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( GRADUAÇÃO CURSO DE PSICOLOGIA Técnicas Projetivas e Expressivas Profª Esp. Maria Aparecida da Silva ) 1 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS HTP (HOUSE-TREE- PERSON) Teste do Desenho da CASA-ÁRVORE- PESSOA O Teste HTP é um instrumento de avaliação psicológica de uso exclusivo da categoria profissional dos psicólogos e somente por eles pode ser adquirido, aplicado e corrigido (Lei Federal 4.119/62). Esse material tem fins exclusivamente acadêmicos e não pode ser compartilhado , seja parcial ou totalmente. ) 2 ( 10 ) ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Desenho: Uma das formas mais antigas de comunicação. A partir do século XX passou a ser usado como técnica para investigar habilidades cognitivas e características emocionais e da personalidade. É uma forma de manifestação dos aspectos inconscientes da personalidade. Ao realizar o sujeito expõe seu mundo interno (fantasias, desejos, impulsos, medos, ansiedades e conflitos). O sujeito utiliza do repertório de imagens e vivências registradas em sua experiência e revela as maneiras que desenvolveu para lidar com as situações de vida. O estímulo propicia a representação dos sentimentos e das características de personalidade. (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 3 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS ) 4 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS House-Tree-Person Test (HTP) – conhecido no Brasil como Teste do Desenho da Casa-Árvore-Pessoa. Criado por John N. Buck em 1948. Técnica expressiva e projetiva para avaliação da personalidade. Visa obter informações acerca da sensibilidade, da maturidade e da integração da personalidade do indivíduo, bem como sua forma de interagir com as outras pessoas e com o ambiente. O HTP tem poucos relatos sobre sua história. Os estudos sobre o HTP são escassos na literatura, e sobre suas propriedades psicométricas. (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 5 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS População: Destinado a indivíduos a partir de 8 anos de idade. É mais comumente aplicado em crianças. Duração: média de 30 a 90 minutos (depende do número de fases realizadas), mas não há um limite de tempo. Ambiente: Sala silenciosa e sem distrações, preferencialmente com uma mesa. Usuários do teste: Devem ter sido treinados e supervisionados na aplicação individual de instrumentos clínicos para crianças e adultos. (Buck,2009) ) 6 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Aplicação em 4 fases: Não verbal – desenho à mão livre acromático da casa, árvore e pessoa (opcional o desenho da pessoa do sexo oposto). Inquérito estruturado de cada desenho acromático. Desenho à mão livre, cromático (com gizes de cera) da casa, árvore e pessoa (talvez também do sexo oposto). Inquérito estruturado de cada desenho cromático. (Buck, 2009) ) 7 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Materiais: Acromático – 3 folhas de papel sulfite branco (A4 ou ofício), vários lápis pretos nº 2, borracha macia e apontador. Cromático – 3 folhas de papel sulfite branco (A4 ou ofício), borracha e apontador, giz de cera (pelo menos 8 cores de crayons: vermelho, verde, amarelo, azul, marrom, preto, roxo e laranja). Protocolo de interpretação (preferencialmente um para fase acromática e outro para a fase cromática): nele está uma Lista de Conceitos Interpretativos comuns para cada desenho. Consiste em um material auxiliar de fácil consulta. Relógio ou cronômetro – para anotar tempo de latência e total. (Buck, 2009) ) 8 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Administração propriamente dita: Preencher o protocolo com informações pessoais do cliente e seguir as instruções do manual. Comportamento do examinador: O examinador não demonstra surpresa ou choque diante das reações ou verbalizações do examinando, procurando manter a postura mais neutra possível. O examinador poderá dizer palavras de estímulo se sentir que é necessário, sem alterar as instruções específicas do teste. Posição do papel: Casa: horizontal Árvore: vertical Pessoa: vertical (Buck, 2009) ) 9 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Critérios a serem considerados para aplicação do HTP: Adequado conhecimento técnico e teórico do aplicador, sobretudo no que se refere às técnicas projetivas; Ambiente facilitador para a aplicação; Adequada administração do rapport; Aplicação individual. (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 10 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Primeira fase: Propõe-se a realização de três desenhos sequenciais (uma casa, uma árvore e uma pessoa). Devem ser desenhados à mão livre, em folhas separadas, utilizando papel A4, lápis preto nº 2 e borracha. Pode solicitar um desenho adicional de uma pessoa do sexo oposto ao já desenhado. Essa fase é não verbal, criativa e quase completamente não estruturada. (Buck, 2009) (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 11 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Segunda fase: Conduzir um inquérito na perspectiva de explorar as características e as descrições de cada um dos desenhos. Essa fase é verbal, aperceptiva e mais formalmente estruturada, tendo uma lista de perguntas que devem ser realizadas. Podem ser feitas perguntas adicionais que não constem no protocolo para clarificar as respostas do sujeito e tornar o entendimento dos desenhos mais completo. É importante que as perguntas sejam realizadas após a conclusão de todos os desenhos, tendo em vista que podem influenciar o examinando. (Buck, 2009) (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 12 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Terceira e quarta fase: Aplicar a versão cromática (facultativa). São realizados os mesmos procedimentos solicitando mais três (ou quatro) desenhos sequenciais e coloridos. Fornecer ao menos oito cores de giz de cera (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, violeta, marrom e preto). Para o inquérito da versão cromática fazer perguntas específicas, destacadas com um asterisco no protocolo. Alguns autores apontam que os desenhos cromáticos atingem camadas mais profundas da personalidade. (Buck, 2009) (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 13 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Durante a aplicação do HTP: Caso o individuo demonstre preocupação em relação à sua capacidade para desenhar, enfatize que o H-T-P não é um teste de habilidades artísticas e que o desenho deve ser, apenas, fruto de seu maior esforço. Comece a cronometrar assim que tiver terminado de dar as instruções e considerar que o individuo entende bem a tarefa. Enquanto o desenho estiver sendo completado, anote: A latência inicial (intervalo de tempo entre o final das instruções e o cliente