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Sumario
A conquista e a exploração da América Espanhola ................................................................... 7
1.Os fundamentos da colonização: Mercantilismo e Absolutismo ........................................ 7
A Era da colonização ........................................................................................................................ 7
2.A conquista espanhola da América ............................................................................................8
1.A conquista espanhola da América .......................................................................................... 12
Sumário do Volume
Sociologia
9. Trabalho como categoria sociológica propriamente humana .................................5
10. Trabalho e relações de produção ao longo da história .........................................11
10.1 Sociedades comunais – modo de produção comunal ...................................................12
10.2 Modo de produção tributário ou modo de produção asiático .....................................15
10.3 Sociedades escravagistas (modo de produção escravocrata ou escravista) ............. 20
10.4 Sociedades feudais (modo de produção feudal) ............................................................. 22
10.5 Modo de produção capitalista .................................................................................................. 24
10.6 Modo de produção socialista e comunista ...................................................................... 29
11. Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) 33
11.1 Frederick Winslow Taylor22 e o Taylorismo ........................................................................ 34
11.2 Henry Ford24 e o Fordismo .................................................................................................... 36
11.3 Toyotismo ................................................................................................................................. 38
12. O mundo do trabalho nos dias atuais ..................................................................... 43
12.1 Tipos de emprego e desemprego ....................................................................................... 45
Sumário Completo
Volume 1
1. Sociologia: o estudo da sociedade?
2. Contexto histórico de surgimento da Sociologia
3. O processo de socialização
4. Relação indivíduo/sociedade
Volume 2
5. Cultura ou culturas
6. Movimentos e manifestações culturais
7. Ciência dos homens e ciência da diferença
8. Diferenças culturais
Volume 3
9. Trabalho como categoria sociológica propriamente humana
10. Trabalho e relações de produção ao longo da história
11. Trabalho nas sociedades modernas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)
12. O mundo do trabalho nos dias atuais
51ª Série do Ensino Médio - Vol. 3
Sociologia
9. Trabalho como categoria sociológica propriamente 
humana
Situação-problema: Entender como as relações de trabalho, a ciência e a tecnologia impactaram na 
forma em que produzimos e reproduzimos a vida material (sensível) e imaterial (inteligível) ao longo 
da história até os dias atuais. Assim, neste capítulo, objetiva-se perceber o trabalho como produto da 
ação humana no mundo, diferenciando a atividade animal da atividade humana.
As imagens que iniciam este capítulo são bastante expressivas. Elas mostram o mundo do trabalho dos dias atuais, representando diversas formas pelas quais o trabalho - ou seria o 
emprego? - é realizado nas sociedades contemporâneas. Neste volume, problematizaremos 
diversas questões relacionadas ao trabalho, tais como: Qual a diferença entre trabalho e emprego? 
Quais as formas históricas hegemônicas pelas quais a humanidade organizou a produção e 
reprodução da vida material? O que é um modo de produção?, entre muitos outros elementos 
que dizem respeito a essa temática. 
Fig.9.1
Fig.9.2
Fig.9.3
Fig.9.4
Fig.9.5
Fig.9.6
Fig.9.7
Fig.9.8
Sociologia
6 1ª série do Ensino Médio
 Assim como a linguagem, apontada no primeiro volume, ou a cultura problematizada durante 
todo o segundo volume do Material Didático, o trabalho é entendido aqui como um conjunto de 
ações executadas, única e exclusivamente, pela espécie humana. Ou, como aponta Karl Marx1,
Antes de tudo, o trabalho é um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o 
homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza. Ele mesmo 
se defronta com a matéria natural como uma força natural. Ele põe em movimento as forças naturais 
pertencentes a sua corporalidade, braços e pernas, cabeça e mão, a fi m de apropriar-se da matéria 
natural numa forma útil para sua própria vida. Ao atuar, por meio desse movimento, sobre a Natureza 
externa a ele e ao modifi cá-la, ele modifi ca, ao mesmo tempo, sua própria natureza. Ele desenvolve 
as potências nela adormecidas e sujeita o jogo de suas forças a seu próprio domínio. Não se trata aqui 
das primeiras formas instintivas, animais, de trabalho. O estado em que o trabalhador se apresenta no 
mercado como vendedor de sua própria força de trabalho deixou para o fundo dos tempos primitivos o 
estado em que o trabalho humano não se desfez ainda de sua primeira forma instintiva. Pressupomos 
o trabalho numa forma em que pertence exclusivamente ao homem. Uma aranha executa operações 
semelhantes às do tecelão, e a abelha envergonha mais de um arquiteto humano com a construção dos 
favos de suas colmeias. Mas o que distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha é que ele 
construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera. No fi m do processo de trabalho obtém-
se um resultado que já no início deste existiu na imaginação do trabalhador, e portanto idealmente. Ele 
não apenas efetua uma transformação da forma da matéria natural; realiza, ao mesmo tempo, na matéria 
natural seu objetivo, que ele sabe que determina, como lei, a espécie e o modo de sua atividade e ao qual 
tem de subordinar sua vontade. E essa subordinação não é um ato isolado. Além do esforço dos órgãos 
que trabalham, é exigida a vontade orientada a um fi m, que se manifesta como atenção durante todo 
o tempo de trabalho, e isso tanto mais quanto menos esse trabalho, pelo próprio conteúdo e pela espécie 
e modo de sua execução, atrai o trabalhador, portanto, quanto menos ele o aproveita, como jogo de 
suas próprias forças físicas e espirituais. Os elementos simples do processo de trabalho são a atividade 
orientada a um fi m ou o trabalho mesmo, seu objeto e seus meios.
 MARX, K. O Capital: Crítica da economia política. 1o vol. São Paulo: Editora Nova Cultura Ltda, 1992. p. 297-298 (destaques nossos).
 No sentido expresso no fragmento, pode-se afi rmar que o trabalho é um todo complexo que 
envolve as seguintes características:
A) É um intercâmbio entre o ser humano e a natureza. Isso signifi ca que tudo o que usamos 
advém do mundo natural, da natureza, e é por meio do trabalho que o ser humano a transforma 
em utensílios a serem utilizados. O celular, por exemplo, possui um esqueleto de plástico que 
sustenta as peças e dá formato ao aparelho. O plástico é um derivado do petróleo, que sofreu 
processos bioquímicos até ser transformado em um polietileno a ser moldado no formato 
do celular. Partindo de uma matéria natural (petróleo), nota-se que esta, por meio de ações 
humanas (trabalho), foi sendo modifi cada até ser transformada em um esqueleto que, por sua 
vez, será usado para montar um celular. Esse elemento é extremamente importante, já que aclara 
a dependência da humanidade em relação à natureza, ou seja, mostra como fazemos parte 
e dependemos dela ao mesmo tempo. Como consequência disso, toda vez que destruímos a 
natureza, estamos, ao mesmo tempo, nos destruindo. Todas as discussões, tão presentes nos 
dias atuais, a respeitoda conservação do meio ambiente devem perpassar por esse aspecto.
B) Ao alterarmos a natureza, estamos, ao mesmo tempo, alterando a nós mesmos. Primeiramente, 
isso ocorre por sermos parte da natureza – como vimos no tópico A. Em segundo lugar, toda 
nossa intervenção pressupõe usos/aprendizagens de conhecimentos que nos modifi cam. Ao 
carpir um quintal, por exemplo, necessitamos de uma série de técnicas de manejo de tecnologias 
(enxada, roçador a gasolina etc.), ou seja, ou conhecemos as técnicas e as utilizamos, ou 
vamos aprendendo a técnica à medida que fazemos o uso da enxada. Esse aprender a técnica 
pressupõe uma modifi cação interna (de processos psíquicos, bioquímicos etc., conjunto 
de habilidades) que nos modifi ca. Ninguém nasce sabendo usar uma enxada, é necessário
1 - http://cnec.lk/05w5
Trabalho como categoria sociológica propriamente humana
7Volume 3
que nos apropriemos de coordenações motoras (fi na e grossa) para seu manuseio, mediante 
um processo de socialização, etc. Nesse sentido, todo aprendizado é reprodução e criação ao 
mesmo tempo, pois é internalizado pelo indivíduo, que, de maneira ativa, vai utilizá-lo e recriá-lo 
mediante uma necessidade.
C) Capacidade humana teleológica. A teleologia é uma especifi cidade da espécie animal homo 
sapiens que signifi ca o ato de criar mentalmente (idealizar) o resultado fi nal do trabalho, antes 
mesmo de executá-lo. Um exemplo signifi cativo desse ato pode ser facilmente vislumbrado na 
construção civil, na qual, antes de se construir qualquer casa, prédio etc., faz-se uma planta. Na 
verdade, a planta de uma casa nada mais é do que uma idealização do resultado fi nal do trabalho 
que será executado.
 Sobre essa capacidade, teleologia humana, é interessante a problemática colocada por 
Lukács2:
[…] o trabalho […] é um pôr teleológico conscientemente analisado, que, quando parte dos fatos 
corretamente reconhecidos no sentido prático e os avalia corretamente, é capaz de trazer à vida 
processos causais, de modifi car processos, e transformar entes em objetividades que se quer 
existiriam antes do trabalho. (Seria enganoso, aqui, pensar apenas em formas de trabalho altamente 
desenvolvidas. A roda, que não existe em parte alguma na natureza, foi, por exemplo, inventada e 
produzida em fases relativamente iniciais.) Portanto, o trabalho introduz no ser a unitária inter-
relação, dualisticamente fundada, entre teleologia e causalidade; antes de seu surgimento havia 
na natureza apenas processos causais. Em termos realmente ontológicos, tais complexos duplos só 
existem no trabalho e em suas consequências sociais, na práxis social. O modelo de pôr teleológico 
modifi cador da realidade torna-se, assim, fundamento ontológico de toda práxis social, isto é, 
humana. Na natureza, em contrapartida, só existem conexões, processos etc. causais, nenhum tipo 
teleológico.
LUKÁCS, György. Prolegômenos para uma ontologia do ser social: questões de princípio para uma ontologia hoje tornada 
possível. São Paulo: Boitempo, 2010, p.43, 44 e 45. (grifos, nossos)
D) A utilização de capacidades físicas e mentais. Todo trabalho utiliza, ao mesmo tempo, 
conhecimentos e esforços físicos. Não 
existe trabalho somente intelectual, da 
mesma forma que não existe trabalho 
somente braçal. No trabalho considerado 
intelectual, um professor, por exemplo, 
além de se utilizar de energia ao se 
movimentar para escrever na lousa etc., 
utiliza-se principalmente de funções 
psicológicas e mentais. Nesse sentido, 
objetiva-se que essa classifi cação entre 
trabalho braçal, manual e/ou trabalho intelectual diga respeito ao principal uso que o indivíduo 
está realizando das funções de seu corpo. Quando um indivíduo utiliza-se de mais movimentos 
e desgastes físicos, classifi camos esse trabalho como braçal, já o trabalho denominado intelectual 
está associado a um uso mais intenso de funções mentais do que físicas, contudo ambos usam 
todas as capacidades humanas em diferentes proporções.
 A fi m de aclarar a afi rmação de que apenas os humanos trabalham, faz-se necessário 
problematizar a questão, já que esta nos permite entender, também, a diferença entre o agir 
instintivo (propriamente dos animais não humanos) e o agir cultural (propriamente dos humanos) 
– práxis. 
 Essa práxis humana, agir cultural, permite ao ser 
humano, ao longo da história, ir alterando as formas de 
trabalho, de linguagem etc. Pense na produção agrícola. 
Esta, nos últimos 50 anos, por exemplo, sofreu grandes 
alterações com a implementação de maquinários,
2 - http://cnec.lk/05vz
Nossos computadores estão fora
do ar, e por isso estamos tendo de
fazer tudo manualmente...
Fig.9.9
Práxis é uma das formas de entendimento 
das ações do ser humano no mundo. 
Ela pressupõe um movimento: ação → 
refl exão → ação. Nesse sentido, a práxis 
é uma forma de ação pensada do ser 
humano no mundo social vivido.
Sociologia
8 1ª série do Ensino Médio
insumos agrícolas etc., permitindo a nós humanos aumentarmos nossa capacidade produtiva, 
poupando trabalho vivo mediante a aplicação de trabalho morto (instrumentos de produção 
– tratores, colheitadeiras, processadores de grãos etc.). E os animais? Há quantos anos as leoas 
caçam da mesma forma? E as abelhas na produção de mel? Note que esses animais produzem 
suas carências da mesma forma desde suas existências como espécies há milhares de anos, 
agindo instintivamente, diferentemente dos seres humanos, que, ao agirem culturalmente, vão 
transformando as formas pelas quais essa produção é realizada.
 Nesse sentido, fi ca claro também que um cachorro, por exemplo, não aprende, e sim é 
condicionado a agir de determinada maneira. Dessa forma, condicionamos o cachorro a fazer suas 
necessidades em um determinado lugar, adestrando o animal conforme nossas ações. Mas por que 
condicionamento e não aprendizado? O condicionamento não pressupõe um processo ativo e 
de transmissão para os outros membros da espécie da parte daqueles que foram condicionados. 
Assim, quando procriar, a cadela não vai ensinar seus fi lhotes a defecar no mesmo lugar o qual havia 
sido condicionado a ela: isso só poderá ser feito por nós seres humanos.
 Por sua vez, o processo humano é bem diferente. Após ensinarmos ou condicionarmos – 
isso porque o ser humano também é um animal, mas com características especiais – uma criança 
a usar o vaso sanitário, esta conseguirá transmitir esse conhecimento a outros membros da 
mesma espécie, o que, já vimos, não acontece com os demais animais. Sobre esse elemento, 
cabe notar ainda que as contemporâneas concepções sociais, psicológicas e psicanalíticas têm 
mostrado que esse processo de aprendizagem é sempre ativo, ou seja, que o indivíduo apreende 
o mundo de maneira ativa e racional.
 Com o intuito de fi ndar essa primeira parte do capítulo, faz-se necessário uma última 
observação. Mediante essa práxis ativa do ser humano em relação ao mundo, os seres humanos 
foram criando uma linha de desenvolvimento que não depende apenas das mudanças biológicas 
para acontecer, como no caso dos animais não humanos. Note que fomos prosseguindo numa 
linha de desenvolvimento social, formando, assim, o ser social, ou o ser humano propriamente 
dito. Mas o que isso signifi ca na prática? 
 Imaginemos uma catástrofe em que todos os adultos da espécie humana fossem destruídos e 
apenas sobrevivessem os indivíduos humanos que ainda não dominaram a linguagem – crianças 
bem pequeninas. Eles saberiam utilizar instrumentos tecnológicos como energia elétrica, 
televisão, internet, roda etc.? Não saberiam. Isso porque essas ferramentas, esses aprendizados 
etc. foram desenvolvidos e são transmitidos socialmente, não são passados biologicamente 
para os indivíduos humanos. Dessa forma, se isso acontecesse, seria como se voltássemos aos 
primórdios da humanidade – no que diz respeito aos conhecimentos culturais e não sobre nossa 
formaçãobiológica –, em que a linguagem teria que ser desenvolvida, e todo o conjunto de 
coisas que acumulamos socialmente teria de ser desenvolvido novamente. Basta pensarmos nas 
bibliotecas de Alexandria, no extermínio de comunidades ameríndias e como esse conjunto de 
conhecimentos foi perdido.
 Dessa forma, cabe retomar que o trabalho, conforme estudamos até aqui, é uma 
característica da práxis humana em seu intercâmbio com o meio natural e nos permite sanar 
nossas carências e necessidades.
 Todo trabalho possui um elemento racional – teleologia –, que, juntamente com outras 
características humanas, permite a esse animal especial intervir no mundo e criar um mundo 
propriamente humano, humanizado, ao transformar a natureza, adaptando-a, moldando-a 
de maneira ativa. Esse processo, diferentemente de outros animais, pressupõe um conjunto 
de aprendizados sociais transmitido de geração em geração, o qual faz com que os humanos 
desenvolvam uma linha de desenvolvimento histórico não dependente única e exclusivamente 
do biológico, mas de um desenvolvimento social, ou seja, de uma formação do ser social.
 Outro possível entendimento a respeito do trabalho pode ser vislumbrado no livro A condição 
humana, de Hannah Arendt3, no qual a autora aponta:
3 - http://cnec.lk/073l
Trabalho como categoria sociológica propriamente humana
9Volume 3
 Com a expressão vida activa, pretendo designar três atividades humanas fundamentais: trabalho, obra 
e ação. São fundamentais porque a cada uma delas corresponde uma das condições básicas sob as quais a 
vida foi dada ao homem na Terra.
 O trabalho é a atividade que corresponde ao processo biológico do corpo humano, cujo crescimento 
espontâneo, metabolismo e resultante declínio estão ligados às necessidades vitais produzidas e fornecidas 
ao processo vital pelo trabalho. A condição humana do trabalho é a própria vida.
 A obra é a atividade correspondente à não-naturalidade [unnaturalness] da existência humana, que 
não está engastada no sempre-recorrente [ever-recurrent] ciclo vital da espécie e cuja mortalidade não é 
compensada por este último. A obra proporciona um mundo “artifi cial” de coisas, nitidamente diferente de 
qualquer ambiente natural. Dentro de suas fronteiras é abrigada cada vida individual, embora esse mundo se 
destine a sobreviver e a transcender todas elas. A condição humana da obra é a mundanidade [worldliness].
 A ação, única atividade que ocorre diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da 
matéria, corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que homens, e não o Homem, vivem 
na Terra e habitam o mundo. Embora todos os aspectos da condição humana tenham alguma relação com a 
política, essa pluralidade é especifi camente a condição – não apenas a conditio sine qua non, mas a condição 
per quam – de toda vida política. […] A pluralidade é a condição da ação humana porque somos todos iguais, 
isto é, humanos, de um modo tal que ninguém jamais é igual a qualquer outro que viveu, vive ou viverá.
ARENDT, Hannah. A condição humana. 12ª ed. rev. Rio de Janeiro: Florense Universitária, 2015, p. 9 e 10, negritos nossos.
 
 Assim como no volume 1, há aqui dois pontos de vista distintos para um mesmo processo, visto 
que existe uma divergência conceitual de acordo com o que foi lido anteriormente (apontamentos 
de Hannah Arendt). Enquanto para Marx e para a corrente marxista o trabalho é a categoria 
fundante do ser humano, diferenciando os humanos de outros animais, para Hannah Arendt uma 
das correntes liberais, apenas a vida ativa é característica propriamente humana. 
Exercícios de sala
1 Explique a diferença entre agir instintivo e agir social. Exemplifi que esse processo mostrando a diferença 
entre o processo de desenvolvimento apenas biológico, realizado pelos animais não humanos, e 
o processo de desenvolvimento social, realizado pelos humanos – relação entre desenvolvimento 
social e biológico.
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2 Em consonância com Marx, descreva o que podemos entender por trabalho e quais são suas quatro 
características elementares.
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Sociologia
10 1ª série do Ensino Médio
Exercícios modelo vestibular
3 Analise esta fi gura e responda ao que se pede:
Fig.9.10
 Com base em seus conhecimentos 
sobre o trabalho enquanto conceito 
sociológico, assinale a alternativa correta.
a) Todos os animais executam trabalho.
b) Só os mamíferos superiores executam 
trabalho.
c) Apenas os humanos são capazes de 
executar trabalho.
d) Os macacos executam trabalho, pois 
produzem ferramentas.
e) Os macacos executam trabalho 
produzindo e transmitindo conhecimentos.
4 Analise as assertivas a seguir sobre o conceito 
sociológico de trabalho.
I) O trabalho humano possui uma 
racionalidade chamada de teleologia.
II) Toda ação que possui uma fi nalidade pode 
ser considerada trabalho.
III) Todo trabalho humano tem como uma 
de suas características ser um mediador entre 
o ser humano e a natureza.
 
