PPBI - A01- Bases Fisiologicas do Comportamento

Disciplina:Psicologia e Processos Básicos I8 materiais59 seguidores
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Bases Fisiológicas do Comportamento e Cognição
Linda Davidoff
Contribuição: Professora Renata Gomes
Adaptação: Profº Felipe Pimentel
Aos 23 anos de idade, um soldado russo, subtenente Zasetsky, levou um tiro no lado esquerdo da cabeça. O ferimento alterou seu comportamento de forma abrupta, conforme verificamos em seu diário (Luria, 1972).
O homem com um mundo despedaçado

Luria (à direita) e seu paciente Zasetsky (1950).
Fonte: http://luria.ucsd.edu/Luria_Pics/Page1.html
Fonte: http://amazon.com

Uma mudança experimentada por Zasetsky foi a visão fragmentada:
Desde que fui ferido, não pude mais ver um único objeto inteiro – nem uma única coisa. Mesmo agora, preciso usar minha imaginação para completar objetos, fenônemos ou qualquer coisa viva. Isto é, preciso representar sua imagem na mente e tentar lembrar-me deles como elementos completos – depois de poder observá-los, tocá-los ou obter alguma imagem deles.
Partes do corpo de Zasetsky aparecem distorcidas para ele:
Às vezes, quando estou sentado, subitamente sinto como se minha cabeça fosse do tamanho de uma mesa – exatamente desse tamanho – enquanto minhas mãos, pés e tronco tornam-se bem pequenos .
Quando fecho os olhos, sequer tenho certeza de onde está minha perna; por alguma razão costumava pensar (e até sentir) que estava acima do ombro ou até mesmo acima da cabeça.

A percepção de espaço foi prejudicada de outra forma:
Às vezes tenho dificuldade para me sentar em uma cadeira ou um sofá. Primeiro olho onde a cadeira está, mas, quando tento sentar, subitamente tenho de agarrar a cadeira porque sinto medo de cair no chão. Às vezes isso ocorre porque a cadeira está mais distante do que imagino.
Talvez o mais triste de tudo é que as habilidades intelectuais de Zasetsky ficaram profundamente prejudicadas. Ele perdeu a capacidade de ler e escrever. Teve dificuldade de compreender o sentido de uma conversa ou de entender uma história simples. Outrora excelente estudante e pesquisador competente,não podia mais lidar com instrumentos que lhe eram básicos: gramática, aritmética, geometria, física.
Começando do zero, Zasetsky tentou desesperadamente reaprender Procurou meios de compensar as capacidades intelectuais que perdera. Porém jamais teve êxito, apesar dos diligentes esforços ao longo de mais de 25 anos.
O caso de Zasetsky frisa a importância do cérebro para o comportamento e a cognição. Como o cérebro é organizado? Como opera? Como as pessoas que sofreram lesão cerebral recuperam funções mentais?

Nota: Cérebro como pré-requisito para o comportamento (não causa).

Teoria da evolução (Charles Darwin, a origem das espécies, 1859): todos os animais descedem de uns poucos ancestrais comuns.
Evolução e Comportamento

Seleção Natural: mudança evolutiva ocorre quando modificações genéticas (nas estruturas físicas) melhoram a capacidade do indivíduo de sobreviver e reproduzir-se, sendo estas mudanças passadas adiante.
Exemplos: coelhos velozes; inteligência superior na espécie humana; prega nos olhos dos esquimós; nariz adunco e grande dos jordanianos.
Evolução e Comportamento
Evolução e Comportamento

Fonte: http://port.pravda.ru/photo/science/
As mutações ocorrem ao acaso. A maioria delas são deletérias (pouco funcionais) e diminuirão a adaptação dos organismos ao meio ambiente. A seleção natural elimina as mutações deletérias e preserva as combinações disponíveis que estão melhor adaptadas ao ambiente
Evolução e Comportamento

