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20 de maio de 2022 RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO Prefeitura Municipal de São Gonçalo Exercício 2021 Controladoria-Geral da União (CGU) Secretaria Federal de Controle Interno (SFC) RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO Órgão: Ministério da Saúde Unidade Auditada: Fundo Nacional de Saúde Município/UF: São Gonçalo/RJ Relatório de Avaliação: 937874 Missão Elevar a credibilidade do Estado por meio da participação social, do controle interno governamental e do combate à corrupção em defesa da sociedade. Avaliação O trabalho de avaliação, como parte da atividade de auditoria interna, consiste na obtenção e na análise de evidências com o objetivo de fornecer opiniões ou conclusões independentes sobre um objeto de auditoria. Objetiva também avaliar a eficácia dos processos de governança, de gerenciamento de riscos e de controles internos relativos ao objeto e à Unidade Auditada, e contribuir para o seu aprimoramento. QUAL FOI O TRABALHO REALIZADO PELA CGU? Avaliação da aplicação dos recursos do Fundo Nacional de Saúde na contratação e execução do Contrato de Gestão n.º 002/2020, celebrado entre a Organização Social INSAUDE e a Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo/RJ para gestão do Pronto Socorro Central Dr. Armando Gomes de Sá Couto (PSC). POR QUE A CGU REALIZOU ESSE TRABALHO? A CGU realizou auditoria nos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Saúde, na modalidade “fundo a fundo”, levando em consideração o critério da materialidade dos recursos transferidos a fundos municipais do Estado do Rio de Janeiro, bem como os fatores de risco associados às dificuldades ao controle das recursos repassados a governos subnacionais e à aplicação de recursos por organizações sociais. QUAIS AS CONCLUSÕES ALCANÇADAS PELA CGU? QUAIS AS RECOMENDAÇÕES QUE DEVERÃO SER ADOTADAS? Os serviços prestados pela organização social INSAUDE no Pronto Socorro Central de São Gonçalo foram aquém do contratado e pago no período entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021. As metas estabelecidas no chamamento público para avaliação do desempenho da organização social não foram quantitativas e capazes de mensurar o aumento esperado no número de atendimentos e de cirurgias. A Fundação Municipal de Saúde, na condição de contratante, não fiscalizou adequadamente a prestação do serviço contratado, bem como o cumprimento dos objetivos esperados no chamamento público. Conclui-se que a aplicação de recursos do Fundo Nacional de Saúde no Contrato de Gestão n.º 002/2020 não foi regular, bem como os princípios da economicidade e da impessoalidade não foram resguardados na utilização dos recursos públicos LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS BAE Boletim de Atendimento Eletrônico BAM Boletim de Atendimento Médico CGU Controladoria-Geral da União CR Digitalizador Computadorizado CTI Centro de Terapia Intensiva FMS Fundo Municipal de Saúde FNS Fundo Nacional de Saúde IDESP Instituto de Desenvolvimento Educacional, Social, da Saúde e Profissional INSAUDE Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde OS Organização Social PMSG Prefeitura Municipal de São Gonçalo PSC Pronto Socorro Central Dr. Armando Gomes de Sá Couto SIA Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS SIH Sistema de Informações Hospitalares do SUS SMSDC Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo SUS Sistema Único de Saúde UPA Unidade de Pronto Atendimento SUMÁRIO INTRODUÇÃO 7 RESULTADOS DOS EXAMES 9 1. Não disponibilização do processo de qualificação do Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde – INSAUDE em Organização Social – OS, no Município de São Gonçalo/RJ. 9 2. A Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo/RJ contratou organização social, de acordo com os critérios e pontuações definidos no Chamamento Público n.º 001/2020. 9 3. As metas estabelecidas no edital do Chamamento Público n.º 001/2020 não permitem mensurar e avaliar se os objetivos esperados da contratação de organização social para gestão da unidade de saúde foram atingidos. 13 4. A INSAÚDE não contratou todos os profissionais em quantitativo suficiente, previstos no Edital de Chamamento Público n.º 001/2020. 15 5. Contratação direta de pessoal pela INSAUDE para atuação no Pronto Socorro Central de São Gonçalo com remuneração compatível com a média de mercado. 16 6. Controladores de acesso contratados pela INSAUDE para atuação no Pronto Socorro Central de São Gonçalo sem comprovação de registros de frequência, com pagamento indevido de R$ 14.014,37 na análise amostral dos primeiros cinco meses da contratação. 16 7. Contratação de médicos para atuarem no Pronto Socorro Central de São Gonçalo por intermédio de empresa vinculada diretamente ao Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo, sem cotação de preços. 17 8. Dimensionamento de médicos pela INSAUDE incompatível com a estrutura física do Pronto Socorro Central de São Gonçalo. 20 9. Ausência de comprovação da prestação de serviços médicos contratados pela INSAUDE da empresa BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda para o Pronto Socorro Central de São Gonçalo, no quantitativo pago, com superfaturamento mensal estimado de R$ 202.040,80 em clínica médica, ortopedia e atendimentos de rotina. 21 10. Contratação de serviços de exames laboratoriais e de análises clínicas da Cangussu Sampaio Clínica Médica Ltda, com cotação de preços inadequada, cobrança de valor médio por exame acima do ofertado na cotação e pagamento por quantitativo de exames acima das quantidades efetivamente realizadas, indicando superfaturamento de R$ 82.155,56 no trimestre analisado. 27 11. Disponibilização de técnicos de radiologia para prestação de serviços no Pronto Socorro Central de São Gonçalo, em quantitativo inferior ao contratado pela INSAUDE, junto à empresa MDO Radiologia Ltda. 30 6 12. Contratação de serviço de hemodiálise a pacientes internados no PSC sem cotação de preços e sem disponibilização do serviço por 24 horas, conforme previsto no Edital de Chamamento Público n.º 001/2020. 31 13. Contratação de serviço de locação de equipamentos médicos para o Pronto Socorro Central sem cotação de preços e pagamento de R$ 164.800,00 entre julho de 2020 e junho de 2021 referente a equipamentos não utilizados no período. 32 14. Falhas na fiscalização da Fundação Municipal de Saúde quanto aos serviços prestados pela INSAUDE no Contrato de Gestão n.º 002/2020. 34 CONCLUSÃO 36 ANEXOS 39 I – MANIFESTAÇÃO DA UNIDADE AUDITADA E ANÁLISE DA EQUIPE DE AUDITORIA 39 7 INTRODUÇÃO Na auditoria analisou-se os recursos transferidos pelo Fundo Nacional de Saúde ao Fundo Municipal de Saúde de São Gonçalo, aplicados no Contrato de Gestão n.º 002/2020, firmado entre a Fundação Municipal de Saúde e a INSAUDE, qualificada como organização social no Município de São Gonçalo/RJ, no Estado do Rio de Janeiro. O Município de São Gonçalo/RJ foi escolhido por ser o terceiro município que mais recebeu recursos do FNS no Estado do Rio de Janeiro, exceto a capital, além de ser o segundo mais populoso do Estado. Em 2020, foram transferidos ao Fundo Municipal de Saúde de São Gonçalo R$ 319.327.586,34. Entre os recursos repassados pela Fundação Municipal de Saúde a entidades privadas em 2020, os de maior valor foram transferidos à organização social Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde – INSAUDE, no valor de R$ 53.302.058,80, que possui dois contratos de gestão com a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil. O contrato n.º 002/2016 é destinado à gestão da UPA de Nova Cidade e o contrato n.º 002/2020 tem como objeto a gestão do Pronto SocorroSUS (R$ 61,77). Dessa forma, nesse exame, o valor pago já foi superior ao informado pela INSAUDE de que o valor unitário, por exame, seria 60% acima da Tabela SUS. Ademais, não foi apresentada a documentação comprobatória da realização de todo o quantitativo do exame “anatopatológico – peça cirúrgica”, cobrado nas notas fiscais de prestação do serviço nos meses de novembro de 2020 a janeiro de 2021, conforme demonstrado na tabela abaixo: Tabela 8 – Comparativo entre as quantidades cobradas e comprovadas Nota Fiscal Valor Unitário Quantidade Paga Valor Pago (A) Quantidade Comprovada Valor Devido (B) Diferença (C = A – B) 434 R$ 111,87 42 R$ 4.698,54 12 R$ 1.342,44 R$ 3.356,10 440 R$ 111,87 38 R$ 4.251,06 21 R$ 2.349,27 R$ 1.901,79 446 R$ 111,87 47 R$ 5.257,89 6 R$ 671.22 R$ 4.586,67 Total 127 R$14.207,49 39 R$4.384,71 R$ 9.844,56 Fonte: documentação apresentada em resposta à Solicitação de Auditoria n.º 937874/17 e notas fiscais n.º 434, 440 e 446, emitidas pela Cangussu Sampaio. Da tabela, verifica-se que a diferença, R$ 9.844,56, equivale a 125% do valor comprovado, R$ 4.384,71. Em relação ao exame de troponina, solicitou-se a requisição médica e os laudos dos 429 exames realizados em dezembro de 2020, de acordo com a Nota Fiscal n.º 440 emitida pela Cangussu Sampaio Clínica Médica Ltda. Destes, foram apresentados 427 resultados de exames, dos quais 76 deles (18%) estão sem a requisição médica, o que prejudica a análise se todos foram, de fato, solicitados por médicos do PSC. Além da cobrança de valores acima do apresentado pela contratada em sua proposta comercial e da não comprovação dos exames realizados, analisados na amostra, verificou-se que os profissionais disponibilizados não constam como funcionários da Cangussu Sampaio Clínica Médica. Questionada sobre o fato, a INSAUDE informou que a empresa contratada também seria Sociedade por Conta de Participação – SCP e que os prestadores de serviço seriam sócios ocultos da empresa. De fato, a Cangussu Sampaio é sócia ostensiva da Cangussu Sampaio Clínica Médica I SCP (CNPJ n.º 34.566.507/0001-29), porém, pelos registros na Receita Federal a que a CGU tem acesso não é possível identificar os sócios ocultos. 30 Dessa forma, a seleção dessa empresa para prestação do serviço de laboratório e análises clínicas foi realizada em desconformidade com o próprio regulamento de compras, bem como a execução do contrato, no período analisado, apresentou superfaturamento de R$ 72.311,00 nos três meses analisados, em decorrência de o valor médio pago por exame ser superior ao contratado e de R$ 9.844,66 não terem sido comprovados todos os exames informados nas três notas fiscais. Dessa forma, conclui-se que houve pagamento à Cangussu Sampaio Clínica Médica pela INSAÚDE sem comprovação da prestação do serviço. Ressalte-se que, caso tenha havido pagamento mensal do referido contrato pelo valor máximo, independente da produção, o superfaturamento estimado no ano seria R$ 289.244,00. Em relação aos exames pagos sem comprovação, o valor pode ser maior, pois o valor de R$ 9.844,66 refere-se apenas aos documentos analisados, de forma amostral, durante a auditoria. 11. Disponibilização de técnicos de radiologia para prestação de serviços no Pronto Socorro Central de São Gonçalo, em quantitativo inferior ao contratado pela INSAUDE, junto à empresa MDO Radiologia Ltda. Os exames de radiologia e de tomografia foram oferecidos aos pacientes por 24 horas entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, período de análise desta auditoria. A INSAUDE contratou técnicos de radiologia por meio da empresa MDO Radiologia Ltda (CNPJ n.º 31.369.453/0001-13), com valor mensal de R$ 62.500,00, sem cotação de preços. A justificativa apresentada pela organização social para não realizar pesquisa de preços foi a mesma em relação à contratação da BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda, ou seja, evitar descontinuidade no serviço. Verificou-se que dezoito técnicos de radiologia disponibilizados pela MDO Radiologia, contratada pela INSAUDE, eram contratados diretamente pela IDESP, organização social anteriormente contratada para a gestão do PSC, inclusive os próprios sócios da MDO Radiologia também eram contratados pelo IDESP até o término de vigência do referente contrato de gestão. A empresa MDO Radiologia não era contratada anteriormente. Acrescente-se que, entre o término do contrato de gestão com o IDESP e o início do Contrato de Gestão n.º 002/2020 com a INSAUDE para gestão do Pronto Socorro Central, houve dois contratos emergenciais de seis meses firmados com a própria INSAUDE. Dessa forma, além de o argumento de descontinuidade não se justificar pela própria natureza dos serviços, já que não há vínculo entre o paciente e o técnico que realiza o exame, a INSAUDE já estava há um ano na administração do PSC, tempo suficiente para realizar novas contratações para os serviços necessários ao funcionamento da unidade de saúde, de acordo com o Regulamento de Compras. No período de análise desta auditoria, não havia registro dos exames realizados por cada técnico, exceto do profissional que atua no centro cirúrgico com equipamento de Raio X móvel. Os controles dos exames nos pacientes eram realizados de forma manual, em livro ou caderno com rasuras e palavras ilegíveis. 31 A INSAUDE também não exigia da contratada o registro de frequência dos profissionais disponibilizados pela MDO Radiologia, de forma a se certificar de que o serviço contratado estava sendo realizado. De acordo com os registros de troca de turno dos plantões de 24 horas, registrados de forma precária e manual pelos próprios técnicos, verificou-se que não há comprovação de 12% dos plantões contratados em novembro e de 10% em dezembro, quando comparado com a escala contratada de técnicos, já que esse foi o único registro apresentado sobre a frequência dos referidos profissionais. Em novembro, das 2.352 horas contratadas, há comprovação de 2.076 horas, ou seja, não há registro de 12% das horas contratadas. Em dezembro de 2020, foram contratadas 2.536 horas, das quais há comprovação de 2.282 horas. Ressalte-se que a única forma apresentada de comprovação da atuação desses profissionais é o registro da troca de turno e, por esse documento, permite-se apenas verificar que o profissional esteve presente ao final do turno de trabalho, mas não permite avaliar se cumpriu, ininterruptamente, todas as 24h contratadas. Além disso, quatro técnicos de radiologia são funcionários da Fundação Municipal de Saúde, conforme registros nas guias de recolhimento do FGTS e de informações da previdência social -GFIP. Para dois desses funcionários, ***.821.107-** e ***.937.797-**, a Fundação Municipal de Saúde não demonstrou, quando questionada, a compatibilidade na jornada de trabalho. A MDO Radiologia informou que todos os profissionais não recebem salário e que seriam sócios ocultos da empresa. Dessa forma, há o risco de o custo de disponibilização desses profissionais estar sendo arcado pela Fundação Municipal de Saúde e não pela contratada. Embora o objeto do contrato seja o fornecimento de 23 técnicos de radiologia, a empresa MDO Radiologia Ltda não possui funcionários e informa nas notas fiscais emitidas para a INSAUDE que a prestação de serviços é realizada pelos sócios, não incidindo retenção do INSS. Questionada sobre o assunto, a INSAUDE informou que a MDO é Sociedade por Conta de Participação - SCP, dessa forma todos os técnicos de radiologia que prestam serviços no Pronto Socorro Central seriam sócios ocultos da empresa e não funcionários. Assim como a BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda, a MDO Radiologia Ltda também não é Sociedade por Conta de Participação, de acordo com os registros na Receita Federal e no Cartório de 1º Ofício de Justiça de São Gonçalo. Tampouco foi encontrada SCP cujo sócio ostensivo seja a MDO, tendo em vista essa ter assinadoo contrato com a OS. Observou-se, ainda, que as notas fiscais são sequencias, n.º 17 (dezembro/2020), 18 (janeiro/2021) e 19 (fevereiro/2021), indicando a possibilidade de que a única prestação de serviço da empresa seja perante a INSAUDE, no Pronto Socorro Central. Por fim, não restou comprovada a efetiva e completa prestação do serviço por meio da MDO Radiologia Ltda, dada a falta de controle da própria contratante quanto à disponibilização dos recursos humanos e sua respectiva produção individualizada. 12. Contratação de serviço de hemodiálise a pacientes internados no PSC sem cotação de preços e sem disponibilização do serviço por 24 32 horas, conforme previsto no Edital de Chamamento Público n.º 001/2020. Assim como a contratação da BT Consultoria e Assessoria Médica, a contratação do serviços de hemodiálise também foi realizada sem cotação prévia de preços, por meio da empresa Clínica Nefrológica Ltda (CNPJ n.º 29.541.604/0001-27), sob o mesmo argumento de evitar descontinuidade, já que a empresa era contratada pela IDESP anteriormente. A terceirização de serviços de hemodiálise é comum em unidades de saúde, havendo diversas empresas no mercado aptas à prestação do respectivo serviço, não sendo possível o enquadramento em singularidade do objeto nem em outras situações previstas no Regulamento de Compras da INSAUDE, que permitam a contratação sem pesquisa de preços. O Item 7.1.4 do Termo de Referência do Edital do Chamamento Público define que as especialidades de Clínica Médica, Cirúrgica, Ortopédica, Terapia Intensiva, Anestesiologia e Hemodiálise devem atender a demanda do Município por 24 horas, todos os dias da semana. O contrato entre a INSAUDE e a Clínica Nefrológica Ltda prevê a realização dos procedimentos em pacientes agudos ou crônicos internados no PSC. Os termos do contrato não mencionam que o serviço deva ser prestado por 24 horas, todos os dias da semana. As prestações de contas dos procedimentos realizados nos meses de novembro de 2020 a janeiro de 2021 demonstram que a maioria dos procedimentos é realizada no período da tarde e apenas dois procedimentos, nesses três meses, foram realizados até as 22:00h e nenhum sendo posterior a esse horário. Nesse sentido, não há evidência de que o serviço estivesse disponível nesse período por 24 horas, conforme previsto no edital da contratação. Ressalte-se que os pagamentos à contratada são realizados com base na produção e não na disponibilidade do serviço. Dessa forma, a contratação do serviço de hemodiálise para o PSC, pela INSAUDE, está em desacordo com o edital do Chamamento Público n.º 001/2020 e com o seu próprio regulamento de compras, bem como não foi realizada por valores médios de mercado, comprometendo a observância do princípio da economicidade. 13. Contratação de serviço de locação de equipamentos médicos para o Pronto Socorro Central sem cotação de preços e pagamento de R$ 164.800,00 entre julho de 2020 e junho de 2021 referente a equipamentos não utilizados no período. A INSAUDE apresentou à equipe de auditoria o Contrato firmado com a empresa Anasmed Equipamentos Médicos Ltda (CNPJ n.º 04.406.233/0001-40), em 12 de janeiro de 2021, no valor mensal de R$ 90.000,00, destinado à locação de equipamentos hospitalares, com manutenção preventiva e corretiva, inclusive troca de peças, dos equipamentos discriminados na tabela a seguir. No mês seguinte, firmou o primeiro Termo Aditivo para inclusão do Arco em C, atingindo o valor mensal de R$ 93.000,00. 