 Assinale a alternativa correta.
a) Apenas a assertiva I está correta.
b) Apenas a assertiva II está correta.
c) Apenas a assertiva III está correta.
d) Apenas as assertivas I e II estão corretas.
e) Apenas as assertivas I e III estão corretas.
Exercícios modelo Enem
5 Em Hannah Arendt, vida ativa designa três 
atividades humanas fundamentais: trabalho, 
obra e ação. Dessa forma, pode-se dizer que
a) a ação é a única atividade propriamente 
humana.
b) a obra é a única atividade propriamente 
humana.
c) o trabalho é a única atividade propriamente 
humana.
d) apenas os humanos realizam tanto o 
trabalho como a obra.
e) os humanos realizam tanto o trabalho 
como a ação.
6 Karl Marx e Hannah Arendt divergem na 
concepção de trabalho por eles discorridos. 
Enquanto em Marx o trabalho é a categoria 
fundante do ser humano e só pode ser 
executado pelos humanos, em Hannah 
Arendt o trabalho representa os processos
a) sociais.
b) biológicos.
c) da vida política.
d) de artifi cialização do mundo.
e) de formação de objetos duradouros.
Texto complementar: 
 Título: O Homem e a cultura. 
 Autor: Alexis Nikolaevich Leontiev
 Referência: LEONTIEV, Alexis. O 
desenvolvimento do psiquismo. Lisboa: 
Horizonte, 1978. Página: 261-284
Acessar: http://cnec.lk/066i 
Trabalho e relações de produção ao longo da história
11Volume 3
10. Trabalho e relações de produção ao longo da história
Situação-problema: Discutir os modos de produção e reprodução da vida material ao longo da história da 
humanidade, mostrando as permanências e transformações ocorridas durante esse processo.
Fig.10.1
No capítulo anterior, problematizamos o trabalho enquanto categoria sociológica ontológica do ser humano, ou seja, enquanto categoria necessária para a relação dos 
humanos com a natureza, como um elemento necessário para a formação e manutenção da 
vida, independentemente – caso isso fossepossível – das formas sociais que esse intercâmbio 
vai estabelecendo socialmente. Nesse sentido, objetiva-se neste capítulo o entendimento de 
como o trabalho foi assumindo formas de relações sociais específi cas ao longo da história. A 
esse processo de produção da vida material damos o nome de Modos de Produção (MP). 
 De maneira simplifi cada, pode-se dizer que MP é a relação entre as forças produtivas e as 
relações de produção em cada momento histórico. As forças produtivas se constituem como 
uma relação entre a força de trabalho humana (aptidões humanas para a produção de riqueza 
material, tudo aquilo que materialmente é necessário ser produzido para se viver, expresso 
principalmente nas técnicas de trabalho) e os meios de produção (tecnologias, instrumentos de 
trabalho, ferramentas, máquinas, terra, matérias-primas, entre outros elementos). As relações de 
produção são as formas pelas quais os seres humanos desenvolvem suas relações de trabalho 
e distribuição na reprodução e produção da vida material em cada momento histórico, ou seja, 
a forma social pela qual se organizam as relações sociais – interação entre os humanos – na 
produção de tudo aquilo que cada sociedade se articula para produzir. 
 Historicamente, pode-se dizer que todos os MP, segundo Balibar4, possuem os seguintes elementos:
Podemos, pois, fi nalmente traçar o quadro dos elementos de qualquer modo de produção, invariantes da 
análise das formas: 
1. Trabalhador; 
2. Meios de produção; 
 1. Objeto de trabalho; 
 2. Meio de trabalho; 
3. Não trabalhador; 
 A. relação de propriedade; 
 B. relação de apropriação real ou material.
 BALIBAR, Etienne. Os conceitos fundamentais do materialismo histórico. In: ALTHUSSER, Louis; BALIBAR, Etienne; ESTABLET, 
Roger. Para ler o capital. Vol.02. Rio de Janeiro: Zahar, 1980. p.170.
4 - http://cnec.lk/074a 
Sociologia
12 1ª série do Ensino Médio
 Nesse sentido, para todos os agrupamentos humanos, podemos problematizar o MP, já que, 
independentemente da sociedade, do momento histórico, é necessário que os indivíduos dessa 
sociedade sejam capazes de produzir e reproduzir todos os elementos materiais e imateriais 
que são essenciais para a manutenção da vida. 
 Faz-se necessário também problematizar o signifi cado conceitual de MP, lembrando que esse 
processo é um conceito teórico, assim como aponta Althusser5:
Os conceitos teóricos (em sentido estrito) dizem respeito às determinações ou objetos abstrato-formais. 
Os conceitos empíricos dizem respeito às determinadas singularidades dos objetos concretos. Assim, 
diremos que o conceito de modos de produção é um conceito teórico, e que se refere ao modo de 
produção em geral, que não é um objeto existente no sentido estrito, mas que é indispensável para 
o conhecimento de toda a formação social, dado que toda a formação social é estruturada pela 
combinação de vários modos de produção. Da mesma maneira, diremos que o conceito de produção 
capitalista é um conceito teórico, e que se refere ao modo de produzir capitalista em geral, que não é 
um objeto existente no sentido estrito (o modo de produção capitalista não existe em sentido estrito, 
apenas existem formações sociais em que dominava o modo de produção capitalista), mas que, no 
entanto, é indispensável ao conhecimento de qualquer formação social sob a dominação do dito modo 
de produção capitalista, etc.
ALTHUSSER, Lois. Sobre o Trabalho Teórico. Lisboa: Editora Presença, [s.d.], p.55 e 56. (destaques, nossos)
 Ao ressaltar esse elemento, o conceito de MP se refere às abstrações conceituais sobre as 
formas hegemônicas pelas quais a humanidade foi se organizando em cada momento histórico 
para produzir tudo aquilo que era necessário para a manutenção da vida, e que, dentro de um 
mesmo MP, têm-se as relações de produção hegemônicas e outras relações de produção 
que não são majoritárias (esse elemento fi cará mais claro nos tópicos seguintes), que fi carão 
subordinadas às primeiras. Pense, por exemplo, no MP Capitalista que vivemos atualmente, em 
que a relação de produção dominante é o assalariamento. Contudo temos outras relações que 
não têm como base o assalariamento, como o trabalho escravo, os meieiros de terra etc. Desse 
modo, estudaremos os principais modos de produção: MP Comunal, MP Asiático, MP Feudal e 
MP Capitalista.
Exercícios de sala
1 Explique o que podemos entender por modos de produção.
 _______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
10.1 Sociedades comunais – modo de produção comunal
Para Engels e Marx: “Pode-se distinguir os homens dos animais pela consciência, pela religião ou pelo que se queira. Mas eles mesmos 
começam a se distinguir dos animais tão logo começam a produzir 
seus meios de vida, passo que é condicionado por sua organização 
corporal. Ao produzir seus meios de vida, os homens produzem, 
indiretamente, sua própria vida material.” (ENGELS e MARX, 2007, 
p.87, grifos nossos). Assim, pode-se dizer – com base nas descobertas 
da
5 - http://cnec.lk/074b
Disponível em: <www.proza.ru/pics/2012/03/30/160.
jpg>. Acesso em: 07 jun. 2016.
Fig.10.2
Trabalho e relações de produção ao longo da história
13Volume 3
paleontologia, arqueologia etc. – que, aproximadamente, há um milhão de anos os primeiros 
indivíduos do gênero humano denominados Homo habilis (Australophitecus) deixaram seus 
vestígios no planeta e foram, nos tempos contemporâneos, encontrados no continente africano. 
Outros animais do mesmo gênero, como o Pithecanthropus, também foram encontrados no 
continente asiático e africano; o Homo sapiens neandertal, encontrado nos continentes africano, 
asiático e europeu; e, por fi m, a espécie que hoje 
habita o planeta, denominada Homo sapiens 
sapiens. 
 Nesse sentido, ao analisarmos o Período 
Paleolítico (1 milhão de anos até 10.000 anos 
a.C.), concluímos que o objetivo do gênero 
humano era a permanência diária da vida, 
ou seja, a luta diária para conseguir meios de 
sobrevivência biológica (alimentação, proteção 
e reprodução). As atividades principais desse 
momento estavam relacionadas à caça, à pesca, 
à coleta, bem como à defesa em relação a outros 
animais que viviam nesse período. 
 Em termos de técnicas, costuma-se dizer que esse foi o momento em que esse gênero 
animal começa a produzir ferramentas com pedras e madeiras, mediante o aperfeiçoamento e 
as mudanças ocorridas nas mãos que permitiam, com o dedo polegar e o opositor, desenvolver 
novos movimentos que outros animais não tinham a capacidade de realizar. 
 Além disso, nesse momento, os primeiros agrupamentos do gênero humano passam a 
dominar técnicas de energia, mais propriamente o fogo, o qual passa a ser utilizado como arma, 
como fonte de calor contra o frio e para o cozimento de alimentos, entre outras utilizações. 
Dentre as principais técnicas de obtenção/controle do fogo, pode-se destacar:
 
