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08 - Neurotransmissores

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INTRODUÇÃO
Didaticamente o sistema nervoso é divido em central (SNC) e periférico. Este último é subdividido em sistema
nervoso somático, responsável pela relação entre o organismo e o meio ambiente, e sistema nervoso autônomo
(simpático e parassimpático – ver Capítulo 5), que apresenta uma ação integradora na homeostase (Figura 9.1).
O SNC é constituído pelo encéfalo (envolto pela caixa craniana) e pela medula espinal. O encéfalo, por sua
vez,  pode  ser  subdividido  em  três  grandes  áreas:  cérebro  (constituído  pelo  telencéfalo  e  diencéfalo),  tronco
encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo) e cerebelo. Esse sistema é considerado o mais complexo sob o ponto
de  vista  funcional;  é  responsável  pela  relação  com  o  ambiente  externo  por  intermédio  do  sistema  nervoso
somático  e  pelo  controle  do  ambiente  interno  do  organismo,  exercendo  essa  atividade  por meio  do  sistema
nervoso  autônomo  simpático  e  parassimpático  (Figura  9.2).  O  sistema  nervoso  somático  é  formado  por
neurônios  sensoriais  e  motores,  os  quais  estão  sujeitos  ao  controle  consciente  para  gerar  ações  motoras
voluntárias, resultantes da contração de músculos esqueléticos. O SNC detecta estímulos externos e  internos,
tanto físicos quanto químicos, e desencadeia as respostas musculares e glandulares. Assim, é responsável pela
integração do organismo com o meio ambiente interno e externo, exercendo caráter de organização e controle
das funções do organismo.
As  substâncias  químicas  com  ação  no  SNC  são  conhecidas  desde  os  tempos  primitivos,  tanto  por  seus
efeitos benéficos quanto pelos maléficos, e representam um grupo de agentes farmacológicos de muita utilidade
em Medicina Veterinária. Estes agentes  são  recursos  valiosos  sem os quais,  por exemplo,  os procedimentos
cirúrgicos e a abordagem clínica segura em animais selvagens não poderiam ser realizados. São empregados
tanto na contenção química de animais selvagens como de domésticos, para o  tratamento de convulsões, de
processos  dolorosos,  na  redução  da  febre  e  da  êmese  e  em  transtornos  do  comportamento  animal  e  do
movimento.
Na  atualidade muito  se  conhece  sobre  os mecanismos  pelos  quais  estas  substâncias  químicas  agem  no
SNC, dado o avanço da Ciência nas áreas de Farmacologia, Fisiologia, Bioquímica e outras, com contribuição
de  novas  técnicas  como  aquelas  da  biologia  molecular.  No  entanto,  ainda  há  muitos  aspectos  a  serem
conhecidos  sobre  os  mecanismos  fundamentais  que  regulam  a  atividade  do  SNC  e  seus  mecanismos  nas
diversas espécies animais.
O  SNC  é  constituído  por  neurônios,  células  da  glia  (ou  neuróglia)  e  vasos  sanguíneos.  As  substâncias
químicas com ação no SNC agem fundamentalmente em neurônios, considerados a unidade anatomofuncional
do SNC, modificando seu estado fisiológico e a comunicação entre eles. Participam desta comunicação outras
células,  como  as  células  gliais,  e  diversas  substâncias  químicas  produzidas  no  próprio  SNC,  bem  como  de
origem periférica que atingem este local.
NEURÔNIOS
Os neurônios se interconectam de modo específico e preciso, formando os chamados circuitos neurais. Através
desses circuitos, o organismo é capaz de produzir respostas estereotipadas que constituem os comportamentos
fixos e  invariáveis, como, por exemplo, os reflexos, ou então, produzir comportamentos variáveis em maior ou
menor  grau. Existem diversos  tipos  de  neurônios,  com diferentes  funções,  dependendo  da  sua  localização  e
estrutura morfológica, mas em geral são constituídos pelos mesmos componentes básicos (Figura 9.3):
■ Figura 9.1 Divisões do sistema nervoso.
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■   Figura  9.2  Relação  do  sistema  nervoso  central  com  o  sistema  nervoso  somático  e  o  sistema  nervoso
autônomo por meio de neurônios sensoriais (aferentes) e motores (eferentes).
■ Figura 9.3 Neurônio.
