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RELATÓRIO DE NÃO CONFORMIDADES 
Apontamentos realizados através de observação e análise em documentos no setor de faturamento 
do Hospital Bom Jesus em Taquara entre os meses de setembro de 2018 a fevereiro de 2019. 
 
• Mamografias: Desde outubro de 2018 tentando implantar o SISCAN (Sistema de Informação do Câncer) 
para apresentação das mamografias, pois o SISMAMA estava com erro e deixou de funcionar, como está 
descontinuado não há mais disponibilidade deste sistema para download e nem suporte para erros. 
Realizou-se treinamento com Claudia Barizon, foram cadastrados login e senha para funcionários do 
faturamento e para a recepção da CDI. Foi colocado o processo em andamento com a recepção, mas não 
havia como usar o SISCAN ainda sem o login e senha do médico que faria os laudos. Foi solicitado o 
cadastro, no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) do hospital do médico 
imagenologista que realizaria os laudos, conforme treinamento do SISCAN. A alimentação de dados para 
a base do CNES, deveria ser realizado pela Secretaria Municipal de Saúde, mas era a Sarai que fazia. Após 
inúmeras vezes pedir este cadastro à Sarai, em janeiro a mesma passou que já havia encaminhado a base 
com o cadastro deste médico. Até dia 28/02/2019 não havia ainda este médico no CNES do hospital, 
mesmo depois de duas atualizações na base nacional. 
 
Em resumo: o setor de faturamento do Hospital Bom Jesus não vem realizando o faturamento (informe) 
das mamografias realizadas pelo hospital devido ao medico imagenologista não estar cadastrado no CNES 
do hospital, o que impossibilita o uso do novo sistema. Tal cadastro é de responsabilidade da funcionária 
Sarai no setor de administração, a qual até o presente momento realizou o cadastro. 
 
• Laboratório Bom Pastor: O laboratório Bom Pastor envia, semanalmente, uma planilha Excel com todos 
os exames realizados no hospital. No fim do mês, envia uma planilha com a união de todas as planilhas 
semanais com o valor total (que não era a soma das planilhas semanais, sempre a maior) para pagamento. 
O funcionário do faturamento verificava se o valor final batia com a soma das semanais e enviava para a 
Alexandra por e-mail juntamente com a observação que o valor não estava correto. Após detectar este 
processo errado, foi implantado o pagamento pelo faturamento, onde eram lançados os exames através 
dos prontuários reais de pacientes. De acordo com a legislação do SUS, os prontuários devem possuir a 
observação de “coletado”, assinado e carimbado pelo laboratório e os respectivos laudos anexados no 
prontuário, para poderem ser faturados. No hospital Bom Jesus 80% dos laudos não acompanhavam os 
prontuários e 50% dos casos não tinham a observação do laboratório da coleta. No mês de setembro foi 
faturado somente o que foi realizado, mas a diretora Alexandra não quis saber quanto foi e pagou o valor 
que o laboratório enviou através de suas planilhas. Em outubro, a superintendência do Silvio Scopel 
solicitou que fizéssemos um treinamento com o laboratório para que o mesmo começasse a lançar os 
códigos no sistema e os laudos nos prontuários. Treinamento realizado, mas o Sr. Jorge (proprietário do 
laboratório Bom Pastor), me ligou e disse que não teria como fazer este serviço porque teria que contratar 
mais pessoas. Passei a ele que a ordem partiu da superintendência e que eu não podia fazer nada. No 
mesmo dia, após essa ligação do Sr. Jorge, a Alexandra me ligou dizendo que era para deixar assim e voltar 
a ser como antes (sem laudos, sem lançamento no sistema e pagamento via planilhas enviadas pelo 
laboratório). Ainda assim verifiquei inúmeros casos de cobrança de exames realizados pelos convênios 
(Unimed, IPERGS e particulares) também como SUS nas planilhas, cobrando duplicado e até triplicado do 
hospital, além de exames que não foram realizados, sem laudo no site do laboratório, também cobrados 
do hospital. Não tive autorização da diretora Alexandra para ajustar este processo que estava 
superfaturando os valores pagos ao laboratório. A mesma tentou inúmeras vezes que eu assinasse as 
notas fiscais e faturas do laboratório, atestando que os valores estavam corretos, o que prontamente me 
neguei todas as vezes. 
 
Em resumo: O hospital Bom Jesus realiza pagamentos ao laboratório Bom Pastor sem a devida 
comprovação de que os valores dos exames cobrados foram de fato realizados. Há cobranças em 
duplicidade, exames não realizados e valores superfaturados, uma vez que quem informa o valor a pagar 
é o laboratório. Conivente com essa situação a diretora Alexandra realiza o pagamento e não permite o 
ajuste do processo. 
 
• Cintilografias: A diretora Alexandra cobrou inúmeras vezes que o faturamento não faturava (informava) 
cintilografias, pois a mesma comprava de um terceiro esses exames. Os laudos não ficavam nos 
prontuários e não ficávamos sabendo quando o paciente realizou, e se realizou, pois, a mesma não nos 
comunicava e não havia informações desses exames nos documentos de pacientes. Após passar à mesma 
estas situações, nunca respondeu ou tentou ajustar o processo. 
 
Em resumo: O hospital Bom Jesus compra o exame de cintilografia de terceiro, a qual os documentos 
comprobatórios da realização dos exames não são entregues no setor de faturamento, impedindo assim, 
dos mesmos serem informados ou até mesmo checados se de fato foram realizados. 
 