Percussão oblíqua-lançada. Empregada a projeção de faíscas sobre material facilmente 
combustível (estopa, folhas secas etc.) com a ajuda de pedras duras (quartzo, sílex) percutidas 
contra outras pedras duras ou contra nódulos metálicos (piritas de ferro).
Percussão oblíqua-colocada. É uma técnica por fricção. Emprega o atrito contínuo de um 
pedaço de madeira em outro pedaço de madeira geralmente mais duro. O calor gerado é 
comunicado a um material facilmente infl amável. As formas modernas dessa técnica são o 
fósforo químico e o isqueiro de pederneira.
A percussão circular. Com essa técnica, o fogo é obtido pela rotação de uma varinha de madeiradura introduzida numa cavidade feita num pedaço de madeira mais mole. O movimento de 
rotação rápido que se imprime à varinha diretamente com as palmas das mãos, ou indiretamente, 
com a ajuda de uma correia, produz aquecimento sufi ciente para infl amar materiais combustíveis.
RIVAL, Michel. As grandes invenções da humanidade. 1º vol. São Paulo: Larousse, 2009, p. 17.
 De maneira geral, o domínio das técnicas de produção/criação do fogo, assim como todas 
as demais, não apareceu ao mesmo tempo em todas as regiões as quais habitavam os humanos, 
mas foi se constituindo mediante necessidades e conhecimentos 
adquiridos e passados socialmente de geração em geração. 
 Do exposto até o momento, conclui-se que o gênero humano 
era nômade, ou seja, não habitava um lugar fi xo, mudava de região 
para região de acordo com as necessidades, a disponibilidade de 
alimentos, a proteção do grupo, entre outros fatores. Além disso, 
toda a produção – que não gerava excedentes – era realizada 
de maneira social e apropriada, coletivamente, de acordo com 
as necessidades, ou seja, os indivíduos viviam em um sistema de 
Disponível em: <https://lh6.googleusercontent.com>. Acesso em: 30 jun. 2016.
Fig.10.3
Soquete de apoio
Estaca ou broca
Arco
Base de
madeira
macia Papel ou
folhagem
Fig.10.4
Sociologia
14 1ª série do Ensino Médio
cooperativismo. Nesse contexto histórico já era perceptível uma certa divisão do trabalho, que 
se baseava no sexo do indivíduo, especialmente nos períodos de gestação e de cuidados iniciais 
com os novos membros e, diferentemente do que ocorre nos dias atuais, essa divisão não era 
sinônimo de desigualdade entre os membros do agrupamento em questão. 
 O Período Neolítico (de 10.000 a 4.000 anos a.C.) é marcado pelo surgimento de técnicas e 
tecnologias de agricultura e pecuária, possibilitando que os humanos pudessem se sedentarizar 
(fi xar-se em um espaço formando pequenas vilas). Ao se fi xarem, passa a existir a necessidade 
de desenvolverem tecnologias e técnicas de construção (folhagens de palmeiras para cobrir as 
cabanas, por exemplo), bem como de armazenamento de água e comida (uso de cabaças, por 
exemplo).
 Nessa perspectiva, inicia-se, mais intensamente, o domínio dos animais. Em vez de caçá-
los, começa-se a criá-los, o que facilitava a obtenção de proteína animal. Muitos apontam que 
o domínio da pecuária inicia-se no Oriente e depois é levado para outras regiões como África 
e Europa. Contudo as técnicas de produção de animais puderam ser vislumbradas no mesmo 
momento em regiões como sudeste e sudoeste Asiático, no México asteca e no Peru andino. 
Dentre os principais animais domesticados, destacam-se os bovinos, os caprinos, bem como os 
porcos, galinhas e os cachorros.
 Já no que diz respeito às técnicas e tecnologias agrícolas, 
um dos importantes instrumentos inventados foi o arado, 
que, puxado por animais, permitiu substituir o homem e 
poupá-lo de tal trabalho, além de aumentar a capacidade de 
produção agrícola. Dentre as principais culturas produzidas, 
destacam-se a cevada, o trigo, a mandioca, o linho no Oriente 
Médio (Mesopotâmia e Egito); o feijão, o milho, a pimenta, 
a mandioca, o fumo, o algodão e a batata na Mesomérica 
(México e Peru); o trigo, a cevada na Europa Central; o arroz, 
a cevada e o linho no Extremo Oriente (China); entre outros.
 O sedentarismo revolucionou a forma de vida da 
humanidade, que, a partir desse momento, começou a se 
organizar e a ampliar os grupos sociais. Ademais, começou a 
produzir utensílios domésticos, como estantes, mesas, cestas, 
balaios etc. Nesse momento, as sociedades ainda organizavam 
a produção de maneira cooperativista, ou seja, produção e 
apropriação dos bens materiais e imateriais, adquiridos por 
todos do grupo, de acordo com as necessidades de cada 
membro. A noção de propriedade privada começou a aparecer, 
já que a tribo, ao cultivar um determinado pedaço de terra ou 
produzir uma determinada ferramenta de trabalho, considera como seu determinado território e o 
defende de grupos vizinhos que tentavam ocupá-lo.
 O período chamado de Idade dos Metais (de 4.000 a 3.500 a.C.) foi marcado pelo 
desenvolvimento de uma vida em cidades, e de técnicas de fundição de metais como o cobre, o 
bronze (mistura de cobre com estanho) e o ouro. 
 Com a melhoria dos instrumentos de trabalho – agora feito de metais – bem como o 
surgimento de novas técnicas de cultivo da terra e criação de animais, o excedente produtivo 
aumenta, gerando, assim, a possibilidade de apropriações desiguais daquilo que era socialmente 
produzido. Num sentido amplo do termo, pode-se dizer que se inicia o processo de separação 
dos indivíduos em classes sociais, concretizando-se a noção de propriedade privada – seja 
daquilo que é produzido, seja das terras, entre outros elementos. Inicia-se a disputa entre 
grupos detentores e não detentores de propriedades privadas, como bem aponta a cartilha da 
Coordenação de Pastoral da Periferia de Salvador:
Disponível em: <https://s3.amazonaws.com/gs-geo-
images/58f08014-228b-4ef0-aa2d-39a1169c773b.jpg>. Acesso em: 
30 jun. 2016.
Disponível em: <https://s3.amazonaws.com/gs-geo-
images/58f08014-228b-4ef0-aa2d-39a1169c773b.jpg>. Acesso em: 
30 jun. 2016.
Fig.10.5
Fig.10.6
Trabalho e relações de produção ao longo da história
15Volume 3
Quando, no trabalho, os homens começam a produzir mais que o necessário para 
sobreviver, a existência de escravos passa a ter sentido, por que eles produzem o 
seu sustento e o excedente, o qual vai parar nas mãos de seus donos.
A história do Homem, p.7
 É justamente nesse momento histórico que podemos considerar, não com uma data fi xa, 
mas como um processo contraditório, o surgimento de pessoas que, por diversos motivos, 
dominam, subordinam, exploram outros humanos, fi ndando-se a era da cooperação entre os 
humanos e iniciando-se a era das desigualdades sociais, com seres que lutam em busca de 
propriedades privadas.
 Cabe ressaltar também que, com a existência cada vez maior de excedente, passa a emergir 
o comércio (basicamente baseado em trocas, escambos entre grupos e/ou indivíduos), e o 
artesanato ganha novas técnicas e tecnologias, o que, consequentemente, impulsionou a 
ampliação e a criação de centros de trocas, que serão chamados posteriormente de cidades.
 Outros dois grandes elementos de produção humana surgiram nessa época na Suméria 
(Mesopotâmia): a escrita e a roda.
 Essas duas tecnologias revolucionaram a humanidade, a primeira na área da comunicação, e 
a segunda, na de transportes, possibilitando à humanidade inovar e realizar fatos até o momento 
inimagináveis: transportar objetos mais pesados de maneira mais rápida; estruturar sistemas de 
polias, entre outros. Já a escrita possibilitou padronizar leis, difundi-las, de maneira geral, entre 
outros elementos.
Exercícios de sala
2 O modo de produção comunal desenvolve-se em diversos momentos da nossa periodização histórica. 
Explique os elementos comuns a todos esses períodos.
 _______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________
10.2 Modo de produção tributário ou modo de produção asiático
O modo de produção tributário pode ser encontrado em 
diversas sociedades e em diversos 
momentos históricos. Dentre essas 
sociedades existentes, destacam-se: 
a mesopotâmica, a fenícia, a egípcia, 
a chinesa, a América Pré-colombiana 
(incas, maias, astecas, nativas brasileiras).
Sociedade mesopotâmica
 Esse nome advém de mesopotâmia, 
que, em grego, signifi ca entre rios. No 
caso em questão, os rios envolvidos são 
o Tigree o Eufrates. Na atualidade, esse 
território é o Iraque, parte do Irã, da Síria e da Turquia.
Mar Mediterrâneo
Mar 
Negro
Golfo PérsicoMar Vermelho
Mar 
Cáspio
Síria
Chipre
Fenícia
Palestina
Assírios
Amoritas
Acádios
Sumérios
Caldeus
ÁSIA MENOR
Pérsia
POVOS DA MESOPOTÂMIA
MESOPOTÂMIA
Babilônia
Nippur
Uruk (Erech)
Ur
Lagash
Nínive
DESERTO DA ARÁBIA
Rio Eufrates
Rio Tigre
Acervo Sistema
de Ensino
0 100 200 km
Fig.10.7
Sociologia
16 1ª série do Ensino Médio
 Essa sociedade era estruturada, em termos gerais, em três grandes grupos sociais: aristocracia 
(nobres), cidadãos livres e escravos, sendo que grande parte da manutenção dessa sociedade 
assentava-se no trabalho escravo e nos impostos pagos pelos camponeses. 
 Normalmente, os escravos – capturados em guerra – eram direcionados para a produção de 
obras públicas, enquanto os camponeses e os homens livres (criadores de gado, comerciantes, 
artesãos, ferreiros, pescadores) produziam e pagavam impostos que garantiam a manutenção do 
Estado. Assim, os agricultores eram os responsáveis pela produção de toda a comida que era 
consumida pelos demais grupos sociais. 
 Essa sociedade, portanto, organizava a produção da vida material de tal forma que existia uma 
mescla entre trabalhadores escravos e trabalhadores que pagavam tributos, o que mantinha toda 
a estrutura da sociedade.
Sociedade fenícia
 Sociedade baseada na 
agricultura, especialmente de 
cereais, vinho e oliva. Devido 
à sua localização geográfi ca e 
às suas necessidades objetivas, 
essa sociedade produziu grandes 
técnicas e tecnologias navais. 
Desenvolveu-se na região perto 
do Mar Mediterrâneo (ver mapa 
ao lado).
 Essa sociedade tinha como 
sustentáculos de estruturação 
a produção agrícola e a produção comercial – que se realizava basicamente em todo o Mar 
Mediterrâneo. Além disso, essa sociedade é responsável pela criação do primeiro alfabeto, que, 
mais tarde, será modifi cado pelos gregos e pelos romanos dessa forma podemos considerá-los 
como precursores da escrita.
 Pode-se dizer que grande parte da arrecadação do Estado estava associada aos tributos pagos 
pelo comércio – empresa marítima comercial, por assim dizer – e pela produção agrícola que 
alicerçava essa sociedade.
Sociedade egípcia
 A sociedade egípcia, assim como as 
demais sociedades que vimos até agora, tem 
sua base produtiva alicerçada na agricultura, 
mais propriamente na servidão coletiva de sua 
população, apresentando uma organização 
muito complexa para a época (ver fi gura ao lado).
 O faraó era a representação de Deus na 
Terra, ao qual todos deveriam servir. Os nobres 
eram os funcionários do Estado (burocratas e 
altas patentes militares), sacerdotes e grandes 
comerciantes que constituíam, ao lado do faraó, um 
grupo social privilegiado em direitos e benefícios. Os soldados eram responsáveis pela segurança 
externa e interna (uma espécie de polícia). Os escribas eram pessoas treinadas nas artes das letras 
e matemáticas, assim controlavam estoques de comida, gerenciavam as construções, entre outras 
funções. Os comerciantes foram responsáveis por dinamizar a comercialização com regiões 
vizinhas, permitindo grandes acúmulos de riqueza aos faraós. Os artesãos exerciam diversas 
atividades manufatureiras, como as de ourives, de escultores, entre outras. Os camponeses eram 
a maioria da população e trabalhavam em um regime de servidão coletiva para os faraós tanto 
em construções como na produção agrícola, na pesca, na construção de pirâmides, nos diques, 
entre outras. Compunham o principal grupo social em termos quantitativos.
Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com>. Acesso em: 30 jun. 
2016.
 Outro elemento muito importante 
realizado pelos mesopotâmios e 
egípcios diz respeito a obras de 
abastecimento de água, como a criação 
de poços e cisternas, junto a toda uma 
técnica e tecnologia de instalações 
hidráulicas. Além disso, surgiram, nesse 
período, as primeiras salas de banho, 
bem como banheiros – em palácios – 
individuais com latrinas e sistema de 
esgoto. É importante notar que esses 
elementos só serão popularizados na pós-revolução industrial, no século XVIII d.C.
 Outro grande feito dessa sociedade foi o desenvolvimento do papiro – folhas de palmeiras 
batidas e postas para secar, que, depois de um tratamento especial, eram utilizadas como base 
para a escrita. O papiro só terá sua popularidade ameaçada quando surge o papel, na China.
Sociedade chinesa
 A sociedade chinesa 
desenvolveu-se nos vales dos 
rios, já que, nessas regiões, era 
possível encontrar terras férteis 
para a produção agrícola e a 
criação de animais. A sociedade 
chinesa, diferentemente da 
maioria das outras sociedades 
do mundo, nunca foi destruída, 
tendo seu processo de formação 
iniciado na Antiguidade e 
perdurado até os nossos dias. 
 Assim como em todas as 
sociedades desse momento 
histórico, o camponês era a espinha dorsal 
dessa sociedade, mediante o pagamento 
de altos impostos ao imperador e aos 
grandes proprietários de terra. Para além 
de seu papel no setor produtivo, cabe notar 
que esses camponeses também exerciam o 
papel de combate na guerra.
 A China é considerada por muitos 
como a sociedade mais desenvolvida 
de todas, sendo a criadora de diversas 
técnicas e tecnologias que alteraram o 
desenvolvimento da humanidade, tais 
como o papel (Cai Lun, funcionário do 
Império chinês do séc. II d.C.) e a sericultura 
(cultivava o bicho da seda e a seda, que 
foi, por muito tempo, o produto mais caro 
chinês. Há relatos de que esse cultivo 
já existia desde 5.000 a.C.) a imprensa 
(800 anos d.C., entalhando caracteres em 
madeiras), o macarrão (aproximadamente 
2.000 anos a.C.), a bússola (século 4 a.C.), 
o álcool (século III a.C.), entre muitas outras 
invenções.
Disponível em: <https://upload.wikimedia.org>. Acesso em: 30 jun. 
2016.
Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com>. Acesso em: 30 jun. 2016.
Disponível em: <http://balalaika24.ru/t1/attachments/17/171/
ea6a1459a586fef00a6895e45bb3f335.jpg>. Acesso em: 30 jun. 2016.
0 500 km
0 300 miles
Acervo Sistema
de Ensino
Gadir
Tingis Cartago
Léptis
Cirene
Mênfis
Biblos
Sídon
Tiro
IBÉRIA
EUROPA
ÁSIA
ÁFRICA
SICILIA
CRETA
CHIPRE
OCEANO
ATLÂNTICO
Mar
Mediterráneo
Mar
Egeu
Mar
NegroMar Adriático
As rotas comerciais
dos fenícios
Fenícia
Rotas
comerciais
Fig.10.7
Fig.10.9
Fig.10.8
Trabalho e relações de produção ao longo da história
17Volume 3
 Essa sociedade era estruturada, em termos gerais, em três grandes grupos sociais: aristocracia 
(nobres), cidadãos livres e escravos, sendo que grande parte da manutenção dessa sociedade 
assentava-se no trabalho escravo e nos impostos pagos pelos camponeses. 
 Normalmente, os escravos – capturados em guerra – eram direcionados para a produção de 
obras públicas, enquanto os camponeses e os homens livres (criadores de gado, comerciantes, 
artesãos, ferreiros, pescadores) produziam e pagavam impostos que garantiam a manutenção do 
Estado. Assim, os agricultores eram os responsáveis pela produção de toda a comida que era 
consumida pelos demais grupos sociais. 
 Essa sociedade, portanto, organizava a produção da vida material de tal forma que existia uma 
mescla entre trabalhadores escravos e trabalhadores que pagavam tributos, o que mantinha toda 
a estrutura da sociedade.
Sociedade fenícia
 Sociedade baseada na 
agricultura, especialmente de 
cereais, vinho e oliva. Devido 
à sua localização geográfi ca e 
às suas necessidades objetivas, 
essa sociedade produziu grandes 
técnicas e tecnologias navais. 
Desenvolveu-se na região perto 
do Mar Mediterrâneo (ver mapa 
ao lado).
 Essa sociedade tinha como 
sustentáculos de estruturação 
a produção agrícola e a produção comercial– que se realizava basicamente em todo o Mar 
Mediterrâneo. Além disso, essa sociedade é responsável pela criação do primeiro alfabeto, que, 
mais tarde, será modifi cado pelos gregos e pelos romanos dessa forma podemos considerá-los 
como precursores da escrita.
 Pode-se dizer que grande parte da arrecadação do Estado estava associada aos tributos pagos 
pelo comércio – empresa marítima comercial, por assim dizer – e pela produção agrícola que 
alicerçava essa sociedade.
Sociedade egípcia
 A sociedade egípcia, assim como as 
demais sociedades que vimos até agora, tem 
sua base produtiva alicerçada na agricultura, 
mais propriamente na servidão coletiva de sua 
população, apresentando uma organização 
muito complexa para a época (ver fi gura ao lado).
 O faraó era a representação de Deus na 
Terra, ao qual todos deveriam servir. Os nobres 
eram os funcionários do Estado (burocratas e 
altas patentes militares), sacerdotes e grandes 
comerciantes que constituíam, ao lado do faraó, um 
grupo social privilegiado em direitos e benefícios. Os soldados eram responsáveis pela segurança 
externa e interna (uma espécie de polícia). Os escribas eram pessoas treinadas nas artes das letras 
e matemáticas, assim controlavam estoques de comida, gerenciavam as construções, entre outras 
funções. Os comerciantes foram responsáveis por dinamizar a comercialização com regiões 
vizinhas, permitindo grandes acúmulos de riqueza aos faraós. Os artesãos exerciam diversas 
atividades manufatureiras, como as de ourives, de escultores, entre outras. Os camponeses eram 
a maioria da população e trabalhavam em um regime de servidão coletiva para os faraós tanto 
em construções como na produção agrícola, na pesca, na construção de pirâmides, nos diques, 
entre outras. Compunham o principal grupo social em termos quantitativos.
Disponível em: <http://2.bp.blogspot.com>. Acesso em: 30 jun. 
2016.
 Outro elemento muito importante 
realizado pelos mesopotâmios e 
egípcios diz respeito a obras de 
abastecimento de água, como a criação 
de poços e cisternas, junto a toda uma 
técnica e tecnologia de instalações 
hidráulicas. Além disso, surgiram, nesse 
período, as primeiras salas de banho, 
bem como banheiros – em palácios – 
individuais com latrinas e sistema de 
esgoto. É importante notar que esses 
elementos só serão popularizados na pós-revolução industrial, no século XVIII d.C.
 Outro grande feito dessa sociedade foi o desenvolvimento do papiro – folhas de palmeiras 
batidas e postas para secar, que, depois de um tratamento especial, eram utilizadas como base 
para a escrita. O papiro só terá sua popularidade ameaçada quando surge o papel, na China.
Sociedade chinesa
 A sociedade chinesa 
desenvolveu-se nos vales dos 
rios, já que, nessas regiões, era 
possível encontrar terras férteis 
para a produção agrícola e a 
criação de animais. A sociedade 
chinesa, diferentemente da 
maioria das outras sociedades 
do mundo, nunca foi destruída, 
tendo seu processo de formação 
iniciado na Antiguidade e 
perdurado até os nossos dias. 
 Assim como em todas as 
sociedades desse momento 
histórico, o camponês era a espinha dorsal 
dessa sociedade, mediante o pagamento 
de altos impostos ao imperador e aos 
grandes proprietários de terra. Para além 
de seu papel no setor produtivo, cabe notar 
que esses camponeses também exerciam o 
papel de combate na guerra.
 A China é considerada por muitos 
como a sociedade mais desenvolvida 
de todas, sendo a criadora de diversas 
técnicas e tecnologias que alteraram o 
desenvolvimento da humanidade, tais 
como o papel (Cai Lun, funcionário do 
Império chinês do séc. II d.C.) e a sericultura 
(cultivava o bicho da seda e a seda, que 
foi, por muito tempo, o produto mais caro 
chinês. Há relatos de que esse cultivo 
já existia desde 5.000 a.C.) a imprensa 
(800 anos d.C., entalhando caracteres em 
madeiras), o macarrão (aproximadamente 
2.000 anos a.C.), a bússola (século 4 a.C.), 
o álcool (século III a.C.), entre muitas outras 
invenções.
Disponível em: <https://upload.wikimedia.org>. Acesso em: 30 jun. 
2016.
Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com>. Acesso em: 30 jun. 2016.
Disponível em: <http://balalaika24.ru/t1/attachments/17/171/
ea6a1459a586fef00a6895e45bb3f335.jpg>. Acesso em: 30 jun. 2016.
Fig.10.10
Fig.10.11
180º 160º 140º 120º
70º
50º
30º
30º
50º
10º
10º
0º Equador
