Prévia do material em texto
UNOESC UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA Campus de São Miguel d’Oeste Curso de Farmácia Disciplina de Toxicologia Clínica TOXICOLOGIA SOCIAL D R O G A S TOXICOLOGIA SOCIAL Drogas de Abuso Professor: Everton Boff T Ô F O R A UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso MACONHA Cannabis sativa Ambiente Disponibilidade da substância, atitudes Fármaco ou Droga Potencial de reforço, TRÍADE DOS UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso substância, atitudes da comunidade, contexto sócio/econômico/ cultural e estresse Usuário Predisposição genética, sintomas psiquiátricos, adolescência e “comportamento de risco” Potencial de reforço, via de administração, custo, potência e grau de pureza DOS FATORES DE RISCO NA DEPENDÊNCIA Originalmente o termo canabinoide referia-se aos fitocanabinoides, classe de compostos contendo 21 átomos de carbono, tipicamente encontrados na Cannabis sativa, incluindo seus ácidos carboxílicos, UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Cannabis sativa, incluindo seus ácidos carboxílicos, análogos e produtos de transformação. Atualmente, o termo canabinoide refere-se a todos os ligantes dos receptores canabinoides e compostos relacionados, incluindo ligantes endógenos e grande número de análogos canabinoides sintéticos. Até hoje, foram identificados 489 compostos naturais da Cannabis sativa, sendo que 70 são fitocanabinoides pertencentes a diferentes tipos ou subgrupos: ∆9-THC (tetraidrocanabinol), ∆8-THC, UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso subgrupos: ∆ -THC (tetraidrocanabinol), ∆ -THC, canabinos (CBN), canabidiol (CBD), canabigerol (CBG), canabicromeno (CBC), canabiciclol (CBL), canabielsoin (CBE), canabinodiol (CBDL) e canabitriol (CBTL). Dentre todos os fitocanabinoides contidos na Cannabis sativa, o ∆9-THC é, reconhecidamente, o principal composto químico com efeito psicoativo. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Na planta madura, as maiores concentrações de ∆9- THC localizam-se nas inflorescências, com valores decrescentes nas folhas e somente traços presentes no caule e ramos; não são encontradas em raízes e sementes. As condições ambientais como clima, temperatura, índice pluviométrico, natureza do solo, métodos de cultivo e conservação, influenciam no teor de ∆9-THC, condicionando sua psicoatividade. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso condicionando sua psicoatividade. Os ácidos canabinoides do ∆9-THC são desprovidos de atividade farmacológica, necessitando ser descarboxilados para produzirem efeitos psicoativos. A descarboxilação pode acontecer de forma espontânea, pelo processo de ressecamento, estocagem e, principalmente, durante a pirólise, quando a Cannabis sativa é fumada. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso quando a Cannabis sativa é fumada. Além do mais, o ∆9-THC é termossensível e fotossensível, degradando a canabinol (CBN) na presença de calor, luz, ácidos e atmosfera de oxigênio. Assim, produtos da Cannabis sativa armazenados têm a tendência de perder a potência com o tempo ou conforme as condições de estocagem. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso As preparações obtidas da Cannabis sativa são várias e recebem diferentes nomes conforme a parte da planta utilizada e o modo como são preparadas. PREPARAÇÃO COMPOSIÇÃO TEOR MODO DE USO Maconha Brasil Planta inteira, com proporções variáveis de folhas, inflorescências, 1 a 3% Fumada por meio de cigarros conhecidos como UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Marijuana Estados Unidos Kit Marrocos Dagga África do Sul folhas, inflorescências, caules e frutos conhecidos como “fininho” ou “baseado”. Em média, um cigarro contém entre 0,5 a 1g da erva geralmente fumado por meio de cachimbos PREPARAÇÃO COMPOSIÇÃO TEOR MODO DE USO Haxixe meio-oeste e norte da África Exsudato resinoso seco, coletado das inflorescências das plantas 10 a 20% Geralmente fumado por meio de cachimbos UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso da África Charas Índia inflorescências das plantas cultivadas de cachimbos PREPARAÇÃO COMPOSIÇÃO TEOR MODO DE USO Óleo de Haxixe Cannabis sativa líquida ou óleo de Produto obtido por meio da extração com solventes orgânicos ou por 15 a 60% Adicionado a alimentos e bebidas ou mesmo UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso líquida ou óleo de Cannabis sativa orgânicos ou por destilação. Raramente presente no comércio ilícito bebidas ou mesmo ao material vegetal para aumentar a sua potência PREPARAÇÃO COMPOSIÇÃO TEOR MODO DE USO Sinsemilla ou Seedless Marijuana Califórnia - EUA Sumidades floridas das plantas femininas que não foram polinizadas 5 a 14% Fumada UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Califórnia - EUA foram polinizadas PREPARAÇÃO COMPOSIÇÃO TEOR MODO DE USO Ganja Índia Massa resinosa composta por folhas pequenas e inflorescências de plantas cultivadas Cerca de 3% Fumada ou adicionada a bebidas e doces PREPARAÇÃO COMPOSIÇÃO TEOR MODO DE USO Bhang Índia Folhas secas e inflorescências de plantas não cultivadas 1 a 3% Normalmente é bebida na forma de decoração UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso PREPARAÇÃO COMPOSIÇÃO TEOR MODO DE USO Skunk ou Skank Cultivo em condições controladas de temperatura, umidade, nutrientes, luminosidade, geralmente em hidroponia Até 35% Fumada As preparações da Cannabis sativa são geralmente consumidas via pulmonar, por meio do fumo de cigarros ou pequenos cachimbos ou via oral, pela ingestão da droga incorporada a alimentos como bolos, biscoitos e outros produtos doces, ou ainda UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso bolos, biscoitos e outros produtos doces, ou ainda adicionada na forma de extratos ou soluções alcoólicas em bebidas, usando a semente ou óleo da planta. A absorção pulmonar de ∆9-THC é muito rápida devido às condições anatômicas do pulmão, como grande área da superfície alveolar, extensa rede capilar e alto fluxo sanguíneo. Por esse motivo, o ∆9-THC já é detectável no plasma, segundos após a primeira tragada de um cigarro de Cannabis sativa, atingindo nível plasmático máximo dentro de 3 a 10 minutos após o início do ato de UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso dentro de 3 a 10 minutos após o início do ato de fumar. A biodisponibilidade sistêmica geralmente varia entre 8 a 24%; os principais fatores que influenciam nessa variação são: � Perda do ∆9-THC durante o ato de fumar; cerca de 30% é destruído pela pirólise e de 40 a 50% perdido na corrente secundária. É importante saber que a segunda metade fumada de um cigarro de maconha UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso segunda metade fumada de um cigarro de maconha libera mais ∆9-THC que a primeira metade; � O organismo também sofre influência da dinâmica do ato de fumar (n°e tempo de duração das tragadas, intervalo de tempo entre as tragadas, volume da fumaça inalada e tempo de retenção no pulmão); � Experiência do fumante, sendo maior em usuários crônicos (disponibilidade). Após o consumo oral, a absorção do ∆9-THC é lenta e UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Após o consumo oral, a absorção do ∆ -THC é lenta e irregular, geralmente alcançando uma concentração plasmática máxima, após 1 a 2 horas. Apesar de 90 a 95% do ∆9-THC serem absorvidos na porção superior do intestino delgado, a biodisponibilidade oral é muito baixa, variando de 4 a 12%, pelos seguintes fatores: � Extensa biotransformação hepática decorrente da primeira passagem pelo fígado;� Degradação do ∆9-THC devido ao meio ácido do UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso � Degradação do ∆ -THC devido ao meio ácido do estômago e aos microrganismos normalmente presentes no trato gastrointestinal. IMPORTANTE Ao contrário da via pulmonar, cujo pico dos efeitos subjetivos e fisiológicos ocorre minutos após a inalação da fumaça, por via oral, a resposta tem um início mais demorado (30 a 60 minutos) maior variabilidade de respostas e efeitos máximos ocorrendo 2,5 a 3,5 horas mais tarde, persistindo por 4 a 6 horas.mais tarde, persistindo por 4 a 6 horas. VIA ABSORÇÃO BIODISP. INÍCIO EFEITO MAX. DURAÇÃO Oral Lenta e irregular 4 a 12% 30 a 60 minutos 2,5 a 3,5 horas 4 a 6 horas Pulmonar Muito rápida 8 a 24% minutos 8 a 15 minutos 1 a 3 horas O ∆9-THC é ligado às proteínas plasmáticas em cerca de 97 a 99%, principalmente às lipoproteínas e, em menor proporção, à albumina. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso menor proporção, à albumina. Essa alta afinidade proteica é consequência de sua alta lipossolubilidade, pois o ∆9-THC é uma resina praticamente insolúvel em água. Após absorção, o ∆9-THC é rapidamente distribuído para os tecidos altamente vascularizados como cérebro, fígado, coração, rins e pulmões. Após ocorre uma redistribuição desse fármaco, com UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Após ocorre uma redistribuição desse fármaco, com um acúmulo intensivo em tecidos menos vascularizados e no tecido adiposo (local de depósito onde a concentração de ∆9-THC pode alcançar cerca de 1000 vezes mais que a plasmática). Os canabinoides atravessam a barreira placentária e são excretados no leite materno. Aproximadamente 70% de uma dose total de ∆9-THC são excretados dentro de 72 horas, sendo 30% na urina e 40% nas fezes. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Ocorre recirculação enterohepática dos produtos de biotransformação do ∆9-THC, pois uma quantidade significativa desses compostos é excretada nas fezes. Os receptores canabinoides estão acoplados a proteína G e pertencem a uma grande e diversificada família de proteínas acopladas à membrana UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso proteínas acopladas à membrana celular. Agem sobre os canais de Ca++ ativados por voltagem, os quais inibem, levando a um decréscimo na liberação de neurotransmissores e na abertura dos canais de K+, diminuindo a transmissão de sinais. MECANISMO DE AÇÃO Os receptores canabinoides são expressos principalmente no SNC; UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso expressos principalmente no SNC; são abundantes em partes do cérebro que regulam o controle dos movimentos do corpo (gânglios basais), controle motor (cerebelo), aprendizagem e memória (hipocampo), funções cognitivas (córtex cerebral) e prazer (núcleo accumbens). MECANISMO DE AÇÃO Também existem receptores canabinoides nos circuitos de dor no cérebro e medula espinhal, assim UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso cérebro e medula espinhal, assim como nos terminais periféricos dos neurônios sensoriais primários, o que explica as propriedades analgésicas dos agonistas de receptores canabinoides, pois suprimem a liberação nas terminações de vários neurotransmissores. MECANISMO DE AÇÃO Os receptores canabinoides também estão localizados em estruturas UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso estão localizados em estruturas associadas à modulação do sistema imune e da hematopoiese. O estímulo dessas estruturas pelo ∆9- THC resulta em um fenótipo imunossupressor. MECANISMO DE AÇÃO Apesar do amplo uso da Cannabis, os mecanismos de seus efeitos eufóricos e produtores de dependência não são UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso e produtores de dependência não são muito conhecidos. Há fortes evidências de que o ∆9-THC aumenta a atividade dopaminérgica na via mesolímbica, que se projeta da área tegmental ventral ao núcleo accumbens, região crucial para o desenvolvimento da dependência. MECANISMO DE AÇÃO Período inicial de euforia, pois ativa o sistema de recompensa cerebral, liberando dopamina. A euforia é seguida de relaxamento, sonolência ou FASES DOS EFEITOS TÓXICOS A CURTO PRAZO UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A euforia é seguida de relaxamento, sonolência ou depressão. Às vezes pode ocorrer também ansiedade, temor, desconfiança ou pânico. Perda da discriminação de tempo e de espaço. O tempo passa mais lentamente e as distâncias são calculadas muito maiores do que são. Coordenação motora diminuída, com perda de equilíbrio e estabilidade postural. Um estudo realizado pela National Highway Traffic Safety Administration mostrou que basta uma dose moderada de maconha para deteriorar a capacidade de condução no trânsito. Entretanto, os efeitos da maconha combinados com o do etanol, mesmo em doses baixas, são marcadamente superioresdoses baixas, são marcadamente superiores a qualquer uma das drogas em separado. Os efeitos observados nos condutores sob uso de maconha foram: demora na reação, deficiência na busca visual e demora em responder mudanças na velocidade relativa de outros veículos. Ainda em curto espaço de tempo, podem levar: � Prejuízo na memória recente; � Falha nas funções intelectuais e cognitivas; UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso � Falha nas funções intelectuais e cognitivas; � Retardo na capacidade de percepção sensorial, intensificando as sensações, os sentidos e exagerando a sensibilidade; � Taquicardia; �Hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos); � Pressão sanguínea permanece relativamente inalterada (ligeiramente aumentada quando em repouso, diminuída ou inalterada em outras posições). UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso � Aumento do apetite com secura na boca e garganta. Doses mais altas de ∆9-THC podem levar a uma psicose tóxica aguda acompanhada por alucinações, delírios e despersonalização (perda do sentido de identidade pessoal ou de auto-reconhecimento). LONGO PRAZO Afeta os sistema pulmonar, cardiovascular e imunológico, além de induzir a psicopatologias e UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso imunológico, além de induzir a psicopatologias e anormalidades comportamentais do recém nascido. SISTEMA PULMONAR • Maior risco carcinogênico. SISTEMA CARDIOVASCULAR UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso • Menor eficiência na transferência de oxigênio aos pulmões; • Redução na capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue; • Falha na liberação do oxigênio da hemoglobina aos tecidos; • Aumento da velocidade cardíaca; • O risco de um ataque cardíaco quadruplica. SISTEMA IMUNE • Deteriora a habilidade para combater infecções e tumores. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso tumores. PSICOPATOLOGIAS • Uso frequente de maconha pode levar a um aumento do risco de sintomas psicóticos e até doenças mentais entre os usuários. ANORMALIDADES COMPORTAMENTAIS DO RECÉM NASCIDO As pesquisas mostram que os recém nascidos de mulheres que usaram maconha durante a gravidez apresentam respostas alteradas a estímulos visuais, um tremor acentuado e um choro agudo, o que pode indicar problemas com o desenvolvimento neurológico. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso problemas com o desenvolvimento neurológico. Durante os anos pré-escolares, as crianças que foram expostas à maconha têm um pior rendimento na realização de tarefas que necessitam atenção e memória em comparação às crianças não expostas. Nos anos escolares, estas crianças tendem a exibir um déficit em suas habilidades para tomar decisões, sua memória e sua capacidade para permanecer atentos.UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso COCAÍNA Erytroxylum sp Ambiente Disponibilidade da substância, atitudes Fármaco ou Droga Potencial de reforço, TRÍADE DOS UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso substância, atitudes da comunidade, contexto sócio/econômico/ cultural e estresse Usuário Predisposição genética, sintomas psiquiátricos, adolescência e “comportamento de risco” Potencial de reforço, via de administração, custo, potência e grau de pureza DOS FATORES DE RISCO NA DEPENDÊNCIA COCAÍNA Erytroxylum novogranatense – Legal UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Indústria Farmacêutica – anestésico local Indústria de Alimentos – constituinte de chás COCAÍNA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Erytroxylum coca – Ilegal Toxicologia Social – dependência ALUCINÓGENA ILÍCITA As folhas após maceração são convertidas em pasta de coca, que constitui UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso As folhas após maceração são convertidas em pasta de coca, que constitui a forma de tráfico e que é eventualmente utilizada para produzir o cloridrato de cocaína, sal mais comumente empregado na auto- administração. 100Kg-----------------------------1000g--------------------------------800g folhas de coca pasta de coca cloridrato de coca A cocaína ilícita é mais frequentemente encontrada como pó cristalino, cloridrato de cocaína (COC.HCl), obtido através do tratamento da pasta de coca purificada UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso tratamento da pasta de coca purificada com ácido clorídrico. Constitui a formulação legal e ilícita da cocaína. Sob esta forma, não se presta a ser fumada, pois não se volatiliza e se decompõe com o aumento da temperatura. PADRÕES DE USO Comumente é auto-administrada por aspiração nasal, por via oral ou intravenosamente, sendo bem absorvida na corrente sanguínea UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso absorvida na corrente sanguínea através da mucosa nasal. A pasta de coca, produto obtido pela maceração das folhas da planta Erytroxylum coca, é fumada em cigarros, “per se” (basuco), ou em combinação com tabaco ou maconha (grimmie). PADRÕES DE USO COCAÍNA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso TABACO ou MACONHA GRIMMIE GRIMMIE � Aumenta o prazer; UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso � Diminui a excitação e a compulsão pelo uso continuado; � Associado com cigarros de tabaco não parece ter outra finalidade senão a possibilidade de o cigarro funcionar com veículo e pode ser fumado publicamente. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso COCAÍNA ETANOL COCAETILENO COCAETILENO � Homólogo etílico da cocaína; UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso � Ações centrais idênticas a cocaína; � É uma associação muito frequênte. IMPORTANTE Outra população de usuários de cocaína que gera graves problemas de saúde pública são as mulheres grávidas. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso problemas de saúde pública são as mulheres grávidas. Entre os muitos efeitos perinatais decorrentes desse uso, citam-se: retardamento do desenvolvimento fetal, malformações congênitas, placenta abrupta (descolamento prematuro da placenta), cardiomiopatias, distúrbios de comportamento, microcefalia e até mesmo morte intra-uterina. A velocidade de absorção e a máxima concentração plasmática atingida são dependentes das vias de UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso atingida são dependentes das vias de introdução pelas quais ocorre a auto- administração de cocaína que, por suas características de absorção, podem ser divididas em intranasal, oral, intravenosa e respiratória, sendo a mais referida a intranasal e, recentemente, a respiratória (inalação através do ato de fumar). TOXICOCINÉTICA A prática do “cafungar” (aspiração nasal) consiste em se dispor os cristais de cloridrato de cocaína enfileirados em superfície lisa, cada fileira com aproximadamente 10 a UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso fileira com aproximadamente 10 a 30mg que são aspirados de tal forma que a absorção ocorre pela mucosa nasal. A prática é geralmente feita em grupos, em média de três vezes por reunião e em intervalos de 20 a 30 minutos, tempo que geralmente duram os efeitos relacionados à euforia. TOXICOCINÉTICA A utilização da cocaína pela via intranasal (aspiração nasal), ou pela mucosa bucal, propicia a absorção através das membranas naso- UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso através das membranas naso- orofaríngeas, com baixa velocidade de absorção devido às propriedades vasoconstritoras do fármaco. A administração por esta via produz teores plasmáticos menores por um tempo mais prolongado devido à velocidade mais lenta de absorção. TOXICOCINÉTICA A concentração plasmática de pico ocorre, em média, após 30 minutos e está condicionada às diferenças na UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso efetividade da técnica da aspiração (deglutição parcial da dose) do fármaco e às características individuais do usuário, que produzem diferentes níveis de vasoconstrição da mucosa, possibilidade de ocorrer biotransformação na própria mucosa etc. TOXICOCINÉTICA A via oral foi questionada como viável em termos da estabilidade química do fármaco e de sua biodisponibilidade, no entanto também mostra-se efetiva. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso no entanto também mostra-se efetiva. Após uma fase de aproximadamente 30 minutos, onde não há detecção plasmática, a absorção gastrintestinal é rápida e o pico de concentração plasmática geralmente ocorre entre 45 e 90 minutos. TOXICOCINÉTICA O retardamento da absorção pela via oral, em relação ao que ocorre na mucosa naso-orofaríngea, é explicado UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso mucosa naso-orofaríngea, é explicado pela ionização da cocaína no meio ácido do estômago e a demora em atingir o meio menos ácido do intestino delgado, local onde a forma não-ionizada prevalece, levando a uma maior velocidade de absorção. TOXICOCINÉTICA DISTRIBUIÇÃO E ELIMINAÇÃO A cocaína liga-se às proteínas plasmáticas apresentando alta UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso plasmáticas apresentando alta afinidade pela α-1-glicoproteína ácida, e baixa, porém significativa, pela albumina. O acúmulo verificado no fígado é compatível com a suposição de que há receptores hepáticos com alta afinidade pela cocaína. TOXICOCINÉTICA DISTRIBUIÇÃO E ELIMINAÇÃO A incorporação da cocaína no cabelo se dá por mecanismos ainda não UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso se dá por mecanismos ainda não totalmente determinados. Supõe-se que ocorra por difusão passiva para o folículo piloso. O caráter lipofílico da cocaína faz com que a substância atravesse prontamente a barreira hematoencefálica. TOXICOCINÉTICA DISTRIBUIÇÃO E ELIMINAÇÃO UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A cocaína é sequestrada pelos adipócitos e, consequentemente, se acumule no SNC. A transferência placentária e a secreção láctea estão bem esclarecidas. TOXICOCINÉTICA DISTRIBUIÇÃO E ELIMINAÇÃO A eliminação da cocaína é UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A eliminação da cocaína é predominantemente controlada pela sua biotransformação que, devido às características da molécula, é muito extensa, sendo apenas pequenas quantidades excretadas inalteradas na urina (em média menos que 10%). TOXICOCINÉTICA DISTRIBUIÇÃO E ELIMINAÇÃO O clearance renal da cocaína é de aproximadamente 6% do total, que por UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso aproximadamente6% do total, que por sua vez é consideravelmente maior do que aquele que pode ser atribuído ao fluxo hepático (aproximadamente 50% do total). Isso sugere mecanismos extra- hepáticos e extra-renais de clearance do fármaco. TOXICOCINÉTICA DISTRIBUIÇÃO E ELIMINAÇÃO Com efeito, a cocaína, que é quimicamente a benzoilmetilecgonina, UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso quimicamente a benzoilmetilecgonina, após absorvida, é rapidamente biotransformada a éster metilecgonina, que constitui 32 a 49% da excreção urinária da cocaína e benzoilecgonina, 29 a 45% da excreção urinária. Outros metabólitos: ecgonina, norcocaína e benzoilnorecgonina. TOXICOCINÉTICA Após a utilização da cocaína em doses recreacionais, há elevação temporária das concentrações de norepinefrina e dopamina com subsequente redução a UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso dopamina com subsequente redução a valores abaixo dos normais. Estas concentrações são relacionáveis, respectivamente, com os estados de euforia e depressão experimentados pelos usuários de cocaína. TOXICODINÂMICA O provável mecanismo de ação no SNC é o bloqueio da recaptação da dopamina nas fendas sinápticas, que parece ocorrer devido à ligação da UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso parece ocorrer devido à ligação da cocaína aos sítios transportadores de dopamina. O acúmulo de dopamina nos receptores pós-sinápticos D1 e D2 parece ser o mecanismo fisiopatológico pelo qual ocorre a euforia. TOXICODINÂMICA A consequência do acúmulo do neurotransmissor é a indução dos receptores pré-sinápticos decorrentes do mecanismo de auto-regulação e subsequente depleção do UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso subsequente depleção do neurotransmissor. Da mesma forma, a estimulação adrenérgica parece ocorrer pelo mesmo mecanismo, sendo que no uso crônico de cocaína, tanto a noradrenalina quanto a dopamina se tornam significativamente reduzidas no cérebro. TOXICODINÂMICA A diminuição da dopamina cerebral pode resultar em anormalidade das vias dopaminérgicas, levando a UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso vias dopaminérgicas, levando a complicações psiquiátricas. A cardiotoxicidade da cocaína é comprovada e o exato mecanismo pelo qual ocorre ainda não está totalmente elucidado. TOXICODINÂMICA Infere-se porém, dos resultados experimentais, que há um sinergismo das ações simpaticomiméticas (inibição da recaptação de catecolaminas) e anestésica (bloqueio UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso catecolaminas) e anestésica (bloqueio de canais de Na+). A inibição do influxo de sódio nas células cardíacas prejudica a condução do impulso nervoso, criando substrato ideal para a ação da norepinefrina de gerar taquicardia e eventualmente fibrilação ventricular. TOXICODINÂMICA Essa ação adrenérgica é corroborada pela estimulação central do hipotálamo e medula que, além da taquicardia, originam constrição vascular periférica e subsequente UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso vascular periférica e subsequente elevação da pressão sanguínea e velocidade do pulso verificadas na intoxicação por cocaína. A estimulação adrenérgica aumenta os níveis de cálcio intracelular e o antagonismo da cocaína às substâncias bloqueadoras dos canais de cálcio. TOXICODINÂMICA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso O aumento do fluxo de cálcio através das membranas celulares é tido como outro provável mecanismo de ação.TOXICODINÂMICA As vias dopaminérgicas parecem estar envolvidas com os mecanismos da euforia e do comportamento compulsivo em busca da cocaína, que caracterizam o fenômeno de UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso caracterizam o fenômeno de dependência desenvolvido pelo fármaco. A cocaína é considerada a substância com maior potencial de abuso que se tem conhecimento e isto se deve a sua poderosa capacidade de produzir reforço positivo (efeito desejado), o que é atribuído a dopamina (sinapse). DEPENDÊNCIA E SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA Com a cocaína, a transmissão dopaminérgica ocorre principalmente nos neurônios mesocorticais e mesolímbicos. