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1 
 
OS ESTADOS DA AMAZÔNIA 
 
Acre 
 
A incorporação do Acre ao Brasil foi um fato singular na história do país: deveu-se às 
populações do Nordeste, que povoaram o território e o tornaram produtivo, repetindo proeza 
dos bandeirantes dos séculos XVI e XVII. 
A ocupação da região começou na segunda metade do século XIX, quando nordestinos 
flagelados pelas secas acorreram para lá em busca da riqueza natural dos seringais. No entanto, 
a incorporação definitiva do Acre ao Brasil se deu no começo do século XX, após décadas de 
conflitos armados e disputas diplomáticas com a Bolívia e o Peru. 
 
 
 
2 
 
O estado do Acre situa-se no sudoeste da Amazônia brasileira, na região Norte, onde ocupa 
uma área de 153.150km2. Limita-se com o estado do Amazonas, ao norte; o Peru, ao sul; a 
Bolívia, a sudeste; e o estado de Rondônia, a leste. Sua capital é Rio Branco. 
 
Geografia física 
 
Praticamente todo o 
relevo do estado do Acre 
se integra no baixo platô 
arenítico, ou terra firme, 
unidade morfológica que 
domina a maior parte da 
Amazônia brasileira. 
Esses terrenos se 
inclinam, no Acre, de 
sudoeste para nordeste, 
com topografia, em geral, 
tabular. No extremo oeste 
se encontra a Serra da 
Contamana ou do Divisor, 
ao longo da fronteira 
ocidental, com as maiores 
altitudes do estado 
(609m). Cerca de 63% 
da superfície estadual fica entre 200 e 300m de altitude; 16% entre 300 e 609; e 21% entre 
200 e 135. 
O clima é quente e muito úmido e as temperaturas médias mensais variam entre 24 e 27o C. 
As chuvas atingem o total anual de 2.100mm, com uma nítida estação seca nos meses de 
junho, julho e agosto. A floresta amazônica recobre todo o território estadual. Muito rica em 
seringueiras da espécie mais valiosa (Hevea brasiliensis), a floresta garante ao Acre o lugar de 
primeiro produtor nacional de borracha. Os principais rios do Acre, navegáveis apenas nas 
cheias (Juruá, Tarauacá, Embira, Purus, Iaco e Acre), atravessam o estado com cursos quase 
paralelos e só vão confluir fora de seu território. 
 
População 
 
É escassa a população do estado. Mais da metade concentra-se em dois municípios, Rio Branco 
e Cruzeiro do Sul. A distribuição geográfica da população, dispersa ao longo dos rios, reflete a 
dependência da navegação fluvial para as comunicações. Pouco mais da metade dos habitantes 
vive na zona rural, e cerca de sessenta por cento da população ativa ocupa-se de atividades 
extrativas. Povoações distantes entre si por dias de caminhada pela floresta e que por vezes, 
Serra do Divisor 
 
 
 
3 
 
no período das chuvas, ficam completamente isoladas, dificultam a irradiação da saúde pública. 
Dos municípios, apenas Rio Branco tem abastecimento de água encanada, mas não possui 
serviço de esgoto, o que impede o controle da disenteria amebiana endêmica. A malária é a 
maior causa de mortalidade infantil. 
Economia 
 
A economia acreana repousa na exploração de recursos naturais. O mais importante é a 
borracha, produto no qual se baseou o povoamento da região. A extração da borracha se faz ao 
longo dos rios, pois a seringueira é árvore de mata de igapó. Os tipos produzidos são caucho, 
cernambi caucho, cernambi rama e cernambi seringa. A maior parte da produção estadual cabe 
à bacia do rio Purus. Nessa região destaca-se o vale do rio Acre, que, além de possuir o maior 
número de seringueiras, é também região rica em castanheiras. A floresta acreana é também 
A capital Rio Branco 
 
 
 
 
4 
 
objeto de exploração madeireira, e a caça nela praticada parece contribuir de forma substancial 
para a alimentação local. 
A agricultura reduz-se a pequenas culturas de mandioca, feijão, cana-de-açúcar e arroz. A 
indústria de transformação compreende pouco mais que algumas serrarias e pequenas fábricas 
de rapadura e de farinha de mandioca. 
Como os rios mantêm no estado cursos 
aproximadamente paralelos, as comunicações 
entre os diversos vales se fazem pelas 
confluências, o que envolve longos percursos. 
Com a conclusão das estradas que integram a 
ligação Rio Branco-Porto Velho-Cuiabá-
Limeira, o Acre passou a contar com transporte 
rodoviário para o Sudeste do país. 
 
História 
 
As secas nordestinas e o apelo econômico da 
borracha -- produto que no fim do século XIX 
começava sua trajetória de preços altos nos 
mercados internacionais -- inscrevem-se entre 
as causas predominantes na movimentação de 
massas humanas em busca do Eldorado acreano. As penetrações portuguesas do período 
colonial já haviam atingido seus pontos máximos no Brasil durante o século XVIII. 
Consequência inevitável foi a dilatação do horizonte geográfico na direção oeste, atingindo 
terras de posse espanhola, fato que se tornou matéria dos tratados de Madri (1750) e de Santo 
Ildefonso (1777). Ambos os tratados, partindo das explorações feitas por Manuel Félix de 
Leme nas bacias do Guaporé e do Madeira, estabeleceram como linha divisória das possessões 
respectivas, na área em questão, os leitos do Mamoré e do Guaporé até seu limite máximo 
ocidental, na margem esquerda do Javari. 
O povoamento da zona, estimulado pela criação da nova capitania real de Mato Grosso (1751), 
deu-se na direção da fronteira, surgindo alguns centros importantes: Vila Bela (1752), às 
margens do Guaporé, Vila Maria (1778), no rio Paraguai, e Casalvasco (1783). Até meados 
do século XIX não se pensou em povoamento sistemático da área. Nessa época, o grande 
manancial virgem de borracha que aí se encontra atraíra o interesse mundial, provocando sua 
colonização de modo inteiramente espontâneo. 
A política econômica do império, orientada para a atividade agrário-exportadora com base no 
café, não comportava o aproveitamento e a incorporação dos territórios do extremo ocidental. 
Desse descaso resultou que no Atlas do Império do Brasil (1868), de Cândido Mendes de 
Almeida, modelar em seu tempo, não figurassem o rio Acre e seus principais tributários, 
completamente desconhecidos dos geógrafos. 
Extração de látex da seringueira 
 
 
 
5 
 
Apesar de tal política, alguns sertanistas brasileiros exploravam aquela região agreste e 
despovoada, desconhecendo se pertenciam ao Brasil, ao Peru ou à Bolívia. Assim, ainda em 
meados do século XIX, no impulso que a procura da borracha ocasionou, solicitada que era no 
mercado internacional, várias expedições esquadrinharam a área, buscando facilitar a 
instalação dos colonos. Nessa época, João Rodrigues Cametá iniciou a conquista do rio Purus; 
Manuel Urbano da Encarnação, índio mura grande conhecedor da região, atingiu o rio Acre, 
subindo-o até as proximidades do Xapuri; e João da Cunha Correia alcançou a bacia do alto 
Tarauacá. Todo esse desbravamento se deu, na maior parte, em terras bolivianas. 
As atividades exploradoras, a importância industrial das reservas de borracha e a penetração 
de colonos brasileiros na região suscitaram o interesse da Bolívia, que solicitou melhor fixação 
de limites. Após várias negociações fracassadas, em 1867 assinou-se o Tratado de Ayacucho, 
que reconhecia o uti possidetis colonial. A divisória foi estabelecida pelo paralelo da confluência 
dos rios Beni-Mamoré, em direção ao leste, até a nascente do Javari, embora ainda não fossem 
conhecidas as cabeceiras desse rio. 
 
Ocupação cearense 
 
À proporção que subia no 
mercado o preço da borracha, 
crescia a demanda e aumentava 
a corrida para a Amazônia. Os 
seringais multiplicavam-se, 
assim, pelos vales do Acre, do 
Purus e, mais a oeste, do 
Tarauacá: em um ano (1873-
1874), na bacia do Purus, a 
população subiu de cerca de mil 
para quatro milhabitantes. Por 
outro lado, o governo imperial, já 
sensível às ofertas decorrentes 
da procura da borracha, 
considerou brasileiro todo o vale 
do Purus. 
Também na segunda metade do 
século XIX registraram-se perturbações no equilíbrio demográfico e geoeconômico do império, 
com o surto cafeeiro no Sul canalizando os recursos financeiros e de mão-de-obra, em 
detrimento do Nordeste. O empobrecimento crescente dessa região impulsionou ondas 
migratórias em direção ao Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. O movimento de 
populações tornou-se particularmente ativo durante a seca prolongada no interior nordestino, 
de 1877 a 1880, expulsando centenas de cearenses, que rumaram para os seringais em busca 
de trabalho. 
Trabalhadores nordestinos na Amazônia 
 
 
 
6 
 
O avanço da migração cearense processou-se até as margens do Juruá e acelerou a ocupação 
das terras que mais tarde a Bolívia reclamaria. Os grandes leitos fluviais e a rede de seus 
tributários eram então intensamente trafegados por flotilhas de embarcações do mais variado 
porte, transportando colonos, mercadorias e material de abastecimento para os núcleos mais 
afastados. Os governos do Amazonas e do Pará logo instituíram as chamadas "casas 
aviadoras", que financiavam vários tipos de operações, garantiam créditos e promoviam o 
incentivo comercial nos seringais. 
Planta nativa, a seringueira escondia-se no emaranhado de outras árvores, igualmente nativas, 
obrigando o homem que saía no encalço da borracha a construir um verdadeiro labirinto, com 
trilhas em ziguezague na selva. Do seringal surgiu a figura humana do seringueiro, associado 
à planta para explorá-la. Seringueiro-patrão, beneficiário do crédito da casa aviadora, e 
seringueiro-extrator, aviado, por sua vez, do patrão. Um morando no barracão, sempre 
localizado à beira do rio, com aparências de domínio patriarcal, outro, na barraca, de construção 
tosca, no meio da selva. (De 1920 em diante usa-se o neologismo seringalista para designar 
o patrão.) 
Completara-se, assim, antes de findar o século XIX, a ocupação brasileira do espaço geográfico 
do Acre, onde mais de cinquenta mil pessoas formavam, no recesso da mata dos três vales 
hidrográficos, uma sociedade original, cujo objetivo único era produzir borracha. Todo esse 
labor, porém, se operava no solo da Bolívia, país que, por fatalidade da geografia, não pudera 
completar a integração social e econômica, e mesmo política e geográfica, dos extensos vales 
do Acre, do alto Purus e do alto Juruá na comunidade nacional. 
Com efeito, o artigo 1º do Tratado de Ayacucho, concluído pelo Brasil e pela Bolívia em 1867, 
mandara que a linha de fronteira fosse uma paralela tirada da foz do rio Beni com o Mamoré 
(10o20'), até encontrar a nascente do Javari. Com um adendo: se o Javari tivesse as nascentes 
ao norte dessa linha leste-oeste, a fronteira correria, desde a mesma latitude, por uma reta a 
buscar a origem principal do Javari. 
No ano de 1877, no entanto, época dos primeiros estabelecimentos de brasileiros no Acre, 
ninguém sabia por onde passava o limite previsto naquele tratado. Ignorava-se, por outra parte, 
a exata latitude da nascente do Javari. Eram problemas técnico-geográficos difíceis de solver 
com presteza, devido à falta de recursos materiais. A direção dos rios da borracha foi a trilha 
natural da conquista nordestina (sobretudo do cearense), da qual também participaram grupos 
de paraenses e amazonenses. 
 
A questão acreana 
 
Em 1890, um oficial boliviano, Juan Manuel Pando, alertou seu governo para o fato de que na 
bacia do Juruá havia mais de 300 seringais, com a ocupação dos brasileiros implantando-se 
cada vez mais rapidamente em solo da Bolívia. A penetração brasileira avançara em 
profundidade para oeste do meridiano de 64o até além do de 72o, numa extensão de mais de 
mil quilômetros, muito embora já estivessem fixadas as fronteiras acima da confluência do 
Beni-Mamoré, segundo o tratado de 1867. 
 
 
 
7 
 
Nomeou-se, em 1895, nova comissão para o ajuste da divisória. O representante brasileiro, 
Taumaturgo de Azevedo, demitiu-se após verificar que a ratificação do tratado de 1867 iria 
prejudicar os seringueiros ali estabelecidos. Em 1899, os bolivianos estabeleceram um posto 
administrativo em Puerto Alonso, cobrando impostos e lançando taxas aduaneiras sobre as 
atividades dos brasileiros. No ano seguinte, o Brasil aceitou a soberania da Bolívia na zona, 
quando reconheceu oficialmente os antigos limites na confluência Beni-Mamoré. 
Os seringueiros, alheios às tramitações diplomáticas, julgaram lesados seus interesses e 
iniciaram movimentos de rebeldia. No mesmo ano em que a Bolívia implantou administração 
em Puerto Alonso (1899), registraram-se duas sérias contestações. 
Em abril, um advogado cearense, José Carvalho, liderou uma ação armada, que culminou na 
expulsão das autoridades bolivianas. Logo depois a Bolívia iniciou negociações com um truste 
anglo-americano, o Bolivian Syndicate, a fim de promover, com poderes excepcionais 
(cobranças de impostos, força armada), a incorporação política e econômica do Acre a seu 
território. O governador do Amazonas, José Cardoso Ramalho Júnior, informado do ajuste por 
um funcionário do consulado boliviano em Belém, o espanhol Luis Gálvez de Arias, enviou-o à 
frente de contingentes militares para ocupar Puerto Alonso. 
Gálvez proclamou ali a República do Acre, tornando-se seu presidente com o apoio dos 
seringalistas. O novo estado tinha o objetivo de afastar o domínio boliviano para depois pedir 
anexação ao Brasil, a exemplo do que fizera o Texas, na América do Norte. Ante os protestos 
da Bolívia, o presidente Campos Sales extinguiu a efêmera república (março de 1900, oito 
meses após sua criação). Luis Gálvez teve que capitular e retirou-se para a Europa. 
Reinstalaram-se, então, os bolivianos na região, onde sofreram, a seguir, ataque de uma outra 
expedição que se constituíra em Manaus, com a ajuda do novo governador Silvério Néri, que 
também se opunha, nos bastidores, ao domínio da Bolívia sobre o Acre, de onde provinham, 
em forma de impostos, grandes quantias para o tesouro estadual. Composta de moços 
intelectuais, da boêmia de Manaus, a "Expedição dos Poetas" desbaratou-se após rápido 
combate em frente a Puerto Alonso (dezembro de 1900). 
 
 
 
 
8 
 
Ação de Plácido de Castro e 
intervenção diplomática. Por 
fim, comerciantes e 
proprietários no rio Acre 
resolveram entregar a chefia 
de nova insurreição a um ex-
aluno da Escola Militar de 
Porto Alegre, José Plácido de 
Castro, gaúcho de São Gabriel, 
que, à frente de um corpo 
improvisado de seringueiros, 
iniciou operações na vila de 
Xapuri, no alto Acre, e aí 
prendeu as autoridades 
bolivianas (agosto de 1902). 
Depois de combates esparsos 
e bem-sucedidos, Plácido de 
Castro assediou Puerto 
Alonso, logrando a 
capitulação final das forças bolivianas (fevereiro de 1903). 
Influíra no espírito de Plácido de Castro o fato de haver a Bolívia arrendado o território do Acre 
a um sindicato estrangeiro (chartered company), semelhante aos que operavam na Ásia e na 
África. O Bolivian Syndicate, constituído por capitais ingleses e americanos, iria empossar-se 
na administração do Acre, dispondo de forças policiais e frota armada. Representantes dessa 
companhia chegaram à vila de Antimari (rio Acre), abaixo de Puerto Alonso, mas desistiram 
da missão porque os revolucionários dominavam todo o rio, faltando pouco para o fim da 
resistência boliviana. 
Aclamado governador do Estado Independente do Acre, Plácido de Castro organizou um 
governo em Puerto Alonso. Daí por diante a questão passou à esfera diplomática.O barão do 
Rio Branco assumira o Ministério do Exterior e seu primeiro ato foi afastar o Bolivian 
Syndicate. Os banqueiros responsáveis pelo negócio aceitaram em Nova York a proposta do 
Brasil: dez mil libras esterlinas como preço da desistência do contrato (fevereiro de 1903). 
Subsequentemente, Rio Branco ajustou com a Bolívia um modus vivendi que previa a ocupação 
militar do território, até o paralelo de 10o20', por destacamentos do exército brasileiro, na 
zona que se designou como Acre Setentrional. Do paralelo 10o20, para o sul -- o Acre 
Meridional -- subsistiu a governança de Plácido de Castro, sediada em Xapuri. 
A 17 de novembro de 1903, Rio Branco e o plenipotenciário Assis Brasil assinaram com os 
representantes da Bolívia o tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil adquiriu o Acre por compra 
(dois milhões de libras esterlinas, ou 36.268 contos e 870 mil-réis em moeda e câmbio da 
época), e por troca de territórios (pequenas áreas no Amazonas e no Mato Grosso). Em 
consequência, dissolveu-se o Estado Independente, passando o Acre Meridional e o Acre 
Mapa do Tratado de Petrópolis 
 
 
 
9 
 
Setentrional a constituírem o Território Brasileiro do Acre, organizado, segundo os termos da 
lei no 1.181, de 25 de fevereiro de 1904, e do decreto 5.188, de 7 de abril de 1904, em 
três departamentos administrativos: o do Alto Acre, o do Alto Purus e o do Alto Juruá, 
chefiados por prefeitos da livre escolha e nomeação do presidente da república. 
Solucionada a parte da Bolívia, um outro caso tinha de ser resolvido com o Peru. O governo de 
Lima, alegando validez de títulos coloniais, reivindicava todo o território do Acre e mais uma 
extensa área do estado do Amazonas. Delegações administrativas e militares desse país 
tentaram estabelecer-se no Alto Purus (1900, 1901 e 1903) e no Alto Juruá (1898 e 1902). 
Os brasileiros, com seus próprios recursos, forçaram os peruanos a abandonar o Alto Purus 
(setembro de 1903). 
Rio Branco, para evitar novos conflitos, sugeriu um modus vivendi para a neutralização de 
áreas no Alto Purus e no Alto Juruá e o estabelecimento de uma administração conjunta (julho 
de 1904). Isso não impediu um conflito armado entre peruanos e um destacamento do exército 
brasileiro em serviço no recém-criado departamento do Alto Juruá. A luta findou com a retirada 
das forças peruanas. 
À luz dos títulos brasileiros e dos estudos das comissões mistas que pesquisaram as zonas do 
Alto Purus e do Alto Juruá, Rio Branco propôs ao governo do Peru o acerto de limites firmado 
a 8 de setembro de 1909. Com esse ato completou-se a integração político-jurídica do 
território na comunidade brasileira. 
 
De território a estado 
 
A organização administrativa do Acre, decretada em 1904, alterou-se em 1912, com a criação 
de mais um departamento: o do Alto Tarauacá, desmembrado do departamento do Alto Juruá. 
De 1920 até 1962, a administração do território do Acre era unificada, exercida por um 
governador, de livre escolha e nomeação do presidente da república. A constituição de 1934 
concedeu ao território o direito de ter dois representantes na Câmara dos Deputados, critério 
mantido pela constituição de 1946. Em 1957, o deputado federal José Guiomard dos Santos 
apresentou projeto que elevava o território a estado; daí resultou a lei nº 4.069, de 12 de junho 
de 1962. Dois anos depois, o governador José Augusto de Araújo teve suspensos seus direitos 
políticos. Em 1988, o assassinato do ecologista Chico Mendes abalou o país, e em 1992 foi 
morto em São Paulo o próprio governador do estado, Edmundo Pinto. 
 
Amazonas 
 
O nome Amazonas, que se transmitiu do rio à região e, depois, ao maior estado do Brasil, deve-
se ao espanhol Francisco de Orellana, que em 1541 afirmou ter combatido uma tribo de 
mulheres aguerridas. Comparou-as às amazonas, guerreiras lendárias que amputavam o seio 
direito para melhor manejarem o arco. 
 
 
 
10 
 
Cortado pela linha do equador em sua porção setentrional, o estado do Amazonas limita-se a 
leste com o Pará, ao norte com Roraima e a Venezuela, a oeste com a Colômbia e o Peru, e ao 
sul com Acre, Rondônia e Mato Grosso. É o mais extenso dos estados brasileiros, com uma área 
de 1.577.820km2, o que representa quase um quinto do território nacional. A capital é 
Manaus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
Geografia física 
 
Relevo 
Pico da Neblina 
 
Cerca de 61% da superfície do Amazonas se situam abaixo de cem metros, 32% entre 100 e 
200 metros e somente sete por cento acima dos 200m de altitude. No entanto, é no estado 
que se encontra o ponto culminante do Brasil, o pico da Neblina, com 2.994m, na serra Imeri, 
junto da fronteira com a Venezuela, no planalto cristalino. Quatro unidades compõem o quadro 
morfológico geral. O baixo platô arenítico, localmente chamado terra firme, por estar fora das 
maiores cheias, recobre, com sua vasta superfície tabular, grande parte do estado. Nele, o rio 
Amazonas e afluentes abriram grandes calhas, que preencheram parcialmente com seus 
aluviões, dando origem à segunda unidade morfológica, a planície aluvial ou várzea. Ao Norte, 
estende-se o planalto cristalino, com uma superfície ondulada, dominada por alinhamentos 
montanhosos junto à fronteira venezuelana. Na maior parte, o Amazonas é constituído por 
terrenos sedimentares recentes (do período quaternário). 
 