Trópico de Câncer
Trópico de Capricórnio
100º 80º 60º
40º
20º
Círculo P
olar Ártic
o
160º 140º 120º 100º 80º 60º 40º 20º
Império Asteca
Império Maia
Área de Maior
Concentração de povos
Limite do Brasil Atual
Reg. de Baixa Densidade
Demográfica - 1-5 hab./Km2 
Império Inca
Legenda:
Acervo Sistema
de Ensino
Mar de Beaufo
rt
Ma
r d
e C
hu
ko
ts
Ma
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e B
er
ing
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
Ma
r d
a N
oru
eg
a
Mar de Baffin
Mar do Caribe
Golfo do México
Baia de Hudson
Golfo do Alasca
Ilhas
 da R
ainh
a Eli
zabe
th
Estreito de Davis
ÁSIA
AMÉRICA
DO NORTE
AMÉRICA
CENTRAL
AMÉRICA
DO SUL
Fig.10.12
Sociologia
18 1ª série do Ensino Médio
 Outra produção muito importante realizada por essa sociedade diz respeito à utilização das 
forças das águas na realização de tarefas, ou seja, a utilização da força hidráulica, inclusive com 
a criação, séculos depois, dos moinhos hidráulicos.
 No que diz respeito às relações sociais de produção, pode-se dizer que a sociedade chinesa 
era uma sociedade estamental – com a quase inexistência de mobilidade social. Isso implica 
dizer que cada indivíduo seria aquilo que seus pais já eram. Se o pai fosse agricultor, o fi lho estava 
fadado a sê-lo também; se fosse artesão, o fi lho também seria, e assim por diante.
América Pré-Colombiana (América antes da chegada de Colombo) 
Sociedade asteca (México e América Central)
 Os astecas tinham uma organização social muito 
desenvolvida, uma clara divisão entre campo e cidade 
– tal divisão só se concretizará na Europa pós primeira 
e segunda Revolução Industrial. O campo era onde se 
produziam os alimentos para a cidade, local em que 
estavam centralizados os poderes econômico, político 
e ideológico.
 Os comerciantes tinham um papel central, já que 
eles negociavam produtos com toda a Meso-América.
 Essa sociedade desenvolveu grandes tecnologias e 
técnicas de construções, seja com as pirâmides, seja no 
que diz respeito às zonas de moradias, com um sistema 
complexo de utilização de recursos hídricos, além de um estruturado sistema de esgoto. 
 Dessa forma, essa sociedade organizava-se 
politicamente a partir de uma monarquia, militarizada, na 
qual o imperador era eleito por um conselho chamado 
de confederação. A vida social baseava-se na nobreza 
(sacerdotes e militares), nos comerciantes, nos artesões, 
camponeses e escravos. Cabe notar, ainda, que havia uma 
hierarquia na qual o escravo estava na base da pirâmide, 
havendo a possibilidade de mobilidade social. A produção 
agrícola estava assentada em produtos como a batata, o 
milho, o feijão, o tomate, entre outros produtos, mediante 
uma organização na qual a terra era comum (pertencia à 
sociedade), e os agricultores que nela moravam tinham 
que pagar tributos pela produção realizada, ou seja, parte 
da produção era confi scada pelo Estado. 
 Enfi m, é necessário apontar que o povo asteca 
tinha uma grande produção tecnológica ligada ao campo, sabendo muito de Matemática e 
Astronomia. Seu calendário era baseado na pedra do sol (imagem acima). Além disso, existia 
uma medicina herbária avançadíssima para o tratamento de doenças típicas. No mais, esse povo 
também desenvolveu a roda e fazia diversas utilizações dela. 
Sociedade inca
 A sociedade inca localizava-se nas Cordilheiras dos 
Andes e tinha como principal fonte de renda a produção 
agrícola, desenvolvendodiversas técnicas e tecnologias 
voltadas para a produção em regiões montanhosas. 
A terra era propriedade da sociedade, contudo havia a 
exploração principalmente daqueles que trabalhavam 
com a terra.
Disponível em: <http://www.rocksullivros.com.br/media/catalog/product/cache/1/image/9df78eab33525d
08d6e5fb8d27136e95/f/i/fi le_12_10.jpg>. Acesso em: 01 jul. 2016.
Fig.10.13
Fig.10.14
Fig.10.15
Trabalho e relações de produção ao longo da história
19Volume 3
 Outra produção muito importante realizada por essa sociedade diz respeito à utilização das 
forças das águas na realização de tarefas, ou seja, a utilização da força hidráulica, inclusive com 
a criação, séculos depois, dos moinhos hidráulicos.
 No que diz respeito às relações sociais de produção, pode-se dizer que a sociedade chinesa 
era uma sociedade estamental – com a quase inexistência de mobilidade social. Isso implica 
dizer que cada indivíduo seria aquilo que seus pais já eram. Se o pai fosse agricultor, o fi lho estava 
fadado a sê-lo também; se fosse artesão, o fi lho também seria, e assim por diante.
América Pré-Colombiana (América antes da chegada de Colombo) 
Sociedade asteca (México e América Central)
 Os astecas tinham uma organização social muito 
desenvolvida, uma clara divisão entre campo e cidade 
– tal divisão só se concretizará na Europa pós primeira 
e segunda Revolução Industrial. O campo era onde se 
produziam os alimentos para a cidade, local em que 
estavam centralizados os poderes econômico, político 
e ideológico.
 Os comerciantes tinham um papel central, já que 
eles negociavam produtos com toda a Meso-América.
 Essa sociedade desenvolveu grandes tecnologias e 
técnicas de construções, seja com as pirâmides, seja no 
que diz respeito às zonas de moradias, com um sistema 
complexo de utilização de recursos hídricos, além de um estruturado sistema de esgoto. 
 Dessa forma, essa sociedade organizava-se 
politicamente a partir de uma monarquia, militarizada, na 
qual o imperador era eleito por um conselho chamado 
de confederação. A vida social baseava-se na nobreza 
(sacerdotes e militares), nos comerciantes, nos artesões, 
camponeses e escravos. Cabe notar, ainda, que havia uma 
hierarquia na qual o escravo estava na base da pirâmide, 
havendo a possibilidade de mobilidade social. A produção 
agrícola estava assentada em produtos como a batata, o 
milho, o feijão, o tomate, entre outros produtos, mediante 
uma organização na qual a terra era comum (pertencia à 
sociedade), e os agricultores que nela moravam tinham 
que pagar tributos pela produção realizada, ou seja, parte 
da produção era confi scada pelo Estado. 
 Enfi m, é necessário apontar que o povo asteca 
tinha uma grande produção tecnológica ligada ao campo, sabendo muito de Matemática e 
Astronomia. Seu calendário era baseado na pedra do sol (imagem acima). Além disso, existia 
uma medicina herbária avançadíssima para o tratamento de doenças típicas. No mais, esse povo 
também desenvolveu a roda e fazia diversas utilizações dela. 
Sociedade inca
 A sociedade inca localizava-se nas Cordilheiras dos 
Andes e tinha como principal fonte de renda a produção 
agrícola, desenvolvendo diversas técnicas e tecnologias 
voltadas para a produção em regiões montanhosas. 
A terra era propriedade da sociedade, contudo havia a 
exploração principalmente daqueles que trabalhavam 
com a terra.
Disponível em: <http://www.rocksullivros.com.br/media/catalog/product/cache/1/image/9df78eab33525d
08d6e5fb8d27136e95/f/i/fi le_12_10.jpg>. Acesso em: 01 jul. 2016.
 Além de técnicas e tecnologias de cultivo em região montanhosa, essa sociedade produziu 
uma complexa arquitetura (hoje tombada como patrimônio histórico da humanidade), bem 
como uma metalurgia e produção de diversos elementos de cerâmica. 
 Em termos de divisão social, a sociedade inca está alicerçada em três grandes grupos sociais: 
no topo da pirâmide, estava o grande inca e os sacerdotes, que centralizavam o poder político 
alicerçado em princípios religiosos. Cabe notar que os sacerdotes tinham a função de educar 
esse povo. Na sequência, havia os nobres, normalmente pertencentes ao autoclã da sociedade e 
ligados, também, às altas patentes militares. E, por último, os camponeses, que tinham a função 
do trato com a terra. Estes seguiam sempre esta hierarquia: cultivavam a terra do grande inca e 
da família real, depois cultivavam o pedaço de terra que lhes cabia para a sobrevivência familiar 
e, por último, cuidavam da terra, no seio da sociedade, a fi m de alimentar os mais necessitados.
 Apesar de não domesticarem cavalos, utilizavam-se das lhamas (para a extração de lã para tecidos 
e cordas, e de peles e carnes) nos transportes de coleitas. É importante destacar a técnica das curvas 
de níveis, que foi desenvolvida permitindo a esse povo uma produção diversifi cada de produtos, tais 
como: batata, batata-doce, coca, milho, pimenta, algodão, amendoim, ervas medicinais etc. Para 
conseguir cultivar a diversidade vegetal que produzia (chegava às centenas), utilizava sistemas de 
irrigação na produção.
Sociedade maia
 A sociedade maia é notória, dentre muitas 
coisas, pelo domínio de uma linguagem 
escrita, ou seja, é considerada o único povo 
pré-colombiano a dominar a escrita. Tão 
complexa como a da atualidade.
 Estava estruturada a partir da 
organização de diversas cidades-Estados. A 
estrutura social era basicamente a seguinte:
• Ahaucan (sacerdote supremo): tinha todo 
o poder de decisão religioso e de Estado, 
desde indicar novos sacerdotes até receber 
tribos e tomar algumas decisões políticas.
• Halach Uinic (chefe supremo): 
cargo hereditário de chefe dos altos 
administradores e magistrados do Estado, 
bem como dos chefes militares.
• Mazehualob (camponeses e artesãos): maioria da população que pagava altos impostos daquilo 
que produzia e que trabalhava em obras. Além disso, esses camponeses, geralmente, moravam 
longe dos centros urbanos.
• Putunes (grandes mercadores): diferentemente de outras sociedades, na maia, esses indivíduos 
eram marginalizados e sua respeitabilidade só aumentou à medida que as atividades comerciais 
foram se ampliando.
• Escravos: geralmente advindos de espólio de guerra, os escravos, na maioria das vezes, não 
trabalhavam na produção, mas sempre serviam a um senhor.
 Nessa sociedade, assim como em outras vistas neste capítulo, a permanência dos grupos se 
alicerça em uma produção agrícola na qual o camponês – normalmente mediante um regime 
de servidão coletivo – mantinha a sociedade por meio dos produtos que gerava, e a sociedade, 
por sua vez, conseguia, mediante impostos, extrair das outras sociedades grandes acúmulos de 
riquezas produzidos por esse setor.
Fig.10.16
Sociologia
20 1ª série do Ensino Médio
Quadro sintético das sociedades inca, maia e asteca
Asteca Inca Maia
Economia
Agricultura e 
comércio
Agricultura e criação 
de lhamas
Agricultura e comércio
Política
Monarquia teocrática 
militarizada
Monarquia teocrática
Cidades-Estado/ 
teocratas
Religião
Politeísmo (sacrifícios 
humanos)
Politeísmo 
(sacrifícios de animais)
Politeísmo (culto ao Sol) 
e sacrifícios de animais.
Sociedade
Hierarquizada 
(destaque para os 
comerciantes e 
guerreiros)
Hierarquizada, 
desigual.
Hierarquizada, 
governada por Hunac 
Ceel (representação dos 
deuses)
Exercícios de sala
3 Vimos que é possível considerar diversas sociedades da Antiguidade (egípcia, chinesa, maia, dentre 
outras) como possuidoras daquilo que chamamos de Modo de Produção Tributário. Aponte e explique 
pelo menos dois elementos em comum a essa forma de organização da produção da vida material.
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______________________________________________________________________________________
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10.3 Sociedades escravagistas (modo de produção escravocrata ou 
escravista)
Sem a escravidão, não haveria o estado grego;
não haveria nem arte nem ciências gregas.
Sem escravidão não haveria Império Romano.
Friedrich Engels6
As sociedades que estão inseridas no Modo de Produção (MP) Tributária têm como principal relação de trabalho a chamada servidão coletiva, na qual a maioria da população trabalhava 
e pagava tributos, com seu sobretrabalho, ao Estado ou trabalhava para o Estado, na realização 
das construções de obras públicas. Já nas sociedades que serão 
estudadas neste subtópico, a principal relação de trabalho situa-
se no escravismo de subsistência, uma produção escravocrata 
voltada à manutenção das famílias donas dos escravos.
 Esse último aspecto é importante, pois é um dos elementos 
que permite distinguir o escravismo nas sociedades antigas 
do escravismo ocorrido no Brasil, no qual os escravos estavam 
direcionados a uma produção (especialmente mineração, produção de açúcar e café) de 
commodities agrícolas e minerais para adentrar no processo internacional de valorização do 
capital (mundo Capitalista) na Modernidade (a partir de 1500, por assim dizer).
6 - http://cnec.lk/05vl
Defi nição Conceitual: Excedente, 
mais produtos do que seria 
consumido pela pessoa ou por sua 
família. Excedente de produção 
gerado.
Trabalho e relações de produção ao longo da história
21Volume 3
Sociedade grega 
 A Grécia está localizada no Mar Mediterrâneo (entre a Europa e a África). É constituída por um 
arquipélago (conjunto de ilhas), o que, de certa forma, prejudicou a agricultura, devido ao terreno 
montanhoso. Por outro lado, essa localização propiciou um grande desenvolvimento naval e um 
comércio marítimo muito intenso.
 Essa sociedade estava 
alicerçada em uma estrutura 
social baseada basicamente 
em três grandes segmentos: 
proprietários de terras 
(Eupátridas e Georghois – 
considerados os cidadãos), 
não proprietários de terras, 
homens livres, comerciantes, 
artesãos entre outros (Thetas 
e Demiurgos) e os escravos. 
Dentro dessa estrutura, os 
escravos são os grandes 
responsáveis pela produção 
de todos os gêneros agrícolas necessários para a sobrevivência dos demais setores, além da 
produção de uma pequena quantidade de sobretrabalho que será comercializado. Dessa forma, 
a manutenção da sociedade se dá basicamente por uma produção escravocrata produzida no 
campo pelos escravos, além de um intenso comércio marítimo em toda a região do Mediterrâneo.
 Além de um conjunto de ideias políticas muito ricas produzidas pelos gregos (ideias essas 
que serão trabalhadas em Sociologia e em Filosofi a na 2ª série do Ensino Médio), os gregos são 
responsáveis pela difusão da moeda que havia surgido nas sociedades da Ásia Menor. Aristóteles7, 
por exemplo, é citado como um dos primeiros a construir uma teoria monetária, já que em seu 
livro Política, Livro I, capítulo 3, ele diz:
[...] a moeda metálica, instrumento ordinário das trocas, só vale pela quantidade de metal preciso que contém 
[...]” e contínua, “A necessidade introduz a moeda. Consentiu-se em dar e em receber, nas trocas, uma matéria 
que, útil por si mesma, fosse facilmente manejável nos usos habituais da vida: foi o ferro, por exemplo, a prata 
ou alguma outra substância da qual se determinou a princípio a dimensão e o peso e que, fi nalmente, para se 
livrar dos embaraços e das contínuas mensurações, foi marcada com um cunho particular, sinal de seu valor. 
Mas por si mesma a moeda não passa de uma frivolidade, de uma futilidade; só tem valor pela lei e não por sua 
natureza, já que uma mudança de convocação entre os que fazem uso dela pode depreciá-lo por completo e 
torná-la de todo imprópria para satisfazer a qualquer das nossas necessidades.
Sociedade romana
 A estrutura da sociedade 
romana pode ser dividida em 
dois grandes momentos:
• em um período pré republicano 
a sociedade dividida em 
patrícios (proprietários de 
terras), plebeus, proletário 
(aqueles que possuíam apenas a 
prole, os fi lhos), homens livres, 
artesãos, homens novos ou 
cavaleiros (comerciantes que
7 - http://cnec.lk/05vn
Fig.10.18
Ouro Madeira
CobreÁrea de influência fenícia
Povoamento grego
Eixos da expansão grega
Principais
colónias gregas
Principais
metrópoles gregas
Prata
Tecidos
Marfim
Trigo
Papiro
Escravos
Colunas
de Hércules
OCEANO
ATLÂNTICO
MAR NEGRO
MAR
MEDITERRÂNEO
MAR
JÓNICO
MAR
EGEU
MAR ADRIÁTICO
EUROPA
CELTAS
MAGNA
GRÉCIA
IBEROS
CÓRSEGA
SARDENHA
Cartago
Ampúrias
Marselha
Roma
Agrigento
Siracusa Esparta
Atenas
Foceia
Bizâncio
Mileto
Rodes
Naucratis
Cirene
Corinto
Tarento
CRETA
CHIPRE
SICÍLIA
LÍDIA
FENÍCIOS
ETRUSCOS
LÍBIOS
ÁSIA
ÁFRICA
N
ilo
Tejo
Danúbio
0 400 km
Fig.10.17
Sociologia
22 1ª série do Ensino Médio
seguiam a cavalo os grandes empreendimentos bélicos romanos a fi m de conseguir produtos para 
comercializar) e escravos. Essa divisão implicava a vida política, já que os únicos considerados 
cidadãos eram os proprietários de terras.
• já no período imperial, a sociedade dividida em ordem ou camada senhorial (renda 
acima de 1 milhão ao ano); ordem ou camada equestre (renda de 1 milhão a 400 mil ao 
ano); ordem ou camadas inferiores (abaixo de 400 mil ao ano). Essa nova divisão social diz 
respeito à demanda romana de equacionar que o direito à participação política poderia 
ser conquistado mediante fortuna, que não só estava baseada na agricultura, mas também 
no intenso comércio realizado, ou seja, essa estrutura benefi ciava um setor que, até o 
momento, havia sido alijado de decisões políticas, mesmo tendo grande poder econômico.
 Independentemente do período histórico, pode-se dizer que Roma sempre teve sua produção 
de subsistência baseada no trabalho escravo, bem como nos saques de guerras realizados e nas 
grandes rotas comerciais, como a rota africana, na qual diversos minérios foram conquistados 
(ouro, prata, ferro) e também o sal; a rota chinesa (especiarias, louça e seda); e a rota espanhola 
(carnes salgadas, peixes, azeite, vinho).
 Outro elemento impulsionado pelas sociedades romana e chinesa foram as estradas, já que, 
por meio delas, integraram-se grandes territórios de maneira mais efi ciente e rápida. Sobre esse 
processo, o engenheiro romano Estácio (ano 90 a.C.) oferece-nos uma bela descrição:
 A primeira tarefa é cavar sulcos [salci] e abrir uma via. Em seguida, cavar profundamente e esvaziar o solo 
[entre os sulcos]. Enche-se, então, a primeira trincheira cavada com outros materiais e prepara-se, assim, um 
recobrimento [gremium] sobre o qual o revestimento da estrada pode ser colocada, isso a fi m de evitar que o solo 
ceda ou a terra ruim se revele um leito pouco seguro para os blocos de pedra que aí se amontoa. Depois, faz-se o 
“acabamento” da estrada com lajes assentadas nas margens [umbrones] e numerosos grampos.
Exercícios de sala
4 Descreva e explique dois fundamentos básicos do Modo de Produção Escravista.
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_______________________________________________________________________________________
10.4 Sociedades feudais (modo de produção feudal)
Uma das ordens reza noite e dia 
A outra é a dos trabalhadores 
A outra mantém e faz justiça 
Cada ordem sustém as outras duas 
E cada ordem mantém as outras duas 
Arrastam tanto sofrimento e dor 
Suportam tão grandes tormentos 
A neve, a chuva, a ventania 
Quando trabalham a terra com as mãos,
com desconforto e muita fome.
Levam bem difícil a vida,
pobre, sofredora e mendicante.
Têm grande canseira e dor,
pagam primícias8, corveias9 (…)
esem coisas costumeiras.
Benedito de Sant-Maure, autor do séc. XII, sobre a vida dos camponeses.
8 - Primícia: direito do senhor feudal em receber os primeiros rendimentos, frutos da colheita.
9 - Corveia: trabalhos que o servo prestava gratuitamente ao senhor feudal ou ao soberano. 
Trabalho e relações de produção ao longo da história
23Volume 3
 O Modo de Produção Feudal estruturou-
se tendo como marco histórico a Idade 
Média, que teve início no ano 476 com o 
desmoronamento do Império Romano do 
Ocidente, e que se estendeu até meados de 
1453. Caracteriza-se pela queda do Império 
Romano do Oriente, que teve como marco 
a tomada de Constantinopla (atual Istambul) 
pelos turcos. 
 Esse período dá início ao que a historiografi a 
tradicional chama de Idade Moderna.
 Tal sociedade tem como base um governo 
descentralizado e uma produção baseada 
predominantemente em uma economia de subsistência 
agropastoril, na qual, apesar de as relações de trabalho 
não mais serem escravocratas, as pessoas continuam 
presas à terra, com suas liberdades cerceadas, por não 
terem propriedade mediante uma relação de servidão.
 Assim como as demais sociedades, até o surgimento 
do capitalismo havia uma produção baseada no tempo 
natural, ou seja, que se norteava na natureza: quando amanhecia, saíam para o trato da terra e 
das criações e, quando entardecia, voltavam para suas casas para o descanso diário. 
 Nesse momento, o espaço físico do trabalho era estruturado a partir do lar, com a ajuda de 
toda a família.
 