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A depleção da dopamina após o aumento que ocorre no início da exposição à cocaína está relacionada com o comportamento de busca: o usuário crônico se auto-administra repetidamente o fármaco para aumentar os níveis da dopamina. DEPENDÊNCIA E SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA A cronicidade deste processo, ou seja, reforço/comportamento de busca, expresso por aumento/diminuição dos níveis de dopamina, constitui a base bioquímica do ciclo euforia/disforia, que caracteriza o desenvolvimento da UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso que caracteriza o desenvolvimento da farmacodependência à cocaína. A retirada da cocaína após o uso crônico pode resultar em depressão, fadiga, irritabilidade, perda do desejo sexual ou impotência, tremores, dores musculares, distúrbios da fome, mudança do EEG e dos padrões de sono. DEPENDÊNCIA E SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA Esses sinais e sintomas constituem, caracteristicamente, reforços negativos que fazem da interrupção do UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso negativos que fazem da interrupção do uso de cocaína um difícil empreendimento individual e poderiam, segundo alguns autores, a configurar a síndrome de abstinência com consequente aceitação da existência da neuroadaptação (dependência física). DEPENDÊNCIA E SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA IMPORTANTE Os ciclos intermitentes de consumo repetido da droga denomina- se padrãobinge e pode durar dias. O término do rush é caracterizado por disforia, compulsão e fissura para a nova administração da droga - craving. Quando o indivíduo está na fase de craving, pode se tornar agressivo e utilizar qualquer recurso para obter a droga como roubar, vender seus pertences e dos familiares e prestar favores sexuais. Geralmente o usuário, no padrão binge, não se alimenta, não dorme, não tem cuidados básicos de higiene, perde o interesse por sua aparência física. IMPORTANTE Além do craving, uma gama enorme de outros efeitos pode surgir, e que se intensificam com o uso crônico: agitação, disforia, paranoia, delírio e alucinações. Destaca-se, dentre esses efeitos, a paranoia, que se caracteriza por um medo terrível de serem descobertos (principalmente pela polícia ou por um parente), descrevendo o temor de serem apanhados fazendo uso da droga.parente), descrevendo o temor de serem apanhados fazendo uso da droga. Gradualmente os usuários desenvolvem tolerância e necessitam de doses cada vez maiores; por outro lado, apresentam maior frequência e maior grau de ansiedade, paranoia e depressão com o uso crônico, assim como surgem pensamentos paranoides muito intensos. No estudo do craving, resultados interessantes têm sido obtidos na aplicação de técnicas de neuro-imagem. IMPORTANTE Indivíduos dependentes de cocaína frequentemente experimentam esta sensação - craving – quando são expostos a desencadeantes ambientais, como estímulo audiovisual que pode ser provocado por vídeo contendo imagens e sons relacionados à cocaína. Técnicas de tomografia por emissão de pósitrons e ressonânciaTécnicas de tomografia por emissão de pósitrons e ressonância magnética funcional demonstram que o estímulo audiovisual pode estar relacionado com o aumento do metabolismo regional de glicose no córtex pré frontal dorsolateral, amígdala, e no cerebelo; além disso, foi evidenciado o aumento de fluxo sanguíneo após estimulação audiovisual nas áreas límbicas, particularmente o cíngulo anterior e a amígdala. Estes achados demonstram que os fatores externos apresentam papel importantes nas recaídas.CRACK UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso CRACK COCAÍNA na forma de base livre (bicarbonato de sódio e amoníaco) Ambiente Disponibilidade da substância, atitudes Fármaco ou Droga Potencial de reforço, TRÍADE DOS UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso substância, atitudes da comunidade, contexto sócio/econômico/ cultural e estresse Usuário Predisposição genética, sintomas psiquiátricos, adolescência e “comportamento de risco” Potencial de reforço, via de administração, custo, potência e grau de pureza DOS FATORES DE RISCO NA DEPENDÊNCIA Na forma de base livre, a cocaína apresenta baixo ponto de fusão (96 a 98°C contra os 197°C do cloridrato); volatiliza-se a aproximadamente 90°C e, quando aquecida, permite que seus vapores sejam inalados no ato de fumar. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A forma mais comum pela qual se comercializa a base livre é o chamado CRACK, preparado através do aquecimento da solução aquosa do cloridrato com substância básica (geralmente bicarbonato ou hidróxido de sódio). Aquece-se até a obtenção de substância oleosa, e resfria-se posteriormente em banho de gelo até a precipitação da base livre. O aspecto resultante é o de cristais irregulares em forma de pedras, nome pelo qual é vulgarmente referido. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso OBSERVAÇÃO: A cocaína base pode também ser encontrada na pasta de coca (forma de tráfico), proporções que variam de 40 a 91%, dependendo de estar a pasta bruta ou em estágio mais adiantado de purificação, quando então recebe o nome deBASE. Pode também ser obtido por processo denominado FREE-BASING, realizado pelo próprio usuário, através da mistura da solução cocaína +realizado pelo próprio usuário, através da mistura da solução cocaína + ácido clorídrico + bicarbonato de sódio ou amônia, e a extração da base formada pela adição de éter, filtragem e posterior evaporação. A droga assim obtida, FREE BASE, é fumada com auxílio de dispositivos que simulam cachimbos, o que apresenta o risco de ignição do eventual éter remascente. OBSERVAÇÃO: No Brasil há também referência a um produto denominado MERLA, de consistência pastosa que é considerado um subproduto da cocaína e que é obtido através do tratamento do remanescente das folhas de coca, após o processo de refino (chamada de cocaína oxidada) e pela adição de ácido sulfúrico, querosene, cal, pó barrilha (produto utilizado para limpar piscinas). Tanto o sal de cocaína como a cocaína básica podem ser adulterados com várias substâncias, compondo-se assim a droga de rua. O CRACK apresenta bicarbonato de sódio como adulterante mais comum e os teores de cocaína nesta forma variam de 35 a 99%, dependendo do processo de obtenção. Dada a facilidade na utilização do CRACK, é importante se considerar a população potencialmente exposta que, segundo alguns autores, compõe-se basicamente de indivíduos jovens do sexo masculino, idade inferior a 25 anos e baixa condição sócio- econômica. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Conforme constatação recente, em nosso meio é grande o número de menores de idade envolvidos com a prática de fumar CRACK. O material utilizado na confecção dos cachimbos, geralmente lata de cerveja ou refrigerante, copo de água, embalagem de Yakult®, pedaço de cano de ferro ou PVC, pedaço de isqueiro ou torneira, não protegem do calor gerado para a sublimação da droga sendo comum as queimaduras. Estas (queimaduras) não se restringem à boca, mas atingem também dedos e nariz tornando-se sinais característicos do usuário deCRACK. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso O consumo de CRACK representa um alto custo para o usuário, isto pode induzir às práticas delituosas e degradantes com graves implicações sociais e legais como a prostituição, o tráfico e o furto. Além do alto risco de violência e morte entre os usuários (principalmente os homicídios), há o risco de contágio de infecções sexualmente transmissíveis, principalmente o HIV. A administração da cocaína na forma de base livre (crack, merla, pasta de UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso de base livre (crack, merla, pasta de coca e freebase), fumada pode ser comparada à via intravenosa em termos de velocidade de absorção, pico de concentração plasmática, duração e intensidades dos efeitos. TOXICOCINÉTICA O ato de fumar cocaína na forma de base livre oferece o meio mais rápido de penetração do fármaco na corrente UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso de penetração do fármaco na corrente sanguínea, através da absorção pelos alvéolos pulmonares. Isso resulta em maior rapidez de aparecimento e intensidade de efeitos experimentados pelo usuário, se comparada à propiciada pela via intravenosa. TOXICOCINÉTICA O CRACK leva cerca de 8 segundos para produzir seus efeitos, esse tempo contrasta com as outras vias que, em média, levam 3 a 5 minutos no caso da via intravenosa e UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso minutos no caso da via intravenosa e de 10 a 15 minutos para a via intranasal. Quando o indivíduo fuma o CRACK absorve, além da base livre de cocaína, o éster metilanidroecgonina, produto da pirólise da cocaína. TOXICOCINÉTICA A eficiência do ato de fumar (disponibilidade química), no que se refere à velocidade e à quantidade de cocaína a ser liberada para a corrente sanguínea em condições de produzir o UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso sanguínea em condições de produzir o efeito desejado, depende de vários fatores, como, por exemplo: a porção do fármaco sujeita à pirólise, temperatura usada para vaporizar a cocaína, o recipiente onde o CRACK é aquecido, a condensação da base livre nos dispositivos utilizados para fumar. TOXICOCINÉTICA Além disso, a quantidade de cocaína inalada depende também da efetividade da tragada e, portanto, varia com a experiência do usuário. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A biodisponibilidade da cocaína fumada é de aproximadamente 70%, o que é explicado pelo fato de que há cerca de 26% de perda da cocaína na forma básica, antes de ser inalada, e de que tal perda pode se dar por decomposição ou condensação no dispositivo utilizado para este fim. TOXICOCINÉTICA Quando oCRACK é fumado, além da cocaína, seus produtos de biotransformação e da cocaetileno ou UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso biotransformação e da cocaetileno ou benzoiletilecgonina, um outro produto que também aparece na urina é o éster metilanidroecgonina (metilecgonidina) um subproduto que se forma pela degradação térmica quando a cocaína é fumada. TOXICOCINÉTICA A metilecgonidina já foi identificada UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A metilecgonidina já foi identificada em várias amostras biológicas de usuários fumadores de CRACK e é considerada um marcador desta forma de uso. TOXICOCINÉTICA No uso do CRACK, o aparecimento dos efeitos no centro do prazer mediado pelo neurotransmissor dopamina faz do CRACK uma UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso dopamina faz do CRACK uma droga extremamente “atraente” para o usuário. No início o CRACK provoca sensações de extremo prazer que é denominada rush ou flash, essas sensações são de intensa euforia, ilusão de onipotência e autoconfiança. DEPENDÊNCIA E SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso OXI COCAÍNA na forma de base livre (querosene e cal virgem) Ambiente Disponibilidade da substância, atitudes Fármaco ou Droga Potencial de reforço, TRÍADE DOS UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso substância, atitudes da comunidade, contextosócio/econômico/ cultural e estresse Usuário Predisposição genética, sintomas psiquiátricos, adolescência e “comportamento de risco” Potencial de reforço, via de administração, custo, potência e grau de pureza DOS FATORES DE RISCO NA DEPENDÊNCIA A droga é derivada da planta coca, assim como a cocaína e o crack. Há diferenças, contudo, no modo de preparo. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Há diferenças, contudo, no modo de preparo. Existe uma pasta base, com o princípio da droga, e de seu refino vem a cocaína. O crack e o oxi são feitos a partir dos restos do refino da cocaína. As três drogas possuem, portanto, o mesmo princípio ativo e um efeito parecido, que é a aceleração do metabolismo, ou seja, do funcionamento do corpo como um todo. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso funcionamento do corpo como um todo. A grande diferença do oxi para o crack está na sua composição química. Para transformar o pó em pedra, o crack usa bicarbonato de sódio e amoníaco. Já o oxi, com o objetivo de baratear os custos e atingir um número maior de usuários, leva querosene e cal virgem. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Querosene e cal virgem são substâncias corrosivas e extremamente tóxicas. Por isso, o consumo do oxi pode levar à morte mais rápido que o crack – no qual o que é realmente nocivo é o princípio ativo da droga. O nome é proveniente do termo oxidado e sua potência chega a ser cinco vezes (5x) maior que a do crack, além de ser mais corrosiva. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Após o consumo, os usuários relatam sentir um gosto parecido com gasolina na boca. É mais nocivo que o crack, queimando ainda a garganta, porém os efeitos alucinógenos são os mesmos que o crack. Possue múltiplos resíduos, o que a torna mais agressiva para os pulmões, fígado e rins. Atualmente, os usuários demonstram baixo interesse UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Atualmente, os usuários demonstram baixo interesse por esta droga, mesmo tendo custo menor que o crack, pois o sabor residual (gasolina), além do conhecimento da devastação que a mesma provoca, inibe de certa forma a sua busca como forma de consumo. Enquanto que as pedras de crack possuem coloração branca, as pedras de oxi são amareladas e roxa. Seu uso no Brasil iniciou no ano de 2004, entrando UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Seu uso no Brasil iniciou no ano de 2004, entrando nos estados do Acre e Amazonas, porém no ano de 2011 chegou a outras regiões do Brasil, principalmente a região sudeste. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso ANFETAMÍNICOS Β-fenetilamina e seus derivados Ambiente Disponibilidade da substância, atitudes Fármaco ou Droga Potencial de reforço, TRÍADE DOS UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso substância, atitudes da comunidade, contexto sócio/econômico/ cultural e estresse Usuário Predisposição genética, sintomas psiquiátricos, adolescência e “comportamento de risco” Potencial de reforço, via de administração, custo, potência e grau de pureza DOS FATORES DE RISCO NA DEPENDÊNCIA O termo ANFETAMÍNICOS refere-se ao grupo de substâncias composto pela anfetamina e seus derivados: Anfetamina; Clorfentermina; UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Clorfentermina; Dietilpropiona; Efedrina; Fenfluramina; Fenilefrina; Feniprazina; Femproporex; Fentermina; Metanfetamina. Quimicamente, apresentam o esqueleto básico da β- fenetilamina e farmacologicamente atuam como aminas simpaticomiméticas. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Dentre os estimulantes, os anfetamínicos ainda constituem um sério problema em nível mundial. É um grupo que normalmente está UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso É um grupo que normalmente está presente dentre os encontrados nos programas de verificação de drogas no ambiente de trabalho. No Brasil, é importante fármaco de abuso entre os caminhoneiros que fazem uso dos chamados rebites para enfrentar as extenuantes jornadas. PADRÕES DE USO ESTUDOS SOBRE O USO DOS CHAMADOS “REBITES” NO BRASIL Silva et al. (2011) = Estudo envolveu todo o Brasil • 483 amostras de urina de caminhoneiros nas cinco regiões do Brasil; • 4,14% foram positivas para um Nascimento et al. (2007) = Estudo envolveu Minas Gerais • Preenchimento de questionários por caminhoneiros; • 66% demonstrou que utilizavam anfetaminas durante os• 4,14% foram positivas para um ou mais fármacos de abuso, sendo que, dentre estas, a frequência de derivados anfetamínicos em associação ou como único grupo encontrado, foi de 85%. anfetaminas durante os percursos de viagem. Estes resultados são alarmantes, uma vez que as amostras foram doadas e os questionários preenchidos voluntariamente, mostrando assim que não há percepção por parte do motorista de que se trata de uso indevido de droga e mais, que esta conduta constitui, à semelhança do uso do etanol, direção perigosa. A anfetamina é o protótipo de uma classe de compostos não catecolamínicos que produz acentuada ação estimulante no SNC, mais persistente que a da cocaína, o UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso mais persistente que a da cocaína, o que torna os anfetamínicos atrativos como fármacos de abuso. Por aumentar o estado de alerta físico e mental, os anfetamínicos são muito populares entre os indivíduos que necessitam de vigília prolongada como, por exemplo, motoristas e estudantes. PADRÕES DE USO No Brasil, a anfetamina e seus derivados utilizados como anorexígenos ou nos distúrbios de hiperatividade em crianças, têm sua UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso hiperatividade em crianças, têm sua comercialização sujeita às exigências da portaria 344 da Vigilância Sanitária. Como anorexígenos, a partir de 2012, por determinação da ANVISA, os anfetamínicos estão estritamente proibidos em todo o território nacional. PADRÕES DE USO Os anfetamínicos utilizados em formulações como descongestionantes nasais, por exemplo nafazolina, efedrina e fenilefrina, são de venda livre. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso fenilefrina, são de venda livre. Os anfetamínicos com propriedades alucinógenas são de uso proscrito em nosso país. O uso terapêutico dos anfetamínicos baseia-se em sua propriedade de estimular o SNC. PADRÕES DE USO São capazes de estimular o centro respiratório medular (efeito analéptico) bem como aumentar a atividade motora, melhorar o humor, aumentar o UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso motora, melhorar o humor, aumentar o limiar da fadiga e causar insônia. Dentre os anfetamínicos, particularmente o metilfenidato (Ritalina®) é indicado no tratamento da síndrome hipercinética ou TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). PADRÕES DE USO O TDAH é uma geralmente uma doença da infância caracterizada por hiperatividade, incapacidade de concentração e alto grau de comportamento impulsivo. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso comportamento impulsivo. Outra indicação terapêutica dos anfetamínicos é na narcolepsia, distúrbio caracterizado por crises de sono, cataplexia (perda súbita do tônus muscular), paralisia do sono e pesadelos visuais e auditivos intensos, que podem persistir no estado de vigília. PADRÕES DE USO Atualmente o padrão de uso não médico refere-se à utilização das especialidades e formas farmacêuticas comercializadas e a droga de rua, quando ocorre, recebe o nome de UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso quando ocorre, recebe o nome de SPEED, usada na forma de cápsulasde gelatina ou comprimidos, que contém a substância ativa na forma de sais de sulfato ou fosfato. Além do uso oral, estas preparações são também aspiradas (cafungadas). PADRÕES DE USO Há ainda referências ao preparo de solução saturada e alcalinizada de cloridrato de metanfetamina que, após aquecida e resfriada, forma cristais ICE DROPS UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso denominados ICE DROPS que são fumados, à semelhança do que acontece com oCRACK. Formulações de anfetamínicos obtidas ilicitamente são, em geral, úmidas, com odor desagradável característico da presença de resíduos de solventes. PADRÕES DE USO Como são substâncias de produção ilícita, sem controle de qualidade, é comum haver variação na concentração do fármaco e presença de subprodutos e intermediários resultantes do emprego de matérias UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso resultantes do emprego de matérias primas impuras, reações incompletas ou insuficiente purificação do produto final. Praticamente todas as misturas ilícitas contém anfetamínicos na forma de cloridrato, sulfato ou fosfato e se encontram como pós, comprimidos ou cápsulas. PADRÕES DE USO Tais formulações são utilizadas tanto por via oral quanto por injeção intravenosa. São, às vezes, veiculadas em papel UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso São, às vezes, veiculadas em papel impregnado, mesmo processo utilizado com o LSD. Em alguns países a metanfetamina é distribuída como cloridrato em solução aquosa, denominada de GOLD FISH. PADRÕES DE USO A anfetamina é rapidamente absorvida pelo trato gastrintestinal. Após administração de 10 a 15mg, o UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Após administração de 10 a 15mg, o pico de concentração plasmática ocorre em 1 a 2 horas, sendo que a absorção geralmente se completa em 4 a 6 horas. Metilfenidato e fenfluramina produzem pico de concentração plasmática em cerca de 3 horas após a administração. TOXICOCINÉTICA A ligação ás proteínas plasmáticas varia de 15 a 16% (metilfenidato, anfetamina) a 34% (fenfluramina). UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Os anfetamínicos são amplamente distribuídos e, as altas concentrações cerebrais parecem estar relacionadas a transportes especiais de penetração na barreira hemato-encefálica, que ocorrem concomitantemente à difusão passiva. TOXICOCINÉTICA Tal mecanismo explicaria a rápida velocidade de penetração da anfetamina (pKa de 9,9) no cérebro, a despeito de, no pH do sangue (7,4), cerca de 99,7% estarem sob a forma UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso cerca de 99,7% estarem sob a forma ionizada. Os anfetamínicos são biotransformados primordialmente no fígado. Os produtos hidroxilados são normalmente excretados conjugados com sulfato. TOXICOCINÉTICA Normalmente, 30% da dose terapêutica de anfetamina são excretadas inalterados na urina em 24 horas, porém, a real quantidade de excreção urinária é dependente do pH da urina. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso da urina. Em pH acídico (5,5 a 6,0) 60% da dose de anfetamina são excretados inalterados em 48 horas (meia vida de eliminação de 7 a 8 horas), enquanto que em pH básico (7,5 a 8,0) apenas 3 a 7% são eliminados inalterados no mesmo período (meia vida de eliminação de 18 a 33 horas). TOXICOCINÉTICA A anfetamina e seus análogos atuam como aminas simpaticomiméticas nos receptores α e β adrenérgicos e, com UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso receptores α e β adrenérgicos e, com potências variáveis, de acordo com as diferentes estruturas. Devido a similaridade estrutural dos anfetamínicos com a dopamina e noradrenalina, podem funcionar como falsos neurotransmissores. TOXICODINÂMICA O mecanismo de ação mais provável parece ser a liberação direta dos neurotransmissores das vesículas sinápticas, bem como inibição da UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso sinápticas, bem como inibição da recaptação dos mesmos, com consequente aumento de sua concentração sináptica. Além disso, os anfetamínicos são inibidores da MAO, enzima responsável pela oxidação da noradrenalina e serotonina. TOXICODINÂMICA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Os efeitos comportamentais gerados pelas anfetaminas estão provavelmente associados á liberação UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso provavelmente associados á liberação de dopamina e não de noradrenalina. Uma vez que as anfetaminas aumentam a concentração de noradrenalina nas sinapses, efeitos cardiovasculares podem surgir a partir de seu uso. TOXICODINÂMICA A toxicidade da anfetamina ocorre principalmente nos sistemas cardiovascular e neuropsíquico. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Liberação de dopamina e noradrenalina aumentadas. Intensa estimulação central e da atividade física. EFEITOS TÓXICOS DECORRENTES DO USO ABUSIVO SEVERIDADE + SEVERIDADE ++ Agitação, irritabilidade, insônia, tremor, hiperreflexia, sudorese, midríase, rubor. Hiperatividade, confusão, hipertensão, taquipnéia, taquicardia, extra-sístoles, febre fraca, sudorese. SEVERIDADE +++ SEVERIDADE ++++ Delírio, mania, auto-excoriações, hipertensão pronunciada, taquicardia, arritmia. Delírio, mania, auto-excoriações, hipertensão pronunciada, taquicardia, arritmia, hiperpirexia, acidemia, falência renal, convulsão ou coma, colapso circulatório ou morte. Os anfetamínicos, à semelhança dos demais estimulantes, induzem à melhora da auto-estima e do estado de vigília, ao aumento das atividades física e mental e euforia. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso À medida que se instaura a tolerância e há o aumento da dose, sobrevêm ansiedade, disforia, confusão mental, depressão, náuseas, cefaleia e fadiga. O usuário mostra-se agitado, trêmulo, eloquente, desconfiado e ansioso, sendo que alguns tornam-se hostis e agressivos. EFEITOS TÓXICOS DECORRENTES DO USO ABUSIVO Embora a memória, a orientação e o discernimento estejam, em geral, preservados, altas doses ou uso muito frequente podem levar o indivíduo ao suicídio ou ao desenvolvimento de UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso suicídio ou ao desenvolvimento de ideias homicidas. Talvez em função do rápido aparecimento de tolerância, as fatalidades não são muito comuns e ocorrem, em geral, com usuários novatos. EFEITOS TÓXICOS DECORRENTES DO USO ABUSIVO UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso ECSTASY e EVE Ambiente Disponibilidade da substância, atitudes Fármaco ou Droga Potencial de reforço, TRÍADE DOS UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso substância, atitudes da comunidade, contexto sócio/econômico/ cultural e estresse Usuário Predisposição genética, sintomas psiquiátricos, adolescência e “comportamento de risco” Potencial de reforço, via de administração, custo, potência e grau de pureza DOS FATORES DE RISCO NA DEPENDÊNCIA A 3,4-METILENODIOXIMETANFETAMINA (MDMA),ECSTASY. 3,4-METILENODIOXIETILANFETAMINA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso 3,4-METILENODIOXIETILANFETAMINA (MDEA), EVE. Enquadram-se na categoria das chamadas DESIGNER DRUGS e apresentam efeitos psicotrópicos específicos, dos quais emanam sua utilização como drogas de abuso. Estes efeitos são descritos como capacidade aumentada da comunicabilidade, empatia e autoconhecimento, o que distingue esta classe de compostos das substâncias estimulantes e UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso alucinógenas típicas. Estas substâncias são consideradas como anfetaminas alucinógenas. O uso deste tipo de drogasde abuso ocorre principalmente nos fins de semana e está associado a eventos sociais como festas RAVE e baladas. A dose usual por noite é entre um e dois comprimidos, o que corresponderia a uma concentração entre 100 e 300mg por noite. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A quantidade ingerida costuma ser maior entre indivíduos que a usam frequentemente. Peculiaridades deste tipo de drogas de abuso como a facilidade de uso quanto à via de introdução (oral) e sua discreta forma de apresentação (pequenos comprimidos) acabam por facilitar o tráfico e a difusão destas drogas entre os usuários. O ECSTASY é comercializado principalmente na forma de comprimidos que possuem grande variedade de cores, formas e tamanhos, estampados com vários tipos de fíguras e logotipos. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso com vários tipos de fíguras e logotipos. Pode também ser vendido na forma de cápsulas ou em pó. A concentração típica presente nos comprimidos varia entre 50 e 150mg, podendo haver variações na concentração que pode chegar a 70% ou mais. A via pela qual ocorre a auto- administração do ECSTASY é UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso administração do ECSTASY é quase que exclusivamente a oral, na forma de comprimidos ou cápsulas. Existem raros relatos sobre a administração da droga por outras vias, como a intravenosa e a intranasal. TOXICOCINÉTICA São prontamente absorvidos no trato intestinal e atinge pico de concentração plasmática aproximadamente duas horas após a UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso aproximadamente duas horas após a administração. Possuem comportamento farmacocinético linear e dose dependente. Sua biotransformação é fundamentalmente hepática. TOXICOCINÉTICA A biotransformação apresenta influência genética, por isso alguns UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso influência genética, por isso alguns indivíduos são mais suscetíveis a efeitos mais intensos e duradouros. A eliminação é relativamente lenta, com meia vida plasmática da ordem de 8 horas. TOXICOCINÉTICA A MDMA e a MDEA possuem estrutura química similar às catecolaminas endógenas (adrenalina, noradrenalina UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso endógenas (adrenalina, noradrenalina e dopamina) e atua no cérebro aumentando a atividade de pelo menos três neurotransmissores: serotonina, noradrenalina e dopamina; aumentando a liberação dos três nas fendas sinápticas, aumentando a atividade cerebral. TOXICODINÂMICA Possui maior atuação sobre a serotonina, principal neurotransmissor responsável pela regulação do humor, sono, dor, emoções, apetite e comportamentos. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Pela liberação de grande quantidade de serotonina, inibição da sua recaptação, e também por interferir em sua síntese, leva ao comprometimento da depleção deste neurotransmissor e, como resultado é necessário considerável espaço de tempo para a restauração nos estoques necessários para realização de importantes funções fisiológicas e psicológicas. TOXICODINÂMICA Desta forma, o uso crônico desta substância leva à depleção de serotonina, podendo causar danos às UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso serotonina, podendo causar danos às vezes irreversíveis aos neurônios responsáveis pela liberação deste neurotransmissor. Atua de dois modos distintos sobre os neurônios serotoninérgicos: TOXICODINÂMICA 1. Impede que o transportador de serotonina retire o neurotransmissor da fenda UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso neurotransmissor da fenda sináptica, bloqueando este transportador (impedimento da recaptação de serotonina); 2. Faz com que o transportador de serotonina atue de modo reverso, transportando-a do interior do neurônio pré-sináptico para a fenda sináptica. TOXICODINÂMICA Assim, a maior concentração de serotonina presente na fenda determina mais receptores ativados, o UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso determina mais receptores ativados, o que constitui o principal mecanismo de ação sobre a fisiologia cerebral. Produzem significativo aumento na vivacidade, paciência e sensação de energia, despertar sexual e adiamento da fadiga e do sono. TOXICODINÂMICA Os efeitos fisiológicos observados são descritos como um aumento da euforia, bem estar, percepção UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso euforia, bem estar, percepção sensorial aguçada, melhora da sociabilidade, extroversão, aumento na sensação de intimidade e proximidade com outras pessoas, maior tolerância à opinião e sentimentos alheios. TOXICODINÂMICA Mesmo tendo reputação de droga segura, os efeitos agudos causados pelo uso (hipertermia, complicações cardiovasculares, falência renal e UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso cardiovasculares, falência renal e hepática) podem levar à morte. Como ação básica, ocorre aumento do despertar e da vigília, aumento da tensão muscular, manifestada por contratura da mandíbula, bruxismo e movimentos constantes das pernas. TOXICODINÂMICA O aumento da atividade muscular, somado à ação direta no sistema termorregulador do cérebro, leva a um aumento na temperatura corpórea. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso aumento na temperatura corpórea. Rigidez e dor nos membros inferiores e na região inferior das costas são queixas frequentes durante os primeiros 2-3 dias após o uso. Dor de cabeça, náuseas, diminuição do apetite, visão turva, boca seca e insônia são outros sintomas físicos. TOXICODINÂMICA Os efeitos psicológicos indesejados resultantes da intoxicação aguda representam uma resposta exagerada dos efeitos desejados e buscados UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso dos efeitos desejados e buscados pelo usuário; ocasionalmente podem levar a um ataque de pânico, delírio ou até episódios curtos de psicose. Também causa alterações na percepção, comprometendo principalmente a habilidade de dirigir. TOXICODINÂMICA Algumas mortes associadas ao uso de MDMA e MDEA envolvem aumento da temperatura corpórea (síndrome hipertérmica), o que é devido à UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso hipertérmica), o que é devido à atuação desta substância sobre as vias dopaminérgicas e serotoninérgicas que regulam a temperatura corpórea. Os casos de hipertermia induzida pelas duas drogas são provavelmente o resultado da soma de vários fatores: TOXICODINÂMICA 1. Ação da substância sobre o sistema termorregulador do cérebro; 2. Vasoconstrição periférica induzida UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso 2. Vasoconstrição periférica induzida pelas drogas, que diminui a perda de calor corpóreo; 3. Atividades físicas intensas; 4. Reposição inadequada de eletrólitos e líquido; 5. Altas temperaturas ambiente. TOXICODINÂMICA Dependendo da dose e frequência do uso, pode causar alterações hepáticas e renais graves, que podem resultar até mesmo na falência do órgão. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso até mesmo na falência do órgão. O uso crônico pode levar ao desenvolvimento de neurotoxicidade, especialmente dos neurônios serotoninérgicos, podendo ocasionar quadros de depressão e debilidade da atuação cognitiva, pois leva a uma diminuição na densidade deste tipo de célula nervosa. TOXICODINÂMICA LSD25 UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso LSD25 Dietilamida do Ácido Lisérgico Ambiente Disponibilidade da substância, atitudes Fármaco ou Droga Potencial de reforço, TRÍADE DOS UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso substância, atitudes da comunidade, contexto sócio/econômico/ cultural e estresse Usuário Predisposiçãogenética, sintomas psiquiátricos, adolescência e “comportamento de risco” Potencial de reforço, via de administração, custo, potência e grau de pureza DOS FATORES DE RISCO NA DEPENDÊNCIA É o mais conhecidos dos alucinógenos sintéticos. Derivado de alcaloides do ergot, principalmente da UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Derivado de alcaloides do ergot, principalmente da ergotamina, os quais ocorrem naturalmente como produtos do metabolismo do fungo Claviceps purpurea. A introdução do LSD no organismo é feita através da absorção sublingual. O usuário introduz um pequeno pedaço de papel de filtro impregnado com o LSD, no qual se verificam também vários desenhos, ilustrações ou então um pequeno cristal da substância, conhecido UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso pequeno cristal da substância, conhecido popularmente como microponto, comprimido redondo com 1,6mm de diâmetro, predominante nos anos 1970. A absorção da substância provoca efeitos que aparecem de 35 a 45 minutos após a introdução e que duram aproximadamente 6 horas. Inicia-se então um estágio de recuperação com duração de 7 a 9 horas após a administração, em que os sintomas tendem a diminuir. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso os sintomas tendem a diminuir. Ocorre uma oscilação entre as alucinações e os sentidos normais, conhecidas como ondas de LSD. No estágio final são observados efeitos de tensão e de fadiga, que podem durar vários dias. Por quê o número 25? ..........................LSD 25 HIPÓTESE 1: Ele é o 25°produto de uma série de transformações químicas da UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Ele é o 25°produto de uma série de transformações químicas da molécula básica de ergotamina HIPÓTESE 2: É a dose necessária para produzir alucinações, isto é, 25µg. HIPÓTESE 3: Corresponde a data em que foi descoberto, 02 de maio. A distribuição de LSD se verifica em diversos órgãos, principalmente rim, fígado e pulmão, enquanto que no sangue, tecido adiposo e cérebro a UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso enquanto que no sangue, tecido adiposo e cérebro a concentração é comparativamente menor. No cérebro a concentração não excede a 0,01% da dose administrada. O LSD apresenta os seguintes estágios de ação: � Período de latência, que varia de 30 minutos a 3 horas; � Modificações físicas, evidenciadas com sensação de frio, suor, midríase e dor de cabeça; UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso � Período intermediário, caracterizado por medo e angústia; � Período de síndrome psíquica e afetiva; � Modificação do tempo vivido; � Modificação da sensação de espaço; � Modificação das sensações do próprio corpo; � Modificações afetivas; UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso � Modificação do curso do pensamento; � Alucinações, principalmente visuais; � Conotação erótica e sensual, de cunho simbólico; � Lucidez relativa. As alterações nas funções serotoninérgicas do cérebro têm sido envolvidas no mecanismo de ação do LSD e de outros alucinógenos. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso do LSD e de outros alucinógenos. A hipótese é de que ocorra estimulação específica de receptores de serotonina. Relatam-se três tipos de efeitos: # Somático: aumento da freqüência cardíaca e dos movimentos respiratórios e da temperatura corporal, tremores, tonturas, visão borrada, sensação de calor e frio, piloereção etc. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso # Perceptual: formas e cores alteradas; podem ocorrer sinestesias (cores são ouvidas) etc. # Psíquica: alterações de humor, distorção do tempo, alucinações, idéias paranóides etc. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso HEROÍNA Opiáceo Ambiente Disponibilidade da substância, atitudes Fármaco ou Droga Potencial de reforço, TRÍADE DOS UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso substância, atitudes da comunidade, contexto sócio/econômico/ cultural e estresse Usuário Predisposição genética, sintomas psiquiátricos, adolescência e “comportamento de risco” Potencial de reforço, via de administração, custo, potência e grau de pureza DOS FATORES DE RISCO NA DEPENDÊNCIA A HEROÍNA foi introduzida no mercado pela Bayer® em 1898 como um medicamento, na esperança de que a forma diacetilada da morfina continuasse efetiva contra a tosse, sem os efeitos UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso continuasse efetiva contra a tosse, sem os efeitos colaterais da morfina. Tradicionalmente, a HEROÍNA é auto-administrada por via intravenosa, porém vem ocorrendo uma gradual mudança na preferência dessa via de administração pela via intranasal (aspiração) e inalatória (fumada). Três principais causas das mudanças na via de administração daHEROÍNA: 1. A HEROÍNA inalada oferece vantagens pela UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso 1. A HEROÍNA inalada oferece vantagens pela rápida liberação da droga no sítio de ação no cérebro sem passar pelo fígado. 2. Fumar evita frequentes superdoses, sequelas pelo uso de agulhas, infecções por vírus da hepatite e como consequência pior, contaminação pelo vírus HIV. 3. Com a queda nas vendas, provavelmente devido o advento da AIDS, a qualidade do produto melhorou, ou seja, aumentou a pureza e diminuiu o valor. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso o valor. Obs.: No oriente, a heroína sempre foi consumida de forma inalada, tendência pela qual é que ocorra (como já vem acontecendo) no ocidente. Devido a sua alta lipossolubilidade, a HEROÍNA é bem absorvida por todas as vias, nasal, retal, pulmonar e pelas mucosas, deixando rapidamente a UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso pulmonar e pelas mucosas, deixando rapidamente a corrente circulatória e atingindo seu sítio de ação no SNC. Estima-se que 11 segundos são suficientes para que aHEROÍNA absorvida no pulmão alcance seu sítio de ação no cérebro. Assim, o processo de fumar, que libera 89% de heroína intacta, resulta em efeito reforçador imediato que pode durar vários minutos. Após a inalação da fumaça, a HEROÍNA apresenta um pico de concentração no sangue entre 2 a 5 minutos. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso concentração no sangue entre 2 a 5 minutos. Ela apresenta uma meia vida no sangue extremamente curta, ao redor de 3,3 minutos, passando para 6-monoacetilmorfina e esta, por sua vez, sofre nova hidrólise com meia vida ao redor de 5,4 minutos, passando à morfina, que apresenta uma meia vida em torno de 18,8 minutos. Após administração de 70mg de HEROÍNA intravenosa, 45% da dose são recuperados na urina após 40 horas, sendo 42% como morfina, 38,2% como morfina conjugada, 1,3% como 6- UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso como morfina conjugada, 1,3% como 6- monoacetilmorfina e apenas 0,1% como HEROÍNA inalterada. A HEROÍNA é, talvez, a droga mais perigosa que existe sob o ponto de vista de sua capacidade em provocar dependência. Às vezes, poucos dias de uso podem levar o indivíduo à dependência. A HEROÍNA atravessa facilmente a placenta e 1 UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A HEROÍNA atravessa facilmente a placenta e 1 em cada 250 bebês de mães dependentes nasce também dependente. Poucas horas após o parto, o recém nascido apresenta sintomas como vômito, diarreia, convulsão, transpiração, espasmo muscular, e às vezes emitem pavoroso som. Esses sintomas são tratados normalmente com clorpromazina (Neozine®) administrada às refeições e elixir paregórico, tratamento este que pode durar 7 semanas ou mais. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Nas intoxicações por superdose deHEROÍNA, o edema pulmonar é a complicação mais frequente. A depressão respiratória leva a hipóxia, causando maior permeabilidade capilar e provocando extravasamento de fluído, que resulta finalmente em edema pulmonar. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso ETANOL Ambiente Disponibilidade da substância, atitudes Fármaco ou Droga Potencial de reforço, TRÍADE DOS UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso substância, atitudes da comunidade, contexto sócio/econômico/ cultural e estresse Usuário Predisposição genética, sintomas psiquiátricos, adolescência e “comportamento de risco” Potencial de reforço, via de administração, custo, potência e grau de pureza DOS FATORES DE RISCO NA DEPENDÊNCIA O ÁLCOOLé uma das subtâncias psicoativas mais consumidas pela sociedade, sendo o seu uso estimulado em algumas situações, como em festas e UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso estimulado em algumas situações, como em festas e comemorações. As bebidas fermentadas são obtidas pela produção do etanol resultante da quebra de açucares feita por alguns microrganismos, as leveduras. As bebidas alcóolicas com teor maior que 14% são produzidas por meio da destilação. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Neste processo, a bebida fermentada é aquecida até o ponto em que o álcool é evaporado e separado da água. O álcool evaporado é então condensado e coletado, produzindo a bebida destilada. O produto varia de acordo com a bebida fermentada que a originou como, por exemplo, o conhaque que é o destilado do vinho e o whisky do malte. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso o destilado do vinho e o whisky do malte. A concentração de álcool varia muito de bebida para bebida. A cerveja apresenta as mais baixa concentrações, por volta de 5%. Os vinhos variam de 9 a 12,5%, sendo os liquores, aguardentes e whiskies, os mais altos, em torno de 40%. EFEITOS DO CONSUMO DE ÁLCOOL 0,2g/L 0,4g/L 0,5g/L Atingido aproximadamente depois de um drinque; usuários leves ou moderados sentem alguns efeitos: sensação de calor e relaxamento. Maioria das pessoas sentem-se relaxadas, alegres e falantes; a pele pode se tornar ruborizada. Primeiras alterações significativas começam a ocorrer; despreocupação, vertigem, desinibição e menor controle dos pensamentos podem ser sentidos; o autocontrole e a capacidade de julgamento estão diminuídos; a coordenação pode estar levemente comprometida. 0,6g/L 0,8g/L comprometida. Julgamento e crítica encontram-se prejudicados; a avaliação das capacidades individuais e o processo de tomada de decisões racionais são afetados (exemplo: capacidade de dirigir). Comprometimento evidente da coordenação motora e diminuição da velocidade dos reflexos; capacidade para dirigir torna-se suspeita; sensação de dormência das bochechas e lábios; mãos, braços e pernas começam formigar até ficarem dormentes. EFEITOS DO CONSUMO DE ÁLCOOL 1,0g/L 1,5g/L 2,0g/L Discurso vago, indistinto, com dificuldade na articulação das palavras; “lentificação” dos reflexos e deterioração do controle dos movimentos voluntários tornam-se evidentes. Prejuízo definitivo do equilíbrio e do movimento. Centros de controle motor e emocional são consideravelmente afetados; fala pastosa, cambaleante, perda do equilíbrio (quedas são frequentes) e visão dupla podem ocorrer. 3,0g/L 4,0g/L 4,5g/L 5,0g/L Dificuldade de entendimento do que é visto ou ouvido; indivíduos ficam confusos ou em esturpor e pode ocorrer perda da consciência. Geralmente o indivíduo está inconsciente; a pele torna-se fria e úmida. Frequência respiratória diminui, podendo ocorrer apneia. Morte por depressão do centro respiratório. O etanol é uma substância de baixo peso molecular, hidrossolúvel, sendo rapidamente absorvida no estômago (20%) e intestino delgado (80%). A concentração plasmática máxima é UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A concentração plasmática máxima é atingida entre 30 a 90 minutos após a ingestão. O álcool também pode ser absorvido pela aspiração de seu vapor. A absorção de álcool é rápida no início do uso e declina posteriormente, mesmo que a concentração no estômago ainda esteja alta. ABSORÇÃO E DISTRIBUIÇÃO Vários fatores podem influenciar a absorção, sendo que o tempo de esvaziamento gástrico e o início da absorção intestinal podem ser considerados os principais fatores determinantes das taxas variáveis de UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso determinantes das taxas variáveis de absorção de álcool encontradas em diferentes indivíduos ou circunstâncias. A distribuição do etanol absorvido também é rápida, com os níveis nos tecidos semelhantes aos níveis plasmáticos. ABSORÇÃO E DISTRIBUIÇÃO Por ser hidrossolúvel, o etanol distribui-se por praticamente todos os tecidos, intra ou extracelularmente, variando de acordo com a composição hídrica dos tecidos. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso hídrica dos tecidos. A maior concentração ocorre, em ordem decrescente, no sangue, cérebro, rins, pulmões, coração, paredes intestinais, músculos estriados e fígado, com níveis bastante baixos nos ossos e tecido adiposo. ABSORÇÃO E DISTRIBUIÇÃO Entre 90 a 98% do etanol ingerido são biotransformados no fígado através da oxidação. Diferente da maioria das substâncias, a taxa de oxidação do álcool segue UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso a taxa de oxidação do álcool segue uma cinética de ordem zero, ou seja, é relativamente constante ao longo do tempo e independe das suas concentrações plasmáticas. A quantidade de etanol oxidada em um certo intervalo de tempo é proporcional ao peso corpóreo do indivíduo e, provavelmente, ao peso do fígado. BIOTRANS- FORMAÇÃO E EXCREÇÃO A principal via de biotransformação do álcool envolve a enzima álcool desidrogenase, uma enzima que contém zindo (Zn) e que catalisa a conversão do etanol para acetaldeído. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Em baixas concentrações de etanol, a álcool desidrogenase parece ser o principal sistema oxidante, enquanto que em concentrações mais altas, especialmente em indivíduos que fazem uso regular de álcool, também participa da oxidação o sistema de oxidação microssômico ou o uso concomitante de alguns fármacos, como por exemplo os barbitúricos. BIOTRANS- FORMAÇÃO E EXCREÇÃO ETANOL ALDEÍDO ACÉTICO Etanol álcool desidrogenase Aldeído desidrogenase ACETATO ACETIL CoA Síntese de A.G. Ciclo de Krebs Uma terceira via de biotransformação do etanol é a catalase, que participa com no máximo 10% da biotransformação, pois a produção de peróxido de hidrogênio (H2O2) pelo hepatócito é muito lenta, o que limita a UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso hepatócito é muito lenta, o que limita a atividade da catalase. Normalmente, 2% do etanol ingerido não são oxidados, porém quando em grande quantidade, a taxa de etanol não oxidado pode atingir 10%, sendo excretado pelos rins, pulmões e uma pequena fração encontrada no suor e saliva. BIOTRANS- FORMAÇÃO E EXCREÇÃO UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso ÁLCOOL X NEUROTRANSMISSÃO SISTEMA ADRENÉRGICO O uso crônico de álcool aumenta a síntese e liberação de noradrenalina. Isso resulta em uma diminuição da sensibilidade pós- sináptica, evidenciada pela diminuição da resposta do AMPsináptica, evidenciada pela diminuição da resposta do AMP cíclico à noradrenalina. Nos quadros de abstinência em seres humanos, o aumento da concentração de noradrenalina e de MHPG (metabólito) é verificado no líquor, retornando a níveis normais em alguns dias. ÁLCOOL X NEUROTRANSMISSÃOÁCIDO GAMA-AMINOBUTÍRICO (GABA) Elevação, diminuição e ausência de alterações no sistema GABA já foram relatadas após ingestão aguda de álcool. No uso crônico, os achados são mais consistentes e indicam uma redução do GABA no cérebro.uma redução do GABA no cérebro. Níveis plasmáticos diminuídos de GABA são encontrados em alcoolistas, quando comparados com a