Climas e solos 
 
O clima é quente e chuvoso. A temperatura média anual eleva-se a cerca de 26o C e os totais 
pluviométricos a 2.500mm. Com exceção da região oriental, onde se faz sentir uma nítida 
estação seca nos meses de julho e agosto, o estado recebe chuvas durante todo o transcorrer 
do ano. Em virtude de serem intensamente lavados pelas chuvas, os solos de terra-firme são 
em geral pobres em nutrientes minerais. Já os solos de várzea, sujeitos a inundações, 
renovam-se periodicamente pela deposição de aluviões, mantendo-se férteis. 
 
 
 
12 
 
Vegetação e hidrografia 
 
A floresta equatorial, que 
reveste todo o território do 
estado, diferencia-se em dois 
tipos: a mata de terra-firme, 
onde se destaca a castanheira, 
e a mata de várzea, onde se 
destaca a seringueira. 
Registram-se ainda pequenas 
ocorrências de campos limpos, 
nas várzeas, e campos 
cerrados, nas terras firmes. 
A rede de drenagem é 
comandada pelo Amazonas, 
que, juntamente com os 
principais afluentes, mantém 
curso francamente navegável 
até os limites do estado. Ao 
longo dos rios observam-se 
numerosos lagos, entre os 
quais se destacam os de Coari, 
Badajós, Piorini e Canaçari. 
 
População 
 
A população do Amazonas é uma das mais rarefeitas do país, com densidade demográfica 
inferior a 1,4 hab./km2 no início da década de 1990. A distribuição geográfica da população 
ao longo dos rios revela dependência do transporte fluvial e preferência pelos solos de várzea. 
Cerca de dois quintos da população do estado vivem na zona rural. Essa população rural é quase 
inteiramente constituída de “caboclos”. Há grande número de nordestinos e seus descendentes, 
atraídos pelo apogeu da borracha. Portugueses, japoneses, sírio-libaneses e espanhóis formam 
um contingente de estrangeiros pequeno, mas economicamente ativo. No estado, encontram-
se 33 grupos indígenas, cuja população é cada vez menor, destruída por doenças, choques com 
civilizados e falta de elementos econômicos de sobrevivência. 
A principal cidade do estado é Manaus, que em 1980 concentrava quase metade da população 
amazonense. Além de capital político- administrativa, porto internacional e centro industrial, 
Manaus desempenha, também, em relação ao comércio e aos serviços,as funções de capital 
regional para uma vasta área, que inclui, além do estado do Amazonas, o Acre e Roraima. A 
segunda cidade do estado é Parintins, situada na margem direita do Amazonas, próximo à 
divisão com o Pará; a terceira é Manacapuru; a quarta, Itacoatiara, na margem esquerda do rio 
Meandros de um dos rios do Amazonas 
 
 
 
13 
 
e ligada a Manaus por 286km de estrada de rodagem. Todas com pouco mais de cinquenta mil 
habitantes em inícios da década de 1990. 
Economia 
 
Atividades extrativas e agropastoris. A exploração de recursos florestais assume grande 
importância no Amazonas, embora o valor global dos produtos da coleta não chegue a 
ultrapassar o dos agropastoris. O principal produto extrativo é a borracha, explorada 
principalmente nas margens dos afluentes meridionais do Amazonas (Madeira, Purus e Juruá). 
Seguem-se a castanha-do-pará, as gomas não elásticas e a piaçava. 
Entre os recursos naturais, os de origem vegetal são os mais importantes do estado e permitem 
a extração de borracha, castanha, madeira, sementes oleaginosas e fibras, ainda exploradas 
segundo métodos primários e de maneira insuficiente. As possibilidades de extração mineral 
vêm-se ampliando (ferro, manganês, linhita, cassiterita, petróleo, gás). Há referências à 
existência de argila plástica, feldspatos e calcários, no baixo Amazonas. Os rios e lagos 
amazônicos são bastante piscosos, e suas florestas abrigam variada fauna, o que garante uma 
importante atividade no setor da caça. 
As atividades agrícolas desenvolvem-se nos solos de várzea, sobretudo no trecho situado a 
jusante da embocadura do Purus. A juta, o guaraná e a mandioca são os principais produtos. 
A capital Manaus 
 
 
 
14 
 
Em valor de produção, as três culturas juntas superam a borracha. Em menor escala cultivam-
se também a banana, a cana-de-açúcar, o feijão e a laranja. Nos campos de várzea criam-se 
bovinos. 
 
Indústria e recursos minerais 
 
Praticamente todas as atividades 
fabris do estado concentram-se 
na cidade de Manaus, que conta 
com estabelecimentos de 
beneficiamento de borracha, 
castanha-do-pará e madeira, 
moinho de trigo e tecelagem de 
juta, além da refinaria de petróleo 
de Manaus. 
A Zona Franca de Manaus, que 
começou a ser implantada em 
1967, ganhou maior expressão 
como centro industrial autônomo 
a partir de 1972. O 
empreendimento contribuiu, em 
especial, para o progresso de 
Manaus. 
Entre as riquezas minerais do 
estado incluem-se ferro, 
manganês, linhita, cassiterita, 
petróleo e gás natural (bacias do médio e baixo Amazonas, respectivamente com 300.000 e 
100.000km2). 
 
Transportes 
 
O Amazonas não possui ferrovias 
 
A rede rodoviária, da qual pouco mais de um terço é pavimentado, compreende a BR-319, que 
liga Manaus a Porto Velho RO e intercepta, em Humaitá, a Transamazônica (BR-230), que 
atravessa o sul do estado; a BR-174, que liga Manaus a Boa Vista RR; e uma estrada estadual 
ligando Manaus a Itacoatiara. A maior parte do transporte é, entretanto, realizada por meio 
dos rios, que oferecem boas condições de navegabilidade. Nesse particular, destaca-se o rio 
Amazonas, que, além de grande volume de água, possui um declive muito suave, pois desde 
Benjamin Constant, na fronteira com o Peru, até a sua foz, desce apenas 65m. Essa 
circunstância permite ao porto de Manaus receber navios de grande calado. 
 
Zona Franca de Manaus 
 
 
 
15 
 
Cultura e turismo 
 
As mais importantes entidades culturais do estado são o Instituto Geográfico e Histórico do 
Amazonas, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a Academia Amazonense de Letras 
e a Associação Comercial do Amazonas, todas na capital. A Universidade Federal do Amazonas 
foi fundada em 1965. 
Das bibliotecas registradas no estado, as mais importantes, além das pertencentes às 
entidades acima, são a Biblioteca Pública do Amazonas e a Biblioteca Central da Universidade 
do Amazonas. Vários municípios, agências do IBGE e missões religiosas mantêm pequenas 
bibliotecas públicas. Entre os museus, cabe destacar o do Homem do Norte, o do Índio e o de 
Ciências Naturais. 
O único centro de atração turística do estado é a cidade de Manaus. Destacam-se na cidade, 
além do Teatro Amazonas, construído na época áurea da borracha em estilo renascentista 
italiano, os seguintes monumentos: o palácio Rio Negro, sede do governo estadual; o palácio 
Rio Branco, onde se encontra uma excelente coleção de numismática; o palácio da Justiça e do 
Comércio; o Hotel Amazonas; o edifício da Alfândega; a catedral de Nossa Senhora da 
Conceição. 
Outra atração turística consiste em passeios de barco pelos rios Negro e Amazonas, sobretudo 
na área onde se verifica o encontro das águas dos dois rios, de cores diferentes. Outros pontos 
de interesse são as piscinas naturais de Flores, Turumãzinho e Bosques; as praias fluviais de 
Ponta Negra e Cacau Pirera; e a cachoeira de Turumã Grande. A melhor época para pesca é o 
período de setembro a novembro. 
 
Folclore 
 
Entre as festas populares, as mais importantes são a folia de são Benedito, a festa de são 
Roque (16 de agosto), a festa do Divino (domingo de Pentecostes), a Alumiação (2 de 
novembro). Cabe mencionar ainda o Boi de Reis; o Boi-Bumbá (variante do bumba-meu-boi do 
Nordeste), que se realiza durante os festejos de são João; e a Meia-Lua, procissão fluvial no 
rio Amazonas. 
 
 
 
16 
 
Região de folclore 
riquíssimo, existe no 
Amazonas toda uma 
série de entidades 
lendárias de origem 
indígena, entre os 
quais há que 
destacar o urutau, 
símbolo da quietude; 
o maguapari, 
monstro das 
florestas; o boto, ser 
encantado em peixe; 
o uirapuru, pássaro 
encantado; o 
muiraquitã, talismã 
de pedras verdes; a 
boiuna, a quem são 
atribuídos os 
acontecimentos mais 
inverossímeis; o 
curupira, demônio da floresta, representado por um anão de cabeleira rubra e pés ao inverso; 
o Mapinguari, animal fabuloso, semelhante ao homem, mas todo cabeludo; o pronominarei, 
herói de um ciclo de aventuras; e o uiauara, duende assombrador. 
Símbolos do festival de Parintins: o boi caprichoso e o garantido 
 
 
 
17 
 
 
Amapá 
 
 
 
 
18 
 
Situado no extremo norte do litoral brasileiro e separado da Guiana Francesa pelo rio Oiapoque, 
o Amapá passou à condição de estado em 1988, tendo como sustentáculo econômico a extração 
de manganês, de que é o maior produtor nacional. 
Com uma área de 143.454km2, o estado do Amapá situa-se na região Norte e se limita a leste 
com o oceano Atlântico, ao norte com a Guiana Francesa e o Suriname, e ao sul com o estado 
do Pará. A capital é Macapá. 
 
Geografia física 
 
Cerca de 95% do território do Amapá encontra-se abaixo de 300m de altitude, e 72%, abaixo 
de 200m. Quatro unidades morfológicas podem ser identificadas: a planície litorânea, formada 
por terrenos baixos e alagadiços; as planícies aluviais, nos baixos e médios cursos de rios 
(várzeas); o baixo platô arenítico, estreita faixa de terrenos tabulares situada a oeste da planície 
litorânea; e o planalto cristalino, na porção central e ocidental do estado, com grandes 
extensões de colinas e morros, dominados por cristas montanhosas (serra do Tumucumaque, 
com cerca de 540m). 
 
O Amapá está sujeito 
a um clima quente 
superúmido. As 
temperaturas 
médias mensais 
oscilam entre 25 e 
26oC e os totais 
anuais de chuva 
ultrapassam 
2.500mm. A 
precariedade da 
ocupação humana 
tem permitido 
manter quase 
inalterada a floresta 
amazônica, que 
cobre a maior partedo estado. Na porção 
oriental aparecem campos limpos, que alternam com as florestas nas várzeas de rios e na 
planície litorânea; campos cerrados, no baixo platô arenítico; e manguezais, na fímbria 
litorânea. Os rios mais extensos do Amapá são o Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, 
e o Araguari; ambos correm diretamente para o oceano Atlântico. Dos tributários do Amazonas, 
o principal é o Jari, na divisa com o Pará. 
 
Serra do Tucumaque 
 
 
 
19 
 
População 
 
O Amapá é uma das unidades da federação de povoamento mais rarefeito, com menos de dois 
habitantes por quilômetro quadrado no início da década de 1990. Quase toda a população se 
encontra na porção oriental (planície litorânea e baixo platô arenítico). Apenas duas pequenas 
áreas do planalto cristalino foram efetivamente ocupadas: a região das nascentes do rio 
Caciporé (antigas minas de São Lourenço) e a região da serra do Navio (jazidas de manganês). 
Pouco mais de metade dos habitantes vive nas zonas urbanas. 
Economia 
 
O Amapá é o maior produtor nacional de manganês, minério que o estado explora desde 1957. 
As jazidas da serra do Navio foram arrendadas pela Icomi (Indústria e Comércio de Minérios 
S.A.), empresa fundada em Belo Horizonte em 1942, à qual se associou, na qualidade de 
acionista minoritária, a Bethlehem Steel Corporation, norte-americana. A Icomi paga ao 
governo do estado royalties de quatro a cinco por cento por tonelada de minério exportada. O 
porto de escoamento é o de Santana, em Macapá, ligado à serra do Navio por 194km de 
ferrovia eletrificada. Há também uma usina de pelotização. 
A capital Amapá 
 
 
 
20 
 
Antes da exploração industrial do manganês, praticava-se apenas o extrativismo primitivo e a 
pecuária extensiva. A Icomi possui modernas instalações, construiu uma estrada de ferro com 
capacidade para 700.000t de minério e 200.000t de outros produtos e um porto a que podem 
ter acesso navios de até 45.000t. 
 
Na mesma área da serra 
do Navio exploram-se, 
também, pequenas 
jazidas de cassiterita, 
columbita e tantalita. 
No município de 
Mazagão exploram-se a 
borracha e a castanha-
do-pará. 
A agricultura se 
dispersa na planície 
litorânea, margens do 
baixo platô arenítico e 
várzeas dos rios. 
Alcança certa 
concentração nas 
proximidades das 
cidades de Macapá e 
Mazagão. O principal produto agrícola é a mandioca, a que se seguem o arroz, o feijão, o milho 
e a cana-de-açúcar. A criação ocupa principalmente os campos alagadiços da planície litorânea, 
em especial os dos municípios do Amapá e Calçoene. A cultura da pimenta-do-reino foi 
introduzida recentemente. 
 
Cultura e turismo 
 
Em Macapá localiza-se o Museu Histórico e Científico Joaquim Caetano da Silva, onde se pode 
ver amostras de minérios, madeiras e plantas medicinais da Amazônia. Para banhos no rio 
Amazonas, há duas praias perto da capital: do Araxá e da Fazendinha. Nesta merece ser 
visitado também o Bosque Florestal. Em Porto de Santana, a trinta quilômetros da capital, 
pode-se fazer um passeio de barco pelo rio Amazonas e igarapés vizinhos. A oito quilômetros 
fica Curiaú, vila fundada por africanos. Pode-se conhecer também a mina e a extração de 
manganês na serra do Navio. Perto de Mazagão fica o marco zero da linha do equador. 
Em Mazagão Velho, de 6 a 10 de janeiro, realiza-se a festa de são Gonçalo, com procissão, 
festejos, ladainha e folias; e em 16 de julho, tem lugar a festa de são Tiago, com cavalhada, 
procissão e baile de máscaras. Na capital, destacam-se a festa do Marabaixo (folclore africano), 
Manganês 
 
 
 
21 
 
quarenta dias após a Semana Santa; o batuque do igarapé do Lago, de 24 de junho a 2 de 
julho; e o Boi-Bumbá, também no mês de junho. 
 
Rondônia 
 
Em 1956, por ato do Congresso Nacional, o antigo território de Guaporé recebeu o nome de 
Rondônia em homenagem ao grande desbravador da região, o marechal Cândido Mariano da 
 
 
 
22 
 
Silva Rondon, que no início do século XX estendeu as linhas do telégrafo até a fronteira oeste 
do país. 
O estado de Rondônia situa-se na região Norte do Brasil. Com uma superfície de 238.513km2, 
limita-se ao sul com a Bolívia, a leste com o estado de Mato Grosso, a oeste com o Acre, e ao 
norte com o Amazonas. A capital é Porto Velho. 
 
Geografia física 
 
Relevo 
 
Cerca de 66% da superfície do território se encontra entre 100 e 300m de altitude; trinta por 
cento, entre 300 e 800m; e quatro por cento, abaixo de 100m. Três unidades compõem o 
quadro morfológico: o planalto cristalino, o chapadão e a planície aluvial. 
O planalto cristalino ocupa a maior parte do estado. Seus terrenos ondulados, talhados em 
rochas cristalinas, constituem um prolongamento, para noroeste, da encosta setentrional do 
planalto central brasileiro. O chapadão, que se ergue sobre o planalto cristalino, tem uma 
topografia tabular cortada em terrenos sedimentares e alcança os mais elevados níveis 
altimétricos de Rondônia. 
Com forma alongada, atravessa o estado de sudeste para noroeste, com o nome, na 
extremidade noroeste, de serra ou chapada dos Parecis e serra dos Pacaás Novos. A planície 
aluvial forma uma estreita faixa de terras planas, sujeitas a inundação, que se desenvolvem ao 
longo do curso do rio Guaporé. 
 
Clima e hidrografia 
 
Predomina em Rondônia o clima tropical úmido com estação seca pouco marcada. A 
pluviosidade varia de 1.900mm, no Sul, a 2.500mm, no norte. A temperatura mantém-se 
elevada durante todo o transcorrer do ano, com médias anuais superiores a 26°C. 
Todos os rios do estado pertencem à bacia do rio Madeira, afluente do Amazonas. O chapadão 
forma o divisor de águas entre os rios que correm diretamente para o Madeira, localizados na 
parte oriental do estado, e os da região ocidental, que correm para o Mamoré e o Guaporé. 
 
Vegetação 
 
Cerca de setenta por cento da superfície de Rondônia é recoberta pela floresta pluvial 
amazônica. Os restantes trinta por cento correspondem a cerrados e cerradões que revestem a 
superfície tabular do chapadão. No entanto, causa preocupação o desmatamento, que se 
acelerou em meados da década de 1980, para a exploração de minérios. 
 
 
 
 
 
 
23 
 
População 
 
A capital Porto Velho 
 
Em 1950 o então território do Guaporé tinha uma população extremamente rarefeita, não 
passando de pouco mais de 37.000 habitantes. Quarenta anos depois, no começo da década 
de 1990, o estado de Rondônia já havia ultrapassado a marca de 1.100.000 habitantes. 
Na década de 1980 a intensa imigração fez aumentar a população de Rondônia em cerca de 
vinte por cento ao ano, índice sem precedentes na história do país e que causou sérios 
problemas ao governo estadual, incapaz de suprir de forma tão rápida as necessidades de 
assistência médica, educação e abastecimento de energia. Em algumas regiões de Rondônia 
chegou-se a constatar, em meados da década de 1980, a existência de regimes semiescravos 
de trabalho. O crescimento rápido e desordenado agravou ainda os conflitos de terra entre 
índios, posseiros e garimpeiros. 
 
 
 
24 
 
Além da capital, Porto Velho, às margens do rio Madeira, desenvolvem-se com rapidez as 
cidades de Ariquemes, Ji-Paraná, Pimenta Bueno, Guajará-Mirim, às margens do Guaporé, e 
alguns municípios novos, como Jaru, Ouro Preto do Oeste e Rolim de Moura. 
 
Economia 
 
Agropecuária 
 
Os produtos agrícolas e pastoris começaram a ganhar vulto na economia de Rondônia a partir 
da abertura da rodovia Cuiabá-Porto Velho (BR-364) em 1961. Em 1994, o estado assumiu 
um papel de liderança na região Norte comoum polo agrícola capaz de competir em pé de 
igualdade com os estados do Sul. Tornou-se um dos maiores produtores brasileiros de cacau e 
o quinto de café do país. Desenvolveram-se também as culturas de milho, feijão, algodão, soja, 
arroz, mandioca e banana. No mesmo ano, Rondônia contava com o décimo rebanho bovino do 
país. 
 
Extrativismo 
 
Em 1986, um grupo de madeireiros descobriu no meio da selva uma mina de cassiterita 
(minério de estanho), mais tarde batizada de Bom Futuro. Três anos depois, extraía-se de Bom 
Futuro dez por cento da produção mundial do minério, o que equivalia a 37% da produção 
brasileira. 
Apesar disso, no início da década 
de 1990, a indústria extrativa 
vegetal e mineral — no passado a 
principal atividade econômica do 
estado — perdeu a importância 
que tinha no conjunto da 
economia de Rondônia. Além da 
cassiterita, os produtos básicos 
da região são ouro, diamante, 
borracha, castanha-do-pará, 
poaia, couros e pescado. 
A indústria madeireira 
desenvolveu-se em função da 
abertura da BR-364, 
aproveitando o retorno dos 
caminhões. As florestas de 
Rondônia são de extraordinária 
riqueza, principalmente em 
mogno, vinhático e cerejeira. Cassiterita 
 
 
 
25 
 
Responsável pela 
criação de grande 
número de empregos 
— na derrubada das 
árvores e no preparo 
de tábuas, toras, 
caibros, postes e 
dormentes –, a 
indústria madeireira 
é, também, motivo 
de preocupação para 
os ecologistas, em 
vista das 
devastações que tem 
causado. Segundo 
análises de 
fotografias obtidas 
por satélites no 
começo da década de 
1990, trinta por 
cento das florestas 
de Rondônia já 
haviam sido 
destruídas. Para 
solucionar o problema, o governo demarcou reservas na floresta e criou incentivos ao 
reflorestamento. As madeireiras do estado passaram também a produzir compensados e 
laminados e não só vender a madeira bruta. 
Existem no estado três importantes áreas de preservação ambiental: o Parque Nacional dos 
Pacaás Novos, com uma área de 6.764.000 hectares; as Reservas Biológicas do Jaru e 
Guaporé (947.000 ha); e a Floresta Nacional de Rondônia (300.000 ha). 
 