 É importante ressaltar como o trabalho feminino e o trabalho infantil estão presentes nessa 
sociedade. As necessidades de sobrevivência e as obrigações servis contribuem para isso. As 
crianças, desde que já possam exercer alguma atividade laborativa, ingressam no mundo do 
trabalho para auxiliar na economia familiar. Assim, quanto mais fi lhos, maior poderia ser o 
aproveitamento produtivo. Pelo menos era essa a lógica que regia tal sociedade, e de maneira 
não muito distante podemos observar a mesma lógica. 
GEDIEL, José António. Os caminhos do cooperativismo. Curitiba: UFPR, 2001, p. 84
 Assim, pode-se afi rmar que a sociedade feudal – nesse caso não se faz necessária a 
diferenciação entre Baixa e Alta Idade Média – está alicerçada em uma estrutura social 
estamental na qual existe pouca possibilidade de mobilidade social – nasce servo morre servo, 
ou nasce senhor morre senhor – sendo que os grupos principais são: nobres (rei, suseranos e 
vassalos), que eram os proprietários de terra que possuíam como função social organizar política 
e socialmente os feudos, bem como garantir a segurança da terra; o clero, padres, que também 
possuíam terra – de maneira geral, não em seu nome, mas no da Igreja – e que cumpriam a 
função de sustentar ideologicamente a estrutura social; e os servos, não detentores de terra, que 
eram responsáveis por garantir toda a produção daquilo que seria consumido na sociedade. Além 
desses grupos principais, existiam os comerciantes, os artesãos, entre outros, mas a estrutura 
econômica e social alicerçava-se, fundamentalmente, nos grupos anteriormente apontados.
5 Pode-se dizer que a sociedade medieval está alicerçada em três grupos sociais principais e distintos 
(clero, nobreza e servos). Explique a função social de cada um deles.
 _______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
Fig.10.20
Fig.10.19
RENTAS
SAN MIGUEL
(SEPTIEMBRE)
ANIMAIS
ANIMAIS
ANIMAIS
LEGUMES
LEGUMES
LEGUMES
TRIGO
TRIGO
TRIGO
Funcionamento de um Feudo
TERRAS DE CULTIVO DOS CAMPONESES MANSOS COMUNAIS
ALDEIA
DÍZIMO
IGREJA
BOSQUE
CARPINTARIA
CASTELO
TERRAS DE CULTIVO
PASTO DE
ANIMAIS
TERRAS DO SENHOR
DIAS DE
TRABALHO
GRATUITO
1° ANO 2° ANO 3° ANO
Sociologia
24 1ª série do Ensino Médio
10.5 Modo de produção capitalista 
1% mais ricos
99% mais ricos
Fonte: Oxfam
Divisão de riqueza no mundo em 2016
Fig.10.21
Fig.10.22
Fig.10.23 Fig.10.24
O Capitalismo é um sistema sociometabólico de produção e reprodução da vida material, e seus meios de distribuição são privados, ou seja, esse sistema está alicerçado na propriedade 
privada dos meios de produção. A relação de trabalho, que é hegemônica, baseia-se em 
trabalhadores livres assalariados (assalariamento). Assim, quem não tem meios de produção 
vende necessariamente sua força de trabalho. (Utiliza-se a expressão “força de trabalho” em 
vez de “mão de obra” por razões sociológicas.) São os chamados trabalhadores, proletariados 
ou subalternos. Por sua vez, aqueles que são donos dos meios de produção – fábricas, lojas, 
bancos, entre outros – são chamados de patrão, burgueses ou classe dominante. Dessa maneira, 
a produção, que é realizada socialmente pelos trabalhadores, é apropriada individualmente pelos 
donos dos meios de produção (produção social e apropriação privada da riqueza produzida).
 Diferentemente dos outros sistemas econômicos, em que as classes dominantes tratavam 
o trabalho produtivo como algo negativo (trabalho origina-se da palavra latina tripallium, 
instrumento de tortura formada por três paus: tri pallium), no modo de produção capitalista, o 
trabalho assume lugar central na vida de todos os indivíduos, das classes dominantes às classes 
subalternas.
 Da formação do MP capitalista, que vai de meados de 1 300 d.C. até sua consolidação, 
pelo menos na Europa, em meados de 1850 d.C., podem-se destacar dois grandes teóricos de 
sustentação de tal sistema: 1) John Locke10, fi lósofo inglês considerado por muitos como o pai 
do liberalismo dentro da fi losofi a e um dos grandes defensores do direito de propriedade privada; 
(propriedade privada advem do trabalho e 2) Adam Smith11, teórico escocês considerado por 
muitos como o pai da economia moderna, que, em seu livro A riqueza das Nações, determinou 
a teoria da chamada mão invisível, que buscava explicar o funcionamento do mercado.
 Segundo Smith, em um mercado livre concorrencial, o preço das mercadorias – 
consequentemente o mercado e a produção como um todo – seria autorregulado da seguinte 
maneira: quanto maior a oferta de um determinado produto em relação a sua demanda, mais 
barato tenderia se tornar o preço, e, quanto menor a oferta em relação à demanda, mais caro 
tenderia se tornar o preço do produto. Ou seja, é como se, sobre o mercado, atuasse uma mão 
invisível que regula o preço e a produção daquilo que é produzido. A seguir, há dois exemplos 
hipotéticos.
 Em uma feira, existem cinco pessoas querendo vender um determinado produto X 
(laranja, por exemplo) e apenas uma pessoa querendo comprá-lo. Esses cinco comerciantes 
começarão a disputar para ver qual deles consegue vender. Assim, eles vão baixando o preço 
da mercadoria até que um consiga fazer o preço mais barato e vender ao comprador. Por sua 
vez, há o exemplo oposto. Existem cinco pessoas querendo comprar o produto X e apenas 
uma pessoa vendendo esse produto. Nesse caso, uma disputa entre os compradores (espécie 
de um leilão) seria iniciada, e o comprador que pagasse o maior valor compraria o produto.
10 -http://cnec.lk/074c 11 - http://cnec.lk/074d
Trabalho e relações de produção ao longo da história
25Volume 3
 Dessa maneira, segundo Smith, o mercado, bem como a produção, seriam autorregulados, 
pois, se um produtor sofresse prejuízo em um determinado ramo de comércio e/ou indústria, 
ele buscaria novas alternativas para a produção, seja produzindo o produto mais barato, seja 
alterando aquilo que está sendo produzido. Cabe notar, ainda, que, apesar de muito utilizadacomo modelo explicativo, ainda nos dias de hoje, no Capitalismo atual, esse modelo de 
explicações pode encontrar alguns problemas, já que há monopólios, oligopólios, quartéis, 
trustes, protecionismo estatal, entre muitos outros elementos que fazem com que não exista 
uma livre concorrência. Basta pensar no caso brasileiro, em que existe uma AMBEV cervejaria, 
que controla, com suas parceiras, cerca de 90% do mercado nacional. Isso signifi ca que o preço 
cobrado, exageradamente falando, independe da procura, já que, artifi cialmente, ela pode retirar 
produtos do mercado – provocando uma escassez de mercado e subindo o preço do produto 
comercializado – ou simplesmente aumentando o preço, já que não existe concorrente. 
 Smith concretiza a ideia de que o trabalho é a fonte geradora de toda a riqueza assim 
como Locke, isso porque o trabalho é a única atividade humana que consegue agregar valor 
às mercadorias, dando a elas novas características. Pense na madeira. Como árvore, ela não 
possui nenhum valor; só passará a ter mediante o seu corte, quando se transformará em madeira 
utilizada em diversos segmentos. A madeira, que já tem incorporado trabalho humano, passa 
por uma nova transformação, dada pelo trabalho, e transforma-se em uma escrivaninha, por 
exemplo, que será comercializada por um preço ainda maior. Ou seja, vão sendo atribuídas novas 
características aos objetos naturais (nesse caso, a madeira) mediante a execução de trabalhos 
humanos.
 Marx, anos depois, apropriando-se das contribuições de Smith, Locke entre outro, criou a 
Teoria do Valor, com o intuito de entender o funcionamento da sociedade capitalista. Uma das 
problemáticas básicas levantadas pelo autor em O Capital: crítica da Economia Política busca 
entender o porquê de os trabalhadores que geram as riquezas (toda riqueza advém do trabalho) 
estarem vivendo em condições cada vez mais miseráveis. Assim, esse autor explicará o processo 
de geração de valor/apropriação mediante o conceito de mais-valia, ou mais valor. 
 Em uma dada jornada de trabalho, o trabalhador incorpora valor a uma mercadoria. Parte 
desse valor é revertido a esse trabalhador em forma de salário, e o restante do valor por ele 
gerado será apropriado pelos donos dos meios de produção. Veja este esquema:
Salário, parte 
do valor
produzido
pelo trabalhador
que lhe retorna 
na forma de
riqueza, nesse
exemplo X/10.
Mais-valor produzido pelo 
trabalhador, que será apropriado 
pelos donos dosmeios de produção. 
Nesse exemplo, 9X/10
8 horas de jornada
de trabalho
X→quantidade
de valor 
produzido em 
uma jornada 
de trabalho.
 É importante notar que, nesse exemplo, o trabalhador produziria, em uma jornada de trabalho 
de 8 horas, X de riquezas, nas quais uma parte voltaria para ele na forma de salário (X/10) e 
o restante é o mais valor (uma forma de sobretrabalho) por ele produzido (9X/10), que será 
apropriado pelos donos dos meios de produção. A essa relação social capitalista Marx denomina 
exploração, já que o trabalhador não se apropria de toda riqueza que produziu.
 Existem duas formas pelas quais se pode conseguir extrair mais valor e, consequentemente, 
mais lucro (cabe notar que mais valor e lucro são coisas distintas), ou, na linguagem marxista, de 
aumentar a exploração do trabalho. A primeira é aumentar a jornada de trabalho, mais valor ou 
mais-valia absoluta. 
Sociologia
26 1ª série do Ensino Médio
Salário, parte do
valor produzido
pelo trabalhador
que retorna 
na forma de
riqueza, nesse
exemplo X/10.
Mais valor produzido pelo trabalhador,
que será apropriado pelos donos dos
meios de produção. Nesse exemplo, 14X/10
12 horas de 
jornada de trabalho
3X/2 ou 1,5X→
quantidade de 
valor produzido
em uma jornada 
de trabalho.
 Já a segunda forma de ampliação do mais valor ou mais-valia é intensifi car a jornada de 
trabalho, ou seja, produzir mais em um mesmo tempo. A essa forma dá-se o nome de mais valor 
ou mais-valia relativa.
Salário, parte do
valor produzido
pelo trabalhador
que lhe retorna 
na forma de
riqueza, nesse
exemplo X/10.
Mais valor produzido pelo 
trabalhador, que será 
apropriado pelos donos 
dos meios de produção. 
Nesse exemplo, 14X/10
3X/2 ou 1,5X→
quantidade de 
valor produzido
em uma jornada 
de trabalho.
8 horas de 
jornada de trabalho
 Dessa maneira, é possível entender, mediante uma análise da realidade, por que, anualmente, 
se tem aumentado a desigualdade social. Cabe notar ainda que esse processo independe da 
vontade dos capitalistas, quer dizer, eles também estão competindo. Assim, a discussão não 
perpassa uma questão moral de os capitalistas pagarem mais aos seus empregados, mas sim 
de como, na atualidade, eles estão organizando a produção e distribuição dos bens produzidos 
socialmente.
 Restam ainda alguns apontamentos:
1) Do exposto, é possível entender que valor é quantum de trabalho abstrato socialmente 
necessário para a produção de uma mercadoria (MARX, 1992).
2) Toda mercadoria tem duas características: possui valor de uso (o para que serve; como será 
utilizado tal elemento criado) e valor de troca (expressão do valor dado em tempo de trabalho) 
de uma determinada mercadoria, quando comparada com outra para ser tocada. Por exemplo, 
é possível trocar um carro por canetas? Sim, se um carro tem como valor de troca R$ 25 000,00 
reais, é necessário ter uma quantidade de canetas equivalente para a realização da troca. Levando 
em consideração que uma caneta custe R$ 1,00 real, seriam necessárias 25 000 canetas para 
realizar essa troca. Nesse sentido, é possível evidenciar a diferença entre valor real (tempo de 
trabalho) e valor nominal (no preço, além do tempo de trabalho socialmente necessário para 
Trabalho e relações de produção ao longo da história
27Volume 3
a produção da mercadoria, há outros elementos, 
como fetiche da mercadoria, apego, história etc. 
3) O sistema capitalista tende a concentrar renda, 
já que poucos, por serem donos dos meios de 
produção e por comprarem força de trabalho, 
apropriam-se individualmente da riqueza que é 
produzida socialmente.
4) As mercadorias são produzidas com o intuito 
de serem comercializadas, e não consumidas 
diretamente por aqueles que as produziram.
10.5.1 Fases do Capitalismo
 De sua consolidação até os dias atuais, houve periodicismo no Capitalismo, principalmente 
com o desenvolvimento da Europa e dos Estados Unidos da América, em três grandes momentos:
1) Capitalismo Comercial → Período de Colonização dos continentes americano, africano 
e asiático. Nesse momento, diversos países, especialmente os europeus (Portugal, Espanha, 
Inglaterra, França e Holanda), estão gerando grandes fortunas mediante o comércio de escravos, 
manufaturas, especiarias, madeira, metais preciosos, produtos agrícolas, entre outros elementos. 
O principal elemento de acúmulo de capitais está associado ao comércio. Cabe notar 
também que, nesse momento, se desenvolveram as teorias mercantilistas que preconizavam o 
enriquecimento mediante o acúmulo de metais preciosos.
2) Capitalismo Industrial → Período marcado pelo início do processo, mais intensivo, de 
mecanização, da troca de trabalho manual pelo trabalho das máquinas a vapor. Período também 
conhecido como Primeira Revolução Industrial. Nessa perspectiva, o setor que mais gerava renda 
era o industrial, com as novas descobertas de produtos e inovações técnicas e tecnológicas. 
Apesar de o vapor, enquanto energia, ser conhecido desde o século I d.C. (Sábio grego Heron de 
Alexandria), essa forma de energia só será aperfeiçoada e aplicada a uma produção em larga escala 
a partir das contribuições de Otta von Gueriche (barômetro e as bombas da água), Denis Papin 
(substituição da pólvora por vapor da água no movimento de pistões), Thomas Savery e Tomas 
Newcomen (criação de bomba da água sem pistão, “bomba de fogo”)e, por fi m, das contribuições 
de James Watt (regulação da duração do período de expansão e compressão do vapor). Mediante 
essas produções e acúmulos de conhecimentos, é possível descrever, parcialmente, as máquinas 
criadas no século seguinte, que produzirão, em larga escala, da seguinte maneira:
1809. Primeiro emprego, por Maudslay, de máquinas-ferramentas para a fabricação em série de 
balanças inventadas pelo francês Isambard Brunel, que emigra para a Inglaterra, para a Royal Navy 
britânica (capacidade de produção: 160 mil balanças por ano).
Primeira navegação no mar de um navio a vapor, o Phonex do coronel John Stevens, por uma distância 
de 15 milhas náuticas, entre Hobken e Filadélfi a (Estados Unidos).
1810. Fundação da fábrica de máquinas-ferramentas de Maudslay e Field na Inglaterra.
1814-1847. Aperfeiçoamento, por James Fox, de numerosas máquinas-ferramentas.
1816. Primeira travessia da Mancha a vapor, pelo Élise.
1818. Invenção da fresadora, pelo americano Eli Whitney.
1819. Primeira travessia do Atlântico a vapor, pelo Savannah.
1822. Primeiro navio a vapor de ferro, o Aaron Mamby.
1825. Primeira viagem da Europa a Calcutá, pelo Enterprise.
Defi nição conceitual → Para Marx (1992), “O caráter 
misterioso da forma-mercadoria consiste, portanto, 
simplesmente no fato de que ela refl ete aos homens os 
caracteres sociais de seu próprio trabalho como
caracteres objetivos dos próprios produtos do trabalho,
como propriedades sociais que são naturais a essas 
coisas e, por isso, refl ete também a relação social dos 
produtores com o trabalho total como uma relação 
social entre os objetos, existente à margem dos 
produtores.” Ou seja, é atribuir um valor social que 
não existe realmente. Valores atribuídos pelas marcas 
a suas mercadorias, por exemplo.
Sociologia
28 1ª série do Ensino Médio
1827. Primeiro torno de disco de velocidade constante, do britânico Joseph Clement.
1829. George Stephenson constrói a sua Rocket, a primeira locomotiva destinada exclusivamente ao 
transporte de passageiros.
1830. Inauguração da primeira linha comercial de estrada de ferro para o transporte de passageiros, 
ligando Liverpool a Manchester.
1832. Inauguração da primeira estrada de ferro francesa, Saint-Étienne-Lyon.
1833. Construção da primeira locomotiva boggie.
1835. Primeira linha comercial da Alemanha.
1836. Construção da primeira estrada de ferro russa, ligando São Petersburgo a Pavlovsk.
Invenção da máquina-ferramenta limadora, pelo britânico James Nasmyth.
1838-1844. Lançamento dos primeiros navios de alto-mar de ferro e a vapor: o Iron Sides (atravessou 
o Atlântico em 1838), o Queen of the East (assegurava o serviço entre Londres e Calcutá, a partir de 
1839); o Great Britain.
1839-1840. Primeiro serviço comercial transatlântico assegurado pelos vapores da Samuel Cunard. No 
mesmo ano, o primeiro serviço regular Europa-Ásia é estabelecido com navios da companhia P&O.
1840. Desenvolvimento dos serviços regulares de vapores no Reno, no Danúbio, nos lagos suíços e 
em outros grandes eixos europeus.
1841. Padronização das roscas dos parafusos proposta pelo engenheiro britânico Joseph Whitworth 
(padrão em uso até 1948).
1845. O britânico R. W. Thompson inventa uma bandagem de borracha para as rodas.
1860. Emprego do petróleo como combustível nas locomotivas e nos navios.
1862. Primeira fresadora universal construída pela sociedade americana Brown & Sharpe.
1867. Fabricação dos primeiros aços de corte rápido pelo francês Henri Brustlein (dobrando a 
velocidade de trabalho das máquinas-ferramentas.
1870-1890. Desenvolvimento da Indústria ferroviária estadunidense: construção da Southern Pacifi c 
e da Great Northern.
1873. Primeiro torno automático, do americano C.M. Spencer. Primeiras máquinas-ferramentas 
elétricas.
1876. Inauguração da primeira estrada de ferro chinesa, Xangai-Woosung.
1879. Primeiros submarinos a vapor, o Resurgam e o Nordenfeldt I.
1883. Construção dos primeiros navios pesqueiros a vapor.
1888. O irlandês John Boyd Dunlop inventa o pneu, que ele adapta para as rodas de uma bicicleta.
1897. Construção, na Inglaterra, do Turbinia, primeiro navio propulsado por uma turbina a vapor e que 
desenvolvia uma velocidade considerável para a época: 34,5 nós (aproximadamente 64 km/h).
Dados extraídos do livro As grandes invenções da Humanidade. v. 2)
3) Capitalismo fi nanceiro → O conceito aparece, pela primeira vez, com o autor Rudolf Hilferding12, 
em 1910, no livro Capitalismo Financeiro, em que, segundo o autor, as características básicas 
dessa organização são atrelar o capital industrial ao capital fi nanceiro (bancos e agências 
econômicas), bem como formar grupos empresariais multi e transnacionais.
 Suas previsões no campo econômico concretizaram-se especialmente após a Segunda 
Guerra Mundial, com a formação de diversos grupos empresariais que formaram monopólios, 
oligopólios dos setores produtivos, com o aparecimento de trustes, cartéis e hondgins.
 O sistema, nesse momento, tem grande parte do setor produtivo dependendo direta e 
indiretamente dos bancos. Hoje em dia, por exemplo, o agronegócio brasileiro é dependente de 
fi nanciamentos para produzir e comprar maquinários, entre outras coisas.
4) Capitalismo Informacional → Tem como base o autor espanhol Manuell Castells. Sua 
característica é a utilização acelerada de meios de comunicação em tempo real e os avanços 
nos setores de informática, telecomunicações e de transportes. Esse setor tem como base a 
12 - http://cnec.lk/074e
Trabalho e relações de produção ao longo da história
29Volume 3
utilização da microeletrônica no comando de determinados processos da cadeia produtiva 
(nesse momento, ganham peso os setores de programação e de microeletrônica).
 Essas fases anteriormente descritas têm como base o desenvolvimento do capitalismo europeu 
e estadunidense. Esta última etapa de desenvolvimento, apesar de começar a ganhar adeptos, 
ainda traz muitas críticas e poucos trabalhos de envergadura que sustentam sua classifi cação.
6 Apresente, com suas palavras, o que é mais valor e as duas maneiras de se aumentar a sua extração. 
Explique o conceito de exploração dentro do Modo de Produção Capitalista.
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10.6 Modo de produção socialista e comunista
Diferentemente dos outros modos de produção estudados até o momento, tanto o Modo de Produção Socialista como o Comunista ou o Anarquista nunca existiram. O que houve, ao 
longo da história, foram tentativas, que não obtiveram êxito, de implementação de um outro 
modo de produção por parte daqueles que se opuseram ao Capitalismo, utilizando-se dessas 
concepções teóricas e ideológicas, como China, Cuba, URSS, Ucrânia e Espanha. 
 Muitos devem estar se perguntando: O que ocorreu nesses lugares? A União das Repúblicas 
Soviéticas Socialistas (URSS) não foi socialista? Os levantes na Ucrânia e na Espanha não foram 
anarquistas? 
 Todas essas experiências de levantes das classes trabalhadoras, em oposição a exploração 
capitalista, com bases nessas teorias, tiveram aspectos sociais de extrema importância que serão 
trabalhados em História Geral. Alguns apontamentos, contudo, serão feitos agora.
 Um dos pontos de intercessão entre as teorias socialismo e anarquismo divergentes entre 
si, mas que convergem ao criticar o sistema de exploração do ser humano pelo humano, é o 
fato de não poderem existir de maneira isolada; ou o mundo se transforma em Socialismo, por 
exemplo, ou não se obtém êxito na tentativa de implementaro Socialismo, ou seja, “Não existe 
Socialismo em um país só”, já dizia Marx (um dos maiores teóricos do Socialismo e Comunismo). 
Isso não quer dizer que todos os países tenham que se transformar em socialistas ao mesmo 
tempo, mas que, a partir de um primeiro país, este tenha a capacidade de espalhar a revolução 
socialista para o restante do globo. 
 Para a revolução, Marx aponta que a luta pelo Socialismo deve ser travada pelos trabalhadores 
contra a classe dominante de seu país. Após uma revolução conquistada, este país deveria contagiar 
o mundo. A Rússia não contagiou o mundo. Dentre os motivos para isso, destaca-se a estratégia 
bolchevique, que dizia que a revolução deveria iniciar-se pela Alemanha (país de economia mais 
desenvolvida), como preconizado por Lênin13, um dos principais teóricos do partido. Segundo 
ele, a revolução na Rússia seria impulsionada pela revolução alemã, que não se realizou. 
Junta-se a isso o fato de, ao longo do processo incipiente da tomada de poder do Estado, a Rússia ter 
enfrentado um período de guerras imperialistas. Um outro elemento do fracasso deu-se pelo fato 
de o poder decisório da produção da vida estar nos conselhos de fábrica (proletários), corrompidos 
pelo partido bolchevique, que, ao longo da tomada de poder, centralizou e burocratizou os 
comandos da revolução em si mesmos, relegando, assim, aos trabalhadores um novo comandante: 
o partido nomeado de Comunista. Por fi m, o principal motivo da derrocada situa-se na esfera da 
vida produtiva, que diz respeito ao processo de produção e apropriação daquilo que é produzido. 
Segundo Marx, o Socialismo seria uma esfera de transição que aconteceria para a transformação 
societal para o Comunismo, no qual cada trabalhador deveria se apropriar do fruto da riqueza 
que gera, sem produzir mais valor, que seria apropriado por outrem, no caso russo, o partido
13 - http://cnec.lk/074f
Sociologia
30 1ª série do Ensino Médio
bolchevique. Para que isso fosse viável, seria necessário não existirem propriedades privadas 
dos meios de produção, que deveriam ser socializados. Os trabalhadores se auto-organizariam 
para produzirem tudo aquilo que fosse necessário. São justamente nesses elementos que se 
assentariam os princípios do socialismo (pois, como nunca existiu, não existe a possibilidade de 
mostrar como seria, já que essa corrente de pensamento se apoia no materialismo). 
 Pode-se tomar a URSS novamente como exemplo. O que houve nessa conjunto de países que 
se auto procamavam socialista não foi a socialização dos meios de produção, e sim a estatização, 
ou seja, não foi abolida a propriedade privada, mas sim estatizada, que passou a ser gerida por 
uma burocracia estatal, e não pelos trabalhadores. Dessa forma, em vez de abolir a propriedade 
privada e a exploração (realizada por diversos burgueses), o que houve foi o Estado assumindo 
o papel dos burgueses explorando os trabalhadores. É importante notar que, nesses países, de 
certa forma, trocaram-se os senhores. O Estado, mediante sua burocracia estatal, controlava 
tudo o que deveria ser produzido e atuava como agente explorador da força de trabalho.
 Dessa forma, pode-se dizer que as experiências que se iniciaram com as bandeiras contra 
a exploração do ser humano por outro ser humano, mediante a ressignifi cação dos princípios 
socialistas e comunistas, tornaram-se o que podemos chamar de Capitalismo de Estado, já que o 
Estado passa a tomar decisões e a fornecer privilégios para os membros desse grupo (burocracia 
estatal, membro do partido bolchevique restrito. Tira-se a autonomia dos trabalhadores e 
reinventa-se um sistema de exploração.
 É interessante notar que a expressão “capitalismo de estado” foi utilizada pelo anarquista 
Mikhail Bakunin14, passando por Nikolai Bukharin15 (membro do partido Bolchevic) e mesmo por 
um dos maiores expoentes da revolução Russa, Lênin, que diz, distorcendo o que Marx apontava 
a respeito da ditadura do proletariado, a seguinte frase, depois da revolução de outubro: “A 
realidade nos diz que o capitalismo de Estado seria um avanço. Se, em um pequeno espaço de 
tempo, pudéssemos alcançar o capitalismo de estado, isso seria uma vitória.” (LÊNIN 1918, p. 293, 
tradução livre). Maurício Tragtenberg16, em seu livro O capitalismo no século XX, fará a seguinte 
crítica a essa forma de organização social:
É pela socialização dos meios de produção controlados pela classe operária 
organizada em suas organizações diretamente representativas que é possível 
efetuar-se a passagem de uma sociedade liberal capitalista a uma sociedade 
planifi cada, evitando o Capitalismo de Estado e o Totalitarismo, conservando 
as liberdades básicas do homem (p.170-171). 
 Desfeita a polêmica de que esse sistema tenha existido ou não, resta pouco para descrevê-
lo, já que, como não existiu e seus autores possuem base materialista, não deixaram idealizado 
como esse processo aconteceria, mas sim princípios que deveriam ser seguidos para acabar com 
a exploração do humano pelo humano.
 A respeito do Comunismo, é possível encontrar uma menor quantidade de referências, já 
que, também, nunca existiu e seria uma fase posterior ao socialismo. De qualquer forma, como 
princípio geral, pode-se dizer, seguindo os escritos marxianos, que o Comunismo seria um 
sistema no qual cada um trabalharia de acordo com suas capacidades e cada um receberia 
de acordo com suas necessidades. O que isso representaria na prática? Isso fi ca a critério da 
imaginação de cada um, já que é impossível descrever/discutir/problematizar algo que nunca 
existiu.
7 Construa uma argumentação sociológica apresentando o motivo de ser errôneo considerar que a URSS 
possuía um Modo de Produção Socialista. Apresente pelo menos dois argumentos que balizem esse 
ponto de vista.
14 - http://cnec.lk/074p 15 - http://cnec.lk/074q 16 - http://cnec.lk/074h
Trabalho e relações de produção ao longo da história
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Exercícios modelo Vestibular
8 Le Goff afi rma sobre a sociedade medieval:
A grandiosa construção carolíngia, com efeito, ia durante o século IX desagregar-se 
rapidamente sob os golpes conjugados dos inimigos exteriores – novos invasores e dos 
agentes de fragmentação internos [...]
LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Lisboa: Estampa, 1984, p. 71.
 
