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Teorias da Contabilidade Aspectos Introdutórios da Contabilidade Percurso de Aprendizagem Unidade 1| | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Desenvolvimento do material Everton Santos Vasconcelos Copyright © 2024, Afya. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Afya. Aspectos Introdutórios da Contabilidade Para Início de Conversa... .............................. 3 Pontos de Aprendizagem .............................. 4 Aprofundando os pontos .............................. 4 Tema 1 – O papel da Contabilidade na Sociedade: Aspectos históricos, Evolução histórica e Escolas /doutrinas na história da Contabilidade e Aspectos Contemporâneos ...................................... 5 Tema 2 – Principais aspectos das pesquisas normativa e positiva em Contabilidade: Positivismo versus Normativismo: aplicação na prática contábil ............. 13 Tema 3 – Sistema Normativo Internacional e aplicação na prática contábil: IFRS, IAS, CPCs, NBCs, Informação contábil e mercado de capitais (relevância da informação contábil ou value relevance) .............. 19 Teoria na Prática ............................................ 25 Sala de Aula ..................................................... 26 Infográfico ........................................................ 27 Direto ao Ponto .............................................. 27 Referências ...................................................... 28 1 1 Para Início de Conversa... Neste percurso, vamos conhecer as origens da Contabilidade e sua relação direta com a sociedade. Logo de início faremos uma viagem aos primeiros anos em que nossos ancestrais começaram a povoar o planeta e a desenvolver técnicas que os auxiliaram a controlar gêneros para sua subsistência. Assim, conheceremos as principais escolas que nortearam os primeiros estudos sobre a Contabilidade. Aliás, você sabe quem primeiro codificou essa ciência? Em seguida, estudaremos o que levou a humanidade a desenvolver a ciência, a criar métodos de pesquisas capazes de responder algumas de suas dúvidas. Nosso foco será compreender como os métodos de pesquisa científica agiram sobre os estudos da Contabilidade. Essa ciência deve impor normas ou criá-las a partir de observações de fenômenos sociais? Por último, nos dedicaremos à compreensão da importância da informação contábil. Nesse sentido, estudaremos como modelos contábeis foram implementados em diversas nações e por que houve uma necessidade de unificar todos eles. Lembre-se: em um mundo cada vez mais globalizado, a compreensão rápida das informações é primordial. 3Teorias da Contabilidade 2 2 Pontos de Aprendizagem Diariamente estamos lidando com empresas. O contato já começa quando escolhemos um meio de transporte para nos deslocarmos para a faculdade, e continua quando combinamos um jantar com uma pessoa especial num restaurante muito bem recomendado. Da mesma forma que nos comunicamos com outras pessoas, usando a língua portuguesa ou qualquer outra que tenhamos conhecimento, as empresas também se comunicam entre elas. Uma das formas que essa comunicação ocorre é através da Contabilidade. Considerada como a “linguagem internacional dos negócios”, a Contabilidade acompanha a humanidade desde os primórdios. Ao longo do texto, apresentamos os aspectos introdutórios da Contabilidade, demonstrando de que forma ela contribuiu para o crescimento da sociedade mercantilista no decorrer da História. Dando sequência, serão apresentados também como as pesquisas acadêmicas influenciaram a evolução e a aplicação da Contabilidade no mundo corporativo. Outro ponto de destaque é o sistema normativo internacional que rege a prática contábil. A partir da segunda metade do século XX, devido aos avanços econômicos, as fronteiras entre os países permaneceram somente como convenções geográficas. Em um planeta em que países comercializavam cada vez mais entre si, a Contabilidade exerceu um papel fundamental no registro daquelas transações. Por sua vez, cada país possuía regras que nem sempre eram iguais para tratar as práticas contábeis. Nesse cenário, foi necessária a convergência dessas práticas a um só ponto. Essas mudanças foram importantes por favorecerem a avaliação das empresas no mercado de capitais. 3 3 Aprofundando os pontos A partir do século XVI a humanidade passou a viver em uma era que estudiosos classificaram como Era da Revolução Científica. O aprimoramento das técnicas de navegação fez com que surgissem novas rotas de comércio entre a Europa, a Ásia, a África e a recém-descoberta América. Os registros dessas transações deveriam ser feitos de uma forma que os valores gastos nas viagens e os ganhos obtidos com a venda dos produtos pudessem ser facilmente consultados e confrontados: houve lucro ou prejuízo? Esses registros seriam feitos mediante o uso de uma nova ciência: a Contabilidade. Ela acompanhará toda a evolução da economia e a relação dela com a sociedade, ao criar meios de divulgar informações importantes para diversos interessados. 4Teorias da Contabilidade Por outro lado, o caminho que a Contabilidade trilhou foi repleto de discussão entre estudiosos espalhados pelos quatro cantos do planeta. Cada um deles contribuiu de alguma forma para essa ciência crescer e se tornar um meio de registrar riquezas e ajudar nas tomadas de decisão. Tema 1 – O papel da Contabilidade na Sociedade: Aspectos históricos, Evolução histórica e Escolas /doutrinas na história da Contabilidade e Aspectos Contemporâneos É impossível desassociar a evolução da Contabilidade da evolução da humanidade. Nossos antepassados se valeram dessa ciência para registrar desde o armazenamento de itens para sua sobrevivência até os lucros obtidos durante as Grandes Navegações, no século XVI. A primeira codificação da Contabilidade foi feita por Luca Pacioli, em finais do século XV, na Itália. Foi justamente nesse país que os primeiros estudos contábeis ganharam força, espalhando suas teorias por toda a Europa. Graças ao crescente comércio entre as regiões descobertas no planeta, a Contabilidade passou a ser considerada como uma língua natural dos negócios. Esse papel se tornou mais relevante durante a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra do século XVIII. A partir de então, a Contabilidade deixava de se preocupar somente com as teorias, dando importância à geração de informações para a tomada de decisão. Nos séculos que se seguiram, a Contabilidade ganhou mais importância por ser considerado por muitos uma ciência que, além de registrar e armazenar dados econômico-financeiros, seria capaz de gerar relatórios para diversos usuários (investidores, entidades governamentais, financiadores etc.). A realidade latente é que é impossível realizar qualquer transação comercial sem usar a Contabilidade e suas áreas afins para auxiliar os gestores em suas análises. Nas próximas linhas, você será capaz de compreender o surgimento das teorias contábeis, como elas são importantes na atualidade, além de perceber os esforços internacionais por uma contabilidade única no mundo. Objetivos de Aprendizagem: ▪ Identificar a origem da Contabilidade; ▪ Diferenciar as escolas de Contabilidade que surgiram na Europa; ▪ Analisar o processo de convergência às normas internacionais de Contabilidade. 