Transportes 
 
Construída a BR-364, com 1.450km de extensão, o estado de Rondônia passou a dispor de 
ligação terrestre e direta com Cuiabá e São Paulo. Inaugurada em 1984, a rodovia livrou o 
estado da antiga dependência da ligação fluvial com Manaus e Belém. Dessa forma, a economia 
de Manaus e Belém teve de enfrentar a concorrência de São Paulo, que começou a expandir 
pelo sul da Amazônia sua área de influência. Servem ainda ao estado outras rodovias do Plano 
de Integração Nacional: a BR-319, que faz a ligação Guajará-Mirim-Abunã-Porto Velho-
Humaitá AM; e a BR-236, que liga Abunã a Rio Branco AC. 
Monte Tracoá no Parque dos Pacaás Novos 
 
 
 
26 
 
Ao ser criado o estado, os projetos de colonização desenvolvidos pelo Instituto Nacional de 
Colonização e Reforma Agrária (INCRA) abrangiam um total de 36.518 famílias inscritas, que 
aguardavam a distribuição dos respectivos lotes de terra. O afluxo de imigrantes era calculado 
na época em mil famílias por mês. As condições sanitárias da população eram ainda 
deficientes; devido sobretudo à imigração, Rondônia tem a maior incidência de malária na 
Amazônia. 
 
Tocantins 
 
Sonho alimentado durante quase dois séculos pela população que habitava o norte do antigo 
estado de Goiás, a criação do estado de Tocantins veio dar um importante impulso ao 
povoamento do centro-norte do Brasil e abriu uma nova frente de desenvolvimento rumo ao 
interior do país, numa região de economia predominantemente agropecuária. 
O estado de Tocantins, na região Norte, ocupa uma área de 278.421km2. Limita-se a oeste 
com o Pará e o Mato Grosso, ao sul com Goiás, e a leste com o Maranhão, o Piauí e a Bahia. 
Sua capital é Palmas. 
 
 
 
27 
 
Geografia física 
 
Geologia e relevo. 
 
A maior parte do estado de Tocantins encontra-se a menos de 500m de altitude e caracteriza-
se por grandes superfícies aplainadas de rochas cristalinas e sedimentares. Quatro unidades 
integram o quadro morfológico: (1) o planalto cristalino do Araguaia-Tocantins, a região mais 
elevada, que ocupa o sul do estado, com altitudes de 300 a 600m; (2) o planalto sedimentar 
do nordeste, composto por um conjunto de chapadas de arenito e lençóis de basalto na área 
limítrofe entre o Maranhão e Tocantins; (3) o planalto sedimentar do São Francisco, um vasto 
chapadão arenítico situado ao longo da divisa Tocantins-Bahia; e (4) a planície aluvial do médio 
Araguaia, entre Tocantins e Mato Grosso, uma antiga planície de inundação, com periódica 
deposição de aluviões, onde se encontra a maior ilha fluvial do mundo, a do Bananal. 
 
Clima e hidrografia 
 
Predomina no estado o clima típico de savana, com inverno seco e chuvas de verão, com médias 
termométricas que variam entre 25°C, ao norte, e 22°C, ao sul. A pluviosidade média anual é 
de 1.600mm, concentrada no período do verão. 
A rede hidrográfica do estado de Tocantins é formada principalmente pelos rios que correm 
para o rio Tocantins ou seu afluente, o Araguaia. De regime tropical, esses rios têm cheias e 
vazantes de acentuado contraste, mas não experimentam seca, pois o subsolo poroso garante 
a infiltração e o armazenamento de água. 
 
Vegetação 
 
Os campos cerrados, 
vegetação 
predominante, 
recobrem mais de 
noventa por cento do 
território do estado. 
As manchas 
florestais resumem-
se praticamente aos 
vales dos rios 
Tocantins e 
Araguaia. Neste 
último, as matas 
assumem, por vezes, 
a forma de cerradão, 
Cerrado. Vegetação típica do Tocantins 
 
 
 
28 
 
transição entre o cerrado e a floresta. 
 
População e rede urbana 
A capital Palmas 
 
Após sua criação, em 1988, Tocantins alcançou, em algumas regiões, taxas de crescimento 
superiores a vinte por cento ao ano. A população se concentra nas cidades cortadas pela rodovia 
Belém-Brasília. 
Situado no centro do país, Tocantins tornou-se importante meio de integração das regiões 
Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O norte do estado pode servir como base de povoamento da 
Amazônia e fornecedor de alimentos para a região nordeste do país. O sul de Tocantins sofre 
influência de Brasília, Goiânia e do sul da Bahia. As principais cidades do estado são 
Araguaína, Gurupi, Palmas, Miracema do Tocantins e Porto Nacional. 
 
Economia 
 
Agricultura e pecuária 
 
Predominam em Tocantins as culturas de subsistência. O principal produto é o arroz, com boas 
perspectivas de desenvolvimento devido a projetos de irrigação como o do rio Formoso, no Sul, 
 
 
 
29 
 
ligado à Belém-Brasília por 45km de estrada pavimentada. Seguem-se o milho, o feijão e a 
soja. 
A construção da rodovia Belém-Brasília impulsionou a agricultura na região, mas a 
modernização desse setor econômico, no início da década de 1990, esbarrava na enorme 
concentração da propriedade de terras no estado: menos de dez por cento do número de 
propriedades rurais correspondiam a mais de metade da área ocupada por estabelecimentos 
agropecuários. 
A ferrovia Norte-Sul, projetada para cortar a região mais pobre do estado, o vale do Tocantins, 
barateará o escoamento da produção, com a consequente redução dos preços dos fretes. No 
vale do Araguaia, a porção mais rica do estado, concentra-se a criação de gado bovino, 
destinado principalmente ao corte, e suíno. 
 
Extrativismo 
 
Entre os produtos minerais do estado de Tocantins, destaca-se o cristal de rocha. Há também 
depósitos de bauxita,calcário, cassiterita, gesso e ouro, mas o potencial mineral permanece 
inexplorado. Tem importância econômica também a extração de babaçu, mamona, pequi, 
castanha-do-pará e madeira de lei (mogno). 
 
Indústria 
 
Em 1986, das dez mil indústrias localizadas no antigo estado de Goiás, apenas 726 estavam 
no território do atual Tocantins, e a maioria processava produtos alimentícios. O índice de 
industrialização era, portanto, muito reduzido, mas a criação do novo estado atraiu grandes 
empresas para Araguaína — o principal centro industrial — e Gurupi. 
A diversificação da economia tocantinense encontra como seus principais obstáculos a 
distância do estado com relação aos grandes centros consumidores e o frágil mercado local. A 
produção industrial baseia-se em algumas empresas de médio porte e numa grande quantidade 
de microempresas. As principais atividades industriais são a fabricação de móveis, manilhas, 
telhas, tijolos, calcário, cimento, produtos metalúrgicos leves e madeiras para a construção. 
 
Energia 
 
O potencial hidrelétrico do estado, ainda não totalmente explorado, concentra-se na bacia dos 
rios Araguaia e Tocantins. No início da década de 1990, seis usinas hidrelétricas, entre as 
quais Isamu Ikeda, Lajes e Lajeado, geravam sessenta por cento da energia que abastecia o 
estado. A usina de Cachoeira Dourada, instalada no rio Paranaíba (Itumbiara GO) é outra 
importante fonte de energia para o estado. 
 
 
 
 
 
 
30 
 
Transporte 
 
O estado de Tocantins é cortado de norte a sul pela rodovia Belém-Brasília (BR-153 e BR-
226, que alcança Estreito MA). Pela BR-320, não pavimentada, tem-se acesso à região do 
Bico do Papagaio, no extremo norte do estado. As demais ligações entre os municípios do 
estado são feitas por estradas vicinais, em precárias condições de conservação. A 
Transamazônica cruza o extremo norte do estado. 
 
Cultura 
 
Entidades culturais 
 
A Universidade do Estado de Tocantins (Unitins) divide-se em vários centros regionais. Porto 
Nacional sedia os cursos de saúde pública; Araguaína, o de medicina veterinária; Miracema, os 
de administração pública e formação de professores; Gurupi, os do complexo agrícola; e 
Palmas, os cursos de engenharia e tecnologia. 
 
Monumentos 
 
Entre os principais monumentos do estado de Tocantins estão a catedral de Nossa Senhora das 
Mercês, construída em 1904 pelos padres dominicanos em Porto Nacional; a igreja de Nossa 
Senhora do Rosário dos Negros, em Natividade; e a igreja de Nossa Senhora da Consolação, 
erguida no final do século XIX, em Tocantinópolis. 
 
Turismo 
 
As paisagens naturais e as cidades históricas estimulam o desenvolvimento do turismo no 
estado. A principal atração é a ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, formada por 
uma bifurcação do rio Araguaia. Com cerca de 20.000km2, um território no qual correm 
numerosos rios e que inclui a lagoa Grande (uma das maiores do Brasil), tem pesca abundante, 
que atrai turistas do país e do exterior. 
 
 
 
31 
 
A ilha abriga o Parque Indígena do 
Araguaia, habitado por índios Carajás e 
Javaés, e, no norte, o Parque Nacional do 
Araguaia, destinado a preservar a flora e 
a fauna locais. As praias dos rios 
Tocantins e Araguaia e a lagoa da 
Confusão, perto de Cristalândia, são 
outros centros de atração. 
As principais cidades históricas são 
Porto Nacional, Natividade e Monte do 
Carmo. Natividade é considerada a 
capital cultural do estado e preserva em 
seu casario e ruas estreitas traços da 
arquitetura característica do ciclo do 
ouro (séculos XVIII e XIX). Também 
integram o circuito do turismo cultural 
do estado os garimpos de Tenente, os 
aquedutos usados na lavagem do ouro, o 
quilombo da Chapada e algumas festas 
tradicionais, como a romaria do Senhor 
do Bonfim, em Natividade. 
 
História do Estado de Tocantins 
 
Durante as lutas pela independência do Brasil, parte da elite goiana, com interesse nas áreas 
mais ao norte da província, não tem sucesso ao procurar estabelecer um governo autônomo na 
região do atual estado do Tocantins. No início do período republicano é feita nova tentativa de 
dividir Goiás. Somente na década de 1970 e na de 1980, porém, o movimento pela 
emancipação do norte goiano ganha força no Congresso Nacional. O apoio decorre, em boa 
parte, do consenso sobre a necessidade de acelerar a ocupação da área conhecida como Bico 
do Papagaio. Localizada na divisa com o Pará e o Maranhão, essa região é palco, a partir dos 
anos 1960, de violentos conflitos pela terra. Após a democratização do país, nos anos 1980, 
são viabilizadas as condições para o surgimento da nova unidade da federação. Em 5 de 
outubro de 1988, por disposição da nova Constituição federal, é criado o estado do Tocantins, 
com o desmembramento do norte de Goiás. Torna-se capital a recém-construída cidade de 
Palmas. O crescimento demográfico do estado, bem superior à média nacional, é alimentado 
pelas migrações regionais. O desenvolvimento econômico, ainda dependente do setor primário, 
é pequeno e insuficiente para atender às necessidades sociais. Por isso, Tocantins permanece 
entre os estados brasileiros com mais baixo nível de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). 
 
 
A ilha do Bananal 
 
 
 
32 
 
Roraima 
 
Geografia – Área: 224.299 km². 
Relevo: planalto no norte e depressões no sul. 
Ponto mais elevado: monte Roraima, na serra do Pacaraima (2.739,3 m). 
Rios principais: Alalaú, Branco, Catimani, Tacutu, Uraricoera. 
Vegetação: floresta Amazônica, com pequena faixa de cerrado a leste. 
Clima: equatorial a oeste, tropical a leste. 
Municípios mais populosos: Boa Vista (280.300), Rorainópolis (25.900), Alto Alegre 
(21.900), Caracaraí (18.200), Bonfim (13.500), Mucajaí (12.600), Cantá (11.500), 
Pacaraima (8.980), Uiramutã (6.950), São Luiz (6.940). Hora local: -1h. Habitante: 
roraimense. 
População – 458.800. 
Capital – Boa Vista. Habitante: boa-vistense. População: 290.300. 
 
 
 
 
33 
 
O Estado de Roraima (RR) está situado no extremo norte do país faz fronteira com a Venezuela 
e a Guiana e abriga o ponto mais setentrional do Brasil, o monte Caburaí. Cortado ao sul pela 
linha do Equador, a maior parte do território fica no Hemisfério Norte. O clima é equatorial, 
quente e úmido. Com mais de 60% de área coberta pela floresta Amazônica, o estado é o menos 
populoso do país. A influência indígena está presente na culinária e no artesanato. Em Roraima 
fica parte da reserva indígena dos ianomâmis, com 5,6 milhões de hectares. Por ter extensas 
jazidas de ouro, cassiterita e pedras preciosas, a reserva atrai garimpeiros clandestinos. 
 
Economia 
 
Roraima é o estado que menos contribui para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, com 
apenas 0,1%. Sua economia se apoia no setor de serviços. O transporte é precário, feito apenas 
pelo rio Branco, que corta o estado desde o Sul até a capital, Boa Vista, ou pela BR-174, que 
liga o estado à Venezuela, ao norte, e a Manaus, ao sul. Os mais importantes produtos agrícolas 
são mandioca, arroz, milho, laranja e banana. De 2001 para 2011, a produção de madeira, o 
principal item de exportação, triplica e atinge 85 mil metros cúbicos. A crise de energia elétrica 
era crônica em Roraima: a população convivia com constantes cortes de luz. O estado resolve 
o problema, a partir de 2001, importando energia da Venezuela, do Complexo Hidrelétrico de 
Guri-Macaguá. 
 
 
 
 
 
34 
 
Reserva Raposa/Serra do Sol 
 
O impasse quanto à homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol intensifica os 
conflitos na região em 2004.Com 1,7 milhão de hectares e 15 mil índios de cinco etnias, a 
reserva foi demarcada em 1998 e, desde então, aguarda oficialização do governo federal. Pela 
demarcação original, ficariam no interior da reserva a cidade de Uiramutã, fazendas de arroz 
e a região de fronteira com Guiana e Venezuela. O governo de Roraima, fazendeiros e até 
mesmo alguns índios defendem uma homologação descontínua, em que essas áreas se 
tornariam "enclaves brancos" dentro da reserva. O Supremo Tribunal Federal (STF) cassa as 
liminares que impediam a homologação contínua. Com isso, o governo federal confirma a 
demarcação original. 
 
Índices sociais 
 
Conflitos de terra ocorrem com frequência no estado e são apontados como a principal causa 
da alta taxa de homicídios. Em outras áreas há avanços. Roraima consegue a maior diminuição 
nos índices de mortalidade infantil do país entre 1990 e 2011: de uma taxa de 42,7 em cada 
mil nascidos vivos, o estado passa para 9,8 em cada mil nascidos vivos. 
História de Roraima 
No século XVIII, em razão do crescente interesse português pela Amazônia, intensificam-se os 
esforços de reconhecimento e ocupação da extensa área ao longo do rio Branco. Em 1752 
inicia-se a construção do Forte de São Joaquim, origem da futura capital de Roraima, Boa 
Vista. 
Durante o Império, no 
século XIX, Roraima 
permanece integrado à 
província do Amazonas, 
com população pequena 
e economia estagnada, 
baseada em fazendas de 
gado. No início da 
República, em 1904, a 
porção mais oriental de 
Roraima é alvo de 
disputa fronteiriça com a 
Guiana, então colônia do 
Reino Unido: a Questão 
do Pirara, arbitrada pelo 
rei da Itália, Vittorio 
Emanuele III. O trecho é 
dividido entre os dois países, ficando a maior parte com a Guiana. Em 1943, a área é separada 
Rio Xeruiní 
 
 
 
 
35 
 
do estado do Amazonas e transformada em território federal do Rio Branco. A decisão visa a 
impulsionar o desenvolvimento local e a garantir mais segurança para a região, considerada 
estratégica. Em 1962, o território passa a se chamar Roraima. Os recursos e os incentivos dos 
governos militares nos anos 1960 e 1970 melhoram a infraestrutura e atraem empresários 
e trabalhadores para a região. Desenvolvem-se a criação de gado de corte e a extração de 
madeira. Em consequência, ocorre acelerado crescimento populacional. Em 1988, Roraima 
torna-se estado. 
 
Pará 
 
Pará em tupi quer dizer mar. É o nome local do braço direito do rio Amazonas, que ao confluir 
com o Tocantins se alarga de maneira desmedida. Daí o nome Grão-Pará, denominação da 
capitania criada em 1616. A imagem oceânica evoca a imensidão do território e dos rios que 
sulcam a Amazônia. 
O estado do Pará situa-se na região Norte, onde ocupa uma área de 1.247.689,5 km², e é 
atravessado de oeste a leste pelo rio Amazonas, que desemboca no oceano Atlântico, no 
nordeste do estado. Limita-se ao norte com a Guiana, o Suriname e o estado do Amapá, ao sul 
com o Mato Grosso, a noroeste com Roraima, a oeste, Amazonas, e a leste com o Maranhão e 
Tocantins. Sua capital é Belém. 
 
Geografia física 
 
Geologia e relevo 
 
O relevo paraense, modesto, é formado por grandes superfícies planas ou onduladas. Cerca de 
86% do território estadual encontra-se abaixo de 300m de altitude sobre o nível do mar. Cinco 
unidades de relevo compõem o quadro morfológico: (1) a planície aluvial ou várzea; (2) o baixo 
platô terciário ou terra firme; (3) a encosta setentrional do planalto Central; (4) a encosta 
meridional do planalto das Guianas; (5) e a planície litorânea. 
A planície aluvial ou várzea estende-se ao longo do rio Amazonas e atravessa o estado de leste 
a oeste. É constituída por formações aluviais sujeitas a inundações periódicas. O baixo platô 
terciário ou terra firme, formado de terrenos sedimentares (arenitos), alarga-se, ao norte e ao 
sul da várzea, com um relevo tabular de aproximadamente cem metros de altitude. A encosta 
setentrional do planalto Central estende-se ao sul do baixo platô e seu relevo ondulado, talhado 
em rochas cristalinas, eleva-se gradativamente na direção de Mato Grosso. 
 
 
 
36 
 
A encosta sul do planalto das Guianas apresenta relevo similar e eleva-se gradativamente na 
direção da fronteira com as Guianas, ao longo da qual se ergue a serra do Tumucumaque, com 
900m de altitude. A planície litorânea é dominada pelo relevo tabular dos terraços litorâneos, 
que, batidos pelas ondas do mar, dão lugar à formação de falésias com cinco, dez e vinte metros 
de altura. Na porção oriental da ilha de Marajó observam-se os mesmos traços de relevo. Aí a 
ocorrência de inundações não provém, de modo algum, das cheias do rio Amazonas, mas do 
difícil escoamento da água das chuvas, devido à total regularidade da superfície do terraço. A 
porção ocidental da ilha, baixa e sujeita a inundação pelas águas do rio, integra-se na várzea e 
pode ser vista como um delta interior, sujeito à deposição de aluviões. 
 
 
 
37 
 
Clima 
 
É típico da região o clima quente e úmido, temperado pela chuva e pela vegetação luxuriante. 
São duas as estações, marcadas pelas precipitações pluviais: verão, de julho a novembro; e 
inverno, de dezembro a junho, época das grandes chuvas. Observa-se no Pará o clima quente 
e superúmido, só aparece em torno da cidade de Belém. Registra temperatura média anual de 
26,5o C, 2.800mm de pluviosidade e ausência de estação seca. A temperatura máxima 
absoluta beira os 35o C, em janeiro/fevereiro, e a mínima, 19o C, em setembro/outubro. 
O clima de tipo monção domina em todo o resto do estado, com temperatura média anual de 
26,4o C, pluviosidade um pouco reduzida (2.000 a 2.500mm anuais) e a presença de curta e 
mal definida estação seca, de outubro a dezembro. 
 
Hidrografia 
 
As três bacias 
hidrográficas do 
estado — a 
amazônica, a do 
Tocantins-
Araguaia e a do 
Nordeste — 
ocupam toda sua 
superfície total e 
perfazem um 
potencial 
energético de 
5.325MW. A 
rede hidrográfica 
é comandada pelo 
rio Amazonas, o 
mais caudaloso do 
planeta, com descarga equivalente a um quarto da água despejada nos oceanos por todos os 
rios do mundo. 
O aspecto físico predominante no Pará é dado pelo rio Amazonas, que atravessa 800 km do 
estado de oeste para leste, até atingir o oceano Atlântico com uma descarga que equivale a 
1/4 das águas despejadas nos oceanos por todos os rios do globo. O Amazonas recebe no 
estado do Pará, pela margem direita, fluentes de grande porte, como o Tocantins, o Xingu e o 
Tapajós. Entre os da margem esquerda, bastante menores, figuram o Jari, o Trombetas, o 
Paru, o Jamundá e o Maicuru. Nos limites com o Maranhão corre o rio Gurupi. 
. Na várzea do Amazonas, próximo à fronteira com o estado do Amazonas, encontram-se 
numerosos lagos como o Grande, o de Curaí, o de Itandeua e o do Poção. Na ilha de Marajó, 
Usina hidrelétrica de Tucuruí no rio Tocantins 
 
 
 
38 
 
existe ainda o lago Arari. Na embocadura do Amazonas encontra-se a ilha de Marajó, com 
42.964 km2. O rio Tocantins é responsável pela maior parte do caudal do rio Pará, no lado 
sul da ilha, enquanto a corrente principal do Amazonas passa ao norte. Os rios Pará e o 
Amazonas são ligados por inúmeros canais. 
 
