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DÉBORA WILBERT,
ANA MURRAY E
PAULO DO VALLE
Autoria
ANATOMIA
FUNCIONAL
PALPATÓRIA
ANATOMIA
FUNCIONAL
PALPATÓRIA
© Universidade Positivo 2019
Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Campo Comprido
Curitiba-PR – CEP 81280-330
*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência.
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Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão.
Presidente da Divisão de Ensino
Reitor
Direção Acadêmica
Gerente de Educação à Distância
Coordenação de Metodologia e Tecnologia
Autoria
Parecerista
Supervisão Editorial
Projeto Gráfico e Capa
Prof. Paulo Arns da Cunha
Prof. José Pio Martins
Prof. Roberto Di Benedetto
Rodrigo Poletto
Profa. Roberta Galon Silva
Profa. Débora Driemeyer Wilbert (Capítulos 1 e 2)
Profa. Ana Cristina de Sousa Murray (Capítulo 4)
Prof. Paulo Heraldo Costa do Valle (Capítulos 3, 5 ao 8)
Profa. Ana Cristina de Sousa Murray
Prof. Paulo Heraldo Costa do Valle
Felipe Guedes Antunes
DP Content
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 2
Caro aluno,
A metodologia da Universidade Positivo tem por objetivo a aprendizagem e a comu-
nicação bidirecional entre os atores educacionais. Para que os objetivos propostos se-
jam alcançados, você conta com um percurso de aprendizagem que busca direcionar a
construção de seu conhecimento por meio da leitura, da contextualização prática e das
atividades individuais e colaborativas.
A proposta pedagógica da Universidade Positivo é baseada em uma metodologia dia-
lógica de trabalho que objetiva:
valorizar suas
experiências;
incentivar a
construção e a
reconstrução do
conhecimento;
estimular a
pesquisa;
oportunizar a
refl exão teórica
e aplicação
consciente dos
temas abordados.
Compreenda seu livro
Metodologia
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 3
Compreenda seu livro
Metodologia
Com base nessa metodologia, o livro apresenta a seguinte estrutura:
PERGUNTA NORTEADORA
Ao fi nal do Contextualizando o cená-
rio, consta uma pergunta que esti-
mulará sua refl exão sobre o cenário
apresentado, com foco no desenvol-
vimento da sua capacidade de análi-
se crítica.
TÓPICOS QUE SERÃO ESTUDADOS
Descrição dos conteúdos que
serão estudados no capítulo.
BOXES
São caixas em destaque que podem
apresentar uma citação, indicações
de leitura, de fi lme, apresentação de
um contexto, dicas, curiosidades etc.
RECAPITULANDO
É o fechamento do capítulo. Visa
sintetizar o que foi abordado, reto-
mando os objetivos do capítulo, a
pergunta norteadora e fornecendo
um direcionamento sobre os ques-
tionamentos feitos no decorrer do
conteúdo.
PAUSA PARA REFLETIR
São perguntas que o instigam a
refl etir sobre algum ponto
estudado no capítulo.
CONTEXTUALIZANDO O CENÁRIO
Contextualização do tema que será
estudado no capítulo, como um
cenário que o oriente a respeito do
assunto, relacionando teoria e prática.
OBJETIVOS DO CAPÍTULO
Indicam o que se espera que você
aprenda ao fi nal do estudo do ca-
pítulo, baseados nas necessidades
de aprendizagem do seu curso.
PROPOSTA DE ATIVIDADE
Sugestão de atividade para que você
desenvolva sua autonomia e siste-
matize o que aprendeu no capítulo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
São todas as fontes utilizadas no
capítulo, incluindo as fontes mencio-
nadas nos boxes, adequadas
ao Projeto Pedagógico do curso.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 4
Boxes
AFIRMAÇÃO
Citações e afi rmativas pronunciadas por teóricos de relevância na área de estudo.
ASSISTA
Indicação de fi lmes, vídeos ou similares que trazem informações complementares
ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado.
BIOGRAFIA
Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa
relevante para o estudo do conteúdo abordado.
CONTEXTO
Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstra-se
a situação histórica do assunto.
CURIOSIDADE
Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado.
DICA
Um detalhe específi co da informação, um breve conselho, um alerta, uma
informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado.
ESCLARECIMENTO
Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específi ca da área de
conhecimento trabalhada.
EXEMPLO
Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 5
Sumário
Capítulo 1 - Noções gerais sobre o sistema esquelético, articular e muscular
Objetivo do capítulo ........................................................................................................20
Contextualizando o cenário .............................................................................................21
1.1 Sistema esquelético ................................................................................................... 22
1.1.1 Classifi cação dos ossos quanto ao desenvolvimento ..............................................................................23
1.1.2 Classifi cação dos ossos quanto à forma e função...................................................................................26
1.1.3 Classifi cação dos ossos quanto à localização .......................................................................................... 31
1.2 Sistema articular ....................................................................................................... 33
1.2.1 Articulações fi brosas, cartilagíneas e sinoviais ......................................................................................33
1.2.2 Classifi cação funcional das articulações sinoviais ................................................................................36
1.2.3 Classifi cação morfológica das articulações sinoviais ............................................................................ 37
1.3 Sistema muscular ...................................................................................................... 38
1.3.1 Tipos de músculos ........................................................................................................................................39
1.3.2 Funções dos músculos esqueléticos .........................................................................................................40
1.3.3 Estrutura geral dos músculos esqueléticos .............................................................................................40
Proposta de Atividade ..................................................................................................... 43
Recapitulando ................................................................................................................. 43
Referências bibliográfi cas .............................................................................................. 45
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 7
Sumário
Capítulo 2 - Sistema esquelético: esqueleto axial
Objetivo do capítulo ........................................................................................................46
Contextualizando o cenário ............................................................................................ 47
2.1 Acidentes ósseos da coluna vertebral ...................................................................... 48
2.1.1 Vértebras cervicais e torácicas .................................................................................................................502.1.2 Vértebras lombares, sacrais e coccígeas.................................................................................................55
2.1.3 Curvaturas fi siológicas e patológicas da coluna vertebral ...................................................................59
2.2 Acidentes ósseos da caixa torácica ......................................................................... 62
2.2.1 Esterno ...........................................................................................................................................................63
2.2.2 Costelas ........................................................................................................................................................65
2.3 Acidentes ósseos do crânio ......................................................................................66
2.3.1 Neurocrânio ..................................................................................................................................................67
2.3.2 Viscerocrânio ...............................................................................................................................................68
Proposta de Atividade .....................................................................................................69
Recapitulando ................................................................................................................. 70
Referências bibliográfi cas ...............................................................................................71
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 8
Sumário
Capítulo 3 - Sistema esquelético: esqueleto apendicular
Objetivo do capítulo ........................................................................................................ 72
Contextualizando o cenário ............................................................................................ 73
3.1 Acidentes ósseos dos membros superiores ..............................................................74
3.1.1 Escápula e clavícula ..................................................................................................................................... 75
3.1.2 Úmero, rádio e ulna ......................................................................................................................................77
3.1.3 Carpo, metacarpo e falanges ..................................................................................................................... 79
3.2 Ligamentos e articulações dos membros superiores..............................................80
3.2.1 Articulação do ombro ..................................................................................................................................80
3.2.2 Articulação do cotovelo .............................................................................................................................. 81
3.2.3 Articulações do punho e das mãos ...........................................................................................................82
3.3 Acidentes ósseos dos membros inferiores .............................................................. 82
3.3.1 Ílio, ísquio e púbis ........................................................................................................................................85
3.3.2 Fêmur, patela, tíbia e fíbula ......................................................................................................................86
3.3.3 Tarso, metatarso e falanges ......................................................................................................................89
3.4 Ligamentos e articulações dos membros inferiores ...............................................90
3.4.1 Articulação pélvica e do quadril ................................................................................................................ 91
3.4.2 Articulação do joelho .................................................................................................................................. 91
3.4.3 Articulação do tornozelo ............................................................................................................................93
Proposta de Atividade ..................................................................................................... 93
Recapitulando ................................................................................................................. 93
Referências bibliográfi cas .............................................................................................. 95
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 9
Sumário
Capítulo 4 - Sistema muscular – parte I
Objetivo do capítulo ........................................................................................................96
Contextualizando o cenário ............................................................................................ 97
4.1 Músculos do tórax .....................................................................................................98
4.1.1 Peitoral maior e menor ...............................................................................................................................98
4.1.2 Intercostais internos e externos ...............................................................................................................99
4.1.3 Serrátil anterior .........................................................................................................................................100
4.1.4 Subclávio .....................................................................................................................................................102
4.2 Músculos do abdômen ............................................................................................ 102
4.2.1 Reto abdominal ..........................................................................................................................................103
4.2.2 Oblíquo interno ..........................................................................................................................................105
4.2.3 Oblíquo externo .........................................................................................................................................105
4.2.4 Transverso do abdômen ............................................................................................................................105
4.3 Músculos do dorso .................................................................................................. 106
4.3.1 Camada superfi cial .................................................................................................................................... 107
4.3.2 Camada intermediária .............................................................................................................................. 107
4.3.3 Camada profunda ......................................................................................................................................108
Proposta de Atividade ....................................................................................................110
Recapitulando ................................................................................................................110
Referências bibliográfi cas ..............................................................................................111
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 10
Sumário
Capítulo 5 - Sistema muscular – Parte II
Objetivo do capítulo ....................................................................................................... 112
Contextualizando o cenário ........................................................................................... 113
5.1 Músculos dos membros superiores ......................................................................... 1145.1.1 Músculos do ombro .................................................................................................................................... 114
5.1.2 Músculos do braço ..................................................................................................................................... 116
5.1.3 Músculos do antebraço ..............................................................................................................................117
5.1.4 Músculos da mão ....................................................................................................................................... 121
5.2 Músculos dos membros inferiores ..........................................................................123
5.2.1 Músculos do quadril ..................................................................................................................................123
5.2.2 Músculos da região glútea .......................................................................................................................125
5.2.3 Músculos da coxa ...................................................................................................................................... 127
5.2.4 Músculos da perna e pé ............................................................................................................................128
Proposta de Atividade ................................................................................................... 134
Recapitulando ............................................................................................................... 134
Referências bibliográfi cas ............................................................................................ 136
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 11
Sumário
Capítulo 6 - Amplitude dos movimentos articulares
Objetivo do capítulo .......................................................................................................137
Contextualizando o cenário ...........................................................................................138
6.1 Centro de gravidade, equilíbrio corporal e grau de força muscular .................... 139
6.1.1 Defi nição e localização ..............................................................................................................................140
6.1.2 Função e a formação do peso corporal e do equilíbrio ........................................................................140
6.1.3 Grau de força muscular ............................................................................................................................ 141
6.2 Movimentos articulares da coluna, membros superiores e suas amplitudes em graus . 141
6.2.1 Amplitude de movimento (ADM) da coluna vertebral e cintura escapular.......................................145
6.2.2 Amplitude de movimento (ADM) das articulações do ombro e cotovelo ..........................................148
6.2.3 Amplitude de movimento (ADM) das articulações do punho, mãos e dedos ...................................152
6.3 Movimentos articulares dos membros inferiores e suas amplitudes em graus ... 157
6.3.1 Amplitude de movimento (ADM) da articulação do quadril ................................................................ 157
6.3.2 Amplitude de movimento (ADM) das articulações do joelho ............................................................160
6.3.3 Amplitude de movimento (ADM) das articulações do tornozelo e falanges .................................... 161
Proposta de Atividade ................................................................................................... 163
Recapitulando ............................................................................................................... 163
Referências bibliográfi cas ............................................................................................ 165
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 12
Sumário
Capítulo 7 - Anatomia palpatória e provas de função muscular do crânio, coluna ver-
tebral e dos membros superiores
Objetivos do capítulo .................................................................................................... 166
Contextualizando o cenário ...........................................................................................167
7.1 Anatomia palpatória dos principais acidentes ósseos do crânio, coluna vertebral e
cintura escapular ...........................................................................................................158
7.1.1 Palpatório da coluna vertebral e crânio .................................................................................................168
7.1.2 Palpatório da cintura escapular .............................................................................................................. 170
7.2 Anatomia palpatória dos principais acidentes ósseos dos membros superiores 173
7.2.1 Palpatório das articulações do ombro .................................................................................................... 173
7.2.2 Palpatório das articulações do cotovelo, punho, mão e dedos ........................................................... 174
7.3 Provas de função muscular e classifi cação e graduação da força dos músculos da coluna
vertebral, cintura escapular e dos membros superiores ............................................179
7.3.1 Avaliação da força muscular ....................................................................................................................180
7.3.2 Força dos músculos da coluna vertebral e graduação da força dos principais músculos através da
prova de função ................................................................................................................................................... 181
7.3.3 Força dos músculos da cintura escapular e dos membros superiores e graduação da força dos
principais músculos através da prova de função ...........................................................................................182
Proposta de Atividade ....................................................................................................185
Recapitulando ................................................................................................................185
Referências bibliográfi cas .............................................................................................187
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 13
Sumário
Capítulo 8 - Anatomia palpatória e provas de função muscular dos membros inferiores
Objetivos do capítulo .................................................................................................... 188
Contextualizando o cenário .......................................................................................... 189
8.1 Anatomia palpatória dos principais acidentes ósseos da pelve e da coxofemoral ....... 190
8.1.1 Palpatório da pelve ....................................................................................................................................190
8.1.2 Palpatório da articulação coxofemoral .................................................................................................. 191
8.2 Anatomia palpatória dos principais acidentes ósseos dos membros inferiores 193
8.2.1 Palpatório do joelho ..................................................................................................................................193
8.2.2 Palpatório do tornozelo, pés e dedos .....................................................................................................194
8.3 Provas de função muscular, classifi cação e graduação da força dos músculos da pelve
e dos membros inferiores ............................................................................................... 198
8.3.1 Força dos músculos da pelve e graduação da força dos principais músculos atravésda prova de
função ...................................................................................................................................................................198
8.3.2 Força dos músculos do joelho, tornozelo, pés e dedos e graduação da força dos principais múscu-
los através da prova de função .........................................................................................................................201
Proposta de Atividade ...................................................................................................204
Recapitulando ...............................................................................................................204
Referências bibliográfi cas ............................................................................................206
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 14
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 15
APRESENTAÇÃOAPRESENTAÇÃO
Este livro de Anatomia Humana é o primeiro passo para uma carreira na área da saú-
de, e também um grande desafi o. Neste material, você vai aprender sobre um assunto
que sempre fascinou as pessoas: o corpo humano. Conhecer e entender a anatomia hu-
mana é uma experiência interessante e pessoal, além de altamente pertinente, visto que
os avanços na área da saúde são constantes e estão sempre sendo divulgados. Entender
como o corpo está estruturado e como ele funciona nos possibilita compreender e domi-
nar novas técnicas de diagnóstico e tratamento de doenças, além de incentivar a prática
de hábitos para se manter sempre saudável. Para aqueles que estão se preparando para
uma carreira nas ciências da saúde, o conhecimento da anatomia humana é fundamental
para o desenvolvimento da prática clínica, do raciocínio lógico, do espírito crítico e preo-
cupações com questões relativas à saúde individual e coletiva. Amplie seu aprendizado
por meio de fi guras e tabelas que facilitam a fi xação do conhecimento, resumos em cada
capítulo e conceitos-chave. Aproveite as seções de esclarecimento, dica, curiosidade e
assista para ampliar os seus conhecimentos sobre o assunto.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 16
Dedico esse material a todos que
buscam sempre aprender um pouco
mais.
A Professora Débora Driemeyer Wilbert é
Doutora em Psicologia pela Universidade
Federal de Santa Catarina e possui Mes-
trado em Neurociências pela mesma ins-
tituição. É especialista em Educação Espe-
cial pela Universidade do Estado de Santa
Catarina e graduada em Fisioterapia pela
mesma instituição.
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/8655364421759047.
A autora
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 17
Dedico este capítulo em primeiro lugar
a Deus, nosso criador e protetor.
Aos meus pais, que infelizmente não
estão mais neste plano.
A minha esposa Del e aos meus fi lhos
Thiago, Lucas e Gustavo.
A todos os meus professores, como
também a todos os meus colegas de
profi ssão.
E, principalmente, a todos os meus
alunos e ex-alunos de toda essa
trajetória ao longo de 25 anos de
docência.
O professor Paulo Heraldo Costa do Valle
possui doutorado e mestrado em Ciências
Fisiológicas pela Universidade Federal de
São Carlos (UFSCar). É graduado em Fisio-
terapia também pela UFSCar.
É docente universitário há 25 anos; consul-
tor ad hoc do MEC para autorização, reco-
nhecimento e renovação de cursos de gra-
duação; membro da Comissão Assessora
do Curso de Fisioterapia do Exame Nacio-
nal de Desempenho do Estudante (ENA-
DE); membro da Comissão de Qualifi cação
de Cursos e da Comissão de Educação do
Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia
Ocupacional (COFFITO).
- Vice-Presidente da Associação Brasileira
de Ensino em Fisioterapia (2004-2005).
- Presidente da Associação Brasileira de
Ensino em Fisioterapia (2006-2007).
- Membro da Comissão de Sindicância do
Conselho Regional de Fisioterapia e Tera-
pia Ocupacional - CREFITO (2013-2015).
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/436668018338355
O autor
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 18
Dedico este capítulo à Márcia Vicenza
di Curzio Schneider pelo afi nco e amor
dedicado a nossa profi ssão.
A professora Ana Cristina de Sousa
Murray é mestre em Reabilitação pela
UNIFESP/EPM. É especialista em Fisio-
terapia Motora Clínica e Hospitalar pela
UNIFESP/EPM, em terapia manual e no
método Kabat. Possui aperfeiçoamento
em Cardiologia aplicada à Fisioterapia
pela SOCESP e em cursos de mobiliza-
ção neural, trigger points, dry needling,
medicina ayurveda, reeducação múscu-
lo-articular. É graduada em Fisioterapia
e em Educação Física.
Ministra cursos livres nas áreas de Edu-
cação Física e Fisioterapia desde 1998.
Atualmente, é docente de curso de
pós-graduação de Patologias da Colu-
na Vertebral; da Saúde da Mulher e do
Homem; e do curso livre Hands on Se-
minars (NYC/Brasil) de terapia manual.
Possui experiência em coordenação de
cursos superiores, cursos de pós-gra-
duação, academias e clínica-escola, além
de revisão científi ca da UNIFPM/UFU.
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/6568467680941503
A autora
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 19
Objetivo do capítulo
Por: Débora Driemeyer Wilbert
Compreender as principais
terminologias relacionadas aos sistemas
esquelético, articular e muscular.
SISTEMA ESQUELÉTICO
• Classifi cação dos ossos quanto ao
desenvolvimento
• Classifi cação dos ossos quanto à
forma e função
• Classifi cação dos ossos quanto à
localização
SISTEMA MUSCULAR
• Tipos de músculos
• Funções dos músculos esqueléticos
• Estrutura geral dos músculos
esqueléticos
SISTEMA ARTICULAR
• Articulações fi brosas, cartilagíneas e
sinoviais
• Classifi cação funcional das
articulações sinoviais
• Classifi cação morfológica das
articulações sinoviais
TÓPICOS DE ESTUDO
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 20
Na prática clínica, várias situações rotineiras exigem o conhecimento e o domínio de disci-
plinas básicas. A Anatomia é base para a Fisioterapia, tanto na avaliação quanto na con-
duta do profi ssional. Por exemplo: paciente de 69 anos de idade, masculino, foi levado ao
Pronto-Socorro do Hospital de Referência da sua cidade por não familiar, devido à queda
da própria altura sobre o quadril direito e trauma cortocontuso de fronte. A radiografi a
simples de quadril revelou fratura no colo do fêmur direito. Paciente relata muita dor e
impossibilidade de apoiar o peso sobre o membro inferior direito e de realizar movimen-
tos com esse membro. Quais estruturas você imagina que foram afetadas nessa queda e
fratura de fêmur direito e como explicar que, apesar do músculo não ter sido rompido, o
paciente relata não conseguir realizar o movimento do membro?
Contextualizando o cenário
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 21
Sistema esquelético1.1
A anatomia humana é uma área das ciências biológicas que estuda os sistemas do corpo
humano e suas funções. No corpo, existem estruturas, órgãos e sistemas que se integram e
interagem, permitindo o funcionamento adequado de tais estruturas. Ao equilíbrio dessa inte-
ração dá-se o nome de homeostase (ANDRADE FILHO; PEREIRA, 2015).
A palavra “anatomia” vem do grego anatome, que signifi ca “cortar em partes”, “cortar sepa-
rado”. Em português, a palavra signifi ca dissecação. Logo, a proposta da disciplina de anatomia
é entender como o corpo humano funciona por meio do estudo de suas partes e interações.
Neste conteúdo especifi camente, nos ateremos ao estudo de estruturas específi cas, siste-
ma esquelético, articular e muscular que formam em conjunto o aparelho locomotor.
O sistema esquelético ou osteologia é a parte da Anatomia que estuda os ossos que
constituemo elemento passivo do sistema locomotor, ou seja, dão principalmente estrutu-
ra e sustentação para o corpo humano realizar o movimento. Entretanto, pode-se afi rmar
que os ossos do esqueleto são órgãos porque contêm diversos tecidos distintos. Embora
o tecido ósseo predomine, os ossos também contêm tecido nervoso (em nervos), tecido
sanguíneo (em vasos sanguíneos), cartilagem (em cartilagens articulares) e tecido epitelial
revestindo os vasos sanguíneos.
De modo geral, o esqueleto é formado por 206 ossos, mas seu número exato vai depen-
der, principalmente, da idade do indivíduo, fatores individuais (presença de ossos extranu-
merários) e de critérios de contagem, isto é, enquanto alguns anatomistas desconsideram,
por exemplo, os ossos sesamoides e os ossículos do ouvido, outros os incluem na contagem
(ANDRADE FILHO; PEREIRA, 2015).
CURIOSIDADE:
As crianças possuem um número maior de ossos que os adultos. Por exemplo, no
recém-nascido, o osso frontal é formado por duas partes separadas que se unem
durante os primeiros anos de vida.
As crianças possuem um número maior de ossos que os adultos. Por exemplo, no As crianças possuem um número maior de ossos que os adultos. Por exemplo, no
recém-nascido, o osso frontal é formado por duas partes separadas que se unem
As crianças possuem um número maior de ossos que os adultos. Por exemplo, no
recém-nascido, o osso frontal é formado por duas partes separadas que se unem
As crianças possuem um número maior de ossos que os adultos. Por exemplo, no
recém-nascido, o osso frontal é formado por duas partes separadas que se unem
As crianças possuem um número maior de ossos que os adultos. Por exemplo, no As crianças possuem um número maior de ossos que os adultos. Por exemplo, no
Ademais, os ossos, além de constituírem a parte passiva do sistema locomotor, dando-
-lhe apoio, também possuem as seguintes funções: hematopoiética (produzir células sanguí-
neas), sustentação e manutenção de posição das partes moles do corpo, proteção de outros
sistemas (caixa craniana acomoda e protege o encéfalo) e depósito de minerais (principal-
mente cálcio e fosfato).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 22
Classifi cação dos ossos quanto ao desenvolvimento1.1.1
Como foi visto, os ossos são formados predominantemente pelo tecido ósseo. Entretanto,
também contêm tecido nervoso (em nervos), tecido sanguíneo (em vasos sanguíneos), cartila-
gem (em cartilagens articulares) e tecido epitelial revestindo os vasos sanguíneos, ou seja, são
elementos vivos que mantêm sua função independente.
O tecido ósseo, principal componente na formação do osso, é um tipo especializado de tecido
conjuntivo, composto por células e material extracelular calcifi cado, chamado de matriz óssea. As cé-
lulas que compõem esse tecido são divididas basicamente em quatro tipos: as células osteoprogeni-
toras ou osteoides, que dão origem aos osteoblastos; os osteócitos, que são células ósseas maduras;
os osteoblastos, que são células produtoras da parte orgânica da matriz óssea; e os osteoclastos, que
são células gigantes, móveis e fagocitárias de tecido ósseo. E a matriz óssea é formada por material
intercelular calcifi cado, constituída pela associação de substâncias orgânicas, principalmente coláge-
no (35%) e substância fundamental, principalmente fosfato cálcio (65%) (Fig. 1).
Figura 1. Componentes do tecido ósseo. Fonte: MOORE; ARTHUR; AGUR, 2010. (Adaptado).
Osteoblasto
Matriz óssea
Matriz neoformada
(osteóide)
Mesênquima
Osteócito
Osteoclasto
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 23
CURIOSIDADE:
A osteoporose é uma doença que se caracteriza pela diminuição de massa óssea
(componente inorgânico – cálcio), com o desenvolvimento de ossos ocos, fi nos e
de extrema sensibilidade, tornando-os mais sujeitos a fraturas.
A osteoporose é uma doença que se caracteriza pela diminuição de massa óssea A osteoporose é uma doença que se caracteriza pela diminuição de massa óssea
(componente inorgânico – cálcio), com o desenvolvimento de ossos ocos, fi nos e
A osteoporose é uma doença que se caracteriza pela diminuição de massa óssea
(componente inorgânico – cálcio), com o desenvolvimento de ossos ocos, fi nos e
A osteoporose é uma doença que se caracteriza pela diminuição de massa óssea
(componente inorgânico – cálcio), com o desenvolvimento de ossos ocos, fi nos e
A osteoporose é uma doença que se caracteriza pela diminuição de massa óssea A osteoporose é uma doença que se caracteriza pela diminuição de massa óssea
A formação do tecido ósseo ou ossifi ca-
ção pode ocorrer por dois processos: ossi-
fi cação intramembranosa e ossifi cação
endocrondal. Esses dois processos ocorrem
no crescimento normal dos ossos em todo o
corpo, tanto em termos do desenvolvimento
das células dentro dos ossos como do próprio
desenvolvimento da superfície externa da es-
trutura esquelética. Fora esses dois proces-
sos normais, um exemplo que podemos citar,
relativamente comum na prática clínica, é a
ossifi cação heterotópica ou formação de ossos heterotópicos, que se caracteriza pelo cresci-
mento ósseo anormal nos tecidos moles em que não estão normalmente presentes, e surgem
normalmente em decorrência de complicações de grandes cirurgias ortopédicas, múltiplos
traumatismos, queimaduras ou lesões neurológicas traumáticas.
A ossifi cação intramembranosa caracteriza-se quando o tecido ósseo surge aos poucos em
uma membrana de natureza conjuntiva, não cartilaginosa. Esse é o processo pelo qual são
formados os ossos chatos do crânio, que servem de proteção para o encéfalo e, por isso, pre-
cisam de um crescimento rápido e efetivo.
Na ossifi cação endocondral ocorre substituição de uma cartilagem por tecido ósseo, ou
seja, uma peça de cartilagem, no formato do osso, serve de molde para formação do tecido
ósseo ao seu redor. Esse processo é comum na formação dos ossos longos, como os ossos de
braços (úmero, rádio e ulna) e pernas (fêmur, tíbia e fíbula).
Um ótimo exemplo do processo de ossifi cação endocondral ocorre durante o crescimento
longitudinal de um indivíduo. Nesse tipo de ossifi cação, duas regiões principais passam pelo
processo: o cilindro longo (conhecido como diáfi se) e as extremidades dilatadas (epífi ses). En-
tre a epífi se e a diáfi se, existe uma região de cartilagem conhecida como cartilagem de cresci-
mento ou cartilagem epifi sária, que possibilitará a ocorrência de crescimento ósseo durante a
fase de crescimento do indivíduo (Fig. 2).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 24
Figura 2. Ossifi cação endocondral de um osso longo. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014. (Adaptado).
A diáfi se alonga-se e uma cavidade
medular forma-se enquanto a
ossifi cação continua. Surge o centro
secundário de ossifi cação na epífi se.
A epífi se ossifi ca-se. Uma vez ossifi cada,
a cartilagem hialina permanece
apenas nas cartilagens articulares
Vasos sanguíneos
epifi sários
Cavidade
medular
Cartilagem de
placa epifi sária
Catilagem articular
Osso
esponjoso
Centro secundário
de ossifi cação
4 5
Colar ósseo
Centro
primário de
ossifi cação
Um colar ósseo forma-se
ao redor da diáfi se do
modelo
em cartilagem hialina.
A cartilagem no centro
da diáfi se calcifi ca e então
desenvolve cavidades.
O broto periosteal invade as
cavidades internas e o osso
esponjoso começa a se formar.
Área de deterioração da
matriz da cartilagem
Formação do
osso esponjoso
Vaso sanguíneo
do broto
periosteal
Cartilagem hialina
9a SEMANA
1 2 3
3O MÊS
NASCIMENTO DA INFÂNCIA
PARA A ADOLESCÊNCIA
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 25
PAUSA PARA REFLETIR
A presença da cartilagem ou placa epifi sária permite que os ossos ganhem tamanho longitudi-
nal, representadopelo crescimento do indivíduo. O que aconteceria com os ossos e com o sujeito
se não houvesse essa cartilagem epifi sária?
Classifi cação dos ossos quanto à forma e função1.1.2
Existem várias formas de se classifi car os ossos, e a maneira mais conhecida é a que considera a
forma dos ossos, diferenciando-os conforme sua
relação entre dimensões lineares, como compri-
mento, largura e espessura, em ossos longos,
alongados, curtos, chatos, planos ou laminares,
pneumáticos, irregulares e sesamoides.
- Ossos longos: uma das dimensões excede
as demais, ou seja, o comprimento é considera-
velmente maior que a largura e a espessura. O
osso longo apresenta duas extremidades alarga-
das, chamadas de epífi ses, e um corpo, chamado
de diáfi se (haste longa do corpo). Entre a epífi se
e a diáfi se encontra-se a metáfi se. Nas crianças,
em quem os ossos não ossifi caram complemente, observa-se entre a epífi se e a diáfi se um disco
cartilaginoso chamado de cartilagem epifi sária que, à medida que o indivíduo cresce, passa pelo
processo de ossifi cação endocondral e é substituído por tecido ósseo. Essa cartilagem permite o
crescimento ósseo de forma longitudinal. Além disso, os ossos longos possuem em seu interior uma
cavidade denominada de canal medular, onde se aloja a medula óssea amarela. Exemplos de ossos
longos: úmero, rádio, falanges, fêmur, tíbia e fíbula (Fig. 3).
Enquanto o sujeito cresce, novas células cartilaginosas são constantemente geradas, passando
pela ossifi cação endocondral, levando à formação de mais osso. Logo, nesse processo, a ação dos
osteoclastos e osteoblastos é constante. Os osteoclastos atuam como demolidores de osso, en-
quanto os osteoblastos exercem papel de construtores de mais osso. Dessa forma, o crescimento
do osso depende da ação conjunta de reabsorção de osso existente e da formação de novo tecido
ósseo. E esse crescimento ocorre até que se atinja determinada idade, a partir da qual a cartilagem
de crescimento também sofre ossifi cação e o crescimento do osso em comprimento cessa.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 26
- Ossos alongados: são ossos longos, porém achatados. Exemplo: costelas.
- Ossos curtos: suas dimensões, comprimento e largura são semelhantes. Também conhecidos
como ossos cuboides. Exemplo: os pequenos ossos do carpo ou do tarso.
- Ossos chatos, planos ou laminares: são ossos com pequena espessura e equivalência entre o
comprimento e a largura. Exemplo: a maioria dos ossos da calota craniana, escápula, esterno.
- Ossos irregulares: apresentam uma forma complexa e irregular, não havendo relação nenhu-
ma entre suas dimensões. Exemplo: vértebras.
- Ossos pneumáticos: observa-se nesses ossos cavidades revestidas de mucosas contendo
ar. Essas cavidades são denominadas de seios. Exemplo: etmoide, esfenoide, frontal, temporal e
maxilar.
- Ossos sesamoides: são um tipo especial de ossos curtos que se formam dentro de um tendão.
Eles variam em tamanho e em número, dependendo do indivíduo. Alguns desses ossos atuam para
alterar a direção da tração de um tendão e outros reduzem o atrito e modifi cam a pressão nos ten-
dões, reduzindo irritações e risco de rompimentos. Exemplo: patela.
Observe, na Fig. 4, alguns exemplos de ossos classifi cados conforme suas formas.
Figura 3. Exemplo de osso longo. Fonte: Anatomia Online, 2015. (Adaptado).
EPÍFISE DISTAL METÁFISE
DISTAL
DIÁFISE (CORPO) METÁFISE
PROXIMAL
EPÍFISE
PROXIMAL
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 27
Figura 4. Classificação dos ossos quanto à forma. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014; SOBOTTA et al., 2000. (Adaptado).
(a) Osso longo (úmero)
(b) Osso curto (talus)
(c) Osso plano (esterno)
(d) Osso irregular (vértebra),
vista lateral direita
Osso alongado
Costela
Osso pneumático
Seio frontal
Osso sesamoide
Patela
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 28
Em relação aos tipos dos ossos, podemos classifi cá-los ainda como esponjosos (com medula ós-
sea, que produz elementos do sangue) ou compactos. Essa diferenciação diz respeito às característi-
cas da substância óssea que forma o tecido do osso e, consequentemente, a arquitetura óssea.
O osso ou substância compacta é uma massa sólida e contínua, na qual se pode apenas ver
espaços com auxílio do microscópio. Na região de junção do osso compacto com o osso esponjoso,
observa-se uma gradual substituição de uma forma por outra, sem uma delimitação nítida.
Já o osso ou substância esponjosa tem o aspecto de favo de mel, com pequenas peças planas
tridimensionais – denominadas trabéculas –, que delimitam o espaço ocupado pela medula óssea.
Nos ossos longos, as extremidades ou epífi ses são formadas por osso esponjoso com uma delgada
camada superfi cial compacta. A diáfi se é quase totalmente compacta, com pequena quantidade de
osso esponjoso na sua parte profunda, delimitando o canal medular (Fig. 5).
Figura 5. Substância compacta e esponjosa de ossos longos. Fonte: MOORE; ARTHUR; AGUR, 2010. (Adaptado).
Osso compacto
Canal Medular
Periósteo
Medula óssea amarela
Osso esponjoso
Disco epifi sário
Medula óssea vermelha
Osso compacto
Medula óssea amarela
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 29
Por outro lado, os ossos curtos têm a substância esponjosa recoberta em toda sua periferia por
uma camada compacta. Nos ossos chatos, existem duas camadas de osso compacto separadas por
um osso esponjoso (Fig. 6).
Figura 6. Substância compacta e esponjosa de ossos curtos. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014. (Adaptado).
Na cavidade do osso esponjoso e no canal medular dos ossos longos, encontramos a medula ós-
sea. No recém-nascido, toda sua medula óssea tem cor vermelha, devido a sua intensa hematopoie-
se, ou seja, ação na formação das células sanguíneas. Mas, com o passar da idade, a medula óssea
vai sendo infi ltrada por tecido adiposo e formando o que conhecemos como medula óssea amarela.
ASSISTA:
O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algu-
mas doenças que afetam as células do sangue no geral, como as leucemias e os
linfomas. O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio
paciente, ou alogênico, quando a medula vem de doador (INCA). Assista à en-
trevista com a Dra. Carmen Vergueiro, médica hematologista, no canal Drauzio
Varella, no Youtube.
linfomas. O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio
O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algu-
mas doenças que afetam as células do sangue no geral, como as leucemias e os
linfomas. O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio
paciente, ou alogênico, quando a medula vem de doador (INCA). Assista à en-
trevista com a Dra. Carmen Vergueiro, médica hematologista, no canal Drauzio
paciente, ou alogênico, quando a medula vem de doador (INCA). Assista à en-
trevista com a Dra. Carmen Vergueiro, médica hematologista, no canal Drauzio
mas doenças que afetam as células do sangue no geral, como as leucemias e os
linfomas. O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio
paciente, ou alogênico, quando a medula vem de doador (INCA). Assista à en-
linfomas. O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio
Substância esponjosa (díploe)
Substância compacta
Trabéculas
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 30
Na face externa dos ossos, encontramos ainda uma fi na camada de tecido conjuntivo denso, mui-
to fi broso, chamada de periósteo. Tem função de proteção, serve como ponto de fi xação para os
músculos e contém os vasos que nutrem o osso. E, na face interna, da cavidade medular do osso, en-
contra-se o tecido conjuntivo denominado de endósteo (MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014) (Fig. 7).
Figura 7. Parte dos ossoslongos. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014. (Adaptado).
Classifi cação dos ossos quanto à localização1.1.3
Comumente, o sistema esquelético é dividido em esqueleto axial (ossos que formam o eixo me-
dial do corpo) e esqueleto apendicular (ossos dos membros superiores e inferiores). A união do es-
queleto axial com o apendicular se faz por meio de cíngulos ou cinturas, escapular e pélvica (Fig. 8).
Endósteo
EndósteoEpífi se
proximal
Epífi se
distal
Diáfi se Periósteo
Periósteo
Linha
epifi sial
Substância
esponjosa
Cavidade medular
(revestida pelo
endósteo
Artérias
nutrícias
Medula óssea
amarela
Substância
compacta
Substância
compacta
Substância
compacta
Cartilagem articular
Feixes perfurantes de
fi bras de colágeno
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 31
Figura 8. Esqueleto axial e apendicular. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 05/07/2019.
O esqueleto axial forma o eixo medial do corpo e é composto por 80 ossos divididos pelos
ossos da cabeça e ossos do tronco (coluna vertebral, costelas, esterno e hioide). Essa divisão
axial do esqueleto sustenta a cabeça, o pescoço, o tronco e protege o encéfalo, a medula espi-
nal e os órgãos do tórax.
Os ossos da cabeça são didaticamente divididos em crânio ou neurocrânio e face ou visce-
rocrânio, e possuem 28 ossos. Os ossos do tronco são divididos em coluna vertebral (26 ossos),
costelas (24 ossos), um osso esterno e um osso hioide.
O esqueleto apendicular é composto pelos ossos dos membros superiores e membros in-
feriores. Embora os ossos dos membros superiores e inferiores cumpram funções diferentes,
eles compartilham o mesmo plano estrutural básico, isto é, cada membro é composto de três
segmentos: mãos, antebraços e braços, nos membros superiores; pés, pernas e coxas, nos
membros inferiores.
O esqueleto apendicular permite a realização de grande variedade de movimentos típicos
de um estilo de vida ativo, dinâmico, com capacidade para movimentar e manipular objetos.
Como mencionado, a união dos esqueletos axial e apendicular se faz por meio de cíngulos
ou cinturas. O cíngulo do membro superior, formado pela escápula (e por isso também cha-
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 32
mando de cintura escapular) e pela clavícula, conecta a parte superior do tronco (esqueleto
axial com os membros superiores); e o cíngulo do membro inferior, constituído pelo osso sa-
cro e pelo osso do quadril, une os membros inferiores à porção inferior do tronco. Aqui, vale
ressaltar que o osso sacro pertence ao esqueleto axial, mas também faz parte do cíngulo do
membro inferior ou cintura pélvica.
Sistema articular1.2
A artrologia é o ramo da anatomia que estuda as articulações ou junturas. A raiz arti- (do
grego arthro) signifi ca “junta”. As articulações são as estruturas que unem os elementos rígidos
do esqueleto e possuem duas funções importantes: dar apoio e movimento aos ossos. Esse
movimento é possibilitado pela articulação dos ossos nas junturas e pela contração dos mús-
culos esqueléticos inseridos nos ossos.
As articulações são classifi cadas por estrutura (características anatômicas) e função (tipo
de movimento que possibilitam). A classifi cação estrutural baseia-se no material que une os
ossos e na presença ou ausência de uma cavidade articular, enquanto a classifi cação funcional
centra-se no tipo e na quantidade de movimento permitido.
Articulações fi brosas, cartilagíneas e sinoviais1.2.1
A classifi cação estrutural das articulações é baseada em dois critérios: 1) existência ou não
de espaço entre os ossos integrantes da articulação, chamado de cavidade articular; 2) tipo de
tecido conjuntivo que une os ossos. Logo, podem ser classifi cadas como articulações fi brosas,
cartilagíneas e sinoviais.
Nas articulações fi brosas, não há cavidade articular, e os ossos são mantidos unidos por
tecido conjuntivo denso não modelado e rico em fi bras de colágeno. Evidentemente, a mobi-
lidade nessa articulação é extremamente reduzida, embora o tecido conjuntivo tenha alguma
elasticidade.
Existem três tipos de articulações fi brosas: as suturas, as sindesmoses e as gonfoses (Fig. 9). As
suturas são tipos de articulação ligadas por uma quantidade reduzida de tecido conjuntivo e ocor-
rem apenas nos ossos do crânio. Suas margens são onduladas e apresentam um intertravamento.
Uma particularidade importante desta articulação é que ela mantém os ossos do crânio unidos,
mas também permite seu crescimento ao longo da infância, possibilitando crescimento do encéfa-
lo. A partir da meia idade, esse tecido fi broso ossifi ca e os ossos do crânio se fundem. Nessa fase,
as suturas fechadas passam a ser chamadas de sinostoses – literalmente, “junções ósseas”.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 33
As articulações do tipo sindesmoses (“com ligamento”) têm os ossos conectados por fitas
de tecido fibroso mais longas do que aquelas que ocorrem nas suturas, chamadas de ligamen-
tos. Apresentam maior quantidade de movimento, mas que depende do comprimento dessas
fibras conjuntivas. Se as fibras são curtas, como, por exemplo, da articulação tibiofibular distal,
pouco ou nenhum movimento é permitido. Se não são, como na membrana interóssea entre
o rádio e a ulna, observa-se maior quantidade de movimento.
As gonfoses são articulações mais específicas, encontradas na fixação dos dentes nas cavi-
dades alveolares na mandíbula e maxila. Funciona como um pino se ajustando a um soquete,
com um ligamento curto chamado de periodonto.
Figura 9. Tipos e características das articulações fibrosas. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014. (Adaptado).
Nas articulações cartilagíneas, os ossos que se articulam estão unidos por tecido cartilagi-
noso, não possuem cavidade articular e apresentam mobilidade limitada. Podemos encontrar
dois tipos de articulações cartilaginosas: as sincondroses e sínfises (Fig. 10).
A sincondrose é um tipo articulação em que cartilagem hialina une os ossos a uma sincondro-
se (“junção da cartilagem”). Muitas sincondroses são articulações temporárias, com a cartilagem
sendo substituída por osso com o passar do tempo (isso ocorre em ossos longos e entre alguns
(a) Sutura
A articulação é realizada com fibras de
interconexão curtas e intertravamento das
margens ósseas. Encontrada apenas no crânio.
Linha
de sutura
Tecido conjuntivo
fibroso denso
Fíbula
Cavidade
do processo
alveloar
Raiz do
dente
PeriodontoLigamento
Tíbia
A articulação é realizada por um ligamento. O
tecido fibroso pode variar em comprimento,
porém é mais longo do que nas suturas.
Articulação fibrosa onde um pino se ajusta
a um soquete. O periodonto segura o
dente no alvéolo.
(b) Sindesmose (c) Gonfose
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 34
ossos do crânio). Exemplos deste tipo de articulação são as articulações entre as dez primeiras
costelas e as cartilagens costais e as articulações esfenoetmoidal e intraoccipital anterior.
Na articulação do tipo sínfi se (“crescendo junto”), os ossos são unidos por uma fi brocartilagem
espessa que resiste tanto à tensão quanto à compreensão, dando, portanto, ligeira mobilidade à
articulação. Por serem compressíveis, estes discos permitem que a sínfi se absorva os impactos so-
fridos. Exemplos de sínfi ses são as articulações entre os ossos púbicos e os corpos das vértebras.
