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2. Da aquisição da propriedade pelo registro Arts. 1245 a 1247 do CC Veremos como funciona o sistema de inscrição imobiliária no Brasil. Quando se fala em quem não registra não e dono está se falando uma verdade, mas que diz respeito a uma situação muito mais complexa. Para registrar um imóvel e adquirir como dono, estaremos falando em método de aquisição derivado. Nosso sistema imobiliário é binário: a) fase da criação do título (negocial); b) No Brasil temos a causalidade do título como uma grande característica a ser observada. Art. 1227 CC. Os direitos reais 9...0 É o registro que vai criar a existência do direito real. Isso denota o chamado princípio da inscrição. Este princípio diz que todos os imóveis deverão ingressar no sistema para terem uma existência jurídica. Art. 236 Lei 6015 O imóvel para existir e para que haja uma titularidade de direitos reais deverá ser inscrito no sistema para que tais direitos exista. Artigo 127 6015 Princípio da inscrição diz também que tais imóveis devem estar inscritos no sistema para os direitos existirem. Significa que a constituição, transmissão e extinção sobre imóveis só se operam por atos intervivos. Só haverá disponibilidade quem tiver tais direitos, mas estes só vão existir com o registro ou estarem disponíveis com este. Princípio da continuidade (encadeamento lógico) você precisa ir registrando tudo que tem em uma ordem ver artigo 195 LRP e 237 LRP É na matrícula que constataremos todos fatos relevantes e que ninguém pode negar desconhecimento. Publicidade:a da posse se dá por manifestações de atos humanos; a da propriedade se dá pelo registro. Não há como falar em direitos reais sem inscrição. Art. 1245 CC. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no registro de imóveis. Título + registro = binário. DANIELA Titulo não é apenas contrato (formal partilha, carta de sentença, carta de adjudicação). Contrato de compra e venda no cartório de notas e o registro no CRI. Princípio da continuidade: o registro conta a história do imóvel. Há uma continuidade da vida daquele imóvel. Princípio da inscrição: só está no ordenamento jurídico quando é inscrito no sistema registral. Princípio da publicidade: todos saibam quem tem o domínio daquele bem, justamente para que o meu direito de propriedade seja oponível erga omnes. Princípio da especialidade: individualizar o imóvel para que ele não se confunda com os demais, isto é, para que se diferencie dos demais, para que se possa exercer sobre ele o direito de sequela. Força probante: registros exprimem uma força probante relativa, ou seja, se há um imóvel em meu nome há uma presunção de que eu sou proprietário. Alguém pode pedir esta propriedade e pedir anulação do registro (ação reivindicatória). No Brasil há o registro torres, e é cabível apenas para bens rurais e é caríssimo. Princípio da territorialidade. Art. 1245 e SS Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1.º Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. § 2.º Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. Dei entrada 01/01 e registro em 20/01. Registro é 01/01, pois é eficaz desde a prenotação. Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente. TARTUCE O registro do título aquisitivo é a primeira forma derivada de aquisição da propriedade imóvel a ser estudada, nos termos dos arts. 1.245 a 1.247 do CC/2002. Trata-se de forma derivada, pois, conforme exposto, há uma intermediação entre pessoas e não um contato direto entre a pessoa e a coisa. Sendo forma derivada, o novo proprietário do bem é responsável pelas dívidas que recaem sobre a coisa, caso dos tributos. Quanto à compra e venda, uma das principais formas de transmissão inter vivos, há regra específica nesses termos, conforme o art. 502 do CC/2002, a saber: “O vendedor, salvo convenção em contrário, responde por todos os débitos que gravem a coisa até o momento da tradição”. Nos termos do art. 108 da codificação material privada, os contratos constitutivos ou translativos de direitos reais sobre imóveis devem ser feitos por escritura pública, se o imóvel tiver valor superior a trinta salários mínimos. A escritura pública é lavrada no Tabelionato de Notas, de qualquer local do País, não importando a localização do imóvel. Se o imóvel tiver valor igual ou inferior a trinta salários mínimos, está dispensada a escritura pública, podendo o contrato ser celebrado por instrumento particular, uma vez que, em regra, a forma é livre (art. 107 do CC), o que é consagração do princípio da liberdade das formas. Esse esclarecimento inicial é útil para apontar que a escritura pública não serve para a aquisição da propriedade imóvel, sendo apenas uma formalidade que está no plano da validade dos contratos de constituição ou transmissão de bens (art. 104, inc. III, do CC – menção à forma prescrita e não defesa em lei). O registro imobiliário, que se situa no plano da eficácia do contrato, é que gera a aquisição da propriedade imóvel, e deve ocorrer o Cartório de Registro de Imóveis do local de situação da coisa (arts. 1.º, inc. IV, e 167 a 171 da Lei 6.015/1973 – Lei de Registros Públicos). Da mesma forma, prevê o art. 1.227 do CC de 2002 que “Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código”. Um dos casos expressos no Código Civil, em que se dispensa o registro, é na sucessão hereditária, como se verá. Em complemento ao que consta do art. 1.227, dispõe o art. 1.245 do CC/2002 que se transfere entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. O atual Código Civil substitui a antiga menção à transcrição do título pelo termo destacado (arts. 531 a 534 do CC/1916). Tal registro gera uma presunção relativa ou iuris tantum de propriedade, conforme reconhece enunciado aprovado na V Jornada de Direito Civil (Enunciado n. 503). Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel (art. 1.245, § 1.º, do CC). Além disso, enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel, o que é consagração da teoria da aparência (art. 1.245, § 2.º, do CC). Complementando esse art. 1.245 do CC, na I Jornada de Direito Civil aprovou-se o Enunciado n. 87 do CJF/STJ, prevendo que “Considera-se também título translativo, para fins do art. 1.245 do novo Código Civil, a promessa de compra e venda devidamente quitada (arts. 1.417 e 1.418 do CC e § 6.