Flora e fauna 
 
Praticamente todo o território estadual apresenta-se recoberto pela floresta amazônica, que se 
desdobra em dois tipos: a mata de terra firme, onde ocorre a castanheira; e a mata de várzea, 
onde cresce a seringueira. Registra-se ainda no Pará a ocorrência de campos limpos, nas 
várzeas de alguns dos rios ou na ilha de Marajó, e de cerrados, no baixo planaltode Santarém. 
A vegetação é rica em produtos tradicionalmente explorados e que já constituíram a base da 
economia regional: a seringueira e outras árvores produtoras do látex (sorva, maçaranduba), a 
castanheira-do-pará, as madeiras de lei, malva, palmas diversas, timbó, guaxima e outras 
fibras. Com a abertura das grandes rodovias (Belém-Brasília, Transamazônica), a floresta 
nativa foi muito devastada para a abertura de campos para agricultura e pecuária. Como no 
caso de outras regiões da Amazônia, as agressões ao meio ambiente suscitaram constantes 
denúncias e preocupações. 
A fauna do Pará é a amazônica, uma das mais ricas do mundo. A pesca, praticada em grande 
escala, é predatória e mal regulamentada. Algumas espécies de animais da região acham-se 
ameaçadas de extinção, inclusive mamíferos como a ariranha, o guará e o peixe-boi, além de 
várias espécies de tartaruga. 
 
População 
 
À medida que se constituiu, a população do Pará compôs-se principalmente de caboclos, 
resultantes da mestiçagem de índios e europeus. A partir do século XVII, acrescentou-se o 
contingente dos negros. No início da década de 1990, a densidade demográfica do estado 
permanecia muito baixa, mas observavam-se fortes desníveis populacionais entre as diversas 
áreas. 
O grau de urbanização, em 1990, ainda era reduzido, com a população dividida 
aproximadamente em partes iguais entre as áreas urbanas e a zona rural. A maior cidade é a 
capital, Belém, e as demais são bem menores: Santarém (segunda cidade do estado), Marabá, 
Altamira, Itaituba, Castanhal, Abaetetuba, Bragança, Paragominas. Belém, verdadeira 
metrópole regional da Amazônia, redistribui por toda a Amazônia alimentos e outros bens de 
consumo oriundos de outros estados e do exterior. Sob sua influência direta encontram-se 
quase todas as cidades do Pará e algumas cidades do Amazonas e de Tocantins. Escapam a 
essa influência direta, no estado, apenas alguns municípios que se servem de Santarém e 
Macapá AP. Mais de metade da mão-de-obra ocupa-se de atividades agropecuárias e 
extrativas. 
 
 
 
39 
 
 
A capital Belém 
 
Economia 
 
Agricultura e pecuária. A economia estadual organizou-se, desde os tempos coloniais, em torno 
da coleta de produtos florestais. Ao colapso econômico da borracha sucedeu-se prolongada 
crise, de que só a partir de 1930 o estado começou a se recuperar. 
A extração de madeira é uma das mais lucrativas fontes de rendas do Pará. Paralelamente, 
surgiu no estado uma economia baseada nas atividades agrícolas e pastoris, em que sobressai 
a pimenta-do-reino. Seguem-se em importância a juta, a mandioca, o arroz, a castanha e a 
borracha. A agricultura desenvolve-se em duas áreas ecológicas diferentes: a várzea e a terra 
firme. Na primeira, com solos periodicamente renovados pelas cheias do rio Amazonas, 
cultivam-se a juta, o arroz, o milho, o feijão e o coco-da-baía. 
Na terra firme, cujos solos são mais pobres por não estarem sujeitos a inundações, cultivam-
se a pimenta-do-reino e a mandioca. Essas culturas desenvolvem-se principalmente na região 
nordeste do estado (Bragança e Tomé-Açu). 
Os rebanhos de bovinos e suínos são os mais numerosos da Amazônia. A maior parte dos 
bovinos encontra-se na ilha de Marajó, onde o boi, tradicionalmente, também é animal de sela, 
 
 
 
40 
 
e onde se cria, de igual modo, uma rendosa espécie de búfalo trazida da Índia e bem ambientada 
na região. 
 
Indústria 
 
Belém concentra praticamente toda a atividade industrial do estado (produtos alimentícios, 
tecidos, minerais não-metálicos, madeira). São importantes produtos industriais, quanto ao 
valor de produção, os tecidos de juta, a madeira serrada (ou desdobrada), o cimento e vários 
tipos de bebidas. 
Energia e mineração. A produção de energia elétrica, inicialmente toda de origem térmica, 
aumentou muito com a entrada em operação das hidrelétricas de Curuá-Una e Tucuruí. 
Na década de 1970 revelaram-se, em Carajás, entre os rios Xingu e Tocantins, enormes 
reservas de ferro, alumínio, cobre, manganês, níquel, estanho e ouro. Também foram 
descobertas jazidas de manganês na bacia do rio Vermelho; de calcário, em Itaituba, Monte 
Alegre e Marabá. O ouro encontrado em Serra Pelada, onde funciona o único garimpo criado 
por lei no país, atraiu milhares de aventureiros de toda parte. Atividade exercida de forma 
primitiva e predatória, nas décadas de 1980 e 1990 causou escândalo, uma vez que vários 
rios do estado, entre os quais o Tocantins, foram contaminados pelo mercúrio despejado em 
suas águas, com graves consequências para a população e para o ecossistema. 
Também se exploram diamantes e cristal de rocha, no vale do Tocantins. Perfurações da 
Petrobrás, no médio Amazonas, revelaram um dos maiores depósitos de sal-gema do mundo. 
Em Paragominas, Trombetas, Almeirim e Carajás, há vastos depósitos de bauxita. As reservas 
de bauxita de Carajás são consideradas gigantescas. O estado conta, ainda, com expressiva 
produção de alumínio. 
 
Transportes 
 
A extensa rede hidrográfica regional oferece condições para que a navegação fluvial seja o 
principal meio de transporte. Várias são as empresas que exploram esse recurso e usam 
embarcações com nomes típicos (chata, chatinha, gaiola, vaticano etc.). O porto de Belém é o 
mais importante da região amazônica. Não existem ferrovias. Na rede rodoviária, sobressaem 
a Belém-Brasília (BR-010), a Belém-São Luís (BR-316), com 903km, e a Transamazônica 
(BR-230), ainda incompleta em seus mais de cinco mil quilômetros. 
 
Cultura 
 
Belém é sede do Museu Paraense Emílio Goeldi, de fama internacional, que efetua pesquisas 
sobre a arqueologia, a fauna, a flora e a etnologia da região amazônica. Mantém um aquário, 
horto florestal, jardim zoológico, preciosa biblioteca especializada e notáveis coleções 
arqueológicas, etnográficas e artísticas tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico 
Nacional. Edita publicações científicas de alto nível, internacionalmente prestigiadas. 
 
 
 
41 
 
Outros grandes museus da 
capital paraense são os do 
Instituto Histórico e 
Geográfico do Pará e o do 
Instituto de Antropologia e 
Etnologia do Pará. As 
principais bibliotecas são a 
Biblioteca e Arquivo Público 
(45.000 volumes e 
200.000 manuscritos) e a 
da Universidade Federal do 
Pará (quarenta mil volumes). 
 
Instituições e monumentos 
 
O Patrimônio Histórico e 
Artístico Nacional tombou os 
seguintes monumentos, na 
capital do estado: o Palácio Velho, na travessa Dom Bosco; a Casa Azul, no largo do Palácio; a 
Casa do Barão de Guajará, na praça Pedro II — hoje sede do Instituto Histórico e Geográfico do 
Pará; a Catedral de Nossa Senhora das Graças; as igrejas de Nossa Senhora do Carmo (século 
XVII), de Nossa Senhora das Mercês (século XVII), Nossa Senhora do Rosário e São João 
Batista; a igreja de Santo Alexandre e o antigo Colégio dos Jesuítas, anexo — hoje Palácio 
Arquiepiscopal (século XVII). Também é tombada a igreja da Madre de Deus, em Vigia. 
Além dos monumentos tombados, outros são dignos de registro: o Forte do Castelo, primeiro 
marco da fundação da cidade (século XVII); a igreja de S. Francisco Xavier, onde pregou o padre 
Antônio Vieira; a basílica de Nazaré, construída no início do século XX, onde fica a lendária 
imagem de Nossa Senhora de Nazaré, cultuada no estado desde o século XVII e que figura na 
famosa procissão do Círio, instituída em 1793; o Palácio Lauro Sodré, sede do governo do 
estado, do arquiteto Antônio José Laredo e inaugurado em 1771; o Paço Municipal; e o 
Memorial da Cabanagem, no quilômetro zero da BR-316. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Feira doVer-O-Peso 
 
 
 
42 
 
Turismo e folclore 
 
Os principais pontos de atração no estado 
situam-se na cidade de Belém. A beleza da 
capital, com suas ruas arborizadas com 
mangueiras, seus edifícios antigos, suas 
igrejas, o Teatro da Paz, o famoso 
mercado do cais de Ver-o-Peso — onde se 
encontram os mais variados produtos 
regionais –, o Bosque Municipal 
Rodrigues Alves — com lago, aquário, 
orquidário e aves da região –, a Cidade 
Velha, cujos solares têm fachadas de 
azulejos portugueses, o Mercado Público 
de São Brás, tudo constitui atração para o 
turista. Visitas à Universidade Federal do 
Pará e ao Museu Paraense Emílio Goeldi 
completam os atrativos da capital. 
Nas vizinhanças de Belém assinalam-se 
os balneários fluviais de Mosqueiro, 
Salinópolis, Outeiro, Chapéu Virado, 
Farol, Murubira e Ariramba. A caça e a 
pesca ainda se praticam em todo o estado, 
sobretudo na ilha de Marajó, mas nas 
últimas décadas a consciência ecológica, 
com suas muitas campanhas de 
preservação da natureza e da floresta 
amazônica, levou a crescentes restrições 
da caça e aos primeiros passos de uma 
efetiva regulamentação da pesca. 
A grande festa religiosa em todo o Norte-
Nordeste é a de N. S. de Nazaré, em 
outubro, quando se realiza a procissão do 
Círio, que atrai multidões de fiéis e turistas. Mantêm-se várias tradições populares, tais como 
o boi de Reis, o boi-bumbá (variante do bumba-meu-boi), a marujada e o carimbó, em cidades 
do interior do estado. 
O estado possui cozinha típica, com uma variedade de pratos em que predomina a influência 
indígena, como o famoso pato ao tucupi, o tacacá, as casquinhas de siri, o peixe moqueado no 
tucupi, o açaí (bebida preparada com o coco de açaí), o refresco e o doce de cupuaçu. 
 
Pará histórico 
Mosqueiro e as praias de rios com ondas 
Festa religiosa do Círio de Nazaré 
 
 
 
43 
 
 
O Estado do Pará é o segundo maior estado do Brasil, está situado na região Norte, cortado 
pela linha do equador e pelo rio Amazonas. É limitado ao norte pela Guiana, o Suriname e o 
estado do Amapá, a nordeste pelo oceano Atlântico, a leste pelos estados do Maranhão e de 
Tocantins, ao sul pelo estado do Mato Grosso e a oeste pelo estado do Amazonas, tendo a 
superfície de 1.247.689,5 km², que corresponde a 14% da área nacional, e como capital 
a cidade de Belém, maior porto da Amazônia. 
 
Localização: Região: Norte 
 
Estados limítrofes: Amazonas, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Amapá e Roraima. 
 
Capital: Belém 
 
Área Total: 1.247.689,5 km² (2º no Brasil). 
População (2017): 8 513 497 hab. (9º) 
Densidade: 6,7 hab./km² (21º). 
Economia (2018): 
PIB (2018) R$130.883.000 (11º) 
PIB per capita: (2018) R$16,009.98 (22º). 
Indicadores 
 
Esper. de vida (2018) 72,1 anos (22°) 
Mort. Infantil (2016) 15,68‰ nasc. (11º) 
Alfabetização (2010) 88,8% (16) 
IDH (2017) 0,646 (24º) 
Esperança de vida: 71,4 anos (13º) 
Mortalidade infantil: 25,2/mil nasc. (15º) 
Analfabetismo (2017) 8,6% (16º) 
População abaixo da linha de pobreza (2017) 46% 
Etnias: brancos (21,6%), negros (3,4%), pardos 
(74,8%), amarelos ou indígenas (0,2%). 
 
 
 
 
44 
 
Bandeira do Pará. 
 
História e memória 
 
Só em finais do século XVI, com a união das 
monarquias ibéricas (1580-1640), o território 
do atual Pará, que pertencia à Espanha pelo 
Tratado de Tordesilhas, começou a ser 
colonizado. E esse impulso foi dado, 
principalmente, porque a foz do Amazonas estava sendo ocupada por holandeses, ingleses e 
franceses que fizeram fortes e pequenos núcleos para exploração das “drogas do sertão” 
(madeiras, animais silvestres etc.). Após a expulsão dos franceses da ilha de São Luís, no 
Maranhão, o governo português fundou o forte de Presépio, origem da futura Belém, em 12 
de janeiro de 1616. A criação do estado do Grão-Pará e Maranhão, separado do estado do 
Brasil em 1621, incentivou não só a coleta das “drogas do sertão”, mas o cultivo da cana, do 
algodão, do café e do cacau e a vinda de colonos. Provocou ainda a catequese da imensa 
população indígena, com a instalação de várias ordens religiosas. Muitos conflitos entre 
missionários e colonos se deram pela exploração da mão-de-obra indígena, motivando a prisão 
e expulsão do padre Vieira em 1661. Mais tarde foi criada a Cia. Geral do Comércio do Grão-
Pará e Maranhão, para fomento da região com a introdução de escravos negros. 
Como os conflitos perduravam, Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de 
Pombal expulsou os jesuítas e publicou o Diretório dos Índios (1758), proclamando a primazia 
da autoridade civil sobre as missões. O século XVIII foi de grande progresso para o Pará, com 
a vinda de muitos açorianos e a elevação de vários núcleos à categoria de vilas. No século XIX, 
depois da independência, a Província do Pará viu-se envolvida em conflitos armados como a 
Cabanagem, que chegou a proclamar a separação do restante do Brasil. No fim do século 
passado e primeiro quartel do século XX, a exploração da borracha deu um enorme impulso 
econômico à região, que teve pouca duração ao não conseguir concorrer com a produção 
asiática. 
 
 
Brasão do Pará. 
 
 
 
 
45 
 
Desenvolvimento atual 
 
A estagnação econômica que se seguiu à queda da borracha só foi interrompida com a política 
governamental de criação de órgãos públicos especialmente voltados para a Amazônia. Em 
1953, criou-se a Superintendência do Plano de Valorização da Amazônia (SPVA), com a 
alocação de volumosos recursos e elaboração de projetos. Na década de 70, a abertura de 
grandes rodovias (Belém-Brasília e Transamazônica) e a criação de núcleos agrícolas 
procuraram integrar a região às outras do país e fomentar o povoamento. A descoberta de 
imensas jazidas minerais na região da serra dos Carajás, principalmente de ouro e ferro, tem 
deslocado nova frente populacional do Nordeste e de outras regiões do país e provocado muitos 
conflitos sociais. Manganês na bacia do rio Vermelho, afluente do Itacaiuna, bauxita no vale 
do Trombetas, calcário em Itaituba e Marabá e sal-gema no médio Amazonas são as grandes 
riquezas da região. O estado é marcado pelas indústrias extrativas minerais já citadas, pela 
extração de madeiras, pela pecuária de bovinos e de búfalos, pela agricultura de arroz, juta, 
plantas oleaginosas, mandioca, pimenta-do-reino e sisal e pela extração da castanha-do-pará 
e da borracha. 
 
A Capital paraense 
 
Belém é a capital do Estado do Pará, situado no norte do Brasil, e o principal porto do curso 
inferior do rio Amazonas, perto do equador, no estuário do rio Pará, braço do Amazonas. No 
porto podem atracar navios transatlânticos e nele existe uma base naval. Fundada em 1616 
pelos portugueses, Belém deve sua importância comercial à abertura do Amazonas ao comércio 
internacional, no final do século XIX, e ao período de auge da borracha, entre 1890 e 1920, 
quando firmou sua posição de grande intermediário exportador das riquezas amazônicas e 
importador da enorme variedade de produtos europeus que os donos de seringais e fazendas 
consumiam. 
Bandeira de Belém do Pará 
 
 
 
46 
 
Na época da borracha a cidade se modernizou calçando suas ruas, abrindo esgotos, instalando 
a eletricidade e os primeiros sistemas de transporte coletivo urbano, além de embelezar-se 
com edifícios públicos como o Teatro da Paz. Ao período de relativa decadência provocado pelo 
fim do boom da borracha seguiu-se, nos anos 50, uma retomada do desenvolvimento que se 
manteve com diferentes ritmos até 
hoje, quandoBelém se firma como 
centro de serviços e financeiro 
para toda a região Norte. 
A borracha continua sendo um dos 
principais produtos de exportação. 
Outros produtos importantes são 
as castanhas, o cacau, a juta e as 
madeiras nobres da região. Na 
cidade existem serrarias, lojas de 
máquinas, estaleiros e fábricas de 
ladrilhos e telhas. 
Atualmente, Belém combina 
moderna edificação e hotéis de 
nível internacional com os prédios 
e fortificações que datam do 
período colonial. A cidade, centro 
cultural da região Norte do Brasil, 
é sede da Universidade Federal de 
Pará (1957) e do Museu Emílio 
Goeldi, que guarda coleções zoológicas e etnológicas do Amazonas famosas no mundo inteiro, 
além do Instituto Agronômico do Norte, especializado em pesquisar as formas de 
desenvolvimento agropecuário mais adequadas às características da Amazônia. 
Belém tem uma íntima ligação com a floresta, como podemos observar na intensa arborização 
do centro da cidade, coberto por verdadeiros túneis de mangueiras. No perímetro urbano, há 
diversos bosques, parques zoobotânicos e florestas, dentre os quais se destacam o Bosque 
Rodrigues Alves e o parque do Museu Paraense Emílio Goeldi, este último com mais de 100 
anos de existência. O último parque a ser criado, o Parque Ambiental de Belém, fica na Floresta 
do Utinga. A cidade também mantém registros de sua forte ligação com os povos indígenas, 
mantendo espaços nos quais se podem encontrar peças genuínas da cerâmica marajoara e 
tapajônica. 
Em Belém também se situa o Mercado de Belém, também chamado de "Ver-o-Peso", foi 
construído no século XIX, período áureo da extração da borracha. Localiza-se em Belém, estado 
do Pará. Em 1866, foi inaugurada uma linha inglesa de navegação entre Liverpool e a capital 
paraense. As transações comerciais se acentuaram e foi necessário construir um mercado para 
atender à demanda de comerciantes ingleses, alemães e norte-americanos. O mercado segue 
o estilo neoclássico, da belle époque brasileira, e as estruturas de ferro que o sustentam foram 
Prefeitura municipal de Belém, Palácio Antônio Lemos. 
 
 
 
 
47 
 
importadas da França. Também de ferro rendilhado são os pórticos e os detalhes da fachada, 
com desenho de folhas rendilhas. A escadaria central, vazada, acentua o valor arquitetônico do 
projeto atribuído ao engenheiro francês Eiffel. 
 
Centros científicos de pesquisa 
 
A Universidade Federal do Pará (UFPA), instituição pública de ensino superior fundada em 
1957. Localizada às margens do rio Guamá, em uma paisagem que retrata as raízes de uma 
universidade voltada para a cultura amazônica. Possui cerca de 46 cursos de graduação, além 
de outros de especialização, mestrado e doutorado, reunidos em 11 centros e cinco núcleos de 
integração, bem como dois Hospitais Universitários e uma Escola de Aplicação que oferece 
ensino médio e fundamental para os filhos de seus servidores. A Universidade Federal 
do Pará mantém a liderança na comunidade científica do Norte do país, colocando-se à frente 
dos avanços tecnológicos e também na relação com a comunidade, dando o suporte técnico 
necessário ao desenvolvimento social da região e absorvendo a experiência da população como 
subsídio ao seu próprio desenvolvimento. 
O Museu Emilio Goeldi, instituto do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) do Ministério de 
Ciência e Tecnologia, tem como objetivo produzir e difundir conhecimentos e acervos 
científicos sobre sistemas naturais e socioculturais relacionados à Amazônia. Fundado em 
1866, por iniciativa de intelectuais locais interessados em estudar a flora, a fauna e a 
constituição geológica da região, o museu teve um importante papel no desenvolvimento das 
Ciências Naturais no Brasil do século XIX. Fechado em 1888, foi reinaugurado na década de 
1890, em decorrência do desenvolvimento da borracha, sendo dirigido, nessa ocasião, pelo 
naturalista brasileiro de origem suíça, Emílio Goeldi (1859-1917), que reformou suas 
estruturas e criou duas revistas - Boletim do Museu Paraense e Memória do Museu Paraense. 
Atualmente desenvolve atividades de pesquisa e ensino em biologia, ciências humanas e 
ciências da Terra, além de possuir um volumoso acervo constituído de coleções nas áreas de 
arqueologia, antropologia, botânica e zoologia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAMETÁ: NARRATIVA HISTÓRICA 
 
HINO DE CAMETÁ 
 
LETRA: PE. MANUEL ALBUQUERQUE 
MÚSICA: JUVÁL ALVES DE ALENCAR. 
 
I 
 
ENTRE AS LINDAS MUCAMAS DO NORTE, 
DESTE IMENSO E QUERIDO PARÁ, 
UMA EXISTE, MAIS BELA, MAIS FORTE, 
MAIS AUDAZ, MAIS FIEL: - CAMETÁ! 
CONTRA AS HOSTES DA GREI FORASTEIRA, 
QUE ESTRONDEIA O CRUEL BACAMARTE, 
ELA SABE, EM PIROGA LIGEIRA, 
MANEJAR ARCO E FLEXA COM ARTE. 
 
