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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA 
CENTRO DE TECNOLOGIA 
CURSO DE ENGENHARIA CIVIL 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lucas Bonissoni 
 
 
 
 
 
 
 
DIMENSIONAMENTO E EXECUÇÃO DE MUROS DE ARRIMO 
EM ALVENARIA ESTRUTURAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Santa Maria, RS 
2017 
 
Lucas Bonissoni 
 
 
 
 
 
 
 
DIMENSIONAMENTO E EXECUÇÃO DE MUROS DE ARRIMO 
EM ALVENARIA ESTRUTURAL 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado como requisito parcial à 
obtenção do título de Bacharel em 
Engenharia Civil, da Universidade Federal 
de Santa Maria (UFSM, RS). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orientador: Prof. Dr. Gihad Mohamad 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Santa Maria, RS 
2017 
 
Lucas Bonissoni 
 
 
 
 
 
 
 
DIMENSIONAMENTO E EXECUÇÃO DE MUROS DE ARRIMO 
EM ALVENARIA ESTRUTURAL 
 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado como requisito parcial à 
obtenção do título de Bacharel em 
Engenharia Civil, da Universidade Federal 
de Santa Maria (UFSM, RS). 
 
 
 
 
Aprovado em 20 de janeiro de 2017 
 
 
 
__________________________________________ 
Gihad Mohamad, Dr. (UFSM) 
(Presidente/Orientador) 
 
__________________________________________ 
Talles Augusto Araújo (UFSM) 
 
__________________________________________ 
Rafael Pires Portella (UFSM) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Santa maria, RS 
2017 
 
AGRADECIMENTOS 
 
A realização deste trabalho somente foi possível graças ao apoio e auxílio de 
algumas pessoas especiais. Com certeza a conclusão deste trabalho seria mais difícil 
sem a sua ajuda, portanto deixo aqui expressada a minha gratidão a todos que 
participaram comigo deste processo. 
Ao meu orientador, Gihad Mohamad, pelos ensinamentos, paciência, tempo e 
dedicação investidos em mim ao longo do curso de engenharia. 
Aos meus pais, Orion e Silvana, que sempre deram todo o suporte necessário 
para que eu complete meus estudos e me torne um engenheiro civil. 
À minha irmã, Soraia, que foi uma excelente acadêmica e foi um exemplo para 
mim, servindo de base ao longo de toda minha vida; 
Aos meus amigos, que foram minha segunda família ao longo destes 5 anos 
de curso. À distância dos familiares, nós criamos laços eternos que serão sempre 
lembrados com carinho; 
À Universidade Federal de Santa Maria, que me proporcionou um ensino 
público e de qualidade, exemplar no país inteiro; 
A todos os professores da UFSM, que tiveram zelo pelo ensino e participaram 
de minha formação acadêmica; 
Aos professores do ensino médio, Arcílio Piva e Roseli, que me ensinaram com 
carinho os princípios da química e da física, fazendo a base do meu conhecimento 
sobre engenharia civil; 
Ao mestre de obras Vando, que me ensinou muito e sempre esteve à 
disposição para esclarecimentos de dúvidas a respeito da construção civil; 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
 
DIMENSIONAMENTO E EXECUÇÃO DE MUROS DE ARRIMO 
EM ALVENARIA ESTRUTURAL 
 
 
AUTOR: Lucas Bonissoni 
ORIENTADOR: Gihad Mohamad 
 
 
Este trabalho apresenta um estudo sobre a aplicação da alvenaria estrutural 
em estruturas de contenção de solo. Além de apresentar o resultado da coleta de 
dados referentes a este tema, este trabalho realiza a apresentação de um estudo de 
caso na cidade de Santa Maria. O estudo em campo foi realizado ao longo de 2016, 
onde foi possível acompanhar por completo a execução de um muro de arrimo com 
alvenaria estrutural utilizando blocos de concreto. Este estudo também apresenta 
soluções para impermeabilização e drenagem de um muro de arrimo, além de 
demonstrar algumas técnicas comuns utilizadas na cidade de Santa Maria. Neste 
trabalho há um exemplo de dimensionamento de um muro de contenção, cujo cálculo 
foi realizado com alvenaria de material cerâmico. A coleta de dados juntamente com 
o acompanhamento paralelo da execução do muro gerou uma maior clareza no 
entendimento deste sistema construtivo, tendo por objetivo esclarecer os 
procedimentos corretos a serem seguidos para obter um resultado final satisfatório. 
 
 
Palavras-chave: Alvenaria Estrutural. Muro de Arrimo. Dimensionamento. 
Execução. Estudo de Caso. 
 
 
ABSTRACT 
 
 
DIMENSIONING AND EXECUTION OF RETAINING WALL 
 WITH STRUCTURAL MASONRY 
 
 
AUTHOR: Lucas Bonissoni 
ADVISOR: Gihad Mohamad 
 
 
This paper presents a study about the implementation of structural masonry in 
soil retaining structures. The most efficient constructive techniques are show in order 
to provide a correct application of the structural masonry system. In addition to 
presenting the results of data collection related to this topic, this paper presents a case 
study in the city of Santa Maria – RS. The study was carried out during 2016, and it 
was possible to follow completely the execution of a reinforcement wall with structural 
masonry using concrete blocks. This paper also presents solutions for waterproofing 
and drainage in a retaining wall, in addition to demonstrating some common 
techniques used in the city of Santa Maria. This study presents an example of 
dimensioning of a retaining wall, and it was calculated with masonry of ceramic 
material. Data collection with the monitoring of the implementation of the wall 
generates clarity about the understanding of this building system, aiming to clarify the 
correct procedures to obtain satisfactory results. 
 
 
Key words: Structural masonry. Retaining Wall. Dimensioning. Execution. 
Case study. 
 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO...................................................................................................8 
1.1. JUSTIFICATIVA.................................................................................................8 
1.2. OBJETIVOS.......................................................................................................9 
1.2.1. Objetivo geral.................. ................................................................................9 
1.2.2. Objetivos específicos.................................... .................................................9 
1.3. METODOLOGIA................................................................................................9 
2. ALVENARIA ESTRUTURAL...........................................................................10 
2.1. HISTÓRICO DA ALVENARIA ESTRUTURAL.................................................10 
2.2. CONCEITOS BÁSICOS DA ALVENARIA ESTRUTURAL...............................11 
2.2.1 Graute ..............................................................................................................12 
2.2.2 Argamassa...................................................................................................... 13 
2.2.3 Blocos .............................................................................................................14 
3. MUROS DE ARRIMO ......................................................................................16 
3.1. TIPOS DE MURO DE ARRIMO........................................................................16 
3.1.1. Muro de gravidade......................................................................................... 17 
3.1.2. Muro com contrafortes..................................................................................17 
3.1.3. Muro em balanço............................................................................................18 
3.2. TENSÕES E MODO DE RUPTURA................................................................19 
4. PARÂMETROS DA MECÂNICA DOS SOLOS...............................................22 
4.1. TENSÃO DE CISALHAMENTO DO SOLO......................................................224.2. EMPUXO DE TERRA.......................................................................................23 
4.2.1 Empuxo ativo................................................................................................. 24 
4.2.2 Empuxo passivo.............................................................................................25 
4.2.3 Ponto de aplicação do empuxo.....................................................................27 
4.3 COMPACTAÇÃO DO SOLO............................................................................27 
5. ESTUDO DE CASO.........................................................................................29 
5.1 PERFIL DO SOLO........................................................................................... 29 
5.2 EXECUÇÃO.....................................................................................................31 
5.3 IMPERMEABILIZAÇÃO E ATERRO................................................................31 
6. DIMENSIONAMENTO.....................................................................................39 
6.1. CÁLCULO DAS AÇÕES.................................................................................. 39 
6.2. CÁLCULO DA ESPESSURA EFETIVA............................................................43 
6.3. CÁLCULO DO MOMENTO PARA FLEXÃO VERTICAL..................................44 
6.4. DIMENSIONAMENTO À FLEXÃO SIMPLES……………………………...…....46 
7. CONCLUSÕES................................................................................................50 
8. REFERÊNCIAS...............................................................................................52 
 
 
 
 
8 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A engenharia civil está em constante evolução, sendo possível identificar 
inúmeras mudanças de comportamento da sociedade através das estruturas 
construídas pelos engenheiros civis. O uso de técnicas construtivas, bem como os 
modelos estruturais executados por estes profissionais, são reflexos da mudança 
social que ocorre constantemente na nossa sociedade. 
Tendo em vista que a engenharia civil existe desde a época que o homem 
desenvolveu a habilidade de modificar o meio ambiente à sua volta, é natural de se 
pensar que atualmente o engenheiro possua um grande controle sobre o espaço físico 
em que trabalha, projetando e construindo estruturas que modificam a paisagem 
natural do mundo. Entre estas estruturas, uma das mais importantes é o muro de 
contenção de solo, ou muro de arrimo. 
As estruturas de contenção de maciços de solo são elementos estruturais 
fundamentais na engenharia civil, desempenhando papel de prover estabilidade às 
regiões com desnível de terreno. Muitas são as técnicas construtivas utilizadas ao 
longo dos anos para executar estas estruturas, e este trabalho tem como objeto de 
estudo o uso de alvenaria estrutural como elemento principal num murro arrimado. 
A alvenaria estrutural é um sistema construtivo muito versátil, com 
desenvolvimento científico relativamente recente. A sua essência consiste em utilizar 
os blocos como elementos estruturais de suporte de sobrecarga vertical e horizontal. 
Neste trabalho, será desenvolvida a ideia de alvenaria estrutural como elemento de 
suporte de cargas horizontais, denominadas aqui empuxos de terra e água. 
Além do estudo teórico das principais técnicas utilizadas para construção de 
um muro de arrimo em alvenaria estrutural, este trabalho apresenta o 
acompanhamento de uma construção de um muro deste tipo, com detalhes 
construtivos do elemento de estudo em questão. 
 
