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DIREITO PENAL, POLÍTICA CRIMINAL E 
CRIMINOLOGIA. 
Direito Penal: é o ramo do ordenamento jurídico que 
se ocupados mais graves conflitos existentes, devendo 
ser utilizado como a última opção do legislador para 
fazer valer as regras legalmente impostas a toda 
comunidade, utilizando-se da pena como meio de 
sanção, bem como servindo igualmente para impor 
limites à atuação punitiva estatal, evitando abusos e 
intromissões indevidas na esfera de liberdade 
individual. 
OBJETIVO X SUBJETIVO 
O primeiro é o conjunto das leis penais, enquanto o 
segundo, na realidade, inexiste, pois o que o Estado 
faz valer, quando um crime ocorre, é seu soberano 
poder de punir – e não meramente um direito. 
Política Criminal: trata-se de uma postura crítica 
permanente do sistema penal, tanto no campo das 
normas em abstrato, quanto no contexto da aplicação 
das leis aos casos concretos, implicando, em suma, a 
postura do Estado no combate à criminalidade 
“Os Poderes do Estado, particularmente o Legislativo 
e o Executivo, que elaboram as leis penais, não 
possuem uma política criminal definida, o sistema 
legislativo brasileiro é capaz de inserir normas 
pertinentes ao abolicionismo penal, em determinada 
época, para, na sequência, criar normas equivalentes 
ao direito penal máximo. A ausência de uma política 
criminal definida espelha um ordenamento penal 
desconexo, repleto de falhas, lacunas e contradições, 
acarretando ao Poder Judiciário maior volume de 
trabalho, em particular, buscando interpretar 
coerentemente as leis penais para evitar erros e 
injustiças.” 
Criminologia: é a ciência que estuda o crime, como 
fenômeno social, o criminoso, como parte integrante 
do mesmo contexto, bem como as origens de um e de 
outro, além dos fatores de controle para superar a 
delinquência. 
Enquanto a criminologia “considera, verticalmente, a 
criminalidade (conceito criminológico)”, o Direito 
Penal “considera, horizontalmente, o crime (conceito 
jurídico)”. 
Bem Jurídico: é o bem escolhido pelo ordenamento 
jurídico para ser tutelado e amparado. Quando se 
constituírem bem jurídico deveras relevante, passa ao 
âmbito de proteção penal, permitindo a formação de 
tipos incriminadores, coibindo as condutas 
potencialmente lesivas ao referido bem jurídico penal. 
(ex.: bens jurídicos fundamentais: vida, liberdade, 
igualdade, segurança, propriedade, intimidade, vida 
privada, honra, trabalho, dentre outros). 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO PENAL E ESCOLAS 
PENAIS. 
Evolução do direito penal: nos primórdios, a pena era 
aplicada desordenadamente, sem um propósito 
definido, de forma desproporcional e com forte 
conteúdo religioso. Atingiu-se a vingança privada e, na 
sequência, a vingança pública, chamando o Estado a si 
a força punitiva. Aplicou se o talião (olho por olho, 
dente por dente), o que representou um avanço à 
época, pois se traçou o contorno da 
proporcionalidade entre o crime praticado e a pena 
merecida. Seguiu-se a fase de humanização do direito 
penal, após a Revolução Francesa, estabelecendo-se, 
no mundo todo, a pena privativa de liberdade como a 
principal sanção aplicada, evitando-se, como meta 
ideal a ser atingida, as penas consideradas cruéis. 
Escola clássica: fundamentalmente, via o criminoso 
como a pessoa que, por livre-arbítrio, infringiu as 
regras impostas pelo Estado, merecendo o castigo 
denominado pena. Visualizava primordialmente o fato 
cometido, razão pela qual consagrou o princípio da 
proporcionalidade, evitando-se as penas corporais de 
toda ordem. 
Escola positiva: essencialmente, enxergava o 
criminoso como um produto da sociedade, que não 
agia por livre-arbítrio, mas por não ter outra opção, 
além de ser levado ao delito por razões atávicas. 
Visualizava, sobre tudo, o homem-delinquente e não 
o fato. 
PRINCIPIOS DO DIREITO PENAL. 