ESTRIBILHO 
 
TENHO ENLEVO DE SER BRASILEIRO 
DA AMAZÔNIA SEM FIM, - DO PARÁ, 
E PROCLAMO, TAMBÉM, SOBRANCEIRO, (BIS) 
O MEU BERÇO FELIZ: - CAMETÁ!... 
 
II 
 
NO COMBATE FEROZ, LADO A LADO, 
HÁ PRODÍGIOS DE FORÇA E VALOR, 
MAS O LUSO, EM BATALHA TREINADO, 
SE LEVANTA, POR FIM, VENCEDOR. 
 
PELA FORÇA DAS ARMAS VENCIDA, 
DEUS MONSTROU QUE A VENCIDA VENCEU, 
E ÁS BELEZAS DA FÉ CONVERTIDA, 
NOVA RAÇA DE BRAVOS NASCEU. 
 
ESTRIBILHO... 
 
III 
CAMETÁ- PORTUGAL SÃO AGORA 
 
 
 
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NOIVA E NOIVO ENCANTADOS DE AMOR!... 
O COMBATE FINDOU... NINGUÉM CHORA... 
FOI O AMOR QUE SAIU VENCEDOR!... 
SOBRE OS CAMPOS DE SANGUE BANHADOS 
SURGE A VIDA, - (E A CIDADE TAMBÉM), - 
DE ONDE SURGEM TRÊS GRANDES PRELADOS 
QUE SÃO GLÓRIA IMORTAL DE BELÉM!... 
 
SÍMBOLOS DO MUNICÍPIO 
 
Em 08 de junho de 1971, através da lei nº 322, foram criados os símbolos do Município, 
providência que veio preencher uma lacuna injustificável numa terra de largas e decantadas 
tradições culturais como efetivamente o é a nossa. A ideia surgiu da mente de um cametaense 
ilustre que não mede esforços no sentido de projetar o nome de sua terra natal. É, portanto, a 
Manoel Mário Martins, que devemos a concretização de tão importante vitória. Na verdade a 
Bandeira e o Hino de Cametá, são verdadeiras obras de arte. 
 
A BANDEIRA 
 
1) CRUZ DOS CRUZADOS. Homenagem ao Custódio Frei Cristóvão de LISBOA, fundador da 
Aldeia de Santa Cruz de Camutá, em 03 de outubro de 1625; 
 
2) O ARCO E A FLECHA. Representam as armas combatentes dos aborígenes da época; 
 
3) OS REMOS. Simbolizam o precário transporte de que se serviram para as conquistas; 
 
4) A FAIXA AZUL. O azul de nosso céu; 
 
5) A FAIXA BRANCA. Simboliza a paz da conquista; 
 
6) A FAIXA VERDE. Simboliza a beleza da selva amazônica. 
 
O BRASÃO DE ARMAS DO MUNICÍPIO* 
 
Esse importante trabalho foi executado pelo cametaense Ivan do Socorro Veloso. A seguir 
damos em resumo, a descrição fornecida pelo autor da obra: 
 
1) Ao alto, à sinistra, a bandeira do Município e, à destra, uma árvore, representando a nossa 
produção agrícola, vendo-se ao fundo o sol nascente; 
 
 
 
 
50 
 
2) Em baixo, à destra, paisagem fluvial, representando a produção de pesca e, à sinistra, a cruz 
dourada em fundo azul representando a Fé cristã do povo cametaense; 
3) As bordaduras douradas representam as nossas riquezas minerais; 
 
4) As duas palmas, entrelaçadas, representam os nossos principais produtos agrícolas 
(sernambi e cacau); 
 
5) No listel, a inscrição “Município de Cametá”. 
 
ASPECTOS HISTÓRICOS 
 
Francisco I, rei da França ao tomar conhecimento da Bula Inter-Coetera, que dividia o mundo 
entre Portugal e Espanha, teria dito que gostaria de conhecer a cláusula do testamento de Adão 
que assimdeterminava, excluindo as outras nações cristãs da partilha. Piada histórica ou não, 
a verdade é que a França, assim como a Inglaterra e a Holanda, sempre lutaram por participar 
das novas terras descobertas. E se fizeram presentes do norte ao sul do continente americano, 
inclusive no Brasil através de frustradas invasões e tentativas de colonização, das quais foram 
principais as dos holandeses na Bahia (1624/1625) e em Pernambuco (1630/1654) e as 
dos franceses no Rio de Janeiro (1555/1567) e no Maranhão (1612/1615). Esta última 
nos interessa mais de perto. 
Após descoberto o Brasil, Portugal estava mais preocupado com suas transações comerciais 
com as Índias. Enviou para a nova terra expedições exploradoras, expedições guarda-costas e 
somente em 1530 é que veio a expedição exploradora de Martim Afonso de Sousa. Mas a terra 
descoberta era grande demais e foi então criado o Sistema de Capitanias Hereditárias, que 
também não lograram êxito. Veio a experiência de Governos-Gerais, a experiência de governos 
bipartidos com um governo do Norte, na Bahia e outro do sul, no Rio de Janeiro e a colonização 
efetiva não chega ao extremo norte do Brasil. Aproveitando-se do fato, a França elabora um 
projeto grandioso: instalar no Maranhão a França Equinocial. 
Em 1612, após muitos preparativos, uma grande expedição foi organizada e conseguiu-se o 
patrocínio quer de pessoas de nobreza francesa, quer da própria Coroa comandada por Daniel 
de La Touche, Senhor de La Ravardiere e contando com o apoio decisivo de Charles de Vaux e 
Jacques Riffault e ainda François de Razilly, Senhor de Razilly e Aunelles e Nicolau de Harlay, 
Senhor de Sancy, Barão de Molle e de Gras-Bois, além de outros. Chegando ao território do 
Maranhão, os franceses trataram de conquistar a simpatia das diversas tribos indígenas, o que 
conseguiram com certa facilidade. Após se instalarem, foi construído um forte que recebeu o 
nome de “Saint-Louis” (São Luís) em homenagem ao rei da França Navarra, ainda menino, Luis 
XIII. Em 8 de setembro de 1612 foi formalmente fundada a colônia e consequentemente a 
França Equinocial. 
Enquanto os franceses comemoram o evento e vão se instalando e procurando interiorizar a 
França Equinocial, os portugueses, ao tomarem conhecimento, organizam uma tropa sob o 
comando de Jerônimo de Albuquerque, que recebeu o título de Capitão da Conquista e 
 
 
 
51 
 
Descobrimento das terras do Maranhão. Após vários combates pequenos, foi travada em 19 
de novembro de 1614 a batalha de Guaxenduba na qual os franceses foram derrotados. Após 
esta batalha, foi assinada uma trégua, mas, tendo os portugueses recebidos esforços 
comandados por Alexandre de Moura, Cavaleiro da Ordem de S. Bento de Aviz, em 3 de 
novembro de 1615 os franceses capitulam definitivamente, sendo obrigados a retirar-se. 
Sabendo pelos franceses que povos de várias nacionalidades faziam incursões mais ao norte e 
mesmo adentravam os rios, Alexandre de Moura designou Francisco Caldeira Castelo Branco 
para garantir tais áreas para o governo de sua majestade, o rei de Portugal. E Castelo Branco 
recebeu para tal missão o título de descobridor e primeiro conquistador do 
Amazonas. Castelo Branco apronta sua expedição a 25 de dezembro de 1615, dia de Natal de 
Jesus e parte em direção as terras do Pará, o que faz em três embarcações: “Santa Maria 
Candelária”, “Santa Maria da Graça” e “Assunção”. Foram dezoito dias de viagem de S. Luís 
até a Baía de Guajará, nos quais Castelo Branco buscou e pesquisou uma área em que pudesse 
se estabelecer com segurança um núcleo colonial. Ao chegar ao Guajará dia 12 de janeiro de 
1616, acabou por escolher a área onde hoje está o Forte do Castelo a ali ergueu um primeiro 
fortim de madeira, a que chamou Presépio em homenagem ao dia de sua partida. No interior 
do fortim foi construída uma capela em honra a Nossa Senhora da graça. Ao local chamou de 
Feliz Lusitânia, invocando a proteção de Nossa Senhora de Belém ou Santa Maria de Belém. 
Os portugueses fixaram-se no Pará e tornaram-se senhores das terras e dos nativos. 
Construíram núcleos de defesa - os fortes e fortalezas - em torno dos quais surgiram os 
primeiros povoados. Em 1616 foi construído, às margens da Baía do Guajará, um forte, que 
foi denominado “Forte Presépio” e ao seu redor surgiu o povoado “Feliz Lusitânia”. Este forte 
foi construído numa parte alta, localizado entre os rios Guamá e Pará. Em seu interior foi 
construída uma capela tosca. Tempos depois, este Forte passou a chamar-se Forte do Castelo 
e o povoado ligado a ele tornou-se a cidade de Santa Maria de Belém, Belém atual. 
Além dos Fortes do Castelo e da Barra (perto de Val-de-Cães), foram construídos outros no 
interior: como a fortaleza de Pauxis (Óbidos), a do Tapajós (Santarém), a Casa do Forte do Rio 
Guamá (Ourém), a Vigia da Ilha de Bragança (Vigia), a de São José de Macapá (Macapá), entre 
outros. Essas fortificações garantiram o domínio dos lusitanos, e constituíram as bases da 
conquista, ajudando na fixação dos marcos geográficos da região. A expansão do Pará 
continuou através da fundação de inúmeros povoados e vilas, originados muitas vezes, de 
aldeias indígenas ou missões religiosas e que hoje são importantes cidades do interior 
paraense: Bragança (depois de Belém a mais antiga cidade paraense), Cametá, Ourém, 
Santarém, Vigia, Chaves, Óbidos, Monte Alegre e outras. 
1ª Expedição (1613) O conquistador Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere (francês) 
Governador do Maranhão, em uma de suas andanças pelo Rio Tocantins se deparou com uma 
população indígena, eram os índios “Camutás”, que viviam na margem esquerda do rio 
Tocantins, eles tinham um jeito peculiar de viver, em um dos seus relatos o conquistador cita 
os nomes “Pacajá” e “Parissó”. Por essas palavras relatadas por Daniel de La Touche, que são 
típicas da nossa região, se constata que o núcleo de Cametá é muito mais velho do que pensava, 
essa expedição chegou até a Cachoeira do Itapipoca (atual cidade de Tucuruí), uma das 
 
 
 
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incursões com o objetivo de expandir o domínio francês. Que durou até as forças portuguesas 
de Alexandre de Moura e Jerônimo de Albuquerque, iniciarem a campanha de retomada de São 
Luís do Maranhão. Alexandre de Moura, servindo-se do roteiro geográfico traçado por Daniel 
de La Touche, organizou a expedição de Francisco Caldeira Castelo Branco, que sai do 
Maranhão no dia 25 de dezembro de 1615, em 12 de janeiro de 1616, fundou a cidade de 
Santa Maria de Belém do Grão-Pará (Belém do Pará), e no ano seguinte 1617, estas mesmas 
caravelas se lançam para fundar a Vila Viçosa de Santa Cruz dos Camutás. 
Tão logo é fundada Belém, as atenções dos colonizadores portugueses voltam-se para a zona 
do rio Tocantins, mesmo porque os franceses e holandeses já tinham se estabelecido no 
nordeste e feito o reconhecimento para a exploração desta região. Com a expulsão dos 
estrangeiros intensificou-se a colonização na região para que a Coroa Portuguesa não perdesse 
território em função do Tratado de Tordesilhas. Assim, começa a colonização do Tocantins, 
mais de um século após o descobrimento do Brasil, sendo Cametá uma das primeiras 
localidades fundadas no Pará. 
As primeiras incursões são dos padres Jesuítas, que no seu afã catequético avançam aos mais 
longínquos e inóspitos rincões. Deste modo, o novo Governador do Maranhão e Grão-Pará 
Jerônimo de Albuquerque, incumbe os padres Capuchos de Santo Antônio da catequização dos 
gentios no território que governava. 
Por estas plagas habitavam os índios Camutás, possivelmente uma tribo pertencente à grande 
nação Tupinambá, pois utilizavam o Tupi como idioma. Saliente-se ainda que essa língua já 
foi a mais falada nesta região, tantoque ficou registrada na toponímia local. O primeiro 
sacerdote a realizar o trabalho de catequese no Tocantins foi o Frei Cristóvão de São José. Por 
aqui ele aportou por volta de 1617 numa faixa de terra que é a primeira porção de terra firme 
às margens do Tocantins - Cametá-Tapera. Imediatamente entrou em contato com a tribo dos 
Camutás, conhecidos como hábeis remadores em montarias e exímios caçadores. Depois de 
árdua catequese conseguiu arrebanhar os índios para a circunvizinhança de uma capela às 
margens do rio. Isso ocorreu por volta de 1620, originando-se assim o primeiro povoamento 
do Tocantins. Esse povoamento serviria posteriormente como alicerce para a donataria de 
Feliciano Coelho de Carvalho, berço original de Cametá. 
A donataria de Camutá foi concedida a Feliciano Coelho de Carvalho por ato do Governador do 
Maranhão e Grão-Pará Francisco Coelho de Carvalho que em 14 de dezembro de 1633, doou 
para seu filho a vasta capitania que cobria todo o vale do rio Tocantins. A demarcação e a 
definição da extensão geográfica da mesma foi regulamentada por Carta Régia de 26 de 
outubro de 1617. Ressalta-se que essa demarcação só ocorreu quando o povoado foi elevado 
à categoria de Vila no dia 24 de dezembro de 1635. A Vila Viçosa de Santa Cruz de Camutá, 
marco de nascimento do município foi o local diferente donde hoje assenta-se a cidade, ficando 
conhecido como Cametá-Tapera. Desde sua criação, Cametá teve por padroeiro São João 
Batista, inclusive esta invocação consta na Carta Régia, comprovando a estreita ligação da 
igreja com o Estado naqueles tempos medievais. 
Em 1635, Feliciano Coelho de Carvalho ancorou sua caravela na primeira porção de terra firme 
da margem esquerda do Rio Tocantins. Encontrou a tribo dos Camutás já pacificada pelo Frei 
 
 
 
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Cristóvão de São José e em 24 de dezembro fundou a Vila Viçosa de Santa Cruz do Camutá, a 
primeira cidade no Baixo Rio Tocantins. Mais de três séculos e meio depois, Cametá tornou-
se um dos portos mais importantes do Pará. 
A palavra Camutá é de origem Tupi, e seu significado varia segundo alguns pesquisadores: de 
acordo com Jorge Hurley, Caá - mato, floresta e Mutá ou Mutã - espécie de degrau ou 
“palanque” instalado em galhos de árvores, feito pelos índios para esperar a caça ou servir de 
moradia. Para Carlos Roque, o significado literal de Cametá é “degrau do mato”, abonado 
inclusive por Victor Tamer, pois derivaria de Camutá. Luiz Tibiriça, trata o vocabulário como 
derivado de Caá + Mytá - choupana suspensa em árvore para espera de caça. No dicionário 
Toponímico da microrregião de Cametá acrescentamos ao significado de Jorge Hurley, o hábito 
dos índios Camutás de construírem suas habitações tão altas quanto ás árvores, ou quem sabe 
até nas copas destas. 
Ignácio Moura discorre na sua viagem pelo vale do Tocantins em 1896, sobre a história da 
Vila de Santa Cruz de Camutá. Para ele, a vila passou quase dois séculos ignorada no remanso 
da paz doméstica entre o lavor dos lavradores de mandioca, milho, arroz, café, cacau, extração 
de óleo de copaíba e azeite de andiroba. Desde seus primórdios os colonizadores passaram a 
explorar a região e a buscar mão-de-obra indígena para escravizar. O próprio Padre Antônio 
Vieira, (que segundo Victor Tamer, foi o maior orador sacro em língua portuguesa que visitou 
nossa região), por volta de 1635, condenou essa prática, na tentativa de minimizar o 
sofrimento dos indígenas escravizados. 
A vizinhança dos povos facilitava a utilização da mão-de-obra indígena. Os próprios 
missionários contribuíram para isso. A ganância dos colonos harmonizada com os escrúpulos 
dos missionários, foram decisivos para a escravização indígena. A câmara distribuía os índios 
que cabiam a cada morador para servir-lhes gratuitamente por meses a fio. Os mais fortes 
eram utilizados nos serviços do Estado. Todavia essa escravização não propiciava prosperidade 
à vila, isso ficava visível em uma outra casa coberta com telhas, segundo Ignácio Moura, as 
poucas que tinham cobertura. 
Várias ordens religiosas já cuidavam da orientação espiritual em Cametá. Em 1643, os 
Capuchinhos de Santo Antônio foram substituídos pelos frades Carmelitas que ficaram por 
aqui até 1655. De 1693 a 1759 os Capuchos da Piedade estiveram à frente da atividade não 
só religiosa, mas também na defesa dos interesses da ordem. Eles foram substituídos em 
1759 pelos Mercenários ou Mercedários que por aqui ficaram até a expulsão patrocinada pelo 
Marquês de Pombal. Atualmente, a orientação religiosa católica romana é executada pela 
ordem de São Vicente de Paulo, cujos religiosos exercem desde funções educacionais e de 
saúde. 
Não se sabe precisamente quando a Vila se mudou do local de onde partiu Pedro Teixeira para 
a Conquista do Amazonas em 1637. Entretanto, existem duas hipóteses na mudança para o 
Sítio Parijó ou Mourajuba, onde assenta-se atualmente a cidade. A primeira informa que entre 
1670 e 1690 o Padre Manoel Nunes achou por bem mudar a Vila em virtude de um surto de 
varíola, pois tornara-se um local bastante insalubre. Dessa hipótese comunga o historiador 
Victor Tamer e outros. Na outra hipótese, Ignácio Moura afirma que um grande número de 
 
 
 
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colonos se estabeleceu um pouco mais acima do rio, para se livrar da tutela imediata da 
administração do primitivo núcleo; como se sabe, os donatários eram responsáveis pela 
cobrança de impostos, sendo que longe deles era possível escapar da tributação. Por acharem 
o novo local mais salubre e de vista aprazível, além de ser possível a sonegação dos tributos, 
foi possível consolidar a vila. A nova feitoria se tornou maior e mais próspera que a primitiva, 
obrigando-se assim a mudança da sede administrativa para a localização atual, passando o 
local original a chamar-se Cametá-Tapera. Segundo Victor Tamer, Feliciano Coelho de 
Carvalho recebeu a capitania que abrangia a região tocantina, incluindo as Donatarias de 
Cayeté, Gurupá, e Xingu, com sede na Vila de Santa Cruz dos Camutás. Governou as referidas 
capitanias até 1754, quando assumiu a direção o seu herdeiro Francisco Albuquerque Coelho 
de Carvalho. A vila dos Camutás, quando governada por Feliciano de Carvalho era constituída 
por quatro ruas, pela Igreja do padroeiro da cidade, São João Batista, comércio regular, extensa 
e variada produção agrícola. 
Em julho de 1754, no reinado de D. Jose I, herdeiro da donataria Francisco Albuquerque 
Coelho de Carvalho, descendente do primeiro donatário cedeu, por pensão anual de 3 mil 
cruzados, seus direitos sobre a capitania de Cametá. Dessa forma, a donatário foi incorporada 
aos domínios da coroa, quando passou na realidade, a gozar prerrogativas de vila. Das várias 
Capitanias Hereditárias em que foram divididas o Estado do Maranhão (incluindo o Pará) 
poucas deram resultado esperado, entre elas, a Capitania de Cametá, através da concessão de 
várias sesmarias na Amazônia colonial o que reforçou a livre matança de índios que vivessem 
nas terras doadas à nobres famílias de portugueses. 
Cametá conseguiu organizar um povoado mais ou menos estável até o início do século XVIII, 
quando o núcleo urbano da então Vila de Cametá foi transferido, em 1713, de Cametá - Tapera 
para onde, atualmente, localiza-se a cidade e, nas décadas seguintes, já haviam sido edificados 
importantes monumentos públicos e privados, destruídos, pela ação do tempo. Foi com a 
resolução nº 145, de 24 de outubro de 1848 que Cametá obteve os foros de cidade, pois já 
era Comarca desde 30 de abril de 1841, pela Lei nº 87. O progresso de Cametá nesse período 
era visível, grandes melhoramentos foram feitos visando a salubridade do local. Deste modo, 
são constituídas as galerias pluviais e o caisde arrimo, assim como algumas ruas recebem 
calçamento de pedras. 
Ressalte-se que as sesmarias de Cametá se estendiam por todo vale do Tocantins. Apenas em 
1694 a primeira sesmaria é concedida, fracionando o território, tratando-se daquela que 
originou o município de Baião. Depois, separou-se de Mocajuba e por último Limoeiro do Ajuru. 
Esse município foi desmembrado pela Lei Estadual nº 2460, de 29 de dezembro de 1961, do 
distrito de Janua Coeli pertencente ao município, depois de uma infrutífera emancipação em 
1955, considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 
O município de Cametá é o mais antigo e tradicional dos baixos rios do Tocantins. Pela sua 
importância histórica empresta seu nome à antiga microrregião homogênea do baixo Tocantins 
que passou a chamar-se microrregião de Cametá. Com uma história interessante, Cametá 
passou recentemente a categoria de Patrimônio Histórico Nacional pela lei nº 7537, de 16 de 
setembro de 1986 pela sua notável tradição histórica. 
 
