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GRADUAÇÃO EM DIREITO TEMA: O SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS SÃO PAULO-SP ANO 2015 GRADUAÇÃO EM DIREITO TEMA: O SISTEMA INTERAMERICANO DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS TRABALHO SOB ORIENTAÇÃO DA PROFESSORA DR(a) CAMILA BARRETOS P. SILVA. SÃO PAULO-SP ANO 2015 Sumário INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4 1. PARTE HISTÓRICA ......................................................................................... 5 2. CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS ................................ 7 3. COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS ......................... 8 3.1 Direito de Petição junto à Comissão ........................................................ 10 3.2 Requisitos da Petição................................................................................ 11 3.3 Procedimento da Comissão ...................................................................... 12 4. Corte Interamericana de Direitos Humanos ............................................... 14 5. O BRASIL NA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS ...... 16 5.1 O CASO DAMIÃO XIMENES LOPEZ............................................................. 19 6. PRINCIPAIS TRATADOS E DECLARAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS ... 22 7. CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS NO SISTEMA CONSTITUCIONAL BRASILEIRO ....................................................................... 23 BIBLIOGRAFIA .................................................................................................... 29 4 INTRODUÇÃO Para que possamos entender melhor o sistema interamericano de proteção dos direitos humanos é necessário analisar á história da humanidade desde seus períodos clássico, pós-clássico, idade média e idade moderna e a partir destas analises entender o porque e a importância dos direitos humanos e fundamentais, não se pode duvidar que a necessidade da humanidade de internacionalizar os direitos humanos está diretamente ligado aos grandes conflitos que o mundo enfrentou em toda sua história e, isso se conclui após analisarmos o tema sobre alguns aspectos que vamos abordar, que são: 1. Parte histórica/ desenvolvimento 2. Convenção Americana de direitos humanos 3. Comissão interamericana de direitos humanos 3.1 Direito de petição junto à comissão 3.2 Requisitos da petição 3.3 Procedimento da comissão 4. Corte interamericana de direitos humanos 5. O Brasil na corte interamericana de direitos humanos 5.1 O caso Damião Ximenes Lopes 6. Principais tratados e declarações de direito humano 7. Convenção Americana de direitos humanos no sistema constitucional brasileiro. 5 1. PARTE HISTÓRICA CARTA MAGNA Mesmo que sempre se tenha falado de leis de proteção aos fracos, a partir de determinado contexto histórico direitos humanos como podemos entender hoje se concretizaram, a partir da Carta Magna para conter o poder da coroa para que o rei não pudesse tirar as terras e intervir na propriedade da população. “Ninguém poderá ser detido, preso ou despojado dos seus bens, costumes e liberdades, senão em virtude de julgamento de seus Pares segundo as leis do país”. BILL OF RIGHTS Depois veio a Bill of Rights na Inglaterra onde os ingleses precisarão de um novo documento para proteger a população em face da coroa. “É ilegal a faculdade que se atribui a autoridade real para suspender as leis ou seu cumprimento”. A lei esta acima, não se pode suspender a lei. (No Brasil podem-se ate restringir alguns direitos em algum momento, o problema é restringir sem autorização na lei, fora das situações previstas na própria lei). DECLARAÇÃO DE VIRGÍNIA DE 1776 da América. do Cidadão, Depois veio a declaração de Virgínia de 1776 nos Estados Unidos Em 1789 veio a Declaração Universal dos Direitos do Homem e que se originou na França. Diz-se que “Os homens nascem iguais e ficam iguais <personname w:st="on" productid="em direitos. H£"></personname> em direitos”. Há um principio muito claro que é o principio da lei que não submete ninguém a arbítrio nenhum. Com a Revolução Industrial desenvolveram-se dois fatores sociais que eram o proletariado e o burguês. 6 CONSTITUIÇÃO MEXICANA Em 1917 houve também a Constituição do México também. SOVIÉTICOS Em 1918 os Soviéticos depois da revolução fazem a declaração que visa abolir toda a exploração do homem pelo homem, estabelecer a organização socialista da sociedade e alcançar a vitória do socialismo em todos os países, a Assembléia Constituinte decretou também que a propriedade privada estava proibida, que era bem de todos. CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR Na Constituição de Weimar há outra lógica social garantindo os direitos dos trabalhos como direitos fundamentais. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM Após a segunda guerra mundial a Europa havia sido quase que por completo destruída, precisava-se parar com as possibilidades de novos confrontos e, em 1948, a nova Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas tinha captado a atenção mundial. Sob a presidência dinâmica de Eleanor Roosevelt, a viúva do presidente Franklin Roosevelt, uma defensora dos direitos humanos por direito próprio e delegada dos Estados Unidos nas Nações Unidas, a Comissão elaborou o rascunho do documento que viria a converter–se na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Roosevelt, creditada com a sua inspiração, referiu–se à Declaração como a Carta Magna internacional para toda a Humanidade. Foi adotada pelas Nações Unidas no dia 10 de dezembro de 1948. Disponível em:< http://academico.direito- rio.fgv.br/wiki/Desenvolvimento_hist%C3%B3rico_dos_direitos_humanos>. Acesso em: 12.nov.2015. 