33 Tabela 9: relação de equipamentos hospitalares locados da Anasmed Tipo Qde Valor unitário Valor total Aparelhos de Raio X 3 7.000,00 21.000,00 Tomógrafo 1 40.000,00 40.000,00 Endoscópio/ colonoscópio 1 8.800,00 8.800,00 Aparelho digitalizar CR 3 3.500,00 10.500,00 Ultrassom com 4 sondas 1 9.700,00 9,700,00 Arco em C 1 1 3.000,00 3.000,00 Total 93.000,00 Fonte: Contrato firmado entre a INSAUDE e a Anasmed Equipamentos Médicos Ltda, de 13/10/2020 e aditivos. Nota 1: incluído por termo aditivo. O contrato inicial, assinado em 13/10/2020, não incluía esse equipamento. Foi apresentada a cotação de preços para a locação e manutenção dos referidos equipamentos, realizada em janeiro de 2021, com três empresas, entre as quais a Anasmed apresentou o menor preço. No entanto, de acordo com os recibos da prestação do serviço e os termos de recebimento dos equipamentos, a Anasmed já prestava serviço de locação pelo menos desde o início do Contrato de Gestão n.º 002/2020. Dessa forma, a cotação de preços realizada em janeiro de 2021 é intempestiva, pois a contratada já prestava o serviço há seis meses. De acordo com os Itens 6.1.7 e 7.1.2 do Termo de Referência do Edital do Chamamento Público n.º 001/2020, os exames de ultrassonografia devem ser realizados no PSC e estarem disponíveis por 24 horas. Entre o início do Contrato de Gestão n.º 002/2020, em outubro de 2020 e janeiro de 2021, o serviço de ultrassonografia não foi disponibilizado. Somente a partir de fevereiro de 2021, a INSAUDE contratou a empresa Ecomed Diagnóstico por Imagem Ltda (CNPJ n.º 04.840.249/0001-66) para realização dos exames nos pacientes do PSC. Acrescente-se que, nos registros dos sistemas de informações ambulatoriais (SIA) e hospitalares (SIH) do SUS, não há registro de realização de exames de ultrassonografia no ano de 2020, no PSC. Apesar de os exames de ultrassonografia não estarem sendo realizados até janeiro de 2021, a INSAUDE pagou R$ 38.800,00 à Anasmed Edquipamentos Médicos Ltda, pela locação de um ultrassom no período. Na relação de equipamentos locados da Anasmed, constam, também, três aparelhos de Raio X ao custo unitário de R$ 7.000,00 e três digitalizadores computadorizados – CR, no valor de R$ 3.500,00 cada. Constatou-se, no entanto, que a quantidade de equipamentos de Raio X é superior ao número de técnicos de radiologia, contratados pela MDO Radiologia. De acordo com a escala dos profissionais, em anexo ao Contrato firmado com a INSAUDE, são 22 técnicos de Raio X e um Coordenador. Desses 22, um deles tem jornada de trabalho de oito horas, 3 vezes por semana, e fica dedicado a operar o equipamento de Raio X móvel no centro cirúrgico. Os 21 restantes realizam plantões de 24h, uma vez por semana. Como há um tomógrafo e três aparelhos de Raio X, sete técnicos são capazes de operar o tomógrafo (um a cada dia da semana). 34 Dessa forma, restam quatorze técnicos que são capazes de operar dois aparelhos de Raio X (um em cada aparelho a cada dia da semana), sendo assim não havia técnico para operar o terceiro aparelho de Raio X locado que, juntamente com o CR, representa um custo mensal de R$ 10.500,00, ou seja, 11% do contrato firmado entre a INSAUDE e a Anasmed. A INSAUDE firmou o Segundo Termo Aditivo com a Anasmed Equipamentos Médicos Ltda para redução de um aparelho de Raio X e um CR, em 1 de junho de 2021. Apesar da assinatura do referido termo, a despesa do terceiro equipamento de Raio X e CR ainda foi cobrada pela Anasmed e paga pela Insaúde pelo menos até junho de 2021, conforme demonstrado na prestação de contas de Contrato de Gestão n.º 002/2020 do referido mês. Portanto, de outubro de 2020 a junho de 2021, um Raio X e CR locados não foram usados. Em inspeção técnica ao Pronto Socorro Central de São Gonçalo em novembro de 2021, a equipe de auditoria constatou que o terceiro equipamento ainda estava no PSC, ocioso em sala fechada. Ressalte-se que, nessa data, a locação desse equipamento já não estava sendo paga, contudo, corrobora o fato de que não havia recursos humanos suficientes para operar o terceiro equipamento de Raio X e respectivo CR, desde o início do Contrato de Gestão n.º 002/2020. De acordo com os termos de recebimento dos equipamentos, verificou-se que os aparelhos de Raio X, digitalizadores CR e tomógrafo foram recebidos no PSC em julho de 2020, ou seja, ainda na vigência do Contrato de Gestão emergencialn.º 001/2019, firmado entre a INSAUDE e a Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo. Dessa forma, para cálculo de prejuízo com recursos do Fundo Nacional de Saúde, deve-se considerar o período anterior ao Contrato de Gestão n.º 002/2020. Assim, o terceiro equipamento de Raio X locado ficou sem utilização no período de julho de 2020 a junho de 2021, onerando o contrato em R$ 126.000,00. Portanto, entre julho de 2020 e junho de 2021, a despesa indevida paga pela INSAUDE à Anasmed atingiu R$ 164.800,000 pela não utilização do ultrassom, de um aparelho de Raio X e de um digitalizador computadorizado. Do exposto, conclui-se que houve pagamento à Anasmed Equipamentos Médicos Ltda pela INSAÚDE sem comprovação da prestação do serviço, bem como a cotação de preços intempestiva prejudicou a análise quanto à contratação de acordo com os valores médios de mercado, comprometendo a observância do princípio da economicidade. 14. Falhas na fiscalização da Fundação Municipal de Saúde quanto aos serviços prestados pela INSAUDE no Contrato de Gestão n.º 002/2020. Conforme previsto na Lei Municipal n.º 37/2011, há uma Comissão de Fiscalização do Contrato de Gestão n.º 002/2020, formalmente designada pelo Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo. Mensalmente, a Comissão de Fiscalização analisa detalhadamente a documentação apresentada na prestação de contas da organização, que inclui relatório de execução do contrato, informações sobre o cumprimento das metas dos indicadores de desempenho, extrato bancário da conta do contrato, relação de despesas realizadas no mês e seus 35 comprovantes. Após análise, a Comissão pode eventualmente recomendar a glosa de alguma despesa sem comprovação ou não relacionada ao contrato, como também pode solicitar esclarecimentos à organização social. O Relatório elaborado pela Comissão é anexado ao processo de prestação de contas disponibilizado no site da organização social. Com base na análise amostral da execução do Contrato de Gestão n.º 002/2020 nos meses entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, verificou-se que a fiscalização exercida pela Comissão é pautada na documentação apresentada pela INSAUDE na sua prestação de contas e aspectos de conformidade documental, fiscal e contábil. Nos relatórios elaborados pela referida Comissão não há informação sobre a prestação do serviço na execução do Contrato de Gestão, sobretudo se os serviços definidos no Edital de Chamamento Público estão sendo, de fato, prestados pela contratada. Apesar de a INSAUDE não ter oferecido todos os serviços contratados conforme descrito neste Relatório, a Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo, na condição de contratante não questionou à contratada e não realizou descontos nos valores transferidos mensalmente à organização social, com base na não prestação integral dos serviços contratados. Foram realizadas pequenas glosas referentes a comprovantes de despesa considerados não associados ao objeto da contratação, bem como não cumprimento integral das metas de desempenho no início da contratação. A Comissão de Fiscalização não apontou em seus relatórios a não prestação integral dos serviços contratados. Ademais, obrigações da contratada como utilização do prontuário eletrônico e registro de frequência de todos os funcionários que atuavam no PSC não foram cumpridos pela contratada no período analisado, sem questionamentos e punições por parte da Fundação Municipal de saúde. Dessa forma, entende-se que não houve o acompanhamento e a fiscalização adequados quanto à aplicação dos recursos públicos transferidos por meio do Contrato de Gestão n.º 002/2020, por parte da Fundação Municipal de Saúde, agravando o risco de malversação dos recursos transferidos. 36 CONCLUSÃO A auditoria buscou analisar as três etapas que envolvem a contratação de organização social pelo poder público, no caso pela Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo, com o objetivo de avaliar a regularidade da aplicação dos recursos do Fundo Nacional de Saúde no Contrato de Gestão n.º 002/2020. Em relação à etapa de qualificação, não foi possível verificar se a INSAUDE atende aos requisitos formais para ser considerada organização social no Município de São Gonçalo/RJ, tendo em vista que o processo não foi localizado pela Fundação Municipal de Saúde. Na etapa de seleção da organização social, verificou-se que foi conduzida obedecendo critérios técnicos definidos no edital de Chamamento Público n.º 001/2020, de forma pública, objetiva e impessoal, nos termos do regulamento próprio e em observância ao princípio da economicidade. No que tange à formalização e execução do Contrato de Gestão n.º 002/2020 até fevereiro de 2021, foram respondidas as questões de auditoria relacionadas a essa etapa, concluindo-se que os processos de cotação de preços realizados pela INSAÚDE para escolha dos prestadores de serviço foram falhos ou inexistentes, de modo que não foi possível atestar que foram realizadas por valores médios de mercado, comprometendo a observância do princípio da economicidade. Constatou-se, ainda, que a principal prestadora de serviços contratada pela INSAÚDE, responsável por 33% das despesas realizadas no referido Contrato de Gestão, possuía vínculos diretos com o então Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo/RJ, que acumulava também o cargo de Presidente da Fundação Municipal de Saúde, contratante da INSAÚDE. Na análise amostral da execução contratual, verificou-se que profissionais da área assistencial não cumpriam a jornada de trabalho contratada e/ou apresentavam produtividade incompatível com a jornada de trabalho. Além disso, houve pagamento sem comprovação da prestação do serviço às empresas BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda, Cangussu Sampaio Clínica Médica Ltda, MDO Radiologia Ltda e Anasmed Equipamentos Médicos Ltda. Na terceirização dos serviços de análises clínicas, observou-se que os custos foram superiores aos valores da tabela SUS, contudo não havia obrigação de a organização social contratar serviços pela referida Tabela. Em relação à fiscalização do Contrato de Gestão n.º 002/2020, verificou-se que é realizada pela Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo/RJ com base na prestação de contas apresentada, porém carece de avaliações sobre o serviço efetivamente prestado. Os principais achados da auditoria estão elencados a seguir: 37 i) as metas estabelecidas no Termo de Referência do Chamamento Público n.° 001/2020 não permitem aferir se os resultados esperados no edital foram atingidos. Não há metas quantitativas que mensurem se houve o aumento esperado na produção e se o número de cirurgias eletivas foi alcançado. Quanto ao objetivo de reduzir o tempo de espera para os atendimentos, não há dados objetivos sobre o passado recente e nem há metas a respeito, não sendo possível avaliar se houve redução. A não utilização do sistema de prontuário eletrônico também prejudica a mensuração e a confiabilidade da avaliação do tempo de espera para os atendimentos. ii) a INSAUDE não disponibilizou todos os serviços no Pronto Socorro Central, previstos no termo de referência da contratação, em especial, médicos na emergência durante 24 horas e todos os dias da semana. Apesar de previsto na escala contratada, na análise amostral dos boletins de atendimento médico, verificou-se períodos do dia sem registro de atendimento médico, apenas por enfermeiros. Não há comprovação de que o serviço de hemodiálise a pacientes internados, no leito, funcione por 24 horas, conforme previsto e não foi comprovado o atendimento médico especializado em urologia, além da não realização de exames de ultrassonografia nos primeiros quatro meses do Contrato. iii) a INSAUDE não disponibilizou profissionais suficientes para os cargos de coordenador médico, gerente administrativo, gerente de enfermagem e nutricionista, conforme previstono Edital como necessário para funcionamento do hospital. Dessa forma, o hospital funcionou sem esses profissionais durante todas as 24 horas e aos finais de semana. iv) não houve cotação de preços para contratação das principais despesas com serviços ou estas cotações não foram fidedignas, com base na análise amostral de 81% dos contratos, em desacordo com o Regulamento de Compras. v) contratação da empresa BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda, para disponibilização de médicos, com vínculos diretos com o Secretário de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo, sucedida pela empresa Medall Consultoria e Assessoria Médica, também com vínculos indiretos com o referido gestor público. vi) Dimensionamento do custo com disponibilização de médicos na emergência em clínica médica e ortopedia superior à capacidade instalada do PSC. vii) superfaturamento mensal estimado de R$ 202.040,80 na prestação de serviço contratada da BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda, decorrente da não comprovação de atendimentos no número de médicos previstos na escala contratada e paga em clínica médica, ortopedia e atendimentos de rotina. viii) de acordo com as análises dos boletins de atendimento médico, há profissionais médicos com produtividade incompatível com a jornada de trabalho contratada e paga pela Insaúde à BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda. ix) os serviços de análises clínicas contratados da Cangussu Sampaio Clínica Médica foram cobrados, a preços médios, 50% superiores aos da cotação de preços da própria empresa, pelo valor global, que a tornou a vencedora da pesquisa de preços. Na análise amostral, não foi apresentado todo o quantitativo de exames e de prescrições médicas cobrado, nos dois exames analisados na amostra. Tais fatos indicam a ocorrência de possível superfaturamento. x) não há comprovação de que a MDO Radiologia Ltda disponibilizou todos os técnicos de radiologia contratados. As horas de trabalho foram inferiores às 38 contratadas, de acordo com os registros de troca de turno preenchidos pelos próprios profissionais, indicando pagamento por serviços não prestados. xi) pagamento à Anasmed Equipamentos Médicos Ltda pela locação de um aparelho de ultrassom não utilizado até janeiro de 2021, bem como de um equipamento de Raio X e um digitalizador computadorizado sem utilização, entre outubro de 2020 e junho de 2021, indicando superfaturamento de R$ 164.800,00 entre julho de 2020 e junho de 2021. Apesar da precariedade das informações apresentadas à equipe de auditoria referentes ao período auditado (novembro de 2020 a fevereiro de 2021), quanto à prestação de serviços assistenciais, ao contrário da obrigatoriedade de utilização do prontuário eletrônico pela organização social, foi possível constatar que o serviço disponibilizado pela INSAUDE, no referido período, foi aquém do contratado, embora as metas previstas no Termo de Referência estivessem sendo cumpridas, conforme apresentado nas prestações de contas. Em visitas realizadas no final de 2021 e início de 2022, verificou-se que houve aprimoramento na gestão e controles no PSC, com a utilização do sistema de prontuário eletrônico e de gestão, propiciando à direção do hospital informações gerenciais, de produção e de indicadores de desempenho. Verificou-se, também, que começaram a ser implementadas medidas de controle interno pela direção do hospital, permitindo melhor acompanhamento dos fluxos de trabalho e dos serviços executados pelos prestadores de serviços contratados. Dessa forma, conclui-se que a aplicação de recursos do Fundo Nacional de Saúde no Contrato de Gestão n.º 002/2020, no período analisado, não foi adequada, bem como os princípios da economicidade e da impessoalidade não foram resguardados na utilização dos recursos públicos. 39 ANEXOS I – MANIFESTAÇÃO DA UNIDADE AUDITADA E ANÁLISE DA EQUIPE DE AUDITORIA Achado nº 1 Manifestação da unidade auditada Por meio do Ofício n.º 122/PRESIDÊNCIA-FMS/2022, de 18 de abril de 2020, a Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo/RJ apresentou os seguintes esclarecimentos: “Conforme Relatório da Sindicância instituída pela Portaria n.º 041/SEMSADC/2021, em anexo, será providenciada a reconstituição dos autos do processo administrativo n.º 2098/15 que qualificou a INSAUDE – Instituto Nacional de Pesquisa em Gestão como Organização Social no Município de São Gonçalo.” Análise do Controle Interno A conclusão do Relatório de Sindicância é pela ausência de fatos que possam elucidar o desaparecimento do processo administrativo. Dessa forma, ratifica-se que não possível avaliar os procedimentos para qualificação da INSAUDE em São Gonçalo, tendo em vista que o processo administrativo não foi apresentado à equipe de auditoria, por não ter sido localizado pela Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo. Achado nº 2 Manifestação da unidade auditada Por meio do Ofício n.º 122/PRESIDÊNCIA-FMS/2022, de 18 de abril de 2020, a Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo/RJ apresentou os seguintes esclarecimentos: “Com referência a este item, conforme bem relata a esse ilustre órgão, a Fundação Municipal de Saúde atendeu aos critérios de pontuação definidos no Edital de Chamamento Público n.º 001/2020, sendo vencedora a Organização Social INSAÚDE – Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão por apresentar melhor programa de trabalho para a gestão do Pronto Socorro Central.” Análise do Controle Interno Nada a acrescentar. 40 Achado nº 3 Manifestação da unidade auditada “Segue em anexo documento com resposta da INSAÚDE – Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão.” O documento citado é “IMPUGNAÇÃO DO RELATÓRIO PRELIMINAR DE AVALIAÇÃO N.º 937874 pelas razões de fato e de direito a seguir expostas. I – CONSIDERAÇÕES INICIAIS 1. Inicialmente, cumpre a Entidade fazer algumas considerações, especialmente pelo fato da fiscalização ter sido realizada remotamentei, o que prejudica, sensivelmente, acesso pleno e adequado aos dados e aos fatos que dariam suporte para aferir a correta prestação dos serviços efetuados pela INSAÚDE. A correta análise demandaria uma fiscalização “in loco”, o que minimizariam os equívocos das açodadas conclusões. 2. Durante o período pandêmico houve uma importante redução da procura às unidades de saúde de todo o país, o que resultou na edição da Lei Federal n.