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Ortodontia Marcela Nunes 
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CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO CRÂNIOFACIAL 
 
Porque estudar crescimento? 
 Diagnosticar potenciais deficiências crâniofaciais. Homem cresce até 19/20 anos, mulher até 
menstruar. 
 Identificar padrões de crescimento favoráveis e desfavoráveis. 
 Propor condutas terapêuticas: posição dentária, tipo de osso. 
 Controlar a evolução do caso pós-tratamento 
 Ortodontia = biologia, física e matemática. Prever crescimento e movimentação. 
 
Crescimento do esqueleto craniofacial 
Constituintes do osso: 
 Osteoblastos: produzir a substância osteóide, ou seja, a matriz ou a substância na qual os 
minerais vão sendo depositados. 
 Osteócitos: osteoblastos maduros e envelhecidos, que diminuíram ou pararam a sua 
atividade, se encontrem "presas" no interior da substância osteóide por elas próprias 
fabricada, e podem ser ativadas com o objetivo de assumir o papel de osteoblastos. 
 Osteoclastos: destroem e reabsorvem o osso. 
 Substância osteóide: formada por colágeno e por um material amorfo, o qual é basicamente 
composto por mucopolissacáridos. 
 Vasos sanguíneos: a superfície de cada osso é irrigada pelas artérias periósticas, que 
percorrem o periósteo, a membrana mais exterior. Por outro lado, a parte interior dos ossos 
encontra-se irrigada por uma ou várias artérias nutritivas, que penetram no osso e o 
subdividem em inúmeras ramificações finas. As veias fazem um percurso semelhante ao das 
artérias. 
 Periósteo: membrana de tecido conjuntivo denso, muito fibroso, que reveste a superfície 
externa da diáfise, fixando-se firmemente a toda a superfície externa do osso, exceto à 
cartilagem articular. Protege o osso e serve como ponto de fixação para os músculos e 
contém os vasos sangüíneos que nutrem o osso subjacente. 
 Endósteo: se encontra no interior da cavidade medular do osso, revestido por tecido 
conjuntivo. 
 
Ossificação intramembranosa 
 Surge no interior de membranas de natureza conjuntiva 
 Centro de ossificação inicia a ossificação 
 Forma: calota craniana e mandíbula. 
 Características: 
• Crescimento aditivo ou aposicional 
• Aposição e reabsorção são observadas simultaneamente 
• Crescimento: aposição é prevalente em relação a reabsorção 
• Os ossos crescem um em direção ao outro e no crânio a região osteogênica são as suturas 
• Há crescimento também no periósteo 
 
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Ossificação endocondral 
 Tem inicio sobre cartilagem hialina 
 Forma: ossos longos e curtos, vértebras, costelas, base craniana e cabeça da mandíbula. 
 
 
 
 
 
Teorias de crescimento 
 Sicher, Scott, Moss, Van Limborgh 
 Sicher (1952): 
• Teoria da dominância sutural 
• Crescimento sob um controle genético muito forte 
• As estruturas crescem sem relações entre si 
• Centros de crescimento: periósteo, cartilagem e suturas 
 
 Scott (1967): 
• Fatores de crescimento encontrados somente na cartilagem e no periósteo 
• Suturas: secundárias e passivas 
• Fatores locais e ambientais 
 
 Moss (1960): 
• Matriz funcional (tecidos moles): vasos, nervos e músculos 
• O tecido ósseo é influenciado durante o crescimento por todos os tecidos moles 
adjacentes 
• Crescimento secundário 
• Determinado somente por fatores locais 
 
 Van Limborgh (1968): 
• Influencias intrínsecas (genéticas) e extrínsecas (ambientais) 
• Diferentes tecidos sofrem diferentes graus de influencia em diferentes épocas 
 
As células mesenquimais indiferenciadas do tecido conjuntivo se transformam em 
oestoblastos e eleboram a matriz osteóide. A matriz, ou substancia intercelular calcifica-se 
e resulta no osso. 
O crescimento ósseo intramembranoso ocorre em áreas de tensão, as membranas têm 
seu próprio processo interno de deposição e reabsorção. A membrana cresce 
superficialmente antes de apoiar o osso que é depositado em seguida. Há uma constante 
deposição e reabsorção nas superfícies ósseas como parte dos processos de remodelação 
membranosa e de recolocação. 
O tecido mesenquimatoso original primeiro se transforma em cartilagem. As células 
cartilaginosas se hipertrofiam, suas matrizes se calcificam, degeneram e a cartilagem é 
substituída por tecido osteogênico. 
 
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 Além do potencial de crescimento intrínseco, existem inúmeros fatores que podem 
influenciar o desenvolvimento dos ossos do complexo maxilo/mandíbula. 
 
Crescimento: padrão, variabilidade e ritmo 
 Devemos conhecer e entender o conceito de padrão 
 Padrão de crescimento: 
• Redução progressiva no tamanho da cabeça em relação ao resto do corpo 
• Crescimento maior dos membros inferiores durante a vida pós-natal 
• Gradiente céfalocaudal de crescimento (os membros crescem mais que a cabeça, quanto 
mais próximo da cabeça menos cresce) 
 Ritmo: 
• Variação na quantidade e no tempo de crescimento 
• Ocorre por: variações hormonais, influencia de fatores fora do normal (doenças graves), a 
variação no ritmo ocorre porque o mesmo evento acontece para diferentes pessoas em 
diferentes épocas. 
 
Métodos para estudo do crescimento 
 Craniometria: utilizada para estudar o homem de Neandertal e Cro-Magnon, tem vantagem 
de poder realizar medições quase precisas em crânios secos. 
 Antropometria: medição em indivíduos vivos 
• Estabelecimento de pontos em crânios secos e transferidos para indivíduos vivos, podem 
ocorrer variações devido a espessura de tecido mole 
• Permite acompanhar diretamente o crescimento de um indivíduo fazendo medições 
específicas em diferentes épocas 
 Radiologia cefalométrica: importante tanto na avaliação do crescimento quanto no 
acompanhamento de um paciente ortodôntico 
• Permite uma medição direta das dimensões dos ossos do esqueleto e um 
acompanhamento do paciente por longos períodos 
• Sua desvantagem é que fornece uma medição bidimensional de uma estrutura 
tridimensional, assim não fornece precisamente uma medição mesmo que o 
posicionamento seja executado com precisão 
 
Conceitos 
Crescimento: mudança em quantidade 
 É o aspecto quantitativo, por meio do qual a matéria torna-se maior (Araújo, 1988) 
 Resulta em aumento de tamanho, mudança na forma ou proporção 
 Nível celular: 
• Hipertrofia – aumento das células 
• Hiperplasia – aumento do número de células 
• Secreção de material extracelular – independente do aumento do tamanho ou número de 
células 
 
 
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Desenvolvimento: 
 Conjunto de acontecimentos biológicos desde a fecundação até a fase adulta. 
 Implica no alcance de estágios mais complexos, mais avançados em direção à maturação 
 Fenômenos fisiológicos e comportamentais 
 
Maturação: estabilização do estágio adulto, atingido através do crescimento e desenvolvimento. 
 
 
 
 
 
 
 Aposição e Reabsorção 
• Todo crescimento ósseo é uma combinação de dois processos 
• Em um lado do córtex ósseo, osso novo é adicionado, no outro, é retirado 
• Aposição ocorre na superfície da borda onde há a direção do crescimento, enquanto na 
superfície oposta é vista a reabsorção 
• Ocorrem simultaneamenteem superfícies opostas 
 
 
1: aposição 
2: reabsorção 
3: aposição 
4: reabsorção 
 
 Um determinado osso vai mudando de forma e tamanho (reabsorções e neoformações) e os 
ossos adjacentes movem-se em direções opostas nas junções. 
 
Reabsorção Aposição 
 - + 
Vetor de crescimento = lado de aposição 
 
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Superfícies escuras ocorrem à reabsorção e nas mais claras ocorre à aposição. 
 Reabsorção: 
• Região anterior de incisivos 
• Ramo da mandíbula 
• Superfície interna da região de molares 
 
Remodelação: princípio básico do crescimento que promove mudança seqüencial na forma e 
tamanho dos ossos. 
 Envolve aposição de osso em qualquer superfície que esteja voltada para direção de 
crescimento de uma determinada área e reabsorção no lado oposto. 
 Funções da remodelação: 
• Modificar de forma progressiva o tamanho 
• Relocar cada região do osso para permitir o aumento do volume no geral 
• Dar forma ao osso para adaptá-lo as diferentes funções 
• Ajustar os ossos e seus tecidos moles contíguos em crescimento e função 
• Promover ajustes estruturais para adaptação às modificações intrínsecas e extrínsecas 
existentes. 
 
Deslizamento: é o movimento de crescimento de uma parte aumentada do osso por ação da 
remodelação (aposição e reabsorção). 
 
Deslocamento: é um movimento físico do osso como um todo e acontece enquanto o osso sofre 
remodelação simultânea pela reabsorção e deposição. 
 Deslocamento primário: processo de transporte físico que acontece conjuntamente com o 
aumento do próprio osso. 
 Deslocamento secundário: movimento de todo o osso causado pelo crescimento separado de 
outros ossos. 
 
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Deslizamento e deslocamento ocorrem ao mesmo tempo. 
 
Relocação: movimento progressivo e seqüencial das partes componentes do crescimento ósseo. 
 O ramo é relocado posteriormente, e a parte posterior do corpo que cresce em comprimento 
é relocada na área previamente ocupada pelo ramo. 
 
Áreas e tipos de crescimento no complexo crânio facial: 
 Calota craniana 
 Base do crânio 
 Complexo nasomaxilar 
 Mandíbula 
 
Calota craniana: ossificação intramembranosa 
 Fontanela: membrana na calota do bebe que auxilia no crescimento 
 Pode-se interpretar o crescimento da abóbada craniana através: 
• Crescimento sutural: remodelação e crescimento ocorrem primeiro em áreas delimitadas 
por periósteo entre os ossos adjacentes do crânio. (sutura: parte ativa do crescimento) 
• Cerebral: conforme o cérebro cresce existe a reabsorção interna e a aposição externa. 
(cérebro: fator estimulante do crescimento) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ao nascimento os ossos achatados do crânio se encontram separados por tecido 
conjuntivo frouxo. Após o nascimento existe a aposição entre as áreas de fontanela que 
elimina com rapidez esses espaços abertos. 
 
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Base do crânio: ossificação endocondral 
 O crescimento da base do crânio é resultado de uma complexa combinação de: 
• Expansão das sincondroses: articulações da base do crânio: esfeno-occipital, 
interesfenoidal e esfeno-etmoidal. 
• Crescimento sutural: os ossos da base do crânio são inicialmente formados por cartilagem 
e depois transformados em ossos, o crescimento nas suturas e a remodelação das 
superfícies se tornam mais importantes. 
• Extensivo deslizamento cortical e remodelação. 
 Idade de ossificação das sincondroses da base do crânio: 
• Interesfenoidal= antes ou imediatamente após o nascimento 
• Esfeno-etmoidal= 7 anos 
• Esfeno-occipital= após os 16 anos podendo ir até os 20 anos 
 
 
 Consequência do crescimento da sincondrose esfeno-occipital: 
• Deslocamento primário do osso esfenoide e occipital > deslocamento da face para frente 
e para baixo. 
 Influência do crescimento da base do crânio 
• Deslocamento secundário > complexo nasomaxilar e da mandíbula. 
 