Figura 10. Tipos e características das articulações cartilagíneas. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014. (Adaptado).
E, por fi m, as articulações sinoviais (diartrose) apresentam cavidade articular, e seus ossos são
unidos pelo tecido conjuntivo denso não modelado de uma cápsula articular em cujo interior há
presença de um líquido sinovial, viscoso e escorregadio, que favorece a movimentação dos ossos
e,muitas vezes, por ligamentos acessórios. São as articulações mais móveis do corpo. Em alguns
casos, estas articulações podem ser divididas completamente ou não por um disco ou menisco ar-
ticular, cuja periferia se mantém contínua com a cápsula fi brosa, enquanto suas faces livres estão
cobertas por membrana sinovial (Fig. 11).
(a) Sincondroses
(b) Sínfi ses
Cartilagem epifi sial
(articulação temporária
de cartilagem hialina)
Ossos unidos por cartilagem hialina
Ossos unidos por fi brocartilagem
Corpo da vértebra
Sínfi se púbica
Disco invertebral fi brocartilagíneo
(interposto entre cartilagem hialina)
Esterno (manúbrio)
Articulação entre a
primeira costela e
o esterno (imóvel)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 35
Figura 11. Articulação sinovial. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014. (Adaptado).
A maioria das articulações do nosso corpo apresentam-se do tipo sinovial, principalmente dos
membros superiores e inferiores.
Classifi cação funcional das articulações sinoviais1.2.2
O movimento das articulações depende do formato das superfícies ósseas, de como entram
em contato e dos elementos que podem limitá-lo. Dessa forma, entende-se que os movimen-
tos podem ser realizados em torno de um, dois ou três eixos. Funcionalmente, dividem-se as
articulações sinoviais em:
- Monoaxial ou uniaxial: o movimento ocorre em torno de um único eixo ou que possui um só
grau de liberdade. Por exemplo, articulações que só permitem a fl exão e extensão, como o cotovelo.
- Biaxial: o movimento pode ocorrer em torno de dois eixos. Sendo assim, a articulação
permite movimento ao longo dos planos frontal e sagital, tal como a articulação radiocarpal
que realiza extensão, fl exão, abdução e adução.
Ligamento
Cavidade articular (contém sinóvia)
Cavidade articular (hialina)
Membrana fi brosa Cápsula articular
Membrana sinovial
Periósteo
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 36
- Triaxial: o movimento pode ocorrer em torno de todos os três eixos e ao longo de to-
dos os três planos do corpo: frontal, sagital e transversal. As articulações do ombro e do
quadril são exemplos de articulações que realizam fl exão e extensão, abdução e adução e,
ainda, rotações.
PAUSA PARA REFLETIR
O que aconteceria com o esqueleto e o movimento se todas as articulações fossem triaxiais, ou
seja, permitissem movimento em torno de todos os três eixos?
Classifi cação funcional das articulações sinoviais1.2.3
Com base em seu formato, as articulações sinoviais são morfologicamente classifi cadas
como planas, gínglimos, trocoidas, condilares, selares e esferoides.
- Planas: as superfícies articulares são planas ou ligeiramente curvas, ocorrendo o desliza-
mento de uma superfície sobre a outra. As articulações dos ossos carpais e tarsais são exem-
plos da presença de pequenos deslizamentos. A articulação sacroilíaca também apresenta
articulação do tipo plana.
- Gínglimos ou “em dobradiça”: o nome refere-se mais ao tipo de movimento que reali-
za, de extensão e fl exão. O principal exemplo é a articulação do cotovelo, mostrando como a
superfície articular do úmero, que entra em contato com a ulna, apresenta-se em forma de
carretel. São articulações uniaxiais.
- Trocoides ou “pivô”: neste tipo, as superfícies articulares são cilíndricas; a articulação é
formada por um processo em forma de pivô, onde um osso desliza sofre o outro fi xo. Exem-
plos são as articulações radioulnar e atlantoaxial. São articulações uniaxiais.
- Condilares: movimento entre uma superfície articular ovoide ou condilar onde se en-
caixa em uma cavidade elíptica. Movimenta-se em fl exão, extensão, adução, abdução e
circundução. Exemplo: articulações atlanto-occiptal e entre o punho e o carpo. São articu-
lações biaxiais.
- Selares: relacionamento de extremidades de igual curvatura, permitindo movimentar-se
em fl exão, extensão, adução, abdução e circundução. Exemplo: articulação carpometacarpal
do polegar. São articulações biaxiais.
- Esferoides: é uma forma de articulação na qual o osso distal é capaz de movimentar-se em
torno de vários eixos, que têm um centro comum. Exemplos: articulações do quadril e ombro.
São articulações triaxiais.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 37
CURIOSIDADE:
A artroscopia é o método de escolha para diagnosticar as lesões das articulações,
sendo mais efi ciente do que a radiografi a.
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Sistema muscular1.3
O sistema muscular, elemento importan-
te do aparelho locomotor, tem como com-
ponente fundamental o tecido muscular ou
músculo. A área da anatomia que estuda os
músculos é chamada de miologia.
Os músculos são estruturas anatômicas de
formas e comprimentos variáveis, que con-
têm miofi lamentos e que se inserem aos os-
sos por meio de tendões. Os músculos são os
elementos ativos do movimento e são carac-
terizados pela contração (capacidade de dimi-
nuir o comprimento) e relaxamento, que movimentam partes do corpo, inclusive os órgãos
internos. A contração muscular é produzida pela ação da actina e miosina presente no tecido.
Os músculos representam cerca de 40% a 50% do peso corporal total, e são capazes de trans-
formar energia química em energia mecânica.
Existem três tipos de tecido muscular: músculo liso ou não estriado, músculo estriado
esquelético e músculo estriado cardíaco. Essa classifi cação decorre do tipo de controle exer-
cido sobre suas ações, trazendo também outra forma de os classifi car em músculos voluntá-
rios e músculos involuntários.
De forma sintetizada, podemos afi rmar que os músculos voluntários recebem essa classi-
fi cação pois suas contrações estão normalmente sob controle consciente do indivíduo que as
executa, mesmo que não tome consciência disso o tempo inteiro. Por exemplo, os músculos
de controle postural são voluntários, mas, usualmente, um indivíduo não pensa na contra-
ção dos músculos envolvidos na manutenção da postura, não é mesmo? Esses músculos são
controlados pelo sistema nervoso somático.
Por outro lado, nos músculos involuntários, as contrações não estão sob controle cons-
ciente do indivíduo. De fato, as pessoas não têm domínio sobre suas contrações, mesmo que
quisessem. Estes músculos são controlados pela porção do sistema nervoso autônomo.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 38
Tipos de músculos1.3.1
Como dito anteriormente, existem três tipos de músculos: liso ou não estriado, estriado
esquelético e estriado cardíaco (Fig. 12).
Figura 12. Tipos de tecido muscular. Fonte: MOORE; ARTHUR; AGUR, 2010. (Adaptado).
O músculo liso tem como característica células que não apresentam as estriações que
são microscopicamente visíveis nas células musculares esqueléticas. Possui células alonga-
das, com extremidades afi ladas com núcleos localizados no seu centro. São músculos encon-
trados nas paredes das vísceras ocas e tubulares, como nos vasos sanguíneos, estômago,
intestinos, útero e, por isso, também chamados de músculos viscerais. O músculo liso é um
músculo involuntário, e suas contrações comandam o movimento de materiais através dos
sistemas de órgãos do corpo humano.
O músculo esquelético caracteriza-se por geralmente estar fi xado aos ossos, por cordões fi -
brosos denominados tendões. Possuem células na forma de cilindros grandes que contêm muitos
Músculo esqueléticoMúsculo liso
Músculo cardíaco
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 39
núcleos, além da aparência estriada ou listrada evidente, refl etindo um arranjo altamente orga-
nizado dos seus miofi lamentos. As contrações deste músculo esquelético tracionam os ossos e
provocam os movimentos corporais, sendo responsável por diversas atividades, como levantar
objetos e andar ou correr. Os músculos esqueléticos são os únicos músculos voluntários do corpo.
O músculo cardíaco, assim como as células musculares esqueléticas, também é estria-
do. No entanto, elas têm duas diferenças. Cada célula cardíaca possui apenas um núcleo e
as células cardíacas ramifi cam e unem-se em junções celulares especiais chamadas discos
intercalados. É um tipo especializado de músculo que forma a parede do coração e pode ser
também chamado de miocárdio; controla os batimentos cardíacos; é involuntário.
Funções dos músculos esqueléticos1.3.2
O músculo esquelético é o elemento ativo do movimento. Possui a função elementar de co-
nectar-se ao esqueleto e movimentar o corpo ao mover os ossos. Suas principais funções são:
- Produção dos movimentos corporais: movimentos globais do corpo, como andar e correr.
- Estabilização das posições corporais: a contração dos músculos esqueléticos estabiliza as
articulações e participa da manutenção das posições corporais, como fi car em pé ou sentar-se.
- Regulação do volume dos órgãos: a contração sustentada das faixas anelares dos mús-
culos lisos (esfíncteres) pode impedir a saída do conteúdo de um órgão oco.
- Movimento de substâncias dentro do corpo: atuam abrindo e fechando passagens
do corpo, por exemplo, o tecido muscular em volta da boca e dos olhos abre e fecha esses
orifícios corporais. As fi bras musculares na íris do olho contraem e relaxam para mudar o
diâmetro da pupila.
- Produção de calor: quando o tecido muscular se contrai, ele produz calor e grande parte
desse calor liberado pelo músculo é usado na manutenção da temperatura corporal (37°C).
Essa função é clara quando nos exercitamos: o excesso de calor gerado durante o exercício
estimula a sudorese para nos resfriar.
Estrutura geral dos músculos esqueléticos1.3.3
O tecido muscular esquelético compõe os músculos esqueléticos, que são órgãos indivi-
duais que se conectam ao esqueleto e o movimentam. As células musculares do tecido muscu-
lar esquelético representam o músculo estriado, que possui estrias escuras e claras que a cor-
tam transversalmente. As alongadas e cilíndricas células musculares esqueléticas constituem
as fi bras musculares. A Fig. 13 ilustra os componentes estruturais do músculo esquelético.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 40
Estrutura e nível organizacional Descrição
Envoltórios de tecido conjuntivo
Fibra muscular é uma célula multinu-
cleada alongada - ela possui aparência
estriada.
Circundado pelo endomísio
Fibra muscular (célula)
Núcleo
Parte da fi bra muscular Miofi brila
Endomísio
Sarcolema
Estrutura e nível organizacional Descrição
Envoltórios de tecido conjuntivo
Fascículo é um feixe individual de células
musculares, separadas do restante do
músculo por uma bainha de tecido con-
juntivo.
Circundado pelo perimísio
Fascículo (uma parte do músculo)
Fibra muscular
Perimísio
Parte do fascículo
Estrutura e nível organizacional Descrição
Envoltórios de tecido conjuntivo
Músculo consiste em centenas e até
milhares de células musculares, além
de envoltórios de tecido conjuntivo, va-
sos sanguíneos e fi bras nervosas.
Envolvido externamente pelo epimísio
Músculo (orgão)
Epimísio
Fascículo
Tendão
Músculo
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 41
Figura 13. Componentes estruturais dos músculos esqueléticos. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014. (Adaptado).
Estrutura e nível organizacional Descrição
As miofi brilas são organelas contráteis
em forma de bastão que ocupam a maior
parte do volume da célula muscular.
Compostas de sarcômeros (arranjados
de forma que a extremidade de um
sarcômero encoste na extremidade do
outro), elas
parecem listradas, sendo que suas listras
adjacentes são alinhadas.
Miofribrila (organela complexa contendo miofi lamentos)
Sarcômero
Estrutura e nível organizacional Descrição
Os miofi lamentos contráteis são de
dois tipos: espesso e fi no. Os fi lamen-
tos espessos contêm
moléculas de miosina; os fi lamentos
fi nos contêm moléculas de actina
(além de outras proteínas).
O deslizamento dos fi lamentos fi nos
ultrapassando os fi lamentos espessos
produz encurtamento muscular.
Os fi lamentos elásticos compostos
de moléculas de titina (não exibidos)
mantêm a organização da banda A e
proporcionam o recuo elástico quando
a contração muscular termina.
Miofi lamento ou fi lamento
Filamento fi no
Moléculas de actina Cabeça da molécula de miosina
Filamento espesso
Estrutura e nível organizacional Descrição
Sarcômero é uma unidade contrátil
composta de miofi lamentos feitos
de proteínas contráteis.
Sarcômero (um segmento de uma miofi bria)
Filamento fi no (actina) Filamento espesso (miosina)
Sarcômero
Os músculos esqueléticos são inervados pela divisão voluntária do sistema nervoso (sistema
nervoso somático) e estão sujeitos ao controle consciente, ou seja, você consegue controlar esse
tecido muscular de acordo com a sua vontade. Corresponde a cerca de 40% do peso corporal.
Existem dois tipos de contração muscular envolvidos na produção do movimento: contra-
ção concêntrica e contração excêntrica.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 42
A contração concêntrica é o tipo mais comum, na qual o músculo se encurta e funciona,
como quando se pega um objeto. A contração excêntrica ocorre quando um músculo gera
força à medida que se alonga.
Na contração concêntrica, o músculo gera força enquanto encurta, ou seja, a contração ocorre à
medida que as cabeças da miosina dos filamentos espessos se conectam aos filamentos finos em
ambas as extremidades do sarcômero e empurram os filamentos finos para o centro do sarcômero
ao girarem para dentro. Depois que uma cabeça da miosina gira em sua “dobradiça”, ela relaxa, volta
a sua posição original, liga-se ao filamento fino mais ao longo do seu comprimento e gira novamente.
Este ciclo, similar ao movimento de uma catraca, repete-se muitas vezes durante uma única contra-
ção. É importante ressaltar que os próprios filamentos espessos e finos não encurtam: o filamento
fino simplesmente desliza sobre o filamento espesso (MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014).
Na contração excêntrica, o músculo gera força enquanto se alonga, sendo essencial para o
movimento controlado e para a resistência à gravidade. O mecanismo da contração excêntrica
é menos compreendido do que o mecanismo da contração concêntrica. Ambos os tipos ocor-
rem durante as flexões. Durante a parte de subida do exercício, as contrações concêntricas nos
músculos peitorais do tórax elevam o tronco do chão. Durante a parte de descida do movimen-
to, esses mesmos músculos contraem-se excentricamente e, ao fazê-lo, resistem à gravidade e
controlam o movimento de descida do tronco. A contração excêntrica ocorre em muitos movi-
mentos que resistem à gravidade: descer escadas, correr ladeira abaixo, apoiar os pés no solo
após um salto são alguns exemplos. Sempre que os músculos agem como um freio, eles estão
se contraindo excentricamente (MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014).
Proposta de Atividade
Agora é a hora de pôr em prática tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um mapa
conceitual destacando as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produzir seu
mapa, considere as leituras básicas e complementares realizadas. Dica: comece com um termo
ou expressão principal. Em seguida, conecte esse termoou expressão a palavras de ligação, para
dar sentido ao texto. Relacione a osteologia, a artrologia e a miologia em um único mapa.
Recapitulando
O estudo do sistema esquelético, ou osteologia, é a parte da Anatomia que estuda os ossos
que são o elemento passivo do sistema locomotor, dando estrutura e sustentação para o cor-
po humano realizar o movimento. É neste sistema que estão inseridos os tendões e ligamentos
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 43
que unem os músculos aos ossos e que viabilizam o movimento. Caso um desses componen-
tes não esteja funcionando adequadamente, como no caso da fratura de um osso, o movimen-
to pode não ocorrer, pelo fato de o músculo não ter sua devida sustentação.
Entretanto, vale lembrar que os ossos, além de constituírem a parte passiva do sistema
locomotor, dando-lhe apoio, também possuem as seguintes funções: hematopoiética (produ-
ção de células sanguíneas), sustentação e manutenção de posição das partes moles do corpo,
proteção de outros sistemas (a caixa craniana acomoda e protege o encéfalo) e depósito de
minerais (principalmente cálcio e fosfato).
O tecido ósseo é um tipo especializado de tecido conjuntivo, composto por células e mate-
rial extracelular calcificado, chamado de matriz óssea. As células que compõem esse tecido
são as células osteoprogenitoras ou osteoides, que dão origem aos osteócitos, que são células
ósseas maduras; os osteoblastos, que são células produtoras da parte orgânica da matriz ós-
sea; e os osteoclastos, que são células gigantes, móveis e fagocitárias de tecido ósseo.
A formação do tecido ósseo, ou ossificação, pode ocorrer por dois processos: ossificação
intramembranosa e ossificação endocrondal. Esta tem como exemplo a calcificação das placas
epifisárias, que ocorre somente após uma determinada idade do sujeito e que permite que ele
ganhe tamanho longitudinal.
Vimos, neste capítulo, que existem várias formas de classificar os ossos. A maneira mais
conhecida é a que considera a forma dos ossos, diferenciando-os conforme sua relação entre
dimensões lineares, tais como comprimento, largura ou espessura.
Já as articulações são as estruturas que unem os elementos rígidos do esqueleto e possuem
duas funções importantes: dar apoio e movimento aos ossos. São classificadas por estrutura
(características anatômicas) e função (tipo de movimento que possibilitam). A classificação es-
trutural baseia-se no material que une os ossos, e na presença ou ausência de uma cavidade
articular, enquanto a classificação funcional centra-se no tipo e na quantidade de movimento
permitido, sendo denominada de monoaxial ou uniaxial e triaxial.
Por fim, estudamos que a miologia envolve o estudo dos músculos, que são os elementos
ativos do movimento, caracterizados pela contração (capacidade de diminuir o comprimento)
e relaxamento, que movimentam partes do corpo, inclusive os órgãos internos.
Existem três tipos de tecido muscular: músculo liso ou não estriado, músculo estriado es-
quelético e músculo estriado cardíaco. Essa classificação decorre do tipo de controle exercido
sobre suas ações, o que evidencia outra forma de classifica-los: em músculos voluntários e
músculos involuntários.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 44
Referências bibliográficas
ANATOMIA ONLINE. Introdução à Osteologia. [s.l.], 29 jan. 2015. Disponível em: <https://www.
anatomiaonline.com/introducao-a-osteologia/>. Acesso em: 05 jul. 2019.
ANDRADE FILHO, E. P. de; PEREIRA, F. C. F. Anatomia geral. Sobral: INTA, 2015.
DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia humana: sistêmica e segmentar. 3. ed. São Paulo:
Atheneu, 2007.
MARIEB, E. M; WILHELM, P. B.; MALLATT, J. Anatomia humana. 7. ed. São Paulo: Pearson Edu-
cation no Brasil, 2014.
MOORE, K. L.; ARTHUR, F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para clínica. 6. ed. Rio de Janei-
ro: Guanabara Koogan, 2010.
SOBOTTA, J. et al. Atlas de anatomia humana. 21. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
TRANSPLANTE de medula óssea. Postado por Drauzio Varella. (12min. 48s.). son. color. port.
Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=79V3FEN6YMc>. Acesso em: 16 jul. 2019.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 45
Objetivo do capítulo
Reconhecer e identifi car os principais
acidentes ósseos presentes no
esqueleto axial.
ACIDENTES ÓSSEOS DA COLUNA
VERTEBRAL
• Vértebras cervicais e torácicas
• Vértebras lombares, sacrais e
coccígeas
• Curvaturas fi siológicas e patológicas
da coluna vertebral
ACIDENTES ÓSSEOS DO CRÂNIO
• Neurocrânio
• Viscerocrânio
ACIDENTES ÓSSEOS DA CAIXA
TORÁCICA
• Esterno
• Costelas
TÓPICOS DE ESTUDO
Por: Débora Driemeyer Wilbert
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 46
A estrutura óssea do corpo humano é ampla, com mais ou menos 206 ossos distribuídos
entre o esqueleto axial e esqueleto apendicular. Conhecer e identifi car cada um desses
ossos é uma tarefa que exige atenção e estudo. Por exemplo, um paciente chega ao con-
sultório com queixa de dor durante a mastigação de alimentos mais consistentes, cefaleia
e dor cervical, principalmente à noite. Após avaliação física, foi identifi cada uma disfun-
ção na ATM (articulação temporomandibular), responsável pela ligação entre o maxilar
inferior (mandíbula) e o osso temporal do crânio. O paciente foi orientado a procurar um
odontólogo, a fi m de avaliar mordida e sinais de bruxismo e indicado para a fi sioterapia.
Diante desse cenário, questiona-se: Qual a importância de saber, conhecer e identifi car os
ossos que compõem o esqueleto axial para a prática clínica?
Contextualizando o cenário
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 47
Acidentes ósseos da coluna vertebral2.1
O esqueleto axial é formado por cerca de 80 ossos, divididos em ossos da cabeça (crânio
e face) e ossos do tronco (coluna vertebral, costelas, esterno e hioide). Neste capítulo, iremos
descrever e identifi car os principais acidentes ósseos presentes no esqueleto axial, começan-
do pela coluna vertebral, que tem como principal função fornecer uma sustentação forte e
fl exível para o corpo, protegendo o conteúdo do sistema nervoso central – medula espinal.
A coluna vertebral é formada por vértebras e articulação entre elas, formando pequenos
espaços laterais denominados forames intervertebrais, onde estão localizados os gânglios
sensitivos e motores dos nervos espinais. Essa estrutura de uma vértebra sobre a outra faz
com que a união dos forames vertebrais forme o canal vertebral, que nada mais é do que um
túnel ósseo que protege a medula espinal, o órgão do sistema nervoso central que dá origem
aos nervos (Fig. 1).
A. Vista anterior B. Vista
lateral
direita
C. Vista
posterior com
as extremidades
vertebrais das
costelas
D. Vista medial da
coluna seccionada
no plano mediano a
partir da esqueda com
costelas, crânio e pelve
Vértebras Dente de C II Atlas (C I)
Áxis (C II)
Processo
espinhoso sobre
vértebra inferior
Processo
espinhoso Dos arcos
vertebrais
Dos arcos
vertebrais
Processo
espinhoso
Canal
vertebral
Lâmina
Lâmina
Pedículo
Pedículo
Forames
intervertebrais
Discos
invertrebrais
Osso do
quadril
Ângulo
lombossacral
12 Torácicas
7 Cervicais
5 Lombares
Sacro
(5 segmentos)
Cóccix
(4 segmentos)
(CI)
(CII) C IC II
C III
C IV
C V
C VI
C VII
T I
T II
T III
T IV
T V
T VI
T VII
T VIII
T IX
T X
T XI
T XII
L I
L II
L III
L IV
L V
S I
S II
S III
S IV
S V
CO I
CO II
CO III
CO IV
Figura 1. Coluna vertebral. Fonte: MOORE, 2010. (Adaptado).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 48
Quadro 1. Terminologia dos acidentes ósseos
Termo Característica
Alvéolo Uma escavação profunda. Exemplo: Alvéolo dentário.
Cabeça Extremidade articular proeminente. Exemplo:Cabeça do rádio.
Canal Passagem tubular. Exemplo: Canal acústico externo.
Côndilo Projeção articular, também arredondada. Exemplo: Côndilo medial do fêmur.
Crista Projeção estreita. Exemplo: Crista ilíaca.
Espinha Processo agudo e fino. Exemplo: Espinha da escápula.
Epicôndilo Projeção acima de um côndilo. Exemplo: Epicôndilo do fêmur.
Face Superfície articular achatada ou pouco profunda. Exemplo: Face poplítea.
Fissura Abertura em fenda estreita. Exemplo: Fissura orbital.
Forame Abertura circular que atravessa o osso. Exemplo: Forames carotídeos
Fossa Depressão rasa. Exemplo: Fossa intertrocantérica.
Fóvea Pequena cavidade ou depressão. Exemplo: Fóvea da cabeça do fêmur
Incisura Depressão em forma de U. Exemplo: Incisura ulnar do rádio.
Processo Proeminência acentuada do osso. Exemplo: Processo mastoide.
Seio Cavidade ou espaço oco. Exemplo: Seio frontal.
Sulco Goteira que acomoda um nervo ou tendão. Exemplo: Sulco intertubercular do úmero.
Trocânter Processo maciço encontrado apenas no fêmur. Exemplo: Trocânter menor do fêmur.
Tubérculo Processo arredondado. Exemplo: Tubérculo maior do úmero.
Tuberosidade Processo áspero, “rugas no osso”. Exemplo: Tuberosidade do rádio.
O ser humano possui um total de 33 vértebras, incluindo nesse número cinco vértebras
fundidas que formam o sacro e quatro coccígeas. A denominação dessas vértebras se dá de
acordo com a zona em que se encontram, divididas em:
• Vértebras cervicais (7 vértebras);
• Vértebras torácicas (12 vértebras);
• Vértebras lombares (5 vértebras);
• Vértebras sacrais (5 vértebras);
• Vértebras coccígeas (4 vértebras).
Vale ressaltar ainda que os acidentes ósseos são relevos, projeções, aberturas e outras
características presentes nos ossos, que lhes conferem particularidades. Esses acidentes
ósseos são alterações normais e esperadas. Dependendo do tipo de acidente, pode haver
uma terminologia própria (Quadro 1).
Fonte: PEREIRA, 2015. (Adaptado).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 49
PAUSA PARA REFLETIR
A coluna vertebral estende-se do crânio até a pelve, possui cerca de 2/5 do peso corporal
total e é composta por tecido conjuntivo e por uma série de ossos, chamados vérte¬bras, os
quais estão sobrepostos em forma de coluna. Dentro dela se encontra a medula espinal, que
faz parte do sistema nervoso central. Qual a importância da coluna vertebral para o sistema
nervoso central?
Vértebras cervicais e torácicas2.1.1
O corpo humano possui sete vértebras cervicais que formam a coluna cervical e são respon-
sáveis pela sustentação do crânio. A primeira vértebra cervical, denominada atlas ou C1, está
ligada ao osso occipital e responde pela sustentação do crânio; a última vértebra cervical, cha-
mada de C7, está acima da primeira vértebra torácica, “T1”. A vértebra C2 também possui uma
denominação própria, é chamada de Áxis. A forma como as vértebras cervicais estão superpos-
tas e articuladas entre si, formando uma curvatura suave, recebe o nome de lordose cervical,
que pode ser percebida, com a observação do perfi l do corpo humano, na região do pescoço.
A primeira e a segunda vértebras cervicais, C1 ou Atlas e C2 ou Áxis, são caracterizadas como atípi-
cas, pois possuem uma confi guração anatômica um pouco diferente das demais vértebras da coluna.
A vértebra C1 ou Atlas recebe esse nome em alusão à fi gura mitológica que carregava o globo
terrestre, pela função de sustentação da cabeça. Sua principal diferença em relação às vértebras
típicas é o fato de não apresentar corpo vertebral, apresentando massas laterais interligadas
pelos arcos anterior e posterior. Sobre as massas laterais, surge a face articular superior que
recebe o nome de Côndilo Occipital. O Processo Transverso apresenta-se lateralmente, onde
observa-se o Forame Transverso (local por onde passa a artéria vertebral). Medialmente, o anel
forma o Forame Vertebral, por onde passa a medula espinal e na sua parte anterior há uma fa-
ceta articular para o dente do Áxis, chamada de Fóvea do Dente. Na face anterior de cada massa
lateral, encontra-se uma face articular inferior que se articula com a face superior da vértebra
subjacente (Figs. 2 e 3).
O Áxis recebe essa denominação por servir de eixo de rotação da C1 ou Atlas com o crânio.
Sua principal característica, que o classifi ca como atípico, é a superfície superior do corpo ver-
tebral projetar-se no Dente do Áxis, com a qual se articula a face posterior do arco anterior do
Atlas. As faces articulares superiores situam-se em cada lado do dente e, sobre elas, giram as
faces inferiores do Atlas. Ao contrário do Atlas, que não possui processo espinhoso, o do Áxis é
bifurcado como as demais vértebras típicas (Fig. 2).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 50
Figura 2. Estrutura das vertebras C1 (Atlas) e C2 (Áxis) – visão superior e póstero-superior. Fonte: NETTER, 2000. (Adaptado).
1 - Processo transverso
2 - Forame vertebral
3 - Forame transverso
4 - Face articular
superior para o
Côndilo Occipital
5 - Face articular
inferior
6 - Face articular
superior para o Atlas
7 - Face articular
inferior 8 - Dente do Áxis
9 - Processo espinhoso
8 - Dente do Áxis
Fóven do dente
1
1
2 6
7
8
5
9
8
4 3
Face articular
para o côndilo occipital
Face articular
para o ligamento transverso
C4
C3
Áxis (C2)
Atlas (C1)
Dente
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 51
As demais vértebras cervicais, da C3 à C6, são consideradas típicas e possuem a mesma con-
fi guração óssea (Fig. 3):
• Corpo da vértebra;
• Forame vertebral em formato triangular;
• Forame transverso;
• Processo transverso;
• Processo espinhoso bifurcado;
• Facetas articulares superiores e inferiores.
1 - Corpo da vértebra1 - Corpo da vértebra
5 - Processo transverso5 - Processo transverso
3 - Forame transverso
3 - Forame transverso
3 - Forame vertebral
2 - Forame vertebral
3 - Processo espinhoso
4 - Processo espinhoso
11
2
2
3
3
4
4
5
5
Figura 3. Vértebras cervicais (C4 e C7) - vista superior. Fonte: NETTER, 2000. (Adaptado).
Lateralmente, observam-se na coluna cervical outros acidentes ósseos característicos (Fig. 4):
• Dente do Áxis;
• Processos espinhosos;
• Massas laterais;
• Forames invertebrais para os nervos espinhais;
• Articulação zigoapofi sária (lateral) e articulação do corpo vertebral (medial);
• Fóveas articulares para a primeira costela.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 52
Processos espinhosos
Massas laterais
C2
C3
C4
C5
C6
C7
T1
Dente do Áxis
Curvatura cervical
Forames
invertebrais para
os nervos espinhais
Articulação
zigoapofi sária
(lateral)
Articulação do corpo
vertebral (medial)
(disco removido)
Fóveas articulares
para primeira costela
Figura 4. Vértebras cervicais – vista lateral direita. Fonte: NETTER, 2000. (Adaptado).
Por fi m, é importante afi rmar que, embora a C7 tenha a maioria das características das
vértebras típicas, também possui aspectos particulares: a possibilidade de não apresentar o
forame transverso; processo espinhoso longo e não bifurcado, facilmente palpável quando
se fl ete a cabeça e que termina em um tubérculo que dá inserção ao ligamento nucal. Por
isso, a vértebra C7 é considerada atípica e é conhecida como vértebra proeminente e serve
de referência na anatomia palpatória para identifi cação das vértebras cervicais.
As vértebras torácicas, por sua vez, localizam-se no centro das costas, abaixo das vérte-
bras cervicais e acima das vértebras lombares. São 12 vértebras, articuladas com as doze
costelas, o que confere menor fl exibilidade à região. A principal função da vértebra torácica
é o suporte do tórax e da metade superior do corpo. Existe uma leve inclinaçãodo tipo cifose
nesta região (Fig. 5).
São vértebras típicas no que diz respeito à estrutura anatômica, mas possuem algumas
características comuns: corpo vertebral maior que o das cervicais, pela maior sustentação de
peso; forame vertebral menor e mais arredondado; processo transverso mais desenvolvido,
mas sem forame transverso; processo espinhoso mais longo, apontando para baixo; e pre-
sença das fóveas costais (articulações sinoviais entre as costelas e as vértebras).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 53
Figura 5. Vértebras torácicas – vista superior e lateral. Fonte: NETTER, 2000. (Adaptado).
Fóvea costal
superior
Processo e face
articular superior
Fóvea costal
transversa
Processo
transverso
Processo
articular inferior
Processo
espinhoso
Fóvea costal inferior
Incisura vertebral inferior
Pedículo
Corpo
Forame vertebral
Fóvea costal superior
Ângulo de face articular
Fóvea costal
transversa
Face articular
superior
Incisura vertebral
superior (forma a
margem inferior do
forame invertebral)
Processo espinhoso
Pedículo
Lâmina
Corpo
Vale ressaltar ainda que é evidente que a primeira vértebra torácica se assemelhe à última
cervical. Da mesma forma, a última vértebra torácica apresenta alguns aspectos encontrados
nas lombares. Essas diferenças, entretanto, não são signifi cativas e não precisam de destaque.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 54
Vértebras lombares, sacrais e coccígeas2.1.2
As vértebras lombares, em número de 5 (L1-L5), compõem a região lombar. Estão localizadas
entre as vértebras torácicas e o sacro. Elas suportam grande parte do peso do indivíduo e, por isso,
estão mais sujeitas ao processo de desgaste ou degeneração. Sua curvatura normal recebe o nome
de lordose, todavia, quando esta se acentua, caracteriza-se como um desvio patológico da coluna.
Essas estruturas são consideradas típicas, tais como as quatro últimas vértebras cervicais e as
torácicas, pois possuem os mesmos elementos das demais vértebras típicas já citadas. Suas ca-
racteristicas são: vértebras volumosas com corpo reniforme (em forma de rim); processos espi-
nhosos curtos, situados horizontalmente aos corpos vertebrais; não apresentam fóveas costais
e forame transverso; e as faces articulares estão situadas em plano antero-posterior, de modo
que articulam quase em plano sagital (Fig. 6).
Figura 6. Vértebras lombares – vista superior e lateral. Fonte: NETTER, 2000. (Adaptado).
Lâmina
Processo espinhoso
Processo mamilar
Processo articular superior
Processo transverso
Corpo vertebral
Forame vertebral
Processo
acessório
Pedículo
Proc. acessório
Arco vertebral
Corpo vertebral
Fóvea costal
Processo articular
inferior
Processo articular
superior
Proc. espinhoso
Processo mamilar
*
Arco vertebral
Corpo vertebral
Processo articular
inferior
Proc. espinhoso
Processo mamilar
*
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 55
As vértebras sacrais e coccígeas são distin-
tas das demais, pois, de modo geral, apresen-
tam-se fundidas. Isto é, no indivíduo adulto,
o sacro é formado pela fusão das cinco vér-
tebras sacrais, que diminuem de tamanho
no sentido craniocaudal, formando um osso
único na forma triangular com concavidade
anterior. Sua parte superior se conecta com a
última vértebra lombar, e sua parte inferior com o osso da cauda ou cóccix.
No sacro, as três primeiras vértebras sacrais têm processos transversos que, juntos, for-
mam asas laterais largas. Como parte da cintura pélvica, o sacro forma as costas da pelve e
forma também articulações com o osso do quadril, chamadas articulações sacroilíacas. Além
disso, possui uma série de quatro aberturas de cada lado, através das quais passam os nervos
sacrais e vasos sanguíneos.
Na sua base, encontram-se o promontório e as asas sacrais e, no ápice, a articulação como
cóccix. Estruturalmente, é dividida em duas faces laterais: uma anterior e uma posterior; uma
base e um ápice (Fig. 7).
As faces laterais, ou faces auriculares, servem de ponto de articulação com o osso do qua-
dril (ilíaco) e são o principal acidente encontrado nessa região.
A face anterior (ilíaca) tem formato côncavo e possui quatro cristas transversais, corres-
pondentes aos discos intervertebrais e quatro forames sacrais.
A face posterior (dorsal) tem formato convexo. Seus principais acidentes ósseos são: crista
sacral mediana, com três ou quatro processos espinhosos; crista sacral lateral, com tubércu-
los decorrentes da fusão dos processos transversos; crista sacral intermédia, com tubérculos
decorrentes da junção dos processos articulares; forames sacrais posteriores, situados late-
ralmente à crista intermédia; hiato sacral, que é uma abertura formada pela separação das
lâminas da quinta vértebra sacral com a linha mediana posterior; e os cornos sacrais, que são
os tubérculos que representam processos articulares posteriores da quinta vértebra sacral.
• Base:
• Promontório;
• Assas sacrais;
• Processos articulares superiores direito e esquerdo – que se articulam com a quinta
vértebra lombar;
• Canal sacral – canal vertebral do sacro.
• Ápice – articula-se com o cóccix.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 56
Parte lateral
Promontório
Cristas (linhas)
transversas
Cóccix
Forames sacrais anteriores
(pélvicos)
Parte sacral da
margem pélvica
(linha terminal)
Asa
Processo articular superior
Base do sacro
Ápice do sacro
Processo
transverso
do cóccix
Superfície articular
lombossacra
Superfície
auricular
Crista sacral
lateral
Crista sacral
mediana
Crista sacral
intermédia
Hiato
sacral
Corno sacral
Forames sacrais
posteriores
(dorsais)
Faces dos processos articulares superiores
Corno coccígeo
Processo
transverso
do cóccix
Tuberosidade
sacral
Processo articular superior
Canal sacral
Hiato sacral
Superfície dorsal
Superfície pélvica
Figura 7. Sacro e cóccix – vista anterior, posterior e lateral. Fonte: NETTER, 2000. (Adaptado).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 57
CURIOSIDADE:
Na Osteopatia, o sacro é considerado uma região extremamente importante em
vista de sua função estrutural. O crânio e o sacro formam uma unidade ligada
pelo tubo neural, logo, as alterações e adaptações de um repercutem diretamente
no outro.
vista de sua função estrutural. O crânio e o sacro formam uma unidade ligada
Na Osteopatia, o sacro é considerado uma região extremamente importante em
vista de sua função estrutural. O crânio e o sacro formam uma unidade ligada vista de sua função estrutural. O crânio e o sacro formam uma unidade ligada
pelo tubo neural, logo, as alterações e adaptações de um repercutem diretamente
Na Osteopatia, o sacro é considerado uma região extremamente importante em
vista de sua função estrutural. O crânio e o sacro formam uma unidade ligada
Na Osteopatia, o sacro é considerado uma região extremamente importante em
vista de sua função estrutural. O crânio e o sacro formam uma unidade ligada
pelo tubo neural, logo, as alterações e adaptações de um repercutem diretamente
Na Osteopatia, o sacro é considerado uma região extremamente importante em
vista de sua função estrutural. O crânio e o sacro formam uma unidade ligada
Por fi m, o cóccix é um osso pequeno, localizado na parte inferior da coluna, em forma de
triângulo, formado pela fusão das quatro vértebras coccígeas. A vértebra superior se articula
com o sacro na região de ápice. Na parte posterior, identifi cam-se duas saliências verticais
denominadas pequenos cornos do cóccix e, lateralmente, dois prolongamentos denominados
grandes cornos do cóccix.
As principais funções do cóccix envolvem a fi xação de vários músculospélvicos na sua es-
trutura, formando o diafragma pélvico. Esse diafragma pélvico mantém fi xos muitos órgãos da
cavidade abdominal, além de auxiliar no controle de eliminação de dejetos do organismo pelo
intestino reto.
Os acidentes ósseos apresentados pelo cóccix são: cornos coccígeos, processos transversos
rudimentares e processos articulares rudimentares (Fig. 8).
Figura 8. Cóccix – vista anterior e posterior. Fonte: NETTER, 2000. (Adaptado).
Cóccix
Corno coccígeo
Processo
transverso
do cóccix
Processo
transverso do
cóccix
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 58
Curvaturas fi siológicas e patológicas da coluna vertebral2.1.3
No nascimento, a coluna vertebral apresen-
ta uma única curva, convexa posteriormen-
te, fato decorrente do período embrionário.
Após o nascimento, com o desenvolvimento
físico e motor, a coluna vai se moldando e
adquirindo curvaturas normais na região do
pescoço (lordose cervical), do tórax (cifose to-
rácica), da cintura (lordose lombar) e da bacia
(cifose sacrococcígea), que lhe dão a forma de
um S. Essas curvaturas resultam do processo
fi siológico do corpo às posições adotadas nas
diferentes fases do desenvolvimento físico e
motor, ou seja, surgem de forma espontânea
em indivíduos típicos (normais) e atuam como
um sistema de molas, auxiliando na manutenção do equilíbrio do corpo e na distribuição do
peso e impacto, principalmente nas posições bípede ou sentada.
CURIOSIDADE:
A partir da elevação da cabeça da criança na posição prona e aquisição da habili-
dade de sentar-se, a coluna cervical vai adquirindo formato convexo, formando a
lordose cervical (cifose). Com a evolução, quando o ser humano assume postura
ereta e deambulação, as vértebras lombares formam uma convexidade anterior,
denominada lordose. Somente após os dez anos de idade as curvas fi siológicas
serão iguais às do adulto, com três curvaturas principais: a lordose cervical, a ci-
fose torácica e a lordose lombar.
lordose cervical (cifose). Com a evolução, quando o ser humano assume postura lordose cervical (cifose). Com a evolução, quando o ser humano assume postura
A partir da elevação da cabeça da criança na posição prona e aquisição da habili-
dade de sentar-se, a coluna cervical vai adquirindo formato convexo, formando a
lordose cervical (cifose). Com a evolução, quando o ser humano assume postura
ereta e deambulação, as vértebras lombares formam uma convexidade anterior,
denominada lordose. Somente após os dez anos de idade as curvas fi siológicas
serão iguais às do adulto, com três curvaturas principais: a lordose cervical, a ci-
dade de sentar-se, a coluna cervical vai adquirindo formato convexo, formando a
lordose cervical (cifose). Com a evolução, quando o ser humano assume postura
ereta e deambulação, as vértebras lombares formam uma convexidade anterior,
dade de sentar-se, a coluna cervical vai adquirindo formato convexo, formando a
lordose cervical (cifose). Com a evolução, quando o ser humano assume postura
ereta e deambulação, as vértebras lombares formam uma convexidade anterior,
denominada lordose. Somente após os dez anos de idade as curvas fi siológicas
dade de sentar-se, a coluna cervical vai adquirindo formato convexo, formando a
lordose cervical (cifose). Com a evolução, quando o ser humano assume postura lordose cervical (cifose). Com a evolução, quando o ser humano assume postura
A visualização da coluna humana, lateralmente, permite a caracterização de quatro curvatu-
ras consideradas normais ou fi siológicas (Fig. 9):
• Cervical (convexa ventralmente – lordose);
• Torácica (côncava ventralmente – cifose);
• Lombar (convexa ventralmente – lordose);
• Pélvica (côncava ventralmente – cifose).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 59
Figura 9. Curvaturas normais ou fi siológicas da coluna vertebral. Fonte: ANDRADE FILHO; PEREIRA, 2015. (Adaptado).
Atlas (C1)
Áxis (C2)
Cóccix
Sacro
(51-55)
Curvatura lombar
Curvatura torácica
Curvatura cervical
C7
L5
L1
T12
T1
Cóccix
Curvatura lombar
Curvatura torácica
Curvatura cervical
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 60
De modo geral, pode-se usar como parâmetro dos ângulos normais da coluna os seguintes
valores: cifose dorsal: 19° a 33°; lordose lombar: 25° a 42°; e curvatura lombossacra ou Fergu-
son: 45° até 61°.
Os quadros patológicos dessas curvaturas aparecem quando seus ângulos de referências
estão diminuídos ou aumentados, ou seja, suas curvaturas estão maiores ou menores, trazen-
do comprometimento para o alinhamento da coluna e consequente prejuízo a suas funções. É
importante lembrar que qualquer desvio em uma das regiões da coluna vertebral pode acar-
retar desvios ou alterações em outros segmentos.