º 13.992, de 22 de abril de 2020, e alterações posteriores, que suspendeu o cumprimento das metas quantitativas e qualitativas. Em que pese a CGU seja um órgão fiscalizatório da União, encarregado, dentre outras questões, pela análise da efetiva aplicação dos recursos repassados pelo Ente Federal, o que demandaria conhecimento amplo das normas de regência, todavia, na espécie, passou ao largo. 3. Entretanto, a Entidade, que com o apoio da municipalidade atuou fortemente no atendimento de pessoas acometidas com este nefasto vírus, viu-se compelida a enfrentar esse açodado relatório preliminar que, nem de longe, representa a realidade da guerra vivida durante a pandemia. II – ENFRENTAMENTO DOS APONTAMENTOS LANÇADOS PELA CGU NO RELATÓRIO PRELIMINAR. AS METAS ESTABELECIDAS NO EDITAL DO CHAMAMENTO PÚBLICO N.º 001/2020 NÃO PERMITEM MENSURAR E AVALIAR SE OS OBJETIVOS ESPERADOS DA CONTRATAÇÃO DE ORGANIZAÇÃO SOCIAL PARA GESTÃO DA UNIDADE DE SAÚDE FORAM ATINGIDOS (ITEM 3) 4. As unidades de saúde de urgência e emergência, como o Pronto Socorro Central de São Gonçalo, são de demanda espontânea. Demanda espontânea é o nome dado para qualquer atendimento não programado em uma unidade de saúde. Representa uma necessidade momentânea do usuário. 5. Com a pandemia de Covid-19, diante da gravidade sanitária do período e o risco de contágio somado ao desconhecimento em relação a doença, houve uma significativa redução da procurada das unidades de saúde. Apenas pessoas em estado grave (dores tórax, AVC, traumas severos) e síndromesgripas agudas-graves buscaram as UPAS e os pronto socorros. 6. Diante dessa redução substancial da procura às unidades de saúdes, foi editada a Lei n.º 13.992, de 22 de abril de 2020, que suspendeu a obrigatoriedade da manutenção das metas quantitativas e qualitativas contratualizadas pelos prestadores de serviço de saúdeii. 41 7. Dessa forma, exigir algo que a legislação suspendeu afigura-se no mínimo teratológico. Data máxima vênia, presumir-se-ia que a CGU, na pessoa dos seus auditores, conhecessem essa realidade, assim, é de rigor que seja revisto esse apontamento. 8. No entanto, mesmo com a edição da Lei 13.992/2020, a Comissão de Fiscalização e Avaliação da Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo impôs importante glosa dos valores repassados ao INSAÚDE, exatamente por não atingir a meta pactuada nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2021, conforme se depreende abaixo: [...] 9. Dessa forma, não corresponde a verdade a afirmação lançada no relatório preliminar de que a Fundação de Saúde, por seu departamento de fiscalização, não avaliava o cumprimento das metas e não impunha glosas ao INSAÚDE. 10. Por outro lado, com relação ao tempo de espera para o atendimento, o Pronto Socorro Central cumpre rigorosamente o preconizado nas normativas de regência (PNH do MS) para a classificação de risco: Vermelho - Muito urgente: atendimento imediato; Amarelo - Urgente: espera de até 30 minutos; Verde - Pouco urgente: espera de até 2 horas e Azul - Não urgente: espera de até 3 horas. 11. Com o ingresso do usuário na unidade de saúde, ele é submetido a classificação de risco, sendo lançada a informação no sistema contratado pela entidade gestora (Doc. Anexo). Desse momento até o atendimento pelo profissional médico o sistema consegue mensurar o tempo de espera, senão vejamos: MARÇO_2022 42 . R·GS-ist e-ma-s RELATORIO DE MEDIA DE TEMPO DE ESPERA POR SETOR ENTRADA ATE A CLASSIFICACAO SAOGONCALO PRONTO SOCORRO CENTRAL DR ARMANDO GOMES SA COUTO PERiODO : MARCO/ 2022 CLASSIFICA,-,6ODE RISCO SETOR TOTAL DE HORAS QTD PACIENTES MEDIA DE ESPERA AMARELO CIRURGIA GERAL 67:24:14 660 00:06:08 AMARELO CLASSIFICACAO DE RISCO 753:19:10 5803 00:07:47 AMARELO CLASSIFICACAO DE RISCO COVID-19 00:14:43 1 00:14:43 AMARELO CLINICA MEDICA 528:07:25 3785 00:08:22 AMARELO ODONTOLOGIA 15:09:37 129 00:07:03 AMARELO ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA 159:25:07 1425 00:06:43 AMARELO RADIOGRAFIA 00:44:13 9 00:04:55 AMARELO SALA VERMELHA 00:06:10 2 00:03:05 AMARELO TOMOGRAFIA 00:37:35 2 00:18:47 AZUL CIRURGIA GERAL 00:57:17 10 00:05:44 AZUL CLASSIFICACAO DE RISCO 292:58:54 637 00:27:36 AZUL CLASSIFICArcAQ DE RISCO COVID-19 187:08:27 1 19:08:27 AZUL CLINICA MEDICA 463:09:17 509 00:54:36 AZUL HIPODERMIA 00:30:37 3 00:10:12 AZUL ODONTOLOGIA 01:49:39 7 00:15:40 AZUL ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA 03:01:23 28 00:06:29 AZUL RADIOGRAFIA 10:26:35 71 00:08:08 AZUL TOMOGRAFIA 00:12:33 4 00:03:08 NAO ATENDEU O CHAMADO CIRURGIA GERAL 00:06:43 1 00:06:43 NAO ATENDEU O CHAMADO CLASSIFICACAO DE RISCO 08:17:26 29 00:17:09 NAO ATENDEU O CHAMADO CLINICA MEDICA 07:54:33 26 00:18:15 VERDE CIRURGIA GERAL 72:02:49 441 00:09:48 VERDE CLASSIFICACAO DE RISCO 638:59:59 7857 00:06:24 VERDE CLASSIFICACAO DE RISCO COVID-19 00:07:05 1 00:07:05 VERDE CLINICA MEDICA 836:21:38 4761 00:10:32 VERDE CONSULTORIO MEDICO COVID-19 00:06:06 2 00:03:03 VERDE ODONTOLOGIA 56:06:06 362 00:09:18 VERDE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA 414:51:46 2564 00:09:42 VERDE RADIOGRAFIA 00:44:18 8 00:05:32 VERDE TOMOGRAFIA 00:02:52 2 00:01:26 VERMELHO CIRURGIA GERAL 01:55:24 16 00:07:13 VERMELHO CLASSIFICACAO DE RISCO 49: 12:11 450 00:06:34 VERMELHO CLJNICA MEDICA 34:31:57 266 00:07:47 VERMELHO ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA 00:11:36 1 00:11:36 VERMELHO RADIOGRAFIA 00:03:24 1 00:03:24 VERMELHO SALA VERMELHA 12:37:53 167 00:04:32 12. Dessa forma, diversamente do lançado pela CGU, todo atendimento do PRONTO SOCORRO CENTRAL está organizado conforme o grau de prioridade do quadro clínico apresentado pelo paciente, avaliado segundo conceitos pré-definidos aplicado por enfermeiros devidamente capacitados para esta atividade, cumprindo, dessa forma, rigorosamente, o tempo de espera determinado pela Política Nacional de Humanização (PNH) do Ministério da Saúde.” Análise do Controle Interno O apontamento da CGU consiste no fato de haver diversas metas definidas no Termo de Referência da contratação, elaborado pela Fundação Municipal de Saúde e Defesa Civil, e no Contrato de Gestão n.º 002/2020, porém nenhuma delas é capaz de avaliar se o objetivo da contratação de organização social foi atendido, conforme a própria descrição sumária do achado: “As metas estabelecidas no edital do Chamamento Público n.º 001/2020 não permitem mensurar e avaliar se os objetivos esperados da contratação de organização social para gestão da unidade de saúde foram atingidos.” 43 Os objetivos esperados, de acordo com o Edital, eram o aumento no número de atendimentos, redução do tempo de espera para atendimentos e aumento do número de cirurgias eletivas. Dessa forma, não há o que questionar sobre cumprimento ou não de metas, porque não havia metas definidas para tanto, uma falha da Fundação Municipal de Saúde em definir as metas pelas quais pretendia avaliar o desempenho da gestão do PSC pelo INSAUDE. Quanto ao documento apresentado, extraído do sistema RG de gestão, com os tempos médios de espera facilmente visualizados, verifica-se que é datado de março de 2022, contudo a auditoria da CGU teve como escopo o período entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021. Nesse período, as informações dos atendimentos médicos eram realizadas de forma manual, sem padronização quanto ao horário de atendimento, às vezes com data escrita à caneta pelo médico, às vezes não. No livro manuscrito de registro dos exames de Raio X e de Tomografia realizados no período em questão também não constavam as horas das realizações dos exames, apenas uma numeração sequencial de pacientes por dia. Por meio da Solicitação de Auditoria n.º 937874/09, foi solicitado apresentar “Relatório extraído do Sistema RG, contendo todos os Boletins de Atendimento no Pronto Socorro Central, individualizados, no período de 3 a 6 de dezembro de 2020 e de 6 a 9 de fevereiro de 2021, se possível em formato de planilha eletrônica.” e “Apresentar registros documentais, eletrônicos ou no livro, dos exames de Raio X e de tomografia realizados no período de 3 a 6 de dezembro de 2020 e de 6 a 9 de fevereiro de 2021, com identificação do técnico que realizou o exame, data e hora.”. Ao invés da informação extraída do sistema, foram apresentados registros manuais dos exames de tomografia e raio X, em livro, sem identificação do horário e do técnico responsável. Em relação aos atendimentos médicos na emergência, foram apresentadas folhas impressas do boletim de atendimento eletrônico, inicialmente preenchido no sistema pela recepção e serviço de triagem, sendo, na sequência, preenchidos com registros manuais de atendimento médico, sem padronização quanto à informação sobre o horário do atendimento e apenas com carimbos das realizações de exames clínicos, de RX ou tomografia. Portanto, no período analisado, não havia utilização de prontuário eletrônico, de modo que o sistema de gestão pudesse compilar as informações dos atendimentos e exames realizados para calcular tempo médio e outras variáveis gerenciais. Em relação ao acompanhamento realizado pela Comissão de fiscalização da Fundação Municipal de Saúde acerca do Contrato de Gestão, é citado na manifestação da INSAUDE que a CGU afirmou que “a Fundação de Saúde, por seu departamento de fiscalização, não avaliava o cumprimento das metas e não impunha glosas ao INSAÚDE.”, contudo não consta essa informação no Relatório Preliminar. A Comissão de Fiscalização da Fundação Municipal de Saúde analisa o cumprimento das metas pactuadas e emite relatório mensal, com base nas informações apresentadasna prestação de contas, sobre o cumprimento das metas e efetua glosas, quando entende que as metas não foram cumpridas. Mais uma vez, o achado da auditoria se refere à ausência de metas para avaliar o atingimento dos objetivos esperados. Não foi objeto desta auditoria verificar se as metas pactuadas foram ou não atingidas, atividade já realizada pela Comissão de Fiscalização. Dessa forma, ratifica-se a ausência de metas definidas pela FMS que pudessem, de fato, avaliar o atingimento dos objetivos esperados, bem como a precariedade das informações quanto ao registro dos atendimentos realizados, no período analisado. 44 Pela manifestação apresentada, em 2022, a OS teria passado a registrar os atendimentos de forma eletrônica, com a utilização do sistema de gestão contratado desde o início do Contrato de Gestão n.º 002/2020. Achado nº 4 Manifestação da unidade auditada “[...] O INSAÚDE NÃO CONTRATOU TODOS OS PROFISSIONAIS EM QUANTITATIVO SUFICIENTE, PREVISTOS NO EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO N.° 001/2020 (ITEM 4). O edital, no item 10.4, estabelece que o PSC “deverá contar obrigatoriamente e em quantidade suficiente, cumprindo a legislação concernente ao pleno funcionamento nas 24 (vinte e quatro) horas do dia, com os seguintes profissionais: coordenador médico, gerente administrativo, gerente de enfermagem, médico generalista / emergencista, ortopedista, enfermeiro, farmacêutico, assistente social, fisioterapeuta, nutricionista, técnico de enfermagem, técnico de radiologia, auxiliar de serviços gerais, maqueiro e auxiliar administrativo”. Para o pleno funcionamento da unidade de saúde, tal como exigido no item supracitado, a Organização Social InSaúde manteve os profissionais em quantitativo para o atendimento das demandas 24 horas por dia. As funções exercidas pelo coordenador médico e pela gerente de enfermagem, que são de planejamento, organização e execução das atividades médicas e enfermagem da unidade, o que não exige que estejam presentes 24 horas por dia, 7 dias por semana. Compete ao Coordenador Médico assegurar condições adequadas de trabalho e os meios imprescindíveis de uma boa prática médica, zelando ao mesmo tempo pelo fiel cumprimento dos princípios éticos. No caso de afastamento do Coordenador Médico, segundo ainda a Resolução CFM n° 997/80, “deverá o cargo ser imediatamente ocupado pelo seu substituto, também médico”. A Resolução CFM n° 1.342/91, determina que “em caso de afastamento ou substituição do Coordenador Médico (...), aquele que deixa o cargo tem o dever de imediatamente comunicar tal fato, por escrito, ao Conselho Regional de Medicina.” Da mesma forma, o diretor que assume o cargo deverá fazer a devida notificação ao Conselho Regional de Medicina. Com relação as nutricionistas, a quantitativo dimensionado está correto, não há obrigatoriedade de nutrição clínica 24 horas. Ressalte-se, por oportuno, médico prescreve a dieta diariamente e a nutricionista prepara os tipos de dietas e equilíbrio nutricional.” Análise do Controle Interno A manifestação apresentada reforça a necessidade de um profissional médico responsável para supervisão clínica das atividades realizadas na unidade de saúde, assim como na enfermagem. 45 Caber ressaltar que o Item 10.4 do Termo de Referência do Edital do Chamamento Público prevê o seguinte: “10.4- O Pronto Socorro Central Doutor Armando Gomes de Sá Couto (PSC), deverá contar obrigatoriamente e em quantidade suficiente, cumprindo a legislação concernente ao pleno funcionamento nas 24 (vinte e quatro) horas do dia, com os seguintes profissisonais: coordenador médico, gerente administrativo, gerente de enfermagem, médico generalista/emergencista, ortopedista, enfermeiro, farmacêutico, assistente social, fisioterapeuta, nutricionista, técnico de enfermagem, técnico de radiologia, auxiliar de serviços gerais, maqueiro e auxiliar administrativo.” [grifo nosso] Por meio da Solicitação de Auditoria n.º 937874/09, foi solicitado o envio dos profissionais designados para os cargos de Coordenador Médico, Gerente de Enfermagem, entre outros. Por meio do Ofício n.º 209/PRESIDENCIA/FMS2021, foi encaminhado o Ofício INSAUDE/PSC n.º 320/2021, contendo a relação de profissionais para os referidos cargos, com as jornadas de trabalho nessas funções de coordenação. Conforme a informação apresentada, o coordenador médico contratado atua por apenas quatro horas de segunda a sexta-feira, ou seja, 20 horas semanais. Dessa forma, não se trata de uma substituição eventual do Coordenador Médico por outro profissional médico que assuma as atividades de supervisão. Se o Pronto Socorro de São Gonçalo funciona 168 horas por semana, há que ter outro profissional designado e remunerado para a função de supervisão médica e na enfermagem nas 144 horas restantes da semana. Na manifestação apresentada ao relatório preliminar é descrito que “No caso de afastamento do Coordenador Médico, segundo ainda a Resolução CFM n° 997/80, “deverá o cargo ser imediatamente ocupado pelo seu substituto, também médico”, contudo não informa que tal conduta ocorra de fato no PSC, bem como não demonstrou quem são esses profissionais. Nesse sentido, é até possível que haja outro coordenador médico ou gerente de enfermagem no restante do período no PSC, contudo essa informação não foi apresentada à auditoria. Em relação ao cargo de nutricionista, a manifestação cita que não há necessidade do referido cargo no período noturno, no entanto, essa era uma exigência do item 10.4 do Termo de Referência do Edital do Chamamento Público n.º 001/2020. Do exposto, na falta de novas informações objetivas apresentadas na manifestação ao Relatório Preliminar, mantém-se o apontamento do Item 4. Achado nº 6 Manifestação da unidade auditada “CONTROLADORES DE ACESSO E TÉCNICOS DE ENFERMAGEM CONTRATADOS PELA INSAUDE PARA ATUAÇÃO NO PRONTO SOCORRO CENTRAL DE SÃO GONÇALO SEM COMPROVAÇÃO DE REGISTROS DE FREQUÊNCIA, EM 38% DA ANÁLISE AMOSTRAL, COM PAGAMENTO INDEVIDO DE R$70.928,72 (ITEM 06). A CGU fez a análise amostral da frequência de 26 colaboradores do INSAÚDE e não havia registro de 10 deles. 46 Vale lembrar que durante o período pandêmico foram editadas normas afastando trabalhadores com comorbidade, gravidez, lactante e acima de 60 anos. Conforme se extrai da tabela abaixo, 8 dos 10 colaboradores se enquadraram entre as pessoas que tiveram que se afastar das atividades laborais. Por outro lado, duas delas estavam a exercer atividade plenamente. Assim é de rigor que seja revisto esse ponto do relatório, como medida de justiça. […] Destarte, não há que se falar em falha na verificação do registro dos colaboradores.” Análise do Controle Interno O gestor esclareceu que oito dos dez controladores de acesso não possuíam registro de frequência no período analisado, pois estavam afastados preventivamente em decorrência da pandemia de Covid, já que são profissionais com mais de 60 anos. Em relação aos outros dois profissionais, embora solicitados, os registros de frequência não foram apresentados a esta Auditoria. Assim, a CGU acatou a manifestação quanto à falta de frequência dos oito profissionais com mais de 60 anos, mantendo o apontamento para os outros dois. Achado nº 7 Manifestação da unidade auditada “CONTRATAÇÃO DE MÉDICOS PARA ATUAREM NO PRONTO SOCORRO CENTRAL DE SÃO GONÇALO POR INTERMÉDIO DE EMPRESA VINCULADA DIRETAMENTE AO SECRETÁRIO MUNICIPAL DE SAÚDE E DEFESA CIVIL DE SÃO GONÇALO, SEM COTAÇÃO DE PREÇOS. Cumpre destacar que o INSAÚDE assumiu, emergencialmente, a gestão do Pronto Socorro Central de São Gonçalo em 18 de outubro de 2019, após a entidade antecessora (IDESP) ter apresentado pedido de rescisão unilateral. Para que não houvesse interrupção dos serviços objeto do contrato, o INSAÚDE firmou termos de transição com as empresas que já atuavam com o IDESP. Dentre os contratos que o INSAÚDE manteve está o firmado com a BTRepresentações e Consultoria Médica Ltda (contrato em anexo), as mesmas condições estabelecidas com o IDESP. Ressalte-se que o valor mensal global estabelecido era de R$ 1.070.000,00 (um milhão e setenta mil reais), sendo previsto como meta a prestação de 11.004 horas mensais, conforme descrição da tabela do contrato a seguir.” 47 XIII Profissiona i s Medicos efetuando parecer na especlalidade de Urologia, cada um deles trabalhando 12 horas scmanais de trabalho. SEMANA 12 HORAS XIV Profissionais Medicos efe tuandoparecer na especlalidadc de Neurol ogla. cada um deles trabalhando 12 horas semanais de trabalho. SEMANA 12 HORAS XIV Profissiona is Medicos efetuando parecer na especlalldade de lnfectologia, cada um deles trabalhando 12 horas semanais de trabalho. SEMANA 12 HORAS xv Profisslonals Medicos efeluando parecer na especialidade de Radiologia, cada um deles trabalhando 12 horas semanais de tra balho. SEMANA 12 HORAS XVI Profissionais Medicos efetuando parecer na especlalidade de Gastroenterologia. cada um deles trabalhando 12 horas semanais de trabalho. SEMANA 12 HORAS XVII Profissionais Medicos efeluando parecer na especialidade de Cardlologla, cada um deles trabalhando 20 horas semanals de trabalho. SEMANA 20 HORAS 2. Os serviços prestados incluem o fornecimento de Jaleco s e crachás, sendo responsabilidade da CONTRATADA a reposição imediata destes. em caso de perda ou dano; ESCALAS DE TRABALHO 3. Será de única e exclusiva responsabilidade da CONTRATADA e de seus sócios a elaboração das escalas dos profissionais que prestarão os serviços. 4. As escalas elaboradas pela CONTRATADA deverão ser entregues no último dia de cada mês à CONTRATANTE para conhecimento, acompanhamento e publicidade conforme determinação do Sr. Prefeito. 