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Maxila: 
 2 ossos 
 Crescimento sutural por aposição 
 Remodelação óssea 
 Vetor de crescimento: para baixo e para frente 
 Áreas de reabsorção óssea: sua área anterior esta sendo reabsorvida, então existe uma 
remodelação da superfície frontal, porem ainda assim ela cresce para frente. 
 Mais sujeita as influências ambientais que a base do crânio e menos que a mandíbula 
 Parte do crescimento é provocado pelo septo nasal 
 Crescimento principal na tuberosidade para caber os molares 
 
 
 
 
 
 
 Áreas de crescimento: 
• Tuberosidade 
• Processo alveolar 
• Pré-maxila 
• Suturas: frontomaxilar, zigomáticomaxilar e ptérigopalatina 
• Processo palatino da maxila 
 Tuberosidade: 
• Crescimento em direção posterior e lateral. 
• Aumento no comprimento do arco dentário. 
• Encontro com o esfenóide. 
• Processo alveolar: deposição óssea ocasionando um aumento em altura. 
• Pré-maxila: deposição do lado palatino e reabsorção do lado vestibular. 
 Remodelação do terço médio da face: 
• Região nasal: aumenta a cavidade nasal 
• Seio maxilar: diminui a quantidade de osso 
• Assoalho da órbita: estabiliza a órbita em relação aos movimentos de crescimento facial. 
Enquanto a maxila cresce para baixo e para frente (pelo crescimento da base do 
crânio atrás dela e pelo crescimento sutural), suas superfícies frontais são remodeladas. 
Parte do crescimento é promovido pelo septo nasal, a abobada palatina é movida 
para frente e para baixo juntamente com a maxila, porem osso é removido do lado nasal e 
adicionado ao lado bucal, criando assim um movimento adicional para baixo e para frente. 
 
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 Septo nasal: orienta a maxila para seu deslocamento para baixo e para frente 
Crescimento da maxila > para cima e para trás 
 
Mandíbula: 
 Antigamente, a mandíbula era comparada a um osso longo recurvado, onde as duas 
cartilagens epifisárias estão na região do côndilo 
 Ossificação endocondral (côndilos) e intramembranosa (outras áreas) 
 Sujeita a remodelamento em toda a sua superfície 
 Crescimento maior do côndilo para estabelecer as relações funcionais 
 (a mandíbula se move para frente e para trás, por conseqüência do crescimento do côndilo) 
 Côndilos: 
• Principal centro de crescimento 
• Determina o deslocamento inferior 
• A mandíbula sofre processos de remodelação (reabsorção e aposição) em todas as 
superfícies causando o aumento de tamanho 
• Na infância, o ramo está localizado aproximadamente onde o primeiro molar decíduo 
erupcionará. 
• A remodelação cria um espaço para o segundo molar decíduo e, depois para os molares 
permanentes. 
• Este crescimento pode cessar antes da obtenção do espaço para os terceiros molares, 
deixando-os impactados no ramo. 
A remodelação, provocada pela aposição (borda posterior do ramo) e reabsorção (anterior) 
determina um deslocamento póstero-superior. 
 
 
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Na representação horizontal, se evidencia o crescimento posterior com aumento 
principalmente da distância inter-condilar. 
 
 
 Mento: 
• Reabsorção na porção anterior e deposição na posterior. 
 Processo alveolar: 
• Muda significantemente durante a dentição mista e apresenta importante adaptação 
durante o crescimento 
• Quase 1mm de osso é acrescentado por ano durante a adolescência 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Maior crescimento da mandíbula: côndilo e ramo 
Maior reabsorção da mandíbula: processo coronóide 
 
Maior reabsorção da maxila: porção zigomática maxila e septo nasal 
 
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BIOGÊNESE DA DENTIÇÃO PRÉ-DENTAL E DECÍDUA 
Muitas maloclusões têm seu inicio ou apresentam seus primeiros sinais de desenvolvimento 
durante o período em que os dentes decíduos estão na boca, por isso é necessário avaliações para 
detectar alterações precocemente e estabelecer um diagnóstico. 
 
Aspectos do desenvolvimento da oclusão 
 Deficiente: decídua e permanente 
 Ao nascimento a dentição decídua encontra-se em pleno processo de odontogênese 
 Os 1os molares permanentes estão iniciando seu processo de calcificação coronária 
 O desenvolvimento da dentição ocorre em sintonia com o crescimento craniofacil e com a 
maturação da musculatura 
 As dentições manifestam-se lenta e gradualmente na cavidade bucal, sendo responsáveis por 
grandes alterações até o amadurecimento do sistema estomatognático 
 
Formação dos dentes (odontogenese) 
 Botão > capuz > campânula > coroa > raiz 
 Quando a dentição decídua começa a erupcionar, a coroa dos permanentes já esta 
praticamente formada (erupciona de l para v) 
 A fase de raiz continua ocorrendo quando o dente erupciona 
 O periodonto de inserção é formado nessa fase 
 
 
 
 
 
 
Erupção dos dentes 
 Complexo fenômeno de causas variadas, que faz com que o dente, ainda em formação 
incompleta, migre do interior da maxila/mandíbula para cavidade bucal 
 Possui três períodos: pré-eruptivo, eruptivo e pós-eruptivo 
 
Pré-eruptivo: desde os primórdios da formação até o contato da borda incisal ou até romper o 
epitélio 
 
Eruptivo: do rompimento do epitélio até o contato com o antagonista 
 
Pós-eruptivo: ciclo vital do dente 
 
Fases do desenvolvimento da dentição e oclusão dentária no período pós-natal 
1º - período pré-dental: nascimento até a erupção do 1º dente decíduo 
 Neonato apresenta a mandíbula em relação distal com referencia a maxila 
 Mandíbula sempre esta atrás da maxila, varia de 0 a 8 mm, sendo mulheres 2.5 mm e 
homens 2.7 mm (desenvolvimento do homem é mais tardio) 
 
 
 
 
 
Agenesia do decíduo = agenesia do permanente 
Porem pode ser que o decíduo esteja presente e ocorra agenesia do permanente 
Mandíbula mais para trás que maxila para permitir sucção na amamentação, esta 
estimula o desenvolvimento da mandíbula 
 
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 Eventos do 1º ao 6º meses de vida: 
• Crescimento diferencial da mandíbula > amamentação 
• Crescimento da região posterior da mandíbula 
 
 Características normais da cavidade bucal: 
• Processos alveolares cobertos pelos abaulamentos gengivais 
• Gengiva firme como numa boca adulta desdentada 
• Roletes gengivais contatam-se na região posterior, apresentando um espaço na região 
anterior 
• Arco superior: forma arredondada, abóbada pouco profunda 
• Arco inferior: forma de u, porção anterior mais pontiaguda e inclinada vestibularmente 
• Postura neo-natal da língua: posição de repouso da mandíbula: entre os roletes gengivais, 
boca aberta 
 
 Alteração na cronologia de erupção 
• Dente natal: presente ao nascimento, 85% = incisivo inferior decíduo 
• Dentes pré-decíduos: 10% mineralizados 
• Dente neo-natal: irrompe durante os 1os 30 dias 
• Dente pré-erupcionado: durante o 2º e 3º meses de vida. 
 
 Características: 
• Retrusão mandibular 
• Maxila mais desenvolvida 
• Arco superior sobrepondo inferior 
• Movimentos mandibulares amplos 
• Forma da arcada semilunar 
 
Período da dentição decídua 
 6 meses até 5 a 6 anos (esfoliação do primeiro dente decíduo) 
 20 dentes: 8 incisivos, 4 caninos e 8 molares 
 
 Funções: 
• Manutenção do espaço para os dentes permanentes 
• Guia de erupção 
• Desenvolvimento e manutenção do processo alveolar 
• Mastigação, fonação, deglutição e estética 
 
 
 
 
 Fases de calcificação: 
• Primeiros sinais: 6º mês de viu 
• Seqüência: IC, IL, 1os M, C, 2os M 
• Época de erupção variável, não havendo diferença em relação ao sexo 
 
 Cronologia: 
ICI: 6 meses 
ICS: 7 meses 
ILS: 8 meses 
Na necessidade de uma extração precoce, não abrir mão de um mantenedor de 
espaço, para que não ocorra perda na dimensão vertical e horizontal. 
 
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ILI: 9 meses 
1º MS: 12 meses 
1º MI: 14 meses 
CS: 16 meses 
CI: 18 meses 
2º MI: 20 meses 
2º MS: 24 meses 
 
Erupção dos dentes decíduos: tem seu início por volta do sexto mês da vida pós-natal e se 
completa ao redor do trigésimo mês. 
 
 Características: 
1 - Características morfológicas 
2- Inclinação axial dos dentes decíduos 
3- Espaços Primatas 
4- Espaço Funcional Livre (LeewaySpace) (livro) (livro) 
5- Relação Distal dos 2º Molares Decíduos 
6- Tipos de Arcos na Dentição Decídua 
 
1 - Características morfológicas: 
- Menores que os permanentes, relação de 1 para 3 
- 2º molares decíduos maiores que os 1
os
 
- Coroa dos molares mais amplas no sentido M-D 
- Morfologia semelhante aos permanentes, exceto 1º M decíduo 
 
Diferenças entre decíduos e permanentes: 
- Dentes decíduos menores em todas as suas dimensões que os dentes permanentes 
correspondentes 
- Esmalte com coloração branca mais clara e mais opaca do que o dos dentes 
permanentes o que dá à coroa uma cor branco-leitosa, uniformemente distribuída por 
toda a coroa 
- Esmalte com espessura igual ou quase igual em todas as faces da coroa, terminando 
abruptamente ao nível do colo 
- Margem e sulcos cervicais mais pronunciados 
- Superfícies vestibulares e linguais dos molares decíduos convergem até as 
superfícies oclusais de modo que o diâmetro vestíbulo-lingual da superfície oclusal é 
muito menor que o diâmetro cervical 
- Câmaras pulpares mais amplas proporcionalmente às suas coroas do que nos dentes 
permanentes e acompanham a morfologia externa da coroa 
- Canal radicular muito delgado 
 
Desenvolvimento da ATM: 
- Processo coronóide pouco desenvolvido 
- Cavidade articular côncava, porem rasa 
- Côndilo tosco e achatado 
- Permite qualquer movimento da mandíbula 
 
Plano oclusal: 
- Reto (ausência de curva de Spee e Wilson) 
 
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- Próximo em relação a altura do côndilo 
 
Forma do Palato: 
- Raso 
 
Relação transversal das arcadas: 
- Paralelismo entre os dentes 
- Não há inclinação dos dentes decíduos 
- Oclusão dos superiores por V dos inferiores 
 
2 - Inclinação axial: 
- Dente decíduo: raízes paralelas e ângulo interincisivos próximo de 180°- Dente permanente: coroas dos incisivos inclinadas para V, ângulo aprox. 125 graus 
 
3 - Espaços primatas: 
- Arcada superior: entre mesial dos caninos decíduos e distal dos incisivos laterais 
decíduos 
- Arcada inferior: entre distal dos caninos decíduos e mesiais dos 1º molares decíduos 
- Servem para compensação de espaço, pois os dentes permanentes são maiores 
 
4 - Espaço funcional livre, espaço livre de Nance ou “Leeway Space” 
- Ercada superior: 0,9mm para cada lado 
- Arcada inferior: 1,7mm para cada lado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 - Relação distal dos segundos molares decíduos: 
 Angle afirmava que através da relação distal do 2º molar decíduo poderiamos prever que 
tipo de oclusão resultará a dentição permanente. 
- Plano vertical ou reto: 76% dos casos, 1º molares erupcionam classe I ou II 
 
 
A dimensão mesiodistal dos molares decíduos é maior que as correspondentes 
dos pré-molares substitutos, após a queda daqueles permanece um espaço livre que 
permitirá acomodação dos molares permanentes a chave de oclusão. (Vellini et 
al,2008) 
Diferença entre somatória das distancias mesiodistal dos dentes decíduos 
(caninos, 1º e 2º molares) e a somatória das distancias mesiodistais dos permanentes 
(canino, 1º e 2º pré-molares) 
 
 
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Neste caso, a oclusão para classe I do 1º molar permanente pode processar-se ocupando parte 
do espaço primata inferior, determinado pelo componente axial de força do 1º molar permanente no 
sentido mesial 
Outra hipótese para o desenvolvimento da relação de classe I dos 1°molares permanentes na 
ausência do espaço primata é a utilização do espaço livre de Nance, por mesialização dos molares, 
quando ocorrer a esfoliação dos caninos e molares decíduos. 
Finalmente, a última hipótese para o desenvolvimento da relação de classe I dos 1°molares 
permanentes é a ocorrência de um deslizamento da mandíbula para frente. 
 