º do art. 26 da Lei 6.766/1979)”. O enunciado doutrinário ressalta a importância prática do compromisso de compra e venda, seja registrado ou não, para os fins de aquisição do domínio. O instituto merecerá estudo aprofundado em capítulo próprio da presente obra (Capítulo 7). Segundo estabelecido no art. 1.246 do Código Civil Brasileiro, o registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. O dispositivo consagra o princípio da prioridade, também retirado da Lei de Registros Públicos, e que decorre da prenotação do título do protocolo do Cartório de Registro Imobiliário. Como bem observa Maria Helena Diniz: “Aquele que registrarprimeiro o título aquisitivo terá a titularidade do domínio do imóvel; assim sendo, o título do segundo adquirente não terá eficácia, gerando tão somente a possibilidade de ação de perdas e danos contra o alienante, uma vez que mover uma reivindicatória seria bastante temerário, pois apenas sairia vencedor se conseguisse comprovar a falsidade do título e do registro do primeiro adquirente, e, enquanto não houver pronunciamento judicial declarando a invalidade do assento do título do primeiro adquirente e seu respectivo cancelamento (CC, art. 1.245, § 2.º), ele será o único proprietário do imóvel, e o registro feito pelo segundo adquirente será absolutamente ineficaz” (Código Civil..., 2005, p. 999) Complementando, se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule (art. 1.247 do CC). Essa ação de retificação ou anulação demonstra que o registro pode ser alterado, havendo falsidade (art. 213 da Lei 6.015/1973). A ação de retificação corre perante a Vara de Registros Públicos, se houver, ou na Vara Cível. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente, pois o registro traz presunção do domínio (art. 1.247, parágrafo único, do CC). Constata-se que, após longo debate no Direito Brasileiro, que confrontou Pontes de Miranda e Clóvis do Couto e Silva, o Código Civil Brasileiro de 2002 adotou nesse comando o sistema causal, defendido pelo último. Assim, é possível afastar o registro imobiliário quando a sua causa não condiz com a realidade. Não se filiou, assim, ao sistema abstrato, pelo qual o registro se bastava por si só, conforme defendia Pontes de Miranda. De toda sorte, o comando deveria fazer concessões à boa-fé de terceiros e à teoria aparência, especialmente pelo fato de a atual codificação privada adotar a eticidade como um dos seus princípios. Sobre o tema, aliás, muito bem expôs Leonardo Brandelli em sua tese de doutorado defendida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, obra que será em breve publicada (BRANDELLI, Leonardo. Aplicação..., 2013). A terminar o estudo do tema, por tudo o que consta do Código Civil e da Lei de Registros Públicos, são efeitos ou características decorrentes do registro imobiliário (DINIZ, Maria Helena. Curso..., 2007, v. 4, p. 134-135): a) Publicidade do ato – pelo registro imobiliário é levado ao conhecimento geral o direito de propriedade daquele que consta da transcrição. b) Legalidade – somente é efetuado o registro imobiliário se não houver irregularidades documentais. c) Força probante – diante da fé pública decorrente do registro, há presunção relativa (iuris tantum) de pertencer a coisa à pessoa que transcreveu. A presunção é relativa, pois a lei possibilita a ação de anulação e retificação nos casos de fraude. d) Continuidade – não havendo registro em nome do alienante da coisa, caso de um vendedor, não poderá ser registrado em nome do adquirente, caso do comprador. O registro, assim, é fato de continuidade da propriedade, quando há transmissão inter vivos, por força de um contrato. e) Obrigatoriedade – nos termos do art. 1.245 do CC, o registro imobiliário é indispensável para a aquisição da propriedade imóvel, salvo as exceções previstas para a usucapião e a sucessão. f) Mutabilidade ou retificação – o registro não é imutável, podendo ser modificado se não exprimir a realidade fática ou jurídica. Por isso é que é possível a ação de alteração ou retificação. 2. Aquisição por acessão Nos termos do art. 1.248 do CC, as acessões constituem o modo originário de aquisição da propriedade imóvel em virtude do qual passa a pertencer ao proprietário tudo aquilo que foi incorporado de forma natural ou artificial. Se sou dono do principal e algo acessório se incorpora a este, presume-se que dono da nova coisa seja o dono da principal, pelo princípio de que o acessório segue o principal. O artigo 1248 tratam de 5 espécies de acessões: Os 4 primeiros incisos tratam das naturais e o ultimo da artificial. A acessão pode dar-se: I - por formação de ilhas; II - por aluvião; III - por avulsão; IV - por abandono de álveo V - por plantações ou construções Sem a participação do homem estamos falando em acessão natural; quando há intervenção humana falamos da artificial. Três requisitos: Coisa tida como principal Coisa tida como acessória Sejam de proprietários diferentes I – Da formação de ilhas Art. 1.249. As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem aos proprietários ribeirinhos fronteiros, observadas as regras seguintes: I - as que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas as margens, na proporção de suas testadas, até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais; II - as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado; III - as que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a pertencer aos proprietários dos terrenos à custa dos quais se constituíram Quem adquire propriedade? Proprietário ribeirinho: cujo imóvel dá frente ou fundo para um rio de águas não navegáveis. Álveo: distancia entre duas margens cobertas de água. Testada Surgiu uma ilha no meio. Proprietários dela são A e B. A ilha deve dar de frente para a testada. ALUVIÃO Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização. Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividir-se-á entre eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem. É também uma acessão natural. Ela ocorre quando através de movimentos sucessivos, imperceptíveis, a terra vai se acumulando na margem de um imóvel. É uma forma de aquisição não onerosa. Aluvião própria – quando a terra vai acumulando na margem do imóvel. É o acréscimo paulatino de terras às margens de um curso de água, de forma lenta e imperceptível; depósitos naturais ou desvios das águas. Esses acréscimos pertencem aos donos dos terrenos marginais, seguindo a regra de que o acessório segue o principal. Didaticamente, pode-se dizer que na aluvião própria a terra vem. Para ilustrar, A tem um rancho à beira de um rio, destinado às suas pescarias. Aos poucos a sua propriedade vai aumentando, pois um movimento de águas traz terra para a sua margem. Aluvião imprópria – as partes descobertas pelo afastamento das águas de um curso são assim denominadas, hipótese em que a água vai, ou seja, do rio que vai embora. A percebe que adquiriu