Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
 
Introdução à Embriologia Ocular 
 
O código genético é comum a todas as células e o que as diferencia entre si é a 
porção do genoma que é expresso, segundo a “interpretação” das circunstâncias 
que as rodeiam em dado momento da seqüência embriológica. Assim, cada uma 
delas segue representando seu papel na sociedade multicelular que é o nosso 
organismo. 
 
A fecundação, que corresponde à união entre um óvulo e um espermatozóide leva 
à formação de um ovo unicelular, que passa então a se dividir em dois, quatro, oito 
e enfim, 16 células que passa a ser a mórula envolvida pela membrana pelúcida. 
A liberação de fatores de crescimento que intervêm no metabolismo de 
fosfolípides intracelulares (inositol), ativam enzimas do tipo proteína C – quinase 
que vão alcalinizar o meio intracelular ativando síntese de DNA e proteínas. Além 
disso, estes fatores influenciarão na coesão das células mais externas da mórula, 
isolando-a do meio exterior enquanto as pressões osmóticas criadas pela saída dos 
íons Na+ através das membranas celulares criam uma cavidade (blastocele) e um 
pólo de células compactadas, o embrião. 
 
Graças à elongação, adesão e contração, o pólo celular se transforma em uma 
estrutura trilaminar com um eixo central e simetria bilateral: gástrula. Destas 3 
lâminas se originarão os folhetos fundamentais comuns a todos os organismos 
superiores: Ectoderma: Que origina a pele, SNC e periférico, epitélio sensorial do 
olho, ouvido e nariz, glândulas mamárias, hipófise, glândulas subcutâneas e 
esmalte dentário. 
Endoderma: Que origina os intestinos e pulmões. 
Mesoderma: Que origina os músculos, inclusive os extra-oculares, rins e ossos. 
 
A morfogênese destes 3 folhetos germinativos depende de 4 fenômenos de 
indução a nível molecular: 
a) modificação do citoesqueleto celular condicionando a deformação da célula 
e seus movimentos; 
b) coordenação entre as células por um sistema de comunicação intercelular 
(gap junctions); 
c) as aderências intercelulares (glicoproteínas, neuroglia, etc., conhecidos 
como moléculas de adesão celular – CAM ou Cell Adhesion Molecules) 
d) o substrato pelo qual se deslocam (papel das fibronectinas e seus 
receptores). 
 
As CAM têm papel fundamental nos deslocamentos e posicionamento dos folhetos 
embrionários. Graças à uma matriz rica em fibronectinas é possível o 
deslocamento de um grupo de células próximo ao ectoderma, a crista neural que 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 1 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
irá se distribuir estrategicamente ao longo dos folhetos embrionários originando os 
melanócitos, o sistema nervoso periférico e estruturas oculares fundamentais. 
Neste esquema observarmos a variação da concentração molecular das adesinas 
(CAM) e fibronectinas durante as 5 fases da morfogênese. 
 
A: determinação na periferia da placa neural 
B: células da crista neural se isolam da placa neural 
C: migração celular 
D: condensação das células após a constituição dos gânglios nervosos 
E: diferenciação dos neurônios 
 
 
 
 
LCAM: glicoproteínas contráteis presentes nas células embrionárias do fígado (L=fígado) 
fazem parte da família das adesinas, juntamente com a N. caderina 
 
NCAM: glicoproteínas presentes nas células do sistema nervoso central e periférico tendo 
características semelhantes às imunoglobinas. A função principal é promover a 
adesão celular. 
 
FN: fibronectina 
 
NgCAM: glicoproteínas das células da neuróglia 
 
A análise destas curvas de concentração nos mostra que a fibronectina 
intermédia, por mecanismos de adesão e/ou migração, o comportamento da crista 
neural. Esta massa de células, localizada lateralmente à placa neural, se comporta 
ora como células migratórias isoladas ora como uma massa epitelial. A 
fibronectina é tão importante que se injetarmos precocemente anticorpos 
monoclonais anti-fibronectina não ocorre a gastrulação. Em sua etapa mais 
avançada, haveria o alongamento do ectoderma e mesoderma, porém, este último 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 2 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
não se contactaria com o ectoderma nem haveria indução para formação da placa 
neural. 
A partir de um ovo único fecundado, a natureza vai permitir que, em algumas 
semanas, seja elaborado um organismo multicelular composto de células 
diferenciadas segundo um plano preciso. Os tipos celulares são distribuídos 
geograficamente e na etapa seguinte, o de proliferação com diferenciação, cria-se 
um ecossistema estabilizado onde certos tecidos se renovam, mas mantêm sua 
diferenciação sem alterar a organização global. 
 