realmente começar o desenho); Ordem dos detalhes desenhados; Duração das pausas e detalhe específico desenhado quando a pausa ocorrer; Qualquer verbalização espontânea ou demonstração de emoção e o detalhe que estiver sendo desenhado quando essas ocorrerem; O tempo total utilizado para completar o desenho. Esse material é anotado como Observações Gerais na página 1 do Protocolo de Interpretação. ) 14 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Desenho da casa: Entregar somente a folha de desenho da casa na horizontal com a palavra “casa” no topo e solicitar que faça este desenho a mão livre. Instrução: “Eu quero que você desenhe uma casa . Você pode desenhar o tipo de casa quequiser. Faça o melhor que puder. Você pode apagar o quanto quiser e pode levar o tempo que precisar, Apenas faça o melhor possível.” (Buck, 2009) ) 15 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Desenho da árvore: Recolher a folha do desenho anterior e aguardar, e somente a folha relativa à árvore deve ser apresentada na vertical, também com a palavra “árvore” centralizada no topo. Repetir de modo semelhante os procedimentos da casa. Desenho da pessoa: A folha relativa à pessoa deve ser apresentada na vertical, também com a palavra “pessoa” centralizada no topo. Repetir de modo semelhante os procedimentos do desenho da casa. Desenho da pessoa do sexo oposto (ao desenhado anteriormente): Desenho opcional (irá aumentar de 10 a 15 minutos a duração da sessão do H-T-P. Repetir os mesmos procedimentos utilizados para o desenho da pessoa. ) 16 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Interpretação do HTP é realizada por informações obtidas por uma tríade de fontes: Elementos gráficos produzidos pelo indivíduo (desenhos); Conteúdo verbal (oriundo do inquérito); Observação (comportamento do indivíduo ao longo da aplicação). O protocolo oferece uma lista de conceitos interpretativos para cada desenho, associados a possíveis características psicopatológicas da personalidade. (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 17 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Interpretação do HTP – critérios de avaliação dos desenhos: Aspectos gerais do desenho (atitude; tempo; latência e pausas; capacidade crítica e rasuras; comentários); Proporção (tamanho do desenho em relação à folha e dos itens em relação ao desenho); Perspectiva (localização e posição na página, uso de margens, transparências e movimentos); Detalhes (presença, ausência, ênfase, dimensão e caraterísticas dos detalhes); Uso adequado de cores (este último, analisado quando é proposta a aplicação dos desenhos cromáticos). (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 18 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Proposta do HTP aprovada pelo Sistema de Avaliação dos Testes Psicológicos (SATEPSI): Sugere avaliação menos detalhada e mais global do desenho. Dessa forma evita-se interpretações pouco consistentes baseadas na análise do item. Nenhum item sozinho define qualquer força ou fraqueza do sujeito e poucos itens tem um único significado, por isso nenhum deles pode ser visto isoladamente. A análise global dos elementos dos desenhos tem-se apresentado apropriada para a compreensão dos aspectos psicopatológicos e das características gerais da personalidade, sobretudo quando comparada às análises de itens específicos dos desenhos. (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 19 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Propriedades psicométricas do instrumento: No manual há a identificação de “referências complementares sobre o HTP no Brasil” com relação de trabalhos realizados. O instrumento não contém estudos de validade, precisão e normatização para a população brasileira. Foram identificados dois estudos que abordam as propriedades psicométricas do instrumento. Técnica bastante utilizada no Brasil, porém apresenta limitações em suas características psicométricas. (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 20 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Interpretação Atribuição dos significados cabíveis; De acordo com o tema proposto para o desenho; Pode-se levar em conta o significado funcional das várias partes envolvidas; Partindo-se de uma análise fenomenológica para uma abordagem simbólica em maior ou menor grau; Traço gráfico isolado nada significa, deve ser considerado em conexão com os demais e no contexto geral do desenho; Impressão global que o produto gráfico pode provocar, dando as coordenadas para a integração dos aspectos mais significativos. (Borsa, Lins e Cardoso, 2018) ) 21 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Folha de papel O ambiente Linhas básicas da interpretação Desenho O individuo ) 22 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Observações Gerais Atitude: aceitação ou rejeição (a recusa em desenhar pode expressar uma autocrítica profunda); Capacidade crítica e rasuras = conflito; Comentários espontâneos: insegurança, tentativa de estruturar a situação; comentário excessivo = preocupação (observar qual parte do desenho se refere); Tempo: rapidez incomum = se livrar de uma tarefa desagradável; tempo excessivo = relutância ou conflito; Pausa: atentar-se para a duração das pausas e a figura ou partes dela que estiver sendo desenhada já que essa pode representar a origem de um conflito; Latência inicial (intervalo de tempo entre o final das instruções e início do desenho): maior de 30 segundos = conflito / psicopatia. (Buck, 2009) ) 23 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Interpretação dos aspectos expressivos A folha de papel é considerada com ambiente delimitado pelas bordas, que significa o ambiente psicossocial. A maneira como maneja a folha terá significado próprio. Isto é, se ele foca virando a folha e não sabe como começar, significa que não está bem posicionado com o meio ambiente. Em geral, as crianças fazem todos os desenhos na horizontal e os adultos fazem a casa na horizontal e os demais na vertical. A execução do desenho, de modo geral, representa o mundo exterior e, os desenhos, seriam a forma pela qual nos expressamos no mundo. (Buck, 2009) ) 24 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS LOCALIZAÇÃO DO DESENHO NA PÁGINA Significado geral: O lugar onde o sujeito coloca seu desenho revela muito de sua orientação geral no ambiente e consigo próprio. Folha = campo vital Esse campo está orientado no tempo e no espaço : TEMPO : passado, presente, futuro ESPAÇO : quadrantes I, II, III e IV ) 25 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS LOCALIZAÇÃO DO DESENHO NA PÁGINA TEMPO ESPAÇO IV I III II passado futuro quadrantes presente ) 26 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Perspectiva O planejamento do espaço no desenho indica capacidade de compreender e reagir com sucesso aos aspectos