- Degrau mesial: 14% dos casos, 1º molares erupcionam numa relação de classe I ou III 
 
 
- Degrau distal: 10% dos casos, 1º molares erupcionam em classe II 
 
 
6 - Tipos de arcos na dentição decídua: 
- BAUME (1950): 
Arco tipo I: além dos espaços primatas, há espaços generalizados entre os incisivos 
superiores e inferiores 
Arco tipo II: não há espaços entre os incisivos superiores e inferiores e, os espaços 
primatas podem ou não estar presentes 
Arco misto: alguns lugares têm diastemas outros não, quando o arco não apresenta 
diastemas, no futuro pode haver pouco espaço para o alinhamento dos permanentes, 
ocasionando apinhamento 
 
Período da dentição decídua: 
 1ª fase: erupção dos incisivos centrais e laterais superiores e inferiores 
 
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 2ª fase: erupção dos 1º molares decíduos superiores e inferiores (“1º levante da mordida”) 
 
 
 3ª fase: erupção dos caninos superiores e inferiores (“guia de canino e espaços primatas”) 
 
 
 4ª fase: erupção dos 2º molares decíduos superiores e inferiores (“relação distal dos 
2°molares”) 
 
 
 Características de normalidade na dentição decídua: 
• Dentes anteriores espaçados 
• Espaços primatas 
• Overbit e overjet pouco profundos e acentuados 
Sobremordida profunda 
Amplos movimentos mandibulares 
 
 
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• Plano terminal reto 
• Relações de caninos e molares de classe i 
• Inclinações quase verticais do dentes anteriores 
• Arco com forma ovóide 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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DENTIÇÃO MISTA E PERMANENTE 
 
Dentição Mista 
 Presentes os arcos dentários decíduos e permanentes 
 Erupção do 1o molar permanente por volta dos 6 anos até a esfoliação do último dente 
decíduo 
 Este período é a melhor época para se guiar a oclusão e interceptar a maloclusão 
 Para isso, os cirurgiões dentistas devem ter um conhecimento profundo do desenvolvimento 
da oclusão, e domínio de algumas técnicas ortodônticas 
 Permitindo assim o desenvolvimento natural dos arcos nesta época, e também tirar proveito 
deste fenômeno 
 
Reabsorção radicular dos dentes decíduos 
 Processo fisiológico 
 Processo intermitente (períodos de atividade e repouso) 
 Tempo prolongado 
 Inicia aproximadamente 3 a 4 anos antes da esfoliação 
 
Fatores que influenciam na reabsorção 
 Processo inflamatório e traumatismo oclusal aceleram a reabsorção 
 Imobilização ou ausência do sucessor retardam a reabsorção 
 
Calcificação dos dentes permanentes 
 Começa após o segundo mês de vida pós natal (10 molar permanente) e vai até os nove anos 
de idade (30 molar permanente) 
 Nas meninas é mais adiantado que nos meninos 
Estágios de NOLLA (1960): 
 
 
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Erupção 
A – alongamento do permanente 
B – reabsorção do dente decíduo 
C – movimento do dente para a oclusal 
D – crescimento do processo alveolar 
 Geralmente passam-se algumas semanas, até meses, antes que o sucessor erupcioneapós a 
esfoliação do dente decíduo. 
 Este intervalo está relacionado, em parte, com a reconstrução óssea do processo alveolar e, 
em parte, com a cicatrização do defeito gengival que está presente após um dente ter sido 
perdido. 
 Quando um dente decíduo é esfoliado, parte do processo alveolar que o circunda desaparece. 
 Durante a erupção de seu sucessor, ele é gradualmente reposto. 
 
Sequência de erupção 
 Superior: 
6-1-2-4-5-3-7 
(16/26; 11/21; 12/22; 14/24; 15/25; 13/23; 17/27) 
 Inferior: 
6-1-2-3-4-5-7 
(16/26; 11/21; 12/22; 13/23; 14/24; 15/25; 17/27) 
Importante: 
Estagio 2: calcificação inicial, agenesia 
Estagio 6: coroa completa, inicia a erupção 
Estagio 8: 2/3 da raiz completa, perfuração da crista óssea alveolar 
Ausência de cripta; 
Presença de cripta; 
Calcificação inicial; 
 
1/3 da coroa completa; 
 
2/3 da coroa completa; 
 
Coroa quase completa; 
 
Coroa Completa; 
 
1/3 da raiz completo; 
 
2/3 da raiz completos; 
 
 
Raiz quase completa (ápice aberto); 
 
 
Ápice radicular completo; 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
20 
 
Cronologia de erupção 
 
 Na maxila é desejável: 
• O 1º pré-molar erupcione antes do 2º pré-molar, evitando que o 1º molar migre 
mesialmente e bloqueie a erupção do canino 
• O canino erupcione antes do 2º molar evitando diminuição no perímetro do arco 
• Na mandíbula é desejável: 
• O canino erupcione antes dos pré-molares, preservando o comprimento do arco 
• O 2º pré-molar erupcioneantes do 2º molar permanente. 
A erupção dos incisivos centrais inferiores ocorre geralmente logo após a erupção dos 
primeiros molares permanentes inferiores aos 6 anos, porém alcançam a altura total da coroa mais 
rapidamente queos primeiros molares, dando a impressão de terem irrompido antes. 
 
 
Cronologia: 
Idade dentária de 6 anos: 
 
 
Idade dentária de 7 anos:: 
 
 
Idade dentária de 8anos: 
Caracterizado pela erupção dos 
primeiros molares permanentes 
Guiados pelas superfícies distais 
dos molares decíduos 
Inferiores precedem superiores 
 
Erupção dos incisivos centrais 
inferiores e superiores. 
Posicionamento mais para lingual 
do que os decíduos 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
21 
 
 
Idade dentária de 9 anos: 
 
 
Idade dentária de 10 anos: 
 
 
Idade dentária de 11 anos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Incisivos centrais praticamente em 
oclusão, os incisivos laterais 
fazendo sua erupção. 
 
Incisivos centrais encontram-se 
em oclusão e os incisivos laterais 
quase alcançando o plano oclusal. 
 
Caninos inferiores e primeiros 
pré-molares superiores fazendo sua 
erupção. 
 
Canino permanente inferior, 
primeiro pré-molar inferior e 
primeiro pré-molar superior, os 
quais erupcionam quase que 
simultaneamente. 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
22 
Idade dentária de 12 anos: 
 
 
Mecanismos de compensação: 
 Inclinação axial dos permanentes: 131º, decíduos: 150º 
 Contorno vestibular: de canino a canino se faz levemente por v nos permanentes 
 Espaços primatas: ci e mi; ils e cs 
 Arco tipo i de baume: 
 Espaço livre de nance: maior no inferior para o molar se relacionar em classe i 
 Crescimento: largura devido a erupção e ao aumento do processo alveolar e comprimento. 
 Seqüência favorável de erupção: 
 Padrão de erupção do primeiro molar permanente 
 Padrão de erupção dos incisivos 
 
 Padrão de erupção do primeiro molar permanente: 
• Plano terminal reto 
 
 
• Degrau distal: 
 
 
Erupção do segundos molares e 
as coroas quase completas dos 
terceiros molares. 
Os primeiros molares irão fazer 
sua erupção em uma oclusão 
cúspide a cúspide 
 
As faces distais dos segundos 
molares inferiores decíduos 
encontram-se mais para distais em 
relação aos segundos molares 
superiores decíduos 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
23 
• Degrau mesial: 
 
 
 
 
 
 
 Maloclusão classe I: 
• A face apresenta um perfil reto, característico de uma relação ântero-posterior normal 
entre a maxila e a mandíbula. A cúspide mésio-vestibular do primeiro molar superior se 
articula com o sulco mésio-vestibular do primeiro molar inferior 
 
 Maloclusão de classe II: 
As faces distais dos segundos 
molares inferiores decíduos 
encontram-se mais para mesialem 
relação aos segundos molares 
superiores decíduos. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
24 
• 1a divisão: a face apresenta um perfil convexo, devido a uma relação “distal” da 
mandíbula em relação à maxila. O sulco mésio-vestibular do primeiro molar inferior 
permanente se articula posteriormente à cúspide mésio-vestibular do primeiro molar 
superior. 
• 2a divisão: geralmente apresenta um perfil reto, e em algumas ocasiões observa-se apenas 
a linguo-versão dos incisivos centrais e laterais superiores. 
 
 Maloclusão de Classe III: 
• A face apresenta um perfil côncavo, devido a uma relação mesial da mandíbula em 
relação à maxila. O sulco mésio-vestibular do primeiro molar inferior permanente se 
articula anteriormente à cúspide mésio-vestibular do primeiro molar superior permanente. 
 
 Funções da curva de Spee: 
• Estabelece a correta quantidade de overbite no segmento anterior da dentição. 
• Estabelecendo o overbite na área de incisivo e canino, quando os dentes estão em contato 
oclusal, automaticamente divide a força dos dentes anteriores. 
• Determina uma separação mais uniforme e paralela dos planos oclusais maxilar e 
mandibular quando a mandíbula desliza para baixo e quando volta para o contato oclusal 
na mastigação. 
• Permite a manutenção de um contato superficial oclusal uniforme quando a mandíbula é 
movimentada levemente à frente. 
 
 Sobremordida(overbite) 
 
 
 Sobressaliência(overjet) 
Trespasse dos incisivos 
superiores sobre os inferiores, no 
plano vertical 
Aumenta na dentição mista se 
estendendo até a adolescência 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
25 
 
 
 Fase do patinho feio: 
• Fase da dentição mista em que os dentes permanentes estão começando a erupcionar 
• Diastema fisiológico 
• Dura de 3 a 4 anos 
• Fechamento não ocorre antes da erupção dos caninos permanentes 
• Pode ser confundido com diastema patológico 
 
 
 
 
Conclusões 
 O período da dentição mista é uma fase muito importante, pois ocorrem modificações 
complexas e dinâmicas em direção ao desenvolvimento da oclusão permanente. 
 Existem dois aspectos muito importantes: 
• A utilização do perímetro do arco 
• Mudanças de adaptação de uma oclusão decídua para uma oclusão permanente. 
 Conhecer a cronologia e a seqüência normal da erupção dentária assim como suas variações, 
no intuito de diagnosticar qualquer problema e estar apto a intervir no tempo correto. 
 
