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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS
ESCOLA DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA
CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA
ALIMENTOS E ALIMENTAÇÃO
RELATÓRIO: COLEÇÃO DE ALIMENTOS
ARAGUAÍNA-TO
DEZEMBRO/2017
Jheferson Jardim Araújo
João Gabriel Melo da Silva
Tone Rezende Nascimento
RELATÓRIO: COLEÇÃO DE ALIMENTOS
Exposição escrita dos alimentos
presentes na coleção de alimentos
referente à segunda nota da matéria
de “Alimentos e Alimentação”
ministrada pela Prof. Dra. Fabiana
Cordeiro Rosa.
ARAGUAÍNA-TO
DEZEMBRO/2017
Sumário
Introdução.............................................................................................................................4
• Alimentos volumosos.............................................................................................4
• Alimentos concentrados........................................................................................4
• Minerais..................................................................................................................4
1. Alimentos concentrados proteicos de origem vegetal......................................................5
1.1. Soja grão........................................................................................................5
1.2. Linhaça...........................................................................................................6
1.3. Farinha de linhaça...........................................................................................7
1.4. Amendoim.....................................................................................................8
1.5. Gergelim........................................................................................................9
1.6. Farelo de algodão..........................................................................................10
1.7. Torta de algodão............................................................................................11
2. Alimentos concentrados proteicos de origem animal.....................................................12
2.1. Leite desnatado em pó..................................................................................12
3. Alimentos concentrados energéticos de origem vegetal.................................................13
3.1. Óleo de soja..................................................................................................13
3.2. Óleo de coco.................................................................................................14
3.3. Óleo de girassol.............................................................................................15
3.4. Milho em grão...............................................................................................16
3.5. Quirera de milho............................................................................................17
3.6. Sorgo em grão................................................................................................18
3.7. Semente de girassol.......................................................................................19
3.8. Raíz de mandioca .................................................................................................20
3.9. Aveia.............................................................................................................21
3.10. Milheto em grão...........................................................................................22
4. Alimentos volumosos................................................................................................ .....24
4.1. Bagaço de cana..............................................................................................24
4.2. Capim Mombaça............................................................................................25
4.3. Capim elefante roxo.......................................................................................26
4.4. Capim quicuio.................................................................................................27
5. Minerais ........................................................................................................................28
5.1. Fosfato bicálcico...............................................................................................28
5.2. Sulfato de cálcio...............................................................................................28
6. Outros ..........................................................................................................................29
6.1. Ureia...............................................................................................................29
Referências bibliográficas..............................................................................................................31
INTRODUÇÃO
Os alimentos são classificados de acordo com a Associação Americana
Oficial de Controle de Alimentos (AAFCO) e o Conselho Nacional de Pesquisas dos
EUA (NRC) e adaptada por F.B. MORRISON:
• Alimentos volumosos - são aqueles alimentos de baixo teor energético, com
altos teores em fibra ou em água. Possuem menos de 60% de NDT e ou mais de
18% de fibra bruta (FB) e podem ser divididos em secos e úmidos. São os de mais
baixo custo na propriedade. Os mais usados para os bovinos de corte são as
pastagens naturais ou artificiais (braquiárias e panicuns em sua maioria),
capineiras (capim elefante), silagens (capim, milho, sorgo), cana-de-açúcar,
bagaço de cana hidrolisado; entre os menos usados estão: milheto, fenos de
gramíneas, silagem de girassol, palhadas de culturas, etc.
• Alimentos concentrados - são aqueles com alto teor de energia, mais de 60% de
NDT, menos de 18% de FB, sendo divididos em:
o Energético: alimentos concentrados com menos de 20% de proteína bruta
(PB); origem vegetal - milho, sorgo, trigo, arroz, melaço, polpa cítrica; origem
animal - sebos e gordura animal;
o Protéicos: alimentos concentrados com mais de 20% de PB; origem vegetal -
farelo de soja, farelo de algodão, farelo de girassol, soja grão, farelo de
amendoim, caroço de algodão, cama de frango -; origem animal - farinha de
sangue, de peixe, carne e ossos (sendo esta última atualmente proibida pelo
Ministério Agricultura para uso em ruminantes).
• Minerais - compostos de minerais usados na alimentação animal: fosfato
bicálcico, calcário, sal comum, sulfato de cobre, sulfato de zinco, óxido de
magnésio, etc.
1. ALIMENTOS CONCENTRADOS PROTEICOS DE ORIGEM VEGETAL
1.1 - SOJA GRÃO (Glycine max)
Soja é uma planta pertencente à família das leguminosas, são entre as
sementes de oleaginosas, as mais utilizadas em alimentação. É um grão rico em
proteínas, cultivado como alimento tanto para humanos quanto para animais.
Dentre os minerais, os mais presentes são: potássio, cálcio, magnésio, fósforo,
cobre e zinco. É fonte de algumas vitaminas do complexo B, entre elas: ariboflavina
e a niacina, como também em vitamina C (ácido ascórbico). Porém, é pobre em
vitamina A e não contém vitamina D e B12.
COMPOSIÇAO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
A soja apresenta uma grande quantidade de proteína bruta entre 38% e
39%, contém pouca fibra é rica em tiamina, colina e niacina, e pobre em caroteno.
Possui alto teor em óleo, em torno de 20%.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Na soja não tratada encontram-se os seguintes fatores antinutricionais.
Ácidofítico que provoca retenção de minerais e retenção de nutrientes, pode ser
neutralizado com a enzima fitase que quebra o arranjo molecular do ácido fítico.
Inibidores de proteases que inibe a atividade de enzimas digestivas como a
tripsina, a quimiotripsina e a carboxipeptidase. Os dois principais inibidores de
proteases presentes na soja, Kunitz e Bowman-Birk, constituem aproximadamente
6% da proteína bruta da soja.
As lectinas que são proteínas que apresentam a propriedade de formar
complexos com compostos glicídicos, sendo que há uma interação entre as lectinas
e as glicoproteínas da superfície das hemáceas gerando aglutinação entre tais
estruturas. Acabam interferindo seriamente na digestão e na absorção dos
diversos nutrientes. As saponinas alteram a permeabilidade intestinal.