7 2. CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS A Convenção Americana de Direitos Humanos (também chamada de Pacto de San José da Costa Rica) e sigla (CADH) é um tratado internacional entre os países-membros da Organização dos Estados Americanos e que foi subscrita durante a Conferência Especializada Interamericana de Direitos Humanos, de 22 de novembro de 1969, na cidade de San José da Costa Rica, e entrou em vigor em 18 de julho de 1978. É uma das bases do sistema interamericano de proteção dos Direitos Humanos. Os Estados signatários desta Convenção se "comprometem a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que está sujeita à sua jurisdição, sem qualquer discriminação". Se o exercício de tais direitos e liberdades ainda não estiverem assegurados na legislação ou outras disposições, os Estados membros estão obrigados a adotar as medidas legais ou de outro caráter para que estes direitos venham a tornar-se efetivos. A Convenção estabelece, ainda, a obrigação dos Estados para o desenvolvimento progressivo dos direitos econômicos, sociais e culturais contidos na Carta da OEA, na medida dos recursos disponíveis, por via legislativa ou outros meios apropriados. Como meios de proteção dos direitos e liberdades, a Convenção criou dois órgãos para tratar de assuntos relativos ao seu cumprimento: a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamericanade Direitos Humanos. Disponível em:< WWW.wikipedia.org/pt/wiki/comissãointeramericana_de_direitos>. Acesso em: 25.out.2015. 8 3. COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS A Comissão Interamericana de Direitos Humanos tem por objetivo promover a observância e a proteção dos direitos humanos na América, onde a democracia em muitos países somente foi restabelecida no final dos anos 80 começo dos anos 90, em decorrência dos governos totalitários de direita, influenciados pela guerra fria, que polarizou o mundo em países capitalistas e países socialistas. A competência da Comissão alcança como ensina a professora Flávia Piovesan todos os Estados-partes da Convenção Americana, em relação aos direitos humanos nela consagrados, e além disso, ainda alcança todos os Estados-membros da Organização dos Estados Americanos, em relação aos direitos consagrados na Declaração Americana de 1948, elaborada em Bogotá em maio de 1948. No entender do professor Hector Fix-Zamundio, a Comissão Interamericana criada em 1959, é o primeiro organismo efetivo de proteção dos direitos humanos. Embora com atribuições restritas, a Comissão realizou uma frutífera e notável atividade de proteção dos direitos humanos, incluindo a admissão e investigação de reclamações de indivíduos e de organizações não governamentais, inspeções nos territórios dos Estados-membros e solicitação de informes, com o que logrou um paulatino reconhecimento Apesar de todo esse esforço em defesa dos direitos humanos de 1ª geração, a Comissão não conseguiu evitar fatos como os vivenciados pelos nacionais da Argentina e do Chile, entre tantos outros países que nas décadas de 70 e 80 violaram os mais elementares direitos de seus cidadãos. O artigo 34 do Pacto de São José da Costa Rica de 22 de novembro de 1969, disciplina que, "A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compor-se-á de sete membros, que deverão ser pessoas de alta autoridade moral e de reconhecido saber em matéria de direitos humanos". Os membros da Comissão podem ser nacionais de qualquer Estado-Membro da Organização dos Estados Americanos, OEA, o que significa 9 que estes necessariamente não precisam pertencer a um país que tenha ratificado e aceito a Convenção Americana de Direitos Humanos. Segundo o art. 36 da Convenção Americana “os membros da Comissão serão eleitos a título pessoal, pela Assembléia-Geral da Organização dos Estados Americanos, de uma lista proposta pelos governos dos Estados-Membros.” Cada governo pode propor até três candidatos, nacionais do Estado que os propuser ou de qualquer outro Estado-Membro da OEA, sendo que no caso de ser proposta uma lista de três candidatos, pelo menos, um deles deverá ser nacional de Estado diferente do proponente. Por força do art. 37 da Convenção “os membros da Comissão serão eleitos para um mandato de 4 (quatro) anos e só poderão ser reeleitos uma vez, porém o mandato de três dos membros designados na primeira eleição expirará ao cabo de dois anos”. Logo depois da referida eleição, serão determinados por sorteio, na Assembléia Geral, os nomes desses três membros. Deve-se observar que não pode fazer parte da Comissão mais de um nacional de um mesmo Estado. A Comissão busca promover a observância e a proteção dos direitos humanos na América seja em relação aos constantes da Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, ou do Pacto de São José da Costa Rica, e demais instrumentos internacionais relativos aos direitos humanos. Nesse sentido, cabe à Comissão fazer recomendações aos governos dos Estados- partes, prevendo a adoção de medidas adequadas à proteção desses direitos; preparar estudos e relatórios que se mostrem necessários; solicitar aos governos informações relativas às medidas por eles adotadas concernentes à efetiva aplicação da Convenção; e submeter um relatório anual à Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos. Além dessas atribuições que se encontram disciplinadas no art. 41 da Convenção Americana de Direitos Humanos, “caberá a Comissão solicitar aos governos dos Estados-Membros que lhe proporcionem informações sobre medidas que adotarem em matéria de direitos humanos (alínea d); atender às consultas que, por meio da Secretaria da Organização dos Estados Americanos, lhe formularem os Estados-Membros sobre questões relacionadas com os direitos humanos e, dentro de suas possibilidades, prestar-lhes o assessoramento que lhe 10 solicitarem (alínea e); atuar com respeito às petições e outras comunicações, no exercício de sua autoridade, de conformidade com o disposto nos arts. 44 a 51 da Convenção (alínea f). 