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Fala-se em conduta dolosa quando o agente quer diretamente ou assume o risco 
na produção do resultado. 
b) Conduta culposa. Quando o agente produz o resultado ilícito (pratica o crime, por exemplo) por 
negligência, imprudência ou imperícia. 
 
Obs. 1: A regra para o nosso Código Penal é de que todo crime seja doloso, somente sendo punida a 
conduta culposa quando houver expressado previsão legal nesse sentido (art. 18, parágrafo único do 
CP). 
 
 
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Obs. 2: Em razão da relevância do tema condutas dolosas e culposas serão analisadas mais 
detidamente à frente. 
 
17.3. Condutas omissivas e comissivas: Devemos observar que, além de atuar com dolo ou culpa, 
o agente pode praticar a infração penal fazendo ou deixando de fazer alguma coisa a que estava 
obrigado. Falamos aí em condutas positivas e negativas, sempre lembrado que em ambas as hipóteses, 
a conduta deve ser voluntário. Não há necessidade de que a conduta seja livre, bastando que ela seja 
voluntária, como acontece nas hipóteses de coação moral irresistível. 
 
a) Conduta comissiva: aqui o agente desenvolve um comportamento positivo para a prática da 
atividade criminosa. Ele age. Falamos em conduta comissiva, por exemplo, quando no furto ele atua 
com a finalidade de subtrair os bens móveis pertencentes à vítima, ou no delito de homicídio, com a 
finalidade de ceifar-lhe a vida. 
 
b) Conduta omissiva: Nesta modalidade de conduta há uma omissão do agente, ou seja, uma 
abstenção. Ele nada faz. Sua conduta é negativa. Na verdade há uma abstenção de um comportamento 
que é imposto pela lei ao agente. Exemplo clássico é o crime de omissão de socorro, previsto no 
artigo 135 do CP. 
 
HIPÓTESES DE AUSÊNCIA DE CONDUTA 
 
Para podermos falar em conduta penalmente relevante ela deverá estar revestida dos elementos 
consciência e vontade, de sorte que na ausências que qualquer destas características há que se falar 
em conduta. Da mesma forma não haverá conduta se ele atua sem dolo ou sem culpa. Assim podemos 
afirmar que atos involuntários ou inconscientes são penalmente irrelevantes. Hipóteses de ausência 
de conduta, portanto, ocorrem quando o sujeito atua impelido por força irresistível, por movimentos 
reflexos ou em estados de inconsciência. Assim, são hipóteses de ausência de conduta: 
 
a) EXCLUDENTES DE VOLUNTARIEDADE 
 
1) fortuito. É a força que se mostra imprevisível. No caso fortuito existe uma conduta, mas ela não 
será atribuída ao agente por ausência de dolo ou culpa (Ex.: atropelamento de pedestre por automóvel, 
por defeito mecânico imprevisível); 
2) Força maior. É uma força que opera sobre o homem de tal proporção que o faz intervir como uma 
mera massa mecânica. Pode ocorrer por fatos da natureza (correnteza que leva o indivídio e faz com 
que ele lesione um terceiro) ou por intervenção de terceiro. Ex. A domina B, coloca um revolver em 
sua mão, pressiona o gatilho para que suas digitais permaneçam na arma e o incrimine. Pode advir 
ainda, do próprio indivíduo nos casos de movimentos reflexos. 
 
Obs. 1 enquanto a coação física irresistível exclui a própria conduta por ausência de voluntariedade, 
tornando o fato atípico, a coação moral irresistível exclui a culpabilidade por inexigibilidade de 
conduta diversa. Nesta hipótese o agente pratica uma conduta voluntária, entretanto, a culpabilidade 
é excluída 
 
Obs. 2 Há entendimento doutrinário no sentido de que o fortuito não é excludente da conduta, mas 
sim da culpabilidade, por inexigibilidade de conduta diversa, entretanto a corrente majoritária é no 
sentido de que o fortuito exclui a conduta. 
 
 
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b) EXCLUDENTES DE CONSCIÊNCIA. 
 
A falta de consciência, de capacidade psíquica também faz desaparecer a conduta. A ausência de 
consciência não deve ser confundida com as hipóteses de consciência perturbada (pag. 93), pois neste 
caso existe a conduta (ex. crime praticado por doente metal - art. 26). Na consciência perturbada há 
conduta (ato de vontade), ao passo que a ausência de consciência (incosciência) não há vontade e, 
assim, desaparece a conduta típica. Sao hipóteses de ausência de consciência: sonambulismo, hipnose, 
desmaio, estado de coma, crise epileptica*, etc. 
 
Obs.: A crise epiléptica para parte da doutrina, não é excludente da conduta mas sim da culpabilidade, 
uma vez que a epilepsia é considerada doença mental. 
 
SUJEITOS DA CONDUTA 
 
a) Sujeito Ativo. É quem pratica o fato descrito como infração na norma penal incriminadora. Para 
ser considerado sujeito ativo de um crime é preciso executar total ou parcialmente a figura descritiva 
no verbo contido na norma. Em que pese a maioria dos crimes só poder ter como sujeito ativo a 
pessoa humana, a Lei n.o 9.605/98 acresceu a possibilidade da pessoa jurídica figurar como sujeito 
ativo do delito, desde que se trata de crimes praticados contra o meio ambiente. Entretanto, mesmo 
diante da expressa permissão legal neste sentido, alguns autores, entre eles Cezar Roberto Bitencourt 
e Rogério Greco, não admitem esta hipótese e consideram a Lei de crimes ambientais inconstitucional 
neste ponto. 
 
b) Sujeito Passivo. É o titular do bem jurídico atingido pela conduta criminosa. Assim, o sujeito 
passivo pode ser a pessoa humana (ex. crimes contra a pessoa); o Estado (ex. crimes contra a 
administração pública); a coletividade (ex. crimes contra a saúde pública); e a pessoa jurídica (ex. 
nos crimes contra o patrimônio e contra a honra). Em todos os crimes o Estado sempre figura como 
sujeito passivo mediato ou formal, onde não for o sujeito passivo principal. 
 
17.3. RELAÇÃO DE CAUSALIDADE 
 
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a 
quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado 
não teria ocorrido. 
Superveniência de causa independente 
§ 1o - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação 
quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam- se 
a quem os praticou. 
Relevância causal da omissão (crimes omissivos impróprios ou comissivos por 
omissão) 
§ 2o - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para 
evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; 
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado; 
 
CONCEITO. É o elo necessário que une a conduta praticada pelo agente ao resultado por ela 
produzido. Se não houver esse vínculo que liga o resultado à conduta levada a efeito pelo agente, não 
 
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se pode falar em relação de causalidade e, assim, tal resultado, não poderá ser atribuído ao agente, 
haja vista não ter sido ele o seu causador. O Código Penal adotou a teoria da equivalência dos 
antecedentes causais (conditio sine qua non), onde atribui relevância causal a todos os antecedentes 
do resultado, considerando que nenhum elemento, de que depende a sua produção, pode ser excluído 
da linha de desdobramento causal.

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