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TENSÃO SUPERFICIAL DE LÍQUIDOS Requisito parcial de nota referente a disciplina de Físico Química Experimental I, ministrada pela prof. Dra. Juliana C. Wiggers. Entregue pelos alunos Eduarda Ballmann, Jhonatan Backes e Renata N. Schimiloski. Toledo – Paraná 2019 1.INTRODUÇÃO: Os líquidos tendem a adotar formas que tornam mínima a área superficial, de modo que o número máximo de moléculas fica no interior da fase líquida, envolvidas pelas moléculas vizinhas e com elas interagindo. As gotículas de líquido, por isso, tendem a ser esféricas, pois a esfera é a forma que tem a menor área superficial para um dado volume. É possível que as outras forças também atuem sobre o líquido, conspirando para afasta-lo desta forma ideal, em particular as forças da gravidade terrestre que tendem a achatar as esferas em gotas esparramadas ou, em grandes massas, nos oceanos da terra. [1] As moléculas na superfície de um líquido estão sujeitas a fortes forças de atração das moléculas interiores. A resultante dessas forças, cuja direção é a mesma de plano tangente à superfície, atua de maneira que a superfície líquida seja a menor possível. A grandeza desta força, que atua perpendicularmente ao plano na superfície é dita tensão superficial. [2] A superfície de um líquido é suave, pois as forças intermoleculares tendem a puxar as moléculas juntas e para dentro. Os líquidos compostos de moléculas com forças intermoleculares altas possuem tensões superficiais altas, porque, na superfície, o puxão para o interior será forte. A tensão superficial da água é aproximadamente três vezes maior que a maioria dos líquidos comuns, por causa de suas ligações de hidrogênio fortes. Já a tensão superficial do mercúrio é ainda maior, até seis vezes maior que a da água, sugerindo que há fortes ligações entre os átomos de mercúrio no líquido.[3] Uma gota de líquido suspensa no ar ou em uma superfície encerada é esférica porque a tensão superficial puxa as moléculas para a forma mais compacta, uma esfera. As forças atrativas entre moléculas de água são maiores que entre água e cera, que tem bastante hidrocarbonetos.[3] Os efeitos de superfície podem ser expressos na linguagem das energias de Helmholtz e de Gibbs. As ligações entre estas funções termodinâmicas e a área superficial se faz pelo trabalho necessário para modificar a área, pois dA e dG são iguais (em condições diferentes) ao trabalho feito para alterar a energia do sistema. Ora, o trabalho necessário para modificar a área superficial, , de uma amostra, de uma grandeza infinitesimal d, é proporcional a esta grandeza e se escreve como: (Equação 1) A constante de proporcionalidade, , é a tensão superficial que tem as dimensões de energia/área e no SI é medida em joules por metro quadrado (J m-2). Os valores de também se podem registrar em newtons por metro (pois 1 N m-1 = 1 J m-2). [1] Existem alguns fatores que podem interferir na tensão superficial, um deles é o uso de tensoativos. Os tensoativos são substâncias que possuem uma parte lipofílica e uma parte hidrofílica responsável pela adsorção de moléculas tensoativas na interface líquido-líquido, líquido-gás ou líquido-sólido. A superfície ou interface onde a tensão existe está situada entre o líquido e seu vapor saturado no ar, normalmente a pressão atmosférica. A tensão pode também existir entre dois líquidos imiscíveis, sendo então chamada de tensão interfacial.[4] Um dos métodos mais utilizados para medir a tensão superficial é o método do peso da gota. Este método, talvez, é o mais convenientemente correto para se medir a tensão superficial de um gás-líquido ou líquido-líquido (interface). O procedimento é formar gotas do líquido no fim de um tubo, permitindo a queda dentro de um recipiente até que o suficiente tenha sido coletado, assim o peso da gota pode ser determinado corretamente.