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Sumario A conquista e a exploração da América Espanhola ................................................................... 7 1.Os fundamentos da colonização: Mercantilismo e Absolutismo ........................................ 7 A Era da colonização ........................................................................................................................ 7 2.A conquista espanhola da América ............................................................................................8 1.A conquista espanhola da América .......................................................................................... 12 Sumário do Volume Sociologia 9. Trabalho como categoria sociológica propriamente humana .................................5 10. Trabalho e relações de produção ao longo da história .........................................11 10.1 Sociedades comunais – modo de produção comunal ...................................................12 10.2 Modo de produção tributário ou modo de produção asiático .....................................15 10.3 Sociedades escravagistas (modo de produção escravocrata ou escravista) ............. 20 10.4 Sociedades feudais (modo de produção feudal) ............................................................. 22 10.5 Modo de produção capitalista .................................................................................................. 24 10.6 Modo de produção socialista e comunista ...................................................................... 29 11. Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) 33 11.1 Frederick Winslow Taylor22 e o Taylorismo ........................................................................ 34 11.2 Henry Ford24 e o Fordismo .................................................................................................... 36 11.3 Toyotismo ................................................................................................................................. 38 12. O mundo do trabalho nos dias atuais ..................................................................... 43 12.1 Tipos de emprego e desemprego ....................................................................................... 45 Sumário Completo Volume 1 1. Sociologia: o estudo da sociedade? 2. Contexto histórico de surgimento da Sociologia 3. O processo de socialização 4. Relação indivíduo/sociedade Volume 2 5. Cultura ou culturas 6. Movimentos e manifestações culturais 7. Ciência dos homens e ciência da diferença 8. Diferenças culturais Volume 3 9. Trabalho como categoria sociológica propriamente humana 10. Trabalho e relações de produção ao longo da história 11. Trabalho nas sociedades modernas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) 12. O mundo do trabalho nos dias atuais 51ª Série do Ensino Médio - Vol. 3 Sociologia 9. Trabalho como categoria sociológica propriamente humana Situação-problema: Entender como as relações de trabalho, a ciência e a tecnologia impactaram na forma em que produzimos e reproduzimos a vida material (sensível) e imaterial (inteligível) ao longo da história até os dias atuais. Assim, neste capítulo, objetiva-se perceber o trabalho como produto da ação humana no mundo, diferenciando a atividade animal da atividade humana. As imagens que iniciam este capítulo são bastante expressivas. Elas mostram o mundo do trabalho dos dias atuais, representando diversas formas pelas quais o trabalho - ou seria o emprego? - é realizado nas sociedades contemporâneas. Neste volume, problematizaremos diversas questões relacionadas ao trabalho, tais como: Qual a diferença entre trabalho e emprego? Quais as formas históricas hegemônicas pelas quais a humanidade organizou a produção e reprodução da vida material? O que é um modo de produção?, entre muitos outros elementos que dizem respeito a essa temática. Fig.9.1 Fig.9.2 Fig.9.3 Fig.9.4 Fig.9.5 Fig.9.6 Fig.9.7 Fig.9.8 Sociologia 6 1ª série do Ensino Médio Assim como a linguagem, apontada no primeiro volume, ou a cultura problematizada durante todo o segundo volume do Material Didático, o trabalho é entendido aqui como um conjunto de ações executadas, única e exclusivamente, pela espécie humana. Ou, como aponta Karl Marx1, Antes de tudo, o trabalho é um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza. Ele mesmo se defronta com a matéria natural como uma força natural. Ele põe em movimento as forças naturais pertencentes a sua corporalidade, braços e pernas, cabeça e mão, a fi m de apropriar-se da matéria natural numa forma útil para sua própria vida. Ao atuar, por meio desse movimento, sobre a Natureza externa a ele e ao modifi cá-la, ele modifi ca, ao mesmo tempo, sua própria natureza. Ele desenvolve as potências nela adormecidas e sujeita o jogo de suas forças a seu próprio domínio. Não se trata aqui das primeiras formas instintivas, animais, de trabalho. O estado em que o trabalhador se apresenta no mercado como vendedor de sua própria força de trabalho deixou para o fundo dos tempos primitivos o estado em que o trabalho humano não se desfez ainda de sua primeira forma instintiva. Pressupomos o trabalho numa forma em que pertence exclusivamente ao homem. Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha envergonha mais de um arquiteto humano com a construção dos favos de suas colmeias. Mas o que distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha é que ele construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera. No fi m do processo de trabalho obtém- se um resultado que já no início deste existiu na imaginação do trabalhador, e portanto idealmente. Ele não apenas efetua uma transformação da forma da matéria natural; realiza, ao mesmo tempo, na matéria natural seu objetivo, que ele sabe que determina, como lei, a espécie e o modo de sua atividade e ao qual tem de subordinar sua vontade. E essa subordinação não é um ato isolado. Além do esforço dos órgãos que trabalham, é exigida a vontade orientada a um fi m, que se manifesta como atenção durante todo o tempo de trabalho, e isso tanto mais quanto menos esse trabalho, pelo próprio conteúdo e pela espécie e modo de sua execução, atrai o trabalhador, portanto, quanto menos ele o aproveita, como jogo de suas próprias forças físicas e espirituais. Os elementos simples do processo de trabalho são a atividade orientada a um fi m ou o trabalho mesmo, seu objeto e seus meios. MARX, K. O Capital: Crítica da economia política. 1o vol. São Paulo: Editora Nova Cultura Ltda, 1992. p. 297-298 (destaques nossos). No sentido expresso no fragmento, pode-se afi rmar que o trabalho é um todo complexo que envolve as seguintes características: A) É um intercâmbio entre o ser humano e a natureza. Isso signifi ca que tudo o que usamos advém do mundo natural, da natureza, e é por meio do trabalho que o ser humano a transforma em utensílios a serem utilizados. O celular, por exemplo, possui um esqueleto de plástico que sustenta as peças e dá formato ao aparelho. O plástico é um derivado do petróleo, que sofreu processos bioquímicos até ser transformado em um polietileno a ser moldado no formato do celular. Partindo de uma matéria natural (petróleo), nota-se que esta, por meio de ações humanas (trabalho), foi sendo modifi cada até ser transformada em um esqueleto que, por sua vez, será usado para montar um celular. Esse elemento é extremamente importante, já que aclara a dependência da humanidade em relação à natureza, ou seja, mostra como fazemos parte e dependemos dela ao mesmo tempo. Como consequência disso, toda vez que destruímos a natureza, estamos, ao mesmo tempo, nos destruindo. Todas as discussões, tão presentes nos dias atuais, a respeitoda conservação do meio ambiente devem perpassar por esse aspecto. B) Ao alterarmos a natureza, estamos, ao mesmo tempo, alterando a nós mesmos. Primeiramente, isso ocorre por sermos parte da natureza – como vimos no tópico A. Em segundo lugar, toda nossa intervenção pressupõe usos/aprendizagens de conhecimentos que nos modifi cam. Ao carpir um quintal, por exemplo, necessitamos de uma série de técnicas de manejo de tecnologias (enxada, roçador a gasolina etc.), ou seja, ou conhecemos as técnicas e as utilizamos, ou vamos aprendendo a técnica à medida que fazemos o uso da enxada. Esse aprender a técnica pressupõe uma modifi cação interna (de processos psíquicos, bioquímicos etc., conjunto de habilidades) que nos modifi ca. Ninguém nasce sabendo usar uma enxada, é necessário 1 - http://cnec.lk/05w5 Trabalho como categoria sociológica propriamente humana 7Volume 3 que nos apropriemos de coordenações motoras (fi na e grossa) para seu manuseio, mediante um processo de socialização, etc. Nesse sentido, todo aprendizado é reprodução e criação ao mesmo tempo, pois é internalizado pelo indivíduo, que, de maneira ativa, vai utilizá-lo e recriá-lo mediante uma necessidade. C) Capacidade humana teleológica. A teleologia é uma especifi cidade da espécie animal homo sapiens que signifi ca o ato de criar mentalmente (idealizar) o resultado fi nal do trabalho, antes mesmo de executá-lo. Um exemplo signifi cativo desse ato pode ser facilmente vislumbrado na construção civil, na qual, antes de se construir qualquer casa, prédio etc., faz-se uma planta. Na verdade, a planta de uma casa nada mais é do que uma idealização do resultado fi nal do trabalho que será executado. Sobre essa capacidade, teleologia humana, é interessante a problemática colocada por Lukács2: […] o trabalho […] é um pôr teleológico conscientemente analisado, que, quando parte dos fatos corretamente reconhecidos no sentido prático e os avalia corretamente, é capaz de trazer à vida processos causais, de modifi car processos, e transformar entes em objetividades que se quer existiriam antes do trabalho. (Seria enganoso, aqui, pensar apenas em formas de trabalho altamente desenvolvidas. A roda, que não existe em parte alguma na natureza, foi, por exemplo, inventada e produzida em fases relativamente iniciais.) Portanto, o trabalho introduz no ser a unitária inter- relação, dualisticamente fundada, entre teleologia e causalidade; antes de seu surgimento havia na natureza apenas processos causais. Em termos realmente ontológicos, tais complexos duplos só existem no trabalho e em suas consequências sociais, na práxis social. O modelo de pôr teleológico modifi cador da realidade torna-se, assim, fundamento ontológico de toda práxis social, isto é, humana. Na natureza, em contrapartida, só existem conexões, processos etc. causais, nenhum tipo teleológico. LUKÁCS, György. Prolegômenos para uma ontologia do ser social: questões de princípio para uma ontologia hoje tornada possível. São Paulo: Boitempo, 2010, p.43, 44 e 45. (grifos, nossos) D) A utilização de capacidades físicas e mentais. Todo trabalho utiliza, ao mesmo tempo, conhecimentos e esforços físicos. Não existe trabalho somente intelectual, da mesma forma que não existe trabalho somente braçal. No trabalho considerado intelectual, um professor, por exemplo, além de se utilizar de energia ao se movimentar para escrever na lousa etc., utiliza-se principalmente de funções psicológicas e mentais. Nesse sentido, objetiva-se que essa classifi cação entre trabalho braçal, manual e/ou trabalho intelectual diga respeito ao principal uso que o indivíduo está realizando das funções de seu corpo. Quando um indivíduo utiliza-se de mais movimentos e desgastes físicos, classifi camos esse trabalho como braçal, já o trabalho denominado intelectual está associado a um uso mais intenso de funções mentais do que físicas, contudo ambos usam todas as capacidades humanas em diferentes proporções. A fi m de aclarar a afi rmação de que apenas os humanos trabalham, faz-se necessário problematizar a questão, já que esta nos permite entender, também, a diferença entre o agir instintivo (propriamente dos animais não humanos) e o agir cultural (propriamente dos humanos) – práxis. Essa práxis humana, agir cultural, permite ao ser humano, ao longo da história, ir alterando as formas de trabalho, de linguagem etc. Pense na produção agrícola. Esta, nos últimos 50 anos, por exemplo, sofreu grandes alterações com a implementação de maquinários, 2 - http://cnec.lk/05vz Nossos computadores estão fora do ar, e por isso estamos tendo de fazer tudo manualmente... Fig.9.9 Práxis é uma das formas de entendimento das ações do ser humano no mundo. Ela pressupõe um movimento: ação → refl exão → ação. Nesse sentido, a práxis é uma forma de ação pensada do ser humano no mundo social vivido. Sociologia 8 1ª série do Ensino Médio insumos agrícolas etc., permitindo a nós humanos aumentarmos nossa capacidade produtiva, poupando trabalho vivo mediante a aplicação de trabalho morto (instrumentos de produção – tratores, colheitadeiras, processadores de grãos etc.). E os animais? Há quantos anos as leoas caçam da mesma forma? E as abelhas na produção de mel? Note que esses animais produzem suas carências da mesma forma desde suas existências como espécies há milhares de anos, agindo instintivamente, diferentemente dos seres humanos, que, ao agirem culturalmente, vão transformando as formas pelas quais essa produção é realizada. Nesse sentido, fi ca claro também que um cachorro, por exemplo, não aprende, e sim é condicionado a agir de determinada maneira. Dessa forma, condicionamos o cachorro a fazer suas necessidades em um determinado lugar, adestrando o animal conforme nossas ações. Mas por que condicionamento e não aprendizado? O condicionamento não pressupõe um processo ativo e de transmissão para os outros membros da espécie da parte daqueles que foram condicionados. Assim, quando procriar, a cadela não vai ensinar seus fi lhotes a defecar no mesmo lugar o qual havia sido condicionado a ela: isso só poderá ser feito por nós seres humanos. Por sua vez, o processo humano é bem diferente. Após ensinarmos ou condicionarmos – isso porque o ser humano também é um animal, mas com características especiais – uma criança a usar o vaso sanitário, esta conseguirá transmitir esse conhecimento a outros membros da mesma espécie, o que, já vimos, não acontece com os demais animais. Sobre esse elemento, cabe notar ainda que as contemporâneas concepções sociais, psicológicas e psicanalíticas têm mostrado que esse processo de aprendizagem é sempre ativo, ou seja, que o indivíduo apreende o mundo de maneira ativa e racional. Com o intuito de fi ndar essa primeira parte do capítulo, faz-se necessário uma última observação. Mediante essa práxis ativa do ser humano em relação ao mundo, os seres humanos foram criando uma linha de desenvolvimento que não depende apenas das mudanças biológicas para acontecer, como no caso dos animais não humanos. Note que fomos prosseguindo numa linha de desenvolvimento social, formando, assim, o ser social, ou o ser humano propriamente dito. Mas o que isso signifi ca na prática? Imaginemos uma catástrofe em que todos os adultos da espécie humana fossem destruídos e apenas sobrevivessem os indivíduos humanos que ainda não dominaram a linguagem – crianças bem pequeninas. Eles saberiam utilizar instrumentos tecnológicos como energia elétrica, televisão, internet, roda etc.? Não saberiam. Isso porque essas ferramentas, esses aprendizados etc. foram desenvolvidos e são transmitidos socialmente, não são passados biologicamente para os indivíduos humanos. Dessa forma, se isso acontecesse, seria como se voltássemos aos primórdios da humanidade – no que diz respeito aos conhecimentos culturais e não sobre nossa formaçãobiológica –, em que a linguagem teria que ser desenvolvida, e todo o conjunto de coisas que acumulamos socialmente teria de ser desenvolvido novamente. Basta pensarmos nas bibliotecas de Alexandria, no extermínio de comunidades ameríndias e como esse conjunto de conhecimentos foi perdido. Dessa forma, cabe retomar que o trabalho, conforme estudamos até aqui, é uma característica da práxis humana em seu intercâmbio com o meio natural e nos permite sanar nossas carências e necessidades. Todo trabalho possui um elemento racional – teleologia –, que, juntamente com outras características humanas, permite a esse animal especial intervir no mundo e criar um mundo propriamente humano, humanizado, ao transformar a natureza, adaptando-a, moldando-a de maneira ativa. Esse processo, diferentemente de outros animais, pressupõe um conjunto de aprendizados sociais transmitido de geração em geração, o qual faz com que os humanos desenvolvam uma linha de desenvolvimento histórico não dependente única e exclusivamente do biológico, mas de um desenvolvimento social, ou seja, de uma formação do ser social. Outro possível entendimento a respeito do trabalho pode ser vislumbrado no livro A condição humana, de Hannah Arendt3, no qual a autora aponta: 3 - http://cnec.lk/073l Trabalho como categoria sociológica propriamente humana 9Volume 3 Com a expressão vida activa, pretendo designar três atividades humanas fundamentais: trabalho, obra e ação. São fundamentais porque a cada uma delas corresponde uma das condições básicas sob as quais a vida foi dada ao homem na Terra. O trabalho é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano, cujo crescimento espontâneo, metabolismo e resultante declínio estão ligados às necessidades vitais produzidas e fornecidas ao processo vital pelo trabalho. A condição humana do trabalho é a própria vida. A obra é a atividade correspondente à não-naturalidade [unnaturalness] da existência humana, que não está engastada no sempre-recorrente [ever-recurrent] ciclo vital da espécie e cuja mortalidade não é compensada por este último. A obra proporciona um mundo “artifi cial” de coisas, nitidamente diferente de qualquer ambiente natural. Dentro de suas fronteiras é abrigada cada vida individual, embora esse mundo se destine a sobreviver e a transcender todas elas. A condição humana da obra é a mundanidade [worldliness]. A ação, única atividade que ocorre diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o mundo. Embora todos os aspectos da condição humana tenham alguma relação com a política, essa pluralidade é especifi camente a condição – não apenas a conditio sine qua non, mas a condição per quam – de toda vida política. […] A pluralidade é a condição da ação humana porque somos todos iguais, isto é, humanos, de um modo tal que ninguém jamais é igual a qualquer outro que viveu, vive ou viverá. ARENDT, Hannah. A condição humana. 