Caracterizam-se pelo sabor amargo. As aves são mais sensíveis as saponinas do
que outros monogástricos ou ruminantes.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Pode ser utilizada na alimentação de ruminantes em sua forma original
(crua), no entanto, o alto conteúdo de gordura (aproximadamente 20%) pode
interferir na fermentação ruminal, diminuindo a digestibilidade da fibra. Na
alimentação de animais monogástricos o grão de soja “in natura” não deve ser
utilizado, devido à presença de fatores antinutricionais que atuam negativamente
sobre o desempenho animal, necessitando de um adequado processamento
térmico para desativação destes componentes sem afetar suas propriedades
nutritivas. As sementes cruas moídas, não devem ser armazenadas por longos
períodos, principalmente em presença de calor e umidade, pois rancificam devido
ao elevado teor de ácidos graxos insaturados.
1.2 - LINHAÇA (Linum usitatissimum)
A linhaça são grãos ovoides, achatados e pontiagudos numa das
extremidades, pertencente à família das lináceas. Ela é geralmente encontrada
como grão integral, moído, ou na forma de óleo. É rica em ácidos graxos, ômega 3 e
6 e é um suplemento proteico de excelente palatabilidade e efeito laxante.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
É rica em proteína, gordura e fibra, sendo a maior parte de sua composição
entre 32,3% a 41% feita de lipídios, seguida por 30,0% de fibra e 11,0% de
proteína bruta. Uma pequena parte é composta de outros carboidratos (açúcares,
ácidos fenólicos, lignina e hemicelulose).
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Na linhaça está presente a linatina, que se liga a vitamina B6, impedindo a
absorção e causando a deficiência dessa vitamina. Outras substâncias presentes
são a linustatina e o ácido fítico, sendo o último, antagonista na absorção de zinco e
cálcio. Porém, essas substâncias não são nocivas à saúde por estarem presentes em
pequenas quantidades.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Excesso de energia na dieta causa timpanismo, diarreias, queda dos tônus
digestivos levando a contrações e possíveis cólicas, dilatação do ceco, degeneração
cardíaca, hepática e renal, dismicrobismo e laminite.
Excesso de proteína na dieta causa uma série de distúrbios como
enterotoxemia, problemas hepáticos, emagrecimento, problemas renais, má
recuperação após esforço, problemas de fertilidade em garanhões, transpiração
excessiva, cólicas e timpanismo.
O desequilíbrio vitamínico mineral leva a distúrbios de absorção de nutrientes
além de poder proporcionar doenças carênciais ou por excesso de um ou outro
nutriente, como consequência desagradáveis a médio prazo.
Portanto, visto que, apesar dos benefícios reais de seu uso, a linhaça
também pode proporcionar problemas quando de seu uso incorreto, deve-se
pensar e fazer uma dieta balanceada aos animais para melhor utilização dos
nutrientes presentes neste alimento.
1.3 - FARINHA DE LINHAÇA
A semente do linho, denominada de linhaça, é um cereal (monocotileônea)
do grupo das oleaginosas ( sementes com altos teores de lipídio) que se caracteriza
por ser chata e oval com uma extremidade pontiaguda e possui coloração que varia
de marrom-avermelhado ao dourado.
A linhaça nada mais é que uma planta herbácea que produz uma semente
oleaginosa com altos teores de gordura vegetal e impressionantemente superiores
a todos os vegetais e comparáveis apenas a alguns peixes de água gelada como o
salmão. Vários criatórios de cavalos do Brasil têm se rendido ao produto, capaz de
reduzir em demasia os índices de cólica e laminite na tropa, além de proporcionar
uma melhoria considerável nos aspectos de pêlo e crinas.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA
Pode-se encontrar de 30 a 40% de lipídios, 20 a 25% de proteínas, 20 a
28% de fibra total, 4 a 8% de umidade 3 a 4 % de cinzas, de vitaminas A,D,E e \k, e
minerais, esses teores podem variar de acordo com o cultivar ou variedade, o meio
ambiente.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Inibidores de enzimas digestivas de mamíferos na fração albumina, como as
lectinas, inibidores alfa-amilase, inibidores de tripsina, quimotripsina.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Para os animais, a linhaça vem sendo administrada na forma de farinha
integral ou óleo prensado a frio, o que significa com raras exceções que o processo
industrial possa ser denominado justa e seguramente como beneficiamento, já que
mantém intactas suas qualidades nutricionais. O ideal é que ambos, tanto na forma
líquida como sólida, sejam fornecidos em pequenas doses misturados à ração, cada
um na sua devida proporção. A utilização da linhaça na alimentação de equinos
implicaria na redução da quantidade de concentrado ao cavalo.
“Nas rações de eqüinos e de gado, o farelo e óleo de linhaça bruto costumam
ser empregados como suplementos de ômega-3 em contraponto ao excesso de
ômega-6 encontrado no milho da ração, de modo a promover um equilíbrio na
proporção entre eles, reduzindo a freqüência de desordens orgânicas nesses
animais, como inflamações e hipertensão.
1.4 - AMENDOIM (Arachis hypogaea)
O amendoim é uma planta da família Fabaceae, herbácea, com caule pequeno
e folhas compostas e pinadas, contendo quatro folíolos de formato elíptico e com
inserção alternada. Possui abundante indumento, raiz aprumada, medindo entre
30–50 cm de profundidade. As flores são pequenas e amareladas e, depois
de fecundadas, penetram no solo, com a ajuda de uma estrutura
denominada ginóforo e de um fenômeno conhecido como geocarpia, onde os
legumes se desenvolvem subterraneamente. O fruto é uma vagem. O amendoim é
cultivado em larga escala em muitos países, inclusive no Brasil, da indústria do
óleo resulta o farelo, que é um suplemento protético para alimentação animal.
Quando proveniente por processos vindo do amendoim descascado e desticulado,
tem seu valor nutritivo muito próximo ao farelo de soja e superior ao do algodão.
COMPOSIÇAO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
É pobre em cálcio, caroteno e metionina, triptofano e lisina e é rico em
niacina e ácido pantotênico. É composto por 89,55% de MS, 48 a 45% de PB, 1,02%
de gordura e 15,45% de FDN.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Apresenta saponinas e goitrogênicos. Os goitrogênicos são moléculas que se
ligam aos receptores de iodo inibindo sua absorção, consequentemente causa
disfunção na tireóide. As saponinas são glicosídeos presentes em numerosas
plantas, que se caracterizam pelo sabor amargo, seus efeitos estão relacionados às
modificações na permeabilidade da mucosa intestinal, inibindo o transporte de
alguns nutrientes e facilitando a absorção de compostos para os quais o intestino é
normalmente impermeável.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Um sério problema no uso do amendoim é sua frequente contaminação por
fungos produtores de micotoxina. Quando a estocagem é feita em ambiente
favorável de temperatura e umidade,ocorre condição ótima para desenvolvimento
de fungos. Seu teor de aflatoxina deve ser declarado para comercialização de no
máximo 0,5 ppm (ANFAR, 1985).