[3] Com observações feitas por Tate (1864), e uma expressão para o peso da gota é encontrado pela equação abaixo: (Equação 2) O procedimento usual é para aplicar um fator de correção ‘‘𝜓’’ na equação anterior, assim que W’ é encontrado por, de acordo com a equação 3: (Equação 3) Harkins e Brown concluíram que o “” mostrado será uma função da razão ou , onde V é o volume da gota. Isto foi verificado experimentalmente. O volume da gota V é determinado a partir da densidade do líquido: [4] (Equação 4) 2.OBJETIVO: Determinar através do método da contagem de gotas a tensão superficial da água, do álcool e das soluções cloreto de sódio (0,25%; 0,5%; 1,0%; 1,50%) e de detergente (0,25%; 0,5%; 1,0%; 1,50%). 3.MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 MATERIAIS: Béqueres; Picnômetro 25mL; Paquímetro; Bureta 25mL; Garra; Vidro de relógio; Balança analítica; Suporte universal; 3.2 REAGENTES: Álcool etílico; Água destilada; Cloreto de sódio nas concentrações de: 0,25%, 0,50%, 1,00%, 1,50%; Detergente nas concentrações de: 0,25%, 0,50%, 1,00%, 1,50%; 3.3 MÉTODOS: 1. Determinação da densidade Em uma balança analítica pesou-se um picnômetro de 25 mL limpo e seco, e anotou-se a sua massa. Em seguida adicionou-se a este álcool etílico, e pesou-se novamente, anotando-se a massa. Realizou-se os cálculos para determinar a densidade do álcool etílico. Repetiu-se o mesmo procedimento para as seguintes soluções: Água destilada; Cloreto de sódio nas concentrações de: 0,25%, 0,50%, 1,00%, 1,50%; detergente nas concentrações de: 0,25%, 0,50%, 1,00%, 1,50%; 2. Tensão superficial de um líquido pelo método da gota Pesou-se um vidro de relógio limpo e seco em uma balança analítica e anotou-se a sua massa. Fixou-se uma bureta em um suporte universal, e mediu-se com auxílio de um paquímetro o seu diâmetro da parte onde escoa a solução. Em seguida adicionou-se álcool etílico na bureta, ajustando-se o menisco. Gotejou-se somente 2 mL da solução sobre o vidro relógio, fazendo-se a contagem das gotas. Após o recolhimento das gotas pesou-se o vidro de relógio novamente. Realizou-se os cálculos necessários. Repetiu-se o mesmo procedimento para as seguintes soluções: Água destilada; Cloreto de sódio nas concentrações de: 0,25%, 0,50%, 1,00%, 1,50%; Detergente nas concentrações de: 0,25%, 0,50%, 1,00%, 1,50%; Obs.: Durante o procedimento é necessário que se adote uma velocidade de gotejamento semelhante para as soluções. Sendo também necessário utilizar-se a mesmas vidrarias (bureta e picnômetro) para o procedimento. 4.RESULTADOS E DISCUSSÕES: Para calcular a tensão superficial dos líquidos, etanol, água, solução de NaCl (0,25%, 0,5%, 1,0% e 1,5%) e solução de detergente (0,25%, 0,5%, 1,0% e 1,5%), foi necessário determinar a densidade destes. Para isso, utilizou-se um picnômetro de 25 mL, que consiste em uma vidraria de alta precisão e exatidão, para determinar o peso de 25 mL do líquido analisado. Os resultados obtidos experimentalmente e a densidade dos líquidos calculado com auxílio da equação 1, estão apresentados na tabela 1. Na qual, d= densidade (g/mL), m= massa (g) e v= volume (mL). Tabela 1: Dados obtidos experimentalmente e densidade de cada líquido. Solução Massa picnômetro vazio (g) Massa picnômetro + solução (g) Massa da solução (g) Volume da solução (mL) Densidade (g/mL) Etanol 43,1944 22,7759 25,4185 25 0,8167 Água 48,7736 22,9514 25,8222 25 1,0328 NaCl 0,25% 48,8122 22,9433 25,8689 25 1,0347 NaCl 0,50% 48,8356 22,9770 25,8586 25 1,0343 NaCl 1,00% 48,9451 