propriedade, pois o rio que fazia frente ao seu rancho recuou. Por isso, ele tem um espaço maior para construir um palanque destinado às suas pescarias III. AVULSÃO Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado. Parágrafo único. Recusando-se ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida. Com a força da natureza houve um destacamento de porção de terra que se aderiu na propriedade de outrem. Aluvião é vagaroso e imperceptível, a avulsão é violenta, destacamento único, repentino abrupto. Por que há indenização aqui? Aqui consegue saber quem perdeu e ganhou, este acréscimo se deu em prejuízo de outro. Por sua vez, na aluvião não há de quem cobrar. Posso afirmar que avulsão é onerosa? Nem sempre, pois ou o proprietário paga ou ele espera o prazo de um ano. Decadência. IV. ÁLVEO ABANDONADO Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos dasduas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo. É a distancia entre as margens do rio. Logo, abandono do álveo é a situação onde teremos aquisição de propriedade em decorrência dos desvios destas águas. Com os desvio das águas do rio nós teremos aquisição de propriedade. Os dois proprietários (o da margem esquerda e o da direita) até a metade do álveo. Conforme o art. 9.º do Código de Águas, o álveo é a superfície que as águas cobrem sem transbordar para o solo natural e ordinariamente enxuto. Assim sendo, o álveo abandonado é o rio ou a corrente de água que seca (o rio que desaparece). No que interessa à aquisição da propriedade, prevê o art. 1.252 do CC que o álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo. É uma situação perene, não é transitório nem cíclica. Um rio que tomou novo curso e abandonou aquela margem. Aquisição ORIGINÁRIA e gratuita. Resumo: acessão é um princípio que trabalha com 4 espécies: Formação de ilhas Aluvião Avulsão Abandono de álveo Todas acima são naturais e originárias. Mas há uma que pode ser onerosa, que é a avulsão. Iremos agora para a acessão artificial: 3 PRINCÍPIOS ESSENCIAIS Acessão: é o princípio de que o acessório segue o principal e logo, quem é proprietário do solo que é o principal será proprietário daquilo que esteja construído ou plantado sobre ele (regra). Enriquecimento sem causa: ninguém pode se enriquecer às custas dos outros. Boa-fé: certeza de que não está violando direito subjetivo de ninguém. V. Acessão por construção ou plantação Constrói em um terreno que não é seu e te emprestaram ele. Quem adquiri a propriedade? Art. 1.253. Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário. Presunção relativa. Art. 1.254. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes; mas fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu de má-fé. O terreno era meu e o material era alheio. Terreno era de um dos noivos e o outro construiu nele uma casa. Prevalece a regra geral de que a propriedade será do dono, mas este fica obrigado a indenizar. Se o dono do terreno agiu de má-fé – além do material – pagará perdas e danos. Boa fé: indenização Má fé: indenização mais perdas e danos. Situação 2: eu tinha a minha casa e casei. Meu cônjuge fez uma reforma e a ampliou. Isso é acessão? NÃO, é benfeitoria! Benfeitoria é diferente de acessão. Benfeitoria são melhoramentos feitos na coisa, ao passo que acessão não é. Aplico os artigos relacionados aos efeitos da posse. Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização. Parágrafo único. Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno, aquele que, de boa-fé, plantou ou edificou, adquirirá a propriedade do solo, mediante pagamento da indenização fixada judicialmente, se não houver acordo. Pessoa comprou seus materiais e construiu em terreno alheio. O dono do terreno adquire propriedade. Preciso provar que sou dono do material e agi de boa fé para ter direito à indenização. Caso eu não prove, eu perco. EXCEÇÃO: ex: terreno vale 100 mil e construção custou 200 mil. Aqui há uma inversão ao princípio da acessão, pois o dono da construção passa a ser o dono do terreno. O DONO DO MATERIAL SERÁ ADQUIRIRÁ PROPRIEDADE, aqui nós temos uma compra e venda compulsória, pois sou obrigado a pagar esta parte do terreno. Art. 1.256. Se de ambas as partes houve má-fé, adquirirá o proprietário as sementes, plantas e construções, devendo ressarcir o valor das acessões. Parágrafo único. Presume-se má-fé no proprietário, quando o trabalho de construção, ou lavoura, se fez em sua presença e sem impugnação sua. Má-fé de quem construiu com a do terreno eu aplico a regra do artigo 1253. O dono do terreno adquirirá a construção e indenizará o dono do material. Art. 1.257. O disposto no artigo antecedente aplica-se ao caso de não pertencerem as sementes, plantas ou materiais a quem de boa-fé os empregou em solo alheio. Parágrafo único. O proprietário das sementes, plantas ou materiais poderá cobrar do proprietário do solo a indenização devida, quando não puder havê-la do plantador ou construtor. Aqui são 3 pessoas. Uma é dona do terreno, outra é dona do material e uma terceira pessoa constrói neste. A solução jurídica é a aquisição da propriedade pelo dono do terreno. O povo que trabalhou para ele tem direito à indenização. O que importa é entender que deverá indenizar se empregou estava de boa-fé. Eu paguei o material: posso cobrar de um ou outro. Art. 1.258. Se a construção, feita parcialmente em solo próprio, invade solo alheio em proporção não superior à vigésima parte deste, adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido, se o valor da construção exceder o dessa parte, e responde por indenização que represente, também, o valor da área perdida e a desvalorização da área remanescente. Parágrafo único. Pagando em décuplo as perdas e danos previstos neste artigo, o construtor de má-fé adquire a propriedade da parte do solo que invadiu, se em proporção à vigésima parte deste e o valor da construção exceder consideravelmente o dessa parte e não se puder demolir a porção invasora sem grave prejuízo para a construção. Comecei a construir em meu terreno e provoquei a venda forçada pelo meu vizinho. Se houver invasão em até 20% do terreno e esta construção exceder consideravelmente o valor do terreno, estaremos diante de uma compra e venda compulsória, isto é, o dono do terreno invadido fica obrigado a vender. De boa-fé eu indenizo e adquiro. Mas do fulano de má-fé, além de ter de pagar dez vezes a indenização cabal, isso só vai ocorrer: Se a construção exceder consideravelmente valor do terreno Se não puder construir sem demolir a construção Art. 1.259. Se o construtor estiver de boa-fé, e a invasão do solo alheio exceder a vigésima parte deste, adquire a propriedade da parte do solo invadido, e responde por perdas e danos que abranjam o valor que a invasão acrescer à construção, mais o da área perdida e o da desvalorização da área remanescente; se de má-fé, é obrigado a demolir o que nele construiu, pagando as perdas e danos apurados, que serão devidos em dobro. A invasão foi maior do que a vigésima parte. Aqui também existe a compra e venda compulsória se o construtor estiver de boa-fé; caso contrário, cabe ação demolitória. 