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ANÁLISE QUALITATIVA A avaliação do HTP- F, tanto cromático corno acromático, precisa ser efetuada com bastante cuidado. A interpretação de um dado só pode ser considerada correta depois de ter relacionado esse detalhe à configuração total obtida. É essencial que não se coloque peso demasiado em dados isolados. Na avaliação dos desenhos deve levar-se em conta o princípio básico de que o papel representa o ambiente, o desenho, o próprio sujeito e que somente a partir dessa interação simbolizada é que são realizadas as interpretações. Urna série de itens faz parte da coleta de dados referentes à maneira corno o indivíduo desenhou. Na análise qualitativa, devemos considerar todos os desenhos (CASA, ÁRVORE, FIGURA HUMANA, FIGURA HUMANA DO SEXO OPOSTO AO DA PRIMEIRA DESENHADA, FAMÍLIA DE ORIGEM E FAMÍLIA IDEAL). Para efetuar urna análise qualitativa, necessitamos observar os seguintes itens: 4.1 - Resistências São casos de rejeição à tarefa proposta em graus diferentes de intensidade, podendo ocorrer, em um extremo, a negação para desenhar e, no outro, a execução adequada dos desenhos. Não apresenta - confiança no desempenho. Negação - intenso sentimento de inferioridade, sensação de ser inadequado para o cumprimento da tarefa, dificuldade em arriscar-se e em receber julgamentos, bloqucios severos ou atítudes de negativismo e oposição em relação ao ambiente (comum em fobia social, transtorno personalidade de esquiva ou paranóide). Omissão de algumas partes do desenho - indícios de problemas e conflitos em relação à parte em questão (comum em pacientes com esquizofrenia, transtorno depressivo, de estresse pós-traumático, ansiedade generalizada ou hipocondria). 4.2 - Análise seqüencial do conjunto dos desenhos Oferece pistas a respeito da quantidade de energia e disposição do avaliando. O avaliador precisa ficar atento tanto ao aumento quanto à diminuição psicomotora e observar se o sujeito deixa levar-se por associações emocionais despertadas pela tarefa. Desenvolvimento normal - boa energia, equilíbrio emocional e mental. Alguns pacientes começam ansiosos, mas logo acalmam-se e trabalham eficientemente, sugerindo apenas uma ansiedade situacional. Decréscimo psicomotor - elevada fatigabilidade e em alguns casos depressão. A depressão caracteriza-se por uma acentuada pobreza de detalhes ou incapacidade para completar os desenhos. Alguns pacientes inicialmente aceitam a tarefa de desenhar sem muito protesto, produzem um desenho razoavelmente bom na primeira tentativa, mas demonstram fadiga óbvia no desenho seguinte. Por exemplo: abandonam a tarefa logo após terem produzido apenas a "cabeça" do teste da FIGURA HUMANA. Aumento psicomotor - impulsividade, ansiedade excessiva, abertura a estímulos (sugere transtorno de personalidade borderline). 4.3 - Tempo consumido O uso que o avaliando faz do tempo durante a execução fornece pistas valiosas referentes ao significado que os desenhos têm para ele. O avaliador deve relacionar o tempo total consumido com a qualidade dos desenhos. Alguns pacientes desenham e apagam várias vezes, perdendo muito tempo; outros consomem a mesma quantidade de tempo, mas desenham livremente e colocam uma infinidade de detalhes. Tempo de latência inicial - a maioria dos indivíduos bem ajustados começa a desenhar mais ou menos 30 segundos depois que as instruções foram dadas. Pausas durante a realização do desenho - depois de iniciado o desenho, qualquer pausa superior a mais ou menos que cinco segundos sugere conflitos com o que acabou de desenhar ou ainda com o que vai ser desenhado. Quando ocorrem pausas durante os comentários espontâneos do sujeito ou enquanto ele está respondendo ao questionário, é indício de prováveis bloqueios. 