As principais alterações na curvatura normal são (Fig. 10):
• Cifose ou hipercifose: alteração na qual os ombros, pescoço e cabeça encontram-se proje-
tados para frente, formando uma protuberância posterior, popularmente chamada de corcunda.
• Lordose ou hiperlordose: aumento anterior da curvatura lombar, projetando o abdômen
para frente (barriga mais saliente) e glúteos destacados.
• Escoliose: Alteração observada com a pessoa de costas. Identifica-se um desvio da coluna
para um dos lados do tronco, ou seja, a coluna adquire curvatura em C ou S para os lados. Essa
deformidade normalmente está relacionada à rotação das vértebras.
Normal Normal Cifose Lordose RetificaçãoEscoliose
Figura 10. Desvios posturais da coluna vertebral. Fonte: Shutterstock. Acesso em 15/08/2019. (Adaptado).
PAUSA PARA REFLETIR
Os desvios posturais podem ter diversas causas: genéticas, posturais ou mesmo idiopáticas.
De modo geral, a má postura, principalmente na infância e na adolescência, potencializa os
desvios posturais. Quais cuidados podem ser tomados para evitar essas alterações?
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 61
Acidentes ósseos da caixa torácica2.2
A caixa torácica é formada pelo osso esterno, localizado medialmente, pelos ossos da cos-
tela, que formam o contorno anterior, lateral e posterior do tronco, e pelas vértebras torácicas,
situadas posteriormente. Essa região, denominada tórax, é a parte mais superior do tronco e
abriga dois órgãos fundamentais para a respiração e circulação: o pulmão e o coração. Assim,
sua estrutura óssea funciona como arcabouço de proteção.
Esterno2.2.1
O esterno é um osso único, que tem forma achatada e plana, localizado na parede anterior
do tórax. A partir dele, anteriormente, se inserem as costelas por meio das cartilagens costais,
que dão ao tórax a fl exibilidade necessária à respiração. Ele é composto por três partes: manú-
brio; corpo; e processo xifoide (Fig. 11).
Incisura clavicular
Incisura clavicular
Incisura jugular
Incisura costal I
Incisura costal II
Incisura costal III
Incisura costal IV
Incisura costal V
Incisura costal VI
Incisura costal VII
Sínfi se xifoesternal
Proc. xifoide Proc. xifoide
Corpo do esterno
Corpo
do esterno
Sínfi se
manubriosternal
Manúbrio
do esterno
Manúbrio
do esterno Incisura costal I
Incisura costal II
Incisura costal III
Incisura costal IV
Incisura costal V
Incisura costal VI
Incisura costal VII
Figura 11. Esterno – vista anterior e lateral. Fonte: SOBOTA, 2000. (Adaptado).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 62
CURIOSIDADE:
Uma atribuição importante do esterno é a função hematopoiética. Ele participa
ativamente do processo de produção das células sanguíneas.
Uma atribuição importante do esterno é a função hematopoiética. Ele participa Uma atribuição importante do esterno é a função hematopoiética. Ele participa Uma atribuição importante do esterno é a função hematopoiética. Ele participa Uma atribuição importante do esterno é a funçãohematopoiética. Ele participa Uma atribuição importante do esterno é a função hematopoiética. Ele participa Uma atribuição importante do esterno é a função hematopoiética. Ele participa
O manúbrio é a parte superior do esterno e se liga, na sua parte inferior, ao corpo do osso
no ângulo do esterno, que é uma crista transversa saliente e palpável que serve, dentro da
anatomia palpatória, de ponto de referência da junção do esterno com a segunda costela, per-
mitindo a contagem das costelas no indivíduo (Fig. 12).
Figura 12. Esterno – ângulo do esterno. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 15/08/2019. (Adaptado).
CURIOSIDADE:
O ângulo do esterno corresponde ao ponto mais elevado do arco aórtico e é a jun-
ção do manúbrio com o corpo do esterno. Além disso, corresponde à bifurcação
da traqueia nos brônquios principais.
O ângulo do esterno corresponde ao ponto mais elevado do arco aórtico e é a jun-O ângulo do esterno corresponde ao ponto mais elevado do arco aórtico e é a jun-O ângulo do esterno corresponde ao ponto mais elevado do arco aórtico e é a jun-
ção do manúbrio com o corpo do esterno. Além disso, corresponde à bifurcação
O ângulo do esterno corresponde ao ponto mais elevado do arco aórtico e é a jun-
ção do manúbrio com o corpo do esterno. Além disso, corresponde à bifurcação
O ângulo do esterno corresponde ao ponto mais elevado do arco aórtico e é a jun-
ção do manúbrio com o corpo do esterno. Além disso, corresponde à bifurcação
O ângulo do esterno corresponde ao ponto mais elevado do arco aórtico e é a jun-O ângulo do esterno corresponde ao ponto mais elevado do arco aórtico e é a jun-
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 63
Os principais acidentes do esterno são:
• Incisura jugular: parte superior do manúbrio, côncava;
• Incisura clavicular: localizado nos lados da incisura jugular, local de junção com a extremi-
dade medial da clavícula;
• Corpo do esterno: face anterior ou peitoral plana e posterior ou pleural côncava, face supe-
rior que se articula com o manúbrio (articulação manúbrio esternal e face inferior articula-se
com o processo xifoide);
• As margens laterais do corpo do esterno possuem depressões – incisuras costais – para as
cartilagens das 2° a 7° costela. A 8°, 9°e 10° costelas têm cartilagem que as unem em conjunto
com a 7°;
• O processo xifoide tem estrutura fi na e alongada e localiza-se na região mais inferior do
esterno (Fig. 13)
• Abaixo da incisura clavicular, há outra incisura na margem esquerda que recebe a cartila-
gem da primeira costela.
Figura 13. Processo xifoide – parte mais distal do esterno. Fonte: OLIMPIO, 2011. (Adaptado).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 64
Costelas2.2.2
As costelas e cartilagens costais são estruturas fi nas e arqueadas, com formato de semiar-
cos que ligam as 12 vértebras torácicas ao osso esterno. São classifi cas em:
• Sete pares verdadeiras: conectam-se diretamente ao esterno
• Três pares falsas propriamente ditas: conectam-se indiretamente, unindo suas cartila-
gens à 7° costela.
• Dois pares falsas fl utuantes: curtas e sem cartilagem, terminam entre os músculos da
parede anterolateral do abdome.
Excetuando a 1°, 11° e 12° costela, as demais costelas podem ser consideradas típicas, pois
possuem uma cabeça globosa que se articula com a coluna vertebral seguido pelo colo (parte
mais achatada), inclinado póstero-lateralmente e nele se observa o tubérculo costal (articula-
-se com o processo transverso da vértebra). Na sequência do corpo da costela, no ângulo da
costela, o osso curva-se formando um semiarco e acompanhando a superfície da parede torá-
cica. Na sua outra ponta, observa-se a articulação costocondral, que direta ou indiretamente
se articula com o esterno (Fig. 14).
Ângulo
Sulco costal
Tubérculo Colo Cabeça
Face articular superior
para o corpo vertebral
Face articular inferior para
o corpo vertebral
Face articular para o
processo transverso
Figura 14. Costela típica. Fonte: NETTER, 2000. (Adaptado).
As 1°, 11° e 12° costelas são consideradas atípicas porque possuem características especiais:
a 1ª é mais curta e possui um arco fechado que limita a abertura superior do tórax. As 11° e 12°
costelas são mais básicas e terminam entre músculos da parede abdominal.
A palpação da 1° costela pode ser feita deslizando-se o dedo indicador acima e atrás da
clavícula. A 2° costela pode ser identifi cada deslizando-se lateralmente o dedo, após localizar o
ângulo esternal (Fig. 14). A palpação das estruturas ósseas depende do conhecimento das es-
truturas anatômicas e da prática clínica e é fundamental para uma prática clínica de excelência.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 65
Acidentes ósseos do crânio2.3
O crânio forma uma caixa óssea que tem como fi nalidade abrigar e proteger o encéfalo e é
didaticamente dividido em duas estruturas: o neurocrânico e o viscerocrânio (ou esqueleto da
face). O neurocrânio é maior, localiza-se na região superior e posterior e envolve o encéfalo. O
viscerocrânio é menor, localizado na região inferior e anterior e relaciona-se com dois impor-
tantes sistemas viscerais: digestório e respiratório.
A caixa craniana é formada por 22 ossos, sendo 8 do neurocrânio e 14 do viscerocrânio (Qua-
dro 2). Desses, apenas a mandíbula é móvel, conectada às demais por uma articulação sinovial.
Os outros 21 ossos se unem por articulações praticamente imóveis (a maioria do tipo sutura).
Quadro 2. Ossos do crânio
Neurocrânio (8 ossos) Viscerocrânio (14 ossos)
01 Frontal 01 Mandíbula
01 Occipital 01 Vômer
01 Esfenoide 02 Zigomático
01 Etmoide 02 Maxila
02 Temporal 02 Palatino
02 Parietal 02 Nasal
02 Lacrimal
02 Concha nasal inferior
Fonte: DANGELO; FATTINI, 2007. (Adaptado).
Mas, de qualquer forma, esses ossos formam uma estrutura única conectada entre si (Fig. 15).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 66
Estruturas do crânio
Mandíbula
Osso
etmoide
Osso
zigomático
Temporal
boneOsso temporal
Osso occiptal
Osso parietal
Osso parietal
Osso frontal
Osso esfenoide
Maxilar
Osso
nasal
Osso
nasal
Maxillar
Figura 15. Ossos do neurocrânio e viscerocrânio. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 08/08/2019. (Adaptado).
Neurocrânio2.3.1
Basicamente, os ossos do neurocrânio envolvem o cérebro, as meninges, as partes proximais
dos nervos cranianos e os vasos sanguíneos.
Os oito ossos são divididos entre calvário (calota em forma de abóboda no topo da cabeça) e
um assoalho ou base. Cada uma deles é constituído por quatro ossos:
• Calvário (calota):
• Frontal;
• Parietal direito;
• Parietal esquerdo;
• Occipital.
• Base:
• Temporal direito;
• Temporal esquerdo;
• Esfenóide;
• Etmoide.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 67
Quadro 3. Ossos do neurocrânio
Ossos do
Neurocrânio Características
Frontal
Este é um osso largo e achatodo, localizado para frente e para
cima. Apresenta uma porção vertical (escama) e uma horizontal
(tetos das cavidades orbitais e nasais).
Articula-se com 12 ossos: esfenoide, etmoide, parietais (2),
nasais (2), maxilares (2), lacrimais (2) e zigomáticos (2).
Parietal É um osso par, achatado, responsável por formar o teto do crânio. Possui duas faces, quatro bordas e quatro ângulos.
Occipital
Osso com grande perfuração oval responsável por permitir a
comunicação do cérebro com o canal vertebral.
Articula-se com seis ossos: parietais (2), temporais (2),
esfenoide e atlas.
Temporal
Osso par que possui em seu interior o aparelho auditivo.
Articula-se com cinco ossos: occipital, parietal, zigomático,
esfenoide e mandíbula.
Esfenoide Osso único e irregular, localizado na base do crânio antes dos temporais e da porção basilar do osso occipital.
Etmoide
É um osso leve, esponjoso e irregular localizado na parte ante-rior do crânio.
Articula-se com 13 ossos: frontal (1), esfenoide (1), nasais (2),
lacrimais (2), maxilares (2), palatinos (2), conchas nasais
inferiores (2) e o vômer (1).
Viscerocrânio2.3.2
O viscerocrânio é a parte menor dos ossos do crânio, localizada na região inferior e anterior.
Seus ossos estão relacionados com o sistema respiratório, o digestório e o sensorial. É com-
posto por 14 ossos, conforme descrição no Quadro 4.
Fonte: DANGELLO; FATTINI, 2017. (Adaptado).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 68
Fonte: DANGELLO; FATTINI, 20017. (Adaptado).
Quadro 4. Ossos do viscerocrânio
Ossos do
Viscerocrânio Características
Lacrimal
É um osso par onde se localiza o saco lacrimal. Tem como função susten-
tar o conteúdo da órbita. Ele é cercado anteriormente pela maxila, supe-
riormente pelo osso frontal e posteriormente pelo osso etmoide.
Vômer
Osso ímpar, compõe o septo nasal, separando a cavidade nasal em dois
lados. O vômer forma a porção póstero-inferior do septo, entre a placa
perpendicular do osso etmoide (ântero-superiormente) e o osso palatino
(póstero-inferiormente).
Maxila
É o osso par, considerado o maior da face e também possui a maior parte
do tecido muscular, tornando-o responsável pelas expressões faciais.
Assim como os ossos nasais, ele também se conecta a todos os ossos da
órbita (exceto o osso frontal).
Nasal
Localizado na face, esse osso par faz o contorno inicial do nariz, delimi-
tando a região conhecida como glabela. Os ossos nasais se encontram
na linha média, com o osso frontal (sutura frontonasal) e com a maxila
(suturas nasomaxilares).
Palatino É um osso par, com formato em L, entre a maxila e o osso esfenoide. For-ma a porção posterior do palato duro e o assoalho da cavidade nasal.
Zigomático
É o osso par que liga o neurocrânio e o viscerocrânio. É ele que forma as
proeminências laterais da face (chamadas maçãs do rosto). Se conecta ao
osso frontal, ao osso esfenóide e à maxila.
Mandíbula
É um osso único, que delimita o queixo e a parte inferior da face. Age nos
movimentos da boca (abertura, mastigação e fala) e contém os dentes do
arco dentário mandibular.
Concha nasal
inferior Osso par, localizado na parede lateral da cavidade nasal.
CURIOSIDADE:
A fenda palativa é uma má formação do osso palatino.
Proposta de Atividade
Agora é a hora de pôr em prática tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Faça um resumo
das fi guras anatômicas e das estruturas discutidas ao longo do capítulo e indique o nome dos
ossos e principais acidentes ósseos mencionados.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 69
Recapitulando
Ao longo do capítulo, vimos que o esqueleto axial é formado por cerca de 80 ossos divididos
em ossos da cabeça (crânio e face) e ossos do tronco (coluna vertebral, costelas, esterno e hioi-
de). Já a coluna vertebral é formada pelas vértebras e a articulação entre elas, e a sobreposição
destas vértebras faz com que a união dos forames vertebrais forme o canal vertebral, que
nada mais é do que um túnel ósseo que protege a medula espinal, órgão do sistema nervoso
central que dá origem aos nervos. Conhecer e identificar esses ossos permite ao profissional
da saúde entender a biomecânica do corpo e, com isso, elaborar alternativas de tratamento
para as disfunções de forma mais global e eficaz.
Vimos que ser humano típico possui um total de 33 vértebras classificadas por região: Vérte-
bras cervicais (sete vértebras); vértebras torácicas (12 vértebras); vértebras lombares (cinco vér-
tebras); vértebras sacrais (cinco vértebras) e vértebras coccígeas (quatro vértebras). A estrutura
formada pela sobreposição das vertebras recebe o nome de coluna vertebral. Dentro dela, en-
contra-se a medula espinal que faz parte do sistema nervoso central. A coluna vertebral funciona
como um arcabouço ósseo que protege a medula e mantém sua integridade funcional.
Os acidentes ósseos são relevos, projeções, aberturas e outras características presentes nos ossos,
que lhes conferem particularidades. Esses acidentes ósseos são alterações normais e esperadas.
Após o nascimento, a coluna passa a apresentar curvaturas normais ou fisiológicas na re-
gião do pescoço (lordose cervical), do tórax (cifose torácica), da cintura (lordose lombar) e da
bacia (cifose sacrococcígea), que lhe conferem o aspecto de um S. Essas curvaturas são con-
sideradas normais e atuam como um sistema de molas, fundamental não só para manter o
equilíbrio, mas também para aliviar o impacto e a sobrecarga que a ação da gravidade exerce
sobre o corpo humano nas posições em pé e sentada. Numa vista lateral, a coluna apresenta
várias curvaturas consideradas fisiológicas: cervical, torácica, lombar e pélvica. Essas curvatu-
ras começam a ser consideradas patológicas quando há redução ou aumento acentuado de
uma ou mais delas, comprometendo o alinhamento da coluna e prejudicando o bom desem-
penho de suas funções. Os principais desvios de coluna são a cifose ou hipercifose, lordose ou
hiperlordose e escoliose. Cuidados com a postura, sobrepeso, alimentação e mesmo a escolha
dos sapatos podem auxiliar na prevenção desses desvios.
Por último, vimos que o crânio forma uma caixa óssea que tem como finalidade abrigar e prote-
ger o encéfalo. Pode ser dividido em duas grandes partes: o neurocrânio e o viscerocrânio (também
conhecido como esqueleto da face ou somente face). O neurocrânio é maior, localizado na região su-
perior e posterior e, basicamente, envolve o encéfalo; e o viscerocrânio, menor, localizado na região
inferior e anterior relaciona-se com dois importantes sistemas viscerais – digestório e respiratório.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 70
Referências bibliográficas
ANDRADE FILHO, E. P.; PEREIRA, F. C. F. Anatomia Geral. Sobral: INTA, 2015.
DANGELO, J. G.; FATTINI, C. A. Anatomia Humana: sistêmica e segmentar. São Paulo: Atheneu,
2007.
MARIEB, E. M.; WILHELM, P. B.; MALLATT, J. Anatomia Humana. 7. ed. São Paulo: Pearson Edu-
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MOORE, K. L.; ARTHUR, F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para clínica. 6. ed. Rio de Ja-
neiro: Guanabara Koogan, 2010.
NETTER, F. H. Atlas de Anatomia Humana. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000
OLIMPIO, M. Anatomia Palpatória Funcional. Rio de Janeiro: Revinter, 2011.
SOBOTTA, J.; PUTZ, R.; PABST, R.; WERNECK, W. L. Atlas de Anatomia Humana. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2000.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 71
Objetivo do capítulo
Reconhecer e identifi car os principais
acidentes ósseos presentes no
esqueleto apendicular.
ACIDENTES ÓSSEOS DOS MEMBROS
SUPERIORES
• Escápula e clavícula
• Úmero, rádio e ulna
• Carpo, metacarpo e falanges
ACIDENTES ÓSSEOS DOS MEMBROS
INFERIORES
• Ílio, ísquio e púbis
• Fêmur, patela, tíbia e fíbula
• Tarso, metatarso e falanges
LIGAMENTOS E ARTICULAÇÕES DOS
MEMBROS INFERIORES
• Articulação pélvica e do quadril
• Articulação do joelho
• Articulação do tornozelo
LIGAMENTOS E ARTICULAÇÕES DOS
MEMBROS SUPERIORES
• Articulação do ombro
• Articulação do cotovelo
• Articulações do punho e das mãos
TÓPICOS DE ESTUDO
Por: Paulo Heraldo Costa do Valle
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 72
Neste capítulo, vamos estudar em detalhes todos os ossos e as articulações do corpo
humano que fazem parte do membro superior e do membro inferior.
Você vai estudar em detalhes a localização e as principais características de todos os
ossos do membro superior (escápula, clavícula, úmero, rádio, ulna, carpo, metacarpo
e falanges) e do membro inferior (ílio, ísquio, púbis, fêmur, patela, tíbia, fíbula, tarso,
metatarso e falanges).
É importante ressaltar que cada osso e articulação que será estudado é primordial para
o funcionamento harmônico de todo o corpo humano, sendo, portanto, fundamental o
seuconhecimento.
Imagine, por exemplo, que uma senhora possui uma patologia chamada de artrite reu-
matoide e procurou um serviço de fi sioterapia, pois está apresentando muitas dores nas
suas mãos. O que a artrite reumatoide pode provocar às mãos?
Contextualizando o cenário
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 73
Acidentes ósseos dos membros superiores3.1
Neste tópico, vamos estudar em detalhes todos os ossos que fazem parte do membro supe-
rior: escápula, clavícula, úmero, rádio, ulna, carpo, metacarpo e falanges.
Na Fig. 1 e no Quadro 1, você pode observar em detalhes todos os ossos do cíngulo do
membro superior, suas localizações e suas principais características.
Figura 1. Cíngulo do membro superior. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016. (Adaptado).
Articulação acromioclavicular
Clavícula
Escápula
Quadro 1. Ossos do cíngulo do membro superior
Nome e número Localização Principais características
Clavícula (2)
Base anterior do pescoço entre o
esterno e a escápula
Em forma de S, extremidade esternal e acromial,
tubérculo conoide, costoclavicular
Escápula (2)
Superior do dorso, formando a parte
do ombro
Triangular, espinha, fossas subescapular, su-
praespinal e infraespinal, cavidade glenoidal,
processo coracoide, acrômio
Úmero (2) Braço entre a escápula e o cotovelo
Osso mais largo do membro superior, tubérculo
maior e menor, sulco intertubercular, colo ci-
rúrgico, tuberosidade para o músculo deltoide,
capítulo, tróclea, epicôndilos lateral e medial,
fossas coronoide e do olécrano
Ulna (2) Lado medial do antebraço
Incisura troclear, olécrano, processos coronoide
e estiloide, incisura radial
Rádio (2) Lado lateral do antebraço
Cabeça, tuberosidade do rádio, processo estiloi-
de, incisura ulnar
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 74
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
Nome e número Localização Principais características
Carpais (16) Punho
Ossos pequenos dispostos em duas fi las de
quatro ossos cada
Metacarpais (10) Palma da mão
Ossos longos, cada um deles alinhados com um
dedo
Falanges (28) Dedos Três em cada dedo, exceto o polegar com duas
Escápula e clavícula3.1.1
A escápula é um osso plano, grande e triangular que está localizado no lado posterior da
caixa torácica, justaposto à 2ª e à 7ª costelas. A espinha da escápula é uma crista óssea diago-
nal na face posterior protuberante na vista. A espinha vai reforçar a escápula e a deixar mais
resistente (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016).
Figura 2. Escápula. Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
Acrômio
Acrômio
Incisura da
da escápula
Tubérculo
infraglenoidal
Fosa
subescapular
Margem
superior
Margem
medial
Fossa
infraespinal
Margem
superior
Margem
lateral
Ângulo
lateral
Margem
lateral
Processo
coracóide
Processo
coracóide
Cavidade
glenoidal
Ângulo
superior
Fossa
supraespinhal
Espinha da
escápula
Ângulo
Superiormente à espinha, está localizada a fossa supraespinal, enquanto abaixo dela está
a fossa infraespinal. Ela aumenta na direção do ombro, constituindo o acrômio, por onde
se inserem vários músculos e se articula a clavícula (TORTORA; DERRCKSON 2016). Abaixo
do acrômio, existe uma depressão leve, denominada cavidade glenoidal, onde a cabeça do
úmero se encaixa.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 75
O processo coracoide é uma projeção densa, direcionada para cima e localizada superior e
anteriormente à cavidade glenoidal. Na superfície anterior da escápula, existe uma área leve-
mente côncava, denominada fossa subescapular.
ESCLARECIMENTO:
A escápula possui três margens demarcadas por três ângulos. A margem superior
está em cima, a margem medial mais perto da coluna vertebral e a margem lateral
mais próxima do braço (VAN DE GRAAFF, 2003).
A escápula possui três margens demarcadas por três ângulos. A margem superior A escápula possui três margens demarcadas por três ângulos. A margem superior A escápula possui três margens demarcadas por três ângulos. A margem superior
está em cima, a margem medial mais perto da coluna vertebral e a margem lateral
A escápula possui três margens demarcadas por três ângulos. A margem superior A escápula possui três margens demarcadas por três ângulos. A margem superior A escápula possui três margens demarcadas por três ângulos. A margem superior A escápula possui três margens demarcadas por três ângulos. A margem superior A escápula possui três margens demarcadas por três ângulos. A margem superior
está em cima, a margem medial mais perto da coluna vertebral e a margem lateral
A escápula possui três margens demarcadas por três ângulos. A margem superior
está em cima, a margem medial mais perto da coluna vertebral e a margem lateral está em cima, a margem medial mais perto da coluna vertebral e a margem lateral está em cima, a margem medial mais perto da coluna vertebral e a margem lateral está em cima, a margem medial mais perto da coluna vertebral e a margem lateral está em cima, a margem medial mais perto da coluna vertebral e a margem lateral está em cima, a margem medial mais perto da coluna vertebral e a margem lateral
O ângulo superior situa-se entre as margens superior e medial, já o ângulo inferior na con-
vergência das margens medial e lateral, enquanto o ângulo lateral está na convergência das
margens superior e lateral.
A escápula se articula com a cabeça do úmero no ângulo lateral. Ao longo da margem supe-
rior, existe uma depressão denominada incisura da escápula, que dá passagem para o nervo
supraescapular.
A clavícula possui um formato parecido com a letra S, conectando-se ao membro superior
através do esqueleto axial e mantendo a articulação do ombro longe do tronco, garantindo,
assim, uma grande liberdade de movimento (TORTORA; DERRCKSON, 2016).
Figura 3. Clavícula. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016. (Adaptado).
Extremidade
esternal (medial)
CLAVÍCULA DIREITA, VISTA SUPERIOR
Extremidade
esternal
Extremidade
acromial (lateral)
Extremidade
acromial Linha
trapezóidea
Tubérculo
conoide
Impressão
do ligamento
costoclavicular
Posterior
Posterior
Anterior
Anterior
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 76
A articulação esternoclavicular corresponde à articulação medial da extremidade esternal da
clavícula com o manúbrio do esterno, enquanto a extremidade lateral acromial da clavícula se arti-
cula com o acrômio da escápula. Esta articulação recebe o nome de articulação acromioclavicular.
Existem dois processos que servem de fi xação para os ligamentos: o tubérculo conoide, que
está na extremidade acromial da clavícula, e a impressão do ligamento costoclavicular, que
está localizada na superfície inferior da extremidade esternal (VAN DE GRAAFF, 2003).
PAUSA PARA REFLETIR
A clavícula é um dos ossos que mais sofrem fraturas. Por que isso acontece? Quais são os mo-
vimentos que mais podem causar a fratura na clavícula?
Úmero, rádio e ulna3.1.2
O osso mais longo do membro superior é o úmero, que é constituído por uma cabeça pro-
ximal, a qual é articulada com a cavidade glenoidal da escápula, um corpo e, por fi m, uma
extremidade distal que se adapta para se articular com os dois ossos do antebraço (MARIEB;
WILHELM; MALLAT, 2016).
Figura 4. Úmero. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016. (Adaptado).
Tubérculo maior
Sulco do
nervo radial
Cabeça
do úmero
Colo
anatômico
Epicôndilo
medial
Tubérculo menor
Tuberosidade
deltoide
Crista
supraepicondilar
lateral
Crista
supraepicondilar
medial
Fossa do
olécrano
Fossa
coronoidea
Fossa radial
Capítulo
nervo radial
anatômico
Epicôndilo
Tuberosidade
deltoide
supraepicondilar
olécrano
Sulco do
nervo radial
Cabeça
do úmero
anatômico
Epicôndilo
Crista
supraepicondilar
medialcoronoidea
Tubérculo
maior
Colo cirúrgico
Tuberosidade
deltoide
Epicôndilo
lateral
Sulco
intertubecular
Tróclea
(a) Vista anterior (b) Vista posterior
(c) Vista anterior da região do cotovelo
Epicôndilo
medial
Processo
coronoide da ulna
Incisura radial
Ulna
Processo
coronoide da ulna
Incisura radial
Fossa
coronoideaÚmero
Capítulo
Cabeça
do rádio
Tuberosidade
do rádio
Rádio
Tróclea
(d) Vista posterior do cotovelo estendido
Fossa do
olécrano
Epicôndilo
lateral
Cabeça
Colo
RádioUlna
Úmero
Olécrano
Epicôndilo
medial
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 77
Existe um sulco que circunda a margem da cabeça, chamado colo anatômico. Já o colo ci-
rúrgico é um afunilamento que está próximo à cabeça e é um local muito comum de fraturas
(TORTORA; DERRCKSON, 2016).
A protuberância maior é denominada tubérculo maior e localiza-se na parte proximal late-
ral do úmero, enquanto o tubérculo menor está relativamente anterior ao tubérculo maior,
através do sulco intertubercular. Neste sulco, passa o tendão da cabeça longa do músculo
bíceps braquial. Em toda a porção médio-lateral do corpo do úmero, existe uma área rugosa, a
tuberosidade para o músculo deltoide, por onde se insere o músculo em pequenas aberturas
denominadas forames nutrícios.
No côndilo do úmero, mais especifi camente na extremidade distal, existem duas superfícies
articulares que são o capítulo do úmero. A parte lateral arredondada se articula com o rádio; e
tróclea é região mais medial, em formato de polia, a qual se articula com a ulna. Nos dois lados
acima do côndilo, estão localizados os epicôndilos lateral e medial. O medial é maior e ampara
o nervo ulnar, que atravessa posteriormente o sulco do nervo ulnar.
A fossa coronoidea é um abaixamento na face anterior que fi ca acima da tróclea, enquanto
a fossa do olécrano é um abaixamento na parte distal da face posterior. As duas fossas estão
adaptadas para serem articuladas com a ulna no decorrer dos movimentos do antebraço (VAN
DE GRAAFF, 2003).
O rádio é formado por um corpo, cuja extremidade proximal é pequena e a extremidade
distal é grande. A cabeça proximal tem o formado de um disco e se articula com o capítulo do
úmero e também com a incisura radial da ulna (TORTORA, 2016).
Figura 5. Rádio e ulna. Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
Olécrano
Olécrano
Incisura
troclear
Processo coronoide
Tuberosidade
da ulna
Corpo
da ulna
Margem
interóssea
Incisura ulnar
do rádio
Cabeça
da ulna
Incisura radial
da ulna
Cabeça do rádio Cabeça do rádio
Colo do rádio Colo do rádio
Margens
interósseasCorpo
do rádio
Processo
estiloide
do rádio
Processo estiloide
do rádio
Incisura ulnar
do rádio
Processo
estiloide
da ulna
Tuberosidade
do rádio
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 78
Carpo, metacarpo e falanges3.1.3
A mão é constituída por 27 ossos que formam os ossos do carpo, metacarpo e as falanges.
A tuberosidade do rádio, onde o bíceps braquial está inserido, situa-se no lado medial da
diáfi se, logo abaixo da cabeça. Já na estremidade distal do rádio, existe uma superfície dupla-
mente facetada para a articulação com os ossos proximais do carpo.
A extremidade distal do rádio possui um processo estiloide na ponta lateral e uma incisura
ulnar no lado medial, que adere à extremidade distal da ulna.
Os processos estilóides da ulna e do rádio ocasionam uma estabilidade lateral e medial para
a articulação do punho (VAN DE GRAAFF, 2003). A estremidade proximal da ulna está articu-
lada com o úmero e com o rádio. Existe uma depressão chamada incisura troclear, a qual se
articula com a tróclea do úmero. O processo coronóide constitui o lábio anterior da incisura
troclear, enquanto o olécrano constitui a parte posterior (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016). Já
na parte lateral e inferior ao processo coronóide, localiza-se a incisura radial, a qual se articula
com a cabeça do rádio (VAN DE GRAAFF, 2003).
Figura 6. Ossos da mão. Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
I
Falange distal
Falange média
Falange proximal
Falange proximal
Primeiro osso
metacarpal
Trapezoide
Escafóide
Semilunar Pisiforme
Piramidal
Hamato
Capitato
Base
Corpo
Cabeça
Falanges
Ossos
metacarpais
Ossos carpais
Trapézio
Falange distal
II
III
IV
V
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 79
O carpo também é conhecido como punho. Ele é formado por oito ossos carpais, organiza-
dos em duas fi leiras tranversais de quatro ossos cada uma. A fi la proximal do lado lateral para
medial é formada pelos ossos escafóide, semilunar, piramidal e pisiforme, enquanto a parte
distal do lado lateral para o medial é formada pelos ossos trapézio, trapezóide, capitato e ha-
mato. Os ossos escafóide e o semiliunar da fi la proximal se articulam com a extremidade distal
do rádio (VAN DE GRAAFF, 2003).
O metacarpo também é chamado de palma da mão e possui cinco ossos metacarpais. Cada
um é formado por uma base proximal, um corpo e uma cabeça distal, que é arredondada para
a articulação com a base de cada uma das falanges proximais. As cabeças dos ossos metacar-
pais estão situadas distalmente e constituem os nós das articulações de um punho fechado
(VAN DE GRAAFF, 2003).
Existem 14 falanges que formam os ossos dos dedos. Falange é o nome dado para um osso
de um dedo. As falanges estão dispostas em uma fi la proximal, média e uma distal, mas no
polegar não existe a falange média. Os dedos são numerados em uma sequência de I a V, que
se inicia pelo dedo polegar (VAN DE GRAAFF, 2003).
Ligamentos e articulações dos membros superiores3.2
Neste tópico, vamos estudar em detalhes todos os ligamentos que formam as articulações que
fazem parte do membro superior: as articulações sinoviais do ombro, cotovelo, punho e mão.
Articulação do ombro3.2.1
A articulação do ombro também é chamada
de glenoumeral e constitui-se pela cabeça do
úmero e pela cavidade glenoidal da escápula.
É uma articulação do tipo esferóide e apre-
senta uma grande liberdade quanto aos mo-
vimentos do corpo. Existe uma cinta circular
de fi brocartilagem denominada lábio glenoidal
atravessando em volta da margem da articu-
lação do ombro e penetrando na concavidade
da cavidade glenoidal (TORTORA, 2016).
Há uma proteção da articulação do ombro em cima dela através de um arco constituído
pelo acrômio e pelo processo coracóide da escápula e da clavícula.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 80
Ainda que existam dois ligamentos e um retináculo circundando e sustentando a articu-
lação do ombro, boa parte da estabilidade da articulação é procedente dos músculos e dos
tendões que se cruzam. Essa articulação é muito móvel e sua estabilidade se agrava em função
da sua mobilidade.
O ligamento coracoumeral se estende do processo coracóide da escápula ao tubérculo
maior do úmero, sendo que a cápsula articular é reforçada por meio de três feixes ligamenta-
res que são denominados ligamentos glenoumerais. O suporte fi nal da articulação do ombro
é chamado retináculo transverso do úmero: um feixe delicado que é estendido do tubérculo
maior ao tubérculo menor do úmero (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016).
Existem duas bolsas maiores e duas menores que estão conectadas com a articulação do
ombro. As bolsas maiores são chamadas de subdeltoídea e são situadas entre o músculo del-
toide e a cápsula articular, enquanto a bolsa subacromial está situada entre o acrômio e a
cápsula articular.
A bolsa subcoracóidea está situada entre o processo coracóide e a cápsula articular e é
normalmente analisada como uma extensão da bolsa subacromial. Existe uma pequena bolsa
subescapular que está localizada entre o tendão domúsculo subescapular e a cápsula articular
(VAN DE GRAAFF, 2003).
Articulação do cotovelo3.2.2
A articulação do cotovelo é do tipo sinovial
gínglimo e constitui-se por duas articulações:
articulação umeroulnar e articulação umeror-
radial. A articulação umeroulnar é constituída
pela tróclea do úmero e a incisura troclear da
ulna. A articulação umerorradial é constituída
pelo capítulo do úmero e da cabeça do rádio
(MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016).
As duas articulações estão relacionadas
com uma única cápsula articular. No lado
posterior do cotovelo, encontra-se uma gran-
de bolsa do olécrano, que tem a função de lu-
brifi car a região. O ligamento colateral radial
vai fortalecer a cápsula do cotovelo no lado lateral, enquanto o ligamento colateral ulnar vai
reforçar o lado medial (VAN DE GRAAFF, 2003).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 81
Articulações do punho e das mãos3.2.3
A seguir, vamos estudar em detalhes todas as articulações que fazem parte da região do
punho e das mãos, ou seja, as articulações metacarpofalângicas e interfalângicas.
As articulações metacarpofalângicas são articulações do tipo sinoviais condilares (elipsoidea)
e as articulações interfalângicas são do tipo sinoviais gínglimos. Os ossos que estão ligados pelas
articulações metacarpofalângicas são os ossos metacarpais em contato com as falanges proxi-
mais, enquanto as últimas são os ossos adjacentes (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016).
Figura 7. Articulações metacarpofalângicas e interfalângicas. Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
Falange
distal Falange
distal
Ligamento
colateral
Ligamento
colateral
Ligamento
colateral
Ligamento
colateral
Ligamento
colateral
Inserção
do m. fl exor
profundo
do dedos
Inserção
do m. fl exor
superfi cial
do dedos
Ligamento
palmar
Ligamento
palmar
Ligamento
palmar
Ligamento
metacarpal
transverso
profundo
Ligamento
palmar
Falange média
Falange
média
Falange proximal Falange
proximal
Cápsula
articular
Cápsula
articular
Cápsula
articular
Osso
metacarpal
III
Osso
metacapal
III
(a) (b) (c)
Cada articulação, em ambos os tipos, possui três ligamentos. O ligamento palmar atravessa
cada uma das articulações no lado palmar ou anterior da cápsula articular. Cada articulação é for-
mada por dois ligamentos colaterais, sendo um no lado lateral e outro no lado medial, reforçando
a cápsula articular. Não existem ligamentos de suporte no lado posterior (VAN DE GRAAFF, 2003).
Acidentes ósseos dos membros inferiores3.3
Neste tópico, vamos estudar em detalhes todos os ossos que fazem parte do membro in-
ferior, que são o ílio, ísquio, púbis, fêmur, patela, tíbia, fíbula, tarso, metatarso e falanges. Na
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 82
Fig. 8 e no Quadro 2, é possível observar todos os ossos do cíngulo do membro inferior, suas
localizações e as principais características.
Figura 8. Cíngulo do membro inferior – vista anterior. Fonte: MARIEB, 2016. (Adaptado).
Base do sacro
Crista ilíaca
Ílio
Ísquio
Púbis
Sacro
Cóccix
Articulação
sacroilíaca
Espinha ilíaca
anterossuperior
Fossa
ilíaca
Arco
público
Promontório
sacral
Espinha ilíaca
anteroinferior
Osso do
quadril
(ou
osso
coxal)
(a) Cíngulo do membro
inferior
Cavidade
pélvica
Acetábulo
Tubérculo púbico
Crista púbica
Sínfi se púbica
VISTA LATERAL, OSSO DO QUADRIL DIREITO
Ilío
Crista
ilíaca
Tubérculo ilíaco
Espinha ilíaca posterossuperior
Espinha isquiática
Espinha ilíaca posteroinferior
Espinha ilíaca
anteroinferior
Espinha ilíaca
anterossuperior
Linha glútea anterior
ASALinha glútea posterior
Linha glútea inferior
Incisura isquiática maior
Incisura isquiática menor
Túber isquiático
Ramo do ísquio
Ramo inferior do púbis
Corpo do púbis
Acetábulo
Púbis
Ísquio
Corpo do ísquio
Ilío PúbisÍsquio
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 83
Figura 9. Cíngulo do membro inferior – vista lateral e medial. Fonte: MARIEB ; WILHELM; MALLAT, 2016. (Adaptado).
Ilío
VISTA MEDIAL, OSSO DO QUADRIL DIREITO
Crista
ilíaca
Espinha ilíaca anteroinferior
Linha arqueada
Espinha ilíaca
anterossuperior
Incisura isquiática maior
Espinha ilíaca
postoinferior
Espinha ilíaca
postossuperior
Fossa ilíaca
Face auricular
Espinha isquiática
Ramo do ísquio
Forame obturado
Ramo inferior do púbis
Ramo superior do púbis
Tubérculo púbico
Face sinfi sial
Púbis
Ísquio
Ilío PúbisÍsquio
Quadro 2. Ossos do cíngulo do membro inferior
Nome e número Localização Principais características
Quadril (2)
Quadril, parte do cíngulo do mem-
bro inferior, formado pela fusão dos
ossos ílio, ísquio e púbis
Crista ilíaca, acetábulo, espinha ilíaca ântero
superior, incisura isquiática maior do ílio, túber
isquiático, incisura isquiática menor do ísquio,
forame obturado, tubérculo púbico
Fêmur (2)
Ossos da coxa entre o quadril e o
joelho
Cabeça, fóvea da cabeça do fêmur, trocânter
maior e trocânter menor, linha áspera, côndilo
lateral e medial, epicôndilos medial e lateral
Patela (2) Face anterior do fêmur distal Osso sesamoide triangular
Tíbia (2)
Lado medial da perna, entre o joelho
e o tornozelo
Côndilos medial e lateral, eminência intercon-
dilar, tuberosidade da tíbia, margem anterior,
maléolo medial, incisura fi bular
Fíbula (2)
Lado lateral da perna entre o joelho
e o tornozelo
Cabeça, maléolo lateral
Tarsais (14) Tornozelo
Tálus e calcâneo maiores para receber o peso da
perna, cinco outros ossos em forma de cunha
para ajudar a formar os arcos do pé
Metatarsais (10) Planta do pé Ossos longos, cada um em linha com um dedo
Falanges (28) Dedos Três em cada dedo exceto dois no hálux
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 84
Ílio, ísquio e púbis3.3.1
O ílio é osso mais superior dos três ossos e possui uma crista e quatro ângulos ou espi-
nhas, que são considerados importantes pontos para as inserções musculares. A crista ilíaca
constitui uma proeminência do quadril e fi naliza anteriormente junto com a espinha ilíaca ân-
tero-posterior. Logo abaixo da espinha, existe a espinha ilíaca ântero-inferior. A terminação
posterior da crista ilíaca é a espinha, ilíaca póstero-superior e logo abaixo existe a espinha
ilíaca póstero-inferior (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016). Abaixo dessa espinha ilíaca póstero-
-inferior, está localizada a incisura isquiática maior, por onde o nervo isquiático passa. Na face
medial do ílio, está localizada a face auricular por onde o osso sacro é articulado. A fossa ilíaca
é a superfície lisa, côncava na porção anterior do ílio. O músculo ilíaco é originado nesta fossa.
A tuberosidade ilíaca para a fi xação do ligamento sacroilíaco está localizada posteriormente
à fossa ilíaca. As três cristas rugosas estão expostas na face glútea na parte posterior do ílio.
Essas cristas têm a função de fi xar os músculos glúteos às linhas glúteas inferior, anterior e
posterior (VAN DE GRAAFF, 2003).
O cíngulo do membro inferior é constituído pelos dois ossos do quadril, que estão associa-
dos anteriormente pela sínfi se púbica e unidos posteriormente ao sacro na coluna vertebral
(MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016). A pelve é uma estrutura profunda a qual é constituída pe-
los ossos do quadril em conjunto com o sacro e o cóccix.
O cíngulo do membro inferior e os ligamentos associados mantêm e protegem as vísceras
inferiores, até mesmo a bexiga urinária, órgãos genitais internos e, no caso das mulheres ges-
tantes, o feto durante o desenvolvimento (TORTORA; DERRCKSON, 2016).
A pelve é separada em pelve maior e pelve menor. Esses dois componentes estão separa-
dos através da linha terminal, uma margem óssea encurvadaque se estende do promontório
até a margem superior da sínfi se púbica.
A pelve maior corresponde à porção aumentada da pelve, acima da linha terminal. A linha
terminal não divide apenas as duas porções, mas também demarca a abertura superior da pelve
da pelve menor. A circunferência inferior da pelve menor demarca a abertura inferior da pelve.
Cada osso do quadril, na verdade, é constituído por três ossos separados: o ílio, o ísquio e a
púbis; no adulto, esses ossos se fundem (VAN DE GRAAFF, 2003).
