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DisciplinaDireito Tributário I23.966 materiais276.921 seguidores
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Profº. Ms. Flawbert Farias Guedes Pinheiro
flawbert.farias@gmail.com
ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
OBS.: Mesmo os isentos ou imunes devem prestar informações ao Fisco e 
cumprir obrigações tributárias acessórias previstas em lei.
OBS.: O Fisco, independentemente de autorização judicial, poderá 
examinar dados das instituições financeiras, inclusive referentes a contas 
de depósitos e aplicações financeiras, havendo processo administrativo ou 
procedimento fiscal em curso (art. 6º da LC 105/2001 e Decreto 
Regulamentar 3.724/2001).
CONCEITO
\u2022 Competência tributária é a aptidão para criar tributos, 
aumentar, parcelar, diminuir, isentar, perdoar tributos etc. 
Ou seja, nada mais é que atribuição para legislar sobre 
tributos. 
\u2022 A lei que cria o tributo deve descrever sua hipótese de 
incidência, seus sujeitos ativos e passivos, suas bases 
de cálculo e suas alíquotas.
\u2022 Quem possui competência tributária são os entes 
políticos, União, Estados, Distrito Federal e Municípios \u2013 
trata-se de tarefa legislativa.
COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA
CARACTERÍSTICAS DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA
\u2022 EXCLUSIVA.
\u2022 INCADUCÁVEL.
\u2022 DE EXERCÍCIO FACULTATIVO.
\u2022 INAMPLIÁVEL.
\u2022 IRRENUNCIÁVEL.
\u2022 INDELEGÁVEL.
 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA EXCLUSIVA
A competência tributária, atribuição dada pela CF/88 aos entes políticos para 
legislarem sobre tributos, é exclusiva dos Entes Políticos, isto é, só a União, 
os Estados-membros, os Municípios e o Distrito Federal, podem legislar sobre 
tributos (instituir, majorar, diminuir, isentar, conceder anistia, fiscalizar, 
arrecadar etc.). Enfim, fazerem o que bem quiserem ou entenderem sobre 
tributos, desde que não infrinjam os limites de sua competência tributária. 
Assim, por exemplo, a competência que a União recebeu para instituir o 
Imposto de Renda exclui os demais órgãos tributantes de instituí-lo (Estado, 
Município e Distrito Federal).
Por capacidade tributária entenda-se a parcela da competência tributária referente 
à cobrança (arrecadação) e à fiscalização de tributos, que, embora, seja da 
competência privativa dos Entes Políticos, pode ser delegada para suas 
autarquias. EX.: A Contribuição Previdenciária de competência da União 
cobrada pelo INSS. 
A Constituição Federal/88 utilizou os critérios material e territorial de repartição de 
competências impositivas, descrevendo objetivamente fatos que poderão ser 
colocados na hipótese de incidência dos impostos a serem criados, como por 
exemplo, o fato de vender mercadorias, que foi inserido na hipótese de 
incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS 
(critério material). Bem como, que as leis tributárias só poderão incidir sobre os 
fatos ocorridos no território de cada pessoa política (critério territorial).
INCADUCÁVEL
\u2022 A competência tributária, além de ser privativa, é incaducável, 
não está submetida a prazo para ser praticada.
 Exemplo: imposto sobre grande fortuna (artigo 153, inciso VII, da 
Constituição Federal) \u2013 a União poderá instituí-lo a qualquer 
momento.
\u2022 O não exercício da competência tributária, ainda que prolongado 
no tempo, não tem a propriedade de impedir que a pessoa 
política crie o tributo que lhe foi constitucionalmente deferido.
\u2022 O que caduca é a capacidade tributária ativa - o direito de exigir 
o tributo, que prescreve em cinco anos, conforme o disposto no 
artigo 174 do Código Tributário Nacional.
 DE EXERCÍCIO FACULTATIVO
 A pessoa política é livre para exercitar sua competência tributária. Isto 
é, é livre para criar ou não os tributos que a constituição lhe outorgou. 