1.1 JUSTIFICATIVA 
 
A alvenaria estrutural apresenta-se como um sistema construtivo 
economicamente viável e interessante em diversas áreas da engenharia civil. A maior 
parte das pesquisas existentes atualmente no meio acadêmico têm como objeto de 
estudo o uso de alvenaria estrutural como estrutura resistente às cargas verticais, com 
9 
 
 
solicitações oriundas de sobrecargas sobre os blocos, e às cargas horizontais 
oriundas do vento. Porém, este sistema possui uma capacidade de resistir muito bem 
a outros tipos de solicitações, como empuxo horizontal de terra e água. Em prol de 
tornar esta prática mais visível e acessível aos projetistas e engenheiros futuros no 
mercado, apresenta-se este estudo com as principais informações necessárias para 
que um projeto de muro de arrimo com alvenaria estrutural seja bem executado. 
 
1.2 OBJETIVOS 
 
Este trabalho tem como objetivo realizar um estudo a respeito do uso da 
alvenaria estrutural em estruturas de muro de arrimo. 
 
1.2.1 Objetivo geral 
 
Realizar um estudo a respeito do uso da alvenaria estrutural em muros de 
arrimo a fim de projetar e executar uma estrutura eficiente de contenção de solo. 
 
1.2.2 Objetivos específicos 
 
Estudo de caso em uma obra em execução na cidade de Santa Maria; 
comparar este sistema construtivo com outros comuns no mercado; dimensionar um 
muro de acordo com as solicitações do terreno. 
 
1.3 METODOLOGIA 
 
Será realizado um cálculo de dimensionamento do muro de arrimo no qual 
serão utilizados dados referentes à obra em estudo, com as solicitações calculadas 
pelos ensaios realizados em campo. O estudo se baseará nas informações contidas 
na obra bibliográfica MOHAMAD, G. Construções Em Alvenaria Estrutural: 
Materiais, Projeto e Desempenho (2015). O dimensionamento será baseado nas NBR 
15961-1 (Alvenaria estrutural – Blocos de concreto) e NBR 15812-1 (Alvenaria 
estrutural – Blocos cerâmicos), e os empuxos de terra calculados pela teoria de 
Rankine (1857). 
 
10 
 
 
 
2. ALVENARIA ESTRUTURAL 
 
Em prol de um estudo completo do tema, é necessário ter como base o 
conhecimento a respeito do desenvolvimento tecnológico dos modelos construtivos 
em questão. Serão apresentados a seguir alguns fatos históricos e conceitos básicos 
da alvenaria estrutural e dos muros de contenção de solo. O conhecimento a respeito 
do contexto histórico é essencial para o início de uma aprendizagem, 
independentemente da área científica que se pretende abranger. 
 
2.1 HISTÓRICO DA ALVENARIA ESTRUTURAL 
 
A alvenaria estrutural possui séculos de existência, sendo utilizada rudemente 
durante boa parte da sua existência. Ao longo da história, o homem desenvolveu 
novas tecnologias e técnicas construtivas que correspondiam à disponibilidade de 
materiais e às necessidades de cada época. É compreensível que com o crescimento 
populacional nos centros urbanos estas regiões passaram a ter uma grande 
valorização comercial. Tal fato estimulou as cidades e suas estruturas a se tornarem 
mais verticais. A verticalização dos centros urbanos tornou-se uma tendência que está 
presente até a atualidade, com os construtores sempre em busca do melhor 
aproveitamento das áreas disponíveis. 
Devido ao escasso conhecimento tecnológico sobre a alvenaria estrutural até 
meados do século XVII, este método construtivo mostrava-se pouco eficiente em 
obras muito altas. Quanto maior a altura do edifício, mais larga tendia ser a parede 
em sua base, o que absorvia parte da área útil de cada pavimento. A figura 2.1 ilustra 
o auge deste modelo de construção com o edifício Monadnock, em Chicago. Este 
edifício de 16 pavimentos apresenta paredes de 1,80 metros de espessura em seu 
pavimento térreo, e ainda é um dos maiores prédios em alvenaria estrutural do mundo. 
A alvenaria estrutural acabou por perder espaço no mercado após o 
desenvolvimento do concreto e do aço, pois o concreto armado possibilitava maior 
versatilidade às estruturas, vãos maiores, economia de material e menor tempo de 
construção. 
Foi apenas em meados do século XX que aalvenaria estrutural passou a 
receber maior atenção do meio científico. Na Suíça ocorreram algumas importantes 
11 
 
 
pesquisas que desenvolveram os blocos estruturais, aumentando a capacidade 
resistente sem necessariamente aumentar a seção da parede. No Brasil as 
construções em alvenaria estrutural tornaram-se mais comuns a partir da década de 
60, quando foram criadas as primeiras normas técnicas focadas neste modelo 
construtivo. 
 
Figura 2.1 – Edifício Monadnock em Chicago, EUA 
 
Fonte: site openbuildings.com 
 
2.2 CONCEITOS BÁSICOS DA ALVENARIA ESTRUTURAL 
 
A base deste sistema construtivo está na relação entre os blocos estruturais e 
a argamassa, com a possível utilização de graute e aço. Ao contrário do que ocorre 
com estruturas em concreto armado e alvenaria de vedação, neste sistema construtivo 
as paredes possuem função estrutural de absorver as forças verticais (peso próprio e 
sobrecarga de utilização) e horizontais (vento ou empuxo de terra e água), além de 
funcionar também como um sistema de vedação. Em alvenaria estrutural as cargas 
tendem a se distribuir ao longo da seção da parede, o que gera uma força 
consideravelmente menor por unidade de área resistente. Os picos de tensões são 
menores quando comparado ao que acontece com um sistema de pilares e vigas. Um 
12 
 
 
sistema construtivo deste tipo possui vantagens econômicas e construtivas quando 
comparado às obras que aplicam o sistema de concreto armado. 
Um dos pontos favoráveis do uso da alvenaria estrutural é que ela praticamente 
extingue o uso de fôrmas na obra, reduzindo coonsideravelmente a quantidade de 
madeira e consequentemente de entulho na obra. A instalação de fôrmas para pilares 
e vigas demandam um tempo considerável no cronograma de uma obra, portanto a 
alvenaria estrutural mostra-se um sistema mais rápido de construção quando bem 
administrado. 
Mohamad (2015) aconselha atentar-se quanto à forma geométrica da estrutura. 
Ela é mais estável quando é mais robusta, ou seja, quanto menor a relação 
altura/largura/comprimento maior é a rigidez da estrutura aos deslocamentos 
horizontais. Em muros de arrimo, onde geralmente é trabalhado apenas com uma 
parede de blocos, pode-se optar por utilizar contrafortes a fim de aumentar esta 
relação. 
Através do arranjo das paredes, é possível identificar a posição do centro de 
massa e do centro de torção de uma estrutura. A geometria da estrutura será 
perfeitamente simétrica quando estes dois centros coincidirem no mesmo ponto. Em 
muros de arrimo, as formas em planta são relativamente mais simples e os centros de 
massa e de torção são mais frequentemente coincidentes. 
Em edifícios consideramos que as forças horizontais são provocadas pela ação 
do vento. Em muros de contenção de terra, consideramos que as forças horizontais 
são geradas pelo empuxo de terra e de água. Neste caso, deve-se observar o formato 
do muro e os possíveis intertravamentos na estrutura. Quando há muros de arrimo 
longos sem apoios laterais é comum o uso de contrafortes a fim de resistir aos 
esforços horizontais. 
 
2.2.1 Graute 
 
Em alguns pontos da estrutura é natural que surjam picos de tensões no 
encontro de duas paredes onde é feita a amarração entre os blocos. Nestes locais é 
utilizado o graute. O graute é um concreto mais fluido composto por agregados de 
pequenas dimensões, água, areia e cimento. Juntamente com a armadura, é um 
elemento com função de aumentar a resistência de uma seção de blocos. O aumento 
na resistência se dá principalmente devido ao aumento da área líquida do bloco, 
13 
 
 
gerando um aumento no momento de inércia da alvenaria. Em obras de edificações, 
o graute é comumente utilizado em vergas e contravergas. 
 
Figura 2.2 – Graute, armadura e bloco canaleta 
 
Fonte: repositório online URGS 
 
 De acordo com Mohamad (2015), se o graute for aplicado a todos os furos a 
resistência média do conjunto tende a aumentar 60%. Alguns autores sugerem que, 
caso a verga possua comprimento maior que 1,20 metros, ela deve ser dimensionada 
como viga. 
O graute deve ser utilizado em conjunto com o aço, em uma relação semelhante 
às estruturas de concreto armado, onde o concreto tem a função de resistir à 
compressão e o aço de resistir à tração. Caso o cálculo das tensões indicar uma tração 
menor que a resistência do bloco em estudo, é necessário o uso da armadura mínima. 
A NBR 15961-1 diz que a área da armadura longitudinal principal não deve ser menor 
que 0,10 % da área da seção transversal. 
 