mais complexos, e exigentes da vida. A localização horizontal para a esquerda do desenho indica maior probabilidade de comportar-se impulsivamente, buscando satisfação imediata de necessidades, preocupação com o passado e forte interesse em si mesmo. Quanto mais a direita o desenho, maior a probabilidade de estabilidade e controle de impulsos, além de preocupação com o futuro. Em relação a localização vertical da página, quanto mais abaixo do ponto médio da folha, maiores chances do individuo sentir-se inseguro e inadequado. Quanto mais acima do ponto médio, maior a probabilidade de lutar por objetivos inatingíveis e buscar satisfação na fantasia. A seguir quadro com informações sobre o uso de diferentes perspectivas, ou partes da folha ou maneiras diversas de representação do desenho. (Resende, 2019) ) 27 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS IV Área das lembranças: Área dos projetos : I Passividade, atitude de expectativa Previsão, planejamento para o diante da vida, inibição, reserva, futuro, contato ativo com a nostalgia, desejo de retornar ao realidade. passado e/ou permanecer absorto em fantasia.III II Área dos conflitos : Área das necessidades : Regressão, conflitos, fixação em estágios mais primitivos. Impulsividade, teimosia, predominância de desejos instintivos (é pouco usado). ) 28 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS IV I III II Desenho na metade superior (área entre IV e I): Tendência a buscar satisfação na fantasia ou na intelectualizacão. Busca por objetivos possivelmente inatingíveis. Tendência a manter-se distante e inacessível. ) 29 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS IV I Desenho na metade inferior (área entre II e III): III II Orientação para o concreto, preso à realidade. Humor mais deprimido. Quanto mais em baixo maior a insegurança e o sentimento de inadequação. Desenhos que ultrapassam a margem inferior da folha tendem a se sentir esmagadoramente oprimidos, angustiados. ) 30 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS IV I III II Desenho na metade direita (área entre I e II): Comportamento mais controlável e estável. Satisfação em aspectos intelectuais. Preocupação maior com o futuro e com as pessoas que estão ao seu lado. Quanto mais para a direita maior a propensão para adiar suas satisfações e controlar rigidamente o comportamento. ) 31 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS IV I Desenho na metade esquerda (área entre III e IV): Tendência à impulsividade. III II Busca de satisfação imediata de suas necessidades. Preocupação com o passado. Interesse em si mesmo. ) 32 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Localização Central : Se o desenho é muito centralizado há uma tendência à rigidez e inflexibilidade para compensar suas ansiedades e insegurança. ) 33 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Rotação da posição da página Ou seja realizar o desenho com a folha numa posição diferente ao modo como lhe foi entregue, por exemplo, colocar a folha na vertical para desenhar a casa. Indica tendências agressivas e/ou negativistas, comportamento mais comum em pessoas oposicionistas, predispostas a guardar ressentimento em relação às pessoas e tornar-se hostil. ) 34 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Uso da margem da folha (desenhos congente às margens) Está relacionado ao uso desviante de qualquer uma das margens, representando a amputação de parte do desenho devido a relutância em desenhar, devido a associações desagradáveis, ou medo de ações independentes e necessidade de apoio. Desenho cortado na base da página: repressão (para manter a integridade da personalidade), forte potencial para ações explosivas. Desenho cortado na margem esquerda: fixação no passado e medo do futuro. Desenho cortado na margem direita: desejo de escapar para o futuro. Desenho na borda do papel (parte do desenho toca a margem, mas não parece se estender para além dela: Uso da margem superior: fixação no pensamento e na fantasia como fonte de satisfação. Uso da margem inferior: depressão e tendência a comportar-se de maneira a concreta e desprovida de imaginação. ) 35 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Relação com o observador e Posição Os desenhos são usualmente representado como se estivessem no mesmo nível do observador. Os desvios podem ser quando são desenhados como vistos de cima ou de baixo. Visão de pássaro (desenho visto de cima): rejeição e distanciamento da situação, com sentimento compensatório de superioridade. Visão de minhoca (desenho visto de baixo): sensação de rejeição, perda de valor, baixa autoestima e inferioridade. A distância aparente em relação ao observador (normalmente sugerida pelo tamanho muito pequeno do desenho, localização do desenho no alto de uma colina ou em um vale profundo, ou por grande número de detalhes localizados entre o observador e o objeto desenhada) – forte necessidade de manter-se afastado e inacessível. ) 36 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Posição do desenho Os desenhos geralmente estão de frente para o observador, mas com uma sugestão de profundidade ou, alternativamente, são desenhados em perfis parciais. Ausência de qualquer sugestão de profundidade: estilo rígido, inflexível e intransigente para não se desorganizar e compensar sentimentos de inadequação e de insegurança. Perfil completo, sem sugestão de que existe um outro lado: fortes tendências oposicionistas e de afastamento. Mais frequentemente produzidos por pessoas desconfiadas e que experienciam estados paranoicos. Considerando a linha de solo: Desenhada como uma colina: pode representar sentimentos de isolamento, dependência ou de exposição, ou de exibicionismo (analisar de acordo com o caso). Inclinada para baixo e para a direita: a pessoa pode sentir que o futuro é incerto e talvez perigoso. ) 37 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Transparências: Indica falha grave na função crítica, com tendência a realizar interpretações equivocadas da realidade, com percepções errôneas de si mesmo e das ações dos outros. Aponta perda de contato com a realidade, o que é típico em pessoas mais desajustadas. Em pessoas relativamente adaptadas ou sem qualquer indício de deficiência mental, a transparência pode indicar eventuais falhas ao reconhecer os limites do comportamento adequado em algumas situações. O significado patológico pode ser avaliado pelo seu número e gravidade. ) 38 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Movimento – A interpretação envolve a intensidade ou a violência do movimento, o prazer ou desprazer envolvidos no movimento e o grau em que o movimento é voluntário (pessoa em movimento, forças devastadoras da natureza como furacão, ventanias, tsunami). ) 39 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Consistência