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Bioquímica do Estômago – Marise – 16/08 Lembrando que iremos focar na bioquímica, a fisiologia não será muito abordada. A glândula tem que lançar substâncias no interior da cavidade. O estômago funciona como uma glândula exócrina e endócrina (sinalizadores). Digere alimentos (HCL, pepsina, lipase gástrica) e secreta hormônios (gastrina). Lembre-se que hormônio é toda substância química que sinaliza uma resposta. O estômago é uma dilatação onde o bolo alimentar que chega do esôfago é processado e vira um fluído viscoso, o quimo. Mucina: Glicoproteína que deixa viscoso. Ajuda a proteger a mucosa estomacal das variações de pH. Absorção de vitamina B12 só é possível devido ao fator intrínseco – glicoproteína produzida pelas células parietais do estômago. Função de “prender” a cianocobalamina (B12). Como é hidrossolúvel tem que ficar preso no organismo para ser absorvido. Essa é a maior função do estômago no organismo. O estômago é fundamental na digestão inicial de proteínas. Possui HCL que ativa um zimogênio, o pepsinogênio, em pepsina. Além disso, a própria pepsina ativada pode ativar mais pepsinogênio. Ela atua hidrolisando cadeias proteicas. A lipase gástrica tem seu Ph ótimo próximo ao alcalino. Logo, no estômago ela não consegue atuar de modo muito eficiente, já que o pH estomacal era muito ácido. Logo, a degradação de lipídeos pela lipase gástrica é, praticamente, desconsiderável. Produção de hormônios – O estômago tem sua atividade secretora: “Um indivíduo adulto vive muito bem sem estômago”. Isso ocorre, pois as reações químicas da digestão e a absorção de nutrientes são feitas, principalmente, pelo intestino. Logo, a digestão/absorção não fica tão comprometida. O problema da gastrectomia é que o fator intrínseco ficará faltando, já que ele só é produzido pelas células parietais gástricas. Assim, a absorção de B12 será comprometida. A ausência de vitamina B12 atrapalha a síntese de DNA, a divisão proteica e a produção de hemácias. As hemácias, portanto, ficam grandes (anemia megaloblástica perniciosa). Obs.: O ácido fólico (B9) poderá ser prejudicada pela ausência de vitamina B12. O suco gástrico possui água, HCl, pepsinogênio (pepsina), lipase gástrica e muco. O pepsinogênio é um zimogênio => toda pré ou pró enzima. Enzima liberada na sua forma desativada, para evitar que ela realize proteólises intracelulares. Obs.: Cada bola é um aminoácido. A célula G produz gastrina que estimula a secreção de HCl. A presença de no suco gástrico vai estimular a remoção de um pedaço do pepsinogênio. Esse pedaço é chamado de peptídeo protetor. É chamado de protetor, pois protege o pepsinogênio de se converter em pepsina do nada e começar a digerir a própria célula que a produziu. Vale lembras que a célula que produz o pepsinogênio é a célula principal gástrica. O peptídeo protetor é digerido no bolo. Já pode ser degradado para absorção de seus aminoácidos. O intestino é altamente colonizado por bactérias. Elas aproveitam o que é ingerido. Os aminoácidos do peptídeo protetor podem ser aproveitados pela bactéria. A enzima da bactéria pega o aminoácido, conforme explicitado na imagem acima, e a amônia (NH3) é retirada e eliminada na mucosa. Pois a bactéria não aproveita o grupamento de nitrogênio do aminoácido. A amônia sobressalente, então, é absorvida e entra na via da ureia. As glândulas gástricas secretam de 2 a 3 litros de suco gástrico por dia. O suco gástrico, mais uma vez, é constituído de água, HCl, pepsinogênio (pepsina), lipase gástrica e muco (protetor). O quimo é lançado no duodeno (intestino delgado) de forma intermitente graças à contração coordenada da camada muscular e o relaxamento do esfíncter pilórico. O estômago tem muitas características histológicas relevantes: Prega, muco, fosseta, mucosa, submucosa, muscular. O epitélio da mucosa é epitélio cilíndrico simples. As células desse epitélio são capazes de secretar mucina. O estômago é dividido em 4 regiões, no entanto, o fundo e o corpo possuem semelhança histológica. Temos, portanto: Cárdia Fundo Corpo Antro Pilórico Células gástricas - Células mucosas: Muco. - Células Principais (Zimogênios): Enzimas como o pepsinogênio e lipase. - Células Parietais (Oxínticas): Produção de HCl e fator intrínseco. - Células G: Gastrina. - Células Enterocromafins: Histamina. - Células D: Somatostatina. Obs.: Prostaglandinas também podem atuar. Produção do HCl pelas parietais (acompanhar o desenho na folha amarela) Quais são os estímulos para a secreção de HCl? Cefálico: Pensamento, cheiro, visão. Envolve impulsos parassimpáticos com atuação da acetilcolina. Gástrico: Presença de alimento no estômago. A gastrina e a histamina estimulam a produção de HCl pela célula parietal. Intestinal: Presença de alimento no intestino delgado. Gastrina nas células parietais. Mas como ocorre a produção de HCl pelas parietais? 