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TECNOLOGIA DE COUROS E PELES DEFINIÇÕES: Pele: É o tecido vivo do animal, antes do processo de curtimento Couro: É a pele do animal após o curtimento, na qual ocorre a transformação da pele em material estável, durável e resistente ao ataque de microrganismos e enzimas TIPOS DE COUROS: Wet Blue: Couro curtido ao cromo com coloração azulada Couro Verde: Nas fases iniciais do curtimento Couro semi-acabado (Crust): Couro curtido, porém ainda não está acabado Couro acabado: Couro na qual passou pelo processamento completo, destinado a fabricação de roupas etc HISTOLOGIA E COMPOSIÇÃO DA PELE Pele: Tecido vivo antes do curtimento, tegumento externo, resistente e elástico que envolve o corpo dos animais. Tem como função: regular a temperatura corporal, Glândulas sebáceas (evitar perda de calor), Glândulas sudoríparas (aumentar a troca de calor), proteção contra raios solares, excreção de líquidos e evitar invasão bacteriana. É composta por água, lipídios, minerais e proteínas (globulares e fibrosas) CAMADAS QUE COMPÕE A PELE: Epiderme, derme e endoderme Ao decorrer do processo de curtimento permanece apenas a DERME EPIDERME: é a camada mais superficial da pele, em contato com o ambiente. Ela é formada por epitélio estratificado queratinizado e avascularizada. Sua textura e espessura variam conforme a região do corpo, sendo mais fina na palma das mãos e mais espessa na planta dos pés. O Sistema Epidérmico (Tecido epitelial) é composto por epiderme, pelos, glândulas sudoríparas e sebáceas DERME: É a camada da pele mais importante no processo de curtimento, pois é a porção da pele que vai virar couro É a camada intermediária da pele, localizada entre a epiderme e a hipoderme. Ela é formada por tecido conjuntivo e apresenta-se mais elástica e firme, devido à presença de colágeno e elastina. Nessa camada da pele são encontrados os vasos sanguíneos e linfáticos, nervos, terminações nervosas, folículos pilosos, glândulas sudoríparas e sebáceas É dividida em duas camadas: Superior de inferior Composição da DERME: Fibras colágenas e matriz interfibrilar (matriz extracelular) Matriz interfibrilar: fibras colágenas, elásticas e reticulares são os elementos que o formam Substância fundamental é a matriz interfibrilar e intercelular, viscosa e incolor, que preenche os espaços entre as células e fibras do tecido conjuntivo. Esta matriz é uma mistura complexa e altamente hidratada, formada por glicosaminoglicanos e proteoglicanos (macromoléculas aniônicas) e glicoproteínas multiadesivas (laminina e fibronectina, entre outras), que exerce várias funções, incluindo adesão célula-matriz e sinalização matriz-célula. Para que serve a elastina? As fibras de elastina dão elasticidade aos tecidos, entre eles a derme, que completa a resistência à tração das fibras de colágeno, sustentando a pele e evitando o seu envelhecimento. Qual a diferença entre elastina e colágeno? A elastina é a proteína com mais resistência no nosso corpo, porém é encontrada em menor quantidade na pele, onde sua função é dar elasticidade. As suas fibras são mais finas do que as do colágeno. Já o colágeno é a proteína mais abundante no organismo e constitui pele, ossos, tendões e as paredes dos vasos. HIPODERME: Tecido celular subcutâneo, é também chamada de carne ou carnal, parte na qual é removida na operação de descarne antes do curtimento. É composta por tecido adiposo, conjuntivo, vasos sanguíneos, nervos e músculos, esses tecidos permanecem na pele após a esfola ESFOLA E CONSERVAÇÃO DAS PELES O que é esfola? É o processo de remoção do couro (manual ou mecânica), desarticulação das patas e serragem dos chifres Conservação das peles: Salga, secagem, resfriamento, radiação e outros sistemas de conservação No processo de abate em frigoríficos: insensibilização, área de vômito, pendura, sangria e esfola Após a ESFOLA: Conservação – objetivo: Interromper possíveis causas de deterioração e conservar em melhores condições até o