Espera-se que a qualidade geral de cada desenho seja semelhante. O significado da variação na qualidade do desenho depende dos detalhes desviantes e da magnitude da variação entre os desenhos ou entre os detalhes dos desenhos. Deterioração progressiva da casa para a árvore e para a pessoa: geralmente acompanha cansaço ou negativismo crescente. Melhora na qualidade da casa para a árvore e para a pessoa: medo inicial ou dificuldade de adaptação às situações novas ou desafiadoras. Essa melhora pode ocorrer inclusive dos desenhos acromáticos e persistir o aprimoramento até o último desenho da fase cromática. ) 40 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes Os detalhes em geral são divididos em essenciais, não essenciais, irrelevantes e bizarros. Dentre os aspectos dos detalhes é importante se atentar para a dimensão, sombreamento, sequência, ênfase e qualidade da linha. Os detalhes podem ser considerados como um índice de reconhecimento, de interesse e de reação aos elementos da vida diária. Detalhes Essenciais: mesmo a ausência de apenas um detalhe essencial deve ser vista como séria. Quanto mais detalhes essenciais estiverem faltando e mais desenhos estiverem envolvidos, maiores são as implicações patológicas. Na casa espera-se uma parede, telhado, porta, janela. Na árvore espera-se o tronco e um galho. Na pessoa, a cabeça, tronco, braços, pernas, traços faciais. Uso mínimo (ou abaixo da média): particularmente na casa e árvore – retraimento e/ou conflito na área representada ou simbolizada pelo detalhe/desenho associado. Comum em indivíduosretardados, com lesão cerebral, indivíduos retraídos ou deprimidos. Uso excessivo: preocupação exagerada com o que pode ser representado ou simbolizado pelo detalhe em questão. ) 41 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes Detalhes Não Essenciais: na casa seria cortina, calhas, venezianas; na árvore poderia ser casca, folhas soltas, frutas; na pessoa poderia ser detalhes da roupa. Uso limitado: bom contato com a realidade e uma interação sensível, provavelmente bem equilibrada com o ambiente. Uso excessivo: preocupação exagerada com o ambiente ou com a área simbolizada ou representada pelos detalhes usados ou por suas associações. Os obsessivo-compulsivos tendem a desenhar um maior número de detalhes deste tipo. Detalhes irrelevantes Usados de forma limitada: insegurança básica moderada ou uma necessidade de estruturação da situação de maneira mais segura. Arbustos desenhados próximo à casa; pássaros em árvore ou no céu; animal de estimação com a pessoa. Usados excessivamente: ansiedade “flutuante livre” existente ou potencial na área simbolizada pelo detalhe. Pode indicar forte necessidade de afastamento, especialmente se tendem a suplantar o tema principal do desenho. Nuvens , por exemplo, representam uma ansiedade generalizada em relação ao objeto desenhado. ) 42 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes Detalhes irrelevantes Pessoas em estado maníaco: geralmente desenham grande número de detalhes irrelevantes e, frequentemente, incluem palavras, comentários e títulos. Quanto melhor esses detalhes estiverem organizados e quanto mais próximos estiverem do objeto do desenho, maior a probabilidade de que a ansiedade esteja bem canalizada e bem controlada. Quanto mais exagerar o objeto do desenho, maior a indicação de potencial para patologia. Sol: parece representam a figura de maior autoridade ou de maior “valência” emocional dentro do ambiente do individuo, especialmente quando o sol for muito grande. Detalhes bizarros: contato com a realidade gravemente comprometido e indícios de psicopatologia. Exemplos: pernas sustentando uma casa ou traços faciais desenhados no sol. Dimensão do detalhe: uni e bidimensionais tendem a indicar baixa capacidade mental ou lesão cerebral. Exceção: “figura palito da árvore ou da pessoa. ) 43 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes Sombreamento do detalhe Saudáveis: produzidos de forma rápida, leve e com poucos rabiscos casuais, envolvem abstração e certa quantidade de sensibilidade ao ambiente. O individuo não volta a sombrear ou a reforçar. Patologia: sombreado produzido lentamente com atenção e força excessivas ou sem respeitar os contornos; indicam ansiedade e conflito. Sequência do detalhe: qualquer desvio em relação à sequência do desenho indica patologia potencial. Espera-se na casa que se inicie com o telhado ou com a linha de solo, somente depois a parede, porta e janela. Na árvore seria o tronco, galho e copa ou copa, galhos e tronco. Na pessoa, espera-se que inicie com a cabeça e detalhes faciais. Desvios: ordem de apresentação pouco comum, retorno compulsivo para algo que foi previamente desenhado, apagar e redesenhar algo previamente desenhado ou repetição de um detalhe. Regra: não se retorna aos detalhes que já foram completados. São vários detalhes parecidos forem desenhados – como uma série de janelas – eles serão finalizados antes que outro tipo de detalhe seja introduzidos. ) 44 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes Ênfase no detalhe: ansiedade ou conflito relacionados ao detalhe em questão, que muitas vezes a pessoa expressa por meio de comentários ou por meio de omissões no desenho. Comentários ou expressões emocionais claras, sequencias pouco comuns em volta daquele detalhe, excesso de rasuras, lentidão ao desenhar o detalhe, combinações bizarras e por lesões desenhadas (cicatrizes por exemplo). Omissão ou não completamento de um detalhe ou a recusa em comentar sobre ele também pode ser interpretadas como ênfase naquele detalhe. ) 45 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Qualidade da linha Uma pessoa média tem pouca dificuldade para desenhar linhas relativamente retas. Os ângulos são geralmente bem definidos e as linhas curvas fluem livremente e de modo controlado. Em geral a Casa requer apenas linhas retas; a Pessoa necessita de muitas linhas curvas; a Árvore requer uma combinação de ambas. Variações para o desenho todo: indicadoras de patologia. Linhas rabiscadas: deterioração orgânica. Falhas na coordenação motora: desajustamento funcional da personalidade ou desordem do SNC. Traçados extremamente leves: quando usados em todo o desenho aponta para sentimento de inadequação, indecisão ou medo de derrota. Linhas que se tornam mais fracas à medida que a sessão progride indicam ansiedade ou depressão generalizadas. Linhas fracas usadas somente para certos detalhes podem estar relacionadas com relutância para desenhar esses detalhes por causa do que simbolizam. Baixo nível de energia; timidez; sentimentos de incapacidade; falta de confiança em si mesmo; em alguns casos, repressão dos impulsos. ) 46 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Qualidade da linha Traçados fortes: desenhados com linhas pretas fortes sugerem tensão; quando