22,8921 26,0364 25 1,0413 NaCl 1,50% 48,9451 22,9506 25,9945 25 1,0398 Detergente 0,25% 48,7275 22,9051 25,8224 25 1,0328 Detergente 0,50% 48,7047 22,8858 25,8189 25 1,0327 Detergente 1,00% 48,6915 22,9172 25,7743 25 1,0309 Detergente 1,50% 48,7187 22,9003 25,8184 25 1,0327 Os resultados apresentados na tabela 1 foram obtidos a temperatura ambiente ≈ 24 ºC, segundo o livro “Handbook of Chemistry and Physics” 1 a esta temperatura a densidade da água é igual a 0,9973g/mL¹.E assim, pode-se calcular o erro desta medida. para a água Portanto o erro desta medida foi de 3,56%, sendo este um erro baixo, portanto pode-se considerar este valor para o cálculo da tensão superficial. Enquanto para o etanol o livro “Fundamentos de Química Experimental Vol. 53”2 afirma que a densidade deste é igual a 0.7894g/mL,2 sendo assim calculou-se o erro desta medida da mesma maneira apresentada acima, e obteve-se como resultado 3,45 % de erro. Este erro pode ser devido a perca de precisão e exatidão da vidraria e erros do manipulador. As densidades das soluções de cloreto de sódio e detergente estão próximas a densidade da água, isso é esperado, pois essas contêm pequenas quantidades dos solutos, com isso a densidade tende-se a aproximar da densidade do líquido em maior quantidade. No entanto observou-se que a densidade das soluções de NaCl aumenta razoavelmente e as soluções de detergente diminui, isso acontece devido as interações entre o soluto e o solvente. Pois a solução entre água e NaCl apresenta interações muito forte devido a carga apresentada pelo sal, tornando assim a interação mais efetiva, enquanto a solução entre água e detergente apresenta interações mais fracas, isso ocorre porque o detergente apresenta forças de Van der Waals, e portanto, interações mais fracas. Com as densidades dos líquidos definidas, realizou-se o experimento para determinar a massa de uma gota de água, que será utilizado posteriormente para o cálculo da tensão superficial. Os resultados obtidos estão apresentados na tabela 2. Tabela 2: determinação da massa de uma gota de cada líquido analisado. Solução Massa vidro de relógio vazio (g) Massa vidro de relógio + solução (g) Massa da solução (g) Quantidade de gotas Massa de uma gota (kg) Etanol 37,2144 35,6630 1,5514 141 1,10 . 10-5 Água 37,6842 35,6632 2,021 52 3,88 . 10-5 NaCl 0,25% 37,5511 35,6633 1,8878 63 2,99. 10-5 NaCl 0,50% 37,8081 35,6633 2,1448 58 3,69. 10-5 NaCl 1,00% 37,6765 35,6639 2,0126 51 3,94. 10-5 NaCl 1,50% 37,6774 35,6644 2,0130 50 4,03. 10-5 Detergente 0,25% 37,7130 35,6660 2,0470 63 3,25. 10-5 Detergente 0,50% 37,6782 35,6633 2,0149 86 2,34. 10-5 Detergente 1,00% 37,6675 35,6634 2,0041 112 1,78. 10-5 Detergente 1,50% 37,7014 35,6630 2,0384 146 1,4. 10-5 Feito isso, calculou-se a tensão superficial de cada solução. A tensão superficial é responsável pela formação de gotas de líquido. Embora facilmente deformáveis, as gotas de água tendem a se manter na forma esférica pelas forças coesivas da camada superficial. O método da contagem do número de gotas baseia-se na Lei de Tate para determinar a tensão superficial. Então, primeiramente encontrou-se o fator de correção para as medidas, utilizando a equação 2. O raio da bureta utilizada foi medido com um paquímetro e obteve-se 3,1 mm de diâmetro (0,00155 m de raio). Em seguida, encontrou-se o volume de cada gota. Para isso utilizou-se a equação 1, utilizando a massa da gota em cada solução, como demonstrado a seguir para a solução de etanol. 