3. Usucapião de bens móveis Art. 1.260. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante três anos, com justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade. Art. 1.261. Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, independentemente de título ou boa-fé. Art. 1.262. Aplica-se à usucapião das coisas móveis o disposto nos arts. 1.243 e 1.244. Usucapião ordinária de bem móvel, exigindo justo título e boa-fé. 3 anos: justo título e boa fé 5 anos: não exige justo título e boa-fé. 4. OCUPAÇÃO Art. 1.263. Quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade, não sendo essa ocupação defesa por lei. Ocupação proibida por lei é da descoberta. AQUISIÇÃO ORIGINÁRIA. 5. ACHADO DE TESOURO Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente. Achei um tesouro (achado de coisas antigas) guardado em um bem imóvel. Casal começou a escavar no terreno alheio e se deparou com um tesouro. Quemé o dono? Casualmente: sem querer! Nesta situação há a divisão do tesouro entre o dono do terreno e quem achou casualmente. Art. 1.265. O tesouro pertencerá por inteiro ao proprietário do prédio, se for achado por ele, ou em pesquisa que ordenou, ou por terceiro não autorizado. Se eu estava vasculhando e achei é meu; caso mandei alguém encontrar é meu; se a pessoa entrou e fez, a coisa é minha também. Art. 1.266. Achando-se em terreno aforado, o tesouro será dividido por igual entre o descobridor e o enfiteuta, ou será deste por inteiro quando ele mesmo seja o descobridor. Neste caso é em terreno público. ORIGINÁRIA. 6. Da Tradição Para que haja tradição deve haver antes um NJ. Tradição está para os móveis como os registros para os imóveis. A aquisição da propriedade do bem móvel se dá no momento da entrega e não no do contrato. Sistema binária: para se ter a entrega, antes disso deve ter um negócio jurídico que justifique. Real: própria coisa Ficta: já estou com a coisa Simbólica: compra algo que simboliza a coisa (compra ticket de lanche) Art. 1.267. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. Contrato não transfere propriedade. A tradição vale para a propriedade móvel assim como o registro vale para a imóvel. Esta obedece sistema binário – NJ + registro. No móvel eu preciso do contrato mais tradição, sendo que sem esta não há aquisição de propriedade móvel. Parágrafo único. Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório; quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa, que se encontra em poder de terceiro; ou quando o adquirente já está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico. Constituto é uma espécie de tradição ficta. É possível haver tradição quando quem me entrega a coisa não é o proprietário? B comprou carro de A dia 10 e deixou a chave com aquele. Dia 11 foi buscar o carro lá. Dia 10 houve aquisição, pois tradição simbólica. Compramos bens na internet e o momento da aquisição da propriedade é no da entrega. “ou quando o adquirente já está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico [...]”. Estamos diante da tradição a breve manu. Tem-se um sistema bifásico. Está muito comum a venda em consignação ou a contento. Peço 20 peças de roupas e devolvo as que não quero ficar, depois pago. Percebe-se que a tradição já houve, mas o NJ veio depois. Art. 1.268. Feita por quem não seja proprietário, a tradição não aliena a propriedade, exceto se a coisa, oferecida ao público, em leilão ou estabelecimento comercial, for transferida em circunstâncias tais que, ao adquirente de boa-fé, como a qualquer pessoa, o alienante se afigurar dono. Alienação a non domino. Quem não é dono não transfere propriedade. O artigo está falando de uma teoria que se chama teoria da aparência. Dar eficácia jurídica para aquilo que aparenta ser, ainda que não saiba se realmente é. O código privilegia situações que aparentam ser. Se se chega na loja e há 50 TVs iguais, há uma presunção de que aquela loja comprou do fabricante e, pois, é dono dela. A presunção é absoluta. Uma venda pública é uma presunção absoluta. Para que a presunção seja absoluta precisa estar em volto de uma aparência de dono. § 1o Se o adquirente estiver de boa-fé e o alienante adquirir depois a propriedade, considera-se realizada a transferência desde o momento em que ocorreu a tradição. Comprei do cunhado e ele disse que a TV era dele. Mas descobre-se que a TV dele era em consignação, mas depois ele acaba a comprando. Isso tem o efeito de transferir a propriedade. Efeito ex tunc. § 2o Não transfere a propriedade a tradição, quando tiver por título um negócio jurídico nulo. Ato jurídico nulo não produz efeitos. 7. Da especificação Art. 1.269. Aquele que, trabalhando em matéria-prima em parte alheia, obtiver espécie nova, desta será proprietário, se não se puder restituir à forma anterior. É a aquisição de uma coisa móvel através da transformação de uma matéria-prima em coisa nova. Se tenho uma matéria prima e transformo em coisa nova, mas consigo a voltar em coisa original, NÃO TENHO ESPECIFICAÇÃO. A condição é a impossibilidade de voltar à forma anterior além de uma pessoa sendo proprietária da matéria-prima e outra a transformando. Matéria-prima mais o trabalho de quem a transforma. Matéria prima + especificador. Quem adquire propriedade móvel? De quem fez. O problema surge quando alguém é dono dela e outro alguém a transforma em uma coisa nova – este alguém é o especificador. Quem é dono? É do especificador se não for possível retornar à forma original. Aqui há uma presunção absoluta de boa-fé. Art. 1.270. Se toda a matéria for alheia, e não se puder reduzir à forma precedente, será do especificador de boa-fé a espécie nova. A diferença pro artigo anterior é que a matéria-prima é toda alheia, além de se exigir a boa-fé. Preciso cogitar se agi de boa-fé e má-fé. § 1o Sendo praticável a redução, ou quando impraticável, se a espécie nova se obteve de má-fé, pertencerá ao dono da matéria-prima. Peguei um material que sabia que não era meu e fiz coisa nova: atribuo propriedade ao dono da matéria-prima, pois aqui há má-fé. § 2o Em qualquer caso, inclusive o da pintura em relação à tela, da escultura, escritura e outro qualquer trabalho gráfico em relação à matéria-prima, a espécie nova será do especificador, se o seu valor exceder consideravelmente o da matéria-prima. Pego matéria-prima sabendo que não é minha e faço transformação nela a coisa é minha, mesmo agindo de má-fé, pois aqui o valor da criação humana é consideravelmente superior ao da matéria-prima. Aqui se privilegia o ineditismo – a criação humana. Prefere-se indenizar o dono da matéria-prima, mas manter a paternidade da obra àquele que a criou. No caso de restauração não estamos diante de especificação, pois não houve transformação de matéria-prima. AQUISIÇÃO DERIVADA. Art. 1.271. Aos prejudicados, nas hipóteses dos arts. 1.269 e 1.270, se ressarcirá o dano que sofrerem, menos ao especificador de má-fé, no caso do § 1o do artigo antecedente, quando irredutível a especificação. 