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CIRURGIAS DE CABEÇA E PESCOÇO ANATOMIA DO PAVILHÃO AURICULAR Internamente revestido por pele e cartilagem (bem aderida a pele) Externamente revestido por pele (na porção côncava) Estruturas importantes: a. A cartilagem maior – Hélice b. Antihélix c. Tragos – Entrada do padrão auricular Conduto auditivo está dividido em: Orelha externa (canal vertical e canal horizontal), Orelha média (cavidade timpânica e trompa de Eustáquio – possui uma comunicação com a faringe e o sistema vestibular, podem ocorrer vestibulopatias) e Orelha interna (labirinto ósseo, canais semicirculares e ossículos auditivos – conduz o estimulo auditivo) OTOHEMATOMA Definição: Formação de um hematoma entre a pele da face interna e a cartilagem (na face de dentro) Extensão bastante variada Causas: a. Otite – O paciente se auto traumatiza devido a otite e o atrito acaba por romper pequenos vasos do padrão auricular e leva o otohematoma. Muitas vezes os dois quadros clínicos estão associados. b. Fragilidade capilar – Ruptura espontânea dos vasos da região auricular (ex: fragilidade ou coagulopatias) Diagnóstico: Otoscopia, Citologia do Cerúmen, Cultura e Antibiograma (nos casos que tendem a cronicidade) e na suspeita de otite média RX de Crânio (avalia bula timpânica) Tratamento: Escolhe de acordo com a característica e causa, condições do paciente, extensão da lesão e tempo de evolução. 1. PUNÇÃO – Mais frequente e menos eficaz (se só punciona não mantem drenagem continua e como há processo inflamatório secundário acumula liquido de novo – altas chances de recidiva pois o espaço morto continua ali). Faz antissepsia e com agulha e seringa aspira o conteúdo da formação. Pode fazer quando o hematoma for pequeno ou muito recente. 2. INSERÇÃO DE DRENO – Toda vez que tem um processo inflamatório envolvido por uma cápsula ocorre cumula liquido no espaço morto Precisa que haja fibrose, aderência e cicatrização do espaço que sobre e o liquido não pode ficar acumulado. Podem ser inseridos LONGITUDINALMENTE (na parte perto do ápice ou perto da base – faz a incisão e põe o dreno) ou BRINCO (faz duas incisões paralelas e colocar o dreno entre elas; deixa aberto. mantem a drenagem continua e faz compressão com bandagens para aumentar o contato entre os tecidos até fazer aderência). Eficiente para a maioria dos casos – Deixa o dreno de 2 a 3 semanas, associa a limpeza constante, antibiótico sistêmico, anti inflamatório sistêmico (corticoide). 3. CIRURGIA – Constituído pela realização de uma incisão em “S” ao longo de todo o hematoma (longitudinal) seguido da limpeza e curetagem da cápsula do hematoma (reaviva os tecidos e tira a fibrose para estimular a cicatrização). Sutura com pontos em “U” incluindo a pele da face interna e a cartilagem, para que haja a compressão e aderência dessa região. Os pontos em “U” devem ser LONGITUDINAIS em relação ao eixo da hélice (os vasos vão da base pro ápice – pode ocorrer de ligar os vasos por acidente e levar a ponta da orelha a necrose). Faz antibiótico e anti-inflamatório sistêmico. Mantem a orelha presa a cabeça com bandagens absorventes e compressivas. Podem ocorrer sequelas: Ocorre retração da cartilagem do padrão auricular – Animais com a orelha em pé, ficam com a orelha em couve flor (enrugada, caída) RESSECÇÃO LATERAL DO CANAL VERTICAL Indicações: Estenose do canal por hiperplasia do epitélio vertical (animais com otite crônica – há um prejuízo da drenagem das secreções e agrava ainda mais a otite), lesões neoplásicas da parede lateral (ex: se houver um pólipo), otite externa crônica não responsiva ao tratamento clínico. Técnica Cirúrgica: Aeração ou Técnica de Zepp; O canal vertical é um tubo – Faz uma incisão paralela ao conduto na face anterior do “tragos”, desce paralela no sentido longitudinal ao conduto e outra na parte posterior do “tragos” – Levanta o “flap” de pele e em baixo há subcutâneo, musculatura e a cartilagem do conduto auditivo – Faz também duas incisões paralelas na cartilagem, até o final do conduto vertical até chegar na abertura do canal auditivo