Dentição Permanente: 
Características: 
 Número de dentes: 32, sendo: 
8 incisivos 
4 caninos 
8 pré-molares 
12 molares 
 
Sobremordida e sobressaliência: 
 20% de recobrimento do incisivo inferior 
 Incisivo superior 2 a 2,5mm à frente do inferior 
 
 
 
 
 Trespasse dos incisivos 
superiores sobre os inferiores, no 
plano horizontal (2 a 2,5 mm) 
Devido a protrusão dos incisivos 
Corrige-se com a maturação 
 
Sobressaliência: mede-se da vestibular do incisivo central inferior até a borda 
incisal do incisivo central superior. 
Linha mediana: correto alinhamento das arcadas, coincidente com a linha média do 
rosto, a superior deve ser coincidente, a inferior pode ter um desvio de 0,5mm. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
26 
Seis chaves da oclusão: 
 Relação molar 
 Angulação (“tip”) 
 Inclinação (“torque”) 
 Ausência de rotações 
 Ausência de espaços 
 Curva de spee 
 
 Relação molar: 
• A cúspide mésiovestibular do primeiro molar superior permanente deve ocluir com o 
sulco mésiovestibular do primeiro molar inferior. 
 Angulação (“tip”): 
• O espaço do dente no arco poderá diminuir ou aumentar conforme a inclinação da coroa 
• Inclinação suave é necessária (estética) 
 Inclinação (“torque”) 
• Sentido vestíbulo-lingual nos anteriores 
• Inclinação nos posteriores: 
 
 
 Ausência de rotações indesejáveis: 
• Modificam o comprimento do arco alterando as dimensões 
• Ocasionam contatos prematuros, traumas oclusais e distúrbios na ATM 
 
 Ausência de espaços: 
• Evitar movimentação dentária e estabilizar a oclusão 
 
 Curva de Spee: 
• Muito acentuada: pouco espaço e apinhamento superior 
• Reversa: espaços excessivos e dificuldade na intercuspidação 
• Plana: a intercuspidação é melhor e há uma tendência de se acentuar conforme o tempo 
 
 
Superiores:inclinação é 
constante e similar desde os 
caninos até os segundos molares 
(20%) 
 
 
 
 
 
Inferiores: inclinação lingual das 
coroas aumenta progressivamente 
dos caninos (diferente de 0) até os 
segundos molares. 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
27 
 
Equilíbrio muscular e dental: 
 Pela língua, bochecha e lábios 
 Nos dentes anteriores as forças exercidas pela língua e pelos lábios se anulam, garantindo 
assim que não haja movimentação vestibulolingual. 
 Nos dentes posteriores as forças da língua e da bochecha se anulam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ETIOLOGIA DAS MALOCLUSÕES 
O principal objetivo do tratamento ortodôntico é devolver as características de normalidade a 
oclusão. 
Anomalia: 
 Foge da normalidade 
 Pode ser comparada a qualqer defeito físico 
 Grande prevalência no ser humano 
 Normal ou exceção 
 
 
 
Etiologia: 
 O estudo, investigação e diagnóstico das causas de um fenômeno. Em ortodontia, refere-se 
as causas da maloclusão. 
 O conhecimento da etiologia das maloclusões não deve ser de exclusividade do 
Ortodontista, mas sim do Odontopediatra e do Clínico-geral. 
 Oportunidade de examinar crianças em fases anteriores à chamada idade ortodôntica, onde 
os fatores são mais atuantes 
 
 
 
 
 
Classificação dos fatores etiológicos: 
Moyers (1979) - Equação de Dockrell: 
 
Tempo para a oclusão se estabalecer: 18 a 20 anos, idade relacionada a erupção 
do 3º molar. Durante esse período existem muitos fatores potenciais de risco. 
Ortodontista se depara com efeito (maloclusão) se distanciando das causas. 
Deve-se atuar no sentido de eliminar as causas para corrigir o efeito, quando não é 
possível eliminar a causa deve-se corrigir o problema. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
28 
 
 
Classificação dos fatores etiológicos: 
 Endógenos: hereditariedade, endocrinopatias, raquitismo, influencias nutricionais. 
 Exógenos: influencias sofridas na VIU, força insuficiente do órgão mastigatório, transtornos 
respiratórios (nasal), hábitos nocivos, perda precoce de dente decíduo. 
 
Graber (1966): 
 Fatores extrínsecos ou gerais: são fatores agindo à distância, muitas vezes durante a 
formação do indivíduo e que, portanto, são dificilmente controláveis pelo ortodontista. 
 
 Hereditariedade: 
• Agenesias 
• Desarmonias das bases ósseas 
• Dentes supranumerários 
• Discrepância osso-dente 
• Anomalias de forma e tamanho dos dentes 
• Influência racial hereditária 
• Influência hereditária no padrão de crescimento e desenvolvimento 
• Tipo facial 
- Braquicefálico - cabeça larga 
- Dolicocefálico - cabeça longa 
- Mesocefálico - intermediário 
 
 B- Moléstias ou deformidades congênitas: 
• Lábio leporino ou fenda palatina: dificuldade para mastigação e deglutição, problemas 
psicológicos, distúrbios esqueléticos e funcionais. 
• Paralisia cerebral: distúrbios na musculatura prejudicando a mastigação, respiração, 
deglutição e fonação 
• Disostose cleidocraniana: retrusão maxilar, protrusão mandibular, com erupção tardia dos 
dentes permanentes e presença de supranumerários 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
29 
• Sífilis congênita: má formação dos dentes (dentes de hutchinson: anteriores em forma de 
barril e posteriores em forma de amora) 
• Febres exantematosas: rubéola, catapora, sarampo, podem afetar o desenvolvimento e a 
forma dos dentes, retardando a sua erupção 
 
 C- Meio ambiente: 
• Influência pré-natal: 
- Posição do feto no útero 
- Fibromas uterinos - assimetria da face 
- Rubéola e uso de drogas 
- Dieta e metabolismo materno 
• Influência pós-natal: 
- Ingestão de antibióticos 
- Lesões traumáticas ao nascer 
- Fratura da cabeça da mandíbula 
- Lesões ao nascimento com anquilose condilar 
- Acidentes que provocam pressões indevidas sobre a dentição em desenvolvimento 
 
 D-Ambiente metabólico e enfermidades predisponentes: 
• Poliomielite 
• Distrofia muscular 
• Disfunções endócrinas 
 
 E-Problemas dietéticos 
• Deficiências nutritivas causam amelogênese imperfeita 
 
 F- Hábitos e pressões anormais 
• Sucção do polegar e/ou dedos:instinto dos mamíferos, inicio ao nascer, quase sempre 
interrompidos aos 3/4 anos 
• Sucção de chupeta e uso prolongado de mamadeira 
 
 
• Onicofagia (comer unha): causa giroversao e outros, crianças nervosas e tensas, 
desajustes sociais e psicológicos, substituição do habito de sucção. 
• Respiração bucal: o homem nasceu para respirar pelo nariz, função do nariz: filtrar, 
aquecer, umidificar, respiração em repouso: nasal, demanda alta de o
2
: mista. Causas: 
desvio de septo, cornetos inflamados, adenóide inflamada. 
• Deglutição atípica: causas: 
- Desequilíbrio do sistema nervoso 
- Anquiloglossia 
- Freio lingual anormal 
- Desnutrição 
- Diastemas anteriores 
Se a sucção for interrompida na dentadura decídua existe a autocorreção. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
30 
- Deglutição atípica por perdas precoces dentais 
• Pressão atípica de lábio 
• Hábito de postura: mão apoiada no rosto 
 
 G- Postura: 
• Cabeça inclinada para frente resultando em maloclusão 
 
 H - Acidentes e traumatismos: 
• Descoloração do esmalte 
• Dilaceração coronária 
• Má formação semelhante a um odontoma 
• Duplicação da raiz 
• Dilaceração radicular 
• Desaparecimento de todo o germe dental 
• Impactaçãodo dente permanente 
• Erupção ectópica, prematura ou retardada 
• Interrupção parcial ou total da formação da raiz 
 
Fatores intrínsecos ou locais 
Fatores mais diretamente relacionados à cavidade bucal 
 
 A - Anomalias de número: 
• Dentes supranumerários: mesiodens: causa impactação, giroversão 
• Ausências dentais: na criança fecha o espaço, no adulto faz reabilitação 
 
 B - Anomalias de tamanho 
• Macrodentes 
• Microdentes 
 
 C - Anomalias de forma 
• Dentes conóides 
• Cúspides extras: molares em forma de framboesa 
• Geminação 
• Fusão: causado por trauma 
• Molares em forma de framboesa 
• Dentes de hutchinson 
• Maclação: divisão completa de 1 germe, criando 2 dentes separados e idênticos. 
• Concrescência: une 2 dentes pelo cemento. 
 
 D - freios labiais e bridas mucosas 
• Inserção baixa do freio causa diastema entre os incisivos centrais 
• Bridas podem causar recessões gengivais 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
31 
 
 E - perda prematura de dentes decíduos 
• Diminuição do perímetro do arco 
• Causa interposição lingual 
• Causa queratinização do tecido gengival e, conseqüente retardo na erupção do dente 
permanente 
 
 F - retenção prolongada de dentes decíduos 
• Causas: falta de sincronia entre os processos de rizólise e riogenese, anquilose do decíduo 
e ausência do permanente sucessor 
• Conseqüências: desvio / retardo na erupção do permanente, modificação do perímetro do 
arco 
 
 G - erupção tardia de dentes permanentes 
• Causas: suprenumerario, presença de decíduo, barreira de tecido fibrosoou ósseo 
• Conseqüências: dilaceração radicular, perda do elemento dental 
 
 H - via de erupção anormal 
• Falta de espaço no arco 
 
 I - anquilose 
• retarda erupção do permanente 
• União do cemento com a lamina dura do osso alveolar 
 
 J - cáries dentais 
• Diminui perímetro do arco 
 
 K - restaurações dentais inadequadas 
• Aumenta ou diminui o perímetro do arco 
 
Conclusões: 
As más oclusões têm origem em um destes fatores etiológicos, ou na interrelação dos mesmos: 
 Discrepâncias ósseas 
 Discrepâncias dentais 
 Desequilíbrio muscular 
 
 Não existe uma causa única na determinação da maloclusão, normalmente estas causas estão 
agrupadas, atuando por determinado tempo, sobre o local, produzindo resultado. 
 Maloclusões semelhantes podem ter origens diferentes e maloclusões diferentes podem ser 
originadas por causas iguais. Porém, a maioria dos tipos graves de maloclusão são de origem 
esquelética, onde os fatores dentais e musculares são coadjuvantes. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
32 
 O conhecimento dos fatores etiológicos são de suma importância, na prevenção e 
interceptação da maloclusão, com o intuito de eliminar obstáculos no crescimento crânio 
facial e no desenvolvimento normal da dentição e oclusão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
33 
CLASSIFICAÇÃO DAS MALOCLUSÕES 
Modernamente, o conceito de oclusão dental evoluiu de uma concepção puramente estática de 
contato entre os dentes a um conceito dinâmico, incluindo dentes e estruturas vizinhas, com especial 
ênfase à dinâmica do aparelho mastigatório. 
 
Oclusão normal x oclusão ideal: 
A oclusão normal não coincide com a oclusão ideal, pois esta, no homem, é hipotética. Para o 
estabelecimento de uma oclusão ideal seria necessário ao indivíduo receber uma herança puríssima 
e viver em ambiente ótimo. 
 
Oclusão normal x maloclusão: 
A maloclusão pode ser definida como uma oclusão que está fora da norma, portanto devemos 
definir muito bem o normal para que possamos classificar as maloclusões. 
 
Oclusão normal 
Uma oclusão estável, esteticamente favorável e com os movimentos funcionais presentes é 
considerada uma oclusão normal. 
 