5Teorias da Contabilidade Conteúdo: 1.1 Origem da Contabilidade Para sabermos mais sobre a Contabilidade, sobretudo seu histórico, será preciso viajarmos para o passado em que nossos ancestrais começaram a Revolução Agrícola (Harari, 2017), deixando de serem meros caçadores-coletores. Nesse momento, nossos antepassados começaram a cultivar alimentos como trigo e arroz, como também se dedicaram ao pastoreio de animais, como ovelhas. Em todasas manhãs, esses animais deveriam ser soltos para que pudessem se alimentar. Como os primeiros criadores fariam para garantir que seu rebanho teria a mesma quantidade de indivíduos ao cair da tarde? A solução encontrada foi associar cada animal a uma pequena pedra. Assim, para cada animal que passasse pela porteira, o criador guardaria consigo uma pequena pedra. Ou seja, a quantidade de pedras, por associação, demonstraria a quantidade do rebanho. Nascia então o que podemos chamar de protocontabilidade. À medida em que os grupos humanos evoluíam, se transformando em grandes civilizações, as preocupações com as formas de se alimentar eram cada vez maiores. Nesse sentido, a humanidade teve que aprimorar seus métodos de controlar a produção de alimentos. Segundo Hendriksen e Breda (2018), escavações arqueológicas encontraram registros contábeis de impostos cobrados de agricultores do Egito Antigo, por volta de 3.000 a. C. Figura 1: Escavações arqueológicas. Fonte: Wikimedia. Ainda segundo os autores, não muito distante dali, na Mesopotâmia, os sumérios já usavam pequenas fichas de argila para fins contábeis. 6Teorias da Contabilidade 1.2 A codificação da Contabilidade Os séculos se passaram e a humanidade experimentou grandes avanços no comércio feito entre regiões bem distantes do globo. Nessa nossa viagem, devemos parar na Europa da Idade Média. Duas cidades merecem destaque nessa parada: Gênova e Veneza, na Itália. Tidas como grandes entrepostos comerciais, essas cidades também viviam uma efervescência tanto cultural quanto econômica. Segundo Hendriksen e Breda (2018), os primeiros registros de uma escrituração contábil foram encontrados em 1340, nos arquivos da cidade de Gênova. No entanto, a primeira codificação do que se tornaria a Contabilidade só ocorreria em 1494, com a publicação do livro Summa de Arithmetica, Geométrica, Proportioni et Proportionalita, do frade franciscano Luca Pacioli (Hendriksen; Breda, 2018). Apesar de ser um livro dedicado aos estudos matemáticos, a obra de Pacioli tinha um capítulo que abordava o sistema de partidas dobradas, explicado pela primeira vez. Como o conceito de números negativos ainda não era conhecido na Idade Média, as movimentações no patrimônio de uma pessoa ou empresa se dariam usando o que se convencionou chamar de lançamentos de débito e de crédito (Hendriksen; Breda, 2018). Sendo assim, agora podemos definir dois pontos importantes para o estudo da Contabilidade: Figura 2: O objeto e as partidas dobradas para a Contabilidade. Fonte: elaborado pelo autor. De forma resumida, podemos definir a Contabilidade como a ciência que estuda as variações no patrimônio de uma entidade. Variações essas registradas pelo método das partidas dobradas: para cada lançamento de débito existirá, pelo menos, um de crédito de igual valor. 7Teorias da Contabilidade A Contabilidade foi fundamental para que a economia da Idade Média fosse se desenvolvendo, uma vez que era por causa dessa ciência que comerciantes, navegadores, investidores e a própria população poderiam avaliar o crescimento, ou redução, de suas riquezas. 1.3 As escolas de Contabilidade A partir do século XV a Contabilidade foi disseminada por toda Europa (Ludícibus, 2023). Era a chamada Escola Italiana, influenciada pelos pensadores das cidades italianas de Florença, Gênova, Veneza entre outras (Ludícibus, 2023). Apesar da importante contribuição acadêmica, as ideias da Escola Italiana tinham pouca aplicação prática, permanecendo as discussões somente no mundo das ideias (Ludícibus, 2023). A hegemonia dessa escola durou até princípios do século XIX, quando cedeu sua vez para uma escola muito mais preocupada com as necessidades das empresas de então. Surgiu a Escola Europeia de Contabilidade. Para Hendriksen e Breda (2018), o cenário para a ascensão dessa escola se deu graças à Revolução Industrial, que teve início na Inglaterra do final do século XVIII. A Contabilidade foi bastante impactada pelo crescente sistema fabril. Nessa época surge o conceito de depreciação, que pode ser entendido como o registro do desgaste pelo uso de um ativo fixo. Observou-se também a importância da informação gerencial, aquela que fosse capaz de auxiliar na tomada de decisão – era o início da Contabilidade de Custos. Ludícibus (2023) destaca que estudiosos alemães também contribuíram para o desenvolvimento daquela nova escola. Para eles, à Contabilidade caberia ser considerada como um instrumento de gestão, muito mais do que somente registrar débitos e créditos em livros contábeis. Devido ao grande volume de recursos aplicados nas empresas no século XIX, investidores e bancos financiadores careciam de informações sobre a saúde financeira das companhias. Como seria inviável recorrer a todos os registros contábeis dessas organizações, a criação e divulgação de demonstrações contábeis ganhou força na Escola Europeia de Contabilidade. A partir disso, as informações financeiras que eram usadas para decisões internas passaram a ser de interesse público. As demonstrações contábeis se tornaram material indispensável para a análise de investimentos e, até mesmo, para a fiscalização de órgãos governamentais. No entanto, pairavam dúvidas sobre as mentes dos analistas: essas informações são verdadeiras? Posso confiar nelas paras minhas decisões de investimento? Para tranquilizar os usuários, foi preciso desenvolver métodos que pudessem atestar a veracidade das informações. Emergiu a Auditoria. 8Teorias da Contabilidade O termo auditoria tem origem no verbete latino audit (escutar, ouvir). Figura 3: Auditoria. Fonte: Auditoria. As técnicas de auditoria consistiam em realizar testes nas informações contábeis, verificando sua consistência e veracidade. Ao final desses testes, o auditor – o profissional responsável pela auditoria – deve emitir um parecer com suas conclusões. Esse ponto pode ser visto como o nascimento de uma nova escola de Contabilidade: a Anglo-saxônica. Nossa viagem agora sai da Europa e vai cruzar o Atlântico para aportar nos EUA. Desde meados do século XIX diversas ferrovias foram construídas para ligar os pontos mais distantes do território norte-americano. Ao encurtar distâncias, o crescimento econômico foi favorecido, algo que levou à criação de diversas indústrias, que baratearam bens e alavancaram o consumo tanto da sociedade americana quanto a de outros países. Em pouco tempo, as grandes corporações já dominavam diversos setores da economia. O crescimento das corporações americanas se deu, sobretudo, por recursos captados no mercado financeiro. Portanto, as informações financeiras auditadas eram de grande valia para os investidores. Nesse cenário que priorizava o mundo corporativo, a Escola Anglo-saxônica dedicou maior atenção ao desenvolvimento de estudos sobre os princípios contábeis e auditoria (Ludícibus, 2023). O processo de industrialização norte-americana levou à organização dos contadores em associações de classe. Em 1887, foi criada a Associação Americana de Contadores Públicos (American Association of Public Accountants – AAPA) (Hendriksen; Breda, 2018; Ludícibus, 2023). Apesar da importância inicial, a AAPA não foi uma associação pioneira a reunir os contadores. Em 