5. As partem deixam claro que a CONTRATANTE está contratando os serviços médicos a serem prestados pela CONTRATADA. sendo que a designação e escolha daqueles que irão prestar tais serviços deve ser feita excluslvarnen1e pela CONTRATADA. Para CONTRATANTE interessa que o profissional designado para a prestação de serviço seja competente tecnlcamente, registrado no Conselho de Classe e atenda os pacientes a contento. 48 6. A CONTRATADA. utilizando-se de sua total e i r rest r i ta r esponsabl dade e llberdade para elaborar as escalas de plantão, poder substituir a qualquer momento, os proflssionais previamente escalados para cumprir os plantões. O profisslonal substituto deverá estar apresentado a esta administração com pelo menos (dois) dlas útels de antecedência e obrigatoriamente identificado junto à CONTRATANTE por meio da apresentação dos documentos abaixo relacionados, a CONTRATANTE, por meio da apresentação dos documentos abalxo relaclonados, para conhecimento e para que possa zelar pelo correto e adequado atendimento dos p a c i e n t e s . sendo que tal ativldade é ingerente à sua gestão. Portanto, o valor da hora paga ao médico e de R$97,23 (noventa e sete reais e vinte e três centavos). Dessarte, e estreme de dúvidas que o valor estava abaixo do praticado no mercado do Estado do Rio de Janeiro, o que evidencia a economicidade da manutenção da empresa médica. Assim, o INSAUDE seguiu à risca o seu Regulamento de Compras, que dispõe o Regulamento de Compras da Organiza9ao Social: " Art. 11- Aplicam-se a contratação de serviços, no que couberem, todas as regras estabelecidas nos artigos 4° ao 9° do presente Regulamento, com exceção dos serviços técnicos profissionais especializados que ficam dispensados das exigências estabelecidas nos artigos 5° e 6° do presente Regulamento." Destarte, a contratação questionada está em consonância com o Regulamento próprio, repelindo- se, dessarte, a conclusão exposta pela CGU. Por outro lado, há que se ressaltar que os serviços médicos especializados contratados ofereceram condições mais vantajosas ao erário. Há que se repisar que foi mantido pela BT os valores originalmente pactuados, embora a elevação substancial do valor da hora médica durante a pandemia. Dessa forma, evidenciada a vantajosidade e a economicidade na manutenção do contrato com a BT. Como é cediço, a lei de Licitações permite a prorrogação de contratos mais vantajosos à Administração Pública (art. 67). Esta é a analogia utilizada pelo Supremo Tribunal Federal, que autoriza a contratação direta, conforme Regulamento de Compras de Entidades do terceiro setor, verificando- se, a vantajosidade ao erário (STF, ADI n° 1923/DF; TCESP, TC- 020195/026/12). Deste modo, a Contratada presta serviços e foi escolhida por sua expertise e qualificação técnica, abarcando um bom custo benefício, qualidade e preço. O reconhecimento dos bons serviços impulsionaram ser sócio a ser indicado para função pública, e não o contrário. Assevere-se, por oportuno, que o Dr. [...], consoante se depreende da alteração contratual colacionada com essa manifestação, retirou-se da sociedade médica antes de assumir o cargo de Secretário Municipal de Saúde de São Gonçalo. Ou seja, ao se retirar da empresa, afastou qualquer mácula à manutenção do contrato firmado entre a BT e o INSAÚDE, mesmo porque os valores pactuados em outubro de 2019 foram mantidos, o que demonstra que não houve qualquer vantajosidade ou favorecimento à referida empresa médica, que pudesse ensejar qualquer penalidade as partes. Assim, suposta afronta ao princípio da impessoalidade é apenas aparente — qualquer conclusão em contrário vai de encontro ao princípio da livre iniciativa econômica e das garantias individuais, pois não se pode elastecer o alcance de norma jurídica para impedir o cidadão de exercer seus direitos e sua atividade profissional. Em suma, a contratação da BT Representações e Consultoria Médica Ltda. se deu pela boa prestação de serviços e custo compatível com o mercado, vantajoso ao erário. Qualquer conclusão em contrário decorre de mera elocubração sem lastro.” 49 Análise do Controle Interno A manifestação apresentada relata que houve o cumprimento do regulamento de compras, no entanto, conforme descrito no relatório, as categorias médicas contratadas por intermédio da BT Consultoria e Serviços Médicos Ltda são usuais na medicina, tais como clínica médica, ortopedia, cirurgia geral, ortopédica e anestesistas, além de algumas especialidades em menor quantitativo, como cardiologia e urologia. Dessa forma, em termos de categorias médicas contratadas, não se pode afirmar exclusividade ou singularidade do objeto, assim como há diversas empresas no mercado fornecedoras de serviços médicos, tais como a contratada. Ademais, a questão relatada sobre uma possível economicidade quanto ao valor do plantão médico na referida contratação não foi objeto de apontamento da CGU. A mencionada analogia com a legislação federal, em que um contrato contínuo pode ser prorrogado até a vigência de 60 meses, desde que demonstre que é mais vantajoso a cada doze meses, não é aplicável, uma vez que, para tanto, seria necessária a pesquisa de preços com outras empresas para atestar a vantajosidade, o que não foi feito pela Insaúde. Ressalte-se, como também já relatado, que, entre o término do contrato da organização social IDESP e o Contrato n.º 002/2020, a própria Insaúde esteve à frente do PSC por um ano, sendo dois contratos emergenciais de seis meses, tempo suficiente para realizar todas as análises dos contratos assumidos da OS anterior. A questão relevante do apontamento é a não observância do princípio da impessoalidade na aplicação de recursos públicos. Embora o Secretário de Saúde e Defesa Civil tenha saído da empresa BT Consultoria e Assessoria Médica, sua esposa permaneceu na sociedade, passando a assumir a função de sócia administradora da referida empresa, com a saída do Secretário, mantendo-se, portanto, vínculo direto entre o Secretárioe a empresa contratada, cujo custo representa quase um terço do valor recebido pela OS contratada pela pasta do Secretário. Dessa forma, o risco de danos ao Erário ou de não prestação dos serviços na forma contratada se manteve presente, na medida em que a principal empresa contratada pela OS, que foi contratada pela Secretaria de Saúde, possui vínculos diretos com o titular da pasta municipal. Achado nº 8 Manifestação da unidade auditada “DIMENSIONAMENTO DE MÉDICOS PELA INSAUDE INCOMPATÍVEL COM A ESTRUTURA FÍSICA DO PRONTO SOCORRO CENTRAL DE SÃO GONÇALO (ITEM 8). Com todo respeito aos zelos auditores, a ausência do exame “in loco” não permitiu a correta aferição da dinâmica de trabalho dos médicos no Pronto Socorro Dr. Armando Gomes de Sá Couto. Com efeito, o Pronto Socorro Central, Dr. Armando Gomes de Sá Couto, possui os seguintes postos de trabalho para os profissionais médicos: 5 consultórios, 1 sala de emergência, 2 salas de observação, unidades de internação, 1 Centro de Terapia Intensiva, 1 centro cirúrgico, 3 salas cirúrgicas, 1 consultório COVID (não compreendido no plano de trabalho 50 original), 1 ambulatório ortopédico e Unidade de Retaguarda de Urgência e Emergência (RUE).; Portanto, o dimensionamento dos médicos, diversamente do apontado no relatório, não se restringem aos consultórios, senão vejamos: CLÍNICA MÉDICA: 4 3 médicos atendendo em consultório; 4 1 médico na sala de emergência; 1 médico na RUE; Transporte externo: nos transportes externos, com necessidade de acompanhamento médico (transferência de pacientes em estado grave; exames e procedimentos especializados — cateterismo, ressonância e outros), um profissional dentre os citados acima acompanha. CLÍNICA CIRÚRGICA: 1 médico no consultório; médico na sala de sutura e pequenos procedimentos; médicos no centro cirúrgico e em visita aos pacientes internados CLÍNICA ORTOPÉDICA 2 médicos: no consultório e na sala de gesso; Nos casos de cirurgia de urgência e emergência os 2 profissionais médicos atendem no centro cirúrgico conforme preconizado pelas normas médicas. Destarte, realmente não há estrutura de consultórios para atendimento simultâneo para todos os médicos, mesmo porque os profissionais não atendem apenas nos consultórios, conforme destacado alhures. Em relação ao atendimento simultâneo, este fato foi episódico, não refletindo a dinâmica do Pronto Socorro Central. Análise do Controle Interno Nas prestações de contas publicadas pela OS, em sua página eletrônica no referido período, no perfil institucional da unidade de saúde foi informado que a estrutura física do Pronto Socorro Central – PSC é composta por dois consultórios de clínica médica, um consultório de ortopedia e dois consultórios de cirurgia geral. Em resposta ao Relatório Preliminar, no entanto, foi descrita uma infraestrutura divergente da informação apresentada pela própria INSAUDE em seus relatórios mensais de prestação de contas. Diante da divergência de informações apresentadas, foi realizada inspeção no PSC, em 10/05/2022, com o objetivo de verificar qual, de fato, é a capacidade operacional de atendimento na emergência. 51 Verificou-se que são três consultórios de clínica médica, ao invés dos dois informados pela própria INSAUDE em sua prestação de contas do período analisado, um consultório de ortopedia, um consultório de clínica cirúrgica e uma sala de sutura. Há também uma sala de emergência, denominada Sala Vermelha, que necessita de médico no local. Diante das informações apresentadas pela INSAUDE e verificadas na inspeção in loco, conclui- se que a capacidade operacional do PSC para atendimento na emergência é de quatro médicos na clínica cirúrgica, seis médicos na clínica médica, dois médicos na sala vermelha e dois médicos na clínica ortopédica, considerando o período de 24 horas e plantões de 12 horas. Na manifestação apresentada ao Relatório Preliminar é mencionada uma área identificada como Unidade de Retaguarda de Urgência e Emergência (RUE), em que haveria a necessidade de um médico. Esse local, no entanto, não consta da infra-estrutura do PSC. Em relação à sala de gesso como local de atendimento clínico do segundo ortopedista, o profissional responsável pela imobilização no local é o técnico de gesso e não o médico. Mencionou-se, também, a necessidade de um médico de clínica médica para acompanhamento de pacientes no deslocamento para outras unidades de saúde. De acordo com a relação de pacientes transportados apresentada pela empresa de locação de ambulância contratada, DMC, a grande maioria de deslocamentos de pacientes é para locais bem próximos ao PSC, para o Hospital Municipal Luis Palmier (a 100 metros) e Hospital de Retaguarda (a 1,3 quilômetros) e de pacientes que não estão sob cuidados médicos intensivos, em que não há exigência de médico no deslocamento. Alguns deslocamentos são de pacientes de CTI, que necessitam de cuidados médicos intensivos, podendo haver necessidade de atendimento médico durante o percurso. Essas situações, no entanto, são eventuais no PSC, não havendo necessidade de um médico exclusivamente destinado a essa atividade, podendo ser utilizado um dos médicos plantonistas na emergência ou na rotina. Portanto, com base na infra-estrutura de atendimento de pacientes na emergência, necessitaria da contratação de quatro médicos na clínica cirúrgica, dois médicos na clínica ortopédica, seis médicos nos consultórios de clínica médica e dois na sala vermelha, considerando-se plantões de 12 horas, quantitativo inferior ao contratado para clínica médica e ortopedia na emergência. Achado nº 9 Manifestação da unidade auditada “AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS CONTRATADOS PELA INSAUDE DA EMPRESA BT CONSULTORIA E ASSESSORIA MÉDICA LTDA PARA O PRONTO SOCORRO CENTRAL DE SÃO GONÇALO, NO QUANTITATIVO PAGO, COM SUPERFATURAMENTO MENSAL ESTIMADO DE R$ 202.040,80 EM CLÍNICA MÉDICA, ORTOPEDIA E ATENDIMENTOS DE ROTINA ITEM 9). Ressalte-se, por oportuno, que não houve superfaturamento em relação aos valores pagos a BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda. Os valores pactuados, conforme destacado em 52 outra oportunidade, são muito abaixo do mercado e falar em superfaturamento, por mero exame amostral, não procede no caso em análise. Além disso, diversamente do apontado no relatório, houve sim atendimento médico no período, não se restringindo apenas ao atendimento pela equipe de enfermagem (Doc. Anexo). Dessa forma, é imperioso que seja revisto, também neste aspecto, o relatório preliminar.” Análise do Controle Interno A análise foi minuciosamente realizada para base nos registros manuais individuais de todos os boletins de atendimentos médicos em clínica médica, em uma semana no mês de dezembro de 2020 e uma semana no mês de fevereiro de 2021, datas escolhidas por amostragem representativa de uma semana típica, sem feriados ou pontos facultativos, Os boletins de atendimento médico – BAMs, com atendimentos registrados manualmente, foram apresentados à auditoria por meio dos documentos encaminhados pela Fundação Municipal de Saúde e pela INSAUDE, por meio dos Ofícios n.º 209/PRESIDENCIA-FMS2021, INSAUDE/PSC n.º 320/2021, n.º 240/PRESIDENCIA-FMS2021, INSAUDE/PSC n.º 337/2021, n,º 265/PRESIDENCIA-FMS2021, n.º INSAUDE/PSC n.º 397/2021, n.º 298/PRESIDENCIA- FMS2021, n.º INSAUDE/PSC n.º 426/2021, n.º INSAUDE/PSC n.º 432/2021, n.º 286/PRESIDENCIA-FMS2021, n.º INSAUDE/PSC n.º 413/2021, n.º 299/PRESIDENCIA-FMS2021, n.º INSAUDE/PSC n.º 442/2021, n.º 316/PRESIDENCIA-FMS2021, INSAUDE/PSC n.º 442/2021, n.º 322/PRESIDENCIA-FMS2021 e INSAUDE/PSC n.º 480/2021, em resposta às Solicitações de Auditoria n.º 937874/09, 937874/10, 937874/14, 937874/15, 937874/16, 937874/17, 937874/19 e 937874/20. Dessa forma, a apresentação de novos boletins de atendimento médico já encaminhados anteriormente pela INSAUDE e pelaFundação Municipal de Saúde, na fase de apuração desta auditoria, é intempestiva e não serão novamente analisados. Quanto aos esclarecimentos apresentados sobre os valores cobrados pela BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda estarem nos valores de mercado, quanto à hora médica ou do plantão médico, não houve nenhum questionamento da CGU em contrário. O superfaturamento estimado deve-se à não comprovação da realização de plantões médicos no quantitativo contratado e apresentado nas notas fiscais. Não é que não houve atendimento médico, contudo não há comprovação da prestação de serviço de todos os médicos contratados. Em Clínica Médica, parcela mais representativa do Contrato, não há comprovação de nenhuma atuação em 29% dos plantões contratados. Portanto, o superfaturamento decorre da comprovação de prestação de serviço parcial em relação ao quantitativo contratado e não ao custo unitário do serviço médico. Em decorrência da análise individual dos BAMs apresentados no período amostral, foram verificados períodos de atendimento a pacientes da emergência sem comprovação de atuação médica nos referidos BAMs, apenas por enfermeiros. Não foi apresentada manifestação 53 quanto ao fato, em resposta ao Relatório Preliminar. Foram encaminhados novos BAMs para o período já analisado e, portanto, não serão novamente auditados. Achado nº 10 Manifestação da unidade auditada “CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXAMES LABORATORIAIS E DE ANÁLISES CLÍNICAS DA CANGUSSU SAMPAIO CLÍNICA MÉDICA LTDA ITEM 10. Em relação a cotação, diversamente do apontado no relatório, o INSAÚDE respeitou o regulamento de compra, bem como os critérios para a correta aferição das propostas encaminhadas, senão vejamos. As três empresas que apresentaram proposta atuam direta ou indiretamente para Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo. Todavia, o INSAÚDE encaminhou pedido de cotação para outros laboratórios que atuam no município de São Gonçalo, conforme se depreende dos e-mails colacionados com essa manifestação. Embora sejam quase 50 laboratórios no município, poucos tem condições de atender o alto volume de exames exigidos em uma unidade do porte do Pronto Socorro Central. O valor pactuado com a empresa que apresentou a melhor proposta, compreende o máximo de 25.000 (vinte e cinco mil) exames. A quantidade de exames estabelecida está pautada no número de atendimentos mensais na unidade de saúde. Não foi um número aleatório fixado entre as partes. O valor unitário apresentado em cima dos 25.000 exames ou no valor apontado pelo Auditoria estão abaixo do valor de mercado. Com efeito, como regra, as unidades de saúde, como o Pronto Socorro Central de São Gonçalo, que atende em média 800 (oitocentos) pacientes dia, é absolutamente adequada a mensuração estabelecida neste contrato. A assertiva sobretida pode ser constatada no observatório da Associação Nacional de Hospitais Privados ANAHP’. A associação faz o dimensionamento da quantidade de exames pelo número de atendimentos, variando entre ambulatorial e internação. Com efeito, no projeto técnico apresentado no chamamento público 001/2020, para gestão do Pronto Socorro Central de São Gonçalo, foi considerado o seguinte cálculo: PACIENTES INTERNADOS: 88 leitos x 3,5 dias = 2684 pacientes/dia x 6 exames por paciente/dia = 16.104 exames para pacientes internados. PACIENTES DA PORTA: 60% dos atendimentos de porta. Atendimentos mês = 16.000 x 60% = 9600 exames TOTAL: 25.704 exames. Dessa forma, há que ser revisto esse tópico do relatório preliminar.” 54 Análise do Controle Interno A organização social esclareceu a metodologia de cálculo utilização para a previsão de até 25.000 exames realizados por mês, contudo uma das questões apontadas pela CGU é a diferença no valor médio unitário apresentado na proposta da contratada, R$ 3,22 e o valor médio superior, efetivamente cobrado, R$ 4,18 (novembro/2020), R$ 4,86 (dezembro/2020) e R$ 4,83 (janeiro/2021). Tal fato somente ocorreu porque não houve o cumprimento da Cláusula 66 do Contrato entre as partes, ou seja, os pagamentos foram realizados pelo valor estimado, considerando a previsão de 25.000 exames, ao invés dos quantitativos de exames efetivamente realizados. Dessa forma, além das falhas na cotação de preços, houve descumprimento de cláusula contratual, resultando em valor médio dos exames, muito superior ao ofertado pela contratada em sua proposta comercial. Quanto à solicitação de cotação de preços aos laboratórios de análises clínicas do Município de São Gonçalo, é mencionado na manifestação relação de emails enviados a laboratórios locais, porém essa relação não foi apresentada à equipe de auditoria. Quanto aos demais apontamentos relativos à contratação, não foram prestados novos esclarecimentos, em resposta ao Relatório Preliminar. Achado nº 11 Manifestação da unidade auditada “DISPONIBILIZAÇÃO DE TÉCNICOS DE RADIOLOGIA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NO PRONTO SOCORRO CENTRAL DE SÃO GONÇALO, EM QUANTITATIVO INFERIOR AO CONTRATADO PELA INSAUDE, JUNTO À EMPRESA MDO RADIOLOGIA LTDA (ITEM 11). Sustenta, equivocadamente, os auditores da CGU que “não restou comprovada a efetiva e completa prestação do serviço por meio da MDO Radiologia Ltda, dada a falta de controle do próprio contratante quanto à disponibilização dos recursos humanos e sua respectiva produção individualizada”. O serviço foi efetivamente prestado e o controle era realizado pelo livro de registro de plantão. Após a visita pontual da auditoria, a gestão da Unidade de Saúde implementou na sistemática de controle, consiste na elaboração e apresentação de planilhas com o controle dos exames realizados por técnicos e paciente, conforme se depreende da documentação anexa. Destarte, o apontamento lançado pela auditoria, também neste aspecto, deve ser alterado, uma vez que os serviços foram efetivamente prestados e o controle realizado pelo INSAÚDE. Em relação a cotação, o INSAÚDE, tão logo assumiu o contrato de gestão, após a conclusão do chamamento público 001/2020, realizou cotação, sendo certo que a melhor proposta apresentada a empresa MDO Radiologia Ltda. (Doc. Anexo).” 