 
 
 
 
 
 Vista proximal 
• Trespasse horizontal ou sobressaliência: 
- Também chamado de “overjet” 
- Normal = 2 a 2,5mm 
- Corresponde à distância da face vestibular do incisivo central inferior até a borda incisal 
do incisivo central superior 
• Trespasse vertical ou sobremordida: 
- Também chamado de “overbite” 
- Normal = 20% ou 2,5mm 
- Corresponde à distância da borda incisal do incisivo central inferior até a borda incisal 
do incisivo central superior 
 
Seis chaves para oclusão ótima “ANDREWS” 
 Indicam uma oclusão perfeita 
 São pontos referenciais perceptíveis 
 São definidas pelas superfícies vestibular e oclusal das coroas. 
 
 Seis chaves para oclusão ótima: 
• Chave I - Relação molar: 
Oclusão normal: 
- gengiva sadia, sem sangramento e com boa aderência 
- osso alveolar integro, sem reabsorção 
- ATM livre de dor, ruído ou outra disfunção 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
34 
- Os primeiros molares permanentes superiores devem mostrar três pontos de contato 
evidentes com os dentes antagonistas 
- A superfície distal da crista marginal do primeiro molar permanente superior contacta e 
oclui com a superfície mesial da crista marginal mesial do segundo molar permanente 
inferior; 
- A cúspide mésio vestibular do primeiro molar permanente superior oclui dentro do sulco 
existente entre a cúspide mésio vestibular e a mediana do primeiro molar inferior e a cúspide 
mésio palatina do primeiro molar permanente superior adapta se à fossa central do primeiro 
molar permanente inferior. 
 
• Chave II - Angulação da coroa 
- A porção cervical do longo eixo de cada coroa encontra-se distalmente à sua porção 
oclusal. 
 
• Chave III - Inclinação da coroa 
- A porção cervical do longo eixo da coroa dos incisivos superiores encontra se por lingual à 
superfície incisal, aumentando a inclinação lingual progressivamente na região posterior; 
 
• Chave IV – Rotações 
- Não deve haver rotações dentárias indesejáveis 
 
• Chave V - Contatos justos 
- Não deve haver espaços interproximais 
 
• Chave VI - Curva de Spee 
- Deve apresentar se plana ou suave. 
Classificação das maloclusões 
 Finalidade: 
• Razões tradicionais 
• Facilita a comunicação pessoal 
• Possibilita a comparação com casos semelhantes 
• Maior rapidez na identificação dos aspectos clínicos 
 
 Geral: 
• Levando em consideração os desvios morfológicos nos três sentidos do espaço: 
transversal, vertical e horizontal. 
• Levando em consideração a área comprometida: dentária, esquelética e dentoesquelética. 
• Transversal: 
- Dentária (base óssea normal, mesma posição): dente individual, unilateral, bilateral e 
total (toca face com face, e não cúspide com sulco) 
- Esquelética (alterações na taboa óssea): unilateral, bilateral e total 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
35 
 
 
 
 
• Vertical: 
- Aberta: anterior ou posterior (unilateral ou bilateral) 
- Topo a topo: anterior ou posterior 
- Profunda: anterior (ICS cobre todo o ICI) 
 
• Horizontal: 
- Dentária: 
- Classe I (cúspide no sulco) 
- Classe II (cúspide anterior ao sulco) 
- Classe III (cúspide posterior ao sulco) 
- Dentoesquelética: 
- Classe II: 
-Maxila (P) Mandíbula (N) 
-Maxila (N) Mandíbula (R) 
-Maxila (P) Mandíbula (R) 
 
- Classe III: 
-Maxila (R) Mandíbula (N) 
-Maxila (N) Mandíbula (P) 
-Maxila (R) Mandíbula (P) 
 
Classificação de Angle: 
 A simplicidade e universalidade do sistema de Angle tem nos feito permanecer, desde 1899, 
até nossos dias, impondo se a várias outras classificações que surgiram. 
 Para uma elucidação completa, é necessário que a classificação de Angle seja acrescida de 
avaliação transversal, como também das displasias esqueléticas. 
 Este sistema baseia-se na relação ântero-posterior dos primeiros molares permanentes, 
relação que denominou “chave de oclusão”. 
 De acordo com Angle, o 1° molar permanente superior ocupava uma posição estável no 
esqueleto crânio-facial, e que as desarmonias decorriam de alterações ântero-posteriores da 
arcada inferior em relação a ele. 
 
 Conclusão: 
• A classificação é apenas ântero-posterior deixando de lado anomalias transversais e 
verticais 
• Na ausência dos molares a classificação é feita pelos caninos permanentes 
 
 
(N) Normal ou bem posicionado 
(P) Protrusão 
(R) Retrusão 
 
Manipulação de relação centrica: 
- 1 lado fica fora da oclusão (unilateral) 
- se os 2 lados ficarem topo a topo ou os 2 cruzam ou os dois descruzam 
(bilateral) 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
36 
 Classe I 
• Cúspide mésio-vestibulardo 1° molar permanente superior oclui no sulco mésio-
vestibular do 1° molar permanente inferior 
• Perfil facial reto 
 
 Classe II 
• O sulco mésio-vestibular do 1° molar permanente inferior oclui distalmente à cúspide 
mésio-vestibular do 1° molar superior permanente (distoclusão) 
• Perfil facial convexo 
• A maloclusão de classe II apresenta duas divisões: 
 Classe II, divisão 1 Classe II, divisão 2 
 
 
 
• Classe II, divisão 1: 
- Perfil convexo 
- Inclinação vestibular dos incisivos superiores 
- Overjet acentuado 
- Quase sempre bom alinhamento dos dentes 
- Lábio superior geralmente com rachaduras 
- Lábio inferior entre os incisivos sup. e inf. 
- Respiradores bucais 
 
• Classe II, divisão 2: 
- Perfil reto ou levemente convexo 
- Incisivos centrais superiores lingualizados ou verticalizados 
- Incisivos laterais superiores vestibularizados 
- Ausência de overjet 
- Geralmente com musculatura equilibrada 
- Mordida profunda, em alguns casos 
- Melhor relação das bases ósseas 
 
Ocasionalmente os molares relacionam-se de um lado em Classe II, no outro em Classe I. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
37 
 
Angle denomina como subdivisão (direita ou esquerda) 
 
 Classe III: 
• O sulco mésio-vestibular do 1° molar permanente inferior oclui mesialmente à cúspide 
mésio-vestibulardo 1° molar superior permanente (mesioclusão) 
• Perfil facial côncavo 
• Mordida cruzada anterior e/ou posterior 
• Problemas de espaço 
• Mordida aberta 
• Más posições dentais individuais 
• Musculatura desequilibrada 
 
Da mesma forma que na Classe II, a Classe III pode apresentar a subdivisão, ou seja, os 
molares relacionam-se em Classe III, de um lado e Classe I do outro. 
 
 
 
 
Classificação de Lisher: 
 Os termos criados por Lisher podem ser combinados para denominar um dente que contenha 
duas ou mais alterações, como: inframesioversão, axigiroversão, etc... 
 Mesioversão - o dente está mesializado em relação à sua posição normal 
 Distoversão - o dente está distalizado 
 Linguo ou palatoversão - o dente está para lingual ou palatino 
Não existe classe III de um lado e classe II de outro!! 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
38 
 Vestibuloversão - o dente está para vestibular 
 Infraversão - o dente apresenta a sua face oclusal ou incisal aquém do plano oclusal 
 Supraversão - o dente apresenta a sua face oclusal ou incisal além do plano oclusal 
 Giroversão - indica uma rotação do dente em torno de seu longo eixo 
 Axiversão - há uma alteração da inclinação do longo eixo dental 
 Transversão - o dente sofreu uma transposição, ou seja, trocou seu posicionamento no arco 
com outro elemento dental 
 Perversão - indica a impactação do dente, em geral, por falta de espaço no arco 
 
Classificação de Andrews: 
 Classes I, II e III, porem difere de Angle por basear-se na posição do 2º pré-molar superior 
em relação a ameia entre o 2º pré-molar inferior e o 1º molar inferior permanente. 
 Para Andrews a oclusão é considerada normal (Classe I) quando a cúspide vestibular do 
2°pré-molar superior estiver ocluindo na ameia entre o 2°pré-molar e o 1°molar inferior 
permanente. 
 Andrews quantifica as relações de classe I, II e III em milímetros, da seguinte maneira: 
• Classe I = 0 
• Classe II = --- mm 
• Classe III = --- mm 
 
 Classe II: 
• A classe II também pode ser representada por frações, dependendo da posição ocupada 
pelo 2°pré-molar superior em relação a ameia, da seguinte maneira: 
1/4 de classe II 
1/2 classe II 
3/4 de classe II 
classe II completa 
 
 Classe III: 
• Representar com o valor em mm, por exemplo, classe III de 3mm deste lado 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
39 
NOÇÕES DE APARELHOS ORTODÔNTICOS NA ORTODONTIA PREVENTIVA E 
INTERCEPTATIVA 
 
Razões que levam à fabricação de aparelhos: 
 Científica 
 Preferências pessoais (principal) 
 Comerciais (usar bom senso). 
 
Funções dos aparelhos: 
 Movimentação dentária 
 Direcionamento do crescimento 
 
Classificação: 
 Segundo a fixação: removíveis e fixos 
 Segundo elemento auxiliar de ancoragem (evitar mesialização do 2º m): 
• Intrabucal: inter-maxilares, inter-dentária e mini-implante 
• Extrabucal (freio de burro) 
 
Efeito dos aparelhos: 
 Ortopédico: função óssea 
 Ortodôntico: função dentária 
 
Segundo a filosofia de tratamento: 
 Ortopedia funcional dos maxilares 
 Ortodontia e ortopedia facial 
 
Aparelhos removíveis: 
 Vantagem: ocasiões sociais, laboratório e higiene. 
 Desvantagem: colaboração e movimento de inclinação. 
 
Aparelhos funcionais: 
 Modificam a postura da mandíbula mantendo-a aberta. 
 
Requisitos do aparelho de ortodontia: 
 Simples: empurrar, puxar e rodar dentes. 
 Estável: fixo nos dentes. 
 Eficiente: 3ª lei de Newton e ancoragem. 
 Delicado: aceito pelos tecidos. 
 Diminuto: estético e aceitável. 
 
