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apostila OAB

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dele. Ex. o crime de latrocínio e a competência do 
juízo singular para o processo e julgamento deste delito. 
 
c) Quanto ao resultado: 
 
Declarativa – Quando se conclui que a letra da lei corresponde exatamente àquilo que o legislador 
quis dizer. Neste tipo de interpretação, o intérprete não amplia nem restringe o seu alcance, mas 
apenas declara a vontade da lei. Ex. art. 141, III do CP; 
Restritiva – Quando se conclui que o texto legal abrangeu mais do que queria o legislador (por isso 
a interpretação irá restringir seu alcance). Nesta, pois, o intérprete diminui, restringe o alcance da lei, 
uma vez que ela, a primeira vista, disse mais do que efetivamente pretendia dizer. Ex. art. 28, II do 
CP; 
Extensiva – Quando se conclui que o texto da lei ficou aquém da intenção do legislador (por isso a 
interpretação irá ampliar sua aplicação). Ex art. 235 do CP (bigamia), abrange obrigatoriamente a 
poligamia. 
 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
d) Interpretação analógica (“intra legem”). 
 
O legislador, em determinadas passagens do Código penal, por não poder prever todas as situações 
que poderiam ocorrer na vida em sociedade, e que seriam similares àquelas por ele já elencadas, 
permitiu, expressamente a utilização de um recurso, que também amplia o alcance da norma penal, 
conhecido como interpretação analógica. Este recurso é possível quando, dentro do próprio texto legal, 
após uma seqüência casuística, o legislador se vale de uma fórmula genérica, que deve ser interpretada 
de acordo com os casos anteriores - ex.: o crime de “estelionato”, de acordo com a descrição legal, 
pode ser cometido mediante artifício, ardil ou “qualquer outra fraude”;; o art. 28, II, estabelece que 
não exclui o crime a embriaguez por álcool ou por “substâncias de efeitos análogos”. 
 
e) Analogia. 
 
A analogia não é forma de interpretação da lei penal, mas um método de auto-integração da norma. 
Consiste em se aplicar a uma hipótese não regulada por lei, disposição relativa a um caso semelhante. 
Tem por fundamento ubi eadem ratio, ibi eadem jus (onde existe a mesma razão fundamental 
prevalece a mesma regra de direito). Consiste em aplicar a uma hipótese não prevista em lei (lacuna 
da lei) a disposição relativa a um caso semelhante - ex.: o legislador, através da lei A, regulou o fato 
B; o julgador precisa decidir o fato C; procura e não encontra no direito positivo uma lei adequada a 
este fato; percebe, porém, que há pontos de semelhança entre o fato B (regulado) e o fato C (não 
regulado); então, através da analogia, aplica ao fato C a lei A; é forma de integração da lei penal e 
não forma de interpretação; em matéria penal, ela só pode ser aplicada em favor do réu (analogia “in 
bonam partem”), e ainda assim se ficar constatado que houve mera omissão involuntária 
(esquecimento do legislador) - ex.: Aplicação do perdão judicial previsto no art. 121, § 5°, do CP, ao 
artigo 303 do Código de Trâsito Brasileiro (homício culposo). 
 
f) Distinção entre analogia e interpretação analógica 
 
Na analogia, omissa a lei, parte-se da solução nela prevista para certo caso, chegando-se à validade 
da norma para aquele caso análogo, mas sem previsão legal. Na interpretação analógica (permitida 
pela própria lei) é o próprio dispositivo que determina que se aplique analogicamente preceito. Na 
primeira, não é vontade da lei abranger os casos semelhantes; na segunda, a própria lei, após definir 
a fórmula casuística, menciona os casos que devem ser compreendidos por semelhança. A diferença 
está na vontade da lei. (vg: outro recurso análogo à traição, emboscada e dissimulação – art. 61, II, 
c). 
 
5. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO, APLICÁVEIS AO DIREITO PENAL 
 
5.1. Princípio da intervenção mínima 
 
Segundo este princípio, o Direito Penal só deve preocupar-se com os bens mais importantes e 
necessários à vida em sociedade. Serve de limitação ao poder punitivo estatal, orientando o legislador 
não só na seleção dos bens a serem protegidos e tutelados pelo direito penal, mas também na 
descriminalização de condutas que, com o passar do tempo, perderam relevância perante a sociedade 
e não mais necessitam da intervenção deste ramo do direito para a pacificação social. Segundo este 
princípio o direito penal tem caráter subsidiário, só podendo atuar quando os demais ramos do direito 
não forem suficientes para resolver o conflito de interesses. Não há, pois, necessidade de intervenção 
do direito penal na contenda existente entre locatário e locador pra resolver questões relativas ao não 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
pagamento do aluguel, o Direito Civil, por si só, é suficiente para resolver o conflito de interesses daí 
resultante. 
 
Deste princípio decorrem outros quatro, a saber: 
 
a) Princípio da lesividade. O princípio da intervenção mínima e da lesividade são como duas faces 
de uma mesma moeda. Se de um lado, a intervenção mínima somente permite a interferência do 
direito penal quando estivermos diante de ataques a bens jurídicos importantes, o princípio da 
lesividade nos esclarecerá, limitando mais ainda o poder do legislador, quais são as condutas que 
poderão ser incriminadas pela lei penal. 
 
Este princípio, cuja origem se atribui ao período iluminista, procurou desfazer a confusão entre direito 
e moral, possui, quatro funções: 
 
 Proibir a incriminação de uma atitude interna; 
 Proibir a incriminação de uma conduta que não exceda o âmbito do próprio autor; Proibir a 
incriminação de simples estados ou condições existenciais; 
 Proibir a incriminação de condutas desviadas que não afete qualquer bem jurídico. 
 
b) Princípio da adequação social da conduta 
 
Segundo Hanz Welzel, citado por Luis Régis Prado, “a teoria da adequação social, significa que 
apesar de uma conduta se subsumir ao modelo legal (tipicidade formal) não será considerada típica 
(tipicidade material) se for socialmente adequada ou reconhecida, isto é, se estiver de acordo com a 
ordem social da vida historicamente condicionada.” 
 
Este princípio possui precipuamente, duas funções: 
 
 A primeira visa restringir o âmbito de abrangência do tipo penal, limitando a sua interpretação, 
e dele excluir as condutas consideradas socialmente adequadas e aceitas pela sociedade; 
 A segunda é dirigida ao legislador em duas vertentes: a) orientar na seleção das condutas que 
mereçam tutela penal; b) orientar o legislador a retirar da proteção penal as condutas que são 
consideradas socialmente adequadas (art. 240 do CP). 
 
Obs.: O Princípio da adequação social da conduta, assim como os costumes como fonte formal 
mediata do direito penal, não tem poderes para revogar tipos penais, em obediência ao principio 
constitucional da legalidade, em que pese posicionamento jurisprudencial e doutrinário em sentido 
contrário. 
 
c) Princípio da insignificância 
 
Este princípio é endereçado tanto ao legislador quando ao julgador. Fundamenta-se na determinação 
de que o Direito penal não deve se preocupar com bagatelas. Ao legislador na determinação de 
impedir a tutela de bens de ínfimo valor, ao juiz, para desconsiderar a tipicidade material de 
determinadas condutas. Assim, como nem sempre é possível à técnica legislativa excluir dos tipos 
penais determinados bens,

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