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CAPACITAÇÃO TÉCNICA REDE DE COMUNICAÇÃO DE DADOS APOSTILA DO PARTICIPANTE ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO 2 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO ÍNDICE INTRODUÇÃO 3 ORIGEM DA ELETRÔNICA AUTOMOTIVA 4 CONCEITOS 4 ANTES DA MULTIPLEXAGEM 5 EVOLUÇÃO 6 ARQUITETURAS 6 VANTAGENS 7 DO ANÁLOGICO AO DIGITAL 8 PADRONIZAÇÃO 8 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA 8 CÓDIGO DE FALHAS (DTC) 9 LINGUAGEM DE COMUNICAÇÃO 10 BYTE 10 TRAMA (MENSAGEM, PALAVRA E FRAME) 11 FORMATO DA TRAMA (MENSAGEM) DE COMUNICAÇÃO11 CAN-BUS CHEVROLET13 PROTOCOLO13 INTERFACE DE MULTIPLEXAGEM14 RESISTORES DE FIM DE LINHA15 REDES DE COMUNICAÇÃO CHEVROLET16 CONECTOR DE LINK DE DADOS (DLC)20 TIPOS DE FALHAS DO BARRAMENTO20 MEDIÇÕES REDE GMLAN22 DIAGRAMAS ELÉTRICOS25 FERRAMENTAS DE DIAGNÓSTICOS26 REFERÊNCIA DE DADOS SERIAIS26 REPARO DE CHICOTE27 3 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO INTRODUÇÃO Esta apostila faz parte da Capacitação Técnica Rede de Comunicação de Dados, que apresenta importantes conceitos sobre rede GMLAN, promove o reconhecimento da arquitetura eletrônica dos veículos Chevrolet e desenvolve habilidades para a leitura de parâmetros de funcionamento de sistemas eletroeletrônicos. O objetivo deste curso é proporcionar ao participante conhecimento sobre os sistemas eletroeletrônicos encontrados nos veículos Chevrolet, capacitando-o a: • Entender a lógica de funcionamento das redes de comunicação de dados; • Reconhecer as redes GMLAN , LIN e MOST encontradas nos veículos Chevrolet; • Reconhecer a arquitetura eletrônica do veículo disponível nas atividades práticas; • Utilizar o Manual de Serviços do Veículo (SI) nas atividades de reconhecimento e princípios de diagnóstico; • Operar a ferramenta de diagnóstico para a leitura de parâmetros de funcionamento dos sistemas e para realizar procedimentos básicos de diagnóstico de falhas. Nesta capacitação os participantes vivenciarão a execução de medições e testes em circuitos elétricos, conforme as orientações do Manual de Serviços, utilizando de forma correta os aparelhos de medição e os respectivos adaptadores. Esta publicação destina-se exclusivamente à capacitação dos profissionais da Rede Chevrolet. Os produtos Chevrolet estão em constante desenvolvimento tecnológico e, a qualquer tempo, podem incorporar novas tecnologias. Participe dos Programas de Capacitação oferecidos pela Chevrolet e acompanhe os Boletins Informativos a fim de se manter atualizado e aprofundar seus conhecimentos teóricos e práticos. MATERIAL EXCLUSIVO DE USO INTERNO PARA A CAPACITAÇÃO DA REDE CHEVROLET 2º SEMESTRE / 2018 4 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO ORIGEM DA ELETRÔNICA AUTOMOTIVA No passado, a indústria automotiva já contemplava funções adicionais necessárias apenas para o funcionamento dos sistemas dos veículos, porém, tendo como base componentes mecânicos e hidráulicos. Durante anos desenvolveram-se pesquisas com o objetivo de agregar novas funções, considerando a evolução dos sistemas eletroeletrônicos em relação a custo e tamanho, fatores determinantes para o desenvolvimento de novas funções automotivas. Entretanto, para satisfazer os requisitos de funções adicionais em sistemas automotivos, cresceu a utilização de dispositivos microprocessados, redes de comunicação e o desenvolvimento de softwares. A área de computação tornou-se importante e, até mesmo, fator diferencial no desenvolvimento de novos produtos em sistemas automotivos. A indústria automotiva é uma das grandes beneficiadas da tecnologia, que resultou em redução de peso, gerenciamento de tráfego de informações, entretenimento, facilidade em diagnósticos e manutenção e uma vasta oferta de funções de conforto, conveniência e segurança ao usuário final. A evolução dos sistemas eletroeletrônicos nos veículos pode ser dividida em diversas fases, tendo seu início com o surgimento dos automóveis e continuando até os dias atuais. A base de inovação dos automóveis atualmente está na eletrônica embarcada e como ela gerencia ou facilita as operações necessárias em um carro. Para enteder o funcionamento dos veículos atuais, não basta simplesmente o conhecimento da mecânica. É preciso conhecer eletricidade básica, e a partir desta, os fundamentos dos sistemas eletroeletrônicos. O CAN Bus (controller Area Network) ou rede de comunicação de dados foi desenvolvido pela empresa alemã Robert Bosch e disponibilizado em meados dos anos 80. Sua aplicação inicial foi realizada em ônibus e caminhões. Atualmente, é ultilizado na indústria, em veículos automotivos, navios e tratores, entre outros. CONCEITOS CAN Controle Area Network, Rede de Controladores de Área ou Sistema Multiplexado, que faz circular muitas informações, por meio de um único canal de transmissão. BUS Transporta grande quantidade de informação. Multiplexagem Significa transmitir simultaneamente duas ou mais informações através de uma única via, em nosso caso, por meio de cabos. ELETRÔNICA EMBARCADA E ARQUITETURAS ELETROELETRÔNICAS O termo Eletrônica Embarcada representa todo e qualquer sistema eletro-eletrônico montado em uma aplicação móvel, seja ela um automóvel, um navio ou um avião. Há muitos anos, a indústria automotiva tem feito uso de sistemas eletroeltrônicos no controle das várias funções existentes em automóveis de passeio e comerciais. PASSADO SISTEMAS CAN BUS 5 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO ANTES DA MULTIPLEXAGEM Um veículo lançado em 1960, que não era equipado com muitos acessórios, contém mais ou menos 200 metros de cabos elétricos e centenas de conexões. Quarenta anos depois, no ano 2000, um veículo mais luxuoso necessitava em torno de 2 mil metros de cabos para manter seus sistemas eletrônicos funcionando. O número de cabos aumentou para acompanhar a quantidade de acessórios, que em dez anos seria duas vezes maior, o que transformaria o automóvel em um novelo de cabos ambulante. A engenharia automobilística buscou uma alternativa para mudar essa realidade e encontrou uma solução que, ao mesmo tempo, reduziu a quantidade de cabos, o custo deste material e ainda aumentou a confiabilidade no produto e facilitou o técnico no diagnóstico de eventuais falhas