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Goiânia, 03 de abril de 2019. Universidade Federal de Goiás Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis - 2019/1 Disciplina de Teoria da Contabilidade – Prof º Ercilio Zanolla Discente Ketlyn Alves Gonçalves Resumo: Contextualização e American Accounting Association (AAA) – ASOBAT Desde 1920 que havia uma busca por um arcabouço teórico que desse suporte à contabilidade. Segundo Stephen A. Zeff (1999), uma das primeiras tentativas de estabelecer um marco conceitual para literatura contábil foi por William Paton e John Canning. Paton publicou em 1922 um livro que fazia uma reafirmação da teoria da contabilidade consistente com as condições e necessidades da empresa e discutia uma série de suposições básicas, ou "postulados" da contabilidade, e, em 1929, Canning desenvolve e apresenta, como pioneira, uma estrutura conceitual para avaliação e mensuração de ativos, fundada explicitamente em expectativas futuras (até então o praticado era a mensuração a custo histórico). Já no caráter institucional, duas entidades contábeis estadunidenses se destacaram nesse período: a) American Institute of Certified Public Accountants – AICPA (até 1957 titulado de American Institute of Accounting – AIA) e b) American Accounting Association – AAA. O objetivo inicial era dar suporte para a SEC - Securities and Exchange Commission, criada recentemente para prescrever a forma e conteúdo das demonstrações. A AIA dá início a uma pesquisa para elaboração de uma orientação das melhores práticas para a SEC em 1935, que teve seu resultado em 1938 através monografia de Sanders, Hatfield e Moore: “Declaração de Princípios Contábeis”. De 1938 à 1939 a AIA autoriza o Comitê sobre Procedimento Contábil (CAP) a emitir Boletins de Pesquisa Contábil, pois a elaboração de uma estrutura conceitual poderia demandar um período de tempo que a SEC não esperaria. Contudo, de 1940-1950 dentro da própria CAP e entre ela e a SEC haviam desentendimentos sobre diversos assuntos contábeis, nas empresas públicas o questionamento que perpetuava era se deveria ser imposta uma uniformização de procedimentos ou deveria ser permitida a flexibilidade na escolha dos métodos contábeis, e, até então, a contabilidade era criticada por ser uma profissão sem premissas e princípios estabelecidos. O novo presidente do AIA decide por excluir a CAP e instituir o APB, com o intuito de o mesmo ser um comitê que faria recomendações sobre o papel do instituto no estabelecimento de princípios contábeis e criou ainda uma Divisão de Pesquisa Contábil para procurar postulados e princípios gerais que fundamentassem futuros pronunciamentos. Em 1961 Moonitz da AIA publica postulados básicos de contabilidade, em 3 níveis, mas foram vistos como vagos e abstratos. Em 1962 Moonitz e Sprouse publicam mais um resultado de pesquisa, que defendia o valor atual para reposição dos estoques, instalações e equipamentos, recebíveis e pagamentos em dinheiro como mensuração em detrimento do custo histórico e que os ganhos ou perdas com reavaliação fossem levados em conta para cálculo do lucro. Contudo, como a SEC acreditava que o valor atual era um potencial para enganar os leitores das Demonstrações (ao invés de se preocupar com o conteúdo informacional delas), e, ao mesmo tempo, pelo APB não estar procurando de fato um argumento normativo para mudança fundamental da contabilidade, esses estudo de Moonitz e Sprouse foram rejeitados, levando à um retrocesso na pesquisa. Entretanto, a pressão por uma postura normativa, um produto que de fato fosse a opinião do Conselho, com um status obrigatório e não como um resumo da prática aceita, aumentava ainda mais, levando em 1970 uma publicação de uma declaração dos “Conceitos Básicos e Princípios das DF’s”. Essa publicação frustrou ainda mais, pois a busca atual era de uma opinião firme do AIA, e não de mais uma declaração. A resistência por parte da AIA em fazer um conjunto de normas ou princípios, abriu brecha para que outras instituições fizessem essa tarefa. Uma delas foi a AAA - American Accounting Association, formada por acadêmicos contábeis, que, desde 1936, com a publicação no The Accounting Review de uma Declaração “Princípios Contábeis que Afetam os Relatórios Corporativos”, buscava isso. Em 1940 um desdobramento dessa declaração foi a monografia de dois dos principais acadêmicos do AAA, Paton e Littleton, intitulada como “Introdução aos Padrões Contábeis Corporativos”. Mas o principal documento de Teoria da Contabilidade emitido pelo AAA foi uma monografia, em 1966, conhecida como ASOBAT – A Statement of Basic Accounting Theory. Nele havia as mudanças importantes, como: 1- redirecionamento das virtudes relacionadas aos modelos de avaliação de ativos nas Demonstrações Financeiras para a utilidade na tomada de decisões (o melhor seria aquele que fosse o mais útil); 2- definição de contabilidade como o processo de identificar, medir e comunicar informações econômicas para permitir julgamentos e tomada de decisão dos usuários das DF’s; 3- estabelecimento de que os relatórios deveriam conter informações capazes de permitir a previsão dos lucros (uma delas é a divulgação dos ganhos anteriores juntamente com os ganhos atuais); 4- elaboração de 4 padrões básicos para informação contábil, que forneciam critérios para avaliação da mesma: relevância, verificabilidade, isenção de viés e quantificabilidade; 5-recomendação de que o relatório financeiro exibisse informações extraídas de ambos os modelos de avaliação (custo histórico e valor atual), pois apenas o custo histórico poderia excluir o impacto do ambiente externo sobre a empresa, e, apenas o valor atual esconderia o registro de transações consumadas no mercado, portanto os dois modelos deveriam vir cada qual em uma coluna, para poder haver uma comparação. Em resumo, o ASOBAT tirava a visão passiva da contabilidade, e fazia com que os relatórios fossem não apenas um registro dos atos consumados, mas uma função para algum fim, sendo o principal, a tomada de decisão dos usuários das DF’s. O ASOBAT teve grande influência no relatório emitido em 1973 pelo AICPA “Relatório do Trueblood” que trazia os objetivos das DF’s, pois grande parte de suas propostas foram por ele incorporadas, como por exemplo a de que o objetivo das Demonstrações seria fornecer informações úteis aos usuários e a de que mais de uma base de avaliação era necessária para atender o objetivo de fornecer informações úteis, sendo incrementado mais 3: custo histórico, custo de reposição, valor de saída e fluxo de caixa descontado. Além disso os 4 padrões básicos tragos pelo ASOBAT foram transformados em características qualitativas: relevância e materialidade, forma e substância, confiabilidade, liberdade de viés, comparabilidade, consistência e compreensibilidade. O ASOBAT também auxiliou de forma eficaz o FASB, criado pelo AICPA como substituto do APB, na elaboração da primeira estrutura conceitual da literatura contábil, pois o mesmo também incorporou alguns dos 4 padrões evidenciados no ASOBAT: Padrão da Relevância (A informação deve ser pertinente ou associada, de maneira útil, a ações que visem a facilitar ou aos resultados desejados); Padrão da Verificabilidade (Indivíduos qualificados, agindo independentemente, devem chegar ao mesmo resultado); Padrão da Ausência de Viés (Não favorecimento de um grupo específico de usuários) e Padrão da Quantificabilidade (Possibilidade de mensuração, não necessariamente em termos monetários). Referências: Zeff, Stephen A. The evolution of the conceptual framework for business enterprises in the united states. Accounting Historians Journal, v. 26, n. 2, december, 1999 AAA – American Accounting Association. ASOBAT – A Statement of Basic Accounting Theory