4.4 - Pressão no desenhar Analisa o nível de energia do indivíduo. O tipo de linha e a pressão do traçado indicam, em um extremo, energia, vitalidade, decisão e iniciativa e, no outro, insegurança, falta de confiança em si ou ansiedade. Pressão média - boa energia, equilíbrio e vitalidade. Pouca pressão, traço leve - baixo nível de energia, insegurança, timidez, sentimento de incapacidade, falta de confiança em si mesmo e em alguns casos repressão dos impulsos (comum em deprimidos, esquizofrênicos e sugere também transtorno de personalidade dependente ou sentido artístico e/ou pessoas com personalidade mais sensível). Muita pressão, traços fortes - excesso de energia, vitalidade, iniciativa, decisão, confiança em si mesmo ou medo, tensão, insegurança, agressividade e hostilidade para com o ambiente. aguda consciência da necessidade de autocontrole, falta de adaptação com esforço para manter o equilíbrio da personalidade ou ainda pode ser uma expressão de isolamento com necessidade de proteger-se de pressões externas (comum em transtorno de conduta, de personalidade anti-social, de somatização e sugere também transtorno de ansiedadt generalizada) . Variação na pressão - flexibilidade, capacidade de adaptação ou labilidade de humor instabilidade e impulsividade (comum em pacientes com transtorno de personal idade borderline ). 4.5 - Caracterização do traço Pessoas que apresentam o desenvolvimento da técnica do desenho utilizam-se de avanço e recuos no seu traçado. Crianças, de maneira geral, apresentam com mais freqüência um traço contínuo, com linhas firmes, grossas e pesadas. Traços com predominância de linhas decisivas, controladas e livres - decisão, rapidez esforço dirigido, bom tônus muscular e equilíbrio emocional e mental (comum em indivíduos rápidos, decididos, seguros e com perseverança para trabalhar e alcançar o objetivos ). Traços longos ou extremamente contínuos - falta de sensibilidade, medo de iniciativa ou humor agressivo (comum em alguns indivíduos inibidos e sugere fobia social). Traços com avanços e recuos - emotividade, ansiedade, falta de confiança em si, timidez; insegurança, hesitação ao encontrar novas situações ou sentido artístico, intuição e sensibilidade (comum em pacientes excitáveis e com comportamento mais impulsivo, sugerindo transtorno de ansiedade generalizada). Traços interrompidos, mudando de direção - incerteza, temor, angústia, insegurança, falta de opinião própria e de pontos de vista bem firmados ou dissimulação de problemas, não-aceitação do meio ambiente, agressividade controlada e oposição (sugere transtorno de ansiedade generalizada). Traços apagados - dissimulação da agressividade, medo de revelar os problemas de se expor ou debilidade física, inibição, timidez, sentimento de insignificância, sensação de ser desprovido de valor e sensação de ser incapaz de ser reconhecido como pessoa (sugere transtorno depressivo). Traços trêmulos - insegurança, medo, esgotamento nervoso, fadiga extrema e sensibilidade excessiva (comum em doenças cerebrais, alcoolismo, intoxicação por drogas, remédios, etc. e sugere transtorno depressivo). Traços pontilhados ou denteados - agressividade, hostilidade e dissimulação (sugere transtorno da conduta e/ou personalidade anti-social). Traços peludos - personalidade primitiva, comum em pessoas que agem mais pelo instinto do que pela razão (sugere transtorno da conduta e/ou personalidade anti-social)., Quando em cada linha há indícios de estresse, falta de objetivos, confusão ou traços estranhos (olhos fora do rosto, mãos e dedos ou estão ligados a lugares errados ou não estão presentes) - sugerem a existência esquizofrênica. 4.6 - Indicadores de conflitos O tratamento diferencial dado a qualquer área do desenho indica, na maioria das vezes, conflitos nessa determinada área. É importante salientar que um sombreado nem sempre é ansiedade, pois pessoas com aptidões para desenhos muitas vezes fazem uso desse recurso. Reforços suaves ou raros - brandura, passividade de temperamento ou expressão auto afirmativa. Sombreamento não excessivo - tato, sensibilidade,pessoa sonhadora ou que mascara conflitos. Correções e retoques - insatisfação com a produção, incerteza, insegurança, ansiedade, algumas vezes podendo sugerir agressividade e dissimulação (sugere fobia social). Rasuras ou borraduras resultantes de correções - insegurança, falta de autoconfiança e desejo de perfeccionismo (sugere fobia social e/ou transtorno de ansiedade generalizada). Recobrir uma linha já traçada com riscos mais intensos - ansiedade, insegurança, falta de autoconfiança ao se defrontar com situações novas ou sentimento de perda afetiva e de acobertamento da angústia ou da agressividade (comum em pessoas imaturas sexualmente e em alguns homossexuais). Sombreamento - ansiedade, conflitos, medo, insegurança ou descontentamento aberto e consciente. Quanto mais extensa a área sombreada, maior é a ansiedade. No caso de efeitos artísticos, pode refletir racionalização da ansiedade. Omissões de braços, pernas, mãos ou traços fisionômicos - conflitos. Deve analisar-se de acordo com a área, pois assumem significados distintos. 