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apostila OAB

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de proibir as penas de caráter perpétuo, de trabalhos 
forçados, de banimento, cruéis, e de morte, salvo, nesta última, em caso de guerra declarada (XLVII). 
Afora essas garantias, instituiu tipos penais com penas graves aos autores de crime de tortura (Lei no 
9455/97). 
Na aplicação da pena o juiz não pode desprezar tais garantias, sob pena de violar o princípio expresso 
e desvirtuar a finalidade da pena. 
 
5.7. Princípio da Culpabilidade 
 
Culpabilidade é o juízo de censura, de reprovabilidade que se faz sobre o injusto penal (fato típico e 
ilícito) praticado pelo agente. Reprovável ou censurável é aquela conduta que levada a efeito pelo 
agente que, nas condições em que se encontrava, podia agir de outro modo. É o juízo de uma 
reprovação jurídica que se apóia sobre a crença, fundada na experiência do dia-a-dia, de que ao 
homem é dada a possibilidade de, em certas circunstâncias, agir de outro modo. 
Trata-se de um princípio constitucional implícito, podendo ser extraído do texto constitucional, 
principalmente, através do chamado princípio da dignidade da pessoa humana. 
 
Este princípio possui tres funções básicas: 
 
a) Integra o conceito analítico de crime (fato típico, ilícito e culpável); 
b) Serve como instrumento de desagem da pena; 
c) Impede a aplicação da responsabilidade penal objetiva em matéria penal. 
 
5.8. Princípio do “in dubio pro reo”. Se persistir dúvida, após a utilização de todas as formas 
interpretativas, a questão deverá ser resolvida da maneira mais favorável ao réu. 
 
6. CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DOS CRIMES 
 
6.1. Instantâneo. É aquele cuja consumação ocorre em um só instante, sem continuidade temporal. 
Tem momento consumativo definido. Instantâneo não significa praticado rapidamente, mas significa 
que uma vez realizados seus elementos constitutivos, nada mais se poderá fazer para impedir sua 
ocorrência. Ex.: “estupro”. 
 
Exame de Ordem 
Direito Penal – Parte Geral e Especial 
Profs. Geibson Rezende e Kheyder Loyola 
 