O desenvolvimento intrauterino envolve a execução precisa de um programa de 
apoptose; assim, o crescimento fetal emprega em sua sofisticada escultura a 
modulação pela morte celular. As células de um organismo vivo estão em 
intercomunicação constante com os tecidos e órgãos à distância através de um 
intricado sistema de sinalização química. Estas informações são analisadas 
continuamente e a célula opta por cometer o suicídio, uma cascata de morte se 
instala com morte intracelular, fagocitose da célula apoptótica e a reabsorção dos 
restos celulares. 
O mecanismo de morte celular pela apoptose é geneticamente controlado e 
por ela a célula ativa uma seqüência de instruções que leva à sua “desconstrução” 
de dentro para fora; processo de evolução da própria vida, tal como as folhas que 
caem no outono para a renovação da própria folhagem das árvores. Este código de 
“morte celular” é modulado pelo próprio DNA que controla o desenvolvimento 
dos organismos multicelulares através da eliminação estratégica de células 
selecionadas SEM a ocorrência de edema, lise celular e inflamação como é o caso 
na necrose. 
Um exemplo clássico de apoptose é observado no crescimento das extremidades 
do ser humano quando os dedos se separam pela remoção das membranas 
interdigitais. Horovitz, Brenner e Sulston ganharam o Prêmio Nobel de Fisiologia 
e Medicina em 2002 por suas contribuições neste campo. As proteínas mediadoras 
da programação de morte programada, a apoptose, são as “caspases”. Estas 
proteínas atuam como “tesouras” moleculares que quebram certas proteínas 
fisiológica e estruturalmente importantes desencadeando a morte intracelular. A 
degeneração macular senil, retinopatias congênitas, retinite pigmentar, doença de 
Alzheimer, Aids, etc., são exemplos de patologias relacionadas à desequilíbrios no 
mecanismo de apoptose. Outros exemplos serão mencionados no curso de 
embriologia e malformações. 
 
O desenvolvimento do ovo, fertilizado através dos estágios de clivagem, mórula, 
blástula, gástrula e tubo neural, a formação das três camadas germinativas 
(ectoderma, mesoderma e endoderma) com o estabelecimento dos órgãos 
rudimentares primários, fazem parte do conhecimento básico na Embriologia 
Geral. 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 3 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
Resumidamente podemos descrever a seqüência embriológica humana nas 
seguintes etapas: crescendo interiormente, o embrião com 28 dias tem a forma 
encurvada em “C”. Seu cérebro e coração primitivos estão muito ativos e o 
embrião tem em sua porção apical um espessamento no tamanho de 1 cabeça de 
alfinete, correspondente ao cérebro. Nos 3 arcos abaixo deste espessamento estão 
os aparelhos essenciais para as futuras funções da audição, fala, respiração, 
alimentação e expressão facial. 
 
 
 
Como numa revelação fotográfica em banho de imersão;o embrião se torna mais 
distinto a cada dia. Uma estria em curva aparece acima da saliência facial, trata-se 
do ouvido primitivo. Nesta mesma fase, o cristalino se aprofunda na taça óptica 
concluindo mais uma etapa no desenvolvimento do globo ocular. 
 
 
 
Duas placas espessadas da camada ectodérmica externa original se expandem, 
depois se dobram formando depressões rodeadas por anéis celulares em forma de 
ferradura; estas se tornarão o nariz. 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 4 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
Com grande velocidade, o origami humano vai se organizando cada vez mais em 
formas específicas, o cérebro é agora uma série de 5 cavidades revestidas por 
tecido embrionário neural, e as células da parte apical iniciam sua diferenciação 
formando o córtex cerebral, sede do intelecto. As depressões auditivas se 
expandem e a nasal se aprofunda e sobe em direção aos olhos. Como o coração e o 
cérebro até aqui eram mais necessários do que o aparelho digestivo, a parte 
inferior do corpo se desenvolveu mais lentamente que a superior. 
 