Na face lateral do osso do quadril, onde os três ossos se ossifi cam, existe uma grande de-
pressão circular: o acetábulo, que acolhe a cabeça do fêmur. Apesar de cada osso do quadril
ser considerado um osso único no adulto, esses três componentes de cada osso do quadril são
considerados de forma separada.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 85
O ísquio é um osso póstero inferior do osso do quadril e apresenta várias características
diferentes. A espinha isquiática é uma saliência que está imediatamente posterior e inferior à
incisura isquiática maior do ísquio. Inferiormente, à espinha está localizada a incisura isquiáti-
ca menor do ísquio. O túber isquiático é uma proeminência óssea que possibilita a sustentação
do peso do corpo na posição sentada (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016).
Existe no acetábulo uma incisura profunda localizada na porção inferior do acetábulo. O
grande forame obturado é constituído pelo ramo do ísquio, próximo do púbis, e está coberto
pela membrana obturatória, onde são fi xados os vários músculos (VAN DE GRAAFF, 2003).
O púbis é um osso que se posiciona anteriormente ao osso do quadril, formando um ramo
superior e um ramo inferior que sustentam o corpo do púbis. O corpo auxilia a formação da
sínfi se púbica, a articulação entre os dois ossos do quadril. Na extremidade lateral da margem
anterior do corpo, existe o tubérculo púbico, que é um ponto de fi xação para o ligamento in-
guinal (VAN DE GRAAFF, 2003).
Fêmur, patela, tíbia e fíbula3.3.2
O osso mais forte do corpo humano é o fêmur. Trata-se do osso mais longo e mais pesado
quando comparado com os ossos presente no esqueleto.
Figura 10. Fêmur. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016. (Adaptado).
Trocanter maior
Crista intertrocantérica
Epicôndilo lateral
Côndilo lateral
Côndilo medial
Tuberosidade glútea
Linha áspera
Linhas supracondilares
medial e lateral
Fossa intercondilar
Epicôndilo lateral
Vista anterior Vista posterior
Face patelar
Tubérculo
do adutor
Epicôndilo
medial
Linha intertrocantérica
Trocanter menor
Colo
Cabeça
Fóvea da cabeça
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 86
CURIOSIDADE:
Você sabia que todos os ossos do corpo humano estão sempre passando por pro-
cessos de mudança? Em média, a cada 10 anos, toda a estrutura óssea é totalmente
renovada em função de um processo contínuo de remodelamento dinâmico, pelo
qual vão sendo produzidos novos ossos.
cessos de mudança? Em média, a cada 10 anos, toda a estrutura óssea é totalmente
Você sabia que todos os ossos do corpo humano estão sempre passando por pro-
cessos de mudança? Em média, a cada 10 anos, toda a estrutura óssea é totalmente
renovada em função de um processo contínuo de remodelamento dinâmico, pelo
Você sabia que todos os ossos do corpo humano estão sempre passando por pro-
cessos de mudança? Em média, a cada 10 anos, toda a estrutura óssea é totalmente
Você sabia que todos os ossos do corpo humano estão sempre passando por pro-
cessos de mudança? Em média, a cada 10 anos, toda a estrutura óssea é totalmente
renovada em função de um processo contínuo de remodelamento dinâmico, pelo
Você sabia que todos os ossos do corpo humano estão sempre passando por pro-
cessos de mudança? Em média, a cada 10 anos, toda a estrutura óssea é totalmente
A cabeça do fêmur proximal e arredondada se articula com o acetábulo do osso do quadril.
Existe uma escavação rasa rugosa chamada fóvea da cabeça do fêmur, que se localiza abaixo
dela e possibilita o ponto de fi xação para o ligamento da cabeça do fêmur, permitindo que ela
se mantenha no acetábulo. Também permite a entrada de uma artéria na cabeça do fêmur. A
menor região onde ocorre a sustentação da cabeça é denominada colo e é um local comum de
ocorrência de fraturas em idosos (TORTORA; DERRCKSON, 2016).
O corpo do fêmur possui uma curva ligeiramente medial para levar a articulação do joelho
em uma linha com o plano, de gravidade do corpo.
A mulher possui um maior grau de curvatura em função de sua pelve ser mais larga. O
corpo do fêmur possui vários acidentes que são característicos para a fi xação dos músculos.
Na parte proximal lateral do corpo, existe o trocânter maior, enquanto no lado medial existe
o trocânter menor.
No lado anterior entre os trocânteres, está localizado a linha intertrocantérica. No lado
posterior entre os trocânteres, existe uma crista intertrocantérica. A linha áspera é uma cris-
ta vertical rugosa na face posterior do corpo do fêmur (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016). A
extremidade distal do fêmur é aumentada na articulação com a tíbia. Os côndilos medial e
lateral são processos articulares para essa articulação. A fossa intercondilar corresponde à
depressão rasa entre os côndilos na face posterior. Já a face patelar está localizada entre os
côndilos na face anterior.
Sobre os côndilos, nos lados lateral e medial, estão localizados os epicôndilos, que vão auxi-
liar a fi xação dos tendões e dos ligamentos (VAN DE GRAAFF, 2003).
A patela é um osso sesamoide grande, triangular e localizado na face anterior do fêmur dis-
tal. Possui uma base larga e um ápice inferior em ponta. As facetas articulares na face articular
da patela estão articuladas com os côndilos medial e lateral do fêmur.
A patela apresenta várias funções, como por exemplo, a proteção da articulação do joelho
e, ao mesmo tempo, o fortalecimento do tendão do quadríceps e o aumento da força de ala-
vanca do músculo quadríceps femoral, quando há a extensão da articulação do joelho (VAN DE
GRAAFF, 2003).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 87
Figura 11. Tíbia e fíbula. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016. (Adaptado).
Fíbula
(a) vista anterior (b) vista posterior
Maléolo
lateral
Face articular do
côndilo lateral
Cabeça
da fíbula
Incisura
fi bular
Tíbia
Borda
anterior
Membrana
interóssea
Tuberosidade
da tibia
Côndilo
medial
Eminência
intercondilar
Face articular do
côndilo medial
Côndilo
lateral
Cabeça
Articulação
tibiofi bular
proximal
Fíbula
Sindesmose
tibiofi bular
distal
Maléolo
lateral
A tíbia está articulada proximalmente com o fêmur na articulação do joelho, enquanto dis-
talmente está articulada com o tálus no tornozelo e com a fíbula proximal e distalmente. Exis-
tem duas superfícies que são ligeiramente côncavas na extremidade proximal da tíbia, os côn-
dilos medial e lateral, que se articulam com os côndilos do fêmur. Os côndilos são separados
por uma pequena proeminência denominada eminência intercondilar, que possibilita a fi xação
aos ligamentos cruzados do joelho (TORTORA; DERRCKSON, 2016).
A tuberosidade da tíbia para a inserção do ligamento da patela situa-se nas partes proximal
e anterior do corpo da tíbia. A margem anterior é uma crista que se apresenta ao longo da
superfície anterior do corpo.
O maléolo medial é uma saliência óssea que se situa tanto na extremidade distal quanto
medial da tíbia. Existe uma incisura fi bular para a articulação com a fíbula, que se localiza nas
extremidades distal e lateral (VAN DE GRAAFF, 2003).
Maléolo
medial
Face articular
inferior
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 88
A fíbula é um osso longo considerado mais importante para a fi xaçãodos músculos do que
para o suporte do peso. A cabeça da fíbula está articulada com a extremidade proximal lateral
da tíbia, enquanto a extremidade distal possui uma proeminência denominada maléolo lateral
(VAN DE GRAAFF, 2003).
Tarso, metatarso e falanges3.3.3
O pé é composto por 26 ossos que estão localizados no tarso, metatarso e falanges.
Apesar da semelhança com os ossos da mão, os ossos do pé apresentam algumas diferenças
estruturais, que têm como fi nalidade suportar o peso corporal, garantindo a força de alavanca,
como também a mobilidade para a marcha (VAN DE GRAAFF, 2003).
Figura 12. Ossos do pé. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016. (Adaptado).
Cuneiforme medial
Cuneiforme intermédio
Navicular
Tálus
Tróclea do tálus
(A) Vista superior
Distal
l ll lll lV V
Média
Proximal
Cuneiforme
lateral
Cuboide
Calcâneo
Falanges
Metatarsais
Tarsais
Cuneiforme intermédio
Tálus
(B) Vista lateral
Face maleolar lateral
Cuneiforme lateral
Cuboide Metatarsal V
Navicular
Calcâneo
Tálus
(C) Vista medial
Navicular
Primeiro metatarso
Cuneiforme intermédio
Faceta maleolar medial
Cuneiforme medial
Tubersodidade do calcâneo
Sustentáculo do tálus
Calcâneo
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 89
O tarso possui sete ossos. O superior é o tálus, que se articula com a tíbia e a fíbula, cons-
tituindo a articulação do tornozelo. O calcâneo é o maior dos ossos tarsais, que possibilita um
suporte esquelético para o calcanhar, ao mesmo tempo que existe um grande prolongamento
posterior denominado tuberosidade do calcâneo para fi xar os músculos da panturrilha. Adian-
te do tálus, está localizado o osso navicular, que tem um formato semelhante a um chapéu. Os
outros quatro ossos tarsais constituem uma série distal que se articula com os ossos meta-
tarsais, do lado medial para o lado lateral, sendo cuneiforme medial, cuneiforme intermédio,
cuneiforme lateral e osso cuboide (VAN DE GRAAFF, 2003). Os ossos metatarsais e as falanges
são parecidos em relação ao nome e ao número aos metacarpais e falanges da mão, mas dife-
rem em relação ao formato devido a sua função de suportar o peso corporal.
Os ossos metatarsais são numerados de I a V, começando pelo lado medial (hálux) do pé.
O primeiro osso metatarsal é maior do que os outros, devido à grande importância de suporte
do peso (TORTORA; DERRCKSON, 2016).
Cada osso do metatarso tem uma base, corpo e cabeça. As bases são proximais do primei-
ro, segundo, terceiro metatarsais e se articulam proximamente com os ossos cuneiformes. As
cabeças dos metatarsais se articulam distalmente com as falanges proximais. As articulações
proximais são denominadas articulações tarsometatarsais e as articulações distais são deno-
minadas metatarsofalângicas (VAN DE GRAAFF, 2003).
As 14 falanges formam os elementos do esqueleto dos dedos do pé de maneira semelhante
aos dedos da mão. As falanges são localizadas em uma fi la proximal, média e uma distal e o
hálux é constituído por duas falanges: a proximal e a distal (VAN DE GRAAFF, 2003).
PAUSA PARA REFLETIR
O pé ainda possui dois arcos constituídos por uma estrutura de ligamentos e tendões. Como a
disposição dessa estrutura é mantida?
Ligamentos e articulações dos membros inferiores3.4
Neste tópico, vamos estudar em detalhes to-
dos os ligamentos que formam as articulações
do membro inferior, que são articulação pélvi-
ca, quadril, joelho e tornozelo. Todas essas qua-
tro articulações são fundamentais para garanti-
rem que o indivíduo consiga caminhar, além de possibilitarem o suporte de todo o peso corporal.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 90
Articulação pélvica e do quadril3.4.1
A articulação do quadril é do tipo sinovial esfenoide, sendo constituída pela cabeça do fê-
mur e do acetábulo do osso do quadril. Sua função é suportar o peso do corpo e por isso é
muito mais forte e mais estável do que a articulação do ombro.
A articulação do quadril é protegida por uma cápsula articular fi brosa forte, composta
por vários ligamentos e músculos bastante poderosos (TORTORA; DERRCKSON, 2016). Existem
três ligamentos principais no quadril, que são iliofemoral, pubofemoral e o isquiofemoral. O
ligamento da cabeça do fêmur está situado no interior da cápsula articular, fi xando a cabeça
do fêmur ao acetábulo. Esse ligamento é moderadamente frouxo e não possui uma função sig-
nifi cativa quanto à manutenção do fêmur acetábulo. Entretanto, existe uma pequena artéria
que nutre a cabeça do fêmur. O ligamento transverso do acetábulo atravessa a incisura e liga
a cápsula articular ao ligamento da cabeça do fêmur.
ESCLARECIMENTO:
O lábio do acetábulo é uma fi brocartilagem que envolve a cabeça do fêmur quando
está articulada com o acetábulo, fi xando-o pela margem.
O lábio do acetábulo é uma fi brocartilagem que envolve a cabeça do fêmur quando O lábio do acetábulo é uma fi brocartilagem que envolve a cabeça do fêmur quando O lábio do acetábulo é uma fi brocartilagem que envolve a cabeça do fêmur quando O lábio do acetábulo é uma fi brocartilagem que envolve a cabeça do fêmur quando O lábio do acetábulo é uma fi brocartilagem que envolve a cabeça do fêmur quando O lábio do acetábulo é uma fi brocartilagem que envolve a cabeça do fêmur quando O lábio do acetábulo é uma fi brocartilagem que envolve a cabeça do fêmur quando O lábio do acetábulo é uma fi brocartilagem que envolve a cabeça do fêmur quando O lábio do acetábulo é uma fi brocartilagem que envolve a cabeça do fêmur quando
Articulação do joelho3.4.2
A articulação do joelho também é denomi-
nada tibiofemoral. Localiza-se entre o fêmur e
a tíbia e é considerada a mais complexa e vul-
nerável do corpo humano (MARIEB; WILHELM;
MALLAT, 2016).
É uma articulação sinovial do tipo gínglimo, bastante complexa, que possibilita uma rotação
limitada e movimentos de deslizamentos, fl exão e de extensão.
No lado anterior, ela é estabilizada e protegida pela patela e pelo ligamento da patela, consti-
tuindo a articulação plana patelofemoral (VAN DE GRAAFF, 2003).
As localizações das estruturas da articulação do joelho podem ser observadas na Fig. 13.
PAUSA PARA REFLETIR
Quais são as principais lesões referentes à articulação do joelho?
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 91
Figura 13. Articulação do joelho. Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
Cápsula articular (cortada)
Côndilo medial do fêmur
Ligamento colateral
tibial
Ligamento cruzado
posterior
Menisco medial
Côndilo medial da tíbia
Tíbia
M. poplíteo (cortado)
Fíbula
Articulação tibiofi bular
proximal
Côndilo lateral da tíbia
Tendão do m. poplíteo (cortado)
Menisco lateral
Ligamento colateral fi bular
Ligamento cruzado anterior
Côndilo lateral do fêmur
Fêmur
Na face anterior, além da patela e do ligamento da patela, a inserção do tendão do músculo
quadríceps femoral constitui duas faixas que dão suporte aos retináculos das patelas lateral
e medial. Existem quatro bolsas que estão relacionadas com a face anterior do joelho: bolsa
subcutânea pré-patelar, bolsa suprapatelar, bolsa subfascial pré-patelar e bolsa infrapatelar
profunda (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2016).
A face posterior do joelho é denominada fossa poplítea. O ligamento poplíteo oblíquo e o liga-
mento poplíteo arqueado são superfi ciais em relação à posição. Já o ligamento cruzado anterior
e o posterior já são intracapsulares. A bolsa poplítea e a bolsa do músculo semimembranáceo
são duas bolsas relacionadas com a face posterior do joelho (TORTORA; DERRCKSON, 2016).
Os ligamentos colaterais vão reforçar os dois lados do joelho (medial e lateral). Existem dois
discos de fi brocartilagens denominados meniscos lateral e medial, que estão situados no in-
terior das articulações do joelho inseridosentre os côndilos do fêmur distais e os côndilos da
tíbia proximais.
Os dois meniscos estão unidos por meio do ligamento transverso. Existem sete bolsas no
lado lateral e medial, quatro no lado anterior e duas no lado posterior, totalizando 13 bolsas
(VAN DE GRAAFF, 2003).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 92
Articulação do tornozelo3.4.3
Existem duas articulações principais que compreendem a articulação do tornozelo, ambas
sinoviais gínglimos. Uma é constituída quando a extremidade distal da tíbia e seu maléolo me-
dial estão articulados com o tálus; outras é constituída quando o maléolo lateral da fíbula vai
se articular com o tálus.
Existe uma cápsula articular que compreende as articulações dos três ossos e quatro liga-
mentos que vão sustentar a articulação do tornozelo do lado externo da cápsula. O ligamento
deltoideo está unido com a tíbia; já o ligamento colateral lateral, o ligamento talofíbular ante-
rior, o ligamento talofíbular posterior e o ligamento calcaneofi bular estão relacionados com a
fíbula (TORTORA; DERRCKSON, 2016).
Os maléolos constituem um capuz em cima da face superior do tálus que não possibilitam
os movimentos laterais da articulação do tornozelo. Diferente da articulação condilar do pu-
nho, os movimentos do tornozelo são limitados a fl exão e a extensão. A dorsifl exão do tor-
nozelo é responsável principalmente pelo tendão calcâneo, já a fl exão plantar ou a extensão
do tornozelo é responsável pela tensão dos tendões extensores na frente da articulação e na
parte anterior da cápsula articular (VAN DE GRAAFF, 2003).
Proposta de Atividade
Agora é hora de pôr em prática tudo o que aprendeu ao longo do capítulo! Elabore um Mapa
Conceitual destacando as principais ideias abordadas ao longo de todo o capítulo.
Recapitulando
Neste capítulo, você pôde estudar em detalhes, por meio de tabelas e fi guras, todos os os-
sos e articulações que fazem parte dos membros superiores e dos membros inferiores.
Perguntamos a respeito da artrite reumatoide, que acomete as mãos e os punhos por volta
de 80 a 90% dos casos. Este quadro clínico é baseado por uma sinovite, que progride posterior-
mente para uma rotura ligamentar e erosão da cartilagem e do osso subcondral.
Os pacientes apresentam dor e rigidez articular, perda de amplitude articular e redução da
força muscular, condicionando deformidades e incapacidade para a realização de atividades
da vida diária.
A região mais suscetível da clavícula para as fraturas é o centro do osso, que se localiza ime-
diatamente próximo ao tubérculo conóide.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 93
Em função de a clavícula ser muito superficial, estando logo abaixo da pele e por não estar
coberta por músculos, fica muito fácil de ser palpada nos casos de fratura.
Essas fraturas ocorrem principalmente nos casos em que existe um golpe no ombro ou
quando o indivíduo utiliza a mão estendida para amortecer uma queda. Nesses casos, a força
será transmitida para a clavícula e geralmente vai ocasionar uma fratura.
Estudamos que o arco longitudinal é separado em duas partes: medial e lateral e a medial é
mais elevada do que a outra. O tálus é o ponto alto da parte medial que é originada no calcâ-
neo, elevando o tálus e descendo aos primeiros ossos metatarsais. A parte mais baixa lateral
corresponde ao calcâneo e aos quarto e quinto ossos metatarsais. O cuboide é considerado
como o ponto alto ósseo desse arco.
O arco transversal compreende ao longo da largura do pé e é constituído pelos ossos do
calcâneo, navicular e cuboide posteriormente como também por meio das bases de todos os
cinco ossos metatarsais anteriormente.
O enfraquecimento dos ligamentos e dos tendões do pé achatam ainda mais os arcos, oca-
sionando o chamado pé plano ou, mais popularmente conhecido, pé chato.
As lesões mais frequentes na articulação do joelho são nos ligamentos e nos meniscos,
como, por exemplo, a lesão no ligamento cruzado anterior, decorrente de uma torção no joe-
lho com o pé fixo no chão, durante um jogo por exemplo e a lesão no menisco que ocorre devi-
do a traumas rotacionais, processos degenerativos da articulação ou más formações de todas
as estruturas do menisco.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 94
Referências bibliográficas
FLOYD, R. T. Manual de cinesiologia estrutural. 19. ed. Barueri: Manole, 2016.
MARIEB, E.; WILHELM, P. & MALLAT, J. Anatomia humana. São Paulo: Editora Pearson, 2016.
MOORE, K. L.; ARTHUR, F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
SOBOTTA, J. Atlas de anatomia humana. 22. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
TORTORA, G. J., DERRCKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 14. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2016.
VAN DE GRAAFF, K. M. Anatomia humana. 6. ed. Barueri: Manole, 2003.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 95
Objetivo do capítulo
Reconhecer e identifi car a origem,
inserção e ações dos músculos do tórax,
abdômen e dorso.
MÚSCULOS DO TÓRAX
• Peitoral maior e menor
• Intercostais internos e externos
• Serrátil anterior
• Subclávio
MÚSCULOS DO DORSO
• Camada superfi cial
• Camada intermediária
• Camada profunda
MÚSCULOS DO ABDÔMEN
• Reto abdominal
• Oblíquo interno
• Oblíquo externo
• Transverso do abdômen
TÓPICOS DE ESTUDO
Por: Ana Cristina de Sousa Murray
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 96
No cenário médico atual, muitas pessoas se queixam de dores nas costas. Porém, nem
sempre estas dores estão diretamente relacionadas a doenças ou à coluna vertebral. Você
saberia identifi car qual músculo pode estar causando este desarranjo estrutural?
Contextualizando o cenário
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 97
Músculos do tórax4.1
A parte superior do tronco é chamada de tórax. Ele é formado por uma cavidade que re-
cebe o nome de cavidade torácica, situada entre o pescoço e o abdômen, respectivamente.
Tem o formato e o tamanho distintos da região do peito e, antigamente, era conhecido como
região do tonel. Quando nos referimos ao peito, incluímos ossos e músculos do membro
superior comuns entre homens e mulheres. A diferença é que, nas mulheres, há o desenvol-
vimento das mamas a partir da puberdade.
Nessa região, são encontrados órgãos vitais para a respiração e a circulação, e ela está
dividida em dois compartimentos: o mediastino central, onde encontramos o coração, e tam-
bém tubos, artérias e veias específi cos para o transporte de ar, sangue e alimento aos órgãos
internos; e as cavidades pulmonares direita e esquerda (MOORE, 2014).
Peitoral maior e menor4.1.1
Na região torácica, existem músculos que podem revestir a caixa e nela ter a sua inserção. Por
vezes, a origem e a ação muscular dos membros superiores podem partir desta região. Esses
músculos recebem o nome da região, chamados de toracoapendiculares, porque se estendem
da caixa torácica (que corresponde ao esqueleto axial) até sua inserção nos ossos do membro su-
perior (que correspondem ao esqueleto apendicular). Durante a ação muscular, esses músculos
trabalham sinergicamente e artrocinematicamente com o tronco (TORTORA, 2016).
Figura 1. Músculo peitoral maior e músculo peitoral menor. Fonte: MOORE, 2014. (Adaptado).
Peitoral menorPeitoral maior
Parte clavicular
Parte esternocostal
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 98
Existem outros músculos que são encontrados na parede anterolateral do abdômen, no dor-
so anteriormente e no pescoço antero-látero-posteriormente que se inserem na caixa torácica.
Os músculos toracoapendiculares atuam principalmente nos membros superiores, po-
rém, alguns deles, inclusive os músculos peitoral maior e peitoral menor (Fig. 1) e a parte
inferior do músculo serrátil anterior podem atuar como músculos acessórios darespiração,
auxiliando na elevação das costelas durante a inspiração, expandindo a cavidade torácica
(VAN DE GRAAFF, 2003).
A. VISTA POSTERIOR
Músculo
serrátil
posterior
superior
Ligamento nucal
Processo
espinhoso, T I
Processo
espinhoso, T XI
Músculo serrátil
posterior inferior
B. VISTA LATERAL
Músculo
intercostais
externos
Cartilagem
costal
Músculo
intercostais
internos
C. VISTA ANTERIOR
Cartilagem
costal
Músculo
intercostais
externos
Músculo
intercostais
internos
Figura 2. A. vista posterior: músculo serrátil posterior, ligamento nucal, processo espinhoso T I. B. vista lateral: músculos intercostais
externos, músculos intercostais internos, cartilagem costal. C. músculos intercostais externos, músculos intercostais internos, cartila-
gem costal. Fonte: MOORE, 2014. (Adaptado).
Intercostais internos e externos4.1.2
Os músculos intercostais demonstrados na Fig. 2 ocupam os espaços intercostais, sendo a
camada superfi cial formada pelos músculos intercostais externos e, a camada interna, pelos
intercostais internos (MOORE, 2014).
As fi bras mais profundas dos intercostais internos situam-se internamente aos vasos inter-
costais e são designadas de forma artifi cial como um músculo separado, os intercostais íntimos
(MOORE, 2014).
Os músculos intercostais externos formam 11 pares musculares, ocupando os espaços inter-
costais desde os tubérculos das costelas posteriormente até as junções costocondrais anterior-
mente (VAN DE GRAAFF, 2003).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 99
As fi bras musculares são substituídas, em sua porção anterior, por membranas intercostais
externas, músculos que seguem as costelas na sua posição inferior e anteriormente.
Cada músculo tem uma fi xação superior à margem inferior da costela acima e inferior à mar-
gem superior da costela abaixo; tendo sua continuidade inferior com os músculos oblíquos ex-
ternos na parede anterolateral do abdômen. Os músculos intercostais externos são mais ativos
durante a inspiração (VAN DE GRAAFF, 2003).
Serrátil anterior4.1.3
A origem do músculo serrátil anterior está na superfície das oito costelas superiores ao lado
do tórax e ao longo da borda medial da escápula, localizados nas paredes laterais do tórax. Sua
extensão vai até as costelas em direção à escápula. Como o seu formato é denteado, ele se asse-
melha à borda da lâmina de uma “serra”. Assim explica-se a referência em seu nome.
Durante a contração desse músculo, os ombros deprimem na direção caudal e os braços se
movem em fl exão anterior. Como exemplo, realizamos este movimento quando precisamos em-
purrar objetos para a frente.
Figura 3. Vista anterior: músculo escaleno, extremidade seccionada da cabeça clavicular do músculo peitoral maior, músculo subclávio,
músculo peitoral maior, extremidades seccionadas (inserções proximal e distal) da cabeça esternocostal do músculo peitoral maior, pei-
toral menor, músculo intercostal externo, osso úmero, músculo serrátil anterior, músculo intercostal interno, músculo serrátil anterior,
músculos anterolaterais do abdômen (músculo oblíquo externo e músculo reto do abdômen). Fonte: MOORE, 2014. (Adaptado).
M. escaleno
M. peitoral maior
M. serrátil anterior
M. oblíquo externo
M. reto do abdômen
{Músculosanterolateraisdo abdômen
Vista anterior
M. peitoral menor
M. serrátil anterior
M. intercostal interno
M. intercostal externo
Úmero
M. subclávio
Extremindade
seccionada da
cabeça clavicular do
M. peitoral maior
Extremindade seccionadas
(insenções proximal e distal) da
cabeça estemocostal do
M. peitoral maior
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 100
O serrátil anterior é importante no movimento de protração da escápula e auxilia a estabilizar
a mesma, o que é necessário para manter uma boa postura corporal em relação à coluna ver-
tebral. Este músculo é o músculo motor primário na rotação superior da escápula, realizando,
assim, abdução do ombro após 120 graus.
Sua disfunção mais frequente é caracterizada pela ausência de protração escapular no lado
acometido, e a incapacidade de realizar o fi nal do movimento de abdução do ombro é diagnosti-
cado como escápula alada ou abduzida (TORTORA, 2016).
CURIOSIDADE:
O movimento das costelas durante a respiração também é conhecido como movi-
mento de “alça de balde”.
O movimento das costelas durante a respiração também é conhecido como movi-O movimento das costelas durante a respiração também é conhecido como movi-O movimento das costelas durante a respiração também é conhecido como movi-O movimento das costelas durante a respiração também é conhecido como movi-O movimento das costelas durante a respiração também é conhecido como movi-
Na Tabela 1, é possível verifi car a origem, inserção e ação dos músculos do tórax estudados
até aqui.
Tabela 1. Músculos que atuam no tórax e auxiliam na parte mecânica da respiração
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Serrátil anterior Oitava ou nona costela superior
Face costal da margem
medial da escápula
Puxa a escápula para
frente e para baixo
Peitoral menor Extremidades externas das 3ª, 4ª e 5ª costelas
Processo coroide da
escápula
Puxa a escápula para
frente e para baixo
Subclávio Primeira costela Sulco subclávio da clavícula
Puxa a clavícula para
baixo
Intercostais externos
Borda inferior do lábio
externo da 1ª a 12ª
costela
Borda superior da coste-
la subjacente
Ajuda na inspiração
elevando as costelas
Intercostais internos
Borda inferior do lá-
bio interno da 1ª a 11ª
costela
Borda superior da coste-
la subjacente
Ajuda na expiração abai-
xando as costelas
Peitoral maior
Clavícula, esterno e
cartilagens costais da
2ª a 6ª costelas, bainha
do reto
Crista do tubérculo
maior do úmero
Flexiona, aduz e roda a
articulação do ombro
medialmente
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 101
Subclávio4.1.4
O subclávio é um pequeno músculo que tem sua origem na primeira costela, especifi camen-
te na borda entre o osso e a cartilagem, inserindo-se na parte inferior e lateral da clavícula.
Trata-se de uma região nobre e por ela passam o plexo braquial, que é um conjunto de artérias,
vasos e nervos que comandam o membro superior. A qualidade deste músculo pode prevenir
doenças vasculares e neurológicas do membro superior. Ele também tem a função de estabilizar
a clavícula quando o membro superior se movimenta.
PAUSA PARA REFLETIR
Qual associação pode ser feita entres os músculos do tórax (sua origem, inserção e ação) e o
ciclo respiratório?
Músculos do abdômen4.2
Os músculos do abdômen podem ser divididos em músculos anterolaterais, que estão lo-
calizados na porção anterior e fi cam em contato direto com nossos órgãos internos, atuando
tanto na proteção dinâmica quanto no auxílio da postura corporal; e músculos posteriores,
estes, especifi camente, têm um papel biomecânico importante na marcha e, por esta razão, são
estudados em conjunto com os membros inferiores.
O músculo reto do abdômen, o músculo oblíquo externo e oblíquo interno, o músculo trans-
verso do abdômen e o piramidal pertencem à região anterolateral do abdômen, também cha-
mada de região abdominal.
Essa região é considerada a porção média do tronco, como uma divisória entre a região do
tórax e a região pélvica. Uma peculiaridade da região abdominal é a ausência de ossos para pro-
teção dos órgãos. Estes são protegidos pela musculatura que os envolve.
A parte óssea do abdômen encontra-se na região posterior, sendo constituída pela coluna ver-
tebral. Esta região apresenta a maior mobilidade encontrada no tronco e tem papel importante na
postura corporal e na qualidade do conjunto dos movimentos entre o esqueleto axial e apendicular.
O músculodiafragma faz a divisão, hipoteticamente, do tronco superior com o tronco inferior,
sendo considerado, sobretudo, o principal músculo inspiratório. Já o diafragma é uma ventosa que se
move entre duas cavidades e sua ação é combinada com a dos músculos abdominais. Desse modo,
ele participa das mudanças de pressão e deformações de um ou de outro em múltiplas ações, tais
como a respiração, voz, grito, tosse, defecação, expulsão no parto e no soluço (MOORE, 2014).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 102
MÚSCULO DIAFRAGMA
ARTÉRIAS E VEIAS DA FACE SUPERIOR DO DIAFRAGMA,
VISTA POSTERIOR
Artérias torácicas
internas direita e esquerda
Artéria e veia
pericardicofrênicas
Parte torácica da
aorta descendente
Artéria e veia
torácicas internas
Coração dentro
do pericárdio
Artéria frênica superior
Cúpulas direta
e esquerda do
diafragma
Artérias e veias
epigástricas
superiores direita
e esquerda
Artérias e veias
muscolofrênicas
direita e esquerda
Veia torácica interna direita
Figura 4. Músculo diafragma. Fonte: MOORE, 2014. (Adaptado).
Reto abdominal4.2.1
O músculo reto abdominal é recoberto por uma bainha: a bainha do reto do abdômen. Esta
bainha mantém o músculo em sua posição e é formada pelas aponeuroses do músculo oblíquo
externo, do músculo oblíquo interno e do músculo transverso do abdômen. Este grupo muscu-
lar representa grande importância nos movimentos corporais dinâmicos. Estes músculos ganha-
ram maior visibilidade em razão de métodos de treinamento físicos específi cos que os chamam
de CORE ou Power House.
A Fig. 5 descreve os músculos do abdômen masculino, sendo que as únicas diferenças quan-
do comparado ao abdômen feminino é que este não possui o funículo espermático e o músculo
cremaster.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 103
M. peitoral maior,
parte abdominal
Bainha do M. reto
do abdômen,
lâmina anterior
M. serrátil
anterior
M. serrátil
anterior
M. reto do abdômen,
intersecção tendínea
M. reto do abdômen
M. reto do abdome,
tendão
{Anel inguinalsuperfi cial Pilar lateralPilar medial M. piramidalLig. refl exo
Funículo espermático;
M. cremaster
M. oblíquo externo
do abdômen,
aponeurose
M. oblíquo interno
do abdômen,
aponeurose
M. oblíquo interno
do abdômen
M. oblíquo externo
do abdômen
M. oblíquo externo
do abdômen
M. peitoral maior,
parte abdominal
M. peitoral maior,
parte esternocostal
Ligg. costoxifoideos
M. reto do abdômen
M. intercostais
internos
Anel umbilical
Linha alba
M. oblíquo externo
do abdômen
Espinha ilíaca
ântero-superior
Fibras intercrurais
Figura 5. Peitoral maior parte abdominal, músculo serrátil anterior, bainha do músculo reto do abdômen, lâmina anterior, músculo
serrátil anterior, músculo reto do abdômen, intersecção tendínea, músculo reto do abdômen, músculo oblíquo do abdômen, anel
umbilical, linha alba, espinha ilíaca ântero-superior, ligamentos costoxifoideos, músculo peitoral maior parte esternocostal, peitoral
maior parte abdominal, músculo oblíquo externo do abdômen, músculos intercostais internos, músculo reto do abdômen, músculo
interno do abdômen aponeurose, músculo oblíquo externo do abdômen, músculo oblíquo interno do abdômen, músculo oblíquo
externo do abdômen aponeurose, funículo espermático, músculo cremaster, ligamento refl exo, músculo piramidal, anel inguinal
superfi cial, pilar lateral e pilar medial, músculo reto do abdômen, tendão, fi bras intercrurais. Fonte: SOBOTTA, 2006. (Adaptada).
As principais funções do músculo reto abdominal e dos músculos abdominais laterais são a
movimentação livre do tronco, auxiliando na estabilização dinâmica e estática da coluna verte-
bral e, de certa forma, controlando a compressão da parede abdominal. São mecanicamente
responsáveis pelo aumento da pressão intra-abdominal necessária para as ações de defecação
ou vômito, possuindo também papel fundamental na expiração, tracionando inferiormente o
tórax através de sua contração. Em especial, o músculo reto abdominal tem a função motora
primária de fl exão ventral, fl exão do tronco ou, ainda, elevação da pelve, sendo assim um impor-
tante antagonista dos músculos dorsais intrínsecos (TORTORA, 2016).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 104
ESCLARECIMENTO:
A tensão dos músculos abdominais auxilia no balanço pressórico dos órgãos ab-
dominais internos. Quando esta área é sobrecarregada, seja na gravidez ou mes-
mo com o excesso de peso, a pressão intra-abdominal é aumentada e causa a
abertura da parede.
dominais internos. Quando esta área é sobrecarregada, seja na gravidez ou mes-
A tensão dos músculos abdominais auxilia no balanço pressórico dos órgãos ab-
dominais internos. Quando esta área é sobrecarregada, seja na gravidez ou mes-dominais internos. Quando esta área é sobrecarregada, seja na gravidez ou mes-
mo com o excesso de peso, a pressão intra-abdominal é aumentada e causa a
A tensão dos músculos abdominais auxilia no balanço pressórico dos órgãos ab-A tensão dos músculos abdominais auxilia no balanço pressórico dos órgãos ab-A tensão dos músculos abdominais auxilia no balanço pressórico dos órgãos ab-A tensão dos músculos abdominais auxilia no balanço pressórico dos órgãos ab-
dominais internos. Quando esta área é sobrecarregada, seja na gravidez ou mes-
mo com o excesso de peso, a pressão intra-abdominal é aumentada e causa a
dominais internos. Quando esta área é sobrecarregada, seja na gravidez ou mes-dominais internos. Quando esta área é sobrecarregada, seja na gravidez ou mes-dominais internos. Quando esta área é sobrecarregada, seja na gravidez ou mes-dominais internos. Quando esta área é sobrecarregada, seja na gravidez ou mes-
mo com o excesso de peso, a pressão intra-abdominal é aumentada e causa a mo com o excesso de peso, a pressão intra-abdominal é aumentada e causa a mo com o excesso de peso, a pressão intra-abdominal é aumentada e causa a mo com o excesso de peso, a pressão intra-abdominal é aumentada e causa a
Oblíquo interno4.2.2
O músculo oblíquo interno tem a sua localização mais profunda do que o oblíquo externo;
originando-se no ligamento inguinal, na crista ilíaca e na fáscia toracolombar. Suas fi bras diri-
gem-se superio-anteriormente até se inserirem nas cartilagens costais da 9ª até a 12ª costela
e na linha alba.
No que diz respeito à sua ação, o músculo oblíquo interno realiza o movimento de fl exão de
forma direta, associado com a inclinação lateral e com a rotação do tronco para o mesmo lado.
Oblíquo externo4.2.3
Os músculos oblíquos externo e interno apresentam-se de forma oblíqua em relação ao
eixo anatômico, mas perpendiculares entre si.
O músculo oblíquo externo é o mais superfi cial, com sua inserção abaixo do 8º arco costal,
próximo à inserção do músculo serrátil anterior.
Esse músculo realiza a fl exão do tronco em conjunto com a inclinação lateral associada à
rotação do lado oposto ao movimento. Esta ação acontece durante a marcha e a corrida, por
exemplo.
Transverso do abdômen4.2.4
Este é o músculo mais profundo da porção anterior do tronco e se encontra atrás do múscu-
lo reto abdominal, funciona como uma cinta natural para a proteção tanto da coluna vertebral
como da parte anterior do tronco, de forma mecânica. Um fato interessante é que, sendo um
músculo profundo, ele tem a capacidade de contração rápida mediante reações refl exas de
forma mais potente do que seus músculos pares ou sinergistas.
Sua porção superior auxilia na diminuição do ângulo infraesternal das costelas durante a
expiração, exercendo um papel relevante no ciclo respiratório. Também tem função decisiva
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 105
na mecânica da coluna lombar. Quando este músculo está “enfraquecido”, pode ocorrer uma
protusão da parede abdominal ou um aumento da curvatura lombar,chamada de hiperlor-
dose. Com o transverso do abdômen fortalecido, podemos prevenir lesões tanto musculares
quanto articulares da coluna lombar.
Tabela 2. Músculos do abdômen
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Reto abdominal
Da 5ª a 7ª cartilagem
costal dos processos
xifoides
Púbis e sínfi se púbica
Flexão do tronco, com-
prime o abdômen e
auxilia na expiração
forçada
Oblíquo interno
Crista ilíaca, fáscia tora-
colombar e dois terços
laterais do ligamento
inguinal
Bordas inferiores das
últimas três costelas e
linha alba
Comprime, fl ete e rota
o tronco para o mesmo
lado, auxilia na expira-
ção forçada
Oblíquo externo Da 5ª a 12ª costela (bor-das inferiores)
Crista ilíaca, ligamento
inguinal e bainha do
reto abdominal
Comprime o abdômen,
fl ete e rota o tronco
para o lado oposto, auxi-
lia na expiração forçada
Transverso do abdômen
Face interna das seis
últimas cartilagens
costais, fáscia toraco-
lombar dos processos
transversos das vérte-
bras lombares, lábio
externo da crista ilíaca e
ligamento inguinal
Inserção: linha Alba nos
três quartos superiores
Contrai e tenciona a
parede abdominal (com-
pressão abdominal)
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
PAUSA PARA REFLETIR
Qual é a importância dos músculos da Power House para a postura corporal?
Músculos do dorso4.3
Os músculos do dorso dividem-se em su-
perfi ciais, médios e profundos; têm papel
fundamental no desenvolvimento da postura
corporal e na qualidade das ações conjuntas
entre os esqueletos apendiculares. O grupo
dos músculos superfi ciais são extrínsecos e
consistem em músculos relacionados ao mo-
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 106
Camada superfi cial4.3.1
Os músculos da camada superfi cial fi xam-se à parte superior do esqueleto apendicular e
esqueleto axial, estando diretamente ligados à clavícula, escápula, úmero, crânio, costelas e
coluna vertebral. São eles: trapézio, latíssimo do dorso, levantador da escápula e romboides
maior e menor.
Figura 6. Camada superfi cial.
Latíssimo
do dorso
Romboide maior
Romboide menor
Levantador da
escápula
Ligamento nucal
Trapézio
Camada intermediária4.3.2
A camada intermediária constitui-se de duas camadas musculares: músculo serrátil poste-
rior e suas porções superiores e inferiores. Têm função importante na estabilização dos movi-
mentos do membro superior e também no fi nal da respiração (expiração forçada).
vimento dos membros superiores. No grupo médio, os músculos estão fi xados às costelas e
interagem com a função respiratória. Já os músculos profundos são intrínsecos e inervados
por ramos posteriores dos nervos espinais, sendo responsáveis pelos movimentos da coluna
vertebral e da cabeça.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 107
M. semiespinal da cabeça
Lig. nucal
M. esplênio da cabeça
M. esplênio da cabeça
M. esternocleidomastoideo
M. esplênio do pescoço
Fáscia deltoidea
M. redondo maior
M. trapézio
M. serrátil posterior
superior
M. romboide maior
M. iliocostal do
lombo, parte torácica
M. latíssimo do dorso
M. longuíssimo do tórax
M. longuíssimo do tórax
M. longuíssimo
do pescoço
M. semiespinal
do pescoço
M. infra-espinhal,
fáscia infra-espinhal
M. iliocostal do
lombo, parte torácica
M. iliocostal do
lombo, parte lombar
Vértebras lombares,
proc. espinhosos
M. oblíquo interno
do abdômen
M. iliocostal
do pescoço
M. serrátil anterior
M. espinal do tórax
M. espinal do tórax
M. serrátil posterior
inferior
M. oblíquo externo
do abdômen
M. oblíquo externo
do abdômen
M. eretor da espinha
Aponeurose
toracolombar
M. levantador da escápula
M. levantador
da escápula
M. longuissímo da cabeça
M. longuissímo do pescoço
M. escaleno posterior
Figura 7. Camada intermediária. Fonte: SOBOTTA, 2006. (Adaptado).