1º: O Plasma possui muito CO2 em seu interior. Esse CO2 entra na célula parietal. Esse CO2, agora na célula parietal, interage com o H2O e forma H2CO3. O H2CO3, por sua vez, dissocia-se em H+ e HCO3- Obs.: O H+ também pode vir da água no interior do hepatócito. 2º: A membrana da célula parietal apresenta a Bomba Protônica (Bomba H+/K+ ATPase). Essa bomba, por transporte ativo, manda o H+ para fora da célula (ao lúmen) e o K+ para dentro. 3º: O bicabornato da dissociação vai ao plasma e é contratransportado por Cl-. O cloreto aproveita o potencial elétrico criado pela atuação da bomba protônica e vai ao lúmen. 4º: O resultado final é H+ e Cl- no lúmen. Eles se combinam e formam HCl. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Como o zonzin/guyton diz que é: 1º: Há um trocador de Na+/Cl-. Ele coloca o Cl- para o lúmen e o Na+ para dentro da célula. A ida do cloreto, por transporte ativo, para o lúmen cria uma eletronegatividade no lúmen que atrai cátions. 2º A Bomba de Na+/K+ ATPase coloca 3 Na+ para o lúmen e 2 K+ para dentro da célula. 3º A eletronegatividade do lúmen atrai um pouco de Na+ e K+. O K+ vai ao lúmen com mais facilidade pelos canais vazantes. Forma-se NaCl e KCl. 4º O H2CO3 é formado em uma reação com o CO2 e H2O. O H2CO3 se dissocia em H+ e HCO3-. 5º O HCO3- sofre contratarnsporte, vai ao plasma sanguíneo. Já, na contravia, o Cl- entra na célula. Após entrar, o Cl- tende a deixar a célula pela proteína de transporte ativo do item 1º. 6º O H+, por ação da bomba protônica (bomba H+/K+ ATPase) é enviado para fora da célula e se encontra com o Cl-, originando HCl. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O omeprazol é um medicamento que inibe a atuação da bomba de prótons. Não para ela totalmente, só lentifica sua atuação. O bicarbonato secretado no plasma é o principal responsável pela maré alcalina. O HCl, como foi dito, tem o poder de digerir o peptídeo protetor e, com isso, converte o pepsinogênio em pepsina. Além disso, a própria pepsina possui poder de autocatálise ou autoativação. O HCl possui um efeito deletério. Evita que, após ingerirmos um microrganismo, ele nos cause infecção. O que focar para a prova: Qual a importância do estômago para a vitamina B12? Como ocorre a secreção de HCl? Que efeitos os fármacos inibidores da bomba protônica pode causar no estômago? Como ocorre a conversão de pepsinogênio em pepsina. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Considerando a ênfase dada em sala de aula para a vitamina B12, resolvi puxar um dos meus resumos que explica melhor a relação entre a B12 e a B9 (que foi falado rapidamente em sala): VITAMINA B12 A vitamina B12 fica associada ao folato (B9). No complexo B há uma série de vitaminasque atuam como coenzimas – substâncias que auxiliam a atividade enzimática. A vitamina B12, por sua vez, associada ao folato é fundamental para a síntese de hemácia. A deficiência de folato causa defeito na formação do tubo neural e sua ausência associada à ausência de vitamina B12 causa anemia. Por que a ausência de vitamina B12 promove o aparecimento do megacariócito (hemácia grande)? A ausência de B12 e B9 prejudica a síntese de DNA, por conseguinte, o DNA disponível para a mitose de progenitores de eritrócitos diminui. Assim, as células eritroblásticas da medula não se proliferam com rapidez, produzem hemácias maiores que o normal, frágeis e irregulares. Característica da anemia megaloblástica. A vitamina B12 está presente em alimentos de origem animal, especialmente leite, carne e ovos. Vegetais não têm. Absorção de B12: Na mucosa do estômago, nas células parietais ou células cofins são as células produtoras da glicoproteína chamada de fator intrínseco. Esse fator intrínseco é importante para intermediar a absorção de vitamina B12 no intestino. Quando as células parietais não conseguem liberar esse fator, cria-se um tipo específico de anemia megaloblástica só que decorrente da má absorção de vitamina B12, a anemia perniciosa. A anemia perniciosa está ligada mais à falha de absorção, pois o consumo nutricional dos indivíduos já costuma suprir a demanda (1-2 ug p/ dia). Existe uma reserva de vitamina B12 de cerca de 3000ug, suficiente para manter os níveis plasmáticos por 3 ou 4 anos. Há tipos diferentes de cobalaminas (vitaminas B12): Metilcobalamina (- CH3), cianocobalamina ( - CN), adenosilcobalamina, hidroxicobalamina. Como já foi dito, as células parietais secretam o fator intrínseco. Esse complexo B12 + Fi vai ao íleo do intestino delgado. Na mucosa ileal há receptores para esse complexo. Nessa