O fígado, estômago e esôfago começam a se desenvolver assim como projeções 
dos ombros, membros e partes distais. 
 
Células sexuais migram do saco vitelino para os locais onde os órgãos sexuais se 
desenvolverão. A cauda vestigial atinge seu comprimento máximo antes de 
começar sua involução completa. 
 
O embrião humano ainda dobrado, com a cabeça e cauda a se tocar, parece ser o 
mesmo que qualquer outro vertebrado no mesmo estágio. Por fora, poderia ser 
uma ave, rato ou um porco, mas internamente a máquina embrionária está 
totalmente ativada e direcionada à confecção de um ser humano e os efeitos 
cumulativos deste trabalho começarão a aparecer neste ponto. 
 
 
 
Os setores faciais começam a se juntar rapidamente, um sulco se forma próximo a 
depressão nasal – futuro maxilar e lábio. Dois dias depois, as hemi-partes 
superiores e inferiores se fundem simetricamente. Mais 48 horas, a musculatura 
facial e os dentes iniciam sua formação com a involução dos arcos branquiais 
vestigiais. 
 
Os olhos iniciam sua pigmentação e menos de 24 horas após, os músculos 
extraoculares – dentre os mais delicados do organismo – começam a sua 
diferenciação. 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 5 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
 
Fibras nervosas conectam-se com região olfatória do cérebro, pavimentando a via 
para o sentido do olfato. 
 
Enquanto isso, o coração começa a se subdividir em câmaras bombeadoras 
enquanto o fígado inicia a produção de células sangüíneas a partir do saco vitelino 
que começa a se dissolver. 
 
Se o 1º mês foi o do grande planejamento, no 2º a execução atinge seu ápice. 
Embora haja riscos no desenvolvimento do embrião, estes já são bem menores à 
medida em que o embrião assume cada vez mais sua forma humana. 
 
 
Embriologia Ocular 
 
O conhecimento da ontogenia adquire para o oftalmologista uma importância 
muito além do aspecto acadêmico de sua formação, uma vez que nenhum outro 
órgão do corpo humano as anomalias de embriogênese são tão aparentes quanto 
em sua especialidade. O diagnóstico diferencial entre uma anomalia do 
desenvolvimento e uma patologia adquirida torna-se em muitos casos questão 
crucial e extremamente delicada pois a partir dele serão tomadas decisões clínicas 
de considerável responsabilidade. 
 
A seqüência da evolução embriológica pode ser dividida em 3 fases: 
embriogênese, organogênese e diferenciação. 
Na fase de embriogênese: 
a) Na fase de embriogênese, individualização dos folhetos embrionários 
(ecto, meso e endoderma) até o aparecimento do olho primitivo (1ª até a 3ª 
semana após fecundação) 
 
 
 
27 dias / 4mm 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 6 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
b) Na fase da organogênese, camadas se organizam em padrões específicos 
formando órgãos (4ª até a 8ª semana). 
c) Na fase da diferenciação, elaboração das estruturas características de cada 
órgão, fase mais tardia que se prolonga até depois do nascimento como no 
caso da retina (3º ao 9º mês) em geral, da mácula (16º mês) e fovéola (45º 
mês) em especial. 
 
Pela sua complexidade, uma vez que a seqüência embriológica se faz com eventos 
em cascata e com interações tridimensionais, entraremos em descrições detalhadas 
de algumas etapas da embriogênese, organogênese e diferenciação. 
 
Durante a fase da embriogênese (1ª até o final da 3ª semana), ressaltamos alguns 
detalhes: a migração das células da crista neural e a formação do tubo neural, a 
região situada medialmente do mesoderma (chamada de mesoderma paraxial) 
forma somitos pareados que se alinham ao longo de ambos os lados do canal 
neural. 
 
Lateralmente aos somitos, o mesoderma se divide em duas camadas, uma 
associada ao ectoderma situado acima e a outra ao endoderma situado abaixo do 
mesmo. 
 