12ª ed. rev. Rio de Janeiro: Florense Universitária, 2015, p. 9 e 10, negritos nossos. Assim como no volume 1, há aqui dois pontos de vista distintos para um mesmo processo, visto que existe uma divergência conceitual de acordo com o que foi lido anteriormente (apontamentos de Hannah Arendt). Enquanto para Marx e para a corrente marxista o trabalho é a categoria fundante do ser humano, diferenciando os humanos de outros animais, para Hannah Arendt uma das correntes liberais, apenas a vida ativa é característica propriamente humana. Exercícios de sala 1 Explique a diferença entre agir instintivo e agir social. Exemplifi que esse processo mostrando a diferença entre o processo de desenvolvimento apenas biológico, realizado pelos animais não humanos, e o processo de desenvolvimento social, realizado pelos humanos – relação entre desenvolvimento social e biológico. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 2 Em consonância com Marx, descreva o que podemos entender por trabalho e quais são suas quatro características elementares. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ Sociologia 10 1ª série do Ensino Médio Exercícios modelo vestibular 3 Analise esta fi gura e responda ao que se pede: Fig.9.10 Com base em seus conhecimentos sobre o trabalho enquanto conceito sociológico, assinale a alternativa correta. a) Todos os animais executam trabalho. b) Só os mamíferos superiores executam trabalho. c) Apenas os humanos são capazes de executar trabalho. d) Os macacos executam trabalho, pois produzem ferramentas. e) Os macacos executam trabalho produzindo e transmitindo conhecimentos. 4 Analise as assertivas a seguir sobre o conceito sociológico de trabalho. I) O trabalho humano possui uma racionalidade chamada de teleologia. II) Toda ação que possui uma fi nalidade pode ser considerada trabalho. III) Todo trabalho humano tem como uma de suas características ser um mediador entre o ser humano e a natureza. Assinale a alternativa correta. a) Apenas a assertiva I está correta. b) Apenas a assertiva II está correta. c) Apenas a assertiva III está correta. d) Apenas as assertivas I e II estão corretas. e) Apenas as assertivas I e III estão corretas. Exercícios modelo Enem 5 Em Hannah Arendt, vida ativa designa três atividades humanas fundamentais: trabalho, obra e ação. Dessa forma, pode-se dizer que a) a ação é a única atividade propriamente humana. b) a obra é a única atividade propriamente humana. c) o trabalho é a única atividade propriamente humana. d) apenas os humanos realizam tanto o trabalho como a obra. e) os humanos realizam tanto o trabalho como a ação. 6 Karl Marx e Hannah Arendt divergem na concepção de trabalho por eles discorridos. Enquanto em Marx o trabalho é a categoria fundante do ser humano e só pode ser executado pelos humanos, em Hannah Arendt o trabalho representa os processos a) sociais. b) biológicos. c) da vida política. d) de artifi cialização do mundo. e) de formação de objetos duradouros. Texto complementar: Título: O Homem e a cultura. Autor: Alexis Nikolaevich Leontiev Referência: LEONTIEV, Alexis. O desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: Horizonte, 1978. Página: 261-284 Acessar: http://cnec.lk/066i Trabalho e relações de produção ao longo da história 11Volume 3 10. Trabalho e relações de produção ao longo da história Situação-problema: Discutir os modos de produção e reprodução da vida material ao longo da história da humanidade, mostrando as permanências e transformações ocorridas durante esse processo. Fig.10.1 No capítulo anterior, problematizamos o trabalho enquanto categoria sociológica ontológica do ser humano, ou seja, enquanto categoria necessária para a relação dos humanos com a natureza, como um elemento necessário para a formação e manutenção da vida, independentemente – caso isso fossepossível – das formas sociais que esse intercâmbio vai estabelecendo socialmente. Nesse sentido, objetiva-se neste capítulo o entendimento de como o trabalho foi assumindo formas de relações sociais específi cas ao longo da história. A esse processo de produção da vida material damos o nome de Modos de Produção (MP). De maneira simplifi cada, pode-se dizer que MP é a relação entre as forças produtivas e as relações de produção em cada momento histórico. As forças produtivas se constituem como uma relação entre a força de trabalho humana (aptidões humanas para a produção de riqueza material, tudo aquilo que materialmente é necessário ser produzido para se viver, expresso principalmente nas técnicas de trabalho) e os meios de produção (tecnologias, instrumentos de trabalho, ferramentas, máquinas, terra, matérias-primas, entre outros elementos). As relações de produção são as formas pelas quais os seres humanos desenvolvem suas relações de trabalho e distribuição na reprodução e produção da vida material em cada momento histórico, ou seja, a forma social pela qual se organizam as relações sociais – interação entre os humanos – na produção de tudo aquilo que cada sociedade se articula para produzir. Historicamente, pode-se dizer que todos os MP, segundo Balibar4, possuem os seguintes elementos: Podemos, pois, fi nalmente traçar o quadro dos elementos de qualquer modo de produção, invariantes da análise das formas: 1. Trabalhador; 2. Meios de produção; 1. Objeto de trabalho; 2. Meio de trabalho; 3. Não trabalhador; A. relação de propriedade; B. relação de apropriação real ou material. BALIBAR, Etienne. Os conceitos fundamentais do materialismo histórico. In: ALTHUSSER, Louis; BALIBAR, Etienne; ESTABLET, Roger. Para ler o capital. Vol.02. Rio de Janeiro: Zahar, 1980. p.170. 4 - http://cnec.lk/074a Sociologia 12 1ª série do Ensino Médio Nesse sentido, para todos os agrupamentos humanos, podemos problematizar o MP, já que, independentemente da sociedade, do momento histórico, é necessário que os indivíduos dessa sociedade sejam capazes de produzir e reproduzir todos os elementos materiais e imateriais que são essenciais para a manutenção da vida. Faz-se necessário também problematizar o signifi cado conceitual de MP, lembrando que esse processo é um conceito teórico, assim como aponta Althusser5: Os conceitos teóricos (em sentido estrito) dizem respeito às determinações ou objetos abstrato-formais. Os conceitos empíricos dizem respeito às determinadas singularidades dos objetos concretos. Assim, diremos que o conceito de modos de produção é um conceito teórico, e que se refere ao modo de produção em geral, que não é um objeto existente no sentido estrito, mas que é indispensável para o conhecimento de toda a formação social, dado que toda a formação social é estruturada pela combinação de vários modos de produção. Da mesma maneira, diremos que o conceito de produção capitalista é um conceito teórico, e que se refere ao modo de produzir capitalista em geral, que não é um objeto existente no sentido estrito (o modo de produção capitalista não existe em sentido estrito, apenas existem formações sociais em que dominava o modo de produção capitalista), mas que, no entanto, é indispensável ao conhecimento de qualquer formação social sob a dominação do dito modo de produção capitalista, etc. ALTHUSSER, Lois. Sobre o Trabalho Teórico. Lisboa: Editora Presença, [s.d.], p.55 e 56. (destaques, nossos) Ao ressaltar esse elemento, o conceito de MP se refere às abstrações conceituais sobre as formas hegemônicas pelas quais a humanidade foi se organizando em cada momento histórico para produzir tudo aquilo que era necessário para a manutenção da vida, e que, dentro de um mesmo MP, têm-se as relações de produção hegemônicas e outras relações de produção que não são majoritárias (esse elemento fi cará mais claro nos tópicos seguintes), que fi carão subordinadas às primeiras. Pense, por exemplo, no MP Capitalista que vivemos atualmente, em que a relação de produção dominante é o assalariamento. Contudo temos outras relações que não têm como base o assalariamento, como o trabalho escravo, os meieiros de terra etc. Desse modo, estudaremos os principais modos de produção: MP Comunal, MP Asiático, MP Feudal e MP Capitalista. Exercícios de sala 1 Explique o que podemos entender por modos de produção. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 10.1 Sociedades comunais – modo de produção comunal Para Engels e Marx: “Pode-se distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião ou pelo que se queira. Mas eles mesmos começam a se distinguir dos animais tão logo começam a produzir seus meios de vida, passo que é condicionado por sua organização corporal. Ao produzir seus meios de vida, os homens produzem, indiretamente, sua própria vida material.” (ENGELS e MARX, 2007, p.87, grifos nossos). Assim, pode-se dizer – com base nas descobertas da 5 - http://cnec.lk/074b Disponível em: <www.proza.ru/pics/2012/03/30/160. jpg>. Acesso em: 07 jun. 2016. Fig.10.2 Trabalho e relações de produção ao longo da história 13Volume 3 paleontologia, arqueologia etc. – que, aproximadamente, há um milhão de anos os primeiros indivíduos do gênero humano denominados Homo habilis (Australophitecus) deixaram seus vestígios no planeta e foram, nos tempos contemporâneos, encontrados no continente africano. Outros animais do mesmo gênero, como o Pithecanthropus, também foram encontrados no continente asiático e africano; o Homo sapiens neandertal, encontrado nos continentes africano, asiático e europeu; e, por fi m, a espécie que hoje habita o planeta, denominada Homo sapiens sapiens. Nesse sentido, ao analisarmos o Período Paleolítico (1 milhão de anos até 10.000 anos a.C.), concluímos que o objetivo do gênero humano era a permanência diária da vida, ou seja, a luta diária para conseguir meios de sobrevivência biológica (alimentação, proteção e reprodução). As atividades principais desse momento estavam relacionadas à caça, à pesca, à coleta, bem como à defesa em relação a outros animais que viviam nesse período. Em termos de técnicas, costuma-se dizer que esse foi o momento em que esse gênero animal começa a produzir ferramentas com pedras e madeiras, mediante o aperfeiçoamento e as mudanças ocorridas nas mãos que permitiam, com o dedo polegar e o opositor, desenvolver novos movimentos que outros animais não tinham a capacidade de realizar. Além disso, nesse momento, os primeiros agrupamentos do gênero humano passam a dominar técnicas de energia, mais propriamente o fogo, o qual passa a ser utilizado como arma, como fonte de calor contra o frio e para o cozimento de alimentos, entre outras utilizações. Dentre as principais técnicas de obtenção/controle do fogo, pode-se destacar: Percussão oblíqua-lançada. Empregada a projeção de faíscas sobre material facilmente combustível (estopa, folhas secas etc.) com a ajuda de pedras duras (quartzo, sílex) percutidas contra outras pedras duras ou contra nódulos metálicos (piritas de ferro). Percussão oblíqua-colocada. É uma técnica por fricção. Emprega o atrito contínuo de um pedaço de madeira em outro pedaço de madeira geralmente mais duro. O calor gerado é comunicado a um material facilmente infl amável. As formas modernas dessa técnica são o fósforo químico e o isqueiro de pederneira. A percussão circular. Com essa técnica, o fogo é obtido pela rotação de uma varinha de madeiradura introduzida numa cavidade feita num pedaço de madeira mais mole. O movimento de rotação rápido que se imprime à varinha diretamente com as palmas das mãos, ou indiretamente, com a ajuda de uma correia, produz aquecimento sufi ciente para infl amar materiais combustíveis. RIVAL, Michel. As grandes invenções da humanidade. 1º vol. São Paulo: Larousse, 2009, p. 17. De maneira geral, o domínio das técnicas de produção/criação do fogo, assim como todas as demais, não apareceu ao mesmo tempo em todas as regiões as quais habitavam os humanos, mas foi se constituindo mediante necessidades e conhecimentos adquiridos e passados socialmente de geração em geração. Do exposto até o momento, conclui-se que o gênero humano era nômade, ou seja, não habitava um lugar fi xo, mudava de região para região de acordo com as necessidades, a disponibilidade de alimentos, a proteção do grupo, entre outros fatores. Além disso, toda a produção – que não gerava excedentes – era realizada de maneira social e apropriada, coletivamente, de acordo com as necessidades, ou seja, os indivíduos viviam em um sistema de Disponível em: <https://lh6.googleusercontent.com>. Acesso em: 30 jun. 2016. Fig.10.3 Soquete de apoio Estaca ou broca Arco Base de madeira macia Papel ou folhagem Fig.10.4 Sociologia 14 1ª série do Ensino Médio cooperativismo. Nesse contexto histórico já era perceptível uma certa divisão do trabalho, que se baseava no sexo do indivíduo, especialmente nos períodos de gestação e de cuidados iniciais com os novos membros e, diferentemente do que ocorre nos dias atuais, essa divisão não era sinônimo de desigualdade entre os membros do agrupamento em questão. O Período Neolítico (de 10.000 a 4.000 anos a.C.) é marcado pelo surgimento de técnicas e tecnologias de agricultura e pecuária, possibilitando que os humanos pudessem se sedentarizar (fi xar-se em um espaço formando pequenas vilas). Ao se fi xarem, passa a existir a necessidade de desenvolverem tecnologias e técnicas de construção (folhagens de palmeiras para cobrir as cabanas, por exemplo), bem como de armazenamento de água e comida (uso de cabaças, por exemplo). Nessa perspectiva, inicia-se, mais intensamente, o domínio dos animais. Em vez de caçá- los, começa-se a criá-los, o que facilitava a obtenção de proteína animal. Muitos apontam que o domínio da pecuária inicia-se no Oriente e depois é levado para outras regiões como África e Europa. Contudo as técnicas de produção de animais puderam ser vislumbradas no mesmo momento em regiões como sudeste e sudoeste Asiático, no México asteca e no Peru andino. Dentre os principais animais domesticados, destacam-se os bovinos, os caprinos, bem como os porcos, galinhas e os cachorros. Já no que diz respeito às técnicas e tecnologias agrícolas, um dos importantes instrumentos inventados foi o arado, que, puxado por animais, permitiu substituir o homem e poupá-lo de tal trabalho, além de aumentar a capacidade de produção agrícola. Dentre as principais culturas produzidas, destacam-se a cevada, o trigo, a mandioca, o linho no Oriente Médio (Mesopotâmia e Egito); o feijão, o milho, a pimenta, a mandioca, o fumo, o algodão e a batata na Mesomérica (México e Peru); o trigo, a cevada na Europa Central; o arroz, a cevada e o linho no Extremo Oriente (China); entre outros. O sedentarismo revolucionou a forma de vida da humanidade, que, a partir desse momento, começou a se organizar e a ampliar os grupos sociais. Ademais, começou a produzir utensílios domésticos, como estantes, mesas, cestas, balaios etc. Nesse momento, as sociedades ainda organizavam a produção de maneira cooperativista, ou seja, produção e apropriação dos bens materiais e imateriais, adquiridos por todos do grupo, de acordo com as necessidades de cada membro. A noção de propriedade privada começou a aparecer, já que a tribo, ao cultivar um determinado pedaço de terra ou produzir uma determinada ferramenta de trabalho, considera como seu determinado território e o defende de grupos vizinhos que tentavam ocupá-lo. O período chamado de Idade dos Metais (de 4.000 a 3.500 a.C.) foi marcado pelo desenvolvimento de uma vida em cidades, e de técnicas de fundição de metais como o cobre, o bronze (mistura de cobre com estanho) e o ouro. Com a melhoria dos instrumentos de trabalho – agora feito de metais – bem como o surgimento de novas técnicas de cultivo da terra e criação de animais, o excedente produtivo aumenta, gerando, assim, a possibilidade de apropriações desiguais daquilo que era socialmente produzido. Num sentido amplo do termo, pode-se dizer que se inicia o processo de separação dos indivíduos em classes sociais, concretizando-se a noção de propriedade privada – seja daquilo que é produzido, seja das terras, entre outros elementos. Inicia-se a disputa entre grupos detentores e não detentores de propriedades privadas, como bem aponta a cartilha da Coordenação de Pastoral da Periferia de Salvador: Disponível em: <https://s3.amazonaws.com/gs-geo- images/58f08014-228b-4ef0-aa2d-39a1169c773b.jpg>. Acesso em: 30 jun. 2016. Disponível em: <https://s3.amazonaws.com/gs-geo- images/58f08014-228b-4ef0-aa2d-39a1169c773b.jpg>. Acesso em: 30 jun. 2016. Fig.10.5 Fig.10.6 Trabalho e relações de produção ao longo da história 15Volume 3 Quando, no trabalho, os homens começam a produzir mais que o necessário para sobreviver, a existência de escravos passa a ter sentido, por que eles produzem o seu sustento e o excedente, o qual vai parar nas mãos de seus donos. A história do Homem, p.7 É justamente nesse momento histórico que podemos considerar, não com uma data fi xa, mas como um processo contraditório, o surgimento de pessoas que, por diversos motivos, dominam, subordinam, exploram outros humanos, fi ndando-se a era da cooperação entre os humanos e iniciando-se a era das desigualdades sociais, com seres que lutam em busca de propriedades privadas. Cabe ressaltar também que, com a existência cada vez maior de excedente, passa a emergir o comércio (basicamente baseado em trocas, escambos entre grupos e/ou indivíduos), e o artesanato ganha novas técnicas e tecnologias, o que, consequentemente, impulsionou a ampliação e a criação de centros de trocas, que serão chamados posteriormente de cidades. Outros dois grandes elementos de produção humana surgiram nessa época na Suméria (Mesopotâmia): a escrita e a roda. Essas duas tecnologias revolucionaram a humanidade, a primeira na área da comunicação, e a segunda, na de transportes, possibilitando à humanidade inovar e realizar fatos até o momento inimagináveis: transportar objetos mais pesados de maneira mais rápida; estruturar sistemas de polias, entre outros. Já a escrita possibilitou padronizar leis, difundi-las, de maneira geral, entre outros elementos. Exercícios de sala 2 O modo de produção comunal desenvolve-se em diversos momentos da nossa periodização histórica. Explique os elementos comuns a todos esses períodos. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ 10.2 Modo de produção tributário ou modo de produção asiático O modo de produção tributário pode ser encontrado em diversas sociedades e em diversos momentos históricos. Dentre essas sociedades existentes, destacam-se: a mesopotâmica, a fenícia, a egípcia, a chinesa, a América Pré-colombiana (incas, maias, astecas, nativas brasileiras). Sociedade mesopotâmica Esse nome advém de mesopotâmia, que, em grego, signifi ca entre rios. No caso em questão, os rios envolvidos são o Tigree o Eufrates. Na atualidade, esse território é o Iraque, parte do Irã, da Síria e da Turquia. Mar Mediterrâneo Mar Negro Golfo PérsicoMar Vermelho Mar Cáspio Síria Chipre Fenícia Palestina Assírios Amoritas Acádios Sumérios Caldeus ÁSIA MENOR Pérsia POVOS DA MESOPOTÂMIA MESOPOTÂMIA Babilônia Nippur Uruk (Erech) Ur Lagash Nínive DESERTO DA ARÁBIA Rio Eufrates Rio Tigre Acervo Sistema de Ensino 0 100 200 km Fig.10.7 Sociologia 16 1ª série do Ensino Médio Essa sociedade era estruturada, em termos gerais, em três grandes grupos sociais: aristocracia (nobres), cidadãos livres e escravos, sendo que grande parte da manutenção dessa sociedade assentava-se no trabalho escravo e nos impostos pagos pelos camponeses. Normalmente, os escravos – capturados em guerra – eram direcionados para a produção de obras públicas, enquanto os camponeses e os homens livres (criadores de gado, comerciantes, artesãos, ferreiros, pescadores) produziam e pagavam impostos que garantiam a manutenção do Estado. Assim, os agricultores eram os responsáveis pela produção de toda a comida que era consumida pelos demais grupos sociais. Essa sociedade, portanto, organizava a produção da vida material de tal forma que existia uma mescla entre trabalhadores escravos e trabalhadores que pagavam tributos, o que mantinha toda a estrutura da sociedade. Sociedade fenícia Sociedade baseada na agricultura, especialmente de cereais, vinho e oliva. Devido à sua localização geográfi ca e às suas necessidades objetivas, essa sociedade produziu grandes técnicas e tecnologias navais. Desenvolveu-se na região perto do Mar Mediterrâneo (ver mapa ao lado). Essa sociedade tinha como sustentáculos de estruturação a produção agrícola e a produção comercial – que se realizava basicamente em todo o Mar Mediterrâneo. Além disso, essa sociedade é responsável pela criação do primeiro alfabeto, que, mais tarde, será modifi cado pelos gregos e pelos romanos dessa forma podemos considerá-los como precursores da escrita. Pode-se dizer que grande parte da arrecadação do Estado estava associada aos tributos pagos pelo comércio – empresa marítima comercial, por assim dizer – e pela produção agrícola que alicerçava essa sociedade. Sociedade egípcia A sociedade egípcia, assim como as demais sociedades que vimos até agora, tem sua base produtiva alicerçada na agricultura, mais propriamente na servidão coletiva de sua população, apresentando uma organização muito complexa para a época (ver fi gura ao lado). O faraó era a representação de Deus na Terra, ao qual todos deveriam servir. Os nobres eram os funcionários do Estado (burocratas e altas patentes militares), sacerdotes e grandes comerciantes que constituíam, ao lado do faraó, um grupo social privilegiado em direitos e benefícios. Os soldados eram responsáveis pela segurança externa e interna (uma espécie de polícia). Os escribas eram pessoas treinadas nas artes das letras e matemáticas, assim controlavam estoques de comida, gerenciavam as construções, entre outras funções. Os comerciantes foram responsáveis por dinamizar a comercialização com regiões vizinhas, permitindo grandes acúmulos de riqueza aos faraós. Os artesãos exerciam diversas atividades manufatureiras, como as de ourives, de escultores, entre outras. Os camponeses eram a maioria da população e trabalhavam em um regime de servidão coletiva para os faraós tanto em construções como na produção agrícola, na pesca, na construção de pirâmides, nos diques, entre outras. Compunham o principal grupo social em termos quantitativos. Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com>. Acesso em: 30 jun. 2016. Outro elemento muito importante realizado pelos mesopotâmios e egípcios diz respeito a obras de abastecimento de água, como a criação de poços e cisternas, junto a toda uma técnica e tecnologia de instalações hidráulicas. Além disso, surgiram, nesse período, as primeiras salas de banho, bem como banheiros – em palácios – individuais com latrinas e sistema de esgoto. É importante notar que esses elementos só serão popularizados na pós-revolução industrial, no século XVIII d.C. Outro grande feito dessa sociedade foi o desenvolvimento do papiro – folhas de palmeiras batidas e postas para secar, que, depois de um tratamento especial, eram utilizadas como base para a escrita. O papiro só terá sua popularidade ameaçada quando surge o papel, na China. Sociedade chinesa A sociedade chinesa desenvolveu-se nos vales dos rios, já que, nessas regiões, era possível encontrar terras férteis para a produção agrícola e a criação de animais. A sociedade chinesa, diferentemente da maioria das outras sociedades do mundo, nunca foi destruída, tendo seu processo de formação iniciado na Antiguidade e perdurado até os nossos dias. Assim como em todas as sociedades desse momento histórico, o camponês era a espinha dorsal dessa sociedade, mediante o pagamento de altos impostos ao imperador e aos grandes proprietários de terra. Para além de seu papel no setor produtivo, cabe notar que esses camponeses também exerciam o papel de combate na guerra. A China é considerada por muitos como a sociedade mais desenvolvida de todas, sendo a criadora de diversas técnicas e tecnologias que alteraram o desenvolvimento da humanidade, tais como o papel (Cai Lun, funcionário do Império chinês do séc. II d.C.) e a sericultura (cultivava o bicho da seda e a seda, que foi, por muito tempo, o produto mais caro chinês. Há relatos de que esse cultivo já existia desde 5.000 a.C.) a imprensa (800 anos d.C., entalhando caracteres em madeiras), o macarrão (aproximadamente 2.000 anos a.C.), a bússola (século 4 a.C.), o álcool (século III a.C.), entre muitas outras invenções. Disponível em: <https://upload.wikimedia.org>. Acesso em: 30 jun. 2016. Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com>. Acesso em: 30 jun. 2016. Disponível em: <http://balalaika24.ru/t1/attachments/17/171/ ea6a1459a586fef00a6895e45bb3f335.jpg>. Acesso em: 30 jun. 2016. 0 500 km 0 300 miles Acervo Sistema de Ensino Gadir Tingis Cartago Léptis Cirene Mênfis Biblos Sídon Tiro IBÉRIA EUROPA ÁSIA ÁFRICA SICILIA CRETA CHIPRE OCEANO ATLÂNTICO Mar Mediterráneo Mar Egeu Mar NegroMar Adriático As rotas comerciais dos fenícios Fenícia Rotas comerciais Fig.10.7 Fig.10.9 Fig.10.8 Trabalho e relações de produção ao longo da história 17Volume 3 Essa sociedade era estruturada, em termos gerais, em três grandes grupos sociais: aristocracia (nobres), cidadãos livres e escravos, sendo que grande parte da manutenção dessa sociedade assentava-se no trabalho escravo e nos impostos pagos pelos camponeses. Normalmente, os escravos – capturados em guerra – eram direcionados para a produção de obras públicas, enquanto os camponeses e os homens livres (criadores de gado, comerciantes, artesãos, ferreiros, pescadores) produziam e pagavam impostos que garantiam a manutenção do Estado. Assim, os agricultores eram os responsáveis pela produção de toda a comida que era consumida pelos demais grupos sociais. Essa sociedade, portanto, organizava a produção da vida material de tal forma que existia uma mescla entre trabalhadores escravos e trabalhadores que pagavam tributos, o que mantinha toda a estrutura da sociedade. Sociedade fenícia Sociedade baseada na agricultura, especialmente de cereais, vinho e oliva. Devido à sua localização geográfi ca e às suas necessidades objetivas, essa sociedade produziu grandes técnicas e tecnologias navais. Desenvolveu-se na região perto do Mar Mediterrâneo (ver mapa ao lado). Essa sociedade tinha como sustentáculos de estruturação a produção agrícola e a produção comercial– que se realizava basicamente em todo o Mar Mediterrâneo. Além disso, essa sociedade é responsável pela criação do primeiro alfabeto, que, mais tarde, será modifi cado pelos gregos e pelos romanos dessa forma podemos considerá-los como precursores da escrita. Pode-se dizer que grande parte da arrecadação do Estado estava associada aos tributos pagos pelo comércio – empresa marítima comercial, por assim dizer – e pela produção agrícola que alicerçava essa sociedade. Sociedade egípcia A sociedade egípcia, assim como as demais sociedades que vimos até agora, tem sua base produtiva alicerçada na agricultura, mais propriamente na servidão coletiva de sua população, apresentando uma organização muito complexa para a época (ver fi gura ao lado). O faraó era a representação de Deus na Terra, ao qual todos deveriam servir. Os nobres eram os funcionários do Estado (burocratas e altas patentes militares), sacerdotes e grandes comerciantes que constituíam, ao lado do faraó, um grupo social privilegiado em direitos e benefícios. Os soldados eram responsáveis pela segurança externa e interna (uma espécie de polícia). Os escribas eram pessoas treinadas nas artes das letras e matemáticas, assim controlavam estoques de comida, gerenciavam as construções, entre outras funções. Os comerciantes foram responsáveis por dinamizar a comercialização com regiões vizinhas, permitindo grandes acúmulos de riqueza aos faraós. Os artesãos exerciam diversas atividades manufatureiras, como as de ourives, de escultores, entre outras. Os camponeses eram a maioria da população e trabalhavam em um regime de servidão coletiva para os faraós tanto em construções como na produção agrícola, na pesca, na construção de pirâmides, nos diques, entre outras. Compunham o principal grupo social em termos quantitativos. Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com>. Acesso em: 30 jun. 2016. Outro elemento muito importante realizado pelos mesopotâmios e egípcios diz respeito a obras de abastecimento de água, como a criação de poços e cisternas, junto a toda uma técnica e tecnologia de instalações hidráulicas. Além disso, surgiram, nesse período, as primeiras salas de banho, bem como banheiros – em palácios – individuais com latrinas e sistema de esgoto. É importante notar que esses elementos só serão popularizados na pós-revolução industrial, no século XVIII d.C. Outro grande feito dessa sociedade foi o desenvolvimento do papiro – folhas de palmeiras batidas e postas para secar, que, depois de um tratamento especial, eram utilizadas como base para a escrita. O papiro só terá sua popularidade ameaçada quando surge o papel, na China. Sociedade chinesa A sociedade chinesa desenvolveu-se nos vales dos rios, já que, nessas regiões, era possível encontrar terras férteis para a produção agrícola e a criação de animais. A sociedade chinesa, diferentemente da maioria das outras sociedades do mundo, nunca foi destruída, tendo seu processo de formação iniciado na Antiguidade e perdurado até os nossos dias. Assim como em todas as sociedades desse momento histórico, o camponês era a espinha dorsal dessa sociedade, mediante o pagamento de altos impostos ao imperador e aos grandes proprietários de terra. Para além de seu papel no setor produtivo, cabe notar que esses camponeses também exerciam o papel de combate na guerra. A China é considerada por muitos como a sociedade mais desenvolvida de todas, sendo a criadora de diversas técnicas e tecnologias que alteraram o desenvolvimento da humanidade, tais como o papel (Cai Lun, funcionário do Império chinês do séc. II d.C.) e a sericultura (cultivava o bicho da seda e a seda, que foi, por muito tempo, o produto mais caro chinês. Há relatos de que esse cultivo já existia desde 5.000 a.C.) a imprensa (800 anos d.C., entalhando caracteres em madeiras), o macarrão (aproximadamente 2.000 anos a.C.), a bússola (século 4 a.C.), o álcool (século III a.C.), entre muitas outras invenções. Disponível em: <https://upload.wikimedia.org>. Acesso em: 30 jun. 2016. Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com>. Acesso em: 30 jun. 2016. Disponível em: <http://balalaika24.ru/t1/attachments/17/171/ ea6a1459a586fef00a6895e45bb3f335.jpg>. Acesso em: 30 jun. 2016. Fig.10.10 Fig.10.11 180º 160º 140º 120º 70º 50º 30º 30º 50º 10º 10º 0º Equador Trópico de Câncer Trópico de Capricórnio 100º 80º 60º 40º 20º Círculo P olar Ártic o 160º 140º 120º 100º 80º 60º 40º 20º Império Asteca Império Maia Área de Maior Concentração de povos Limite do Brasil Atual Reg. de Baixa Densidade Demográfica - 1-5 hab./Km2 Império Inca Legenda: Acervo Sistema de Ensino Mar de Beaufo rt Ma r d e C hu ko ts Ma r d e B er ing OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO Ma r d a N oru eg a Mar de Baffin Mar do Caribe Golfo do México Baia de Hudson Golfo do Alasca Ilhas da R ainh a Eli zabe th Estreito de Davis ÁSIA AMÉRICA DO NORTE AMÉRICA CENTRAL AMÉRICA DO SUL Fig.10.12 Sociologia 18 1ª série do Ensino Médio Outra produção muito importante realizada por essa sociedade diz respeito à utilização das forças das águas na realização de tarefas, ou seja, a utilização da força hidráulica, inclusive com a criação, séculos depois, dos moinhos hidráulicos. No que diz respeito às relações sociais de produção, pode-se dizer que a sociedade chinesa era uma sociedade estamental – com a quase inexistência de mobilidade social. Isso implica dizer que cada indivíduo seria aquilo que seus pais já eram. Se o pai fosse agricultor, o fi lho estava fadado a sê-lo também; se fosse artesão, o fi lho também seria, e assim por diante. América Pré-Colombiana (América antes da chegada de Colombo) Sociedade asteca (México e América Central) Os astecas tinham uma organização social muito desenvolvida, uma clara divisão entre campo e cidade – tal divisão só se concretizará na Europa pós primeira e segunda Revolução Industrial. O campo era onde se produziam os alimentos para a cidade, local em que estavam centralizados os poderes econômico, político e ideológico. Os comerciantes tinham um papel central, já que eles negociavam produtos com toda a Meso-América. Essa sociedade desenvolveu grandes tecnologias e técnicas de construções, seja com as pirâmides, seja no que diz respeito às zonas de moradias, com um sistema complexo de utilização de recursos hídricos, além de um estruturado sistema de esgoto. Dessa forma, essa sociedade organizava-se politicamente a partir de uma monarquia, militarizada, na qual o imperador era eleito por um conselho chamado de confederação. A vida social baseava-se na nobreza (sacerdotes e militares), nos comerciantes, nos artesões, camponeses e escravos. Cabe notar, ainda, que havia uma hierarquia na qual o escravo estava na base da pirâmide, havendo a possibilidade de mobilidade social. A produção agrícola estava assentada em produtos como a batata, o milho, o feijão, o tomate, entre outros produtos, mediante uma organização na qual a terra era comum (pertencia à sociedade), e os agricultores que nela moravam tinham que pagar tributos pela produção realizada, ou seja, parte da produção era confi scada pelo Estado. Enfi m, é necessário apontar que o povo asteca tinha uma grande produção tecnológica ligada ao campo, sabendo muito de Matemática e Astronomia. Seu calendário era baseado na pedra do sol (imagem acima). Além disso, existia uma medicina herbária avançadíssima para o tratamento de doenças típicas. No mais, esse povo também desenvolveu a roda e fazia diversas utilizações dela. Sociedade inca A sociedade inca localizava-se nas Cordilheiras dos Andes e tinha como principal fonte de renda a produção agrícola, desenvolvendodiversas técnicas e tecnologias voltadas para a produção em regiões montanhosas. A terra era propriedade da sociedade, contudo havia a exploração principalmente daqueles que trabalhavam com a terra. Disponível em: <http://www.rocksullivros.com.br/media/catalog/product/cache/1/image/9df78eab33525d 08d6e5fb8d27136e95/f/i/fi le_12_10.jpg>. Acesso em: 01 jul. 2016. Fig.10.13 Fig.10.14 Fig.10.15 Trabalho e relações de produção ao longo da história 19Volume 3 Outra produção muito importante realizada por essa sociedade diz respeito à utilização das forças das águas na realização de tarefas, ou seja, a utilização da força hidráulica, inclusive com a criação, séculos depois, dos moinhos hidráulicos. No que diz respeito às relações sociais de produção, pode-se dizer que a sociedade chinesa era uma sociedade estamental – com a quase inexistência de mobilidade social. Isso implica dizer que cada indivíduo seria aquilo que seus pais já eram. Se o pai fosse agricultor, o fi lho estava fadado a sê-lo também; se fosse artesão, o fi lho também seria, e assim por diante. América Pré-Colombiana (América antes da chegada de Colombo) Sociedade asteca (México e América Central) Os astecas tinham uma organização social muito desenvolvida, uma clara divisão entre campo e cidade – tal divisão só se concretizará na Europa pós primeira e segunda Revolução Industrial. O campo era onde se produziam os alimentos para a cidade, local em que estavam centralizados os poderes econômico, político e ideológico. Os comerciantes tinham um papel central, já que eles negociavam produtos com toda a Meso-América. Essa sociedade desenvolveu grandes tecnologias e técnicas de construções, seja com as pirâmides, seja no que diz respeito às zonas de moradias, com um sistema complexo de utilização de recursos hídricos, além de um estruturado sistema de esgoto. Dessa forma, essa sociedade organizava-se politicamente a partir de uma monarquia, militarizada, na qual o imperador era eleito por um conselho chamado de confederação. A vida social baseava-se na nobreza (sacerdotes e militares), nos comerciantes, nos artesões, camponeses e escravos. Cabe notar, ainda, que havia uma hierarquia na qual o escravo estava na base da pirâmide, havendo a possibilidade de mobilidade social. A produção agrícola estava assentada em produtos como a batata, o milho, o feijão, o tomate, entre outros produtos, mediante uma organização na qual a terra era comum (pertencia à sociedade), e os agricultores que nela moravam tinham que pagar tributos pela produção realizada, ou seja, parte da produção era confi scada pelo Estado. Enfi m, é necessário apontar que o povo asteca tinha uma grande produção tecnológica ligada ao campo, sabendo muito de Matemática e Astronomia. Seu calendário era baseado na pedra do sol (imagem acima). Além disso, existia uma medicina herbária avançadíssima para o tratamento de doenças típicas. No mais, esse povo também desenvolveu a roda e fazia diversas utilizações dela. Sociedade inca A sociedade inca localizava-se nas Cordilheiras dos Andes e tinha como principal fonte de renda a produção agrícola, desenvolvendo diversas técnicas e tecnologias voltadas para a produção em regiões montanhosas. A terra era propriedade da sociedade, contudo havia a exploração principalmente daqueles que trabalhavam com a terra. Disponível em: <http://www.rocksullivros.com.br/media/catalog/product/cache/1/image/9df78eab33525d 