3.1 Direito de Petição junto à Comissão O art. 44 da Convenção Americana de Direitos Humanos, disciplina que, "qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não governamental legalmente reconhecida em um ou mais Estados-Membros da Organização, pode apresentar à Comissão petições que contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado-Parte”. Na esfera dos direitos humanos, onde busca-se a criação de instrumentos que possam assegurar às pessoas a garantia de seus direitos elementares, como à vida, à liberdade, à integridade física e moral, entre outros, é necessário a existência de meios que permitam o acesso a prestação jurisdicional, como forma de se evitar a violação dos princípios consagrados na Cartas Internacionais. O direito de petição, que em muitos países foi elevado ao aspecto constitucional como ocorre no direito brasileiro, também foi previsto e disciplinado na Convenção Americana de Direitos Humanos. Toda vez que ocorrer uma violação dos direitos humanos disciplinados no Pacto de São José da Costa Rica qualquer pessoa, ou grupo de pessoas, ou mesmo uma entidade não governamental poderá levar este fato ao conhecimento da Comissão, para que esta tome as providências cabíveis na espécie, e disciplinadas no art. 48 e seguintes da Convenção. Apesar de toda esta instrumentalização no intuito de se proteger os direitos humanos na América, poucas são as pessoas que tem conhecimento dessas disposições, sendo que muitos operadores do direito, nem sabem da existência da Convenção Americana de Direitos Humanos. Mas, se não bastassem esses fatos, a Comissão não possui escritórios regionais o que impede na maioria das vezes o acesso do cidadão americano a uma efetiva prestação jurisdicional da Corte, e até mesmo uma maior 11 atuação do organismo em relação as violações dos direitos humanos que são praticados nos mais diversos rincões da América. Para bater às portas da Comissão, o cidadão americano deverá observar alguns requisitos necessários para a formulação da petição, que se encontram disciplinados no art. 46 do Pacto de São José da Costa Rica. 3.2 Requisitos da Petição O art. 46 da Convenção Americana de Direitos Humanos disciplina, "que uma petição ou comunicação apresentada de acordo com os arts.44 e 45 seja admitida pela Comissão, será necessário : a) que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição interna, de acordo com os princípios de direito internacional geralmente reconhecidos; b) que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da data em que o presumido prejudicado em seus direitos tenha sido notificado da decisão definitiva; c) que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo de solução internacional e”; d) que no caso do art. 44, a petição contenha o nome, a profissão, o domicílio e a assinatura da pessoa ou pessoas ou do representantelegal da entidade que submeter a petição. Os requisitos disciplinados no art. 46, alíneas "a" e "b" do inciso 1 do art. 46 não serão aplicados quando, não existir, na legislação interna do Estado de que se tratar, o devido processo legal para a proteção do direito ou direitos que se alegue tenham sido violados; não se houver permitido ao presumido prejudicado em seus direitos o acesso aos recursos da jurisdição interna ou houver sido ele impedido de esgotá-los e; houver demora injustificada na decisão sobre os mencionados recursos, art. 46, 2, alíneas "a", "b" e "c". O não preenchimento dos requisitos disciplinados no art. 46 da Convenção Americana, que podem ser denominados de requisitos objetivos, é motivo para o não conhecimento da petição por parte da Comissão. Assim como ocorre no direito processual civil, onde o juiz julgará inepta a petição por faltar uma das condições da ação disciplinadas nos arts. 281 e 282 do Código de Processo Civil, extinguindo o processo sem o julgamento do mérito, art. 267, inciso VI do mesmo Codex, a Comissão declarará inadmissível a petição ou comunicação apresentada. 12 O art. 47 da Convenção disciplina que a Comissão deixará de conhecer da petição ou comunicação quando esta, não preencher algum dos requisitos estabelecidos no art. 46; não expuser fatos que caracterizam violação dos direitos, garantidos pela Convenção; pela exposição do próprio peticionário ou do Estado, for manifestamente infundada a petição ou comunicação ou for evidente sua total improcedência; ou for substancialmente reprodução ou comunicação anterior, já examinada pela Comissão ou por outro organismo internacional. 3.3 Procedimento da Comissão Reconhecendo a Comissão que a petição a ela endereçada preenche os requisitos legais de admissibilidade, previstos e disciplinados no art. 46, esta como responsável pela observância e respeito dos direitos humanos no exercício de seu mandato, deverá adotar procedimentos voltados para a solução do problema que foi apontado com fundamento nas disposições da Convenção Americana de Direitos Humanos e demais normas internacionais aplicáveis ao caso sob análise. Segundo o art. 48 do Pacto de São José da Costa Rica, a Comissão ao receber a petição ou comunicação que alegue violação de qualquer dos direitos disciplinados na Convenção, deverá adotar os procedimentos disciplinados na alínea "a" a "f" do dispositivo mencionado, na busca do restabelecimento do direito violado. Reconhecendo os membros da Comissão pela admissibilidade da petição ou comunicação solicitará informações ao Governo do Estado ao qual pertença a autoridade apontada como responsável pela violação alegada e transcreverá as partes pertinentes da petição ou comunicação. O Estado indicado como violador dos direitos previstos no Pacto, deverá enviar as informações dentro de um prazo razoável, o qual será fixado pela Comissão, considerando as circunstâncias de cada caso, mas sempre prezando pela celeridade, essencial quando se trata de direitos humanos de 1ª geração. 