Camada profunda4.3.3
A camada profunda é o que chamamos de envoltório da coluna vertebral ou goteira
da coluna vertebral, especificamente pelo seu posicionamento com relação à porção ós-
sea e neural da coluna. São subdivididos em porção superior com os músculos esplênio
da cabeça e pescoço; porção intermediária com os músculos eretores da coluna com o
músculo iliocostal, porção lombar, torácica e cervical; músculo longuíssimo do dorso na
sua porção da cabeça/base occipital, pescoço e tórax e, por fim, os músculos da porção
inferior, que são o semiespinhal, multifidus, levantadores das costelas, interespinhal, in-
tertransversal e os rotadores.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 108
M. esplênio da cabeça
M. semiespinal da cabeça
M. longuíssimo da cabeça
M. esplênio do pescoço
M. levantador da escápula
M. longuíssimo do pescoço
M. ilicostal do pescoço
M. semiespinal da cabeça
M. escaleno posterior
M. longuíssimo do pescoço
M. serrátil posterior superior
Mm. semiespinal do pescoço e do tórax
M. longuíssimo do tórax
Mm. intercostais externos
M. iliocostal do lombo parto torácica
M. iliocostal do lombo, parte lombar
M. latíssimo do dorso
M. serrátil posterior inferior
M. oblíquo externo do abdômen
M. oblíquo interno do abdômen
(Aponeurose do M. latíssimo do dorso)
Aponeurose toracolombar
M. eretor da espinha
M. glúteo máximo
Mm. levantadores das costelas
Mm. levantadores das costelas
M. espinal do tórax
M. semispinal do tórax
M. serrátil posterior inferior
M. longuíssimo do tórax
Lig. nucal
M. semiespinal da cabeça
M. longuíssimo do pescoço
M. longuíssimo da cabeça
M. longuíssimo do tórax
M. longuíssimo do tórax
M. espinal do tórax
M. iliocostal do lombo, parte lombar
Mm. espinais do pescoço e da cabeça
M. iliocostal do pescoço
M. iliocostal do lombo, parte torácica
Figura 8. Camada profunda. Fonte: SOBOTTA, 2006. (Adaptado).
Tabela 2. Músculos do abdômen
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Esplênio
Do ligamento nucal e
dos processos espi-
nhosos das vértebras
C7-T3/T4
Esplênio da cabeça: as fi bras correm supero-
-lateralmente para o processo mastoide do
temporal e terço lateral da linha nucal superior
do occipital.
Esplênio do pescoço: tubérculos posteriores dos
processos transversos das vertebras C1-C3/C4
Com a ação primária, inclinam la-
teralmente e giram a cabeça para
o lado dos músculos acionados.
Em ação conjunta, estendem a
cabeça e pescoço
Eretor da
espinha
Partem do tendão
da parte posterior
do sacro, processos
espinhosos sacrais e
lombares inferiores
e ligamento supraes-
pinhal
Iliocostal: lombar, tórax e pescoço. As fi bras
correm superiormente para os ângulos das
costelas inferiores e dos processos transversos
cervicais.
Longuíssimo: tórax, pescoço e cabeça. As fi bras
correm superiormente para as costelas, entre
os tubérculos e os ângulos, para os processos
transversos nas regiões cervical e torácica e
para o processo mastoide do temporal.
Espinal: tórax, pescoço e cabeça. As fi bras
correm superiormente para os processos espi-
nhosos nas regiões torácicas mais altas e para
o crânio
Quando a ação é bilateral, esten-
dem a coluna vertebral e a cabeça.
Quando o dorso é fl etido, eles
controlam o movimento alongan-
do gradualmente suas fi bras.
Quando a ação é unilateral,
inclinam lateralmente a coluna
vertebral
Transverso
espinal
Processos transversos:
o semiespinhal tem
origem nos processos
transversos das verte-
bras C4-T12.
Multifi dus tem origem
no sacro e ilio, pro-
cessos transversos
de T1-T3 e processos
articulares de C4-C7
Processos espinhosos:
semiespinhal, tórax, pescoço e cabeça. As fi bras
correm supero-medialmente para o occiptal
e espinhosos nas regiões torácica e cervical,
estendendo-se 2-4 segmentos
Estendem a cabeça e as regiões
torácica e cervical da coluna verte-
bral giram contralateralmente.
Estabilizam as vértebrasduran-
te movimentos locais da coluna
vertebral.
Estabilizam as vértebras e ajudam
com extensão local e movimentos
rotatórios da coluna vertebral,
podendo funcionar como órgãos
de propriocepção
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 109
CURIOSIDADE:
Como um mecanismo protetor, os músculos do dorso sofrem espasmos após uma
lesão por esforço ou esforço repetitivo. Um espasmo é uma contração involuntá-
ria súbita de um ou mais grupos de músculos. Eles podem ser acompanhados de
câimbras e/ou dor, e interferem na função, produzindo movimentos distorcidos
involuntários.
lesão por esforço ou esforço repetitivo. Um espasmo é uma contração involuntá-lesão por esforço ou esforço repetitivo. Um espasmo é uma contração involuntá-
Como um mecanismo protetor, os músculos do dorso sofrem espasmos após uma
lesão por esforço ou esforço repetitivo. Um espasmo é uma contração involuntá-
ria súbita de um ou mais grupos de músculos. Eles podem ser acompanhados de
câimbras e/ou dor, e interferem na função, produzindo movimentos distorcidos
Como um mecanismo protetor, os músculos do dorso sofrem espasmos após uma
lesão por esforço ou esforço repetitivo. Um espasmo é uma contração involuntá-
ria súbita de um ou mais grupos de músculos. Eles podem ser acompanhados de
Como um mecanismo protetor, os músculos do dorso sofrem espasmos após uma
lesão por esforço ou esforço repetitivo. Um espasmo é uma contração involuntá-
ria súbita de um ou mais grupos de músculos. Eles podem ser acompanhados de
câimbras e/ou dor, e interferem na função, produzindo movimentos distorcidos
lesão por esforço ou esforço repetitivo. Um espasmo é uma contração involuntá-lesão por esforço ou esforço repetitivo. Um espasmo é uma contração involuntá-
Proposta de Atividade
Agora é a hora de pôr em prática tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Selecione fi gu-
ras anatômicas das estruturas discutidas ao longo do capítulo e indique o nome dos músculos
que estabilizam o tronco anterior e posterior, além dos músculos que atuam diretamente na
respiração.
Recapitulando
Neste capítulo, você reconheceu e identifi cou a origem, a inserção e ações dos músculos do tórax,
abdômen e dorso, bem como sua importância na postura corporal e manutenção do tronco em ex-
tensão ou posição ereta.
Foi apresentado também o papel de cada músculo no mecanismo de respiração e o porquê do
ciclo respiratório poder fi car comprometido quando estes músculos não estão em seu cumprimento
fi siológico. Vimos que é o músculo diafragma que faz a divisão interna entre o tronco superior e o
tronco inferior.
Com relação à pergunta norteadora, observamos que muitas dores nas costas ou no abdômen
estão relacionadas aos músculos e nem sempre ao disco intervertebral ou aos órgãos internos.
Os músculos que podem gerar as dores nas costas são o latíssimo do dorso e os multifi dus, pois
são eles que nos dão equilíbrio e harmonia de contração muscular na posição de bipedestação.
Quando os mesmos estão enfraquecidos e/ou encurtados, não existe esta harmonia e a dor aparece.
Por fi m, na segunda pausa para refl etir, nos questionamos sobre o papel da musculatura chama-
da de Power House, que é composta pelos músculos reto abdominal (músculos oblíquos internos e
externos e transverso do abdômen). Com sua ação protetora, essa musculatura equilibra o posicio-
namento da coluna lombar com relação ao abdômen, balanceando o movimento do tronco e geran-
do o que chamamos de postura corporal harmônica.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 110
Referências bibliográficas
ANDRADE FILHO, E. P; PEREIRA, F.C. F. Anatomia geral. Sobral: INTA, 2015.
DANGELO, J. G; FATTINI, C. A. Anatomia humana: sistêmica e segmentar. 3. ed. São Paulo:
Atheneu, 2007.
MOORE, K. L.; ARTHUR, F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
NETTER, F. H. Atlas de anatomia humana. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
OLIMPIO, M. Anatomia palpatória funcional. Rio de Janeiro: Revinter, 2011.
SOBOTTA, J. Atlas de anatomia humana. 22. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
TORTORA, G. J.; DERRCKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 14. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2016.
VAN DE GRAAFF, K. M. Anatomia humana. 6. ed. Barueri: Manole, 2003.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 111
Objetivo do capítulo
Reconhecer e identifi car a origem,
inserção e ações dos músculos dos
membros superiores e inferiores.
MÚSCULOS DOS MEMBROS SUPERIORES
• Músculos do ombro
• Músculos do braço
• Músculos do antebraço
• Músculos da mão
MÚSCULOS DOS MEMBROS INFERIORES
• Músculos do quadril
• Músculos da região glútea
• Músculos da coxa
• Músculos da perna e pé
TÓPICOS DE ESTUDO
Por: Paulo Heraldo Costa do Valle
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 112
Neste capítulo, estudaremos os músculos dos membros superiores e inferiores do corpo
humano, sua origem e localização, além dos movimentos e funções pelos quais são respon-
sáveis. Veremos que, apesar de cada músculo possuir uma característica própria, quando
são estimulados, eles agem de forma conjunta, garantindo um movimento harmônico.
Diante desse cenário, surge o seguinte questionamento: Por que a mão é considerada uma
das estruturas mais complexas do corpo humano?
Contextualizando o cenário
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 113
Músculos dos membros superiores5.1
Neste tópico vamos estudar em detalhes todos os músculos que constituem os membros
superiores, a saber, ombro, braço, antebraço e mão.
Levantador da escápula
Supra-espinal
Supra-espinal
Intra-espinal
Omo-hioideo Trapézio
Deltoide
Deltoide
Romboide menor
Infraespinal
Romboide maior
Redondo
menor
Cabeça longa do trí-
ceps braquial
Cabeça lateral do
tríceps braquial
Redondo menor
Redondo
maior
Figura 1. Músculos do ombro. Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
Músculos do ombro5.1.1
O ombro é fi xado ao esqueleto axial através da articulação esternoclavicular, sendo funda-
mental a presença de músculos fortes em forma de cintas nesta região (TORTORA, 2016).
Todos os músculos que realizam a movimentação do braço são originados na escápula, sen-
do que é mantida de forma estacionária durante o movimento do braço. Os músculos que atuam
no cíngulo do membro superior (formado pelos ossos da clavícula e escápula) são originados no
esqueleto axial e são divididos em grupos anteriores e posteriores (VAN DE GRAAFF, 2003).
Os músculos do grupo anterior que atuam no cíngulo do membro superior são os músculos
serrátil anterior, peitoral menor e subclávio; os músculos do grupo posterior são os músculos
trapézio, levantador da escápula e romboides. Esses músculos são contraídos de forma sinérgi-
ca, atuando em qualquer movimento do cíngulo do membro superior (TORTORA, 2016).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 114
Tabela 1. Músculos que atuam no cíngulo do membro superior
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Serrátil anterior. Oitava ou nona costela superior.
Face costal da margem me-
dial da escápula.
Puxa a escápula para frente
e para baixo.
Peitoral menor. Extremidades externas da 3ª, 4ª e 5ª costelas.
Processo coracoide da
escápula.
Puxa a escápula para frente
e para baixo.
Subclávio. Primeira costela. Sulco subclávio da clavícula. Puxa a clavícula para baixo.
Trapézio.
Osso occipital e processos
espinhosos da 7.ª vértebra
cervical e todas as vérte-
bras torácicas.
Clavícula, espinha da escá-
pula e acrômio.
Levanta, abaixa e aduz a
escápula, hiperestende o
pescoço, suspende o ombro.
Levantador da
escápula. 1ª a 4ª vértebras cervicais. Margem medial da escápula. Levanta a escápula.
Romboide maior. Processos espinhosos da 2ª a 5ª vértebras torácicas. Margemmedial da escápula. Levanta e aduz a escápula.
Romboide menor. 7ª vértebra cervical e 1ª torácica. Margem medial da escápula. Levanta e aduz a escápula.
Peitoral maior.
Clavícula, esterno e car-
tilagens costais da 2ª a 6ª
costelas, bainha do reto.
Crista do tubérculo maior do
úmero.
Flexiona, aduz e roda a
articulação do ombro
medialmente.
Latíssimo do
dorso.
Processos espinhosos das
vértebras sacrais, lombares,
torácicas inferiores, crista
ilíaca e quatro costelas
inferiores.
Sulco intertubercular do
úmero.
Estende, aduz e roda a
articulação do ombro
medialmente.
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
Dos nove músculos que atravessam a articulação do ombro e vão se inserir no úmero, ape-
nas dois não se originam na escápula: peitoral maior e latíssimo do dorso. Esses dois múscu-
los fazem parte dos músculos axiais, e os sete restantes fazem parte dos músculos escapulares
(VAN DE GRAAFF, 2003).
Na Tabela 1, você poderá verificar todos os músculos que atuam no cíngulo do membro su-
perior e que são os responsáveis pela movimentação da articulação do ombro.
Músculos escapulares
Os músculos escapulares não axiais são os seguintes: deltoide, supraespinal, infraespinal,
redondo maior, redondo menor, subescapular e coracobraquial (TORTORA, 2016).
O músculo deltoide é um músculo que cobre toda a articulação do ombro. Você sabia que
este músculo apresenta várias funções? Entre elas, a principal é a abdução da articulação do
ombro. Os músculos antagonistas do deltoide são o peitoral maior e o latíssimo do dorso, uma
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 115
vez que ambos vão ocasionar a adução da articulação do ombro. Os outros músculos escapu-
lares vão auxiliar também na estabilização do ombro, possuindo ações específi cas com relação
à articulação do ombro (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo supraespinal vai rodar o braço lateralmente, sendo sinergista com o múscu-
lo deltoide na abdução da articulação do ombro, enquanto o infraespinal vai rodar o braço
lateralmente.
A atividade do músculo redondo maior é parecida com a ação do latíssimo do dorso,
que consiste em realizar a adução e rotação medial da articulação do ombro. Já o músculo
redondo menor atua junto com o músculo infraespinal, fazendo a rotação lateral do braço
na articulação do ombro (TORTORA, 2016).
O músculo subescapular é um ótimo estabilizador do ombro, auxiliando também na
rotação medial do braço na articulação do ombro, enquanto o músculo coracobraquial é
um músculo sinergista que atua em conjunto, como o peitoral maior realizando a fl exão e
adução da articulação do ombro (VAN DE GRAAFF, 2003).
Músculos do braço5.1.2
Os músculos do braço são os encarregados pela realização da fl exão e extensão da ar-
ticulação do cotovelo, sendo estes os músculos bíceps braquial, braquial, braquiorradial
e tríceps braquial. Além desses quatro músculos, existe um músculo triangular bem pe-
queno denominado de ancôneo, estando posicionado na extremidade distal do músculo
tríceps braquial adjacente ao cotovelo (TORTORA, 2016).
O músculo bíceps braquial está localizado na face anterior do úmero, não apresenta
nenhuma fi xação no úmero e possui uma origem dupla (cabeça curta e cabeça longa),
sendo que a cabeça curta é originada no processo coracoide da escápula, enquanto que a
cabeça longa é originada no tubérculo supraglenoidal, atravessando a articulação do om-
bro e descendo pelo sulco intertubercular do úmero; as duas cabeças estão inseridas na
tuberosidade do rádio (VAN DE GRAAFF, 2003).
A localização do músculo braquial é na metade distal anterior do úmero, profundamen-
te ao bíceps braquial, atuando de forma sinérgica junto com o bíceps braquial e realizando
a fl exão do cotovelo (TORTORA, 2016).
O músculo braquiorradial é um músculo que está localizado ao longo da superfície
lateral (radial) do antebraço, atuando também na fl exão do cotovelo.
A localização do músculo tríceps braquial é na face posterior do braço, estendendo o
antebraço na articulação do cotovelo, com uma ação contrária ao músculo bíceps braquial
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 116
PAUSA PARA REFLETIR
O músculo fl exor radial do carpo é o responsável pelos movimentos de fl exão e abdução. Entretanto,
esse músculo também apresenta outra função muito signifi cativa. Que função é essa?
(VAN DE GRAAFF, 2003). O músculo tríceps braquial possui três cabeças ou origens (lateral,
medial e longa), sendo duas originadas no úmero – as cabeças lateral e medial. A cabeça
longa tem sua origem no tubérculo infraglenoidal da escápula; existe uma inserção tendí-
nea comum que vai fi xar o músculo tríceps braquial ao olecrano da ulna. O músculo ancô-
neo realiza uma função sinérgica junto com o músculo tríceps braquial para a extensão do
cotovelo (VAN DE GRAAFF, 2003).
Músculos do antebraço5.1.3
Os músculos localizados no antebraço são responsáveis pelos movimentos das articulações
de punho, mão e dedos, sendo que alguns deles acabam atuando em duas articulações (coto-
velo e punho), outros na articulação de punhos, mãos e dedos, e outros ainda são capazes de
realizar o movimento de rotação na articulação radioulnar.
Os principais movimentos das mãos e dos dedos são: supinação, pronação, fl exão e ex-
tensão. Também existem outros movimentos, como a adução e a abdução (VAN DE GRAAFF,
2003). O músculo supinador circunda a porção súpero posterior do rádio, atuando de forma
sinérgica com o músculo bíceps braquial na supinação da mão (TORTORA, 2016).
Supinação e pronação da mão
Existem dois músculos que vão atuar na pronação da mão: o pronador redondo e o prona-
dor quadrado. A localização do músculo pronador redondo é medial e superior ao antebraço;
quanto à localização do pronador quadrado, esta é anterior e estende-se entre a ulna e o
rádio. Ambos os músculos vão atuar de forma sinérgica para rodar a palma da mão posterior-
mente e posicionar o dedo polegar medialmente (VAN DE GRAAFF, 2003).
Flexão de punhos, mãos e dedos
Existem seis músculos que são os responsáveis pela fl exão de punhos, mãos e dedos. Ape-
sar de quatro deles apresentarem origem no epicôndilo medial do úmero, suas ações na arti-
culação do cotovelo são muito pequenas (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo fl exor radial do carpo está estendido diagonalmente por meio da face anterior
do antebraço, sendo que o seu tendão distal é parecido com um cordão que atravessa o punho
abaixo do retináculo dos músculos fl exores (TORTORA, 2016).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 117
Figura 2. Artéria radial. Fonte:Shutterstock. Acesso em: 07/08/2019. (Adaptado).
O músculo palmar longo possui uma posição superfi cial na face anterior do braço, tendo um
tendão longo e fi no que vai se fi xar na aponeurose palmar e auxiliar na fl exão das articulações
do punho (TORTORA, 2016).
O músculo fl exor ulnar do carpo está inserido no lado anterior e medial do antebraço, atuan-
do na fl exão das articulações do punho e na adução da mão.
O músculo fl exor superfi cial dos dedos está localizado imediatamente abaixo dos três mús-
culos fl exores descritos anteriormente, possuindo uma origem bem grande que abrange úme-
ro, ulna e rádio (VAN DE GRAAFF, 2003).
O tendão da extremidade distal do músculo está unido por meio da articulação do punho,
dividindo-se posteriormente para ser inserido na falange média dos dedos II ao V.
A Tabela 2 é constituída por todos os músculos que atuam no antebraço, que são o bíceps
braquial, braquial, braquiorradial, tríceps braquial e ancôneo.
Tabela 2. Músculos que atuam no antebraço na articulação do cotovelo
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Bíceps braquial. Processo coracoide e tubér-culo supraglenoidal. Tuberosidade do rádio.
Flexiona a articulação do
cotovelo, supinao antebra-
ço e a mão na articulação
radioulnar.
Braquial. Face anterior do úmero. Processo coronoide da ulna. Flexiona a articulação do cotovelo.
Braquiorradial. Crista supraepicondilar lateral do úmero.
Proximal ao processo estiloi-
de do rádio.
Flexiona a articulação do
cotovelo.
Tríceps braquial.
Tubérculo infraglenoidal,
faces lateral e medial do
úmero.
Olécrano da ulna. Estende a articulação do cotovelo.
Ancôneo. Epicôndilo lateral do úmero. Olécrano da ulna. Estende a articulação do cotovelo.
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 118
O músculo flexor profundo dos dedos está localizado de forma profunda ao flexor superficial dos
dedos, estando inserido nas falanges distais dos dedos II ao V. Ambos os músculos vão realizar a fle-
xão das articulações do punho, mão e dedos II, III, IV e V (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo flexor longo do polegar é um músculo profundo e lateral do antebraço, que vai atuar na
flexão das articulações do polegar e auxiliar no mecanismo de preensão da mão (TORTORA, 2016).
Os tendões dos músculos flexores das articulações da mão podem ser visualizados na região do
punho quando a mão está fechada e mantida com força através do retináculo dos flexores que atra-
vessa o punho (VAN DE GRAAFF, 2003).
Extensão da mão
Os músculos que realizam a extensão das
articulações da mão estão situados no lado
posterior do antebraço. Os principais músculos
extensores podem ser visualizados de forma su-
perficial.
O músculo extensor radial longo do carpo
está medialmente ao músculo braquiorradial,
estendendo a articulação carpal e abduzindo a
mão no punho (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo extensor radial curto do carpo
está imediatamente medial ao músculo exten-
sor longo do carpo, realizando quase a mesma
função, porém sua origem e inserção são diferentes (TORTORA, 2016).
O músculo extensor dos dedos está localizado na base do antebraço ao longo da face posterior;
sua origem é no epicôndilo lateral do úmero, as inserções dos tendões estão divididas no punho,
abaixo do retináculo dos músculos extensores, em quatro tendões que estão fixos na extremidade
distal das falanges médias dos dedos II ao V (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo extensor do dedo mínimo é um músculo grande e fino situado no lado ulnar do mús-
culo extensor dos dedos. Sua inserção tendínea está fundida com o tendão do músculo extensor dos
dedos, indo em direção ao quinto dedo.
O músculo extensor ulnar do carpo é o músculo mais medial da face posterior do antebraço,
estando inserido na base do quinto osso metacarpal, intervindo na extensão e adução das arti-
culações da mão.
O músculo extensor longo do polegar tem origem na região mediulnar, atravessando os dois ter-
ços inferiores do antebraço. Está inserido na base da falange distal do dedo polegar, estendendo-se
das articulações do dedo polegar e abduzindo a mão (TORTORA, 2016).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 119
O músculo extensor curto do polegar está originado na porção média inferior do rádio, inserin-
do-se na base da falange proximal do polegar. Sua ação é semelhante à do músculo extensor longo
do polegar (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo abdutor longo do polegar realiza a abdução das articulações do polegar e da mão,
tendo sua origem na membrana interóssea entre a ulna e o rádio, e estando inserido na base do
primeiro osso metacarpal (TORTORA, 2016).
A Tabela 3 e a Fig. 3 apresentam os músculos do antebraço, que são os responsáveis pelos movi-
mentos das articulações de punhos, mãos e dedos. Observe todos os dez músculos envolvidos com
estes movimentos.
Tabela 3. Músculos do antebraço que movimentam as articulações do punho, mão e dedos
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Supinador.
Epicôndilo lateral do úmero
e crista do músculo supina-
dor da ulna.
Lateral do rádio. Supinação do antebraço e da mão.
Pronador redondo. Epicôndilo medial do úmero. Face lateral do rádio. Pronação do antebraço e da mão.
Flexor radial do
carpo. Epicôndilo medial do úmero. Base do 2º e 3º metacarpais.
Flexão e abdução da mão no
punho.
Palmar longo. Epicôndilo medial do úmero. Aponeurose palmar. Flexão do punho.
Flexor ulnar do
carpo. Epicôndilo medial e olecrano.
Ossos carpais e metacar-
pais. Flexão e adução do punho.
Flexor superficial
dos dedos.
Epicôndilo medial, processo
coronoide e margem ante-
rior do rádio.
Falanges médias dos dedos
II ao V.
Flexão do punho e dos
dedos nas articulações me-
tacarpofalângicas e inter-
falângicas.
Flexor profundo
dos dedos.
2/3 proximais da ulna e
membrana interóssea.
Falanges distais dos dedos
III ao V.
Flexão do punho e dos
dedos nas articulações me-
tacarpofalângicas e inter-
falângicas.
Flexor longo do
polegar.
Corpo do rádio, membrana
interóssea e processo
coronoide.
Falange distal do polegar. Flexão das articulações do polegar.
Extensor radial
longo do carpo.
Crista supraepicondilar
lateral do úmero. 2º osso metacarpal.
Extensão e abdução do
punho.
Extensor radial
curto do carpo. Epicôndilo lateral do úmero. 3º osso metacarpal.
Extensão e abdução do
punho.
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 120
Figura 3.Músculos do antebraço. Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
(a)
Nervo cutâneo
lateral do antebraço
Artéria braquial
Nervo mediano
Pronador redondo
Flexor ulnar do carpo
Flexor radial do carpo
Flexor superfi cial
dos dedos
Abdutor do
dedo mínimo
Palmar longo
Nervo ulnar
Artéria ulnar
Nervo mediano
Flexor do dedo mínimo
Flexor longo do polegar
Extensor radial
longo do carpo
Extensor radial
curto do carpo
Abdutor longo
do polegar
Extensor curto
do polegar
Retináculo dos
músculos fl exores
Abdutor curto
do polegar
Flexor curto
do polegar
Adutor do
polegar
Artéria radial
Artéria radial
Braquiorradial
(b)
Nervo ulnar
Braquiorradial
Extensor radial
longo do carpo
Extensor ulnar
do carpo
Extensor radial
curto do carpo
Extensor
dos dedos
Extensor do
dedo mínimo
Abdutor longo
do polegar
Extensor curto
do polegar
Ramo superfi cial
do n. radial
Retináculo dos
músculos extensores
Artéria radial
Artéria Interósseo
dorsal radial
Ancôneo
Flexor ulnar
do carpo
Extensor do
indicador
Extensor longo
do polegar
Ramo dorsal
do n. ulnar
Músculos da mão5.1.4
Você sabe o que garante a precisão dos movimentos de todos os dedos da mão? Esta precisão
do movimento dos dedos é garantida em função da coordenação da abdução e adução com fl exão
e extensão, sendo as funções dos músculos intrínsecos da mão (TORTORA, 2016). Os músculos da
mão são constituídos por três grupos: tenares, hipotenares e intermediários.
Eminência tenar
A eminência tenar é considerada a base do dedo polegar, sendo constituída por três músculos:
abdutor curto do polegar, fl exor curto do polegar e oponente do polegar. O oponente do polegar
é considerado o mais importante dos músculos tenares, realizando a oposição do polegar à palma
da mão (VAN DE GRAAFF, 2003).
Eminência hipotenar
A eminência hipotenar corresponde à saliência presente no dedo mínimo, sendo constituída
por três músculos: abdutor do dedo mínimo, fl exor do dedo mínimo e oponente do dedo mínimo.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 121
Grupo intermediário
Os músculos que fazem parte do grupo intermediário estão inseridos entre os ossos meta-
carpais na região da palma da mão, estando inclusos os músculos adutor do polegar, lumbri-
cais e interósseos palmares e dorsais (TORTORA, 2016).
PAUSA PARA REFLETIR
O que possibilita a precisão dos movimentos realizados pelas mãos?
A Tabela 4 é constituídapor todos músculos da mão, os quais estão divididos em três gru-
pos: tenares, hipotenares e intermediários.
Tabela 4. Músculos intrínsecos da mão
MÚSCULOS TENARES
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Abdutor curto do
polegar.
Retináculo dos músculos
flexores, escafoide e
trapézio.
Falange proximal do polegar. Abdução das articulações do polegar.
Flexor curto do
polegar.
Retináculo dos músculos
flexores e trapézio. Falange proximal do polegar.
Flexão das articulações do
polegar.
Oponente do
polegar.
Trapézio e retináculo dos
músculos flexores. Primeiro osso metacarpal.
Oposição das articulações
do polegar.
MÚSCULOS INTERMÉDIOS
Adutor do po-
legar (cabeças
oblíqua e trans-
versa).
Cabeça oblíqua, capitato,
cabeça transversa, 2º e 3º
osso metacarpal.
Falange proximal do polegar. Adução das articulações do polegar.
Lumbricais (4). Tendões dos flexores pro-fundos dos dedos.
Expansões extensoras dos
dedos II – V.
Flexão dos dedos nas articu-
lações metacarpofalângicas,
extensão dos dedos nas
articulações interfalângicas.
Interósseos
palmares.
Lado medial do 2º osso
metacarpal, lados laterais
do 4º e 5º osso metacarpal.
Falanges proximais dos
dedos II, III e V e extensor
dos dedos.
Adução dos dedos em
direção ao dedo médio nas
articulações metacarpo-
falângicas.
Interósseos
dorsais (4).
Lados adjacentes dos ossos
metacarpais.
Lados laterais das falanges
proximais dos dedos II e III
mais lados mediais das fa-
langes proximais dos dedos
III e IV e extensor dos dedos.
Abdução dos dedos afas-
tando do dedo médio nas
articulações metacarpo-
falângicas.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 122
MÚSCULOS HIPOTENARES
Abdutor do dedo
mínimo.
Pisiforme e tendão do fl exor
ulnar do carpo. Falange proximal do V dedo.
Abdução das articulações
do V dedo.
Flexor do dedo
mínimo.
Retináculo dos músculos
fl exores e hámulo do
hamato.
Falange proximal do V dedo. Flexão das articulações do V dedo.
Oponente do
dedo mínimo.
Retináculo dos músculos
fl exores e hámulo do
hamato.
5º osso metacarpal. Oposição.
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
Músculos dos membros inferiores5.2
Neste tópico vamos estudar os músculos que constituem os membros inferiores, distribuí-
dos pelas regiões do quadril, glúteos, coxas, pernas e pés.
CURIOSIDADE:
Você sabia que durante uma atividade simples como uma caminhada são ativa-
dos em média 200 músculos?
Você sabia que durante uma atividade simples como uma caminhada são ativa-Você sabia que durante uma atividade simples como uma caminhada são ativa-Você sabia que durante uma atividade simples como uma caminhada são ativa-Você sabia que durante uma atividade simples como uma caminhada são ativa-Você sabia que durante uma atividade simples como uma caminhada são ativa-Você sabia que durante uma atividade simples como uma caminhada são ativa-
Músculos do quadril5.2.1
Os músculos responsáveis pelos movimentos da coxa na articulação do quadril têm sua
origem no cíngulo do membro inferior (ossos do quadril e sacro) e na coluna vertebral,
estando inseridos em vários locais do fêmur (TORTORA, 2016).
Estes músculos vão estabilizar a articulação do quadril fornecendo um grande supor-
te para o corpo, tanto na posição bipedal como também para a locomoção. Nesta região
estão localizados todos os músculos mais volumosos do corpo humano, como também
alguns músculos bem pequenos.
Os músculos responsáveis pela movimentação da coxa na articulação do quadril são
divididos em grupo anterior, posterior e medial, que serão estudados a seguir (VAN DE
GRAAFF, 2003).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 123
Figura 4. Músculos do quadril. Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
Psoas maior
Iliopsoas
Pectíneo
Adutor curto
Adutor magno
Adutor longo (cortado)
Anéis e veia femoral
GrácilVasto
medial
Reto femoral
(cortado)
Psoas menor
Crista ilíaca
Sartório
(cortado)
Sartório
(cortado)
Tensor da fáscia lata
Vasto
intermediário
Vasto
lateral
Tendão da
patela
Patela
Ilíaco
Músculos mediais ou adutores
Os músculos mediais que realizam os movimentos da articulação do quadril são: pectí-
neo, grácil, adutor longo, adutor curto e adutor magno.
O grácil é um músculo longo e delgado, sendo o mais superfi cial de todos os músculos
mediais da coxa, cruzando duas articulações e podendo aduzir a articulação do quadril ou
fl exionar o joelho (VAN DE GRAAFF, 2003). Já o músculo pectíneo é o mais superior de todos
os músculos mediais que realizam a movimentação da articulação do quadril, sendo um
músculo plano, quadrangular, que realiza a fl exão e adução do quadril (TORTORA, 2016).
A localização do músculo adutor longo é imediatamente lateral ao grácil no terço supe-
rior da coxa, sendo o mais anterior de todos os músculos adutores. O músculo adutor curto
é um músculo triangular que está localizado de forma profunda aos músculos adutor longo
e pectíneo, que na maioria está oculto (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo adutor magno é um músculo bem grande e espesso localizado de forma
profunda com os outros dois músculos adutores, sendo que o adutor longo, curto e magno
são sinergistas na adução, fl exão e rotação lateral da articulação do quadril.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 124
Na Tabela 5 a seguir você poderá observar todos os músculos mediais que são os res-
ponsáveis pela movimentação da coxa na articulação do quadril.
Tabela 5. Músculos mediais que movimentam a coxa na articulação do quadril
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Grácil. Margem inferior da sínfi se púbica.
Parte proximal da face me-
dial da tíbia.
Adução da coxa na articula-
ção do quadril, fl exão e rota-
ção da perna na articulação
do joelho.
Pectíneo. Linha pectínea do púbis. Distal ao trocânter menor do fêmur.
Adução e fl exão da coxa na
articulação do quadril.
Adutor longo. Púbis – abaixo da crista ilíaca. Linha áspera do fêmur.
Adução, fl exão e rotação la-
teral da coxa na articulação
do quadril.
Adutor curto. Ramo inferior do púbis. Linha áspera do fêmur.
Adução, fl exão e rotação la-
teral da coxa na articulação
do quadril.
Adutor magno. Ramos inferiores do ísquio e do púbis.
Linha áspera e epicôndilo
medial do fêmur.
Adução, fl exão e rotação la-
teral da coxa na articulação
do quadril.
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
Músculos da região glútea5.2.2
Os músculos posteriores e laterais correspondem à chamada região glútea, sendo que
os músculos posteriores vão movimentar a coxa na articulação do quadril, estando in-
clusos o glúteo máximo, médio, mínimo e o tensor da fáscia lata (VAN DE GRAAFF, 2003).
O glúteo máximo é considerado um importante extensor da articulação do quadril, sen-
do fundamental para a posição bipedal e a locomoção; originado no ílio, sacro, cóccix e
aponeurose da região lombar, com inserção na tuberosidade glútea do fêmur e no trato
iliotibial, é uma região tendínea espessada da fáscia lata que se estende inferiormente
na coxa.
A localização do músculo glúteo médio está logo em seguida, profundamente ao glú-
teo máximo, com a origem na superfície lateral do ílio e estando inserido no trocânter
maior do fêmur, sendo que o glúteo médio fará a abdução rodar medialmente (VAN DE
GRAAFF, 2003).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 125
Figura 5. Injeções intramusculares nos glúteos. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 07/08/2019.
ESCLARECIMENTO:
Além de realizar os movimentos de abdução e rodar medialmente a articulação do
quadril, o músculo glúteo médio é o local mais utilizado para a aplicação de injeções
intramusculares em razão da alta vascularização da área, o que permite a rápida
absorção de medicamentos.
quadril, o músculo glúteo médio é o localmais utilizado para a aplicação de injeções
Além de realizar os movimentos de abdução e rodar medialmente a articulação do
quadril, o músculo glúteo médio é o local mais utilizado para a aplicação de injeções
intramusculares em razão da alta vascularização da área, o que permite a rápida
Além de realizar os movimentos de abdução e rodar medialmente a articulação do Além de realizar os movimentos de abdução e rodar medialmente a articulação do Além de realizar os movimentos de abdução e rodar medialmente a articulação do Além de realizar os movimentos de abdução e rodar medialmente a articulação do
quadril, o músculo glúteo médio é o local mais utilizado para a aplicação de injeções
intramusculares em razão da alta vascularização da área, o que permite a rápida
quadril, o músculo glúteo médio é o local mais utilizado para a aplicação de injeções
intramusculares em razão da alta vascularização da área, o que permite a rápida intramusculares em razão da alta vascularização da área, o que permite a rápida
O músculo glúteo mínimo, por sua vez, é o menor deles e o mais profundo de todos,
originando-se na face lateral do ílio e inserido na superfície lateral do trocânter maior,
atuando de forma sinérgica com os músculos glúteo médio e tensor da fáscia lata na ab-
dução da articulação do quadril (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo tensor da fáscia lata está localizado superficialmente na face lateral do qua-
dril, com origem na crista ilíaca e inserção na fáscia lateral e grande da coxa denominada
trato iliotibial (TORTORA, 2016).
O músculo tensor da fáscia lata e o músculo glúteo médio são músculos abdutores
sinérgicos da articulação do quadril (VAN DE GRAAFF, 2003).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 126
Músculos da coxa5.2.3
Os músculos anteriores responsáveis pela movimentação da coxa na articulação do quadril
são o ilíaco e o psoas maior (VAN DE GRAAFF, 2003). O músculo ilíaco tem origem na fossa ilíaca,
estando inserido no trocânter menor do fêmur, enquanto o músculo psoar maior tem a origem
nos corpos e processos transversos das vértebras lombares, estando inserido junto com o mús-
culo ilíaco no trocânter menor (TORTORA, 2016).
O músculo psoas maior e o ilíaco atuam de forma sinérgica, realizando a fl exão; rodam a arti-
culação do quadril e fazem a fl exão da coluna vertebral. Esses dois músculos são denominados
em conjunto de músculo iliopsoas (VAN DE GRAAFF, 2003).
Na Tabela 6 você pode observar todos os músculos anteriores e posteriores que são os res-
ponsáveis pelos movimentos da coxa, sendo constituídos por seis músculos.
Tabela 6. Músculos anteriores e posteriores que movimentam a coxa na
articulação do quadril
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Ilíaco. Fossa ilíaca. Trocânter menor do fêmur, junto com o psoas maior.
Flexão e rotação da coxa
lateralmente na articulação
do quadril, fl exão das articu-
lações da coluna vertebral.
Psoar maior. Processos costiformes de to-das as vértebras lombares.
Trocânter menor do fêmur,
junto com o ilíaco.
Flexão e rotação da coxa
lateralmente na articulação
do quadril, fl exão das articu-
lações da coluna vertebral.
Glúteo máximo.
Crista ilíaca, sacro, cóccix e
aponeurose da região lom-
bar.
Tuberosidade glútea e trato
iliotibial.
Extensão e rotação lateral
da coxa na articulação do
quadril.
Glúteo médio. Face lateral do ílio. Trocânter maior.
Abdução e rotação lateral
da coxa na articulação do
quadril.
Glúteo mínimo. Face lateral na metade inferior do ílio. Trocânter maior.
Abdução da coxa na articu-
lação do quadril.
Tensor da fáscia
lata.
Margem anterior do ílio e
crista ilíaca. Trato iliotibial.
Abdução da coxa na articu-
lação do quadril.
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 127
Músculos da perna e pé5.2.4
Os músculos responsáveis pela movimentação do joelho são originados no cíngulo do mem-
bro inferior ou na coxa, estando envolvidos através de lâminas fasciais muito resistentes; são
considerados uma continuação da fáscia lata e do trato iliotibial.
A divisão destes músculos é dada de acordo com a função e a posição em dois grupos, que são
os músculos extensores anteriores e os músculos fl exores posteriores (VAN DE GRAAFF, 2003).
DICA:
Você sabia que existem livros impressos e e-books da área de Anatomia para colo-
rir? Um exemplo é o livro Netter anatomia para colorir, publicado pela editora Elsel-
vier em 2010. Ao realizar uma atividade como essa, você estará reforçando os con-
teúdos estudados ao longo do capítulo a respeito dos músculos, além de recuperar
importantes conceitos a respeito da Anatomia humana. Fica a dica!
Você sabia que existem livros impressos e e-books da área de Anatomia para colo-
, publicado pela editora Elsel-
vier em 2010. Ao realizar uma atividade como essa, você estará reforçando os con-
teúdos estudados ao longo do capítulo a respeito dos músculos, além de recuperar
, publicado pela editora Elsel-, publicado pela editora Elsel-
Você sabia que existem livros impressos e e-books da área de Anatomia para colo-
, publicado pela editora Elsel-
vier em 2010. Ao realizar uma atividade como essa, você estará reforçando os con-
teúdos estudados ao longo do capítulo a respeito dos músculos, além de recuperar
vier em 2010. Ao realizar uma atividade como essa, você estará reforçando os con-
teúdos estudados ao longo do capítulo a respeito dos músculos, além de recuperar
importantes conceitos a respeito da Anatomia humana. Fica a dica!
Músculos anteriores ou extensores
Os músculos anteriores responsáveis pela movimentação da articulação do joelho são o sar-
tório e o quadríceps femoral (TORTORA, 2016). O músculo sartório longo tem o formato de uma
cinta, e cruza de forma oblíqua a face anterior da coxa. Age nas articulações do quadril e do
joelho para realizar a fl exão e rodar lateralmente o quadril, como também para auxiliar na fl e-
xão da articulação do joelho e na rotação medial. Este é o músculo mais longo do corpo, sendo
chamado por muitos de “músculo do alfaiate”, uma vez que auxilia no cruzamento das pernas no
momento que o indivíduo está sentado (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo quadríceps femoral é uma combinação de quatro músculos diferentes, com ori-
gens separadas, mas com uma única inserção na patela através do seu tendão. Este tendão é
contínuo sobre a patela, tornando em seguida o ligamento da patela que está inserido na tube-
rosidade da tíbia. Estes músculos atuam de forma sinérgica para realizar a extensão do joelho,
sendo eles: reto femoral, vasto lateral, vasto medial e vasto intermédio (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo reto femoral possui uma posição superfi cial, sendo o único dos quatro que atua
tanto na articulação do quadril como na do joelho (TORTORA, 2016). O músculo vasto lateral
está posicionado lateralmente, sendo o maior do músculo quadríceps femoral. Por não possuir
massa muscular sufi ciente para absorção medicamentosa em outras regiões do corpo e devido
à ação dolorosa nos glúteos e nos ombros nessa faixa etária, o músculo vasto lateral é o mais re-
comendado para a aplicação de injeções intramusculares em crianças. Já o músculo vasto medial
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 128
apresenta uma posição medial ao longo de toda a coxa, sendo que o músculo vasto intermédio
está localizado profundamente ao reto femoral (VAN DE GRAAFF, 2003).
Na Tabela 7 você encontrará todos os músculos anteriores da coxa que movimentam as arti-
culações do joelho e também do quadril.
Tabela 7. Músculos anteriores da coxa que movimentam a articulação do joelho e quadril
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Sartório. Espinha ilíaca ântero superior. Face medial da tíbia. Flexão das articulações do
joelho e quadril, abdução
da articulação do quadril,rotação lateral da coxa na
articulação do quadril e
rotação medial da perna na
articulação do joelho.
Quadríceps
femoral.
Reto femoral. Espinha ilíaca ântero superior e lábio do acetábulo.
Patela pelo tendão da
patela que continua como
ligamento da patela até a
tuberosidade da tíbia.
Extensão da perna na arti-
culação do joelho.
Vasto medial. Trocânter maior e linha áspe-ra do fêmur.
Vasto lateral. Face medial e linha áspera do fêmur.
Vasto intermédio. Faces anterior e lateral do fêmur.
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
Músculos posteriores ou flexores
Existem três músculos posteriores da coxa que são considerados antagonistas dos músculos
do quadríceps femoral, uma vez que realizam a flexão da articulação do joelho (TORTORA, 2016).
O músculo bíceps femoral está na face póstero lateral da coxa, apresentando uma cabeça longa
superficial e uma cabeça pequena profunda, realizando a movimentação de ambas as articulações
do quadril e do joelho (VAN DE GRAAFF, 2003). O músculo semitendíneo superficial é fusiforme e
se localiza na face póstero medial da coxa, atuando sobre duas articulações. O músculo semimem-
branáceo está profundamente ao semitendíneo, na face póstero medial da coxa (VAN DE GRAAFF,
2003). Já os músculos posteriores da coxa vão movimentar a perna na articulação do joelho.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 129
Tabela 8. Músculos posteriores da coxa que movimentam a articulação do joelho
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Bíceps femoral.
Cabeça longa – túber
isquiático, cabeça curta –
linha áspera do fêmur.
Cabeça da fíbula e côndilo
lateral da tíbia.
Flexão da articulação do
joelho, extensão e rotação
medial da coxa na articula-
ção do quadril.
