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protese sobre implante Capitulo3

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no ato de instalação do implante.
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PRÓTESES CIMENTADAS X PARAFUSADAS
Em segmentos posteriores, o enceramento de diagnós-
tico permite ao protesista ter uma idéia do tipo de prótese que
utilizará – cimentada ou parafusada – antes da cirurgia de ins-
talação do implante. Misch18 (1995) definiu ser a prótese ci-
mentada uma modalidade de eleição em dentes posteriores,
face às facilidades de obtenção de assentamento com passivi-
dade e por seus procedimentos se assemelharem sobrema-
neira àqueles adotados em próteses em dentes naturais.
Em relação à oclusão, ainda outras vantagens são
muito importantes – uma melhor distribuição de forças oclu-
sais ao longo eixo do implante, possibilitando o estabeleci-
mento de contatos oclusais diretamente sobre a coroa e não
sobre resina de obturação do orifício oclusal (presente em
próteses parafusadas). Este orifício, por sinal, também se
constitui em uma área de risco de fratura da porcelana, uma
vez que há bordos do material sem apoio da infra-estrutura
metálica subjacente. Além disso, a área ocupada por este
orifício oclusal preenche aproximadamente 33% da área
funcional de um dente posterior (Figura 5).
Em uma coroa sobreimplante mandibular, por exem-
plo, na região de primeiro molar, a área de contato oclusal
principal (fundo de fossa) será inutilizada caso se lance mão
de uma prótese parafusada. Ademais, a compensação atra-
vés do deslocamento do contato oclusal principal para sua
cúspide de contenção cêntrica (vestibular) deve ser evitada,
pois pode gerar uma carga fora do centro do implante, per-
mitindo a formação da força-momento (Figura 6).
O uso de próteses parafusadas está indicado para re-
gião posterior, desde que se leve em consideração a localiza-
ção do orifício oclusal de acesso e os contatos oclusais a serem
restabelecidos. O exemplo clínico da Figura 7 mostra o orifício
de acesso fora do ponto de contato oclusal a ser restabelecido.
Uma das principais indicações para as próteses para-
fusadas se reside em casos clínicos onde há espaço protético
limitado verticalmente. Outra vantagem é a facilidade de re-
moção e manutenção em relação às próteses cimentadas.
ESCOLHA DE IMPLANTE IDEAL EM REGIÕES POSTERIORES –
CARACTERÍSTICAS, VANTAGENS E LIMITAÇÕES
As forças oclusais em próteses sobreimplantes age
em dois locais específicos: bic – interface osso-implante - e
interface abutment-implante. Diferente da resposta de amor-
tecimento do ligamento periodontal - presente nos dentes
naturais – os implantes apresentam respostas distintas frente
à presença de um trauma oclusal:
• Ausência de hiperemia, de dor e de sinais radiográficos
imediatos.
• Quando presentes, as alterações ósseas são de caráter ir-
reversível.
Pode-se afirmar que, ao contrário dos dentes naturais,
os implantes foram projetados para receber próteses. Isto faz
com que o protesista tenha múltiplas opções ao escolher o
melhor tipo de implante para cada caso em questão. No se-
tor posterior, face ao envolvimento com forças oclusais, o
protesista deve participar ativamente da escolha do sistema
de implantes. Isto se deve a características específicas ine-
rentes a cada um deles, que o levarão a adotar esquemas oclu-
sais distintos nos procedimentos reabilitadores.
HEXÁGONO EXTERNO
Originalmente, o hexágono externo foi concebido
para adaptar o monta-implante e inserir o implante no al-
véolo cirúrgico. Constitui-se em um sistema de sucesso e
mundialmente consagrado. As próteses confeccionadas so-
bre este sistema devem, obrigatoriamente, apresentar duas
características: passividade e elementos unidos3,12,18. Em pró-
Figura 5 - Esquema
oclusal mostrando
contatos oclusais
funcionais em pró-
teses cimentadas e
os locais do orifício
de acesso oclusal
de próteses parafu-
sadas20.
Figura 6 - Esquema
mostrando os con-
tatos oclusais pri-
mários ao longo
eixo do implante.