 Dentre os agentes de fragmentação interna que ajudaram a impulsionar o surgimento do Modo 
de Produção Capitalista e o desmantelamento da sociedade medieval, é correto citar:
a) o aumento cada vez maior do número de servos.
b) o aumento do comércio e de relações de assalariamento.
c) a diminuição da capacidade produtiva, que coloca em crise o abastecimento.
d) a ampliação de leis de divisão de terras que permitiam aos servos se tornarem proprietários.
e) o aumento das liberdades individuais que levaram a uma contestação das relações de servidão.
9 Analise estas assertivas:
I) Tanta Grécia como a Roma antigas possuíam como pilar de sustentação social a força de trabalho 
escravista.
II) As sociedades gregas e as romanas da Antiguidade possuem como principal elemento gerador de 
riqueza, por elas produzida, a agricultura.
III) A escravidão no Brasil é igual à escravidão ocorrida na Antiguidade Clássica greco-romana.
 
 É correto apenas o que se afi rma em:
 a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) I e III.
Exercícios Modelo ENEM
10 Leia este fragmento:
É preciso debater, igualmente,a possibilidade de implementar variantes sistêmicas ao capitalismo 
mediante a combinação de diversas formas de organização econômica a fi m de constituir um todo 
estruturado coerente, isto é, um modo de produção diferente tanto do capitalismo como do socialismo. 
Tal possibilidade é insustentável à luz da teoria marxista dos modos de produção, de acordo com a 
qual projetos desse gênero só poderiam derivar em formas dissimuladas, seja de capitalismo, seja de 
socialismo, porquanto
a) tentar unifi car num único princípio dinâmico várias normas essenciais de funcionamento da vida 
econômica apenas pode levar à formação de um híbrido sem futuro, para além de introduzir uma 
dúvida a que é preciso responder: admitido que um princípio de organização social é superior aos 
restantes, porque não os elimina ou, em todo o caso, porque não se generaliza;
b) assenta-se numa teoria idealista do Estado, concebido como um órgão neutro do ponto de vista 
social, esquecendo a correspondência que se estabelece entre o nível político-administrativo e a 
estrutura econômica da sociedade.”
Lôpez-Suevos, Ramom; socialismo e mercado; trad. Portuguesa, Campo das Letras, 1994, pp. 33 (Adaptado)
Sociologia
32 1ª série do Ensino Médio
 Pode-se dizer que a URSS foi um estado no qual
a) todas as desigualdades foram superadas.
b) não existia exploração do humano pelo humano.
c) não existia nenhuma forma de opressão entre os indivíduos.
d) não existia uma economia de mercado, ou seja, sem extração de mais valor.
e) se continuou a exploração nas relações de trabalho, mesmo com avanços sociais.
11 Analise esta charge:
Fig.10.25
 Essa charge problematiza a realidade social, enfatizando
a) a questão antitabagista.
b) a alta desigualdade econômica.
c) a falta de escolaridade do meliante.
d) a boa distribuição de renda do sistema.
e) o peso de se carregar um saco com objetos.
Vídeos para discussão:
1) Sobre a origem da riqueza 2) O Emprego:
 http://cnec.lk/074v http://cnec.lk/074w
 
Texto complementar:
http://cnec.lk/074s 
 
Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)
33Volume 3
11. Trabalho nas sociedades contemporâneas 
(Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)
Situação-problema: Problematizar a utilização e as técnicas de trabalho bem como de tecnologias na 
produção e na reprodução da vida material. Apontar as transformações ocorridas na forma de se produzir a 
partir da implementação do Taylorismo, do Fordismo e do Toyotismo.
 Com o advento do Capitalismo, especialmente a partir do século XIV, dos Ideais Iluministas, 
com as alterações sociais, entre outros elementos, intensifi cou-se um processo que, segundo 
Max Weber, podemos chamar de racionalização da vida. Ou seja, cada vez mais, buscou-se uma 
racionalidade técnica a fi m de controlar a produção e regular a vida social.
 Um exemplo disso foi dado pelo historiador Edward Palmer Thompson17, que, mesmo sendo 
de outra corrente teórica em relação a Weber18, em seu texto Tempo, Disciplina de Trabalho e 
Capitalismo Industrial chama a atenção para o processo de racionalização da vida, especialmente 
focando na questão do controle do tempo. É interessante notar que a noção de tempo dentro 
do sistema capitalista é alterada em relação a outros modos de produção. Enquanto que, nestes, 
o tempo é baseado no tempo natural (a natureza regendo a vida das pessoas mediante o nascer 
e o pôr do sol), no capitalismo, seguindo a máxima time is money (tempo é dinheiro), o controle 
do tempo passa a ser mais rigoroso mediante a difusão do relógio. 
 Com o surgimento do relógio mecânico, por volta de 700 d.C., construído pelo monge 
budista Yi Xinge19, até os primeiros modelos de bolso feitos em 1500 d.C. por Peter Henlei20, e em 
1595 com a descoberta do isocronismo por Galileu Galilei21, o relógio vai se tornando cada vez 
mais popular e vai alterando a noção de vida das pessoas, que passam a viver baseadas em um 
controle social do tempo centrado no relógio.
 Basta pensar nos modos de produção pré-capitalista: as pessoas saíam quando amanhecia 
para trabalhar na roça e voltavam ao entardecer, já que era impossível produzir sem luz. A partir 
da estruturação das corporações de ofícios e fábricas em lugares fechados, bastava colocar uma 
iluminação que os indivíduos poderiam continuar a produzir, independentemente se estivesse
dia ou noite. Notem, com esse pequeno exemplo, que a vida das pessoas passa a ser controlada 
gradativamente pelo tempo social expresso no relógio, e não mais pelo tempo natural.
 Se, como vimos no capítulo anterior, o tempo de trabalho é o mediador pelo qual se regula 
a produção capitalista de valor, necessariamente quanto maior o controle do tempo (tempo de 
trabalho) maior será a possibilidade de ganhos e maior será a geração de valores produzidos 
pelos subalternos.
 Obviamente que as jornadas de trabalho possuem uma limitação (24h/dia) e que os grupos 
principais (burgueses e proletários) disputam nesse sistema a regulação dessa jornada de trabalho. 
Nos primeiros movimentos do processo de industrialização europeu, as jornadas de trabalho 
chegaram a 18h/dia, o que estava levando os trabalhadores (nesse momento inclusive crianças) 
a um estado de exaustão e mortes prematuras. Existem relatos de que o exército
17 - https://cnec.lk/074g 18 - https://cnec.lk/05vc 19 - https://cnec.lk/074i
20 - https://cnec.lk/074j 21 - https://cnec.lk/074k
Fig.11.1
Sociologia
34 1ª série do Ensino Médio
francês na época de Napoleão teve que reduzir a estatura mínima para conseguir novos soldados, 
e um dos motivos apontados era o excesso de trabalho (MARX, 1992). 
 Essa disputa pela regulação da jornada de trabalho chega até os dias atuais, e foi um dos 
propulsores de grandes levantes populares no século XIX. Tanto é que na primeira e na segunda 
Internacional dos Trabalhadores (reunião de representantes de trabalhadores da Europa que 
buscavam a defesa desse segmento social), dentre as pautas, essa destacava-se. Dito isso, em 
diversos países, mediante pressão popular, os Estados são obrigados a regular as jornadas de 
trabalho (estas variam de país para país), o que consequentemente provoca uma redução de 
horas e uma diminuição, de maneira geral, da extração de mais valor absoluto. 
 Juntam-se a isso diversos outros elementos e, mais especifi camente, estudos sobre o 
processo de trabalho (racionalização). Dá-se origem às teorias administrativas racionais das 
formas de organização da produção.
11.1 Frederick Winslow Taylor22 e o Taylorismo
Taylor é considerado por muitos dos teóricos o pai da administração moderna do trabalho, sendo responsável por alterar a forma e o controle do 
tempo dos trabalhadores durante todo o processo produtivo. Dessa maneira, 
podemos dizer que a base dos estudos de tal autor baseia-se na estrutura 
formal e nos processos de organização do trabalho, colocando a efi ciência 
(como maximizar a produção mediante o controle total do tempo de trabalho, 
isto é, fazer que não haja desperdício de tempo produtivo) do trabalho como 
um de seus motes na cadeia produtiva.
 Na Filadélfi a, Taylor trabalhou para a Midvale Steel Co., progredindo de 
cargos, passando de operário a engenheiro de produção. Mediante seus 
estudos, juntamente com a sua experiência como trabalhador de chão de fábrica, estimou que 
cerca de um terço do tempo da jornada de trabalho era dispersado pelos trabalhadores naquilo 
que ele denominou de vadiagem sistemática. Taylor, em seus trabalhos, mostra as características 
históricas dessa vadiagem e culpabiliza não os trabalhadores, mas sim os gestores a respeito 
desse problema.
 Com o intuito de resolver diversos elementos que julgava ser um problema na produção, Taylor 
desenvolve a Teoria Científi ca da Administração, que, segundo as palavras do autor, é:
 Sob o sistemaantigo de administração, o bom êxito depende quase inteiramente de obter a 
iniciativa do operário e raramente esta iniciativa é alcançada. Na administração científi ca, a iniciativa do 
trabalhador (que é seu esforço, sua boa vontade, seu engenho) obtém-se com absoluta uniformidade 
e em grau muito maior do que é possível sob o antigo sistema; e em acréscimo a esta vantagem 
refere-se ao homem, os gerentes assim em novos cargos e responsabilidades, jamais imaginados no 
passado. À gerência é atribuída, por exemplo, a função de reunir todos os conhecimentos tradicionais 
que no passado possuíam os trabalhadores e então classifi cá-los, tabulá-los, reduzi-los a normas, 
leis ou fórmulas, grandemente úteis ao operário para execução do seu trabalho diário. Além de 
desenvolver deste modo uma ciência, a direção exerce três tipos de atribuições que envolvem novos 
e passados encargos para ela. 
 Estas novas atribuições podem ser agrupadas nos quatro títulos abaixo:
Primeiro – Desenvolver para cada elemento do trabalho individual uma ciência que substitua os métodos 
empíricos.
Segundo – Selecionar cientifi camente, depois treinar, ensinar e aperfeiçoar o trabalhador. No passado 
ele escolhia seu próprio trabalho e treinava a si mesmo como podia.
Terceiro – Cooperar cordialmente com os trabalhadores para articular todo trabalho com os princípios 
da ciência que foi desenvolvida.
Quarto – Manter divisão equitativa de trabalho e de responsabilidade entre direção e operário. A 
direção incumbe-se de todas as atribuições para as quais esteja mais bem aparelhada do que o 
trabalhador, ao passo que no passado quase todo o trabalho e a maior parte das responsabilidades 
pesavam sobre o operário.
TAYLOR, Frederich Winslow. Princípios da administração científi ca. 7. ed. Tradução de Arlindo Vieira Ramos, São Paulo: Atlas, 1970, 
p. 49-50.
22 - http://cnec.lk/074l
Disponível em:<http://mmbiz.qpic.cn/mmbiz/
VThXbF8veIJ0ob4APBsDrLShUAAa590ESWTjiaDPnCCXiaqHy62a2gIuJjBCbFzsxOY0LXkZ8IlBTLib3IlZtjSNw/0>. Acesso em 13 jul. 2016.
Fig.11.2
Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)
35Volume 3
 Diante disso, pode-se dizer, como expresso na análise de Silva23, que a organização do 
trabalho em Taylor segue cinco princípios:
1. análise do trabalho – compreendendo o estudo dos tempos de trabalho e movimentos, isto é, a 
busca do melhor processo de executar o trabalho no menor espaço de tempo possível, e a redução 
do trabalho a regras e fórmulas matemáticas, através da análise e experimentação conduzida com 
rigor científi co;
2. padronização das ferramentas – com o fi m de harmonizar os métodos de execução e uniformizar 
o “modo de fazer” dos operários;
3. seleção e treinamento dos trabalhadores – com base nas aptidões e na ideia de que cada pessoa 
deve executar tarefas para as quais revele maior pendor ou inclinação;
4. supervisão e planejamento – cuja consequência foi a “supervisão funcional” pela qual se efetivou a 
separação entre “planejamento” e a “execução”; e
5. pagamento por produção – condição em que, além do salário normal e equivalente para todos, o 
operário que tivesse produção acima da quantidade fi xada receberia uma bonifi cação, proporcional 
ao acréscimo da produção.
 SILVA, Reinaldo de Oliveira. Teorias da Administração. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004, p. 119.
 Do exposto até o presente, é interessante notar 
que Taylor foca sua análise na utilização do controle/
estudo dos tempos de execução das funções 
pelos trabalhadores, já que o objetivo principal era 
treinar o trabalhador para produzir o máximo de 
produtos, utilizando para isso a menor quantidade 
de movimentos possível (objetivando economia de 
tempo). Dessa forma, uma grande parte dos estudos e 
aplicações dessa racionalidade produtiva diz respeito à 
reorganização técnica do trabalho.
 Exemplifi cando a questão: o autor investigava as 
formas mais efi cientes de produção realizadas pelos 
trabalhadores e as transformava em um modelo que 
poderia ser ensinado a outros trabalhadores. Assim, 
extraía médias de tempo e de produtividade que deveriam 
ser alcançadas em uma jornada de trabalho. Impunha 
metas de trabalho, e quem as batesse receberia uma bonifi cação pelo empenho. Para maximizar 
o tempo produtivo, eram reorganizadas as bancadas de maneira a deixar todos os instrumentos 
de trabalho o mais perto dos trabalhadores (economia de tempo). A fi m de evitar desperdício de 
tempo, nomeiam-se chefes de sessões para controlar e vigiar o trabalho. E assim por diante, com o
intuito de fazer com que os trabalhadores executassem tarefas produtivas em todo o tempo de 
trabalho.
 Cabe notar que as contribuições de Taylor ainda hoje são utilizadas, talvez não exatamente 
como descritas aqui, mas como base de desenvolvimento de todos os setores produtivos.
1 E xplique os principais elementos que caracterizam a forma de organização da produção Taylorista.
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23 - http://cnec.lk/074x
Disponível em:<http://everf.weebly.com/
uploads/1/5/8/8/15887422/6652394_orig.
jpg>. Acesso em 13 jul. 2016.
Fig.11.3
Sociologia
36 1ª série do Ensino Médio
11.2 Henry Ford24 e o Fordismo
Se a questão do controle dos tempos de trabalho é um dos elementos de destaque para o Capitalismo, Henry Ford, mediante 
uma inovação tecnológica (esteira de produção), dá um grande 
avanço no que diz respeito a essa questão, já que, com a esteira 
produtiva, o controle do tempo da produção pode ser extraído 
completamente dos trabalhadores e passar para o controle dos 
burgueses e/ou burguesia gerencial. Ou seja, Ford, um industrial 
estadunidense do ramo automobilístico, desenvolve um 
equipamento tecnológico que revolucionaria grande parte de quase 
todos os setores produtivos mundiais, sendo que o primeiro carro a 
ser montado em uma linha de montagem e com o uso da esteira é o 
Ford T (ver imagem ao lado).
 A linha de produção e a esteira produtiva têm muito do lema 
posto por Ford: “Quem dirige é o trabalho, não o homem. A 
questão é conservar todas as coisas em movimento, de modo que 
o trabalho vá até ao homem e não o homem ao trabalho”. Juntando-se 
a isso a ideia de produção em massa e a baixos custos, Ford é 
um dos grandes responsáveis por impulsionar a noção e ideia de 
produção e consumo em massa, em larga escala, mesmo de um 
produto caro como o carro. É interessante notar que pouco se 
discute o papel das inovações criadas por Ford para a criação dessa mentalidade ainda dominante 
de produção massifi cada.
 A linha de montagem, segundo Ford, baseia-se em dois princípios:
a) Um mecanismo de transferência, que pode ser um trilho, uma esteira, ou um conjunto de ganchos 
ligados a um mecanismo de transição integrados a um comando único que lhe transmite um movimento 
regular ao longo do tempo. A cada um desses ganchos, ou em cima da superfície da esteira, os objetos de 
trabalho são atados e assim são transferidos para praticamente todas as seções de trabalho em que se divide 
o setor de produção, sofrendo a intervenção dos trabalhadores (que, por sua vez, se encontram distribuídos 
uniformemente em cada ponto dessas seções e levados ao estoque de produtos acabados).
b) Um conjunto de postos de trabalho uniformemente disposto lado a lado, a cada trecho por onde passa o 
objeto de trabalho trazido pelo mecanismo de transferência, e no qual já estão presentes, pequenos estoques 
com mecanismos quepermitam seu mais fácil acesso aos trabalhadores, instrumentos, às ferramentas e 
as matérias-primas que serão utilizadas por eles na tarefa estritamente determinada que têm que cumprir. 
Esses postos de trabalho são geralmente numerosos, ocupados por um trabalhador cada e ordenados de 
forma linear e, sendo mínima a intervenção de cada um na produção como um todo (correspondendo a 
um número pequeno de operações), a cada um deve ser levado o objeto de trabalho semitransformado no 
mesmo ritmo.
FORD, Henry. Ford: por ele mesmo. Sumaré: Martin Claret, 1995.
 