2.2.2 Argamassa 
 
A fim de tornar a estrutura de alvenaria uma forma monolítica, é necessário ter 
conhecimento técnico para definir as juntas entre os blocos. As argamassas são 
14 
 
 
elementos responsáveis por acomodar tensões provocadas por possíveis 
irregularidades nos blocos, além de proporcionar a união entre as alvenarias. 
 De acordo com a norma NBR 15961-1: Alvenaria estrutural – Blocos de 
Concreto, Parte 2: Execução e Controle de Obras, a junta deve ser de 10 mm, levando 
em conta uma tolerância de 3 mm para mais ou para menos. Qualquer valor fora deste 
intervalo provoca uma redução no desempenho do bloco. Mohamad (1998) 
desenvolveu ensaios de prisma com blocos de concreto, com juntas horizontais de 7 
mm e de 10 mm, e concluiu que houve uma perda de resistência do sistema prismático 
de 32,3% com a utilização de juntas de 10 mm. 
Segundo Mohamad (2015), a escolha do traço da argamassa culminará em 
resultados finais de desempenho diferentes. Uma argamassa muito forte provoca 
concentração de tensões, o que gera macrofissuras no material. Por outro lado, uma 
argamassa mais fraca gera redistribuição de tensões e favorece o surgimento de 
microfissuras no conjunto. 
Mohamad (1998) realizou análises laboratoriais em prismas de blocos de 
concreto com diferentes traços de argamassa. Nos prismas com argamassa mais 
fraca (1:1:6) houve fissuração da face do bloco em contato com a argamassa. 
Concluiu-se que houve esmagamento localizado da junta de assentamento. Nos 
prismas com argamassa mais forte (1:0,5:4,5) houve fissuração na vertical, 
provocadas pela indução de tensões de tração no bloco que cortavam os septos 
transversais do bloco. 
 
2.2.3 Blocos 
 
Na etapa de projetos, antes mesmo de iniciar a obra e o levantamento físico da 
estrutura, é necessário escolher entre os dois tipos básicos de bloco estrutural: o bloco 
de concreto e o cerâmico. Esta escolha implica no tamanho do bloco, pois cada 
material pode ter dimensões modulares diferentes. Também há diferenças em relação 
ao custo das unidades, no consumo de argamassa, na porosidade e na durabilidade. 
A resistência à tração e à compressão é diferente entre a cerâmica e o concreto, 
e segundo Silva (2003) a variabilidade do bloco de concreto é menor que o de 
cerâmica. A resistência à tração e compressão é testada através do ensaio de prisma 
em laboratório. 
15 
 
 
Os blocos são comercializados no Brasil de acordo com sua classe de 
resistência, que pode variar entre 4,5 MPa e 16 MPa. De acordo com a NBR 6136, os 
blocos com resistência próxima a 4,5 MPa podem ser utilizados apenas em paredes 
com revestimento, desaconselhando a sua exposição às ações do clima. 
A mudança de bloco altera também a absorção de água, pois a porosidade do 
material está diretamente relacionada ao material do bloco. A NBR 6136 indica que a 
absorção individual de blocos de concreto não deve ser superior a 10%. Quanto mais 
poroso o bloco, maior é a sua capacidade de sucção inicial. A capacidade de sucção 
inicial do bloco é um indicador que define o potencial de aderência do bloco à 
argamassa.Em blocos de concreto, esta taxa gira em torno de 0,265g/cm²/min. 
Considerando que a argamassa se une ao bloco através da relação dos aglomerantes 
com a água absorvida pelo material, conclui-se que uma baixa sucção inicial gera 
problemas de adesão da argamassa ao bloco. Desta forma deve-se prever este 
comportamento nos materiais a fim de estipular um traço condizente com as 
solicitações e o bom desempenho final do conjunto alvenaria-argamassa. 
Segundo Mohamad (2015), o bloco estrutural de cerâmica tem a capacidade 
de absorver mais a água quando comparado ao bloco de concreto. Este autor também 
aconselha adicionar um aditivo para reter a umidade da argamassa, como a cal por 
exemplo. Uma prática comum em obra é umedecer a superfície do bloco antes de 
aplicar a argamassa. Esta prática corrige o erro de absorção excessiva da água pelo 
material, porém pode gerar má aderência da argamassa à superfície caso o bloco 
esteja saturado. Aconselha-se realizar a correção da água no próprio traço da 
argamassa, prevendo a absorção extra de acordo com o tipo do bloco. 
 
16 
 
 
3. MUROS DE ARRIMO 
 
Muros de arrimo são estruturas de contenção criadas a fim de resistir aos 
empuxos laterais de terra ou de água. São utilizados quando há uma mudança abrupta 
de elevação do terreno, o que gera uma situação de risco de escorregamentos caso 
não haja estrutura de contenção. 
Menezes (2010) considera como principais estados limites a serem levados em 
consideração em um muro de arrimo: perda de estabilidade global, rotura do elemento 
estrutural ou de ligação entre elementos estruturais, rotura conjunta do terreno e de 
elementos estruturais, movimentos excessivos da estrutura de suporte que possam 
causar rotura ou afetar a aparência ou a eficiente utilização da estrutura e das 
estruturas vizinhas, repasses de água ou partículas inaceitáveis através do muro, e 
modificações inaceitáveis nas condições de escoamento da água do terreno. O 
projetista tem como objetivo atender a cada uma destas solicitações, uma vez que o 
bom funcionamento da estrutura só será pleno caso haja o cumprimento destes 
requisitos. 
As normas brasileiras NBR 15961-1 (Alvenaria estrutural – Blocos de concreto) 
e NBR 15812-1 (Alvenaria estrutural – Blocos cerâmicos) indicam que é necessário 
desconsiderar a contribuição da armadura comprimida na seção resistente. Também 
prescrevem que as tensões de tração na armadura se limitam a 50% da tensão de 
escoamento de cálculo fyd. Tendo isso em vista, a utilização de alvenaria estrutural 
em estruturas com tensões de tração muito grandes torna-se mais difícil. 
 
3.1 TIPOS DE MURO DE ARRIMO 
 
Muitos autores divergem quanto ao número exato de tipos de muro de arrimo, 
gerando assim uma diversificação nas classificações. Porter (2009) define 4 tipos de 
muro de arrimo com alvenaria estrutural: de gravidade, com contrafortes, apoiados e 
em balanço. Os muros de arrimo apoiados são aqueles utilizados em subsolos de 
edifícios, onde há pilares de concreto armado nas extremidades do muro. Neste caso, 
considera-se que a armadura do muro é engastada nos pilares e na base, com o topo 
do muro livre ou não de carregamentos verticais. 
 
 
17 
 
 
3.1.1 Muro de Gravidade 
 
Os muros de gravidade são estruturas que resistem aos empuxos horizontais 
utilizando seu peso próprio, conferindo estabilidade ao maciço de terra graças à 
grande massa que possui. Geralmente são constituídos por concreto simples ou 
armado, gabiões, e mais recentemente pneus velhos. Os pneus são economicamente 
viáveis, mas também são fontes de riscos diversos como acúmulo de água (zica, 
dengue, etc.) e menor confiabilidade nos materiais empregados. O muro de gravidade 
é relativamente mais baixo que os demais, sendo projetado de forma que não hajam 
grandes tensões de tração na estrutura. Caso haja necessidade de resistir a pequenas 
trações pode-se utilizar armadura, sendo conhecido como muro de gravidade aliviada. 
 
Figura 3.1 – Muro de arrimo de gravidade 
 
Fonte: Oswaldemar Marquetti - Livro Muro de arrimo 
 
3.1.2 Muro com Contrafortes 
 
Este tipo de muro é caracterizado por possuir estruturas delgadas verticais 
triangulares perpendiculares à face do maciço de terra, formando assim uma estrutura 
de resistência às ações de empuxo do solo. Porter (2009) explica que se os suportes 
verticais ficarem entre o muro e o maciço, o contraforte é um elemento de resistência 
à tração (counterforts). Se os suportes verticais ficarem na frente do muro e fora do 
maciço, o contraforte é uma estrutura de resistência à compressão (buttresses). 
Gerscovich (2010) explica que muros de flexão simples são economicamente inviáveis 
para alturas superiores a 5 metros, necessitando de contrafortes para gerar maior 
estabilidade na estrutura. 
 
18 
 
 
Figura 3.2 – Representação isométrica de muro de arrimo com contrafortes 
 
Fonte: BROOKS (2010) 
 
Figura 3.3 – Muro de gravidade buttresses e counterforts. 
 
Fonte: Porter (2009) 
 
3.1.3 Muro de flexão 
 
Também conhecidos como muros em balanço, este tipo de muro de arrimo é 
considerado o mais comum, tendo grande aplicação prática. Sua nomenclatura se dá 
devido à forma com que resiste às solicitações, pois a estrutura é projetada para se 
manter em balanço em relação à base do muro. A seção lateral da estrutura forma um 
“L”, com a base enterrada ou não no maciço. A armadura é instalada na base do muro 
e se estende até o topo, responsável por resistir às tensões de tração gerados pelos 
empuxos de terra. 
 