população geral. O sistema GABA está envolvido em alguns dos sintomas da intoxicação pelo álcool. ÁLCOOL X NEUROTRANSMISSÃO SISTEMA OPIOIDE Em geral, o uso agudo de álcool diminui a ligação das encefalinas aos receptores, enquanto aumenta os níveis de beta-endorfinas. No uso crônico, os níveis de beta-endorfinas tendem aNo uso crônico, os níveis de beta-endorfinas tendem a diminuir. O sistema opioide endógeno modularia a liberação de dopamina no núcleo acumbens, o que estaria relacionado a necessidade de repetir o uso. ÁLCOOL X NEUROTRANSMISSÃO SEROTONINA Alterações no sistema serotoninérgico afetam o consumo de álcool nos seres humanos. Elevação dos níveis de serotonina pelo uso de inibidores seletivos da recaptura da serotonina diminui a preferência eseletivos da recaptura da serotonina diminui a preferência e o consumo de de álcool, possivelmente por sua ação no sistema dopaminérgico na região mesolímbica. ÁLCOOL X NEUROTRANSMISSÃO DOPAMINA Há evidências de que os sistemas opioide e serotoninérgico influam no consumo de álcool através da modulação sobre a liberação de dopamina no núcleo acumbens, área relacionada com o prazer e a necessidade de repetir o uso de diversas substâncias e comportamentos, como sexo,diversas substâncias e comportamentos, como sexo, alimentação e uso de drogas. O aumento da dopamina extracelular estaria relacionado com o desejo de repetir o uso. ÁLCOOL X NEUROTRANSMISSÃO ACETILCOLINA O álcool agudamente diminui a atividade colinérgica, enquanto que em uso crônico, produz tolerância. Alcoolistas idosos tendem a apresentar menor número de receptores muscarínicos no hipocampo do que controles.receptores muscarínicos no hipocampo do que controles. ÁLCOOL X NEUROTRANSMISSÃO GLUTAMATO O uso agudo de álcool reduz os níveis de glutamato no córtex e no cerebelo, enquanto no uso crônico, os níveis encontram-se elevados no córtex, hipocampo e substância nigra. Como o glutamato é um neurotransmissor excitatório, alguns autores sugerem que as alterações neste sistema são uma adaptação aos efeitos depressores do etanol. ÁLCOOL X NEUROTRANSMISSÃO CÁLCIO O cálcio tem uma importante participação na função de neurotransmissão e pode ter um papel no efeito hipnótico do álcool. TOXICIDADE AGUDA O SNC é o órgão mais rapidamente afetado pelo álcool quando UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso O SNC é o órgão mais rapidamente afetado pelo álcool quando comparado a qualquer outro órgão ou sistema. O álcool causa sedação, diminuição da ansiedade, fala pastosa, ataxia, prejuízo da capacidade de julgamento e desinibição do comportamento. Muitas pessoas pensam que o álcool é um estimulante, entretanto, como outros anestésicos gerais, o álcool é um depressor do SNC. TOXICIDADE AGUDA A aparente estimulação, que ocorre com doses baixas, é UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A aparente estimulação, que ocorre com doses baixas, é resultado da depressão no cérebro, de mecanismos inibitórios de controle, fazendo com que outras áreas do SNC tenham suas atividades desinibidas. As alterações no comportamento, funções cognitivas e motoras dependem de vários fatores, como a dose ingerida, velocidade de absorção, peso e sensibilidade do indivíduo, assim como o desenvolvimento da tolerância. TOXICIDADE AGUDA Clinicamente, a intoxicação é caracterizada por comportamento UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Clinicamente, a intoxicação é caracterizada por comportamento mal adaptativo após ingestão recente de álcool, cujos sinais mais marcantes são ataxia, nistagmo, fala pastosa ou indistinta, rubor facial, irritabilidade e atenção prejudicada. Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a intoxicação aguda é um fenômeno transitório, cuja intensidade diminui com o tempo e os efeitos desaparecem na ausência de uso posterior de álcool; a recuperação é completa, exceto quando surgirem lesões teciduais ou complicações. TOXICIDADE AGUDA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso As reações individuais a um mesmo nível sanguíneo de álcool variam consideravelmente. A tolerância causada pelo uso persistente e excessivo aumenta os níveis nos quais as reações ocorrem. Os sinais clínicos de intoxicação relacionam-se mais com os níveis plasmáticos de álcool quando estes estão aumentando do que quando estão na fase de diminuição. TOXICIDADE AGUDA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Algumas pessoas apresentam sinais de intoxicação após a ingestão de uma quantidade de álcool menor do que a necessária para causar intoxicação na maioria das pessoas. Nestes casos, segundo a CID-10, o diagnóstico mais apropriado seria o de Intoxicação Patológica. TOXICIDADE AGUDA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Geralmente, o quadro clínico caracteriza-se pelo início abrupto de agressão e, frequentemente, comportamento violento, que não é típico do indivíduo quando sóbrio; isto deve, obrigatoriamente, seguir-se à ingestão de pequena quantidade de álcool. Essa condição deve ser diferenciada de outras patologias que causam alterações abruptas de comportamento, como epilepsia do lobo temporal e alterações interictais. TOXICIDADE AGUDA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Dependendo da dose ingerida e do indivíduo, o álcool pode produzir amnésia. A memória remota e imediata permanecem preservadas, porém há um déficit específico da memória de curta duração, ou seja, o indivíduo não se recorda do que ocorreu há 5 ou 10 minutos. Outras habilidades intelectuais podem ser mantidas e o indivíduo pode ser capaz de realizar tarefas complicadas, parecendo normal para um observador casual. TOXICIDADE AGUDA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Atualmente, evidências sugerem que as amnésias alcoólicas representam um prejuízo na consolidação de novas informações. Os sinais e sintomas da intoxicação pelo álcool são bastante conhecidos, porém podem ser confundidos com sintomas de outras patologias, levando a um diagnóstico errôneo de intoxicação, como por exemplo o coma diabético, intoxicação por outras drogas e acidentes cardiovasculares. TOXICIDADE AGUDA Para os pacientes alcoolizados que apresentam agitação e estão violentos, e que isto coloque em risco a sua própria integridade UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso violentos, e que isto coloque em risco a sua própria integridade física e de outras pessoas próximas. Nestes casos, o emprego de neurolépticos sedativos pode ser benéfico, mas com o máximo de cautela, tendo em vista que o indivíduo embriagado já ingeriu grande quantidade de um agente depressor do SNC. É aconselhável evitar o uso de benzodiazepínicos nestes pacientes, uma vez que estes medicamentos potencializam os efeitos depressores do álcool. TOXICIDADE AGUDA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Os pacientes confusos ou comatosos devem receber o mesmo tratamento empregado nas situações de depressão aguda do SNC causada por anestésicos ou hipnóticos. Para tentar evitar a absorção do álcool que pode estar ainda presente no estômago, a lavagem gástrica pode ser realizada, com os cuidados necessários para evitar a aspiração pulmonar do vômito, uma vez que os reflexos estão diminuídos. TOXICIDADE AGUDA Podem ocorrer alterações metabólicas, como a cetoacidose UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso alcóolica, assimcomo desidratação, hipoglicemia e alterações eletrolíticas. Pode-se utilizar a glicose pela via intravenosa, porém somente após a administração da tiamina 100mg por via intramuscular e depois por via oral uma a duas vezes ao dia, uma vez que esta é consumida na metabolização da glicose e, se a reserva da tiamina do paciente estiver baixa, o que pode ocorrer em alcoolistas graves, a depleção de tiamina pode levar ao quadro de encefalopatia de Wernicke e/ou Síndrome de Korsakoff. TOXICIDADE AGUDA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A correção de outras deficiências, tais como de zinco, folato, magnésio, cálcio e fosfato, que podem estar presentes em alcoolistas desnutridos, também deve ser realizada. Os sinais vitais (frequência cardíaca, frequência respiratória e pressão arterial) devem ser monitorizados nos casos em que há grande ingestão de etanol, pois há o risco de depressão do centro respiratório. TOXICIDADE AGUDA UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Deve-se ter disponível a aparelhagem necessária para ventilação mecânica nos casos de arritmias cardíacas e pneumonia aspirativa. Uma vez que o álcool é solúvel em água, ele deve ser removido por hemodiálise nos casos de intoxicação grave. TOXICIDADE CRÔNICA Praticamente nenhum sistema do organismo é poupado dos efeitos deletérios do álcool. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso efeitos deletérios do álcool. Em indivíduos saudáveis que consomem álcool com moderação, a maioria das alterações patológicas que ocorrem no organismo é reversível. Todavia, quando ingerido em maiores quantidades ou em indivíduos com patologias prévias, as lesões nos diversos órgãos tornam-se mais graves e irreversíveis, podendo servir de alerta para o clínico de que aquele paciente faz uso abusivo ou é dependente do álcool. TOXICIDADE CRÔNICA Sistema Hematológico Álcool UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Deficiência do Ácido Fólico Anemia Megaloblástica (aumento do VCM – volume corpuscular médio), plaquetopenia e leucopenia TOXICIDADE CRÔNICA Sistema Gastrintestinal Álcool UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Estômago Intestino Fígado Pâncreas Úlcera Úlcera Duodenal CIRROSE Pancreatite Esteatose Hepatite Alcóolica Alt. Metabólicas Diabetes TOXICIDADE CRÔNICA Sistema Neurológico Álcool UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Nervos Periféricos Tiamina (vit. B1) Cognição Diminui Deterioração Deficiência Concentração Memória Neuropatia Periférica S. Wernicke/Korsakoff Atenção TOXICIDADE CRÔNICA Sistema Cardiovascular Álcool UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Coração Vasos Colesterol Disfunção Inflamação Endotelial ↑ LDL-col Vasoconstrição Miocardiopatia IAM e AVC TOXICIDADE CRÔNICA Sistema Endócrino-Reprodutivo Álcool UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Álcool Hormônios Masculinos Reprodutivos e Qualidade do Sêmen Diminuição da libido, impotência, esterilidade e hipogonadismo TOXICIDADE CRÔNICA Síndrome Fetal A síndrome fetal é caracterizada pela combinação de UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso A síndrome fetal é caracterizada pela combinação de vários componentes, incluindo múltiplos abortos espontâneos, recém nascidos de baixo peso para a idade gestacional, malformações faciais, entre as quais ausência de filtro (sulco entre o nariz e lábio superior), fissuras palpebrais diminuídas e lábio leporino, defeitos do septo ventricular, mal formações de pés e mãos, e retardo mental de gravidade variável. TOXICIDADE CRÔNICA Síndrome Fetal Dois fatores corroboram a participação do álcool na UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Dois fatores corroboram a participação do álcool na gênese das alterações: � A capacidade do álcool de provocar lesão em praticamente todos os sistemas do organismo; � A passagem livre do álcool pela barreira placentária. CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO DE DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL Ocorrendo a presença de 3 ou mais critérios, em um período de 12 meses (baseado na 4ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais): 1. Tolerância caracterizada por uma das seguintes situações: a) Necessidade de aumentar a quantidade da substânciaa) Necessidade de aumentar a quantidade da substância usada para obter o mesmo efeito. b) Diminuição do efeito com o uso continuo da mesma quantidade da substância. 2. Abstinência: a) Sindrome de Abstinência. b) Substância é utilizada para aliviar ou evitar sintomas de abstinência. CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO DE DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL 3. A substância é usada frequentemente em quantidades maiores ou por períodos maiores do que o indivíduo deseja. 4. Desejo persistente ou tentativas mal sucedidas para diminuir ou controlar o uso. 5. O indivíduo despende grande parte do tempo em atividades5. O indivíduo despende grande parte do tempo em atividades para obter a substância, usá-la ou recuperar-se de seus efeitos. 6. Atividades sociais, profissionais ou recreativas anteriormente importantes são abandonadas ou reduzidas devido ao uso de drogas. 