Semitendíneo. Túber isquiático. Porção proximal da face medial do corpo da tíbia.
Flexão da articulação do
joelho, extensão e rotação
medial da coxa na articula-
ção do quadril.
Semimenbraná-
ceo. Túber isquiático.
Porção proximal da face
medial da tíbia.
Flexão da articulação do
joelho, extensão e rotação
medial da coxa na articula-
ção do quadril.
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
Músculos da perna que movimentam as articulações do tornozelo, pé e dedos do pé
Os músculos da perna chamados de músculos crurais são os responsáveis pelos movimentos do
pé. Existem três grupos de músculos crurais: anteriores, laterais e posterior (VAN DE GRAAFF, 2003).
Músculos crurais anteriores
Os músculos crurais anteriores são os músculos tibial anterior, extensor longo dos dedos,
extensor longo do hálux e fibular terceiro (VAN DE GRAAFF, 2003). O músculo tibial anterior
é um músculo grande e superficial, podendo ser palpado através da porção ântero lateral da
tíbia, estendendo-se paralelamente à crista anterior da tíbia. O músculo extensor longo dos
dedos está posicionado lateralmente ao tibial anterior na superfície ântero lateral da perna
(TORTORA, 2016).
O músculo extensor longo do hálux está localizado profundamente entre o músculo tibial
anterior e o músculo extensor longo dos dedos. O músculo fibular terceiro está contínuo com
a porção distal do músculo extensor dos dedos (VAN DE GRAAFF, 2003).
Músculos crurais laterais
Os músculos crurais laterais são o fibular longo e o fibular curto, sendo que o fibular longo
é um músculo superficial lateral que fica por cima da fíbula, enquanto o músculo fibular curto
está localizado de forma profunda ao fibular longo, localizado próximo do pé (TORTORA, 2016).
Estes dois músculos são sinergistas quanto ao movimento de flexão na articulação do tornoze-
lo e na eversão do pé (VAN DE GRAAFF, 2003).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 130
Músculos da região crural posterior
Existem sete músculos crurais posteriores, divididos em superficiais e profundos. O grupo
superficial é formado pelos músculos gastrocnêmio, sóleo e plantar. Os quatro músculos cru-
rais posteriores profundos são o poplíteo, flexor longo do hálux, flexor longo dos dedos e tibial
posterior (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo gastrocnêmio é grande e superficial e vai formar a maior parte da panturrilha
da perna, sendo formado por duas cabeças distintas, originadas da face posterior dos epicôn-
dilos medial e lateral do fêmur (TORTORA, 2016). O gastrocnêmio e o sóleo são músculos pro-
fundos que estão inseridos no calcâneo através de um tendão comum, chamado tendão cal-
câneo, sendo considerado o tendão mais resistente do corpo, mas que em muitos casos acaba
sofrendo ruptura devido a pressões súbitas durante uma competição, por exemplo (VAN DE
GRAAFF, 2003).
O músculo gastrocnêmio vai atuar sobre duas articulações, realizando a flexão da articula-
ção do joelho e a flexão plantar do pé na articulação do tornozelo (TORTORA, 2016). O músculo
sóleo está situado profundamente junto com o músculo gastrocnêmio, sendo que estes dois
músculos são geralmente considerados como um único músculo – o músculo tríceps sural –
possuindo uma inserção comum. Porém, o sóleo vai atuar apenas na articulação do tornozelo
na flexão plantar do pé (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo plantar tem sua origem acima da origem da cabeça lateral do músculo gastroc-
nêmio na linha superacondilar do fêmur, possuindo um tendão muito longo e fino que está
inserido sobre o calcâneo. Este músculo é frágil e possui uma limitação para realizar a flexão
do joelho e para a flexão plantar da articulação do tornozelo (TORTORA, 2016).
O músculo poplíteo é delgado e triangular e está localizado de forma profunda nas cabeças
do músculo gastrocnêmio, formando parte do assoalho da fossa poplítea – depressão localiza-
da no lado de trás da articulação do joelho. Este músculo é um rotador medial da articulação
do joelho durante a locomoção (VAN DE GRAAFF, 2003).
O músculo flexor longo do hálux está localizado profundamente ao músculo sóleo e no lado
póstero lateral da perna, flexionando as articulações do hálux e ajudando na flexão plantar
da articulação do tornozelo e inversão do pé. O músculo flexor longo dos dedos também está
localizado profundamente ao sóleo, seguindo paralelamente ao músculo flexor longo do hálux
no lado medial da perna. O tendão distal vai passar posterior ao maléolo medial, continuando
ao longo da face plantar do pé e ramificando-se em quatro tendões que estão inseridos nas
bases das falanges distais dos dedos II, III, IV e V (VAN DE GRAAFF, 2003).
O flexor longo dos dedos vai atuar sobre algumas articulações, realizando a flexão dos qua-
tro dedos e auxiliando na flexão plantar do tornozelo e na inversão do pé. O músculo tibial
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 131
posterior está localizado de forma profunda junto ao sóleo, entre os fl exores posteriores, com
seu tendão distal passando atrás do maléolo medial e inserindo-se na face plantar do navi-
cular, cuneiforme e cuboide e nos ossos metatarsais do II e IV. O tibial posterior realiza a fl exão
plantar da articulação do tornozelo, faz a inversão do pé e dá suporte para os arcos do pé (VAN DE
GRAAFF, 2003).
Músculos do pé
Com exceção de um músculo intrínseco adicional que é chamado de extensor curto dos de-
dos, todos os músculos do pé são parecidos, tanto em nome como em número com os da mão,
porém suas funções são diferentes, uma vez que o pé está adaptado para sustentar e suportar o
peso corporal, e a mão para segurar os objetos, por exemplo (VAN DE GRAAFF, 2003).
Os músculos do pé estão organizados em quatro camadas, atuando na movimentação dos
dedos do pé ou, ainda, para proporcionar o suporte aos arcos do pé por meio das contrações
(TORTORA, 2016).
Figura 6. Camadas musculostendinosas da região plantar do pé. Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
Bainhas fi brosas
dos dedos do pé
Tendão do fl exor longo do hálux
Flexor curto do hálux
Flexordo dedo mínimo
Abdutor do hálux
Aponeurose plantar (cortada)
Tuberosidade do calcâneo
Lumbricais
Flexor do dedo mínimo
Abdutor do dedo mínimo
Tendões do fl exor curto
dos dedos (cortados)
Tendão do fl exor
longo do hálux
Flexor curto do hálux
Lumbricais
Tendão do fl exor
longo dos dedos
Quadrado plantar
Flexor curto dos dedos (cortado)
Abdutor do hálux (cortado)
Flexor curto dos dedos
Abdutor do dedo mínimo
Interósseo plantar
(A)
(B)
Tendão do flexor curto
dos dedos (cortado)
Interósseos plantares
Quadrado plantar
(cortado)
Ligamentos plantares
(C)
(D)
Oponente do
dedo mínimo
Tendão do fibular longo
Tendão do fibular curto
Cápsulas articulares
Ossos sesamoides
Interósseos dorsais
Interósseos plantares
Tendão do tibial
posterior
Ligamento plantar longo
Tendão do lumbrical
(cortado)
Tendões do flexor longo
dos dedos (cortado)
Cabeça oblíqua do adutor do hálux
Cabeça transversa
Flexor curto do hálux
Tendão do flexor longo do
hálux (cortado)
Tendão do flexor longo dos
dedos (cortado)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 132
Figura 7. Vista anterior do dorso do pé. Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptado).
Na Tabela 9 você pode observar todos os 13 músculos responsáveis pelos movimentos das ar-
ticulações do tornozelo, pé e dedos.
Tabela 9. Músculos da perna que movimentam as articulações do tornozelo, pé e dedos
MÚSCULO ORIGEM INSERÇÃO AÇÃO
Tibial anterior. Parte proximal da face late-ral e corpo da tíbia.
Primeiro osso metatarsal e
cuneiforme medial.
Dorsifl exão do tornozelo e
inversão do pé no tornozelo.
Extensor longo
dos dedos.
Extensor longo
do hálux.
Parte proximal da face late-
ral da tíbia e face anterior
da fíbula;
Face anterior da fíbula e
membrana interóssea.
Expansões extensoras dos
dedos II – V;
Falange distal do dedo I.
Extensão das articulações
dos dedos II a V e dorsifl e-
xão do pé no tornozelo;
Extensão das articulações
do hálux e da perna auxiliar
da dorsifl exão do pé no
tornozelo.
Fibular terceiro. Face anterior da fíbula e membrana interóssea.
Face dorsal do quinto osso
metatarsal.
Dorsifl exão e eversão do pé
no tornozelo.
Fibular longo. Côndilo lateral da tíbia e cabeça e corpo da fíbula.
Cuneiforme medial e primei-
ro osso metatarsal.
Flexão plantar e eversão do
pé no tornozelo.
Fibular curto. Parte inferior da fíbula. Osso metatarsal V. Flexão plantar e eversão do pé no tornozelo.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 133
Proposta de Atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um mapa
conceitual destacando as principais ideias abordadas ao longo do capítulo. Ao produzir seu
mapa, considere as leituras básicas e complementares realizadas.
Fonte: VAN DE GRAAFF, 2003. (Adaptada).
Gastrocnêmio. Epicôndilo lateral e média do fêmur. Face posterior do calcâneo.
Flexão plantar e eversão do
pé no tornozelo, flexão da
articulação do joelho.
Sóleo. Faces posteriores da fíbula e tíbia. Calcâneo.
Flexão plantar do pé no
tornozelo.
Plantar. Linha supracondilar lateral do fêmur. Calcâneo.
Flexão plantar do pé no
tornozelo.
Poplíteo. Côndilo lateral do fêmur. Parte póstero superior da tíbia.
Flexão e rotação medial
da perna na articulação do
tornozelo.
Flexor longo do
hálux. Face posterior da fíbula. Falange distal do hálux.
Flexão da articulação da
falange distal do hálux.
Flexor longo dos
dedos. Face posterior da tíbia.
Falanges distais dos dedos
II – V.
Flexão das articulações das
falanges distais dos dedos
II – V.
Recapitulando
Neste capítulo, estudamos a posição e as funções de cada músculo que compõe os membros
superiores e inferiores do corpo humano. Conhecemos os músculos dos ombros, dos braços e do
antebraço. Vimos também em detalhes a musculatura responsável pela flexão de punhos, mãos e
dedos. Além disso, demos enfoque especial à musculatura das mãos. Na sequência, vimos os mús-
culos que compõem o quadril, a região glútea, as coxas, as pernas e os pés.
Na primeira pausa para refletir, questionamos que outra importante função é desempenhada
pelo músculo flexor radial do carpo. O músculo, além de realizar os movimentos de flexão e abdução,
pode servir de “referência” para a localização da artéria radial, por meio da qual podemos verificar a
pulsação ou a frequência de batimentos cardíacos de um indivíduo. Na segunda pausa, por sua vez,
perguntamos o que possibilita a precisão dos movimentos das mãos. Respondendo a esse questio-
namento, a precisão dos movimentos dos dedos é garantida por meio da coordenação da abdução
com a flexão e a extensão realizada pelos músculos intrínsecos da mão.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 134
No início do capítulo, perguntamos por que a mão é considerada uma das estruturas mais com-
plexas do corpo humano. A mão é vista como uma das estruturas mais complexas do corpo humano
por possibilitar tanto a realização de movimentos elaborados e precisos, como, por exemplo, tocar
um instrumento, escrever uma carta ou realizar uma cirurgia delicada, quanto o desenvolvimento
de atividades que exijam força e potência. Além de todas essas funções, é através das mãos que os
indivíduos se relacionam com o meio externo, interagindo com outros indivíduos e objetos.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 135
Referências bibliográficas
FLOYD, R. T. Manual de cinesiologia estrutural. 19. ed. Barueri: Manole, 2016.
HANSEN, J. T. Netter anatomia para colorir. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.
MOORE, K. L.; ARTHUR, F.; AGUR, A. M. R. Anatomia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
SOBOTTA, J. Atlas de anatomia humana. 22. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
TORTORA, G. J.; DERRCKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 14. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2016.
VAN DE GRAAFF, Kent M. Anatomia humana. 6. ed. Barueri: Manole, 2003.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 136
Objetivo do capítulo
Defi nir Lei da Gravitação e sua fi nalidade;
Apresentar o grau de amplitude de
movimento das articulações e sua
correlação; com o desempenho do
profi ssional fi sioterapeuta.
CENTRO DE GRAVIDADE, EQUILÍBRIO
CORPORAL E GRAU DE FORÇA MUSCULAR
• Defi nição e localização
• Função e a formação do peso
corporal e do equilíbrio
• Grau de força muscular
MOVIMENTOS ARTICULARES DA
COLUNA, MEMBROS SUPERIORES E
SUAS AMPLITUDES EM GRAUS
• Amplitude de movimento (ADM) da
coluna vertebral e cintura escapular
• Amplitude de movimento (ADM) das
articulações do ombro e cotovelo
• Amplitude de movimento (ADM) das
articulações do punho, mãos e dedos
MOVIMENTOS ARTICULARES DOS
MEMBROS INFERIORES E SUAS
AMPLITUDES EM GRAUS
• Amplitude de movimento (ADM) da
articulação do quadril
• Amplitude de movimento (ADM) das
articulações do joelho
• Amplitude de movimento (ADM) das
articulações do tornozelo e falanges
TÓPICOS DE ESTUDO
Por: Paulo Heraldo Costa do Valle
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 137
Neste capítulo, serão abordados assuntos de grande relevância, como os movimentos
articulares e a amplitude de todos os movimentos articulares dos membros superiores
e inferiores. O estudo de caso a seguir aborda um dos assuntos que será estudado:
Um fi sioterapeuta está fazendo uma avaliação completa no paciente Fernando, que
acabou de chegar em sua clínica trazendo uma indicação do seu médico ortopedista
com o diagnóstico de síndrome do manguito rotador no ombro direito.
Ele realizou vários exames sendo que um deles foi a avaliação da amplitude de movi-
mento da articulação do ombro em função do paciente estar referindo dor no ombro.
Fernando, ao ser avaliado, referiu dor no ombro ao realizar vários movimentos,como
de fl exão, extensão, abdução, adução, rotação medial e rotação lateral.
No movimento de fl exão do ombro, Fernando atingiu 90 graus; na extensão, 40 graus;
na abdução, 100 graus; na adução, 40 graus; e na rotação medial e na rotação lateral,
atingiu 70 graus.
Com base nestas informações, responda: as amplitudes de movimento avaliadas no
ombro direito do paciente Fernando estão dentro da normalidade?
Contextualizando o cenário
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 138
Centro de gravidade, equilíbrio corporal e grau de
força muscular
6.1
O centro de gravidade pode ser defi ni-
do como toda massa e todo peso corporal
que estão igualmente balanceados ou dis-
tribuídos em todas as direções. Na posição
anatômica, ele está aproximadamente em
torno da 2ª vértebra sacral, mas esse local
se modifi ca conforme a relação do corpo no
espaço se altera. Quando um indivíduo rea-
liza uma inclinação do seu corpo para fren-
te, o centro de gravidade se modifi ca para
os planos anterior e inferior. As mudanças
de distribuição de massa corporal também
provocam alterações do centro de gravida-
de. Imagine que um indivíduo começasse,
por exemplo, a desenvolver mais a massa
muscular das pernas. Com certeza o centro
de massa também seria alterado para um
local mais baixo (OATIS, 2014).
O local do centro de gravidade em geral é muito importante para os indivíduos, principal-
mente nos casos de atletas, que utilizam movimentos repetidos e muito rápidos. Com relação
às questões clínicas, existe uma importante relação do centro de gravidade com o equilíbrio.
Nos movimentos em que a aceleração não é importante, podem ser considerados por meio
da primeira Lei de Newton, que expressa a tendência dos corpos, quando nenhuma força é
exercida sobre eles, de permanecer em estado natural, ou seja, em repouso ou em movimento
retilíneo e uniforme. Em todos os casos, é preciso considerar que o centro de gravidade deve
estar na base de suporte para que o indivíduo possa se manter em equilíbrio.
Imagine que um indivíduo está afl ito, com medo de cair para frente. Neste momento, vai
existir então uma força de reação no solo em seus dedos dos pés e dos calcanhares.
Quando ele estiver novamente na posição ereta, o centro de gravidade vai estar atrás dos
seus dedos, existindo então um movimento anti-horário nos dedos. Essa posição é considera-
da estável, uma vez que o momento é equilibrado pela força de reação ao solo no calcanhar
(OATIS, 2014).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 139
Defi nição e localização6.1.1
A defi nição de cada um dos termos estudados neste tópico é fundamental para que você
possa compreender todos os conteúdos que serão abordados.
O equilíbrio e os componentes, tanto da compensação como da estabilidade, são funda-
mentais para todos os movimentos e são afetados pela força constante da gravidade e da
inércia (OATIS, 2014). A marcha é uma atividade em que o indivíduo arremessa o corpo, tanto
para dentro como para fora do estado de equilíbrio a cada passo.
Função e a formação do peso corporal e do equilíbrio6.1.2
A capacidade de compensação é tão valiosa para o corpo em movimento como para o cor-
po em repouso. O equilíbrio é considerado um estado desejável, porém existem circunstân-
cias em que o movimento é aprimorado quando o corpo possui alguma compensação (OATIS,
2014). Existem vários fatores aplicados para melhora da capacidade de compensação, maximi-
zação da estabilidade e, por último, para conquista do equilíbrio:
• Um indivíduo está estável quando o centro de gravidade está situado dentro da base de apoio;
• O equilíbrio é diretamente proporcional ao tamanho da base, ou seja, quanto maior a base
maior será o equilíbrio;
• A estabilidade depende do peso (massa). Quanto maior o peso maior será a estabilidade;
• O equilíbrio está relacionado com a altura do centro de gravidade. Quanto mais baixo o
centro de gravidade maior será o equilíbrio;
• O equilíbrio está relacionado com a posição do centro de gravidade em relação à base de
apoio, diminuindo conforme o centro de gravidade se aproxima da borda da base. Porém, quan-
do se prepara para receber uma força iminente, a estabilidade pode ser aumentada através do
deslocamento do centro de gravidade para o lado da base de apoio, onde a força é esperada.
No caso de o indivíduo inclinar o seu corpo para frente, curvando os quadris para tocar o
solo, e se lançar muito para frente, o centro de gravidade vai ser ativado e haverá um movi-
mento dos dedos para frente e o peso da parte superior do corpo vai executar um movimento
no sentido horário dos dedos. Como não existe um suporte para frente, nesse momento vai
ocorrer um desequilíbrio e o homem vai cair para frente. Porém, se além da fl exão do quadril,
o indivíduo executar uma fl exão e plantar dos tornozelos ao mesmo tempo em que mantém os
joelhos retos, vai fi car em uma posição estável com o centro de gravidade posterior aos seus
dedos (OATIS, 2014).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 140
• Ao se preparar para obter uma força iminente, a estabilidade é alterada podendo então ser
verifi cado através do aumento do tamanho da base de apoio na direção onde a força é esperada.
• O equilíbrio é estimulado, aumentando o atrito entre o corpo e a superfície com as quais
está fazendo contato.
• A rotação em torno de um eixo favorece o equilíbrio, sendo mais fácil equilibrar uma bici-
cleta em movimento do que uma bicicleta parada.
• As funções fi siológicas cinestésicas favorecem o equilíbrio, auxiliado pelos canais semi-
circulares da orelha interna, visão, tato e cinestesia, que prestam informações importantes
equilíbrio corporal.
Grau de força muscular6.1.3
A gradação da força do paciente pode ser
classifi cada de 0 a 5 sendo representada da
seguinte forma:
Grau 5: Força normal contra uma resistên-
cia total.
Grau 4: A força muscular está diminuída,
mas existe uma contração muscular contra a
resistência.
Grau 3: A articulação pode ser movimen-
tada apenas contra a gravidade e sem a resis-
tência do avaliador.
Grau 2: Existe força muscular e movimen-
tação articular somente se a resistência da
gravidade é removida.
Grau 1: Apenas um pequeno movimento é observado ou sentido.
Grau 0: Nenhum movimento é observado.
Movimentos articulares da coluna, membros superiores
e suas amplitudes em graus
6.2
Todos os ossos possuem duas funções fundamentais, que são permitir o apoio a e movi-
mentação. Para que isso aconteça, os elementos rígidos do esqueleto humano se unem nas
articulações. Seu estudo científi co recebe o nome de artrologia.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 141
CURIOSIDADE:
A palavra articulação tem origem grega e signifi car “junção”.
A classifi cação funcional se relaciona à quantidade do movimento permitido, que pode ser de
três tipos: as sinartroses, que são articulações sem movimento; as anfi artroses, que são articula-
ções com pouca movimentação e as diartroses, que são articulações muito móveis (MARIEB; WI-
LHELM; MALLAT, 2014). Em todos os membros predomina o tipo diartroses, apenas no esqueleto
axial há o predomínio de sinartroses e anfi artroses. A classifi cação estrutural é feita em função
do material responsável pela união com os ossos e pela presença ou ausência de uma cavidade
articular. Nesse caso, são classifi cadas em três tipos: fi brosas, cartilagíneas e sinoviais.
Articulações fi brosas: nessas articulações, a conexão dos ossos é feita por um tecido fi -
broso chamado tecido conjuntivo denso modelado e não existe nenhuma cavidade articular.
A grande parte das articulações fi brosas não é móvel ou é ligeiramente móvel. Os tipos de
articulações fi brosas são as suturas, sindesmoses e gonfoses.Articulações sinoviais:
Cartilagem articular: correspondem às extremidades de ossos oposição. É coberto por
cartilagens articulares compostas por cartilagem hialina que absorvem as forças de compres-
são aplicadas nas articulações, amparando as extremidades ósseas de um esmagamento.
Cavidade articular: é considerada uma característica única das articulações sinoviais. É
composta por um grande espaço em que existe uma pequena quantidade de sinóvia.
Cápsula articular: a cavidade articular é demarcada por uma cápsula articular que possui
duas camadas, ou cápsula articular, que são a membrana fi brosa e a membrana sinovial. A
membrana fi brosa fi ca externamente ao tecido conjuntivo denso não modelado, continuando
a camada do periósteo dos ossos que estão se articulando, fortalecendo, assim, a articulação
e impedindo que os ossos se separem.
A membrana sinovial é a camada interna, formada por tecido conjuntivo frouxo. Ela reveste
a cápsula articular e cobre todas as superfícies articulares internas que não são cobertas pela
cartilagem. Sua função é de produzir a sinóvia.
Os movimentos são realizados pelas articulações dos ossos junto com as contrações dos
músculos esqueléticos, que estão inseridos nos ossos. Ainda que as articulações sejam consi-
deradas pontos mais fracos do esqueleto, a sua natureza possibilita que consigam resistir aos
esmagamentos, dilacerações e a várias forças que as impulsionam para fora do alinhamento.
Há duas formas de classifi cá-las: levando em consideração sua função ou sua estrutura.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 142
Sinóvia: é um líquido viscoso localizado
dentro da cavidade articular, denominado
fl uido ou líquido sinovial, de textura seme-
lhante a uma clara de ovo. Ela é um fi ltrado do
sangue, decorrente dos capilares na membra-
na sinovial e possui moléculas glicoproteicas
especializadas, secretadas pelos fi broblastos
da membrana sinovial, que a transformam
em um lubrifi cante escorregadio que facilita o
movimento da articulação. Ela não ocupa ape-
nas a cavidade articular. Também é encontrada dentro das cartilagens articulares, visto que a
compressão sobre as articulações durante o movimento normal a força para dentro e para
fora das cartilagens articulares. Portanto, o mecanismo de lubrifi cação alimenta as células na
cartilagem articulares, já que a cartilagem é avascular, e lubrifi ca as superfícies que estão livres
destas cartilagens, possibilitando que os ossos se desloquem com muito pouco atrito.
Ligamentos: entre as articulações sinoviais, algumas são fortalecidas e reforçadas por liga-
mentos em forma de cordões ou faixas. Normalmente, os ligamentos são capsulares, ou seja,
são partes mais fi nas da membrana fi brosa da cápsula articular. Há, no entanto, algumas arti-
culações em que os ligamentos são extracapsulares ou intracapsulares. Os ligamentos extra-
capsulares estão localizados por fora da cápsula e os ligamentos intracapsulares são internos
à cápsula e protegidos por uma membrana sinovial que tem a função de separar a cavidade
articular por meio da qual elas passam.
Nervos e vasos: as articulações sinoviais são supridas ricamente com fi bras nervosas
sensoriais que inervam a cápsula articular. Algumas das fi bras são responsáveis por detectar
dor e a grande maioria monitora quando a cápsula está sofrendo um estiramento, o que con-
fi gura uma forma de o sistema nervoso detectar todas as posturas e o movimentos corporais.
Todas estas articulações sinoviais também possuem um grande suprimento sanguíneo. A
maioria dos vasos sanguíneos provê a membrana sinovial, onde os leitos capilares constituem
o fi ltrado do sangue, que é a base da sinóvia (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2014).
ESCLARECIMENTO:
Cada uma das articulações sinoviais é composta por várias ramificações dos
vasos sanguíneos e nervos maiores, vindo de muitas direções, sobrepostos
para o abastecimento das áreas da cápsula articular.
Cada uma das articulações sinoviais é composta por várias ramificações dos Cada uma das articulações sinoviais é composta por várias ramificações dos
vasos sanguíneos e nervos maiores, vindo de muitas direções, sobrepostos
Cada uma das articulações sinoviais é composta por várias ramificações dos Cada uma das articulações sinoviais é composta por várias ramificações dos Cada uma das articulações sinoviais é composta por várias ramificações dos Cada uma das articulações sinoviais é composta por várias ramificações dos Cada uma das articulações sinoviais é composta por várias ramificações dos
vasos sanguíneos e nervos maiores, vindo de muitas direções, sobrepostos
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 143
Figura 1. Características das articulações do membro superior. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2014. (Adaptado).
Acromioclavicular
Ombro (glenoumeral)
Cotovelo (umeroulnar)
Cotovelo (radiulnar proximal)
Radiulnar distal
Metacarpofalângicas
Interfalângicas
Punho (radiocarpal)
Intercarpal Carpometacarpal
do I dedo (polegar)Carpometacarpal
do II-V dedos
Acrômio da escápula e
clavícula
Sinovial; plana (contém
disco articular)
Diartrose, deslizamento e rotação da escápula na
clavícula
Escápula e úmero Sinovial; esferóidea Diartrose; multiaxial; fl exão, extensão, abdução, adu-ção, rotação do úmero e circundução
Ulna (e rádio) com úmero Sinovial; cilíndrica Diartrose; uniaxial; fl exão, extensão do antebraço
Rádio e ulna Sinovial; trocóidea Diartrose; uniaxial; rotação do rádio em tomo do eixo longitudinal para permitir pronaçào e supinação
Rádio e ulna Sinovial; trocóidea (contém disco articular)
Diartrose; uniaxial; rotação (cabeça convexa da ulna
gira em torno da incisura ulnar do rádio)
Rádio e carpais proximais Sinoviais; elipsóideas Diartrose; biaxial; fl exão, extensão, abdução, adução, circundução da mão
Carpais adjacentes Sinoviais; planas Diartroses; deslizamento
Carpal (trapézio) e
1 metacarpal Sinovial; selar
Diartrose; biaxial; fl exão, extensão, abdução, adução,
circundução, oposição do 1 metacarpal
Carpal(is) e meta-carpal(is) Sinoviais; planas Diartroses; deslizamento dos metacarpais
Metacarpais e falanges Sinoviais; elipsóideas Diartroses; biaxiais, fl exão, extensão, abdução, adução; circundução dos dedos
Falanges adjacentes Sinoviais; cilíndricas Diartroses; uniaxiais; fl exão, extensão dos dedos
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 144
Amplitude de movimento (ADM) da coluna vertebral e
cintura escapular
6.2.1
A amplitude de movimento corresponde à área pela qual uma articulação se movimenta
de forma livre e sem nenhuma dor. A maior parte dos movimentos da coluna vertebral ocorre
nas regiões cervical e lombar. Existe um pequeno movimento torácico, mas bem menor se for
comparado, por exemplo, com os movimentos do pescoço. Os movimentos da cabeça ocorrem
entre o crânio e a primeira vértebra cervical e na parte interior das vértebras cervicais (MA-
RIEB; WILHELM; MALLAT, 2014).
Para facilitar o entendimento, todos os movimentos da cabeça e do pescoço serão cha-
mados de movimentos cervicais, os movimentos do tronco serão chamados de movimentos
lombares e, por último, serão chamados de movimentos combinados os referentes aos movi-
mentos que ocorrem tanto na região torácica como na região lombar.
A região cervical da coluna vertebral está apta para realizar fl exões e extensões de 45 graus,
podendo também fl exionar lateralmente em 45 graus e realizar giros por volta de 60 graus
(MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2014).
A região lombar da coluna realiza a maior parte dos movimentos do tronco, possibilitando
fl exões de por volta de 80 graus e tensões de 20 a 30 graus. Já a fl exão lateral da região lombar
para cada lado é de aproximadamente 35 graus, enquanto a rotação para ambos os lados é de
por volta de 45 graus.As Fig. 2 e 3 apresentam o movimento ativo da coluna vertebral torácica e lombar
Figura 2. Amplitude de movimento ativo da coluna vertebral. Fonte: FLOYD, 2016. (Adaptado).
Na letra A, é possível observar os movimentos de fl exão e extensão medidos em graus ou
indicados pela distância que falta para atingir o queixo. Na letra B, a rotação está estimada em
graus ou em percentuais dos movimentos em cada direção. Na letra C, a fl exão lateral é esta-
belecida em graus ou indicada pela distância que falta até a orelha tocar os ombros.
Neutra
A
0°
45° 45°
90°90°
Neutra
C
0°
45° 45°
90°90°
Neutra
B
0°
60°60°
90°90°
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 145
Figura 3. Amplitude de movimento ativo da coluna torácica e lombar. Fonte: FLOYD, 2016. (Adaptado).
00
1
2
3
4
C7 04
8 8
12 12
16 16
20 20S1
Flexão
2016
12 8 4 0
24
S1
C7
00 300
900
00
00
Neutra
Neutra
Extensão
900
900
Curvatura lateral
350 350
00 00Neutra Neutra
Rotação
450
450 450
A B C
D E
F G
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 146
Na letra A, é possível observar o movimento de flexão à frente, que pode ser estimado em
graus ou pela distância das pontas dos dedos até chegar na perna ou até o solo. Nas letras B e
C é possível observar a avaliação da alteração do comprimento nas regiões torácica e lombar
pela utilização de uma fita métrica, para comparar o aumento das regiões lombar e torácica da
coluna entre a posição anatômica e a posição totalmente flexionada. Na letra D é possível ob-
servar o movimento de extensão (hiperextensão) com o indivíduo na posição em pé. Na letra
E é possível observar o movimento de extensão (hiperextensão) com o indivíduo em décubito
ventral. Na letra F é possível observar a curvatura lateral, e na letra G é possível observar a
rotação da coluna (FLOYD, 2016).
Geralmente os movimentos da coluna vertebral recebem nomes atribuídos à região onde o
movimento está ocorrendo, exceto os movimentos isolados da cabeça e pescoço na articula-
ção atlantoccipital, denominados de flexão e extensão da cabeça.
Flexão da coluna: corresponde ao movimento anterior da coluna vertebral no plano sagital,
na região cervical. A cabeça move-se em direção ao tórax na região lombar. O tórax move-se
em direção à pelve.
Extensão da coluna: a partir da flexão, o movimento posterior da coluna vertebral no plano
sagital, na região cervical. A cabeça se distancia do tórax. Na região lombar, o tórax se distancia
da pelve, movimento chamado de hiperextensão.
Flexão lateral (lado esquerdo ou direito): normalmente é chamado de curvatura lateral,
em que a cabeça se move em direção ao ombro. O tórax se move lateralmente em direção à
pelve, ambos no plano frontal.
Rotação da coluna (lado esquerdo ou direito): são os movimentos em giro da coluna no
plano transverso. O queixo gira desde a posição neutra em direção ao ombro enquanto o tórax
gira na direção da crista ilíaca.
Redução: corresponde ao movimento de retorno da flexão lateral para a posição neutra no
plano frontal.
Para facilitar o estudo de como realizar uma avaliação dos músculos do tronco e da coluna
vertebral, é possível unir as informações, tanto pela localização quanto pela relação e função,
sendo importante ressaltar que alguns músculos têm vários segmentos. Portanto um segmen-
to de músculo pode estar localizado e executar o movimento em uma região, enquanto outro
segmento do mesmo músculo pode estar localizado e realizar movimentos em outra região
(MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2014).
Vários músculos do tronco e da coluna vertebral apresentam a função de realizar os mo-
vimentos da coluna e ajudar durante a respiração. Já os músculos da parede abdominal são
diferentes dos outros músculos em geral, pois eles são estendidos de um osso ao outro em
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 147
função de estarem conectados a partir de um osso a uma aponeurose ou fáscia em torno da
região do reto do abdômen. São etses os seguintes músculos: oblíquo externo do abdômen,
oblíquo interno do abdômen e transverso do abdômen (FLOYD, 2016).
Amplitude de movimento (ADM) das articulações do
ombro e cotovelo
6.2.2
A única conexão da articulação do ombro com o esqueleto axial é a escápula e sua cone-
xão pela clavícula na articulação esternoclavicular (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2014).
A articulação do ombro é considerada a articulação que possui a maior liberdade de
movimento do corpo. Em tantos planos diferentes não é comum existir o movimento do
úmero sem a movimentação da escápula. É uma articulação do tipo esferóidea, constituída
pela cabeça do úmero e pela cavidade glenoidal rasa da escápula. Essa cavidade glenoidal
é aprofundada por um aro de fi brocartilagem denominado lábio glenoidal. Essa cavidade
rasa acaba tendo uma contribuição muito pequena para a estabilidade da articulação (MA-
RIEB; WILHELM; MALLAT, 2014).
Figura 4. Articulação do ombro. Fonte: MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2014. (Adaptado).
Acrômio
(seccionado)
Cavidade
glenoidal
da escápula
Cápsula da
articulação do
ombro (aberta)
Músculos do
manguito
rotador
(seccionados)
Cabeça do
úmero
Lábio
glenoidal
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 148
PAUSA PARA REFLETIR
O deslocamento do ombro é considerado uma lesão muito comum. Por que isso acontece?
Cápsula articular
A cápsula articular é muito fina e frouxa, o
que é uma qualidade que auxilia a liberdade
de movimento da articulação, que se esten-
de desde a margem da cavidade glenoidal ao
colo anatômico do úmero. Existe um único
espessamento forte da cápsula, denomina-
do ligamento coracoumeral, situado poste-
riormente e que auxilia o suporte de peso do
membro inferior.
A parte anterior da cápsula fica espessa
em três ligamentos considerados fracos.
Os tendões dos músculos que atraves-
sam a articulação do ombro ajudam bastan-
te na estabilidade da articulação. Um deles
é o tendão da cabeça longa do músculo bíceps braquial (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2014).
Esse tendão faz a união da margem superior do lábio glenoidal, atravessando por dentro
da cavidade articular, e vai para o sulco intertubercular do úmero, garantindo que a ca-
beça do úmero fique firme contra a cavidade glenoidal. Existem outros quatro tendões e
músculos que constituem o manguito rotador e que envolvem a articulação do ombro, se
moldando com a cápsula articular.
Os músculos que fazem parte do manguito rotador são o subescapular, supra e infraespinal
e o redondo menor. Movimentos fortes do braço podem acabar estirando ou rompendo de
forma bastante grave o manguito rotador (MARIEB; WILHELM; MALLAT, 2014).
Movimentos do ombro
Na Fig. 5, na letra A, é possível observar os movimentos de flexão e extensão. Na letra B,
é possível observar os movimentos de abdução e adução. Na letra C, é possível observar ab-
dução e adução horizontais. Na letra D, é possível observar a rotação medial e lateral com o
braço ao lado do corpo. Na letra E, é possível observar a rotação medial e lateral com o braço
abduzido em 90 graus.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 149
Figura 5. Amplitude de movimentos do ombro. Fonte: FLOYD, 2016. (Adaptado).
Plano sagital
180º
0°
Neutra
Neutra 0°
Neutra 0°
0°
Neutra
0°
Neutra90°
60°
A
D E
B C
90° 90°
90°
90°
90°
90°
Plano frontal
180º
Plano horizontal
180º
Rotação medial
(interna)
Rotação medial
(interna)
Rotação lateral
(externa)
Rotação lateral
(externa)
Abdução
horizontal
Plano horizontal
Extensão para
Abduçãotrás
horizontalFle
xão
pa
ra
a
fre
nt
e
Ab
du
çã
o
Adu
ção
Flexão: corresponde ao movimento do úmero estendido anteriormente (parafrente) por
meio de qualquer ponto no plano sagital.
Extensão: corresponde ao movimento do úmero estendido posteriormente (para trás) por
meio de qualquer ponto no plano sagital, podendo ser chamado também de hiperextensão.
Abdução: corresponde ao movimento lateral ascendente do úmero no plano frontal, dis-
tanciando-se do corpo para o lado.
Adução: corresponde ao movimento descendente do úmero no plano frontal, chegando
mais próximo medialmente do corpo desde a abdução.
Rotação lateral: corresponde ao movimento do úmero lateralmente no plano transverso
em torno do seu eixo longo, distanciando-se da linha mediana.
Rotação medial: corresponde ao movimento do úmero medialmente no plano transverso
em torno do seu eixo longo em direção a linha mediana.
Abdução horizontal (extensão): corresponde ao movimento do úmero em um plano hori-
zontal ou transverso, distanciando-se do tórax.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 150
Adução horizontal (flexão): corresponde ao movimento do úmero em um plano horizontal
ou transverso na direção ao tórax.
Abdução diagonal: corresponde ao movimento do úmero em um plano diagonal, distan-
ciando-se da linha mediana do corpo.
Adução diagonal: corresponde ao movimento do úmero em um plano diagonal na direção
da linha mediana do corpo.
Articulação do cotovelo
A articulação do cotovelo é uma diartrose cilíndrica que possibilita apenas os movimentos
de extensão e flexão. Mesmo que o rádio e a ulna estejam articulados com os côndilos do úme-
ro, existe uma grande conexão do úmero com a incisura troclear da ulna que vão constituir a
articulação e proporcionar a estabilidade.
A cápsula articular é fixa ao úmero, ulna e ao ligamento anular do rádio, formando um anel
ao redor da cabeça do rádio. Os fortes ligamentos impedem os movimentos laterais e mediais,
sendo eles o ligamento colateral radial (fita triangular no lado medial) (MARIEB; WILHELM;
MALLAT, 2014). Os tendões dos vários músculos do braço, como por exemplo, o do bíceps e do
tríceps braquial cruzam a articulação do cotovelo e garantem estabilidade.
Figura 6. Articulação do cotovelo. Fonte: MARIEB & COLS, 2014. (Adaptado).
Ligamento
anular
Processo
coronoide
da ulna
Ulna
Úmero
Epicôndio
medial
Cápsula
articular
Ligamento
colateral
ulnar
Rádio
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 151
PAUSA PARA REFLETIR
O cotovelo é considerado uma articulação bastante estável, mas mesmo assim ele pode sofrer
traumas constantes. Por que?
CURIOSIDADE:
Atletas que realizam movimentos repetitivos ao manipularem uma raquete ou
atirarem bolas, por exemplo, fi cam sujeitos a forças muito intensas de fl exão, que
acabam enfraquecendo e, em muitos casos, provocando o rompimento do liga-
mento colateral ulnar.
atirarem bolas, por exemplo, fi cam sujeitos a forças muito intensas de fl exão, que
Atletas que realizam movimentos repetitivos ao manipularem uma raquete ou
atirarem bolas, por exemplo, fi cam sujeitos a forças muito intensas de fl exão, que atirarem bolas, por exemplo, fi cam sujeitos a forças muito intensas de fl exão, que
acabam enfraquecendo e, em muitos casos, provocando o rompimento do liga-
Atletas que realizam movimentos repetitivos ao manipularem uma raquete ou
atirarem bolas, por exemplo, fi cam sujeitos a forças muito intensas de fl exão, que
Atletas que realizam movimentos repetitivos ao manipularem uma raquete ou
atirarem bolas, por exemplo, fi cam sujeitos a forças muito intensas de fl exão, que
acabam enfraquecendo e, em muitos casos, provocando o rompimento do liga-
Atletas que realizam movimentos repetitivos ao manipularem uma raquete ou
atirarem bolas, por exemplo, fi cam sujeitos a forças muito intensas de fl exão, que
Amplitude de movimento (ADM) das articulações do
punho, mãos e dedos
6.2.3
O carpo possui duas superfícies articula-
res consideradas muito importantes: a arti-
culação radiocarpal e as articulações inter-
carpais das quais fazem parte a articulação
mediocarpal.
A articulação entre o rádio e os carpais
proximais, escafoide e semilunar é a articu-
lação radiocarpal, uma articulação elipsói-
dea que possibilita a realização de vários
movimentos como o de fl exão, extensão,
adução, abdução e circundução (FLOYD,
2016). A localização das articulações intercarpais é entre os ossos proximais e distais dos
carpos, o deslizamento ocorre nesta articulação à medida que os ossos carpais próximos
se deslizam entre si.
A estabilização do carpo ocorre em função de vários ligamentos, cujos principais são
estendidos dos ossos do antebraço até os ossos carpais, fortalecendo esta articulação.
São eles: anteriormente ao ligamento radiocarpal palmar, posteriormente ao ligamento
radiocarpal dorsal, lateralmente ao ligamento colateral radial do carpo e medialmente ao
ligamento colateral ulnar do carpo (FLOYD, 2016). Existem também outros ligamentos me-
nores, estendidos entre os ossos carpais que os une entre si aos ossos metacarpais.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 152
90°
0°
10°
Hiperextensão
150°
180°
Flexão
Posição neutra
Posição neutra
Su
pi
na
çã
o Pronação
0º
90º90º
Figura 7. Amplitude de movimento do cotovelo. Fonte: FLOYD, 2016. (Adaptado).
Figura 8. Amplitude do movimento do antebraço. Fonte: FLOYD, 2016. (Adaptado).
Na Fig. 7, podem ser observados os movimentos de flexão, extensão e hiperextensão. A
flexão pode variar de 0 a 150 graus, a extensão de 150 graus a 0 e a hiperextensão é ava-
liada em graus além do ponto de partida zero. É importante ressaltar que nem todos os
indivíduos conseguem executar esse movimento, é mais comum que mulheres o consigam.
Quando há o movimento, ele pode variar entre cinco a 15 graus (FLOYD, 2016).
Na Fig. 8, podem ser observados os movimentos de pronação e supinação. A pronação
varia de zero a 80 graus, enquanto que a supinação varia de 0 a 80 graus. O movimento
total do antebraço varia entre 160 e 180 graus.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 153
Os indivíduos normalmente podem apresentar variações de 70 a 90 graus na amplitude da
supinação e pronação. (FLOYD, 2016).
Movimentos do cotovelo
Os movimentos do cotovelo são de fl exão e extensão: a fl exão corresponde ao movimento
do antebraço na direção do ombro, fl exionando o cotovelo e, consequentemente, reduzindo
o seu ângulo. A extensão corresponde ao movimento de afastamento entre o antebraço e o
ombro, distanciando-se do cotovelo e, consequentemente, aumentando o seu ângulo.