1896, surgiram os Contadores Públicos Certificados (Certified Public 9Teorias da Contabilidade Accountants – CPA), que era uma associação de classe formada por contadores com certificados da universidade do estado de Nova Iorque. As diferenças entre as duas instituições levaram a AAPA a se transformar no Instituto Americano dos Contadores (American Institute of Accountants – AIA), passando a exigir dos profissionais mais requisitos educacionais. Mesmo assim, a sociedade americana via com bons olhos os contadores certificados (Hendriksen; Breda, 2018). Em 1936, num cenário em que a economia norte-americana vivia as consequências da grande depressão de 1929, o CPA se fundiu ao AIA. Desde então,passou-se a exigir que os contadores fossem certificados. Figura 4: As consequências da grande depressão de 1929: protestos dos desempregados. Fonte: Wikimedia. A próxima mudança só ocorreu em 1957, quando o AIA inseriu o termo “certificado” em sua denominação, que passou a ser Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados (American Institute of Certified Public Accountants – AICPA), nome que é usado até os dias de hoje. A Escola Anglo-Saxônica não recebeu somente as influências das faculdades e centros de pesquisas ou das associações de classe. O mercado financeiro contribuiu sobremaneira para o desenvolvimento da Contabilidade. Criada em 1934 por um ato do Congresso dos EUA, a Securities and Exchange Commission (SEC) tem, entre seus objetivos, regular a emissão de títulos para o público em geral, bem como regulamentar como as informações contábeis devem ser divulgadas. Foi essa instituição que, em 1938, discutiu e passou a permitir que os contadores formulassem princípios e procedimentos contábeis geralmente aceitos. O desenvolvimento dos EUA no pós-Segunda Guerra Mundial levou o país a se tornar a maior economia do planeta. Isso demandou que as companhias se tornassem cada vez mais atentas às necessidades de informações dos principais atores do mercado financeiro. Para isso, visando a melhorar os princípios contábeis geralmente aceitos, em 1972, foi criado o Conselho de Normas de Contabilidade Financeira (Financial 10Teorias da Contabilidade Accounting Standards Board – FASB), entidade autorizada a funcionar e reconhecida pela SEC. Para Ludícibus (2023), a despeito de toda importância exercida pelo FASB, a entidade aos poucos vem deixando de ser um órgão baseado numa doutrina regulatória de normas, enfatizando, portanto, princípios contábeis. O órgão norte-americano vai na mesma direção do Conselho Internacional de Contabilidade Financeira (International Accounting Standards Board – IASB). A Escola Anglo-saxônica, em maior ou menor grau, influenciou a Contabilidade de diversos países. No entanto, cada um deles adotava modelos contábeis distintos entre si, modelos que atendiam suas necessidades (Niyama; Silva, 2022). A partir da segunda metade do século XX, graças ao fenômeno da globalização, as grandes corporações sediadas em países desenvolvidos investiram pesadamente na distribuição de bens e serviços em escala global. Figura 5: Peso de moeda anglo-saxão-viquingue. Incorporado com um esceta datado de 720-750 e cunhado em Kent. A origem é a região do Danelaw e data do final do século VIII ao IX. Fonte: Wikimedia. Muitas das filiais passaram a atuar em países com modelos contábeis diferentes do modelo usado pela matriz. Um problema começou a surgir, no momento de reportar os resultados financeiros: um lucro obtido pela filial poderia se transformar em prejuízo para a matriz, que usava um modelo contábil diferente. Para solucionar, as demonstrações contábeis deveriam ser apresentadas à matriz convertidas ao modelo contábil do país. Esse processo, além de demorado, era bastante dispendioso. Com o passar do tempo, os países compreenderam a necessidade de uma convergência a modelo de Contabilidade internacional. A Contabilidade acompanha a humanidade desde a Revolução Agrícola. No entanto, somente milênios mais tarde é que ela começou a ser considerada como uma ciência, após a publicação da obra de Luca Pacioli, na Itália. 11Teorias da Contabilidade Foi justamente nesse país em que se iniciaram os primeiros estudos da Contabilidade, muito voltados para questões teóricas e pouco práticas, não muito se preocupando com a divulgação de informações importantes para os decisores. Com o passar dos séculos, a importância da Contabilidade cresceu juntamente com o desenvolvimento da economia global. Os investidores estavam mais interessados em informações contábeis fidedignas, o que trouxe a auditoria ao centro das tomadas de decisão. A partir da segunda metade do século XX, devido à participação das empresas nos países desenvolvidos no cenário econômico mundial, a escola Anglo-Saxônica tomou conta das empresas. Mesmo com a influência dessa escola, cada país empregava modelos contábeis diferentes, o que acabava por dificultar a interpretação das demonstrações contábeis por usuários de outros países. A solução encontrada foi a convergência a um padrão internacional de Contabilidade. " Além da sala de aula O processo de globalização que tomou o mundo, sobretudo no final do século XX, fez com que o fluxo de comércio beneficiasse grandes e médias empresas que, a partir de então, poderiam negociar com outras economias. Nesse mundo sem fronteiras comerciais, o Brasil se beneficiou com a chegada de diversas empresas. As mudanças não ficaram somente restritas à economia. A Contabilidade brasileira também teve que passar por algumas mudanças. Nos primeiros anos do terceiro milênio, o modelo contábil empregado no Brasil passou a ser influenciado pelos padrões internacionais de Contabilidade. Para compreender melhor a adesão a esse novo modelo, é interessante conhecer o contexto político e acadêmico vivido no Brasil a partir da criação do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), a partir de 2005. Este artigo dará a você a possibilidade de entender a construção do discurso que norteou o caminho para a adoção das normas internacionais de Contabilidade. Título: Construção de uma narrativa hegemônica sobre a adoção das IFRS no Brasil Páginas indicadas: 338 a 350 Referência: HOMERO, P. F. Construção de uma narrativa hegemônica sobre a adoção das IFRS no Brasil. Cadernos EBAPE.BR, v. 17, n. 2, Rio de Janeiro, abr./jun. 2019. Acesse aqui 12Teorias da Contabilidade https://www.scielo.br/j/cebape/a/tms8LCvdKtGrxhHgbytshvj/?lang=pt Tema 2 – Principais aspectos das pesquisas normativa e positiva em Contabilidade: Positivismo versus Normativismo: aplicação na prática contábil A curiosidade levou a humanidade a pensar sobre todos os fenômenos que a cercavam, procurando respostas que a fizessem compreendê-los e qual o impacto deles na existência de cada indivíduo. Essa curiosidade inata dos seres humanos, em algum ponto da história, passou a ser chamada de ciência. Por incrível que pareça, a ciência não busca por verdade absolutas, muito pelo contrário, ela procura por fatores que possam derrubar conclusões anteriores. Como em toda ciência, os estudos contábeis se desenvolveram muito desde a codificação inicial da Contabilidade ainda na Idade Média. O avanço de um planeta sem fronteiras comerciais refletiu sobremaneira nas pesquisas sobre a Contabilidade. O avanço de um planeta sem fronteiras refletiu sobremaneira nas pesquisas sobre a Contabilidade. Nesse mundo globalizado, as pesquisas no campo contábil floresceram ora tomando por base um conjunto de normas imposto de “cima para baixo” ora considerando observações empíricas para então serem criados modelos contábeis. Neste tema, conheceremos as influências das pesquisas normativa e positivista na criação de modelos contábeis. É importante aqui não se fazer qualquer juízo de valor entre esses ramos de pesquisa, pois ambos são importantes para a aplicação na prática contábil. Objetivos de Aprendizagem: ▪ Destacar a importância dos métodos de pesquisa para a criação de novas teorias contábeis; ▪ Analisar os principais métodos de pesquisa contemporâneos e a importância para o desenvolvimento da ciência; ▪ Diferenciar as influências da pesquisa normativa da pesquisa positiva na Contabilidade. Conteúdo: 2.1 A relação entre a humanidade e a ciência Os avanços alcançados pela humanidade podem ser considerados como fruto da curiosidade que está em cada humano. Alguns desses avanços são difíceis de identificar quando surgiram: quem, ou qual povo, teria inventado a roda? Talvez nunca saibamos ao certo. 