Princípios: são as ordenações que se irradiam por 
todo o sistema, dando-lhe contorno e inspirando o 
legislador (criação da norma) e o juiz (aplicação da 
norma) a seguir-lhe os passos. Servem, ainda, de fonte 
para interpretação e integração do sistema 
normativo. 
Dignidade da pessoa humana: é um princípio regente, 
base e meta do Estado Democrático de Direito, 
regulador do mínimo existencial para a sobrevivência 
apropriada, a ser garantido a todo ser humano, bem 
como o elemento propulsor da respeitabilidade e da 
autoestima do indivíduo nas relações sociais. 
Devido processo legal: cuida-se de princípio regente, 
com raízes no princípio da legalidade, assegurando ao 
ser humano a justa punição, quando cometer um 
crime, precedida do processo penal adequado, o qual 
deve respeitar todos os princípios penais e 
processuais penais. 
Legalidade: não há crime nem pena sem expressa 
previsão legal. 
Anterioridade: não há crime nem pena sem anterior 
previsão legal. 
Retroatividade da lei benéfica: leis penais benéficas 
podem retroceder no tempo para aplicação ao caso 
concreto, ainda que já tenha sido definitivamente 
julgado. 
Humanidade: não haverá penas cuja aflição gerada, 
física ou moral, ultrapasse os limites constitucionais 
da dignidade humana. 
Responsabilidade pessoal: a pena não passará da 
pessoa do condenado. 
Individualização da pena: não haverá pena 
padronizada, dando-se a cada réu o que efetivamente 
merece. 
Intervenção mínima (subsidiariedade, 
fragmentariedade ou ofensividade): o direito penal 
deve ser a última opção do legislador para resolver 
conflitos emergentes na sociedade, preocupando-se 
em proteger bens jurídicos efetivamente relevantes. 
Taxatividade: o tipo penal incriminador deve ser bem 
definido e detalhado para não gerar qualquer dúvida 
quanto ao seu alcance e aplicação. 
Proporcionalidade: as penas devem ser proporcionais 
à gravidade da infração penal. 
Vedação da dupla punição pelo mesmo fato: o autor 
da infração penal somente pode sofrer punição uma 
única vez pelo que cometeu, constituindo abuso 
estatal pretender sancioná-lo seguidamente pela 
mesma conduta. 
Culpabilidade: não há crime sem dolo e sem culpa 
FONTES DO DIREITO PENAL E INTERPRETAÇÃO DAS 
LEIS PENAIS 
Fonte material do direito penal: a União. 
Excepcionalmente, o Estado-membro se autorizado 
por Lei complementar editada pela União. 
Fonte formal do direito penal: a Lei em sentido 
estrito. 
Interpretação: processo de conhecimento do 
conteúdo da norma. 
Interpretação extensiva: processo de conhecimento 
do conteúdo da norma através de ampliação do 
sentido de determinado termo para dar lógica à sua 
aplicação, o que é admissível em direito penal. 
Interpretação analógica: processo de conhecimento 
do conteúdo da norma através de um procedimento 
de comparação entre os seus termos, ampliando-se o 
seu alcance, dentro de critérios previstos pela própria 
lei penal. 
Analogia: processo de integração do sistema 
normativo, suprindo-se lacunas e aplicando-se 
norma existente a caso semelhante ao que seria 
cabível. 
Analogia in malam partem: aplica-se determinada 
norma para punir o réu em caso análogo, para o qual 
inexiste lei específica, constituindo procedimento 
inadmissível em face do princípio da legalidade. 
Analogia in bonam partem: aplica-se certa norma 
para absolver o réu em caso análogo, para o qual 
inexiste lei específica, sendo excepcionalmente 
admissível para evitar o surgimento de situação de 
flagrante injustiça. 
APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO 
Regra geral da lei penal no tempo: aplica-se a lei 
vigente à época do cometimento da infração penal e 
ainda em vigor no momento da sentença (tempus 
regit actum). 
Extratividadeda lei penal: significa que a lei penal 
pode ser aplicada a fato ocorrido fora da sua época 
de vigência, dividindo-se em dois aspectos: 
retroatividade e ultratividade. 
Retroatividade: ocorre quando o juiz aplica nova lei 
penal, não existente à época do fato, mas que 
retroage a essa data porque beneficia o réu. 