55 Análise do Controle Interno Em relação à cotação prévia de preços para contratação de prestação de serviços de técnicos e Raio-X, por meio do Ofício INSAUDE/PSC n.º 371/2021, em resposta à Solicitação de Auditoria n.º 937874/12, foi informado ter havido cotação de preços antes da contratação da MDO Radiologia Ltda, porém as informações não foram disponibilizadas à época. Em Resposta ao Relatório Preliminar, foi apresentado um Mapa de Preços e três cotações de preços datadas de 20 de outubro de 2020, inclusive da própria MDO, data posterior à assinatura do Contrato entre a INSAUDE e a MDO Radiologia Ltda, em 13 de outubro de 2020. Dessa forma, a cotação de preços apresentada não é válida. Ademais, as duas empresas que apresentaram propostas de preços após a contratação da MDO funcionam no mesmo endereço, sendo o sócio administrador de uma delas, ex-sócio administrador da outra, comprometendo a independência entre as propostas. Quanto à comprovação do serviço, não havia à época qualquer controle sobre a frequência e produção dos técnicos. Em 2022, houve melhoria nos controles com a prestação de serviço, incluindo-se, no livro de registro, local para identificação do técnico responsável pela realização do exame. Embora mencionado, em resposta ao relatório preliminar, não foi apresentada documentação comprobatória da prestação do serviço no quantitativo contratado. Achado nº 12 Manifestação da unidade auditada “CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE HEMODIÁLISE A PACIENTES INTERNADOS NO PSC SEM COTAÇÃO DE PREÇOS E SEM DISPONIBILIZAÇÃO DO SERVIÇO POR 24 HORAS, CONFORME PREVISTO NO EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO N.° 001/2020 ITEM 12. Não se olvida que o Termo de Referência do Edital de Chamamento estabelecia o atendimento 24 horas de hemodiálise.Entretanto, como sói acontecer na grande maioria das unidades de saúde do Brasil, embora o serviço de hemodiálise fique a disposição 24 horas por dia, os profissionais médicos são acionados apenas quando há efetiva demanda. No Pronto Socorro Central atende apenas os casos agudos de pacientes internados. Dessa forma, não há necessidade de ter a presença 24 horas por dia de um profissional médico dessa especialidade. Conforme se extrai do regulamento de compras do INSAÚDE e também da norma de regência das licitações, o serviço médico de hemodiálise é extremamente especializado. Não se está a falar em singularidade. Ademais, o valor unitário da hemodiálise aguda — Paciente internado e não internado está absolutamente consentâneo com o do mercado.” Análise do Controle Interno 56 Embora o serviço de hemodiálise possa ser considerado especializado sob o aspecto médico, não é singular. Há empresas no mercado que prestam esse serviço, possibilitando a realização de cotação de preços, o que não foi realizada. Quanto à disponibilidade presencial de médicos, equipamentos e profissionais habilitados para realização dos procedimentos durante todas as 24 horas no PSC, tal situação não foi verificada pela auditoria. O apontamento é que, nos quatro meses auditados, não houve nenhum procedimento de hemodiálise que tivesse sido realizado após às 22:00h, assim não há evidência de que o serviço estivesse disponível nesse período por 24 horas, conforme previsto no edital da contratação. Achado nº 13 Manifestação da unidade auditada “CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS MÉDICOS PARA O PRONTO SOCORRO CENTRAL SEM COTAÇÃO DE PREÇOS E PAGAMENTO DE R$ 164.800,00 ENTRE JULHO DE 2020 E JUNHO DE 2021 REFERENTE A EQUIPAMENTOS NÃO UTILIZADOS NO PERÍODO ITEM 13 . Cumpre destacar que o Pronto Socorro Central já tinha contratado 3 aparelhos de RX, quando o INSAÚDE assumiu, emergencialmente, a gestão da referida unidade de saúde. No transcorrer da gestão, o INSAÚDE avaliou os equipamentos disponíveis, fez alteração dos processos e com isso foi possível a redução de 3 para 2 equipamentos, uma vez que foram substituídos por equipamentos mais modernos pela empresa Contratada. O equipamento encontrado em uma sala fechada não foi pago pelo INSAÚDE. Por outro lado, a auditoria faz uma grave acusação em relação a não utilização de um Raio X e um CR. Referidos equipamentos não estavam sendo pagos. Em relação as ultrassonografias, no final do ano de 2020, foi feita cotação e constatou-se que a contratação do equipamento sem o profissional médico era mais vantajoso. No entanto, por conta do regrudescimento da pandemia no início de 2021, a entidade somente conseguiu contratar um médico em março daquele ano. Ocorre que o aumento dos casos graves de Covid no início de 2021 fizeram com que aumentassem substancialmente a realização de tomografias.” Análise do Controle Interno A respeito do pagamento por três equipamentos de Raio X, sendo que um deles não estaria sendo utilizado, de acordo com o quantitativo de técnicos de Raio X contratados, a manifestação apresentada discorda do fato, afirmando que os equipamentos já tinham sido contratados quando a INSAUDE assumiu e que o terceiro equipamento não estaria sendo pago pela INSAUDE. 57 Em relação aos equipamentos já terem sido locados antes do início da gestão da INSAUDE no PSC, a informação não é correta, de acordo com o Termo de Recebimento dos três equipamentos de Raio X, datado de 29 de julho de 2020, que foram apresentados a equipe de auditoria por meio do Ofício INSAUDE n.º 365/2021, em resposta à Solicitação de Auditoria n.º 937874/12. Nessa data, a INSAUDE já administrava o PSC no seu segundo contrato emergencial. Quanto à utilização dos três equipamentos de Raio X, o quantitativo de profissionais contratados para realização dos exames era suficiente, apenas, para dois equipamentos de Raio X e um tomógrafo, conforme já demonstrado no Item 13 deste Relatório, bom como os valores referentes ao terceiro equipamento de RX e seu respectivo CR foram pagos pela INSAUDE, conforme demonstrado nas prestações de contas do Contrato de Gestão n.º 002/2020, no período de outubro de 2020 a junho de 2021. Somente em 1 de junho de 2021 a INSAUDE firmou o Segundo Termo Aditivo com a Anasmed Equipamentos Médicos Ltda para redução de um aparelho de Raio X e um CR. Conforme descrito da manifestação apresentada, de fato, o equipamento encontrado em uma sala fechada, na vista realizada pela CGU em novembro de 2021, não foi pago pelo INSAÚDE naquele mês, porém foi pago até junho de 2021. Em relação aos exames de ultrassonografia, na manifestação apresentada são expostos os motivos que retardaram o início da realização dos exames de ultrassonografia no PSC previsto no Edital do Chamamento Público n.º 001/2020. No entanto, apesar de os exames de ultrassonografia não estarem sendo realizados até janeiro de 2021, a INSAUDE pagou R$ 38.800,00 à Anasmed Edquipamentos Médicos Ltda, pela locação de um ultrassom no período. Achado nº 14 Manifestação da unidade auditada Por meio do Ofício n.º 122/PRESIDÊNCIA-FMS/2022, de 18 de abril de 2020, a Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo/RJ apresentou os seguintes esclarecimentos: “A Comissão Técnica de Fiscalização e Avaliação de Contrato de Gestão, prevista na Lei Municipal n.° 370/2011, busca incessantemente, aprimorar os métodos de fiscalização, cuja atividade soma o conjunto de ações que tem por objetivo aferir o cumprimento dos resultados previstos no Edital de Chamamento Público n.° 001/2020. Neste caso, o Relatório de avaliação apresentado pela CGU em muito contribui para o crescimento profissional de cada membro desta comissão. Mister salientar que, além da documentação física e contábil apresentada pela Organização Social INSAÚDE em sua prestação de contas, a comissão faz visitas periódicas na unidade de saúde, de forma aleatória, para que a diretoria não tenha conhecimento de data e hora das vistorias in loco, o que permite a fiscalização minuciosa por setor, bem como entrevistas a pacientes quanto ao atendimento médico, sintomas e critérios de tratamento utilizado. Além disso, são 58 analisados documentos como planilhas de controle de farmácia, almoxarifado, conferência das planilhas de frequência, entre outras, que, detectada incoerências ou irregularidades, são apontadas nos relatórios e asseverada à necessidade de correção, sob pena de sanções na forma do edital. No que se refere à afirmativa de que a Comissão Técnica de Fiscalização não apontou em seus relatórios o cumprimento integral dos serviços prestados pela Organização Social INSAÚDE, é certo dizer que a Comissão de Fiscalização apresenta em seu Relatório de Análise da Prestação de Contas, mensal, o critério de pontuação alcançado, bem como se houve o cumprimento parcial ou total dos serviços contratados, assim como aplica advertências concedendo o prazo de 05 (cinco) dias para os devidos esclarecimentos. Também podemos afirmar que, são retidos valores a título de glosa, assim como por descumprimento de metas, a exemplo, inclusive, da parcela de custeio do mês de janeiro de 2021, onde a Comissão Técnica de Fiscalização realizou o desconto de 10% (dez por cento), perfazendo o valor de R$ 374.941,70 (trezentos e setenta e quatro mil, novecentos e quarenta e um reais e setenta centavos) por não cumprimento de metas no período de novembro e dezembro de 2021. Dessa forma, entende a Fundação Municipal de Saúde, através da Comissão Técnica de Fiscalização que a atividade de fiscalização e controle vem sendo exercida na forma do estabelecido no Edital de Chamamento Público, não deixando de aplicar penalidades para que a Organização Social INSAÚDE cumpra todas as metas e serviços a que se propôs no Contrato de Gestão n.° 002/2020, não causando, com isso, malversação dos recursos públicos transferidos pela municipalidade.”Central Dr. Armando Gomes de Sá Couto – PSC. Selecionou-se esse último por ser de maior valor mensal, R$ 3.749.417,00. Na análise preliminar, identificou-se riscos associados aos três processos que envolvem a aplicação dos recursos do FNS por organização social: a qualificação da entidade como organização social no município, o processo de seleção por meio de chamamento público e, por fim, a aplicação dos recursos do contrato de gestão. Nesse último, o período de análise desta auditoria abrangeu os cinco primeiros meses do Contrato de Gestão n.º 002/2020, ou seja, de outubro de 2020 a fevereiro de 2021. A partir dos controles internos existentes identificados e dos riscos associados aos três processos quanto ao não cumprimento do objeto, à antieconomicidade na aplicação dos recursos do FNS e a possibilidade de eventuais fraudes e desvios de recursos, foram formuladas as seguintes questões de auditoria: - A INSAUDE atende aos requisitos formais para qualificação como organização social no Município de São Gonçalo/RJ? - Foi selecionada a organização social que apresentou o melhor programa de trabalho para gestão do Pronto Socorro Central, de acordo com os critérios definidos no edital de Chamamento Público n.º 001/2020? - Houve aumento na produção e redução do tempo de espera no Pronto Socorro Central com o Contrato de Gestão n.º 002/2020, conforme esperado no edital de chamamento público n. 001/2020? - A seleção e contratação de pessoal pela Organização Social foi conduzida obedecendo critérios técnicos, de forma pública, objetiva e impessoal, nos termos do regulamento próprio e em observância ao princípio da economicidade? 8 - A contratação de serviços foi realizada por valores médios de mercado, resguardando a observância do princípio da economicidade? - Houve contratação de empresas com vínculos ou de grau de parentesco direto com dirigentes da Prefeitura Municipal, em especial aqueles vinculados à área da saúde? - Em caso de terceirização de procedimentos e exames, os valores pagos aos prestadores de serviço foram compatíveis com os valores da tabela SUS? - Os profissionais da área assistencial cumpriam a jornada de trabalho contratada e apresentaram produtividade compatível com a jornada de trabalho? - Houve pagamento de empresas sem comprovação da prestação do serviço ou entrega do material? e - O Contrato de Gestão n.º 002/2020 é acompanhado e fiscalizado adequadamente? Uma limitação imposta à auditoria foi o cenário de pandemia de Covid-19, que dificultou a atuação da equipe de auditoria in loco, tendo em vista que o Pronto Socorro Central de São Gonçalo foi uma das unidades habilitadas para recebimento de pacientes com esta enfermidade. A análise, portanto, foi realizada, prioritariamente, à distância, com base na documentação apresentada pela Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo/RJ, acesso às bases de dados do SUS e de demais órgãos dos governos federal e estadual, além de visitas pontuais da equipe ao Ente municipal. 9 RESULTADOS DOS EXAMES 1. Não disponibilização do processo de qualificação do Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde – INSAUDE em Organização Social – OS, no Município de São Gonçalo/RJ. A qualificação como organização social - OS em determinada área no município é a primeira etapa para identificar entidades aptas a serem contratadas pelo poder público municipal para gestão de unidades de saúde ou execução de programas de governo. De acordo com a Lei Municipal n.º 370/2011, na área da saúde, as OSs poderão atuar, exclusivamente, em unidades de saúde, nos Hospitais Municipais e nos equipamentos destinados ao Programa de Saúde da Família. A auditoria pretendeu verificar a adequação do processo de qualificação da organização social Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde - INSAUDE, responsável pelo Contrato de Gestão n.º 002/2020, cujo objeto é a gestão do Pronto Socorro Central Dr. Armando Gomes de Sá Couto – PSC. Dessa forma, buscou-se responder à seguinte questão de auditoria: a INSAUDE atende aos requisitos formais para qualificação como organização social no Município de São Gonçalo/RJ? A qualificação da INSAUDE como organização social em São Gonçalo ocorreu em 2016, por meio do Decreto Municipal n.º 125/2016 (Processo Administrativo n.º 2098/2015). Desde então, a INSAUDE administra a Unidade de Pronto Atendimento – UPA de Nova Cidade, por intermédio do Contrato de Gestão n.º 002/2016, prorrogado em 2020. O Processo Administrativo n.º 2098/2015 não foi apresentado pela Fundação Municipal de Saúde, tendo em vista que não foi localizado. Diante do fato, o então Secretário de Saúde informou que instaurou processo de sindicância para apurar o desaparecimento do processo de qualificação da INSAUDE (Portaria n.º 041, de 08/07/2021). Dessa forma, não foi possível a esta auditoria avaliar se a referida instituição atende aos requisitos formais para qualificação como organização social no Município de São Gonçalo/RJ, previstos na Lei municipal n.º 370/2011 e no Decreto Municipal n.º 008/2018. 2. A Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo/RJ contratou organização social, de acordo com os critérios e pontuações definidos no Chamamento Público n.º 001/2020. A Prefeitura Municipal de São Gonçalo - RJ, por intermédio do Fundo Municipal de Saúde, Secretaria de Saúde e da Comissão de Seleção de Edital, realizou a abertura de Chamamento Público nº 001/2020, cujo objeto foi a formalização do Contrato de Gestão, com pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, qualificada pelo Município de São Gonçalo/RJ, como Organização Social para atuação no âmbito da saúde, para Gestão, Gerenciamento, Operacionalização e Execução das Ações e Serviços de Saúde, bem como a administração de 10 toda infraestrutura hospitalar, inclusive sua manutenção, no Pronto Socorro Central Doutor Armando Gomes de Sá Couto (PSC). Conforme previsão no edital, para o julgamento da Pontuação Técnica na definição da Nota Técnica (NT), de cada participante, foi considerado o somatório dos resultados obtidos por cada um dos critérios de avaliação (NT = C1+ C2+ C3 + C4). A tabela 1 apresenta a pontuação máxima para cada um dos seguintes critérios: organização das atividades, qualidade, experiência e responsabilidade técnica e experiência em gestão hospitalar. Tabela 1 - Critérios de Pontuação CRITÉRIOS PONTUAÇÃO MÁXIMA C1 - Organização das Atividades 30 C2 - Qualidade 50 C3 - Experiência e Responsabilidade Técnica 20 C4 - Experiência em Gestão Hospitalar/Urgência e Emergência/Ambulatorial 20 PONTUAÇÃO TOTAL 120 Fonte: Chamamento Público 001 de 2020 A tabela 2 apresenta a nota máxima individualizada nos quesitos formação acadêmica da equipe técnica e experiência profissional da equipe técnica, conforme informações abaixo: Tabela 2 - Critério C3 - Experiência e Responsabilidade Técnica QUESITO CRITÉRIO PONTUAÇÃO Formação Acadêmica da Equipe Técnica: mínimo de 01 (um) profissional, em cada critério. Comprovar o vínculo do profissional Graduação em área(s) afim(ns) 1,0 Especialização/MBA em área(s) afim(ns) 2,0 Mestrado ou Doutorado em área(s) afim(ns) 3,0 Formação Subtotal de pontos – máximo 6,0 Experiência Profissional da Equipe Técnica: mínimo de 1(um) profissional, em cada critério. Comprovar tempo de exercício de cada um dos profissionais, apresentados acima, por meio de documentos hábeis. Exerce ou exerceu atribuições em desenvolvimento de projeto em área afim pelo prazo de mínimo de 12 meses 2,0 Exerce ou exerceu atribuições em desenvolvimento de projeto em área afim pelo prazo de mínimo de 24 meses 3,0 Exerce ou exerceu atribuições em desenvolvimento de projeto em área afim pelo prazo de mínimo de 36 meses 4,0 Exerce ou exerceu atribuições em desenvolvimento de projeto em área afim pelo prazo de mínimo de 48 meses 5,0 11Análise do Controle Interno A Comissão de Fiscalização da Fundação Municipal de Saúde realiza bom acompanhamento do cumprimento das metas dos indicadores de desempenho, conforme demonstrado nos relatórios mensais emitidos pela referida Comissão. Em caso de não cumprimento, verificou- se que são recomendadas glosas pela Comissão de Fiscalização. Quanto à execução do contrato propriamente dita, na manifestação apresentada ao Relatório Preliminar, foi informado que também são realizadas inspeções no próprio PSC para verificar a prestação do serviço aos cidadãos. Os relatórios, no entanto, não se referem a tais visitas e os resultados delas, quanto à verificação da efetiva prestação dos serviços contratados e pagos e ao nível de satisfação dos pacientes. Dessa forma, entende-se que a verificação da prestação do serviço e das atividades realizadas no PSC, em consonância ao previsto no Edital do Chamamento Público, deve ser objeto de registro em Relatório para que também possa contribuir para a melhoria dos serviços públicos, sinalizando à organização social que determinada atividade deve ser aprimorada ou mesmo exigir que todos os serviços previstos no Chamamento sejam, de fato, ofertados no PSC. Reconhece-se, no entanto, que o trabalho da Comissão de Fiscalização ficou prejudicado pelas metas previstas não serem associadas aos objetivos esperados da contratação e disponibilização dos serviços, conforme previsto do Edital. Além disso, os registros manuais 59 dos atendimentos médicos e de realização de exames tornaram a fiscalização muito mais difícil. Faz-se importante, também, que a Comissão solicite os contratos firmados e, nas inspeções ao PSC, verifique e registre em relatório se o objeto do contrato está sendo realizado conforme previsto, sejam serviços ou fornecimentos de materiais. Com a utilização plena do sistema eletrônico de gestão contratado pelo PSC o que, no período auditado não estava sendo utilizado a contento, será mais efetivo o acompanhamento pela Comissão, que poderá, inclusive, demandar as informações extraídas diretamente no sistema de gestão, facilitando a obtenção de informações parametrizadas e fidedignas. i “Uma limitação imposta à auditoria foi o cenário de pandemia de Covid-19, que dificultou a atuação da equipe de auditoria in loco, tendo em vista que o Pronto Socorro Central de São Gonçalo foi uma das unidades habilitadas para recebimento de pacientes com esta enfermidade. A análise, portanto, foi realizada, prioritariamente, à distância, com base na documentação apresentada pela Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo/RJ, acesso às bases de dados do SUS e de demais órgãos dos governos federal e estadual.” ii Art. 2º-A. Fica suspensa a obrigatoriedade da manutenção de metas quantitativas relativas à produção de serviço das organizações sociais da saúde.Experiência Profissional Subtotal de pontos-máximo 14,0 Total Formação + Experiências Total Máximo 20,0 Fonte: Chamamento Público n.