Movimentos da articulação radioulnar
Os movimentos da articulação radioulnar são de pronação e supinação que correspondem,
respectivamente, ao movimento de rotação medial do rádio sobre a ulna, tendo como resul-
tado a mudança quanto a posição da mão, considerando a palma da mão virada inicialmente
para cima e voltada para baixo e ao movimento de rotação lateral do rádio sobre a ulna levan-
do a uma mudança na posição da mão, considerando a palma inicialmente virada para baixo
e voltada para cima.
Figura 9. Amplitude de movimento do punho. Fonte: FLOYD, 2016. (Adaptado).
0°
Neutra
Neutra
0º
90°
90°
90° 90°
Extensão
(dorsifl exão)
Desvio
radial
Desvio
ulnar
Flexão
(fl exão palmar)
A B
Na letra A, é possível observar os movimentos de fl exão e extensão. A fl exão palmar pode
variar de 0 a 80 graus, enquanto a dorsifl exão pode variar de 0 a 70 graus. Na letra B, é possível
observar os movimentos de desvio radial e ulnar. O desvio radial pode variar de 0 a 20 graus,
enquanto o desvio ulnar vai variar de 0 a 30 graus (FLOYD, 2016).
Movimentos do punho
Os movimentos do punho são: fl exão palmar, dorsifl exão, abdução, adução, oposição e re-
posição.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 154Flexão palmar: corresponde ao movimento da palma da mão e/ou das falanges na direção
da face anterior ou volar do antebraço.
Dorsifl exão: corresponde ao movimento da parte posterior da mão e/ou das falanges na
direção a face posterior ou dorsal do antebraço, podendo ser chamada de hiperextensão.
Abdução: também conhecido como desvio radial ou fl exão radial, corresponde ao movi-
mento do lado do polegar da mão indo em direção à face lateral.
Adução: também conhecido como desvio ulnar ou fl exão ulnar, correspondendo ao mo-
vimento do dedo mínimo da mão em direção à face medial ou porção ulnar do antebraço e
também o movimento de fechamento dos dedos na direção ao dedo médio.
Oposição: corresponde ao movimento do polegar transversalmente acima da face palmar
em oposição a qualquer uma das falanges.
Reposição: corresponde ao movimento de retorno do polegar à chamada posição anatômi-
ca desde a mão e/ou dedos.
Figura 10. Amplitude de movimento dos dedos. Fonte: FLOYD, 2016. (Adaptado).
Articulação
interfalângica distal
Extenção - articulação
metacarpofalângica
Hiperextenção - articulação
interfalângica distal Abertura dos dedos
Abdução AbduçãoAbdução Abdução
Adução AduçãoAdução Adução
Outros dedos
90º
45º
10º
90º100º0º
Neutra
B
1
1
2
2
0º
Neutra
0º
Neutra
0º
Neutra
0º
Neutra
Articulação
interfalângica proximal
Articulação
metacarpofalângica
Ponta do
dedo à prega
palmar distal
Ponta do dedo
à prega palmar
proximal
A
Na letra A da Fig. 10, é possível observar os movimentos de fl exão, avaliados em graus com
utilização de uma régua, que mede a distância da ponta do dedo à prega palmar distal. O de-
senho da esquerda avalia a fl exão das articulações média e distal até a prega palmar proximal,
enquanto a direita mede as articulações distal, média e próximas dos dedos. Na letra B, obser-
vam-se os movimentos de extensão, abdução e adução.
Todos estes movimentos acontecem no plano da palma, distanciando-se e aproximando-se
do dedo médio da mão. A abduação do dedo médio acontece quando o dedo se movimenta
lateralmente em direção ao polegar, já a adução acontece quando o dedo se movimenta me-
dialmente na direção do dedo mínimo (FLOYD, 2016).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 155
A abertura dos dedos pode ser avaliada da ponta do dedo indicador até a ponta do
dedo mínimo (direita). Os dedos se abrem individualmente de ponta a ponta dos dedos
indicados (esquerda).
A
Neutra 0º
1
1
1 2
2
2
3
3
4
Neutra 0º
Neutra 0º
Flexão até tocar
a ponta do
dedo mínimo
Flexão até tocar
a base do dedo
mínimo
0º
Neutra0º
Neutra
ou
0º
80º
90º
50º
15º
B
C
Figura 11. Amplitude de movimento do polegar. Fonte: FLOYD, 2016.
Quanto à Fig. 11, na letra A, é possível observar o movimento de abdução. No primeiro dese-
nho, observa-se a posição de partida zero, na qual o polegar está estendido ao longo do dedo
indicador, que está alinhado com o rádio.
A abdução corresponde ao ângulo produzido entre os ossos metacarpais do polegar e do
dedo indicador. Esse respectivo movimento pode acontecer em dois planos.
O desenho 2 corresponde à abdução radial ou extensão, acontecendo paralelamente ao
plano da palma.
Na letra, B é possível observar o movimento de fl exão. No primeiro desenho, visualiza-se
a posição de partida zero, com o polegar estendido e no desenho 2, a fl exão da articulação
interfalangeana variando de 0 a 80 graus. Já no desenho 3, você pode visualizar a fl exão da ar-
ticulação metacarpofalangeana variando de 0 a 50 graus. No desenho 4, a fl exão da articulação
carpometacarpla variando de zero a 15 graus.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 156
Movimentos articulares dos membros inferiores e suas
amplitudes em graus
6.3
A seguir, veremos em detalhes todos os movimentos e a amplitude dos movimentos em
graus com relação ao membro inferior através do estudo das articulações do quadril, joelho,
tornozelo e falanges.
Amplitude de movimento (ADM) da articulação do quadril6.3.1
A articulação do quadril é considerada
uma das articulações mais móveis do corpo
humano, apresentando bastante estabilidade.
Em consequência desta característica, o núme-
ro de subluxações e luxações é bem reduzido.
Devido às diferenças individuais existen-
tes, existe, portanto, uma variação com rela-
ção às amplitudes de movimentos possíveis
para a articulação do quadril. Essa variação é
de, normalmente, por volta de 0 a 130 graus
na fl exão; 0 a 130 graus na extensão; 0 a 35
graus na abdução; 0 a 45 graus na adução; 0 a
45 graus na rotação medial e 0 a 50 graus na rotação lateral.
Quando realizada a fl exão a 90 graus, o quadril consegue fazer a adução e abdução no
plano transverso, de forma parecida com a articulação do ombro. Estes movimentos também
incluem por volta de 40 graus de adução horizontal e 60 graus de abdução horizontal.
Movimentos
No plano sagital (ou anteroposterior), ocorrem as rotações pélvicas anterior e posterior. Já
no plano lateral (ou frontal), ocorrem as rotações laterais direita e esquerda. No plano hori-
zontal (ou transverso), por sua vez, existem a rotação transversal direita (sentido horário) e a
rotação transversal esquerda (sentido anti horário).
Em C, observa-se o movimento de oposição. A posição de partida de zero (canto esquerdo) é
o polegar alinhado com o dedo indicador. A oposição corresponde a um movimento composto
por três elementos: a abdução, rotação e a fl exão. Esse movimento se completa nos casos em
que a ponta do polegar toca a ponta do dedo mínimo.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 157
120o
90o 90o
20o
90o90o
45o
45o35o
90o90o
90o 90o90o 90o
Rotação
medial
Rotação
medial
Rotação
medial
Rotação
lateral
Rotação
lateral
Rotação
lateral
ROTAÇÃO
0o 0o
0o
0o 0o
A B
0o Neutra
Neutra
ABDUÇÃO ADUÇÃO EXTENSÃO
C Neutra
Neutra
Neutra Neutra
Decúbito ventral Decúbito dorsal
D
0o Neutra
0o Neutra
30o ou menos
30o ou menos
Flexão
Figura 12. Movimento ativo do quadril. Fonte: FLOYD, 2016. (Adaptado).
Na letra A da Fig. 12, observa-se a fl exão medida em graus através da posição em decúbito
dorsal. O joelho pode estar estendido ou fl exionado. Na letra B, é possível observar a extensão
ou a hiperextensão sendo avaliada geralmente como o joelho estendido. Na letra C, obser-
vamos a abdução sendo medida na posição de decúbito dorsal ou decúbito lateral. A melhor
forma para avaliar a adução é com o indivíduo em decúbito dorsal.
Na letra D, podemos observar as rotações medial e lateral através de uma avaliação tanto
na posição de decúbito dorsal como de decúbito ventral.
Flexão do quadril: é o movimento da parte anterior do fêmur com base em qualquer ponto
em direção à parte anterior da pelve no plano sagital.
Extensão do quadril: é o movimento da parte posterior do fêmur com base em qualquer
ponto em direção à parte posterior da pelve no plano sagital.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 158
Abdução do quadril: é o movimento do fêmur no plano frontal lateralmente à face distante
da linha mediana.
Adução do quadril: é o movimento do fêmur no plano frontal medialmente em direção à
linha mediana.
Rotação lateral do quadril: é o movimento de rotação lateral do fêmur no plano transver-
so ao redor do seu longitudinal, distanciando-se da linha mediana.
Rotação medial do quadril: é o movimento do rotação medial do fêmur no plano transver-
so em torno do eixo longitudinal em direção a linha mediana.
Abdução diagonal do quadril: corresponde ao movimento do fêmur no plano diagonal,
separando-se da linha mediana do corpo.
Adução diagonal do quadril: correspondeao movimento do fêmur no plano diagonal, na
direção da linha mediana do corpo.
Adução horizontal do quadril: corresponde ao movimento do fêmur no plano horizontal
ou transverso em direção à pelve.
Abdução horizontal do quadril: corresponde ao movimento do fêmur no plano horizontal
ou transverso, distanciando-se da pelve.
Rotação anterior da pelve: corresponde ao movimento anterior da parte superior da pel-
ve. A crista ilíaca está inclinada para a frente em um plano sagital (inclinação anterior, rotação
descendente realizada através da flexão do quadril e/ou extensão lombar).
Rotação posterior da pelve: corresponde ao movimento posterior da parte superior da
pelve. A crista ilíaca está inclinada para trás em um plano sagital (inclinação posterior, rotação
ascendente, realizada através da extensão do quadril e/ou flexão lombar).
Rotação lateral esquerda da pelve: é realizada no plano frontal. O lado esquerdo da pelve
se movimenta inferiormente em relação ao lado direito da pelve. O lado esquerdo da pelve
executa um movimento de rotação descendente ou o lado direito realiza um movimento de
rotação ascendente (inclinação lateral para o lado esquerdo, realizada através da abdução do
quadril esquerdo, adução direita do quadril e/ou flexão lateral direita da parte lombar da co-
luna vertebral).
Rotação lateral direita da pelve: é executada no plano frontal, onde o lado direito da pelve
movimenta-se inferiormente em relação ao lado esquerdo. O lado direito da pelve realiza um
movimento de rotação descendente ou o lado esquerdo realiza um movimento de rotação as-
cendente (inclinação lateral para o lado direito, realizada através da abdução do quadril direito,
adução do quadril esquerdo e/ou flexão lateral esquerda da parte lombar da coluna vertebral).
Rotação transversal esquerda da pelve: é realizada em um plano de movimento horizon-
tal, com rotação da pelve para o lado esquerdo do corpo. A crista ilíaca direita se movimenta
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 159
anteriormente em relação à crista ilíaca esquerda, que se movimenta posteriormente, auxilia-
da pela rotação direita do quadril. Rotação medial esquerda do quadril e/ou rotação lombar
para o lado direito.
Rotação transversal direita da pelve: é realizada em um plano de movimento horizontal,
com rotação da pelve para o lado direito do corpo. A crista ilíaca esquerda se movimenta ante-
riormente em relação à crista ilíaca direita, que se movimenta posteriormente. Essa movimen-
tação é realizada através da rotação lateral do quadril esquerdo, rotação medial do quadril
direito e/ou rotação lombar para o lado esquerdo.
Amplitude de movimento (ADM) das articulações do joelho.6.3.2
O joelho é capaz de realizar a extensão em até 180 graus em linha reta, sendo que podem
ser observados casos em que o joelho se hiperestende em até 10 graus ou mais.
Ao estar totalmente estendido, o joelho é capaz de movimentar até 150 graus de fl exão.
Com o joelho fl exionado a 30 graus ou mais, é possível a realização de uma rotação média de
30 graus, e uma rotação lateral de 45 graus.
Na Fig. 13, observamos a fl exão sendo medida em graus por meio da posição inicial zero,
sendo composta através da perna estendida com o indivíduo em decúbito ventral ou dorsal.
A hiperextensão é avaliada em graus no sentido contrário ao ponto de partida zero.
Hiperextensão
0
Neutra
Flexão
90
150
Figura 13. Movimento ativo do joelho. Fonte: FLOYD, 2016. (Adaptado).
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 160
Movimentos
A fl exão e a extensão do joelho acontecem no plano sagital, já as rotações medial e lateral
são realizadas no plano horizontal. O joelho não permite a rotação, a não ser que a fl exão seja
realizada de 20 a 30 graus (ou mais).
Flexão: é a curvatura ou diminuição do ângulo entre o fêmur e a parte inferior da perna,
sendo demonstrada através do movimento do calcanhar em direção aos glúteos.
Extensão: corresponde à correção ou aumento do ângulo entre o fêmur e a parte inferior
da perna.
Rotação lateral: corresponde ao movimento de rotação da parte inferior da perna, distan-
ciando-se lateralmente da linha mediana.
Rotação medial: corresponde ao movimento de rotação da parte inferior da perna, aproxi-
mando-se medialmente da linha mediana.
Amplitude de movimento (ADM) das articulações do
tornozelo e falanges
6.3.3
A articulação do tornozelo possibilita um movimento de em média 50 graus de fl exão plan-
tar e de 15 a 20 graus de dorsifl exão. Nos casos em que existe um apoio do peso (com o joelho
fl exionado), é possível realizar uma dorsifl exão com maior amplitude, o que proporciona uma
redução na tensão do músculo gastrocnêmio. A fíbula gira de três a cinco graus lateralmente
acima do seu próprio eixo com a dorsifl exão do tornozelo, e de três a cinco graus medialmente
durante a fl exão plantar.
A inversão e a eversão, apesar de serem consideradas como parte dos movimentos da ar-
ticulação do tornozelo, do ponto de vista técnico, acontecem nas articulações talocalcânea e
transversa do tarso. Estas articulações se combinam e possiblitam o movimento de 20 a 30
graus de inversão e de cinco a 15 graus de eversão, enquanto o restante nas articulações inter-
tarsais e tarsometatarsais é mínimo.
As falanges juntam-se com o metatarso para constituir as articulações metatarsofalân-
gicas, sendo que a articulação metatarsofalângica do hálux realiza a fl exão de 45 graus e a
extensão em 70 graus. A articulação intergalângica, por sua vez, é capaz de fl exionar de 0 grau
de extensão total a 90 graus de fl exão.
As articulações metatarsofalângicas dos quatro artelhos possibilitam o movimento de
em média 40 graus de fl exão e 40 graus de extensão, sendo que tais articulações realizam um
movimento mínimo de abdução e adução.
As articulações interfalângicas proximais dos artelhos menores vão realizar a fl exão de 0
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 161
grau de extensão a 35 graus de fl exão, já as articulações interfalângicas distais vão realizar a
fl exão de 60 graus e a extensão de 30 graus. De indivíduo para indivíduo pode ser observado
uma certa variação praticamente em todas as articulações.
Articulação do tornozelo
Articulação
interfalângica
distal
Articulação
interfalângica
proximal
A B C
D
20
90
90
90 90 90 0
0
0
0 0
0
0
45
70
90
90
50
30
40
35
4060
Neutra0 Neutra0 Neutra0Flexão
Flexão Flexão
Flexão
Extensão
Extensão
Extensão
Abdução
Adução Adução
Abdução
Flexão
(dorsifl exão) Extensão
(fl exo plantar)
Articulação
metatarsofalângica
Articulação
metatarsofalângica
Abertura dos artelhos
Articulação
interfalângicaInversão Eversão
Figura 14. Movimento ativo do tornozelo, pé e artelhos. Fonte: FLOYD, 2016. (Adaptado).
Na letra A da Fig. 14, é possível observar a dorsifl exão e fl exão plantar avaliadas em graus, com
base na posição neutra em um ângulo reto ou em pontos percentuais de movimento comparados
com o tornozelo oposto. Na letra B, observa-se a inversão e a eversão, que são geralmente esti-
madas em graus ou expressos em percentuais comparados ao pé oposto. Na letra C, observa-se a
fl exão e extensão do hálux. E na letra D, observa-se a amplitude dos quatro artelhos laterais.
Movimentos
Dorsifl exão (fl exão): fl exão dorsal, corresponde ao movimento da parte superior do torno-
zelo e do pé em direção à parte anterior da tíbia.
Flexão plantar (extensão): é o movimento do tornozelo e do pé em direção oposta à tíbia.
Eversão: é a rotação do tornozelo e do pé para o lado de fora, na direção oposta à linha
mediana. O peso é sustentado na borda medial do pé.
Inversão: é a rotação do tornozelo e do pé para o lado de dentro, adução emdireção à linha
mediana. O peso é apoiado na borda lateral do pé.
Flexão dos artelhos: é o movimento dos artelhos em direção à superfície plantar do pé.
Extensão dos artelhos: é o movimento dos artelhos na direção oposta à superfície
plantar do pé.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 162
Proposta de Atividade
Agora é hora de pôr em prática tudo o que você aprendeu neste capítulo! Elabore um resu-
mo destacando as principais ideias abordadas, considerando as leituras básicas e complemen-
tares realizadas.
Recapitulando
Neste capítulo, você pôde estudar importantes assuntos relacionados com o centro de gra-
vidade, equilíbrio corporal e o grau de força muscular e a amplitude de movimento da coluna
vertebral e o dos membros superior e inferior.
Estudamos também os movimentos articulares da coluna vertebral e cintura escapular,
membros superiores (ombros, cotovelos, punho, mãos e dedos) e membros inferiores (quadril,
joelho, tornozelo e falanges), bem como as amplitudes em graus de todas as articulações dos
membros superiores e inferiores.
Quanto à pergunta inicial, devemos recordar os graus referentes à amplitude de movimento da
articulação do ombro do paciente Fernando. Os graus avaliados em Fernando foram: no movimento
de flexão do ombro, ele atingiu 90 graus; na extensão, 40 graus; na abdução, 100 graus; na adução,
40 graus; e na rotação medial e na rotação lateral, atingiu 70 graus. De acordo com o que estudamos,
compreendemos que todos os movimentos avaliados estão abaixo do normal.
Na primeira Pausa Para Refletir, nos questionamento sobre o deslocamento do ombro. A
articulação do ombro possui grande mobilidade, porém, as estruturas de reforço desta articu-
lação anteriormente e inferiormente são mais fracas: a cabeça do úmero é deslocada de for-
ma muito fácil tanto anteriormente como inferiormente, apresentando, portanto, uma grande
instabilidade. Além disso, a cavidade glenoidal oferece um suporte não suficiente no momento
em que o úmero é girado lateralmente e abduzido. Os movimentos do ombro, principalmente
na prática de alguns tipos de esportes, acabam ocasionando muitos deslocamentos, conside-
rando também os golpes tanto acima como atrás do ombro. Já a separação do ombro é um
afastamento da articulação acromioclavicular decorrente de uma queda sobre a mão estendi-
da ou ainda sobre o lado do ombro.
Pronação: é a combinação da dorsiflexão do tornozelo, eversão talocalcânea e abdução do
antepé, com os artelhos voltados para o lado de fora.
Supinação: é a combinação da flexão plantar do tornozelo, inversão talocalcânea e adução
do antepé, com os artelhos voltados para o lado de dentro.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 163
Já na segunda Pausa falamos sobre os traumas do cotovelo. Este tipo de deslocamento
normalmente ocorre em função de uma queda sobre o braço estendido, ou através do amor-
tecimento da queda com a mão, empurrando a ulna posteriormente. Esse tipo de queda tam-
bém pode deslocar o rádio e, geralmente, causa uma fratura em todos os elementos desta
articulação.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 164
Referências bibliográficas
FLOYD, RT. Manual de cinesiologia estrutural. 19. ed. Barueri, Editora Manole, 2016.
HAMILL, J. Bases biomecânicas do movimento humano. 4. ed. Barueri, Editora Manole, 2016.
MARIEB, E.; WILHELM, P. & MALLAT, J. Anatomia humana. São Paulo, Editora Pearson, 2014.
MOORE KL; ARTHUR, F. & AGUR, AMR. Anatomia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2011.
OATIS, CA. Cinesiologia: A mecânica e a patomecânica do movimento humano. 2. ed. Barueri,
Editora Manole, 2014.
TORTORA, GJ. & DERRCKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 14. ed. Rio de Janeiro.
Guanabara Koogan, 2016.
VAN DE GRAAFF, KM. Anatomia humana. 6. ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2003.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 165
Objetivos do capítulo
Localizar, com o uso da Anatomia
Palpatória, os principais acidentes ósseos;
Avaliar a força muscular dos principais
músculos e defi nir o grau segundo
Oxford.
ANATOMIA PALPATÓRIA DOS PRINCIPAIS
ACIDENTES ÓSSEOS DO CRÂNIO, COLUNA
VERTEBRAL E CINTURA ESCAPULAR
• Palpatório da coluna vertebral e
crânio
• Palpatório da cintura escapular
ANATOMIA PALPATÓRIA DOS
PRINCIPAIS ACIDENTES ÓSSEOS DOS
MEMBROS SUPERIORES
• Palpatório das articulações do ombro
• Palpatório das articulações do
cotovelo, punho, mão e dedos
PROVAS DE FUNÇÃO MUSCULAR E
CLASSIFICAÇÃO E GRADUAÇÃO DA
FORÇA DOS MÚSCULOS DA COLUNA
VERTEBRAL, CINTURA ESCAPULAR E
DOS MEMBROS SUPERIORES
• Avaliação da força muscular
• Força dos músculos da coluna
vertebral e graduação da força dos
principais músculos através da prova
de função
• Força dos músculos da cintura
escapular e dos membros superiores
e graduação da força dos principais
músculos através da prova de função
TÓPICOS DE ESTUDO
Por: Paulo Heraldo Costa do Valle
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 166
Neste capítulo vamos estudar em detalhes todos os acidentes ósseos do crânio, colu-
na vertebral, cintura escapular, membros superiores (ombro, cotovelo, punho, mão e
dedos). Para isso, é necessário também compreender a importância da avaliação da
força muscular, das provas de função muscular e da graduação da força dos músculos
coracobraquial, deltoide, peitoral maior, latíssimo do dorso, romboides e elevador da
escápula.
Diante desse cenário, imagine que uma senhora de 73 anos possui uma fraqueza mus-
cular bastante acentuada. Essa fraqueza muscular pode ser decorrente do quê?
Contextualizando o cenário
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 167
Anatomia palpatória dos principais acidentes ósseos
do crânio, coluna vertebral e cintura escapular
7.1
A palpação é de grande importância, pois esse procedimento é fundamental para a ava-
liação de qualquer paciente. A palpação é realizada em algumas regiões dos ossos, nas quais
existem os chamados acidentes ósseos.
Primeiramente, é essencial conhecer os acidentes ósseos do crânio, coluna vertebral e cin-
tura escapular.
Palpatório da coluna vertebral e crânio7.1.1
Para a palpação da coluna vertebral e do crânio, é importante conhecer os detalhes da ava-
liação na fossa temporal, do osso zigomático, do processo mastoide, dos processos transver-
sos das vértebras cervicais, da protuberância occipital externa, dos processos espinhosos das
vértebras cervicais, do ângulo da mandíbula e do processo coronoide da mandíbula.
Para realizar a palpação da fossa temporal o paciente deve estar em decúbito dorsal, atra-
vés da extremidade dos dedos. Deve, então, ser encontrado o local da união entre a face late-
ral da cabeça e a orelha do indivíduo. Os dedos do terapeuta devem deslizar tanto no sentido
anterior como posterior, até atingir a fossa temporal (CAEL, 2013).
O paciente deve estar em decúbito dorsal para a palpação do osso zigomático. O terapeu-
ta, com a extremidade dos dedos, deve identifi car a crista saliente situada à frente do meato
acústico externo do indivíduo. Os dedos devem ser deslizados anteriormente por cima da
bochecha na direção do nariz, procurando palpar o estreito osso zigomático.
Ambas as palpações são exemplifi cadas na Fig. 1.
Figura 1. (a) Palpação da fossa temporal e (b) do osso zigomático. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
(a) (b)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 168
Figura 2. (a) Palpação do processo mastoide, (b) dos processos transversos das vértebras cervicais; (c) da protuberância occipital
externa; e (d) dos processos espinhosos das vértebras cervicais. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
Para realizar a palpação do processo mastoide, o paciente deve estar em decúbito dorsal.
O terapeuta deve apoiar a extremidade de um dos dedos na parte posterior da orelhado pa-
ciente, deslizando para a parte posterior do processo mastoide.
Para a palpação dos processos transversos das vértebras cervicais, o paciente deve es-
tar em decúbito dorsal. Dessa forma, através da extremidade dos dedos, deve ser identifi cado
o processo mastoide. Os dedos devem ser deslizados no sentido inferior e anterior, em cima
do processo transverso de C1, que está saliente lateralmente. A palpação deve ser realizada
no sentido inferior até que sejam sentidos os processos transversos de C2 a C7 alinhados no
sentido vertical (CAEL, 2013).
A palpação da protuberância occipital externa ocorre com o paciente em decúbito dor-
sal. As faces palmares dos dedos devem estar sobre a face lateral da cabeça. Assim, é palpada
a parte cervical da coluna vertebral sobre a linha mediana. De forma suave, deve ser aprofun-
dada a palpação em cima das depressões medianas, identifi cando as projeções posteriores
das vértebras formadas pelos processos espinhosos de C2 a C7.
Na palpação dos processos espinhosos das vértebras cervicais, o paciente também deve
estar em decúbito dorsal. O terapeuta deve apoiar as faces palmares dos dedos sob a cabeça do
paciente, estando em contato com o occipício (parte posterior da cabeça). Deve ser palpada a linha
mediana, verifi cando a saliência que caracteriza o centro da linha nucal superior (CAEL, 2013).
Esses procedimentos estão demonstrados na Fig. 2.
(a) (b)
(c) (d)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 169
A palpação do ramo e do ângulo da mandíbula precisa que o paciente esteja posicionado
em decúbito dorsal, com a mandíbula na posição em repouso. O terapeuta, com as extremida-
des dos dedos, deve identifi car a margem inferior do osso zigomático no paciente. Devem ser
deslizados os dedos na direção inferior, de cima do ramo da mandíbula até o local em que se
curva anteriormente ao ângulo.
Para a palpação do processo coronoide da mandíbula, com o paciente em decúbito dor-
sal e a mandíbula levemente abaixada, o terapeuta deve indicar o centro do osso zigomático
através da extremidade de um dos dedos. O dedo deve ser deslizado no sentido inferior. Já o
paciente deve abaixar a mandíbula (abrindo a boca), devendo ser palpada a projeção anteros-
superior do ramo do processo chamado de coronoide (CAEL, 2013).
A Fig. 3 exemplifi ca ambos os procedimentos.
Figura 3. (a) Ângulo da mandíbula e (b) processo coronoide da mandíbula. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
Palpatório da cintura escapular7.1.2
É importante conhecer em detalhes a palpação da cintura escapular, sendo que a mesma é
constituída por dois ossos do corpo humano: a clavícula e a escápula.
Através da palpação, são avaliados: clavícula, externo, acrômio, processo coracoide, espinha
da escápula, margem medial da escápula, margem superior da escápula e margem lateral da
escápula.
Para fazer a palpação da clavícula, o paciente deve estar em decúbito dorsal. O terapeu-
ta deve encontrar a proeminência lateral situada na linha mediana na base do pescoço. O
procedimento deve ser realizado no sentido lateral e inferior, observando a saliência óssea
sinuosa da clavícula (CAEL, 2013).
Com o paciente também em decúbito dorsal, para a palpação do esterno, o terapeuta pre-
cisa observar a clavícula e palpar sua extremidade distal. A palpação deve ocorrer no sentido
(a) (b)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 170
medial e ser direcionada inferiormente sobre o plano esterno, localizado na região mediana
do tórax.
A palpação do acrômio ocorre com paciente em decúbito dorsal. O terapeuta deve loca-
lizar a clavícula e palpar sua extremidade lateral. Deve-se palpar no sentido lateral, e seguir
posteriormente na saliência arredondada do ombro, constituída pelo acrômio (CAEL, 2013).
Também com o indivíduo em decúbito dorsal, na palpação do processo coracoide deve ser
verifi cada a porção lateral da clavícula, local mais côncavo. O terapeuta deve palpar no sentido
inferior e seguir profundamente até que reconheça a proeminência do processo coracoide,
localizado imediatamente e medialmente a uma estrutura esferoide: a cabeça do úmero.
Os procedimentos descritos são demonstrados pela Fig. 4.
Figura 4. (a) Palpação da clavícula; (b) do esterno; (c) do acrômio e (d) do processo coracoide. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
Para a palpação da espinha da escápula, o paciente deve estar em decúbito ventral. O
acrômio na extremidade lateral do ombro é verifi cado, devendo ser palpado no sentido medial
e moderadamente inferior. Deve ser observada a saliência posterior marcante da espinha da
escápula, ao longo de toda a largura do osso (CAEL, 2013).
Clavícula
Acrômio Processo coracoide
Esterno
(a)
(c)
(b)
(d)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 171
Com o paciente em decúbito dorsal, ocorre a palpação da margem medial da escápula.
Dessa forma, é verifi cada a espinha da escápula e a palpação sua extremidade medial. O pro-
cedimento deve seguir verticalmente sobre a margem medial da escápula, devendo ser acom-
panhado no sentido superior e inferior.
Na palpação do ângulo superior da escápula, com o paciente em decúbito ventral, é ve-
rifi cada a margem medial da escápula. Ela deve ser palpada no sentido superior até atingir
a espinha. Deve-se também observar a margem da escápula, conforme for curvando para a
lateral, constituindo o ângulo superior (CAEL, 2013).
Com o indivíduo posicionado da mesma forma, na palpação da margem lateral da escá-
pula, é observada a margem medial da escápula. Ela deve ser palpada no sentido inferior até
contornar o ângulo inferior. O procedimento ocorre no sentido superior, sobre a margem
lateral arredondada, sendo paralela à prega axilar posterior.
A Fig. 5 demonstra as características dessas palpações.
Figura 5. (a) Palpação da espinha da escápula; (b) da margem medial da escápula; (c) do ângulo superior da escápula; e (d)
da margem lateral da escápula. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
Espinha da escápula Margem medialda escápula
Ângulo superior
da escápula
Margem lateral
da escápula
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 172
Anatomia palpatória dos principais acidentes ósseos
dos membros superiores
7.2
A palpação dos membros inferiores depende do conhecimento anatômico dos principais
ossos dos membros superiores. Assim, é necessária a avaliação da articulação de ombro, co-
tovelo, punho, mão e dedos.
Palpatório das articulações do ombro7.2.1
No momento da avaliação do ombro,
devem ser palpadas as estruturas do tu-
bérculo maior, do sulco intertubercular, do
tubérculo menor e da tuberosidade para o
músculo deltoide.
No caso do tubérculo maior, o paciente
deve estar posicionado em decúbito dorsal
com o ombro na posição neutra. O terapeu-
ta verifi ca a margem lateral do acrômio, se-
guindo no sentido inferior sobre a região proximal do úmero. Deve ser palpada a saliência
anterolateral na região proximal do úmero (CAEL, 2013).
A palpação do sulco intertubercular, ocorre em decúbito dorsal e com o ombro na posição
neutra. O terapeuta palpa o tubérculo maior do úmero. Mantendo o contato, deve ser rea-
lizada uma rotação lateral passiva no ombro do paciente. Os dedos, então, são deslizados
para o interior do sulco intertubercular, localizado medialmente ao tubérculo maior.
Na palpação do tubérculo menor, com o paciente em posição de decúbito dorsal e com o
ombro na posição neutra, o terapeuta deve palpar também o tubérculo maior do úmero, sus-
tentando o contato. Dessa forma, deve ser realizada uma rotação lateral passiva no ombro do
paciente. Deve-se deslizar os dedos sobre o sulco intertubercular até chegar a uma pequena
saliência com formato arredondado: o tubérculo menor (CAEL, 2013).
Com o paciente em decúbito dorsal e com ombro na posição neutra,na palpação da tu-
berosidade para o músculo deltoide, o terapeuta deve palpar o tubérculo maior do úmero
e sustentar o contato. É, então, realizada uma rotação lateral passiva no ombro do paciente.
Os dedos devem deslizar sobre o sulco intertubercular e chegar a uma pequena saliência de
forma arredondada, que é o tubérculo menor.
Os procedimentos estão demonstrados na Fig. 6.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 173
Figura 6. (a) Palpação do tubérculo maior; (b) do sulco intertubercular; (c) do tubérculo menor; e (d) da tuberosidade para o
músculo deltoide. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
Palpatório das articulações do cotovelo, punho, mão e dedos7.2.2
Em detalhes, a palpação da articulação do cotovelo envolve o toque do olécrano, da fossa
do olécrano, dos epicôndilos lateral e medial do úmero, da cabeça do rádio e da margem pos-
terior da ulna.
Além disso, para a palpação nas articulações do punho, mãos e dedos, é importante entender o
toque no processo estiloide da ulna, no tubérculo dorsal, no processo estiloide do rádio, nos ossos
carpais, no escafoide, nos metacarpais, nos carpais, no pisiforme, no hamato e nas falanges.
Para a palpação do olécrano, o paciente deve estar em decúbito dorsal, com o cotovelo
fl exionado, enquanto o antebraço está em posição neutra. O terapeuta deve identifi car a face
posterior do cotovelo, fl etindo e estendendo passivamente o cotovelo ao mesmo tempo em
que palpa a proeminência arredondada do olécrano (CAEL, 2013).
Por sua vez, a palpação da fossa do olécrano é realizada com o paciente em decúbito ven-
tral. Com o cotovelo fl exionado, é identifi cado o olécrano da ulna. O terapeuta deve deslizar
os dedos no sentido proximal para o interior da depressão denominada de fossa do olécrano.
(a) (b)
(c) (d)
Tubérculo maior
Tubérculo menor
Tuberosidade para
o músculo deltoide
Sulco
intertubercular
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 174
Já na palpação do epicôndilo lateral do úmero, com o paciente em decúbito dorsal com
o cotovelo em fl exão, o terapeuta deve identifi car o olécrano da ulna e deslizar os dedos nas
direções lateral e anterior sobre a proeminência arredondada do epicôndilo lateral do úmero
(CAEL, 2013).
A Fig. 7 apresenta uma representação desses procedimentos.
Figura 7. (a) Palpação do olecrano; (b) da fossa do olecrano; e (c) do epicôndilo lateral do úmero. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
Para a palpação do epicôndilo medial do úmero, o paciente deve estar em decúbito dor-
sal com o cotovelo em fl exão e o antebraço em supinação, o terapeuta deve identifi car o
olécrano da ulna, deslizando o dedo nos sentidos medial e anterior em cima da proeminência
arredondada do epicôndilo medial do úmero.
A palpação da cabeça do rádio acontece com o indivíduo em decúbito dorsal. Para isso, é
necessário que o cotovelo fi que fl exionado e que o antebraço esteja na posição neutra. Iden-
tifi cando o epicôndilo lateral do úmero, o terapeuta deve deslizar os dedos no sentido distal
sobre a pequena cabeça do rádio, enquanto faz a pronação e a supinação de forma passiva
do antebraço, procurando rodá-lo sobre os dedos (CAEL, 2013).
Olécrano
Fóssa do olécrano Epicôndilo lateral
do úmero
(a)
(b) (c)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 175
Com o paciente igualmente posicionado, a palpação da margem posterior da ulna é rea-
lizada identifi cando-se o olécrano da ulna. Deve-se, então, deslizar os dedos da direção distal
posterior até o punho.
Essas palpações estão representadas na Fig. 8.
Figura 8. (a) Palpação do epicôndilo medial do úmero; (b) da cabeça do rádio; e (c) da margem posterior da ulna. Fonte: CAEL, 2013.
(Adaptado).
Com o paciente em decúbito dorsal, a palpação do processo estiloide da ulna ocorre com
o cotovelo em relaxamento, enquanto que o antebraço está em pronação. O terapeuta deve
identifi car a margem medial do punho, deslizando os dedos para o sentido anterior sobre a
proeminência arredondada do processo estiloide da ulna (CAEL, 2013).
A palpação do tubérculo dorsal ocorre com o mesmo posicionamento do paciente. O tera-
peuta, então, identifi ca o processo estiloide da ulna e desliza os dedos no sentido medial sobre
uma proeminência pequena e profunda que é constituída pelo tubérculo dorsal.
Epicôndilo medial
do úmero
Margem posterior da ulna
Cabeça do rádio
(a) (b)
(c)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 176
Ainda em decúbito dorsal, com cotovelo relaxado e antebraço em pronação, a palpação
do processo estiloide do rádio acontece com a identifi cação do tubérculo dorsal do rádio.
Dessa forma, o terapeuta desliza os dedos no sentido medial e distal acima da proeminência
arredondada do processo estiloide do rádio (CAEL, 2013).
A Fig. 9 exemplifi ca os três procedimentos descritos.
Figura 9. (a) Palpação do processo estiloide da ulna; (b) do tubérculo dorsal; e (c) do processo estiloide do rádio. Fonte: CAEL, 2013.
(Adaptado).
Para a palpação dos ossos carpais, o paciente deve estar em decúbito dorsal e com o
cotovelo relaxado. A posição do antebraço, no entanto, depende da palpação. Quando em
pronação (Fig. 10 (a)), o terapeuta deve utilizar os polegares de ambas as mãos, verifi cando
os processos estiloides do rádio e da ulna. Deve deslizar os polegares no sentido distal em
cima da face dorsal dos ossos carpais. Já com o antebraço em supinação (Fig. 10 (b)), deve-se
utilizar os polegares de ambas as mãos para identifi car as eminências tenar e hipotenar da
palma. Deve, então, palpar sobre e entre essas duas estruturas macias até a face palmar dos
ossos carpais (CAEL, 2013).
Processo
estiloide
da ulna
Processo
estiloide
do rádio
Tubérculo
dorsal
(a)
(c)(b)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 177
A palpação do escafoide deve ser realizada com a utilização de um dos polegares. Estando
o paciente em decúbito dorsal, com o cotovelo em relaxamento e antebraço em pronação, é
necessário identifi car o processo estiloide do rádio. Por isso, deve-se mover, de forma passiva,
a mão para a lateral e deslizar o polegar no sentido distal e profundo acima da superfície plana
do escafoide (CAEL, 2013).
O procedimento de palpação do pisiforme ocorre com o paciente posicionado em decúbi-
to dorsal, com os cotovelos relaxados e o antebraço em supinação. O terapeuta deve utilizar
um dos polegares, procurando identifi car a eminência hipotenar. Dessa forma, desliza o pole-
gar no sentido proximal sobre a pequena proeminência do pisiforme.
Por sua vez, a palpação do hâmulo do osso hamato ocorre com o paciente posicionado
da mesma forma. Também utilizando um polegar, o terapeuta identifi ca o pisiforme e desliza
levemente nos sentidos lateral, distal e profundo sobre o pequeno hâmulo do osso hamato.
A Fig. 10 exemplifi ca esses procedimentos de palpação.
Figura 10. (a) Palpação dos ossos carpais com antebraço em pronação; (b) dos ossos carpais com antebraço em supinação; (c) do
escafoide; (d) do pisiforme; e (e) do hâmulo do osso hamato. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
Ossos carpais Ossos carpaisOssos carpais Ossos carpais
Escafoide Pisiforme
Hâmulo
do osso
hamato
(a) (b)
(e)
(c) (d)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 178
Em decúbito dorsal, o paciente deve estar com o cotovelo relaxado e o antebraço em pro-
nação para a palpação dos ossos metacarpais. O terapeuta utiliza os polegares de ambas
as mãos, avaliando as cabeças dos metacarpais. Deve, então, deslizar os polegares na direção
proximal acima dos corpos longos e delgados dos ossos metacarpais.
Já a palpação das falanges é realizada também com o paciente em decúbito dorsal e com
o cotovelo relaxado, mas o antebraço deve estar em supinação. Utilizando as duas mãos, o
terapeuta identifi ca as cabeças dos metacarpais, segurando-as entreo polegar e o indicador.
Dessa forma, deve-se deslizar em formato de pinça o polegar e o indicador no sentido distal,
palpando as falanges e as articulações interfalângicas proximais e distais (CAEL, 2013).
A Fig. 11 representa a palpação dos ossos metacarpais e das falanges.
Figura 11. (a) Palpação dos ossos metacarpais; e (b) das falanges. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
PAUSA PARA REFLETIR
Muitos são os movimentos de palpação envolvendo, principalmente, as mãos e os pulsos. Qual
é a relação dessa região do corpo com a quantidade de ossos do corpo humano?
Provas de função muscular e classifi cação e gradu-
ação da força dos músculos da coluna vertebral, cintu-
ra escapular e dos membros superiores
7.3
Além dos detalhes dos movimentos da palpação, é necessário também conhecer sobre a ava-
liação da força muscular, as provas de função muscular e a graduação da força dos músculos
coracobraquial, deltoide, peitoral maior, latíssimo do dorso, romboides e elevador da escápula.
Ossos
metacarpais
Falanges
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 179
Avaliação da força muscular7.3.1
A força muscular é considerada como um dos principais componentes relacionados à apti-
dão física. Ela é fundamental para o desempenho físico de inúmeras atividades da vida diária,
como nas esportivas, que devem ser verifi cadas durante uma avaliação. Assim, defi ne-se for-
ça máxima como a capacidade de um músculo ou grupo muscular gerar tensão contra uma
resistência.
PAUSA PARA REFLETIR
A distrofi a muscular de Duchenne é uma doença hereditária progressiva que está ligada ao
cromossomo X. Existe alguma relação dessa doença com a força muscular?
Essa avalição normalmente é realizada através do teste de repetição máxima (1RM), visto
que é um método bastante prático e com custo, do ponto de vista operacional, muito baixo.
Defi ne a maior carga que pode ser movimentada por meio de uma amplitude específi ca de
movimento em uma única vez, sem nenhuma compensação muscular sendo executada de
forma correta.
Existem vários equipamentos que podem avaliar a força muscular, sendo os mais comuns
os dinamômetros isométricos e isocinéticos. Eles têm a função de quantifi car e defi nir a pre-
sença ou ausência de defi cit no sistema musculoesquelético.
O dinamômetro isométrico mede a força realizada por um determinado grupo muscular,
de forma estática, visto que no momento da avaliação, nenhum movimento físico é realizado.
Os dinamômetros isométricos palmares são pequenos e portáteis. Dessa forma, o avaliador
consegue manuseá-lo e posicionar o avaliado para que seja possível verifi car diversos grupos
musculares. É necessário, no entanto, que o avaliador faça o posicionamento de forma corre-
ta quanto ao segmento corporal. Para essa avaliação, geralmente, devem ser realizados pelo
menos de três a cinco testes, sendo escolhido o de maior valor. Em sua maioria, esses equipa-
mentos são do tipo hidráulico analógico de preensão manual.