Dendritos: projeções que transmitem os impulsos para o corpo celular do neurônio ou para o axônio
Corpo celular: constituído de núcleo, citoplasma e citoesqueleto; dá suporte metabólico a toda a célula
Axônio:  prolongamento  único  que  se  origina  do  corpo  celular;  responsável  pela  condução  do  impulso
nervoso para o próximo neurônio, podendo ser revestido ou não por mielina.
CÉLULAS GLIAIS
As  células  gliais  (ou  neuróglia,  glia,  gliócitos)  são  menores  e  em  maior  número  que  os  neurônios.  Elas
apresentam diferentes formas e funções; são responsáveis pela sustentação, proteção e nutrição dos neurônios,
e  atuam  isolando  os  neurônios  uns  dos  outros,  evitando  interferências  na  condução  do  impulso  nervoso.  As
células gliais ainda  regulam a composição química dos  líquidos  intercelulares,  removem excretas e  fagocitam
restos celulares do sistema nervoso. Há dois  tipos distintos morfológica e  funcionalmente de células gliais, de
acordo  com  sua  origem  embriológica:  a  micróglia,  de  origem  mesodérmica,  e  a  macróglia,  de  origem
ectodérmica.
A micróglia consiste em macrófagos especializados que agem como a primeira e a principal forma de defesa
imune  ativa  no  SNC.  Quando  ocorre  uma  infecção  ou  lesão  no  SNC  ou  em  caso  de  doenças
neurodegenerativas, a micróglia sofre algumas alterações, tornando­se capaz de proliferar e realizar fagocitose.
São  células  pequenas  da  glia,  que  apresentam  corpo  celular  alongado  e  prolongamentos  com  espículas  e
correspondem a 10 a 15% de todas as células do tecido nervoso. A micróglia é bastante sensível a pequenas
mudanças  patológicas  no  SNC  e  esta  sensibilidade  é  conseguida,  em  parte,  pela  presença  de  canais  de
potássio que respondem a pequenas mudanças deste íon no meio extracelular.
Os  tipos  de  células  principais  que  compõem  a  macróglia  são  os  oligodendrócitos,  os  astrócitos  e  os
ependimócitos (ou células ependimárias). Os oligodendrócitos são responsáveis pela mielinização dos axônios
no SNC, e as  células de Schwann  têm essa  função no sistema nervoso periférico. Os astrócitos apresentam
várias  funções:  dão  sustentação  mecânica  ao  tecido  nervoso;  recobrem  a  superfície  externa  dos  vasos
sanguíneos  e  essa  interação  dos  astrócitos  com  as  células  endoteliais  dos  capilares  constitui  a  barreira
hematencefálica;  mantêm  um  microambiente  adequado  às  funções  metabólicas  dos  neurônios;  captam
neurotransmissores  liberados  e  facilitam  o  retorno  dos  precursores  aos  neurônios  para  sua  reutilização.  Os
ependimócitos  são  responsáveis  pelo  revestimento  dos  ventrículos  e  do  canal  central  da  medula  espinal,
constituindo os plexos coroidais, que são responsáveis pela formação do líquido cefalorraquidiano.
Vale  destacar  que  a  barreira  hematencefálica  tem  a  função  de  proteger  o  SNC  de  substâncias
potencialmente neurotóxicas, que, presentes no sangue, poderiam prejudicar o  funcionamento dos neurônios.
Por outro lado, essa barreira impede que diversos medicamentos cheguem ao SNC e produzam seus efeitos. As
substâncias  químicas  que  atravessam  essa  barreira  e  atingem  o  encéfalo  são:  (1)  as  lipossolúveis,  que  se
difundem através das membranas  celulares;  (2)  aquelas  transportadas através das membranas  celulares por
meio de canais  iônicos  (aminoácidos,  como o ácido gama­aminobutírico – GABA); e  (3) as que penetram no
SNC por endocitose (invaginação da membrana), e assim são liberadas dentro do neurônio.
NEUROTRANSMISSÃO E NEUROTRANSMISSORES
A membrana celular do neurônio  tem importante papel na neurotransmissão, conduzindo a  informação de um
neurônio para outro, sempre no sentido dos dendritos para os terminais nervosos, passando pelo corpo celular e
pelo  axônio.  A  geração  do  impulso  elétrico  na  membrana  neuronal  se  dá  pelo  fato  de  encontrar­se
permanentemente polarizada,  com cargas elétricas negativas

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