início do curtimento. Desidratação das peles e interromper a ação de bactérias e enzimas Métodos de conservação: Sistema de curtimento leve: mimosa, “fringe level”, curtimento mínimo ao cromo Conservação com sal: Objetivo: extração de água e proteínas, inibição bacteriana e enzimática Aplicação de sal sempre no carnal / quantidade: > 50% do peso do animal Salmouragem e salga (mais complexo): Matéria prima destinada a exportação Estrutura da pele Zonas da pele (textura fibrosa e espessa): Grupão= A+B valorização do couro Flanco= C+D pele da barriga do animal Culatra= C+A+B+D CROP= EGA OU FHB No corpo do animal a principal região resistente é a central Pele VACUM (peles/couros de origem bovina) Utilizadas para produção de couros pesados 80% formada por fibras colágenas Espessura da FLOR: camada termostática ( regulação da temperatura corporal e variação com idade) Operações de Ribeira Remolho, depilação e caleiro, descarne e divisão, desencalagem, purga e píquel Salga: Processo este que permite ao couro ser transportado e armazenado por vários dias, já que a vida útil do couro após a esfola é de apenas 6 horas. Remolho: Este processo permite a retirada do sal, utilizado para a conserva e inicia-se o primeiro passo para a transformação de pele em couro. Depilação: Nesta etapa utiliza-se o enxofre em sua forma de sulfeto de sódio para dissolver os pelos, compostos quase totalmente por queratina, substância esta que é atacada pelo enxofre. Caleiro: Este é o momento onde se adiciona cal hidratada para provocar o intumescimento das peles, a fim de promover a limpeza entre as fibras, permitindo que os próximos processos tenham maior eficácia. Desencalagem: Após obter a limpeza entre fibras, retira-se esta cal, e inicia-se a acidificação das mesmas para então se iniciar o processo de curtimento, neste momento, utiliza-se também alguns tipos de enzimas para auxiliar neste processo de retirados de substâncias que resistiram ao caleiro, a este processo damos o nome de PURGA. Acidificação e Curtimento: Neste momento, fornecemos aos couros uma quantidade de ácidos inorgânicos para que possamos acertar o pH destas peles e então inicia-se o processo de curtimento que é a oferta de tanantes minerais (cromo, alumínio, titânio, zircónio etc...) ou vegetais ricos em taninos (casca de angico, barbatimão, castanheira, quebracho, mimosa, acácia, mirabolano, gambier etc). REMOLHO (peles conservadas por salga): - Tem como função reidratar as peles em menor tempo possível, é também uma ação para evitar o desenvolvimento bacteriano e ação enzimática. - O remolho auxilia na limpeza de sujeiras aderidas aos pelos e extração de proteínas e materiais interfibrilares. - O processo tem como importância: a água atua como veículo para produtos químicos, deficiente: zonas rígidas e quebradiças. - Fatores que influenciam no remolho: Qualidade da água (pobre em MO e bactérias e relatividade baixa) Temperatura (18-20°C) Movimentação do banho (homogeneização, evita ação bacteriana, fricção: ajuda na limpeza e favorece a penetração da água) – Equipamentos: Molineta e Fulão OPERAÇÕES DE REMOLHO: - Peles secas: são mais fáceis de remolhar, pode-se ou não adicionar 0,2% de umectante (cloreto de sódio, cloreto de cálcio, sulfato de sódio) - Peles salgadas-secas: são mais difíceis de remolhar, ocorre aglutinação das fibras colágenas, formação de pontes de H entre as cadeias polipeptídicas e é utilizado aditivos para auxiliar no processo DESCARNE APÓS REMOLHO: O pós remolho favorece o descarne, pois, a flor (camada termostática na derme) fica mais lisa, melhora a zona dos flancos o que auxilia também na economia de produtos no caleiro DEPILAÇÃO: - Tem como função a remoção de pelos e sistema epitérmico e também preparar as peles para as etapas posteriores - É a degradação do sistema epidérmico e pelos por agentesquímicas Ocorre duas reações: 1ª Hidrólise alcalina da queratina e reação dos agentes depilantes com produtos da hidrólise (Sulfetos e aminas) CALEIRO: - Ações