 
 
Mantenedor de espaço (fixo): 
 Manter espaço para não perder ancoragem 
 Usado quando o dente decíduo é perdido muito cedo 
 
Mantenedor de espaço (removível): 
 Nos dentes inferiores não tem fixação e machuca o paciente. 
O mais importante não é o aparelho, mas sim o diagnóstico correto e o bom senso. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
40 
Arco lingual (mantenedor bilateral): 
 Ancoragem moderada 
 Mantém o comprimento e largura da arcada inferior 
 
Aparelho no cíngulo de incisivos inferiores: 
 Fixo e removível 
 Vantagens: 
• Conserva espaços em caso de extração 
• Controle da distancia intermolar 
• Econômico e fácil de confeccionar 
 Desvantagens: 
• Invaginação do arco na mucosa 
• Tempo de laboratório 
 
Barra palatina: 
 Não pode ser feita como barra lingual porque os incisivos superiores mordem em cima 
 Vantagens: 
• Mantém comprimido do arco 
• Realiza pequenos movimentos de rotação 
• Distalização de molares 
• Expansão dentária 
• Se for confeccionado mais afastado do palato promove intrusão de molares 
• Pode ser realizada diretamente na boca do paciente 
 Desvantagens: 
• Ancoragem moderada 
• Tempo 
• Se for soldado dificulta ativação 
• Marca dorso da língua 
 
Barra palatina baixa 
 
Botão de Nance 
 Ancoragem 
 Como aplica força pode isquemiar o palato e necrosar 
 Vantagens: usado em arco superior 
 Desvantagens: 
• Ulceração do palato duro 
• Perda do aparelho 
• Retenção de alimento 
• Tempo de laboratório 
 Recomendações: 
• Período curto de tempo (1 ano a 6 meses) 
• Não pode pressionar forame 
• Melhor polimento possível 
• Bordas arredondadas para evitar invaginação no palato 
 
 
 
Botão de Nance + barra palatina = maior ancoragem 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
41 
Recuperador de espaço com mola 
Recuperação de espaço com parafuso 
 
Quadrihélix: 
 Não faz disjunção da maxila 
 Usado quando o dente esta cruzado 
 
Elástico cruzado: 
 Possui a desvantagem de extruir o denteDisjuntor Haas: 
 Banda nos 1º M e 1º PM 
 2 voltas e meia por dia, usa até descruzar o dente 
 Tem acrílico e pode ulcerar o palato 
 
Disjuntor de Hyrax: 
 Usar por 6 meses 
 Abre diastema entre os incisivos 
 
Disjuntor encapsulado McNamara: 
 Usado principalmente em dentição decídua 
 Pode remover o dente junto (o dente esfolia e fica preso pelo aparelho, quando remove o 
dente sai grudado no aparelho, aparelho difícil de remover) 
 
Grade lingual (fixa): 
 Dedo, chupeta e deglutição atípica 
 Não pode encostar em inferior 
 
Placa com grade (removível): 
 Pode ser feita inferior 
 
Grade fixa com esporões 
 
Placa lábio ativa: 
 Funciona como ancoragem e como mantenedor de espaço 
 Força do lábio incide sobre a almofada localizada entre os incisivos e o lábio e distaliza 
molares 
 Funções: 
• Inibe força dos lábios nos dentes anteriores 
• Permite crescimento da mandíbula 
• Manter ancoragem no arco inferior 
• Aumento do perímetro do arco 
 Desvantagens: 
• Podem soltar as bandas 
• Colaboração do paciente 
• Estética 
• Pode produzir mordida aberta anterior (se for mal feito) 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
42 
Placa anterior de levantamento de mordida: 
 Removível 
 
Máscara facial Delaire e Petti: 
 Paciente classe III 
 Protração maxilar 
 
Máscara facial Sky Hook: 
 Equilíbrio de forças, menos estável e mais difícil. 
 
Placa de Hawley: 
 Arco contínuo para contenção 
 
Placa de Hawley padrão: 
 2 Adams e 1 grampo de canino a canino 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
43 
CEFALOMETRIA 
 
Observar crescimento, meio auxiliar de diagnóstico, analisar problemas, determinar soluções, 
auxilio a comunicações e auxiliar resultados de tratamentos. 
 
Pontos: 
 Sela (S): ponto situado no centro geométrico da sela túrcica determinado 
o por inspeção. 
 
 Násio (Na): ponto mais anterior da sutura fronto-nasal. Este ponto representa a junção da 
face com o crânio, estabelece o limite anterior da base do crânio. 
 
 Ponto A (Subespinhal): ponto mais profundo do contorno da pré-maxila, entre a espinha 
nasal anterior e o próstio. (ponto mais profundo da concavidade sub-espinhal) Delimita 
teoricamente a junção do osso alveolar com o osso basal. 
 
 Ponto B (Supramental): ponto mais profundo do contorno do processo alveolar (na linha 
média) da mandíbula. (localizado na parte mais profunda da cavidade supra-mentoniana). 
Delimita teoricamente a junção do osso alveolar com o osso basal. 
 
 Ponto D (D): ponto situado no centro do contorno da secção transversal da sínfise 
mandibular (protegido das influências externas e isolado de áreas onde ocorre o movimento 
de dentes e mudanças de crescimento normais). Pode ser usado como ponto de registro para 
superposições. 
 
 Gônio (Go): ponto médio entre os pontos mais posterior e inferior do ângulo da mandíbula. 
Este ponto pode ser determinado pela bissetriz do ângulo formado por tangentes à borda 
posterior e inferior da mandíbula (e o ponto goniaco). PONTO DUPLO, CADA LADO 
POSSUI UM. 
 
 Gnátio (Gn): situado na metade da distância entre os pontos mais anterior (Pog) e inferior 
(Me) do contorno (externo) da sínfise mandibular (curvatura mentoniana) 
 
 Pogônio (Pog): ponto mais anterior (na linha média) do contorno da sínfise mandibular 
(curvatura mentoniana) 
 
 Mento (Me): ponto mais inferior do contorno da sínfise mandibular. 
 
 Pogônio tegumentar (Pog’): situado na porção mais anterior do tecido mole do queixo. 
 
 Ponto MN (MN): ponto situado na metade da borda inferior do nariz. 
 
Linhas e planos cefalométricos: 
 Linha S-N: união dos pontos sela (S) e násio (N), representa a parte anterior da base do 
crânio. 
 
 Plano mandibular: união dos pontos gônio (Go) e gnátio (Gn), representa o plano 
mandibular. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
44 
 
 Plano oclusal: obtido através das médias dos entrecruzamentos dos primeiros molares e 
incisivos centrais. 
 
 Linha N-A: união dos pontos násio (N) e subespinhal (A). 
 
 Linha N-B: união dos pontos násio (N) e supramental (B). 
 
 Linha N-D: união dos pontos násio (N) e D (D). 
 
 Longo eixo do incisivo central superior: linha que une o ápice radicular ao bordo incisal, 
informa o grau de inclinação axial do dente. 
 
 Longo eixo do incisivo central inferior: linha que une o ápice radicular ao bordo incisal, 
informa o grau de inclinação axial do dente. 
 
 Linha do perfil: união dos pontos MN (MN) e pogônio tegumentar (Pog’). 
 
 Eixo Y: união dos pontos sela (S) e gnátio (Gn). 
 
Medidas utilizadas na avaliação do padrão esquelético: 
 Ângulo SNA: determinado pela interseção das linhas SN e NA. 
• Expressa o grau de protrusão ou retrusão da maxila em relação à base do crânio. 
• Um valor elevado revela a tendência à protrusão maxilar enquanto um valor baixo sugere 
uma retrusão maxilar em relação à base do crânio. 
• Valor normal: 82º. 
 
 Ângulo SNB: determinado pela interseção das linhas S-N e N-B. 
• Expressa o grau de protrusão ou retrusão da mandíbula em relação à base do crânio. 
• Um valor elevado revela a tendência a protrusão mandibular ao passo que um baixo 
sugere retrusão mandibular em relação à base do crânio. 
• Valor normal: 80º. 
 
 Ângulo ANB: determinado pela interseção das linhas NA e NB. 
• Corresponde à diferença entre os ângulos SNA e SNB. 
• Revela a relação ântero-posterior entre a maxila e a mandíbula. 
• Valor normal: 2º 
• São considerados os seguintes valores: 
Entre 0 e 4,5º: padrão esquelético Cl. I 
 >4,5º: padrão esquelético Cl. II 
 <0: padrão esquelético Cl.III 
• O ângulo aumentado pode significar protrusão da maxila, retrusão da mandíbula ou 
combinação das duas situações. 
• O ângulo diminuído pode significar retrusão da maxila, protrusão da mandíbula ou uma 
combinação de ambos os casos. 
 
 Ângulo SND: determinado pela interseção das linhas SN e ND. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
45 
• Localiza a mandíbula como um todo, no sentido ântero-posterior em relação à base do 
crânio. 
• Confirma a informação obtida através do ângulo SNB. 
• Steiner considerou o ponto D mais estável que o ponto B, pois está situado no centro da 
sínfise mandibular, protegido por corticais ósseas, mantendo-se isolado das áreas onde se 
verifica movimentação dentária e mudanças decorrentes do crescimento normal. 
• Da mesma forma que o SNB, um valor elevado do SND revela a tendência da protrusão 
mandibular, ao passo que um valor baixo sugere retrusão mandibular. 
• Valor normal: 76/77º 
 
 Ângulo GoGn.SN: delimitado pela interseção do plano mandibular (GoGn) com a linha SN. 
• Expressa o grau de abertura e de altura vertical da porção anterior da mandíbula e 
informa sobre a área de crescimento mais importante da mandíbula que é a área condilar. 
Este crescimento aumenta o comprimento do ramo. 
• Um elevado ou diminuto valor representa uma desarmonia da face. Quando muito 
aumentado representa provavelmente que o paciente possui mordida aberta, enquanto que 
um valor muito baixo indica umasobremordida acentuada 
• Um valor baixo indica um bom padrão de crescimento. 
• Valor normal: 32º 
 
 Ângulo do Eixo Y: determinado pela da linha SN com o ponto gnático (Gn). 
• Determina o padrão de crescimento da face. 
• Abaixo de 64º indica um padrão de crescimento braquiofacial. 
• Acima de 68º indica um padrão de crescimento dolicofacial. 
• Valor médio: 66º 
 
Medidas utilizadas na avaliação do padrão dentário: 
 Ângulo do plano oclusal.SN: determinado pela interseção do plano oclusal com a linha SN. 
• Expressa a inclinação dos dentes, em oclusão, com a base do crânio. 
• Este plano deve permanecer durante todo o tratamento praticamente inalterado, caso 
contrário, é muito provável que pela ação dos músculos da mastigação, exista a tendência 
a voltar à sua inclinação original, aumentando as chances de recidiva após o tratamento. 
• Valor normal: 14º 
 
 Ângulo Incisivo Superior.NA (1.NA): determinado pela interseção do longo eixo do incisivo 
central superior com a linha NA. 
• Indica a inclinação axial deste dente com a referida linha. 
• Se aumentado indica protusão deste dente, se diminuído indica retrusão. 
• Valores elevados deste ângulo são característicos de maloclusões Classe II 1ª divisão, 
devido ao aumento da inclinação labial dos incisivos superiores, enquanto que valores 
baixos são comumente observados nas maloclusões Classe II 2ª divisão por causa da 
verticalização apresentada pelos incisivos centrais superiores. 
• Valor normal: 22º. 
 
 Ângulo Incisivo Inferior.NB (1.NB): determinado pela interseção do longo eixo do incisivo 
central inferior com a linha NB. 
• Indica a inclinação axial deste dente com a referida linha. 
• Se aumentado indica protusão deste dente, se diminuído indica retrusão. 
• Valor normal: 25º 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
46 
 Distância Incisivo Superior-NA (1-NA): distância do ponto mais proeminente da coroa do 
incisivo central superior até a linha NA. 
• Expressa, em mm, a relação ântero-posterior do incisivo central superior com a linha NA. 
• Valor normal: 4 mm 
 
 Distância Incisivo Inferior-NB (1-NB): distância do ponto mais proeminente da coroa do 
incisivo central inferior até a linha NB. 
• Expressa em mm, a relação ântero-posterior do incisivo central inferior com a linha NB. 
• Valor normal: 4 mm 
 
 Ângulo interincisal (1.1): determinado pela interseção dos longos eixos dos incisivos 
centrais superiores e inferiores. 
• Indica a inclinação axial dos incisivos, mostrando o grau de protrusão destes dentes entre 
si. 
• Quanto maior o valor deste ângulo, maior será a inclinação axial dos incisivos. 
• Valores pequenos são característicos das biprotrusões dentárias. 
• Valores elevados são normalmente observados nas maloclusões Classe II 2ª divisão, pois 
uma das características deste tipo de maloclusão é a verticalização dos incisivos centrais 
superiores. 
• Valor normal: 131º. 
 