13Teorias da Contabilidade O fato de ser curioso pode ter levado o homem a buscar o desconhecido, o que, aliás, aindafaz em pleno século XXI e pode-se apostar que o fará por muitos milênios ainda. Vergara (2016) postula que a ciência é uma das formas pelas quais a humanidade alcança o conhecimento. Nesse particular, a pesquisa é a atividade básica da ciência. Mesmo assim, não podemos categorizar a ciência como único meio para acessar nem o conhecimento nem a verdade (Marconi; Lakatos, 2024). O “saber popular” também é um tipo de meio de se alcançar. Enquanto esse saber é transmitido de geração para geração por meio da língua falada ou pela educação informal, o conhecimento científico é repassado para as gerações seguintes por intermédio de treinamentos específicos (Marconi; Lakatos, 2024). Neste momento, é interessante definir o que é conhecimento científico: É o tipo de conhecimento obtido através de métodos, que envolvem a observação sistemática, experimentação controlada, formulação de hipóteses, coleta de dados e análise rigorosa. Esse conhecimento é caracterizado por sua objetividade, replicabilidade e verificabilidade, sendo constantemente revisado e atualizado à medida que novas evidências são descobertas. O objetivo principal do conhecimento científico é explicar fenômenos naturais e sociais, oferecendo uma compreensão profunda e confiável da realidade. Apesar do que foi descrito, a ciência não é infalível, muito pelo contrário. O conhecimento científico surge na busca pela solução de um problema. Solução que, se encontrada, deve ser testada no que Vergara (2016) chamou de teste de falseamento. Para a autora, se a solução não fosse refutada, permaneceria como a melhor resposta ao problema até que novos estudos fossem realizados e testados também. Não se pode falar em ciência ou em pesquisa científica sem compreender o conceito de método. Para tal, imaginemos uma pessoa que deseja viajar do Rio de Janeiro para a cidade de Manaus. Ela não tem qualquer pressa para chegar àquela cidade do Amazonas. A pessoa selecionou três formas para alcançar seu objetivo: 1. viajar de avião; 2. viajar de carro; 3. Ou caminhar até a capital amazonense. Se a opção escolhida fosse a viagem de avião, a pessoa levaria cerca de 4 horas para aterrissar num aeroporto da cidade. Se a opção escolhida fosse dirigir seu próprio carro, a pessoa levaria cerca de 62 horas para alcançar o principal centro financeiro da região norte brasileira. Se a escolha fosse a caminhada, a viagem duraria cerca de 936 horas (39 dias) e muitos pares de calçados. Agora, podemos depreender do exemplo anterior que um método é um caminho que leva até um destino. A pessoa poderia chegar a Manaus de três formas distintas, que se 14Teorias da Contabilidade diferenciavam pela quantidade de tempo que tomaria. Então, assim pode-se definir o método científico: É um processo estruturado para investigar fenômenos, adquirir novos conhecimentos ou corrigir conhecimentos pré-existentes. Começa com a observação de um problema ou fenômeno. Coletam-se informações prévias e cria-se uma hipótese. A conclusão é desenvolvida com base na análise dos dados. Se suportada, a hipótese pode se tornar uma teoria; se refutada, é ajustada ou descartada. Os resultados são compartilhados com a comunidade científica para validação. Os métodos científicos como os conhecemos hoje começaram a serem desenvolvidos a partir da Idade Média. Segundo Marconi e Lakatos (2024), a partir do século XVI os assuntos que de fato importavam para a humanidade começaram a abandonar a influência do senso-comum e da religião. Naquele século, procurou-se compreender os fenômenos da natureza sob um viés embasado em evidências claras e objetivas. Dois métodos foram os precursores nessa época os métodos: de Galileu Galilei e o de Francis Bacon. Figura 6: Frontispício da Grande Instauração de Bacon e Galileu e Viviani Fonte: Wikimedia. O método de Galileu Galilei é um precursor do método científico moderno, caracterizado pela ênfase na observação sistemática, experimentação controlada e uso da matemática para descrever fenômenos naturais. Galileu defendia a importância de realizar experimentos para testar hipóteses e observar os resultados empiricamente, em vez de confiar apenas em especulações teóricas. Ele introduziu a prática de medir e quantificar observações, permitindo a formulação de leis naturais precisas e verificáveis. Galileu também promovia a repetibilidade dos experimentos, garantindo que outros cientistas pudessem verificar os resultados de forma independente. 15Teorias da Contabilidade O método de Francis Bacon refere-se aos princípios e procedimentos propostos pelo filósofo e estadista inglês Sir Francis Bacon (1561-1626) para a investigação e o conhecimento científico. Bacon é frequentemente considerado um dos fundadores da metodologia científica moderna. Alguns dos princípios centrais do método de Bacon incluem o empirismo, que enfatiza a importância da observação direta e da experimentação como bases fundamentais para o conhecimento científico. Ele também defendia o uso da indução cuidadosa e sistemática para generalizar a partir de observações particulares, além da verificação repetida e confirmação experimental das teorias como métodos cruciais. Bacon via a ciência como uma ferramenta para resolver problemas concretos e melhorar a condição humana, buscando sempre uma aplicação prática do conhecimento para o benefício da sociedade. 2.2 Métodos contemporâneos de pesquisa Na atualidade, os métodos científicos de pesquisa podem ser divididos em dois: o método indutivo e o método dedutivo. Ambos desempenham importantes papéis na construção do conhecimento científico, embora suas abordagens e processos sejam distintos. O método indutivo baseia-se na observação e na análise de dados empíricos para desenvolver generalizações e teorias. Esse método segue uma abordagem “de baixo para cima”, onde a pesquisa parte de observações específicas e tenta extrair conclusões gerais. É amplamente utilizado nas ciências naturais e sociais, em que a coleta de dados concretos é essencial para a formulação de hipóteses e teorias. O método dedutivo, por outro lado, parte de premissas ou teorias gerais para chegar a conclusões específicas. É uma abordagem “de cima para baixo”, onde a pesquisa começa com uma teoria ou hipótese e testa sua validade em casos particulares. Esse método é comum nas ciências formais, como a matemática e a lógica, e é também amplamente utilizado em outras disciplinas científicas para testar teorias existentes. Tanto o método indutivo quanto dedutivo é fundamental à pesquisa científica, cada um com suas próprias vantagens e limitações. O método indutivo é valioso para a descoberta de novas teorias e a exploração de dados empíricos, enquanto o método dedutivo é essencial para a testagem rigorosa de hipóteses e a validação de teorias estabelecidas. 