9. Da Confusão, da Comissão (comistão) e da Adjunção Obs: a palavra comissão é incorreta, pois deveria ser “comistão”. Confusão: mistura de líquidos Comistão: mistura de coisas sólidas Adjunção: sobreposição de coisas. Quando vamos unir nossas safras porque elas querem, isso não pertence aos direitos reais, pertencendo aos demais subramos do direito civil. A mistura aqui ocorre SEM A VONTADE DOS PROPRIETÁRIOS. Preciso atribuir a propriedade a alguém. Se eu misturo coisas sólidas de proprietários diferentes, quem adquire a propriedade do todo? Art. 1.272. As coisas pertencentes a diversos donos, confundidas, misturadas ou adjuntadas sem o consentimento deles, continuam a pertencer-lhes, sendo possível separá-las sem deterioração. § 1o Não sendo possível a separação das coisas, ou exigindo dispêndio excessivo, subsiste indiviso o todo, cabendo a cada um dos donos quinhão proporcional ao valor da coisa com que entrou para a mistura ou agregado. Estamos diante de um dos poucos casos de condomínio forçado. Coisa indivisa não pode ser dividida naquele momento. É forçado porque o condomínio é voluntário e não forçado. § 2o Se uma das coisas puder considerar-se principal, o dono sê-lo-á do todo, indenizando os outros. Atribui a uma única pessoa para evitar condomínio. Nessas safras, a minha representa 80%. Eu serei o proprietário e indenizarei os demais. Não existe enriquecimento sem causa. De boa-fé. E se for má-fé? Art. 1.273. Se a confusão, comissão ou adjunção se operou de má-fé, à outra parte caberá escolher entre adquirir a propriedade do todo, pagando o que não for seu, abatida a indenização que lhe for devida, ou renunciar ao que lhe pertencer, caso em que será indenizado. A má-fé não pode ser premiada. Neste caso eu não fico com a propriedade do todo, ainda que seja a parte principal minha. Assim os demais proprietários decidemse ficam com o todo ou se renunciam a parte deles e eu terei de pagá-los. Art. 1.274. Se da união de matérias de natureza diversa se formar espécie nova, à confusão, comissão ou adjunção aplicam-se as normas dos arts. 1.272 e 1.273. Da Perda da Propriedade Toda forma de aquisição é também uma forma de perda. Ele quis reforçar as principais formas de perda da propriedade. Art. 1.275. Além das causas consideradas neste Código, perde-se a propriedade: I - por alienação: compra e venda, permuta, dação em pagamento, doação... II - pela renúncia: abrir mão de um direito – depende de manifestação expressa (ato formal). III - por abandono: abrir mão de um direito (elemento intrínseco da renúncia). Não transfere em favor de alguém. IV - por perecimento da coisa: perecendo o objeto perecem-se os direitos sobre ele. V - por desapropriação. Parágrafo único. Nos casos dos incisos I e II, os efeitos da perda da propriedade imóvel serão subordinados ao registro do título transmissivo ou do ato renunciativo no Registro de Imóveis. Art. 1.276. O imóvel urbano que o proprietário abandonar, com a intenção de não mais o conservar em seu patrimônio, e que se não encontrar na posse de outrem, poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, três anos depois, à propriedade do Município ou à do Distrito Federal, se se achar nas respectivas circunscrições. § 1o O imóvel situado na zona rural, abandonado nas mesmas circunstâncias, poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, três anos depois, à propriedade da União, onde quer que ele se localize. § 2o Presumir-se-á de modo absoluto a intenção a que se refere este artigo, quando, cessados os atos de posse, deixar o proprietário de satisfazer os ônus fiscais. Dos Direitos de Vizinhança Seção I Do Uso Anormal da Propriedade Critério utilizado pelo Código: tolerância. Vizinho é toda uma rua, o termo vizinhança abrange os vizinhos de fundo, até mesmo uma região. Tudo aquilo que desvirtua a finalidade na utilização do imóvel pode ser considerado como uso anormal da propriedade. Fulano que dá festa na casa dele todo fim de semana faz uso anormal. Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha. 07/06: saúde, segurança e sossego (3 bens tutelados). O possuidor tem mais urgencia em ver resolvidos seus litígios. Se um inquilino fosse constrangido por seu vizinho a fazer alguma coisa e tivesse que pedir autorização ao proprietário, não teria tanto sentido. Por isso o possuidor pode reclamar. Vizinho de muro quanto o vizinho de rua/baixo/região. Conforme o instituto de vizinhança analisado, o termo pode ampliar ou encolher. Interferências prejudiciais à saúde, segurança e sossego: atos praticados pelos vizinhos que podem ser inclusive lícitos. Ouvir música dentro de casa: ato legal. O que torna ilícito é o que extrapola em ABUSO DE DIREITO. Quando se abusa o direito de usar eu interfiro prejudicialmente o direito do vizinho. Interferência abrange atos legais, ilegais, lícitos e ilícitos. COMO SEI QUANDO EU EXTRAPOLO? Parágrafo único. Proíbem-se as interferências considerando-se a natureza da utilização, a localização do prédio, atendidas as normas que distribuem as edificações em zonas, e os limites ordinários de tolerância dos moradores da vizinhança. Parâmetros: Limites ordinários de tolerância Localização do prédio Natureza utilização Pessoa mora num lugar determinado a comércios e serviços e não quer barulho. Aqui entra o parâmetro dos limites ordinários de tolerância. Teoria da pré-ocupação adequação dentro dos limites. Se a pessoa estava morando antes da construção do supermercado ela não pode reclamar que veio antes caso o supermercado não esteja de acordo com as regras. Art. 1.278. O direito a que se refere o artigo antecedente não prevalece quando as interferências forem justificadas por interesse público, caso em que o proprietário ou o possuidor, causador delas, pagará ao vizinho indenização cabal. Se estou