 O não exercício da competência tributária não a transfere a outra ou 
outras pessoa(s) política(s), uma vez que ela não se trata de res 
nullius, sendo, pois, privativa de cada pessoa política (artigo 8.º do 
Código Tributário Nacional). 
 Há, entretanto, uma exceção à regra da facultatividade: a competência 
para criar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços 
(ICMS) é obrigatória. 
INAMPLIÁVEL
\u2022 A entidade tributante não pode alargar a sua competência tributária.
IRRENUNCIÁVEL
\u2022 A competência tributária é irrenunciável porque a pessoa 
política não pode abrir mão por definitivo dessa atribuição.
\u2022 Uma lei que o fizesse estaria atentando contra o livre exercício 
da função legislativa. Seria, assim, inconstitucional.
INDELEGÁVEL
\u2022 A competência tributária é indelegável, pois a pessoa política 
não pode transferi-la a outra, nem mesmo por força de lei.
\u2022 As pessoas políticas tributam por delegação constitucional, 
portanto, não se pode transmitir o que se recebeu por 
delegação.
\u2022 Delegável é a capacidade tributária ativa, que consiste no 
direito de arrecadar o tributo (artigo 7.º do Código Tributário 
Nacional). Exemplo: a União cria o imposto sobre grandes 
fortunas e delega, por lei, o direito de cobrá-lo aos Estados-
membros.
 
PODERES E ATRIBUTOS DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA
A Diferença entre Bitributação e Bis in Idem
Há apenas duas situações das quais a bitributação é 
permitida, enquanto o Bis In Idem é permitido pelo 
sistema constitucional desde que expressamente 
autorizado pela Carta Constitucional.
Bitributação ocorre quando dois entes da federação, 
por meio de suas pessoas jurídicas de direito público, 
tributam o mesmo contribuinte sobre o mesmo fato 
gerador. 
Por exemplo, isso ocorre quando dois municípios 
pretendem cobrar ISS sobre um mesmo serviço 
prestado.
A ilegitimidade nesse caso se dá pela 
inconstitucionalidade, em razão da violação de normas 
constitucionais sobre competência tributária. 
Entretanto, como existem exceções em tudo que rodeia nosso 
sistema tributário e nossa administração pública, há duas 
situações das quais a bitributação é permitida.
Primeiro, na iminência ou no caso de guerra externa, poderá ser 
exigido imposto extraordinário, compreendido ou não em sua 
competência, conforme previsto no art. 154, II da Constituição 
Federal de 1988:
Art. 154. A União poderá instituir:
II - na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários, 
compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão 
suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação.
Outro caso de possibilidade da tributação está mais ligado ao 
âmbito internacional. Ocorre nos casos em que um tributo é 
recolhido em um Estado, mas poderá também ser cobrado noutro. 
Por exemplo, o contribuinte recebe rendimento de um trabalho 
realizado em um determinado País e trabalha em outro país, 
poderá ser cobrado em sua renda em ambos os Países, claro que 
dependendo das regulações internas e externas, respeitando a 
soberania em cada nação.
Bitributação é diferente de outro fenômeno \u2013 que também pode gerar certa 
dúvida ao contribuinte: o Bis in idem, ou duas vezes sobre a mesma coisa. 
Esse fenômeno ocorre quando a pessoa jurídica de direito público tributa mais 
de uma vez o mesmo fato jurídico. 
Por exemplo, o fato de uma empresa auferir lucro dá margem à exigência de 
Imposto sobre a Renda, como também da Contribuição Social sobre o Lucro 
Líquido (CSLL), ambos os tributos de competência da União Federal.
Vale ressaltar que o Bis In Idem, é permitido pelo sistema constitucional desde 
que expressamente autorizado pela Carta Constitucional. Ou seja, a 
competência tributária precisa ser exercida dentro dos parâmetros 
constitucionalmente estabelecidos, respeitando ainda os princípios e as 
imunidades.
Como já observado, a competência tributária é matéria eminentemente 
constitucional, taxativa e exaustivamente prevista, de sorte que haverá conflito 
de competência na medida em que um ente político arvorar-se de competência 
alheia. 
Nesse sentido, reiterando a assertiva de que todas as competências tributárias 
são previstas na Constituição