1.5 - GERGELIM (Sesamum indicum)
O gergelim é um alimento de alto valor nutricional, rico em óleo e proteínas. Além
dos fins alimentares, seus grãos encontram diversas aplicações na indústria farmacêutica,
cosmética e óleo-química. A torta obtida da prensagem dos grãos se constitui em excelente
concentrados para alimentação animal.
Para sua tolerância a seca e facilidade de cultivo, apresenta alto potencial
agronômico, podendo ser usado em rotação e sucessão de culturas, consorciado com o
algodão. O gergelim possui variedades que diferem em tamanho, forma, hábitos de
crescimento, cor. As cores das sementes podem variar entre creme e escuro. Quando
inteiras, elas apresentam sabor amargo devido a acidez oxálica presente no tegumento,
que pode ser removida por processos manual, mecânico, físico e químico.
COMPOSIÇAO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
A sua composição química é de: MS 92%; PB 24,08%; E.E. 46,62%, FB 11,2% e FDA
14%.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Apresenta ácido fitico, que formam substancias insolúveis com os ions de
minerais, como: Ca, Fe, Zn, Mg, Cu. Apresenta também oxalato, que se liga apenas
aos ions de cálcio, e isso pode muitas vezes dar ás sementes de gergelim um gosto
amargo e causar cálculos renais.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Para a nutrição animal é utilizada a torta de gergelim (concentrado) ou
sementes. Outro ponto importante é a ação antioxidante das suas sementes, o
controle glicêmico e do peso corporal e a redução do colesterol sérico. Utilizado na
alimentação de aves e bovinos, principalmente vacas leiteiras. Importância: A sua
semente é rica em constituintes minerais, como: cálcio, ferro, fósforo, potássio,
magnésio, zinco e selênio, conforme Namiki (1995). Usado para ruminantes como
suplemento proteico e em forma de torta na alimentação de frangos de corte. A
literatura sobre a utilização de torta de gergelim na alimentação de caprinos ou
ovinos é escassa. Sua composição apresenta um teor de proteína intermediário
(30%) que a classifica como alimento proteico.
1.6 – FARELO DE ALGODÃO
O uso de derivados do algodão na ração animal, como o farelo de algodão, é
bastante difundido pela sua composição nutricional e por conter proteína de boa
qualidade. O farelo de algodão é o terceiro farelo protéico mais produzido no
mundo, perdendo apenas para o farelo de soja e de canola.
COMPOSIÇAO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
Matéria seca 89%, níveis de PB variam entre 30 e 39% de acordo com o
teor de casca, FB 23 e 14 %.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
A planta do algodão produz um pigmento tóxico, um aldeído polifenólico
denominado gossipol. A semente do algodão pode conter quinze pigmentos
diferentes do gossipol, sendo que no processamento das sementes, as glândulas se
rompem e liberam o gossipol, assim, a concentração de gossipol nos derivados de
algodão é em função do grau de extração do óleo e do método utilizado. O gossipol
atua no metabolismo de aminoácidos, ligando-se às proteínas que contém
aminoácidos livres. Além disso, o ferro forma complexos com o gossipol e estes
complexos não são absorvidos pelo organismo.
Outro fator antinutricional presente no algodão são os ácidos graxos
ciclopenóides encontrados no óleo contido na semente. Estes ácidos provocam a
deposição de ácido esteárico e ácido palmítico na gordura do ovo e na carne de
aves. Estes ácidos também são conhecidos por ser carcinogênico como a aflatoxina.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Produtos derivados do algodão podem ser altamente tóxicos para animais
monogástricos, mesmo quando tratados termicamente e utilizado juntamente com
sais de ferro, portanto o nível de inclusão destes produtos nas dietas deve ser
cuidadoso.
Para suínos o nível máximo de gossipol livre no farelo de algodão sugerido
por Ezequiel (2002) é de 400 ppm,12% de farelo de algodão (36% de PB) em
rações balanceadas para leitões (15 a 30 kg) não prejudica o desempenho desses
animais, sendo desnecessária a inclusão de sulfato de ferro (Moreira et al., 2006).
O farelo de algodão pode ser usado nas rações de crescimento de frango de corte,
se o gossipol livre não exceder a 0,03%, pois abaixo deste nível o ferro, na
proporção 2:1 ferro:gossipol livre, pode completamente superar o efeito
antinutricional. Segundo Butolo (2002) a formulação das rações para aves de
postura deve conter níveis de gossipol abaixo de 0,015%, considerado como limite.
O gossipol tem efeito anticoncepcional em animais reprodutores e, por isso,
alguns pesquisadores recomendam a não utilização de derivados de algodão em
dietas de reprodutores machos. Dietas com até 30 mg de gossipol por quilo de peso
vivo não causam efeito tóxico sobre a quantidade e qualidade do sêmen
Recomenda-se adicionar sulfato de ferro, óxido ou hidróxido de cálcio a
dietas para ruminantes contendo subprodutos de algodão, no entanto, o uso de
sulfato ferroso nas rações é pouco comum, pois onera o custo da produção.
1.7 – TORTA DE ALGODÃO
A torta de algodão é o subproduto da extração do óleo contido no grão do
algodão, que ao ser esmagado é conhecido por torta. É usada na forma obtida
originalmente ou moída e peletizada.
Podem ser produzidos dois tipos de torta, a torta gorda (5% de óleo
residual), que é mais energética, proveniente da prensagem mecânica, e com um
menor teor de proteína, e a torta magra (menos de 2% de óleo residual), que é
menos energética, oriunda da extração de solventes, apresentando maior teor de
proteínas.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
46% de PB, 5% de EE, 18% de FDA, 31% de FDN e 80% de NDT.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
As limitações ao uso dos subprodutos do algodão são decorrentes
principalmente da presença do gossipol. Este é um aldeído polifenólico, de cor
amarelada, que pode estar na forma livre ou ligada a aminoácidos. No grão intacto,
o gossipol se apresenta na forma livre, mas na torta ele está principalmente ligado
às proteínas, em função do processamento do grão para a retirada do óleo.