situação, a cobalamina (B12) é absorvida pela mucosa intestinal e o Fi continua no íleo para ser evacuado. Pode ser que um pouco de Fi entre junto com o ferro. No entanto, o Fi que entra será destruído em breve. A cobalamina liberada do complexo penetra na mucosa unida a uma proteína celular que permite sua interiorização. É liberada e cedida ao plasma. Transporte de B12: No plasma é transportada por sua proteína carregadora – transcobalamina II. A deficiência congênita de transcobalamina II produz anemia megaloblástica severa. Função de B12: É essencial para a produção normal de células sanguíneas e função do tecido nervoso. Tanto é que sua carência em idosos pode promover demência. A B12 atua como coenzima na via metabólica que converte a homocisteína em metionina, que é a única via de síntese do radical metil (-CH3) no homem. (Homocisteína + N5 metil-tetra-hidrofolato -> Metionina + Tetra-hidrofolato) A metionina é um aminoácido importante, pois é um aminoácido de iniciação, responsável pelo início de todas as sínteses proteicas. Portanto, a B12 ajuda na atuação da metionina sintase. Portanto, os efeitos da deficiência de B12 são mais pronunciados em células que se dividem rapidamente. Como, por exemplo, o tecido hematopoiético e as células da mucosa intestinal. Um dos derivados do tetra-hidrofolato (B9) é o N5 metil-tetra-hidrofolato. Acredita-se que a deficiência de B12 atrapalhe o metabolismo do folato. Pois a síntese de metionina por B12 é a única via do N5 metil-hidrofolato voltar a reserva de tetra-hidrofolato (B9 ativa), prejudica-se, assim, a produção de bases nitrogenadas purinas. Obs.: Na real é o metil-tetra-hidrofolato. O N5 é só um tipo. ÁCIDO FÓLICO A forma ativa de folato é tetra-hidrofolato. Essa molécula pode transportar fragmentos de carbono para a produção de metionina, importante na metilação do DNA (códon inicial). Sua deficiência inibe a disponibilidade de bases hidrogenadas purinas (A e G), pois são derivadas de carbonos do tetra-hidrofolato. Isso interrompe a divisão na fase S, pois não ocorre a divisão do DNA. Isso é um fator que promove a formação de anemia megaloblástica. Pelo que eu entendi a B12 dá o códon de iniciação, mas precisa de um derivado de B9 para a reação. Essa reação ainda produz o tetra-hidrofolato que é uma forma ativa da B9. Ele é fundamental para a disponibilização de bases nitrogenadas purinas para que a síntese de mais DNA ocorra. Associação B12 – B9: Logo, se falta B12, ocorre um acúmulo de folato em uma de suas derivações não ativas (sob a forma de metil-tetra-hidrofolato). Visto que a reação que converte seu derivado em tetra-hidrofolato depende da enzima metionina sintase que só funciona na presença de B12. Assim o tetra-hidrofolato não tem como doar carbonos para a formação das bases purinas que compõe o nucleotídeo do DNA. Além disso, a escassez da B12 atrapalha a própria síntese de metionina pela metionina sintase, assim, o aminoácido de iniciação fundamental para as divisões e síntese proteica fica ausente. Se faltar ácido fólico, é um indício que falte um dos seus derivados: N5 metil-hidrofolato. Isso prejudica a via de transformação da homocisteína para metionina pela B12, e a metionina é o aminoácido de iniciação das divisões e sínteses do corpo. Além disso, o tetra-hidrofolato da reação ainda é usado na síntese de bases purinas (A e G) – fundamentais para a formação dos nucleotídeos que irão originar o DNA. Logo, a falta de B9 ou B12 atrapalha muito a fase S da divisão celular, pois atrapalha a síntese de material genético. Logo, constitui um fato que a B12 e a B9 são complementares em suas atividades. Uma depende da outra para a promoção de uma ideal síntese de DNA. A B12 favorecendo a ação da metionina sintase que produz metionina. E a B9 tendo o metil de um dos seus derivados como uma das matérias para a atuação dessa enzima. E esse derivado é transformado em uma forma ativa de B9 capaz de produzir bases nitrogenadas purinas, fundamentais para o DNA. Absorção de folato: Geralmente as várias formas de folato são absorvidas na metade superior do intestino delgado. Função dos folatos: Sua forma ativa, tetra-hidrofolato serve como substrato para a síntese de bases nitrogenadas purinas (A e G) importantes na síntese de nucleotídeos e, portanto, de ácidos nucléicos (DNA e RNA). Seus derivados, como o metil – tetra-hidrofolato doa o radical metil em associação à utilização de homocisteína para a produção de metionina, intermediada pela vitamina B12 (como coenzima) e a enzima metionina sintase. Inclusive essa reação acaba por produzir, além da metionina (aminoácido iniciador de sínteses e divisões), produz a formativa de B9, o tetra-hidrofolato com a função já explicada no parágrafo anterior.