08d6e5fb8d27136e95/f/i/fi le_12_10.jpg>. Acesso em: 01 jul. 2016. Além de técnicas e tecnologias de cultivo em região montanhosa, essa sociedade produziu uma complexa arquitetura (hoje tombada como patrimônio histórico da humanidade), bem como uma metalurgia e produção de diversos elementos de cerâmica. Em termos de divisão social, a sociedade inca está alicerçada em três grandes grupos sociais: no topo da pirâmide, estava o grande inca e os sacerdotes, que centralizavam o poder político alicerçado em princípios religiosos. Cabe notar que os sacerdotes tinham a função de educar esse povo. Na sequência, havia os nobres, normalmente pertencentes ao autoclã da sociedade e ligados, também, às altas patentes militares. E, por último, os camponeses, que tinham a função do trato com a terra. Estes seguiam sempre esta hierarquia: cultivavam a terra do grande inca e da família real, depois cultivavam o pedaço de terra que lhes cabia para a sobrevivência familiar e, por último, cuidavam da terra, no seio da sociedade, a fi m de alimentar os mais necessitados. Apesar de não domesticarem cavalos, utilizavam-se das lhamas (para a extração de lã para tecidos e cordas, e de peles e carnes) nos transportes de coleitas. É importante destacar a técnica das curvas de níveis, que foi desenvolvida permitindo a esse povo uma produção diversifi cada de produtos, tais como: batata, batata-doce, coca, milho, pimenta, algodão, amendoim, ervas medicinais etc. Para conseguir cultivar a diversidade vegetal que produzia (chegava às centenas), utilizava sistemas de irrigação na produção. Sociedade maia A sociedade maia é notória, dentre muitas coisas, pelo domínio de uma linguagem escrita, ou seja, é considerada o único povo pré-colombiano a dominar a escrita. Tão complexa como a da atualidade. Estava estruturada a partir da organização de diversas cidades-Estados. A estrutura social era basicamente a seguinte: • Ahaucan (sacerdote supremo): tinha todo o poder de decisão religioso e de Estado, desde indicar novos sacerdotes até receber tribos e tomar algumas decisões políticas. • Halach Uinic (chefe supremo): cargo hereditário de chefe dos altos administradores e magistrados do Estado, bem como dos chefes militares. • Mazehualob (camponeses e artesãos): maioria da população que pagava altos impostos daquilo que produzia e que trabalhava em obras. Além disso, esses camponeses, geralmente, moravam longe dos centros urbanos. • Putunes (grandes mercadores): diferentemente de outras sociedades, na maia, esses indivíduos eram marginalizados e sua respeitabilidade só aumentou à medida que as atividades comerciais foram se ampliando. • Escravos: geralmente advindos de espólio de guerra, os escravos, na maioria das vezes, não trabalhavam na produção, mas sempre serviam a um senhor. Nessa sociedade, assim como em outras vistas neste capítulo, a permanência dos grupos se alicerça em uma produção agrícola na qual o camponês – normalmente mediante um regime de servidão coletivo – mantinha a sociedade por meio dos produtos que gerava, e a sociedade, por sua vez, conseguia, mediante impostos, extrair das outras sociedades grandes acúmulos de riquezas produzidos por esse setor. Fig.10.16 Sociologia 20 1ª série do Ensino Médio Quadro sintético das sociedades inca, maia e asteca Asteca Inca Maia Economia Agricultura e comércio Agricultura e criação de lhamas Agricultura e comércio Política Monarquia teocrática militarizada Monarquia teocrática Cidades-Estado/ teocratas Religião Politeísmo (sacrifícios humanos) Politeísmo (sacrifícios de animais) Politeísmo (culto ao Sol) e sacrifícios de animais. Sociedade Hierarquizada (destaque para os comerciantes e guerreiros) Hierarquizada, desigual. Hierarquizada, governada por Hunac Ceel (representação dos deuses) Exercícios de sala 3 Vimos que é possível considerar diversas sociedades da Antiguidade (egípcia, chinesa, maia, dentre outras) como possuidoras daquilo que chamamos de Modo de Produção Tributário. Aponte e explique pelo menos dois elementos em comum a essa forma de organização da produção da vida material. _______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 10.3 Sociedades escravagistas (modo de produção escravocrata ou escravista) Sem a escravidão, não haveria o estado grego; não haveria nem arte nem ciências gregas. Sem escravidão não haveria Império Romano. Friedrich Engels6 As sociedades que estão inseridas no Modo de Produção (MP) Tributária têm como principal relação de trabalho a chamada servidão coletiva, na qual a maioria da população trabalhava e pagava tributos, com seu sobretrabalho, ao Estado ou trabalhava para o Estado, na realização das construções de obras públicas. Já nas sociedades que serão estudadas neste subtópico, a principal relação de trabalho situa- se no escravismo de subsistência, uma produção escravocrata voltada à manutenção das famílias donas dos escravos. Esse último aspecto é importante, pois é um dos elementos que permite distinguir o escravismo nas sociedades antigas do escravismo ocorrido no Brasil, no qual os escravos estavam direcionados a uma produção (especialmente mineração, produção de açúcar e café) de commodities agrícolas e minerais para adentrar no processo internacional de valorização do capital (mundo Capitalista) na Modernidade (a partir de 1500, por assim dizer). 6 - http://cnec.lk/05vl Defi nição Conceitual: Excedente, mais produtos do que seria consumido pela pessoa ou por sua família. Excedente de produção gerado. Trabalho e relações de produção ao longo da história 21Volume 3 Sociedade grega A Grécia está localizada no Mar Mediterrâneo (entre a Europa e a África). É constituída por um arquipélago (conjunto de ilhas), o que, de certa forma, prejudicou a agricultura, devido ao terreno montanhoso. Por outro lado, essa localização propiciou um grande desenvolvimento naval e um comércio marítimo muito intenso. Essa sociedade estava alicerçada em uma estrutura social baseada basicamente em três grandes segmentos: proprietários de terras (Eupátridas e Georghois – considerados os cidadãos), não proprietários de terras, homens livres, comerciantes, artesãos entre outros (Thetas e Demiurgos) e os escravos. Dentro dessa estrutura, os escravos são os grandes responsáveis pela produção de todos os gêneros agrícolas necessários para a sobrevivência dos demais setores, além da produção de uma pequena quantidade de sobretrabalho que será comercializado. Dessa forma, a manutenção da sociedade se dá basicamente por uma produção escravocrata produzida no campo pelos escravos, além de um intenso comércio marítimo em toda a região do Mediterrâneo. Além de um conjunto de ideias políticas muito ricas produzidas pelos gregos (ideias essas que serão trabalhadas em Sociologia e em Filosofi a na 2ª série do Ensino Médio), os gregos são responsáveis pela difusão da moeda que havia surgido nas sociedades da Ásia Menor. Aristóteles7, por exemplo, é citado como um dos primeiros a construir uma teoria monetária, já que em seu livro Política, Livro I, capítulo 3, ele diz: [...] a moeda metálica, instrumento ordinário das trocas, só vale pela quantidade de metal preciso que contém [...]” e contínua, “A necessidade introduz a moeda. Consentiu-se em dar e em receber, nas trocas, uma matéria que, útil por si mesma, fosse facilmente manejável nos usos habituais da vida: foi o ferro, por exemplo, a prata ou alguma outra substância da qual se determinou a princípio a dimensão e o peso e que, fi nalmente, para se livrar dos embaraços e das contínuas mensurações, foi marcada com um cunho particular, sinal de seu valor. Mas por si mesma a moeda não passa de uma frivolidade, de uma futilidade; só tem valor pela lei e não por sua natureza, já que uma mudança de convocação entre os que fazem uso dela pode depreciá-lo por completo e torná-la de todo imprópria para satisfazer a qualquer das nossas necessidades. Sociedade romana A estrutura da sociedade romana pode ser dividida em dois grandes momentos: • em um período pré republicano a sociedade dividida em patrícios (proprietários de terras), plebeus, proletário (aqueles que possuíam apenas a prole, os fi lhos), homens livres, artesãos, homens novos ou cavaleiros (comerciantes que 7 - http://cnec.lk/05vn Fig.10.18 Ouro Madeira CobreÁrea de influência fenícia Povoamento grego Eixos da expansão grega Principais colónias gregas Principais metrópoles gregas Prata Tecidos Marfim Trigo Papiro Escravos Colunas de Hércules OCEANO ATLÂNTICO MAR NEGRO MAR MEDITERRÂNEO MAR JÓNICO MAR EGEU MAR ADRIÁTICO EUROPA CELTAS MAGNA GRÉCIA IBEROS CÓRSEGA SARDENHA Cartago Ampúrias Marselha Roma Agrigento Siracusa Esparta Atenas Foceia Bizâncio Mileto Rodes Naucratis Cirene Corinto Tarento CRETA CHIPRE SICÍLIA LÍDIA FENÍCIOS ETRUSCOS LÍBIOS ÁSIA ÁFRICA N ilo Tejo Danúbio 0 400 km Fig.10.17 Sociologia 22 1ª série do Ensino Médio seguiam a cavalo os grandes empreendimentos bélicos romanos a fi m de conseguir produtos para comercializar) e escravos. Essa divisão implicava a vida política, já que os únicos considerados cidadãos eram os proprietários de terras. • já no período imperial, a sociedade dividida em ordem ou camada senhorial (renda acima de 1 milhão ao ano); ordem ou camada equestre (renda de 1 milhão a 400 mil ao ano); ordem ou camadas inferiores (abaixo de 400 mil ao ano). Essa nova divisão social diz respeito à demanda romana de equacionar que o direito à participação política poderia ser conquistado mediante fortuna, que não só estava baseada na agricultura, mas também no intenso comércio realizado, ou seja, essa estrutura benefi ciava um setor que, até o momento, havia sido alijado de decisões políticas, mesmo tendo grande poder econômico. Independentemente do período histórico, pode-se dizer que Roma sempre teve sua produção de subsistência baseada no trabalho escravo, bem como nos saques de guerras realizados e nas grandes rotas comerciais, como a rota africana, na qual diversos minérios foram conquistados (ouro, prata, ferro) e também o sal; a rota chinesa (especiarias, louça e seda); e a rota espanhola (carnes salgadas, peixes, azeite, vinho). Outro elemento impulsionado pelas sociedades romana e chinesa foram as estradas, já que, por meio delas, integraram-se grandes territórios de maneira mais efi ciente e rápida. Sobre esse processo, o engenheiro romano Estácio (ano 90 a.C.) oferece-nos uma bela descrição: A primeira tarefa é cavar sulcos [salci] e abrir uma via. Em seguida, cavar profundamente e esvaziar o solo [entre os sulcos]. Enche-se, então, a primeira trincheira cavada com outros materiais e prepara-se, assim, um recobrimento [gremium] sobre o qual o revestimento da estrada pode ser colocada, isso a fi m de evitar que o solo ceda ou a terra ruim se revele um leito pouco seguro para os blocos de pedra que aí se amontoa. Depois, faz-se o “acabamento” da estrada com lajes assentadas nas margens [umbrones] e numerosos grampos. Exercícios de sala 4 Descreva e explique dois fundamentos básicos do Modo de Produção Escravista. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 10.4 Sociedades feudais (modo de produção feudal) Uma das ordens reza noite e dia A outra é a dos trabalhadores A outra mantém e faz justiça Cada ordem sustém as outras duas E cada ordem mantém as outras duas Arrastam tanto sofrimento e dor Suportam tão grandes tormentos A neve, a chuva, a ventania Quando trabalham a terra com as mãos, com desconforto e muita fome. Levam bem difícil a vida, pobre, sofredora e mendicante. Têm grande canseira e dor, pagam primícias8, corveias9 (…) esem coisas costumeiras. Benedito de Sant-Maure, autor do séc. XII, sobre a vida dos camponeses. 8 - Primícia: direito do senhor feudal em receber os primeiros rendimentos, frutos da colheita. 9 - Corveia: trabalhos que o servo prestava gratuitamente ao senhor feudal ou ao soberano. Trabalho e relações de produção ao longo da história 23Volume 3 O Modo de Produção Feudal estruturou- se tendo como marco histórico a Idade Média, que teve início no ano 476 com o desmoronamento do Império Romano do Ocidente, e que se estendeu até meados de 1453. Caracteriza-se pela queda do Império Romano do Oriente, que teve como marco a tomada de Constantinopla (atual Istambul) pelos turcos. Esse período dá início ao que a historiografi a tradicional chama de Idade Moderna. Tal sociedade tem como base um governo descentralizado e uma produção baseada predominantemente em uma economia de subsistência agropastoril, na qual, apesar de as relações de trabalho não mais serem escravocratas, as pessoas continuam presas à terra, com suas liberdades cerceadas, por não terem propriedade mediante uma relação de servidão. Assim como as demais sociedades, até o surgimento do capitalismo havia uma produção baseada no tempo natural, ou seja, que se norteava na natureza: quando amanhecia, saíam para o trato da terra e das criações e, quando entardecia, voltavam para suas casas para o descanso diário. Nesse momento, o espaço físico do trabalho era estruturado a partir do lar, com a ajuda de toda a família. É importante ressaltar como o trabalho feminino e o trabalho infantil estão presentes nessa sociedade. As necessidades de sobrevivência e as obrigações servis contribuem para isso. As crianças, desde que já possam exercer alguma atividade laborativa, ingressam no mundo do trabalho para auxiliar na economia familiar. Assim, quanto mais fi lhos, maior poderia ser o aproveitamento produtivo. Pelo menos era essa a lógica que regia tal sociedade, e de maneira não muito distante podemos observar a mesma lógica. GEDIEL, José António. Os caminhos do cooperativismo. Curitiba: UFPR, 2001, p. 84 Assim, pode-se afi rmar que a sociedade feudal – nesse caso não se faz necessária a diferenciação entre Baixa e Alta Idade Média – está alicerçada em uma estrutura social estamental na qual existe pouca possibilidade de mobilidade social – nasce servo morre servo, ou nasce senhor morre senhor – sendo que os grupos principais são: nobres (rei, suseranos e vassalos), que eram os proprietários de terra que possuíam como função social organizar política e socialmente os feudos, bem como garantir a segurança da terra; o clero, padres, que também possuíam terra – de maneira geral, não em seu nome, mas no da Igreja – e que cumpriam a função de sustentar ideologicamente a estrutura social; e os servos, não detentores de terra, que eram responsáveis por garantir toda a produção daquilo que seria consumido na sociedade. Além desses grupos principais, existiam os comerciantes, os artesãos, entre outros, mas a estrutura econômica e social alicerçava-se, fundamentalmente, nos grupos anteriormente apontados. 5 Pode-se dizer que a sociedade medieval está alicerçada em três grupos sociais principais e distintos (clero, nobreza e servos). Explique a função social de cada um deles. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ Fig.10.20 Fig.10.19 RENTAS SAN MIGUEL (SEPTIEMBRE) ANIMAIS ANIMAIS ANIMAIS LEGUMES LEGUMES LEGUMES TRIGO TRIGO TRIGO Funcionamento de um Feudo TERRAS DE CULTIVO DOS CAMPONESES MANSOS COMUNAIS ALDEIA DÍZIMO IGREJA BOSQUE CARPINTARIA CASTELO TERRAS DE CULTIVO PASTO DE ANIMAIS TERRAS DO SENHOR DIAS DE TRABALHO GRATUITO 1° ANO 2° ANO 3° ANO Sociologia 24 1ª série do Ensino Médio 10.5 Modo de produção capitalista 1% mais ricos 99% mais ricos Fonte: Oxfam Divisão de riqueza no mundo em 2016 Fig.10.21 Fig.10.22 Fig.10.23 Fig.10.24 O Capitalismo é um sistema sociometabólico de produção e reprodução da vida material, e seus meios de distribuição são privados, ou seja, esse sistema está alicerçado na propriedade privada dos meios de produção. A relação de trabalho, que é hegemônica, baseia-se em trabalhadores livres assalariados (assalariamento). Assim, quem não tem meios de produção vende necessariamente sua força de trabalho. (Utiliza-se a expressão “força de trabalho” em vez de “mão de obra” por razões sociológicas.) São os chamados trabalhadores, proletariados ou subalternos. Por sua vez, aqueles que são donos dos meios de produção – fábricas, lojas, bancos, entre outros – são chamados de patrão, burgueses ou classe dominante. Dessa maneira, a produção, que é realizada socialmente pelos trabalhadores, é apropriada individualmente pelos donos dos meios de produção (produção social e apropriação privada da riqueza produzida). Diferentemente dos outros sistemas econômicos, em que as classes dominantes tratavam o trabalho produtivo como algo negativo (trabalho origina-se da palavra latina tripallium, instrumento de tortura formada por três paus: tri pallium), no modo de produção capitalista, o trabalho assume lugar central na vida de todos os indivíduos, das classes dominantes às classes subalternas. Da formação do MP capitalista, que vai de meados de 1 300 d.C. até sua consolidação, pelo menos na Europa, em meados de 1850 d.C., podem-se destacar dois grandes teóricos de sustentação de tal sistema: 1) John Locke10, fi lósofo inglês considerado por muitos como o pai do liberalismo dentro da fi losofi a e um dos grandes defensores do direito de propriedade privada; (propriedade privada advem do trabalho e 2) Adam Smith11, teórico escocês considerado por muitos como o pai da economia moderna, que, em seu livro A riqueza das Nações, determinou a teoria da chamada mão invisível, que buscava explicar o funcionamento do mercado. Segundo Smith, em um mercado livre concorrencial, o preço das mercadorias – consequentemente o mercado e a produção como um todo – seria autorregulado da seguinte maneira: quanto maior a oferta de um determinado produto em relação a sua demanda, mais barato tenderia se tornar o preço, e, quanto menor a oferta em relação à demanda, mais caro tenderia se tornar o preço do produto. Ou seja, é como se, sobre o mercado, atuasse uma mão invisível que regula o preço e a produção daquilo que é produzido. A seguir, há dois exemplos hipotéticos. Em uma feira, existem cinco pessoas querendo vender um determinado produto X (laranja, por exemplo) e apenas uma pessoa querendo comprá-lo. Esses cinco comerciantes começarão a disputar para ver qual deles consegue vender. Assim, eles vão baixando o preço da mercadoria até que um consiga fazer o preço mais barato e vender ao comprador. Por sua vez, há o exemplo oposto. Existem cinco pessoas querendo comprar o produto X e apenas uma pessoa vendendo esse produto. Nesse caso, uma disputa entre os compradores (espécie de um leilão) seria iniciada, e o comprador que pagasse o maior valor compraria o produto. 