13 Recebidas as informações ou decorrido o prazo fixado sem que estas tenham sido enviadas pelo Estado acusado de violação dos direitos disciplinados na Convenção, a Comissão verificará se existem ou subsistem os motivos que levaram a interposição da petição ou comunicação. No caso destas não mais subsistirem, o procedimento será arquivado. No caso do Estado apresentar as informações solicitadas, a Comissão com base na prova apresentada, poderá declarar a inadmissibilidade ou improcedência da petição ou comunicação. No intuito de comprovar os fatos que foram apresentados na petição ou comunicação perante a Comissão, está poderá se julgar conveniente e necessário, proceder a uma investigação onde solicitará e o Estado interessado lhe proporcionará, todas as facilidades necessárias para análise das questões. Além disso, a Comissão possui legitimidade para pedir aos Estados interessados, qualquer informação pertinente e receberá, se isso lhe for solicitado, as exposições verbais ou escritas que apresentarem os interessados. Deve-se observar que a Comissão estará a disposição das partes interessadas, a fim de chegar a uma solução amistosa do assunto, fundada no respeito dos direitos humanos, que encontram-se previstos e disciplinados no Pacto de São José da Costa Rica. Disciplina o art. 48, 2, “que em casos graves e urgentes, poderá ser realizada uma investigação, mediante prévio consentimento do Estado em cujo território se alegue haver sido cometida a violação, tão somente com a apresentação de uma petição ou comunicação que reúna todos os requisitos formais de admissibilidade”. No caso de uma solução amistosa entre o peticionário e o Estado indicado como responsável pela violação, a Comissão elaborará um relatório que será encaminhado ao peticionário e aos Estados-Partes da Convenção, e posteriormente, transmitido, para sua publicação, ao Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos. Se eventualmente as partes envolvidas na questão, não chegarem a uma solução, a Comissão redigirá um relatório, onde exporá os fatos e as suas conclusões, permitindo-se aos integrantes da Comissão, no caso de 14 discordância, a manifestação do voto em separado, sendo este encaminhado aos Estados interessados, que não poderão publicá-lo. Disciplina o art. 51 da Convenção que se no prazo de três meses, a partir da remessa aos Estados interessados do relatório da Comissão, o assunto não houver sido solucionado ou submetido à decisão da Corte pela Comissão ou pelo Estado interessado, aceitando sua competência, a Comissão poderá emitir, pelo voto da maioria absoluta dos seus membros, sua opinião e conclusões sobre a questão submetida à sua consideração. A Comissão fará as recomendações pertinentes e fixará um prazo dentro do qual o Estado deve tomar as medidas que lhe competirem para remediar a situação examinada. Transcorrido o prazo fixado, a Comissão decidirá, pelo voto da maioria absoluta dos seus membros, se o Estado tomou ou não medidas adequadas e se publica ou não o relatório. 4. Corte Interamericana de Direitos Humanos: A Corte Interamericana de Direitos Humanos foi estabelecida da própria Convenção. Apenas recentemente (dezembro de 1998), o Brasil passou a aceitar a competência obrigatória da Corte. 15 Composição da Corte: A Corte Interamericana de Direitos Humanos compõe-se de sete juízes, sendo que não pode haver mais de um juiz com a mesma nacionalidade. Os juízes da Corte têm mandatos de 6 (seis) anos e com direito a uma reeleição. O quorum para deliberação na Corte Interamericana de Direitos Humanos é de 5 (cinco) juízes Funções primordiais da Corte: Função Consultiva: A função consultiva estende-se automaticamente a todos os Estados-Membros da Organização dos Estados Americanos. Concerne a função consultiva à interpretação de normas da OEA e de outros tratados e também de interpretação da compatibilidade desses com as legislações internas dos Estados. Função Contenciosa: A função contenciosa não se estende automaticamente a todos os Estados- Membros da OEA, dependendo do depósito da carta de aceitação da jurisdição obrigatória por cada um dos Estados-Membros da Convenção. Legitimidade: Na Corte, ao contrário da Comissão, não ocorre o direito individual de petição, admitindo apenas denúncias de Estados, ou denúncias encaminhadas pela Comissão. 16Das decisões da Corte: A Corte Interamericana de Direitos Humanos possui poderes mais amplos que os da Corte Européia. Se a Corte Interamericana decide que houve violação, pode ordenar que a parte ofendida seja recomposta, ou, ainda, que seja indenizada. As decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos são mandatórias e são executadas nos estados condenados, assim como qualquer outro título judicial. Disponível em: < http;//jus.com.br/artigos/1634sistema_interamericano_de_direitos_humanos >. Acesso em: 12.nov.2015. 5. O BRASIL NA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS A decisão do Brasil de aceitação da competência contenciosa da Corte Interamericana de Direitos Humanos reconcilia a posição de nosso país com seu pensamento jurídico mais lúcido, além de congregar as instituições do poder público e as organizações não-governamentais e demais entidades da sociedade civil brasileira em torno de uma causa comum: a do alinhamento pleno e definitivo do Brasil com o movimento universal dos direitos humanos, que encontra expressão concreta na considerável evolução dos instrumentos internacionais de proteção nas cinco últimas décadas. Há meio século, no mesmo ano da adoção das Declarações Universal e Americana dos Direitos Humanos, a Delegação do Brasil à IX Conferência Internacional Americana (Bogotá, 1948) propunha a criação de uma Corte Interamericana de Direitos Humanos . Esta só se estabeleceu, no entanto, em 1979, depois da entrada em vigor da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (uma década após a adoção desta), como órgão judicial autônomo, dotado de funções consultiva e contenciosa, responsável pela interpretação e aplicação da Convenção. 17 O Brasil, Parte na Convenção desde 1992 (consoante decisão tomada em l985, vem de tomar a correta decisão de aceitar a competência em matéria contenciosa da Corte. Nesse propósito, foi encaminhada Mensagem do Poder Executivo ao Congresso Nacional (nº 1.070, de 9 de setembro último), prontamente aprovada pela Câmara dos Deputados (em votação unânime de 13 de outubro passado). Falta agora o pronunciamento do Senado Federal, para ultimar as providências no tocante ao depósito, pelo Poder Executivo, do instrumento (ato unilateral) de aceitação pelo Brasil da competência obrigatória da Corte sob o artigo 62 da Convenção Americana. O Brasil participou ativamente dos trabalhos preparatórios da Convenção Americana, e apoiou sua adoção de forma integral (na Conferência de 1969 de San José da Costa Rica, onde veio a sediar-se a Corte), inclusive quanto a suas cláusulas facultativas, como a do artigo 62, sobre a aceitação pelos Estados Partes da competência contenciosa da Corte . Tal aceitação constitui, com efeito, uma garantia