APOSTILA DE CONSTITUCINAL II
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APOSTILA DE CONSTITUCINAL II

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AULAS DE DIREITO CONSTITUCIONAL II
DIREITO DE NACIONALIDADE
	Nacionalidade é o vínculo jurídico que liga a pessoa a um determinado Estado. Aí, elas passam a ter o Estado como referência. Todos aqueles que não sejam nacionais são considerados estrangeiros.
	A Constituição Federal de cada país é que determina a nacionalidade.
Espécies:
	1 - Nacionalidade Primária \u2013 (art. 12,I) é aquela que se obtém pelo nascimento. Existem dois critérios básicos para adquirir esta nacionalidade:
Jus solis \u2013 critério de estabelecimento é o lugar em que a pessoa nasce. Adotado no Brasil.
Jus sanguinis \u2013 o que importa é o sangue, a filiação.
Em princípio, existem pessoas que podem ter várias nacionalidades primárias. São os polipátridas. Ex.: filho de alemão e italiana que nasce no Brasil possui três nacionalidades.
	Existem também os apátridas ou heimatos que são pessoas que não possuem qualquer vínculo jurídico com o Estado. Ex.: brasileiro e paraguaia que tem filho na Itália.
	Hoje em dia, no Brasil, utiliza-se também o jus sanguinis. Isso para que filhos de brasileiros nascidos no exterior possam adquirir a nacionalidade brasileira quando vierem morar no Brasil.
	O art. 12, I, a, b, c, descreve as formas de aquisição da nacionalidade primária:
- critério do jus solis \u2013 nascimento no território nacional. (navios e aviões com bandeira brasileira e dentro do espaço de domínio brasileiro navios e aviões oficiais)
- critério do jus sanguinis + fato de vir morar no Brasil. A pessoa pode optar pela nacionalidade brasileira, desde que venha residir no Brasil. Foi modificada pela EC 3/94.
2 - Nacionalidade Secundária \u2013 é aquela que se obtém por ato voluntário. É a naturalização. Essa nacionalidade implica a perda da nacionalidade primária, em regra.
O art. 12, II, a, b, c descreve as formas de se adquirir a nacionalidade secundária:
- naturalização ordinária (art. 12,II,a) \u2013 pela lei existem duas possibilidades: para os de origem de países de língua portuguesa e para os demais.
- naturalização extraordinária (art. 12,II,b) \u2013 qualquer estrangeiro que resida ininterruptamente há mais de 15 anos, não tenha condenação penal e requeira a naturalização.
Vale ressaltar que a nacionalidade é matéria constitucional, portanto, não pode lei ordinária traçar critérios para se adquirir nacionalidade.
Diferenças entre brasileiros natos e naturalizados:
Art. 5o , LI \u2013 o brasileiro naturalizado pode ser extraditado por crime cometido antes da naturalização.
Art. 12, § 3o \u2013 impossibilidade de brasileiros naturalizados concorrerem a cargos públicos. Somente os brasileiros natos podem.
Art. 89, VII \u2013 o brasileiro naturalizado não pode fazer parte do Conselho da República.
Art. 222 \u2013 referente à necessidade de ser nato ou naturalizado há mais de 10 anos, para poder adquirir propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão.
Diferenças entre nacionais e estrangeiros:
Art. 5o , XV \u2013 direito à locomoção no território nacional em tempo de paz.
Art. 5o , LXXIII \u2013 o brasileiro pode propor ação popular, que só pode ser proposta por um cidadão, e só é cidadão quem vota; o estrangeiro não vota, logo, não pode propor ação popular.
Art. 14, §§ 2o e 3o - o estrangeiro não pode votar, nem ser votado. Não pode participar dos negócios do Estado. O brasileiro pode.
Art. 37, I \u2013 o estrangeiro não pode ocupar cargo público, somente brasileiro.
Art. 176, § 1o - a exploração de recursos minerais só poderão ser feitas por empresas nacionais.
Perda e Reaquisição da nacionalidade:
Perda \u2013 quando se adquire nacionalidade secundária (salvo em alguns casos \u2013 art. 12, §4o ,II, a, b) ou por sentença judicial cancelando a naturalização.Para (re)adquirir a nacionalidade, em tese, existem três formas:
através de um pedido de naturalização.