 
19 
 
 
Figura 3.4 – Muro de flexão com a base interna e externa ao maciço 
 
Fonte: Gilvan Bezerra dos Santos – Dissertação de mestrado (2014) 
 
3.2 TENSÕES E MODOS DE RUPTURA 
 
Como já vimos, o principal carregamento em um muro de arrimo ocorre 
horizontalmente, devido à ação dos empuxos de terra. Para fins comparativos, é 
possível fazer relações com os estudos de cargas de vento em alvenaria estrutural, 
tendo em vista que o efeito do vento é um carregamento dinâmico e o efeito do 
empuxo é um carregamento estático. 
Em um muro de arrimo, a alvenaria estrutural será considerada com pequenos 
carregamentos verticais e grandes carregamentos laterais. Ou seja, os blocos 
suportarão basicamente seu peso próprio e o empuxo lateral de terra. Em alvenaria 
não armada é necessário prever que a resistência à tração na flexão será dada pela 
aderência entre o bloco e a argamassa nas juntas. A figura 3.5 é um exemplo de muro 
apoiado nas extremidades e engastado na sua base, formando assim um sistema que 
se deforma como placa apoiada em três lados: 
 
Figura 3.5 – exemplo de parede apoiada em três lados 
 
Fonte: adaptado de Parsekian (2012) 
20 
 
 
Drysdale (1994) mostra que testes laboratoriais indicaram um padrão de 
fissuração inicial para o caso de flexão em duas direções, ilustrado na figura 3.6. Após 
a fissuração, a parede sofre efeito de estabilização pelo seu peso próprio, restando 
assim a resistência residual. 
 
Figura 3.6 – padrões de fissuração por vento ou empuxo 
 
Fonte: Parsekian (2012) 
 
Galal (2010) fez testes laboratoriais a fim de verificar o modo de ruptura e o 
comportamento pós-ruptura de muros de arrimo. Como padrão, todas as fissuras 
iniciaram nas juntas da argamassa com o bloco, resultando na separação dos blocos 
na face tracionada. Como resultado dos testes, Galal (2010) concluiu que as paredes 
não armadas sempre rompem imediatamente depois de uma das juntas horizontais 
fissurar, rompendo por tração. Em paredes armadas, a ruptura ocorreu sempre devido 
à compressão. 
Baseando-senestes dados, pode-se indicar que muros de arrimo em alvenaria 
estrutural possuem comportamento padrão no caso de carregamento lateral 
constante. Tendo em vista a forma geométrica e os apoios do muro, a estrutura sofre 
flexão em duas direções – horizontal e vertical. Na flexão vertical a fissuração ocorre 
nas juntas horizontais, e na flexão horizontal a fissuração ocorre nas juntas verticais. 
 
 
 
 
 
 
21 
 
 
Figura 3.7 – flexão nas duas direções e modos de ruptura. 
 
Fonte: MCKENZIE (2001) 
 
É preciso ter em vista que todos os componentes sujeitos à flexão serão 
também solicitados devido à tensão de cisalhamento. De acordo com Curtin (2006), a 
capacidade da alvenaria de resistir ao cisalhamento depende de alguns fatores 
específicos, como a direção em que o cisalhamento está sendo aplicado, os pré-
carregamentos no muro e o tipo de argamassa utilizada nas juntas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
 
4. PARÂMETROS DA MECÂNICA DOS SOLOS 
 
A fim de realizar o dimensionamento correto de um muro de contenção, é 
necessário possuir as solicitações e esforços gerados pelo solo a ser contido. A etapa 
inicial é conhecer a resistência ao cisalhamento do solo, e para isso deve-se realizar 
ensaios geotécnicos. Os ensaios fornecem ao projetista a composição do solo através 
da análise granulométrica, que permite que o solo seja classificado de acordo com o 
tamanho e tipo dos grãos presentes no maciço. Outros parâmetros a serem 
encontrados são a massa específica, o módulo de deformação, o coeficiente de atrito, 
a resistência ao cisalhamento do solo, e o atrito entre o solo e o muro. 
Os ensaios geotécnicos também indicam se o solo é do tipo coesivo ou não 
coesivo. Solos com maior predominância de argila e silte são denominados solos 
coesivos, caracterizados por possuírem grãos pequenos e estarem mais influenciados 
pelo índice de umidade do solo. Os solos não coesivos, também denominados 
granulares, possuem granulometria maior em relação às argilas e siltes. Pedregulhos 
e areias são elementos comuns de solos não coesivos. Nestes casos, predomina a 
resistência do solo por atrito entre as partículas e o solo é mais facilmente drenado. 
Considera-se como uma das primeiras etapas do dimensionamento a 
determinação das pressões ativa e/ou passiva, que é determinado corriqueiramente 
pela teoria clássica de Rankine para as condições de ruptura do solo. Com relação 
aos parâmetros geotécnicos dos solos para projetos de estruturas de arrimo, 
normalmente os mesmos são determinados através de ensaios de cisalhamento direto 
ou de compressão triaxial e com a utilização de correlações com o índice de 
resistência à penetração (SPT) do solo. 
 
4.1 TENSÃO DE CISALHAMENTO DO SOLO 
 
De acordo com Brooks (2010), a capacidade de deslizamento do solo em um 
plano de ruptura é em função das tensões de cisalhamento entre as suas partículas. 
A origem deste cisalhamento depende da granulometria do solo, podendo ser oriundo 
da resistência ao atrito ou da coesão. A equação da resistência ao cisalhamento ao 
longo do plano de ruptura é definida como: 
 
𝑠 = 𝑐 + 𝜎. 𝑡𝑎𝑛∅ (equação 4.1) 
23 
 
 
 
Onde s é a resistência ao cisalhamento do solo, c é a parcela de resistência 
devido à coesão, 𝜎 é a tensão normal efetiva e Ø é o ângulo de atrito interno. 
 
4.2 EMPUXO DE TERRA 
 
Como dito anteriormente, a principal função de um muro de arrimo é realizar a 
contenção de um maciço de solo, ou a estabilização do terreno arrimado, criando 
assim as devidas condições para a sustentação de um desnível. Para isso, é 
necessário que a estrutura seja dimensionada para resistir às forças horizontais, 
denominadas aqui de empuxos de terra e água. 
A determinação das pressões de terra em estruturas de arrimo, ou a resultante 
destas pressões que se denomina empuxo de terra, é um assunto relativamente 
complexo nos projetos geotécnicos de estruturas arrimadas. Esta complexidade 
decorre do fato de que a magnitude dos empuxos depende de muitos fatores como o 
tipo da característica do solo, a inclinação do terreno, o equilíbrio ativo e passivo, do 
desnível vencido pela estrutura, a presença ou não de lençol freático, entre outros. 
O valor do empuxo de terra, assim como a distribuição das tensões ao logo da 
altura do elemento de contenção, depende da interação solo-estrutura ao longo da 
escavação e do reaterro. As forças atuantes sobre o muro provocam deslocamentos 
horizontais que, por sua vez, alteram o valor e a distribuição do empuxo, tanto ao 
longo das fases construtivas da obra quanto durante a sua vida útil. 
Na prática, duas teorias clássicas se destacam na determinação dos empuxos 
de terra; a teoria de Rankine (1856) é a mais utilizada e baseia-se na teoria do 
equilíbrio limite ativo e passivo, desenvolvida a partir do círculo de Mohr. A segunda é 
a teoria de Coulomb (1773) utilizada para o dimensionamento de estruturas de 
gravidade mais complexas, como por exemplo em uma rede de percolação, e 
fundamenta-se no equilíbrio de forças que atuam em uma cunha. 
Tendo isso em vista, no presente trabalho este assunto será tratado de forma 
simplificada através do uso da teoria de Rankine (1857), mas é possível desenvolvê-
lo também através do uso da teoria de Coulomb. 
 
 
 
24 
 
 
Figura 4.1 – Comparação entre os estados ativo, passivo e repouso 
 
Fonte: slideshare – Estabilidade e contenção de taludes IV 
 
4.2.1 Empuxo ativo 
 
Nesta situação ocorre um deslocamento do muro para fora do terrapleno. Como 
reação a este movimento o solo sofre uma distensão, provocando no maciço uma 
resistência ao longo do plano de cisalhamento. Neste caso dizemos que o solo foi 
ativado em sua resistência interna. Esta situação é denominada “estado ativo de 
equilíbrio”, e o esforço do solo desenvolvido sobre a estrutura de contenção é 
chamado de ”empuxo ativo”. 
Quando o muro cede e se desloca, a pressão horizontal do terreno diminui a 
valores abaixo da condição de repouso. Conforme a figura 4.1, a pressão lateral 
diminui até um valor mínimo. Então, de acordo com a teoria de Rankine, o coeficiente 
de empuxo Ka é em função do ângulo de atrito interno e calculado através da equação 
4.2: 
 
𝐾𝑎 =
1−𝑠𝑒𝑛Ø
1+𝑠𝑒𝑛Ø
 (equação 4.2) 
 
Para solos arenosos que não apresentam inclinação, o empuxo ativo é 
calculado pela equação 4.3 e representa a área do diagrama de pressão ativa: 
 
𝐸𝑎 =
𝛾.ℎ2.𝐾𝑎
2
 (equação 4.3) 
25 
 
 
4.2.2 Empuxo passivo 
 
À exemplo do empuxo ativo, o empuxo passivo ocorre devido a um 
deslocamento do muro sobre o maciço de terra. Neste caso o muro se move contra o 
maciço, que por sua vez sofre uma compressão na cunha instável, gerando ao longo 
do plano de ruptura uma reação ao deslocamento. Nesta situação dizemos que a ação 
do solo é passiva ao movimento, sendo a situação de equilíbrio chamada de “estado 
passivo de equilíbrio”. O esforço desenvolvido pelo solo sobre o muro é denominado 
“empuxo passivo”. O coeficiente de empuxo passivo Kp é definido por: 
 
𝐾𝑝 =
1+𝑠𝑒𝑛Ø
1−𝑠𝑒𝑛Ø
 (equação 4.4) 
 
O empuxo passivo, à exemplo do empuxo ativo, é definido por: 
 
𝐸𝑝 =
𝛾.ℎ2.𝐾𝑝
2
 (equação 4.5) 
 
Segundo Godoy (1972), o peso específico do solo pode ser definido de acordo com 
a granulometria encontrada nos ensaios geotécnicos. A tabela a seguir apresenta os 
valores usuaisde peso específico para argilas e areias. 
 