adicional pelo Brasil, a todas as pessoas sujeitas à sua jurisdição, da proteção de seus direitos (tais como consagrados na Convenção Americana), quando as instâncias nacionais não se mostrarem capazes de garanti-los. Ao mesmo tempo, fortalece institucionalmente a Corte, ao passar esta a contar com o reconhecimento de um país de dimensão continental e com uma vasta população necessitada de maior proteção de seus direitos. O Brasil se junta, desse modo, aos 18 dos 25 Estados Partes na Convenção que já assumiram esse compromisso. Pela iniciativa que vem de tomar, o Brasil enfim reconhece que não é razoável aceitar tão-somente as normas substantivas dos tratados de direitos humanos, fazendo abstração dos mecanismos processuais para a vindicação e salvaguarda de tais direitos. Umas e outros encontram-se indissoluvelmente interligados, sendo a via jurisdicional, de base convencional, a forma mais evoluída de proteção internacional dos direitos humanos. No presente domínio, as jurisdições nacional e internacional encontram-se em constante interação (6), motivadas pelo propósito convergente e comum de proteção do ser humano, como co-partícipes que são na luta contra as manifestações do poder arbitrário. Face a insuficiências e carências do direito interno, muitos casos de direitos humanos, que as instâncias nacionais não conseguiram resolver, só têm encontrado solução graças ao concurso das instâncias internacionais de proteção. É significativo que algumas decisões destas últimas — a exemplo das da Corte Interamericana — tenham tido um real impacto no ordenamento interno dos Estados demandados, mostrando-se valiosas na luta contra a impunidade, verdadeira chaga que corrói a crença nas instituições públicas e gera a anomia e apatia sociais. Há, ainda, um efeito didático na aceitação pelo Brasil da competência contenciosa da Corte Interamericana: tal iniciativa haverá de fomentar um interesse bem maior, em particular por parte das novas gerações, pelo estudo e difusão da 18 jurisprudência da Corte — formada até o presente por 42 Sentenças (sobre o mérito dos casos, as reparações às vítimas, e exceções preliminares), 15 Pareceres, e 28 Medidas Provisórias de Proteção, — que permanece virtualmente desconhecida em nosso país, inclusive em nossos círculos jurídicos. A garantia da não-repetição de violações passa necessariamente pela educação e capacitação em direitos humanos, tornando-se essencial, para este fim, o conhecimento da referida jurisprudência protetora. A concretizar-se, o mais breve possível, como todos confiamos, a iniciativa do Poder Executivo, já aprovada em votação unânime pela Câmara dos Deputados, que acolhe reivindicações de entidades de nossa sociedade civil, terá o Brasil manifestado, em termos claros e definitivos, seu compromisso real com a proteção internacional dos direitos humanos, neste ano do cinqüentenário das Declarações Universal e Americana de 1948. Este passo significativo, que já há muito estava o Estado devendo à Nação, contribuirá certamente à busca da prevalência dos direitos humanos e do fim da impunidade em nosso país. (1) Cf. detalhes in: A.A. Cançado Trindade, A Proteção Internacional dos Direitos Humanos — Fundamentos Jurídicos e Instrumentos Básicos, São Paulo, Edit. Saraiva, 1991, pp. 551-553 e 586-589. (2) Sobre o alcance de sua competência e funções, cf. A.A. Cançado Trindade, ‘‘A Corte Interamericana de Direitos Humanos’’, Carta Internacional — Universidade de São Paulo (USP), outubro de 1997, vol. V, n. 56, pp. 7-10. (3) Cf. documentação in: A.A. Cançado Trindade, A Proteção Internacional..., op. cit. supra n. (1), pp. 564-573; e, para um relato histórico detalhado, cf. A.A. Cançado Trindade, A Proteção Internacional dos Direitos Humanos e o Brasil )1948-1997): As Primeiras Cinco Décadas, Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1998, pp. 33-43, 60-66, 111-117 e 163-200. (4) O texto da exposição, intitulada ‘‘Memorial em Prol de uma Nova Mentalidade quanto à Proteção dos Direitos Humanos nos Planos Internacional e Nacional’’, vem de ser reproduzido pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no tomo recém-publicado de seus Anais do VI Seminário Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito, pp. 3-48. (5) Cf. documentação nas fontes citadas na nota (3), supra. (6) Cf., a respeito, A.A. Cançado Trindade, Tratado de Direito Internacional dos Direitos Humanos, vol. I, Porto Alegre, S.A. Fabris Ed., 1997, capítulo X, pp. 401- 447. Disponível em: < http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/cancadotrindade/cancado_oea.ht ml>. Acesso em: 12 .nov.2015. 19 5.1 O CASO DAMIÃO XIMENES LOPEZ O caso Ximenes Lopes foi submetido à Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte) pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em face do Estadobrasileiro no dia 1º de outubro de 2004. A Comissão apresentou a demanda com o objetivo de que a Corte apreciasse a responsabilidade do Estado brasileiro por violação dos artigos 4 (direito à vida), 5 (direito à integridade pessoal), 8 (garantias judiciais) e 25 (proteção judicial) da Convenção Americana, com relação à obrigação estabelecida no artigo 1.1 (obrigação de respeitar os direitos) previstos neste instrumento, em detrimento do senhor Damião Ximenes Lopes, portador de transtorno mental, pelas supostas condições desumanas de sua hospitalização, pelos alegados golpes e ataques contra a integridade pessoal de que se alega ter sido vítima por parte dos funcionários da Clínica de Repouso Guararapes; por sua morte enquanto estava submetido a tratamento psiquiátrico, bem como pela suposta falta de investigação e garantias judiciais que caracterizam seu caso. BREVE DESCRIÇÃO DOS FATOS Damião Ximenes Lopes nasceu em 25 de junho de 1969, no interior do Ceará. Na juventude, por volta dos 17 anos, conforme relatado de sua mãe, Albertina Viana Lopes, desenvolveu uma deficiência mental de origem orgânica, proveniente de alterações no funcionamento do cérebro . No dia 1º de outubro de 1999, a senhora Albertina decidiu internar seu filho na Casa de Repouso Guararapes, no município de Sobral, localizado a uma hora de Varjota, cidade em que residiam. Damião Ximenes