e na reparação dos sistemas: a Multiplexagem. Nos projetos de eletrônica embarcada em veículos desenvolvidos a partir da multiplexagem, foram reduzidos em média de 2.500 para 1.000 metros a quantidade de cabos em comparação ao modelo anterior, sem a rede de multiplexagem. Multiplexagem significa transmitir simultaneamente duas ou mais informações, por meio de uma única via, em nosso caso, através de cabos. A multiplexagem estabelece possibilidades de evoluções no âmbito da eletrônica embarcada, já que seu princípio de funcionamento elimina consideravelmente a quantidade de cabos, sensores, conectores e unidades de comando. Fazendo uma analogia com a Internet, para se buscar uma informação em um determinado site, o internauta deve possuir meios físicos (computador e conexão), acesso a um provedor e também um código de acesso, chamado de endereço eletrônico. Em um veículo, a rede multiplexada está interligada por meio de uma central eletrônica ‘Gateway’ (módulo de interface - ex.: BCM), que recebe, processa e distribui as informações da rede provenientes de sensores, atuadores e das unidades de comando. Esta central eletrônica pode ser comparada a um provedor de Internet. As informações que chegam das unidades de comando são codificadas, isto é, são comparadas ao endereço eletrônicoda Internet, como se as unidades de comando acessassem as informações de um sensor (site), através da central eletrônica (provedor da Internet) e as redes se encarregassem de propagar o código digital (endereço eletrônico). As vias de comunicação da rede multiplexada podem ser de cabos de cobre, fibra óptica, ondas de rádio, entre outros, por estas trafegam sinais elétricos (tensão, corrente), ondas eletromagnéticas ou luz. 6 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO EVOLUÇÃO Existem muitos componentes em um veículo que dependem das informações provenientes de outras fontes para transmití-las. A Rede de comunicação de dados fornece de maneira segura e com boa relação custo/benefício, meios de conexão para vários componentes do veículo “conversarem” uns com os outros e compartilhar informações. ARQUITETURAS CENTRALIZADA Quando analisamos determinadas aplicações, encontramos uma única ECU responsável por receber todos os sinais de entrada (como os sensores e chaves de comando), processá-los e comandar as respectivas saídas de controle do sistema (como atuadores e relés). Exemplo: Corsa 7 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO ARQUITETURAS CONVENCIONAL OU PONTO A PONTO O sistema de controle convencional é realizado ponto a ponto, ou seja cada módulo necessita estar conectado a todos os outros módulos do veículo, afim de “conversarem” uns com os outros e compartilharem informações. Exemplo: Vectra e Astra VANTAGENS A arquitetura apresenta diversas vantagens. A indústria automotiva é uma das grandes beneficiárias da tecnologia, o que resultou em redução de peso, gerenciamento de tráfego de informações, entretenimento, facilidade em diagnóstico e manutenção e uma vasta oferta de funções de conforto, conveniência e segurança ao usúário final. ARQUITETURA DISTRIBUÍDA (BARRAMENTO) Existe a possibilidade de se utilizar, em um mesmo sistema de controle, várias ECU´s interligadas, dividindo entre elas a execução de várias funções existentes no veículo. O diagrama esquemático que representa este conceito de arquitetura é apresentado na figura a seguir. Exemplo: Cruze, Equinox, S10. 8 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO DO ANALÓGICO AO DIGITAL O sinal analógico é caracterizado por variações suavizadas entre o máximo e mínimo de sua amplitude como em uma curva senoidal (ondas). Todos os sons que ouvimos são transmitidos por ondas que se propagam até nossos ouvidos. Sinais analógicos podem ser encontrados em toda natureza, como é o caso do som da nossa voz. Pode-se dizer que até poucos anos atrás todos os sinais utilizados pelo homem eram analógicos. Na telefonia, por exemplo, a fala era transmitida em ondas, que tinham o mesmo formato que as palavras faladas pelo usuário. Como exemplo do que utilizamos no nosso dia a dia, podemos destacar a corrente elétrica. É possível representar o sinal analógico por meio desta curva, que pode conter intervalos com valores que variam entre 0 e 10. Uma das principais características desse tipo de sinal é que ele passa por todos os valores intermediários possíveis (0.01, 0.566, 4.565, 8.55…), o que resulta em uma faixa de frequência bem maior, e por isso não é tão confiável e possui qualidade inferior, devido à oscilação. Já o sinal digital é caracterizado por variações bruscas de sinal, não havendo sinais intermediários entre seu máximo e mínimo, uma onda quadrada, que pode ser traduzida em códigos binários (de dois números) 0 e 1, desligado e ligado. Sinal Digital é constituído por valores discretos no tempo e na amplitude. Isso significa que um sinal digital só é definido para determinados instantes de tempo, e o conjunto de valores que podem assumir é finito. Os termos período e frequência geralmente não estão associados a um sinal digital, uma vez que eles não são periódicos. A quantidade de informação transmitida em um segundo é chamada de velocidade de transmissão ou largura de banda, sendo representada em bits por segundo. O sinal digital pode ser representado graficamente. Veja como fica o sinal convertido de analógico para digital. Ocorre uma simplificação, onde um 4,2 é computado como 4, fazendo com que a transmissão por sinal digital tenha melhor qualidade de imagem e som, além de um tempo menor para processamento de dados. No caso da telefonia, por exemplo, a conversação não só é menos suscetível a ruídos, mas também permite a oferta de serviços avançados, como identificador de chamadas e mensagens de texto. PADRONIZAÇÃO A padronização das tecnologias automotivas é regulamentada por órgãos como o SAE (Society of Automotive Engineers) e ISO (International Organization for Standardization). Com a popularização dos sistemas embarcados no mercado automotivo foi preciso criar ferramentas para programar e verificar o funcionamento dos módulos de controle eletrônico incorporados. ELETRÔNICA AUTOMOTIVA Considerando a necessidade de desenvolver dispositivos de diagnóstico veicular, é possível classificar as falhas em duas categorias: falhas possíveis de serem identificadas pelo motorista, também chamadas de On-Board Diagnosis (ex.: luzes indicadoras no painel de instrumentos), e falhas identificadas somente com o auxílio de ferramentas especiais, também chamadas de Off-Board Diagnosis (ex.: MDI/GDS2). Uma arquitetura eletrônica automotiva executa suas diversas funções de acordo com especificações. As ECUs (Electronic Control Units) ou módulos de controle eletrônico automotivos são conectados por meio de redes (barramentos) de comunicação e as tarefas executadas em suas respectivas ECUs, que se comunicam entre si através de trocas de tramas. A transmissão das tramas é realizada por sequências de códigos binários. 