º 001 de 2020 Foram habilitadas as organizações sociais Hospital Psiquiátrico Espírita Mahatma Gandhi (CNPJ n.º 47.078.019/0019-43) e Instituto Nacional de Pesquisa e Gestão em Saúde – INSAUDE (CNPJ n.º 44.563.716/0001-72), sagrando-se vencedora a INSAÚDE, que obteve um total de 120 pontos, ou seja, pontuação máxima em todos os critérios (C1, C2, C3 e C4). A Organização Social Hospital Psiquiátrico Espírita Mahatma Gandhi obteve um total de 108 pontos, tendo obtido pontuação máxima nos critérios C1, C2 e C4 e nota máxima nos critérios mestrado ou doutorado e exercício em área afim pelo prazo mínimo de 48 meses. No critério C3, obteve nota zero no quesito Formação Acadêmica da Equipe Técnica (critérios Graduação e Especialização/MBA em áreas afins) e no quesito Formação - Experiência Profissional da Equipe Técnica no mínimo de 1(um) profissional (exercício de atribuições em área afim pelos prazos mínimos de 12, 24 e 36 meses), pois apresentou a documentação de vínculo de apenas um profissional, entendendo que este fosse suficiente para todos os critérios do quadro, o que foi considerado insuficiente pela Administração Pública, uma vez que não foi obedecido o disposto no instrumento convocatório. Em relação à documentação apresentada pela INSAÚDE dos profissionais que fazem parte da equipe técnica, todos preencheram os requisitos do edital, conforme Ofício nº 0316/PRESIDÊNCIA – FMS/2021, datado de 22 de outubro de 2021. Porém, é importante ressaltar que nenhum dos profissionais da equipe possui graduação em medicina, sendo a maioria deles graduados em Administração e com Especialização em Gestão Hospitalar. Neste ofício, também, foi informado que o critério utilizado para definição da pontuação máxima estabelecida para os critérios C1, C2, C3 e C4, foi a discricionariedade da Administração, levando em conta a experiência ordinária comum dos outros chamamentos realizados por esta Fundação. A equipe de auditoria analisou a documentação e observou o cumprimento dos quesitos do critério C3, em sua totalidade. Tendo em vista que a FMS informou que utilizou a discricionariedade e a experiência em outros chamamentos para definição da pontuação máxima nos critérios, foram verificados os critérios de pontuação utilizados em três Chamamentos Públicos realizados pela FMS em 2018, 2020 e 2021, para o mesmo objeto. Destes, os dois primeiros foram para a gestão do Pronto Socorro Central – PSC e o último para gestão da UPA Nova Cidade, conforme tabela a seguir: Tabela 3 – Critérios de Pontuação em outros Chamamentos Critério 001 de 21/02/2018 (PSC) 001 de 21/08/2020 (PSC) 001 de 02/08/2021 (UPA Nova Cidade) C1 - Organização das Atividades 25 (25,0%) 30 (25,0%) 30 (21,4%) C2 – Qualidade 25 (25,0%) 50 (42,0%) 40 (28,6%) C3 - Experiência e Resp. Técnica 50 (50,0%) 20 (16,5%) 40 (28,6%) C4 - Experiência em Gestão 00 (00,0%) 20 (16,5%) 30 (21,4%) 12 TOTAL 100 (100%) 120 (100%) 140 (100%) Fonte: Chamamentos Públicos n.º 001/2018, 001/2020 e 001/2021 Na análise da Tabela 3, verifica-se grande variação percentual nos critérios de pontuação C2 - Qualidade e C3 - Experiência e Responsabilidade Técnica, para o gerenciamento do Prontos Socorro Central - PSC, em 2018 e 2020. Em 2018, o critério C3 representava 50% dos pontos, já em 2020 o critério C2 que passou a apresentar este percentual. Observou-se, também, uma acentuada redução no percentual de pontuação do critério C3 – Experiência e Responsabilidade Técnica, comparando-se os Chamamentos n.º 001/2018 e n.º 001/2020. Neste, a pontuação passou a representar 16,5%, enquanto naquele era de 50%. Diante do exposto, conclui-se que foi selecionada a organização social que apresentou o melhor programa de trabalho para gestão do Pronto Socorro Central, de acordo com os critérios definidos no edital de Chamamento Público n.º 001/2020. 13 3. As metas estabelecidas no edital do Chamamento Público n.º 001/2020 não permitem mensurar e avaliar se os objetivos esperados da contratação de organização social para gestão da unidade de saúde foram atingidos. De acordo com o Chamamento Público n.º 001/2020, os objetivos principais a serem atendidos seriam o aumento esperado do número de atendimentos e a redução no tempo de espera para procedimentos. Entre as justificativas e os objetivos da opção pela contratação de organização social para gestão do pronto socorro (item 3 do Termo de Referência) consta; “O serviço a ser contratado, visa assegurar a prestação de serviços assistenciais em caráter contínuo e eficiente, objetivando o aumento da capacidade de atendimento, que hoje tem a média de 18.000 (dezoito mil) atendimentos/mês e a redução da espera para realização de atendimentos, consultas, cirurgias, exames e resultados, promovendo, desta forma, maior qualidade no atendimento ao usuário.” A análise pretendeu verificar se os objetivos foram, de fato, atendidos, ou seja, se houve aumento na produção e redução do tempo de espera no Pronto Socorro Central com o Contrato de Gestão n.º 002/2020, conforme esperado no edital de chamamento público n. 001/2020. Apesar deste resultado esperado, as metas definidas no Termo de Referência para avaliação do contrato de gestão não permitem aferir se foram alcançados. Não há previsão de metas quantitativas em relação aos atendimentos mensais, tampouco que possam avaliar se houve redução no tempo de espera para realização de procedimentos. Em relação ao tempo de espera, o edital e o termo de referência não apresentam dados sobre os tempos atuais ou do passado recente que permitam mensurar se houve melhora ou não com a gestão por organização social, bem como o uso de boletins de atendimento preenchidos manualmente pelos profissionais de saúde não permite identificar o horário do atendimento médico ou da realização de um determinado exame. A não utilização prevista do prontuário eletrônico até outubro de 2021, portanto, prejudicou a análise sobre o tempo de espera para realização de procedimentos e atendimentos médicos. Em relação ao serviço de emergência, consta o indicador “Tempo de espera para o atendimento médico após a classificação de risco”, sendo a meta definida cinco minutos para risco vermelho, trinta para amarelo, por exemplo. Sem o registro dos atendimentos em sistema eletrônico de gestão, não há como avaliar o cumprimento da meta com fidedignidade. A INSAUDE contratou empresa prestadora de serviços de tecnologia de informação que fornece o sistema de gestão com vários módulos para o gerenciamento da unidade, entre eles: o tempo médio de atendimento, o tempo médio de espera até a Classificação de Risco, o tempo de espera até o atendimento médico, o tempo médio de atendimento médicos e o tempo médio de permanência do paciente na emergência. Apesar de um dos módulos do sistema contratado ser o prontuário eletrônico, este não tem sido utilizado, o que dificulta a obtenção de informações gerenciais para a tomada de decisões. O cadastramento do paciente quando chega ao PSC é eletrônico, contendo as informações básicas e o horário de chegada. Esse documento é impresso e os atendimentos médicos e de outros profissionais de saúde subsequentes são todos manuais. 14 Em relação ao número de atendimentos mensais, é mencionado no Edital que, em 2019, eram realizados 700 atendimentos/dia entre acolhimento, consultas e procedimentos médicos e de enfermagem para atender as emergências traumáticas, clínicas e psiquiátricas, o que resulta em 21.000 atendimentos mensais. Na publicação do referido Chamamento, contraditoriamente, este número é apresentado como 18.000 atendimentos. De acordo com as prestações de contas do Contrato de Gestão n.º 002/2020, apresentadas pela INSAUDE, nos meses entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, período de análisedesta auditoria, verificou-se que não houve aumento no número de atendimentos, de acordo com os quantitativos de boletins de atendimento emitidos diariamente. A tabela a seguir demonstra os números de atendimentos: Tabela 4: Quantidade de atendimentos realizados no PSC Ano/mês 2019 (1) Fev/2020 (1) Nov/2020 (2) Dez/2020 (2) Jan/2021 (2) Fev/2021 (2) n.º atendimentos 21.000 18.000 13.240 12.382 11.810 11.008 Fonte: (1) Chamamento Público n.º 001/2020 e (2) numerador da Meta 1 na prestação de contas do Contrato de Gestão n.º 002/2020 (Percentual de BAE dentro do padrão de conformidade: total de BAE dentro do padrão de conformidade X 100 nº total de BAE analisados) Embora a meta do indicador “Percentual de BAE dentro do padrão de conformidade” não tenha como finalidade avaliar o crescimento do número de atendimentos no PSC, os dados do denominador nos permitem concluir que o total de atendimentos nos meses de novembro de 2020 a fevereiro de 2021 não atingiu um dos objetivos esperados da contratação de OS para gerir do Pronto Socorro Central. Os atendimentos mensais no período foram significativamente inferiores aos 18.000 esperados. Em termos de cirurgias eletivas, no termo de referência é descrito que a Fundação Municipal de Saúde espera o quantitativo de 110 cirurgias eletivas mensais, que teria sido estabelecido com base na capacidade operacional do pronto socorro, redução da fila de espera e o atendimento à demanda reprimida em curto prazo. Apesar dessa expectativa com relação à realização de cirurgias eletivas, também não há meta quantitativa definida no Termo de Referência do Chamamento Público n.º 001/2020. Esta auditoria não avaliou o número de cirurgias eletivas realizadas, tendo em vista o contexto de pandemia de Covid-19, em que as unidades de saúde reduziram ou suspenderam as cirurgias eletivas para disponibilização de leitos a atendimento de pacientes com esta enfermidade. O PSC foi uma das unidades que prestou atendimento a pacientes com Covid- 19 em São Gonçalo, inclusive contando com CTI específica. Porém, a título de informação, de acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS - SIH, foram realizadas 91 cirurgias em novembro de 2020 e 81 em dezembro de 2020, não sendo possível distinguir entre eletivas e emergenciais. 15 Portanto, apesar de não haver metas quantitativas definidas no projeto básico elaborado pela FMS, foi possível mensurar os números de atendimentos realizados no período analisado e concluir que o objetivo esperado de aumento no número de atendimentos não foi atingido. Em relação à esperada redução no tempo de espera para procedimentos, apenas há meta quanto ao tempo de atendimento na emergência, em função da classificação de risco e a aferição desta ficou prejudicada pela falta de registro da hora do atendimento médico. Quanto ao tempo de espera para realização de procedimentos, não há metas previstas nem havia dados sobre o horário da realização dos procedimentos, impossibilitando, portanto, a verificação se este objetivo foi atendido. 4. A INSAÚDE não contratou todos os profissionais em quantitativo suficiente, previstos no Edital de Chamamento Público n.º 001/2020. Para o regular funcionamento do Pronto Socorro Central, há necessidade de contratação de profissionais para os cargos de coordenador médico, gerente de enfermagem, médico generalista/emergencista, ortopedista, enfermeiro, farmacêutico, assistente social, fisioterapeuta, nutricionista, técnico de enfermagem e de radiologia, maqueiro e auxiliar administrativo, em quantidade suficiente para um período de 24 horas, tendo em vista a natureza da unidade de saúde e conforme previsto no Item 10.4 do Termo de Referência do Chamamento Público n.º 001/2020. Constatou-se, no entanto, que os cargos de coordenador médico e gerente de enfermagem foram contratados em quantitativo insuficiente, além do que todos os nutricionistas foram contratados apenas para o período diurno. O coordenador médico contratado atua por quatro horas de segunda a sexta-feira, totalizando 20 horas semanais. Portanto, de segunda a sexta-feira, não há coordenador médico durante 20 horas diárias e, também, não há coordenador aos fins de semana. Ressalte-se que o coordenador médico também acumula a função de rotina de observação a pacientes internados no mesmo período, ou seja, de segunda a sexta-feira, pela manhã. O gerente de enfermagem também só está contratado de segunda a sexta-feira, 8 horas diárias, 40 horas semanais. Restam 16 horas diárias descobertas de segunda a sexta-feira, além de todo fim de semana. Quanto à nutricionista, há três plantonistas, porém, todos diurnos. Dessa forma, não há cobertura de nutricionistas no período noturno. A proposta técnica da INSAUDE já contemplava esse quantitativo insuficiente de coordenador médico e de gerente de enfermagem, tendo sido aceita pela Fundação Municipal de Saúde no processo de seleção do Chamamento Público n.º 001/2020. Nesse sentido, o valor contratado estava compatível com a quantidade de profissionais para os referidos cargos e não houve superfaturamento com a contratação insuficiente de profissionais, em que pese o quantitativo estar em desacordo com o previsto no edital como necessário para o funcionamento do hospital no período de 24 horas, sobretudo no período noturno e aos finais de semana. 16 5. Contratação direta de pessoal pela INSAUDE para atuação no Pronto Socorro Central de São Gonçalo com remuneração compatível com a média de mercado. Conforme o Regulamento de Contratação de Pessoal da organização social, todas as normas aplicáveis ao recrutamento, seleção, contratação e avaliação de pessoal para integrarem os seus quadros reger-se-ão pelos princípios básicos da moralidade e boa-fé, probidade, impessoalidade, economicidade e eficiência, isonomia, publicidade, legalidade, razoabilidade e busca permanente de qualidade e competência de profissionais, bem como pela adequação aos objetivos da entidade. Na folha de pagamentos referente a dezembro de 2020, constavam 349 profissionais contratados diretamente pela INSAUDE. Verificou-se, por amostragem, que as remunerações são compatíveis com os valores médios de mercado. Foram selecionados os profissionais com remuneração mensal acima de R$ 5.000,00, com o objetivo de avaliar a observância ao princípio da impessoalidade, mediante análise das respectivas remunerações pagas pela INSAUDE, em relação aos valores médios de mercado para os cargos analisados. Acrescente-se que não foram identificados vínculos formais desses profissionais com integrantes da administração pública municipal, nem com as empresas contratadas pela própria organização social. 6. Controladores de acesso contratados pela INSAUDE para atuação no Pronto Socorro Central de São Gonçalo sem comprovação de registros de frequência, com pagamento indevido de R$ 14.014,37 na análise amostral dos primeiros cinco meses da contratação. A organização social contratada deve fiscalizar o cumprimento da frequência de todos os profissionais que atuam no PSC, como garantia de que o serviço esteja sendo efetivamente prestado à sociedade, solicitando às empresas terceirizadas a reposição do funcionário ausente, conforme previsto no Chamamento Público n.º 001/2020. A INSAUDE registra o controle de frequência de seus funcionários contratados diretamente, por meio de sistema eletrônico. No entanto, todos os profissionais médicos, técnicos de radiologia e demais contratados por meio de pessoa jurídica, não estão submetidos a controle de frequência pela INSAUDE, tendo em vista tratar-se de serviços terceirizados. Ressalta-se que a INSAUDE não possuía nenhum controle formal da presença ou da quantidade efetivamente fornecida desses profissionais, por turno de trabalho, salvo as escalas planejadas e não necessariamente executadas, conforme se verificou em relação aos médicos. Em relação aos 82 médicose aos 23 técnicos de radiologia, nem as próprias contratadas mantinham algum tipo de registro de frequência de seus funcionários. De acordo com a informação apresentada pela INSAUDE, havia 349 funcionários em dezembro de 2020, diretamente contratados para atuação no Pronto Socorro Central. Foi realizada 17 análise amostral dos registros de frequência de 26 funcionários da INSAUDE no período desde o início do Contrato n.