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Física 4 Luz Absorção A luz é urna forma de radiação eletromagnética que possui características de onda e de partícula (fóton). A absorção de luz pela matéria envolve a incorporação da energia contida no fóton à estrutura das moléculas absorventes. Quando isso acontece, as moléculas absorventes passam do estado fundamental (estado energético mais baixo) para o estado excitado (estado energético mais alto). Contudo, a duração do estado excitado normalmente é breve, e a molécula retorna ao estado fundamental. O retorno ao estado fundamental libera energia na forma de calor. O fenômeno de absorção implica que o conteúdo energético do fóton seja igual à quantidade de energia necessária para que a molécula ou átomo passe do estado fundamental para o excitado. Quando o conteúdo energético do fóton for maior ou menor do que a quantidade de energia necessária para o composto passar do estado fundamental para o excitado, o fenômeno de absorção não ocorre. Absorção Uma lâmina muito fina de ouro, absorve as radiações da região do azul, reflete o vermelho, alaranjado e amarelo e transmite o verde. Um observador vê uma lâmina de ouro de cor amarelo alaranjado por reflexão e verde por transmissão. Para que uma substância seja colorida ela deve absorver luz na região do visível. Quando uma amostra absorve luz visível, a cor que percebemos é a soma das cores restantes que são refletidas ou transmitidas pelo objeto. A figura 1 mostra o espectro de absorção para uma substância e é possível observar que há um comprimento de onda em que a intensidade de absorção é máxima. Um observador pode prever a cor dessa substância pelo uso da roda de cores (Figura 2): o comprimento de onda correspondente à cor do objeto é encontrado no lado oposto ao comprimento de onda da absorção máxima. Qual a cor da substância que deu origem ao espectro da figura 1? Ondas longitudinais e ondas transversais Onda transversal Onda transversal: a vibração é perpendicular à direção de propagação da onda. Onda transversal Onda luminosa: o campo elétrico é perpendicular à direção de propagação. Polarização Polarização: Propriedade das ondas transversais Onda linearmente polarizada Onda circularmente polarizada Ondas mecânicas numa corda Onda linearmente polarizada: vibração da onda transversal paralela a uma reta fixa no espaço. Ondas mecânicas numa corda Onda circularmente polarizada: extremidade da corda percorrer uma circunferência de um círculo, com velocidade constante. Polarização de ondas eletromagnéticas Polarização linear: o campo elétrico permanece sempre no mesmo plano. Polarização circular: o campo elétrico (e magnético) permanecem constantes em magnitude, mas giram ao redor da direção de propagação. Ondas polarizada Ondas numa corda: oscilação regular de uma extremidade. Ondas eletromagnéticas: emissão por um só átomo. Ondas não-polarizada Ondas mecânicas numa corda: uma extremidade em movimento aleatório, na vertical e na horizontal. Se a direção da corda for a direção z, as ondulações terão componentes x e y que variam de maneira aleatória. Ondas eletromagnéticas: Fonte de luz - átomos emitem independentemente uns dos outros. O campo elétrico desta onda tem componentes x e y que variam ao acaso, pois não há correlação entre os átomos que emitem a luz. Luz polarizada Fenômenos que produzem luz polarizada a partir de luz não polarizada: 1. Absorção 2. Espalhamento 3. Reflexão 4. Birrefringência Polarização por Absorção Substâncias que deixam atravessar a luz apenas em certas direções preferencias: Cristais naturais: absorvem e transmitem luz de maneira que depende da polarização da luz. Película polarizadora: Polaróide. Cristais naturais Quando um feixe de luz não polarizado atinge o cristal, todos os raios que apresentam direção de vibração diferentes daqueles de seu eixo cristalográfico serão absorvidos pelo cristal. Os transmitidos, estarão polarizados com direção de vibração paralela a aquela direção cristalográfica. Cristais de turmalina cortadas paralelamente ao eixo cristalográfico Polaróide E. H. Land (1938) Moléculas de hidrocarbonetos de cadeia longa, alinhadas, no processo de fabricação, quando a película é esticada numa direção. Estas cadeias tornam-se condutoras quando a película é mergulhada numa solução que contém iodo. Quando a luz incide com o seu vetor campo elétrico paralelo às cadeias, as correntes elétricas que se estabelecem nas cadeias absorvem a energia da luz. Se o campo elétrico for perpendicular às cadeias, a luz será transmitida. Direção perpendicular às cadeias é o eixo de transmissão. Polarização por Absorção Feixe de luz não polarizada deslocando-se na direção z: incide sobre um polarizador com o seu eixo de transmissão ao longo de y. Média: metade da luz incidente tem o seu campo elétrico na direção y e a outra metade na direção x. Metade da intensidade será transmitida, e a luz transmitida será linearmente polarizada com o campo elétrico paralelo à direção y. Polarização por Absorção Duas películas polarizadoras com os eixos de transmissão fazendo um ângulo com o outro. Se E for o campo elétrico na onda entre as duas películas, a sua componente na direção do eixo de transmissão do segundo polarizador é Polarização por Absorção Como a intensidade de uma onda eletromagnética é proporcional ao quadrado de sua amplitude, ou seja, do valor máximo do campo elétrico, a intensidade da luz transmitida através do analisador é dada por onde I0 é a intensidade da luz que incide sobre o segundo polarizador. Lei de Malus E. L. Malus (1775-1812) Aplica-se a quaisquer dois elementos polarizadores cujos eixos de transmissão fazem um ângulo um com o outro. Quando duas películas polarizadoras estão montadas em sucessão, na direção de um feixe de luz, a primeira película é o polarizador e a segunda o analisador. Se o polarizador e o analisador estiverem cruzados, isto é, se os eixos de transmissão forem perpendiculares entre si, a luz não passa através do sistema. Duas lâminas polarizadoras têm direções de polarização paralelas, de modo que a intensidade Im de luz transmitida apresenta um máximo. De qual ângulo devemos girar uma das lâminas para que a intensidade se reduz à metade? Espalhamento Espalhamento – difusão da luz: fenômeno de absorção da luz e sua reirradiação. Exemplos: – feixes de laser podem ficar visíveis no ar pela introdução de pó de giz, ou de partículas de fumaça, no ar, para espalhar a luz. – Aglomerados de moléculas de ar (que se formam em virtude de flutuações aleatórias da densidade do ar atmosférico) que têm maior tendência a espalhar os comprimentos de onda menores que os maiores, o que atribui ao céu a sua cor azul. Espalhamento Tamanho das partículas - modelagem: – partículas <<0,05 µm - espalhamento Rayleigh – partículas entre 0,05 e 100 µm - espalhamento Mie – partículas acima de 100 µm - ótica geométrica, utilizando- se as teorias da reflexão, refração e difração de luz. Exemplo: arco-íris (gotas de água - de 0,1 a 8,0 mm de diâmetro) Espalhamento Rayleigh Quando um feixe de luz incide sobre um átomo ou molécula, o campo elétrico oscilante proveniente do feixe exerce uma força sobre as partículas carregadas (elétrons). Essas cargas começam a vibrar com a mesma frequência do campo elétrico, produzindo radiação eletromagnéticacom exatamente a mesma frequência que é emitida em direções diversas. Portanto, a luz é primeiramente absorvida pelas moléculas e depois re- emitida em todas as direções. Como consequência, cada molécula do ar funciona como uma nova fonte de luz, que espalha ou desvia a luz incidente para outras direções. Nesse processo não há troca de energia entre moléculas e luz, isto é, a luz espalhada muda somente sua direção de propagação e não seu comprimento da onda ou frequência. O espalhamento é, portanto, elástico, e denominado como espalhamento Rayleigh. Espalhamento Rayleigh Os raios de luz que observamos no céu são aqueles que sofreram um leve desvio em relação àqueles que vêm diretamente do sol. Se sairmos da atmosfera terrestre, enxergaremos tudo negro em volta da imagem do sol, porque no vácuo não observamos espalhamento da luz. É a atmosfera terrestre (nitrogênio, oxigênio