Ultratividade: dá-se no momento em que o 
magistrado, ao sentenciar, aplica lei penal já 
revogada, entretanto benéfica ao réu, que era a lei 
vigente à época do fato. 
Leis intermitentes: são as normas penais feitas para 
ter curta duração. Dividem-se em temporárias e 
excepcionais. 
Leis penais temporárias: são aquelas que possuem, 
no seu próprio texto, a data da sua revogação. 
Vigoram por período certo. 
Leis penais excepcionais: são as formuladas para 
durar enquanto decorrer uma situação anormal 
qualquer. Vigoram por período relativamente incerto, 
mas sempre de breve duração. 
Normas penais em branco: são as que possuem a 
descrição de conduta indeterminada, dependente de 
um complemento, extraído de outra fonte legislativa 
extrapenal, para obter sentido e poder ser aplicada. A 
pena prevista é sempre determinada. 
Norma penal em branco própria: é a que possui 
complemento extraído de norma hierarquicamente 
inferior. 
Norma penal em branco imprópria: é a que possui 
complemento extraído de norma de igual hierarquia. 
TEMPO E LUGAR DO CRIME. 
Tempo do crime: adota-se a teoria da atividade, 
considerando-se praticada a infração penal ao tempo 
do desenvolvimento da ação ou da omissão, pouco 
importando quando se deu o resultado. 
Lugar do crime: adota-se a teoria mista, reputando-se 
cometida a infração penal no lugar onde se 
desenvolveu a ação ou omissão ou onde ocorreu o 
resultado. 
APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO ESPAÇO 
Territorialidade: é a aplicação da lei penal brasileira 
aos crimes ocorridos no território nacional. Cuida-se 
da regra geral, em homenagem à soberania do 
Estado. 
Extraterritorialidade: é a aplicação da lei penal 
brasileira aos crimes ocorridos fora do território 
nacional. Cuida-se de exceção, cujas situações estão 
enumeradas no art.7º do Código Penal e no art. 2º da 
Lei 9.455/97. 
Extradição: é um instrumento de cooperação 
internacional pelo qual um Estado entrega a Outro 
pessoa acusada do cometimento de infração penal 
para o cumprimento da pena ou para que responda 
ao processo. 
Imunidades diplomáticas e consulares: trata-se de 
exceção ao princípio da territorialidade, previsto em 
Convenções subscritas pelo Brasil, concedendo aos 
diplomatas e cônsules isenção à jurisdição brasileira, 
motivo pelo qual somente podem ser processados 
criminalmente em seus países de origem. 
Imunidades parlamentares: cuida-se de exceção ao 
princípio da territorialidade, previsto na Constituição 
Federal, possibilitando que o parlamentar, no 
exercício de seu mandato, por opiniões, palavras e 
votos, não possa ser criminal e civilmente 
responsabilizado. Permite, ainda, que processos 
criminais contra eles instaurados possam ser sustados 
pela Casa Legislativa correspondente. 
CONTAGEM DE PRAZO E FRAÇÃO PENAL 
Prazo penal: inclui-se o primeiro dia, desprezando-se 
o último. 
Prazo processual penal: despreza-se o primeiro dia, 
computando-se o último. 
Frações de penas: não são computadas as horas nas 
penas privativas de liberdade e restritivas de direitos e 
os centavos na pena pecuniária. 
CONFLITO APARENTE DAS NORMAS 
Conflito aparente de normas: é a situação de ilusória 
possibilidade de aplicação ao mesmo fato de duas ou 
mais normas penais incriminadoras, 
concomitantemente. Há sempre critérios para 
solucionar esse pretenso impasse. 
Critério da sucessividade: lei posterior afasta a 
aplicação de lei anterior. 
Critério da especialidade: lei especial afasta a 
aplicação de lei geral. 
Critério da subsidiariedade: lei principal afasta a 
aplicação de lei secundária. 
Critério da absorção: lei que abrange conteúdo fático 
mais amplo afasta a aplicação de norma abrangendo 
conteúdo fático mais estreito. 
Critério da alternatividade: a escolha de uma norma 
afasta logicamente a aplicação de outras.

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