso, normas extravagantes também disciplinam acerca da 
obrigatoriedade da atuação ministerial, como a lei de Mandado de Segurança que 
determina a intimação do Ministério Público em todos os casos, em que pese exista 
discordância de parte da doutrina e jurisprudência, haja vista nem todos os casos de 
impetração do writ of mandamus evidenciarem o direito primário do Estado a ensejar 
a atuação meritória do órgão ministerial. 
De mais a mais, o novo Código de Ritos, em seu artigo 178, além de alterar a 
redação da antiga processual \u2013 acerca da atuação do Parquet \u2013 ainda que 
timidamente, trouxe um avanço: estabelece que não basta que a Fazenda Pública 
figure num dos polos da ação para justificar hipótese de intervenção do Ministério 
Público, reafirmando um entendimento já consolidado no Superior Tribunal de 
Justiça. 
No meio de todo esse cenário jurídico-legal, o Conselho Nacional do 
Ministério Público havia editado a Recomendação nº 16/2010 que estabelecia as 
possíveis hipóteses de desnecessidade de intervenção do órgão ministerial como 
custos legis, incluindo, por exemplo, o Mandado de Segurança, mesmo na vigência 
da imposição da Lei nº 12.016/2009. No entanto, a referida norma foi revogada, 
sendo substituída pela Recomendação nº 034/2016, com vistas a trazer um esforço 
conceitual daquilo que seja a relevância social a justificar a intervenção do Parquet. 
É essa polêmica que será tratada no artigo, mostrando os novos contornos 
desse papel do Ministério Público, sobretudo a partir de 18/03/2016, data da entrada 
em vigor3 do novo Código de Processo Civil. 
 
 
 
 
 
3 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Pleno do STJ define que o novo CPC entra em vigor no 
dia 18 de março. Disponível em 
http://www.stj.jus.br/sites/STJ/default/pt_BR/Comunica%C3%A7%C3%A3o/Not%C3%ADcias/Not%C3
%ADcias/Pleno-do-STJ-define-que-o-novo-CPC-entra-em-vigor-no-dia-18-de-mar%C3%A7o 
Acessado em 28/03/2016. 
3 
 
2 \u2013 O surgimento do Ministério Público: do Procurador do Rei à independência 
institucional 
 
Para que se possa traçar as formas de intervenção do Ministério Público em 
processos civis ou não-penais, é importante, primeiramente, que se tenha em vista a 
mudança do papel desse órgão de mero fiscal da lei (ou custos legis) para fiscal do 
direito (ou custos juris), ou, até, como preferem alguns, custos societatis. 
Antes de adentrar, propriamente, na seara da atuação do Ministério Público 
brasileiro como custos juris, mister é que se faça um aparato histórico dessa 
instituição. 
O surgimento do Parquet é fato por demais controverso, havendo notícias 
que remontam o Egito Antigo, na figura dos magiaís; os tesmotetas, na Grécia do 
século VIII a.C., e os procuratores caesaris da Roma antiga (CASARA e MELCHIOR, 
2013). Entretanto, a teoria mais aceita remonta ao século XIV, na França, que, 
durante a ordenação de 25 de março de 1302, do reinado de Felipe IV, os chamados 
procuradores do rei (les gens du roi) deveriam prestar o mesmo juramento do juízo e 
lealdade à coroa, ou ao Estado-Rei. 
Em relação especificamente ao Ministério Público brasileiro, é importante, 
também, que se faça um esforço histórico para compreendê-lo, já que ele difere \u2013 
em muitos casos \u2013 dos parquets de outros países. 
Em março de 1609, cria-se o Tribunal da Relação da Bahia, onde foi definida 
pela primeira vez a figura do promotor de Justiça que, juntamente com o Procurador 
dos Feitos da Coroa, Fazenda e Fisco, integrava o tribunal4. 
No Brasil, o MP, durante bastante tempo, fez parte do Poder Executivo sendo 
visto de forma mais restrita e tido apenas como mero fiscal da lei, quando muito. 
Com o advento da Constituição Federal de 1988, houve uma reformulação 
conceitual acerca do órgão ministerial, visando dissociá-lo do Poder Executivo e 
colocá-lo como defensor da ordem jurídica5. Todavia, parte da doutrina ainda 
continuava (e continua) a tratá-lo apenas como custos legis. Nesse sentido, veja-se 
 
4 CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. A História do Ministério Público no Brasil. 
Disponível em <http://www.cnmp.gov.br/portal_legado/comissoes2/94-institucional/ministerio-
publico/128-a-historia-do-ministerio-publico-no-brasil> Acessado em 30/03/2016. 
 
5 Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, 
incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e 
individuais indisponíveis. (g.n.) 
4 
 
o que diz Fredie Didier6: 
 
Essa visão restritiva decorre também de certo silêncio da doutrina, que, em 
linhas gerais, persiste na análise do Ministério Público apenas na tradicional 
função de custos legis (\u201cfiscal da ordem jurídica\u201d, segundo o novo CPC), 
salvo quando se abordam questões envolvendo a legitimidade para ações 
coletivas. 
 
Porém, após a CF/88, e mais recentemente com o advento do Código de 
Processo Civil de 2015, essa visão do Ministério Público não pode mais ser aceita. 
Agora, não se vê mais o MP como \u201cmero\u201d fiscal
Kleydson
Kleydson fez um comentário
Obrigado, Jakeline. Forte abraço.
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Jakeline
Jakeline fez um comentário
Parabéns Kleydson! Excelente material!
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