Tabela 1 – pesos específicos para areia (kN/m³) em função de sua compacidade 
Consistência Seca Úmida Saturada 
Pouco compacta (fofa) 16 18 19 
Medianamente compacta 17 19 20 
Muito compacta 18 20 21 
 
Tabela 2 – pesos específicos para argilas em função de sua consistência 
Consistência Peso específico (kN/m³) 
Muito mole 13 
Mole 15 
Média 17 
Rija 19 
Dura 21 
 
26 
 
 
A tabela 3 demonstra a relação dos coeficientes com base em diferentes ângulos 
de atrito interno do solo: 
 
Tabela 3 – Coeficientes de empuxo ativo e passivo em função do ângulo de atrito interno 
ϕ Ka Kp 
0º 1,00 1,00 
10º 0,70 1,42 
20º 0,49 2,04 
25º 0,41 2,47 
30º 0,33 3,00 
35º 0,27 3,69 
40º 0,22 4,40 
45º 0,17 5,83 
50º 0,13 7,55 
60º 0,07 13,90 
Fonte: autoria própria 
 
Considera-se que a partir de 40° o solo muito compacto como enrocamentos. Os 
valores do ângulo de atrito interno são, na prática, determinados em função do SPT obtido 
através de sondagens de simples reconhecimento ou sondagem à percussão. Na figura 
4.2 apresenta-se a variação do ângulo de atrito dos solos em função do SPT. 
 
Figura 4.2 – Ângulo de atrito interno em função de N- SPT 
 
Fonte: Mitchell e outros (1978) 
27 
 
 
4.2.3 Ponto de aplicação do empuxo 
 
Para a verificação da estabilidade da estrutura quanto ao tombamento, é 
necessário ter o conhecimento a respeito do ponto de aplicação do empuxo. 
Usualmente a tensão se distribui de forma triangular crescente ao longo da altura do 
muro, portanto como resultante obtemos uma aplicação à 1/3 da altura do muro. 
Porter (2009) afirma que a resultante das forças deve ser compreendida no terço 
médio da altura do muro. 
Há alguns aspectos que influenciam no valor do empuxo nas estruturas de 
contenção, bem como a forma de distribuição das tensões horizontais. Este ponto de 
aplicação irá depender de fatores como presença de água no solo, existência ou não 
de carregamentos em superfície e a liberdade de movimentação da estrutura. 
O empuxo devido à água deve ser calculado separadamente. A influência da 
pressão neutra ocorre igualmente em todas as direções, portanto o empuxo devido à 
água deve ser considerado aplicado perpendicularmente à seção do muro. 
A relação solo-estrutura também deve ser considerada no cálculo de empuxo. 
Quando o solo tende a se mover próximo à face do muro, o atrito da estrutura gera 
uma força contrária ao movimento do solo, auxiliando no suporte da carga. Uma vez 
que o atrito entre o muro e o maciço ocorre a favor da segurança, alguns autores 
desconsideram este fator. A teoria de Rankine, por exemplo, não leva em 
consideração o atrito superficial do muro. A teoria de Coulomb, por sua vez, 
considerada esta relação e fornece soluções em prol da segurança. 
 
4.3 COMPACTAÇÃO DO SOLO 
 
A compactação é utilizada quando o solo em estado natural não é o mais 
desejado para a obra. Entende-se por compactação de solo qualquer redução do 
índice de vazios por processos mecânicos. Essa redução ocorre devido à expulsão 
do ar dos vazios entre os grãos. É a técnica normalmente utilizada nos reaterros para 
construção de muros de arrimo ou contenção. 
De acordo com Massad (2010), a compactação tem por objetivo principal 
homogeneizar o solo e aumentar a sua a resistência ao cisalhamento e à erosão. 
Várias obras civis utilizam o processo de compactação do solo como método de 
aterros. 
28 
 
 
O aterro se caracteriza por uma substituição ou acréscimo de terra ao estado 
natural do terreno. A fim de possuir maior controle a respeito do maciço que se está 
trabalhando, é comum substituir o solo original por um solo específico e mais 
adequado para o projeto em questão. Com isso é mais seguro prever o 
comportamento do solo a ser contido, uma vez que a granulometria do novo solo pode 
ser pré-determinada. 
 
Figura 4.3 – Solo natural removido para o aterramento próximo a um muro de subsolo. 
 
Fonte: autoria própria (2016) 
 
Ademais, a construção de muros de subsolos de edificações muitas vezes parte 
de escavações na forma de talude. Assim, a escavação e o reaterro se fazem 
necessários para viabilizar a construção com a devida segurança e a recomposição 
dos terrenos adjacentes. 
29 
 
 
5. ESTUDO DE CASO 
 
A fim de expor um conteúdo prático a este trabalho, buscou-se uma obra em 
execução na cidade de Santa Maria com as características que aqui estão sendo 
estudadas. O muro de contenção utilizado como objeto de estudo é uma parte do 
projeto de um edifício residencial de uma construtora com sede na cidade de Santa 
Maria - RS. O edifício está localizado em um bairro central da cidade, em solos 
residuais de arenito. O muro de contenção foi executado em uma das faces do 
subsolo, posicionado paralelamente à da rua. A execução do muro teve seu início em 
outubro de 2016. 
 
5.1 PERFIL DO SOLO 
 
O terreno natural foi escavado e removido parcialmente, de forma que o terreno 
ficou com uma face com inclinação em relação à sua base. O perfil do maciço de terra 
natural possui 7 metros de comprimento, com altura variável entre 1,70 m e 2,5 m 
abaixo da cota zero (nível da rua). O muro foi dimensionado de modo que tenha 6,50 
m de comprimento, com um pilar de concreto armado de 0,60 cm x 0,30 cm em cada 
extremidade. A altura do pé direito do subsolo é 2,90 m. De acordo com o projetista, 
o muro foi dimensionado para resistir a um maciço de terra de 2,60 m de altura. 
A figura 5.2 mostra o perfil com o solo exposto, com a proteção preta indicada 
para evitar infiltração de água no solo e favorecer a sua estabilização. 
 
Figura 5.2 – Perfil do terreno antes do muro. 
 
Fonte: autoria própria (setembro de 2016) 
30 
 
 
O ministério do trabalho da cidade de Santa Maria exige que sejam realizadas 
prevenções contra possíveis soterramentos em casos como este, onde o terreno 
possui um desnível de mais de 1,25 m. É aconselhado que sejam instaladas escoras 
de madeira nesta situação, onde há necessidade de trabalho no local antes da 
contenção definitiva ser construída. A NR 18 (Condições e meio ambiente de trabalho 
na indústria da construção), itens 18.6.5 e 18.6.8, diz que “os taludes instáveis das 
escavações com profundidade superior a 1,25 m (um metro e vinte e cinco 
centímetros) devem ter sua estabilidade garantida por meio de estruturas 
dimensionadas para este fim. [...] Os taludes com altura superior a 1,75m (um metro 
e setenta e cinco centímetros) devem ter estabilidade garantida”. 
Então, os projetistas e construtores devem atentar para as condições de 
segurança das escavações provisórias e do desnível definitivo. O presente trabalho 
trata das condições finais do projeto de sustentação com alvenaria estrutural do 
subsolo do edifício. 
 
5.2 EXECUÇÃO 
 
A execução da estrutura física do muro de arrimo teve seu início em outubro de 
2016. A primeira etapa de toda execução deve ser a divisão das equipes de trabalho, 
disponibilizando as ferramentas e EPIs necessários aos trabalhadores, além de deixar 
claro a todos os operários o cronograma a ser seguido na obra em questão. Em 
seguida parte-se para a preparação do ambiente de trabalho, com a limpeza do local 
e a verificação do cumprimento das exigências da segurança do trabalho. 
Tendo estes requisitos cumpridos, finalmente foi feita a marcação para a 
primeira fiada imediatamente acima da laje de fundação. Em seguida verificou-se 
possíveis diferenças de nível, assentando blocos estratégicos nas extremidades 
laterais. Na sequência foram instalados os fios de prumo e a paredeconstruída. Para 
o assentamento das fiadas mais elevadas foi instalado um andaime próximo ao muro. 
 
 
 
 
 
 
31 
 
 
Figura 5.3 – funcionário sobre andaime executando a 9ª fiada 
 
Fonte: autoria própria (novembro de 2016) 
 
5.3 IMPERMEABILIZAÇÃO E ATERRO 
 
O bloco utilizado para a execução do muro em questão foi de concreto com 
resistência à compressão de 6 MPa. Foi utilizado o bloco com dimensões 19 cm x 19 
cm x 39 cm. Tendo em vista que o bloco de concreto possui porosidade mais elevada 
em relação aos blocos de cerâmica, foi necessário prever um sistema de 
impermeabilização na face externa da estrutura de contenção, além de um sistema 
drenante na base do muro. Os estudos geotécnicos não revelaram nível de lençol 
freático no local. No entanto, deve-se adotar duas linhas de segurança em muros 
deste tipo: uma de vedação e outra de drenagem interna. 
A vedação e impermeabilização evita o acesso de umidade ao interior do 
subsolo, prevenindo futuras patologias na estrutura. Já a drenagem interna rebaixa a 
linha freática, controla a percolação de água e reduz os empuxos de terra. 
A impermeabilização foi composta por uma camada inicial de chapisco 
aditivado com um adesivo líquido à base de resinas sintéticas. O reboco aplicado 
sobre o chapisco possui espessura de 20 mm. Sobre o reboco foi aplicada uma 
argamassa impermeabilizante à base de cimento polimérico. Por fim, foi instalada uma 
manta geotêxtil de alta resistência à tração, com função de impermeabilização. 
 