 
 
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Já no início do século XX, Cametá era formada por 10 distritos judiciários e um administrativo, 
Joroca, Juaba, São Benedito, Curuçambaba, Limoeiro, Providência, São Raimundo dos 
Furtados, Carapajó e Conceição, e possuía uma população absoluta de 67.082 habitantes, 
concentrada no interior. 
A cidade de Cametá teve o papel destacado, durante todo o movimento Cabano, foi de Cametá 
que o Dr. Ângelo Corrêa, foi a Belém, atendendo ao chamado do Governo Cabano chefiado por 
Antônio Vinagre, para assumir a presidência da província, após uma série de 
desentendimentos, não pôde assumir o governo. E retorna a Cametá onde toma posse do cargo 
perante a Câmara Municipal. Assim, por um breve período, Cametá foi a sede do Governo da 
Província. Convém ressaltar que o município sempre teve destacado papel na história do Pará. 
Nas últimas décadas o município passou por algumas atividades econômicos, daquelas típicas 
da Amazônia. Assim, se favoreceu bastante da produção da borracha e do cacau, mas o último 
com bastante importância foi a época da pimenta-do-reino, embora não caracterizada como 
tal. Esses ciclos favoreceram algumas melhorias nas condições de vida da população. 
Apesar da cidade de Cametá ter sido declarada Patrimônio Histórico Nacional poucos são os 
benefícios advindos disto. Não é visível a preservação dos prédios públicos e particularmente 
de valor histórico no município, a Câmara Municipal está praticamente em ruínas. Alguns 
documentos históricos estão no Museu de Cametá, embora sem catalogação. Parte do casario 
antigo da primeira rua foi demolido ou vitimado pela erosão que já desgastou muito a orla da 
cidade. Ainda há a destacar prédios seculares como as igrejas de Nossa Senhora do Perpetuo 
Socorro na Aldeia e a Matriz, o Grupo Escolar D.Romualdo de Seixas e a Prefeitura. Esses 
prédios integram um roteiro turístico chamado de Museu Contextual, organizado pela Secult. 
 
Visitando a política cametaense 
 
Cametá, construída ao longo dos anos como terra de homens notáveis, defensora da ordem 
pública, cidade do carnaval, das festas populares, dos fogos de artifício, possui uma 
característica marcante que até os dias atuais faz o sangue cametaense “ferver”, que é a 
política. 
Em época de eleição a cidade toma cores variadas, dependendo do partido que se quer 
representar, as pessoas se vestem e enfeitam suas residências. As músicas e as marchinhas 
constituem-se em defesa ou ataque entre os candidatos. As histórias acerca de políticos e da 
política são as mais variadas, das cômicas as trágicas. Os comícios agitam a cidade tanto 
quanto as festas populares, com fogos de artifício e muito barulho. Todas estas características 
compõem o folclore político cametaense. 
 
 
 
56 
 
No século XIX e início do XX, Cametá ocupava um lugar de destaque 
no setor econômico, produzia borracha, cacau, castanha, cereais, 
algodão, mamona, cumarú, timbó, andiroba, pataná, indústrias de 
sabão, indústria pastoril, culturas variadas que empregavam grande 
parte da população. 
Entretanto, no decorrer dos anos, o município sofreu uma 
estagnação econômica que entre outras consequências, tornou o 
serviço público a melhor oportunidade de emprego. 
Após Cametá receber o título de Vila, em 1635, foi criado o Senado 
da Câmara. Durante o seu período colonial, temos notícia que o Senado da 
Câmara foi reorganizado por dez vezes, das quais algumas famílias 
permaneceram por mais de uma vez, o que significa que estas famílias 
passaram anos determinando as decisões políticas e administrativas do 
município, entre eles estão: a família Barros, Pereira de Sousa, Castro de 
Afonseca e Pereira Braga. 
Há a ausência de algumas das organizações do Senado da Câmara no período 
colonial de Cametá, pois só de 1713 em diante, de quando data a doação do 
Termo da Vila por Francisco Coelho de Carvalho, é que se tem notícias dos nomes dos cidadãos 
que compuseram aquele órgão administrativo. 
A 28 de Setembro data escolhida para adesão do povo e das autoridades a independência 
brasileira tivemos o fim do período colonial cametaense e início do período imperial, sofrendo 
a Câmara pequenas modificações: Dionísio Xavier Cardoso, Manoel Moreira e José Raimundo 
Furtado, sendo Tesoureiro o tenente Manoel Antônio Pereira. 
Após esta organização e com o início do período imperial, tivemos um evento importante na 
política de Cametá no ano de 1829, que foi a organização da primeira Câmara eleita por voto 
popular. O grupo teve um mandato de três anos e foi composta pelo presidente Joaquim de 
Morais Bitencourt e dos vereadores Pedro José Antônio Ventura, José Raimundo de Morais 
Bitencourt, José Lopes de Mendonça, José Pereira Torres, Antônio José de Medeiros. 
Nos seis primeiros anos do período monárquico, Cametá passou por momentos importantes na 
vida política e administrativa, como a divisão interdistrital, a cabanagem e a elevação do 
município à categoria de capital da província. Alguns anos depois, na legislação da Câmara de 
1845-1848, foi também de grande importância, pois foi nesta que o município adquiriu a 
categoria de Cidade. 
Durante a monarquia, Cametá passou por 13 composições diferentes na Câmara, destas 13 
organizações se verifica a presença de duas famílias em muitas legislações, a família 
Bitencourt e a família Mendonça. 
Com o decreto de número 59 de 19 de fevereiro de 1890 dissolveu-se a Câmara e foi criado 
o Conselho de Intendência Municipal, com um total de formação de cinco Conselhos durante o 
período que compreende o início da República até os anos de 1930. Destes cinco Conselhos 
formados, estiveram presentes por várias vezes o intendente coronel José Heitor de Mendonça, 
o dr. Deodoro Machado de Mendonça e o coronel Cantidiano Machado de Mendonça. 
O Senado da Câmara era a 
forma administrativa adotada 
em todas as cidades 
brasileiras; era responsável 
pelo poder local e 
encarregada da 
administração política do 
município; compunha-se de 
um Conselho Municipal e um 
presidente. 
 
Timbó: Uma raiz 
que libera uma 
substância tóxica 
(a rotenona) que 
paralisa os peixes 
e era aplicada em 
pequenas áreas. 
Utilizado na pesca 
com veneno. 
 
 
 
57 
 
Com o episódio de 1930 a família Mendonça perdeu o comando político de Cametá, entretanto, 
não deixou de exercer influência no município. Principalmente porque continuaram a exercer 
cargos administrativos no Estado, além de que eram grandes comerciantes e donos de terras 
na região do Tocantins. 
No início dos anos de 1930 em Cametá, foram vários os homens que assumiram a 
administração do município, os prefeitos nomeados foram os seguintes: Manoel Mário Martins(até julho); Henrique Coutinho (agosto a dezembro de 1931); Lúcio de Mello (1932 a 1935) 
e Nelson Parijós, que governou de 1935 até 11.02.1936. 
Com a Constituição Brasileira de 1934 e a Constituição Estadual de 1935 ficou decretado 
eleição municipal para o dia 30 de novembro de 1935, onde foi eleito para o cargo de prefeito 
de Cametá o candidato da União Popular do Pará - UPP, Nelson Parijós. 
Nelson Parijós exerceu o cargo de prefeito eleito de 11.02.1936 a 10.11.1937, quando 
ocorreu o golpe do Estado Novo por Getúlio Vargas. Entretanto, Nelson Parijós foi confirmado 
no cargo de prefeito em 1937, pelo Interventor Federal José Malcher. 
Com o fim do Estado Novo e o retorno do país ao regime democrático, em 1946, Cametá ainda 
possuiu dois prefeitos nomeados - Luiz Ursulino Filho e Francisco Mendes Pereira, e, a partir 
de 1948, as eleições diretas foram retomadas para eleição do candidato a prefeito. 
Ao longo dos anos a política cametaense caracterizou-se pela dominação de famílias, do 
nepotismo, do clientelismo, das perseguições, que levavam as demissões de funcionários da 
oposição ou a transferência destes para fora da sede do município, ou seja, para os interiores 
e centros. É por isso, que até os dias atuais há uma dedicação máxima por parte do eleitorado 
em tentar mostrar qual candidato estão apoiando e trabalhar ao máximo para que ele seja 
eleito. 
Dessa forma, Cametá chega aos anos 30 do século XX, pelo que 
indica as fontes, com uma política marcada pela dominação de 
famílias de destaque no setor econômico, as quais centralizam 
as decisões administrativas e gozam de privilégios. Estas 
famílias preenchem os cargos públicos de acordo com seus 
interesses, eximindo a maior parte da população de 
participação ativa no que diz respeito às decisões políticas. 
Vale destacar que até os dias atuais, muitas dessas 
características ainda são presentes, sofrendo algumas transformações, mas conservando um 
aspecto importante, o das perseguições, que delineia as ações dos candidatos eleitos e o rumo 
da política cametaense. 
Dos anos 30 do século XX para os dias atuais ainda há uma trajetória muito intensa para se 
narrar sobre a história política de Cametá, mas vamos ficar com a compreensão da evolução 
que precede os anos 1930. 
 
FATOS HISTÓRICOS 
 
1ª expedição (1613), Expedição de Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere; 
 
O decreto para dissolução do Senado 
da Câmara foi o de número 58 e 
assinado em 19 de fevereiro de 
1890 pelo Governador do Pará, 
Justo Chermont, e na mesma data, 
foi assinado o decreto de número 59 
para criação do Conselho de 
Intendência Municipal. 
 
 
 
58 
 
2ª expedição (1631), comandada por Raimundo Noronha, detentor de poderes de General de 
Estado, partiu de Cametá com canoas guarnecidas de flecheiros e remeiros; essa expedição 
desalojou os ingleses de Gurupá; 
3ª expedição (1632), chefiada por Feliciano Coelho de Carvalho, moço fidalgo da coroa de 
Portugal com patente de General de Estado, partiu de Cametá a 19 de junho de 1632, com 
uma esquadra de 127 canoas, 247 praças de linhas e 5.000 índios. Essa expedição foi 
agraciada pela bravura dos índios cametaenses que conseguiram demolir o Forte de Cumair, 
guarnecido pelos ingleses. 1635 - Em 24 de Dezembro de 1635, do núcleo urbano; 
4ª Expedição (1636), tinha como responsável Antonio Portilho, Ceifador da Fazenda Real; 
5ª expedição (1637), a expedição do capitão-mor Pedro Teixeira, partiu de Cametá em 28 de 
outubro de 1637, Cametá foi rota de partida da expedição exploradora portuguesa comandada 
por Pedro Teixeira, em 1637, que teve duração de dois anos. Através dela, no sentido Leste - 
Oeste, foi explorado grande extensão do Rio Amazonas, chegando até a Cordilheira dos Andes, 
no Peru, além de explorar a geografia amazônica; revoltas internas, fadiga, deserção, doenças 
e silvícolas rondavam a expedição recompensada pela beleza da fauna e da flora. No regresso, 
após demarcada a posse, Pedro Teixeira passou por Gurupi, depois Belém e em seguida o 
Maranhão. 
1822 - O advento da independência do Brasil, proclamada por D. Pedro I em 1822, encontrou 
sérias resistências em vários pontos do território colonial brasileiro. Nesse âmbito Cametá 
surge como primeiro município do interior amazônico a aderir ao movimento de independência 
do Brasil, em 1823. 
 
DOENÇAS 
 
1662 - Varíola: Quanto ao estado sanitário de Cametá através dos séculos, a memória do povo 
guardou por muito tempo a lembrança de duas fortes epidemias, a primeiro a da Varíola, ainda 
em Cametá - Tapera, em 1662. 
1855 - Cólera - Morbus: A outra, já nesta área, foi a da Cólera - Morbus, em 1855, de caráter 
violentíssimo. Morria gente nas casas e nas ruas e o transporte dos corpos para o cemitério 
chegou a ser feito por meio de carroças, alguns ainda moribundos. O governador da Província, 
o cametaense Ângelo Custódio Corrêa, condoído com a sorte de seus conterrâneos, veio 
pessoalmente socorrê-los, trazendo em sua companhia o médico José Ferreira Cantão, em 
viagem especial do navio “Rio Negro”. A chegada do vapor teve o efeito, segundo o relato da 
época, de uma ressurreição para Cametá. Trouxera víveres, medicamentos, a presença moral 
do Governador e mais a do médico para curar os doentes. Os recursos da medicina de então 
eram, porém, ineficazes para o combate de uma epidemia tão devastadora. Cenas 
indescritíveis diante da morte tomaram conta da cidade. O navio “Rio Negro”, ao regressar a 
Belém, três dias depois de sua permanência em nosso porto, estava atulhado de famílias que 
buscavam na fuga a salvação. Ainda a bordo, duas horas depois de deixar Cametá, o Dr. Ângelo 
Custódio sentiu os primeiros sintomas do mal, vindo a falecer, não obstante o devotamento do 
Dr. Cantão para salvar o amigo, antes de chegar a Belém, a 25 de junho de 1855. Pela 
 
 
 
59 
 
solidariedade de Ângelo Custódio ao sofrimento de seus conterrâneos, o que lhe custara a 
própria vida, o Imperador D. Pedro II agraciou a viúva do governador com o título de baronesa 
de Cametá. 
Existe no Museu Histórico de Cametá uma famosa tela da autoria do pintor Constantino Motta, 
pintada em 1858, a qual reproduz uma cena comovente da epidemia do Cólera-Morbus, no 
momento em que parte da população procura fugir de canoa pela praia das Mercês. O homem 
que aparece de fraque e cartola, procurando acalmar aquele desespero, não sei ao certo se trata 
do Dr. Ângelo Custódio ou do Dr. Ferreira Cantão. 
Na minha infância (Victor Tamer), nós tivemos, servindo à nossa casa, uma velha lavandeira 
chamada Dona Ricarda, que vinha a ser avó do conhecido e famoso jogador de bola do “São 
Jorge Esporte Clube”, o Júlio Bahia e seus irmãos Deodoro, Maria e Raimundo Bahia. Dessa 
família Bahia, gostaria de saber se existem ainda descendentes. Dona Ricarda contava que seu 
marido, nesse tempo bem velhinho, tinha sido carroceiro na faina de transportar corpos das 
vítimas da Cólera-Morbus. O cemitério, que ficou depois interditado pelo receio de seu uso 
poder desencadear novo surto da epidemia, é hoje o terreno onde todas as cruzes antigas 
desapareceram para ficar uma só, a da sepultura da Jovem Júlia, cuja tradição desconheço. 
O progresso só é barrado pela Cólera Morbus que dizimou milhares de vidas, reduzindo 
sensivelmente a população do município. Começa aí o declínio da segunda maior cidade do 
Estado que hoje ocupa uma posição de destaque apenas no cenário histórico. A importância 
econômica de outrora é restrita a uns poucos produtos agrícolas exportados. Os grandes 
projetos do regime militar serviram-se de Cametá apenas como fornecedora de mão-de-obra 
para obras dos grandes projetos. 
 
CAMETAENSES NOTÁVEISA cidade de Cametá tem filhos ilustres. O primeiro foi D. Romualdo de Souza Coelho, de origem 
humilde seguiu carreira religiosa e política, foi deputado junto à corte. Eleito presidente da 
Junta Provisória Civil e Militar coube-lhe proclamar a Adesão do Pará à Independência do 
Brasil a 15 de agosto de 1823. Durante a Cabanagem, seu fervor cristão e a humildade 
contribuíram para a redução das execuções. Houve uma vez que de crucifixo em mão, impediu 
que os cabanos ateassem fogo à cidade de Belém, no momento em que a abandonavam. Outro 
notável foi seu sobrinho D. Romualdo Antônio de Seixas que foi Arcebispo da Bahia. Foi ele 
quem sagrou D. Pedro II Imperador do Brasil. De suas estreitas relações com a corte, obteve, 
além do título de Marquês de Santa Cruz, algumas melhorias para sua terra natal. 
 A predestinação de Cametá, reconhecida em toda a parte, vem a ser, sem dúvida alguma, a da 
inteligência de seus filhos, dote que se revela na seara da política, do clero, das letras e das 
artes. Tamanha tem sido a culminância alcançada pelos filhos ilustres desta terra, que ainda 
hoje se admira como um caboclinho de Mutuacá, o qual se chamou Dom Romualdo de Seixas, 
chegou a ser o primaz da Igreja do Brasil e como tal presidiu a coroação do Imperador Dom 
Pedro II, no Rio de Janeiro, em 18 de julho de 1841. 
 
 
 
60 
 
No mesmo Panteão dos cametaenses ilustres destacam-se ainda as figuras de Dom Romualdo 
Coelho, padre Prudêncio das Mercês Tavares, Ângelo Custódio Corrêa, Cônego Manoel José de 
Siqueira Mendes, Joaquim Pedro Corrêa de Freitas, Enéas Martins, Inácio Batista de Moura, 
Deodoro Machado de Mendonça, Luís Barreiros, Dom Milton Pereira, Gentil Bittencourt, Carlos 
de Novaes, Cônego Miguel Inácio, Nelson da Silva Parijós e muitos outros que se distinguiram 
entre nós na música, na escultura, na pintura, no jornalismo, como Job dos Santos de Melo, 
Vicente Serrão de Castro Filho, Jeremias Rodrigues, Raimundo Cardoso, Andrelino Cotta, 
Veiga Santos, Raimundo Duarte Peres, Raimundo Penafort de Sena, Satyro de Melo, Orlando 
de Moraes e Juvenal Tavares. 
 
DOM ROMUALDO ANTÔNIO DE SEIXAS 
 
Dom Romualdo Antônio de Seixas, nasceu em Cametá em 07 de fevereiro de 1787, na ilha de 
Mutuacá. Bispo da Bahia, Primaz do Brasil, político, escritor, e grande orador sacro. Sob os 
cuidados de seu tio Dom Romualdo de Sousa Coelho, matriculou-se aos sete anos de idade no 
seminário episcopal de Belém. Fez depois curso de filosofia com religiosos de Santo Antônio. 
Aos 14 anos embarcou para Portugal a fim de concluir os estudos na congregação de São Felipe 
Nery. Destinando-se à vida sacerdotal retornou ao Pará, e aos dezoito anos era investido na 
carreira de latim, retórica e poética, francês e teologia dogmática. Recebeu o diaconato aos 21 
anos de idade. Rezou a sua primeira missa em Cametá em 1810, no dia 1º de novembro. Dom 
João VI agraciou-o com o hábito da ordem de Cristo e o nomeou Cônego da Sé do Pará. Na 
qualidade de vigário-geral governou o bispado paraense durante a ausência do seu titular, Dom 
Romualdo Coelho, que fora à corte a fim de sagrar-se bispo. 
Dom Romualdo Antônio de Seixas foi eleito deputado à Assembleia Geral onde se destacou 
pelos dotes oratórios e manifesta cultura. A 12 de outubro de 1826 era nomeado Arcebispo 
Primaz do Brasil. Com essa dignidade coube-lhe a honra de presidir a coroação de D. Pedro II, 
Imperador do Brasil, na solenidade de 18 de junho de 1841, no Rio de Janeiro. O imperador 
agraciou-o então com o título de Marquês de Santa Cruz e o Papa com o de Conde Romano. 
Esse notável cametaense foi um dos homens mais cultos do seu tempo. D. Pedro II o chamava 
de “Boussuet Brasileiro”. Dom Romualdo de Seixas faleceu em Salvador, Bahia, a 29 de 
dezembro de 1860. As novas gerações desconhecem, até porque não é ensinado nos livros de 
história, que foi o cametaense D. Romualdo de Seixas quem sagrou o Imperador do Brasil. É 
da lavra de Ricardo Borges, em seu livro “Vultos Notáveis do Pará” (Edições Cejup, 2ª Edição, 
1986), um dos mais completos textos que mostram como se processou a coroação do 
Imperador D. Pedro II, que foi sagrado exatamente por D. Romualdo de Seixas que, à época, 
era Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil. Ele relata, inclusive, a disputa travada, antes, com 
o Bispo do Rio de Janeiro, onde era a Diocese sede da cerimônia, vencida, ao final, pelo ilustre 
filho de Cametá. Leia: “Erudito e eloquente, argumentador seguro e trato cordial, se omitiu aos 
assuntos e debates do interesse nacional. Foi dos mais ardorosos na impugnação às propostas 
de remoção de José Bonifácio da tutoria do príncipe herdeiro da Coroa e de banimento de Pedro 
I; sustentou o celibato clerical, os impedimentos matrimoniais, os direitos as Santa Sé de 
 
 
 
61 
 
confirmação de nomeação de Bispo e Arcebispos; conseguiu isentar os párocos dos cargos de 
Juiz de Paz, Promotor, jurado e alistamento da guarda Nacional; debateu com absoluta 
proficiência a reforma da relação Metropolitana; fez destemida oposição ao Regente do 
Império, Pedro Diogo Antônio Feijó de 35 a 37, quando Feijó viu-se obrigado a renunciar. A 8 
de maio de 39, recusa ser Ministro do Império na Regência Araújo Lima, Marquês de Olinda. 
E todo esse fulgor político cede ao eclesiástico na defesa do predicado privativo do Arcebispo 
da Bahia, de Metropolitano e Primaz do Brasil e, pois, do seu Arcebispo à chefia da Igreja 
Católica no país e consequente prerrogativa de sagrar o Imperador Pedro II, o que dar-se-ia a 
18 de julho de 1941. Convencera-se caber-lhe essa prerrogativa e, nesse sentido, 
movimentara-se Dom Manuel do Monte Rodrigues de Araújo, Bispo do Rio de Janeiro, capelão-
real e nas graças da Corte. Era o titular da diocese sede da cerimônia, tal como, por esse motivo, 
coubera a Dom José Caetano Coutinho sagrar Pedro I, dezenove anos antes. Dom Romualdo de 
Seixas não desertaria a defesa da Bahia; saiu à liça e os dois contendores polemizaram à altura 
de profundos teólogos e conhecedores da hierarquia da igreja e o fizeram com raro brilho. 
Quando da coroação de Pedro I, o Arcebispado da Bahia estava sem titular e o Vigário Capitular 
não ressalvara a prerrogativa; agora, não. E Dom Romualdo, no seu “Memorial apologético em 
resposta a um opúsculo do Exmo. Revmo. Dom Manuel do Monte Rodrigues de Araújo, Bispo 
do Rio de Janeiro”, 1840, assina-se “Arcebispo da Bahia Metropolitana e Primaz do Brasil”. 
E justifica ter esse predicado 166 anos, transferido da Sé de Lisboa à Sé da Bahia, criada pela 
bula do Papa Inocêncio XI, de 22 de novembro de 1676, o Bispo Manuel do Monte recorreu 
ao vaticano que lhe negou razão. 
 