9 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO Se o meio físico de transmissão estiver danificado ou se perder a comunicação com algum Módulo, os demais registrarão um DTC do tipo “U” (Network). Os Códigos de Falha dos Buses possuem a anatomia específica das Normas SAE e ISO. Quando um módulo reconhece e identifica um problema, um DTC para essa falha é armazenado em sua memória. Esses códigos destinam-se a ajudá-lo a determinar a causa raiz da falha. Os códigos de diagnóstico exigidos por lei em todos os sistemas OBDII são padronizados e todos os fabricantes de veículos utilizam a mesma lista de códigos comuns. CÓDIGO DE FALHAS (DTC) O código de falha ou DTC (sigla em inglês de Diagnostic Trouble Codes) possui um formato claro de como o código deve ser formado. Como especificam as Normas SAE e ISO. Estrutura dos DTc´s da Rede de comunicação U0XXX Controlado pela ISO/SAE U1XXX Controlado pelo fabricante (montadora) U2XXX Controlado pelo fabricante (montadora) U3XXX Controlado pelo fabricante (montadora) Definições DTC de REDECFD Exemplos U00XX U00XX Erro de comunição do Barramento Can Funcionamento incorreto do barramento CAN de alta velocidade U03XX Incompatibilidade de software Incompatibilidade de software com o módulo de controle do motor U04XX Dados inválidos recebidos do Módulo Dados inválidos recebidos do Módulo de Controle do Freio Eletrônico U06XX Perda de comunicação com um sensor/válvula/ interruptor Perda de comunicação com o sensor da posição do acelerador 1 B Body Sistemas do habitáculo (assistência, conforto, conveniência e segurança tais como: ar condicionado, airbag, imobilizador, áudio e travamento de portas) C Chassis Sistemas da carroceria (freio, direção, suspensão, tração) P Powertrain Controledo motor e da transmissão U Network Rede de comunicação entre sistemas 10 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO LINGUAGEM DE COMUNICAÇÃO - BIT BIT (BInary digiT), dígito binário em português, é a menor unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida. Fisicamente, o valor de um bit é, de forma geral, armazenado como uma carga elétrica acima ou abaixo de um nível padrão, em um único condensador, dentro de um dispositivo de memória. Mas, bits podem ser representados fisicamente por vários meios. Os meios e técnicas comumente usados são: • Pela eletricidade; • Por via da luz (em fibras ópticas ou em leitores e gravadores de discos ópticos, por exemplo); • Por via de ondas eletromagnéticas (rede wireless); • Por via de polarização magnética (discos rígidos). O processamento de dados em grande escala por circuitos digitais só é possível, na prática, se eles estiverem na forma de números binários. A facilidade de processamento de números binários decorre da existência de apenas dois dígitos, 0 e 1, que podem representar dois níveis de uma determinada grandeza, como na tensão ou na corrente (ex.: ‘0’ = 0 Volt e ‘1’ = 5 Volts). Na realidade, tais níveis não são valores únicos, mas sim faixas. Por exemplo, em um componente eletromecânico: um rele de bobina com tensão nominal de 6 Volts, que certamente aciona com tensões na faixa de 5 a 7 Volts e não aciona com tensões entre 0 e 2 Volts. O nível lógico ‘0’ será a faixa de 0 a 2 Volts e o ‘1’, será a faixa de 5 a 7 Volts. A faixa intermediária, de 2 a 5 Volts, é instável (a bobina pode ou não acionar) e o projeto do circuito não deve permitir tensões nesta faixa. Com componentes eletrônicos, ocorre algo semelhante e, desta forma, o circuito se torna altamente imune às interferências, diferenças de características de componentes, variações de tensão, entre outros. Mas, não é possível fazer muito utilizando somente um bit, isoladamente; tal como nós, em nossa linguagem, também não nos entenderíamos usando somente letras. BYTE O Byte é usado com frequência para especificar o tamanho, a quantidade de memória ou a capacidade de armazenamento de um computador, independentemente do tipo de dados armazenados. Representar 256 números binários é o suficiente para que possamos nos comunicar com os computadores. As 256 possíveis combinações vão de 00000000 (0) a 11111111 (255). O sistema binário é o ideal para as nossas conversas com o computador, pois representa perfeitamente a dualidade absoluta dos estados de tensão e não tensão. Foram criados vários termos para facilitar a compreensão humana da capacidade de armazenamento, processamento e manipulação de dados nos computadores. No que se refere aos bits e bytes, tem-se as seguintes medidas: • 1 Byte = 8 bits; • 1 kilobyte (KB ou Kbytes) = 1000 bytes (ou 1024 bytes, conforme a organização); • 1 megabyte (MB ou Mbytes) = 1000 kilobytes (ou 1024 kilobytes, conforme a organização); • 1 gigabyte (GB ou Gbytes) = 1000 megabytes (ou 1024 megabytes, conforme a organização); • 1 terabyte (TB ou Tbytes) = 1000 gigabytes (ou 1024 gigabytes, conforme a organização); • 1 petabyte (PB ou Pbytes) = 1000 terabytes (ou 1024 terabytes, conforme a organização); • 1 exabyte (EB ou Ebytes) = 1000 petabytes (ou 1024 petabytes, conforme a organização); • 1 zettabyte (ZB ou Zbytes) = 1000 exabytes (ou 1024 exabytes, conforme a organização); • 1 yottabyte (YB ou Ybytes) = 1000 zettabytes (ou 1024 zettabytes, conforme a organização). Quando a medição é baseada em bytes, a letra ‘B’ da sigla é maiúscula (como em GB). É também por meio dos bytes que se determina o comprimento da trama de um computador. 