16Teorias da Contabilidade Na prática científica, esses métodos frequentemente se complementam, sendo utilizados de forma integrada para garantir uma compreensão mais completa e robusta dos fenômenos estudados. A combinação de ambos os métodos permite que os pesquisadores avancem o conhecimento científico de maneira mais abrangente e precisa. 2.3 Os aspectos da pesquisa científica em Contabilidade A contabilidade, como uma ciência social aplicada, envolve diversas abordagens de pesquisa que buscam entender e melhorar as práticas contábeis. As duas principais abordagens são a pesquisa normativa e a pesquisa positiva, cada uma com suas próprias características, objetivos e métodos, influenciando a prática contábil de maneiras distintas. A pesquisa normativa tem como objetivo desenvolver normas, princípios e recomendações sobre como a contabilidade deve ser praticada. Essa abordagem baseia-se em suposições e juízos de valor, propondo uma estrutura ideal para a prática contábil. Normas e estruturas conceituais são elaborados com o intuito de garantir que as informações contábeis sejam úteis para os usuários, como investidores,gestores e reguladores. Um exemplo notável dessa abordagem é o trabalho realizado pelo FASB e pelo IASB na criação de normas contábeis, como as normas internacionais de relatórios financeiros (International Financial Reporting Standards – IFRS) e os princípios contábeis geralmente aceitos (Generally Accepted Accounting Principles – GAAP). Na prática, essas normas desenvolvidas com base em princípios normativos asseguram consistência, comparabilidade e transparência demonstrações financeiras, garantindo que as informações financeiras fornecidas sejam úteis para a tomada de decisões. Por outro lado, a pesquisa positiva visa explicar e prever o comportamento contábil com base em observações empíricas e evidências reais. Focando no “por que” e “como” as práticas contábeis são adotadas em diferentes contextos, essa abordagem analisa a relação entre variáveis contábeis e econômicas. Baseada em fatos e dados empíricos, estuda o comportamento das empresas e a escolha de políticas contábeis em resposta a incentivos econômicos, regulamentares e de mercado. A Teoria da Contabilidade Positiva (Positive Accounting Theory – PAT) é um exemplo típico dessa abordagem, onde se analisa a relação entre a escolha de políticas contábeis e o desempenho financeiro das empresas. Na prática, essa pesquisa fornece uma compreensão baseada em evidências das práticas contábeis, ajudando a prever e explicar comportamentos contábeis em resposta a 17Teorias da Contabilidade diferentes condições econômicas e regulamentares, além de identificar as implicações práticas das normas contábeis. No debate entre positivismo e normativismo na Contabilidade, o positivismo enfatiza a observação empírica e a análise objetiva dos dados para entender e prever práticas contábeis. Exemplos incluem estudos empíricos sobre como as empresas respondem a novas regulamentações contábeis ou a mudanças no ambiente econômico. Já o normativismo enfatiza a prescrição de como a contabilidade deve ser realizada com base em princípios teóricos e juízos de valor, criando normas contábeis que visam melhorar a clareza e a comparabilidade das demonstrações financeiras. Na prática contábil, as abordagens normativa e positiva se complementam, contribuindo para um sistema contábil mais robusto e eficaz. A abordagem normativa proporciona uma base estruturada e consistente para a elaboração de relatórios financeiros, enquanto a abordagem positiva oferece uma compreensão mais profunda do comportamento real das empresas, ajudando a prever e a explicar como e por que certas práticas são adotadas. A aplicação integrada das duas abordagens permite que os reguladores e os profissionais contábeis desenvolvam normas mais eficazes e práticas contábeis mais transparentes e úteis para os usuários das demonstrações financeiras. Tanto a pesquisa normativa quanto a positiva são essenciais para o desenvolvimento e a aplicação eficaz da Contabilidade. Enquanto a primeira estabelece o que deve ser feito com base em princípios e diretrizes, a segunda analisa o que realmente acontece na prática e por que, proporcionando uma visão abrangente e fundamentada do campo contábil. A integração dessas abordagens permite uma prática contábil mais adaptável e relevante, atendendo melhor às necessidades dos usuários de informações financeiras. Como toda ciência, a Contabilidade influencia e é influenciada pela sociedade em que está inserida. Dessa forma, muito de sua estrutura fundamental se alterou com passar do tempo, seguindo os preceitos tanto das pesquisas indutivas quanto das dedutivas. Nesse aspecto, o texto apresentou como as abordagens normativa e positiva contribuíram – e tem contribuído – para que a Contabilidade possa atender aos anseios do mundo corporativo desse início de milênio. Se num passado não muito distante dos dias de hoje, a Contabilidade impunha normas para gerar relatórios financeiros e atender as necessidades do Fisco, o que podemos ver na atualidade é uma Contabilidade mais voltada a compreender as necessidades informacionais dos usuários, considerando muito mais a “essência sobre a forma jurídica”. 18Teorias da Contabilidade " Além da sala de aula Para algumas pessoas, as criptomoedas serão o futuro das transações comerciais daqui a pouco tempo. Uma das características dessas moedas é serem descentralizadas, isto é, não precisam de um banco central para regular sua oferta. A primeira moeda virtual criada foi a bitcoin, em 2008, baseando suas transações numa blockchain (“cadeia de blocos”). Desde então, além de se popularizar, a bitcoin se transformou em um tipo de investimento, movimentando bilhões de dólares diariamente. No texto a seguir, os autores abordam o tratamento contábil dispensado às criptomoedas, considerando as normas internacionais de Contabilidade (IFRS), bem como os aspectos tributários aplicados a esse tipo de investimento. O objetivo principal do texto é trazer ao meio acadêmico e corporativo material para auxiliar as análises dessas moedas disruptivas. Título: Contabilização de bitcoins à luz das IFRS e aspectos tributários Páginas indicadas: 275 a 282 Referência: PELUCIO-GRECO, M. C.; SANTOS NETO, J. P.; CONSTANCIO, D. Contabilização de bitcoins à luz das IFRS e aspectos tributários. Revista Contabilidade & Finanças – USP, São Paulo, v. 31, n. 83, p. 275-282, maio/ago. 2020. Tema 3 – Sistema Normativo Internacional e aplicação na prática contábil: IFRS, IAS, CPCs, NBCs, Informação contábil e mercado de capitais (relevância da informação contábil ou value relevance) A partir do século XVIII a Inglaterra tomou para si a hegemonia do comércio mundial. Tal influência seria exercida até o início do século XX, quando do outro lado do Atlântico emergiu outra nação que passou a influenciar a economia mundial, sobretudo após a Segunda Guerra: os EUA. Na área da Contabilidade, ambas as nações desenvolveram estudos voltados para atender às necessidades dos usuários externos. De