Lopes foi admitido na Casa de Repouso Guararapes como paciente do Sistema Único de Saúde (SUS), sem apresentar sinais de agressividade nem lesões corporais externas . No dia 4 de outubro de 1999, por volta de 9h, a mãe de Damião chegou à Casa de Repouso para visitá-lo e o encontrou sangrando, com hematomas, com a roupa rasgada, sujo e cheirando a excrementos, com as mãos amarradas para trás, com dificuldade para respirar, agonizando e pedindo ajuda aos gritos. Continuava submetido à contenção física que lhe havia sido aplicada desde a noite anterior . A mãe pediu ajuda aos funcionários para que banhassem seu filho e procurou um médico que o atendesse. Sem realizar exames físicos, o diretor clínico e médico da Casa de Repouso receitou-lhe remédios e se retirou do hospital. No momento da morte de Damião, a unidade não dispunha de nenhum 20 médico. A inconformidade com a barbaridade da morte motivou Irene Ximenes, irmã de Damião, a apresentar o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, por meio de uma denúncia por e-mail em 22 de novembro de 1999. A reprodução de alguns trechos da carta permitirá uma compreensão maior da dimensão do caso: Meu irmão, Damião Ximenes Lopes, foi morto segunda-feira dia 04/10/99 em Sobral/CE, na “Casa de Repouso”, digo melhor, Casa de Torturas, Guararapes. [...] Damião tinha 30 anos e sua saúde mental não era perfeita [...] levava uma vida normal a base de remédios controlados [...] Ele reclamou: lá dentro existe muita violência e maus tratos, se o paciente não quer tomar o remédio, os enfermeiros batem até o doente perder as forças e aceitar o medicamento. Nestas últimas semanas meu irmão decidiu deixar de tomar os remédios, como de costume [...] estava sem dormir há algumas noites [...] nossa mãe com receio que ele entrasse em crise, na tarde de sexta-feira passada, 01/10/99, levou-o ao hospital acima mencionado e o deixou internado para receber cuidados médicos. [...] segunda-feira, quando voltou para fazer visita, encontrou o Damião quase morto. Ele havia sido impiedosamente espancado, estava com as mãos amarradas para trás e seu corpo coberto de sangue. [...] Ele ainda conseguiu falar, numa expressão de pedido de socorro: polícia, polícia, polícia, [...] Quero tornar público que no Guararapes reina a humilhação e a crueldade. Seres humanos são tratados como bichos. As famílias das vítimas são pessoas pobres, sem voz e sem vez. E a impunidade continua. [...] As mulheres são igualmente agredidas e estupradas. [...] Neste sistema, inocentes perecem, perdem a vida e tudo fica no anonimato. Provas nunca existem. Assim como eu, muitos clamam por justiça e estão prontos a dar seu depoimento. Em nome da JUSTIÇA e dos DIREITOS HUMANOS, AJUDEM-ME!! [...] Irene Ximenes Lopes Miranda . No início de dezembro de 1999, alguns dias após o envio da denúncia à OEA, recebeu uma ligação do advogado responsável pelo acompanhamento dos casos relativos ao Estado brasileiro, comunicando o recebimento da denúncia. Em 14 de dezembro de 1999, a Comissão Interamericana iniciou o trâmite da petição sob o nº 12.237. SÍNTESE DA DECISÃO Em um breve resumo, em sentença de 04 de julho de 2006, a Corte decidiu admitir o reconhecimento parcial de responsabilidade internacional efetuado pelo Estado brasileiro pela violação dos direitos à vida e à integridade pessoal de Damião Ximenes Lopes (artigos 4.1, 5.1 e 5.2) da Convenção Americana. Declarou ainda que o Estado violou em detrimento dos familiares de Damião Ximenes o direito à integridade pessoal, às garantias judiciais e à proteção judicial 21 consagrados nos artigos 5º, 8.1 e 25.1 da Convenção; bem como que a sentença constitui uma forma de reparação per se. Nesse sentido, o Tribunal dispôs que o Estado: 1) deve garantir, em um prazo razoável, que o processo interno destinado a investigar e sancionar os responsáveis surta efeito; 2) deve reparar os danos e pagar uma justa indenização às vítimas sobrevivente e aos familiares dos falecidos; 3) deve publicar no Diário Oficial e em outro jornal de circulação nacional o capítulo relativo aos fatos provados desta sentença; e 4) desenvolva um programa de formação e capacitação para o pessoal médico, de psiquiatria e psicologia, de enfermagem e para todas as pessoas vinculadas ao atendimento de saúde mental . Disponivel em: < http://academico.direito- rio.fgv.br/wiki/Aula_10:_Sistema_Interamericano:_estudo_de_caso_%28El_Ampar o_Vs._Venezuela%29>. Acesso em: 12.nov.2015. 22 6. PRINCIPAIS TRATADOS E DECLARAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS A Comissão de Direitos Humanos elaborou dois documentos principais: o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Ambos se tornaram lei internacional em 1976. Juntamente com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, estes dois Pactos constituem o que é conhecido como a “Lei Internacional de Direitos Humanos”. O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos enfoca questões como o direito à vida, à liberdade de expressão, à religião e votação. O Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais enfoca a alimentação, a educação, a saúde e o refúgio. Ambos os pactos proclamam estes direitos para todas as pessoas e proíbem discriminação. O artigo 26.º do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos estabeleceu uma Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Composta por dezoito peritos em direitos humanos, a Comissão é responsável por assegurar que cada signatário do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos cumpre os seus termos. A Comissão examina relatórios enviados pelos países de cinco em cinco anos, para se assegurar que eles estão a cumprir o Pacto, e emite conclusões sobre o funcionamento de um país. Muitos países que ratificaram o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos também concordaram que a Comissão para os Direitos Humanos pode investigar alegações de indivíduos e organizações cujos direitos foram violados pelo estado. Antes de apelar à Comissão, o queixoso deve esgotar todos os recursos legais nos tribunais dessepaís. Depois de investigação, a Comissão publica os resultados. Estas conclusões têm grande força. Se a Comissão mantém as alegações, o Estado deve tomar medidas para remediar o abuso. 