11 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO TRAMA (MENSAGEM, PALAVRA OU FRAME) Trama é a unidade de informação natural usada por um tipo de processador; é um grupo de tamanho fixo que é processado em conjunto. A Trama começou com 1 Byte (8 bits) para processadores de 8 bits. Depois evoluiu para 16 bits, com os processadores de 16 bits. Mais recentemente, a Trama passou a ser de 32 bits e até de 64 bits, conforme a característica de arquitetura do computador (registradores, memórias específicas do processador, redes e endereços). Embora não tenham que ser obrigatoriamente um múltiplo do Byte, esses são os tamanhos de Tramas mais frequentes. Na transmissão de dados entre dispositivos, geralmente utiliza-se medições relacionadas a bits e não a bytes. Assim, há também os seguintes termos: • 1 kilobit (Kb ou Kbit) = 1024 bits; • 1 megabit (Mb ou Mbit) = 1024 Kilobits; • 1 gigabit (Gb ou Gbit) = 1024 Megabits; • 1 terabit (Tb ou Tbit) = 1024 Gigabits. Quando a medição é feita em bits, o ‘b’ da sigla fica em letra minúscula (como em Gb). Como já dito, a utilização de medições em bits é comum para informar o volume de dados em transmissões. Geralmente, indica-se a quantidade de bits transmitidos por segundo. Assim, quando queremos dizer que um determinado dispositivo é capaz de trabalhar, por exemplo, com 54 megabits por segundo, usa-se a expressão 54 Mb/s: • 1 Kb/s = 1 kilobit por segundo; • 1 Mb/s = 1 megabit por segundo; • 1 Gb/s = 1 gigabit por segundo, e assim por diante. Nos Estados Unidos, é comum o uso de Kbps, Mbps ou Gbps para expressar a quantidade de bits transferidos, com a terminação “ps” se referindo a “per second” (por segundo). Porém, como “ps” também é a sigla para a unidade de medida ‘picossegundo’, de acordo com o Sistema Internacional de Unidades, é mais adequado o uso de “/s” para expressar bits transferidos por segundo. FORMATO DA TRAMA (MENSAGEM) DE COMUNICAÇÃO As informações provenientes das unidades de comando interligadas pela rede CAN são compartilhadas. A codificação das informações é digital, a transmissão de dados é serial e existe uma estratégia de gerenciamento de prioridades na difusão das informações na rede. O controlador de protocolo é o responsável em transformar as informações provenientes da unidade de comando em trama de comunicação a ser transmitida na rede CAN, e transformar a trama de comunicação proveniente na rede em informação para a unidade de comando. Por isso, esta trama de comunicação que transita pela rede precisa ser padronizada, para que todas as unidades de comando ligadas à rede saibam o conteúdo da informação. Uma trama de comunicação é composta por 8 campos, sendo que cada um dos campos é formado por um ou vários bits, dependendo da função de cada um dos campos da trama, e nela podem existir dois níveis lógicos (bit 0 – nível lógico baixo – bit dominante, e bit 1 – nível lógico alto – bit recessivo). 8 bits 16 bits 32 bits 64 bits 12 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO FORMATO DA TRAMA (MENSAGEM) DE COMUNICAÇÃO Campo de início Neste campo encontra-se o símbolo indicativo do início de uma trama. É formado por um único bit e sempre se inicia por ‘0’. É utilizado para sincronizar automaticamente os receptores dos módulos. Campo de identificação O campo de identificação indica a quem se destina a trama. Este campo é composto por 12 bits, que podem ser separados em 11 + 1. Os 11 primeiros servem para indicar a quem se destina a trama, assim como um endereço postal, e também servem de arbitragem no caso de dois emissores se comunicarem ao mesmo tempo. O último bit é sempre ‘0’ e permite a um módulo chamar outro módulo para envio de dados necessários naquele momento. Campo de controle Esse campo é composto por 6 bits, sendo que os dois primeiros são reservados a uma futura evolução do protocolo CAN e os quatro últimos que determinam o número de bytes de dados contidos no campo seguinte(campo de dados). Campo de dados No campo de dados, os dados são transmitidos sob a forma de bytes. Este campo tem de 0 a 8 bytes de dados, com o bit mais significativo no início e o menos significativo colocado no fim. Campo de validação da trama O campo de validação permite verificar a validade da trama e se os dados não foram Campo de início (1 Bit) Campo de identificação (11+1 Bits) Campo de dados ( 64 Bits) Campo de recepção (2 Bits) Campo de fim (7 Bits) Campo de validação da trama (16 Bits) Campo de controle (6 Bits) alterados. Este campo é constituído por duas partes: • Código de verificação de dados - tem tamanho de 15 bits e é calculado pelo emissor a partir dos bits contidos na totalidade da trama. O receptor faz um cálculo idêntico a partir dos dados que ele recebe. Se um ou mais bits são parasitados, o receptor vai detectar e desconsiderar a trama. • Identificador de fim de verificação de dados - marca o fim do campo de validação da trama; esse bit é sempre ‘1’. Campo de recepção O campo de recepção permite confirmar se o módulo a que se destina recebeu a trama. Este campo é constituído por dois bits: • Bit de regularização do receptor; • Bit delimitador de regularização. A regularização do receptor é realizada se o resultado do cálculo de verificação de dados estiver correto. O receptor coloca então um bit ‘0’. Se depois do cálculo o receptor encontrar um erro, ele não regulariza a mensagem e devolve a trama com o bit de regularização ‘1’. O emissor entende então que a mensagem não foi corretamente transmitida e novamente a transmite. O delimitador de regularização é sempre apresentado por um bit ‘1’, que permite identificar facilmente a regularização. Campo de fim (separador da trama) O campo fim sinaliza o fim da trama e permite o retorno da rede ao estado inicial. O campo de fim da trama tem 7 bits no estado ‘1’. 