forma geral, em menor ou maior grau, os modelos contábeis empregados nos diversos países também eram voltados para aquelas necessidades. Acesse aqui 19Teorias da Contabilidade https://www.scielo.br/j/rcf/a/794TKWcfTvCnQgVZKmmgnDd/?lang=pt No entanto, em alguns países, dentre eles o Brasil, a Contabilidade recebia forte influência dos governos, interessados nos tributos que poderiam recolher. Essa influência governamental na elaboração das demonstrações contábeis causava diferenças na interpretação das informações pelas matrizes das grandes companhias, situadas em países desenvolvidos, que se valiam de outros modelos contábeis. A solução encontrada foi a criação de órgãos internacionais que pudessem desenvolver normas contábeis que poderiam ser usadas em todos os países, o que pouparia tempo nas análises e facilitaria a tomada de decisão. A seguir, apresentamos os caminhos que levaram a convergência a único modelo contábil válido para todo o mundo. Objetivos de Aprendizagem: ▪ Conhecer os principais modelos contábeis usados nos EUA e na Inglaterra, onde se praticava a escola contábil Anglo-saxônica; ▪ Descrever como a Lei nº 6.404/76 influenciou a Contabilidade brasileira; ▪ Demonstrar como a informação contábil são importantes para a tomada de decisão. Conteúdo: 3.1 Um só mundo, vários modelos contábeis. Antes da adoção generalizada das Normas Internacionais de Relatório Financeiro, os países desenvolviam e aplicavam seus próprios padrões contábeis, refletindo suas particularidades econômicas, culturais e regulatórias. Este panorama se modificou significativamente com a convergência ao IFRS, mas é crucial entender os modelos contábeis que precederam essa transição para apreciar a evolução e os desafios enfrentados no processo de harmonização contábil global. Nos Estados Unidos, o modelo contábil era regido pelo GAAP, desenvolvido pelo FASB. O GAAP americano era conhecido por sua abordagem baseada em regras detalhadas e específicas,que proporcionavam diretrizes claras para a prática contábil. A ênfase estava na precisão e na conformidade regulatória, com uma forte influência do mercado de capitais, já que o objetivo principal era fornecer informações úteis para investidores e outros usuários externos. A Inglaterra adotava um modelo contábil baseado no Common Law, caracterizado pela flexibilidade e pela ênfase na substância sobre a forma. As normas contábeis eram desenvolvidas pelo Accounting Standards Board (ASB), predecessor do atual Financial Reporting Council (FRC). O sistema inglês priorizava a divulgação de informações que refletissem a realidade econômica das transações, sendo menos prescritivo que o GAAP americano. Isso 20Teorias da Contabilidade promovia uma abordagem mais principiológica, focada em princípios gerais em vez de regras detalhadas. Figura 7: O sistema inglês priorizava a divulgação de informações. Fonte: Dreamstime. O modelo contábil brasileiro, antes da adoção das Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRS), era fortemente influenciado pelo direito continental europeu, especialmente pelas tradições contábeis da França e da Alemanha. Essa influência resultou em um sistema contábil que priorizava a conformidade fiscal e a proteção dos credores, com ênfase em normas detalhadas e prescritivas. Um marco fundamental para a contabilidade no Brasil foi a promulgação da Lei nº 6.404/76, conhecida como Lei das Sociedades por Ações (Lei das S/As). Esta lei estabeleceu as diretrizes para a contabilidade e a divulgação financeira das empresas brasileiras, especialmente aquelas de capital aberto. Essa lei teve como objetivos principais aumentar a transparência e a divulgação das informações financeiras das empresas, facilitar a tomada de decisões por parte dos investidores e outros stakeholders, proteger os interesses dos credores e investidores, garantindo que as empresas mantivessem registros contábeis precisos e confiáveis, e assegurar a conformidade com as exigências fiscais, refletindo a importância das obrigações tributárias no ambiente empresarial brasileiro. 21Teorias da Contabilidade A estrutura da lei exigia que as empresas fornecessem informações financeiras detalhadas, aumentando a transparência e facilitando a tomada de decisões por parte dos investidores e outros stakeholders. Além disso, a lei buscava proteger os interesses dos credores e investidores, garantindo que as empresas mantivessem registros contábeis precisos e confiáveis. A conformidade com as exigências fiscais era também uma prioridade, refletindo a importância das obrigações tributárias no ambiente empresarial brasileiro. A Lei das S/As introduziu diversas disposições que moldaram a prática contábil no Brasil. Entre elas, a exigência de que as empresas preparassem um conjunto completo de demonstrações financeiras, incluindo balanço patrimonial, demonstração de resultados, demonstração de lucros ou prejuízos acumulados e demonstração de origens e aplicações de recursos. A lei também incorporou princípios contábeis fundamentais, como o princípio da entidade, continuidade, competência, prudência e o regime de competência, que guiavam a elaboração das demonstrações financeiras. Além disso, as demonstrações financeiras de empresas de capital aberto precisavam ser auditadas por auditores independentes, assegurando a veracidade e a confiabilidade das informações divulgadas. Outro componente essencial introduzido pela lei foram as notas explicativas, que forneciam informações detalhadas e contextuais sobre as políticas contábeis adotadas e eventos significativos que impactavam as demonstrações. 3.2 A busca por um modelo internacional de Contabilidade O sistema normativo internacional de contabilidade refere-se ao conjunto de normas e diretrizes contábeis adotadas globalmente para padronizar a elaboração e a apresentação das demonstrações financeiras. Este sistema é composto, principalmente, pelas já mencionadas IFRS e pelas IAS, que são desenvolvidas e emitidas pelo IASB. As IFRS e IAS estabelecem princípios e regras que devem ser seguidos por empresas ao redor do mundo, independentemente do país de origem, para garantir a comparabilidade, transparência e consistência das informações financeiras. A principal função desse sistema é assegurar que as demonstrações financeiras reflitam de maneira fiel a realidade econômica das entidades, facilitando a análise e a tomada de decisões por parte de investidores, credores e outros usuários das informações contábeis. A adoção das IFRS no Brasil, a partir de 2010, representou um avanço significativo na qualidade da informação contábil disponibilizada aos participantes do mercado de capitais. A harmonização com padrões internacionais facilitou a comparabilidade das demonstrações financeiras de empresas brasileiras com suas contrapartes globais, atraindo maior interesse de investidores estrangeiros e promovendo uma maior integração do Brasil ao mercado financeiro internacional. 22Teorias da Contabilidade No Brasil, a adoção dessas normas internacionais é feita por meio do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que adaptam as IFRS ao contexto brasileiro. Essas adaptações são posteriormente integradas ao conjunto das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs), emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). No Brasil, a adoção dessas normas internacionais é feita por meio do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que adaptam as IFRS ao contexto brasileiro. Essas adaptações são posteriormente integradas ao conjunto das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs), emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). O CPC é composto por representantes de diversas entidades relacionadas à contabilidade, como o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Associação Brasileira das Companhias Abertas (ABRASCA), a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) e outras organizações do setor privado e acadêmico. 