A – Mesoderma paraxial 
B – Somitos ventrais 
C – Área pericardíaca 
D – Arco branquial 
 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 7 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
O sulco óptico está contido no prosencéfalo. O canal neural ainda não se fechou 
anteriormente. A segmentação do mesoderma em somitos se inicia posteriormente 
à cefálica da notocorda que fica debaixo do canal neural. O 1º par de somitos é o 
occipital e cada um dos 42 pares se formam sucessivamente no sentido crânio-
caudal. 
 
 
As células da crista neural (CCN) aparecem dorsalmente, a partir das células 
neuroepiteliais das extremidades laterais da placa neural. 
 
Células da crista neural marcadas com timidina triciada 
 
 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 8 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
Durante a fase primária as células mesodérmicas e a CCN não tem diferenças 
bioquímicas ou citológicas significativas. A distinção principal está na sua 
capacidade de migração: enquanto as células mesodérmicas primárias ficam 
imobilizadas, as CCN são capazes de ampla movimentação, graças à ação da 
fibronectina. 
 
Os tecidos do olho são derivados do ectoderma neural, crista neural, ectoderma 
superficial e mesoderma. O termo mesênquima abrange o mesoderma e os tecidos 
conjuntivos de origem diversa, como é o caso da crista neural. Os tecidos que se 
originam da crista neural são chamados de mesectoderma. Os músculos extra-
oculares e os componentes vasculares particularmente o endotélio, tem origem no 
mesoderma primitivo. 
 
A formação do globo ocular acompanha o desenvolvimento do sistema nervoso 
central e o esboço deste último ocorre ainda na 3ª semana de desenvolvimento, 
partir do tubo neural. 
 
No final da 3ª semana, a porção craniana do tubo neural apresenta dilatações 
separadas por duas constrições. São as vesículas cerebrais primárias: 
prosencéfalo, mesencéfalo e rombencéfalo. O olho primitivo, também chamado 
de sulco óptico aparece como um par de estrias em cada lado da linha média da 
placa neural antes de seu fechamento tubular, exatamente entre o diencéfalo e o 
telencéfalo ao 22º dia da embriogênese. Com o aparecimento do sulco óptico 
considera-se encerrado o período da embriogênese. 
 
A organogênese perdurará entre a 4ª até o final da 8ª semana. 
Ao final da 4ª para a 5ª semana, o prosencéfalo subdivide-se em telencéfalo 
anteriormente e diencéfalo posteriormente. 
 
Na 4ª semana o olho primitivo sofre uma escavação e se torna uma vesícula com a 
formação de uma dobra inferior que se denominafissura embrionária ou 
coroidiana. 
 
 
A vesícula e o canal óptico invaginam formando 
a fissura coroidiana inferior 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 9 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
 
 
 
Esta fissura se fechará no centro e depois ântero-posteriormente até a íris e o nervo 
óptico respectivamente ao fim da 6ª semana. 
Como dissemos, as vesículas ópticas crescem e sofrem uma invaginação 
adquirindo aspecto de taça. Ao se dobrar, o neuroectoderma passará a apresentar 
uma dupla camada: as camadas interna e externa da futura retina. E entre elas, 
persiste um espaço virtual intraretiniano que se comunica com o 3º ventrículo pelo 
canal óptico. 
A invaginação da vesícula afeta o canal ou haste óptica formando uma fissura, à 
qual já nos referimos no parágrafo anterior como fissura embrionária. 
 
 
A artéria central da retina, penetra no canal óptico através desta fissura. 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 10 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
A artéria hialóidea, futura artéria central da retina, penetra no canal óptico através 
desta fissura. A invaginação da vesícula óptica está sincronizada com a 
invaginação de uma placa de ectoderma superficial correspondente ao cristalino. 
 
Com a indução da placa ectodérmica e sua invaginação para formar a vesícula 
cristaliniana a vesícula óptica se invagina para formar a taça óptica. Após esta fase 
a retina neural se desenvolverá relativamente independente dos outros tecidos. 
 
Normalmente o acúmulo do vítreo primário dentro do olho é rápido o suficiente 
para impedir dobras na retina se está se distendendo. 
 
Quando a indução do ectoderma superficial inicia a formação do espaço 
lenticuloretiniano e do cristalino; o epitélio pigmentar da retina se diferencia na 
camada externa da taça óptica. 
 