diante de situação onde há supremacia do interesse público eu não consigo fazer cessar, mas tenho direito à indenização. Art. 1.279. Ainda que por decisão judicial devam ser toleradas as interferências, poderá o vizinho exigir a sua redução, ou eliminação, quando estas se tornarem possíveis. Art. 1.280. O proprietário ou o possuidor tem direito a exigir do dono do prédio vizinho a demolição, ou a reparação deste, quando ameace ruína, bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. Ação de dano infecto: ação específica para o direito de vizinhança. Se você percebe que o imóvel do vizinho pode causar um dano, posso obrigar meu vizinho a prestar uma caução real ou fidejussória. Serve para obrigar vizinho a reformar muro e a prestar caução – pois se o dano iminente se concretizar tenho a caução a me garantir. Nunciação de obra nova paralisar obra em andamento. Se a obra acabou cabe ação de dano infecto. Ação Demolitória é a última saída. Demolir é antieconômico. Art. 1.281. O proprietário ou o possuidor de um prédio, em que alguém tenha direito de fazer obras, pode, no caso de dano iminente, exigir do autor delas as necessárias garantias contra o prejuízo eventual. ARVORES LIMÍTROFES Aqui eu só posso reclamar do meu vizinho lindeiro – aquele que está ao meu lado. Art. 1.282. A árvore, cujo tronco estiver na linha divisória, presume-se pertencer em comum aos donos dos prédios confinantes. Prédios confinantes: fazem a mesma linha divisória. Tenho uma árvore no meio dos prédios e existe uma presunção de condomínio sobre a árvore. O dono do imóvel A e B são donos da árvore. A presunção é relativa, porquanto posso provar que a árvore foi comprada por A ou B. Posso cortar? Art. 1.283. As raízes e os ramos de árvore, que ultrapassarem a estrema do prédio, poderão ser cortados, até o plano vertical divisório, pelo proprietário do terreno invadido. Se a árvore invade meu imóvel eu posso cortá-la. OBS: Somente a prefeitura pode cortar suas árvores. Assim, se elas estiverem na rua não posso cortar. As regras acima não se aplicam quando o proprietário é o poder público. Art. 1.284. Os frutos caídos de árvore do terreno vizinho pertencem ao dono do solo onde caíram, se este for de propriedade particular. Exceção à regra de que o acessório segue o principal. Se a árvore estiver na rua e os frutos caírem na sua de alguém, continuam pertecendo ao poder público. Da Passagem Forçada Qual a diferença entre passagem forçada e servidão de passagem? Servidão de passagem fica no capítulo de direitos reais sobre coisas alheias. Um imóvel que esteja encravado (sem saída para via pública). Código quer proteger a função social da propriedade e um destes mecanismos é a passagem forçada. Art. 1.285. O dono do prédio que não tiver acesso a via pública, nascente ou porto, pode, mediante pagamento de indenização cabal, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo será judicialmente fixado, se necessário. O agente vai obrigar um dos vizinhos a deixar ele passar, mas ele não pode escolher, pois será fixada pelo imóvel que sofrer menos gravame. Este tipo de direito de vizinhança nada mais é do que a propter rem. A passagem forçada é sempre onerosa, pois o sujeito deve pagar uma indenização cabal, tanto sobre as obras quanto pela desvalorização. Por sua vez, a servidão de passagem pode ser onerosa ou gratuita. Além disso, ela pode ter a finalidade de atender uma comodidade do imóvel – que não precisa estar encravado. Na servidão de passagem pode estar ou não encravado. Se estiver encravado é passagem forçada. Ela acompanha o imóvel (garantia perpétua de acesso). Situação comum: fulano tem terreno grane e ele mesmo faz loteamento irregular nele. Caso ele cause encravamento, ele mesmo deverá dar a passagem. § 1o Sofrerá o constrangimento o vizinho cujo imóvel mais natural e facilmente se prestar à passagem. § 2o Se ocorrer alienação parcial doprédio, de modo que uma das partes perca o acesso a via pública, nascente ou porto, o proprietário da outra deve tolerar a passagem. § 3o Aplica-se o disposto no parágrafo antecedente ainda quando, antes da alienação, existia passagem através de imóvel vizinho, não estando o proprietário deste constrangido, depois, a dar uma outra. Obs: não confundir servidão de passagem com passagem forçada. Da Passagem de Cabos e Tubulações Não confundir relações de entes privados com aquelas decorrentes da administração pública. Art. 1.286. Mediante recebimento de indenização que atenda, também, à desvalorização da área remanescente, o proprietário é obrigado a tolerar a passagem, através de seu imóvel, de cabos, tubulações e outros condutos subterrâneos de serviços de utilidade pública, em proveito de proprietários vizinhos, quando de outro modo for impossível ou excessivamente onerosa. Estamos falando de entes privados e interesses eminentemente particulares. O outro não pode decidir se quer ou não que passe os cabos, pois o direito de vizinhança é uma restrição ao direito de proprietário. Parágrafo único. O proprietário prejudicado pode exigir que a instalação seja feita de modo menos gravoso ao prédio onerado, bem como, depois, seja removida, à sua custa, para outro local do imóvel. Partindo do pressuposto de que a obra tem que ser menos gravoso a quem suporta, o agente pode, se viável, pedir a remoção a outro lugar. Art. 1.287. Se as instalações oferecerem grave risco, será facultado ao proprietário do prédio onerado exigir a realização de obras de segurança. Das Águas Art. 1.288. O dono ou o possuidor do prédio inferior é obrigado a receber as águas que correm naturalmente do superior, não podendo realizar obras que embaracem o seu fluxo; porém a condição natural e anterior do prédio inferior não pode ser agravada por obras feitas pelo dono ou possuidor do prédio superior. Este artigo fala do dever do escoamento. Está falando de localização física – superior e inferior. Se de um lado a água pode trazer um gravame (prejuízo), de outro ela é um benefício. Ao mesmo tempo que se tem um prédio superior e tenho que aceitar as águas que fluem dele – em caso de prejuízo eu tenho que ser indenizado. Nesse sentido (Parágrafo único. Da indenização será deduzido o valor do benefício obtido). Dever de escoamento decorre do princípio da solidariedade que deve haver entre os vizinhos. Art. 1.289. Quando as águas, artificialmente levadas ao prédio superior, ou aí colhidas, correrem dele para o inferior, poderá o dono deste reclamar que se desviem, ou se lhe indenize o prejuízo que sofrer. Parágrafo único. Da indenização será deduzido o valor do benefício obtido. Art. 1.290. O proprietário de nascente, ou do solo