𝑣 == 0,013 mL Então, descobre-se o fator de correção: (6) = 6,59 ≈ 6,5 Para este resultado, o fator de correção utilizado é 0,6171, como mostra a Tabela 3. Tabela 3: Fator de correção para medidas de Tensão Superficial. Esse fator de correção é utilizado pelo fato da gota não se desprender por completo do tubo e pelas forças de tensão superficial serem raramente verticais. Após determinar o fator de correção, utilizou-se então a equação da Lei de Tate (equação 3) para determinar a tensão superficial de cada solução: (4) Sendo, 𝛾 = Tensão Superficial (Nm-1) m = massa (kg) r = raio da bureta (m) 𝜓 = fator de correção para o etanol Os resultados de tensão superficial para cada solução estão expressos na Tabela 4. Tabela 4: Tensão Superficial de cada solução. Solução Raio da bureta (m) Massa de uma gota (kg) Volume da gota (mL) Desvio (ѱ) Tensão Superficial (Nm-1) Etanol 0,00155 1,10 x 10-5 0,013 0,6171 0,018 Água 3,88 x 10-5 0,037 0,6669 0,059 NaCl 0,25% 2,99 x 10-5 0,029 0,6515 0,046 NaCl 0,50% 3,69 x 10-5 0,036 0,6669 0,056 NaCl 1,00% 3,94 x 10-5 0,037 0,6669 0,060 NaCl 1,50% 4,03 x 10-5 0,038 0,6669 0,061 Detergente 0,25% 3,25 x 10-5 0,031 0,6515 0,050 Detergente 0,50% 2,34 x 10-5 0,023 0,6362 0,037 Detergente 1,00% 1,78 x 10-5 0,017 0,6250 0,029 Detergente 1,50% 1,40 x 10-5 0,013 0,6171 0,023 A partir dos resultados obtidos, pode-se fazer uma relação entre as tensões superficiais dos líquidos, sendo: 𝛾𝑁𝑎𝐶𝑙 >𝛾Á𝑔𝑢𝑎 >𝛾𝐷𝑒𝑡𝑒𝑟𝑔𝑒𝑛𝑡𝑒 >𝛾Á𝑙𝑐𝑜𝑜𝑙. Sabe-se que as forças coesivas entre as moléculas de um líquido estão relacionadas com a tensão superficial, assim, analisa-se as forças coesivas presentes nas soluções. O alto valor de tensão superficial do NaCl se dá pelo fato de sua interação ocorrer como íon-dipolo com a água, sendo esta a interação mais forte dentre as existentes. Já o valor da tensão superficial da água se deve a atração das ligações de hidrogênio entre as moléculas de sua superfície, sendo esta a segunda interação mais forte, por isso o valor de tensão superficial da água é menor que do NaCl e maior que das demais soluções. O detergente possui interações moleculares fracas, forças de Van der Waals e ligação de hidrogênio, e tem uma grande cadeia apolar em sua estrutura. Ao adicionar detergente na solução, o mesmo ficará sobre a superfície, de modo que a parte polar reagirá com a água e a parte apolar ficará na extremidade da solução. Assim, as moléculas que ficarão na superfície, sofrerão forças somente na parte de baixo, diminuindo a tensão superficial. Observa-se que o álcool possui uma tensão superficial bem menor, devido a um menor número de ligações de hidrogênio entre suas moléculas, logo, consequentemente, há menor coesão entre as moléculas. Segundo Moore (1976), os valores para tensão superficial da água e do álcool são 72,75 𝑥 10−3𝑁 .𝑚−1 𝑒 22,28 𝑥 10−3𝑁. 𝑚−1, respectivamente. Comparando os valores tabelados com os experimentais, o experimento apresenta valores bem próximos daquele tabelado, considerando os erros instrumentais, sendo este calculado da seguinte forma: para o etanol para a água 5. CONCLUSÃO: Com base nos experimentos realizados, pode-se verificar que quanto maior as interações intermoleculares das soluções, maior será a sua tensão superficial, como analisado ao aumentar a concentração de NaCl que ocasionou uma maior tensão superficial devido a presença dos íons em solução, enquanto o detergente diminui a tensão superficial pelo fato dele ser surfactante. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: [1] ATKINS, P. W.; Físico-Química, vol. 3. Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora S.A; 6ª edição, 1978; [2] DRAGUSKI, D.C. Manual de Aulas Práticas. 2019; [3] ATKINS, P.W.; JONES, Loretta. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. 3 ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2006; [4] Shawn D.J. Introdução à química dos coloides e de superfícies. Editora Edgard Blucher: 1975.