 Distância Pogônio-NB: corresponde à distância linear medida do ponto pogônio (Pog) à 
linha NB. 
• Não possui um valor definido, pois a quantidade de osso presente na região anterior da 
sínfise é inerente a cada indivíduo. 
• A falta de tecido ósseo nesta região é geralmente associada com pobre crescimento 
mandibular, como nas maloclusões Classe II Divisão 1. Nos casos de Classe III, é comum 
a presença de uma quantidade maior de tecido ósseo nesta área do mento. 
 
Análise do perfil: 
 Linha Pog’-MN: união do ponto MN, situado na metade da borda inferior do nariz, até o 
ponto Pog’ correspondente ao pogônio tegumentar. 
• Em faces normais e idades ortodônticas ideais, o lábio superior (LS) e inferior (LI) devem 
tangenciar esta linha, ou seja, as distâncias entre a linha e LS e linha e LI devem ser 
iguais a zero. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
47 
DESVIOS TRANSVERSAIS (Etiologia e casos clínicos) 
 
Prevalência: 
 A prevalência de mordida cruzada posterior encontrada na literatura, das dentições decídua, 
mista e permanente oscila entre 8 a 16%. 
 MUNDSTOCK (1984), analisando pré-escolares de Porto Alegre, na faixa etária entre 2 a 6 
anos, encontrou uma prevalência de 12,48% para a mordida cruzada posterior. 
 MODESTO et al. (1994), em um levantamento de 4.873 fichas clínicas de crianças 
atendidas na clínica de odontopediatria da UFRJ, entre os anos de 1980 e 1990, constataram 
uma prevalência de 10,23% de mordida cruzada posterior na dentição decídua. 
 
Classificação da maloclusão de Proffit e Ackerman: 
 Combina cinco características descritivas para maloclusão: alinhamento em visão oclusal 
(linhas medianas coincidentes, superior deve ficar certinho, inferior pode desviar 1 ou 2 
mm), perfil e tecido mole, desvios do plano transversal (mordidas cruzadas), desvios no 
plano sagital (ântero-posterior) usando a classificação de Angle, e problemas verticais de 
mordida profunda. 
 
Harmonia entra bases apicais (maxila e mandíbula): 
 Ântero-posterior (sagital): padrão basal classe I. 
 Vertical: proporção de terços faciais e selamento labial passivo. 
 Transversal: ausência de mordida cruzada. 
 
Classificação transversal: 
 Vestibular 
 Lingual 
 Dentária 
 Esquelética 
 Funcional 
 
• Mordida cruzada vestibular: ocorre quando as cúspides vestibulares do dentes maxilares 
posteriores ocluem vestibularmente as cúspides vestibulares dos antagonistas (contrai 
superior ou expande inferior). 
 
 
• Mordida cruzada lingual: ocorre quando as cúspides palatinas dos dentes superiores 
posteriores ocluem lingualmente as cúspides linguais dos dentes inferiores. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
48 
 
 
• Mordida cruzada lingual total: ocorre quando as cúspides palatina dos superiores e lingual 
dos inferiores não chegam a se tocar. 
 
 
• Mordida cruzada dentária: ocorre quando a base do palato é larga, mas os processos 
alveolares inclinam-se para lingual (1 ou 2 dentes, não possui comprometimento ósseo). 
 
 
• Mordida cruzada esquelética: ocorre quando o palato é estreito, os dentes ficam inclinados 
para a vestibular (mais de 2 dentes envolvidos, pode ou não ter comprometimento ósseo). 
 
 
• Mordida cruzada funcional: ocorre quando os cruzamentos dentários são promovidos pelos 
deslocamentos laterais da mandíbula durante o movimento de fechamento na presença de 
contatos oclusais prematuros. Nesses casos quando o paciente é colocado em relação 
centrica o cruzamento tende a desaparecer. 
 
Etiologia: 
 Crescimento desarmônico da maxila e/ou da mandíbula: 
• Padrões herdados 
• Sucção digital ou de chupeta 
• Respiração bucal 
• Descolamento mandibular funcional de longa data. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
49 
 Falta de harmonia entre as larguras maxilar e mandibular: 
• Devido a contração bilateral da maxila 
• Síndrome de Brodie. 
 
Diagnóstico: 
 Clínico 
 Exame dos modelos de estudo 
 Radiografia póstero-anterior: 
• Localização do problema (maxila ou mandíbula) 
• Inclinação axial dos dentes 
• Largura do palato não corrige em relação centrica. 
 
Tratamento: 
 Época do tratamento: 
• Dentição decídua, mista ou permanente jovem 
• Antes da calcificação da sutura palatina mediana 
 
 Idade ideal:• PROFFIT (1991), concluiu que a expansão maxilar transversa pela abertura da sutura média 
palatina com alargamento da maxila é relativamente fácil antes e durante a adolescência, mas se 
torna mais difícil medida que o paciente se torna mais velho. As chances da abertura da sutura ser 
bem sucedidas, próximos a 100% antes dos 15 anos de idade, mas daí em diante inicia um declínio 
devido a interdigitação aumentada das suturas que precisam reagir durante a abertura. 
 
• VELLINI (1996), definiu que o estudo das radiografias de mão e punho ajuda o ortodontista 
na determinação da idade óssea individual detectando, com os eventos de ossificação o período de 
surto de crescimento puberal, importante para uma melhor resposta na disjunção palatina. 
 
• Os dentes permanentes irrupcionam na mesma relação de mordida cruzada apresentada por 
seus antecessores decíduos e que, portanto, devem receber tratamento tão logo sejam detectadas. 
 
• Indicações da Expansão Rápida da Maxila (ERM): 
- Deficiência real da maxila 
- Estenose nasal severa 
- Classe III cirúrgica, não cirúrgica e pseudo-classe III 
- Casos selecionados com problemas de comprimento de arco 
- Casos em que o deslocamento da maxila é desejável 
- Overbite exagerado 
- Pacientes com problemas crônicos de respiração bucal, associados ao palato ogival 
- Paciente classe I com mordida cruzada e desvios funcionais 
- Pacientes com fissuras de palato, após o fechamento cirúrgico do lábio e palato, 
quando os segmentos posteriores se contraíram com oclusão insatisfatória e mastigação 
incorreta 
 
• (Alpiner & Beaver, 1971): casos com falta generalizada de espaço com retenção ou 
impactação dentária, possibilitando a erupção dos dentes 
 
 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
50 
Contra-indicações da ERM: 
 Pacientes não colaboradores 
 Um único dente em mordida cruzada 
 Mordida aberta anterior e plano mandibular aumentado 
 Pacientes com perfil convexo 
 Com assimetria esquelética da maxila e/ou mandíbula 
 Adultos com discrepância esquelética vertical e ântero-posterior severas 
 
O tratamento da deficiência maxilar pela abertura da sutura palatina mediana: 
 Histórico: originou-se na Europa em 1860 
 Emerson Colon Angell (1822-1903) 
 Contrários a este procedimento alegavam que é anatomicamente impossível, e se 
conseguido, seria um procedimento muito arriscado e perigoso. McQuillen (1913), Farrar 
(1888), Cryer (1913), Federdpiel (1914), Kemple (1914) e Stanton (1914). 
 
 Angle, Case, Ketcham e Dewey: acreditavam que poderiam ganhar todos os benefícios da 
expansão palatina pela expansão dos dentes sem a possibilidade de envolver riscos. 
Ortodontistas europeus continuaram fazendo o uso do procedimento. 
 Andrew J. Haas (1958): 
• Disjunção palatina em suínos: 
- Não havia presença de dor durante o procedimento 
- A sutura palatina oferece pouca resistência 
- Os dentes inferiores, mesmo sem tratamento, se expandem ou verticalizam 
- O diâmetro nasal é aumentado 
- Defeito criado pela abertura da sutura leva cerca de 60 a 90 dias para calcificar 
completamente 
- A sutura reestrutura-se e não pode ser radiograficamente distinguida de uma sutura 
não-expandida 
 
 
 
Expansão Rápida da Maxila (ERM) 
 Fase Ativa: liberação de forças 
• 4 x ¼ de volta na instalação 
• 2 x ¼ volta / dia 
• Sobrecorreção: recidiva dento alveolar e esquelética 
• 1 a 2 semanas: depende da magnitude da atresia 
 
 Fase Passiva: contenção 
• Estabilização do parafuso (mínimo 3 meses): 
- Reorganização sutural 
- Neoformação óssea 
- Dissipação de forças residuais 
- Aparelho de contenção removível por no mínimo 6 meses 
 
Efeitos da ERM: 
 Ganho real de massa óssea 
 Aumento do perímetro da arcada dentária 
Quando os dentes superiores abrem os inferiores 
se expandem, pois a língua empurra. 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
51 
 Forças de grande magnitude 
 1000 a 3500 g por ativação 
 7000 g cumulativas em ativações consecutivas 
 Separação dos processos maxilares e palatinos 
 
Evidencia clínica: 
 Abertura de diastemas interincisivos 
 
Radiografia Oclusal: 
 Comprova e documenta a abertura da sutura palatina mediana 
 Área radiolúcida triangular: base para espinha nasal anterior (< resistência óssea) 
 Registra a reorganização sutural 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
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DESVIOS ÂNTERO-POSTERIORES (etiologia e casos clínicos) 
 
 A classificação é uma importante ferramenta para os procedimentos de diagnóstico, 
sistematizando os problemas apresentados pelo paciente. 
 Também tem o propósito de facilitar a referência a comparação e a comunicação. 
 
Perfil facial: 
 Classe I: perfil reto 
 Classe II, 2: perfil reto 
 Classe II, 1: perfil convexo 
 Classe III: perfil côncavo 
 
 As maloclusões são problemas tridimensionais 
podendo comprometer a forma e a dimensão 
dos arcos dentais e da face nos sentidos 
ântero-posterior, vertical e transversal. 
 
 Maloclusão classe II: 
• Normal 
• Protrusão mandibular 
• Protrusão maxilar esquelética 
• Protrusão dento alveolar 
• E a soma de 2 ou mais 
 
 
Solução do problema esquelético: 
 Modificação no crescimento: 
 Mascaramento por movimentação ortodôntica (exodontias) 
 Correção cirúrgica. 
 
Inicio do século XX: 
 Tratamento ortodôntico: modificações nas relações esqueléticas e dentárias 
 Abandono de forças extra-bucais 
 Elásticos intra-bucais: 
 Protrusão mandibular 
 Distalizacao de maxila 
 
 
 
Ortodontia Marcela Nunes 
53 
Mordida cruzada anterior: 
 Dentária: envolve 1 ou 2 dentes 
 Esquelética: envolve osso ou mais de 2 dentes 
 
Funcional: quando em relação centrica a mordida descruza. 
 
Dentária: 
 Dentes inclinados, sem comprometer a base óssea 
 Classe I de Angle 
 Unilateral ou bilateral 
 
Etiologia: 
 Falta de espaço para os permanentes 
 Se o desenvolvimento da mordida cruzada anterior for descoberta antes da erupção estar 
completa, o dente decíduo adjacente pode ser extraído para promover espaço. 
 
