Reforço e Extinção do Comportamento
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Reforço e Extinção do Comportamento


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Análise do Comportamento e Aprendizagem Pierce & Cheney 
 
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Operante
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\uf0b7 Compreender comportamento operante e contingências básicas de 
reforço.1 
\uf0b7 Determinar se o reforço enfraquece a motivação intrínseca. 
\uf0b7 Informar-se sobre o princípio de Premak e a hipótese de privação de 
respostas. 
\uf0b7 Aprender a realizar experimentos em condicionamento operante. 
\uf0b7 Compreender condicionamento operante de respostas neurais. 
\uf0b7 Aprofundar-se em reforçamento da variabilidade, solução de 
problemas e criatividade. 
\uf0b7 Investigar extinção operante e resistência à extinção. 
\uf0b7 Aprender sobre extinção e efeito do reforço parcial. 
 
Um leão faminto retorna à uma fonte de água, onde, com sucesso, tem 
emboscado antílopes e outras presas. Uma pessoa que joga numa máquina 
caça-níqueis e ganha um grande prêmio tem mais chances de jogar 
novamente do que uma pessoa que não ganhou. Alunos que fazem 
perguntas e a recebem a resposta: \u201cEste é um ponto interessante que vale a 
pena ser discutido\u201d são mais propensos a fazer mais perguntas. Quando um 
professor ignora as perguntas ou dá respostas vagas, os alunos 
eventualmente param de fazer perguntas. Nestes casos (e em tantos outros), 
as consequências que se seguem o comportamento determinam se este se 
repetirá no futuro. 
Lembrando que se diz que o comportamento operante é emitido 
(Capítulo 2). Quando o comportamento operante é seguido por 
consequências reforçadoras, este é selecionado, no sentido que aumenta de 
frequência. O comportamento que não é seguido por consequências 
reforçadoras diminui em frequência. Este processo, chamado 
 
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 Pierce, W. D.; & Chenney, C. D. (2008). Reinforcement and extinction of operant behavior. In 
Behavior analysis and learning. 4ª Ed. New Jersey: Psychology Press. Capítulo traduzido por Raul 
Lopez Dourado Azevedo (Univasf) e revisado por Artur Luiz Nogueira (PUC-SP) e Christian Vichi 
(Univasf) para fins didáticos da disciplina de Análise do Comportamento I do Curso de Psicologia da 
Univasf. 
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condicionamento operante, é a principal meio pelo qual o comportamento 
dos organismos é modificado com base na da ontogênese, ou experiência de 
vida (i.e., aprendizagem). É importante, no entanto, reconhecer que o 
condicionamento operante, como um processo, evoluiu ao longo da história 
das espécies e tem suas bases na dotação genética. Isto é, 
condicionamento operante (e respondente), como um processo geral de 
mudança de comportamento, baseia-se na filogênese, ou história da espécie. 
Em outras palavras, aqueles organismos cujo comportamento mudou com 
base em suas consequências tiveram maior probabilidade de sobreviver e 
reproduzir que os demais animais. 
 
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COMPORTAMENTO OPERANTE 
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 Comportamento operante é comumente descrito como intencional, livre 
voluntário, ou deliberado. Exemplos de comportamento operante incluem 
diálogos com outras pessoas, dirigir um carro, fazer anotações, ler um livro 
ou pintar quadros. Numa perspectiva científica, comportamento operante é 
obedece a leis e pode ser analisado nos termos de sua relação com eventos 
ambientais. Formalmente, respostas que produzem uma alteração no 
ambiente e aumentam em frequência devido a tal alteração são chamadas 
operantes. O termo operante vem do verbo operar, referindo-se aos 
comportamentos que operam no ambiente para produzir consequências que, 
por sua vez, fortalecem o comportamento. As consequências do 
comportamento operante são muitas e diversificadas e ocorrem em todas as 
dimensões sensoriais. Quando você acende a luz, disca um número no 
telefone, dirige um carro ou abre uma porta, tais operantes resultam em 
claridade visual, possibilidade de conversa, chegar a um destino e entrar 
numa sala. Um reforçador positivo é definido como qualquer consequência 
que aumente a probabilidade de ocorrência do operante que a produziu. Por 
exemplo, suponha que o seu carro não dê partida, no entanto, ele pega 
quando você sacode a chave. Com base na história de reforçamento, o 
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operante \u2013 balançar a chave \u2013 tem maior probabilidade de se repetir na 
próxima vez em que o carro não der a partida. 
Operantes são definidos pelas consequências que produzem. Abrir uma 
porta para chegar ao outro lado é um operante, não o movimento físico de 
manipulação da porta. Operantes são uma classe de respostas que podem 
variar em sua topografia. Topografia refere-se à forma física, ou 
características da resposta. Considere o número de maneiras diferentes 
pelas quais você poderia abrir uma porta \u2013 você pode girar a maçaneta, 
empurrá-la com o pé ou (caso esteja segurando vários livros) pedir para 
alguém abrir por você. Todas estas respostas variam em forma, ou 
topografia, e resultam em chegar ao outro lado da porta. Devido a estas 
respostas resultarem numa mesma consequência, elas são membros de uma 
mesma classe operante. Assim, o termo operante refere-se a uma classe de 
respostas relacionadas que podem variar em topografia, porém, produzir 
uma consequência ambiental comum. (Catania, 1973). 
 
Estímulo Discriminativo 
 O comportamento operante é emitido, no sentido em que 
frequentemente ocorre sem um estímulo observável que o preceda. Isto em 
contraste com respostas reflexas, que são eliciadas por um estímulo 
antecedente. Reflexos estão ligados à fisiologia de um organismo e, em 
condições apropriadas, sempre ocorrem quando o estímulo eliciador for 
apresentado. Por exemplo, Pavlov mostrou que um cão salivava 
automaticamente se punham comida em sua boca. Cães não aprendem a 
relação entre comida e salivação; este reflexo é característico da espécie. 
Um estímulo pode preceder o comportamento operante, entretanto, tais 
eventos não forçam a ocorrência das respostas que os seguem. Um estímulo 
que precede um operante, e estabelece a ocasião para o comportamento, é 
chamado de estímulo discriminativo, ou SD (pronuncia-se esse-dê). 
O estímulo discriminativo altera a probabilidade de um operante ser 
emitido de acordo com a história de reforçamento diferencial. Reforço 
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diferencial implica em reforçar um operante em uma situação (SD), porém, 
não em outra (S\u394). A probabilidade de emissão de um operante na presença 
de um Sd pode ser bastante alta, porém, tais estímulos não têm uma relação 
biunívoca com as respostas que os seguem. Por exemplo, o toque do 
telefone aumenta as chances de você emitir o operante \u201catender o telefone\u201d, 
mas não o força a fazê-lo. Similarmente, uma cutucada por baixo da mesa 
pode servir de ocasião para mudar de assunto, ou simplesmente calar-se. Os 
eventos que ocasionam comportamentos operantes podem ser públicos ou 
privados. Assim, um evento privado como uma dor de cabeça pode servir de 
ocasião para tomar uma aspirina. 
Estímulos discriminativos se definem por estabelecer ocasião para um 
comportamento específico. A probabilidade de erguer sua mão em sala de 
aula é muito maior quando o professor está presente do que quando ele ou 
ela está ausente. Dessa forma, a presença de um professor é um SD para 
fazer perguntas em sala de aula. O professor funciona como SD somente 
quando sua presença altera