horizontal – abre o conduto vertical (tubo) ao meio (vira uma calha), põe pra baixo e prende – mantem um meio de drenagem. COMPLICAÇÕES: Deiscência de pontos – Para evitar, faz antibióticoterapia pré cirúrgica (tópico e sistêmico) Faz o tratamento clínico também – Faz cultura e antibiograma para auxiliar na escolha do antibiótico tópico ou sistêmico. ABLAÇÃO DO CANAL VERTICAL Indicações: Otite hiperplásica irreversível, trauma ou neoplasia do canal vertical (ex: pólipos, formações) Remoção total do seguimento (pode remover todo o conduto externo ou só o canal vertical) Técnica Cirúrgica: Faz incisão em T ( uma paralela ao trago e outra longitudinal ao conduto vertical) – Vai dissecando até expor todo conduto vertical – Expos tudo complementa a incisão na base do padrão auricular – Separa o conduto vertical e tira – Deixa a abertura do conduto horizontal suturada. ABLAÇÃO TOTAL DO CONDUTO AUDITIVO EXTERNO Indicações: Otite externa crônica pós tentativa de aeração e ablação parcial, calcificação da cartilagem auricular intensa (cartilagem torna-se espessa, dura e na porção interior, ocorre hiperplasia epitelial severa levando à estenose do conduto – são os animais que já não consegue mais fazer exame clínico de tão fechado que está) e neoplasias malignas e pólipos do conduto horizontal. Faz quando as lesões são crônicas e não tem mais o que “fazer” o animal continua a sentir dor. Técnica Cirúrgica: Incisão em T (uma paralela ao trago e outra longitudinal ao tragos) até o final do conduto - Divulsiona até a parte ventral do conduto circundando e isolando ele todo – Existem duas estruturas anatômicas importantes (parótida – afasta e nervo facial – lesões nele podem provocar paralisia da pálpebra) – Vai dissecando até chegar no osso (bula timpânica) – Secciona o conduto e a cartilagem e remove. A maioria dos pacientes que fazem ablação total possuem lesões em bula timpânica e conteúdo – Faz a curetagem, coloca um dreno ventral a sutura. Tomar cuidado com a orelha interna. Faz cultura e antibiograma para a escolha de antibiótico – pré e pós cirúrgico. Pode-se fazer OSTEOTOMIA DA BULA TIMPÂNICA: Quando a abertura é pequena ou muito conteúdo na bula timpânica e não consegue drenar – pode ampliar a abertura da bula fazendo a osteotomia ventral – faz a remoção de um seguimento do osso da parte ventral da bula timpânica e insere o dreno dentro da bula timpânica, exterioriza a outra ponta e sutura – Manda o conteúdo para histopatológico. COMPLICAÇÕES: Paralisia do n. facial, fístula ou deiscência de pontos, celulites e infecção, doença vestibular: alt. posturais, nistagmo, head tilt → MANTER ANTIBIOTICOTERAPIA PROLONGADA (30 DIAS) GLÂNDULAS SALIVÁRES Glândula mandibular é contínua a sublingual e desembocam os ductos na cavidade bucal; A glândula mandibular é cranial a ramificação da veia cava; Atrás da órbita, tem a glândula zigomática; A glândula parótida é ventral ao conduto auditivo, como já citado antes; MUCOCELES OU SIALOCELES Definição: Formação de uma cápsula fibrosa contendo saliva no subcutâneo ou na submucosa a partir da ruptura da via de drenagem normal da glândula acometida. Ou seja, há uma lesão nos ductos da glândula salivar – extravasa saliva para o meio exterior – causa inflamação local e forma-se uma capsula fibrosa que limita esse conteúdo. Encontra um aumento de volume, preenchido por um conteúdo flutuante limitado por uma cápsula fibrosa Mais frequente: Gland. Sublinguais e mandibulares Não são cistos – a cápsula é epitelial no cisto e não fibrosa. Qualquer idade, geralmente em animais adultos. Predisposição genética em Poodles, Dachshunds Etiologia: Desconhecida – Acredita-se que por traumas e sialolitos Apresentação: Depende de qual glândula foi acometida a. Mucocele Cervical – Ruptura do ducto mandibular – Vê aumento de volume cervical ventral, indolor e flutuante. Diagnóstico Diferencial: Abscesso, hematoma, neoplasia cutânea b. Mucocele Sublingual (Rânula) – Ruptura do ducto mais cranial da gland. sublingual – Aumento de volume na cavidade oral de aspecto bolhoso, mucosa integra e lisa. Diagnóstico diferencial: Neoplasia (devido ao aumento de volume) – Diferencia pela consistência, aspecto, características da rânula (é bem característico, da pra saber que é rânula - a neo tem a superfície irregular, firme). Diagnóstico: Paracentese (se for mucocele cervical – obtém um líquido bem gelatinoso incolor ou avermelhado), Sialografia (exame contrastado das glândulas e vias salivares – raramente utilizado pois saber onde está o pronto de ruptura não adianta de nada), Biópsia do material excisado (tentar identificar a causa). Os sialolítos são radiopacos Tratamento: a. Cervicais – Sialoadenectomia + Drenagem da mucocele Retirada da glândula acometida – Faz através da identificação da glândula mandibular (atrás do ângulo da mandíbula e na bifurcação da veia cava em veia maxilar e linguofacial) – Faz a incisão de pele, subcutâneo, musculatura e da glândula – Divulsiona até achar a cápsula da glândula – Abre a cápsula e expõe o tecido glandular (pega a glândula com a pinça allis) – Disseca profundamente e delicadamente a glândula mandibular –– Remove a mandibular – Vai aprofundando até achar o nervo lingual – Secciona o ducto e faz ligadura do nervo – Remove a sublingual Não remove a mucocele – Pode deixar aberto pois retirou a glândula – Faz fibrose e involui sozinha. Punção – Não é tratamento!! Piora a inflamação podendo formar abscessos, neoplasias etc. Fio: Absorvível sintético – Vincryl b. Rânula – Marsupialização Técnica em que se exterioriza uma cavidade – Abre a pele e a cápsula fibrosa – Retira uma parte significativa da parede da cápsula e da cavidade bucal – Sutura a cápsula aberta na mucosa da cavidade. Não é necessário remover as glândulas Fio: Nylon 3-0 ou 4-0 Pós Operatório: Lavagem bucal (rânula), bandagem absorvente (cervical), AINES, antibiótico sistêmico ESÔFAGO ESOFAGOSTOMIA Definição: Cria-se uma abertura do esôfago para o meio externo Faz a colocação de uma sonda esofágica para alimentação forçada do paciente. Mais comum em gatos – Se ficarem muitos dias em jejum, podem fazer lipidose, perde condição clínica. Indicações: Anorexia e distúrbios da cavidade oral ou faringe (por exemplo osteossíntese de mandíbula – não conseguem mastigar depois, neoplasias orais). Contraindicações: Distúrbios do esôfago – esofagite, estenoses, megaesôfago. Técnica Cirúrgica: Coloca-se o animal em decúbito lateral – Mede o tamanho aproximado da sonda, de preferência as mais grossas para não entupir (tem que ir mais ou menos até o 7 e 8º EIC) – Com a pinça curva introduzida pela cavidade oral, faz uma tração a parede do esôfago e a pele – Faz uma incisão no pescoço com o bisturi e mantem a pinça curva na abertura – Coloca a sonda na ponta da pinça e puxa através da cavidade oral deixando uma ponta para fora – Pega a sonda, vira e empurra para dentro. Faz RX para ver se realmente está no local correto. Faz um ponto para ancorar e sutura chinesa ao redor da sonda. TRAQUEOSTOMIA Definição: Abertura da traqueia para o meio externo Tipos: a. TEMPORÁRIA – Faz em situações de emergência para tratamento de alguma condição do animal. Indicações: Cirurgias bucais ou craniais na traquéia (por conveniência) e obstruções de vias aéreas superiores (por exemplo em neoplasias na região, edema de glote ou em regiões da orofaringe, abscessos). Técnica Cirúrgica: Incisão de pele e SC central na região cervical – Afasta os músculos esternohioideos – Vê a traqueia – Faz uma incisão no tecido entre os anéis (3º e 4º ou 4º e 5º) – Afasta os anéis traqueais e coloca a sonda. b. DEFINITIVA: Procedimento terminal ou de resgate. Indicações: Obstruções respiratórias superiores que não podem ser corrigidas com êxito (exemplo neoplasia bucal que obstrui a orofaringe, neoplasia na região da orofaringe) – Faz para liberar as vias aéreas. Técnica Cirurgica: Incisão de pele e SC mais ampla – Afasta os músculos – Faz a superficialização da traqueia (faz um ponto em “U” que vai de um músculo ao outro passando por baixo da traqueia) – Abre uma janela de 3 a 4 anéis traqueais a partir do 3º – Sutura a mucosa na pele. Riscos em ambos os casos: Pneumonias, risco de contaminação alto