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AULA 4 – SECREÇÕES GÁSTRICAS O suco gástrico é uma solução aquosa extremamente ácida produzida por glândulas da mucosa e células epiteliais de superfície. A quantidade de H+ é cerca de 3 milhões de vezes maior que no sangue e a produção de 1 litro desse suco requer cerca de 1500kcal. A função principal do estômago é de ser um reservatório, armazenando o alimento para que haja um ritmo no processo digestivo, de forma que todo o alimento ingerido não chegue de forma simultânea no intestino delgado, sendo esse ritmo controlado pelos hormônios CCK, secretina e PGI. O estômago absorve algumas substâncias, como água, alcool e alguns medicamentos, como a aspirina. Também há o inicio de digestão de proteínas. Algumas ligações químicas de proteínas podem ser digeridas no estômago pelas pepsinas. Também induz a preparação do quimo através do movimento peristáltico, ordenado, espremendo o alimento contra a parede do estômago, misturando-o com as secreções gástricas, de maneira a transforma-lo numa massa homogênea. O mecanismo de peristalse que empurra uma pequena quantidade do quimo em direção ao duodeno é conhecido como bomba pilórica. Dentro de cada depressão encontra-se diversos tipos celulares, como as células mucosas, parietais e principais. A célula mucosa produz muco, também sendo conhecida como célula caliciforme, com uma grande quantidade de grânulos mucosos em seu citoplasma. A célula parietal (ou oxíntica), produtora de HCl e fator intrínseca. A célula principal (zimogênica) possui uma grande quantidade de grânulos de zimogênio, ricas em pepsinogênio. O ácido clorídrico atua desnaturando proteínas, assim como ativando o pepsinogênio. O fator intrínseco serve para absorver a vitamina B12, vitamina essencial para a maturação das hemácias. Todas as células possuem uma quantidade considerável de água e CO2, devido a respiração celular, e cada célula modula essas moléculas de maneira diferente. A célula parietal possui uma grande concentração de anidrase carbônica, catalisando essas moléculas em ácido carbônico, que logo de dissocia em bicarbonato e H+. Esse bicarbonato irá para o interstício, através de uma troca que coloca Cl- do sangue para dentro da célula parietal. O H+ formado jogado para o lúmen do estômago através de uma bomba H+/K+ ATP-ase, entretanto, há entrada de potássio (transporte antiport). O omeprazol atua nessa bomba. Quando o Cl- acumula no citoplasma desta célula, há a abertura de um canal eletrônico para cloreto na membrana luminal. Olha na imagem, o potássio é um íon reciclado nessa reação de jogada de H+ pro lúmen do estômago, retroalimentando esse mecanismo. Na membrana basolateral há outro canal de potássio, passível de fosforilação, que dá origem a todo o mecanismo desta célula. Pois controla o potencial de membrana da célula parietal. Esse canal abre somente fosforilado. A Na+/K+ ATP-ase é uma bomba que regula a quantidade de potássio intracelular, porém não está na imagem, sendo até alvo de alguns medicamentos. Devido a graande quantidade de bicarbonato que cai na corrente sanguínea devido a produção do ácido clorídrico no lúmen estomacal, gera-se uma maré alcalina, o que é um dos fatores que promove um cansaço pós-refeição. O cansaço na verdade é produto desta alcalinização e do desvio de sangue pra região do TGI pra auxiliar o transporte de nutrientes. Um pH muito ácido é essencial para ativação de enzimas digestivas, de maneira que controla a atuação desses ácidos. Também promove a desnaturação de proteínas e paredes bacterianas. A regulação da secreção do HCl é simultânea a regulação de secreção de pepsinogênio. Regulada por secretagogos. Todos os mecanismos abaixo atuam induzindo a fosforilação do canal de potássio da membrana basolateral das células parietais. A Acetilcolina (neurotransmissor / neurócrino) estimula (++) a secreção de HCl. Liberada por terminais colinérgicos de acetilcolina, de origem de um reflexo local ou central (reflexo curto e/ou longo). Atua nos receptores muscarínicos do tipo M3 na célula parietal, elevando a concentração de Ca2+ intracelular. Estimula a liberação de gastrina e histamina, outros dois secretagogos que também estimulam a secreção de HCl. A gastrina (hormônio / endócrino) estimula (+). É produzida por células do tipo G na região pilórica. É UM HORMÔNIO. É liberado em resposta ao GRP, que é liberado em resposta a acetilcolina. Também eleva a concentração de Ca2+ intracelular, através dos receptores CCKb na célula parietal. A gastrina irá estimular a liberação de histamina (hmmmmmm temos aqui um ciclozao?) A histamina (substância parácrina) estimula pra crl (+++). Liberada pelas células ECL (mastócitos gástricos) localizadas na mucosa gástrica. É um dos maiores alvos da industria farmacêutica em patologia onde há produção excessiva de ácido. Liberada em resposta a acetilcolina e gastrina. Age nos receptores H2 da célula parietal elevando o AMPc intracelular. Logo, os 3 secretagogos potencializam a liberação de HCl. Marcelo falando de prova: Ta dizendo que se um indivíduo não produz saliva e não tem estômago, esse indivíduo não se torna desnutrido, pois o pâncreas consegue facilmente produzir quantidades o suficiente de enzimas para digerir as proteínas e carboidratos oriundos da alimentação. Logo, a saliva e o estômago são essenciais para a sobrevivência? Claro, por mais que ele ainda sobreviva, a qualidade de vida decai muito. Esse indivíduo irá necessitar de uma higiene bucal elevadíssima e sua digestão será muito demorada. Também irá ter que compensar A FALTA DE VITAMINA B12, logo, nas palavras do queridíssimo Marcelo, o estômago só é essencial pra absorção dessa vitamina. (1:28:10 da aula 5.mp3 de audio, n to loka não, pode conferir). Ele também ta dizendo que as células tronco do intestino delgado são capazes de assumir o papel da célula parietal quando o estômago é retirado, de forma a absorver a B12 frente a uma necessidade. A somatostatina bloqueia diretamente a fosforilação dos canais de potássio, mesmo que alguns dos mecanismos anteriores estejam ligados, inibindo a secreção de ácido gástrico. A própria concentração de H+ também inibe sua produção. A cimetidina, ranitidina e famotidina são bloqueadores de receptores H2. Eles atuam diretamente na célula ECL. Os “prazois” são utilizados pra tratar gastrite, e ela atua somente na célula parietal. As prostaglandinas também são inibidores da produção de HCl na célula parietal, permitindo um equilíbrio da produção desse ácido. Os AINE’s inibem a via do ácido araquidônico, responsável por produzir as prostaglandinas, molécula pró-inflamatória. Isso pode ocasionar uma sensação de queimação no estômago, exigindo um cuidado ao se tomar determinadas quantidades de anti-inflamatórios não esteroidais. O álcool e o café estimulam diretamente a produção de ácido, por isso ficma zoando que café dá gastrite. O estômago produz uma camada muito grossa de muco, bem espessa, como uma gelatina, e libera bicarbonato de sódio nesse muco de forma a neutralizar o ácido. Esse muco fica preso a superfície das células, formando uma camada de alguns milímetros, bem basificada pelo bicarbonato, havendo um gradiente de concentração ali. Esse muco também possui característica de tornar-se mais espesso conforme sua acidez aumenta. Ou seja, na região de contato com o ácido, sua baixa viscosidade impede seu retorno, formando uma espécie de capa física. O muco estomacal é composto por 4 glicoproteínas que se ligam entre si, e sua conformação varia conforme a acidez.