Inicialmente, as 2 paredes da taça óptica são monocelulares (1ª fase do 
desenvolvimento retina, embrião com 4-10min). As células da face interna, através 
de induções químicas se divide em várias camadas de células formando a camada 
neuroepitelial ou retina sensorial. 
 
 
 
Entre as camadas interna e externa da futura retina, persiste um espaço virtual 
intraretiniano que se comunica com o III ventrículo pelo canal óptico. 
 
O desenvolvimento da retina sensorial inicia-se ainda no estágio de vesícula 
óptica, com a migração dos núcleos para a superfície da retina sensorial. 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 11 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
No segundo estágio do desenvolvimento retiniano (10 a 70mm), obesrvamos uma 
zona de fibras primitivas entre as camadas interna e externa da retina sensorial ou 
neuroblástica, trata-se da camada transitória da Chievitz que desaparecerá. 
 
O desenvolvimento subseqüente da retina se caracterizará pela formação de novas 
camadas através da divisão celular e migração posterior destas células. A retina se 
desenvolve de dentro para fora: as células ganglionares formam-se precocemente e 
os fotorreceptores são os últimos a atingir plena maturação. 
 
No 3º estágio de desenvolvimento retiniano (70 a 200mm) ocorre a diferenciação 
das células: da camada neuroblástica interna vêem as células ganglionares, células 
de Muller, amácrimas e horizontais. A neuroblástica externa origina as células 
bipolares, cones e bastonetes. As alterações na morfologia retiniana ocorrem pela 
formação simultânea de conecções intercelulares múltiplas e de alta complexidade. 
No 5º mês de gestação, a maior parte das conecções neurais já estão estabelecidas 
(Mann, 1964). 
 
As sinapses funcionais são feitas quase que exclusivamente nas 2 camadas 
plexiformes e o pericarion das células nervosas está distribuído pelas três camadas 
nucleares. 
 
A maturação dos fotorreceptores começa pela formação dos segmentos externos 
contendo o pigmento visual nas múltiplas pregas de sua membrana plasmática. 
Com a definição dos segmentos completa, o olho se torna fotossensível à luz em 
torno do sétimo mês de gestação. A última porção a se maturar é a fóvea. O 
espessamento da camada ganglionar inicia-se no 4º mês de gestação. A camada 
nuclear externa é mais espessa aqui do que no restante da retina e consiste quase 
inteiramente em cones em desenvolvimento. 
 
As células ganglionares migram radialmente para fora em círculo, deixando a 
fóvea livre de seus núcleos. As conecções célula-célula pré-existentes e os cones 
da fóvea alteram sua forma para acomodar o movimento das células ganglionares. 
O desenvolvimento foveal se prolonga com rearranjos celulares a alterações na 
forma dos cones até os 4 anos pós-nascimento (Hendrickson and Yondelis, 1984; 
Curciot e Hendrickson, 1991). 
 
A percepção visual da forma ocorre após o 1º ano de vida, o senso cromático se 
inicia no 2º ano e só estará maturo na puberdade. 
 
O desenvolvimento das duas camadas de neuroectoderma (retina sensorial e 
epitélio pigmentar) é feito independente do cristalino mas a presença dele é 
necessária para o crescimento normal da coróide e esclera e do epitélio pigmentar 
da retina. Além disto a vesícula cristaliniana promove a diferenciação corneana e o 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 12 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
crescimento vítreo, existe ainda uma forte conexão organogenética entre a íris e o 
cristalino. 
 
A córnea tem dupla origem embriológica: seu epitélio é formado pelo ectoderma 
superficial e os ceratócitos do estroma e o endotélio pela crista neural. 
 
A crista neural tem papel vital na formação da câmera anterior atuando em três 
ondas migratórias: na primeira, forma-se o endotélio corneano, em seguida os 
ceratócitos ocupam o espaço entre o ectoderma superficial e o endotélio e, na 
terceira onda migratória as células da crista neural formarão o estroma da íris no 
espaço retrocorneano esvaziado de suas células mesenquimais através da apoptose. 
 