Enquanto isso, os dinamômetros isocinéticos são utilizados para avaliar a força por meio
de um movimento, considerando como resultado a combinação entre a velocidade, mecani-
camente defi nida, e o movimento do avaliado. Eles são equipamentos maiores, sendo que os
mais utilizados para a avaliação da força muscular são Enknee®, Cybex®, Kin-com Chatanoo-
ga®. Porém, ainda é de pouco uso, devido ao seu alto custo e à necessidade de um grande
espaço para sua instalação.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 180
DICA:
No artigo “Avaliação Isocinética da Força Muscular em Atletas Profi ssionais de Fu-
tebol Feminino” (SILVA NETO, M. et al, 2010) é abordada a utilização do aparelho
isocinético para a avaliação da força muscular em atletas profi ssionais. A partir
de sua leitura, é possível entender como esses aparelhos são usados para quan-
tifi car a força muscular e como é feita a aplicação dos resultados como forma de
avaliação e subsídios para o treinamento dos atletas.
No artigo “Avaliação Isocinética da Força Muscular em Atletas Profi ssionais de Fu-
tebol Feminino” (SILVA NETO, M. et al, 2010) é abordada a utilização do aparelho tebol Feminino” (SILVA NETO, M. et al, 2010) é abordada a utilização do aparelho
isocinético para a avaliação da força muscular em atletas profi ssionais. A partir
de sua leitura, é possível entender como esses aparelhos são usados para quan-
tifi car a força muscular e como é feita a aplicação dos resultados como forma de
tebol Feminino” (SILVA NETO, M. et al, 2010) é abordada a utilização do aparelho
No artigo “Avaliação Isocinética da Força Muscular em Atletas Profi ssionais de Fu-
tebol Feminino” (SILVA NETO, M. et al, 2010) é abordada a utilização do aparelho
isocinético para a avaliação da força muscular em atletas profi ssionais. A partir
de sua leitura, é possível entender como esses aparelhos são usados para quan-
isocinético para a avaliação da força muscular em atletas profi ssionais. A partir
de sua leitura, é possível entender como esses aparelhos são usados para quan-
tifi car a força muscular e como é feita a aplicação dos resultados como forma de
No artigo “Avaliação Isocinética da Força Muscular em Atletas Profi ssionais de Fu-DICANo artigo “Avaliação Isocinética da Força Muscular em Atletas Profi ssionais de Fu-No artigo “Avaliação Isocinética da Força Muscular em Atletas Profi ssionais de Fu-SNo artigo “Avaliação Isocinética da Força Muscular em Atletas Profi ssionais de Fu-
Força dos músculos da coluna vertebral e graduação da
força dos principais músculos através da prova de função
7.3.2
Para a avaliar a força dos músculos da coluna vertebral e a graduação dessa força nos prin-
cipais músculos, é preciso conhecer alguns testes, como os de fl exão e de extensão da coluna
vertebral e de elevação lateral do tronco.
Para a avaliação da fl exão da coluna vertebral, sem a participação da articulação do quadril, é
necessário que o avaliado esteja em decúbito dorsal. Deve haver o apoio dos antebraços e os coto-
velos devem estar fl exionados em ângulo reto, estando os membros superiores próximos ao corpo.
Se o avaliado realizar a fl exão da coluna nessa posição com a pelve achatada sobre a maca (sem
fl exionar o quadril), é considerado, então, que ele possui uma boa amplitude (KENDALL, 2007).
No teste para extensão da coluna vertebral, o indivíduo deve estar em decúbito ventral
sobre a maca, com os antebraços apoiados e com os cotovelos fl exionados em ângulo reto. Dei-
xando os membros superiores próximos ao corpo, verifi ca-se se o paciente consegue estender
a coluna vertebral o sufi ciente estando apoiado sobre os antebraços e a pelve achatada sobre
a maca. Caso consiga, é indicado que há uma ótima amplitude. Como pode ser observado no
item (a) da Fig. 12, o teste pode ocorrer também com o paciente com as mãos cruzadas atrás
da cabeça (é aceito o posicionamento das mãos atrás das nádegas). Assim, ocorre a extensão
do tronco até a amplitude do movimento total do indivíduo. No caso da detecção de fraqueza
bilateral dos músculos extensores da coluna, é possível que ocorra cifose lombar, assim como
também aumento da cifose torácica. Já a fraqueza unilateral leva à curvatura lateral com a
convexidade para lado fraco.
O teste de elevação do tronco é uma combinação da fl exão lateral do tronco e da abdução do
quadril, sendo realizada em função da inclinação para baixo da pelve sobre a coxa. Os músculos
laterais do tronco que estão envolvidos no movimento são as fi bras laterais dos oblíquos externo
e interno, o músculo quadrado lombar, a grande dorsal, o reto do abdômen e o eretor da espinha.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 181
Figura 12. (a) Teste para extensão da coluna vertebral; e (b) elevação lateral do tronco. Fonte: KENDALL, 2007. (Adaptado).
CURIOSIDADE:O teste de força dos músculos fl exores laterais do tronco é fundamental na ava-
liação da escoliose.
O teste de força dos músculos fl exores laterais do tronco é fundamental na ava-O teste de força dos músculos fl exores laterais do tronco é fundamental na ava-O teste de força dos músculos fl exores laterais do tronco é fundamental na ava-O teste de força dos músculos fl exores laterais do tronco é fundamental na ava-O teste de força dos músculos fl exores laterais do tronco é fundamental na ava-
Força dos músculos da cintura escapular e dos membros
superiores e graduação da força dos principais músculos
através da prova de função
7.3.3
Ao abordar a força e a graduação da força de alguns músculos da cintura escapular e dos
membros superiores por meio das provas de função muscular, é necessário destacar provas
dos músculos coracobraquial, deltoide, peitoral maior, latíssimo do dorso, romboides e levan-
tador da escápula.
A avaliação do músculo coracobraquial envolve o teste de fl exão do ombro em rotação
lateral, com o cotovelo totalmente fl exionado e o antebraço em supinação. O auxílio do mús-
culo bíceps na fl exão do ombro é reduzido nessa posição, visto que a fl exão completa do
cotovelo e a supinação do antebraço o encurtam o bastante para que seja efetivo na fl exão do
(a)
(b)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 182
ombro. Deve haver pressão na superfície anteromedial do terço inferior do úmero, na direção
da extensão e da abdução. A fraqueza é observada na redução na força de fl exão do ombro,
especialmente nos movimentos que estão relacionados com a fl exão e a supinação completa
do cotovelo (KENDALL, 2007).
Posterior
Médio AnteriorAnterior
Figura 13. Músculo coracobraquial. Fonte: KENDALL, 2007.
Figura 14. Músculo deltoide. Fonte: KENDALL, 2007.
Para a avaliação do músculo deltoide, o paciente deve realizar a abdução do ombro sem
rotação. O cotovelo deve estar fl exionado para indicar a posição neutra. O ombro pode fi car
estendido após sua posição ser mantida, de forma que a extremidade estendida possa ser
utilizada como uma alavanca mais longa. A pressão deve ser realizada contra a superfície dor-
sal da extremidade distal do úmero, quando o cotovelo está fl exionado; ou contra o antebra-
ço, quando o cotovelo estiver estendido. A fraqueza ocasiona em incapacidade para elevar o
membro superior em abdução contra a força da gravidade.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 183
O teste para o músculo peitoral maior é iniciado com o cotovelo estendido, com o ombro
em fl exão de 90º e com uma pequena rotação medial. O úmero, então, é aduzido horizontal-
mente na direção da extremidade esternal da clavícula. Deve ocorrer pressão contra o ante-
braço, na direção da abdução horizontal. A fraqueza, nesse caso, aponta a reduzida capacidade
para elevar o membro superior em adução horizontal atravessando o tórax e em difi culdade
para tocar o ombro oposto com a mão. Assim, a força de fl exão e rotação medial do ombro se
apresentam diminuídas (KENDALL, 2007).
A avaliação do músculo latíssimo do dorso acontece com teste de adução do membro su-
perior e com extensão na posição de rotação medial. A pressão deve ser feita contra o antebra-
ço na direção da abdução e com uma leve fl exão do membro superior. A fraqueza detectada
no teste está relacionada com atividades que compreendem a adução do membro superior
na direção ao corpo ou do corpo na direção ao membro superior, sendo que a força da fl exão
lateral do tronco diminui.
Figura 15. Músculo latíssimo do dorso. Fonte: KENDALL, 2007.
No teste para os músculos romboides e levantador da escápula, o paciente deve fazer
a adução e a elevação da escápula, com rotação medial do ângulo inferior. Para manter essa
posição e realizar a alavancagem para a pressão no teste, o cotovelo deve estar fl exionado, o
úmero aduzido em direção à lateral do corpo, com extensão pequena e leve rotação lateral. O
avaliador deve aplicar pressão com uma das mãos contra o membro superior do paciente, na
direção da abdução da escápula e da rotação lateral do ângulo inferior; e contra o ombro do
paciente, com a outra mão, na direção da depressão.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 184
CURIOSIDADE:
A função do teste para os músculos romboides e levantador da escápula é avaliar
a capacidade dos músculos romboides em manter a escápula na mesma posição
conforme a pressão é aplicada no membro superior.
A função do teste para os músculos romboides e levantador da escápula é avaliar A função do teste para os músculos romboides e levantador da escápula é avaliar A função do teste para os músculos romboides e levantador da escápula é avaliar
a capacidade dos músculos romboides em manter a escápula na mesma posição
A função do teste para os músculos romboides e levantador da escápula é avaliar
a capacidade dos músculos romboides em manter a escápula na mesma posição
A função do teste para os músculos romboides e levantador da escápula é avaliar
a capacidade dos músculos romboides em manter a escápula na mesma posição
A função do teste para os músculos romboides e levantador da escápula é avaliar A função do teste para os músculos romboides e levantador da escápula é avaliar
A fraqueza deriva da observação de que a escápula abduz enquanto que o ângulo inferior
roda lateralmente. A força da adução e da extensão do úmero está reduzida devido à perda da
fi xação da escápula pelo músculo romboide. Normalmente, a função do membro superior é
menos afetada pela perda da força nesses músculos do que pela perda de força dos músculos
trapézio ou serrátil anterior (KENDALL, 2007).
Proposta de Atividade
Agora é a hora de pôr em prática tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore um es-
boço de todas as estruturas abordadas no capítulo. É fundamental que você tenha em mente
o formato de cada um dos ossos e dos acidentes ósseos estudados para compreender melhor
a palpação de cada um deles. Ao produzir seu esboço, considere as leituras básicas e comple-
mentares realizadas.
Recapitulando
Foram apresentados os detalhes da anatomia palpatória dos principais acidentes ósseos
do crânio, coluna vertebral, cintura escapular e membros superiores através da avaliação da
articulação do ombro, cotovelo, punho, mão e dedos.
A palpação dessa última região engloba o toque no processo estiloide da ulna, no tubér-
culo dorsal, no processo estiloide do rádio, nos ossos carpais, no escafoide, nos metacarpais,
nos carpais, no pisiforme, no hâmulo e nas falanges. Sabe-se que a maioria dos ossos do
corpo humano está concentrada em duas regiões do corpo humano. Umas dessas regiões é
a dos pulsos e das mãos, com um total de 54 ossos. As outras regiões são a do pé, composta
por 26 ossos, e a da face, com 14 ossos no total.
Para entender a palpação nas regiões apresentadas no capítulo, foram descritas também
formas de avaliação da força muscular, provas de função muscular e a graduação da força de
alguns músculos do membro superior.
A grande questão levantada sobre o tema foi com relação à fraqueza muscular nos idosos.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 185
Esse é um assunto muito importante que deve sempre ser levado em consideração no mo-
mento da avaliação de paciente. A fraqueza muscular está associada a idades avançadas, pois
ocorrem importantes reduções na flexibilidade muscular, equilíbrio e, principalmente, na velo-
cidade. Ela é a responsável por muitas lesões, devido às quedas frequentes, que são conside-
radas como grandes causas de morbidade e mortalidade nos idosos.
Outro ponto importante ao falar sobre a avaliação através da palpação é a distrofia mus-
cular de Duchenne, que afeta de 1 a cada 5.000 meninos nascidos vivos. O quadro clínico se
manifesta entre o terceiro aoquinto ano de vida, sendo muito evidente a grande elevação da
enzima creationoquinase (CK) sérica. No ano de 1996, foi isolado o gene responsável por essa
distrofia, através da identificação da proteína produzida, que é a distrofina.
A ausência dessa proteína ocasiona alterações musculares. Primeiramente, a doença afeta
todos os músculos esqueléticos e, por último, atinge os músculos respiratórios. A maioria dos
pacientes morre antes de completar 20 anos de idade, geralmente por casos de infecções res-
piratórias, que evoluem para um quadro de insuficiência respiratória.
A avaliação da preensão manual, ou seja, o teste da força dos músculos da mão através de
um dinamômetro isométrico, é considerado como um preditor muito importante para a avalia-
ção da força muscular corporal. Por isso, é essencial conhecer seu uso adequado.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 186
Referências bibliográficas
CAEL, C. Anatomia palpatória funcional. Barueri: Manole, 2013.
FLOYD, R. T. Manual de cinesiologia estrutural. 19. ed. Barueri: Manole, 2016.
KENDALL, FP. Músculos: provas e funções. Barueri: Manole, 2007.
MARIEB, E.; WILHELM, P.; MALLAT, J. Anatomia humana. São Paulo: Editora Pearson, 2016.
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tebol Feminino. Rev. Bras. Med. Esporte, São Paulo, v. 16, n. 1, p. 33-35, 2010. Disponível em:
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SOBOTTA, J. Atlas de anatomia humana. 22. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
TORTORA, G. J.; DERRCKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. 14. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2016.
VAN DE GRAAFF, Kent M. Anatomia humana. 6. ed. Barueri: Manole, 2003.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 187
Objetivos do capítulo
Localizar, com o uso da anatomia
palpatória, os principais acidentes ósseos,
Avaliar o grau de força muscular dos
principais músculos.
ANATOMIA PALPATÓRIA DOS
PRINCIPAIS ACIDENTES ÓSSEOS DA
PELVE E DA COXOFEMORAL
• Palpatório da pelve
• Palpatório da articulação coxofemoral
ANATOMIA PALPATÓRIA DOS
PRINCIPAIS ACIDENTES ÓSSEOS
DOS MEMBROS INFERIORES
• Palpatório do joelho
• Palpatório do tornozelo, pés e dedos
PROVAS DE FUNÇÃO MUSCULAR,
CLASSIFICAÇÃO E GRADUAÇÃO DA
FORÇA DOS MÚSCULOS DA PELVE E
DOS MEMBROS INFERIORES
• Força dos músculos da pelve e
graduação da força dos principais
músculos através da prova de função
• Força dos músculos do joelho,
tornozelo, pés e dedos e graduação
da força dos principais músculos
através da prova de função
TÓPICOS DE ESTUDO
Por: Paulo Heraldo Costa do Valle
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 188
A anatomia palpatória dos principais acidentes ósseos dos membros inferiores englo-
ba a pelve, o quadril, o joelho, o tornozelo, os pés e os dedos. Para isso, é necessário
conhecer também a prova de função de alguns músculos que constituem essa região
do corpo.
Imagine, por exemplo, que uma senhora de 83 anos possui uma doença muito conhe-
cida para os indivíduos que estão na terceira idade, que é a osteoporose. Na última
semana, ela estava caminhando na frente de sua casa e caiu na calçada, fraturando o
fêmur direito. Diante desse cenário, a queda foi a causa da fratura do fêmur?
Contextualizando o cenário
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 189
Anatomia palpatória dos principais acidentes ósseos
da pelve e da coxofemoral
8.1
A palpação de todos os acidentes ósseos é um procedimento imprescindível durante a
anamnese. Por isso, para compreender melhor a anatomia palpatória em função dos mem-
bros inferiores, é preciso conhecer os detalhes da palpação nos principais acidentes ósseos
dessa região do corpo por meio da avaliação da articulação do quadril e da pelve.
Palpatório da pelve8.1.1
As estruturas que devem ser palpadas no momento da avaliação da pelve são espinha ilíaca
anterossuperior, espinha ilíaca anteroinferior, fossa ilíaca, corpos das vértebras lombares e
ramo do púbis.
Para a palpação da espinha ilíaca anterossuperior, o paciente deve estar posicionado em de-
cúbito dorsal. O terapeuta, então, identifi ca a crista ilíaca através da extremidade dos dedos, desli-
zando-os no sentindo anterior e inferior até a crista ilíaca anterossuperior (saliente anteriormente).
Com o paciente posicionado da mesma forma, a palpação da espinha ilíaca anteroinfe-
rior depende também de que o terapeuta identifi que a crista ilíaca através da extremidade
dos dedos. Ao deslizá-los no sentido anterior e inferior, deve passar pela espinha ilíaca ante-
rossuperior e, na sequência, mais profundamente até a espinha ilíaca anteroinferior.
Ainda com o indivíduo na mesma posição, para a palpação da fossa ilíaca, o terapeuta
deve avaliar a crista ilíaca com a extremidade dos dedos. Deve deslizá-los de forma profunda
no sentido medial e inferior acima da superfície côncava da fossa ilíaca.
Esses procedimentos de palpação podem ser observados na Figura 1.
Figura 1. (a) Palpação da espinha ilíaca anterossuperior; (b) da ilíaca anteroinferior; e (c) da fossa ilíaca. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
a b c
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 190
Figura 2. (a) Palpação dos corpos das vértebras lombares; e (b) do ramo do púbis. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
A palpação dos corpos das vértebras lombares ocorre com o paciente em decúbito dorsal
com o quadril levemente fl exionado. É identifi cado o ponto localizado por meio da intersecção
de uma linha vertical, que atravessa a sínfi se púbica e a espinha ilíaca anterossuperior, com
uma linha horizontal, entre o umbigo e o púbis. Durante a palpação, devem ser aprofundados
e direcionados medialmente os dedos, até sentir os corpos arredondados e rígidos das vérte-
bras lombares.
Identifi cando a crista ilíaca com a extremidade dos dedos, o terapeuta realiza a palpação do
ramo do púbis, estando o paciente o paciente em decúbito dorsal. Os dedos são deslizados no
sentido medial e levemente inferior sobre as grandes superfícies planas dos ramos do púbis.
A Figura 2 exemplifi ca as duas palpações.
(a) (b)
Palpatório da articulação coxofemoral8.1.2
As estruturas palpadas no momento da avaliação do quadril são espinha ilíaca posterossu-
perior, sacro, trocânter maior do fêmur e túber isquiático.
Na palpação da espinha ilíaca posterossuperior, o paciente deve estar posicionado em decú-
bito ventral. O terapeuta avalia a crista ilíaca com a extremidade dos dedos, deslizando-os no sen-
tido posterior até a proeminência arredondada constituída pela espinha ilíaca posterossuperior.
Para a palpação do sacro, com o paciente posicionado em decúbito ventral, o terapeuta
identifi ca os processos espinhosos das vértebras lombares com a extremidade dos dedos.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 191
Figura 3. (a) Palpação da espinha ilíaca posterossuperior; e (b) do sacro. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
Figura 4. (a) Palpação do trocânter maior do fêmur; e (b) do túber isquiático. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
Deve, então, deslizá-los no sentido inferior entre a espinha ilíaca posterossuperior direita e
esquerda, sobre a face dorsal do sacro.
A Figura 3 demonstra a palpação da espinha ilíaca e também do sacro.
a b
Para a palpação do trocânter maior do fêmur, o paciente deve estar em decúbito ventral.
Com a extremidade dos dedos, o terapeuta deve identificar a crista ilíaca, deslizando os dedos
em alguns centímetros no sentido inferior até atingir a superfície da grande saliência arredon-
dada: o trocânter maior do fêmur.
Por sua vez, também com o indivíduo em decúbito ventral, na palpação do túber isquiá-
tico deveser identificada a superfície superoposterior da coxa através da extremidade dos
dedos. É preciso deslizá-los no sentido anterior e superior no sulco infraglúteo até a grande
saliência arredondada que forma o túber isquiático.
Os procedimentos descritos estão exemplificados na Figura 4.
a b
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 192
Anatomia palpatória dos principais acidentes ósseos
dos membros inferiores
8.2
Os acidentes ósseos presentes nos membros inferiores estão nos joelhos, no tornozelo, nos
pés e nos dedos. Assim, é fundamental o estudo de todos eles para que você consiga realizar
a palpação e observar se existe alguma alteração em cada um desses locais.
Palpatório do joelho8.2.1
No momento da avaliação do joelho, devem ser palpadas as estruturas do tubérculo do
adutor do fêmur, dos côndilos medial e lateral do fêmur e dos côndilos medial e lateral da tíbia.
Para a palpação do tubérculo do adutor do fêmur, o paciente deve estar posicionado em
decúbito dorsal. Utilizando o polegar, o terapeuta deve identifi car a patela, na região anterior
do joelho. Por conseguinte, deve deslizar o dedo no sentido medial, sobre a proeminência ar-
redondada do tubérculo do adutor do fêmur.
Posicionado também em decúbito dorsal, a palpação do côndilo medial do fêmur ocorre
com o terapeuta identifi cando a patela na região, anterior do joelho, com o polegar. Deve, en-
tão, deslizar o polegar no sentido medial e levemente inferiormente sobre a grande proemi-
nência arredondada do côndilo medial do fêmur.
A palpação do côndilo lateral do fêmur também deve ser realizada em decúbito dorsal e
com a identifi cação da patela. No entanto, deve-se deslizar o polegar no sentido lateral e leve-
mente inferior acima da grande proeminência arredondada do côndilo lateral do fêmur.
As palpações envolvendo o fêmur na região do joelho estão exemplifi cadas na Figura 5.
Figura 5. (a) Palpação do tubérculo do adutor do fêmur; (b) do côndilo medial do fêmur; e (c) do côndilo lateral do fêmur. Fonte: CAEL,
2013. (Adaptado).
a b c
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 193
Figura 6. (a) Palpação do côndilo medial da tíbia; e (b) do côndilo lateral da tíbia. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
Na palpação do côndilo medial da tíbia, o paciente deve estar posicionado em decúbito
dorsal. O terapeuta, através do polegar, deve identifi car a patela. O dedo é, então, deslizado no
sentido medial e inferior, ultrapassando a linha articular do joelho, até a curvatura do côndilo
medial da tíbia.
Com o paciente posicionado da mesma forma, na palpação do côndilo lateral da tíbia, o
terapeuta avalia a patela, deslizando o polegar no sentido lateral e inferior, transpondo a linha
articular do joelho até a curvatura do côndilo lateral da tíbia.
As palpações que envolvem a tíbia estão demonstradas na Figura 6.
(a) (b)
Palpatório do tornozelo, pés e dedos8.2.2
Os detalhes das estruturas palpadas no momento da avaliação do tornozelo, pés e dedos
envolvem o maléolo medial, o calcâneo, o tubérculo medial do tálus, o sustentáculo do tálus, o
navicular, os cuneiformes, o maléolo lateral, o tálus, o seio do tarso, o cuboide, a tróclea fi bular,
o quinto metatarsal, o tubérculo medial do calcâneo, os sesamoides, a cabeça dos metatarsais
e as falanges.
A palpação do maléolo medial, com o paciente em decúbito dorsal, deve identifi car a re-
gião medial do tornozelo com a extremidade dos dedos. Dessa forma, deve explorar uma gran-
de saliência que está presente na extremidade distal da tíbia denominada de maléolo medial.
Com o indivíduo posicionado da mesma forma, na palpação do calcâneo o terapeuta pre-
cisa identifi car o calcanhar com o polegar e os outros dedos. Por meio do movimento de pinça,
deve palpar todo o calcâneo.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 194
Para a palpação do tubérculo medial do tálus, também em decúbito dorsal, o terapeuta
identifi ca a face medial do calcâneo com o polegar, na direção do maléolo medial. Desliza, en-
tão, o dedo no sentido anterior e levemente proximal sobre o tubérculo medial do tálus.
Por sua vez, ainda posicionado da mesma maneira, a palpação do sustentáculo do tálus
ocorre com a identifi cação do maléolo medial da tíbia através da utilização do polegar. O dedo
é deslizado no sentido distal, atravessando o tubérculo medial do tálus até atingir a saliência
profunda chamada de sustentáculo do tálus.
A Figura 7 apresenta os procedimentos de palpação descritos.
Figura 7. (a) Palpação do maléolo medial; (b) do calcâneo; (c) do tubérculo medial do tálus; e (d) do sustentáculo do tálus. Fonte: CAEL,
2013. (Adaptado).
(a)
(b)
(c)
(d)
Para realizar a palpação do navicular, com o paciente em decúbito dorsal, o terapeuta
deve identifi car o maléolo media da tíbia através do polegar. Deslizando-o no sentido distal e
anterior, na direção da parte medial do arco longitudinal do pé, deve atingir a saliência medial
arredondada, que é o osso navicular.
Com o paciente na mesma posição, a palpação dos cuneiformes ocorre com a identifi ca-
ção do navicular através do polegar no dorso do pé. O terapeuta deve deslizar o polegar, pal-
pando as faces dorsais planas no sentido distal e lateral, ou seja, as faces dorsais planas dos
cuneiformes.
A Figura 8 representa os procedimentos de palpação do navicular e dos cuneiformes.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 195
Figura 8. (a) Palpação do navicular; e (b) dos cuneiformes. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
(a) (b)
O paciente deve estar posicionado em decúbito dorsal para a palpação do maléolo lateral.
O terapeuta, dessa forma, identifi ca a região lateral do tornozelo através do polegar, exploran-
do uma saliência grande na extremidade distal da fíbula denominada de maléolo lateral.
Para a palpação do tálus, o paciente também deve estar em decúbito dorsal, mas com o pé
em fl exão plantar. O terapeuta deve identifi car o maléolo lateral através da utilização do pole-
gar, deslizando-o nos sentidos medial e distal sobre a face levemente arredondada e profunda
da tróclea do tálus.
Também com o indivíduo em decúbito dorsal, na palpação do seio do tarso o terapeuta
deve identifi car o maléolo lateral, deslizando o polegar para poder palpar o seio do tarso, que
é profundo e lateral à tróclea do tálus.
Para a palpação do cuboide, o terapeuta identifi ca a face lateral do calcâneo através do
polegar, deslizando o dedo nos sentidos distal e anterior acima da face dorsal do cuboide.
Em relação à palpação da tróclea fi bular, com o paciente também em decúbito dorsal, de-
ve-se deslizar o polegar no sentido lateral através de uma saliência (tróclea fi bular) situada na
face lateral do calcâneo.
A palpação do quinto metatarsal é realizada com o polegar. É preciso identifi car a mar-
gem lateral do pé, na posição imediatamente proximal ao quinto dedo, deslizando o dedo no
sentido proximal ao longo da margem lateral do pé. Deve-se encontrar a saliência pontiaguda
na base do quinto metatarsal.
Na Figura 9, estão exemplifi cadas as seis formas de palpação.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 196
Figura 9. (a) Palpação do maléolo lateral; (b) do tálus; (c) do seio do tarso; (d) do cuboide; (e) do tróclea fibular; e (f) do quinto metatar-
sal. Fonte: CAEL, 2013. (Adaptado).
(a) (c)
(f)(d) (e)
(b)
O terapeuta, através do polegar, deve identificar a superfície plantar do calcâneo para a
palpação do tubérculo medial do calcâneo. Dessa forma, deve deslizar o dedo nos sentidos
distal e medial, palpando o tubérculo do calcâneo, que está localizado em uma posição pro-
funda e medial.
Para a palpação dos sesamoides, o paciente deve estar posicionado em decúbito dorsal
com o hálux em extensão. Busca-se identificar a extremidade distal do primeiro metatarsal
com o polegar,devendo palpar os pequenos e redondos ossos sesamoides situados lado a
lado em posição próxima à articulação metatarsofalângica do hálux.
Com o paciente em decúbito dorsal, o terapeuta deve identificar a extremidade distal
do primeiro metatarsal através do polegar na palpação da cabeça dos metatarsais.
Assim, desliza o dedo no sentido lateral, palpando a cabeça do segundo, do terceiro, do
quarto e do quinto metatarsais.
A palpação das falanges ocorre com o paciente na mesma posição. O terapeuta deve
segurar de forma firme os dedos do pé. Procura-se pinçar, através do polegar e dos ou-
tros dedos, devendo palpar as superfícies plantar e dorsal das falanges, assim como as
articulações interfalângicas.
Esses procedimentos de palpação estão exemplificados na Figura 10.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 197
Figura 10. (a) Palpação tubérculo medial do calcâneo; (b) dos sesamoides; (c) da cabeça dos metatarsais; e (d) das falanges. Fonte:
CAEL, 2013. (Adaptado).
(b)(a) (d)(c)
Provas de função muscular, classifi cação e graduação da
força dos músculos da pelve e dos membros inferiores
8.3
É fundamental a compreensão dos detalhes de força dos músculos e algumas provas de
função muscular da pelve ou quadril, joelhos, tornozelo, pés e dedos. A prova de função mus-
cular é uma prática imprescindível e tem como principal objetivo avaliar se os músculos estão
normais ou não. É possível observar, por exemplo, se existe uma diminuição da força muscular,
que é denominada de fraqueza muscular.
Força dos músculos da pelve e graduação da força dos
principais músculos através da prova de função
8.3.1
Existem alguns testes para avaliar da força muscular. Entre eles, estão o do bíceps femoral,
do quadríceps femoral, do sartório, do tensor da fáscia lata e dos adutores do quadril.
No teste do músculo bíceps femoral, o paciente deve estar em decúbito ventral. A fi xação
ocorre com o terapeuta mantendo a coxa, fi rmemente, para baixo sobre a maca. Para realizá-lo, o
paciente deve fl exionar o joelho entre 50º a 70º, sendo que a coxa precisa estar com uma pequena
rotação lateral; enquanto a perna deve estar em uma leve rotação lateral sobre a coxa.
Já para o músculo quadríceps femoral, o paciente deve estar sentado, com os joelhos na
lateral da maca, segurando-a. O teste deve ser realizado com a extensão total da articulação do
joelho e sem rotação da coxa. Para que ocorra a fi xação, o terapeuta deve manter a coxa para
PAUSA PARA REFLETIR
O músculo mais longo do corpo humano está localizado nos membros inferiores. Qual é ele?
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 198
Figura 11. (a) Teste do músculo bíceps femoral; e (b) do músculo quadríceps femoral. Fonte: KENDALL, 2007. (Adaptado).
baixo sobre a maca, de forma fi rme, em função do peso do tronco normalmente ser sufi ciente
para a estabilização do paciente durante o teste. Uma das possibilidades é deixar a mão na ex-
tremidade distal da coxa com o objetivo de proteger essa parte contra a maca. Dessa forma, a
pressão deve ser exercida contra o membro inferior, acima do tornozelo, na direção da fl exão.
(a)
(b)
CURIOSIDADE:
A fraqueza do músculo quadríceps femoral prejudica atividades como subir esca-
das, caminhadas, assim como os movimentos de sentar e levantar.
A fraqueza do músculo quadríceps femoral prejudica atividades como subir esca-A fraqueza do músculo quadríceps femoral prejudica atividades como subir esca-A fraqueza do músculo quadríceps femoral prejudica atividades como subir esca-A fraqueza do músculo quadríceps femoral prejudica atividades como subir esca-A fraqueza do músculo quadríceps femoral prejudica atividades como subir esca-
Para a avaliação do músculo sartório, o paciente deve estar em decúbito dorsal. Não é
necessária, nesse caso, a fi xação por parte do terapeuta, sendo que o paciente pode segurar a
maca. No teste, deve haver rotação lateral, abdução e fl exão da coxa, com a fl exão do joelho.
A pressão é feita contra a superfície anterolateral da parte inferior da coxa, na direção da ex-
tensão, da adução e da rotação medial do quadril; e contra a perna, na direção da extensão do
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 199
joelho. As mãos do terapeuta são posicionadas com a fi nalidade de projetar uma resistência à
rotação lateral da articulação do quadril em função da pressão e da contrapressão. Na fraque-
za desse músculo, é observada uma diminuição da força de fl exão, adução e rotação lateral do
quadril, o que favorece a instabilidade anteromedial da articulação do joelho.
O teste do músculo tensor da fáscia lata ocorre com o paciente em decúbito dorsal. Para
a fi xação, ele pode segurar a maca, sendo que a ação do músculo quadríceps é fundamental
para que seja mantido o joelho estendido. Normalmente, não é necessário que seja realizada
a fi xação por parte do terapeuta. Caso exista instabilidade e o paciente apresente difi culdade
para manter a pelve sobre a maca, o examinador pode utilizar uma das mãos para segurá-la
anteriormente, no lado oposto. O teste envolve abdução, fl exão e rotação medial do quadril,
com o joelho em extensão. A pressão é aplicada contra o membro inferior, em direção à exten-
são ou adução. Não deve ocorrer a aplicação de pressão contra a rotação.
Figura 12. (a) Teste do músculo sartório; e (b) do músculo tensor da fáscia lata. Fonte: KENDALL, 2007. (Adaptado).
(a) (b)
CURIOSIDADE:
O músculo sartório constitui a chamada pata de ganso junto com os músculos
grácil e semitendinoso.
O músculo sartório constitui a chamada pata de ganso junto com os músculos O músculo sartório constitui a chamada pata de ganso junto com os músculos O músculo sartório constitui a chamada pata de ganso junto com os músculos O músculo sartório constitui a chamada pata de ganso junto com os músculos O músculo sartório constitui a chamada pata de ganso junto com os músculos
Os músculos adutores do quadril são pectíneo, adutor magno, grácil, adutor curto e adu-
tor longo. Para sua avaliação, o paciente precisa estar em decúbito sobre o lado direito se for
testar esse lado, e vice-versa. Com o corpo em linha reta, assim como os membros inferiores
e a coluna lombar, o paciente deve estar em adução acima do membro inferior debaixo, sem
rotação, fl exão ou extensão do quadril, nem inclinação da pelve. Para a fi xação, o terapeuta
mantém a coxa em abdução, podendo o paciente segurar a maca para fi car estável. A pressão
é exercida contra a face medial da extremidade distal da coxa, indo na direção da abdução
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 200
Figura 13. (a) Teste dos músculos adutores do quadril. Fonte: KENDALL, 2007.
Força dos músculos do joelho, tornozelo, pés e dedos
e graduação da força dos principais músculos através
da prova de função
8.3.2
É importante conhecer os detalhes da prova de função de alguns músculos que fazem parte
do joelho, tornozelo, pés e dedos. Entre eles, estão os músculos tibial anterior e tibial posterior,
os fi bulares longo e curto e o fl exor longo do hálux. Além disso, é fundamental o saber da fl exão
e da extensão da articulação interfalângica.
O teste do músculo tibial anterior ocorre com o paciente em decúbito dorsal ou sentado.
Deve ser realizada a fl exão dorsal da articulação do tornozelo e a inversão do pé, sem extensão
do hálux. A pressão deve ser realizada contra o lado medial, na superfície dorsal do pé, em dire-
ção da fl exão plantar da articulação do tornozelo e da eversão do pé. A fraqueza desse músculo
diminui a capacidade de fl exão dorsal da articulação do tornozelo, favorecendo a eversão do pé.
Isso pode ser visto através do pé caído parcialmente e de uma tendência à pronação.
Para a avaliação do músculo tibial posterior, o paciente deve estar posicionado em decúbito
dorsal, com o membroem rotação lateral. O teste ocorre com inversão do pé e fl exão plantar da
articulação do tornozelo. A pressão deve ser realizada contra o lado medial e contra a superfície
plantar do pé, seguindo a direção da fl exão dorsal da articulação do tornozelo e da eversão.
PAUSA PARA REFLETIR
O que ocorre no caso da fraqueza do músculo tibial posterior?
(para baixo, direcionada a maca). O ponto da pressão é aplicado em local acima do joelho com
o objetivo de impedir a distensão do ligamento colateral tibial.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 201
O paciente deve estar posicionado em decúbito dorsal, com o membro rodado medialmente
ou em decúbito lateral sobre o lado oposto para a avaliação do músculo fibular longo. O tera-
peuta, então, segura o membro inferior acima da articulação do tornozelo. Deve haver a eversão
do pé, com flexão plantar da articulação do tornozelo. A pressão é exercida contra a borda lateral
e contra a planta do pé, em direção à inversão do pé e à flexão dorsal da articulação do torno-
zelo. A força de eversão do pé e da flexão plantar da articulação do tornozelo estão diminuídas
em caso de constatação de fraqueza. Há também a possibilidade de pé varo e de redução da
capacidade de elevação dos dedos. A estabilidade lateral do tornozelo também é reduzida.
Para o teste do músculo fibular curto, o paciente deve estar em decúbito ventral, com o joe-
lho em extensão e o pé sendo projetado sobre a maca. O peso do membro sobre a maca dever
fornecer a fixação necessária. A pressão máxima deve ser aplicada contra o antepé e o calcâneo.
No caso de o músculo estar muito fraco, a pressão contra o calcâneo é suficiente. Se os músculos
gastrocnêmio e sóleo estiverem fracos, há uma posição calcanear do pé. Na posição ortostáti-
ca, ocasiona a hiperextensão do joelho e a incapacidade de elevação dos dedos.
Figura 14. (a) Teste do músculo tibial anterior; (b) do músculo tibial posterior; (c) do músculo fibular longo; e (d) do músculo fibular
curto. Fonte: KENDALL, 2007. (Adaptado).
(a)
(b)
(c)
(d)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 202
CURIOSIDADE:
A fraqueza do músculo fi bular curto na marcha causa a incapacidade para a trans-
ferência do peso, levando à claudicação do gastrocnêmio.
A fraqueza do músculo fi bular curto na marcha causa a incapacidade para a trans-A fraqueza do músculo fi bular curto na marcha causa a incapacidade para a trans-A fraqueza do músculo fi bular curto na marcha causa a incapacidade para a trans-A fraqueza do músculo fi bular curto na marcha causa a incapacidade para a trans-A fraqueza do músculo fi bular curto na marcha causa a incapacidade para a trans-
A avaliação do músculo fl exor longo do hálux acontece com o paciente em decúbito dorsal
ou sentado. O terapeuta deve estabilizar a articulação metatarsofalângica em posição neutra,
mantendo a articulação do tornozelo entre a fl exão dorsal e a fl exão plantar. Para o teste, deve
ser realizada a fl exão da articulação interfalângica do hálux. A pressão ocorre contra a superfície
plantar da falange distal, na direção da extensão. A fraqueza desse músculo ocasiona hiperex-
tensão da articulação interfalângica, diminuindo a inversão do pé e a fl exão plantar do tornozelo.
No caso da fl exão da articulação interfalângica, com o indivíduo em decúbito dorsal ou
sentado, o terapeuta deve estabilizar a região medial do tarso e manter pé e tornozelo na po-
sição neutra. Realiza-se, então, a fl exão das articulações metatarsofalângicas do segundo ao
quinto dedo do pé, por meio de um esforço para evitar a fl exão das articulações interfalângicas.
A pressão é aplicada contra a superfície plantar das falanges proximais dos quatros dedos late-
rais. Quando esses músculos são fracos e o músculo fl exor longo dos dedos está ativo, existe a
hiperextensão das articulações metatarsofalângicas. As articulações distais fl exionam causando
uma deformidade de dedo em martelo nos quatro dedos do pé, sendo que o suporte muscular
do arco transverso é menor.
E para a avaliação da extensão da articulação interfalângica, o paciente deve estar posicio-
nado em decúbito dorsal ou sentado. Dessa forma, o terapeuta deve estabilizar as articulações
metatarsofalângicas, e manter pé e tornozelo em fl exão plantar de, por volta, 20º a 30º. Para o
teste, deve ser realizada a extensão das articulações interfalângicas dos quatro dedos do pé e
a pressão deve ser aplicada contra a superfície dorsal das falanges distais, na direção da fl exão.
Figura 15. (a) Teste do músculo fl exor longo do hálux; (b) da fl exão da articulação interfalângica; e (c) da extensão da articulação inter-
falângica. Fonte: KENDALL, 2007. (Adaptado).
(a) (b) (c)
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 203
Proposta de Atividade
Agora é a hora de pôr em prática tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Elabore uma
síntese sobre todas as estruturas abordadas em relação à pelve, ao quadril, ao joelho, ao tor-
nozelo e aos pés. Ao produzir sua síntese, considere as leituras básicas e complementares
realizadas.
Recapitulando
Neste capítulo, foram vistos os detalhes da anatomia palpatória dos principais acidentes
ósseos de pelve ou quadril, joelho, tornozelo, mãos e dedos.
No Contextualizando o cenário, foi levantada a problemática de uma senhora que possui os-
teoporose e que fraturou o fêmur direito ao cair na calçada. De acordo com os dados de várias
pesquisas, em muitos casos, não é a queda que provoca a fratura, e sim o contrário. Ou seja,
ocorre a fratura no fêmur e é por isso que o idoso cai. De cada quatro idosos que fraturam o
fêmur, três deles não sabem que têm osteoporose. Por isso, é necessário que a palpação ocorra.
Os acidentes ósseos da pelve e do quadril são a espinha ilíaca anterossuperior e anteroin-
ferior, a fossa ilíaca, os corpos das vértebras lombares, o ramo do púbis, a espinha ilíaca pos-
terossuperior, o sacro, o trocânter maior do fêmur e o túber isquiático. Já os que compõem o
joelho são o tubérculo do adutor do fêmur, os côndilos medial e lateral do fêmur e da tíbia.
Referente aos tornozelos, pés e dedos, as estruturas importantes de serem observadas são
os maléolos medial e lateral, o calcâneo, o tubérculo medial do tálus, o sustentáculo do tálus, o
navicular, os cuneiformes, o tálus, o seio do tarso, o cuboide, a tróclea fibular, o quinto metatar-
sal, o tubérculo medial do calcâneo, os sesamoides, as cabeças dos metatarsais e as falanges.
Após conhecer os acidentes ósseos, foi abordada a temática da avaliação da força muscular,
provas de função muscular e a graduação da força de alguns músculos do membro inferior.
A força dos músculos da pelve ou quadril e a graduação da força pode ser avaliada por meio
da prova de função do bíceps femoral, do quadríceps femoral, do sartório, do tensor da fáscia
lata e dos adutores do quadril. Aliás, o músculo mais longo do corpo humano é o sartório,
também conhecido como o músculo do costureiro. Ele faz parte de uma estrutura que recebe
o nome de pata de ganso.
Por sua vez, a prova de função de alguns músculos que fazem parte do joelho, tornozelo,
pés e dedos envolve os músculos tibiais anterior e posterior, os fibulares longo e curto, e o
flexor longo do hálux. Além disso, é importante conhecer a flexão e a extensão da articulação
interfalângica.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 204
Em caso de fraqueza do músculo tibial posterior, a capacidade de inversão do pé e da flexão
plantar da articulação do tornozelo está diminuída, ocasionando a pronação do pé e a redução
do suporte do arco longitudinal. A capacidade de elevação dos dedos do pé também é altera-
da, levando à inclinação em direção ao que é normalmente conhecido como claudicação do
músculo gastrocnêmio.
Dessa forma, concluímos que é fundamental que você tenhaem mente o formato de cada
um dos ossos e também dos acidentes ósseos para realize a palpação da forma mais adequada.
ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 205
Referências bibliográficas
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ANATOMIA FUNCIONAL PALPATÓRIA 206