Aparelhos com molas digitais: 
 Contatar as faces dos dentes em um único ponto 
 Desenho que assegure flexibilidade e retenção, com forças aceitáveis 
 Sobrecorreção 
 
Desvantagens: 
 Falta de cooperação 
 Distorção do aparelho 
 Fratura do aparelho 
 
Vantagem: força biocompatível 
 
Esquelética: 
ANB 0º a 4º classe I 
ANB ≥4º classe II 
ANB ≤0º classe III 
 
Maloclusão classe III: 
 Deficiência de crescimento maxilar 
 Excesso de crescimento mandibular 
 Combinação de ambos 
 
Etiologia: 
 Protrusão mandibular: 20% 
 Retrusão maxilar: 25% 
 Combinação de ambas: 22% 
 Sem desarmonia ântero-posterior esqueletal: 33% 
 Aumento da altura facial ântero-inferior: 41% 
 
Tratamento: 
 Modificações no crescimento 
 Compensações dentárias 
 
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 Correção cirúrgica 
 
Razoes para postergar o tratamento: 
 Insegurança do profissional 
 Aumentar tempo de tratamento 
 Esperança de auto-correção 
 Aguardar incisivos permanentes 
 Achar que é pseudo classe III 
 
Objetivos do tratamento precoce da Classe III: 
 Reduzir a discrepância esqueletal e fornecer ambiente favorável para crescimento normal 
 Alcançar maior avanço da maxila 
 Melhorar relações oclusais e estética facial 
 Reduzir ou simplificar o tratamento cirúrgico 
 
Modificação no crescimento: 
 Possível apenas em pacientes em crescimento ativo 
 O tratamento deve continuar até o crescimento estar essencialmente completo 
 
Protração maxilar (tração reversa da maxila): 
Indicações: 
 Deficiência de maxila 
 A partir de 4, ideal até 8 anos 
 Dentes superiores bem posicionados 
 Dimensão vertical anterior da face normal ou diminuída 
 Deficiência de maxila 
 
Tipos de Aparatologias 
 Extra-oral de protração: 
• Vantagens: 
- Conforto para dormir 
- Estético 
- Pode ser unilateral 
• Desvantagem: 
- Difícil adaptação atrás das orelhas 
 
 Máscara facial: 
• Vantagem: 
- Fácil adaptação 
• Desvantagens: 
- Pode escapar ao dormir 
- Menos estético 
 
 
 
 Suborbital: 
• Vantagens: 
- Fácil adaptação 
 
 
 
 
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- Conforto para dormir 
• Desvantagem: 
- Menos estético 
 
 
 
Aplicação da força: 
 Mesial aos caninos superiores 
 
Tempo de uso: 
 20 horas por dia durante 6 meses 
 À noite durante 6 meses 
 
Força Aplicada: 
 500 a 600 g em cada lado 
 
Efeitos: 
 1 a 2 mm de protração maxilar 
 Movimento anterior dos dentes superiores 
 Rotação do plano oclusal 
 Inclinação lingual dos incisivos inferiores 
 Redirecionamento do crescimento mandibular 
 Remodelação nas suturas 
 Harmonização do perfil facial 
 
Considerar: 
 Cooperação do paciente 
 Potencial de crescimento 
 Direção de crescimento 
 
Contenção: 
 Máscara facial 
 Mentoneira 
 Aparelhos ortopédicos 
 Ortodontia corretiva 
 Otorrinolaringologia / Fonoaudiologia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Protração maxilar sempre 
à disjunção maxilar 
 
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56 
BIOMECÂNICA DO MOVIMENTO DENTAL 
 
Tratamento ortodôntico: 
 Uso e controle das forças: sistema dento alveolar 
• Força ideal: 
- Maior resposta celular 
- Maior estabilidade 
• Força desfavorável: 
- Menor resposta biológica 
- Maior reações adversas 
 
 
 
 
 
 
Ligamento periodontal: 
 Espessura entre 0,2 e 0,6mm 
 Tecido conjuntivo frouxo ricamente vascularizado e celular 
 Une o cemento da raiz com lâmina dura/osso alveolar 
 Coronalmente é contínuo com a lâmina própria da gengiva 
 Separado da gengiva pelos feixes que conectam a crista óssea com a raiz 
 
 Fibras da crista alveolar (fca): estendem-se obliquamente desde o cemento até a crista 
alveolar. Previnem a extrusão do dente 
 Fibras horizontais (fh): estendem-se formando um ângulo reto com o longo eixo do dente 
 Fibras oblíquas (fo): estendem-se obliquamente do cemento em direção coronal ao processo 
alveolar. Suportam o impacto das forças de mastigação 
 Fibras apicais (fa): irradiam-se do cemento ao osso alveolar no fundo do alvéolo. Elas não 
ocorrem nas raízes em formação 
 
Cemento: 
 Tecido calcificado, especializado, que recobre a superfície da raiz e possui semelhanças com 
o tecido ósseo 
 Avascular e sem inervação 
 Não sofre reabsorção fisiológica 
 Deposição contínua ao longo da vida 
 
 Função: inserir as fibras periodontais à raiz e contribuir para o reparo após danos à 
superfície radicular 
 Dois tipos: 
• Cemento acelular ou primário: 
- Primeiro a ser formado e cobre aproximadamente o terço cervical ou a metade da raiz 
• Cemento celular ou secundário: 
- Formado após a chegada do dente ao plano oclusal 
- Menos calcificado que o acelular, porem mais espesso 
 
 
Força promove movimento dentário 
Qualquer tipo de força acima do ideal causa esse movimento 
O movimento ocorre por alteração no periodonto: gengiva, ligamento periodontal, 
cemento radicular e osso alveolar. 
 
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Osso alveolar 
 Constante processo de remodelamento através de octeoblastos (aposição óssea) e 
osteoclastos (reabsorção óssea) presentes nas paredes alveolares externas e internas, e na 
superfície do osso trabecular. 
Movimentação dentária X Tipo de osso 
 Mésio-Distal: deslocamento através da camada esponjosa do osso trabecular 
 Vestibulo-Lingual: cuidado devido as placas corticais finas, pois causam recessão óssea 
marginal 
 
Migração dentária fisiológica: 
 Erupção dos dentes e desenvolvimento da oclusão é um processo complexo que depende de 
muitas variáveis como o crescimento craniofacial e o desenvolvimento dentário 
 Dentes e tecidos de suporte possuem a capacidade de adaptação funcional e migração 
através do processo alveolar. Os segmentos posteriores migram mesialmente. 
 Alteração no equilíbrio da pressão oclusal pode induzir a um movimento dentário. 
 
Cemento 
 Aposição durante toda a vida, camada pré-cemento não mineralizada. 
 Camada “de cobertura” resistente à reabsorção. 
 
Erupção x Implantes ósseo integrados 
 Não erupcionam juntamente com os dentes adjacentes 
 Comportam-se como dentes anquilosados 
 
Movimentação dentária no periodonto sadio 
 Se uma pressão prolongada é aplicada a um dente, haverá remodelação óssea ao redor do 
mesmo e o movimento dentário ocorrerá. 
 Não existem grande diferenças entre as reações teciduais na migração dentária fisiológica. 
 
Teorias do movimento dentário: 
 Piezoeletricidade Proffit (1991): relaciona as mudanças no metabolismo ósseo a sinais 
elétricos e fluxo de elétrons 
• Fenômeno observado em muitos materiais cristalinos nos quais uma deformação da 
estrutura de cristal produz um fluxo de corrente elétrica a medida que os elétrons são 
deslocados. 
 Pressão/tensão: mudanças celulares pelos mensageiros químicos, produzidos pela alteração 
do fluxo sanguíneo 
• Clássica 
• Baseada na química mais do que nos sinais elétricos 
• Mensageiros químicos regulam eventos que levam a remodelação óssea alveolar e 
movimento detária 
 
Lado pressão 
 Mudança na posição do dente no espaço periodontal 
 Compressão de fibras do ligamento 
 Redução no fluxo sanguíneo e de oxigênio 
 Liberação de mediadores químicos 
 Diferenciação celular: osteoclastos 
 
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 Reabsorção óssea 
 
Lado tensão 
 Mudança na posição do dente no espaço periodontal 
 Distensão de fibras do ligamento 
 Alteração no fluxo sanguíneo e de oxigênio 
 Liberação de mediadores químicos 
 Diferenciação celular: osteoblastos 
 Aposição óssea 
 
Fatores que interferem na resposta ortodôntica 
 Magnitude da força 
 Ritmo de aplicação da força 
 Condições anatômicas 
 Condições metabólicas 
 
Magnitude da força 
 Forças inócuas (não é suficiente para movimentar) 
 Forças leves: 
• Mais próximo doponto de força ótima 
• Força ótima: Aquela que proporciona uma movimentação rápida sem desconforto para o 
paciente e sem dano biológico 
• Provocará reabsorção das paredes alveolares e a taxa de movimentação será a máxima 
possível 
 Forças pesadas: 
• Grande quantidade de hialinização (bloqueio do suprimento sanguíneo) 
• Mudança na posição do dente no espaço periodontal 
• Interrupção no fluxo sanguíneo e de oxigênio 
• Morte celular: hialinização 
• Diferenciação celular: a distância 
• Reabsorção MINANTE (ocorre quando existe reabsorção à distância) 
• Grande movimento dentário 
• Distúrbios: 
- Mobilidade dentária (aumento do alvéolo) 
- Dor (forças leves produzem desconforto) 
- Reações pulpares (inflamação e calcificação) 
- Alterações radiculares (reabsorção) 
- Alterações na crista óssea alveolar (diminuição) 
 
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Ritmo de aplicação da força 
 Contínuo 
• Características dos aparelhos fixos 
• Forças diminuem devido ao movimento dental 
 Intermitente 
• Aparelhos removíveis 
• Intensidade da força variando entre zero e o valor desejado 
 
Valores de forças: 
 Corn & Marks (1992): 
• Forças leves: 60 a 120g 
• Forças moderadas: 120 a 180g 
• Forças intensas: acima de 180g 
 Ong (2002): 
• Forças leves: forças menores que a pressão dos capilares sanguíneos 
• Forças moderadas: forças um pouco maiores que a pressão dos capilares sanguíneos 
• Forças intensas: forças bem maior que a pressão dos capilares sanguíneos 
 
 
 
 
Movimentação Ortodôntica em pacientes adultos 
 Crescimento já finalizado 
 Não há grandes modificações na face 
 Correção: movimentação dentária nos alvéolos 
 Modificações no metabolismo: alteram a resposta dos tecidos à força ortodôntica 
 
Movimentação Ortodôntica em pacientes comprometidos periodontalmente 
 Presente a gengivite e/ou a periodontite 
 Redução da crista óssea em altura e nível cervical 
 Acúmulo elevado de mediadores da osteoclasia 
 Aplicação de forças: acentuará a perda óssea 
 
Pode movimentar dentes tratados endodonticamente? 
Sim, pois a resposta principal vem do ligamento periodontal. 
A pressão dos capilares sanguíneos é considerada como sendo de 
20 a 15mm Hg, que corresponde de 20 a 26g/cm
2
 na superfície da 
raiz. 
 
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Conceitos biomecânicos 
 Força: uma carga aplicada a um objeto tenderá a movimentá-lo a uma posição diferente no 
espaço 
 Centro de Resistência: ponto por meio do qual uma força produzirá apenas movimento de 
translação 
 Centro de Rotação: ponto em torno do qual o dente rotaciona (pode variar dependendo do 
sistema de forças aplicado) 
 
 
 
 
 
 
Tipos de movimentos: 
 Inclinação: movimento da coroa e raiz em sentidos contrários 
 Translação: movimento da coroa e raiz no mesmo sentido 
 Rotação: movimento do dente no sentido mésio-distal, corrigindo as giroversões 
 Intrusão: movimento do dente em direção ao alvéolo dentário 
 Extrusão: movimento do dente em direção oclusal /incisal 
 Torque: 
• Movimento preferencial da raiz 
• Sentido vestíbulo-lingual 
• Obtido somente com arcos retangulares 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Centro de resistência dos dentes unirradiculares é no terço médio da raiz, mais próximo da 
incisal. 
Quanto mais se perde osso mais o centro vai para apical. 
Se aplicar uma força fora do centro de movimento o dente irá girar.