Fonte: http://port.pravda.ru/photo/science/
Evolução e Comportamento

Evolução e Comportamento
Timmothy Crow defendeu a idéia, sustentada numa multitude de estudos, segundo a qual, a esquizofrenia é o preço que o homo sapiens teve de pagar pela emergência da linguagem.
No essencial, a sua hipótese sustenta que a esquizofrenia assenta numa falha do desenvolvimento da assimetria do cérebro, representada pela presença do centro de processamento da linguagem na região temporal do hemisfério dominante.
Teixeira, J. M. (2004) Editorial da Revista Saúde Mental, VOLUME VI Nº3 MAIO/JUNHO
"Não consigo me convencer de que um Deus caridoso e onipotente teria propositalmente criado vespas parasitas com a intenção expressa de alimentá-las dentro de corpos vivos de lagartas." [Charles Darwin ]

Genética do comportamento – estuda as bases herdadas (individuais e da espécie) da conduta e da cognição. Pressupõem que tudo o que as pessoas fazem depende, em algum grau, das estruturas físicas subjacentes e querem determinar o quanto e de que forma.

Grande ênfase nas influências da filogênese sobre o comportamento.
Hereditariedade e Comportamento: mecanismos básicos
IMPORTANTE: dizer que os genes influenciam algumas características não equivale a dizer que os genes determinam essas características.
Controvérsia INATO X APRENDIDO (Exemplos: o ambiente determina qual língua a pessoa falará, mas são os genes são responsáveis pelas estruturas essenciais à fala.)

Hereditariedade e Comportamento: mecanismos básicos
Quando se fala em análise da hereditariedade de características físicas e comportamentais, é preciso levar em conta a análise de traços discretos (uma característica que o indivíduo tem ou não) e traços contínuos (características que se apresentam em níveis diferenciados).

Comportamentos são traços contínuos com inúmeras gradações diferentes em características.

 Agressividade?
Hereditariedade e Comportamento: mecanismos básicos

Hereditariedade e Diferenças Individuais
Como as diferenças na hereditariedade influenciam no comportamento e cognição individuais?
Estudo pioneiro de Galton com famílias: em 1860, Francis Galton (primo de Darwin) investigou a presença de membros notáveis em diversas famílias e descobriu que cidadãos famosos tinham mais membros igualmente famosos em suas famílias do que se poderia atribuir ao acaso.
Hereditariedade e Diferenças Individuais
Galton descobriu também que parentes próximos tinham maior probabilidade de ser ilustres do que os distantes. Entretanto, Galton minimizou o fato de que pessoas eminentes dotam os filhos de vantagens sociais e educacionais, concluindo simplesmente que a hereditariedade era responsável pelo brilhantismo.

Hereditariedade e Diferenças Individuais
Apesar das deficiências, o estudo de Galton serviu como catalisador do interesse pela relação entre comportamento e hereditariedade e deu origem a duas das cinco estratégias contemporâneas de pesquisa: as pesquisas com gêmeos e com adoção (as demais são: técnica de procriação, investigação de anormalidade genética e estudo de consistência vitalícia.)
Hereditariedade e Diferenças Individuais
Estudos com gêmeos:
Testam a hipótese de que os genes influenciam a similaridade do comportamento:
Estudos que comparam grupos de gêmeos idênticos e gêmeos fraternos.
Estudos que comparam gêmeos idênticos criados em ambientes diferentes e gêmeos fraternos criados no mesmo ambiente). VER QUADRO 2.1 pag. 58.
Hereditariedade e Diferenças Individuais
Estudo da Adoção:
Compara-se o comportamento de crianças adotadas na primeira infância ao comportamento de seus pais adotivos e biológicos. Esses estudos sugerem que a hereditariedade tem papel substancial em cognição, temperamento, propensão a distúrbios como depressão e esquizofrenia, capacidade motora e linguagem.
Hereditariedade e Diferenças Individuais
Técnicas de Procriação:
Raças endogâmicas: o pesquisador cruza animais aparentados por pelo menos vinte gerações, o que resulta em indivíduos geneticamente muito semelhantes, e os mantém em condições ambientais controladas. Avalia-se então a reação de indivíduos de raças distintas a situações semelhantes. Diferenças (entre raças) ou semelhanças (mesma raça) significativas de comportamento são atribuídas à hereditariedade.
Hereditariedade e Diferenças Individuais
Inbreeding:

Fonte: http://evolution.berkeley.edu/evosite/relevance/IIIA1Inbreeding.shtml

Hereditariedade e Diferenças Individuais
Investigações de Anormalidades Genéticas:
Verificam associações