 
32 
 
 
Figura 5.4 – Muro sem a impermeabilização e antes do aterramento. 
 
Fonte: autoria própria (outubro de 2016) 
 
Para o sistema de drenagem interna, foi criada uma vala com dimensões 50 cm 
x 30 cm na base do muro. Esta vala foi preenchida com um colchão de areia média e 
brita tipo 2. Sob esse colchão foi instalado um tubo corrugado de 100 mm, a fim de 
conduzir a água e evitar o acúmulo de umidade na base da estrutura de contenção. 
A figura 5.5 mostra dois exemplos do funcionamento de sistemas de drenagem 
interna de muros de arrimo, sendo a 5.5.a com uma linha de fluxo proveniente do 
controle da percolação da linha freática estabelecida e rebaixada. A figura 5.5.b 
mostra uma rede de percolação das águas infiltradas através do talude. 
 
Figura 5.5 – redes de fluxo em muros com drenos verticais 
a) b) 
 
Fonte: Adaptado de Gerscovich (2010) 
33 
 
 
Esta etapa construtiva é essencial na execução de muros de arrimo, pois a 
água decorrente de índices pluviométricos elevados torna o solo saturado. A longo 
prazo a ação da água tende a gerar erosão interna no solo, onde as partículas 
menores são dissolvidas (em calcário) ou carregadas pela água em excesso. Com o 
solo saturado as partículas de argila tendem a perder coesão entre os grãos, tornando 
o solo mais instável e menos resistente. Gerscovich (2010) indica que o acúmulo de 
água por deficiência de drenagem pode duplicar o empuxo atuante. A equação que 
demonstra a perda de resistência ao cisalhamento devido à saturação do solo é a 
seguinte: 
 
s= c + (u tan Ø (equação 5.1) 
 
Onde s é a resistência ao cisalhamento, c é a resistência devido à coesão,  é 
a tensão normal total, u é a poropressão e Ø é o ângulo de atrito interno. Dizemos que 
’ é a tensão efetiva definida por: 
 
’ =  - u (equação 5.2) 
 
Pelas equações 5.1 e 5.2, entende-se que um aumento na poropressão resulta em 
uma tensão normal efetiva menor, o que por sua vez gera uma resistência ao 
cisalhamento menor. 
Gerscovich (2010) também diz que é importante verificar na fase de projetos as 
máximas precipitações na região que a obra está sendo executada, a fim de 
dimensionar o dreno para a situação mais desfavorável. O sistema de drenagem deve 
dar vazão às chuvas excepcionais, portanto a escolha do material drenante deve ser 
realizada de modo a evitar qualquer possibilidade de colmatação ou entupimento do 
dreno. Também é importante realizar vistorias periódicas ao longo da vida útil do 
dreno, fazendo as trocas dos materiais periodicamente caso haja indício de mal 
funcionamento do sistema. 
 
 
 
 
 
34 
 
 
Figura 5.6 – Muro com a impermeabilização instalada e um funcionário executando o dreno na vala. 
 
Fonte: autoria própria (novembro de 2016) 
 
Após a instalação do sistema de drenagem interna, o local foi limpo e preparado 
para receber o aterramento. O reaterro foi compactado mecanicamente seguindo as 
recomendações do DNIT e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 9732 
- Projeto de Terraplanagem), que especificam camadas de no máximo 30 cm para 
compactação mecânica de aterros e terraplanagens. 
Sabendo que a compactação do aterro próximo ao muro gera uma força lateral 
excedente na face do muro, o projetista deve prever o surgimento destas tensões em 
seu cálculo de dimensionamento. Os esforços na fase de construção do muro são 
geralmente superiores aos esforços provocados pelo solo ao longo da vida útil da 
estrutura. Usualmente os engenheiros utilizam um acréscimo na ordem de 20% do 
valor do empuxo calculado como fator de segurança relativo ao período construtivo. 
Para mais confiabilidade teórica, Inglod (1979) utilizou a teoria da elasticidade para 
calcular o esforço lateral provocado pelos equipamentos na fase de construção. 
 
 
 
 
35 
 
 
Figura 5.7 – Aterro finalizado 
 
Fonte: autoria própria (novembro de 2016) 
 
Para a execução desta estrutura de contenção foram utilizados blocos de 
concreto com resistência de 6 MPa. A unidade modular utilizada foi o bloco vazado 
com dimensões 19 cm x 19 cm x 39 cm. O sistema definido pelo projetista pode ser 
entendido como uma sequência de grautemento e armadura vertical a cada dois furos 
dos blocos, como pode ser observado na figura 5.8. 
Os blocos canaleta foram assentados a cada três fiadas, ou o equivalente a um 
novo bloco canaleta a cada 40 cm de altura. Como pode-se observar na figura 5.8, o 
bloco canaleta foi quebrado para permitir a passagem da armadura vertical. Há alguns 
fabricantes que produzem blocos canaleta vazados, com as aberturas prontas para 
passagem da armadura. 
O traço do graute foi dimensionado para 25 MPa (2,5 : 2,5 : 1), composto por 
cimento pozolânico CPIV-32, brita 1 e areia média. O cimento CPIV-32 possui baixa 
porosidade e alta resistência a sulfatos, tornando-o ideal para ser utilizado em 
sistemas construtivos como este, em um local com alta agressividade devido ao 
contato direto com o solo e a umidade do solo. 
36 
 
 
Figura 5.8 – bloco canaleta e armadura vertical prontos para receber o graute 
 
Fonte: autoria própria (outubro de 2016) 
 
O arranjo das ferragens nas canaletas foi feito de modo que a armadura 
horizontal é composta por 3 barras com diâmetro de 10 mm, amarradas com estribo 
comum de 5 mm. A disposição das barras ocorre a cada 3 fiadas, pois a paginação é 
composta por 2 fiadas de blocos vazados com uma fiada de bloco canaleta sobre eles. 
Como há pilares nas extremidades do muro, optou-se por inserir todas as barras 15 
cm transversalmente nos pilares. Isto caracteriza a estrutura como “muro de arrimo 
apoiado”, de acordo com Porter (2009). 
A armadura vertical foi composta por 3 barras de 10 mm com estribo de 5 mm. 
O grauteamento foi feito a cada 2 furos nos blocos. Desta forma, obtêm-se um sistema 
gradeado ao longo da seção longitudinal do muro. 
Nas extremidades laterais do muro, as juntas receberam um reforço comuma 
malha galvanizada e dois ferros de 6,3 mm. A malha galvanizada foi dobrada 
formando um “L” entre a junta e o pilar lateral, aumentando a aderência da argamassa 
neste ponto e prevenindo possíveis movimentos que ocorrerão nas extremidades. Os 
dois ferros adentram 15 cm no pilar, formando assim um apoio que caracteriza o muro 
de arrimo como “muro de arrimo apoiado lateralmente” (Porter, 2009). 
 
37 
 
 
Figura 5.9 – armadura vertical e graute 
 
Fonte: autoria própria (novembro de 2016) 
 
O muro foi concluído em meados de novembro de 2016. Na fachada o reaterro 
foi bem nivelado, com cota próxima à da rua. No interior do subsolo é imperceptível a 
diferença do muro de arrimo para as outras paredes no mesmo pavimento. Esta é 
uma das vantagens deste sistema construtivo, pois se fosse optado por utilizar um 
muro baseado em outros sistemas, como o de gravidade por exemplo, a mudança 
visual seria facilmente perceptível. Com os blocos estruturais não houve perda de área 
útil devido à espessura da estrutura de contenção. 
 
Figura 5.10 – Estrutura do muro concluída 
 
Fonte: autoria própria (dezembro de 2016) 
38 
 
 
É possível concluir que o uso de blocos estruturais tornou a execução do muro 
mais rápida, uma vez que não foi preciso instalar nenhum tipo de fôrma para construir 
a estrutura. A economia de madeira gerou menos entulho à obra, além de otimizar o 
tempo de serviço. Para efeitos comparativos, podemos observar a figura 5.11 que 
mostra a construção de um muro de arrimo em concreto armado em São Miguel do 
Oeste - SC, fazendo uso de formas de madeira e ferragem contínua típica de muros 
de flexão. 
 