10 -http://cnec.lk/074c 11 - http://cnec.lk/074d Trabalho e relações de produção ao longo da história 25Volume 3 Dessa maneira, segundo Smith, o mercado, bem como a produção, seriam autorregulados, pois, se um produtor sofresse prejuízo em um determinado ramo de comércio e/ou indústria, ele buscaria novas alternativas para a produção, seja produzindo o produto mais barato, seja alterando aquilo que está sendo produzido. Cabe notar, ainda, que, apesar de muito utilizadacomo modelo explicativo, ainda nos dias de hoje, no Capitalismo atual, esse modelo de explicações pode encontrar alguns problemas, já que há monopólios, oligopólios, quartéis, trustes, protecionismo estatal, entre muitos outros elementos que fazem com que não exista uma livre concorrência. Basta pensar no caso brasileiro, em que existe uma AMBEV cervejaria, que controla, com suas parceiras, cerca de 90% do mercado nacional. Isso signifi ca que o preço cobrado, exageradamente falando, independe da procura, já que, artifi cialmente, ela pode retirar produtos do mercado – provocando uma escassez de mercado e subindo o preço do produto comercializado – ou simplesmente aumentando o preço, já que não existe concorrente. Smith concretiza a ideia de que o trabalho é a fonte geradora de toda a riqueza assim como Locke, isso porque o trabalho é a única atividade humana que consegue agregar valor às mercadorias, dando a elas novas características. Pense na madeira. Como árvore, ela não possui nenhum valor; só passará a ter mediante o seu corte, quando se transformará em madeira utilizada em diversos segmentos. A madeira, que já tem incorporado trabalho humano, passa por uma nova transformação, dada pelo trabalho, e transforma-se em uma escrivaninha, por exemplo, que será comercializada por um preço ainda maior. Ou seja, vão sendo atribuídas novas características aos objetos naturais (nesse caso, a madeira) mediante a execução de trabalhos humanos. Marx, anos depois, apropriando-se das contribuições de Smith, Locke entre outro, criou a Teoria do Valor, com o intuito de entender o funcionamento da sociedade capitalista. Uma das problemáticas básicas levantadas pelo autor em O Capital: crítica da Economia Política busca entender o porquê de os trabalhadores que geram as riquezas (toda riqueza advém do trabalho) estarem vivendo em condições cada vez mais miseráveis. Assim, esse autor explicará o processo de geração de valor/apropriação mediante o conceito de mais-valia, ou mais valor. Em uma dada jornada de trabalho, o trabalhador incorpora valor a uma mercadoria. Parte desse valor é revertido a esse trabalhador em forma de salário, e o restante do valor por ele gerado será apropriado pelos donos dos meios de produção. Veja este esquema: Salário, parte do valor produzido pelo trabalhador que lhe retorna na forma de riqueza, nesse exemplo X/10. Mais-valor produzido pelo trabalhador, que será apropriado pelos donos dosmeios de produção. Nesse exemplo, 9X/10 8 horas de jornada de trabalho X→quantidade de valor produzido em uma jornada de trabalho. É importante notar que, nesse exemplo, o trabalhador produziria, em uma jornada de trabalho de 8 horas, X de riquezas, nas quais uma parte voltaria para ele na forma de salário (X/10) e o restante é o mais valor (uma forma de sobretrabalho) por ele produzido (9X/10), que será apropriado pelos donos dos meios de produção. A essa relação social capitalista Marx denomina exploração, já que o trabalhador não se apropria de toda riqueza que produziu. Existem duas formas pelas quais se pode conseguir extrair mais valor e, consequentemente, mais lucro (cabe notar que mais valor e lucro são coisas distintas), ou, na linguagem marxista, de aumentar a exploração do trabalho. A primeira é aumentar a jornada de trabalho, mais valor ou mais-valia absoluta. Sociologia 26 1ª série do Ensino Médio Salário, parte do valor produzido pelo trabalhador que retorna na forma de riqueza, nesse exemplo X/10. Mais valor produzido pelo trabalhador, que será apropriado pelos donos dos meios de produção. Nesse exemplo, 14X/10 12 horas de jornada de trabalho 3X/2 ou 1,5X→ quantidade de valor produzido em uma jornada de trabalho. Já a segunda forma de ampliação do mais valor ou mais-valia é intensifi car a jornada de trabalho, ou seja, produzir mais em um mesmo tempo. A essa forma dá-se o nome de mais valor ou mais-valia relativa. Salário, parte do valor produzido pelo trabalhador que lhe retorna na forma de riqueza, nesse exemplo X/10. Mais valor produzido pelo trabalhador, que será apropriado pelos donos dos meios de produção. Nesse exemplo, 14X/10 3X/2 ou 1,5X→ quantidade de valor produzido em uma jornada de trabalho. 8 horas de jornada de trabalho Dessa maneira, é possível entender, mediante uma análise da realidade, por que, anualmente, se tem aumentado a desigualdade social. Cabe notar ainda que esse processo independe da vontade dos capitalistas, quer dizer, eles também estão competindo. Assim, a discussão não perpassa uma questão moral de os capitalistas pagarem mais aos seus empregados, mas sim de como, na atualidade, eles estão organizando a produção e distribuição dos bens produzidos socialmente. Restam ainda alguns apontamentos: 1) Do exposto, é possível entender que valor é quantum de trabalho abstrato socialmente necessário para a produção de uma mercadoria (MARX, 1992). 2) Toda mercadoria tem duas características: possui valor de uso (o para que serve; como será utilizado tal elemento criado) e valor de troca (expressão do valor dado em tempo de trabalho) de uma determinada mercadoria, quando comparada com outra para ser tocada. Por exemplo, é possível trocar um carro por canetas? Sim, se um carro tem como valor de troca R$ 25 000,00 reais, é necessário ter uma quantidade de canetas equivalente para a realização da troca. Levando em consideração que uma caneta custe R$ 1,00 real, seriam necessárias 25 000 canetas para realizar essa troca. Nesse sentido, é possível evidenciar a diferença entre valor real (tempo de trabalho) e valor nominal (no preço, além do tempo de trabalho socialmente necessário para Trabalho e relações de produção ao longo da história 27Volume 3 a produção da mercadoria, há outros elementos, como fetiche da mercadoria, apego, história etc. 3) O sistema capitalista tende a concentrar renda, já que poucos, por serem donos dos meios de produção e por comprarem força de trabalho, apropriam-se individualmente da riqueza que é produzida socialmente. 4) As mercadorias são produzidas com o intuito de serem comercializadas, e não consumidas diretamente por aqueles que as produziram. 10.5.1 Fases do Capitalismo De sua consolidação até os dias atuais, houve periodicismo no Capitalismo, principalmente com o desenvolvimento da Europa e dos Estados Unidos da América, em três grandes momentos: 1) Capitalismo Comercial → Período de Colonização dos continentes americano, africano e asiático. Nesse momento, diversos países, especialmente os europeus (Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda), estão gerando grandes fortunas mediante o comércio de escravos, manufaturas, especiarias, madeira, metais preciosos, produtos agrícolas, entre outros elementos. O principal elemento de acúmulo de capitais está associado ao comércio. Cabe notar também que, nesse momento, se desenvolveram as teorias mercantilistas que preconizavam o enriquecimento mediante o acúmulo de metais preciosos. 2) Capitalismo Industrial → Período marcado pelo início do processo, mais intensivo, de mecanização, da troca de trabalho manual pelo trabalho das máquinas a vapor. Período também conhecido como Primeira Revolução Industrial. Nessa perspectiva, o setor que mais gerava renda era o industrial, com as novas descobertas de produtos e inovações técnicas e tecnológicas. Apesar de o vapor, enquanto energia, ser conhecido desde o século I d.C. (Sábio grego Heron de Alexandria), essa forma de energia só será aperfeiçoada e aplicada a uma produção em larga escala a partir das contribuições de Otta von Gueriche (barômetro e as bombas da água), Denis Papin (substituição da pólvora por vapor da água no movimento de pistões), Thomas Savery e Tomas Newcomen (criação de bomba da água sem pistão, “bomba de fogo”)e, por fi m, das contribuições de James Watt (regulação da duração do período de expansão e compressão do vapor). Mediante essas produções e acúmulos de conhecimentos, é possível descrever, parcialmente, as máquinas criadas no século seguinte, que produzirão, em larga escala, da seguinte maneira: 1809. Primeiro emprego, por Maudslay, de máquinas-ferramentas para a fabricação em série de balanças inventadas pelo francês Isambard Brunel, que emigra para a Inglaterra, para a Royal Navy britânica (capacidade de produção: 160 mil balanças por ano). Primeira navegação no mar de um navio a vapor, o Phonex do coronel John Stevens, por uma distância de 15 milhas náuticas, entre Hobken e Filadélfi a (Estados Unidos). 1810. Fundação da fábrica de máquinas-ferramentas de Maudslay e Field na Inglaterra. 1814-1847. Aperfeiçoamento, por James Fox, de numerosas máquinas-ferramentas. 1816. Primeira travessia da Mancha a vapor, pelo Élise. 1818. Invenção da fresadora, pelo americano Eli Whitney. 1819. Primeira travessia do Atlântico a vapor, pelo Savannah. 1822. Primeiro navio a vapor de ferro, o Aaron Mamby. 1825. Primeira viagem da Europa a Calcutá, pelo Enterprise. Defi nição conceitual → Para Marx (1992), “O caráter misterioso da forma-mercadoria consiste, portanto, simplesmente no fato de que ela refl ete aos homens os caracteres sociais de seu próprio trabalho como caracteres objetivos dos próprios produtos do trabalho, como propriedades sociais que são naturais a essas coisas e, por isso, refl ete também a relação social dos produtores com o trabalho total como uma relação social entre os objetos, existente à margem dos produtores.” Ou seja, é atribuir um valor social que não existe realmente. Valores atribuídos pelas marcas a suas mercadorias, por exemplo. Sociologia 28 1ª série do Ensino Médio 1827. Primeiro torno de disco de velocidade constante, do britânico Joseph Clement. 1829. George Stephenson constrói a sua Rocket, a primeira locomotiva destinada exclusivamente ao transporte de passageiros. 1830. Inauguração da primeira linha comercial de estrada de ferro para o transporte de passageiros, ligando Liverpool a Manchester. 1832. Inauguração da primeira estrada de ferro francesa, Saint-Étienne-Lyon. 1833. Construção da primeira locomotiva boggie. 1835. Primeira linha comercial da Alemanha. 1836. Construção da primeira estrada de ferro russa, ligando São Petersburgo a Pavlovsk. Invenção da máquina-ferramenta limadora, pelo britânico James Nasmyth. 1838-1844. Lançamento dos primeiros navios de alto-mar de ferro e a vapor: o Iron Sides (atravessou o Atlântico em 1838), o Queen of the East (assegurava o serviço entre Londres e Calcutá, a partir de 1839); o Great Britain. 1839-1840. Primeiro serviço comercial transatlântico assegurado pelos vapores da Samuel Cunard. No mesmo ano, o primeiro serviço regular Europa-Ásia é estabelecido com navios da companhia P&O. 1840. Desenvolvimento dos serviços regulares de vapores no Reno, no Danúbio, nos lagos suíços e em outros grandes eixos europeus. 1841. Padronização das roscas dos parafusos proposta pelo engenheiro britânico Joseph Whitworth (padrão em uso até 1948). 1845. O britânico R. W. Thompson inventa uma bandagem de borracha para as rodas. 1860. Emprego do petróleo como combustível nas locomotivas e nos navios. 1862. Primeira fresadora universal construída pela sociedade americana Brown & Sharpe. 1867. Fabricação dos primeiros aços de corte rápido pelo francês Henri Brustlein (dobrando a velocidade de trabalho das máquinas-ferramentas. 1870-1890. Desenvolvimento da Indústria ferroviária estadunidense: construção da Southern Pacifi c e da Great Northern. 1873. Primeiro torno automático, do americano C.M. Spencer. Primeiras máquinas-ferramentas elétricas. 1876. Inauguração da primeira estrada de ferro chinesa, Xangai-Woosung. 1879. Primeiros submarinos a vapor, o Resurgam e o Nordenfeldt I. 1883. Construção dos primeiros navios pesqueiros a vapor. 1888. O irlandês John Boyd Dunlop inventa o pneu, que ele adapta para as rodas de uma bicicleta. 1897. Construção, na Inglaterra, do Turbinia, primeiro navio propulsado por uma turbina a vapor e que desenvolvia uma velocidade considerável para a época: 34,5 nós (aproximadamente 64 km/h). Dados extraídos do livro As grandes invenções da Humanidade. v. 2) 3) Capitalismo fi nanceiro → O conceito aparece, pela primeira vez, com o autor Rudolf Hilferding12, em 1910, no livro Capitalismo Financeiro, em que, segundo o autor, as características básicas dessa organização são atrelar o capital industrial ao capital fi nanceiro (bancos e agências econômicas), bem como formar grupos empresariais multi e transnacionais. Suas previsões no campo econômico concretizaram-se especialmente após a Segunda Guerra Mundial, com a formação de diversos grupos empresariais que formaram monopólios, oligopólios dos setores produtivos, com o aparecimento de trustes, cartéis e hondgins. O sistema, nesse momento, tem grande parte do setor produtivo dependendo direta e indiretamente dos bancos. Hoje em dia, por exemplo, o agronegócio brasileiro é dependente de fi nanciamentos para produzir e comprar maquinários, entre outras coisas. 4) Capitalismo Informacional → Tem como base o autor espanhol Manuell Castells. Sua característica é a utilização acelerada de meios de comunicação em tempo real e os avanços nos setores de informática, telecomunicações e de transportes. Esse setor tem como base a 12 - http://cnec.lk/074e Trabalho e relações de produção ao longo da história 29Volume 3 utilização da microeletrônica no comando de determinados processos da cadeia produtiva (nesse momento, ganham peso os setores de programação e de microeletrônica). Essas fases anteriormente descritas têm como base o desenvolvimento do capitalismo europeu e estadunidense. Esta última etapa de desenvolvimento, apesar de começar a ganhar adeptos, ainda traz muitas críticas e poucos trabalhos de envergadura que sustentam sua classifi cação. 6 Apresente, com suas palavras, o que é mais valor e as duas maneiras de se aumentar a sua extração. Explique o conceito de exploração dentro do Modo de Produção Capitalista. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________ 10.6 Modo de produção socialista e comunista Diferentemente dos outros modos de produção estudados até o momento, tanto o Modo de Produção Socialista como o Comunista ou o Anarquista nunca existiram. O que houve, ao longo da história, foram tentativas, que não obtiveram êxito, de implementação de um outro modo de produção por parte daqueles que se opuseram ao Capitalismo, utilizando-se dessas concepções teóricas e ideológicas, como China, Cuba, URSS, Ucrânia e Espanha. Muitos devem estar se perguntando: O que ocorreu nesses lugares? A União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS) não foi socialista? Os levantes na Ucrânia e na Espanha não foram anarquistas? Todas essas experiências de levantes das classes trabalhadoras, em oposição a exploração capitalista, com bases nessas teorias, tiveram aspectos sociais de extrema importância que serão trabalhados em História Geral. Alguns apontamentos, contudo, serão feitos agora. Um dos pontos de intercessão entre as teorias socialismo e anarquismo divergentes entre si, mas que convergem ao criticar o sistema de exploração do ser humano pelo humano, é o fato de não poderem existir de maneira isolada; ou o mundo se transforma em Socialismo, por exemplo, ou não se obtém êxito na tentativa de implementaro Socialismo, ou seja, “Não existe Socialismo em um país só”, já dizia Marx (um dos maiores teóricos do Socialismo e Comunismo). Isso não quer dizer que todos os países tenham que se transformar em socialistas ao mesmo tempo, mas que, a partir de um primeiro país, este tenha a capacidade de espalhar a revolução socialista para o restante do globo. Para a revolução, Marx aponta que a luta pelo Socialismo deve ser travada pelos trabalhadores contra a classe dominante de seu país. Após uma revolução conquistada, este país deveria contagiar o mundo. A Rússia não contagiou o mundo. Dentre os motivos para isso, destaca-se a estratégia bolchevique, que dizia que a revolução deveria iniciar-se pela Alemanha (país de economia mais desenvolvida), como preconizado por Lênin13, um dos principais teóricos do partido. Segundo ele, a revolução na Rússia seria impulsionada pela revolução alemã, que não se realizou. Junta-se a isso o fato de, ao longo do processo incipiente da tomada de poder do Estado, a Rússia ter enfrentado um período de guerras imperialistas. Um outro elemento do fracasso deu-se pelo fato de o poder decisório da produção da vida estar nos conselhos de fábrica (proletários), corrompidos pelo partido bolchevique, que, ao longo da tomada de poder, centralizou e burocratizou os comandos da revolução em si mesmos, relegando, assim, aos trabalhadores um novo comandante: o partido nomeado de Comunista. Por fi m, o principal motivo da derrocada situa-se na esfera da vida produtiva, que diz respeito ao processo de produção e apropriação daquilo que é produzido. Segundo Marx, o Socialismo seria uma esfera de transição que aconteceria para a transformação societal para o Comunismo, no qual cada trabalhador deveria se apropriar do fruto da riqueza que gera, sem produzir mais valor, que seria apropriado por outrem, no caso russo, o partido 13 - http://cnec.lk/074f Sociologia 30 1ª série do Ensino Médio bolchevique. Para que isso fosse viável, seria necessário não existirem propriedades privadas dos meios de produção, que deveriam ser socializados. Os trabalhadores se auto-organizariam para produzirem tudo aquilo que fosse necessário. São justamente nesses elementos que se assentariam os princípios do socialismo (pois, como nunca existiu, não existe a possibilidade de mostrar como seria, já que essa corrente de pensamento se apoia no materialismo). Pode-se tomar a URSS novamente como exemplo. O que houve nessa conjunto de países que se auto procamavam socialista não foi a socialização dos meios de produção, e sim a estatização, ou seja, não foi abolida a propriedade privada, mas sim estatizada, que passou a ser gerida por uma burocracia estatal, e não pelos trabalhadores. Dessa forma, em vez de abolir a propriedade privada e a exploração (realizada por diversos burgueses), o que houve foi o Estado assumindo o papel dos burgueses explorando os trabalhadores. É importante notar que, nesses países, de certa forma, trocaram-se os senhores. O Estado, mediante sua burocracia estatal, controlava tudo o que deveria ser produzido e atuava como agente explorador da força de trabalho. Dessa forma, pode-se dizer que as experiências que se iniciaram com as bandeiras contra a exploração do ser humano por outro ser humano, mediante a ressignifi cação dos princípios socialistas e comunistas, tornaram-se o que podemos chamar de Capitalismo de Estado, já que o Estado passa a tomar decisões e a fornecer privilégios para os membros desse grupo (burocracia estatal, membro do partido bolchevique restrito. Tira-se a autonomia dos trabalhadores e reinventa-se um sistema de exploração. É interessante notar que a expressão “capitalismo de estado” foi utilizada pelo anarquista Mikhail Bakunin14, passando por Nikolai Bukharin15 (membro do partido Bolchevic) e mesmo por um dos maiores expoentes da revolução Russa, Lênin, que diz, distorcendo o que Marx apontava a respeito da ditadura do proletariado, a seguinte frase, depois da revolução de outubro: “A realidade nos diz que o capitalismo de Estado seria um avanço. Se, em um pequeno espaço de tempo, pudéssemos alcançar o capitalismo de estado, isso seria uma vitória.” (LÊNIN 1918, p. 293, tradução livre). Maurício Tragtenberg16, em seu livro O capitalismo no século XX, fará a seguinte crítica a essa forma de organização social: É pela socialização dos meios de produção controlados pela classe operária organizada em suas organizações diretamente representativas que é possível efetuar-se a passagem de uma sociedade liberal capitalista a uma sociedade planifi cada, evitando o Capitalismo de Estado e o Totalitarismo, conservando as liberdades básicas do homem (p.170-171). Desfeita a polêmica de que esse sistema tenha existido ou não, resta pouco para descrevê- lo, já que, como não existiu e seus autores possuem base materialista, não deixaram idealizado como esse processo aconteceria, mas sim princípios que deveriam ser seguidos para acabar com a exploração do humano pelo humano. A respeito do Comunismo, é possível encontrar uma menor quantidade de referências, já que, também, nunca existiu e seria uma fase posterior ao socialismo. De qualquer forma, como princípio geral, pode-se dizer, seguindo os escritos marxianos, que o Comunismo seria um sistema no qual cada um trabalharia de acordo com suas capacidades e cada um receberia de acordo com suas necessidades. O que isso representaria na prática? Isso fi ca a critério da imaginação de cada um, já que é impossível descrever/discutir/problematizar algo que nunca existiu. 