 
 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
6.2. Permanente – É aquele cujo momento consumativo se prolonga no tempo por vontade do agente, 
que poderá cessar quando este quiser. Ex.: “seqüestro”. 
6.3. Instantâneo de efeitos permanentes – É aquele cuja consumação se dá em determinado instante, 
mas seus efeitos são irreversíveis - ex.: “homicídio”. 
6.4. Comissivo – É aquele praticado através de uma ação positiva, visando um resultado tipicamente 
ilícito, ou seja, no fazer o que a lei proíbe. A maioria dos delitos previstos no Código Penal e na 
legislação extravagante é constituída pelos delitos de ação, isto é, pelos delitos comissivos. 
6.5. Omissivo próprio – Consiste no fato de o agente deixar de realizar determinada conduta, tendo 
a obrigação jurídica de fazê-lo; configura-se com a simples abstenção da conduta, quando podia e 
devia realizá-la, sem risco pessoal, independentemente da produção do resultado. 
6.6. Omissivo impróprio (ou comissivos por omissão) – Neste tipo de delito, a omissão é o meio 
pelo qual o agente produz o resultado, que tinha do dever jurídico de evitá-lo. Nestes crimes, o agente 
responde não pela omissão simplesmente, mas pelo resultado desta decorrente, a que estava, 
juridicamente, obrigado a impedir (art. 13, parágrafo 2°, do C). Ex.: a mãe, que tinha o dever jurídico 
de alimentar seu filho, deixa de fazê-lo, provocando a morte da criança (a simples conduta de deixar 
de alimentar não constitui crime, mas o resultado morte que dela decorre constitui infração penal). 
6.7. Material ou de resultado naturalístico – É o que descreve a conduta cujo resultado integra o 
próprio tipo penal, isto é, sendo indispensável para a sua consumação a produção de um dano efetivo. 
O fato se constitui da conduta humana e da modificação do mundo exterior por ele operada. A não-
ocorrência do resultado caracteriza tentativa. Nos crimes materiais a ação e o resultado são, ou podem 
ser, cronologicamente distintos. Ex. Homicídio, furto, estelionato. 
6.8. Formal – No crime formal o tipo penal também descreve o resultado, que, contudo, não precisa 
verificar-se para ocorrer à consumação. Basta a ação do agente e a vontade de concretizá-lo. 
Consuma-se o crime no momento da ação, independentemente da produção do resultado, sendo este, 
mero exaurimento do delito. Ex.: “extorsão mediante seqüestro”. 
6.9. De mera conduta - A lei descreve apenas uma conduta e, portanto, consuma-se no exato momento 
em que esta é praticada. Não há descrição de resultado pelo tipo penal. Ex.: “violação de domicílio”. 
6.10. De dano – São aqueles que pressupõem uma efetiva lesão ao bem jurídico tutelado - ex.: 
“homicídio”, “furto”. 
6.11. De perigo – São aqueles que se consumam com a mera situação de risco a que fica exposto o 
objeto material do crime - ex.: “periclitação de vida e da saúde”, “rixa”. Se subdividem em: 
a) Abstrato (ou presumido) – A lei descreve uma conduta e presume que o agente, ao realizá- la, 
expõe o bem jurídico a risco; trata-se de presunção absoluta (não admite prova em contrário), 
bastando à acusação provar que o agente praticou a conduta descrita no tipo para que se presuma ter 
havido a situação de perigo - ex.: “omissão de socorro”. 
b) Concreto – Nesses delitos a acusação tem de provar que pessoa certa e determinada foi exposta a 
uma situação de risco em face da conduta do sujeito; há que se provar que o perigo efetivamente 
ocorreu, pois este não é presumido - ex.: “periclitação de vida e da saúde” 
c) Individual – São os que expõem a risco o interesse de uma só pessoa ou de grupo limitado de 
pessoas - exs.: arts. 130 a 137. 
d) Comum (ou coletivo) – São os que expõem a risco o interesse de número indeterminado de 
pessoas - exs.: arts. 250 a 259. 
6.12. Comuns – São aqueles que podem ser praticados por qualquer pessoa - exs.: “furto”, “roubo”, 
“homicídio”. 
6.13. Próprios ou especial – São os que só podem ser cometidos por determinada categoria de 
pessoas, por exigir o tipo penal certa qualidade ou característica do sujeito ativo. Pode ser condição 
jurídica (acionista); profissional ou social (comerciante); natural (gestante, mãe); parentesco 
(descendente). Exs.: “infanticídio”, “corrupção passiva”. 
 
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Direito Penal – Parte Geral e Especial 
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PROTEGIDO PELA LEI DOS DIREITOS AUTORAIS – LEI 9.610/98 
6.14. De mão própria ou de atuação pessoal – São aqueles cuja conduta descrita no tipo penal só 
pode ser executada por um único indivíduo, não admitindo interposta pessoa e, por isso, não admitem 
co-autoria, mas apenas a participação. Ex.: “falso testemunho”. 
 
Obs.: Segundo Damásio “a diferença existente entre crime próprio e de mão própria, consiste no fato 
de que, nos crimes próprios, o sujeito ativo pode determinar a outrem a sua execução (autor), embora 
possam ser cometidos apenas por um número limitado de pessoas; nos crimes de mão-própria, embora 
possa ser praticado por qualquer pessoa, ninguém os comete por intermédio de interposta pessoa.” 
 
6.15. Principais – São aqueles que não dependem de qualquer outra infração penal para que se 
configurem - ex.: “homicídio”, “furto”. 
6.16. Acessórios – São aqueles que pressupõem a ocorrência de um delito anterior - ex.: “receptação”. 
6.17. Simples – Protegem um único bem jurídico - ex.: “homicídio” (visa-se à proteção da vida), 
“furto” (protege-se o patrimônio). 
6.18. Complexos – Surgem quando há fusão de 2 ou mais tipos penais, ou quando um tipo penal 
funciona como qualificadora de outro; a norma penal

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