Figura 5.11 – armadura e fôrma para a execução de um muro de arrimo de concreto armado de flexão 
 
Fonte: autoria própria (2015) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
39 
 
 
6. DIMENSIONAMENTO 
 
O muro a ser dimensionado possui 2,60 m de altura, com 6,50 m de 
comprimento. Nas suas extremidades há pilares (60 cm x 30 cm) de concreto armado 
que apoiam o muro. Ele se encontra no subsolo de um edifício, e sua base está 
apoiada numa viga cuja fundação é de estaca escavada. Deseja-se construir a 
estrutura de contenção em alvenaria estrutural de cerâmica. Os estudos geotécnicos 
apontaram que o solo natural é composto por argila de consistência média com peso 
específico igual a 17 kN/m³. A fim de fazer válida a teoria de Rankine, o ângulo de 
atrito interno Ø é 25º e o ângulo de inclinação do solo é igual a 0º. 
A fim de diminuir o valor do empuxo ativo sobre o muro, consideremos que 
poderá ser utilizado um reaterro compactado. O peso específico do solo para reaterro 
é 19 kN/m³, com ângulo de inclinação igual a 30°. Iremos desconsiderar o atrito entre 
o solo e a estrutura. Não há lençol freático ou nível de água presente no maciço. 
 
6.1 DETERMINAÇÃO DAS AÇÕES 
 
Inicialmente iremos considerar o muro sem sobrecarga vertical, e a seguir 
faremos o cálculo com sobrecarga de um caminhão de 2,5 t/m² para fins comparativos. 
A distribuição das pressões laterais e empuxo ativo do muro com terrapleno 
constituído por areia e sem nível de água é representado pela figura 6.1 a seguir: 
 
Figura 6.1 – Modelo de distribuição das pressões e empuxo ativo no muro de arrimo. 
 
 
 Muro sem sobrecarga vertical: 
 
De acordo com a teoria de Rankine, o valor característico do empuxo ativo será 
determinado da seguinte forma: 
 
40 
 
 
𝐾𝑎 =
1−𝑠𝑒𝑛Ø
1+𝑠𝑒𝑛Ø
 = 
1−𝑠𝑒𝑛25°
1+𝑠𝑒𝑛25°
 = 0,406 
 
𝐸𝑎 =
𝛾.ℎ2.𝐾𝑎
2
 = 
17.2,6².0,406
2
 = 23,33 kN/m 
 
Portanto, o carregamento será constituído por uma carga de valor 23,33 kN/m 
aplicado a 1/3 da base do muro, conforme figura 6.2. Em seguida será apresentado o 
cálculo com o novo solo de reaterro. 
 
𝐾𝑎 =
1−𝑠𝑒𝑛Ø
1+𝑠𝑒𝑛Ø
 = 
1−𝑠𝑒𝑛30°
1+𝑠𝑒𝑛30°
 = 0,333 
 
A pressão lateral ativa será: 
𝜎ℎ𝑎 = 𝛾. ℎ. 𝑘𝑎 
𝜎ℎ𝑎 = 19 . 2,60 . 0,333 = 16,466 kN/m² 
 
O empuxo ativo ou a resultante da pressão lateral ativa será: 
 
𝐸𝑎 =
𝛾.ℎ2.𝐾𝑎
2
 = 
𝜎ℎ𝑎 .ℎ
2
 = 
16,466 . 0,333
2
 = 21,40 kN/m 
 
Figura 6.2 – demonstração da pressão e do empuxo lateral no muro sem sobrecarga vertical 
 
Fonte: autoria própria 
 
Considerando o empuxo como uma ação permanente e que Ea = 21,40 kN/m 
corresponde ao valor característico FG,k desta ação, podemos definir como valor de 
cálculo a seguinte combinação: 
41 
 
 
 
Fd = γg . FG,k (equação 6.1) 
 
Fd = 1,40 . 21,40 = 29,96 kN/m 
O coeficiente de ponderação γg foi encontrado através da tabela a seguir 
 
Tabela 3 – Coeficientes de ponderação para combinações normais de ações 
Categoria de ação Tipo de estrutura Efeito desfavorável Efeito favorável 
Permanente 
Edificações tipo 1 e pontes 1,35 0,9 
Edificações tipo 2 1,40 0,9 
Variável 
Edificações tipo 1 e pontes 1,50 - 
Edificações tipo 2 1,40 - 
Edificações tipo 1 - cargas acidentais superiores a 5kN/m² 
Edificações tipo 2 - cargas acidentais inferiores a 5kN/m² 
 
 Muro com sobrecarga vertical: 
 
O cálculo é semelhante ao anterior, mas agora as pressões laterais de terra serão 
aplicadas em forma trapezoidal, como mostrado na figura 6.3. 
 
Figura 6.3 - demonstração da pressão lateral no muro com sobrecarga vertical 
 
Fonte: autoria própria 
 
42 
 
 
Calculando as tensões no topo e na base do muro, têm-se: 
 
𝜎ℎ𝑎 = (𝑞 + 𝛾. ℎ). 𝑘𝑎 
𝜎ℎ𝑎 = (25 + 19 . 2,60) . 0,333 = 24,80 kN/m² 
𝜎ℎ𝑡𝑜𝑝𝑜 = 𝑞. 𝑘𝑎 
𝜎ℎ𝑡𝑜𝑝𝑜 = 25.0,333 = 8,32 𝑘𝑁/𝑚² 
 
Para o cálculo do empuxo correspondente ao diagrama trapezoidal (figura 6.4), 
tem-se: 
𝐸𝑎1 = 8,32 . 2,60 = 21,63 𝑘𝑁/𝑚 
𝐸𝑎2 =
(24,8 − 8,32). 2,60
2
= 21,41 𝑘𝑁/𝑚 
 
𝐸𝑎𝑟𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 = 𝐸𝑎1 + 𝐸𝑎2 = 21,63 + 21,41 
𝐸𝑎𝑟𝑒𝑠𝑢𝑙𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 = 43,04 𝑘𝑁/𝑚 
 
O ponto de aplicação do empuxo ativo resultante (hr) será: 
 
ℎ𝑟 =
21,63 . 1,3 + 21,41 . 0,87
21,63 + 21,41
= 1,084 𝑚 
 
Com isso, o empuxo resultante é 43,04 kN/m aplicado a 1,084 metros da base 
do muro, conforme figura 6.4. 
 
Figura 6.4 – Empuxo resultante aplicado no muro com sobrecarga vertical. 
 
Fonte: autoria própria 
43 
 
 
Considerando o empuxo como uma ação permanente e que Ear = 43,04 kN/m 
corresponde ao valor característico FG,k desta ação, podemos definir como valor de 
cálculo a seguinte combinação: 
 
Fd = γg . FG,k (equação 6.1) 
 
Fd = 1,40 . 43,04 = 60,26 kN/m 
 
6.2 CÁLCULO DOS ENRIJECEDORES: 
 
Levando em consideração os pilares laterais como estruturas enrijecedoras. A 
espessura efetiva de uma parede com enrijecedores regularmente espaçados deve 
ser calculada de acordo com a expressão: 
 
 te = δ.t (equação 6.2) 
 
Onde te é a espessura efetiva da parede, t é a espessura da parede e δ é um 
coeficiente retirado da tabela a seguir: 
 
Tabela 4 – Valores do coeficiente δ 
 
Figura 6.5 – Espessura do enrijecedor 
 
Fonte: Mohamad (2015) 
44 
 
 
No nosso caso, Tenr é igual a 60 cm, eenr vale 30 cm, t é igual a 19 cm, e lenr é 6,5 m. 
Logo, Tenr / t = 3, Lenr / eenr = 21,6. Portanto, pela tabela 4, δ vale 1,0. Utilizando agora 
a equação 6.2: 
 
te = δ.t 
te = 1,0 . 0,19 = 0,19 m 
 
Conclusão: como os enrijecedores estão muito afastados, eles não possuíram 
influência na espessura efetiva do muro de arrimo. 
 
6.3 CÁLCULO DO MOMENTO PARA FLEXÃO VERTICAL Muro sem sobrecarga vertical: 
 
Consideremos a força de empuxo majorada anteriormente aplicada ao terço 
inferior do muro, com a base engastada: 
 
Figura 6.6 – Empuxo majorado aplicado ao terço inferior do muro sem sobrecarga 
 
Fonte: autoria própria 
 
O momento de projeto para a flexão vertical (Mdv) é dado por: 
 
Mdv = Ead . h (equação 6.3) 
Mdv =29,96 kN/m . 0,86 m 
Mdv = 25,76 kN.m/m 
45 
 
 
 
Para um bloco de 0,39 m: Mdv = 25,76 . 0,39 = 10,048 kN.m 
 
 Muro com sobrecarga vertical: 
 
Agora consideremos a força de empuxo ativo resultante majorada 
anteriormente (Eard), para o muro com sobrecarga, aplicada na altura resultante 
calculada (hr = 1,08 m): 
 
Figura 6.6 – Empuxo majorado aplicado ao terço inferior do muro sem sobrecarga 
 
Fonte: autoria própria 
 
O momento de projeto para a flexão vertical (Mdv) é dado por: 
 
Mdv = Ead . h (equação 6.3) 
Mdv =60,26 kN/m . 1,08 m 
Mdv = 65,07 kN.m/m 
 
Para um bloco de 0,39 m: Mdv = 65,07 . 0,39 = 25,38 kN.m 
 
6.4 DIMENSIONAMENTO À FLEXÃO SIMPLES 
 
A tensão de flexão é calculada relacionando o momento fletor, a posição da 
linha neutra e a inércia equivalente, demonstrada na seguinte equação: 
 
46 
 
 
𝜎 =
𝑀 . 𝑦
𝐼𝑒
 (Equação 6.5) 
 
Momento de inércia do bloco vazado: 
 
𝐼 =
𝑏 .ℎ3
12
 = 
0,39 .0,193
12
 - 
0,29 .0,143
12
 = 1,56 . 10−4𝑚4 (Equação 6.6) 
Momento de inércia para o bloco grauteado: 
 
𝐼 =
𝑏 .ℎ3
12
 = 
0,39 .0,193
12
 = 2,23 . 10−4𝑚4 
 
 Muro sem sobrecarga vertical: 
 
𝜎 = 
10,048 𝑘𝑁.𝑚 .0,095 𝑚
1,56 .10−4 𝑚4
 
 
 𝜎 = 6,12 MPa 
Verificação à tração: 
 
0,9 . 𝐺𝑘 − 1,4 . 𝑊𝑧 ≤ 
𝑓𝑡𝑘
𝛾 
 (Equação 6.7) 
 
No muro de arrimo não há Gk e a tensão já foi majorada anteriormente. A 
argamassa utilizada possui 6 Mpa, portanto, de acordo com a tabela 5, ftk = 0,20. 
 
