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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER DE JOÃO PESSOA-PB.
 
 
PROCESSO Nº 00245-85.2019.815.0000
 PEDRO, já devidamente qualificado nos autos em epígrafe, vem perante Vossa Excelência, por intermédio de seu advogado, com fulcro no art. 396 e 396 A, ambos do Código de Processo Penal, apresentar
 
RESPOSTA À ACUSAÇÃO
 pelos fatos e fundamentos a seguir narrados: 
 DOS FATOS
 O Ministério Público ofereceu denúncia, em 22 de julho de 2019, em desfavor do acusado, por ter praticado dois crimes de lesão corporal leve, em concurso material, na data de 04 de janeiro de 2019, em uma boate, contra Alice e Roberta, duas amigas de Carla, sua ex-namorada, consubstanciando o incurso das penas do “caput” do artigo 129 c/c com o art. 69, ambos do Código Penal e ainda a Lei 11.340/06 (Lei Maria da Penha).
 Tendo sido conduzido pela polícia à Delegacia da Mulher, após o fato, onde as vítimas foram submetidas a exames de corpo de delito que confirmaram as lesões corporais leve, e ainda foi colhido o depoimento da ex-namorada. Porém as vítimas, mesmo confirmando a agressão, não manifestaram interesse em responsabilizar criminalmente o acusado. 
DO DIREITO
DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NÃO CARACTERIZADA E INCOMPETÊNCIA
 Segundo a jurisprudência, não configura a violência doméstica nesse caso, pois não se verifica nenhuma das hipóteses de violência baseada em questão de gênero previstas nos incisos I, II e III do artigo 5º da Lei Maria da Penha. 
 Portanto não é cabível este juízo, visto que o acusado incorreu no crime de lesão corporal leve apenas, cuja pena é de 3 (três) meses a 1 (um) ano, sem o concurso material pois não houve mais de uma ação ou omissão, sendo a competência do Juizado Especial Criminal.
 “CONFLITO NEGATIVO DE JURISDIÇÃO - VIAS DE FATO (ART. 21 DA LCP)- VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NÃO CARACTERIZADA - COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL - INFRAÇÃO PENAL DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO. 
1) Não obstante o parentesco entre a vítima e o suposto agressor, restou evidenciado que a agressão não foi praticada em razão de gênero, requisito indispensável para incidência da Lei 11.340/06. 
2) Ausente a opressão ou violência de gênero, o delito imputado ao acusado será regido pela legislação penal ordinária e não pela lei especial. 
3) Tratando-se de infração penal de menor potencial ofensivo, a competência para processar e julgar o feito é do Juizado Especial Criminal, conforme determinação do art. 60 da Lei 9.099/95.
(TJ-MG - CJ: 10000150180578000 MG, Relator: Kárin Emmerich, Data de Julgamento: 07/07/2015, Câmaras Criminais / 1ª CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 17/07/2015)”
“COMPETÊNCIA. AMEAÇA E LESÃO CORPORAL. DESAVENÇA ENTRE IRMÃOS, CUNHADOS E CONCUNHADOS. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NÃO CARACTERIZADA. 
A situação de violência doméstica pressupõe que a ação ou a omissão seja motivada por questão de gênero. Não é qualquer agressão contra a mulher que enseja a aplicação da lei, que objetiva assegurar maior proteção a mulheres que, em razão do gênero, se encontrem em situação de vulnerabilidade no âmbito doméstico e familiar. [...] 
(TJ-DF 20171510029209 DF 0002772-14.2017.8.07.0019, Relator: JAIR SOARES, Data de Julgamento: 27/06/2019, 2ª TURMA CRIMINAL, Data de Publicação: Publicado no DJE : 01/07/2019 . Pág.: 193/199)”
DA NULIDADE DO PROCESSO E DECADÊNCIA
 Os crimes de lesão corporal leve ou culposa, pela regra do art. 88 da Lei 9.099/95 (Juizados Especiais), são de Ação Penal Pública Condicionada à Representação do Ofendido e de prazo decadencial de 6 meses do conhecimento de quem é o autor do crime pelo ofendido.
 A representação é condição de procedibilidade para que o Ministério Público ofereça a denúncia. Embora não se exija formalidade para fins de representação, não houve, no caso em tela, demonstrado interesse em que se instaurasse procedimento criminal contra o ofensor. Diante da ausência de representação, é incabível que o Ministério Público ofereça a denúncia, ainda que tenha elementos informativos suficientes sobre a autoria e a materialidade do crime. Se o MP ignora o fato de não haver representação do ofendido, impõe-se o reconhecimento da nulidade do processo desde o seu início. 
 Ainda, tendo o fato ocorrido em 4 de janeiro de 2019, o prazo de 6 meses para o oferecimento da denúncia se encerrou em 4 de julho de 2019, decorrido então o prazo decadencial, que é causa de extinção da punibilidade.
“APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO. FURTO QUALIFICADO PELO ABUSO DE CONFIANÇA. FATO OCORRIDO ENTRE TIO E SOBRINHO QUE COABITAVAM. NECESSIDADE DE REPRESENTAÇÃO PARA O PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO PENAL. 
[...] nos termos do previsto no art. 182, inciso III do CP, a ação penal somente poderia ter sido instaurada mediante representação da vítima. Contudo, dita providência não foi realizada, sendo que o adolescente foi inclusive ouvido sem a presença de tutor ou representante legal. 
Ainda que se possa flexibilizar a exigência de representação formal, no caso concreto, justamente por se tratar de uma vítima adolescente, as disposições legais deveriam ter sido rigorosamente observadas. Assim, a violação ao procedimento legal implica em nulidade processual ab initio, nos termos do art. 564, inciso III, alínea “a”, do CPP. 
E, por conseguinte, declarada nula a ação penal desde o recebimento da denúncia, o prazo decadencial para a juntada de representação também já foi ultrapassado, devendo, por isso, ser declarada extinta a punibilidade do réu, nos termos do art. 107, inciso IV, CP. 
PUNIBILIDADE DO RÉU EXTINTA EM PRELIMINAR DE OFÍCIO. UNÂNIME. (TJ/RS, Sexta Câmara Criminal, Apelação Crime Nº 70067814574, Rel. Ícaro Carvalho de Bem Osório, julgado em 11/08/2016).”
DO PEDIDO
Ante todo o exposto, a defesa requer:
O recebimento da presente Resposta à Acusação;
A desclassificação do crime na forma mais grave, por violência doméstica contra a mulher, para o de lesão corporal simples;
Seja o processo anulado, de ofício, a partir do recebimento da denúncia, por ausência de procedibilidade por falta de representação das vítimas, conforme o art. 564, inciso III, alínea “a”, do CPP;
Se o juízo não entender pela anulação, que seja declarada a extinção da punibilidade do agente pela decadência, de acordo com o art. 107, IV, CP;
Caso os pedidos não sejam acolhidos, que sejam intimadas as testemunhas arroladas;
Protesta provar por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial, pela juntada posterior de documentos, oitiva de testemunhas abaixo arroladas, perícia técnica e informal, tudo desde já requerido.
Nestes termos,
pede deferimento.
 João Pessoa, 11 de setembro de 2019.
ADVOGADO
OAB/PB n°
ROL DE TESTEMUNHAS

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