que podem ocorrer no caleiro: tem influência sobre o colágeno e outras proteínas, abertura da estrutura fibrosa e intumescimento (aumento) das fibras, ação sobre as gorduras -Ação sobre o colágeno: tem alta reação com sais e ácidos, com formação de amônia (volatilização de ureia resultante do N liberado do colágeno) PROTEÍNAS+CAL= AMINAS + SULFETO -Abertura da estrutura fibrosa: é a parte essencial da encalagem, na qual ocorre o desdobramento das fibras (menor coesão do colágeno), retirada de material interfibrilar em couros macios ocorre um maior desdobramento da estrutura fibrosa e solas (material mais duro) tem-se estrutura fibrosa mais duras, menos maleáveis -Intumescimento das fibras: tem ação do pH básico com o intuito de abrir as fibras para tirar o material interfibrilar. Durante a absorção de água pelas peles ocorre o intumescimento, ou seja, aumento do diâmetro das fibras de colágeno e dos ângulos de ligação entre as fibras PROCESSOS DE DEPILAÇÃO E CALEIRO: Sistema cal-sulfeto é o mais utilizado (sulfeto de cálcio ou sódio pH= 11,5 – 12 básico) 2% de cal com 2% sulfato de amônio + detergente neutro – facilita a penetração nas fibras interfibrilares SISTEMAS DE TRABALHO SULFETO + CAL: Depilação com pasta (peles delicadas de bezerros, peles de ovinos lanados – aproveitar a lã) ou fulão. Depilação pela ação bacteriana, enzimática e calor FATORES DE INTERFEREM NAS ATIVIDADES DE CALEIRO -Tempo: a ação do cal é superficial e profunda, o tempo ideal é 18 -24 horas. É de suma importância a movimentação -Temperatura: ideal 18:25 ºC DESCARNE: processo com o objetivo de eliminar os materiais aderidos ao carnal (gordura, etc.), após o caleiro com pele já intumescida DIVISÃO: processo na qual a pele é dividida em duas camadas -Superior ou Flor: espessura dependente do artigo que será fabricado -Inferior: fabricação de camurças para roupas e calçados DESENCALAGEM: processo na qual ocorre a remoção de substâncias alcalinas adicionadas na calagem e depilação – Sulfato de amônio + água + vinagre -Fatores que influenciam a desencalagem: Tempo, temperatura, concentração e tipo desencalante Volume: quanto maior, mais rápida e efetiva – temperatura: 30- 37 -Controle (reação com fenolftaleína) PURGAR: purificar através da eliminação de impurezas, ou seja, purgar metais. Atua esvaziando completamente. É o tratamento da pele com enzimas proteolíticas (limpeza da estrutura fibrosa e eliminar materiais queratinosos degradados) – materiais usados: farelo de cereais, pâncreas de bovinos, suco pancreático -Ação da purga sobre a pele: materiais queratinosos degradados, gorduras, fibroblastos, proteínas globulares, fibras de elastina. O COLÁGENO PERMANE INTACTO CURTIMENTO: É a processo que consiste na transformação das PELES, pré-tratadas na ribeira, em materiais estáveis e imputrescíveis, ou seja, a transformação das peles em couros. - É classificado em três tipos: mineral, vegetal e sintético. Curtimento mineral: O processo ao cromo ainda é o principal processo de curtimento, pelo tempo curto de processo e pela qualidade que confere aos couros em suas aplicações. A fonte de cromo normalmente utilizada é o sulfato básico de cromo. Este processo pode ser realizado no mesmo banho do píquel ou formulado em banho novo, à parte. O couro é denominado Wet-blue quando curtido. Curtimento vegetal: Realizado com taninos vegetais, combinados ou não com taninos sintéticos. Utilizado para produção de solas e de alguns tipos especiais de couro. Devido ao seu alto custo, os taninos são utilizados o máximo possível, com o aumento do uso de materiais sintéticos na fabricação de solos, esse processo diminuiu significativamente. Couros de mais peso específico, menor estabilidade. Curtimento sintético: São empregados curtentes, em geral orgânicos (resinas, taninos sintéticos) que proporcionam um curtimento mais uniforme e aumentam a penetração de outros curtentes. São mais caros, relativamente aos outros curtentes e são mais usados como auxiliares de curtimento.