23 DOCUMENTOS DE DIREITOS HUMANOS SUB-SEQUENTES Em adição aos pactos contidos na Carta Internacional dos Direitos Humanos, as Nações Unidas adotaram mais de vinte tratados principais elaborando ainda mais os direitos humanos. Estes incluem tratados para prevenir e proibir abusos específicos tais como tortura e genocídio e para proteger populações vulneráveis específicas tais como refugiados (Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados, 1951), mulheres (Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres, 1979), e crianças (Convenção sobre os Direitos da Criança, 1989). Outros tratados cobrem a discriminação racial, a prevenção de genocídio, os direitos políticos de mulheres, proibição de escravidão e tortura. Cada um destes tratados estabeleceu uma comissão de peritos para regular a implementação das disposições do tratado pelos seus estados constituintes 7. CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS NO SISTEMA CONSTITUCIONAL BRASILEIRO Em 29 de outubro de 1985, em suas Exposições de Motivos, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Dr. Olavo Egydio Setubal, propôs a adesão do país à Convenção Americana sobre Direitos Humanos ressaltando principalmente que tal fato "constituiria compromisso ou garantia adicional, nas esferas nacional e internacional, de efetiva proteção contra violação dos direitos humanos; contribuiria, igualmente, para projeção da conquista interna da democracia na órbita internacional e para cristalização definitiva, no plano internacional da imagem do Brasil como país respeitador e garantidor dos direitos humanos. 24 No entanto, o Estado brasileiro apenas ratificou sua adesão formalmente, aprovando seu referido texto, em 25 de setembro de 1992, por decreto-legislativo, depositando a respectiva Carta de Adesão no dia 6 de novembro do mesmo ano, pelo Decreto n. 678 de 6.11.92. Até então o Brasil, acompanhado dos Estados Unidos da América, podia ser considerado como "Estado delinqüente internacional", por não assumir as obrigações estabelecidas pela Convenção Americana de Direitos Humanos. Restou ao Brasil, contudo, reconhecer em definitivo a jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos, aderindo, portanto, apenas parcialmente à convenção. Note-se que em setembro de 1998, o Poder Executivo finalmente encaminhou Mensagem ao Congresso Nacional propondo o reconhecimento da Corte. DOS DIREITOS E LIBERDADES CONTIDOS NO PACTO DE SAN JOSÉ DA COSTA RICA Os principais direitos e liberdades estabelecidos na Convenção são os seguintes: Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica (art. 3º) - reconhecido também no Pacto de Direitos Civis e Políticos das Nações Unidas. Direito à vida (art. 4º) - respeito à vida desde o momento da concepção. Nos países em que houver a aplicação da pena de morte esta deverá ser imposta aos delitos graves, após sentença condenatória proclamada por tribunal competente e em conformidade com a lei, não podendo ser estabelecida nos Estados que a houverem abolido. 25 Não haverá aplicação de pena de morte a delitos políticos, nem a delitos comuns conexos com delitos políticos e não se deverá impor a pena à pessoa que, no momento do delito, for menor de dezoito anos, ao maior de setenta e à mulher em estado de gravidez. Neste sentido a Constituição Federal Brasileira ao admitir a prevalência dos direitos humanos e ao assegurar o direito à vida contrapôs-se à pena de morte (art. 5º , XLVII, a), só a admitindo em caso de guerra.(9) Direito à integridade física, psíquica e moral (art 5º) - proíbe a tortura e os tratamentos cruéis, degradantes e desumanos. A pena imposta aos condenados deverá ter o objetivo de recuperação e readaptação social. Proibição da escravidão e da servidão (art 6º) – “ninguém deverá ser obrigado a prestar trabalho forçado ou obrigatório, sendo proibido o tráfico de mulheres e escravos”. No caso de trabalhos forçados impostos por tribunal competente para certos delitos, aqueles deverão ser dignos e que não afetem a capacidade física e intelectual do condenado. Não são considerados trabalhos forçados aqueles relacionados aos deveres cívicos. Indiscutivelmente, o bem jurídico protegido é a liberdade individual que é a de ser livre da servidão ou do poder de fato de outra pessoa.(10) Direito à liberdade pessoal (art 7º) – “não poderá ser privado o ser humano de sua liberdade física, salvo quando houverem causas estabelecidas nas Constituições ou lei”.(11) Não haverá a prisão civil por dívidas, com exceção do inadimplemento da obrigação alimentar. 26 A atual Constituição Federal prevê, ao contrário da Convenção, a prisão do depositário infiel, tema este que tem sido debatido exaustivamente pelos tribunais brasileiros e em especial pelo Supremo Tribunal Federal. Garantias judiciais (art. 8º) – “consagra os princípios gerais da técnica jurídica, tais como: princípio da legalidade, do contraditório, da lei criminal ex post facto, bem como a independência e segurança do Estado-parte” (art. 27) pelo tempo limitado às exigências da situação excepcional. Mesmo em tais caso, há proibição da suspensão dos direitos básicos.(12) Estas garantias integam o sistema constitucional brasileiro, inclusive, em virtude do § 2.º do artigo 5.º da Constituição Federal, possuindo força de norma constitucional. Portanto, as garantias constitucionais interagem e são completadas pelas garantias judiciais previstas na Convenção Americana de Direitos Humanos, prevalecendo aquela que melhor assegure os direitos fundamentais.(13) Como garantia expressa na Convenção, tem-se o duplo grau de jurisdição que, embora consagrado na Carta Constitucional Imperial Brasileira de 1824, não vem mais expressamente inserido na Constituição Federal.(14) Direito à Indenização por erro judiciário (art. 10) - quando há condenação por sentença transitada em julgada de pessoa inocente. Direito à honra e à dignidade (art. 11) - proibição de ingerências arbitrárias na vida privada. Este dispositivo obstaculiza ingerências arbitrárias ou abusivas na vida privada, inclusive quanto à correspondência, influenciando o estudo quanto às provas ilícitas no processo penal.