3.3 A importância da informação contábil As demonstrações financeiras, incluindo balanços patrimoniais, demonstrações de resultados, demonstrações de fluxo de caixa e notas explicativas, fornecem aos investidores uma visão detalhada da saúde financeira e do desempenho das empresas. Essas informações são essenciais para avaliar a rentabilidade, o risco e o potencial de crescimento de uma empresa, orientando decisões de compra ou venda de ações. A relevância da informação contábil, também conhecida como “value relevance”, refere- se à capacidade das informações financeiras divulgadas influenciarem os preços das ações e as decisões dos investidores. Informações contábeis precisas, transparentes e apresentadas de forma compreensível reduzem a assimetria de informações no mercado, aumentando a confiança dos investidores e melhorando a eficiência dos mercados de capitais. Além disso, a qualidade da informação contábil impacta diretamente a percepção de crédito das empresas e a sua capacidade de acessar capital no mercado. Figura 8: Informações contábeis precisas. Fonte: Dreamstime. 23Teorias da Contabilidade Para um investidor, a value relevance das informações contábeis é vital na análise de investimentos. Ao examinar detalhadamente as métricas contábeis, como receitas, despesas, lucros, ativos e passivos, um investidor pode obter insights sobre a rentabilidade atual e potencial de crescimento de uma empresa. Por exemplo, indicadores como lucro líquido e margens de lucro ajudam a determinar a eficiência operacional da empresa e sua capacidade de gerar lucros sustentáveis ao longo do tempo. A value relevance não se limita apenas ao presente, mas também inclui projeções futuras e expectativas de crescimento. Investidores buscam empresas que não apenas demonstrem bom desempenho passado, mas também tenham estratégias claras para expansão, inovação e gestão eficaz de riscos. Essas perspectivas futuras são essenciais para estimar o valor intrínseco de uma empresa e determinarse suas ações estão subvalorizadas ou sobrevalorizadas no mercado, por exemplo. A relação entre risco e retorno é um princípio fundamental no mundo dos investimentos, moldando as estratégias e decisões dos investidores em todos os mercados financeiros (Flores; Braunbeck; Carvalho, 2018). Em termos simples, o risco refere-se à possibilidade de perda financeira ou de variação nos retornos esperados de um investimento, enquanto o retorno representa os ganhos potenciais que um investidor pode obter ao aplicar seu capital. Investidores enfrentam constantemente o desafio de equilibrar esses dois aspectos ao tomar decisões de investimento. Em geral, investimentos com maior potencial de retorno tendem a estar associados a níveis mais elevados de risco. Isso ocorre porque ativos ou empresas com perspectivas de alto crescimento frequentemente carregam maior incerteza quanto ao seu desempenho futuro. Por outro lado, investimentos considerados mais seguros geralmente oferecem retornos mais modestos, refletindo um risco percebido menor. Além disso, a relação entre risco e retorno é influenciada por uma série de fatores, incluindo condições econômicas globais, políticas monetárias, mudanças regulatórias e eventos geopolíticos. Investidores devem monitorar esses elementos externos e internos que podem impactar tanto o potencial de retorno quanto o perfil de risco de seus investimentos. Nesse cenário, a relevância das informações contábeis – value relevance – no contexto de risco e retorno é evidente na forma como os investidores utilizam esses dados para calcular métricas de avaliação, como o retorno sobre o investimento (ROI), o índice preço/lucro (P/E ratio) e o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). Essas métricas ajudam a quantificar o retorno potencial de um investimento em relação ao risco assumido, permitindo uma análise comparativa entre diferentes oportunidades de investimento. 24Teorias da Contabilidade Neste tema, abordamos a padronização dos modelos contábeis só foi possível graças a uma compreensão de todos os mercados financeiros mundiais nos benefícios que um só modelo contábil traria para o fluxo de negócios. A convergência a esse novo modelo ocasionou a criação de entidade supra-setoriais capazes de pensar sobre Contabilidade até normativa, mas não se baseando na imposição de princípios. A convergência beneficiou, além das empresas atuantes no mercado globalizado, os investidores que a partir de então poderiam aplicar seus recursos em várias empresas sediadas nos mais diferentes países. Além desses benefícios, a convergência gera economia nas companhias que não precisarão adaptar suas demonstrações financeiras a diferentes modelos contábeis. " Além da sala de aula A globalização proporcionou um fenômeno bastante interessante em alguns setores econômicos: as operações em conjunto. Essa prática gerou – e ainda tem gerado – nas organizações sinergias operacionais, termos que muito mencionado nas reuniões de diretoria mundo a fora. No artigo indicado, os autores fazem um estudo sobre o tratamento contábil dedicado às operações em conjunto de empresas brasileiras. Um ponto que merece destaque é a análise da evolução da adaptação das empresas à nova realidade da contabilidade internacional. Título: Tratamento contábil das operações em conjunto no Brasil à luz das normas contábeis vigentes Páginas indicadas: 390 a 397 Referência: SARQUIS, R. W.; SANTOS, A. Tratamento contábil das operações em conjunto no Brasil à luz das normas contábeis vigentes. Revista de Contabilidade e Finanças, v. 32, v. 87, p. 390-387, set./dez. 2021. 4 4 Teoria na Prática Uma empresa brasileira em expansão precisa dos seus conhecimentos O fluxo de capitais, graças aos avanços tecnológicos, tem fluido com uma rapidez jamais vista no mundo. Na atualidade, qualquer brasileiro que esteja apreciando um dia de sol Acesse aqui 25Teorias da Contabilidade https://www.scielo.br/j/rcf/a/YFcYQ9PGpfSjY5dj4GYLBCF/?lang=pt na praia ou aproveitando o clima ameno das montanhas pode, com poucos cliques no seu smartphone, realizar investimentos nas bolsas de Nova Iorque ou de Londres. Se num passado não muito distante, companhias estrangeiras adquiriam empresas brasileiras, no início do século XXI foi a vez das empresas brasileiras fazerem aquisições de corporações nas economias mais desenvolvidas. Um exemplo a ser destacado é a rede de restaurantes de fast-food Burger King, que é de propriedade da 3G Capital, que tem como sócios três brasileiros. Imagine que você foi contratado para trabalhar como consultor numa empresa brasileira que está em franca expansão, tanto que está negociando a aquisição de uma pequena rede varejista com sede em Lisboa, Portugal. Essa rede tem como core business oferecer produtos alimentícios para brasileiros que têm saudades da culinária do seu país. A rede tem, atualmente, cinco lojas, emprega cerca de 400 funcionários e tem um grande potencial de faturamento. Os proprietários que te contrataram já são muito experientes no ramo em que atuam, mas não possuem muitos conhecimentos em normas internacionais de contabilidade. Além disso, eles ficaram sabendo que os registros contábeis da rede portuguesa estão repletos de erros e inconsistências que até já geraram multas. Os possíveis compradores, antes mesmo de fechar o negócio, gostariam de compreender a real situação contábil da empresa estrangeira. Isso é primordial para eles. Diante deste cenário, responda as seguintes questões: 1. Como você realizaria o levantamento dos registros contábeis da empresa lusitana? 