• OPMES: Foi detectado pelos auditores do CAME (Coordenação de Auditoria Médica Estadual) da SES-RS 
(Secretaria Estadual de Saúde) que em 90% dos prontuários cirúrgicos nos quais foram utilizados OPM 
(órtese, prótese e materiais) e OPMEs (órteses, próteses e materiais especiais) nos pacientes, os materiais 
não condiziam com a cirurgia realizada, impedindo de ser lançados na cirurgia para serem faturados e 
enviados ao DAHA. Os auditores do CAME da SES-RS apontaram problemas em todas as auditorias 
realizadas em prontuários do hospital, nos OPMES que conseguíamos lançar e transmitir, alegando muitas 
vezes que o material não havia sido usado conforme descrição cirúrgica. 
 
Em resumo: Os auditores do CAME detectaram que há desvio e uso inadequado (não se sabe o paradeiro 
dos mesmos, uma vez que saem do estoque e colam os adesivos nos prontuários) dos OPMEs, glosando 
inúmeras contas e levando o hospital a um prejuízo milionário. 
 
• Oncologia: A empresa Oncoprev encaminhava muitas solicitações de APACs (autorizações de 
procedimentos de alta complexidade) de municípios que não eram referencia para o Bom Jesus. Como 
era o faturamento que encaminhava os documentos para receber as autorizações dos municípios, muitos 
não eram autorizados. Mesmo informando a empresa e a direção do hospital, nada foi modificado, mas a 
diretora Alexandra pagava estes valores para a Oncoprev mesmo não conseguindo sequer autorizar. 
Várias tentativas de desorientação foram tentadas pelo Sr. Ramon da Oncoprev, aos funcionários do 
faturamento com gritos, ameaças e outras formas de coação no intuito de forçar o faturamento a lançar 
duplamente APACs já apresentadas ao SUS, pois o mesmo não tem o conhecimento que o sistema não 
aceita duas vezes o mesmo número. Sempre que alguém tentava explicar isso o mesmo ameaçava e 
gritava com quem quer que seja, até que foi proibida a entrada do mesmo no setor. 
 
Em resumo: A empresa Oncoprev realizava atendimentos de forma forjada na tentativa de alcançar as 
metas quantitativas de atendimento estipuladas no contrato, realizando atendimentos de municípios que 
não eram sua referência, tentando duplicar atendimentos e até mesmo entregando APACs inexistentes. 
 
• Ameaças: Após o episódio de proibição da entrada e telefonemas do Sr. Ramon no setor de faturamento, 
recebi algumas ligações, no meu celularparticular, de um homem que, em uma delas, me disse que “eu 
iria virar a chave do meu carro e ia explodir com ele”. Não dei atenção à ameaça e segui com meu serviço. 
 
• Cirurgias: Foi detectado na grande maioria dos prontuários de cirurgias que muitos procedimentos 
eletivos eram autorizados através de AIH (autorização de internação hospitalar) como urgência para não 
ter que autorizar previamente, ou seja, os médicos cirurgiões “urgenciavam” as cirurgias eletivas. O 
principal problema que foi enfrentado nesses meses, foram as tentativas de superfaturamento de contas 
cirúrgicas por todos os cirurgiões do hospital, orientados pelo Dr. Paulo Morassutti, que se denominava 
Diretor do Corpo Clínico. Os mesmos realizavam uma cirurgia simples e fracionava a mesma em partes, 
que estaria inclusa na mesma cirurgia, para autorizar como cirurgias sequenciais e cobrar o valor de várias 
cirurgias em uma só. Em todos os relatórios de auditoria do CAME, aparecem este apontamento, inclusive 
na auditoria nº 434/2018 relativa à competência 07/2018, os auditores apontam como irregulares os 
“Procedimentos pertinentes a um determinado ato cirúrgico, sendo desmembrado em vários, na 
tentativa de caracterizar como cirurgia sequencial ou múltipla”. Também se aproveitavam do tempo que 
os anátomos patológicos demoravam para serem analisados e retornarem para o Hospital (em torno de 
40 dias), para alegar cirurgia oncológica e cobrar como oncológica, para, depois de serem pagos pela 
diretora Alexandra, o anátomo vir negativo para câncer, ou o auditor do SES-RS dizer que não era 
oncológico. O superfaturamento de cirurgias também era feito nas cirurgias oncológicas. Após o 
apontamento do Auditor para realizar as mudanças, todos os médicos se negavam a preencher os 
documentos necessários para a reapresentação dessas contas, alegando que seguiam as orientações do 
Dr. Paulo. Ao fazer um levantamento, após fazer as mudanças apontadas em auditorias, como por 
exemplo cirurgias oncológicas mudadas para cirurgias normais conforme auditor, verifiquei uma diferença 
de mais de R$ 100.000,00 entre os valores cobrados pelos cirurgiões e os valores reais, mas a diretora 
Alexandra pagava os mesmos antes que eu pudesse passar o valor correto. 
 
Em resumo: Os cirurgiões do hospital superfaturavam cirurgias alegando em seus relatórios a realização 
de múltiplas cirurgias quando realizavam de fato apenas uma. Esse superfaturamento foi inúmeras vezes 
apontado pelos auditores do CAME, porém a diretora Alexandra realizava o pagamento dos valores 
superfaturados mesmo tendo conhecimento que o hospital teria tais cobranças analisadas e glosadas 
pelos auditores, levando assim o hospital a um prejuízo milionário.

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