º 002/2020 até fevereiro de 2021. A amostra foi composta por profissionais do cargo de controlador de acesso e de profissionais que também eram contratados pela Fundação Municipal de Saúde de São Gonçalo. Verificou-se que não há registro de frequência para dez dos 26 funcionários selecionados na amostra. Desses dez, oito são profissionais com idade superior a 60 anos, afastados de suas atividades laborais, preventivamente, em decorrência da pandemia de Covid 19. Para os outros dois profissionais, os registros de frequência não foram apresentados, embora tenham sido solicitados por esta Auditoria. controladores de acesso e técnicos em enfermagem. Segundo a INSAUDE, os profissionais contratados como controladores de acesso seriam, na prática, maqueiros. O quadro a seguir resume a relação de profissionais que constam da folha de pagamentos da INSAUDE, porém não há registro de frequência da atuação desses profissionais no PSC no período de cinco meses, analisado na amostra. Quadro 5: Funcionários da INSAUDE sem comprovação do registro de frequência no PSC (análise amostral) Funcionário da INSAUDE Cargo contratado Valor Recebido 1 ***.992.207-** Controlador de Acesso 6.898,12 ***.161.777-** Controlador de Acesso 7.116,25 Total 14.014,37 Fonte: Folha de Pagamentos da INSAUDE, na prestação de contas, ref. novembro/2020, Ofício INSAUDE/PSC n.º 003/2022 e anexos. 1 – Valor líquido recebido pelos funcionários no período de outubro de 2020 a fevereiro de 2021 (5 meses). 2 – Consta como funcionária, porém não houve pagamento de acordo com as folhas de pagamento de novembro e dezembro de 2020. Dessa forma, para cerca de 8% dos funcionários da INSAUDE selecionados na amostra, não foi comprovado o registro de frequência no Pronto Socorro Central nem houve justificativa apresentada pela INSAUDE, resultando em pagamento indevido de R$ 14.014,37 sem comprovação da prestação do serviço, nos primeiros cinco meses do Contrato de Gestão n.º 002/2020. 7. Contratação de médicos para atuarem no Pronto Socorro Central de São Gonçalo por intermédio de empresa vinculada diretamente ao Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo, sem cotação de preços. No período de execução do Contrato de Gestão n.º 002/2020 avaliado nesta auditoria, entre outubro de 2020 e fevereiro de 2021, todos os médicos que atuaram no PSC foram contratados por intermédio da empresa BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda (CNPJ n.º 18 16.709.838/0001-99), com valor mensal de R$ 1.070.000,00, não se aplicando o Regulamento da INSAUDE para contratação de pessoal. Não houve cotação prévia de preços, em desacordo com o próprio Regulamento de Compras da INSAÚDE. A publicação de regulamento de compras pela OS é uma exigência do Decreto Municipal n.º 008/2018, que regulamenta a Lei Municipal n.º 370/2011, para utilização dos recursos do contrato de gestão. O regulamento da INSAÚDE prevê que sejam realizadas cotações de preços entre três prestadores de serviço, para que seja escolhida a opção mais vantajosa, seja pelo menor preço e por outras variáveis, tais como custo do seguro de entrega, condições de pagamento, prazo de entrega etc. A exceção seria nas seguintes condições: carência de fornecedor, serviços técnicos profissionais especializados, singularidade do objeto, necessidade emergencial e contratos de pequeno valor, sem especificar este valor. De acordo com a INSAUDE, não houve cotação de preços na contratação da BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda porque esta foi enquadrada como "exclusividade ou singularidade do objeto". Segundo informado, o enquadramento foi devido à referida empresa já prestar os serviços no PSC, mesmo antes do Contrato de Gestão firmado entre a INSAUDE e a Fundação Municipal de Saúde, evitando-se assim descontinuidade do serviço. Ressalte-se, entretanto, que antes do advento do Contrato de Gestão n.º 002/2020, a INSAUDE já era responsável pela gestão do PSC há um ano, por meio do Contrato de Gestão Emergencial n.º 001/2019, tempo suficiente para realização de cotação de preços para contratação do serviço de fornecimento de médicos, substituindo a contratação realizada pela organização social anterior, IDESP. As categorias médicas contratadas por intermédio da BT Consultoria e Serviços Médicos Ltda são usuais na medicina, tais como clínica médica, ortopedia, cirurgia geral e ortopédica e anestesistas, além de algumas especialidades em menor quantitativo, como cardiologia e urologia. Dessa forma, em termos de categorias médicas contratadas, não se pode afirmar exclusividade ou singularidade do objeto, assim como há diversas empresas no mercado fornecedoras de serviços médicos, tais como a contratada. Também é possível fazer uma analogia com a Lei n.º 8666/93, art 25, §1: “Considera-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiências, publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica, ou de outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato”. [grifo nosso]. Ademais, a principal atividade desenvolvida no PSC é o atendimento clínico e cirúrgico de emergência, ou seja, não há vínculo contínuo estabelecido entre os pacientes e os médicos, que pudesse ser quebrado por eventual troca da prestadora de serviços. A BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda foi fundada pelo médico CPF n.º ***.236.127-**, sócio-administrador da empresa, com 99% das cotas de participação, até 4 de dezembro de 2020. Menos de um mês após a sua saída da BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda, em 1 de janeiro de 2021, o referido médico foi nomeado Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil 19 de São Gonçalo, acumulando também o cargo de Presidente da Fundação Municipal de Saúde, contratante da organização social. Com a sua saída da sociedade empresarial, sua esposa, a médica CPF n.º ***.193.547-**, passou a ser a sócia majoritária e o médico CPF n.º ***.936.887-** ingressou na sociedade. Ambos os médicos eram servidores não efetivos da Fundação Municipal de Saúde durante o ano de 2021. O citado médico CPF n.º ***.936.887-**, além de sócio da BT Consultoria, também é sócio do pai do então Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil na empresa OPUS Consultoria e Assessoria Médica Ltda (CNPJ n.º 33.027.094/0001-41) , que prestava serviços para UPA Nova Cidade, cuja a Direção Médica é ocupada pela esposa do referido Secretário. Importante destacar que a INSAUDE é a organização social responsável pela gestão da UPA Nova Cidade e pelo PSC, por intermédio do Contrato de Gestão n.º 002/2016, ainda vigente. Ressalte-se que o Contrato de Gestão n.º 002/2016 da UPA Nova Cidade não foi analisado por esta Auditoria. A esposa do então secretário, sócia majoritária da BT e o outro sócio constam da relação de médicos disponibilizados pela BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda, sendo remunerados por plantão. Cabe destacar a relevância da contratação da BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda, que representa 28% do valor do Contrato de Gestão n.º 002/2020. Além dos sócios, nove outros médicos disponibilizados pela BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda também eram servidores da Fundação Municipal de Saúde. Em 2 de agosto de 2021, o referidoSecretário deixou de exercer o cargo de Presidente de Fundação Municipal de Saúde, tendo se mantido no cargo de Secretário de Saúde e Defesa Civil até 12 de novembro de 2021. Verificou-se ainda, que a partir de 1 de agosto de 2021, a Insaúde deixou de contratar os médicos pela BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda e passou a contratá-los pela empresa Medall Consultoria e Assessoria Médica (CNPJ n.º 07.745.611/0001-08), pelo mesmo valor. Contudo, o sócio-administrador, detentor de 80% da participação societária dessa empresa, é o médico CPF n.º ***.936.887-**, sócio da BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda. Dessa forma, mesmo com a troca da empresa, permaneceu a situação de vínculo da contratada pela INSAUDE com o então Secretário de Saúde até 25 de novembro de 2021, quando foi rescindido o contrato entre a INSAUDE e a Medall Consultoria e Assessoria Médica Ltda. Destaca-se que no mesmo mês de novembro de 2021, o médico CPF n.º ***.236.127-** foi exonerado do cargo de Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo. Portanto, o princípio da impessoalidade não foi preservado na aplicação dos recursos públicos provenientes dos Fundos Nacional e Municipal de Saúde no Contrato de Gestão n.º 002/2020. Resta evidente a situação de risco de conflito de interesses pela contratação de empresa vinculada ao contratante, ou seja, o então presidente da Fundação Municipal de Saúde e Secretário Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo, a quem compete fiscalizar a aplicação dos recursos do contrato de gestão. 20 8. Dimensionamento de médicos pela INSAUDE incompatível com a estrutura física do Pronto Socorro Central de São Gonçalo. A organização social INSAUDE tornou-se a vitoriosa do Chamamento Público n.º 001/2020, celebrando o Contrato de Gestão n.º 002/2020, no valor global de R$ 44.993.004,00 (quarenta e quatro milhões novecentos e noventa e três mil e quatro reais), diluído em prestações mensais de R$ 3.749.417,00 (três milhões setecentos e quarenta e nove mil quatrocentos e dezessete reais). Estão previstas, também, duas liberações de R$ 500.000,00 para investimentos, ainda não realizadas até o término desta auditoria. Na proposta técnica apresentada pela INSAUDE, foi previsto o valor R$ 1.240,00 por plantão de 12h na emergência, para as especialidades clínica cirúrgica, clínica médica e clínica ortopédica. Foram dimensionados pela organização social quatro médicos para clínica cirúrgica, dez médicos para clínica médica e 4 médicos para a clínica ortopédica. Nas escalas médicas apresentadas pela INSAUDE, para o período de novembro de 2020 a fevereiro de 2021, foram definidos dois plantões de 12h/dia e dois de 12h/noite para clínica cirúrgica, seis plantões de 12h/dia e quatro de 12h/noite para clínica médica e dois plantões de 12h/dia e dois de 12h/noite para clínica ortopédica. Nas prestações de contas publicadas pela OS, em sua página eletrônica no referido período, no perfil institucional da unidade de saúde foi informado que a estrutura física do Pronto Socorro Central – PSC é composta por dois consultórios de clínica médica, um consultório de ortopedia e dois consultórios de cirurgia geral. Posteriormente, em visitas in loco, verificou-se que são três consultórios de clínica médica, um de ortopedia, um de cirurgia geral e uma sala de sutura. Além desses espaços, a emergência do PSC conta com uma “sala vermelha”, onde ficam os pacientes que necessitam de atendimento imediato. Diante das informações apresentadas pela INSAUDE, conclui-se que a capacidade operacional do PSC para atendimento na emergência é de quatro médicos na clínica cirúrgica, dois médicos na clínica ortopédica, seis médicos nos consultórios de clínica médica e dois na sala vermelha, considerando-se plantões de 12 horas. Dessa forma, o quantitativo de médicos previsto no custo da proposta e contratado para atendimentos na emergência de clínica médica e de ortopedia é incompatível com a estrutura física do hospital. Dos dez médicos diários contratados em clínica médica de segunda a sexta e nove profissionais aos sábados e domingos, somente há espaço físico para atendimento de oito deles, quatro no período diurno e quatro no período noturno. Em relação aos quatro médicos ortopedistas contratados para a emergência, há capacidade de atendimento para apenas dois deles, um no período diurno e um no período noturno. Quanto aos estimados para clínica cirúrgica, o quantitativo está adequado. A visita realizada ao Pronto Socorro Central – PSC por esta equipe de auditoria, em 30 de novembro de 2021, corrobora tal fato, uma vez que, no único consultório médico de ortopedia existente na emergência, havia dois médicos, em um pequeno espaço, atendendo dois pacientes simultaneamente. Esta situação viola os preceitos éticos da profissão, no que diz respeito ao sigilo médico, que é um direito do paciente e um dever do médico, além da 21 proteção a intimidade do paciente, de modo a impedir que informações pessoais cheguem ao conhecimento de terceiros sem a permissão do paciente. Portanto, de acordo com a infraestrutura física do PSC na emergência no período de avaliação desta auditoria, entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, constata-se que o dimensionamento do quantitativo de médicos realizado pela INSAUDE é significativamente superior à capacidade de atendimento, inflando os custos estimados pela OS com disponibilização dos médicos. Quanto ao atendimento de dois médicos no consultório de ortopedia na emergência, a Direção do PSC informou que já está adaptando o local para criação de outro consultório de ortopedia. Conforme descrito no item 9 deste Relatório, na execução contratual, não há comprovação de atendimentos médicos realizados na emergência por todos os profissionais contratados pela INSAUDE, por intermédio da empresa BT Consultoria e Assessoria Médica. 9. Ausência de comprovação da prestação de serviços médicos contratados pela INSAUDE da empresa BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda para o Pronto Socorro Central de São Gonçalo, no quantitativo pago, com superfaturamento mensal estimado de R$ 202.040,80 em clínica médica, ortopedia e atendimentos de rotina. De acordo com o Chamamento Público n.º 001/2020, nos itens 3.12 e 3.13 do Termo de Referência, a organização social gestora do Pronto Socorro Central deveria oferecer atendimentos emergenciais de média complexidade nas especialidades de clínica médica, ortopedia, odontologia e cirurgia geral, bem como atendimentos ambulatoriais em ortopedia, urologia e cirurgia geral. No período de análise desta auditoria, entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, os médicos que atuavam no PSC eram contratados pela INSAUDE por meio da empresa BT Consultoria e Assessoria Médica LTDA (CNPJ n.º 16.709.838/0001-99). De acordo com a escala dos médicos apresentada em anexo ao contrato firmado entre as partes, em 13 de outubro de 2020, e em anexo às notas fiscais emitidas pela referida empresa, o atendimento médico em clínica médica e ortopedia é realizado em todos os dias, por 24 horas, na emergência. No contrato entre a INSAUDE e a empresa BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda (CNPJ n.º 16.709.838/0001-99) estão incluídos profissionais médicos em clínica médica, ortopedia, cirurgia geral, cirurgia ortopédica, anestesiologistas, intensivistas para CTI, bem como serviços médicos denominados de rotina, tais como observação e atendimento a pacientes internados e profissionais médicos de diversas especialidades. O valor mensal da contratação é R$ 1.070.000,00, que foi pago no valor integral dos meses de novembro de 2020 a fevereiro de 2021, analisados nesta auditoria, conforme as notas fiscais n.º 40, 45, 49 e 53. Ressalte-se que a Cláusula 69 do Contrato, referente ao preço, define que o valor cobrado seria de acordo com os serviços efetivamente prestados. No período analisado não era possível mensurar, de forma automática, o valorefetivamente prestado, tendo em 22 vista não havia relatórios sobre a produção e o comparecimento dos médicos, apenas uma escala mensal de plantões prevista. Em visitas realizadas ao PSC em 30 de novembro de 2021 e em 10 de maio de 2022, verificou- se que a unidade passou a utilizar o prontuário eletrônico e já dispõe de relatórios gerenciais extraídos do sistema de gestão sobre a produção diária dos médicos, o que agrega qualidade confiabilidade das informações, além de propiciar subsídios para a tomada de decisão da Direção do hospital quanto aos ajustes que se fizerem necessários na alocação dos médicos, diante das demandas identificadas. Essa realidade, no entanto, não foi a verificada no período de avaliação desta auditoria, entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021. Para a auditoria verificar os serviços prestados de forma manual, foram analisados os boletins de atendimento médicos (BAM) para a especialidade de Clínica Médica, que possuem o maior volume de atendimentos realizados no Pronto Socorro Central e representam 35% do valor mensal pago à BT Consultoria e Assessoria Médica. Os meses selecionados para análise, de forma amostral e aleatória, foram dezembro de 2020 e fevereiro de 2021. Também foram analisados os registros dos atendimentos em ortopedia na emergência e nas escalas de rotinas, de forma amostral, em todos os dias do mês de dezembro de 2020. Ressalta-se que todos os registros dos atendimentos médicos na emergência e aos pacientes internados, além de serem manuais, eram realizados de forma não homogênea até outubro de 2021. Quando o paciente chegava ao pronto socorro, seus dados e as informações da triagem inicial são inseridos no sistema eletrônico de gestão, que emitia o documento denominado de BAM. A partir desse momento, documento era impresso e os registros dos atendimentos médicos e dos exames realizados eram registrados nesse papel, ou seja, não havia alimentação das informações no sistema eletrônico. Essa situação, diferente da informada inicialmente na auditoria, dificultou significativamente a análise dos serviços prestados. No edital do Chamamento Público n.º 001/2020, entretanto, consta a previsão de que a organização social contratada utilizasse o prontuário eletrônico no PSC, sendo esse, inclusive, um indicador de qualidade a ser aferido no Contrato de Gestão n.