2. Que tipo de análise à luz das IFRS seria possível? 3. Como você apresentaria um relatório geral para seus contratantes? 5 5 Sala de Aula Assista, nas videoaulas a seguir, um pouco mais para os seus conhecimentos da ciência contábil. Desta vez, trabalharemos com a aplicação de alguns conceitos. Veremos como a Contabilidade tem sido usada num planeta cada vez mais globalizado, como a convergência ajudou a pessoas nos mais distantes rincões do planeta terem a possibilidade de analisarem os dados financeiros de empresas globais. E ainda sobre a informação contábil, vamos conhecer o objeto e o objetivo da Contabilidade. Qual a finalidade de estudar essa ciência? Por último, será apresentada uma possível solução para o caso abordado no Teoria na Prática. Esse conteúdo está disponível em seu Percurso de Aprendizagem, no Ambiente Virtual. Clique aqui para fazer login e acesse o Sala de Aula na sua disciplina. Acesse aqui 26Teorias da Contabilidade https://afya.instructure.com/login/canvas https://afya.instructure.com/login/canvas 6 6 Infográfico O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) é uma entidade brasileira criada em 2005 com o objetivo de emitir pronunciamentos técnicos sobre procedimentos contábeis, harmonizando as normas contábeis brasileiras com os padrões internacionais, especialmente as normas IFRS. Formado por diversas entidades de classe, como o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Associação Brasileira das Companhias Abertas (ABRASCA), o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON) e outras, o CPC busca promover a convergência contábil, aumentando a transparência e a comparabilidade das demonstrações financeiras no Brasil. Suas normas são adotadas por empresas de grande porte, contribuindo para a melhoria da qualidade das informações contábeis e para a integração do mercado brasileiro ao cenário global. % $$ $ A estrutura do CPC Composição O CPC é formado por várias entidades de classe, como o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Associação Brasileira das Companhias Abertas (ABRASCA) e o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON). O processo de elaboração das normas inclui estudos, consultas públicas e análises técnicas. As normas são emitidas após ampla discussão e aprovação pelas entidades que compõem o CPC. Padrões internacionais de contabilidade As IFRS (InternationalFinancial Reporting Standards) são normas internacionais de contabilidade adotadas em mais de 140 países. A convergência às IFRS visa alinhar as práticas contábeis brasileiras com as internacionais, facilitando a comparação e a compreensão das demonstrações financeiras Benefícios da atuação do CPC As normas emitidas pelo CPC aumentam a transparência das demonstrações financeiras, fornecendo informações mais claras e precisas aos usuários. A harmonização com as IFRS permite que as demonstrações financeiras de empresas brasileiras sejam comparáveis com as de empresas internacionais, melhorando a análise e a tomada de decisões. A adoção de normas internacionais aumenta a confiança dos investidores estrangeiros, facilitando a captação de recursos e investimentos no mercado brasileiro. Impactos na Prática Contábil Grandes empresas são obrigadas a seguir as normas emitidas pelo CPC, o que garante maior uniformidade nas práticas contábeis. Exemplos de normas incluem o CPC 01 (Redução ao Valor Recuperável de Ativos) e o CPC 27 (Ativo Imobilizado). Profissionais da contabilidade precisam se manter atualizados sobre as novas normas e regulamentos. O CPC oferece cursos e treinamentos para ajudar na compreensão e aplicação das normas. Contribuições para o Desenvolvimento Econômico O CPC desempenha um papel crucial na integração do Brasil ao cenário econômico global, facilitando negócios internacionais e parcerias. A confiança gerada pela adoção de normas internacionais fortalece o mercado financeiro brasileiro, aumentando a credibilidade das empresas e do país como um todo. 7 7 Direto ao Ponto Ao longo deste percurso, exploramos os fundamentos sobre a origem da Contabilidade desde o desenvolvimento da humanidade, quando nossos ancestrais começaram a se fixar em determinados locais. 27Teorias da Contabilidade Destacamos também como a Contabilidade participou atividade do início das primeiras linhas comerciais criadas ainda na Idade Média. Estudamos também as principais escolas que deram início ao uso de métodos científicos para codificar a nova ciência. Em seguida, pudemos ver como as pesquisas normativas e positivas influenciaram os modelos contábeis pelo mundo. Ambas contribuíram na compreensão que os usuários tiveram na avaliação das mutações do patrimônio de uma entidade. Ao final, estudamos o valor da informação contábil e como ele pode ser usado para a tomada de decisão. Destacamos, também, como ocorreu o processo de convergência às normas contábeis internacionais que poderiam facilitar o fluxo de informações. Para sua autorreflexão: ▪ Você conseguiria descrever as diferenças entre as escolas contábeis europeia e a anglo-saxônica? ▪ Se você fosse investidor, qual seria a primeira informação contábil que avaliaria numa empresa? ▪ Como pudemos ver, a Contabilidade acompanha a humanidade desde os primórdios. Em tempos de inteligência artificial, como você imagina será o relacionamento entre investidores e a Contabilidade daqui a 10 anos? 8 8 Referências FLORES, E. BRAUNBECK, G., CARVALHO, N. Teoria da contabilidade financeira: fundamentos e aplicações. São Paulo: Atlas, 2018. HARARI, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade. Porto Alegre: L&PM, 2017. HENDRIKSEN, E. S.; BREDA, M. F. Teoria da Contabilidade. 1. ed [14.ª Reimpr.]. São Paulo: Atlas, 2018. LUDÍCIBUS, S. Teoria da Contabilidade: atualizada de acordo com as normas do CPC/ IASB e o CPC 00 (R2) – estrutura conceitual para relatório financeiro. 12. ed. [2.ª Reimpr.]. São Paulo: Atlas, 2023. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia científica. 8. ed. [2ª Reimp.]. Barueri: Atlas, 2024. NIYAMA, J. K.; SILVA, C. A. T. Teoria da Contabilidade. 4. ed. [2. Reimpr.]. São Paulo: Atlas, 2022. VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2016. 28Teorias da Contabilidade Aspectos Introdutórios da Contabilidade 1 Para Início de Conversa... 2 Pontos de Aprendizagem 3 Aprofundando os pontos Tema 1 – O papel da Contabilidade na Sociedade: Aspectos históricos, Evolução histórica e Escolas /doutrinas na história da Contabilidade e Aspectos Contemporâneos Tema 2 – Principais aspectos das pesquisas normativa e positiva em Contabilidade: Positivismo versus Normativismo: aplicação na prática contábil Tema 3 – Sistema Normativo Internacional e aplicação na prática contábil: IFRS, IAS, CPCs, NBCs, Informação contábil e mercado de capitais (relevância da informação contábil ou value relevance) 4 Teoria na Prática 5 Sala de Aula 6 Infográfico 7 Direto ao Ponto 8 Referências