RECOMENDAÇOES DE USO
As mesmas usadas no farelo, de acordo com níveis descritos para
monogástricos e ruminantes.
2. ALIMENTOS CONENTRADOS PROTEICO DE ORIGEM ANIMAL
2.1 - LEITE DESNATADO EM PÓ
É o leite desengordurado e desidratado, contém excelente suprimento
proteico, muito rico em aminoácidos essenciais. Rico em riboflavinas e carente em
vitaminas lipossolúveis. É recomendado para animais submetidos a regimes de
desmame precoce bem como para rações de aves, tanto para aquelas destinadas ao
abate como em particular para poedeiras em produção.
Recomendado ainda para dietas pré- iniciais de leitões em face da lactose que,
além de ser o único glicídio digestível pelos mesmos na idade também dá condições
para instalação de uma adequada flora intestinal. Deve ser isento de microrganismos
patogênicos e de material estranho em sua composição.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Isento de fator antinutricional.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
RECOMENDAÇÕES DE USO
É importante destacar, que o uso do leite em pó evita diversas doenças que
são transmissíveis pelo leite, tuberculose, paraturbeculose, leucose, etc., no
entanto, deve-se respeitar a inclusão de imunidade ao animal recém-nascido pelo
colostro.
O produto é recomendado para animais submetidas a regimes de desmame
precoce bem como para raçoes de aves, tanto paraaquelas destinadas ao abate
como em particular para as poedeiras em produção. É recomendável ainda para
dietas pré-iniciais de leitões em fase de lactose que, além de ser o único glicídio
digestível pelos mesmos, na idade, também dá condições para a instalação de uma
adequada flora intestinal.
3. ALIMENTOS CONCENTRADOS ENERGÉTICOS DE ORIGEM VEGETAL
3.1 - ÓLEO DE SOJA (Glycine max)
Os óleos vegetais em sua maioria são compostos por ácidos graxos
insaturados, porém, estes são extensivamente modificados por microorganismos
ruminais. A dieta dos ruminantes é normalmente composta por baixos teores de
extrato etéreo e, portanto, a suplementação em algumas condições, provoca
modificações na fermentação ruminal e afeta a ingestão de MS e digestibilidade dos
nutrientes, bem como a síntese de metano e amônia, e a eficiência microbiana. O
uso de fontes de gordura 19 na dieta pode incrementar a produção de leite,
podendo ainda apresentar efeitos benéficos sobre a reprodução. A suplementação
lipídica com óleos vegetais é uma prática promissora na nutrição animal e, assim
sendo, deve ser cada vez mais elucidada. A utilização de fontes de gordura
suplementar na dieta tem sido prática comum na alimentação de vacas leiteiras,
principalmente por permitir melhora no perfil energético desses animais. É
utilizada durante o pós-parto para aumentar a densidade calórica da dieta, sem
reduzir o conteúdo de fibras, e promover aumento da ingestão de energia e
produção de leite.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Usado na suplementação animal, na dieta de ruminantes e incrementar a
produção de vacas leiteiras. Sua composição geral do grão de soja favorece o seu
uso em rações, para vacas de alta produção de leite, mas também pode ser uma
fonte proteica/energética em rações para engorda de novilhos mestiços ou nelores
em confinamento. Um outro aspecto que pode favorecer o seu uso é a relação custo
do grão de soja: farelo de soja. Os bovinos podem utilizar grãos de soja sem a
necessidade de um tratamento térmico.
O grão é recomendado para bovinos em até 20% da matéria seca total da
ração, desde que o teor final de lipídios na ração não ultrapasse 5%, podendo ser
fornecido inteiro ou moído. Para suínos acima de 45 kg, recomenda-se fazer
tostagem (100°C por 30-45 minutos) e moagem, e adicionar em até 10% da ração.
A soja não deve ser fornecida na dieta juntamente com a Ureia pois
aumenta a concentração de uréase contida nas sementes da soja converter a ureia
em amônia.
FATORES LIMITANTES
Está relacionado com a ingestão de grandes quantidades de lipídeos na
dieta, interferindo da digestão dos nutrientes.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA
3.2 - ÓLEO DE COCO
O óleo de coco é comumente dividido em duas amplas categorias: refinado e
virgem. O óleo refinado é tipicamente obtido do coco seco, chamado de copra. O
óleo de coco virgem (não refinado) é obtido a partir de cocos frescos. Como
elevadas temperaturas e solventes químicos não são empregados, o óleo virgem
mantém seus fitoquímicos naturais, responsáveis pelos seus suaves sabor e aroma.
A gordura da coco é de cadeia média, e ao contrário dos óleos polinsaturados, não
deixa as células famintas, permitindo a entrada de insulina nas células.
FATORES LIMITANTES
Quando o nível de gordura excede de 5% a 7% da dieta, podem ocorrer
distúrbios digestivos, diarréia e redução no consumo. Os altos níveis de gordura no
rúmen, onde há falta de agente emulsificante (bile) e enzimas como lipase,
provocam interferências no processo digestivo por revestir o conteúdo do rúmen,
particularmente na digestão da fibra. A gordura tem efeitos inibitórios sobre os
microrganismos.
No rúmen, os ácidos graxos insaturados são transformados em saturados
pelo processo de hidrogenação. Por esta razão, as gorduras corporais dos
ruminantes tendem a ser tipicamente saturadas, independentemente do tipo de
dieta. Os efeitos negativos das gorduras no rúmen podem ser prevenidos pela
adição de cátions, como o cálcio. O cálcio reage com os ácidos graxos e forma
sabões insolúveis, reduzindo o efeito inibitório sobre os microrganismos. Os
sabões de cálcio são boas fontes de gordura na ração de ruminantes porque não
afetam a fermentação ruminal.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Os ruminantes são menos tolerantes a dietas de gorduras do que os
monogástricos. A vantagem das gorduras saturadas, como as do coco, porco e
outras, é que são mais resistentes à oxidação e mais estáveis ao calor.
3.3 - ÓLEO DE GIRASSOL
O óleo de girassol é produzido industrialmente a partir das sementes de
girassol. Estas são limpas, secas, descascadas, trituradas e extraídas com solvente.