4.7 - Localização no papel Meio da página ou centro - comportamento emocional e adaptativo em equilíbrio e segurança. As crianças cujo trabalho não é centralizado tendem a apresentar pouco controle e maior dependência. Quando todos os desenhos são colocados rigidamente no meio da página, podemos pensar também em ansiedade, inflexibilidade ou insegurança. A folha de papel simboliza o ambiente, e a localização do desenho revela a adaptação do sujeito ao meio e como ele o manipula, assim como a maneira de estar no mundo, suas atitudes ante a vida intelectual, instintiva, etc. Fazendo uma analogia com a figura humana, podemos intuir que os pés simbolizam o contato direto com o chão, com a realidade e com a terra e a cabeça como sendo a fonte das idéias, das fantasias e do intelecto. Desenho próximo à linha vertical média - tentativa de manter um controle intelectual sobre o desejo de satisfação emocional imediata, com propensão a agir impulsivamente. Lado esquerdo da página Introversão , Controle, Satisfação controlada dos impulsos Lado direito da página Extroversão, Impulsividade, Necessidade de satisfação imediata. Metade superior - quanto mais para cima o desenho, maior a tendência de buscar satisfação na fantasia, e não na realidade. Alguns pacientes deprimidos fazem seus desenhos bem no alto, como que enfatizando o sentimento de que estão se empenhando bastante para não mostrar a depressão. Adultos inseguros em relação à própria capacidade, que vivem como "flutuando no ar", sem muito contato com a realidade costumam fazer seu desenho no alto da página. A metade superior pode simbolizar a vida espiritual, a tendência mística e o mundo do "grande pai". Metade superior Tendência a buscar satisfação na fantasia, Criatividade, Objetivos muito altos e possivelmente inatingíveis, Tendência a manter-se distante e inacessível Metade inferior Orientação para o concreto, preso à realidade, Insegurança, Auto-envolvimento, Humor mais deprimido Metade inferior - quanto mais para baixo o desenho, maior a tendência ao materialismo, a fixação à terra e ao inconsciente. Alguns pacientes deprimidos fazem seus desenhos na beira do papel, e geralmente estes são pouco minuciosos com uma deterioração progressiva tanto da qualidade das linhas quanto da quantidade de detalhes. A metade inferior também simboliza o mundo da mãe terra, a fixação à matéria e a dimensão concreta. Canto superior esquerdo Passividade Reserva, inibição Canto superior direito Contato ativo com a realidade, Projetos para o futuro Canto inferior esquerdo Regressão, Conflitos, Fixação em estágios mais primitivos Canto inferior direito ( é pouco usado) Impulsividade, teimosia, Predominância de desejos e instintos Figuras presas à margem do papel - falta de confiança, medo de ações independentes e necessidade de apoio (a interpretação é a mesma de janelas presas à margem das paredes). Em diagonal - perda de equilíbrio e insegurança. 4.8 - Tamanho das figuras Em geral o desenho ocupa de 1/3 a 2/3 da página. O tamanho das figuras fornece um paralelo entre a dinâmica, o ambiente e as figuras parentais. Oferece, também, pistas a respeito da auto-estima, auto-expansividade, fantasia de auto-inflação, o grau de adequação e a forma como está reagindo às pressões ambientais. Em um extremo, o paciente pode estar reagindo às pressões ambientais com sentimentos de inadequação e, inferioridade e no outro, pode reagir com grande valorização de si mesmo. Crianças inseguras tendem a desenhar figuras pequenas, em contraste com as figuras grandes e ousadas das crianças seguras. Tamanho médio - inteligência, boa auto-estima, adequação ao meio, capacidade de abstração e equilíbrio emocional. Figuras grandes - podem indicar tanto expansividade como inibição. Sugerem reação às pressões ambientais, com sentimentos de expansão e agressão, falta de controle ou inibição e idéias de grandeza, para encobrir sentimentos de inadequação. Podem também simbolizar sentimentos de rejeição social e inferioridade a respeito do corpo. (O desenho bem centrado pode indicar ambições e força de expansão do ego, porém preso pelo mundo da fantasia.) Figuras muito grandes que chegam