Desenvolvimento da Córnea (Porção Central) 
 
a) Ectodema Superficial contribui para a formação do Epitélio Corneano 
b) Com 7 semanas, o Mesectoderma da periferia migra entre o Epitélio e o 
Endotélio (precursor do futuro estroma corneano) 
c e d) Os Ceratócitos (Mesectoderma) começam a produzir colágeno 
e) Algumas células aladas aparecem no epitélio e uma membrana acelular, 
começa a se diferenciar abaixo da lâmina basal (Bowman’s). A membrana de 
Descemet já está bem evidenciada 
f) Córnea com morfologia definitiva 
 
 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 13 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
 
 
A esclera evidencia-se anteriormente na 11ª semana pelo acúmulo de colágeno e 
fibras elásticas e vai se estendendo posteriormente até que no 5º mês já existe uma 
membrana ao redor do globo ocular com melanócitos começando a aparecer na 
face interna. O canal de Schlemm (sinus venosus sclerae) começa com um plexo 
venoso ao final do 3º mês e suas extensões mais tarde formarão as veias aquosas. 
Inicialmente não há poros no endotélio que reveste o canal de Schlemm mas no 8º 
mês poros intracelulares começam a se fenestrar e depois se abrem. 
 
A conjuntiva se origina do ectoderma das pálpebras e vai recobrir a parte anterior 
do globo. A diferenciação das células caliciformes (ou mucosas) e sua proliferação 
só se fará após a abertura palpebral no fim do 5º mês. As dobras e o fórnice só 
ficarão evidentes ao fim da gestação. 
O vítreo se origina das células da crista neural. Estas células mesenquimais 
invadem a taça óptica onde sefundem com processo protoplastmáticos e, na 6ª 
semana, a vasculatura do vítreo primário já é evidente e os processos das células 
de Muller estão em continuidade com as fibras do vítreo. Anteriormente as fibras 
da artéria hialóidea se espalham formando a túnica vascular do cristalino. O vítreo 
primário cessa seu desenvolvimento em torno da 9ª semana, sendo então 
substituído por um vítreo secundário, mais fino, avascular e composto por células 
finas em disposição paralela. Na 12ª semana as fibras da borda da taça óptica 
extendem em filamentos até o equador do cristalino formando o vítreo terciário. 
À medida em que o vítreo secundário aumenta seu volume, comprime o primário 
para o centro do eixo antero-posterior (futuro canal de Cloquet). Ao final do 4º 
mês, a túnica vascular cristaliniana anterior se atrofia e um filamento glial 
substitui a art. hialóidea onde não há mais circulação sangüínea. 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 14 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
 
 
 
O vítreo posterior está aderido à membrana limitante interna da retina onde estão 
as células de Muller. Os vasos sangüíneos do vítreo nutrem a retina imatura e ao se 
obliterarem fazem-no posterior e externamente facilitando a expansão do vítreo 
secundário. 
 
A presença do cristalino é necessária para que o vítreo se acumule normalmente. 
 
O desenvolvimento do cristalino começa na 4ª semana de gestação, com o 
aparecimento de um espessamento no ectoderma superficial e prossegue com a 
formação de uma vesícula, e assim por diante, conforme o esquema abaixo: 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 15 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
 
 
A Crista Neural contribui para a formação dos elementos de tecido conjuntivo do 
olho e anexos e corresponde a uma massa celular situada nos dois lados da placa 
neural e representa a delaminação do ectoderma superficial vizinho das pregas 
neurais. A medida em que vai havendo a evaginação do olho primitivo, as células 
da crista neural o envolvem e são chamadas de Mesectoderma ou 
Ectomesênquina. 
 
Os derivados do Mesectoderma (ou células da crista neural) são responsáveis pelas 
seguintes linhagens de células oculares: ceratócitos, endotélio da córnea e 
trabeculado, estroma da íris e coróide (células pigmentadas e não pigmentadas), 
músculo ciliar liso, fibroblastos da esclera e meninges nervo óptico e maior parte 
da esclera. 
 
Os derivados da Crista Neural estão igualmente envolvidos na formação dos 
tecidos orbitários: fibrogordurosos, nervos (inclusive o trigêmeo), cartilagem e 
ossos, pericitos dos canais vasculares da órbita e células de Schwann perineurais. 
 