Tabela 5 – valores de ftk 
Direção de tração 
Resistência média de compressão da argamassa 
1,5 à 3,4 Mpa 3,5 à 7,0 Mpa Acima de 7,0 Mpa 
Normal à fiada 0,10 0,20 0,25 
Paralela à fiada 0,20 0,40 0,50 
 
6,12 ≤ 
0,2
2
 
6,12 ≤ 0,1 
 
47 
 
 
Isso nos indica que a parede desenvolve tensões de tração e a alvenaria deve 
ser armada verticalmente. 
 
Resistência característica à compressão: 
 
𝑓𝑘
𝑓𝑝𝑟𝑖𝑠𝑚𝑎
= 0,70 (Equação 6.8) 
 
6,12
𝑓𝑝𝑟𝑖𝑠𝑚𝑎
= 0,70 
 
𝑓𝑝𝑟𝑖𝑠𝑚𝑎 = 8,74𝑀𝑃𝑎 
 
𝑓𝑝𝑟𝑖𝑠𝑚𝑎
𝑓𝑏𝑙𝑜𝑐𝑜
= 0,50 (Equação 6.9) 
 
8,74
𝑓𝑏𝑙𝑜𝑐𝑜
= 0,50 
 
𝑓𝑏𝑙𝑜𝑐𝑜 = 17,48 𝑀𝑃𝑎 
 
Dimensionamento da armadura de resistência à tração: 
 
𝐹𝑡 =
(9,5 .19 .6,12)
2
= 552,33 (Equação 6.10) 
 
𝐴𝑠 =
𝐹𝑡
0,5 .𝑓𝑦𝑑
=
552,33
0,5 .43,5
= 25,39 𝑐𝑚² (Equação 6.11) 
 
Ao longo dos 6,5 metros do muro: 25,39 / 6,5 = 3,90 cm²/m. Considerando um bloco 
a cada 40 cm, ou 2,5 blocos por metro: 3,90 / 2,5 = 1,56 cm² / bloco. 
 
48 
 
 
Utilizando 2 Ø 10mm: As real = 1,57 cm²/bloco. Portanto, a armadura vertical 
de tração será composta por 2 barras de 10 mm, instaladas alternadamente a cada 2 
furos dos blocos, como na figura 6.5: 
 
Figura 6.5 – armadura vertical 
 
Fonte: autoria própria (2016) 
 
 Muro com sobrecarga vertical: 
 
𝜎 =
𝑀 . 𝑦
𝐼𝑒
 
 
𝜎 = 
25,07 𝑘𝑁.𝑚 .0,095 𝑚
1,56 .10−4 𝑚4
 
 
 𝜎 = 15,45 MPa 
Verificação à tração: 
 
0,9 . 𝐺𝑘 − 1,4 . 𝑊𝑧 ≤ 
𝑓𝑡𝑘
𝛾 
 (Equação 6.7) 
 
No muro de arrimo não há Gk e a tensão já foi majorada anteriormente. A 
argamassa utilizada possui 6 Mpa, portanto, de acordo com a tabela 5, ftk = 0,20. 
 
49 
 
 
15,45 ≤ 
0,2
2
 
15,45 ≤ 0,1 
 
Isso nos indica que a parede desenvolve tensões de tração e a alvenaria deve 
ser armada verticalmente. Dimensionamento da armadura de resistência à tração: 
 
𝐹𝑡 =
(9,5 .19 .15,45)
2
= 1394,36 (Equação 6.10) 
 
𝐴𝑠 =
𝐹𝑡
0,5 .𝑓𝑦𝑑
=
1394,36
0,5 .43,5
= 64,11 𝑐𝑚² (Equação 6.11) 
 
Ao longo dos 6,5 metros do muro: 64,11 / 6,5 = 9,86 cm²/m. Considerando um bloco 
a cada 40 cm, ou 2,5 blocos por metro: 9,86 / 2,5 = 3,95 cm² / bloco. 
 
Utilizando 2 Ø 16 mm: As real = 4,02 cm²/bloco. Portanto, a armadura vertical de 
tração será composta por 2 barras de 16 mm, instaladas alternadamente a cada 2 
furos dos blocos. 
Pode-se notar que as tensões devido à sobrecarga de 2,5 t/m² no nível do 
terreno resultaram em um acréscimo de praticamente duas vezes no valor do empuxo 
lateral. Este aumento refletiu no acréscimo da armadura dos blocos, sendo necessário 
aumentar a bitola de 10 mm para 16 mm a fim de tornar a estrutura resistente às 
solicitações de tração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
 
 
7. CONCLUSÕES 
 
Com a realização deste trabalho, foi possível retirar algumas informações úteis 
a respeito do tema em questão. O desenvolvimento de um estudo relacionado à 
alvenaria estrutural mostrou-se muito importante, uma vez que expandiu a gama de 
conhecimentos do autor deste trabalho. Todo tempo aqui investido foi de absoluta 
valia. 
A partir dos dados coletados e aqui apresentados, é possível concluir que o uso 
de blocos estruturais não se limita apenas às edificações comuns, como residências 
ou edifícios, mas também são úteis quando aplicados juntamente com outros ramos 
da engenharia civil. O uso de alvenaria estrutural em muros de arrimo indica como 
este sistema construtivo é versátil, apesar de ainda haver muito a se desenvolver no 
que tange a pesquisa científica do objeto em questão. 
Com base no estudo de caso aqui apresentado, foi possível concluir que o 
bloco estrutural tornou a execução do muro mais rápida, se compararmos ao sistema 
construtivo baseado em concreto armado. Um dos principais diferenciais deste 
sistema construtivo foi a total ausência do uso de fôrmas, tornando assim a execução 
do muro mais imediata. A economia de madeira gerou menos entulho à obra, além de 
otimizar o tempo de serviço. A construção civil produz uma grande quantidade de 
entulho que não é reutilizado, o que demonstra um desperdício de material que nos 
dias atuais não pode ser admitido. 
Além disso, o muro em alvenaria estrutural mostrou-se útil para aplicação onde 
não há grandes espaços a serem utilizados para conter o maciço de terra. As paredes 
são bem delgadas se comparadas a um sistema de contenção por muro de gravidade, 
por exemplo. A área útil do subsolo não sofreu alteração, o que demonstra a 
versatilidade dos blocos estruturais. 
Um detalhe a ser observado é que se houver nível de água no terreno, é mais 
inteligente utilizar blocos estruturais cerâmicos. Este fato se dá devido à diferença de 
comportamento entre os materiais (concreto e cerâmica), onde o concreto é 
relativamente mais poroso e, portanto, menos impermeável. Independentemente do 
tipo de bloco a ser utilizado, não se pode dispensar o uso de mantas impermeáveis e 
de drenos na face em contato com o solo. A água em excesso torna o solo saturado 
e cria um ambiente patogênico à estrutura. 
51 
 
 
Como vantagem também pode-se indicar o fácil manuseio dos blocos, com a 
execução da estrutura simples se comparado a um muro de gabião ou de concreto 
armado, por exemplo. O nível de confiabilidadeno controle dos processos torna este 
método mais atraente ao meio profissional. 
Quanto ao dimensionamento, observou-se que a utilização de equipamentos 
pesados para a compactação do aterro reflete em um aumento significativo nas cargas 
solicitantes sobre o muro. No exemplo realizado, um caminhão de 2,5 toneladas por 
metro quadrado gerou um empuxo lateral duas vezes maior quando comparado ao 
mesmo muro sem sobrecarga vertical. Por consequência, a armadura vertical 
calculada foi substancialmente maior. Como conclusão pode-se considerar que, 
apesar de não ser obrigatória a inclusão de cargas verticais no dimensionamento, é 
de suma importância prever que ao longo da vida útil do muro haverá alguma 
solicitação desta natureza. 
Com base nestes dados, pode-se afirmar que este trabalho foi de grande valia 
ao autor e espera-se que também seja útil para futuros estudos. Como indicações 
para futuros estudos, sugerir: 
 
 Comparativo quantitativo da economia de material entre muro de arrimo de 
alvenaria estrutural e de outro sistema construtivo; 
 Uso de contra-fortes em muros de arrimo em alvenaria estrutural; 
 Comparativo entre muro de alvenaria estrutural de cerâmica e de concreto; 
 
 
 
52 
 
 
8. REFERÊNCIAS 
 
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Estruturas de Concreto - Procedimento. Rio de Janeiro, 2014. 
 
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estrutural – Blocos de concreto, Parte 1: Projeto. Rio de Janeiro, 2011. 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15961-1: Alvenaria 
estrutural – Blocos de concreto, Parte 2: Execução e controle de obras. Rio de Janeiro, 
2011. 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15812-1: Alvenaria 
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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15812-1: Alvenaria 
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