(15) Direito à liberdade de consciência e de religião (art. 12) - que está sujeita unicamente às restrições legais relacionadas a "segurança, da ordem, da saúde ou da moral pública ou dos direitos ou liberdades das demais pessoas". Direito à liberdade de pensamento e expressão (art. 13) - que compreende receber e difundir informação e idéias. Proibindo a propaganda 27 referente à guerra e à apologia da discriminação, seja de qual forma estiver revestida. Direito de retificação ou resposta (art. 14) - para proteger a honra e a reputação das pessoas submetidas a informações inexatas ou ofensivas pelos meios de comunicação. Direito de reunião (art. 15) e liberdade de associação (art. 16) - com limitações legais derivadas da segurança, ordem, saúde ou da moral pública e dos direitos e liberdades das demais pessoas. Proteção à família (art.17) - que inclui o direito de igualdade entre os cônjuges e entre os filhos, havidos ou não da relação matrimonial. Direito ao nome (art. 18) e à nacionalidade (art. 20).Direito à propriedade privada (art. 21) - que está subordinado aos interesses da sociedade e que não foi consagrado no Pacto sobre Direitos Civis e Políticos das Nações Unidas. Direito de circulação e de residência (art. 22) - que consagra, entre outros, liberdade de ir e vir e o direito de asilo, proibindo as expulsões coletivas. Direitos políticos (art. 23) - o seu regular exercício somente pode ser limitado em razão da "idade , nacionalidade, residência, idioma, instrução, capacidade civil ou mental, ou condenação, por juiz competente, em processo penal". Direito a igualdade perante a lei (arts. 24 e 26) Direito de proteção judicial (art. 25) – “os Estados-membros devem respeitar os direitos contidos na Convenção, assegurando o exercício pleno destes. Cada governo tem obrigações positivas e negativas relativamente à Convenção. Há a obrigação de não violar direitos de um indivíduo ou de não privá-lo de um julgamento justo. Ao Estado cabe também o dever de adotar 28 medidas necessárias a garantir e proteger o exercícios dos direitos pactuados.(16) Direitos econômicos, sociais e culturais (art. 27) - de forma específica a Convenção não enumera os direitos sociais, culturais e econômicos, mas determina a realização destes, mediante adoção de medidas legislativas ou outras. Cada Estado-parte deverá em virtude da Carta da OEA apresentar observações ao desenvolvimento futuro neste sentido. A respeito deste tema a Secretaria Geral, nos termos da Convenção e Assembléia Geral, preparou um Anteprojeto de Protocolo Adicional à Convenção Americana de Direitos Humanos (Protocolo de San Salvador), inspirado nas Declarações Americana e Universal e na própria Carta e baseado na Carta Interamericana de Garantias Sociais, nos projetos do Conselho Interamericano de Jurisconsultos e do Chile e do Uruguai e no Pacto das Nações Unidas sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Protocolo que se encontra atualmente na etapa de consultas aos governos e órgãos do sistema.(17) Disponível em:< https://www.passeidireto.com/arquivo/16547417/direito- humanos/4>. Acesso em 03.nov.2015. CONCLUSÃO Diante do exposto fica notório que o sistema interamericano de proteção dos direitos humanos (OEA) é fundamental para o continente Americano, e embora tenha tamanha importância é extremamente novo e vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos 50 anos, em termos gerais, a assinatura de um tratado gera para os Estados um compromisso de respeito por seu conteúdo, ao longo deste trabalho abordamos de forma geral a composição de todo o sistema e suas sub-divisões, trouxemos também alguns fatos que marcaram a história da OEA, ao longo de seu desenvolvimento, vimos também a condenação do Brasil no caso Damião Ximenes caso esse que a intervenção da corte foi essencial para a condenação dos envolvidos. 29 Apesar de toda a instrumentação no intuito de proteger os direitos humanos na America, poucas são as pessoas que tem conhecimento dessas disposições, um dos fatores para isso é a falta de interesse por parte da população em conhecer seus direitos, podemos atribuir também a falta de informação por parte da mídia e do sistema educacional dos Estados Americanos, não é difícil ver Estados desrespeitando os direitos humanos, em alguns lugares a situação chega a ser crítica, o sistema ainda tem muito o que melhorar mas está no caminho correto. BIBLIOGRAFIA: COMPARATO. Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos Humanos. 3ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2003. PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito fundamental internacional. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 1997. RODRIGUES PIAZÓN, Diego. MARTIN, Claudia. A proibição de tortura e maus- tratos pelo sistema interamericano disponível em: http://www.omct.org/files/2007/03/3965/handbook2 full por pdf. Sites: http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/cancadotrindade/cancado_oea.html http://academico.direito- rio.fgv.br/wiki/Aula_10:_Sistema_Interamericano:_estudo_de_caso_%28El_Ampar o_Vs._Venezuela%29 https://www.passeidireto.com/arquivo/16547417/direito-humanos/4 INTRODUÇÃO 1. PARTE HISTÓRICA BILL OF RIGHTS DECLARAÇÃO DE VIRGÍNIA DE 1776 CONSTITUIÇÃO MEXICANA SOVIÉTICOS CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM 2. CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS WWW.wikipedia.org/pt/wiki/comissãointeramericana_de_direitos>. Acesso em: 25.out.2015. 3. COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS 3.1 Direito de Petição junto à Comissão 3.2 Requisitos da Petição 3.3 Procedimento da Comissão 4. Corte Interamericana de Direitos Humanos: Disponível em: < 5.1 O CASO DAMIÃO XIMENES LOPEZ 6. PRINCIPAIS TRATADOS E DECLARAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS DOCUMENTOS DE DIREITOS HUMANOS SUB-SEQUENTES 7. CONVENÇÃO AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS NO SISTEMA CONSTITUCIONAL BRASILEIRO Os principais direitos e liberdades estabelecidos na Convenção são os seguintes: CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA: Sites: https://www.passeidireto.com/arquivo/16547417/direito-humanos/4