usadas em todo desenho, essas linhas indicam problemas orgânicos. Se forem usadas em um detalhe específico, sugere uma fixação no objeto desenhado. Se formarem o contorno da maior parte do desenho, e outras linhas dentro do desenho não são tão fortes, a pessoa pode estar lutando para manter a integridade do ego e estar desconfortavelmente consciente do fato. Se forem as linhas de solo e/ou as mais altas, a pessoa pode estar tentando estabelecer contato com a realidade e reprimir a tendência de obter satisfação na fantasia. Linha de solo muito forte – sentimentos de ansiedade nos relacionamentos. Excesso de energia, vitalidade, iniciativa, decisão, confiança em si mesmo ou medo, tensão, insegurança, agressividade e hostilidade para com o ambiente, aguda consciência da necessidade de autocontrole, falta de adaptação com esforço para manter o equilíbrio da personalidade, ou ainda, expressão de isolamento com necessidade de proteger-se de pressões externas. ) 47 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Qualidade da linha Traçados interrompidos: normalmente indicam indecisão. Linhas que são interrompidas e nunca são unidas: podem ser falhas no funcionamento do ego (escassez de recursos eficientes para lidar com situações de estresse tanto nas relações interpessoais quanto para resolver problemas práticos). Pressão da linha: analisa o nível de energia da pessoa. O tipo de linha e a pressão do traçado indicam, em um extremo, energia, vitalidade, decisão e iniciativa e, no outro, insegurança, falta de confiança em si e ansiedade. Pressão média: boa energia, equilíbrio e vitalidade. Variação na pressão: flexibilidade, capacidade de adaptação ou labilidade de humor, instabilidade e impulsividade. ) 48 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Cor O objetivo principal de aplicar o HTP colorido é fornecer uma estimativa da estabilidade das respostas do individuo. Se no momento da escolha da cor o individuo se mostra lento e indeciso maior será a probabilidade que o item tenha maior significadoque a média. Se no momento da aplicação o individuo usar apenas a cor preta ou marrom como lápis isso sugere que ele possui tendência a evitar emoções. Adequação: os contornos geralmente são pretos ou marrom, já a coloração de certos detalhes é tão estabelecida que qualquer violação na sua apresentação pode ser considerada significativa. Por exemplo, o sol geralmente é pintado de amarelo, quem pintá-lo de azul seria um dado relevante. ) 49 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Cor Observações: Usar crayons apenas preto ou marrom e usá-los como lápis tendência para evitar emoções. Pessoas fortemente emotivas usam muitas cores. Crianças usam mais cores do que os adultos. Imaturas usam cores mais livremente e com menos crítica. Mais de 3/4 da página colorida indica falta de controle adequado da expressão emocional. Se as cores ultrapassarem as linhas periféricas há tendência a responder impulsivamente e dificuldade de seguir limites ou regras. O sombreamento é mais usado nos desenhos coloridos do que nos acromáticos e, geralmente, são usadas mais cores no desenho da Pessoa do que nos da Casa e da Árvore. ) 50 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS CASA ) 51 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS A CASA Estimula uma mistura de associações conscientes e inconscientes referentes ao lar e às relações interpessoais íntimas. Em crianças parece salientar o ajustamento aos irmãos e aos pais, especialmente a mãe. Em adultos indica o ajustamento às situações domésticas em geral e, mais especificamente ao cônjuge e aos filhos (se tiver). Dá uma indicação da capacidade do individuo para agir sob estresse e tensões nos relacionamentos humanos íntimos e familiares e para analisar criticamente problemas criados pela situação do lar. Evidencia a acessibilidade, nível de contato com a realidade e grau de rigidez da pessoa no contexto da família. ) 52 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Vida familiar e doméstica; como o sujeito se sente em seu meio. “O desenho da casa dá uma indicação da capacidade do indivíduo para agir sobre estresse e tensões nos relacionamentos humanos íntimos e para analisar criticamente problemas criados pela situação no lar. As áreas de interpretação no desenho da casa geralmente referem-se à acessibilidade, nível de contato com a realidade e grau de rigidez do indivíduo ” (Buck, 2009, p.42) “De um modo geral, pensa-se na casa como o lar e suas implicações, subentendendo o clima da vida doméstica e as interrelações familiares, tanto na época atual como na infância” (Cunha, 2003, p.520). ) 53 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Telhado e Paredes: Representam de forma rudimentar, a estrutura psicológica do indivíduo. Os limites periféricos da personalidade são representados pelos limites periféricos da parede e do telhado. O telhado representa as áreas do pensamento e da fantasia. Muita ênfase nessas linhas periféricas podem indicar “contenção”, esforço consciente para manter o controle. Linhas periféricas fracas e inadequadas sugerem fraco controle dos impulsos ou necessidades, ou sentimento de incapacidade de lidar com as pressões familiares. Chaminé: Desenhada com facilidade e sem distorções ou ênfase: maturidade e equilíbrio sensual satisfatório. Omissão/ênfase excessiva não representam sério desajustamento. Pessoas desajustadas sexualmente tendem a tratar a chaminé como um símbolo fálico. Abundância de fumaça: considerável tensão interna, presumivelmente ocasionada por relações insatisfatórias com aqueles com quem vive. ) 54 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Porta e Janelas Usualmente representam acessibilidade, disponibilidade para entrar em contato com as pessoas. As janelas constituem formas menos diretas e imediatas de interação com o ambiente do que a porta. Ênfase em portas dos fundos e laterais: parecem enfatizar evasão. Ênfase no revestimento, fechadura e/ou dobradiça da porta: sugerem medo, necessidade de se proteger ou pensamentos persecutórios. Ênfase na maçaneta: excesso de consciência da função da porta (de contato com pessoas) e/ou preocupação fálica. Muitas grades: sentimento de que o quarto atrás da janela é uma prisão. Fechaduras nas janelas: atitude manifestamente defensiva. Muitas janelas descobertas: contato áspero e direto, sem tato ou delicadeza. Casa descrita como ocupada: Alto grau de acessibilidade tranquila. Casa descrita como desocupada: Falta de defesa do ego, fragilidade. ) 55 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes não essenciais Venezianas, sombreamento e cortinas que não estiverem completamente fechadas: interação com o ambiente conscientemente controlada, acompanhada por alguma ansiedade. Se os três forem usados, indícios de uma pessoa muito defensiva. Se algumas janelas