 - Lei 818/49 que possibilita ao Presidente da República, através de decreto, declarar retorno de naturalização a quem a perdeu, seja ela primária ou secundária.
- se a perda ocorreu na hipótese do art. 12, § 4, I , pode ser readquirida por ação recisória, até dois anos depois de transitar em julgado da sentença que cancelou a naturalização.
Obs.: quando se opta pela nacionalidade americana por força de vontade, por exemplo, perderá a nacionalidade, no entanto se a lei americana considerá-lo americano por ser filho de tal, neste caso não perderá a nacionalidade brasileira. Exemplo típico destes casos são filhos de italianos.
DIREITOS POLÍTICOS
	A CF traz um capítulo sobre esses direitos, que em sentido estrito, seriam um conjunto de normas que regula a atuação da soberania popular (art. 14 a 16). \u2013 José A.Silva.
	Rosah Russomano os define no mesmo sentido: \u201cvisualizados em sua acepção restrita, encarnam o poder de que dispõe o indivíduo para interferir na estrutura governamental, através do voto.\u201d
	Não devem ser confundidas nacionalidade e cidadania, aquela é vínculo ao território estatal por nascimento ou naturalização; esta é status ligado ao regime político. Cidadania, qualifica os participantes da vida do Estado, é atributo das pessoas integradas na sociedade estatal, atributo político decorrente do direito de participar no governo e direito de ser ouvido pela representação política. Cidadão, no direito brasileiro, é aquele que seja titular dos direitos políticos de votar e ser votado e suas conseqüências. Nacionalidade é conceito mais amplo do que cidadania, e é pressuposto desta, uma vez que só o titular da nacionalidade brasileira pode ser cidadão.
 Deve-se observar que nem todo nacional é um cidadão e que os estrangeiros não tem direitos políticos. Exemplo é a ação popular, que serve para defender os patrimônios público, histórico-cultural e a moralidade administrativa, e só pode ser proposta pelo cidadão.(art. 5o, LXXIII) \u2013 (art. 29, XIII, iniciativa popular de competência municipal) \u2013 (art. 61, §2o \u2013 iniciativa popular).
O Plebiscito e o Referendo são consultas feitas ao cidadãos, a primeira feita antes (de um ato qualquer, a fim de legitimá-lo), a segunda é feita depois, sob pena de não valer a modificação se a população for contra. (art. 14, I e II \u2013 Art. 18, §4o ).
Os direitos de cidadania adquirem-se mediante alistamento eleitoral na forma da lei. É feito mediante a qualificação e inscrição da pessoa como eleitor perante a Justiça Eleitoral. A qualidade de eleitor decorre do alistamento, que é obrigatório para os brasileiros de ambos os sexos maiores de dezoito anos e facultativo para os analfabetos, maiores de setenta e maiores de dezesseis e menores de dezoito anos (art. 14, §1o , I e II). Não são alistáveis como eleitores os estrangeiros e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (art. 14, § 2o).
Modalidades de Direitos Políticos
A característica principal dos direitos políticos é a de votar e ser votado, isto possibilita falarmos em direitos políticos ativos e passivos, sem que isso constitua divisão entre eles. Os direitos políticos ativos cuidam do eleitor e sua atividade; os direitos políticos passivos referem-se aos elegíveis e eleitos.
Existe outra modalidade que não deve ser confundida com a primeira, que se podem denominar direitos políticos positivos e negativos, o primeiro diz respeito às normas que asseguram a participação no processo político eleitoral, votando e sendo votado, envolvendo, portanto, as modalidades ativa e passiva. O segundo grupo constitui-se de normas que impedem essa atuação e tem seu núcleo nas inegibilidades.
As instituições fundamentais dos direitos políticos positivos são as que configuram o direito eleitoral, tais como o direito de sufrágio, com seus dois aspectos: ativo e passivo; os sistemas e procedimentos eleitorais.
Direito de Sufrágio \u2013 José A. Silva \u2013 \u201cé o direito subjetivo de natureza política que tem o cidadão de eleger, ser eleito e de participar da organização e da atividade do poder estatal. Decorre diretamente do princípio de que todo poder emana