13 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO CAN-BUS CHEVROLET A rede GMLAN (General Motors Local Area Network) de alta velocidade é um bom exemplo de rede de comunicação de dados entre os módulos de controle vitais para o funcionamento do veículo. Esta rede é composta por dois cabos entrelaçados, entre si, configuração adequada para evitar interferências de campos magnéticos, proteção necessária aos componentes eletrônicos sensíveis a essas interferências. Em caso de reparo, deve-se respeitar a especificação de no mínimo 10 voltas a cada 31 cm, medidos em qualquer local ao longo do comprimento dos cabos. O diâmetro externo dos cabos entrelaçados não deve exceder 6 mm. As redes GMLAN permitem a troca de dados entre todos os módulos de controle do veículo em uma velocidade muito rápida. Isto significa que os módulos conectados à linha podem trocar dados entre si muito mais rapidamente do que usando o sistema UART (velocidade de 8,2 Kb/s), utilizado inicialmente. Os dados transmitidos de qualquer módulo são enviados a todos os módulos de controle conectados à rede GMLAN. Cada módulo de controle avalia se é necessário ou não processar ou adotar alguma ação sobre os dados recebidos. Baseado no conceito multi-mestre, onde todos os módulos podem se tornar mestres em determinados momentos e escravos em outros, toda e qualquer trama é enviada para todos os módulos existentes na rede. Uma das principais características das redes CAN é a priorização de tramas. As tramas contêm uma parte de informação ou comando, e outra parte de identificação de destinatário. Como vários módulos estão conectados à uma mesma rede de comunicação, é necessária a priorização entre as tramas, pois há tramas mais e outras menos importantes trafegando ao mesmo tempo e, possivelmente, iniciando também ao mesmo tempo. Assim que o módulo faz a leitura da linha e percebe que há uma trama com prioridade maior, a trama de baixa prioridade é interrompida. PROTOCOLO Para que ocorra comunicação entre todos os elementos da rede multiplexada (ex.: rede GMLAN) é necessário gerar uma linguagem de comunicação comum denominada Protocolo de Dados. O Protocolo de Dados ou Protocolo de Comunicação define todas as regras de comunicação de dados entre os equipamentos. Essas regras são: o modo de transmissão (analógico ou digital); o tipo de código; o endereço; a ordem de transmissão; a detecção de erros; prioridade de informações; entre outras. O protocolo CAN é um protocolo de comunicação de dados seriais sincronizados. O sincronismo entre os módulos conectados à rede é feito em relação ao início de cada trama lançada à mesma, evento que ocorre em intervalos de tempo conhecidos e regulares. O protocolo CAN em aplicações de eletrônica embarcada, conforme explicado, requer um par de condutores entrelaçados, denominados BUS de dados, para evitar as interferências eletromagnéticas perturbadoras procedentes do próprio cabo do bus de dados ou de outras fontes existentes no veículo como circuitos de potência, centelhas, telefone celular ou rádio. Cada um dos condutores da rede CAN tem níveis lógicos diferentes, denominados CAN-Alto (CAN_High) e CAN- Baixo (CAN_Low) e, por isso, a soma das tensões é constante em qualquer momento, minimizando os efeitos eletromagnéticos de ambos. Abaixo encontramos um exemplo de comportamento dos sinais dos cabos entrelaçados da rede GMLAN de Alta Velocidade: 14 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO Bit 0 => 0 Volt Nota: Tensão pode variar de acordo com o tipo de rede e sua configuração operacional Bit 1 => 5 Volts Bit 0 => 0 Volt No caso do protocolo de comunicação o funcionamento é basicamente da mesma forma. As unidades de comando ligadas à rede também podem gerar dois estados operativos de um bit para a difusão de uma ou mais informações na rede. Da mesma forma que é possível determinar o estado operacional de um circuito da luz de freio, pode-se transmitir informações por meio de dois ou mais bits unidos, sendo que com dois bits obtemos quatro diferentes variáveis, com três bits temos oito variáveis e assim por diante. A cada variável podemos assinalar uma informação específica, com caráter formal para todas as unidades de comando. PROTOCOLO O protocolo é gerado a partir de uma combinação de bits. Cada bit pode assumir um estado lógico de cada vez, ‘0’ ou ‘1’. Um exemplo de como é gerado um estado lógico de operação é o interruptor do pedal de freio, que serve para acender ou apagar a luz de freio, adotando apenas dois estados operacionais distintos, ligado (1) ou desligado (0). Ao lado encontramos um novo exemplo de comportamento dos sinais de um dos cabos da rede GMLAN de Alta Velocidade. INTERFACE DE MULTIPLEXAGEM A interface de multiplexagem está integrada às unidades de comando da rede multiplexada e está conectada aos condutores do BUS de dados e ao processador da unidade de comando. A interface de multiplexagem é composta por dois elementos: • Controlador de protocolo; • Interface de linha. O controlador de protocolo, além de transmitir informações gerenciadas pela unidade de comando para o BUS de dados, também recebe as informações provenientes do Bus de dados e as descodifica para a unidade de comando. O controlador de protocolo pode ser parte de um processador específico. Processador saídas Bus Multiplexagem Módulo de Controle entradas Controlador de Protocolo Interface de linha Interface Multiplexagem 15 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO INTERFACE DE MULTIPLEXAGEM A interface de linha tem por função a recepção e a transmissão das tramas sobre o BUS de dados. A recepção das tramas feita por meio da interface de linha utilizaum comparador que realiza a medida da diferença de tensão entre os condutores do BUS de dados. • Se a tensão CAN_High > tensão CAN_Low -> S = 0 • Se a tensão CAN_High = tensão CAN_Low -> S = 1 Quanto maior o número de bits unidos, maior a informação a ser transmitida. Com cada bit adicional se duplica a quantidade de possíveis informações. RESISTORES DE FIM DE LINHA Toda rede CAN possui dois blocos de resistores (de terminação ou de fim de linha) com valores de 120 Ohms (ou associados em série, 60+60 Ohms), conectados à rede para garantir a perfeita propagação dos sinais elétricos pelos cabos da rede. Esses resistores, um em cada ponta da rede, garantem a reflexão dos sinais no BUS de dados e o correto funcionamento da rede CAN, eliminando ruídos. Normalmente, as resistências de fim de linha são colocadas no módulo de controle do motor e na central de processamento de informações da rede, a BCM, nos veículos Chevrolet. É possível fazer uma rápida verificação da continuidade da rede com uma medida de resistência entre os cabos GMLAN-Alto (GMLAN-High) e a GMLAN-Baixo (CAN-Low), sem que haja tensão na rede e as unidades de comando estejam conectadas. Conector DLC A medida de resistência