forem mostradas com sombras, cortinas ou vidraças e outras não, procure investigar no inquérito qual o cômodo tipo e quem ocupa. As respostas podem explicar o desvio. Muitas janelas sombreadas ou com cortinas: preocupação excessiva relativa à interação com o ambiente. Materiais no telhado: Desde contorno meticuloso de cada telha até rabiscos dispersos sugerindo a presença do material. Materiais não compulsivamente desenhados: consciência moderada de diferenciação da superfície e boa capacidade para interação equilibrada com o ambiente. Detalhes meticuloso: tendências obsessivo- compulsivo. Canos (para escoamento da água no telhado e calhas): atitude defensiva, e normalmente suspeita, com esforço concomitante para canalizar estímulos desagradáveis. ) 56 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes irrelevantes Arbustos e caminhos: comuns para a casa. Arbustos desenhados perto da casa: necessidade de erguer barreiras defensivas ou de estabelecer contato com os outros de maneira mais formal. Arbustos também podem representar pessoas próximas. Árvores: muitas vezes representam pessoas que possuem fortes valências positivas/negativas para a pessoa. Uma árvore irrelevante desenhada próximo à casa pode representar o indivíduo que rejeita os pais e prefere ficar do lado de fora ou está necessitando de sua afeição/atenção. Perto da casa e na proximidade imediata dos arbustos (mais tarde identificados como irmãos) pode expressar necessidade de aceitação por parte de seus irmãos/irmãs. Caminho: facilmente desenhado e bem proporcional, sugere uma pessoa que exerce controle tato no seu contato com os outros. Por outro lado, um longo caminho indica acessibilidade diminuída. Degraus , às vezes conduzindo a uma parede vazia: forte ambivalência em fazer contato com pessoas muito próximas. Nuvens: ansiedade. Montanhas: atitude defensiva e necessidade de dependência. ) 57 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes irrelevantes Chuva e neve: forte necessidade em expressar sentimentos de estar sendo submetido a pressões ambientais fortes e opressivas. Sombreamento do detalhe: sombreamento normal inclui a representação do material da parede e de linhas cruzando a janela para representar vidro. Sombras desenhadas espontaneamente e antes que o sol seja desenhado pode indicar situação de conflito na qual a ansiedade é vivida no nível consciente. Sequência do detalhe telhado, paredes,uma porta e uma janela ou linha de solo, paredes de um telhado. Os inseguros desenham, às vezes, simetricamente (2 janelas, 2 chaminés, 2 portas, etc.). Adequação da cor Pode ser produzida em qualquer cor sem violar a realidade do ponto de vista cromático. Tipicamente: a chaminé é vermelha, preta ou marrom; a fumaça é preta ou marrom; o telhado é preto, verde, vermelho ou marrom; as paredes são pretas, marrons, verdes, vermelhas ou azuis; as venezianas são pretas, verdes, marrons, azuis ou vermelhas. ) 58 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS ÁRVORE ) 59 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS A ÁRVORE – Estimula mais as associações menos conscientes. Pode ser a expressão gráfica dos recursos eficientes que a pessoa dispõe para obter satisfação no (e do) seu ambiente, para enfrentar o mundo apesar dos dramas ou traumas vividos sem perder o contato com a realidade. A qualidade do desenho reflete a capacidade da pessoa para avaliar criticamente suas relações com o ambiente, sua capacidade para suportar as interações e as pressões sociais. ) 60 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Vida e crescimento, relações com o ambiente para obter satisfação. A árvore, que parece estimular menos associações conscientes e mais associações subconscientes e inconscientes do que os outros dois desenhos, é uma expressão gráfica da experiência de equilíbrio sentida pelo indivíduo e da visão de seus recursos de personalidade para obter satisfação no e do ambiente. A qualidade do desenho parece refletir uma capacidade do indivíduo para avaliar criticamente suas relações com o ambiente. Áreas adicionais de interpretação incluem o quadro subconsciente do indivíduo em relação ao seu desenvolvimento, contato com a realidade, sentimento de equilíbrio interpessoal e pressões interpessoais. (Buck, 2009) ) 61 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Proporção Árvore muito pequena: fortes sentimentos de inadequação/incompetência para lidar com o ambiente. Árvore muito grande: busca de satisfação supercompensatória e/ou fantasia e sugere, na melhor das hipóteses, hipersensibilidade (particularmente uma que é cortada pelas margens da folha). Tronco muito fino ou muito pequeno e com grande estrutura de galhos (ou copa): equilíbrio precário da personalidade por causa de excessiva busca de satisfação. Tronco muito grande e pequena estrutura de galhos: equilíbrio precário da personalidade por causa da frustração gerada pela incapacidade de satisfazer fortes necessidades básicas. Tronco com base larga, mas que se torna muito fino a uma pequena distância acima da base: ambiente sem estimulação calorosa e saudável. Tronco mais estreito na base do que em um ponto mais alto: forte indicação de patologia. Esforço além das forças do individuo, com possível colapso do controle do ego. ) 62 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes essenciais Deve ter um tronco e pelo menos um galho. Tronco: sentimento básico de poder. Galhos: recursos eficientes para lidar com as pressões do meio e para a obtenção de satisfação. Detalhes não essenciais Casca desenhada facilmente: interação bem equilibrada. Casca desenhada com linhas muito pesadas e consistentes: ansiedade. Casca desenhada meticulosamente e cuidadosamente: preocupação com sua relação com o ambiente presente. Cicatrizes: devem ser investigadas durante o inquérito (questão 43). Folhas: podem ser cosméticas ou funcionais. Enfeites (cosméticas): decoram e cobrem o esqueleto da árvore. Funcionais: servem para estabelecer o contato mais imediato e direto com o ambiente. ) 63 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes não essenciais Frutas: desenhadas normalmente por crianças e, ocasionalmente, por mulheres grávidas. Crianças e adolescentes: desejo de realizar, prosperar, de obter sucesso rápido, procura de boas recompensas, oportunismo, luta ou impaciência. Adultos: fixação na infância ou adolescência, oportunismo, desejo de ver resultados imediatos, impaciência e necessidade de autoestima (comum em mulheres grávidas). Se a fruta está caindo ou já está caída: sugere perda, sentimento de rejeição, de sacrifício, de renúncia, de frustração e de morte. Raiz: em nível superficial representa a fonte de satisfação elementar e a estabilidade das forças da personalidade. Em nível mais profundo, representa impulsos básicos, elementares. Que penetram fácil e