 Dessa forma, pode-se dizer que a organização da produção fordista se baseia em três grandes 
pilares de sustentação, segundo Silva:
• O princípio da produtividade: recomenda-se o máximo de produção dentro de um período determinado 
[…]
• O princípio da intensifi cação: consiste em aumentar a velocidade rotatória do capital circulante, visando 
pouca imobilização do mesmo, e grande rapidez na sua recuperação […]
• O princípio da economicidade se refere a reduzir ao mínimo volume de matéria-prima em curso de 
transformação […]
SILVA, Reinaldo de Oliveira. Teorias da Administração. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004, p. 119.
24 - http://cnec.lk/074m 
Disponível em:<http://roadspirit.biz/wp-content/
uploads/2014/03/Ford-T-Wikipedia.jpg>. Acesso 
em 13 jul. 2016.
 De certa forma, o que Ford fez utilizando avanços tecnológicos, mas 
não só, foi aperfeiçoar a racionalidade de Taylor, a fi m de objetivar uma 
maior lucratividade. Ao construir a esteira de produção, subdividindo 
o trabalho em diversas etapas simples, e retirar o controle do tempo 
dos trabalhadores e colocá-lo nas mãos dos empresários, não mais 
era necessário haver, por assim dizer, chefes de seções para controlar 
o tempo da produção, já que este agora era controlado pela esteira 
produtiva. Dessa forma, conseguia-se produzir o máximo no menor 
tempo possível. 
 Outro elemento interessante que cabe notar aqui é que esse modelo possibilita elevar a 
produção ao máximo, já que exige de seus trabalhadores (controlados pela esteira) produzir 
sempre no ritmo mais acelerado, pois estão divididos e executando, normalmente, apenas uma 
única função dentro da linha produtiva. Com isso, Ford aponta que é:
 
Necessariamente o trabalho de muitos homens tem que ser pura repetição de movimentos, pois de 
outro modo não se pode conseguir sem fadiga a rapidez da manufatura que faz descer os preços 
e possibilita os altos salários. Algumas das nossas operações são excessivamente monótonas, mas 
também são monótonos muitos cérebros, inúmeros homens querem ganhar a vida sem ter que 
pensar – e para estes a tarefa unicamente de músculos é a boa. Possuímos em abundância tarefas 
que exigem cérebros ativos, e os homens que no trabalho de repetição se revelam de mentalidade 
ativa não permanecem muito tempo.
FORD, Henry. Ford: por ele mesmo. Sumaré: Martin Claret, 1995, p. 148-149.
 O próprio idealizador do modelo fordista deixa claro o papel embrutecedor do trabalho 
ultraespecializado (apenas uma atividade) realizado por seus funcionários em sua linha de 
montagem. Nesse sentido, os homens se tornavam apêndices das máquinas, destruía-se qualquer 
iniciativa individual e atomizava-se o trabalho a níveis nunca vistos até o momento. Fora isso, 
outro elemento interessante para o qual ele chama a atenção é que, mediante a produção em 
larga escala, conseguia pagar salários superiores à média (circulava em torno de 3 dólares por 
dia, e o salário mínimo era de 2,30 dólares por dia), pagando, na época, a conhecida jornada de 
5 dólares por dia (em 1914). 
 Outro fato notório para a época é que a fábrica fordista tinha como estrutura uma produção 
chamada empurrada, ou seja, de um lado entravam as matérias-primas e do outro saíam as 
mercadorias (sempre no máximo de velocidade possível). Dessa forma, esse sistema, por maior 
que fosse a preocupação de Ford, necessitava de estoques para funcionar, bem como estoques 
de produtos já prontos para serem comercializados, pois permitia a produção de um carro a cada 
98 minutos,o qual saía a uma faixa de 850 dólares (1908), e assim, a Ford Company conseguia 
uma média de 100% de lucratividade por Ford T produzido. O fl uxo de trabalho era tão intenso 
que a produção permitia a Ford baixar o preço do carro quase que mensalmente, batendo 
recordes atrás de recordes de produtividade, sendo que o Ford T, em 1916, chegou a ser vendido 
por 360 dólares, o modelo básico.
 
Fig.11.7
VOU ME APOSENTAR AMANHÃ E SABE O
QUE VOU FAZER? ANDAR ATÉ O FIM
DESTA LINHA DE MONTAGEM E
DESCOBRIR O QUE ESTOU
FAZENDO HÁ 30 ANOS!
FRANK e ERNEST
 
Disponível em:<https://i.ytimg.com/vi/HMtK0lK6Cb0/
maxresdefault.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016.
Disponível em:<http://desconversa.com.br/wp-content/
uploads/2016/01/Fordismo.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016.
Fig.11.4
Fig.11.5
Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)
37Volume 3
 De certa forma, o que Ford fez utilizando avanços tecnológicos, mas 
não só, foi aperfeiçoar a racionalidade de Taylor, a fi m de objetivar uma 
maior lucratividade. Ao construir a esteira de produção, subdividindo 
o trabalho em diversas etapas simples, e retirar o controle do tempo 
dos trabalhadores e colocá-lo nas mãos dos empresários, não mais 
era necessário haver, por assim dizer, chefes de seções para controlar 
o tempo da produção, já que este agora era controlado pela esteira 
produtiva. Dessa forma, conseguia-se produzir o máximo no menor 
tempo possível. 
 Outro elemento interessante que cabe notar aqui é que esse modelo possibilita elevar a 
produção ao máximo, já que exige de seus trabalhadores (controlados pela esteira) produzir 
sempre no ritmo mais acelerado, pois estão divididos e executando, normalmente, apenas uma 
única função dentro da linha produtiva. Com isso, Ford aponta que é:
 
Necessariamente o trabalho de muitos homens tem que ser pura repetição de movimentos, pois de 
outro modo não se pode conseguir sem fadiga a rapidez da manufatura que faz descer os preços 
e possibilita os altos salários. Algumas das nossas operações são excessivamente monótonas, mas 
também são monótonos muitos cérebros, inúmeros homens querem ganhar a vida sem ter que 
pensar – e para estes a tarefa unicamente de músculos é a boa. Possuímos em abundância tarefas 
que exigem cérebros ativos, e os homens que no trabalho de repetição se revelam de mentalidade 
ativa não permanecem muito tempo.
FORD, Henry. Ford: por ele mesmo. Sumaré: Martin Claret, 1995, p. 148-149.
 O próprio idealizador do modelo fordista deixa claro o papel embrutecedor do trabalho 
ultraespecializado (apenas uma atividade) realizado por seus funcionários em sua linha de 
montagem. Nesse sentido, os homens se tornavam apêndices das máquinas, destruía-se qualquer 
iniciativa individual e atomizava-se o trabalho a níveis nunca vistos até o momento. Fora isso, 
outro elemento interessante para o qual ele chama a atenção é que, mediante a produção em 
larga escala, conseguia pagar salários superiores à média (circulava em torno de 3 dólares por 
dia, e o salário mínimo era de 2,30 dólares por dia), pagando, na época, a conhecida jornada de 
5 dólares por dia (em 1914). 
 Outro fato notório para a época é que a fábrica fordista tinha como estrutura uma produção 
chamada empurrada, ou seja, de um lado entravam as matérias-primas e do outro saíam as 
mercadorias (sempre no máximo de velocidade possível). Dessa forma, esse sistema, por maior 
que fosse a preocupação de Ford, necessitava de estoques para funcionar, bem como estoques 
de produtos já prontos para serem comercializados, pois permitia a produção de um carro a cada 
98 minutos,o qual saía a uma faixa de 850 dólares (1908), e assim, a Ford Company conseguia 
uma média de 100% de lucratividade por Ford T produzido.O fl uxo de trabalho era tão intenso 
que a produção permitia a Ford baixar o preço do carro quase que mensalmente, batendo 
recordes atrás de recordes de produtividade, sendo que o Ford T, em 1916, chegou a ser vendido 
por 360 dólares, o modelo básico.
 
Fig.11.7
VOU ME APOSENTAR AMANHÃ E SABE O
QUE VOU FAZER? ANDAR ATÉ O FIM
DESTA LINHA DE MONTAGEM E
DESCOBRIR O QUE ESTOU
FAZENDO HÁ 30 ANOS!
FRANK e ERNEST
 
Disponível em:<https://i.ytimg.com/vi/HMtK0lK6Cb0/
maxresdefault.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016.
Disponível em:<http://desconversa.com.br/wp-content/
uploads/2016/01/Fordismo.jpg>. Acesso em 13 jul. 2016.
Fig.11.6
Sociologia
38 1ª série do Ensino Médio
 Outro elemento interessante é que esse modelo produtivo, que pode ser expandido para a 
fabricação industrial de quase todas as mercadorias, em certo sentido foi um dos responsáveis 
por gerar nos anos seguintes crises de superprodução dentro do modo de produção 
capitalista. As crises de superprodução nada mais são do que produzir mais mercadorias do 
que o mercado é capaz de consumir. Como o objetivo era produzir o máximo possível e, até 
esse momento histórico, tudo que era produzido acabava sendo vendido, esse novo patamar 
de produção em massa começou a produzir mais do que a humanidade, com seu devido 
poder de compra, era capaz de consumir. Talvez, pela primeira vez na história, tivessem 
superado a carência e desenvolvido uma forma de produção que fosse capaz de abastecer todas 
as demandas humanas. Contudo, devido à organização capitalista de distribuição da riqueza 
social, isso nunca se deu; o mundo continua, até hoje, com pessoas morrendo de fome.
 Um último elemento que é importante ressaltar é que esse modelo de produção engessado e 
altamente especializado em uma determinada função possibilita o crescimento dos sindicatos, já 
que, com a paralisação de um determinado setor, a fábrica toda é paralisada. Não aleatoriamente, 
até meados das décadas de 70 e 80 no mundo todo, a maioria dos sindicatos (organizações 
criadas pelos trabalhadores para atuarem conjuntamente na luta de classes) tinha um poder de 
decisão muito grande em prol dos trabalhadores. À medida que essa forma de organização foi 
perdendo força, os sindicatos também o foram. Para uma análise mais precisa sobre os sindicatos, 
precisaríamos discorrer sobre outros elementos que só serão trabalhados na segunda série do 
Ensino Médio. 
2 Indique os principais elementos que caracterizam a forma de organização da produção Fordismo e 
demonstre qual foi o principal avanço tecnológico estruturado por Ford.
 _______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
11.3 Toyotismo
A forma de organização da produção Toyotista surge no contexto das décadas de 60 e 70 
e, diferentemente do modelo fordista, que se 
desenvolve em um período de grande crescimento 
e desenvolvimento do sistema capitalista, é gestada 
e criada em um momento de crise mundial. Essa 
forma de organização da produção, que começa 
a ser aplicada na fábrica da Toyota, tem como dois 
idealizadores principais os engenheiros de produção 
Taiichi Ohno25 e Eiji Toyoda26. Como aponta o próprio 
Ohno: 
 