onde caem águas pluviais, satisfeitas as necessidades de seu consumo, não pode impedir, ou desviar o curso natural das águas remanescentes pelos prédios inferiores. Art. 1.291. O possuidor do imóvel superior não poderá poluir as águas indispensáveis às primeiras necessidades da vida dos possuidores dos imóveis inferiores; as demais, que poluir, deverá recuperar, ressarcindo os danos que estes sofrerem, se não for possível a recuperação ou o desvio do curso artificial das águas. Art. 1.292. O proprietário tem direito de construir barragens, açudes, ou outras obras para represamento de água em seu prédio; se as águas represadas invadirem prédio alheio, será o seu proprietário indenizado pelo dano sofrido, deduzido o valor do benefício obtido. Art. 1.293. É permitido a quem quer que seja, mediante prévia indenização aos proprietários prejudicados, construir canais, através de prédios alheios, para receber as águas a que tenha direito, indispensáveis às primeiras necessidades da vida, e, desde que não cause prejuízo considerável à agricultura e à indústria, bem como para o escoamento de águas supérfluas ou acumuladas, ou a drenagem de terrenos. Este artigo fala de servidão de aqueduto, que é a possibilidade de canalizar água passando pela propriedade do vizinho (cabos e tubulações é algo mais cômodo). Aqui eu compro o direito de canalizar as águas passando pelo imóvel do vizinho – servidão de aqueduto – direito real sobre coisa alheia. § 1o Ao proprietário prejudicado, em tal caso, também assiste direito a ressarcimento pelos danos que de futuro lhe advenham da infiltração ou irrupção das águas, bem como da deterioração das obras destinadas a canalizá-las. § 2o O proprietário prejudicado poderá exigir que seja subterrânea a canalização que atravessa áreas edificadas, pátios, hortas, jardins ou quintais. § 3o O aqueduto será construído de maneira que cause o menor prejuízo aos proprietários dos imóveis vizinhos, e a expensas do seu dono, a quem incumbem também as despesas de conservação. Art. 1.294. Aplica-se ao direito de aqueduto o disposto nos arts. 1.286 e 1.287. Art. 1.295. O aqueduto não impedirá que os proprietários cerquem os imóveis e construam sobre ele, sem prejuízo para a sua segurança e conservação; os proprietários dos imóveis poderão usar das águas do aqueduto para as primeiras necessidades da vida. Art. 1.296. Havendo no aqueduto águas supérfluas, outros poderão canalizá-las, para os fins previstos no Art. 1.293, mediante pagamento de indenização aos proprietários prejudicados e ao dono do aqueduto, de importância equivalente às despesas que então seriam necessárias para a condução das águas até o ponto de derivação. Parágrafo único. Têm preferência os proprietários dos imóveis atravessados pelo aqueduto. Dos Limites entre Prédios e do Direito de Tapagem Art. 1.297. O proprietário tem direito a cercar, murar, valar ou tapar de qualquer modo o seu prédio, urbano ou rural, e pode constranger o seu confinante a proceder com ele à demarcação entre os dois prédios, a aviventar rumos apagados e a renovar marcos destruídos ou arruinados, repartindo-se proporcionalmente entre os interessados as respectivas despesas. Trata-se do direito de construir muros. Parede é elemento de sustentação de uma construção e o muro de divisão. O código civil os trata de maneira diferente. Direito de tapagem é o direito que os vizinhos têm de delimitar o seu prédio para que este não se confunda com o do vizinho. Quando se constrói um muro em meu terreno se estabelece a demarcação do meu terreno. Para se saber onde se levanta o muro deve-se ter a certeza da linha divisória de meu imóvel e ter a certeza de que ele vai até aquela linha. Uma coisa é demarcar e a outra e dividir. Ação demarcatória é diferente da divisória. Ação cabível aqui é a demarcatória. Quando sabe a linha divisória mas não está demarcado a ação é a demarcatória. Já se tem a divisão mas não a demarcação. “a aviventar rumos apagados e a renovar marcos destruídos ou arruinados”. § 1o Os intervalos, muros, cercas e os tapumes divisórios, tais como sebes vivas, cercas de arame ou de madeira, valas ou banquetas, presumem-se, até prova em contrário, pertencer a ambos os proprietários confinantes, sendo estes obrigados, de conformidade com os costumes da localidade, a concorrer, em partes iguais, para as despesas de sua construção e conservação. O que importa é a divisão. Este parágrafo fala do condomínio forçado, por causa dos muros que separam as casas. Isso significa que os dois são donos do muro. Assim, se eu construo o muro de minha casa e o vizinho se aproveita dele para construir a sua as despesas devem ser repartidas. É uma obra que fica atrelada àquele imóvel, logo, cabe ao proprietário tal tarefa. ISSO SE APLICA AO MURO. § 2o As sebes vivas, as árvores, ou plantas quaisquer, que servem de marco divisório, só podem ser cortadas, ou arrancadas, de comum acordo entre proprietários. § 3o A construção de tapumes especiais para impedir a passagem de animais de pequeno porte, ou para outro fim, pode ser exigida de quem provocou a necessidade deles, pelo proprietário, que não está obrigado a concorrer para as despesas. Art. 1.298. Sendo confusos, os limites, em falta de outro meio, se determinarão de conformidadecom a posse justa; e, não se achando ela provada, o terreno contestado se dividirá por partes iguais entre os prédios, ou, não sendo possível a divisão cômoda, se adjudicará a um deles, mediante indenização ao outro. Dois lotes com um muro divisório. A demarcação surge para dividir um limite que já é conhecido. Mas se há dúvidas quanto à linha divisória: Ver registro o primeiro critério é o da posse justa (caso vizinho comece a construir em meu terreno eu ingresso com reintegração para não deixar a posse ser justa) não tendo posse justa, divide em partes iguais (ação divisória) não sendo possível, se adjudica a um deles e indeniza o outro. Do Direito de Construir Art. 1.299. O proprietário pode levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver, salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos. Este artigo trata da regra geral do direito de construir. Se eu tenho o terreno eu posso construir nele o que quiser, exceto no que diz respeito ao direito de vizinhança e regulamentos administrativos. Tudo que constrói nele se presume. Se sou dono do terreno também sou dono de tudo que está sobre ele (princípio da acessão). Art. 1.300. O proprietário construirá de maneira que o seu prédio não despeje águas, diretamente, sobre o prédio vizinho. Art. 1.301. É defeso abrir janelas, ou fazer eirado, terraço ou varanda, a menos de metro e