delicadamente no solo: bom contato com a realidade. Como garras que parecem agarrar o solo: presença de atitudes agressivas e paranoicas. ) ( 64 ) ( 32 ) ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes irrelevantes Pássaros ou animais: nos galhos ou na grama ao redor da base do tronco são comuns. Ocasionalmente podem representar uma pessoa muito significativa na vida do individuo. Linha de solo Formato de arco convexo (tipo em montanha): dependência materna, com sentimentos de isolamento e desamparo, se a árvore for relativamente pequena ou estiver inadequadamente organizada. Forma de uma caixa sem nenhuma relação com a árvore: contato inadequado com a realidade. Árvore de Natal: comum para crianças. Adultos: narcisismo, tendências regressivas e forte necessidade de cuidado e proteção. Árvores adicionais: para crianças são identificadas como sendo o pai e a mãe (comum). Ninhos: desejo de proteção, imaturidade, dependência, imersão fantasia e concepção infantil do mundo. ) 65 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Adequação da cor Troncos: tendem a ser desenhados em marrom e preto. Galhos: marrom e preto. Folhagem: verde, amarelo, vermelho, marrom e preto. Frutas: vermelho, amarelo e verde. Flores: vermelho, laranja, azul e violeta. ) ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS PESSOA ) 67 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS A PESSOA Estimula mais associações conscientes, incluindo a expressão direta da imagem corporal. Desperta sentimentos tão intensos que alguns paranoicos ou psicopatas podem se recusar a fazê-los. A qualidade do desenho reflete a capacidade de atuar em relacionamentos. Este desenho também pode evocar o papel e atitude sexuais em relacionamento interpessoal específico ou a relacionamentos interpessoais em geral. Este desenho pode manifestar três tipos de projeções: Autorretrato Eu ideal ou ideal do ego Pessoas significativas ) ( 68 ) ( 34 ) ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Autorretrato; relacionamento interpessoal. A pessoa desenhada estimula mais associações conscientes do que a casa ou a árvore, incluindo a expressão direta da imagem corporal. A qualidade do desenho reflete a capacidade do indivíduo para atuar em relacionamentos e para submeter o self e as relações interpessoais à avaliação crítica objetiva. Áreas adicionais de interpretação para o desenho da pessoa podem se referir ao conceito do indivíduo de seu papel e atitude sexuais em relação a um relacionamento interpessoal específico ou a relacionamentos interpessoais em geral (Buck, 2009). O desenho da pessoa revela o grau de ajustamento num nível psicossocial. Conforme Hammer (1991), o desenho da pessoa pode conter elementos do autorretrato ou de um self ideal, embora possa resultar da percepção de outras pessoas significativas (Cunha, 2003). ) 69 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVASProporção Diferença acentuada entre o lado esquerdo e o direito: confusão no papel sexual, especificamente, e desequilíbrio da personalidade em geral. Cabeça muito grande: pessoas desajustadas que colocam ênfase na inteligência ou na fantasia como fonte de satisfação. Cabeça desproporcionalmente pequena: obsessivo-compulsivo e podem representar uma negação do lugar de pensamentos dolorosos e sentimentos de culpa. Olhos pequenos: desejo de ver o mínimo possível. Boca muito grande: erotismo oral e/ou tendências agressivas orais. Pescoço longo e fino: características esquizoides. Tronco: Desproporcionalmente grande: impulsos insatisfeitos que a pessoa pode sentir intensamente. Desproporcionalmente pequeno: negação de impulsos do corpo e/ou sentimentos de inferioridade. Comprido e estreito: conotações esquizoides. ) ( 70 ) ( 35 ) ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Proporção Ombros: indicador do sentimento de força básica ou poder, tanto físico como psicológico. Desproporcionalmente grandes: sentimentos de força ou muita preocupação acerca da necessidade de força ou poder. Muito pequenos: sentimentos de inferioridade. Desigualdade no tamanho: desequilíbrio da personalidade. Braços: Muito longos: esforço para a ambição exagerada. Muito curtos: ausência de esforço. Largos: sentimento básico de força para luta. Finos: sentimentos de fraqueza. Mãos: Grandes: impulsividade e falta de capacidade nos aspectos mais refinados do convívio social. Pequenas: relutância para estabelecer contato mais íntimos e refinados na convivência psicossocial. ) 71 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Proporção Pernas: Desproporcionalmente longas: forte esforço para autonomia. Muito curtas: sentimento de constrição. Disparidade no tamanho: ambivalência relacionada ao esforço para autonomia ou independência. Pés: Muito grandes: necessidade de segurança, necessidade de demonstrar virilidade. Desproporcionalmente pequenos: constrição e dependência. ) ( 72 ) ( 36 ) ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Perspectiva Margens da página: pernas cortadas pela margem inferior, sentimento quase esmagador de falta de autonomia. Posição: Totalmente de frente – sem sugestão de profundidade e os braços completamente estendidos em ângulo reto com o tronco: essencialmente rígido e intransigente e que, entretanto, apresenta profunda necessidade de ocultar sentimentos de inadequação e insegurança, com sugestão de prontidão para enfrentar tudo direta e firmemente. Perfil parcial: apresentação comum. Perfil completo – sem nenhuma sugestão de que existe outro lado: forte retraimento e tendências oposicionistas. De costas: afastamento esquizo-paranoide, o individuo rejeita diretamente o convívio psicossocial e, muitas vezes, a realidade também. Dissimulação dos impulsos “proibidos”, culpa e vergonha. Desenho pedagógico (ou figura palito): grande dificuldade nas relações interpessoais ou expressão de desprezo e/ou hostilidade em relação a si mesmo. Comum em adolescentes que se sentem rejeitados. ) 73 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Perspectiva Braços: Relaxados e flexíveis: bom ajustamento. Tensos, mantidos firmemente colados ao corpo: rigidez. Cruzados no tórax: desconfiança e atitude hostis. Atrás das costas: relutância em conhecer outros caminhos. Cruzados de forma que as mãos estejam dobradas sobre a pélvis: frequentemente em mulheres melancólicas em processo involutivo e desajustadas sexualmente. Mãos nos bolsos: evitação do contato mas de modo controlado. Pernas: Abertas: desafio e/ou forte necessidade de segurança. Fortemente unidas, em atitude de paralisia, rigidez e tensão: desajustamento sexual. Pés: Ponta dos pés: tênue contato com a realidade ou forte desejo de fuga. Apontando para direções opostas, com a pessoa totalmente de frente: sentimentos ambivalentes. ) ( 74 ) ( 37 ) ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes essenciais A pessoa