a ultrapassar o limite da folha - sugerem sentimento de constrição por parte do ambiente, com fantasias compensatórias de auto-expansão e evidência de agressividade com possível descarga motora no meio (comum em casos orgânicos, personalidade paranóide ou crianças com descontrole motor que não percebem o limite da folha ou com tendência ao roubo). Figuras pequenas - sentimento de inferioridade com dificuldade em se colocar no meio, inibição, timidez, repressão da agressividade, comportamento emocionalmente dependente e ansioso. Sugere eventualmente inteligência elevada, mas com problemas emocionais por sentimentos de inadequação, baixa auto-estima, insignificância, excesso de autocontrole e reação de maneira não adequada às pressões ambientais (comum em depressivos e sugere também transtorno de personalidade dependente). Figuras muito pequenas, minúsculas - sentimento de inadequação e rejeição pelo ambiente, tendência ao isolamento; a criança que faz um desenho muito pequeno indica que as relações com o meio são sentidas como esmagadoras (sugere fobia social, transtorno de personalidade esquiva, esquizóide e/ou transtorno estresse pós-traumático). Criança que desenha figuras pequenas e grandes - dificuldade em responder de forma plenamente saudável às experiências, à percepção tendenciosa de si mesmo e dos outros. Relação das partes do desenho em relação ao todo - quanto maior a disparidade, maior a possibilidade de desajuste. 4.9 - Detalhes no desenho Existem detalhes que são essenciais aos desenhos, como, por exemplo, no desenho da CASA. Esta deve possuir pelo menos uma porta (a não ser que somente o lado da casa esteja desenhado), uma janela, parede e telhado. Atualmente com o uso do aquecimento elétrico, a chaminé não constitui mais um detalhe essencial no desenho da CASA. A ÁRVORE deve ter pelo menos tronco e copa. A FIGURA HUMANA deve apresentar cabeça, tronco, dois braços e duas pernas, a não ser que seja desenhada de tal maneira que somente um dos membros seja aparente, o que também é significativo. Nas características faciais, deve ter dois olhos, um nariz, uma boca e duas orelhas, a não ser que a posição não permita que todos os elementos apareçam. A ausência de qualquer detalhe essencial é séria e quanto maior o número destas, mais significativas serão as implicações patológicas. Detalhes adequados - inteligência, percepção adequada e ajustamento ao meio. Uso limitado de detalhes não essenciais - bom teste de realidade e relação equilibrada com o ambiente. Detalhes inadequados ou uso mínimo de detalhesessenciais - fuga e/ou conflito na área representada ou simbolizada pelo detalhe, dificuldade de entendimento, insegurança, energia reduzida, sentimento de vazio e retraimento (comum em depressivos, que geralmente fazem desenhos apagados, com linhas tênues e sem detalhes). Detalhes excessivos - insegurança, sentimento de que o mundo é incerto e/ou perigoso, rigidez, tendência a defender-se contra o caos externo ou interno criando um mundo rigidamente organizado e altamente estruturado (desenhos exatos, com elementos rígidos e repetidos, não existindo nem uma linha fora de lugar, são encontrados com freqüência obsessivos-compulsivos e transtorno de personalidade). Detalhes não essenciais - geralmente tendem a enriquecer o desenho, como, por exemplo na CASA, a colocação de cortinas na janela ou material de parede, indicado por desenho minucioso ou sombreado, etc. Na ÁRVORE, uma folhagem desenhada detalhadamente ou sombreada; na FIGURA HUMANA, cabelo ou roupa extremamente elaborados. Detalhes bizarros - como, por exemplo, órgãos internos vistos por meio da roupa ou pele e parede transparente de forma que se observem os objetos dentro da casa, sugerem desordem emocional, porém, em crianças pequenas, não apresentam significado patológico (em adultos sugere esquizofrenia). 4.10 - Uso da borracha o uso da borracha só tem valor quando o sujeito mostra capacidade de melhorar o seu desempenho. Apagar o desenho sem aperfeiçoá-Io não é bom sinal e quando o toma pior é mais significativo ainda. A constante necessidade de apagar na maioria das vezes significa conflito. Normal- autocrítica. Não usa - falta de crítica ou autoconfiança no desempenho. Uso exagerado - insegurança, excesso de autocrítica, indecisão, insatisfação consigo mesmo, falta de controle e fuga (sugere fobia social).