entre os pinos 6 (GMLAN-Alto) e 14 (GMLAN-Baixo), com o terminal negativo da bateria desconectado, deve ser de aproximadamente 60 Ohms. 16 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO RESISTORES DE FIM DE LINHA RESISTORES DE TERMINAÇÃO EQUINOX E CAMARO Na extremidade da Rede GMLAN de alta existe um resistor (fora do módulo) de 121 0hms, entre os circuitos GMLAN Hight (+) e o GMLAN Low (-). REDES DE COMUNICAÇÃO CHEVROLET A GM utiliza uma série de redes de comunicação diferentes para garantir a rápida e eficiente troca de informações entre dispositivos eletrônicos. Quando comparadas entre si, algumas dessas redes são de natureza diferente, tanto em velocidade, como em características do sinal e do comportamento. Um exemplo disso são as redes GMLAN de Alta Velocidade e GMLAN de Baixa Velocidade. Por outro lado, quando as redes, comparadas entre si, possuem características semelhantes e operam em paralelo, estas são usadas para agrupar componentes que possuem alta interação. Exemplos disso são as redes GMLAN de Alta Velocidade, Expansão do Chassi e Expansão do Trem de Força. Essa configuração permite que os módulos de controle se comuniquem por meio de uma rede com reduzido congestionamento de tramas, assegurando uma troca de informações mais rápida e oportuna, do que se todos os dispositivos do veículo estivessem em uma única rede. A maioria das informações de uma determinada rede geralmente permanece local. Entretanto, algumas informações são compartilhadas com outras redes. Os módulos de controle designados como Gateways (ex.: BCM) realizam a transferência de informações entre as redes. Um módulo Gateway está conectado a pelo menos duas redes e interage com cada uma delas de acordo com seus modelos de estratégia e de transmissão de tramas. A rede GMLAN fornece ao módulo receptor a capacidade de monitorar transmissões de tramas de outros módulos, a fim de determinar se as tramas de interesse não estão sendo recebidas. O objetivo principal é permitir que informações adequadas substituam aquelas que deixaram de ser recebidas. Além disso, um módulo pode criar um Código de Falha (DTC) para indicar que o módulo emissor, do qual se aguardava informações, não está mais se comunicando. 17 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO REDES DE COMUNICAÇÃO CHEVROLET REDE GMLAN DE ALTA VELOCIDADE A rede GMLAN de Alta Velocidade é utilizada quando os dados precisam ser trocados a uma velocidade suficientemente alta para minimizar o atraso entre a ocorrência de uma mudança de valor do sensor e na recepção desta informação através de um dispositivo de controle, usando as informações para ajustar o desempenho do sistema do veículo. A rede GMLAN Alta Velocidade é composta de um par de cabos entrelaçados. Um circuito de sinal é identificado como GMLAN-Alto (+) e o outro circuito de sinal é identificado como GMLAN-Baixo (-). Nas extremidades desta rede de dados existem resistores de terminação de 120 Ohms entre os circuitos GMLAN-Alto e o GMLAN-Baixo. Os dados (1 e 0) são transmitidos sequencialmente a uma velocidade de 500 Kb/s e são representados pela diferença de tensão entre a GMLAN-Alto e a GMLAN-Baixo. Quando as duas partes da rede estão fora de operação, os circuitos de sinal GMLAN-Alto e GMLAN-Baixo não são acionados, o que representa uma lógica ‘1’. Neste estado, os dois circuitos de sinal estão na mesma tensão de 2,5 Volts. A diferença de tensão é de aproximadamente 0 Volt. Quando uma lógica de ‘0’ é transmitida, o circuito de sinal GMLAN-Alto é acionado com uma tensão mais elevada, de aproximadamente 3,5 Volts, e o circuito GMLAN-Baixo é acionado a uma tensão inferior, de aproximadamente 1,5 Volts. A diferença de tensão aproximada é de 2,0 (+/- 0,5) Volts. Conector DLC Módulo de controle do Motor K20 Módulo de controle da Transmissão K171 Módulo de controle do freio eletrônico Módulo de controle da Carroceria K9 Módulo de controle do Ar condicionado K33 Cpnjunto do Painel de Instrumentos P16 Módulo de controle e assistência ao estacionamento K182 Módulo do Rádio A11 Módulo Air-Bag K36 Sensor ângulo da Direção B99 Módulo de acesso dos dados em série Interruptor do vidro S79D K56 K17 Módulo de controle do vidro K90D Conector DLC Módulo de controle do Motor K20 Módulo de controle da Transmissão K171 Módulo de controle do freio eletrônico Módulo de controle da Carroceria K9 Módulo Air-Bag K36 Sensor ângulo da Direção B99 Módulo de acesso dos dados em série K56 K17 18 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO REDE DE EXPANSÃO DO CHASSI A rede GMLAN de Alta Velocidade de Expansão do Chassi é basicamente uma cópia da rede GMLAN de Alta Velocidade, exceto pela sua utilização está reservada para os componentes do chassi. Esta aplicação divide o congestionamento de tramas entre duas redes paralelas, ajudando a assegurar uma transmissão e recepção de tramas em tempo hábil. Às vezes, é necessária uma comunicação entre a rede de Expansão do Chassi e a rede GMLAN de Alta Velocidade primária. Isso ocorre utilizando-se o Módulo de Controle Eletrônico de Frenagem (EBCM) como o módulo de Gateway. Como a rede de Expansão do Chassi e a rede GMLAN de Alta Velocidade primária operam da mesma forma, o diagnóstico dessas redes é similar. REDE MOST A rede Infotainment MOST (Media Oriented Systems Transporte) é uma rede de dados de streaming (transmissão) de multimídia de alta velocidade dedicada, 100 vezes mais rápida e independente da rede GMLAN de Alta Velocidade. A rede MOST é configurada em circuito fisicamente conectado com cada dispositivo que envia e recebe dados em endereços MOST designados em uma ordem estabelecida. Cada dispositivo na rede MOST tem cabos de cobre em pares entrelaçados. O Rádio é o módulo-mestre da rede MOST e monitora a rede para configuração do veículo, tramas de dados do Infotainment e erros na rede. Quando as respostas iniciais na rede MOST são informadas com sucesso, sem erro, para o Rádio, a segunda solicitação de dados gravará os endereços dos dispositivos na rede, suas exigências de funcionalidades e capacidades. Conector DLC Módulo de controle do freio eletrônico Módulo Air-Bag K36 Sensor ângulo da Direção B99 K17 19 ELETRÔNICAAUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO REDE GMLAN DE BAIXA VELOCIDADE