Finalmente, o produto assim obtido é desolventizado e sofre todo um processo de
refinação, com diferentes etapas que incluem processos químicos e físicos de
tratamento, como por exemplo: desgomagem, branqueamento, desodorização.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA
Como todos os óleos vegetais, o óleo de girassol é essencialmente
constituído por triacilgliceróis (98 a 99%). Tem um elevado teor em ácidos
insaturados (cerca de 83%), mas um reduzido teor em ácido linolénico (≤ 0,2%). O
óleo de girassol é essencialmente rico no ácido gordo essencial (AGE), ácido
linoleico. As variações no seu teor são consequência não só da variedade, mas
também das diferenças climáticas durante o seu cultivo
FATORES LIMITANTES
Está relacionado com a ingestão de grandes quantidades de lipídeos na
dieta, interferindo da digestão dos nutrientes.
O ruminante parece apresentar certas limitações no aproveitamento de
dietas com alto teor de gordura, pois estas acarretam modificações nos padrões de
fermentação ruminal podendo prejudicar a degradação e absorção dos nutrientes.
O custo da suplementação com óleos vegetais tem sido ainda um fator limitante do
seu uso no Brasil (Eifert et al., 2005).
3.4 – MILHO EM GRÃO
O milho é considerado um alimento energético para as dietas animal, devido à
sua composição predominantemente de carboidratos (amido) e lipídeos (óleo). A
proteína presente nesse cereal, embora em quantidade significante, possui
qualidade inferior a de outras fontes vegetais e animais. Os grãos do milho são,
geralmente, amarelos ou brancos, podendo apresentar colorações variando desde
o preto até o vermelho. O peso individual do grão varia, em média, de 250 a 300mg.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA
87,11%MS, 8,26%PB, 1,73% FB.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Embora existam informações limitadas, dois fatores antinutricionais são de
maior relevância no milho: fitato e xilanos (pentosanos).
RECOMENDAÇÕES DE USO
O uso de grãos de milho inteiro pode ser interessante em determinadas
situações, pois permite trabalhar com níveis mínimos de forragem ou sem foragem
alguma na dieta total (Gorocica-Buenfil e Loerch, 2005). De acordo com a revisão
de Owens et al. (1997), animais alimentados com rações contendo grãos de milho
inteiro sem forragem ou com mínimo de forragem, podem apresentar melhor
desempenho quando comparados com animais alimentados com dietas contendo
milho quebrado, laminado a seco ou moído grosso.
3.5 - QUIRERA DE MILHO
É obtido da moagem dos grãos (com ou sem remoção do óleo), sendo a
fonte energética mais amplamente utilizadas pelos produtores rurais.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA
A composição química do farelo de milho é semelhante a do milho em grão,
entretanto esta é melhor aproveitada pelos animais pois o processo de
desintegração do grão aumenta a superfície de contato do mesmo com o trato
gastrointestinal dos animais a qual esse produto se destina.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Não apresenta fatores antinutricionaisRECOMENDAÇÕES DE USO
A quirera pode ser fornecida a todas espécies animais respeitando se os
níveis de inclusão na dieta de acordo com a categoria animal e espessura da
mesma após a trituração do grão de milho, é uma das formas mais práticas e
utilizadas do milho na alimentação de ruminantes.
3.6 – SORGO EM GRÃO (Sorghum bicolor)
É deficiente em pigmentos xantofílicos, e pobre em isoleucina e leucina em
relação ao milho.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA
O grão de sorgo apresenta composição semelhante à do milho
possibilitando seu emprego em rações para bovinos, suínos e aves, e substituindo-
o como fonte energética. Pode ser utilizado para produção de forragem. Através do
processamento industrial há produção de amido, açúcar e óleo.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
O grão de sorgo apresenta como limitação a presença do tanino, um
composto fenólico que é responsável por inibição de algumas enzimas no sistema
digestivo, interferindo no metabolismo de proteínas e carboidratos e que diminui a
digestibilidade e a palatabilidade (sabor adstringente). A concentração de tanino
depende da variedade, sendo encontradas variedades de baixo, médio e alta
concentração de tanino. As variedades mais comuns são as de médio teor de
tanino, que reduz o ataque de pássaros aos grãos que ficam expostos nas panículas.
O ácido tânico, quando presente nas dietas, combina com grupamentos
metil da metionina e colina, provocando redução nas disponibilidades destes
compostos, o que reduz a taxa de crescimento. Deve conter no máximo 1% de
taninos, expressos em ácido tânico, ser fornecido triturado ou moído por causa da
baixa digestibilidade do grão inteiro. Pode ainda inibir a ação da tripsina.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Vacas leiteiras: substitui o milho. Deve ser fornecido moído o sorgo grão
pode ser usado na alimentação de ruminantes, pois não acarreta problemas
nutricionais. Cuidado com os bezerros.
Equinos: Tem efeito constipante, devendo ser fornecido juntamente com
farelo de trigo ou aveia. Não precisa moer.
Aves: Pode substituir até 50% do milho da ração. Não possibilita a
pigmentação da carcaça ou da gema, assim, deve-se adicionar pigmentantes à
ração.
Coelhos: Até 33% da ração. 21 Suínos: Pode ser substituído totalmente
(100%) pelos sorgos de baixo tanino e 85% pelo de alto tanino, não afetando o
ganho de peso dos suínos nas fases de crescimento e terminação.
3.7 - SEMENTE DE GIRASSOL (Helianthus anus)
O girassol, denominado cientificamente Helianthus annus, produz semente
oleaginosas. Atualmente estão desenvolvidas variedades mais ricas em óleo,
resultando em aumento da disponibilidade mundial em farinha de torta de
girassol. A semente apresenta apenas regular qualidade devido ao seu alto teor em
fibra e consequente baixo valor energético.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
Sementes de girassol são importantes na nutrição animal, pois possuem
aproximadamente 40% de óleo, sendo a maioria ácidos graxos insaturados,
podendo provocar aumento das concentrações do ácido linoleico conjugado, na
gordura animal. Além da boa quantidade de óleo em sua composição as sementes
de girassol apresentam em média, 19% de proteína e 24% de fibra em detergente
neutro. Por conta dessas características as sementes de girassol podem ser
utilizadas na alimentação tanto de bovinos, aves e outros animais especialmente os
de estimação.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
A semente de girassol é pobre em compostos antinutricionais. Entre eles há
a arginase, o inibidor de tripsina, que são inativados através de processos térmicos
e o Gossipol. O girassol possui, ainda, alguns compostos fenólicos, sendo o ácido
clorogênico o de maior relevância, a concentração na semente deste composto
varia de 1,1 a 4,5%, sendo a média de 2,8%, a presença de tal composto é
responsável pelo escurecimento de produtos fabricados com concentrado, isolado
ou farinha de girassol, acarretando, ainda, a diminuição da digestibilidade das
proteínas. O gossipol também é fator antinutricional desta oleaginosa, podendo
causar infertilidade em touros entre outros fatores.