O sistema Toyota teve sua origem na necessidade particular em que se encontrava o 
Japão de produzir pequenas quantidades de numerosos modelos de produtos; em seguida 
evoluiu para tornar-se um verdadeiro sistema de produção. Dada sua origem, este sistema é 
particularmente bom na diversifi cação. Enquanto o sistema clássico de produção de massa 
planifi cado é relativamente refratário à mudança, o sistema Toyota, ao contrário, revela-se 
muito mais plástico; ele adapta-se bem às condições de diversifi cação mais difíceis. É porque 
ele foi concebido para isso. 
 (OHNO, 1987, p.49, apud CORIAT, 1994, p.30).
25 - http://cnec.lk/074n 26 - http://cnec.lk/074o
Fig.11.8
Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)
39Volume 3
 Nesse contexto de crise sistêmica e de escassez de matérias-primas do pós-Segunda Guerra, 
a forma de organização taylorista-fordista, que vinha sendo aplicada em nível mundial, não dava 
conta de sanar as necessidades japonesas de diversifi cação e escassez de matéria prima, já que 
se mostrava muito efi ciente, apenas, na produção de mercadorias massifi cadas, padronizadas (na 
prática iguais, ou com pouquíssima diferença de uma para outra). Dessa maneira, os idealizadores 
que haviam estudado nos Estados Unidos, brincando com a situação, apontam que de fato 
estudaram as técnicas mais avançadas de produção, mas que a ideia de reorganizar a planta fabril 
se deu mediante suas idas ao supermercado, em que os produtos diariamente eram repostos nas 
prateleiras a partir de uma demanda de consumo.
 Nesse sentido, de maneira simplifi cada, pode-se dizer que esse modelo se sustenta em três 
elementos constituintes e integrados:
1) Produzir só aquilo que será consumido. Isso faz com que o tempo de produção e o tempo de 
recebimento (venda do produto) seja quase ínfi mo, garantindo uma maior possibilidade de novos 
investimentos.
2) Produzir em uma mesma planta fabril diversos produtos ou modelos. Isso garante a 
diversifi cação da produção para atender necessidades reais dos produtos necessários àquela 
sociedade.
3) Minimizar estoques (de produtos e de matéria-prima). Isso garante um menor investimento 
produtivo, bem como tenta realizar a máxima efi ciência na utilização e comercialização de 
produtos e matérias-primas.
 Para viabilizar esses elementos e garantir essa 
forma de organizar a produção, foi necessário 
reestruturar a planta fabril – antes era uma 
linha reta, agora se estrutura como um U – 
bem como qualifi car o trabalhador para 
exercer diversas funções dentro da produção, 
não mas apenas uma como posta até o 
momento. Isso porque, diferentemente de 
uma linha de produção planifi cada em que 
cada trabalhador fi ca parado no mesmo lugar, 
agora os trabalhadores, em grupos de trabalho, vão acompanhando o que está sendo produzido, 
geralmente, do início da produção até sua 
fi nalização, ou seja, era necessário haver 
trabalhadores polivalentes.
 Outro elemento de extrema importância diz 
respeito aos avanços tecnológicos necessários, 
especialmente dois:
I) Avanço no sistema de comunicação: 
permitia integrar, por assim dizer, a fábrica aos 
consumidores, sendo que o produto só seria 
produzido mediante uma demanda (venda). Aqui 
passando desde sistemas telefônicos até sistemas 
de internet.
II) Avanços em sistemas computadorizados: diz 
respeito à criação de sistemas de automação. No 
pós-guerra, o Japão havia perdido grande parte da PEA (População Economicamente Ativa). Assim, 
era necessário economizar ao máxima a força de trabalho, já que estava escassa no território. 
Além da automação, era necessário também qualifi car estoques tanto da fábrica principal como 
de suas terceirizadas que produziam os insumos necessários para a fabricação da mercadoria 
vendida. Dessa forma, estrutura-se um sistema de produção chamado de produção puxada, ou 
seja, a produção será puxada, realizada, mediante uma demanda efetiva (consumo).
 Do exposto, podemos destacar alguns elementos constituintes desse sistema:
A) Just-in-time → “[...] processo de fl uxo, as partes corretas necessárias à montagem alcançam a 
linha de montagem no momento em que são necessárias e somente na quantidade necessária.” 
Disponível em:<http://www.crcvirtual.org/vfs/old_
crcv/biblioteca/humanofactura/images/pag_60.gif>.Acesso em 13 jul. 2016.
Disponível em:<http://2.bp.blogspot.
com/-LankIpZUZhE/TcgTO3IvEQI/
AAAAAAAAAa8/4OAXSLovb8M/s1600/milk.jpg>. 
Acesso em 13 jul. 2016.
CLIENTE
ENTREGA
Fornecedor C
Fornecedor D
Fig.11.9
Fig.11.10
Sociologia
40 1ª série do Ensino Médio
(OHNO, 2006, p.26). Esse sistema é tanto interno (recebimento de peças dentro da produção) 
quanto externo (recebimento de pedidos e suas especifi cidades). A esse sistema, que precisa de 
várias inovações tecnológicas e de automação, liga-se o Kanban.
B) Kanban → Como aponta Ohno “[…] é um meio usado para transmitir informações sobre 
o apanhar e receber ordem de produção.”(OHNO, 2006, p.27). Ou seja, é um sistema de 
comunicação utilizado para efetivação da produção no tempo correto. Junto com equipamentos 
autonomizados, este utiliza-se de sistemas de luzes (para aumentar ou diminuir a velocidade da 
produção, por exemplo), sistemas de etiquetas, entre outros elementos.
C) Automação → Permite economizar capital vivo (força de trabalho), substituindo-o por capital 
morto (maquinário). Além disso, “[…] as máquinas possuem alta capacidade de desempenho que 
pequenas anomalias [...]” (OHNO, 2006, p.27) que interrompam o processo de produção, o que 
permite, além de manter a alta qualidade do produto fabricado, que um mesmo funcionário 
controle duas ou mais máquinas ao mesmo tempo, já que, havendo qualquer problema, a 
máquina para automaticamente.
D) Controle de Qualidade Total → O processo é gestado a todo momento, o que permite que 
o problema na produção (que resultaria em uma mercadoria defeituosa) seja sanado assim que 
surge. Isso possibilita diminuir desperdícios com matéria-prima e força de trabalho sem que haja 
danos, ou seja, produz-se de maneira efi ciente e econômica. Aqui há outra grande diferença 
em relação à produção planifi cada, que, realizada de maneira parcelar, não possibilita que os 
problemas de execução sejam sanados no momento em que aparecem, gerando mercadorias 
defeituosas, e, com isso, há desperdício de força de trabalho e matéria-prima, isto é, de dinheiro.
E) Team Work → Trabalho em equipe. Dessa forma, organizam-se células de trabalho responsáveis 
pela produção. Isso, além de garantir o controle em todo o processo, faz com que os trabalhadores 
se autofi scalizem. Além da produtividade média, as equipes recebem bonifi cação com a 
produtividade e a qualidade do trabalho realizado. Dessa forma, evita-se boicote na produção e 
faz-se com que um dependa necessariamente do outro, gerando, por assim dizer, uma forma de 
controle que será realizada pelos próprios subalternos, uns em relação a outros.
F) Flexibilização na produção → Isso tudo, juntamente com outros elementos, faz com que se 
tenha uma produção fl exível, ou seja, que se produza no tempo certo, com alta qualidade e a 
partir de uma demanda. Exemplo: em épocas em que existe uma maior venda, trabalha-se mais, 
gerando horas extras; em épocas em que se vende menos, trabalha-se menos, descontando 
as horas extras realizadas anteriormente (um bom exemplo disso é imaginar uma fábrica de 
chocolates produzindo para a Páscoa, em ritmo intenso, e produzindo em época das festas 
juninas, com um ritmo menos acelerado). 
 Tanto o Taylorismo-Fordismo como o Toyotismo correspondem a momentos históricos 
diferentes do processo de geração de valor, capitalista, e, como tal, provocam alteração na vida 
das pessoas como um todo. Exemplo disso são as leis trabalhistas, que, até a década de 60, 
eram altamente rígidas, correspondendo, assim, à forma de organização da produção Taylorista-
Fordista. Em meados da década de 60, com o avanço do neoliberalismo, essas leis começam a 
se fl exibilizar, correspondendo, assim, à necessidade da organização Toyotista, discussões que 
serão continuadas no segundo ano.
3 Indique os principais elementos que caracterizam a forma de organização da produção Toyotista e 
apresente a diferença entre uma produção puxada e uma produção empurrada.
 _______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
Exercícios Modelo Vestibular
4 A respeito da forma de organização do trabalho proposta por Frederick Winslow Taylor, é correto 
afi rmar que
Trabalho nas sociedades contemporâneas (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)
41Volume 3
a) tem como base a autonomia dos trabalhadores seu princípio fundamental.
b) é estruturado a partir de avanços tecnológicos como a esteira produtiva.
c) estrutura-se mediante um controle racional do tempo de execução das tarefas lavorais.
d) é uma forma de organização da produção que tem o kanban como estrutura comunicativa.
e) é baseado em uma produção nuclear e fl exível das tarefas executadas pelos trabalhadores.
5 
Fig.11.11
 Com base nas imagens, analise estas assertivas:
I) Essa fi gura representa uma organização taylorista da produção.
II) Essa fi gura representa um organização taylorista-fordista da produção.
III) Essa fi gura representa uma organização própria do trabalho fl exível.
 Pode-se dizer que apenas
a) a assertiva I está correta.
b) a assertiva II está correta.
c) a assertiva III está correta.
d) as assertivas I e II estão corretas.
e) as assertivas I e III estão corretas.
Exercícios Modelo ENEM
6 Analise a imagem de uma parte do sistema de comando da Volvo.
Fig.11.12
 Esse sistema de comando é próprio da organização toyotista de produção, representando
a) controle de qualidade total.
b) Kanban do setor produtivo fabril.
c) nucleação de equipes de trabalho.
d) fl exibilização da produção por demanda.
e) uniformização das mercadorias produzidas.
Sociologia
42 1ª série do Ensino Médio
7 Analise esta imagem:
Fig.11.13
 Essa imagem caracteriza uma produção
a) planifi cada.
b) empurrada.
c) taylorizada.
d) uniformizada.
e) toyotizada. 
Texto complementar
http://cnec.lk/074t 
O mundo do trabalho nos dias atuais
43Volume 3
12. O mundo do trabalho nos dias atuais
Situação-problema: Analisar, sob a ótica conceitual da Sociologia, as modernas relações de trabalho e 
emprego, bem como os indicadores de produção e de reprodução da vida material.
Fig.12.1 Fig.12.2
Fig.12.4 Fig.12.5 Fig.12.6
Fig.12.3
 Partindo-se do que foi apresentado até momento, resta-nos analisar as condições atuais de 
empregos existentes nas sociedades contemporâneas. Quando se fala de Modo de Produção, 
falamos das relações hegemônicas nas quais socialmente se organizam as atividades produtivas 
em um dado momento histórico. Isso não signifi ca dizer que não existam outras formas de 
relações.
 Na maioria das sociedades atuais, a forma hegemônica de trabalho está alicerçada no 
assalariamento, o que impõe uma divisão da sociedade em classes principais (burgueses e 
proletários). Ao apontar isso, faz-se necessário designar a diferença entre classe, estamento e 
casta.
 As castas são uma forma de organização baseada na divisão social com base hereditária 
(seja por princípios religiosos, políticos ou quaisquer outros) de uma dada forma de vida baseada 
em um habitus social, que tem como base a cultura daquela sociedade analisada. O lugar de 
nascimento determinará a função social dos indivíduos dentro daquela sociedade, e isso não 
pode ser alterado, não é possível haver mobilidade social. Um exemplo de uma sociedade 
dividida em castas é a indiana, que, de maneira geral, é segmentada da seguinte forma: Brâmanes 
(sacerdotes, fi lósofos, professores, setor pensante, “cabeça” da sociedade); Xátrias (setor militar 
e dos governantes, “braços” da sociedade); Vaixás (comerciantes e agricultores, as “pernas” da 
sociedade) e Sudras (artesãos, operários e camponeses, os “pés” da sociedade). Cabe notar que 
esse sistema indiano de castasestá alicerçado em questões religiosas e que cada casta representa 
uma parte do deus Brahma.
 As sociedades organizadas segundo um esquema de estamentos também dividem os 
indivíduos a partir de seu nascimento e dos lugares sociais que cada membro deverá ocupar. É 
um sistema que permite mobilidade social, apesar de muito restrita. Nessa perspectiva, é uma 
estrutura social um pouco menos rígida que a de castas, mas mais rígida do que a de classes 
sociais. Um exemplo de sociedade estamental foi a sociedade medieval, em que os indivíduos 
ocupavam lugares específi cos, contudo um servo poderia, por exemplo, adentrar a igreja e 
tornar-se membro do baixo clero. 
Sociologia
44 1ª série do Ensino Médio
O estamento burocrático comanda o ramo civil e militar da administração e, dessa base, com 
aparelhamento próprio, invade e dirige a esfera econômica, política e fi nanceira. No campo econômico, 
as medidas postas em prática, que ultrapassam a regulamentação formal da ideologia liberal, alcançam 
desde as prescrições fi nanceiras e monetárias até a gestão direta das empresas, passando pelo regime 
das concessões estatais e das ordenações sobre o trabalho. Atuar diretamente ou mediante incentivos 
serão técnicas desenvolvidas dentro de um só escopo. Nas suas relações com a sociedade, o estamento 
diretor provê acerca das oportunidades de ascensão política, ora dispensando prestígio, ora reprimindo 
transtornos sediciosos, que buscam romper o esquema de controle.
 FAORO, Raimundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro, vol. I e II. Ed. Globo, Publifolha, Coleção 
Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro, ed. 10, 2000, p. 740.
 A defi nição de classe está alicerçada na possibilidade de mudança social, ou no papel 
ocupado socialmente pelos indivíduos nas relações culturais de uma dada sociedade. Pode ser 
estruturadas de três formas distintas, especialmente no contexto brasileiro:
1) Lugar ocupado pelo indivíduo nas relações de produção: Na sociedade capitalista, há dois 
grupos sociais: burgueses e proletários. Os burgueses são os donos dos meios de produção que 
compram a força de trabalho dos trabalhadores. Já os proletários são os trabalhadores, que, não 
tendo outra forma de viver, são obrigados a vender sua força de trabalho para sobreviverem.
Cabe ressaltar que há a possibilidade de mudança de classe. Senor Abravanel – o famoso Sílvio 
Santos – por exemplo, foi um indivíduo que nasceu proletário, tendo trabalhado inclusive no 
setor informal, como camelô. Ao longo de sua vida, construiu a segunda maior emissora de 
telecomunicações brasileira (SBT), tornando-se, assim, um burguês.
2) Divisão por faixas de renda, de rendimento anual e/ou mensal e/ou diário: O Instituto Brasileiro 
de Geografi a e Estatística (IBGE) qualifi ca os indivíduos baseando-se no salário-mínimo, como 
se vê a seguir:
Classe Salários-mínimos (SM) Renda familiar (R$)
A acima de 20 SM R$ 15 760,01 ou mais
B de 10 a 20 SM R$ 7 880,01 a R$ 15 760,00
C de 4 a 10 SM R$ 3 152,01 a R$ 7 880,00
D de 2 a 4 SM R$ 1 576,01 a R$ 3 152,00
E até 2 SM Até R$ 1 576,00
 Disponível em: <http://blog.thiagorodrigo.com.br>. Acesso em: 14 jul. 2016.
 Nessa tabela, os valores da renda salarial têm como base o salário-mínimo de 2015 (R$ 788,00 
reais).
3) Critério de Classifi cação Econômica Brasil (CCEB): Tal critério, realizado pela Associação 
Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), tem como base amostras domiciliares e classifi ca os 
indivíduos de acordo com determinado ponto de ranqueamento, o qual, de maneira sintética, 
pode ser analisado nas tabelas a seguir.
 Posses de itens
Quantidade de itens
0 1 2 3 4 ou +
Televisão em cores 0 1 2 3 4
Rádio 0 1 2 3 4
Banheiro 0 4 5 6 7
O mundo do trabalho nos dias atuais
45Volume 3
Automóvel 0 4 7 9 9
Empregada mensalista 0 3 4 4 4
Máquina de lavar 0 2 2 2 2
Videocassete e/ou DVD 0 2 2 2 2
Geladeira 0 4 4 4 4
Freezer (aparelho independente 
ou parte da geladeira duplex)
0 2 2 2 2
 Grau de instrução do chefe de família
Nomenclatura Antiga Nomenclatura Atual
Analfabeto / Primário 
incompleto
Analfabeto / Até a 3a série do Ensino 
Fundamental / Até 3a série do 1o Grau
0
Primário completo / ginasial 
incompleto
Até 4a série do Ensino fundamental / 
Até 4a série do 1o grau
1
Ginasial completo / colegial 
incompleto
Fundamental completo / 1o grau 
completo
2
Colegial completo / superior 
incompleto
Ensino Médio completo / 2o grau 
completo
4
Superior completo Ensino Superior completo 8
Disponível em: <http://www.abep.org.br/>. Acesso em: 14 jul. 2016.
 Esses critérios passaram a ser utilizados em 2011.
 Cortes do critério Brasil
Classe Pontos
A1 42 - 46
A2 35 - 41
B1 29 - 34
B2 23 - 28
C1 18 - 22
C2 14 - 17
D 8 - 13
E 0 - 7
ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa - 2011 - www.abep.or - abep@abep.org
Dados com base no Levantamento Sócio Econômico 2009 - IBCPE
 Ficam evidentes diversas possibilidades de entendimento de classes. Isso signifi ca que não há 
apenas uma única forma de entendimento da divisão social das pessoas na sociedade capitalista. 
Cada uma das formas parte de bases diferentes de entendimento de como é possível analisar a 
sociedade brasileira.
12.1 Tipos de emprego e desemprego
Antes de se apresentarem dados sobre a realidade brasileira e outros sobre a realidade mundial a respeito da situação de emprego nas sociedades contemporâneas, é preciso entender o que 
é emprego e desemprego, bem como as principais possibilidades de aparecerem na realidade 
atual.
 
Sociologia
46 1ª série do Ensino Médio
Emprego
 Emprego é o nome dado à relação social 
capitalista na qual o indivíduo está vendendo sua 
força de trabalho em troca de um salário. Dessa 
forma, podemos classifi car os emprego da seguinte 
forma:
a) Emprego fi xo → quando o indivíduo vende sua 
força de trabalho para outro mediante Carteira de 
Trabalho assinada, por tempo indeterminado. A 
Carteira de Trabalho é uma invenção brasileira, que 
não é encontrada em outros países.
b) Emprego sazonal → quando o indivíduo vende sua 
força de trabalho por um tempo específi co. Exemplos: 
os coletores de laranja em época da colheita, os 
trabalhadores do comércio no fi nal do ano, quando 
o fl uxo de vendas é mais intenso, entre outros. O 
emprego sazonal surge como uma oportunidade de 
trabalho em períodos específi cos do ano.
c) Emprego informal → quando o indivíduo vende 
sua força de trabalho sem um contrato (Carteira 
assinada). Ou seja, por distintos motivos ou pressão, 
o indivíduo acaba subvertendo as relações legais de 
trabalho vigente no país.
Desemprego
 É a falta de vagas de trabalho, o que 
impossibilita pessoas de consequirem seu 
sustento. Nesse caso, os indivíduos que são 
obrigados a vender sua força de trabalho 
procuram emprego sem sucesso.
 Os tipos de desemprego são assim 
classifi cados:
a) Desemprego estrutural: é provocado 
por mudanças técnicas e tecnológicas 
que extinguem (ou quase) determinadas 
profi ssões, ou melhor, campos de trabalho. 
No Brasil, nos últimos 10 anos, de maneira 
mais intensa, o corte de cana manual tem sido 
substituído pelo corte de cana mecanizado. 
Uma colheitadeira substitui, aproximadamente, o emprego de 100 trabalhadores. 
b) Desemprego conjuntural: é provocado em uma dada conjuntura, normalmente associado a 
um momento de crise econômica. É, contudo, uma condição passageira. Por exemplo, devido às 
questões climáticas: uma cidade que, após ser destruída por uma tempestade, acaba despedindo 
os trabalhadores de seus cargos até que uma nova planta fabril seja construída. Na cidade de 
Mariana – MG, por exemplo, com o rompimento de barragens, a maioria dos imóveis do subdistrito 
de Bento Rodrigues foi destruídae os trabalhadores estão desempregados conjunturalmente.
c) Desemprego friccional: está associado à recusa do indivíduo em aceitar empregos que lhe 
são ofertados. Exemplo: um trabalhador altamente qualifi cado que foi mandado embora de seu 
antigo emprego e que recusa a condição de emprego em outra empresa devido à baixa salarial.
d) Desemprego sazonal: normalmente é associado a setores agrícolas, hoteleiro e comércio 
varejista e tem como base a oferta irregular de postos de trabalho, o que faz com que os indivíduos 
que trabalhem nesse setor não tenham a possibilidade de vender a sua força de trabalho em 
determinadas épocas do ano.
Disponível em:<http://3.bp.blogspot.com/-
mcIPa3qB8n8/T8u2XVq9i-I/AAAAAAAAAOA/
EKbu6Frsm98/s1600/fato.jpg>. Acesso em 13 jul. 
2016.
Disponível em:<http://www.drsa.com.br/wp-content/
uploads/2010/10/humonanet.jpg>. Acesso em 15 de julho de 2016
Fig.12.7
Fig.12.8
O mundo do trabalho nos dias atuais
47Volume 3
Dados sobre o desemprego no Brasil: Evolução histórica
Taxa de desemprego (%)
1999
1999
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
2000 2001 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
4
6
8
10
12
14
Definição de taxa de desemprego: Contém a porcentagem da força de trabalho que
está desempregada. Subempregos substanciais podem ser observados.
Ano
Brasil
Country
Brasil 7,5 7,1 6,4 12,3 11,5 9,8 9,6 9,3 7,9 8,1 7 6 5,5 5,7
Fig.12.9
Taxa de desemprego mundial
Fig.12.10
Defi nição: Contém a porcentagem da força de trabalho que está desempregada. Subempregos substanciais podem ser observados.
Defi nição: O mapa apresentado aqui mostra como a taxa de desemprego varia consoante o país. A sombra do país corresponde à 
magnitude do indicador. Quanto mais escura a cor, maior o valor.
Sociologia
48 1ª série do Ensino Médio
Taxa de desemprego juvenil mundial
 
Fig.12.11
Defi nição: Este indicador dá a porcentagem da força de trabalho entre 15 e 24 anos de idade que está desempregada há 
especifi camente um ano.
Descrição: O mapa apresentado aqui mostra como a taxa de desemprego juvenil varia consoante o país. A sombra do país 
corresponde à magnitude do indicador. Quanto mais escura a cor, maior o valor.
1 Conceitue emprego e desemprego. Aponte os três principais tipos de desemprego existentes.
 _______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________
Exercícios Modelo Vestibular
2 Analise esta charge:
Fig.12.12
 Essa charge faz uma crítica à relação de trabalho e poder de
a) um trabalhador sobre outros. d) um trabalhador sobre seus chefes.
b) um patrão sobre outro patrão. e) um dedo capaz de despedir pessoas.
c) um patrão sobre seus funcionários.
O mundo do trabalho nos dias atuais
49Volume 3
3 Sobre o desemprego friccional, é correto afi rmar que
a) é característico de momentos de crise econômica.
b) acontece em determinadas épocas do ano.
c) envolve a possibilidade de escolha do indivíduo.
d) acontece ciclicamente, dependendo da safra agrícola.
e) acontece devido a avanços técnicos e tecnológicos.
Exercícios Modelo ENEM
4 
Fig.12.13
 O trabalho de Papai Noel é um típico exemplo de emprego
a) sazonal.
b) friccional.
c) fi xo.
d) informal.
e) formal.
5 Analise o gráfi co a seguir.
Desemprego - Taxa média anual (%)
Evolução - 1985 - 2010
5,2 5 55,24,2 4,7 4,73,5 8,3 8,3 10,2 11,1 12 12 12,1 12,2 12,3 11,5 9,8 9,3109,58,47,2 8,1 6,87,9
1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
2
4
6
8
10
12
14
0
Ta
xa
 m
éd
ia
 a
nu
al
 d
e 
de
se
m
pr
eg
o 
(%
)
Sarney Collor Itamar FHC Lula
-12% -44%+57% +47%+15%
4,2 - 4,6 4,6 - 8,3 7,2 - 8,3 8,3 - 12,2 12,2 - 6,8
Série 1
5,2
4,6
7,2
10,2
12,0
12,2
9,8
7,9
6,8
8,3
% e % - diferença percentual, negativa ou
positiva, entre a taxa média
entregue e a recebida
Fonte: IBGE/PME/PEA - % de desocupados
Fig.12.14
 Pode-se dizer que, de 
a) 1984 a 1989, o desemprego diminuiu no Brasil.
b) 1995 a 2002, o desemprego aumentou no Brasil.
c) 2003 a 2010, o desemprego aumentou no Brasil.
d) 1993 a 1994, houve pouca oscilação na taxa de desemprego no Brasil.
e) 1995 a 1999, houve uma maior redução no número de desempregados.
Sociologia
50 1ª série do Ensino Médio
Texto complementar 
http://cnec.lk/074u 
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O mundo do trabalho nos dias atuais
51Volume 3
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Sociologia
52 1ª série do Ensino Médio
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no século XX. 2. ed. - São Paulo: Fundação 
Editora Unesp, 2010.