meio do terreno vizinho. Não posso construir janela dentro do meu terreno com menos de metro e meio no terreno de vizinho – isto é – do muro do vizinho. Por que não posso construir janela que esteja metro e meio do muro do vizinho? Direito de privacidade do meu vizinho está sendo preservado. Regras restritivas interpretadas de forma restrita. § 1o As janelas cuja visão não incida sobre a linha divisória, bem como as perpendiculares, não poderão ser abertas a menos de setenta e cinco centímetros. Aqui não é uma visão direta, mas sim perpendicular. § 2o As disposições deste artigo não abrangem as aberturas para luz ou ventilação, não maiores de dez centímetros de largura sobre vinte de comprimento e construídas a mais de dois metros de altura de cada piso. Eu posso construir um vão de ventilação ou uma janela redonda com menos de metro e meio para permitir ventilação. Tudo que não for proibido é permitido. Art. 1.302. O proprietário pode, no lapso de ano e dia após a conclusão da obra, exigir que se desfaça janela, sacada, terraço ou goteira sobre o seu prédio; escoado o prazo, não poderá, por sua vez, edificar sem atender ao disposto no artigo antecedente, nem impedir, ou dificultar, o escoamento das águas da goteira, com prejuízo para o prédio vizinho. Prazo decadencial. Legislador sabe que ação demolitória é antieconômica. Por isso nunciação de obra nova. Parágrafo único. Em se tratando de vãos, ou aberturas para luz, seja qual for a quantidade, altura e disposição, o vizinho poderá, a todo tempo, levantar a sua edificação, ou contramuro, ainda que lhes vede a claridade. Eu posso construir uma casa alta e tirar a vista de meu vizinho. Há a possibilidade de comprar o direito do vizinho da frente construir até determinada altura (servidão de luz), ficando registrado na matricula do imóvel a impossibilidade de levantá-lo até determinada altura (direito real sobre coisa alheia). Se meu vizinho vender depois todo mundo que adquirir deve respeitar a servidão. Art. 1.303. Na zona rural, não será permitido levantar edificações a menos de três metros do terreno vizinho. Art. 1.304. Nas cidades, vilas e povoados cuja edificação estiver adstrita a alinhamento, o dono de um terreno pode nele edificar, madeirando na parede divisória do prédio contíguo, se ela suportar a nova construção; mas terá de embolsar ao vizinho metade do valor da parede e do chão correspondentes. Direito de travejar. Direito que os vizinhos têm de construir parede apoiando na do outro. Isso só tem na área urbana porque não se vÊ imóvel confinante na zona rural. Se parede é elemento de sustentação, é mais barato construir a minha parede apoiada na sua. Já uso a sua parede para sustentar a minha. Mas, para isso, preciso ver se a minha aguenta, pois pode pôr em risco a minha segurança e a do meu prédio. Logo, o direito de travejar é o direito de construir parede encostada na do meu vizinho. É um direito oneroso porque precisa embolsar metade do valor da parede e chão correspondentes. Art. 1.305. O confinante, que primeiro construir, pode assentar a parede divisória até meia espessura no terreno contíguo, sem perder por isso o direito a haver meio valor dela se o vizinho a travejar, caso em que o primeiro fixará a largura e a profundidade do alicerce. Você constrói no seu lote e faz uma parede confinante. Parágrafo único. Se a parede divisória pertencer a um dos vizinhos, e não tiver capacidade para ser travejada pelo outro, não poderá este fazer-lhe alicerce ao pé sem prestar caução àquele, pelo risco a que expõe a construção anterior. Art. 1.306. O condômino da parede-meia pode utilizá-la até ao meio da espessura, não pondo em risco a segurança ou a separação dos dois prédios, e avisando previamente o outro condômino das obras que ali tenciona fazer; não pode sem consentimento do outro, fazer, na parede-meia, armários, ou obras semelhantes, correspondendo a outras, da mesma natureza, já feitas do lado oposto. Os dois imóveis – tem um quarto e uma parede. Por este artigo eu não posso ter duas obras iguais na mesma parede (ex: coloco armário na minha e ele na dele no mesmo muro). Isso não pode porque coloca em risco a segurança. Art. 1.307. Qualquer dos confinantes pode altear a parede divisória, se necessário reconstruindo-a, para suportar o alteamento; arcará com todas as despesas, inclusive de conservação, ou com metade, se o vizinho adquirir meação também na parte aumentada. Art. 1.308. Não é lícito encostar à parede divisória chaminés, fogões, fornos ou quaisquer aparelhos ou depósitos suscetíveis de produzir infiltrações ou interferências prejudiciais ao vizinho. Posso construir minha churrasqueira no muro, não pode é na parede. Eu também não posso colocar uma lareira na parede do quarto. Não pode porque pode produzir infiltrações ou prejuízos ao vizinho. Parágrafo único. A disposição anterior não abrange as chaminés ordinárias e os fogões de cozinha. Art. 1.309. São proibidas construções capazes de poluir, ou inutilizar, para uso ordinário, a água do poço, ou nascente alheia, a elas preexistentes. Art. 1.310. Não é permitido fazer escavações ou quaisquer obras que tirem ao poço ou à nascente de outrem a água indispensável às suas necessidades normais. Art. 1.311. Não é permitida a execução de qualquer obra ou serviço suscetível de provocar desmoronamento ou deslocação de terra, ou que comprometa a segurança do prédio vizinho, senão após haverem sido feitas as obras acautelatórias. Parágrafo único. O proprietário do prédio vizinho tem direito a ressarcimento pelos prejuízos que sofrer, não obstante haverem sido realizadas as obras acautelatórias. Art. 1.312. Todo aquele que violar as proibições estabelecidas nesta Seção é obrigado a demolir as construções feitas, respondendo por perdas e danos. Ação demolitória como última consequência. Além de ter que demolir precisa pagar perdas e danos ao vizinho. Art. 1.313. O proprietário ou ocupante do imóvel é obrigado a tolerar que o vizinho entre no prédio, mediante prévio aviso, para: I - dele temporariamente usar, quando indispensável à reparação, construção, reconstrução ou limpeza de sua casa ou do muro divisório; II - apoderar-se de coisas suas, inclusive animais que aí se encontrem casualmente. § 1o O disposto neste artigo aplica-se aos casos de limpeza ou reparação de esgotos, goteiras, aparelhos higiênicos, poços e nascentes e ao aparo de cerca viva. § 2o Na hipótese do inciso II, uma vez entregues as coisas buscadas pelo vizinho, poderá ser impedida a sua entrada no imóvel. § 3o Se do exercício do direito assegurado neste artigo provier dano, terá o prejudicado direito a ressarcimento.