7. O uso da substância é mantido apesar de problemas físicos e psicológicos recorrentes, sabidamente causados ou exacerbados pela droga. CRITÉRIOS PARA O DIAGNÓSTICO DE USO ABUSIVO DE ÁLCOOL Preenchimento de pelo menos 1 dos critérios, ocorrendo em um período de 12 meses (baseado na 4ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais): 1. Uso recorrente da substância resultando em problemas no trabalho, escola ou no lar, ausências, suspensões, indisciplina, ou expulsão da escola, negligência dos deveresindisciplina, ou expulsão da escola, negligência dos deveres do lar como cuidar das crianças. 2. Uso recorrente de substâncias em situações em que há risco físico (dirigir carro, operar máquina). 3. Problemas legais pelo uso de drogas. 4. Uso persistente apesar de problemas interpessoais ou sociais causados ou exacerbados pelo uso de drogas (brigas com cônjuge, lutas físicas). A interrupção abrupta da ingestão crônica do álcool pode resultar em sindrome de abstinência, que se inicia algumas horas após a última ingestão e dura de 5 a 7 dias. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso De início, o paciente sente-se ansioso, trêmulo, com dificuldades para dormir e desconforto gastrintestinal. O quadro pode agravar-se com o aparecimento de irritabilidade e agitação, sudorese, febre, taquicardia, aumento da pressão arterial, náusea e vômitos. SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA Em sua evolução, o paciente pode tornar-se confuso, desorientado, delirante e com alucinações, caracterizando o quadro de delirium UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso tremens. Convulsões, infecções (com temperatura corporal superior a 40 graus), desnutrição, distúrbios hidro- eletrolíticos são fatores relacionados ao aumento do risco de desenvolver o quadro de delirium tremens. SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA O próprio delirium tremens pode causar aumento da temperatura e distúrbios hidro-eletrolíticos que podem agravar a evolução do quadro. As convulsões são relativamente UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso As convulsões são relativamente comuns em quadros graves sem tratamento e tendem a ocorrer nas primeiras 7 a 48 horas de abstinência. Convulsões que ocorrem após 48 horas de abstinência são provavelmente causadas por outras drogas, trauma craniano e distúrbios metabólicos. SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA SINTOMAS Ansiedade, irritabilidade, agitação, anorexia, tremores, hipertensão, sudorese, taquicardia, hiperreflexia, febre, distúrbios do sono, náuseas/vômitos, desorientação leve, ilusões, alucinações. HORAS DE ABSTINÊNCIA 6 a 24 DURAÇÃO E EVOLUÇÃO48 a 72 horas de duração. Pode progredir para sintomas mais graves (delirium tremens). Convulsões tônico clônicas generalizadas, distração, sugestionabilidade. delirium tremens, confusão, desorientação, alucinações, agitação, tremores, febre, sudorese, taquicardia, midríase. 7 a 48 73 a 96 Pico em 36 horas. 30% desenvolvem delirium tremens. 24 a 72 horas de duração. 1% de mortalidade. FARMACOLOGIA DO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA I. DISSULFIRAM – Antietanol® e Sarcoton® Inibe a ação da enzima aldeído desidrogenase que metaboliza o acetaldeído, promovendo o acúmulo dessa substância, levando ao aparecimento de efeitos tóxicos: mal estar, náuseas, vômitos, alterações hemodinâmicas, flushing (vermelhidão dérmico). O paciente deve estar ciente do uso da medicação, se possível supervisionado por um familiar. Essa medicação reforça o controle sobre o desejo de consumir álcool, já queEssa medicação reforça o controle sobre o desejo de consumir álcool, já que o paciente sabe que irá ter os efeitos tóxicos se consumir a bebida. A dose diária é de 250mg e deve-se atentar para a potencial hepatotoxicidade do medicamento. Existem evidências de melhor eficácia terapêutica quando administrado sob supervisão e isso reforça a ideia de que a aderência ao tratamento é uma questão importante no uso do dissulfiram. FARMACOLOGIA DO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA II. NALTREXONA – Revia® É um antagonista opioide com maior seletividade para o receptor µ. É mais eficaz em pacientes em que o desejo de beber é intenso. Atua bloqueando os efeitos euforizantes do álcool e diminui o “high” (efeito prazeroso) produzido pela administração do etanol principalmente em sujeitos com história familiar positiva para consumo do álcool.consumo do álcool. A dose utilizada é de 50mg e os efeitos colaterais mais comuns são cefaleia, náuseas, vômitos e fadiga. FARMACOLOGIA DO TRATAMENTO DA DEPENDÊNCIA III. ACAMPROSATO – acetil homotaurinato de cálcio - Campral® Droga com estrutura semelhante a de neurotransmissores aminoácidos tais como a taurina ou o ácido gama-amino-butírico (GABA), incluindo uma acetilação que permite a passagem pela barreira hemato-encefálica. É um agonista que estimula a atividade do neurotransmissor inibidor GABA e antagoniza os aminoácidos excitatórios, em particular o glutamato.glutamato. Esta substância diminui o desejo de beber e suprime a hiperatividade que ocorre durante a fase de abstinência. A dose utilizada é de 2 g/dia dividida em 3 tomadas diárias. Os efeitos colaterais mais comuns são: cefaleia, diarreia e lesões de pele. ÁLCOOL X ÁCIDO ASCÓRBICO O ácido ascórbico aumenta a depuração do etanol e os níveis séricos de triglecérides; melhora a coordenação motora e a discriminação de cores UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso triglecérides; melhora a coordenação motora e a discriminação de cores após o consumo de álcool. ÁLCOOL X ANALGÉSICOS E NARCÓTICOS Volume de distribuição da dipirona (meperidina) intravenosa aumenta com o consumo excessivo de álcool. ÁLCOOL X ANTIDEPRESSIVOS Aumenta os efeitos sedativos do etanol e do comprometimento psicomotor. Intoxicação aguda pelo etanol prejudica o metabolismo dos antidepressivos. Consumo crônico de etanol aumenta o metabolismo dos UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso antidepressivos. Consumo crônico de etanol aumenta o metabolismo dos antidepressivos. ÁLCOOL X ANTIPIRINA OU FENAZONA - analgésico Consumo crônico de álcool (mais que 1 mL/Kg/dia) aumenta o metabolismo da antipirina. ÁLCOOL X BARBITÚRICOS Intoxicação aguda pelo álcool, inibe o metabolismo do pentobarbital. O fenobarbital diminui a concentração sanguínea de etanol. Ocorre UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso fenobarbital diminui a concentração sanguínea de etanol. Ocorre depressão cumulativa do SNC. ÁLCOOL X BENZODIAZEPÍNICOS Aumento do comprometimento psicomotor. Depressão respiratória. ÁLCOOL X BROMOCRIPTINA Tratamento do Mal de Parkinson, regulação do ciclo menstrual e inibidor da lactação - Parlodel® O álcool aumenta os efeitos colaterais gastrintestinais da UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso O álcool aumenta os efeitos colaterais gastrintestinais da bromocriptina. ÁLCOOL X CAFEÍNA Não apresenta efeitos sobre os prejuízos psicomotores causados pelo etanol. ÁLCOOL X CIMETIDINA Potencializa os efeitos do álcool. Aumenta as concentrações plasmáticas máximas do álcool e a área sob a curva concentração/tempo. Produz efeitos tóxicos no SNC pelo aumento da concentração sérica de UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso efeitos tóxicos no SNC pelo aumento da concentração sérica de cimetidina. ÁLCOOL X CLOROFÓRMIO O etanol aumenta a hepatotoxicidade do clorofórmio. ÁLCOOL X FENOTIAZINAS Tratamento das psicoses e da esquisofrenia Potencializam os efeitos psicomotores do álcool. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Potencializam os efeitos psicomotores do álcool. ÁLCOOL X GLUTETIMIDA Sedativo e hipnótico Aumenta a depressão do SNC. Aumento da concentração sérica de etanol e diminuição da de glutetimida. ÁLCOOL X HIDRATO DE CLORAL Ocorre aumento de um metabólito do hidrato de cloral, o tricloroetanol e do etanol plasmáticos. Há uma depressão combinada do SNC. Ocorre UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso do etanol plasmáticos. Há uma depressão combinada do SNC. Ocorre vasodilatação, taquicardia, cefaleia. ÁLCOOL X LEITE Retarda o esvaziamento gástrico diminuindo a absorção de etanol. ÁLCOOL XMEPROBAMATO Sedativo e hipnótico – Equanil® e Miltown® Depressão sinergística do SNC. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso Depressão sinergística do SNC. ÁLCOOL XMETOCLOPRAMIDA Aumento dos efeitos sedativos do álcool. ÁLCOOL X PARACETAMOL Intoxicação aguda pelo álcool: teoricamente protege contra a toxicidade do paracetamol, pois menos metabólito UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso toxicidade do paracetamol, pois menos metabólito hepatotóxico é gerado. Consumo crônico excessivo de álcool: aumenta a suscetibilidade à hepatotoxicidade induzida pelo paracetamol. ÁLCOOL X PARALDEÍDO Sedativo e hipnótico, com ação anticonvulsivante Possibilidade de ocorrer acidose metabólica. ÁLCOOL X QUINACRINA Tratamento da giardíase Provável inibição da oxidação do acetaldeído (etanal – CH3-CHO). UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso CH3-CHO). ÁLCOOL X SALICILATOS O etanol pode aumentar as chances de hemorragia gastrintestinal e aumenta o sangramento gástrico causado pelo ácido acetilsalicílico. ÁLCOOL X TETRACLOROETILENO Diluente químico Depressão combinada do SNC. UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso ÁLCOOL X TOLAZOLINA Arritmias supraventriculares, isquemia miocárdica - Priscoline® Provável inibição da oxidação do acetaldeído, provocando sintomas semelhantes aos causados pelo dissulfiram após ingestão de álcool. ÁLCOOL X TRICLOROETILENO Diluente químico Podem ocorrer fogacho, lacrimejamento, vista turva e taquipneia nos indivíduos expostos ao tricloroetileno que UNOESC Toxicologia Social Drogas de Abuso taquipneia nos indivíduos expostos ao tricloroetileno que fazem uso de álcool. A quem encontrar. Não é nada. Não tenho nada de bom para oferecer a ninguém. De mim, não resta mais nada... Apenas um corpo idiota que pensou que a vida fosse só prazer. Uma mente vazia que se deixou levar por um papo furado sem nenhum fundamento. Neste momento estou sentado, tendo em uma das mãos um revólver e na outra a caneta com a qual redijo esta carta a quem encontrar. Sou umcom a qual redijo esta carta a quem encontrar. Sou um viciado. Um dependente. Comecei com maconha e depois passei para os tóxicos mais pesados. Hoje em dia tomo picos. Por mais que seja o meu nojo por essasdrogas, eu não consigo afastá-la da minha vida. E estou tão mal que o único recurso é tomar mais e mais. Eu começo a lembrar neste momento como tudo começou. Comecei andando com alguns caras que me influenciaram e que me diziam para ser respeitado como homem, tinha que entrar na deles. Era tudo auto- afirmação; não era nada disso. Eles diziam que era uma boa, que eu iria curtir altas viagens. Viajar para onde, pergunto eu agora. Viajar para a sepultura? Viajar para longe dos amigos, para longe dos parentes, enfim, para longe de tudo? Muitos conselhos eu recebi. Pessoas que me alertavam para a escravização do vício. Mas eu afirmava que não era viciado e que na hora que quisesseafirmava que não era viciado e que na hora que quisesse deixar a maconha, deixaria. Todos dizem isso, todos dizem, mas dificilmente se consegue vencer o vício, depois de muitas experiências. O tempo foi passando e a maconha não me satisfazia, e eu então comecei a experimentar a cocaína. Hoje em dia sinto dificuldade em sentir o cheiro das coisas. Já imaginaram um homem não sentir mais cheiro nas flores , nos perfumes, em nada? E eu cada vez mais dependente, sempre mudando de tóxicos, sempre para um mais forte que fizesse mais efeito. Meus pais se separaram por causa de mim. Porque eu causava briga entre eles. Saí de casa e fui bater cabeça por este mundo. Não havia dinheiro em meus bolsos, mas eu tinha que manter o meu vício, então comecei a roubar. Roubava para comprar as malditas drogas em vez de comprar alimentos. Enfraqueci tanto fisicamente, que o sexo para mim já eraEnfraqueci tanto fisicamente, que o sexo para mim já era coisa ultrapassada, por muitas vezes eu não sabia o que fazer diante de uma mulher. Eu tinha uma garota que morreu o ano passado porque ela tinha tomado uma dose excessiva de LSD. E pior de tudo. A dose foi aplicada por mim. Oh, meu Deus! Como um homem pode chegar ao ponto que cheguei. Como eu gostaria de deixar esse maldito vício. Poder unir novamente meus pais, e devolver a felicidade a minha gente que me conheceu. Mas meu Deus; se eu não apertar esse gatilho agora, eu terei de me aplicar de novo. E talvez, a dose seja igual a que dei à minha garota. Não quero ser um covarde e fugir da salvação. Meu Deus! Meu Deus eu estou chorando. Meu Deus eu estou fazendo uma coisa que eu não fazia há muito tempo. É isso. É o começo. Eu pensei em Deus. Eu estou chorando. Eu estou me salvando, meu Deus. Eu posso me libertar desse malditosalvando, meu Deus. Eu posso me libertar desse maldito vício. Esta carta é verídica, foi deixada no dia 07 de outubro de 1977 por um jovem viciado do Rio de Janeiro.