RECOMENDAÇÕES DE USO
É utilizada para ruminantes e não indicado na utilização de rações para aves
(frangos) e suínos. A semente de girassol é um ingrediente bastante interessante
para a utilização em dietas de bovinos de corte confinados, sendo boa fonte de
energia (óleo), incremento de fibras na dieta e o seu processamento não irá
promover melhorias na ingestão e desempenho. Como todo ingrediente a ser
inserido em dietas de animais confinados deve-se realizar avaliação criteriosa de
custos e possibilidades de substituição para o novo ingrediente. O girassol pode ser
oferecido como alimento para os animais na forma de silagem, torta, grão e farelo.
Hegedus e Fekete (19) consideram o farelo de girassol como potencial substituto
ao farelo de soja na alimentação animal, desde que mantido o valor energético da
dieta.
3.8 - RAIZ DE MANDIOCA, mansa(Manihot esculenta)
Em termos nutricionais, a mandioca se destaca por ser uma cultura de
duplo propósito (Preston, 2001), ou seja, ela pode ser utilizada na dieta como fonte
de energia (raízes) e também proteína (parte aérea). A mandioca de mesa
("mansa") pode ser fornecida "in natura" na alimentação de ruminantes sem
causar problemas de intoxicação. No caso da mandioca de indústria ("brava")
somente deve ser fornecida depois de triturada e exposta ao sol por um período
mínimo de 24 horas, em função do elevado teor de ácido cianídrico.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA
A sua composição química é de: FDN 57,2%; FDA 50%; PB 5,9%; MS 31,3%
e Cinza 3,3%. As raízes frescas são ricas em amido e pobre nos outros nutrientes.
FATORES ANTINUTICIONAIS
Nas cascas e raízes inteiras das mandiocas chamadas bravas, existe o ácido
cianídrico (HCN) com teores variando de 0,02 a 0,03%. Estes efeitos tóxicos podem
ser evitados pela desidratação da mandioca, que consiste em picá-la e deixá-la
espalhada ao ar livre por 24 horas. Nas variedades mansas o teor de HCN não
passa de 0,005%.
RWCOMWNDAÇÕES DE USO
A raiz fresca é recomendada de 2 a 3% do peso do animal/dia. A raspa de
mandioca moída não tem caroteno e é deficiente em proteína, metionina e
pigmentantes (LANA, 2000). As raízes de variedades de mandioca mansa ou
macaxeiras poderão ser picadas e fornecidas imediatamente aos animais. Diversas
são as formas de utilização da mandioca na alimentação de ruminantes. No
entanto, as principais são: raiz de mandioca fresca; parte aérea de mandioca fresca;
silagem da planta integral de mandioca (planta integral, triturada e ensilada);
silagem de raiz de mandioca (raiz, triturada e ensilada); silagem da parte aérea da
mandioca (parte aérea, triturada e ensilada); feno de mandioca (parte aérea,
triturada e seca ao sol); farinha integral ou raspa integral (raiz moída ou picada e
seca ao sol); farelo de raspas ou raspa residual (subproduto resultante da extração
do amido); farelo de farinha de mesa (subproduto resultante da fabricação de
farinha de mesa).
3.9 – AVEIA (Avena sativa)
Uma planta da família das gramíneas possui a variedade preta e branca,
tendo a primeira maior produção de forragem. É um alimento tradicional para
cavalos, mas pode ser utilizada na alimentação de outros animais principalmente
para ruminantes. Não é um bom alimento para a engorda, por isso é usada,
geralmente, com limitação para esse tipo de ração.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
As aveias contem cerca de 11,50% de proteína bruta, cuja digestibilidade
está em torno de 80%. Apresenta um teor de fibra bruta superior ao do milho comcerca de 10,60%, e consequentemente menor valor energético. Os teores de cálcio
e fosforo são um pouco superiores.
Para aves o limite da utilização de aveia é o seu teor em fibra, não se
aconselhando empregar mais do que 15% nas rações.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Possuem como fator antinutricional Polissacarídeos não amiláceos, ou
simplesmente fibras, principais constituintes da parede celular dos alimentos de
origem vegetal, não podem ser digeridos pelas aves devido à natureza de suas
ligações, sendo resistentes à hidrolise no trato digestivo.
A dificuldade na digestão da fibra, além de reduzir a energia do alimento,
pode prejudicar a utilização de todos os outros nutrientes. Isto ocorre
principalmente quando o tipo de fibra do alimento é solúvel, ou seja, tem grande
capacidade de absorver água e formar substância gelatinosa no trato intestinal. A
fibra solúvel é composta principalmente pela hemicelulose, a qual é composta
principalmente por beta-glucanos na cevada, aveia, arabinoxilanos no trigo,
centeio e farelo de arroz.
RECOMENDAÇÕES DE USO
São múltiplas suas possibilidades de uso: produção de grãos (alimentação
humana e animal), forragem (pastejo, feno, silagem ou cortada e fornecida fresca
no cocho), cobertura do solo, adubação verde e inibição de plantas invasoras pelo
efeito alelopático (processo pelo qual a planta libera substâncias químicas assim
alterando o desenvolvimento de outras espécies de vegetais).
Para aves, a utilização é limitada devido ao seu teor de fibra. Por isso, não é
aconselhável usar mais do que 15% nas rações. A fibra solúvel, presente na aveia, é
responsável por parte das vantagens, retardando o esvaziamento gástrico, o que
resulta em maior saciedade, e, ao entrar em contato com a água, forma géis que
tornam o bolo fecal maior e mais viscoso. Dessa maneira, ocorre uma menor
absorção de substâncias presentes, como glicose e colesterol, em decorrência de
uma menor ação de enzimas digestivas. A aveia constitui o alimento básico dos
cavalos de corrida, por formar uma massa fofa no estômago dos equinos,
facilmente adaptável e digestível.