O deslocamento
deste contato primá-
rio para as cúspides
de contenção cêntri-
ca promoverá o de-
senvolvimento da
força-momento20.
Figura 7 - Vista
oclusal de coroa
unitária sobreim-
plante – Nota-se a
localização do orifí-
cio de acesso fora
da área de contato
funcional.
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tese sobreimplante no segmento posterior, ao se adotar o
sistema clássico de hexágono externo, algumas regras são
fundamentais na confecção de coroas protéticas:
• Estrutura metálica com assentamento passivo.
• Elementos sempre unidos.
• Número ideal de três implantes (para formação de polí-
gonos de estabilização).
• Mesas oclusais reduzidas no sentido vestíbulo-lingual.
• Cúspides baixas (Figura 8).
Na instalação cirúrgica dos implantes, a ligeira dife-
rença da inclinação dos implantes faz-se benéfica, uma vez
que um polígono poderá ser originado para uma melhor
estabilidade (Figuras 9a, 9b e 9c).
ELEMENTO UNITÁRIO EM SEGMENTO POSTERIOR
A reabilitação sobreimplante em elemento unitário
posterior mostra características oclusais bem criteriosas. Os
implantes respondem favoravelmente às cargas axiais, in-
dependente do tipo de conexão implante-abutment. Este tipo
de carga é transferido para a região intra-óssea, sendo dis-
tribuída homogeneamente sobre suas espiras sem prejuí-
zos ao sistema de prótese. Porém, devido ao fato da área de
superfície do dente perdido ser maior do que o implante a
ser instalado - principalmente em sua plataforma de as-
sentamento – a possibilidade de originar força-momento
no sentido tanto mesiodistal quanto vestíbulo-lingual é
muito grande22 (Figura 10).
Esta força-momento costuma atuar na interface im-
plante-abutment e pode ser traduzida em fratura e afrouxa-
mento de parafuso de retenção, fato este mais comum em
implantes de conexão hexagonal externa7. A razão para este
tipo de implante apresentar maior fragilidade nesta área está
na necessidade paradoxal de as sobreestruturas apresenta-
rem assentamento passivo e função anti-rotacional simul-
taneamente. Por outro lado, Möllersten et al21 (1997) obser-
varam que a capacidade de suportar cargas horizontais está
diretamente relacionada com o tipo de conexão implante-
abutment; de forma que, quanto maior a sobreposição das
suas superfícies internas, maior será sua resistência a car-
gas horizontais e, conseqüentemente, menor a transferên-
cia destas sobre o parafuso de retenção.
Deste modo, a fim de controlar o efeito das forças
oclusais sobre as conexões protéticas, características restau-
radoras específicas foram estabelecidas para cada tipo de
conexão. Assim, em elementos unitários, o protesista po-
derá optar também por outros sistemas, aproveitando as
vantagens e limitações inerentes a cada um deles.
CONEXÃO TIPO FITTING-JOINT
Originalmente criada por marcas conhecidas no mer-
cado internacional (Astra, Dentsply-Friadent e Straumann),
este tipo de conexão, também conhecida como Cone-Mor-
se, apresenta maior capacidade de suportar cargas horizon-
tais, pois possuem uma maior sobreposição de superfícies
entre o implante e o abutment, confirmando os achados de
Möllersten et al21 (1997) Figuras 11a e 11b.
Corriqueiramente, este tipo de conexão é uma das
mais utilizadas e preferidas na engenharia industrial, espe-
cialmente onde transferências de grandes esforços são re-
quisitadas. Alguns exemplos são vistos em arquitetura, au-
tomóveis e aviões. A conexão cônica tem um design preciso
que, durante a instalação do abutment junto ao implante,
promove uma íntima adaptação entre as superfícies sobre-
postas. Como nenhum microgap existe entre os dois com-
ponentes, o abutment apresenta uma maior resistência aos
movimentos rotacionais. Soma-se a isto a diminuição de
Figuras 8a - Vista oclusal de prótese
sobreimplante em sistema de hexágono
externo. Nota-se