O Mesoderma, anteriormente, responsabilizado pela maior parte dos tecidos 
conjuntivos oculares participa na verdade de um modo bem menos significativo: 
apenas os músculos estriados extra-oculares e o endotélio vascular dela são 
derivados. 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 16 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
O Ectoderma Neural ou Neuroectoderma se deriva da placa neural e fornece 
células para a formação do epitélio pigmentar da retina, músculos esfíncter da íris 
e dilatador, neuroepitélio posterior da íris, epitélio pigmentar e não pigmentar do 
corpo ciliar e fibras do nervo óptico e glia. 
 
O epitélio pigmentar da retina atua sobre o mesênquima ao seu redor induzindo o 
seu espessamento com posterior diferenciação em coróide e pequena porção da 
esclera. 
 
Desenvolvimento da Coróide 
 
 
 
Neste esquema do desenvolvimento da coróide, observamos que no 2º mês, a rede 
vascular primitiva mesenquimal ao redor do epitélio pigmentar da retina 
(neuroectoderma) se conecta com pequenos vasos arteriais dos precursores das 
artérias ciliares posteriores curtas (ACPC) que se originaram da artéria oftálmica 
como 2 troncos juntamente com as ciliares posteriores longas (ACPL). Estas 
últimas vão se estender até a parte anterior do corpo ciliar para formar as 
tributárias dos plexos venosos infra e supra-orbitários. Ao 3º mês começam as 
conexões das ACPC com a coriocapilar, 2 ou 3 ramos das ACPC participarão do 
futuro círculo de Haller-Zinn. As ACPL’s formaram o círculo arterial maior na 
região ciliar anterior. 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 17 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
 
Esquema do Desenvolvimento do Nervo Óptico e Vascularização Periocular 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 18 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
 
 
Esquema do Desenvolvimento do Corpo Ciliar e Íris e sua Interrelação com 
as Posições do Canal de Schlemm’s e Ora Serrata 
 
Origem do corpo ciliar: A vesícula óptica está circundada por mesênquima 
indiferenciado e células da crista neural. As células da crista neural migrarão 
para a frente do cristalino em várias ondas, sendo que, na segunda, forma-se a 
íris primitiva e se divide a região em câmara anterior e posterior. Depois que o 
estroma iriano se forma, duas camadas da borda da taça óptica movem 
anteriormente posicionando-se em frente ao cristalino, formando inicialmente, a 
camada epitelial do corpo ciliar e em seguida, o epitélio da íris. O músculo ciliar 
se forma a partir das células da crista neural vizinhas do epitélio ciliar primitivo. 
 
 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 19 
Curso de Embriologia Ocular / 2003 - Profª Drª Márcia Reis Guimarães 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG 
 
As pálpebras rudimentares se esboçam como dobras de mesênquima recobertas 
por ectoderma nos dois lados. Subseqüentemente as dobras superior e inferior 
crescem em direção ao centro e se fundem na 8ª - 9ª semana. A diferenciação do 
ectoderma superficial leva à formação dos cílios e ceratinização da borda 
palpebral, resultando na separação das pálpebras entre o 6º e o 7º mês de gestação. 
 
No 2º trimestre de gestação aparecerão os cílios na borda de fusão das pálpebras 
em 2 a 3 fileiras com folículo piloso correspondente. À frente, a pele se 
queratiniza e posteriormente à ele forma-se o tarso e os músculos. Em 
continuidade, a pele posteriormente não se ceratiniza formando a conjuntiva. 
 
Entre o 3º e o 4º mês no ângulo interno, aparece uma prega de epitélio com 
mesectoderma interiormente correspondendo à prega semilunar. Logo junto à ela, 
internamente o epitélio da pálp. inf. se prolifera formando a carúncula. 
 
As gls. de Meibomius aparecem no 3º trimestre e há secreção sebácea a partir do 
8º mês. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Endereço para correspondência: 
 
Hospital de Olhos de Minas Gerais – Clínica Dr. Ricardo Guimarães 
Rua da Paisagem, 220 – Vila da Serra 
Belo Horizonte/MG – CEP 34000-000 
Telefone: (31)3289-2000 / Fax: (31)3289-2150 
info@holhos.com.br 
Profª Drª Márcia Reis Guimarães Pág 20

Mais conteúdos dessa disciplina