3.10 - MILHETO EM GRÃO (Pennisetum americanum)
O milheto é uma forrageira de clima tropical, anual, de hábito ereto, porte
alto, com desenvolvimento uniforme e bom perfilhamento, e produção de
sementes entre 500 quilos/hectare e 1.500 quilos/hectare. Apresenta excelente
valor nutritivo, boa palatabilidade e digestibilidade em pastejo, sendo atóxica aos
animais em qualquer estágio vegetativo.
COMPOSIÇÃO QUIMICA E VALOR NUTRICIONAL
Os bons resultados obtidos em pesquisas utilizando este cereal em
substituição ao milho e ao sorgo devem-se ao valor nutricional do grão de milheto,
que tem densidade energética alta, devido a seu maior teor de ácidos graxos em
comparação com outros cereais. Sua composição química inclui em média 5% de
extrato etéreo (óleo).
Possui teor de proteína superior a do milho e do sorgo cujo nível oscila
entre 8,8% e 20,9%, o milheto é considerado como bom alimento para
monogástrico.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
O milheto é isento de fatores antinutricionais.
LIMITANTES DE USO
O limitante de uso do milheto está relacionado ao tamanho do grão, pois
grande parte passa de forma íntegra pelo moinho, resultando em uma diminuição
da digestibilidade deste grão no trato intestinal. Porém para aves isso tem maior
importância, pois ocorre uma maceração do grão na moela, mas deve-se atentar
para o índice de pigmentação da gema.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Com o encarecimento de cereais tradicionalmente usados em dietas de
engorda, como milho e o sorgo, muitos pecuaristas que suplementam seus animais
a pasto ou em confinamento buscam fontes alternativas de energia para diminuir
custos sendo o milheto uma destas excelentes fontes de substituição ao milho e o
sorgo tanto na dieta de ruminantes com de monogástricos.
4. ALIMENTOS VOLUMOSOS
4.1 - BAGAÇO DE CANA DE AÇÚCAR
O bagaço de cana é resultante da extração do caldo da cana-de açúcar.
Estima-se que cerca de 12 milhões de toneladas de bagaço são gerados
anualmente, sendo aproximadamente 320 kg por tonelada de cana moída. O
bagaço, atualmente, tem diversas aplicações na economia brasileira: na
alimentação animal, na produção de combustível, na cogeração de energia, na
indústria de cosméticos e na engenharia civil.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
O bagaço de cana-de-açúcar apresenta em média 46% de matéria seca, 2%
de proteína bruta e 60% de FDN. É caracterizado como um alimento com altos
teores de parede celular, baixa densidade energética e pobre em proteína e
minerais, constituindo-se em um volumoso de baixo valor nutritivo e de baixo
potencial de uso na alimentação animal.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Apresenta altos teores de lignina que é uma macromolécula tridimensional
amorfa encontrada nas plantas terrestres, associada à celulose na parede celular
cuja função é de conferir rigidez, impermeabilidade e resistência a ataques
microbiológicos e mecânicos aos tecidos vegetais.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Por outro lado, o bagaço pode ser incluindo em rações para ruminantes,
como fonte de volumoso, utilizado especialmente na região sudeste do Brasil, onde
é aproveitado como subproduto da indústria do álcool, podendo ser utilizado
principalmente para corrigir a deficiência de fibra e os distúrbios verificados em
animais alimentados com dietas de baixo teor de fibra.
4.2 - CAPIM MOMBAÇA (Panicum maximun)
O capim mombaça (Panicum maximum cv. Mombaça) é uma gramínea que
forma touceiras com até 1,65 m de altura e folhas quebradiças. Os colmos são
levemente arroxeados. As folhas possuem poucos pelos na face superior e as
bainhas são glabras, mas ambas não apresentam cerosidade. A inflorescência é do
tipo panícula, semelhante a do capim colonião comum. Recomendado para bovinos
em fase de engorda e produção leiteira. Pode ser consumida por equinos e ovinos.
Por se tratar de uma forrageira os valores bromatológicos dela variam de acordo
com as épocas do ano.
TABELA 1 - Conteúdos (%) médios anual de fibra em detergente neutro
(FDN), fibra em detergente ácido (FDA), cálcio (Ca) e fósforo (P) na matéria seca
total da forragem da cultivares analisada.
CULTIVAR FDN FDA Ca P
MOMBAÇA 69,36 34,13 0,628 0,196
TABELA 2 - Conteúdo (%) de proteína bruta(PB), de nutrientes
digestíveis totais(NDT), matéria mineral(MM), fibra bruta(FB) e matéria seca(MS)
na matéria seca total de cada cultivar analisada nas estações.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Dentre os principais fatores antinutricionais dos compostos fenólicos
encontrase a lignina e os taninos. A lignina possui dupla função contra ações
bióticas e abióticas, pois age quimicamente como bloqueio enzimático e
fisicamente proporciona rigidez à parede celular (TAIZ; ZEIGER., 2004). Os taninos
quando em baixas concentrações produzem efeitos benéficos ao metabolismo
animal, como aumento na absorção de aminoácidos no intestino, redução de
parasitóides (MIN et al., 2003), porém em altas concentrações os taninos
prejudicam a palatabilidade do animal devido as ligações de pontes de hidrogênio
com proteínas salivares, que resultam na adstringência diminuindo o consumo
voluntário (BROOKER., 2000).
4.3 – CAPIM ELEFANTE ROXO (Pennisetum purpureum Schumach.)
Principal atributo desta forrageira é sua alta produção de forragem quando
submetida a cortes frequentes, adubada e irrigada. O capim elefante exige solos de
média e alta fertilidade, é sensível ao frio e ao fogo, nãotolera solos úmidos.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Embora esse potencial forrageiro, possuem também fatores anti-
nutricionais com destaque para os taninos, que apresentam-se com teores
variáveis nas leguminosas (LASCANO, 1994), podendo influenciar no desempenho
dos animais, especialmente quanto ao consumo de forragem. Estudos que avaliam
o valor nutritivo e a composição química de leguminosas forrageiras sob consórcio
e em condições de pastejo, notadamente quanto aos níveis de taninos, são
escassos.