DOM ROMUALDO COELHO 
 
Dom Romualdo Coelho, nasceu em Cametá a 07 de fevereiro de 1762. Era filho do Capitão de 
milícias Alberto de Sousa Coelho e de D. Maria de Gusmão que moravam no Sítio Paricateua, 
na foz do Igarapé Mouraba. Fez seus primeiros estudos sob a direção do Padre Antônio Manuel 
Furtado, Vigário da então Vila de Cametá. Propenso a vida eclesiástica por vocação, estudou 
com grande aproveitamento todas as disciplinas que ensinavam no seminário episcopal. Em 
19 de Fevereiro de 1785 tomou ordem de presbítero e a 05 de abril do mesmo ano cantou a 
primeira missa na Igreja Matriz de Cametá. Em 1805 era Arcipreste da Catedral de Belém. 
Dom Romualdo Coelho foi ao Rio de Janeiro, representando o bispo, clero, cabido e diocesano, 
cumprimentar o monarca D. João VI, dando-lhe boas-vindas ao Brasil. Na presença do 
monarca, Dom Romualdo Coelho pregou um belo sermão, tornando-se logo conhecido do Rei e 
da Corte. Dom João VI o agraciou com a comenda da ordem da Conceição. Em 1819 foi eleito 
Bispo do Pará. 
Dom Romualdo Coelho teve papel de muito destaque nomovimento da Adesão do Pará à 
Independência, em 1823, quando a 11 de agosto daquele ano, como Presidente da Junta 
Governativa, assinou a Ata de Adesão, ato que foi festejado publicamente a 15 de agosto de 
1823. Ainda por ocasião da Cabanagem, quando Belém era saqueada pelos cabanos e na 
iminência de ser incendiada, foi a palavra persuasiva e cheia de fé de Dom Romualdo Coelho 
 
 
 
62 
 
que salvou a nossa Capital da destruição, palavra de um poder divino que fez a horda 
sanguinária recuar de seu intento macabro. Isso aconteceu em 1836. Dom Romualdo Coelho 
faleceu em 15 de fevereiro de 1841. Seus restos mortais jazem na Catedral de Belém. 
 
ÂNGELO CUSTÓDIO CORRÊA 
 
Ângelo Custódio Corrêa, nasceu em Cametá em 1804. Em 1821, com 17 anos de idade, 
seguiu para a França onde formou-se em Direito, em Paris. Filho de Francisco Custódio Corrêa 
e Joana Medeiros Corrêa. Regressando ao Pará, aqui encontrou os ânimos exaltados, prenúncio 
da Cabanagem. Seu pai, em Cametá, foi a primeira vítima desse movimento sedicioso, 
assassinado que fora exatamente na noite em que casava uma filha. Ângelo Custódio recolheu-
se então no sítio Aricurá, que lhe coubera como herança e lá se deixou ficar sem se interessar 
pela política. Mesmo assim foi envolvido por ela e em 1834 elegeu-se deputado provincial 
mais votado, sendo pela Constituição vice-presidente da província. E quando a Cabanagem se 
apodera de Belém, assassina o então presidente Bernardo Lobo de Sousa e assume o governo 
da província através de Félix Antônio Clemente Malcher. 
Com o fim de restabelecer a legalidade e dar posse a Ângelo Custódio que, por lei, deveria 
substituir o Presidente morto, parte do Maranhão uma pequena esquadra de dois navios de 
guerra sob o comando de Pedro Cunha Vinagre, aquiesceu entregar o governo. Quando Ângelo 
Custódio viajava de Cametá para embarcar num dos navios de Pedro Cunha, houve uma 
emboscada dos cabanos, da qual Ângelo saiu ileso. Como Vinagre em seguida se recusasse a 
entregar o governo e as forças de Pedro Cunha tivessem fracassado na retomada de Belém, 
Ângelo Custódio achou mais seguro voltar a Cametá, bem defendida por Padre Prudêncio, e aí 
instalar o seu governo que durou de 15 de maio de 1835 a 13 de maio de 1836. Cametá foi, 
desta maneira, a Capital da Província por um período de quase exatamente um ano. 
Deputado ao Parlamento Nacional por três legislaturas, o Dr. Ângelo Custódio exerceu à 
Presidência da Província, interinamente, por duas vezes, sendo que nesta última veio a falecer 
a 25 de junho de 1855, vítima da Cólera-Morbus, que contraiu em Cametá, quando veio de 
Belém socorrer os seus conterrâneos dizimados pela terrível epidemia. Ângelo Custódio, como 
Presidente da Província, faleceu a bordo do navio de regresso a Belém. O Imperador D. Pedro 
II, reconhecendo em Ângelo Custódio Corrêa, o exemplo de governante e do seu sacrifício de 
vida agraciou a sua viúva com o Título de Baronesa de Cametá. 
 
PADRE PRUDÊNCIO JOSÉ DAS MERCÊS TAVARES 
 
Padre Prudêncio José das mercês Tavares Nasceu em Cametá, no lugar Acapucuara, hoje 
pertencente ao município de Mocajuba, no dia 04 de setembro de 1809. Era filho de Felippe 
Santiago Pereira Tavares e Izabel Francisca da Conceição. Prudêncio iniciou seus estudos com 
o seu tio Romão. Logo que recebeu os primeiros ensinamentos, seus pais o mandaram para a 
cidade de Cametá a fim de estudar latim com o Padre José Boaventura da Silva, Vigário da 
paróquia da Vila de Camutá. Com 16 anos de idade seguiu para Belém onde estudou no 
 
 
 
63 
 
Seminário Episcopal, o único estabelecimento superior que existia, nesse tempo, na Capital. 
Embora a sua manifesta vocação pela carreira militar, abraçou a eclesiástica por motivos 
alheios à sua vontade. 
Sua primeira missa foi celebrada em Cametá, onde fixou residência. Exerceu a função de 2° 
juiz de paz, tendo, no evento da Cabanagem, assumido o exercício de 1° Juiz de paz. Enérgico, 
embora generoso, organizou a resistência contra os cabanos que céleres, se aproximavam de 
nossa cidade. Levantou trincheiras; organizou tropas; formou barricadas; organizou a proteção 
do litoral equipando canoas prontas para a defesa marítima. A fiscalização era feita 
pessoalmente por ele, demonstrando, assim, sua alta capacidade de organização. Padre 
Prudêncio, foi nomeado pelo marechal Francisco José de Sousa D’Andrea como chefe civil e 
comandante geral da tropa destinada à garantia da ordem pública em Cametá, Oeiras, Melgaço 
e Portel. Por diversas vezes foi eleito deputado provincial e Juiz de paz. Graças à inteligência, 
coragem e elevado espírito de organização do padre Prudêncio, Cametá foi o único lugar no 
Estado onde os rebeldes não conseguiram penetrar. Daí o título honroso de “Cidade Invicta”. 
 
CÔNEGO MANOEL JOSÉ DE SIQUEIRA MENDES 
 
Nasceu em Cametá a 06 de setembro de 1825. Matriculou-se no Seminário de Belém, na 
administração do oitavo bispo da Diocese, Dom Romualdo de Sousa Coelho, onde se distinguiu 
com grande aproveitamento. Foi secretário do Bispado e por merecimento nomeado para o 
cargo de Cônego Presbítero da Catedral de Belém. Foi lente de latim do Liceu e de Teologia 
Moral no Seminário. Fundou em Belém o Colégio Santa Cruz e outro em Cametá com igual 
nome. A atuação maior de Siqueira Mendes se fez na política. Eleito várias vezes deputado à 
Assembleia Legislativa, ocupou o cargo de Presidente da Província do Pará e em 1886 foi, 
finalmente, escolhido para ocupar o cargo de Senador do Império, no Rio de Janeiro. Siqueira 
Mendes nunca esqueceu a sua terra natal. Assim como fundou o Colégio Santa Cruz em nossa 
cidade, muito contribuiu, quando senador do Império, para tornar realidade o projeto sempre 
esquecido da defesa do litoral de Cametá. Foi graças ao seu esforço e providência que se iniciou 
a construção do cais, no ano de 1871, prolongando-se por dez anos. Logo a seguir, por volta 
de 1880, começaram as obras de construção do velho paredão. Acometido de grave 
enfermidade, Siqueira Mendes faleceu a 06 de março de 1892, na cidade de Fortaleza. 
 
JOÃO AUGUSTO CORRÊA 
 
Nasceu em Cametá no dia 24 de agosto de 1812, no Sitio Aricurá. Filho de Francisco Custódio 
Corrêa e de Joana de Medeiros Corrêa. Era irmão do Dr. Ângelo Custódio Corrêa. O Pará teve 
em João Augusto Corrêa um grande impulsionador do seu progresso graças ao gênio pioneiro 
daquele inovador cametaense. Foi João Augusto Corrêa que implantou em nosso Estado a 
primeira fábrica de tijolos para a construção de alvenaria, modificando completamente o 
sistema de pedra e cal, secularmente usado até então. Servido de inteligência progressista, 
João Augusto Corrêa desenvolveu o comércio em toda a província através da navegação a 
 
 
 
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vapor, de que foi o grande introdutor em nossos rios. Iniciou a importação de mercadorias da 
Europa e da América para Belém, possuindo mesmo dois “brigues”, que mandara construir em 
Portugal, os quais ostentavam a bandeira brasileira nesse intercâmbio comercial com o 
exterior. Pela sua visão empreendedora no desenvolvimento comercial com o exterior, Augusto 
Corrêa era considerado o nosso Barão de Mauá. Faleceu aos 58 anos de idade, ainda forte e 
vigoroso, no dia 1 de março de 1870. 
 
DR. JOAQUIM PEDRO CORRÊA DE FREITAS 
 
Dr. Freitas nasceu em Cametá em 17 de agosto de 1829, filho do comerciante José Joaquim 
de Freitas e D. Tereza de Sousa Corrêa. Tendo perdido cedo seu pai, o Ten-Cel. João Augusto 
Corrêa, seu tio e tutor, mandou buscá-lo para Belém a fim de dar-lhe uma educação precisa. 
As irmãs do notável estadista Visconde de Sousa Franco, suas parentas, se encarregaram, 
também, do seu preparo intelectual. Em 1840 matriculou-se no Seminário.Tendo terminado 
os preparatórios em 1846, manifestou desejo de seguir a carreira da magistratura, mas por 
influência de seus tios Dr. Ângelo Custódio Corrêa e Dom Romualdo de Seixas, o jovem 
cametaense partiu para a Bahia onde fez todo o curso médico, hospedado por este ilustre 
arcebispo, que era Marquês de Santa Cruz e que o estimava muito. Após a formatura em 
medicina, o Dr. Freitas empreendeu uma viagem à Europa, percorrendo vários países durante 
três anos, enriquecendo o seu cabedal de conhecimentos que empregou mais tarde em Belém, 
quando regressou em fins do ano de 1855. Eleito deputado à Assembleia legislativa Provincial, 
lecionou francês e geografia no Liceu e em 1874, foi nomeado Diretor Geral da instrução 
pública, cargo que desempenhou até 1880, quando se aposentou. Mesmo eleito por oito vezes 
deputado da Província, a verdadeira vocação do Dr. Freitas era o ensino. A própria profissão 
de médico não exerceu senão acidentalmente quando prestava os seus serviços gratuitamente. 
O Dr. Freitas, como era chamado, foi o grande educador das gerações de paraenses do final do 
século passado e do começo do atual. Autor de vários livros didáticos adotados em todas as 
escolas públicas e particulares do Estado, denominados “Ensaio de Leitura”, série que 
compreendia o primeiro, o segundo e o terceiro livro e ainda o Paleógrafo, que ensinava o aluno 
a ler os trabalhos manuscritos, em diversos caracteres. Esses livros, em repetidas edições, 
sobreviveram a sua morte em 1888. O Dr. Joaquim Pedro Corrêa de Freitas, faleceu em Belém 
a 12 de abril de 1888, sob a consternação geral da população. 
Belém perpetua o nome do ilustre educador cametaense através do Grupo Escolar Dr. Freitas e 
do Boulevard Dr. Freitas, esta via pública no bairro do Marco, em cuja esquina com a antiga 
Avenida Tito Franco, Dr. Freitas morou numa espaçosa vivenda da época. Era casado com D. 
Ana Cardoso de Andrade Freitas. Deixou uma filha, D. Tereza Freitas Castro, casada com o 
proprietário do “Paris n’América”, tradicional e conceituado estabelecimento comercial da 
praça de Belém. 
 
DR. CARLOS AUGUSTO VALENTE DE NOVAES 
 
 
 
 
65 
 
Dr. Carlos Augusto Valente de Novaes Escritor, educador e político. Nasceu na cidade de 
Cametá. Faleceu no Rio de Janeiro a 07 de novembro de 1915. Era formado em medicina. 
Abraçou o magistério, exercendo por longos anos a cadeira de geografia no Ginásio Paes de 
Carvalho. Publicou vários livros didáticos como “História Natural”, “Física Elementar”, 
“Geografia Elementar e Especial do Estado do Pará”, “Geografia Primária”, “Geografia 
Secundária”, “Coreografia do Brasil”, e etc. 
Foi sócio benemérito da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro; sócio correspondente do 
Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo; Member Of The National Geografie do Society 
Of The United States Of North América, lente de corografia do Brasil na Facultade de Direito 
do Rio de Janeiro e Professor de Geografia da Escola Normal do Distrito Federal, afora outros 
Títulos Honrosos de seu “Curriculum Vitae”. Não temos dados da data exata de seu nascimento. 
 
DR. ENÉAS MARTINS 
 
 Dr. Enéas Martins Jornalista, político, administrador e diplomata. Nasceu em Cametá no 
ano de 1872 e faleceu no Rio de Janeiro a 02 de julho de 1919. Formado pela Faculdade de 
Direito de Recife, exerceu a advocacia em Belém e foi fundador do jornal “Folha do Norte”, cujo 
primeiro número circulou a 1º de janeiro de 1896. Colocando-se em oposição ao Governo do 
Estado, foi forçado a ausentar-se do Pará, transferindo sua residência para Manaus, onde 
exerceu sua profissão, não tardando ser eleito deputado federal pelo Amazonas. 
Em 1904 abandonou a política para dedicar-se à carreira diplomática. Como ministro 
plenipotenciário representou o Brasil em diversos países e tornou-se um dos melhores 
colaboradores do Barão do Rio Branco. Em pleno apogeu de sua carreira diplomática foi tentado 
por um convite para assumir o Governo do Pará, a fim de apaziguar as lutas políticas das duas 
facções que se digladiavam, uma chefiada pelo Dr. Lauro Sodré e outra pelo intendente Antônio 
Lemos. A indicação do DR. Enéas Martins foi feita pelo Catete e venceu o pleito como candidato 
único. Ao assumir o governo, em 1913, desfez-se do seu jornal “Folha do Norte”, que passou 
a ser propriedade de Cipriano Santos. As tramas políticas, porém, envolveram a boa fé do Dr. 
Enéas, que não teve pulso para dominar a oposição que se criou contra o seu governo, 
principalmente quando o terrível jornalista Paulo Maranhão passou a combatê-lo. No dia 27 
de dezembro de 1916 rebentou uma revolta na Polícia Militar. Enéas, sem chance de 
resistência, asilou-se no Arsenal de Marinha, tendo ali renunciado ao cargo de Governador. No 
dia 14 de janeiro seguinte, embarcou no vapor “Minas Gerais”, para o Rio de Janeiro, onde 
faleceu três anos depois, mais de doença moral do que física, na opinião de muita gente. 
 
ANTÔNIO JEREMIAS RODRIGUES 
 
Antônio Jeremias Rodrigues, nasceu em Cametá a 16 de fevereiro de 1879. Escultor exímio. 
Suas obras constituem para o nosso município um acervo de alto padrão. As diversas Igrejas 
de nossa cidade receberam o reflexo de sua capacidade artística. Imagens, como as de Santo 
Antônio, São João Batista, Bom Jesus, São Sebastião e Nossa Senhora das Dores, existentes 
 
 
 
66 
 
na catedral, são obras que imortalizam o renomado mestre na consciência de todos os 
cametaenses. Uma de suas mais apreciadas obras é a imagem de Nossa Senhora das Dores. 
Olhando os traços fisionômicos dessa imagem podemos aquiltar o grau da capacidade de 
Jeremias Rodrigues. O altar-mor da catedral e o altar da Igreja de Nossa Senhora das Mercês, 
são frutos de seu invejável trabalho. A imagem de São Benedito, na igreja do mesmo nome, 
também foi modelada pelo inesquecível escultor. 
Seus trabalhos criativos nas quadras carnavalescas, constituíram obras de requintada arte. 
Ainda vive na memória dos velhos foliões a beleza que constitui “A cegonha”, “surpresa”, 
apresentada pela sociedade cametaense no carnaval de 1947. Jeremias Rodrigues, além de 
escultor, foi emérito violoncelista. Estamos envidando esforços para que seu busto venha a 
figurar no jardim dos artistas, como homenagem a tanto quanto fez pela arte cametaense e a 
fim de que sua lembrança sirva de estímulo as gerações futuras. O grande artista faleceu em 
Cametá no dia 18 de janeiro de 1953. 
 
JOB DOS SANTOS MELO 
 
Job dos Santos Melo compositor e regente. Nasceu em Cametá a 12 de janeiro de 1865, onde 
faleceu a 20 de abril de 1933. Job dos Santos Melo regeu a Filarmônica Carlos Gomes e a 
Banda Euterpe Cametaense. Organizou a Banda Municipal de Baião, dirigindo-a durante algum 
tempo. Tornou-se conhecido com a publicação em “o Malho”, das melodias “Lamentos”, 
“Redenção de Cametá”, e “Mecânicos”. A conhecida valsa “Serment D’amour”, imprensa na 
Alemanha, até hoje constitui um grande sucesso. Compôs ainda o dobrado “Senador Lemos” e 
diversos hinos sacros. Também de sua autoria a valsa “Iza”, o samba “Minas Gerais” e o Shot 
“Joaquina”. Job dos Santos Melo é um dos homenageados no jardim dos artistas, desta cidade, 
onde seu busto lembrará sempre a grande contribuição que prestou à música cametaense. 
 
JOSÉ VEIGA SANTOS 
 
José Veiga Santos nasceu em Cametá a 18 de fevereiro de 1890, Filho de João Castro de 
Oliveira Santos e Maria Sacramento da Veiga Santos. Desde cedo demonstrou vocação para a 
pintura, tendo estudado desenho no curso técnico da Escola Nacional de Lisboa, para onde fora 
graças à interferência de seu padrasto João L. Marques. Voltando a Belém, dedicou-se à 
pintura como também à arte fotográfica,ocasião em que fundou em nossa capital a fotografia 
moderna. Frequentou ainda nos Estados Unidos, onde estivera, a Escola de Arte ao Ar livre. 
Posteriormente ocupou-se inteiramente do desenho e da pintura, passando a ensinar a arte de 
pintar durante quarenta anos. Centenas de alunos aprovaram os conhecimentos ministrados 
pelo mestre, fato que concorreu para o desenvolvimento da pintura entre nós. José Veiga 
Santos não se deixou influenciar pelas correntes modernas da pintura. Apaixonado pelo 
clássico e principalmente pelos motivos amazônicos, as suas belas telas hoje enriquecem as 
paredes particulares e dos edifícios públicos de Belém. O consagrado pintor faleceu a 25 de 
dezembro de 1966. 
 
 
 
67 
 
 
LUIZ DEMÉTRIO JUVENAL TAVARES 
 
Luiz Demétrio Juvenal Tavares nasceu em Cametá, a 21 de junho de 1849. Poeta e jornalista 
de grande talento. Publicou várias obras de expressiva sensibilidade poética e artigos de 
vigorosa combatividade na imprensa. Deixou os livros em versos “Pyrilampos” (1877), 
“Paraenses” (1877), “Viola de Joana” (1887), “Versos Antigos e Modernos” (1889) e os 
livros de contos “Vida na Roça”, “Casos e mais casos”, “Serões de Mãe Preta“, além de “Musa 
Republicana”. Juvenal Tavares era primo de Padre Prudêncio José das Mercês Tavares, o herói 
da resistência aos excessos da Cabanagem, em Cametá. A epidemia da Cólera-Morbus que 
grassou em Cametá em 1855, deixou-lhe na mente de criança uma recordação pungente. 
Referindo-se a essa triste época, que enlutou a cidade inteira, Juvenal Tavares dedicou à sua 
terra uma dolente poesia de que consta a seguinte estrofe: “O látego de Deus, flagelo lacerante/ 
a peste truculenta a faz chorar, gemer! / em sua face adusta, o luto está constante/ pintando 
o negro horror, que faz estremecer”. Pertenceu o poeta Juvenal Tavares à Academia Paraense 
de Letras, da qual foi um dos fundadores em 3 de maio de 1900. E faleceu em Soure, 
extremamente pobre, a 30 de junho de 1907. 
 