A rede GMLAN de Baixa Velocidade permite a utilização de componentes de menor complexidade e normalmente é usada para funções controladas pelo operador, onde as necessidades de tempo de resposta são mais lentas do que aquelas necessárias para o controle dinâmico do veículo. A rede GMLAN de Baixa Velocidade é formada por um único cabo. Durante o funcionamento do veículo, símbolos de dados (0 e 1) são sequencialmente transmitidos, à taxa normal de 33,3 Kb/s. Para a programação de componentes, um modo especial de velocidade mais alta, de 83,3 Kb/s, pode ser usado. Diferente das redes de dados de pares trançados, a rede de cabo único de baixa velocidade não utiliza resistores de terminação nas duas extremidades da rede. Os dados transmitidos por meio dessa rede são representados por diferentes sinais de tensão. Quando a rede GMLAN de Baixa Velocidade está em repouso e não está sendo acionada, existe uma tensão de baixo sinal de aproximadamente 0,2 Volts. Isto representa uma lógica ‘1’. Quando uma lógica ‘0’ está sendo transmitida, a tensão do sinal é de aproximadamente 4,0 Volts. REDE DE INTERCOMUNICAÇÃO LOCAL (LIN) A Rede de Intercomunicação Local (LIN - Local Interconnect Network) consiste de um cabo único, com uma taxa de transmissão de 10,4 Kb/s e é utilizada para a troca de informações entre um módulo de controle mestre e outros dispositivos inteligentes que oferecem funcionalidade. Este tipo de configuração não requer a capacidade ou a velocidade de uma rede GMLAN de Alta Velocidade ou de Baixa Velocidade e é, portanto, relativamente mais simples. Os símbolos de dados (0 e 1) a serem transmitidos são representados por diferentes níveis de tensão. Quando a rede LIN está em repouso e não está sendo acionada, o sinal está em um estado de alta tensão de aproximadamente12 Volts (Bateria). Isso representa uma lógica ‘1’. Quando uma lógica ‘0’ é transmitida, a tensão de sinal é de aproximadamente 0 Volt. GATEWAY Módulo de Acesso aos dados em série k56 – Gateway (portão de entrada) Foi desenvolvido para ajudar na segurança cibernética e novos recursos de segurança avançados/ativos, como o sistema anti-colisão aprimorada(Equinox). O Módulo de acesso aos dados em série K56 está localizado como exemplo, entre as redes: • GMLAN de Alta Velocidade • GMLAN de Baixa Velocidade • Rede LIN A maioria das informações de uma determinada rede geralmente permanece local. Entretanto algumas delas são compartilhadas com outras redes. Os módulos de controle designados como gateways realizam a transferência de informações entre as redes. Esses módulos executam a função de transferência entre vários barramentos. Um módulo Gateway está conectado a pelo menos 2 barramentos e irá interagir com cada rede, de acordo com sua estrátegia de transmissão de mensagens. Módulo de controle da Carroceria K9 Interruptor do vidro S79D Módulo de controle do vidro K90D Conector DLC Módulo de controle do Ar condicionado K33 Cpnjunto do Painel de Instrumentos P16 Módulo de controle e assistência ao estacionamento K182 Módulo do Rádio A11 Módulo de acesso dos dados em série K56 20 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO CONECTOR DE LINK DE DADOS (DLC) O Conector de Link de Dados (DLC) X84 , possui 16 cavidades (terminais) padronizadas, e são utilizadas de acordo com a configuração do veículo. • Terminal 1 – Terminal de comunicações GMLAN de Baixa Velocidade; • Terminal 2 – Terminal de comunicações Classe 2; • Terminal 3 – Terminal (+) da rede serial GMLAN de Média Velocidade ou terminal (+) da rede GMLAN de Alta Velocidade de Objetos; • Terminal 4 – Terminal de aterramento da ferramenta de diagnóstico; • Terminal 5 – Terminal de aterramento do sinal comum; • Terminal 6 – Terminal (+) da rede GMLAN de Alta Velocidade; • Terminal 7 – Terminal de comunicações de palavra-chave; • Terminal 8 – Não utilizado; • Terminal 9 – Não utilizado; • Terminal 10 – Não utilizado; • Terminal 11 – Terminal (-) da rede GMLAN de Média Velocidade ou terminal (-) da rede GMLAN de Alta Velocidade de Objetos; • Terminal 12 – Terminal (+) da rede GMLAN de Alta Velocidade de Expansão do Chassi; • Terminal 13 – Terminal (-) da rede GMLAN de Alta Velocidade de Expansão do Chassi; • Terminal 14 – Terminal (-) da rede GMLAN de Alta Velocidade; • Terminal 15 – Não utilizado; • Terminal 16 – Energia da ferramenta de diagnóstico, terminal de voltagem positiva da bateria. Para a realização do diagnóstico da Rede CAN de Alta Velocidade, utilizando-se de um multímetro, são realizadas duas medições no conector DLC que serão descritas a seguir: • Configurando o multímetro para a escala de medição de Resistência Elétrica, utilizando as sondas de teste adequadas, a fim de evitarmos danos aos pinos do conector DLC, realizamos a medição de Resistência entre os pinos 6 e 14 do conector. O valor encontrado quando o Sistema está operando corretamente é de aproximadamente 60 ohms (Sistema OK !). Entretanto, caso exista alguma deficiência de comunicação (Rede Aberta), esse valor oscilará em torno de 120 ohms. TIPOS DE FALHAS DO BARRAMENTO A norma ISO enumera os seguintes modos de falha do barramento CAN: • CAN_Hight e CAN_Low- Interrompido no mesmo local; • CAN-Hight- Em curto com a bateria (+); • CAN-Hight- Em curto com o terra (-); • CAN_Low- Em curto com o fio CAN__Hight; • CAN_Low- em curto com o terra (-); • CAN_Low- em curto com a bateria (+). 