deve ter uma cabeça, um tronco, duas pernas e dois braços, a não ser que apenas um deles possa ser visto ou que a ausência seja explicada de algum modo (amputação, por exemplo). Os traços faciais devem incluir dois olhos, um nariz, uma boca e duas orelhas, a não ser que a posição seja tal que as orelhas não possam ser vistas, ou sua ausência seja explicada verbalmente (mutilação). Cabeça: área de inteligência, controle e fantasia. Olhos: receptores do estímulo visual; ocos = forte evitação de estímulos visuais desagradáveis. Boca: receptora das sensações mais precoces de prazer; instrumento de agressão (dentes); refere-se às tendências captativas, como nutrição, satisfação da libido oral, relações sociais – dar e receber afeição e, mesmo, relações sexuais. Nariz: símbolo fálico. Orelhas: passividade (não desenhada), resistência à autoridade (ênfase), sensibilidade à crítica (muito grandes), inferioridade (pontiagudas). Queixo: símbolo de masculinidade. ) 75 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Detalhes essenciais Pescoço: indicador da coordenação entre a cabeça (área de controle) e o corpo (área dos impulsos); zona de conflito entre o controle emocional e os impulsos corporais. Tronco: sede das necessidades e impulsos físicos básicos. Braços: instrumento de controle ou para fazer mudanças no ambiente. Mãos: instrumentos mais refinados de ações (defensivas ou ofensivas) no ambiente. Pernas: locomoção; visão que o indivíduo tem de sua autonomia dentro do ambiente. Pés: instrumentos mais refinados para modificar e controlar a locomoção; armas de ataque; indicam a segurança geral do indivíduo, em caminhar no meio ambiente. Ênfase no detalhe Linha da cintura: coordenadora dos impulsos de poder (parte superior do tronco) e dos impulsos sexuais (parte inferior do tronco); controladora dos impulsos sexuais e corporais. Ênfase em certos itens da roupa: Cinto: preocupação e interesse sexual excessivo. Gravata: preocupação fálica e sentimento de impotência. Multiplicidade de botões: regressão. ) 76 ( 38 ) ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Adequação da Cor Contorno: preto e marrom. Cabelos: preto, marrom, amarelo e vermelho. Olhos: azul, marrom e preto. Lábios: vermelho e preto. Ternos: preto e marrom. Sapatos: preto, marrom, verde, vermelho e azul. Figuras inacabadas A distorção ou omissão de qualquer parte da figura sugerem conflito que podem estar relacionados com a parte em questão. Exemplo: voyeuristas omitirem os olhos, pessoas muito inseguras não desenharem os braços. ) 77 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Gênero oposto desenhado primeiro: conflito com a identificação do gênero. Quando aparece, primeiro, o desenho de figura de sexo diferente do propósito, Hammer (1991) oferece as seguintes explicações: inversão sexual; confusão de identificação sexual; forte afeto ou dependência para com o genitor do sexo oposto; forte afeto ou dependência para com outro indivíduo do sexo oposto; regressão ou estágio narcisístico, onde se é ‘um só com a mãe’. (Campos, 1989, p.95) ) 78( 39 ) ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS INQUÉRITO POSTERIOR AO DESENHO Pretende esclarecer aspectos obscuros dos desenhos e proporcionar ao individuo toda oportunidade de projetar sentimentos, necessidades, objetivos e atitudes por meio da descrição verbal e de comentários sobre seus desenhos. As respostas dadas durante o inquérito devem ser avaliadas de acordo com diversas dimensões: O volume de respostas; As respostas devem ser avaliadas por sua relevância. (Freitas e Cunha, 2003) ) 79 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Protocolo de Inquérito O Protocolo de Interpretação do HTP pretende ser apenas um instrumento para ajudar o clínico a concentrar-se mais nas características relevantes dos desenhos do cliente para desenvolver uma interpretação clínica. O Inquérito Posterior ao Desenho pretende esclarecer aspectos obscuros dos desenhos e proporcionar ao indivíduo toda oportunidade de projetar sentimentos, necessidades, objetivos e atitudes através da descrição verbal e de comentários sobre seus desenhos. As respostas devem ser avaliadas por sua relevância. O grau em que as respostas, durante o inquérito, incluem material de autorreferência ou confabulações deve ser observado. (Buck, 2009) ) 80 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Protocolo de Inquérito Material complementar e auxiliar na compreensão do tipo de representação que o cliente fez; Permite a observação dos modelos e expectativas que o cliente tem do futuro e lembranças do passado; Oferece uma maior clareza das ideias e fantasias; Reforça ou contradiz aquilo que é expresso nos desenhos com a história relatada (observar situações, aspectos e falas recorrentes, convergentes e divergentes dos desenhos e respostas do inquérito); Um ponto de extrema importância para observar no inquérito é o item sobre “o que esta casa (árvore ou pessoa) mais necessita”, pois as respostas refletem diretamente as necessidades do cliente (externa ou interna, importante ou supérflua); (Buck, 2009) ) 81 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS Protocolo de Inquérito Em relação à árvore o fato dela estar viva ou morta é fator importante de patologia (verificar o motivo da morte, se refere-se a algo terrível que o cliente mesmo fez - simboliza o quanto ele próprio se sente ameaçador); Há aqueles que recusam ou só respondem “não sei” , pode indicar dificuldades de falar sobre si mesmo, dificuldades para falar de coisas suas para os outros, baixa autoestima, dificuldade de relacionamento ou timidez pela dificuldade de colocar para fora; Questão 68 (Peça para o cliente desenhar um sol e uma linha de solo em cada desenho) – Suponha que o sol fosse uma pessoa que você conhece – quem seria? = a resposta pode identificar as fontes de calor humano para o indivíduo e aquelas percebidas como dominadoras (sol muito grande); porém se ninguém for identificado, o indivíduo pode apresentar extrema dificuldade de identificação com os outros (Buck, 2009, p.65) (Buck, 2009) ) 82 ( TÉCNICAS PROJETIVAS E EXPRESSIVAS REFERÊNCIAS Borsa, J. C.; Lins, M. R. C. & Cardoso, L. M. (2018). Teste da Casa-Árvore- Pessoa (HTP) na avaliação da personalidade. In Hutz, C. S.; Bandeira, D. R. & Trentini, C. M. Avaliação psicológica da Inteligência e da personalidade. Porto Alegre: Artmed. Buck, J. N (2009). H-T-P: casa-árvore-pessoa, técnica projetiva de desenho: guia de interpretação. (Tardivo, R. C. trad.); revisão de Alves, I. C. B. (2ºed.). São Paulo (SP): Vetor. Freitas, N. K. & Cunha, J. A. (2003). Desenho da Casa, Árvore e Pessoa (HTP). In Cunha, J. A. Psicodiagnóstico-V . (5. ed.), revisado e ampliado. Porto Alegre (RS): Artmed. Hammer, E. F. (1991). Aplicações clínicas dos desenhos projetivos . São Paulo (SP): Casa do Psicólogo. ) 83