MESTRE PERNAFORT 
 
O artista plástico cametaense Raimundo Penafort de Sena faleceu segunda-feira de uma 
parada cardíaca, aos 78 anos de idade, professor Penafort, como era chamado pela população 
local, construiu seu nome como escritor, pintor, músico, e educador, chegou a ser reconhecido 
como Aleijadinho cametaense por seus trabalhos de entalhe em madeira e esculturas em 
igrejas da cidade. Nascido em 23 de janeiro de 1924, Raimundo Penafort de Sena foi criador 
do Instituto Histórico de Cametá, O artista plástico Ubiratan do Rosário o define como 
patrimônio da cultura cametaura, por seu trabalho que unia simultaneamente, a cultura 
espontânea de caráter popular a arte erudita. 
O enterro foi realizado na tarde de ontem na própria cidade de Cametá, muitos estudantes 
locais participaram de uma série de homenagens ao professor durante o funeral. Foi um dos 
maiores escultores de Cametá, pouco lembrado pelos cametaenses, mais reconhecido em 
outros países. Assim podemos descrever Raimundo Penafort: 
Nascido na cidade de Cametá em 1924, vindo de família pobre, estudando toda a vida 
estudantil em escolas públicas, descendente de um povo lutador e histórico, se firmou como 
um dos maiores escultores da sociedade cametaense conhecido como “Aleijadinho 
cametaense” título dado por esculpir imagens em madeiras, imagens que estão glorificando o 
grande cametaense que foi Raimundo Penafort. 
Esperamos que a passagem de Raimundo Penafort por essas bandas não seja como uma chuva 
ou uma ventania, mais sim como um marco de glorificação do cametaense que viveu para seu 
povo. Tanto no trabalho quanto no dia a dia, Raimundo Penafort vem confirmar que o 
cametaense é um povo inteligente, não pelas minhas palavras, mas por tudo que os 
 
 
 
68 
 
cametaenses representaram dentro da sociedade brasileira desde o descobrimento da 
sociedade em 1617. 
 
VICENTE SERRÃO DE CASTRO FILHO 
 
Nasceu em Cametá a 06 de maio de 1891, e faleceu em Macapá a 06 de março de 1961. Era 
Filho de Vicente Serrão de Castro e Cândida Rosa de Azevedo Castro, naturais do Estado do 
Maranhão. Vicente Serrão de Castro compositor, regente e mestre de banda, de destaque em 
Cametá. Atuou como mestre regente, organista e violinista do coro sacro, “Lira Angélica”, da 
matriz de Cametá. Autor de numerosas composições musicais e bem inspiradas, das quais 
destacamos: “Ah! O passado! ”, “Pérolas do Tocantins”, “soluços” e “lágrimas maternas”, 
valsas de alto conceito executadas com justos elogios em Belém do Pará. As marchas “força 
expedicionária brasileira”, ”ecos cametaenses” e “15 de novembro“, também constam de seu 
invejável repertório. Os dobrados “Inácio Moura”, “Jeremias Rodrigues” e “os voluntários”, 
assim como as músicas sacras, “Tantum Ergo”, “Ave Maria”, “’Jaculatória de São Benedito”, 
e “Jaculatória de São João Batista”. Autor da marcha civil “Glórias cametaenses”, também 
executada inúmeras vezes em Belém, pelas bandas militares. Emérito professor de música. 
Ainda hoje, a centenária banda euterpe cametaense, dirigida por seu filho, o maestro Cupijó, 
tem em suas fileiras músicos que receberam a sua orientação. Como homem público exerceu 
nesta cidade o cargo de Secretário Municipal na época do intendente Manoel Mário Martins, 
tendo assumido a intendência Municipal, interinamente, por várias ocasiões. Foi redator do 
jornal “A luta” que circulava na Região Tocantina. Vicente Serrão de Castro Filho foi um 
cametaense que deu notável contribuição à cultura paraense. 
 
VICTOR TAMER 
 
Membro da Academia Paraense de Letras, Escritor, Cirurgião Dentista, Professor de Francês e 
Artista Plástico. O Dr. Victor Tamer nasceu na cidade de Cametá em 31 de agosto de 1912, 
Filho de Armindo Tamer e Rosa Tamer, ambos libaneses. Fez o Curso Primário no Grupo 
Escolar Dom Romualdo de Seixas, em sua terra natal e o secundário em Belém, como aluno 
interno do conceituado Colégio Progresso Paraense, do renomado educador Dr. Artur dos 
Santos Porto. Ingressou a seguir na faculdade de odontologia do Pará, recebendo o grau de 
Cirurgião-Dentista no ano 1933. Fundou em Cametá a revista literária “O Royal”, de grande 
aceitação na sociedade cametaense, cuja coleção ofereceu à nossa biblioteca municipal. 
Colaborou assiduamente nos jornais locais “Jornal de Cametá” e “O Tocantins”. 
Em Belém manteve por longo tempo uma coluna semanal na “Folha do Norte” de Paulo 
Maranhão e ainda escreve no jornal “A Província do Pará”. Professor de língua francesa pela 
Aliança francesa de Belém, da qual foi seu Presidente por três vezes, lecionou esse idioma por 
mais de uma década no Colégio Santa Rosa. Trabalhou como Odontólogo na Previdência Social 
e na Saúde Pública do Estado, pela qual se aposentou após tempo integral de serviço prestado. 
 
 
 
69 
 
Sócio efetivo da Academia Paraense de Letras e do Instituto histórico e Geográfico do Pará 
possui em sua bagagem literária as seguintes obras publicadas: Viagem à Europa, momentos 
da vida (crônicas), paisagem humana (crônicas), discursos solentes, Cametá e sua história e 
Chão Cametaense, além de inúmeras crônicas esparsas em órgãos de publicidade. Possuindo 
pendores para a pintura, várias telas de sua autoria estão expostas no museu histórico de 
Cametá, na Academia Paraense de Letras e outros lugares particulares. 
“Medalhas Condecorativas “José Veríssimo”, Pedro Teixeira” e “Academia Municipalista do 
Brasil”, além de duas dezenas de medalhas comemorativas de várias instituições culturais. 
Títulos de “honra ao mérito” outorgados pela assembleia legislativa do estado e pela Câmara 
Municipal de Cametá, que também lhe outorgou a comenda do mérito Dr. Gentil Bittencourt. 
Victor Tamer é casado com Maria Adelaide Tamer com quemteve três filhos: Victor Tamer 
Filho, formado em odontologia (falecido), Maria das Graças Tamer Vasques, formada em 
pedagogia e Sérgio Victor Tamer, bacharel em Direito, todos casados e mais nove netos e dois 
bisnetos. 
 
ASPECTOS SÓCIO-GEOGRÁFICOS 
 
1 - ASPECTOS GEOGRÁFICOS 
 
1.1 - Localização 
 
O município de Cametá está localizado na mesorregião do Nordeste Paraense e na Microrregião 
de Cametá. 
 
1.2 - Limites 
 
Norte - Limoeiro do Ajuru 
Sul - Mocajuba 
Leste - Igarapé-Miri 
Oeste - Oeiras do Pará. 
Coordenadas geográficas: 2º14’40”S e 49º29’45”W 
 
1.3 - Área 
 
O município tem uma área territorial de 3.108,5 km². 
 
- Distância da Capital 
 
Destino Meio de Transporte Distância (km) Tempo de Viagem 
Belém Hidroviário 174 10h 
Belém Aéreo 146 50 min. 
 
 
 
70 
 
Belém Misto 156 4h30 min. 
 
2 - ASPECTOS FÍSICOS E NATURAIS 
 
2.1 - Clima 
Apresenta o clima típico da região Amazônica - Equatorial, Quente Úmido. Localizado em área 
de baixa latitude. As temperaturas se mantêm elevadas o ano todo. A temperatura média anual 
oscila entre 22º e 28º. A precipitação pluviométrica anual é bastante elevada, com volumes 
entre 2.000 e 2.250 mm, sendo o outono a estação mais chuvosa, concentrando cerca de 50% 
do total anual. Na primavera ocorre o período menos chuvoso, tratado como verão, é um período 
de grandes necessidades de água, devido às elevadas temperaturas, onde se verifica um 
pequeno período de 1 a 2 meses seco. A umidade relativa do ar é bastante alta durante todo 
ano, oscilando em torno de 85%. 
 
2.2 - Solo 
 
Apresenta solos com horizonte B LATOSSÓLICO. Há áreas onde a agricultura é pouco 
favorecida, devido ao alto teor de alumínio, requerendo correções. As chuvas abundantes 
favorecem a lixiviação, mas a fertilização e técnicas adequadas em culturas adaptadas podem 
corrigir a baixa fertilidade natural dos terrenos. 
 
2.3 - Hidrografia 
 
O principal rio é o Tocantins, que atravessa o município no sentido sul-norte; nele os furos e 
paranás possuem designações particulares, cujo destaque maior é para uma centena de ilhas 
nas quais habitam os ribeirinhos. 
 
2.4 – Vegetação 
 
O município apresenta a típica floresta amazônica. A floresta ombrófila densa (floresta tropical 
pluvial). Esse tipo de floresta é típico das galerias pluviais tropicais. A cobertura vegetal 
primária, devido a ação humana por mais de três séculos, encontra-se parcialmente alterada, 
principalmente próximo às estradas. A área é recoberta por floresta de várzea e de terra firme. 
Destaca-se a presença de Campinas em algumas porções de terra firme e as ilhas que são 
verdadeiros pindoramas, graças a abundância de palmeiras como miriti e açaí. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
71 
 
2.5 - Geologia, Relevo e Topografia 
 
O município fica tanto nas planícies costeiras como nos tabuleiros costeiros. O território 
compreende terras nas duas margens do baixo rio Tocantins, correspondendo a uma zona de 
várzeas e a uma área mais elevada dos tabuleiros, estes mais altos na margem direita. As cotas 
altimétricas variam entre 14 e 30 metros, mas a topografia é predominante plana. 
 
3 - ASPECTOS DEMOGRÁFICOS 
 
De acordo com a estimativa do IGBE de 2018, a população total do município de Cametá é de 
136,344 habitantes, sendo que 40.417 residem na zona urbana e 57.207 na zona rural. Sua 
densidade demográfica é de 39,33 hab/km. A tabela abaixo demonstra a distribuição espacial 
da população residente no município de Cametá. 
 
Distribuição da População Municipal - 2018 
 
População % Total 
Urbana 42 57,238 
Rural 58 79,106 
Total 100 136,344 
Fonte: IBGE/2018 
 
4- ASPECTOS ECONÔMICOS 
 
4.1 - Extrativismo 
 
Vegetal: destaca-se o açaí, sementes oleaginosas (andiroba, ucuuba, muru-muru), o palmito, e 
a castanha-do-pará. 
Mineral: a extração de areia é uma importante atividade subsidiária do setor industrial de 
Cametá. 
 
4.2 – Pecuária 
 
Irrelevante 
 
4.3 – Comércio 
 
Observa-se a expansão dessa atividade econômica com o surgimento de lojas e supermercados, 
além de outros estabelecimentos comerciais. 
 
 
 
 
 
72 
 
4.4 - Agricultura 
 
Os principais produtos são: mandioca, pimenta-do-reino e o cacau. Inclui-se na produção 
agrícola do município a banana, o arroz, o coco-da-baía e o feijão, todos esses em menor escala. 
Há no município uma considerável produção de frutas regionais como o maracujá, o cupuaçu, 
o bacuri, o taperebá (cajá) e a manga. 
 
4.5 - Pesca 
 
O município apresenta atividade pesqueira artesanal. Destacam-se o mapará, a pescada branca 
e o tucunaré. Há no município, experimentos de piscicultura em cerca de 100 (cem) tanques 
com criação de tambaqui e curimatá (curimatã). 
 
4.6 - Indústria 
 
Observa-se que a indústria da madeira apresenta declínio em número de estabelecimentos, 
mas as pequenas serrarias da zona rural ainda colocam essa atividade em primeiro lugar, 
seguida de muito perto pelo beneficiamento de produtos, alimentares, com os maiores 
estabelecimentos beneficiando palmito e a castanha-do-pará. Há de se destacar também o 
incremento na atividade moveleira. 
 
5- ASPECTOS SOCIAIS 
 
5.1 - Sistema de Transporte 
 
Acesso 
 
a) Rodoviário 
 
A sede municipal é servida pela Rodovia PA-156 que faz a ligação com os municípios de 
Limoeiro de Ajuru e Tucuruí. A margem direita do território municipal também é interceptada 
pela Rodovia PA-151 que liga Baião a Igarapé-Miri. Dela partem rodovias menores que ligam 
as vilas de Curuçambaba (PA-467), Carapajó (PA-469) e Vila do Carmo do Tocantins (PA-
471). Outras vilas e povoados menores são servidos por estradas e ramais municipais. 
 
b) Fluvial 
 
O porto de Cametá é um dos mais movimentados da região do Baixo Tocantins, estabelecendo 
ligações regulares para os municípios de Limoeiro do Ajuru, Mocajuba, Baião, Tucuruí, 
Abaetetuba e Belém. 
 
 
 
 
73 
 
c) Rodo-fluvial 
 
d) Aéreo 
 
Há no município um campo de pouso com pista asfaltada de 800 metros de extensão, 
permitindo pouso e decolagem de aeronaves de pequeno porte, e já está em ênfase de conclusão 
O novo aeroporto, que fica na Transcametá Km 05. 
 
e) Transporte Urbano 
 
Moto-taxistas, taxistas e motoristas de aplicativos, além dos ônibus e vans que realizam o 
transporte entre a sede do município e as vilas e localidades mais próximas da cidade. 
 
f) Rodovias Vicinais 
 
PA 467 - Liga a PA 151 ao Distrito de Curuçambaba 
PA 469 - Liga a PA 151 ao Distrito de Carapajó 
PA 471 - Liga a PA 151 ao Distrito de Vila do Carmo 
CAM 08 - Liga a PA 156 a Vila de Juaba 
 
5.2 - Sistema Educacional 
 
Estudantes Matriculados 2017 
Creche e Pré-Escola 8.069 
Ensino Fundamental 29.313 
Ensino Médio 6.215 
EJA (Educação de Jovens e Adultos) 3.630 
Fonte: IBGE/2017 
 
5.3 - Sistema de Saúde 
 
A infraestrutura de saúde do município é constituída de 02 (dois) hospitais, 22 (vinte e dois) 
postos de saúde municipais, 2 (dois) centros de saúde e 04 (quatro) laboratórios. São 184 
leitos hospitalares e 41 médicos. 
 
5.4 - Serviços Básicos 
 
a) Abastecimento de Água 
 
Serviço Autônomo de Água e Esgotos - SAAE 
Quantidade de Reservatórios: 03 (227, 150 e 56 metros cúbicos, respectivamente). 
 
 
 
74 
 
 
População Atendida: 
 
30.000 pessoas na Zona Urbana 
3.500 pessoas na Vila do Carmo (distrito) 
1.800 pessoas na Vila do Carapajó (distrito) 
1.800 pessoas na Vila de Curuçambaba (distrito) 
1.530pessoas na Vila de Juaba (distrito) 
 
b) Energia Elétrica 
 
O sistema de energia elétrica da cidade de Cametá é administrado pela Rede Celpa. A 
subestação que fornece energia elétrica é do próprio município (Cametá). As localidades com 
energia elétrica são: Vila do Carmo, Vila de Carapajó, Vila de Juaba, Vacaria, Cametá-Tapera, 
Mupi, Pacajá, Vila de Joana Coeli, Vila de Areião, Vila de Curuçambaba, Belos Prazeres, Vila 
do Coco, Umarizal, Vila de Bom Jardim, Vila de São Benedito, Vila de Porto Grande, cidade de 
Cametá. O fornecimento de energia elétrica é feito durante 24hs/dia e o fornecimento de 
iluminação pública inicia às 18hs, e encerra às 06hs, em um período diário de 12hs. Os 
consumidores de energia elétrica agrupam-se em seis classes: residencial, comercial, 
industrial, pública, poder e empresas de serviço público. 
 
C) Coleta de Lixo 
 
O serviço de limpeza pública de Cametá é de responsabilidade da Prefeitura, com exceção da 
remoção do entulho que está sob a responsabilidade do morador ou inquilino da residência. A 
taxa de cobertura da coleta do lixo doméstico é de 80% no perímetro urbano, chegando a 50% 
na zona rural. Diariamente são coletadas 20 toneladas de lixo na zona urbana. Na zona rural 
chega a aproximadamente 12 toneladas. O lixo da zona urbana é depositado a céu aberto, com 
uma área de 4.000 metros quadrados, localizada na Estrada do Coco, sendo que o lixo da zona 
rural é depositado nas imediações das vilas. 
 
D) Saneamento Básico 
 
O sistema de esgotamento sanitário do município não é tratado e cobre apenas o centro da 
cidade. O destino final do sistema de esgoto é o Rio Tocantins. Foram construídos pelo Projeto 
Alvorada do Governo Federal, 180 banheiros com fossas sépticas nos bairros periféricos da 
cidade. 
 
6- ATRATIVOS TURÍSTICOS 
 
6.1 - Atrativos Naturais 
 
 
 
75 
 
 
a) Praias 
 
É grande o número de praias espalhadas na extensão do rio Tocantins e seus afluentes, dentro 
do território do município, seja circundando ilhas, no meio dos rios mais largos e na beira de 
terra firme. Dependendo das marés e da época do ano, tais praias crescem ou diminuem de 
tamanho e constantemente estão mudando de lugar. 
 
Praia da Aldeia de Parijós 
 
Situada às margens do rio Tocantins, ao norte do centro da sede do município, atualmente 
considerando-se um bairro da cidade de Cametá. Os meios de acesso ao atrativo são: rodoviário 
(pavimentado em parte), hidroviário ou fluvial. A distância do núcleo urbano é de 
aproximadamente 3 km, gastando-se o tempo de 5 minutos neste trajeto (veículo automotor). 
 
Praia do Pacajá 
 
Situada às margens do rio Tocantins, na Vila de Pacajá, ao norte da sede do município. Os 
meios de acesso ao atrativo são: rodoviário (não pavimentada), hidroviário ou fluvial. A 
distância do núcleo urbano é de aproximadamente 5 km, gastando-se o tempo de 10 minutos 
variando para mais ou para menos dependendo do estado da estrada de acesso. 
 
Praia de Cametá-Tapera 
 
Situada às margens do rio Tocantins, na Vila de Cametá-Tapera, ao norte da sede do município. 
Os meios de acesso ao atrativo são: rodoviário (não pavimentada), hidroviário ou fluvial. A 
distância do núcleo urbano é de aproximadamente 10 km, gastando-se uns 20 minutos 
aproximadamente. 
 
Praias de Marajuba 
 
Denominada de Fazenda, sua extensão é de 1 km, aproximadamente. Está situada às margens 
do rio Tocantins, apresentando várias espécies de árvores frutíferas, como palmeiras de açaí 
e buriti, além de seringueiras e outras. Há uma produção agrícola de pimenta-do-reino, arroz, 
mandioca, milho etc. 
 
Praia de Carapina 
 
Localizada à margem esquerda do rio Tocantins, com extensão de aproximadamente 2 km. O 
acesso é fluvial e encontra-se no seu estado primitivo. 
 
 
 
 
76 
 
b) Ilhas 
 
No município de Cametá existem cerca de 100 (cem) ilhas distribuídas ao longo do rio 
Tocantins que corta o município no sentido norte-sul. As principais são: 
 
 
 
Ilha do Itaúna 
 
Situada no distrito de Cametá, no rio Tocantins, a leste da sede do município (mais 
precisamente em frente da cidade de Cametá). Os meios de acesso ao atrativo são: hidroviário 
ou fluvial. A distância do núcleo urbano é de 2 km, que levam em média 10 minutos em barcos 
de médio porte apropriados para este fim. 
 
Ilhas de Praticaia e Paruru 
 
Situadas no distrito de Cametá, no rio Tocantins, a leste da sede do município. Os meios de 
acesso ao atrativo são: hidroviário ou fluvial. A distância do núcleo urbano é de 
aproximadamente 18 km que podem ser percorridos em uma hora e trinta minutos em média. 
 
Ilha do Pacuí 
 
Situada no distrito de Cametá, no rio Tocantins, ao sul da sede do município. Os meios de 
transporte ao atrativo são: hidroviário ou fluvial. A distância do núcleo urbano é de 3 a 4 km, 
podendo ser percorridos em 45 minutos em média. 
 
Ilha de Cuxipiari 
 
Situada no distrito de Cametá, no rio Tocantins, tendendo para o centro do rio, a leste da sede 
do município. Os meios de acesso ao atrativo são: hidroviário ou fluvial. A distância do núcleo 
urbano é de aproximadamente 12 km, que leva 1(uma) hora em média de barco da região. 
 
Ilha de Marinteua 
 
Situada no distrito de Moiraba, no rio Tocantins, ao sul da sede do município. Os meios de 
acesso ao atrativo são: hidroviário ou fluvial. A distância do núcleo urbano é de 
aproximadamente 12 km que podem ser percorridos em 1 (uma) hora e 30 (trinta) minutos.

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