21 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO TIPOS DE FALHAS DO BARRAMENTO Interrompido no mesmo local (aberto) CAN-HIGHT- Em curto com a bateria (+) CAN-HIGHT- Em curto com o terra (-) CAN_LOW EM CURTO COM CAN_HIGHT 120ῼ 120ῼ Can Bus CAN H + (6) CAN L – (14) Curto circuito entre si Valor da leitura com o multímetro nos pinos 6 e 14 Proximo de 0hm 120ῼ 120ῼ Can Bus CAN H + (6) CAN L – (14) Valor da leitura com o multímetro nos pinos 6 e 14 Proximo de 60hm Curto circuito ao negativo 120ῼ 120ῼ Can Bus CAN H + (6) CAN L – (14) Curto circuito ao positivo Valor da leitura com o multímetro nos pinos 6 e 14 Proximo de 60hm 12 Volt 120ῼ 120ῼ Can Bus CAN H + (6) CAN L – (14) Valor de leitura obtido com o multímetro nos pinos 6 e 14 120 ohms (REDE ABERTA). Bus fio cortado 22 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO TIPOS DE FALHAS DO BARRAMENTO CAN_LOW - em curto com o terra (-) CAN_LOW - em curto com a bateria (+) MEDIÇÕES REDE GMLAN Ω SISTEMA OK REDE ABERTA 120ῼ 120ῼ Can Bus CAN H + (6) CAN L – (14) Curto circuito ao positivo Valor da leitura com o multímetro nos pinos 6 e 14 Proximo de 60hm 12 Volt 120ῼ 120ῼ Can Bus CAN H + (6) CAN L – (14) Valor da leitura com o multímetro nos pinos 6 e 14 Proximo de 60hm Curto circuito ao negativo 23 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO MEDIÇÕES REDE GMLAN Ω CURTO CIRCUITO ENTRE SI MEDIÇÕES REDE GMLAN (TENSÃO) SISTEMA OK Quando o sistema está OK, a voltagem do CAN-High é levemente superior ao da CAN Low. A mesma medição realizada com o uso do multímetro é possível com o Data Bus. Quando o Bus está inativo fica com a mesma voltagem no CAN-High e CAN-Low. A mesma medição realizada com o uso do multímetro é possível com o Data Bus. 24 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO MEDIÇÕES REDE GMLAN (TENSÃO)CURTO CIRCUITO ENTRE SI GMLAN de Baixa Velocidade não contém resistência de terminação e possui apenas um fio de comunicação, na medição a ferramenta varia sua leitura, sistema ok. + CAN-High em curto ao 12 Volts o BUS continua ativo, mas em nível reduzido. - CAN-High em curto ao massa o BUS, não hápossibilidade de comunicação. + CAN-Low em curto ao 12 Volts o BUS, não hápossibilidade de comunicação. - CAN-High em curto ao massa o BUS continua ativo, mas em nível reduzido. 25 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO DIAGRAMAS ELÉTRICOS O conhecimento adquirido até este momento é muito importante para a compreensão das arquiteturas elétricas dos veículos Chevrolet e para a condução de procedimentos de diagnóstico mais rápidos e precisos. Os Manuais de Serviços dos Veículos Chevrolet (SI) oferecem as informações e as orientações necessárias para a condução desses procedimentos. Um dos principais recursos disponíveis nessa mesma fonte, muito útil para auxiliar no entendimento das interações dos sistemas eletroeletrônicos e que podem ser utilizados para tornar o diagnóstico mais eficiente, é o Diagrama Elétrico. Ao acessar um Diagrama Elétrico de determinada rede, pode-se visualizar todos os módulos e conexões que dela fazem parte. Além disso, é possível identificar através de links de acesso e atalhos a localização física do componente, as cores dos cabos, as ferramentas utilizadas para testes, as conexões com outras redes, entre outros recursos. Exemplo: GMLAN de Alta Velocidade do Cruze 26 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO FERRAMENTAS DE DIAGNÓSTICO O procedimento de diagnóstico de sistemas eletroeletrônicos dos veículos Chevrolet necessita de recursos específicos: as Ferramentas de Diagnóstico adequadas; o Multímetro; as sondas de teste e de liberação de terminais e o Manual de Serviços do Veículo (SI). REFERÊNCIA DE DADOS SERIAIS A ferramenta de diagnóstico comunica-se através das redes interconectadas do veículo. Quando é instalada, a ferramenta de diagnóstico tenta se comunicar com todos os dispositivos que puder. Se alguma opção não estiver disponível, a ferramenta exibirá ‘Nenhuma Comunicação’ (ou Não Conectado) para aquele dispositivo. 27 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO REFERÊNCIA DE DADOS SERIAIS Para evitar erros de diagnóstico por ausência de comunicação com algum dispositivo, deve-se consultar a relação de dispositivos opcionais no Manual de Serviços (SI), em ‘Referências de Conexão de Dados’, as configurações das redes com as quais se deseja comunicar e os códigos RPO de cada dispositivo específico. REPARO DE CHICOTE (EXTRAÍDO DA IT-026/15) Devido à complexidade de substituição de chicotes e ao tempo de mão de obra, a GMM recomenda o reparo. Para a realização dessa operação são necessários os seguintes equipamentos: • Kit de reparo de chicotes; • Kits de liberação de terminais; • Alicate prensa terminal; • Alicate de corte; • Soprador térmico; • Ferramenta de diagnóstico. Atenção! Chicotes dos sistemas de Airbag e ABS não devem ser reparados, por se tratarem de sistemas de segurança. Método 1: O kit de reparo de chicote conta com a conexão completa (conector completo com terminais e cabos), além dos termo-retráteis necessários para a junção dos cabos. Esse método torna o reparo muito fácil, mas só está disponível para conectores de até 8 vias. Método 2: Se o conector tiver nove ou mais vias, será fornecido apenas o conector (parte plástica) e os terminais com cabos deverão ser solicitados separadamente. Desta forma, se um terminal estiver danificado, pode-se substituir apenas o terminal. Método 3: É possível o reparo do circuito com o uso de termo-retrátil, se apenas um cabo estiver danificado e não houver necessidade de substituição de conectores. Ao fazer um reparo em qualquer rede GMLAN, o comprimento original do fio após o reparo deve ser o mesmo comprimento anterior ao reparo. Caso a rede seja um par torcido, a torção deverá ser mantida após o reparo ser concluído. Deve-se respeitar a especificação de no mínimo 10 voltas a cada 31 cm, medidos em qualquer local ao longo do comprimento dos cabos. O diâmetro externo dos cabos entrelaçados não deve exceder 6 mm. Antes de proceder com o reparo de chicote, é imprescindível fazer o treinamento “Reparo de chicote” disponível na Universidade Chevrolet. 28 ELETRÔNICA AUTOMOTIVA CAN BUS REDES DE COMUNICAÇÃO DIAGNÓSTICO E REPARAÇÃO CAPACITAÇÃO Não existe investimento melhor para valorizar sua carreira profissional! UNIVERSIDADE CHEVROLET Visite a nossa página na Internet: www.universidadechevrolet.com.br A Equipe de Capacitação da CHEVROLET agradece a todos os colaboradores internos e externos que nos auxiliaram a desenvolver esta apostila. © Versão 1.0 – 1º semestre – ano 2019. GM Mercosul. Todos os Direitos Reservados. Proibida a reprodução total ou parcial deste documento sem expressa autorização, por escrito da GM Mercosul. A Chevrolet reserva-se o direito de alterar as especificações contidas neste material a qualquer tempo, ou mesmo descontinuá-los, independentemente de aviso ou comunicação e sem incorrer em obrigações ou responsabilidades de qualquer espécie. Este material foi produzido exclusivamente para uso interno nos cursos da Rede Chevrolet. Material Exclusivo para uso interno na Capacitação da Rede Chevrolet