º 002/2020. A análise amostral dos atendimentos realizados no serviço de emergência, em clínica médica e ortopedia, demonstrou que havia períodos de tempo ao longo do dia sem médicos, em que os pacientes eram atendidos apenas por enfermeiros, embora, nos dias de semana, a escala médica contratada e paga era de seis médicos em clínica médica no plantão diurno e quatro no plantão noturno e, em ortopedia, são quatro médicos, sendo dois diurnos e dois noturnos. Dessa forma, na prática, os atendimentos em clínica médica e em ortopedia não estavam sendo prestados pela INSAUDE pelas 24 horas contratadas, ininterruptamente, embora houvesse demanda, de acordo com os boletins de atendimentos registrados. A auditoria verificou todos os boletins de atendimentos médico, individualmente, nos primeiros sete dias do mês de dezembro de 2020 na emergência em Clínica Médica, tendo sido identificado, em todos eles, períodos do dia com registro de atendimento dos pacientes apenas por enfermeiros. Em 01 de dezembro de 2020, foram contabilizados dezoito atendimentos atestados por enfermeiros, sem qualquer registro ou carimbo médico, no período entre 21:02h e 23:59h. 23 Nesse intervalo sem registro de atendimento médico havia quatro médicos contratados e pagos para realizarem o atendimento no plantão noturno da emergência. Quanto aos quatro médicos que deveriam estar no plantão noturno que se iniciou em 1 de dezembro de 2020 na emergência, para dois deles não há registro de nenhum atendimento. Um médico somente tem registro por uma hora de atendimento, a partir de meia-noite e vinte minutos e ou outro por duas horas a partir de 5:00h da manhã. Dessa forma, o último atendimento da médica do plantão diurno foi às 21:00h e, portanto, o plantão noturno ficou descoberto até meia-noite e vinte minutos e novamente durante a madrugada até a chegada da médica apenas às 05:00h. No dia 03 de dezembro de 2020, houve atendimentos sem registro ou carimbo médico dispersos ao longo do dia, mesmo havendo seis médicos contratados do plantão diurno. Desses seis médicos não há nenhum registro de atendimento de um deles e para outro médico há registro de apenas uma hora de atendimento, ao invés das doze horas pagas pelo plantão. Em 04 de dezembro de 2020, foram registrados atendimentos apenas for enfermeiros entre 22:22h e 23:31h, mesmo havendo quatro médicos pagos. Nesse plantão, não houve registro de atendimento para dois dos quatro médicos pagos. Em relação aos dois outros, um deles tem apenas um registro de atendimento e o quarto médico atuou pelas doze horas contratadas. Assim, de quatro médicos, apenas um deles tem registro de atendimento ao longo de todo o plantão. No dia 05 do referido mês, foram contabilizados 37 atendimentos, atestados apenas por enfermeiros, entre 16h38 e 20h04. Nesse período, deveriam constar atendimentos de cinco médicos contratados, sendo que para dois deles que estariam em plantão de 24h (diurno e noturno) não houve registros de atendimento no dia e para um deles que estaria em plantão de doze horas, também não houve registro de atendimento. Além desses três sem registro de atendimentos, um outro médico possui registro de atendimento por seis horas, ou seja, metade do plantão contratado. O quinto médico cumpriu o plantão contratado. No plantão noturno do dia 06 de dezembro de 2020, entre 20h25 e 23h47 foram realizados dezessete atendimentos apenas por enfermeiros e no período entre 00:51h e 02:47h, mais quatro atendimentos apenas por enfermeiros. Nesse plantão noturno, deveriam constar atendimentos de quatro médicos contratados. Dos quatro, não há nenhum registro de atendimento para um deles, uma médica do plantão noturno realizou atendimento apenas a partir de 05:00h da manhã, outro médico realizou apenas um atendimento pontual e o último realizou três atendimentos no período de uma hora. Dessa forma, apesar dos quatro médicos contratados, o plantão ficou descoberto por alguns períodos sem nenhum dos médicos realizando atendimentos. A análise amostral de uma semana em fevereiro demonstrou a mesma situação identificada em dezembro, ou seja, apesar dos seis médicos no plantão diurno e quatro no plantão noturno, houve períodos do dia com registro de atendimentos apenas por enfermeiros, inclusive com prescrição de medicamentos. Tal fato, portanto, decorreu do não cumprimento das escalas médicas contratadas e pagas, conforme registrados em anexo às notas fiscais. Constatou-se que houve similaridade quanto ao percentual de plantões médicos sem nenhuma comprovação do efetivo atendimento em relação aos quantitativos contratados por dia da semana. Em média, 29% do número de plantões contratados em Clínica Médica não foi comprovado o atendimento a pacientes na emergência, ou seja, o médico consta da escala 24 apresentada como comprovação dos serviços anexa à nota fiscal, porém não há nenhum registro de atendimento realizado pelo próprio naquele dia, nos boletins de atendimento médico. Nos dias citados, não houve reposição de profissionais por parte da BT Consultoria e Assessoria Médica e nem glosa pelos serviços sem comprovação da prestação. Em termos de valor, se todas os plantões em clínica médica na emergência, descritos em anexo às notas fiscais, tivessem sido realizados, a despesa mensal seria de R$ 379.440,00, no entanto, houve comprovação da despesa de apenas R$ 267.840,00. Dessa forma, estima-se um prejuízo mensal de R$ 111.600,00, com plantões contratados de clínica médica e para os quais não há registro de atendimento aos pacientes, na amostra. Nos atendimentos deortopedia na emergência nos meses de dezembro de 2020 e de fevereiro de 2021, foram analisados, de forma amostral, 22 dos 126 plantões contratados. Verificou-se que não houve comprovação da realização de 27% dos plantões em ortopedia, ou seja, plantões sem nenhum registro de atendimento médico. Estima-se, portanto, um prejuízo mensal de R$ 42.184,80 em plantões de ortopedia na emergência. Ressalte-se que os percentuais estimados de plantões sem comprovação da sua realização na emergência, em clínica médica (29%) e em ortopedia (27%), considerados acima, são aqueles sem nenhum registro de atendimento do médico na data. Contudo, nos demais plantões contratados, constatou-se que, para parte deles, o número de atendimentos é baixo, incompatível com a jornada de trabalho contratada e/ou o período em que ocorreram os registros de atendimentos é significativamente menor do que a jornada contratada, em geral, de doze horas, conforme já descrito acima. A falta de comprovação da integralidade da realização dos plantões contratados indica a provável existência de períodos sem o devido quantitativo de médicos na emergência, conforme apontado na análise amostral. A disponibilização parcial de médicos em clínica médica e em ortopedia na emergência contraria o previsto no item 3.12 do Termo de Referência do Chamamento Público n.º 001/2020 e evidencia que o serviço prestado pela Insaúde na emergência do PSC é insuficiente em relação ao previsto e, de fato, contratado da BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda. Quanto à escala de médicos em rotina, foi realizada análise amostral de 172 dos 377, 46% do total, equivalente a dezesseis médicos escalados para a rotina. As escalas contratadas para a rotina são realizadas apenas no período da manhã, sendo subdivididas em acompanhamento de pacientes internados e na enfermaria, exceto CTI, e de médicos de diversas especialidades, tais como urologia, neurologia e cardiologia. Foi solicitado à Fundação Municipal de Saúde que demonstrasse o cumprimento dos serviços médicos de rotina dos dezesseis médicos da amostra, conforme informado na escala em anexo às notas fiscais. Especificamente quanto à rotina contratada em urologia, no item 3.13 do Termo de Referência do respectivo Chamamento Público, está prevista a prestação de serviço ambulatorial dessa especialidade, relacionando diversos procedimentos de média complexidade a serem realizados no PSC, tais como postectomia, prostatectomia, hipospadia, ressecção endoscópica de próstata, vasectomia, tratamento de infecção urinária, entre outras. Na relação das escalas contratadas não há previsão de ambulatório de urologia, contudo, há um médico contratado para rotina dessa especialidade. Não restou demonstrado nesta auditoria o atendimento médico ambulatorial em urologia nem como rotina. 25 Além da especialidade de urologia, não foram evidenciados os serviços médicos prestados por outros profissionais contratados para a escala de rotina, conforme relação anexa às notas fiscais. Nas escalas de rotinas contratadas, dos dezesseis médicos, apenas se comprovou a atuação médica na especialidade de cardiologia e de um dos três médicos da observação de pacientes internados, com base na informação apresentada. Na especialidade radiologia na rotina, identificou-se, apenas, atuação em uma das nove escalas no mês de dezembro de 2020. Para cinco profissionais na rotina de ortopedia e dois profissionais na rotina de cirurgia geral, verificou-se que não houve comprovação dos atendimentos na escala de rotina. Para esses profissionais, a documentação apresentada se refere aos atendimentos em ortopedia na emergência e à escala de cirurgia, ou seja, já remunerados de outra forma. Em relação à escala para rotina em infectologia, não foi comprovada a prestação do serviço nos meses analisados. Quanto à rotina de endoscopia, a médica escalada na rotina era também remunerada pela contratação da empresa GavaMed Serviços Médicos Eirelli ME, CNPJ n.º 27.737.079/0001-94, de sua propriedade, para prestação de serviços de endoscopia no PSC, no valor mensal de R$ 5.000,00. A tabela a seguir demonstra o comparativo entre o número de escalas contratadas e as efetivamente comprovadas no mês de dezembro de 2020. Tabela 6: Relação de escalas contratadas e comprovadas, por especialidade em dezembro de 2020 Médicos na rotina por especialidade Especialidade Plantões Contratados Plantões comprovados Médico 1 CARDIOLOGIA 19 19 Médico 1 CIRURGIA 8 0 Médico 2 CIRURGIA 23 0 Médico 1 ENDOSCOPIA 9 0 Médico 1 INFECTOLOGIA 8 0 Médico 1 NEUROLOGIA 31 0 Médico 1 OBSERVAÇÃO 13 9 Médico 2 OBSERVAÇÃO 14 14 Médico 3 OBSERVAÇÃO 4 1 Médico 1 ORTOPEDIA 5 0 Médico 2 ORTOPEDIA 9 0 Médico 3 ORTOPEDIA 4 0 Médico 4 ORTOPEDIA 4 0 Médico 5 ORTOPEDIA 4 0 Médico 1 RADIOLOGIA 9 1 Médico 1 UROLOGIA 8 0 Total 172 44 % comprovado 26% Fonte: Escala contratada para dezembro de 2020, em anexo às notas fiscal, boletins de atendimentos e documentos comprobatórios da atuação dos médicos, apresentados em resposta às solicitações de auditoria. 26 Dessa forma, considerando os dias de plantão em dezembro sem comprovação da atuação dos profissionais analisados na amostra das escalas de rotina, identificou-se um prejuízo mensal estimado em R$ 48.256,00, o que representa 78% do valor dos plantões contratados para rotina na amostra. Portanto, considerando os casos analisados, constatou-se que a BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda não disponibilizou todo o quantitativo de profissionais médicos contratados, ocasionando superfaturamento estimado mensal de R$ 202.040,80. Constatou-se, ainda, que a INSAUDE não controla a prestação dos serviços médicos contratados. A OS não exigia da contratada a apresentação dos registros de frequência dos médicos, sejam manuais ou eletrônicos, entendendo que cabia à empresa as substituições necessárias. Portanto, falhou em fiscalizar o serviço prestado pela empresa contratada. Além disso, no período de apuração desta auditoria, o Coordenador Médico da Emergência do PSC era o sócio da BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda e da Medall Consultoria e Assessoria Médica, que não atuou para garantir a disponibilização das escalas de plantões contratadas em Clínica Médica e Ortopedia no serviço de emergência do PSC. Mesmo sem cumprimento significativo das jornadas de trabalho contratadas, a INSAUDE manteve o pagamento à contratada na integralidade. A Fundação Municipal de Saúde também não verificou o cumprimento das escalas médicas no atendimento aos cidadãos, limitando sua análise à documentação apresentada pela contratada nas prestações de contas. No período de análise desta auditoria, a Fundação Municipal de Saúde não cobrou da Insaúde a apresentação dos registros de frequência de todos os profissionais que atuam no PSC, conforme previsto no o item 3.6.25 do Edital de Chamamento Público n.º 001/2020. Em visita realizada ao PSC em 10 de maio de 2022, verificou-se que a Direção do hospital passou a exigir, minimamente, um controle sobre a frequência dos profissionais médicos, com anotação dos horários do início e término do plantão dos médicos, devendo ser apresentadas diariamente à Direção, dando início a um procedimento interno de controle sobre o cumprimento das jornadas de trabalho contratadas. A Direção também passou a contar com informações gerenciais extraídas dos registros dasprestações de serviço nos prontuários eletrônicos, individualizadas por profissional. Além da não comprovação da prestação dos serviços contratados, verificou-se que a empresa BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda não possui funcionários formalmente registrados, ou seja, os cerca de 92 médicos informados como disponibilizados para atendimento no PSC não são funcionários da empresa, embora prestem serviço de forma contínua. Questionada sobre o fato, a Fundação Municipal de Saúde encaminhou documentação da INSAUDE, informando que a BT Consultoria e Assessoria Médica Ltda seria uma Sociedade por Conta de Participação - SCP, com isso, todos os médicos que prestam serviço no PSC seriam sócios ocultos da referida empresa. Essa informação, no entanto, não foi comprovada. A empresa BT Consultoria e Assessoria Médica LTDA não é Sociedade por Conta de Participação, conforme registros na Junta Comercial do Rio de Janeiro e na Receita Federal. Recorda-se que uma SCP não pode assinar contrato e quem assinaria pela SCP seria seu sócio ostensivo. No caso, quem assinou o contrato com INSAUDE foi a BT, donde conclui-se que deveria ser a sócia ostensiva de uma SCP, porém tampouco foi encontrada SCP cujo sócio ostensivo fosse a empresa. Portanto, 27 quanto aos médicos que prestam serviço no PSC, disponibilizados pela BT, não é possível afirmar qual a relação contratual e a forma de pagamento dos médicos disponibilizados pela contratada. Do exposto, conclui-se que houve pagamento à BT Consultoria e Assessoria Médica pela INSAÚDE sem comprovação da prestação do serviço. 10. Contratação de serviços de exames laboratoriais e de análises clínicas da Cangussu Sampaio Clínica Médica Ltda, com cotação de preços inadequada, cobrança de valor médio por exame acima do ofertado na cotação e pagamento por quantitativo de exames acima das quantidades efetivamente realizadas, indicando superfaturamento de R$ 82.155,56 no trimestre analisado. Para contratação do serviço de exames laboratoriais e análises clínicas, foi apresentada cotação de preços com três empresas: Cangussu Sampaio Serviços Médicos Ltda (CNPJ n.º 11.839.184/0001-02), Rio Lab Análises Clínicas (CNPJ n.º 26.158.689/0001-70) e Global Gestão em Medicina e Saúde (CNPJ n.º 10.374.509/0001-58), sendo que a cotação da Cangussu é datada de outubro de 2019 e a das demais de julho de 2020, um lapso de nove meses. A Cangussu Sampaio já era contratada da INSAUDE desde fevereiro de 2020, no âmbito do Contrato emergencial n.º 001/2019, ou seja, antes da data das propostas das outras empresas já prestava serviço no PSC. Entre as três cotações de preços apresentadas à auditoria, a Cangussu Sampaio Serviços Médicos Ltda apresentou o menor valor global, R$ 80.400,00. Além do fato de a Cangussu Sampaio já estar contratada antes das cotações de preços das outras empresas e do intervalo de tempo de nove meses entre as propostas, as cotações apresentadas não são comparáveis, pois não houve uma relação única estimada e discriminada de exames e seus quantitativos a serem executados para que as participantes da disputa pudessem apresentar cotações sobre um mesmo rol de itens e as propostas pudessem ser, de fato, comparadas. Os valores unitários dos exames laboratoriais são significativamente diferentes, sendo necessário que os participantes dispusessem na mesma relação para precificação adequada dos seus serviços. Os quantitativos totais de exames apresentados em cada cotação também foram diferentes, variando entre 20.000 e 25.000 exames. Observou-se, ainda, que embora São Gonçalo possua, ao menos, 49 laboratórios de análises clínicas no município, a Cangussu Sampaio e a Global Serviços em Saúde são empresas constituídas no Estado de São Paulo, sem filiais em São Gonçalo. Apenas a Rio Lab é situada em São Gonçalo e o responsável é técnico de laboratório da SMSDC. A Cangussu Sampaio Clínica Médica Ltda tem como atividade econômica principal o atendimento médico ambulatorial e seu nome fantasia é Instituto de Olhos Cangussu – IOC. Uma das suas atividades econômicas secundárias é laboratório clínico. 28 Na proposta da Cangussu Sampaio consta o valor global de R$ 80.400,00 mensais para realização de até 25.000 exames, o que equivale à proposta de valor médio por exame de R$ 3,22, aproximadamente, embora se entenda que o valor global deveria ser a soma dos valores individuais de cada exame sobre uma estimativa, por exame, apresentada previamente pela INSAUDE, o que não ocorreu. Em relação à execução do contrato, no entanto, os valores pagos entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021 foram R$ 80.400,00 mensais, independente da produção efetiva de exames, contrariando o Item 66 do Contrato firmando entre a INSAUDE e a Cangussu Sampaio em 13 de outubro de 2020: “66. O valor do presente contrato é determinado pelo somatório dos serviços efetivamente prestados, de acordo com as especificações contidas neste Contrato e no anexo I, com valor máximo de R$ 80.400,00 (...)” A cobrança pelo valor máximo nas notas fiscais resulta em valor médio por exame bem acima dos R$ 3,22 da proposta de preços da própria Cangussu, já que os quantitativos de exames realizados são menores do que 25.000 constantes da proposta. No mês de dezembro de 2020, por exemplo, a Cangussu Sampaio informou que realizou 16.545 exames, o que equivale ao preço médio por exame de R$ 4,86, 50% acima da sua proposta. A tabela a seguir demonstra, mensalmente, a diferença entre o valor do contrato conforme a proposta de preços vencedora e o valor efetivamente cobrado pela Cangussu Sampaio e pago pela INSAUDE. Tabela 7 – Diferença entre o valor médio da proposta de preços e o efetivamente cobrado Mês Qde (1) Exames Valor médio Proposta Valor mensal devido (2) Valor médio NF (3) Valor mensal Pago Diferença Nov/20 19.244 R$ 3,22 R$ 61.965,68 R$ 4,18 R$ 80.400,00 R$ 18.434,32 Dez/20 16.545 R$ 3,22 R$ 53.274,90 R$ 4,86 R$ 80.400,00 R$ 27.125,10 Jan/21 16.661 R$ 3,22 R$ 53.648,42 R$ 4,83 R$ 80.400,00 R$ 26.751,58 Total 52.450 R$168.889,00 R$241.200,00 R$ 72.311,00 Fonte: proposta de preços e notas fiscais emitidas pela Cangussu Sampaio n.º 434, 440 e 446. Notas: (1) excluídos os testes de Covid, informados pela contratada que foram fornecidos pela Prefeitura e não cobrados pela Cangussu, embora constem dos quantitativos de exames realizados. (2) Total da Nota Fiscal dividido pelo quantitativo de exames realizados informado pela contratada. (3) Total devido considerando o preço médio dos exames na proposta de preços da contratada e quantitativo informado. Verifica-se que foram pagos R$ 72.311,00 além do valor devido mensal, caso considerada a única forma possível de mensuração do valor de cada exame na proposta, o valor médio, devido à ausência de discriminação dos valores unitários por exame. Isso equivale a um valor 42,82% maior que o esperado. Além de a proposta de preços não discriminar o valor unitário por exame, o Contrato também só apresenta a relação de exames, sem seus valores unitários. Após questionada, a INSAUDE informou que o valor cobrado pela Cangussu Sampaio representa acréscimo de 60% em relação os valores constantes da tabela do SUS, ou seja, de quanto o SUS remunera as 29 unidades de saúde que realizam exames laboratoriais e de análises clínicas em pacientes do SUS. Em relação aos quantitativos de exames realizados informados em anexo às notas fiscais, realizou-se análise amostral na documentação comprobatória da realização de dois exames: Exame anatopatológico – peça cirúrgica e Troponina. Os exames “anatopatológicos – peça cirúrgica” foram terceirizados pela Cangussu Sampaio à DB Diagnósticos, que emitiu os laudos, empresa situada no Paraná, mas com laboratórios parceiros em várias localidades, inclusive São Gonçalo. O valor unitário deste exame, apresentado pela Cangussu Sampaio, foi de R$ 111,87, superior em 81% o valor da Tabela