e argônio) quem espalha lateralmente a luz solar. Como o λ do azul é menor que o do vermelho, ele é mais espalhado que este, chegando aos nossos olhos com maior intensidade. O espalhamento para 400 nm é 9,4 vezes maior que para 700 nm. Porque o céu é azul ? Espalhamento Rayleigh A intensidade da luz espalhada pelas moléculas do ar aumenta com a quarta potência da frequência (é inversamente proporcional à quarta potência do comprimento de onda). Olho Humano Cores - resultado da intensidade de cada linha no espectro solar que chega à terra e da sensibilidade de nossos olhos para cada cor. O pôr-do-sol é vermelho? Já no pôr-do-sol a camada de ar que fica entre nós e o sol é muito mais espessa. Neste caso o azul é tão espalhado que termina caindo fora de nossa linha de visão, que passa a receber maior intensidade de vermelho. Espalhamento Rayleigh •Quando o feixe de luz de uma lanterna propaga-se no ar, não vemos o feixe, observando-o de lado, porque o ar é bastante uniforme (homogêneo e transparente); a luz nele propaga-se em linha reta. •Porém, se houver algumas partículas de pó no ar ou na água, poderemos observar um vislumbre do feixe porque a luz é decomposta ao encontrar as bordas das partículas de pó. •Cores diferentes de luz são separadas, nesse espalhamento, em ângulos diferentes. •Luz azul é desviada da direção original muito mais que a laranja ou a luz vermelha. Espalhamento Mie O tamanho das partículas espalhadoras são da mesma ordem de magnitude que o comprimento de onda do feixe incidente. Luz branca proveniente da neblina Clarão quase branco que vemos em volta do Sol quando uma grande quantidade de partículas está presente no ar. E quando o céu está nublado? Por que sua cor é branca? Quando o céu está coberto por nuvens não há luz solar direta para um observador na superfície. Toda a luz que ele recebe é radiação difusa. O fluxo de luz não depende muito do comprimento de onda, uma vez que as gotas que formam as nuvens são bem maiores que o comprimento de onda da luz incidente. Isso faz com que todas as cores sejam espalhadas de uma maneira aproximadamente, igual. Polarização por Espalhamento O campo elétrico no feixe de luz tem componentes nas direções x e y. Estes campos provocam oscilações do centro de espalhamento nas direções x e y, mas não há oscilações na direção z. A oscilação do centro de espalhamento na direção x provoca um raio de luz na direção do eixo dos y mas não na do eixo dos x. A luz irradiada ao longo do eixo dos y é então polarizada na direção x. Analogamente, a luz irradiada ao longo do eixo dos x está polarizada na direção y. Polarização por Reflexão Quando há reflexão de luz não polarizada, numa fronteira plana entre dois meios transparentes, a luz refletida é parcialmente polarizada. O grau de polarização depende do ângulo de incidência e dos índices de refração dos dois meios. Quando o ângulo de incidência for tal que os raios refletidos e refratados forem perpendiculares um ao outro, a luz refletida está completamente polarizada. Descoberta experimental – Sir David Brewster (1812) Polarização por Reflexão A onda incidente está despolarizada. Campo elétrico da luz incidente pode ser decomposto em componentes paralelas e perpendiculares ao plano de incidência. A luz refletida está completamente polarizada com o campo elétrico perpendicular ao plano de incidência. Lei de Snell Lei de Brewster Lei de Brewster Embora a luz refletida esteja completamente polarizada, quando o ângulo de incidência for P, a luz transmitida está parcialmente polarizada, pois somente pequena fração da luz incidente é relfletida. Lei de Brewster Se a luz incidente for polarizada, não há luz refletida no ângulo de incidência. Se considerarmos moléculas do segundo meio como oscilando paralelamente ao campo elétrico do raio refratado, não pode haver raio refletido, pois não há radiação de energia ao longo da linha de oscilação. Polarização por Birrefringência Birrefringência (dupla refração) Materiais isotrópicos – a velocidade da luz é a mesma qualquer que seja a direção de propagação. Materiais anisotrópicos (birrefringentes) – a velocidade da luz depende da direção de propagação através do material. Exemplos: Calcita, celofane, plástico e vidros sob tensão Polarização por Birrefringência Quando um feixe de luz incide sobre um cristal birrefringente, divide-se em dois feixes, o raio ordinário e o raio extraordinário que têm polarização mutuamente perpendiculares. Eixo ótico do material: direção na qual os dois raios se propagam com a mesma velocidade. Quando a luz é incidente sob um ângulo diferente de zero em relação ao eixo ótico, os raios se propagam em direções diferentes e emergem separados no espaço. Se o material gira, o raio extraordinário gira também no espaço. Polarização por Birrefringência Se a luz for incidente sobre uma lâmina birrefringente, perpendicular à face cristalina da lâmina e perpendicular ao eixo ótico, os dois raios se propagam, na mesma direção mas com velocidades diferentes, pois os comprimentos de onda dos raios são diferentes. Os raios emergem com uma diferença de fase que depende da espessura da lâmina e do comprimento de onda da luz incidente. Numa lâmina de quarto de onda a espessura é tal que há uma diferença de 90 entre as fases das ondas de um certo comprimento de onda, na emergência da placa. Numa lâmina de meia onda, os raios emergem com uma diferença de fase de 180. Polarização por Birrefringência Luz incidente linearmente polarizada, com o vetor campo elétrico a 45 do eixo ótico. Lâmina de quarto de onda: diferença de fase de 90 O vetor campo elétrico gira em torno do eixo de incidência e a onda está circularmente polarizada. Polarização por Birrefringência Lâmina de meia onda: diferença de fase de 180 Campo elétrico resultante está linearmente polarizado. Rotação de 90 da direção de polarização da onda emergente, em relação à direção de polarização da onda incidente. Polarização por Birrefringência Materiais birrefringentes entre dois polarizadores com os eixos de transmissão cruzados: o material atua como se fosse uma placa de meia onda para a luz com um certo comprimento de onda, dependendo da espessura do material. A direção da polarização se altera e parte da luz consegue atravessaros dois polarizadores. Polarização por Birrefringência Fotografia de uma capa de CD feita de plástico. Uma parte da capa foi inserida entre dois filtros polaróides. O que resultou no surgimento de uma série de padrões coloridos. Regiões diferentes da capa estão sob tensão diferente e por isso transmitem ou cancelam luzes de cores diferentes. Polarização por Birrefringência Tiras de acetato recortadas de uma transparência de retroprojetor foram colocadas entre dois filtros polaróides. Como resultados surgem vários padrões coloridos. A espessura da camada de acetato e sua direção modificam as cores observadas. Polarização em óculos 3D No cinema 3D, os polarizadores usados nos projetores e nos óculos são polarizadores circulares. A projeção envolve duas imagens, projetadas com feixes de luz que possuem polarizações opostas: por exemplo, a imagem que deve ser vista pelo olho esquerdo é projetada com polarização horária, e a imagem vista pelo olho direito tem polarização anti-horária. Polarização circular anti-horária Polarização circular horária Polarização em óculos 3D Nos óculos usados pelo espectador, temos uma repetição do sistema usado pelo projetor. Um polarizador circular que só deixa passar a polarização horária é colocado sobre o olho esquerdo e o oposto ocorre com o olho direito. As imagens são filtradas e o olho esquerdo observa apenas a imagem projetada à direita da tela (vermelho), enquanto o olho direito observa somente a outra (verde). A diferença de ângulo de visão entre as duas gera o efeito tridimensional. Polarização em óculos 3D Superposição de polarizadores com polarização oposta: o polarizador horário não deixa a luz polarizada no sentido anti- horário atravessá-lo, e vice- versa. https://www.youtube.com/watch?v=Fu-aYnRkUgg https://www.youtube.com/watch?v=ycY2mUZHS84 https://www.youtube.com/watch?v=gP751qpm4n4 https://www.youtube.com/watch?v=MoZar-gCj3E https://www.youtube.com/watch?v=HH58VmUbOKM