4.4 - CAPIM QUICUIO (Brachiaria humidicula)
O capim quicuio é de origem africana, foi introduzido no Brasil em 1923. É
uma gramínea perene de porte geralmente baixo (40 a 60 cm), que forma densos
gramados de folhas estreitas e longas com colmos enraizados de mais de dois
metros, com reprodução exclusivamente por rizomas e estolões. Descrita como
espécie de clima subtropical úmido, próprio de altitudes superiores a 1500 metros,
muito exigente em fertilidade e solos com altos teores de matéria orgânica,
resistente ao pisoteio e a secas temporárias e por ser muito agressivo não serve
para utilização em consórcio com outras espécies e é suscetível a pragas como a
cigarrinha das pastagens.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
O capim quicuio destaca-se por possuir elevados níveis de FDN (66,01%) e
PB (18,05%). O quicuio apresenta potencial de produção de leite superior às
demais gramíneas tropicais.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Apresenta alto teor de oxalato, um composto capaz de quebrar os íons
cálcio insdisponibilizando o mesmo, fazendo com que o animal mobilize suas
reservas de cálcio dos ossos causando alterações no tamanho dos mesmos, mas
evidenciando nos ossos da face.
RECOMENDAÇÕES DE USO
É uma das gramíneas que compõe a base da alimentação do rebanho
brasileiro, especialmente da espécie bovina. Não é indicado para equinos pois estes
são muitas sensíveis a deficiência de cálcio.
5. MINERAIS
5.1 - FOSFATO BICÁLCICO
O fosfato bicálcico é obtido através do ácido ortofosfórico, que por sua vez
tem origem nas rochas fosfáticas. Quanto mais pura for esta rocha, maior a
qualidade do ácido dela originado. É sabido que as rochas ígneas são mais puras
que as metamórficas, que são mais puras que as sedimentares.
As rochas então, através de reações, dão origem ao ácido ortofosfórico,
conhecido vulgarmente como ácido fosfórico. O ácido fosfórico por sua vez, depois
de desfluorizado, reage com calcário ou cal e da origem ao ortofosfato bicálcico,
conhecido popularmente como fosfato bicálcico.
COMPOSICÃO QUÍMICA E VALOR NUTRICIONAL
É a fonte de fósforo e cálcio mais utilizada no Brasil, porém com custo
elevado.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Não apresenta fatores antinutricionais.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Utilizado como fonte principalmente de fósforo e também de cálcio em
misturas e concentrados para animais de produção.
5.2 – SULFATO DE CÁLCIO
Representado quimicamente pela fórmula CaSO4, o sulfato de cálcio é um
sal inorgânico, de estrutura rômbica, encontrado normalmente sob o estado sólido,
de cor branca, parcialmente solúvel em água. Esse sal está presente na natureza
sob a forma de anidrita e gipsita.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Inexistente. um fator limitante que é sua solubilidade à água.
RECOMENDAÇÕES DE USO
O sulfato de cálcio (CaSO4) ou gesso agrícola é utilizado na piscicultura
para minimizar as respostas de estresse durante o transporte. Em vacas leiteiras
uso por kg de ração => 5,0 g/kg. BENDHACK, Fabiano.
6. OUTROS
6.1 - UREIA
A ureia, CO(NH2)2 é uma carbamida que se apresenta como cristais
brancos, solúvel em água, álcool e benzeno. Pode ser obtida pelo aquecimento do
cianeto de amônio ou tratando-se a cianamida cálcica com ácidos diluídos. A ureia
é um composto sólido, nitrogenado não proteico derivado do petróleo. Ao alcançar
o rúmen do animal, através da enzima uréase é desdobrada em amônia e CO2, daí
os microrganismos passam a usar essa fonte de nitrogênio para síntese de nova
proteína. Composição Química: A sua composição química é de ureia.
FATORES ANTINUTRICIONAIS
Inexistentes.
FATORES LIMITANTES
A toxidez ocorre quando a ureia é fornecida de forma rápida, ou quando os
animais estão fracos ou não adaptados à dieta com ureia, ou ainda quando não há
fontes de carboidratos solúveis na dieta, ou quando a mistura não está bem feita. A
intoxicação é devida ao excesso de amônia no rúmen. A melhor forma de adaptar o
animal a dieta contendo uréia pelo aumento gradual semanalmente, até alcançar a
ingestão da quantidade desejada. Deve-se iniciar com um quarto (25%), da
quantidade total.
RECOMENDAÇÕES DE USO
Utilizado na alimentação de bovinos e pequenos ruminantes (ovinos e
caprinos). Importância: É um alimento de uso moderado, por ser toxico em alta
concentração, sendo usado tanto para substituição parcial de proteínas tendo
como intuito a redução de custo de produção, e quanto para fornecer quantidade
adequada de proteína degradável no rúmen, melhorando a eficiência de digestão
da fibra e síntese de proteína microbiana.
Silagem: a silagem tem sido usada amplamente como veiculo para ministrar
ureia nos animais. Trabalhos mostram que silagem sem nenhum aditivo foi incapaz
de manter o peso vivo dos animais, e quando adicionou ureia, (0,5%) houve
ganhos da ordem de 0,880kg por dia.
Ureia com cana-de-açúcar: A mistura de ureia com cana-de-açúcar é
relativamente simples, deve ser utilizada a 0,5% no período de adaptação e a 1%
após a segunda semana de uso. Para uma melhor performance dos animais, a cana-
de-açúcar deve ser corrigida com minerais, proteínas e gordura.
Ureia com restos culturais: as palhadas (arroz, cevada, feijão, bagaço de
cana) são caracterizadas pelo alto conteúdo de parede celular e baixo teor de
digestibilidade. A utilização da ureia nas palhadas consiste em:
Preparar uma solução de 5% de ureia (5kg para cada 100 litros de água)
aplicar esta solução de 0,5 litros por kg de palha, em seguida cobrir o material com
lona plástica, vedando todos os orifícios. Após 3 semanas remover o material e
expor ao sol para secagem. Os seguintes resultados com palha de arroz foram
obtidos: teor de proteína passou de 3% para 7,1%. A digestibilidade da matéria
orgânica passou de 41% para 52%. Houve aumento na ingestão de matéria seca
em 27%.
Ureia com concentrados: diversos trabalhos mostram que é necessário usar
fonte de nitrogênio proteico quando se usa ureia (melaço, farelo de algodão, farelo
de trigo e fubá de milho).
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1.2 - LINHAÇA (Linum usitatissimum)