7 Construa uma argumentação sociológica apresentando o motivo de ser errôneo considerar que a URSS possuía um Modo de Produção Socialista. Apresente pelo menos dois argumentos que balizem esse ponto de vista. 14 - http://cnec.lk/074p 15 - http://cnec.lk/074q 16 - http://cnec.lk/074h Trabalho e relações de produção ao longo da história 31Volume 3 _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ Exercícios modelo Vestibular 8 Le Goff afi rma sobre a sociedade medieval: A grandiosa construção carolíngia, com efeito, ia durante o século IX desagregar-se rapidamente sob os golpes conjugados dos inimigos exteriores – novos invasores e dos agentes de fragmentação internos [...] LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1984, p. 71. Dentre os agentes de fragmentação interna que ajudaram a impulsionar o surgimento do Modo de Produção Capitalista e o desmantelamento da sociedade medieval, é correto citar: a) o aumento cada vez maior do número de servos. b) o aumento do comércio e de relações de assalariamento. c) a diminuição da capacidade produtiva, que coloca em crise o abastecimento. d) a ampliação de leis de divisão de terras que permitiam aos servos se tornarem proprietários. e) o aumento das liberdades individuais que levaram a uma contestação das relações de servidão. 9 Analise estas assertivas: I) Tanta Grécia como a Roma antigas possuíam como pilar de sustentação social a força de trabalho escravista. II) As sociedades gregas e as romanas da Antiguidade possuem como principal elemento gerador de riqueza, por elas produzida, a agricultura. III) A escravidão no Brasil é igual à escravidão ocorrida na Antiguidade Clássica greco-romana. É correto apenas o que se afi rma em: a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I e III. Exercícios Modelo ENEM 10 Leia este fragmento: É preciso debater, igualmente,a possibilidade de implementar variantes sistêmicas ao capitalismo mediante a combinação de diversas formas de organização econômica a fi m de constituir um todo estruturado coerente, isto é, um modo de produção diferente tanto do capitalismo como do socialismo. Tal possibilidade é insustentável à luz da teoria marxista dos modos de produção, de acordo com a qual projetos desse gênero só poderiam derivar em formas dissimuladas, seja de capitalismo, seja de socialismo, porquanto a) tentar unifi car num único princípio dinâmico várias normas essenciais de funcionamento da vida econômica apenas pode levar à formação de um híbrido sem futuro, para além de introduzir uma dúvida a que é preciso responder: admitido que um princípio de organização social é superior aos restantes, porque não os elimina ou, em todo o caso, porque não se generaliza; b) assenta-se numa teoria idealista do Estado, concebido como um órgão neutro do ponto de vista social, esquecendo a correspondência que se estabelece entre o nível político-administrativo e a estrutura econômica da sociedade.” Lôpez-Suevos, Ramom; socialismo e mercado; trad. Portuguesa, Campo das Letras, 1994, pp. 33 (Adaptado) Sociologia 32 1ª série do Ensino Médio Pode-se dizer que a URSS foi um estado no qual a) todas as desigualdades foram superadas. b) não existia exploração do humano pelo humano. c) não existia nenhuma forma de opressão entre os indivíduos. d) não existia uma economia de mercado, ou seja, sem extração de mais valor. e) se continuou a exploração nas relações de trabalho, mesmo com avanços sociais. 11 Analise esta charge: Fig.10.25 Essa charge problematiza a realidade social, enfatizando a) a questão antitabagista. b) a alta desigualdade econômica. c) a falta de escolaridade do meliante. d) a boa distribuição de renda do sistema. e) o peso de se carregar um saco com objetos. Vídeos para discussão: 1) Sobre a origem da riqueza 2) O Emprego: http://cnec.lk/074v http://cnec.lk/074w Texto complementar: http://cnec.lk/074s Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) 33Volume 3 11. Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) Situação-problema: Problematizar a utilização e as técnicas de trabalho bem como de tecnologias na produção e na reprodução da vida material. Apontar as transformações ocorridas na forma de se produzir a partir da implementação do Taylorismo, do Fordismo e do Toyotismo. Com o advento do Capitalismo, especialmente a partir do século XIV, dos Ideais Iluministas, com as alterações sociais, entre outros elementos, intensifi cou-se um processo que, segundo Max Weber, podemos chamar de racionalização da vida. Ou seja, cada vez mais, buscou-se uma racionalidade técnica a fi m de controlar a produção e regular a vida social. Um exemplo disso foi dado pelo historiador Edward Palmer Thompson17, que, mesmo sendo de outra corrente teórica em relação a Weber18, em seu texto Tempo, Disciplina de Trabalho e Capitalismo Industrial chama a atenção para o processo de racionalização da vida, especialmente focando na questão do controle do tempo. É interessante notar que a noção de tempo dentro do sistema capitalista é alterada em relação a outros modos de produção. Enquanto que, nestes, o tempo é baseado no tempo natural (a natureza regendo a vida das pessoas mediante o nascer e o pôr do sol), no capitalismo, seguindo a máxima time is money (tempo é dinheiro), o controle do tempo passa a ser mais rigoroso mediante a difusão do relógio. Com o surgimento do relógio mecânico, por volta de 700 d.C., construído pelo monge budista Yi Xinge19, até os primeiros modelos de bolso feitos em 1500 d.C. por Peter Henlei20, e em 1595 com a descoberta do isocronismo por Galileu Galilei21, o relógio vai se tornando cada vez mais popular e vai alterando a noção de vida das pessoas, que passam a viver baseadas em um controle social do tempo centrado no relógio. Basta pensar nos modos de produção pré-capitalista: as pessoas saíam quando amanhecia para trabalhar na roça e voltavam ao entardecer, já que era impossível produzir sem luz. A partir da estruturação das corporações de ofícios e fábricas em lugares fechados, bastava colocar uma iluminação que os indivíduos poderiam continuar a produzir, independentemente se estivesse dia ou noite. Notem, com esse pequeno exemplo, que a vida das pessoas passa a ser controlada gradativamente pelo tempo social expresso no relógio, e não mais pelo tempo natural. Se, como vimos no capítulo anterior, o tempo de trabalho é o mediador pelo qual se regula a produção capitalista de valor, necessariamente quanto maior o controle do tempo (tempo de trabalho) maior será a possibilidade de ganhos e maior será a geração de valores produzidos pelos subalternos. Obviamente que as jornadas de trabalho possuem uma limitação (24h/dia) e que os grupos principais (burgueses e proletários) disputam nesse sistema a regulação dessa jornada de trabalho. Nos primeiros movimentos do processo de industrialização europeu, as jornadas de trabalho chegaram a 18h/dia, o que estava levando os trabalhadores (nesse momento inclusive crianças) a um estado de exaustão e mortes prematuras. Existem relatos de que o exército 17 - https://cnec.lk/074g 18 - https://cnec.lk/05vc 19 - https://cnec.lk/074i 20 - https://cnec.lk/074j 21 - https://cnec.lk/074k Fig.11.1 Sociologia 34 1ª série do Ensino Médio francês na época de Napoleão teve que reduzir a estatura mínima para conseguir novos soldados, e um dos motivos apontados era o excesso de trabalho (MARX, 1992). Essa disputa pela regulação da jornada de trabalho chega até os dias atuais, e foi um dos propulsores de grandes levantes populares no século XIX. Tanto é que na primeira e na segunda Internacional dos Trabalhadores (reunião de representantes de trabalhadores da Europa que buscavam a defesa desse segmento social), dentre as pautas, essa destacava-se. Dito isso, em diversos países, mediante pressão popular, os Estados são obrigados a regular as jornadas de trabalho (estas variam de país para país), o que consequentemente provoca uma redução de horas e uma diminuição, de maneira geral, da extração de mais valor absoluto. Juntam-se a isso diversos outros elementos e, mais especifi camente, estudos sobre o processo de trabalho (racionalização). Dá-se origem às teorias administrativas racionais das formas de organização da produção. 11.1 Frederick Winslow Taylor22 e o Taylorismo Taylor é considerado por muitos dos teóricos o pai da administração moderna do trabalho, sendo responsável por alterar a forma e o controle do tempo dos trabalhadores durante todo o processo produtivo. Dessa maneira, podemos dizer que a base dos estudos de tal autor baseia-se na estrutura formal e nos processos de organização do trabalho, colocando a efi ciência (como maximizar a produção mediante o controle total do tempo de trabalho, isto é, fazer que não haja desperdício de tempo produtivo) do trabalho como um de seus motes na cadeia produtiva. Na Filadélfi a, Taylor trabalhou para a Midvale Steel Co., progredindo de cargos, passando de operário a engenheiro de produção. Mediante seus estudos, juntamente com a sua experiência como trabalhador de chão de fábrica, estimou que cerca de um terço do tempo da jornada de trabalho era dispersado pelos trabalhadores naquilo que ele denominou de vadiagem sistemática. Taylor, em seus trabalhos, mostra as características históricas dessa vadiagem e culpabiliza não os trabalhadores, mas sim os gestores a respeito desse problema. Com o intuito de resolver diversos elementos que julgava ser um problema na produção, Taylor desenvolve a Teoria Científi ca da Administração, que, segundo as palavras do autor, é: Sob o sistemaantigo de administração, o bom êxito depende quase inteiramente de obter a iniciativa do operário e raramente esta iniciativa é alcançada. Na administração científi ca, a iniciativa do trabalhador (que é seu esforço, sua boa vontade, seu engenho) obtém-se com absoluta uniformidade e em grau muito maior do que é possível sob o antigo sistema; e em acréscimo a esta vantagem refere-se ao homem, os gerentes assim em novos cargos e responsabilidades, jamais imaginados no passado. À gerência é atribuída, por exemplo, a função de reunir todos os conhecimentos tradicionais que no passado possuíam os trabalhadores e então classifi cá-los, tabulá-los, reduzi-los a normas, leis ou fórmulas, grandemente úteis ao operário para execução do seu trabalho diário. Além de desenvolver deste modo uma ciência, a direção exerce três tipos de atribuições que envolvem novos e passados encargos para ela. Estas novas atribuições podem ser agrupadas nos quatro títulos abaixo: Primeiro – Desenvolver para cada elemento do trabalho individual uma ciência que substitua os métodos empíricos. Segundo – Selecionar cientifi camente, depois treinar, ensinar e aperfeiçoar o trabalhador. No passado ele escolhia seu próprio trabalho e treinava a si mesmo como podia. Terceiro – Cooperar cordialmente com os trabalhadores para articular todo trabalho com os princípios da ciência que foi desenvolvida. Quarto – Manter divisão equitativa de trabalho e de responsabilidade entre direção e operário. A direção incumbe-se de todas as atribuições para as quais esteja mais bem aparelhada do que o trabalhador, ao passo que no passado quase todo o trabalho e a maior parte das responsabilidades pesavam sobre o operário. TAYLOR, Frederich Winslow. Princípios da administração científi ca. 7. ed. Tradução de Arlindo Vieira Ramos, São Paulo: Atlas, 1970, p. 49-50. 22 - http://cnec.lk/074l Disponível em:<http://mmbiz.qpic.cn/mmbiz/ VThXbF8veIJ0ob4APBsDrLShUAAa590ESWTjiaDPnCCXiaqHy62a2gIuJjBCbFzsxOY0LXkZ8IlBTLib3IlZtjSNw/0>. Acesso em 13 jul. 2016. Fig.11.2 Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) 35Volume 3 Diante disso, pode-se dizer, como expresso na análise de Silva23, que a organização do trabalho em Taylor segue cinco princípios: 1. análise do trabalho – compreendendo o estudo dos tempos de trabalho e movimentos, isto é, a busca do melhor processo de executar o trabalho no menor espaço de tempo possível, e a redução do trabalho a regras e fórmulas matemáticas, através da análise e experimentação conduzida com rigor científi co; 2. padronização das ferramentas – com o fi m de harmonizar os métodos de execução e uniformizar o “modo de fazer” dos operários; 3. seleção e treinamento dos trabalhadores – com base nas aptidões e na ideia de que cada pessoa deve executar tarefas para as quais revele maior pendor ou inclinação; 4. supervisão e planejamento – cuja consequência foi a “supervisão funcional” pela qual se efetivou a separação entre “planejamento” e a “execução”; e 5. pagamento por produção – condição em que, além do salário normal e equivalente para todos, o operário que tivesse produção acima da quantidade fi xada receberia uma bonifi cação, proporcional ao acréscimo da produção. SILVA, Reinaldo de Oliveira. Teorias da Administração. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004, p. 119. Do exposto até o presente, é interessante notar que Taylor foca sua análise na utilização do controle/ estudo dos tempos de execução das funções pelos trabalhadores, já que o objetivo principal era treinar o trabalhador para produzir o máximo de produtos, utilizando para isso a menor quantidade de movimentos possível (objetivando economia de tempo). Dessa forma, uma grande parte dos estudos e aplicações dessa racionalidade produtiva diz respeito à reorganização técnica do trabalho. Exemplifi cando a questão: o autor investigava as formas mais efi cientes de produção realizadas pelos trabalhadores e as transformava em um modelo que poderia ser ensinado a outros trabalhadores. Assim, extraía médias de tempo e de produtividade que deveriam ser alcançadas em uma jornada de trabalho. Impunha metas de trabalho, e quem as batesse receberia uma bonifi cação pelo empenho. Para maximizar o tempo produtivo, eram reorganizadas as bancadas de maneira a deixar todos os instrumentos de trabalho o mais perto dos trabalhadores (economia de tempo). A fi m de evitar desperdício de tempo, nomeiam-se chefes de sessões para controlar e vigiar o trabalho. E assim por diante, com o intuito de fazer com que os trabalhadores executassem tarefas produtivas em todo o tempo de trabalho. Cabe notar que as contribuições de Taylor ainda hoje são utilizadas, talvez não exatamente como descritas aqui, mas como base de desenvolvimento de todos os setores produtivos. 1 E xplique os principais elementos que caracterizam a forma de organização da produção Taylorista. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 23 - http://cnec.lk/074x Disponível em:<http://everf.weebly.com/ uploads/1/5/8/8/15887422/6652394_orig. jpg>. Acesso em 13 jul. 2016. Fig.11.3 Sociologia 36 1ª série do Ensino Médio 11.2 Henry Ford24 e o Fordismo Se a questão do controle dos tempos de trabalho é um dos elementos de destaque para o Capitalismo, Henry Ford, mediante uma inovação tecnológica (esteira de produção), dá um grande avanço no que diz respeito a essa questão, já que, com a esteira produtiva, o controle do tempo da produção pode ser extraído completamente dos trabalhadores e passar para o controle dos burgueses e/ou burguesia gerencial. Ou seja, Ford, um industrial estadunidense do ramo automobilístico, desenvolve um equipamento tecnológico que revolucionaria grande parte de quase todos os setores produtivos mundiais, sendo que o primeiro carro a ser montado em uma linha de montagem e com o uso da esteira é o Ford T (ver imagem ao lado). A linha de produção e a esteira produtiva têm muito do lema posto por Ford: “Quem dirige é o trabalho, não o homem. A questão é conservar todas as coisas em movimento, de modo que o trabalho vá até ao homem e não o homem ao trabalho”. Juntando-se a isso a ideia de produção em massa e a baixos custos, Ford é um dos grandes responsáveis por impulsionar a noção e ideia de produção e consumo em massa, em larga escala, mesmo de um produto caro como o carro. É interessante notar que pouco se discute o papel das inovações criadas por Ford para a criação dessa mentalidade ainda dominante de produção massifi cada. A linha de montagem, segundo Ford, baseia-se em dois princípios: a) Um mecanismo de transferência, que pode ser um trilho, uma esteira, ou um conjunto de ganchos ligados a um mecanismo de transição integrados a um comando único que lhe transmite um movimento regular ao longo do tempo. A cada um desses ganchos, ou em cima da superfície da esteira, os objetos de trabalho são atados e assim são transferidos para praticamente todas as seções de trabalho em que se divide o setor de produção, sofrendo a intervenção dos trabalhadores (que, por sua vez, se encontram distribuídos uniformemente em cada ponto dessas seções e levados ao estoque de produtos acabados). b) Um conjunto de postos de trabalho uniformemente disposto lado a lado, a cada trecho por onde passa o objeto de trabalho trazido pelo mecanismo de transferência, e no qual já estão presentes, pequenos estoques com mecanismos quepermitam seu mais fácil acesso aos trabalhadores, instrumentos, às ferramentas e as matérias-primas que serão utilizadas por eles na tarefa estritamente determinada que têm que cumprir. Esses postos de trabalho são geralmente numerosos, ocupados por um trabalhador cada e ordenados de forma linear e, sendo mínima a intervenção de cada um na produção como um todo (correspondendo a um número pequeno de operações), a cada um deve ser levado o objeto de trabalho semitransformado no mesmo ritmo. FORD, Henry. Ford: por ele mesmo. Sumaré: Martin Claret, 1995. Dessa forma, pode-se dizer que a organização da produção fordista se baseia em três grandes pilares de sustentação, segundo Silva: • O princípio da produtividade: recomenda-se o máximo de produção dentro de um período determinado […] • O princípio da intensifi cação: consiste em aumentar a velocidade rotatória do capital circulante, visando pouca imobilização do mesmo, e grande rapidez na sua recuperação […] • O princípio da economicidade se refere a reduzir ao mínimo volume de matéria-prima em curso de transformação […] SILVA, Reinaldo de Oliveira. Teorias da Administração. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004, p. 119. 24 - http://cnec.lk/074m Disponível em:<http://roadspirit.biz/wp-content/ uploads/2014/03/Ford-T-Wikipedia.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016. De certa forma, o que Ford fez utilizando avanços tecnológicos, mas não só, foi aperfeiçoar a racionalidade de Taylor, a fi m de objetivar uma maior lucratividade. Ao construir a esteira de produção, subdividindo o trabalho em diversas etapas simples, e retirar o controle do tempo dos trabalhadores e colocá-lo nas mãos dos empresários, não mais era necessário haver, por assim dizer, chefes de seções para controlar o tempo da produção, já que este agora era controlado pela esteira produtiva. Dessa forma, conseguia-se produzir o máximo no menor tempo possível. Outro elemento interessante que cabe notar aqui é que esse modelo possibilita elevar a produção ao máximo, já que exige de seus trabalhadores (controlados pela esteira) produzir sempre no ritmo mais acelerado, pois estão divididos e executando, normalmente, apenas uma única função dentro da linha produtiva. Com isso, Ford aponta que é: Necessariamente o trabalho de muitos homens tem que ser pura repetição de movimentos, pois de outro modo não se pode conseguir sem fadiga a rapidez da manufatura que faz descer os preços e possibilita os altos salários. Algumas das nossas operações são excessivamente monótonas, mas também são monótonos muitos cérebros, inúmeros homens querem ganhar a vida sem ter que pensar – e para estes a tarefa unicamente de músculos é a boa. Possuímos em abundância tarefas que exigem cérebros ativos, e os homens que no trabalho de repetição se revelam de mentalidade ativa não permanecem muito tempo. FORD, Henry. Ford: por ele mesmo. Sumaré: Martin Claret, 1995, p. 148-149. O próprio idealizador do modelo fordista deixa claro o papel embrutecedor do trabalho ultraespecializado (apenas uma atividade) realizado por seus funcionários em sua linha de montagem. Nesse sentido, os homens se tornavam apêndices das máquinas, destruía-se qualquer iniciativa individual e atomizava-se o trabalho a níveis nunca vistos até o momento. Fora isso, outro elemento interessante para o qual ele chama a atenção é que, mediante a produção em larga escala, conseguia pagar salários superiores à média (circulava em torno de 3 dólares por dia, e o salário mínimo era de 2,30 dólares por dia), pagando, na época, a conhecida jornada de 5 dólares por dia (em 1914). Outro fato notório para a época é que a fábrica fordista tinha como estrutura uma produção chamada empurrada, ou seja, de um lado entravam as matérias-primas e do outro saíam as mercadorias (sempre no máximo de velocidade possível). Dessa forma, esse sistema, por maior que fosse a preocupação de Ford, necessitava de estoques para funcionar, bem como estoques de produtos já prontos para serem comercializados, pois permitia a produção de um carro a cada 98 minutos,o qual saía a uma faixa de 850 dólares (1908), e assim, a Ford Company conseguia uma média de 100% de lucratividade por Ford T produzido. O fl uxo de trabalho era tão intenso que a produção permitia a Ford baixar o preço do carro quase que mensalmente, batendo recordes atrás de recordes de produtividade, sendo que o Ford T, em 1916, chegou a ser vendido por 360 dólares, o modelo básico. Fig.11.7 VOU ME APOSENTAR AMANHÃ E SABE O QUE VOU FAZER? ANDAR ATÉ O FIM DESTA LINHA DE MONTAGEM E DESCOBRIR O QUE ESTOU FAZENDO HÁ 30 ANOS! FRANK e ERNEST Disponível em:<https://i.ytimg.com/vi/HMtK0lK6Cb0/ maxresdefault.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016. Disponível em:<http://desconversa.com.br/wp-content/ uploads/2016/01/Fordismo.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016. Fig.11.4 Fig.11.5 Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) 37Volume 3 De certa forma, o que Ford fez utilizando avanços tecnológicos, mas não só, foi aperfeiçoar a racionalidade de Taylor, a fi m de objetivar uma maior lucratividade. Ao construir a esteira de produção, subdividindo o trabalho em diversas etapas simples, e retirar o controle do tempo dos trabalhadores e colocá-lo nas mãos dos empresários, não mais era necessário haver, por assim dizer, chefes de seções para controlar o tempo da produção, já que este agora era controlado pela esteira produtiva. Dessa forma, conseguia-se produzir o máximo no menor tempo possível. Outro elemento interessante que cabe notar aqui é que esse modelo possibilita elevar a produção ao máximo, já que exige de seus trabalhadores (controlados pela esteira) produzir sempre no ritmo mais acelerado, pois estão divididos e executando, normalmente, apenas uma única função dentro da linha produtiva. Com isso, Ford aponta que é: Necessariamente o trabalho de muitos homens tem que ser pura repetição de movimentos, pois de outro modo não se pode conseguir sem fadiga a rapidez da manufatura que faz descer os preços e possibilita os altos salários. Algumas das nossas operações são excessivamente monótonas, mas também são monótonos muitos cérebros, inúmeros homens querem ganhar a vida sem ter que pensar – e para estes a tarefa unicamente de músculos é a boa. Possuímos em abundância tarefas que exigem cérebros ativos, e os homens que no trabalho de repetição se revelam de mentalidade ativa não permanecem muito tempo. FORD, Henry. Ford: por ele mesmo. Sumaré: Martin Claret, 1995, p. 148-149. O próprio idealizador do modelo fordista deixa claro o papel embrutecedor do trabalho ultraespecializado (apenas uma atividade) realizado por seus funcionários em sua linha de montagem. Nesse sentido, os homens se tornavam apêndices das máquinas, destruía-se qualquer iniciativa individual e atomizava-se o trabalho a níveis nunca vistos até o momento. Fora isso, outro elemento interessante para o qual ele chama a atenção é que, mediante a produção em larga escala, conseguia pagar salários superiores à média (circulava em torno de 3 dólares por dia, e o salário mínimo era de 2,30 dólares por dia), pagando, na época, a conhecida jornada de 5 dólares por dia (em 1914). Outro fato notório para a época é que a fábrica fordista tinha como estrutura uma produção chamada empurrada, ou seja, de um lado entravam as matérias-primas e do outro saíam as mercadorias (sempre no máximo de velocidade possível). Dessa forma, esse sistema, por maior que fosse a preocupação de Ford, necessitava de estoques para funcionar, bem como estoques de produtos já prontos para serem comercializados, pois permitia a produção de um carro a cada 98 minutos,o qual saía a uma faixa de 850 dólares (1908), e assim, a Ford Company conseguia uma média de 100% de lucratividade por Ford T produzido.O fl uxo de trabalho era tão intenso que a produção permitia a Ford baixar o preço do carro quase que mensalmente, batendo recordes atrás de recordes de produtividade, sendo que o Ford T, em 1916, chegou a ser vendido por 360 dólares, o modelo básico. Fig.11.7 VOU ME APOSENTAR AMANHÃ E SABE O QUE VOU FAZER? ANDAR ATÉ O FIM DESTA LINHA DE MONTAGEM E DESCOBRIR O QUE ESTOU FAZENDO HÁ 30 ANOS! FRANK e ERNEST Disponível em:<https://i.ytimg.com/vi/HMtK0lK6Cb0/ maxresdefault.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016. Disponível em:<http://desconversa.com.br/wp-content/ uploads/2016/01/Fordismo.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016. Fig.11.6 Sociologia 38 1ª série do Ensino Médio Outro elemento interessante é que esse modelo produtivo, que pode ser expandido para a fabricação industrial de quase todas as mercadorias, em certo sentido foi um dos responsáveis por gerar nos anos seguintes crises de superprodução dentro do modo de produção capitalista. As crises de superprodução nada mais são do que produzir mais mercadorias do que o mercado é capaz de consumir. Como o objetivo era produzir o máximo possível e, até esse momento histórico, tudo que era produzido acabava sendo vendido, esse novo patamar de produção em massa começou a produzir mais do que a humanidade, com seu devido poder de compra, era capaz de consumir. Talvez, pela primeira vez na história, tivessem superado a carência e desenvolvido uma forma de produção que fosse capaz de abastecer todas as demandas humanas. Contudo, devido à organização capitalista de distribuição da riqueza social, isso nunca se deu; o mundo continua, até hoje, com pessoas morrendo de fome. Um último elemento que é importante ressaltar é que esse modelo de produção engessado e altamente especializado em uma determinada função possibilita o crescimento dos sindicatos, já que, com a paralisação de um determinado setor, a fábrica toda é paralisada. Não aleatoriamente, até meados das décadas de 70 e 80 no mundo todo, a maioria dos sindicatos (organizações criadas pelos trabalhadores para atuarem conjuntamente na luta de classes) tinha um poder de decisão muito grande em prol dos trabalhadores. À medida que essa forma de organização foi perdendo força, os sindicatos também o foram. Para uma análise mais precisa sobre os sindicatos, precisaríamos discorrer sobre outros elementos que só serão trabalhados na segunda série do Ensino Médio. 2 Indique os principais elementos que caracterizam a forma de organização da produção Fordismo e demonstre qual foi o principal avanço tecnológico estruturado por Ford. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ 11.3 Toyotismo A forma de organização da produção Toyotista surge no contexto das décadas de 60 e 70 e, diferentemente do modelo fordista, que se desenvolve em um período de grande crescimento e desenvolvimento do sistema capitalista, é gestada e criada em um momento de crise mundial. Essa forma de organização da produção, que começa a ser aplicada na fábrica da Toyota, tem como dois idealizadores principais os engenheiros de produção Taiichi Ohno25 e Eiji Toyoda26. Como aponta o próprio Ohno: O sistema Toyota teve sua origem na necessidade particular em que se encontrava o Japão de produzir pequenas quantidades de numerosos modelos de produtos; em seguida evoluiu para tornar-se um verdadeiro sistema de produção. Dada sua origem, este sistema é particularmente bom na diversifi cação. Enquanto o sistema clássico de produção de massa planifi cado é relativamente refratário à mudança, o sistema Toyota, ao contrário, revela-se muito mais plástico; ele adapta-se bem às condições de diversifi cação mais difíceis. É porque ele foi concebido para isso. (OHNO, 1987, p.49, apud CORIAT, 1994, p.30). 25 - http://cnec.lk/074n 26 - http://cnec.lk/074o Fig.11.8 Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) 39Volume 3 Nesse contexto de crise sistêmica e de escassez de matérias-primas do pós-Segunda Guerra, a forma de organização taylorista-fordista, que vinha sendo aplicada em nível mundial, não dava conta de sanar as necessidades japonesas de diversifi cação e escassez de matéria prima, já que se mostrava muito efi ciente, apenas, na produção de mercadorias massifi cadas, padronizadas (na prática iguais, ou com pouquíssima diferença de uma para outra). Dessa maneira, os idealizadores que haviam estudado nos Estados Unidos, brincando com a situação, apontam que de fato estudaram as técnicas mais avançadas de produção, mas que a ideia de reorganizar a planta fabril se deu mediante suas idas ao supermercado, em que os produtos diariamente eram repostos nas prateleiras a partir de uma demanda de consumo. Nesse sentido, de maneira simplifi cada, pode-se dizer que esse modelo se sustenta em três elementos constituintes e integrados: 1) Produzir só aquilo que será consumido. Isso faz com que o tempo de produção e o tempo de recebimento (venda do produto) seja quase ínfi mo, garantindo uma maior possibilidade de novos investimentos. 2) Produzir em uma mesma planta fabril diversos produtos ou modelos. Isso garante a diversifi cação da produção para atender necessidades reais dos produtos necessários àquela sociedade. 3) Minimizar estoques (de produtos e de matéria-prima). Isso garante um menor investimento produtivo, bem como tenta realizar a máxima efi ciência na utilização e comercialização de produtos e matérias-primas. Para viabilizar esses elementos e garantir essa forma de organizar a produção, foi necessário reestruturar a planta fabril – antes era uma linha reta, agora se estrutura como um U – bem como qualifi car o trabalhador para exercer diversas funções dentro da produção, não mas apenas uma como posta até o momento. Isso porque, diferentemente de uma linha de produção planifi cada em que cada trabalhador fi ca parado no mesmo lugar, agora os trabalhadores, em grupos de trabalho, vão acompanhando o que está sendo produzido, geralmente, do início da produção até sua fi nalização, ou seja, era necessário haver trabalhadores polivalentes. Outro elemento de extrema importância diz respeito aos avanços tecnológicos necessários, especialmente dois: I) Avanço no sistema de comunicação: permitia integrar, por assim dizer, a fábrica aos consumidores, sendo que o produto só seria produzido mediante uma demanda (venda). Aqui passando desde sistemas telefônicos até sistemas de internet. II) Avanços em sistemas computadorizados: diz respeito à criação de sistemas de automação. No pós-guerra, o Japão havia perdido grande parte da PEA (População Economicamente Ativa). Assim, era necessário economizar ao máxima a força de trabalho, já que estava escassa no território. Além da automação, era necessário também qualifi car estoques tanto da fábrica principal como de suas terceirizadas que produziam os insumos necessários para a fabricação da mercadoria vendida. Dessa forma, estrutura-se um sistema de produção chamado de produção puxada, ou seja, a produção será puxada, realizada, mediante uma demanda efetiva (consumo). Do exposto, podemos destacar alguns elementos constituintes desse sistema: A) Just-in-time → “[...] processo de fl uxo, as partes corretas necessárias à montagem alcançam a linha de montagem no momento em que são necessárias e somente na quantidade necessária.” Disponível em:<http://www.crcvirtual.org/vfs/old_ crcv/biblioteca/humanofactura/images/pag_60.gif>.Acesso em 13 jul. 2016. Disponível em:<http://2.bp.blogspot. com/-LankIpZUZhE/TcgTO3IvEQI/ AAAAAAAAAa8/4OAXSLovb8M/s1600/milk.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016. CLIENTE ENTREGA Fornecedor C Fornecedor D Fig.11.9 Fig.11.10 Sociologia 40 1ª série do Ensino Médio (OHNO, 2006, p.26). Esse sistema é tanto interno (recebimento de peças dentro da produção) quanto externo (recebimento de pedidos e suas especifi cidades). A esse sistema, que precisa de várias inovações tecnológicas e de automação, liga-se o Kanban. B) Kanban → Como aponta Ohno “[…] é um meio usado para transmitir informações sobre o apanhar e receber ordem de produção.”(OHNO, 2006, p.27). Ou seja, é um sistema de comunicação utilizado para efetivação da produção no tempo correto. Junto com equipamentos autonomizados, este utiliza-se de sistemas de luzes (para aumentar ou diminuir a velocidade da produção, por exemplo), sistemas de etiquetas, entre outros elementos. C) Automação → Permite economizar capital vivo (força de trabalho), substituindo-o por capital morto (maquinário). Além disso, “[…] as máquinas possuem alta capacidade de desempenho que pequenas anomalias [...]” (OHNO, 2006, p.27) que interrompam o processo de produção, o que permite, além de manter a alta qualidade do produto fabricado, que um mesmo funcionário controle duas ou mais máquinas ao mesmo tempo, já que, havendo qualquer problema, a máquina para automaticamente. D) Controle de Qualidade Total → O processo é gestado a todo momento, o que permite que o problema na produção (que resultaria em uma mercadoria defeituosa) seja sanado assim que surge. Isso possibilita diminuir desperdícios com matéria-prima e força de trabalho sem que haja danos, ou seja, produz-se de maneira efi ciente e econômica. Aqui há outra grande diferença em relação à produção planifi cada, que, realizada de maneira parcelar, não possibilita que os problemas de execução sejam sanados no momento em que aparecem, gerando mercadorias defeituosas, e, com isso, há desperdício de força de trabalho e matéria-prima, isto é, de dinheiro. E) Team Work → Trabalho em equipe. Dessa forma, organizam-se células de trabalho responsáveis pela produção. Isso, além de garantir o controle em todo o processo, faz com que os trabalhadores se autofi scalizem. Além da produtividade média, as equipes recebem bonifi cação com a produtividade e a qualidade do trabalho realizado. Dessa forma, evita-se boicote na produção e faz-se com que um dependa necessariamente do outro, gerando, por assim dizer, uma forma de controle que será realizada pelos próprios subalternos, uns em relação a outros. F) Flexibilização na produção → Isso tudo, juntamente com outros elementos, faz com que se tenha uma produção fl exível, ou seja, que se produza no tempo certo, com alta qualidade e a partir de uma demanda. Exemplo: em épocas em que existe uma maior venda, trabalha-se mais, gerando horas extras; em épocas em que se vende menos, trabalha-se menos, descontando as horas extras realizadas anteriormente (um bom exemplo disso é imaginar uma fábrica de chocolates produzindo para a Páscoa, em ritmo intenso, e produzindo em época das festas juninas, com um ritmo menos acelerado). Tanto o Taylorismo-Fordismo como o Toyotismo correspondem a momentos históricos diferentes do processo de geração de valor, capitalista, e, como tal, provocam alteração na vida das pessoas como um todo. Exemplo disso são as leis trabalhistas, que, até a década de 60, eram altamente rígidas, correspondendo, assim, à forma de organização da produção Taylorista- Fordista. Em meados da década de 60, com o avanço do neoliberalismo, essas leis começam a se fl exibilizar, correspondendo, assim, à necessidade da organização Toyotista, discussões que serão continuadas no segundo ano. 3 Indique os principais elementos que caracterizam a forma de organização da produção Toyotista e apresente a diferença entre uma produção puxada e uma produção empurrada. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ Exercícios Modelo Vestibular 4 A respeito da forma de organização do trabalho proposta por Frederick Winslow Taylor, é correto afi rmar que Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) 41Volume 3 a) tem como base a autonomia dos trabalhadores seu princípio fundamental. b) é estruturado a partir de avanços tecnológicos como a esteira produtiva. c) estrutura-se mediante um controle racional do tempo de execução das tarefas lavorais. d) é uma forma de organização da produção que tem o kanban como estrutura comunicativa. e) é baseado em uma produção nuclear e fl exível das tarefas executadas pelos trabalhadores. 5 Fig.11.11 Com base nas imagens, analise estas assertivas: I) Essa fi gura representa uma organização taylorista da produção. II) Essa fi gura representa um organização taylorista-fordista da produção. III) Essa fi gura representa uma organização própria do trabalho fl exível. Pode-se dizer que apenas a) a assertiva I está correta. b) a assertiva II está correta. c) a assertiva III está correta. d) as assertivas I e II estão corretas. e) as assertivas I e III estão corretas. Exercícios Modelo ENEM 6 Analise a imagem de uma parte do sistema de comando da Volvo. Fig.11.12 Esse sistema de comando é próprio da organização toyotista de produção, representando a) controle de qualidade total. b) Kanban do setor produtivo fabril. c) nucleação de equipes de trabalho. d) fl exibilização da produção por demanda. e) uniformização das mercadorias produzidas. Sociologia 42 1ª série do Ensino Médio 7 Analise esta imagem: Fig.11.13 Essa imagem caracteriza uma produção a) planifi cada. b) empurrada. c) taylorizada. d) uniformizada. e) toyotizada. Texto complementar http://cnec.lk/074t O mundo do trabalho nos dias atuais 43Volume 3 12. O mundo do trabalho nos dias atuais Situação-problema: Analisar, sob a ótica conceitual da Sociologia, as modernas relações de trabalho e emprego, bem como os indicadores de produção e de reprodução da vida material. Fig.12.1 Fig.12.2 Fig.12.4 Fig.12.5 Fig.12.6 Fig.12.3 Partindo-se do que foi apresentado até momento, resta-nos analisar as condições atuais de empregos existentes nas sociedades contemporâneas. Quando se fala de Modo de Produção, falamos das relações hegemônicas nas quais socialmente se organizam as atividades produtivas em um dado momento histórico. Isso não signifi ca dizer que não existam outras formas de relações. Na maioria das sociedades atuais, a forma hegemônica de trabalho está alicerçada no assalariamento, o que impõe uma divisão da sociedade em classes principais (burgueses e proletários). Ao apontar isso, faz-se necessário designar a diferença entre classe, estamento e casta. As castas são uma forma de organização baseada na divisão social com base hereditária (seja por princípios religiosos, políticos ou quaisquer outros) de uma dada forma de vida baseada em um habitus social, que tem como base a cultura daquela sociedade analisada. O lugar de nascimento determinará a função social dos indivíduos dentro daquela sociedade, e isso não pode ser alterado, não é possível haver mobilidade social. Um exemplo de uma sociedade dividida em castas é a indiana, que, de maneira geral, é segmentada da seguinte forma: Brâmanes (sacerdotes, fi lósofos, professores, setor pensante, “cabeça” da sociedade); Xátrias (setor militar e dos governantes, “braços” da sociedade); Vaixás (comerciantes e agricultores, as “pernas” da sociedade) e Sudras (artesãos, operários e camponeses, os “pés” da sociedade). Cabe notar que esse sistema indiano de castasestá alicerçado em questões religiosas e que cada casta representa uma parte do deus Brahma. As sociedades organizadas segundo um esquema de estamentos também dividem os indivíduos a partir de seu nascimento e dos lugares sociais que cada membro deverá ocupar. É um sistema que permite mobilidade social, apesar de muito restrita. Nessa perspectiva, é uma estrutura social um pouco menos rígida que a de castas, mas mais rígida do que a de classes sociais. Um exemplo de sociedade estamental foi a sociedade medieval, em que os indivíduos ocupavam lugares específi cos, contudo um servo poderia, por exemplo, adentrar a igreja e tornar-se membro do baixo clero. Sociologia 44 1ª série do Ensino Médio O estamento burocrático comanda o ramo civil e militar da administração e, dessa base, com aparelhamento próprio, invade e dirige a esfera econômica, política e fi nanceira. No campo econômico, as medidas postas em prática, que ultrapassam a regulamentação formal da ideologia liberal, alcançam desde as prescrições fi nanceiras e monetárias até a gestão direta das empresas, passando pelo regime das concessões estatais e das ordenações sobre o trabalho. Atuar diretamente ou mediante incentivos serão técnicas desenvolvidas dentro de um só escopo. Nas suas relações com a sociedade, o estamento diretor provê acerca das oportunidades de ascensão política, ora dispensando prestígio, ora reprimindo transtornos sediciosos, que buscam romper o esquema de controle. FAORO, Raimundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro, vol. I e II. Ed. Globo, Publifolha, Coleção Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro, ed. 10, 2000, p. 740. A defi nição de classe está alicerçada na possibilidade de mudança social, ou no papel ocupado socialmente pelos indivíduos nas relações culturais de uma dada sociedade. Pode ser estruturadas de três formas distintas, especialmente no contexto brasileiro: 1) Lugar ocupado pelo indivíduo nas relações de produção: Na sociedade capitalista, há dois grupos sociais: burgueses e proletários. Os burgueses são os donos dos meios de produção que compram a força de trabalho dos trabalhadores. Já os proletários são os trabalhadores, que, não tendo outra forma de viver, são obrigados a vender sua força de trabalho para sobreviverem. Cabe ressaltar que há a possibilidade de mudança de classe. Senor Abravanel – o famoso Sílvio Santos – por exemplo, foi um indivíduo que nasceu proletário, tendo trabalhado inclusive no setor informal, como camelô. Ao longo de sua vida, construiu a segunda maior emissora de telecomunicações brasileira (SBT), tornando-se, assim, um burguês. 2) Divisão por faixas de renda, de rendimento anual e/ou mensal e/ou diário: O Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE) qualifi ca os indivíduos baseando-se no salário-mínimo, como se vê a seguir: Classe Salários-mínimos (SM) Renda familiar (R$) A acima de 20 SM R$ 15 760,01 ou mais B de 10 a 20 SM R$ 7 880,01 a R$ 15 760,00 C de 4 a 10 SM R$ 3 152,01 a R$ 7 880,00 D de 2 a 4 SM R$ 1 576,01 a R$ 3 152,00 E até 2 SM Até R$ 1 576,00 Disponível em: <http://blog.thiagorodrigo.com.br>. Acesso em: 14 jul. 2016. Nessa tabela, os valores da renda salarial têm como base o salário-mínimo de 2015 (R$ 788,00 reais). 3) Critério de Classifi cação Econômica Brasil (CCEB): Tal critério, realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), tem como base amostras domiciliares e classifi ca os indivíduos de acordo com determinado ponto de ranqueamento, o qual, de maneira sintética, pode ser analisado nas tabelas a seguir. Posses de itens Quantidade de itens 0 1 2 3 4 ou + Televisão em cores 0 1 2 3 4 Rádio 0 1 2 3 4 Banheiro 0 4 5 6 7 O mundo do trabalho nos dias atuais 45Volume 3 Automóvel 0 4 7 9 9 Empregada mensalista 0 3 4 4 4 Máquina de lavar 0 2 2 2 2 Videocassete e/ou DVD 0 2 2 2 2 Geladeira 0 4 4 4 4 Freezer (aparelho independente ou parte da geladeira duplex) 0 2 2 2 2 Grau de instrução do chefe de família Nomenclatura Antiga Nomenclatura Atual Analfabeto / Primário incompleto Analfabeto / Até a 3a série do Ensino Fundamental / Até 3a série do 1o Grau 0 Primário completo / ginasial incompleto Até 4a série do Ensino fundamental / Até 4a série do 1o grau 1 Ginasial completo / colegial incompleto Fundamental completo / 1o grau completo 2 Colegial completo / superior incompleto Ensino Médio completo / 2o grau completo 4 Superior completo Ensino Superior completo 8 Disponível em: <http://www.abep.org.br/>. Acesso em: 14 jul. 2016. Esses critérios passaram a ser utilizados em 2011. Cortes do critério Brasil Classe Pontos A1 42 - 46 A2 35 - 41 B1 29 - 34 B2 23 - 28 C1 18 - 22 C2 14 - 17 D 8 - 13 E 0 - 7 ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa - 2011 - www.abep.or - abep@abep.org Dados com base no Levantamento Sócio Econômico 2009 - IBCPE Ficam evidentes diversas possibilidades de entendimento de classes. Isso signifi ca que não há apenas uma única forma de entendimento da divisão social das pessoas na sociedade capitalista. Cada uma das formas parte de bases diferentes de entendimento de como é possível analisar a sociedade brasileira. 12.1 Tipos de emprego e desemprego Antes de se apresentarem dados sobre a realidade brasileira e outros sobre a realidade mundial a respeito da situação de emprego nas sociedades contemporâneas, é preciso entender o que é emprego e desemprego, bem como as principais possibilidades de aparecerem na realidade atual. Sociologia 46 1ª série do Ensino Médio Emprego Emprego é o nome dado à relação social capitalista na qual o indivíduo está vendendo sua força de trabalho em troca de um salário. Dessa forma, podemos classifi car os emprego da seguinte forma: a) Emprego fi xo → quando o indivíduo vende sua força de trabalho para outro mediante Carteira de Trabalho assinada, por tempo indeterminado. A Carteira de Trabalho é uma invenção brasileira, que não é encontrada em outros países. b) Emprego sazonal → quando o indivíduo vende sua força de trabalho por um tempo específi co. Exemplos: os coletores de laranja em época da colheita, os trabalhadores do comércio no fi nal do ano, quando o fl uxo de vendas é mais intenso, entre outros. O emprego sazonal surge como uma oportunidade de trabalho em períodos específi cos do ano. c) Emprego informal → quando o indivíduo vende sua força de trabalho sem um contrato (Carteira assinada). Ou seja, por distintos motivos ou pressão, o indivíduo acaba subvertendo as relações legais de trabalho vigente no país. Desemprego É a falta de vagas de trabalho, o que impossibilita pessoas de consequirem seu sustento. Nesse caso, os indivíduos que são obrigados a vender sua força de trabalho procuram emprego sem sucesso. Os tipos de desemprego são assim classifi cados: a) Desemprego estrutural: é provocado por mudanças técnicas e tecnológicas que extinguem (ou quase) determinadas profi ssões, ou melhor, campos de trabalho. No Brasil, nos últimos 10 anos, de maneira mais intensa, o corte de cana manual tem sido substituído pelo corte de cana mecanizado. Uma colheitadeira substitui, aproximadamente, o emprego de 100 trabalhadores. b) Desemprego conjuntural: é provocado em uma dada conjuntura, normalmente associado a um momento de crise econômica. É, contudo, uma condição passageira. Por exemplo, devido às questões climáticas: uma cidade que, após ser destruída por uma tempestade, acaba despedindo os trabalhadores de seus cargos até que uma nova planta fabril seja construída. Na cidade de Mariana – MG, por exemplo, com o rompimento de barragens, a maioria dos imóveis do subdistrito de Bento Rodrigues foi destruídae os trabalhadores estão desempregados conjunturalmente. c) Desemprego friccional: está associado à recusa do indivíduo em aceitar empregos que lhe são ofertados. Exemplo: um trabalhador altamente qualifi cado que foi mandado embora de seu antigo emprego e que recusa a condição de emprego em outra empresa devido à baixa salarial. d) Desemprego sazonal: normalmente é associado a setores agrícolas, hoteleiro e comércio varejista e tem como base a oferta irregular de postos de trabalho, o que faz com que os indivíduos que trabalhem nesse setor não tenham a possibilidade de vender a sua força de trabalho em determinadas épocas do ano. Disponível em:<http://3.bp.blogspot.com/- mcIPa3qB8n8/T8u2XVq9i-I/AAAAAAAAAOA/ EKbu6Frsm98/s1600/fato.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016. Disponível em:<http://www.drsa.com.br/wp-content/ uploads/2010/10/humonanet.jpg>. Acesso em 15 de julho de 2016 Fig.12.7 Fig.12.8 O mundo do trabalho nos dias atuais 47Volume 3 Dados sobre o desemprego no Brasil: Evolução histórica Taxa de desemprego (%) 1999 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2000 2001 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 4 6 8 10 12 14 Definição de taxa de desemprego: Contém a porcentagem da força de trabalho que está desempregada. Subempregos substanciais podem ser observados. Ano Brasil Country Brasil 7,5 7,1 6,4 12,3 11,5 9,8 9,6 9,3 7,9 8,1 7 6 5,5 5,7 Fig.12.9 Taxa de desemprego mundial Fig.12.10 Defi nição: Contém a porcentagem da força de trabalho que está desempregada. Subempregos substanciais podem ser observados. Defi nição: O mapa apresentado aqui mostra como a taxa de desemprego varia consoante o país. A sombra do país corresponde à magnitude do indicador. Quanto mais escura a cor, maior o valor. Sociologia 48 1ª série do Ensino Médio Taxa de desemprego juvenil mundial Fig.12.11 Defi nição: Este indicador dá a porcentagem da força de trabalho entre 15 e 24 anos de idade que está desempregada há especifi camente um ano. Descrição: O mapa apresentado aqui mostra como a taxa de desemprego juvenil varia consoante o país. A sombra do país corresponde à magnitude do indicador. Quanto mais escura a cor, maior o valor. 1 Conceitue emprego e desemprego. Aponte os três principais tipos de desemprego existentes. _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________ Exercícios Modelo Vestibular 2 Analise esta charge: Fig.12.12 Essa charge faz uma crítica à relação de trabalho e poder de a) um trabalhador sobre outros. d) um trabalhador sobre seus chefes. b) um patrão sobre outro patrão. e) um dedo capaz de despedir pessoas. c) um patrão sobre seus funcionários. O mundo do trabalho nos dias atuais 49Volume 3 3 Sobre o desemprego friccional, é correto afi rmar que a) é característico de momentos de crise econômica. b) acontece em determinadas épocas do ano. c) envolve a possibilidade de escolha do indivíduo. d) acontece ciclicamente, dependendo da safra agrícola. e) acontece devido a avanços técnicos e tecnológicos. Exercícios Modelo ENEM 4 Fig.12.13 O trabalho de Papai Noel é um típico exemplo de emprego a) sazonal. b) friccional. c) fi xo. d) informal. e) formal. 5 Analise o gráfi co a seguir. Desemprego - Taxa média anual (%) Evolução - 1985 - 2010 5,2 5 55,24,2 4,7 4,73,5 8,3 8,3 10,2 11,1 12 12 12,1 12,2 12,3 11,5 9,8 9,3109,58,47,2 8,1 6,87,9 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2 4 6 8 10 12 14 0 Ta xa m éd ia a nu al d e de se m pr eg o (% ) Sarney Collor Itamar FHC Lula -12% -44%+57% +47%+15% 4,2 - 4,6 4,6 - 8,3 7,2 - 8,3 8,3 - 12,2 12,2 - 6,8 Série 1 5,2 4,6 7,2 10,2 12,0 12,2 9,8 7,9 6,8 8,3 % e % - diferença percentual, negativa ou positiva, entre a taxa média entregue e a recebida Fonte: IBGE/PME/PEA - % de desocupados Fig.12.14 Pode-se dizer que, de a) 1984 a 1989, o desemprego diminuiu no Brasil. b) 1995 a 2002, o desemprego aumentou no Brasil. c) 2003 a 2010, o desemprego aumentou no Brasil. d) 1993 a 1994, houve pouca oscilação na taxa de desemprego no Brasil. e) 1995 a 1999, houve uma maior redução no número de desempregados. Sociologia 50 1ª série do Ensino Médio Texto complementar http://cnec.lk/074u Créditos das ilustrações Figura 9.1 - Disponível em: <http://linkdigital.ifsc.edu.br/fi les/reuniao_empresajr.jpg>. Acesso em: 13 jun. 2016. Figura 9.2 -Disponível em: <http://f.i.uol.com.br/fotografi a/2012/06/12/156546-970x600-1.jpeg>. Acesso em: 13 jun. 2016. Figura 9.3 - Disponível em: <http://observatoriofeminino.blog.br/wp-content/uploads/2013/09/029_jan5_0_60_0_1650_1080.jpg Acesso em: 13 jun. 2016. Figura 9.4 -Disponível em: <http://img.ibxk.com.br/2011/11/materias/71204603623115935.jpg> Acesso em: 19 jul. 2016. Figura 9.5 -Disponível em: <http://jornalggn.com.br/sites/default/fi les/admin/positivo_informatica-_fabrica.jpg Acesso em: 13 jun. 2016. Figura 9.6 -Disponível em: <http://w3.i.uol.com.br/Wap/2010/04/06/midia-indoor-emprego-construcao-construir-cidade-projeto-capacete-industria- trabalhador-pedreiro-homem-seguranca-faisca-aco-estrutura-tecnico-engenheiro-civil-ferramenta-1270587290960_956x500.jpg Acesso em: 13 jun. 2016. Figura 9.7 - Disponível em: <http://www.revistacampoenegocios.com.br/wp-content/uploads/2015/05/Caf%C3%A91.jpg> Acesso em: 19 jul. 2016 Figura 9.8 - Disponível em: <http://agenciafi ep.com/wp-content/uploads/2012/09/alimentos-frimesa-medianeira-60.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2016. Figura 9.9 - Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/_wRxABjUBeyU/SZ5VUOvm0rI/AAAAAAAAA2Q/Yk99gj2-fl k/w1200-h630-p-nu/estadistica.jpg>. Acesso em: 13 de jan. 2016. Figura 9.10 - Disponível em: <http://avivas.ru/class/timthumb.php?src=http://avivas.ru/img/news/201202/38262326585.jpg&h=360&w=480&a=t>. Acesso em: 15 jul. 2016. Figura 10.1 - Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com>. Acesso em: 10 jun. 2016 . 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